Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Instituto Biológico na vila Mariana conta com um evento anual, a colheita e degustação do café
por
Mayara Pereira
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28/05/2024 - 12h

A cidade de São Paulo teve grande influência da cafeicultura. Em 1850 o país dependia diretamente da produção de café que era exportado e muito bem pago. O estado de SP era considerado rural, porém, no fim do século XIX, sua população aumentou significativamente com a chegada dos imigrantes que buscavam trabalho nos centros urbanos.

A capital paulista passou a receber indústrias e, por volta de 1920, ficou conhecida como o centro industrial mais importante do país. Em 2005 foi instituído o dia Nacional do café, 24 de maio, no calendário de eventos brasileiro. Em comemoração a data, o Instituto Biológico realiza o evento "sabor da colheita", com muita história, shows e degustação. A entrada é gratuita.

Para os interessados em participar da colheita, é necessário se inscrever antecipadamente pelo link oficial 
http://www.biologico.sp.gov.br/page/cafezal-do-instituto-biologico.
 

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Cafezal carregado de grãos dentro do Instituto Biológico, na vila Mariana, zona sul. Foto: Mayara Pereira 
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Amostra para exposição das fases do café- Foto: Mayara Pereira 
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Árvore carregada- pronta para colheita. Foto: Mayara Pereira 
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Grãos maduros- o clima tropical Brasileiro favorece a qualidade do produto. Foto: Mayara Pereira 
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Processo industrial de lavagem e separação dos grãos. Foto: Mayara Pereira 
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Processo de secagem ao sol- Tempo de 8 até 30 dias. Foto: Mayara Pereira 
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Grão torrado em exposição- pronto para moer. Foto: Mayara Pereira 
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Com o café já moído, o café é passado e pronto pra servir. Foto: Mayara Pereira 
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Degustação gratuita de café artesanal, feito na hora. Foto: Mayara Pereira 
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Padroeira dos cafeicultores- Possui missa, capela até festa na cidade Machado-MG. Foto: Mayara Pereira 
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Entrada para o Instituto Biológico de São Paulo- Fundado em 2000. Próximo ao metro vila Mariana. Foto: Mayara Pereira 

 

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No último fim de semana aconteceu um dos maiores eventos da capital paulista
por
Marina Laurentino
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24/05/2024 - 12h

A 19ª edição da Virada Cultural aconteceu neste final de semana, este ano, a Prefeitura continuou com o formato da edição anterior e o evento foi descentralizado. Foram 12 arenas espalhadas pelas zonas norte, sul, centro, leste e oeste. A programação contou com shows, filmes, apresentações teatrais e ocupou não apenas as ruas da capital paulista, como também os museus, Casas de Cultura e Sesc. 

Show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05
Show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05. Foto: Marina Laurentino.
Show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05
Show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05. Foto: Marina Laurentino.
Show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05
Show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05. Foto: Marina Laurentino.
Homenagem para o MC Kevin no show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05
Homenagem para o MC Kevin no show do trapper Vulgo FK na arena Itaquera, dia 18/05. Foto: Marina Laurentino.
Show do rapper Major RD na arena Itaquera, dia 18/05
Show do rapper Major RD na arena Itaquera, dia 18/05. Foto: Marina Laurentino.
Show do rapper Major RD na arena Itaquera, dia 18/05
Show do rapper Major RD na arena Itaquera, dia 18/05. Foto: Marina Laurentino.
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05
Show da rapper Duquesa na Casa de Cultura Hip Hop Sul, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
Show de Ivo Meirelles na arena Parada Inglesa, dia 19/05
Show de Ivo Meirelles na arena Parada Inglesa, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
Casal no show de Ivo Meirelles na Parada Inglesa, dia 19/05
Casal no show de Ivo Meirelles na Parada Inglesa, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
Show de Ivo Meirelles na arena Parada Inglesa, dia 19/05
Show de Ivo Meirelles na arena Parada Inglesa, dia 19/05. Foto: Marina Laurentino.
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Palco Itaquera, zona leste. Foto: Marina Laurentino.
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Cannes é o festival responsável por lançar novos filmes para o mundo
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Annanda Deusdará
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27/05/2024 - 12h

O Festival de Cinema de Cannes acontece anualmente, na cidade que dá nome ao evento, no sul da França. Durante os 12 dias do evento, de 14 a 25 de maio, ele reúne produtores, compradores, distribuidores, atores e diretores, como um encontro de negócios da indústria cinematográfica. 

O evento conta com mostras, homenagens e exposições, sendo a Seleção Oficial de filmes a principal. Dos mais de 50 títulos exibidos no festival, 22 concorrem à Palma de Ouro, premiação de grande notoriedade do próprio festival. Como é o caso do cineasta cearense, Karim Aïnouz, que representa o Brasil com “Motel Destino”, que tem estreia marcada para terça-feira (22/05).

Na 77ª edição, o júri é composto pela Greta Gerwig, diretora de Barbie, como presidente e outros oito nomes de peso do cinema mundial, incluindo: Ebru Ceylan (Sono de Inverno), roteirista e fotógrafa turca; Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores), atriz norte-americana; Eva Green (Os Luminares), atriz francesa; Nadine Labaki(Perfeitos Desconhecidos), atriz libanesa; Juan Antonio Bayona (Sociedade da Neve), diretor, produtor e roteirista espanhol; Pierfrancesco Favino (Comandante), ator italiano; Kore-Eda Hirokazu (Kaibutsu), diretor japonês; e Omar Sy (Lupin), ator e produtor francês.

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A presidente do júri Greta Gerwig (segunda da esquerda para direita), posa com os membros do júri, na chegada à cerimônia de abertura do festival — Foto: Vianney Le Caer/Invision/AP

 

Os membros terão a tarefa de escolher entre os 22 filmes em competição para atribuir a Palma de Ouro, bem como outros prémios de prestígio - o Grande Prémio, o Prémio do Júri, o Prémio do Realizador, o Prémio do Argumento e os Prémios de Melhor Ator e Melhor Atriz.

Brasil se faz presente 

Nesta edição, sete produções nacionais foram selecionadas para exibição: os longas Motel Destino, A Queda do Céu e Baby. Como curtas: Amarela e A Menina e o Pote. Já como documentário A Casa da Árvore e o clássico restaurado Bye, Bye, Brasil. 

O cineasta brasileiro Flávio Ermírio chega ao Festival de Cannes apresentando A Casa da Árvore, que foi exibido neste domingo (19/5) na oficial Blood Window, plataforma que apresenta filmes latinos de terror, suspense e fantasia. O filme acompanha a história de uma bióloga, que conduz uma pesquisa eticamente questionável. Ela contrata um caseiro para ajudá-la, mas descobre que o homem também esconde alguns segredos. Na trama, a bióloga, então, é levada ao limite para revelar tudo que esconde.

Na Quinzena dos Cineastas, os brasileiros Eryk Rocha e Gabriela Carneiro apresentam o documentário “A queda do céu”, que acompanha a vida de uma aldeia dos yanomami no coração da floresta, onde uma etnia de cerca de 30 mil indígenas vive em seu território, mas regularmente sofre com as invasões de garimpeiros e madeireiros.

 

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Foto de divulgação do filme "A Queda do Céu" - Foto: Festival de Cannes/Divulgação
 

Apesar de ser feito por um americano, Oliver Stone (Nuclear Now), o documentário “Lula”, exibido no domingo (19) na mostra de Sessões Especiais, ainda é relevante para o público brasileiro. A trama traz um retrato íntimo e político do atual presidente Luiz Inácio da Silva, que tem como eixo central a sua prisão, no âmbito da Operação Lava Jato, em 2018, até seu retorno ao poder, em 2022, após 580 dias na cadeia. O filme está concorrendo ao Olho de Ouro, prêmio para filmes do gênero. 

Homenagens

A escolha dos homenageados é feita a partir da relevância que estes tiveram no meio cinematográfico, como a inovação nos roteiros e cenários (George Lucas), nas animações (A Viagem de Chihiro) ou pautas levantadas e espaços conquistados (Meryl Streep), durante sua carreira.Esse ano, os três escolhidos pelo evento foram, a atriz Meryl Streep, o diretot George Lucas e o Studio Ghibli, sendo a primeira vez que Cannes faz uma homenagem coletiva.

 

Meryl Streep (Dama de Ferro), já recebeu 21 indicações ao Oscar e levou três estatuetas para casa. A homenagem ocorre 35 anos depois de seu prêmio como Melhor Atriz por “Um Grito no Escuro”, em 1989, na sua única aparição em Cannes antes dessa edição.

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Meryl Streep no Festival de Cannes 2024
Foto: Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images

George Lucas (Star Wars) é diretor, roteirista e produtor, foi um dos pioneiros da indústria de efeitos visuais. Com a saga “Star Wars”, imaginou um universo inteiro, e se tornou um marco cultural no mundo todo, também foi um dos criadores de "Indiana Jones”.

O Studio Ghibli (O menino e a Garça), é um estúdio de animações japonesas, fundado há 40 anos por Hayao Miyazaki, Isao Takahata, Toshio Suzuki e Yasuyoshi Tokuma, e se tornou um dos ícones mundiais do cinema de animação.

1° dia (14/05)

O Festival começou com a apresentação dos jurados e uma homenagem à presidente do júri, Greta, com exibição de um clipe com os seus trabalhos na atuação (Frances Há e Mistress America) e direção (Lady Bird, Adoráveis Mulheres e Barbie). Em seguida, Juliette Binoche (O Sabor da Vida), entregou a Palma de Ouro honorária à Meryl Streep e a agradeceu pela visibilidade dada às mulheres durante o meio século de carreira no teatro e na televisão.

Ao final da cerimônia, foi feita a apresentação do filme de abertura do Festival, uma comédia que discute o processo criativo e os bastidores do cinema, “O Segundo Ato”, de Quentin Dupieux. O filme conta a história de uma filha que quer apresentar ao seu pai, o homem por quem está apaixonada, ele por sua vez quer empurrá-la para um amigo. Segundo os personagens que também são atores, o filme que estão interpretando é dirigido e escrito por inteligência artificial, sendo essa uma das várias críticas de Dupieux ao longo da trama.

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Cena de “O Segundo Ato” de Quentin Dupieux - Foto: Cinema de Arte Francesa/Divulgação

2° dia (15/05)

Dando início às mostras que estão competindo pela Palma de Ouro, “Diamante Bruto”, é a estreia da francesa Agathe Riedinger, no qual ela reflete e critica os conceitos de feminilidade na contemporaneidade. O longa fala sobre Liane, jovem que mora com a mãe e a irmã em Fréjus, no sul da França, que é consumida por aspirações de beleza e estrelato.

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Elenco de “Diamante Bruto” de Agathe Riedinger 
Foto: Daniele Venturelli / Getty Imagens

O sueco Magnus von Horn(Suor), exibe "A Garota com a Agulha”, o filme se passa em 1919, onde uma jovem trabalhadora fica desempregada e grávida. Até que ela conhece Dagmar, que dirige uma agência clandestina de adoção. 

3° dia (16/05)

A inglesa Andrea Arnold (Wasp), chega a Cannes com um filme cheio de alegorias animais. “Pássaro” conta sobre Bailey, que vive com seu irmão e seu pai, que os cria sozinho em um alojamento no norte de Kent. Por se revoltar contra a nova união do pai Bailey procura atenção e aventura em outros lugares se aproximando de um estranho que acaba de chegar ao bairro (Bird). 

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Elenco de “Bird” de Andrea Arnold - Foto: Andreas Rertz/ Getty Imagens

Francis Ford Coppola (Virgínia), o americano traz “Megalopolis”, um filme se passa em Nova York, onde uma mulher está dividida entre a lealdade ao pai, que tem uma visão clássica da sociedade, e ao amante, que é mais progressista e pronto para o futuro.

4° dia (17/05)

O Americano Paul Schrader (Fé Corrompida), exibe "Oh, Canada", que fala sobre Leonard Fife, um dos sessenta mil jovens que fugiram para o Canadá para não servirem ao exército na guerra do Vietnã. A história começa anos depois, Leonard é um documentarista que conta a sua história diante das câmeras, refletindo sobre sua vida e a morte.

 

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Elenco de “Oh Canada” de Paul Schrader - Foto: Danielle Venturello/ Getty Imagens

O grego Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas), exibe "Tipos de Gentileza", que é a junção de três histórias curtas: Um homem procura libertar-se do seu caminho predeterminado, um policial questiona o comportamento da sua esposa após um suposto afogamento e a busca de uma mulher para localizar um indivíduo profetizado para se tornar um guia espiritual.

O romeno Emanuel Parvu (Consequências Irreversíveis), estreia em Cannes com “Três quilómetros até o fim do mundo”. O filme fala sobre um homem endividado, que vive em uma vila remota, e acaba de perder o emprego, mas conservador e mantendo o que chama de valores tradicionais, ele fica desesperado quando seu filho é espancado na rua e muda de perspectiva quando descobre que o menino é gay. 

5° dia (18/05)

O diretor chinês, Jia Zhangke (Amor até as cinzas) está em sua sétima passagem pelo festival, neste ano ele traz “Apanhados pela maré”, que conta uma história de amor ao longo de anos, que se mistura com a história da China, começando no ano 2001, até o começo do Covid, onde o filme estabelece o seu fim. A produção também resgata passagens e personagens de outras obras do autor.

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Elenco de “Apanhados pela maré” de Jia Zhangke - Foto: Andreas Rertz/ Getty Imagens

Assim como Jia, o diretor francês Jacques Audiard (Paris, 13° Distrito) faz sua sétima estreia em Cannes com “Emilia Perez”, um musical que conta a história de uma advogada que recebe uma oferta inesperada: ajudar um chefe de cartel a se aposentar e realizar o seu maior sonho, que é se tornar uma mulher. 

6° dia (19/05)

Fora da competição, Kevin Costner (Pacto de Justiça), estreou seu filme “Horizon: Uma Saga Americana Capítulo Um”. O projeto é dividido em quatros filmes, formando uma saga, que serão lançados de forma consecutiva. Contando parte da história dos Estados Unidos, a trama se passa depois da Guerra Civil e foca na colonização do oeste americano. Os dois primeiros sairão esse ano, enquanto ele busca recursos financeiros para gravar os dois próximos.

O russo Kirill Serebrennikov (A Esposa de Tchaikovsky), que está pela quinta vez em Cannes, traz o filme “Limonov - A balada”. A obra conta a história de Eduard Limonov, poeta soviético radical que se tornou um vagabundo em Nova York, uma sensação na França e um anti-herói político na Rússia.

 

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Elenco de “Limonov- A balada” de Kiril Serebrennikov- Foto Victor Boyko/ Getty Imagens
 

Coralie Fargeat (Vingança), chega na competição com o primeiro terror do ano. “A Substância”, conta a história de uma atriz de Hollywood que virou apresentadora de exercícios aeróbicos, mas é demitida de uma rede de TV porque agora é considerada velha demais. Em desespero, ela liga para um número que lhe foi entregue anonimamente e se envolve com um sinistro programa de ficção científica de aprimoramento corporal.

O que esperar da segunda semana do festival?

Durante o decorrer do evento, teremos as exibições dos nove filmes restantes que concorrem à Palma de Ouro, entre eles o brasileiro “Motel Destino” e a muito aguardada cerimônia de premiação, que vai ocorrer no sábado. As obras exibidas na quinta e sexta feira ainda não foram liberadas, e a programação fica assim:

Segunda-feira (20/05) - As Mortalhas (David Cronenberg) e o Aprendiz (Ali Abbasi).

Terça-feira (21/05) - O Partenope (Paolo Sorrentino), Meu Marcelo (Christophe Honoré) e Anora (Sean Baker).

Quarta-feira (22/05) - Grande Passeio (Miguel Gomes) e Motel Destino (Karim Aïnouz)

Quinta e sexta (23 e 24/05) - Ufa, amor (Gilles Lellouche), O Mais Precioso dos Bens (Michel Hazanavicius) e A Semente do Figo Sagrado (Mohammad Rasoulof).

Sábado (25/05) - Anúncio dos filmes vencedores e homenagens ao George Lucas e Studio Ghibli.

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Espetáculo dá aula sobre valorização da cultura brasileira
por
Júlia Takahashi
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20/05/2024 - 12h

“Um país sem cultura, é um país sem identidade”. Essas foram as palavras da atriz Cláudia Raia no encerramento da peça “Tarsila, a Brasileira”. Em cartaz desde o começo do ano, 25 de janeiro, no Teatro Santander, a apresentação, em forma de musical, descreve a vida da artista a partir da sua chegada de Paris a São Paulo, no encontro com os modernistas Anita Malfatti (Keila Bueno), Mário de Andrade (Dennis Pinheiro), Menotti del Picchia (Ivan Parente) e Oswald de Andrade (Jarbas Homem de Mello), artistas que formariam o famoso Grupo dos Cinco.

A peça enaltece a Semana de Arte Moderna e sua influência na sociedade, além de destacar a valorização da cultura brasileira. Em paralelo, conta o íntimo de Tarsila, o romance com Oswald, a ida do casal à Paris, no qual a artista volta ao seu renomado atelier, frequentado pela nata artística parisiense da época, como Pablo Picasso (Renato Bellini), Igor Stravinsky (Guilherme Terra), Jean Cocteau (Ivan Parente e Marcos Lanza), entre outros.
 

Claudia Raia é Tarsila do Amaral em 'Tarsila, a Brasileira'
Claudia Raia como Tarsila do Amaral — Foto: Paschoal Rodriguez 

 

Cláudia Raia brilha interpretando Tarsila, com o poder da sua voz e presença no palco. Traz a seriedade da artista, ao mesmo tempo, toda ambição e aspiração por mudanças que a artista buscava. Em entrevista para o Fantástico, Cláudia Raia conta como foi interpretar a artista: “Eu sou expansiva, alegre para fora. E ela é ao contrário. Eu tive que fazer um trabalho corporal, tirar a bailarina de mim e dançar como se eu não fosse uma bailarina”.

Tarsila viveu até 1973, com 86 anos, e ao mesmo tempo que, no segundo ato, Raia nos faz sentir a dor da traição, da falência, da solidão e principalmente da perda pela morte de familiares e amigos, também nos mostra que a artista vive até hoje com toda a sua grandeza e influência nas artes plásticas. Ao final da peça, Cláudia Raia faz um discurso emocionante sobre a valorização da cultura brasileira, explica resumidamente a Lei Rouanet, e exalta a identidade do Brasil, pelo teatro, a música, as artes plásticas e outros braços da arte.

Como comprar?

Dia: até 26 de maio (conferir no site todas as datas disponíveis)

Horários: Quintas-feiras, às 20h; Sextas-feiras, às 20h; Sábados, às 16h e 20h; Domingos, às 16h e 20h

Local: Teatro Santander - Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041

INGRESSOS Internet (com taxa de conveniência): https://bileto.sympla.com.br/event/88581/d/229772

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Na atual Itália de extrema direita a exposição “Foreigners Everywhere” promove uma visão contracultural sobre o estrangeiro
por
Beatriz Yamamoto
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16/05/2024 - 12h

Bienal de Veneza 2024
Entrada da Bienal de Veneza de 2024/ Foto: Matteo de Mayda/CASACOR

A 60ª edição da Bienal de Veneza, que ocorre de 20 de abril a 24 de novembro, destaca-se por suas exposições que reúnem imigrantes, artistas queers, outsiders, autodidatas e indígenas, caracterizados por sua condição de estrangeiros, o que inspira o título "Foreigners everywhere" ("Estrangeiros em todos lugares", em português). No atual momento, a relevância do tema se estende não apenas para a história da Bienal de Veneza, mas também para a sociedade e a cultura italiana. Como também traz uma enorme relevância para o Brasil, que além de abordar o fenômeno contemporâneo da imigração compulsória, tem pela primeira vez a curadoria de um brasileiro, Adriano Pedrosa.

 

Curadoria de Adriano Pedrosa

“O diferente, nessa edição, é a presença de um curador brasileiro, um intelectual que já atuou como artista, inclusive, experimentando a dimensão mais pragmática e política de um pensar sobre arte, reinterpretar sua história e as relações de poder nela implicadas, e sublinhar o papel do Brasil nesse contexto” comenta Rafael Vogt, artista, professor de pós-graduação na Faculdade Belas Artes, curador e ministrante de cursos de arte livres no MASP, na Pinacoteca e no Instituto Tomie Ohtake. Em entrevista à AGEMT, ele compartilha sua experiência como crítico de arte e destaca a importância do Brasil nessa Bienal.

A 60ª edição da Bienal conta com 332 artistas, provenientes majoritariamente de países periféricos, e que vivem ou viveram em situações marginais em decorrência de sua origem, identidade de gênero ou de problemas migratórios. 

Vogt destaca grandes nomes, inclusive estrangeiros, que atuaram no Brasil ou a partir dele: Lina Bo Bardi, Maria Bonomi, Claudia Andujar, Waldemar Cordeiro, Cícero Dias, o Movimento dos Artistas Huni Kuin, Rubem Valentim, entre muitos outros de um grupo que forma, provavelmente, a maior “representação brasileira” já apresentada na Europa.

Adriano Pedrosa, diretor artístico do Museu de Arte de São Paulo (MASP), assume o papel de curador para o principal evento de arte sediado no epicentro cultural europeu. Sua curadoria destaca artistas estreantes de diversas origens. 

 

60 edição: “Estrangeiros em todos os lugares”

O título da mostra, Foreigners everywhere (Estrangeiros em todos os lugares), tem inspiração na obra de Claire Fontaine, um coletivo de artistas parisienses que utiliza o pseudônimo feminino para “explorar como objetos pré-existentes podem assumir novas identidades artísticas”, segundo o Aventura Mall.

Claire Fontaine, Bienal de Veneza
Obra de Claire Fontaine, Foreigners Everywhere, 2004/ Foto: Archives Mennour.

 

A obra é um conjunto de esculturas em neon de diversas cores e em diferentes idiomas, majoritariamente os de nações do Sul Global e de etnias indígenas, as palavras “Foreigners Everywhere”. 

O coletivo Claire Fontaine tem como inspiração Marcel Duchamp e explora a essência do movimento dadaísta: um objeto produzido em massa, disponível comercialmente e utilitário passa a designar uma identidade de gênero e a expressar um discurso político. 

A obra inspirou Adriano Pedrosa a utilizar o nome de um coletivo italiano de base anarquista, Stranieri Ovunque (Estrangeiros em todos os lugares), transformando-o em uma obra de arte que é, ao mesmo tempo, discursiva e única, mas também universal.

Além disso, em sua apresentação, Adriano Pedrosa menciona que a palavra estrangeiro em italiano, em português, em espanhol e em francês é etimologicamente ligada ao termo “estranho”. O mesmo vale para a palavra queer (do inglês), cuja origem também remete à ideia de “estranho”. Ele comenta que já foi estrangeiro em diversos momentos de sua vida, morando fora e viajando. Pedrosa se identifica como queer e evidencia a inclusão de artistas queers, trans e não binários na exposição.

 

A exposição

Instalada no Pavilhão Central (Giardini) e no Arsenale, a Exposição Internacional é dividida em duas seções: o Núcleo Contemporâneo e o Núcleo Histórico.

A primeira parte, intitulada “Núcleo contemporâneo”, é composta por artistas queers, outsiders, populares e autodidatas que acabam se relacionando por transitar dentro de diferentes sexualidades e gêneros ou operar em círculos e contextos diferentes ou estarem marginalizados no circuito de arte sendo muitas vezes perseguidos e proibidos.

Além disso, conta com forte presença dos indígenas, que como mencionado pelo curador durante sua apresentação, são considerados estrangeiros em sua própria terra. 

Os Estados Unidos, por exemplo, são pela primeira vez representados individualmente por um artista indígena de origem Choctaw-Cherokee, Jeffrey Gibson. A França é representada por Julien Creuzet, um artista negro nativo da colônia martínica, e traz obras de poesia, folclore e esculturas.

O Brasil marca presença neste núcleo com o coletivo Mahku, que representa os artistas indígenas de forma significativa no pavilhão central. O coletivo de arte indígena amazônica conta a história da “kapewë pukeni” (“a ponte do jacaré”) e retrata visões inspiradas em rituais sagrados baseados no consumo de ayahuasca, bebida de efeitos psicoativos.

A segunda parte, intitulada de “Núcleo histórico”, busca reescrever a história do modernismo no mundo, destacando que este movimento não se limita à Europa, e promove uma reflexão crítica sobre as fronteiras globais do modernismo. Essa seção concentra-se principalmente na apresentação de artistas da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia que atuaram ao longo do século XX. Suas obras estão inseridas no contexto do modernismo, porém, em grande parte, permanecem desconhecidas no cenário principal da arte moderna e contemporânea. Nomes como Tarsila do Amaral e Frida Kahlo estarão presentes.

O núcleo é composto por três salas distintas: uma é intitulada Portraits, com pinturas, obras em papel e esculturas que exploram a figura humana sobre a crise de auto representação por grande parte da arte do século XX; outra chamada Abstractions,  com 37 artistas, que expressam novas conexões no campo abstrato a arte; e a terceira é dedicada à diáspora artística italiana mundial no século XX. São exibidas obras de 40 artistas italianos da primeira ou segunda geração, exibidos nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi, cumprindo o duplo papel de homenagem à arquiteta ítalo-brasileira e de assinatura curatorial.

Cavaletes Lina Bobardi
Núcleo Histórico com as obras expostas nos cavaletes de Lina Bo Bardi/ Foto: Marco Zorzanello

 

Arte e Política

A arte nunca é apartada da política. A produção artística reflete o contexto social e cultural, incorporando preocupações políticas, sociais e econômicas. Os artistas usam sua arte para expressar opiniões políticas, desafiar o status quo e promover mudanças sociais, abordando questões como injustiça, desigualdade e direitos humanos. As obras de arte são interpretadas dentro de um contexto político e ideológico, analisadas pelo público e por críticos que buscam significados políticos subjacentes. 

A 60ª edição propõe que o interlocutor alargue o próprio horizonte e problematize a quem recai, de fato, a identidade do estrangeiro. Além disso, levanta questões contemporâneas que dialogam intimamente com a tradição e o legado histórico da Bienal de Veneza.

O crítico Rafael Vogt observa que, embora essa abordagem pareça ampliar o campo da arte para incluir o ativismo, o engajamento pode ser sustentado, ironicamente, por uma mentalidade mais conservadora, centrada ainda na dicotomia tradicional pintura/escultura e em estruturas randomicamente estabelecidas, mais pelo mercado secundário do que por um reflexão sobre as complexidades da cultura contemporânea. 

“A presença dos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi não deixa dúvidas sobre um recuo que coloca o meio mais tradicional e intrinsecamente eurocêntrico e colonial, a pintura, no centro das discussões mais variadas como questões climáticas, causas como a indígena, os movimentos migratórios, questões de gênero e sexualidade. Não que isso ofusque o teor estético da exposição, mas, precede-o, a ideia de que a arte não tem uma função social específica, mas uma relação autônoma com o desenvolvimento histórico de seus meios”, finaliza o professor.