Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Com 18 prêmios, incluindo Melhor Série Dramática e vitórias históricas para Hiroyuki Sanada e Anna Sawai, Shōgun simboliza a ascensão das produções asiáticas no cenário global.
por
João Pedro Lindolfo
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24/09/2024 - 12h

 

Sucesso desde o dia de sua estreia, a série Shōgun, produzida pela FX, bateu recorde de premiações na noite do domingo (15), na 76ª edição do Primetime Emmy Awards. Foram 18 prêmios no total, mas o destaque fica com a vitória na categoria mais importante do evento: o prêmio de melhor série dramática. Além disso, o ator principal Hiroyuki Sanada e a atriz Anna Sawai levaram para casa os prêmios de melhor ator e melhor atriz, respectivamente, marcando também a primeira vez que um ator e uma atriz japoneses ganharam na categoria de atuação.

       Em seu discurso de vitória, Anna Sawai agradece a sua família e a equipe com quem trabalhou na série: "Eu estava chorando antes mesmo de anunciarem meu nome. Estou um desastre hoje. Obrigada à Academia por me nomear ao lado de meus colegas indicados, cujo trabalho eu cresci assistindo e amando. Obrigada a John Landgraf e a toda a equipe da FX por acreditarem na nossa história. Obrigada, Justin [Marks] e Rachel [Kondo], por acreditarem em mim e me darem esse papel de uma vida.”

Anna Sawai segura seu prêmio de melhor atriz
 Christopher Polk
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A atriz ainda completou com uma mensagem de apoio às mulheres: “Isto é para todas as mulheres que não esperam nada e continuam sendo um exemplo para todos. Muito obrigada." disse a atriz Anna Sawai em seu discurso de premiação.”

            A série é uma adaptação do romance de James Clavell, inspirado na vida do navegador inglês, William Adams, que serviu como conselheiro para o shogun Tokugawa Ieyasu no Japão feudal do século XVII. A trama acompanha John Blackthorne, um piloto europeu que naufraga no Japão e precisa se adaptar às complexas intrigas políticas e culturais locais, enquanto o país transita entre suas tradições e influências estrangeiras. 

A obra explora o choque de civilizações, as lutas entre os senhores feudais pelo poder e os conflitos religiosos entre o cristianismo e as crenças japonesas, oferecendo um retrato dramático e épico desse período histórico.

            Essa grande mistura do Ocidente com o Oriente é um dos motivos  do sucesso da série, pois, para o espectador que não fala japonês e não conhece a cultura japonesa, é difícil criar um senso de identificação enquanto assiste. Os recordes ganham maior atenção, porém um fator importante é como as premiações e o público estão mais abertos a produções vindas de fora dos Estados Unidos. 

Neste caso, Shōgun se torna a primeira série oriental  a ganhar na categoria de “melhor drama”, evidenciando a recente tendência de crescimento do mercado audiovisual asiático. Um exemplo claro dessa mudança foi a conquista de Parasita no Oscar de 2020.

            A vitória de Shogun e os recordes batidos são mais que apenas troféus, são um marco para todas as obras internacionais que um dia sonharam em representar sua arte no palco do mundo. A tendência é que cada vez mais obras de países diferentes recebam atenção no palco de grandes premiações.

 

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Haridade lançou seu terceiro álbum intitulado “Funk Superação” em agosto
por
Julia Cesar Rangel
Laila Cristina Lima dos Santos
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23/09/2024 - 12h

MC Hariel, conhecido também como Haridade, lançou, em 29 de agosto, seu álbum “Funk Superação”. O projeto conta com parcerias como Gilberto Gil, Péricles, Iza e IceBlue, e é uma “virada de página” do subgênero musical “funk ostentação”.

Na visão do funkeiro, o álbum fala sobre o gênero como um “instrumento de superação”: “O título é uma crítica ao funk que é chamado, pejorativamente, de ‘ostentação’”, diz, em entrevista ao podcast “G1 Ouviu”.

Uma parte do dinheiro arrecadado no álbum será destinado a ajudar estudantes que enfrentam dificuldades em pagar o transporte ou até mesmo a mensalidade de seu curso. Como compartilhado em suas redes sociais, o MC não se preocupa com os números para considerar esse trabalho o mais importante de sua trajetória até hoje: “[...] Pode ser que esse projeto não atinja tantos milhões na internet, como alguns outros, porém com certeza esse é o maior projeto que eu já fiz…[...]”

Danilo dos Santos, jovem que cursa sociologia e política na FESP-SP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), foi o primeiro a receber a ajuda. Para o G1, Hariel disse também que irá pagar a mensalidade de alunos que já estão fazendo a faculdade, para não “correr o risco de ajudar pessoas que não valorizem a oportunidade”. 

O álbum conta com vários subgêneros do funk, entre eles o ostentação. Hariel explica que muitas pessoas comentam sobre esse estilo de forma pejorativa, que “existe uma diferença entre conquistar e ganhar”, e que quando um funkeiro conquista algo, todos costumam achar que foi “fruto de coisa errada”, completa, para a entrevista. Ele é reconhecido por abordar temas importantes em suas composições, e gravou seu show em um palco totalmente construído a partir de materiais recicláveis.

Segundo ele, o logo do álbum, que apresenta um colar dourado com uma fênix, significa algo que renasce, independente do que aconteça, e traz o funk como uma eternidade. 

 Capa do álbum “Funk Superação” - Foto: Instagram @mchariel
Capa do álbum “Funk Superação” - Foto: Instagram @mchariel 

Encontro de Gerações

Uma das participações mais especiais e esperadas do álbum de Hariel foi Gilberto Gil, compositor, cantor, produtor e instrumentista, é considerado uma lenda da Música Popular Brasileira (MPB). Gil é fonte de inspiração e referência para o funkeiro, mas está próximo de se aposentar dos palcos. A parceria dos dois com a música “A Dança”  foi marcante para “o funk romper barreiras”, como escreveu o MC em um post com Gilberto. 

Gilberto Gil e MC Hariel para a GQ BRASIL de setembro – Foto: GQ BRASIL/ Reprodução
Gilberto Gil e MC Hariel para a GQ BRASIL de setembro – Foto: GQ BRASIL/ Reprodução 

Quem é o MC Hariel?

Hariel Denaro Ribeiro, conhecido como MC Hariel, é um cantor e compositor de funk. Natural da Vila Aurora, na zona norte da capital paulista, ele tem um relacionamento próximo com a música desde criança, influenciado por seu pai, que era músico amador.  

Começou a gravar suas músicas com 11 anos, mas estourou somente aos 17 com a música ‘Passei Sorrindo’.

Ele trabalhou como entregador de pizza, de panfletos e vendedor de cartões, entre outras profissões. A música ‘Pirâmide Social’ gravada em 2022, relata sobre o dia de sua demissão como atendente de telemarketing. Foi “descoberto” pelo produtor Neco Coelho , que apresentou o funkeiro para um dos DJs mais influentes no funk paulista na época, o DJ Pereira. Ambos entraram para a gravadora de funk GR6. 

Dos subgêneros do funk, Hariel começou com o ousadia, tendo passado para o funk ostentação e pelo funk consciente, em que é mais conhecido atualmente. Um dos diferenciais do músico é o jogo entre os diferentes estilos de funk.  

Com uma carreira que soma mais de 10 anos, é considerado um dos principais nomes do funk, tanto no cenário paulista quanto no nacional, motivo pelo qual é apelidado de: ‘Haridade’.

 

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76ª edição do Emmy Awards contou com surpresas nas premiações e quebra de recordes
por
João Victor Tiusso
Lucca Fresqui
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23/09/2024 - 12h
Foto: Jamie Lee Curtis premiada no Emmy 2024 / Reuters
Jamie Lee Curtis premiada no Emmy 2024 @ Reuters

O Emmy 2024 foi um marco de representatividade e inclusão na televisão, destacando a diversidade de histórias e talentos em todas as categorias. O evento, que ocorreu no dia 15 de setembro, é a principal premiação da televisão e levou em conta apenas os títulos que estrearam entre 1ª de junho de 2023 e 31 de maio de 2024. 

"Xógum”, a grande vencedora da noite, se tornou a primeira série não falada em inglês, na história da televisão, a levar o principal prêmio da noite: Melhor Série Dramática. 

O épico japonês, protagonizado por Hiroyuki Sanada e Anna Sawai, levou 18 estatuetas no total, batendo o recorde de premiações em uma mesma temporada. Esse reconhecimento reforça a importância de narrativas que abrangem diferentes perspectivas culturais. 

"Hacks” surpreendeu ao superar "The Bear" e levar o prêmio de Melhor Série de Comédia. Apesar de não ficar com o prêmio principal da categoria, “The Bear” foi a segunda maior vencedora da edição, com 11 prêmios, incluindo a vitória de Jeremy Allen White como Melhor Ator em Série de Comédia, e de Jamie Lee Curtis como Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia. 

A representatividade feminina também esteve em evidência no Emmy 2024. Além de Anna Sawai, Jean Smart, de "Hacks", foi premiada pela terceira vez como Melhor Atriz em Comédia, consolidando seu papel de destaque no cenário televisivo. 

Nas categorias de minissérie, a grande vencedora foi "Bebê Rena", que levou a estatueta de melhor minissérie ou filme para a TV. Além disso, seu criador Richard Gadd foi premiado nas categorias de Melhor Roteiro e Melhor Ator além de Jessica Gunning (Martha) como Melhor Atriz Coadjuvante.

Confira todos os vencedores:

Melhor Série de Drama: "Xógum" (Disney+) 

Melhor Atriz em Série de Drama: Anna Sawai - "Xógum" (Disney+)

Melhor Ator em Série de Drama: Hiroyuki Sanada - "Xógum" (Disney+)

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama: Billy Crudup - "The Morning Show" (Apple TV+) 

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama: Elizabeth Debicki - "The Crown" (Netflix) 

Melhor Ator Convidado em Série de Drama: Néstor Carbonell - "Xógum" (Disney+) 

Melhor Atriz Convidada em Série de Drama: Michaela Coel - "Sr. & Srª. Smith" (Amazon Prime Video) 

Melhor Série de Comédia: "Hacks" (Max) 

Melhor Ator em Série de Comédia: Jeremy Allen White - "The Bear" (Disney+) 

Melhor Atriz em Série de Comédia: Jean Smart - "Hacks" (Max) 

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia: Ebon Moss-Bachrach - "The Bear" (Disney+) 

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia: Liza Colón-Zayas - "The Bear" (Disney+) 

Melhor Ator Convidado em Série de Comédia: Jon Bernthal - "The Bear" (Disney+) 

Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia: Jamie Lee Curtis - "The Bear" (Disney+)

Melhor Série Limitada ou Antologia: "Bebê Rena" (Netflix) 

Melhor Ator em Série Limitada, Antologia ou Filme para TV: Richard Gadd - "Bebê Rena" (Netflix) 

Melhor Atriz em Série Limitada, Antologia ou Filme para TV: Jodie Foster - "True Detective: Night Country" (Max) 

Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada, Antologia ou Filme para TV: Lamorne Morris - "Fargo" (Amazon Prime Video) 

Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada, Antologia ou Filme para TV: Jessica Gunning - "Bebê Rena" (Netflix) 

Melhor Direção em Série de Drama: Frederick E.O. Toye - "Xógum" (Disney+) 

Melhor Direção em Série Limitada, Antologia ou Filme para TV: Steven Zaillian - “Ripley” (Netflix)

Melhor Direção em Série de Comédia: Christopher Storer - "The Bear" (Disney+) 

Melhor Roteiro em Série de Drama: Will Smith - "Slow Horses" (Apple TV+) 

Melhor Roteiro em Série Limitada, Antologia ou Filme para TV: Richard Gadd - "Bebê Rena" (Netflix) 

Melhor Roteiro em Série de Comédia: Lucia Aniello, Paul W. Downs, Jen Statsky - "Hacks" (Max) 

Melhor Talk Show de Variedades: "The Daily Show" (Comedy Central) 

Melhor Programa de Competição: "The Traitors" 

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Saiba mais sobre a história do teatro e confira as peças em cartaz na capital paulista
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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19/09/2024 - 12h

No dia 19 de setembro de 2024, o Brasil comemora o Dia Nacional do Teatro, uma data que celebra uma das manifestações artísticas mais antigas e ricas da humanidade. O teatro, com suas origens no Oriente, evoluiu ao longo dos séculos, tornando-se uma poderosa ferramenta de expressão cultural, social e política. No Brasil, essa arte remonta ao século XVI, quando foi utilizada pelos jesuítas para a catequização dos povos indígenas.

Casa da Ópera, teatro mais antigo do Brasil, localizado em Ouro Preto. Foto: Daniel Polcaro
Casa da Ópera, teatro mais antigo do Brasil, localizado em Ouro Preto. Foto: Daniel Polcaro / Correio de Minas / Reprodução

Desde a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808, o teatro foi ganhando espaço como forma de entretenimento, especialmente para a elite da época, que apreciava as companhias teatrais estrangeiras. Com o tempo, grupos teatrais nacionais, predominantemente de comédia, começaram a surgir, marcando o início da valorização da arte no país.

No entanto, o teatro brasileiro enfrentou grandes desafios, especialmente durante o período da ditadura militar. Durante esses anos de repressão, o teatro tornou-se um meio de resistência, sendo utilizado para criticar as políticas autoritárias e lutar pela liberdade de expressão. A censura imposta pela ditadura causou retrocessos significativos, mas o fim desse regime trouxe um novo fôlego para os artistas e para a cena teatral.

Em 19 de setembro, também é celebrado o Dia Nacional do Teatro Acessível, de acordo com o Projeto de Lei nº 6.139/13. A data busca promover a inclusão e o acesso de todos, especialmente das Pessoas Com Deficiência (PCDs), às atividades teatrais. O teatro acessível segue o princípio fundamental da Constituição Federal de 1988, que garante a todos o direito ao exercício pleno da cultura.

Além do Dia Nacional do Teatro, o Brasil também celebra em 20 de março o Dia Nacional do Teatro para a Infância e Juventude, e no cenário internacional, o Dia Mundial do Teatro, comemorado em 27 de março e instituído pela Unesco em 1961.

Alexandra Martins, Antônio Fagundes, Cristiane Torloni e Thiago Fragoso na estreia vip da peça “Dois de Nós” — Foto: Lucas Ramos / Brazil News
Alexandra Martins, Antônio Fagundes, Cristiane Torloni e Thiago Fragoso na estreia vip da peça “Dois de Nós” — Foto: Lucas Ramos / Brazil News

Essas datas reforçam a importância do teatro não apenas como forma de entretenimento, mas como uma poderosa ferramenta de transformação social, reflexão e resistência. Em 2024, o Dia Nacional do Teatro nos convida a refletir sobre o papel dessa arte na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e culturalmente rica.


Em São Paulo, uma programação diversificada marca a celebração da data em 2024. A comédia "Dois de Nós" estreia no TUCA (Teatro da PUC-SP) no dia 5 de setembro, com apresentações até 8 de dezembro de 2024. Com direção de José Possi Neto, o espetáculo reúne Antonio Fagundes e Christiane Torloni no elenco principal, ao lado de Thiago Fragoso e Alexandra Martins. A peça, indicada para maiores de 12 anos, aborda as complexidades dos relacionamentos de forma leve e bem-humorada. 
As apresentações acontecem às sextas (21h), sábados (20h) e domingos (17h), com ingressos à venda no Sympla e na bilheteria do teatro.


Além disso, outras peças estão em cartaz na cidade de São Paulo. Confira:

AO VIVO – Dentro da cabeça de alguém
Inspirada em "A Gaivota" de Anton Tchekhov, a peça explora memórias e reflexões sobre a arte, destacando temas como machismo e etarismo.
Local: Teatro Sesi (Centro Cultural Fiesp)
Ingressos: Grátis
Em cartaz até: 01/12

A Última Entrevista de Marília Gabriela
Marília Gabriela retorna aos palcos, simulando um programa de entrevistas ao vivo com seu filho, Theodoro Cochrane.
Local: Teatro Unimed
Ingressos: A partir de R$ 60
Em cartaz até: 27/10

Legalmente Loira – O Musical
A comédia musical aborda temas como empoderamento feminino e misoginia, protagonizada por Myra Ruiz como Elle Woods.
Local: Teatro Claro Mais SP
Ingressos: A partir de R$ 19,80
Em cartaz até: 06/10

Elvis – A Musical Revolution
Biografia musical de Elvis Presley, interpretada por Leandro Lima.
Local: Teatro Santander
Ingressos: A partir de R$ 19,50
Em cartaz até: 01/12

Forever Young
Comédia musical ambientada em um retiro para artistas idosos, celebrando a juventude como estado de espírito.
Local: Teatro Fernando Torres
Ingressos: A partir de R$ 45
Em cartaz até: 11/11

Rei Lear
Adaptação de "Rei Lear" com drag queens como protagonistas.
Local: Teatro Alfredo Mesquita
Ingressos: Grátis
Em cartaz até: 29/09

Querido Evan Hansen
Musical sobre um adolescente ansioso que se envolve em um boato escolar, abordando temas como bullying e saúde mental.
Local: Teatro Liberdade
Ingressos: A partir de R$ 60
Em cartaz até: 22/09

Por um Fio
Peça sobre a vida de duas meninas, uma influenciadora digital e outra diagnosticada com TEA, abordando temas como redes sociais e o transtorno do espectro autista.
Local: Teatro Jardim Sul
Ingressos: A partir de R$ 80
Em cartaz até: 26/10
 

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Primeiro final de semana do Rock in Rio 2024 comoveu o público em meio a velhas e novas memórias
por
Victória da Silva
Vítor Nhoatto
|
18/09/2024 - 12h

Um dos maiores eventos da música mundial retornou à zona oeste da capital carioca na última sexta-feira (13). A edição comemorativa de 40 anos do festival contou com nomes como Travis Scott, Paralamas do Sucesso, Imagine Dragons, Evanescence e Lulu Santos. 

Realizado tradicionalmente na Barra da Tijuca, sua última aparição havia sido em 2022, e as expectativas para este ano eram altas. Não bastasse o sarrafo da edição passada, com Iron Maiden, Justin Bieber e Dua Lipa, por exemplo, o peso de esta ser uma espécie de aniversário do mais longevo e exitoso festival do Brasil agitavam as redes e o público. 

São ao todo 24 realizações com a edição deste ano. Dessas, 10 no Rio de Janeiro, 10 em Lisboa, 3 em Madrid e 1 em Las Vegas. No caso do Brasil, fez com que o rock se popularizasse e recebesse mais atenção das gravadoras e imprensa. Em 1985 tocaram, por exemplo, Iron Maiden, AC/DC e Queen. Foi assim que o RiR, como é abreviado, fez do Brasil um destino relevante para artistas internacionais, abrindo as portas para tantos outros festivais que surgiram. 

Gabriel Medina foi o criador do evento, hoje administrado pela filha do publicitário, Roberta Medina. A marca é responsável ainda pelo novato The Town, que realizou sua primeira edição em 2023, e é tido como a versão paulista do quarentão rockeiro. A ideia inclusive é de que os festivais ocorram de maneira intercalada agora. 

De volta ao Rock in Rio, ao longo de sua história, mudanças e percalços também sempre estiveram presentes. O local da Cidade do Rock já mudou quatro vezes e artistas boicotaram o evento em 2001 pela diferença de tratamento entre as atrações nacionais e internacionais. A alocação dos artistas também foi tema polêmico em 2022, com palcos secundários recebendo grandes artistas brasileiros como Ludmilla, ao passo que o Palco Mundo recebia gringos sem uma base tão ampla de fãs no país, como Rita Ora.   

Para 2024, a família Medina prometia melhorias nessas questões. Houve uma reconfiguração espacial para facilitar o fluxo de pessoas e expandir a capacidade do Palco Sunset, atrás apenas do Mundo em relevância. Além disso, pela primeira vez haverá o Dia Brasil, o penúltimo dia do RiR (21), no qual apenas artistas nacionais se apresentarão. 

Destaques do primeiro dia

Os portões da Cidade do Rock foram abertos às 14h, com uma fila considerável já formada. O trânsito na região ficou intenso aos arredores por volta das 16h segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não foram registrados incidentes. A distribuição gratuita de água também ocorreu normalmente e de forma acessível. A primeira apresentação foi logo às 15h com Mc Maneirinho no Palco Supernova. 

Após alguns minutos de atraso devido a problemas técnicos e quase um cancelamento, Ludmilla foi a primeira a performar no Palco Mundo. Agora no palco adequado, após tumultos em 2022 no Palco Sunset, ela apresentou as faixas “Rainha da Favela", “Onda Diferente” e muitos outros de seus sucessos.

A artista surpreendeu na setlist com o cover de “snooze” da estadunidense SZA, na qual ao lado de dois guitarristas mostrou a potência de sua voz. O show foi encerrado com "Favela Chegou" em um clima ainda meio tenso pelos problemas iniciais. A cantora se apresentaria novamente no RiR 2024, no Dia Brasil, mas cancelou um mês atrás por problemas logísticos.

Ludmilla no meio do palco
Ludmilla agitou o público com corpo de baile e voz impecável.-  Foto: Ariel Martini / Divulgação

Às 21h foi a vez de 21 Savage trazer o rap internacional à Barra da Tijuca, em um show com menos de uma hora e pouca interação com a plateia. Essa já ansiosa pelo principal nome do dia, o estadunidense Travis Scott.

Depois de um show solo no dia 11 de setembro em São Paulo, o rapper se apresentou na cidade do rock, no Rio de Janeiro, com muitos gritos e pulos. Conhecido pelas rodas punks que se criam durante a apresentação e pela animação provocada pelo artista, o show caloroso que também aconteceu no Palco Mundo superou as expectativas dos fãs. 

Além das cinco vezes que cantou o sucesso "FE!N", agitou a plateia principalmente com hits do seu último álbum "UTOPIA" de 2023. Apesar de reclamações no palco sobre os telões, Travis honrou sua posição no RiR 2024.

Plateia com sinalizadores
Vista de cima do show de Travis com uma multidão de pessoas. Foto: Sebastien Nagy / Reprodução Instagram

Não só o trap internacional foi o ponto alto do evento, já que Veigh e Kayblack causaram euforia no público do Palco Sunset. Os artistas fizeram do show um ringue de luta, e a batalha conteve hits dos dois que se apresentaram em um ritmo frenético, Veigh com um roupão azul e KayBlack com um vermelho (imitando lutadores de boxe). 

A rapper Slipmami, que acumula mais de 5 milhões de visualizações em seus clipes no YouTube, fez sua apresentação com seus versos irônicos e afiados. A cantora abriu o Espaço Favela nesta edição e cantou sucessos como “Malvatrem”, “8x5” e “Rap Cerva e Swapeeka”.

O rap foi um gênero muito presente no primeiro dia de Rock in Rio, em vários palcos diferentes, até mesmo artistas não muito conhecidos na indústria musical tiveram a oportunidade de se apresentar em um dos maiores festivais do Brasil. Fizeram seus shows no palco Global Village, a rapper Katú Mirim, que além de compositora é ativista indígena, e Victor Xamã, que trata em suas canções a cultura da Amazônia.

Destaques do segundo dia

O início dos trabalhos do segundo dia do Rock in Rio 2024 ficou ao cargo mais uma vez do Palco Supernova, desta vez com a dupla de rappers nerds 7 Minutoz. Já às 16:40, de volta ao evento pela quarta vez, Lulu Santos abriu o Palco Mundo e emocionou o público mesmo apesar do horário, um tanto cedo para os padrões dos festivais.   

Ele, que se apresentou na primeira edição do festival em 1985, fez história novamente em  sucessos como "Toda Forma de Amor", "Tempos Modernos", "A Cura" e "Um Certo Alguém". Atualmente na turnê “Barítono”, nome em referência a uma interpretação em tom mais grave de suas canções, Lulu levantou a plateia com amor e propriedade. O cantor ainda retorna ao evento no Dia Brasil.

A dona dos sucessos "Lush Life" e "Never Forget You", além da voz da recentemente viralizada "Symphony", Zara Larsson levou muito pop à cidade do rock. Além de seus hits que animaram o público no começo da noite, incluindo o meme do golfinho nos telões, a participação especial de DENNIS marcou a segunda vinda da cantora ao país.  

O brasileiro que na última quinta lançou um remix da faixa "Ammunition" de Zara, levou funk a performance dançante e carismática da sueca. No palco, ela recebeu ainda uma camiseta personalizada do Flamengo e agradeceu o calor do público brasileiro e a parceria com o DJ.

Zara dançando no palco do RiR 2024
Com shorts verde e amarelo e muita disposição, Zara se entregou no Palco Mundo. Foto: Wesley Allen 

Embora uma pessoa na tirolesa tenha se enroscado no material cenográfico, o show da banda OneRepublic impressionou. Por volta das 21h20 eles iniciaram a apresentação que foi repleta de hits de outros artistas (aqueles que o vocalista, Ryan Tedder, ajudou a produzir), com direito a violino e pandeiro no palco.

Com o público imerso na simpatia e carisma de Tedder, um coral harmônico foi ecoado na cidade do rock quando tocada a canção “Counting Stars”. Além disso, o cantor vestiu uma camisa do Brasil, tocou piano e toda a banda demonstrou uma grande presença no palco.

Em seguida, a banda que lota estádios e já produziu músicas que estouraram nas plataformas digitais, Imagine Dragons, conquistou mais uma vez a plateia do RiR. Os headliners da noite apresentaram os sucessos “Thunder”, “Believer”, “Radioactive” e “Demons”, além de promoverem um discurso sobre saúde mental em um momento tão importante como o setembro amarelo.

Vocalista do Imagine Dragons cantando
Dan Reynolds cantando no segundo dia de Rock in Rio - Foto: Samuel Pereira / Portal dos Famosos

O dia ainda contou com NX Zero fechando o Palco Sunset em uma atmosfera de nostalgia e emoção. A banda de rock criada em 2001 está em sua turnê de reencontro "Cedo Ou Tarde", iniciada em 2023 após 6 anos de hiato. "Pela Última Vez", "Bem ou Mal" e "Razões e Emoções" foram apenas alguns dos sucessos que embalaram as paradas nos anos 2000 e 2010. 

Di Ferrero levantou mais ainda a plateia na hora de "Cedo ou Tarde", parceria com o rapper Chorão, morto em 2013. Algumas partes dos versos, não cantadas de propósito pelo vocalista, emanaram das bocas dos telespectadores, como se esses fossem o hit do momento. A banda encerrou com o anúncio do fim da turnê e o lançamento em 4 de outubro de um DVD com imagens exclusivas das apresentações realizadas.

NX Zero se apresentando no Palco Sunset
NX Zero fez uma performance emocionante de despedida. Foto: Francisco Izquierdo / Tracklist

No Espaço Favela, além da apresentação solo de DENNIS após a aparição mais cedo com Zara, o carioca Thiago Pantaleão levou uma mistura de pop e funk mais cedo. E em plena madrugada, DJ Snake encerrou o segundo dia remontando a uma balada com seus hits "Let Me Love You" e "Lean On". 

Destaques do terceiro dia

Único dos três primeiros dias que ainda contava com ingressos disponíveis, foi o dia do puro rock, nacional e internacional. O Palco Mundo teve seus trabalhos iniciados pela banda Paralamas do Sucesso, de volta ao festival para recriar a apresentação icônica de 1985.

Às 19h, foi a vez da banda estadunidense Journey representar o rock dos anos 70 e 80. De início o som estava muito baixo, o vocalista Arnel Pineda, na banda desde 2007, chegou a interromper a apresentação. Sem muitos elementos tecnológicos, a segunda performance no Brasil da banda foi moderada, com os pontos altos no final. Os hits inesquecíveis "Don't Stop Believin" e "Anyway You Want It" fizeram a plateia cantar junto.

Em seguida, Evanescence fez um show memorável. Nas mídias sociais, muitos falavam sobre “os emos dos anos 2000 estarem sendo representados”, além de vários comentários elogiando a poderosa apresentação. “Bring Me To Life”, “Going Under” e “My Immortal” foram canções que levaram o público à loucura.

 No dia mais rockeiro do RiR 2024, nada como uma banda de rock raiz, Avenged Sevenfold. Em sua sexta vinda ao país, segunda na Cidade do Rock após 10 anos, encerrou o Palco Mundo com hits, muita guitarra e gritos do público. A performance começou no passado recente com "Game Over", do álbum de 2023 "Life Is But a Dream…"

Vieram então faixas dos outros 6 discos do grupo, com destaque para "Hail to the King", um dos seus maiores sucessos, e muita emoção do vocalista M. Shadows em "Nightmare". Esse inclusive recebeu do público uma bandeira do Corinthians, e após o equívoco inocente, abriu uma bandeira verde e amarela. A volta no tempo com os riffs de guitarras e vocais afiados acabou com "A Little Piece of Heaven" de 2007, além da satisfação dos metaleiros. 

Vocalista da banda Avenged Sevenfold emocionado no palco
Vocalista do Avenged Sevenfold durante performance no RiR 2024. Foto: Padilha / Rock in Rio

No entanto, nem só de rock foi o dia 15 de setembro. Ironizando o fato de o funk ser subjugado e estar dividindo a atenção entre os palcos do evento - em um dia com atrações majoritariamente de punk e metal - Mc Hariel se apresentou antes do headliner do Espaço Favela e cantou faixas como “Até o Sol Raiar”, “Vida Louca Bela e Curta” e “Ilusão (Cracolândia)”. Logo após, Mc Poze do Rodo também agitou o lugar com várias de suas músicas, além de surpreender a audiência ao pedir sua namorada em casamento em cima do palco. 

Barão Vermelho também tocou na 1° edição em 1985, e no ano de 2024 foi destaque do Palco Sunset, com faixas históricas que marcam a trajetória da banda. Os fãs foram acalentados com  “Por Você”, “Pro dia Nascer Feliz”, “Puro Êxtase” e muitas outras que a banda brasileira produziu, deixando uma herança para o rock nacional.

Às 17h50 Planet Hemp transformou o Palco Sunset em uma manifestação pelo verde, com direito a Pitty como convidada. A banda de rap rock que revelou Marcelo D2 e BNegão sempre foi defensora da legalização da maconha no Brasil, tanto que um baseado inflável flutuava pela plateia empolgada pela reparação histórica do Rock in Rio. Na edição de 2001, o grupo carioca fez parte do boicote em resposta à diferença de tratamento entre artistas nacionais e internacionais, e até então, não havia retornado na Cidade do Rock.

Tocaram faixas dos anos 90 e 2000 como "Teto de Vidro" e "Fazendo a Cabeça", além de canções do último trabalho "Jardineiros", de 2022. As rimas, marcadas por questões sociais, como desigualdade, racismo e a vida na periferia, foram ainda acompanhadas por críticas em relação às queimadas pelo Brasil e aos discursos da extrema direita. 

O headliner do palco, Incubus, trouxe nostalgia para os apreciadores de suas canções alternativas. Depois de sete anos sem participar do festival, a banda norte-americana deixou um “gostinho de quero mais”, já que terá show solo no Brasil em abril de 2025, prometendo entregar ainda mais do que aconteceu no RiR ao cantar as faixas “Circus”, “Anna Molly” e “Wish You Were Here”.

Banda Incubus performando no RiR 2024
Banda californiana, Incubus, no Palco Sunset. Foto: Francisco Izquierdo / Tracklist

Próximo final de semana

A Cidade do Rock volta com seus trabalhos na próxima quinta (19), se encerrando no domingo seguinte. Dentre as principais atrações para o segundo final de semana estão Katy Perry, Ed Sheeran e Mariah Carey. Lembrando que sábado será o Dia Brasil, com nomes como IZA, Chitãozinho & Xororó, Luiza Sonza, Ney Matogrosso e Alcione.

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