
Na última quinta-feira, 2, os amantes de cinema puderam acompanhar a mostra “Frankenstein: Crônicas de uma Criatura Atormentada” , que ocorre de 1º a 11 de maio no Centro Cultural de São Paulo (CCSP), com uma sessão musicada ao vivo do filme de James Whale, interpretada pelo pianista e compositor Tony Berchmans. O filme não possui uma trilha sonora própria, o que impulsionou o pianista a utilizar sua experiência e técnicas adquiridas ao longo dos anos para criar uma interpretação única para a obra.
A história de "Frankenstein" é uma das mais reconhecidas e influentes da literatura mundial. Criada por Mary Shelley em 1818, ela conta sobre o cientista que cria vida artificialmente e os dilemas éticos e morais resultantes que cativaram gerações de leitores e inspiraram inúmeras adaptações em diferentes mídias ao longo dos séculos.
“Frankenstein" é uma obra que transcende o tempo e o meio. Através de suas narrativas e temas universais, sua relevância perdura à sua capacidade em se adaptar e ser reinterpretada de diferentes maneiras. As adaptações oferecem uma variedade de interpretações sobre os personagens e temas da história, permitindo que novas gerações encontrem diferentes camadas de significado na obra.
Tony Berchmans é compositor, pianista e professor de pós-graduação em trilha sonora com enfoque em música para o cinema. Ele é reconhecido por suas performances de Cinepiano – em que reinterpreta a trilha sonora de obras do cinema mudo ao vivo – como é o caso da sessão com o longa atemporal de Whale, proporcionando uma experiência audiovisual singular. O pianista estabelece andamentos, ambientações dramáticas e pontuações cômicas, com técnicas de sincronização e interpretação narrativa contribuindo para contar a história através da música.
Além do Cinepiano, a mostra faz um panorama das melhores adaptações do clássico tema Frankenstein ao longo das décadas, com sessões de releitura do drama futurista em Robocop (1987), a versão cômica de Frankenhooker (1990), e o mais recente premiado Pobre Criaturas (2024), baseado no livro homônimo de Alasdair Grey, que ficará em cartaz no circuito Spcine na sala Paulo Emílio durante o período da exposição.
Não se limita às adaptações do clássico de Shelley. Filmes como Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982), Edward Mãos de Tesoura (1991), Ex Machina (2014) e A Pele que habito (2011) podem ser considerados "histórias Frankenstein” e também serão exibidos no evento.
No último dia da mostra, 11, haverá uma palestra com a professora e pesquisadora Laura Cánepa, que abordará o impacto cultural do livro nas adaptações para o cinema e explorará a evolução das inúmeras releituras do clássico.
Mostra Frankenstein: Crônicas de uma Criatura Adormecida
Quando: de 1º a 11 de maio
Onde: Centro Cultural de São Paulo - Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade, São Paulo
Programação: aqui
Ingressos: Entrada gratuita mediante reservas; ingressos para a mostra e a palestra podem ser retirados uma hora antes de cada sessão presencialmente.
Depois de dois anos de espera, na última sexta-feira (3), o terceiro álbum de estúdio da cantora inglesa de descendência albanesa, Dua Lipa, chegou. Com onze faixas, estética bem trabalhada e sonoridade respaldada por Kevin Parker, ex-integrante da banda Tame Impala, "Radical Optimism" é como um mergulho musical refrescante, apesar de truncado.
A nova era da cantora prometia fazer jus ao estrondoso sucesso de "Future Nostalgia", seu último álbum, ao passo que prometia trazer novos ares. O último grande trabalho, de 2020, foi responsável por consolidar Dua no cenário internacional da música, a colocando entre as mega estrelas globais do pop em termos de desempenho comercial, crítico e popular.
Lançado em plena pandemia, com inspiração dos anos 90 e 80 e pensado para as pistas de dança, as expectativas desanimadoras diante do lockdown foram amplamente superadas, e a carreira exitosa da cantora continuou. O álbum conquistou vários certificados de platina mundo afora, além do título de música do ano com Levitating, em 2021, pela Billboard. Future Nostalgia é um dos 15 melhores álbuns do século, ainda segundo a revista estadunidense.
Antes dele, o álbum auto-intitulado de Dua, seu primeiro, lançado em 2017, já havia aberto a estrada do sucesso. Duplo vencedor no Grammys de 2019, com seis faixas certificadas de platina, como o primeiro grande hit da artista, "New Rules", e sendo o álbum de uma artista feminina mais escutado da história do Spotify, o sarrafo para o novo projeto era altíssimo.
Nova perspectiva
Iniciada a largada para a vinda de Radical Optimism oficialmente em 9 de novembro do ano passado com "Houdini", após provocações nas redes sociais alguns meses antes, um novo rumo era indicado. O lead single apresentou um som diferente à cantora até então, com elementos do rock e pop psicodélico, além de um videoclipe que estreava o novo visual da cantora, agora ruiva, e letra provocativa e instigante.
Em entrevistas a programas de televisão e rádios, Dua contou que o novo projeto era para si uma nova fase como artista e também como pessoa, na qual se sentia mais confiante, preparada e disposta a ousar. Tais ideias explicam a escolha do nome e da capa, que representam a coragem de enfrentar novos mares, a parte do Radical, fazendo isso com serenidade e sabedoria, por isso do Optimism. No entanto, a sonoridade se perde em algumas músicas e não se traduz tão consistente e convincente quanto a estética.
Os trabalhos no álbum começam com a faixa "End Of An Era", marcada por um frescor convidativo. O instrumental é alegre acompanhado por um baixo, e os vocais remetem a um clima tropical descontraído. Tal atmosfera também está presente em "These Walls", menos carregada que a primeira, ao narrar uma relação sem futuro, na qual nenhuma das partes quer terminar por conveniência e medo de se machucar.
Uma temática recorrente na discografia da artista sempre foi o amor, tido por ela como um dos melhores e mais necessários assuntos no mundo. Porém, diferente de algumas estrelas pop, suas letras não são necessariamente autobiográficas, e Dua prefere manter sua vida pessoal mais reservada. Suas composições na maioria das vezes buscam animar e encorajar pessoas, como em "Training Seasons", segundo single lançado em fevereiro, com uma vibe dançante e empoderada e bem produzida por Kevin Parker.
"Whatcha Doing" mantém o alto astral com seu instrumental bem anos 90, mas peca um pouco ao carregar demais a canção com sintetizadores, sufocando o brilho da voz única de Dua. Em seguida a velocidade diminui em "French Exit", termo em inglês que significa sair de uma festa sem se despedir. A letra é bem humorada, há maior uso de instrumentos analógicos e um som que puxa levemente a um estilo mais acústico. Além disso, no pós refrão, ela canta em francês filer à l'anglaise, expressão equivalente ao nome da canção, que significa sair ao jeito inglês. O trocadilho entre os países historicamente rivais busca destacar que toda relação é de duas vias e depende da perspectiva que é vista.
Mergulhando no House e Disco, "Illusion" convida o ouvinte a dançar enquanto dá uma injeção de autoestima. As referências às pistas de dança dos anos 80 ganham frescor na faixa lançada pouco tempo antes do álbum completo, como terceiro, e até então último single. O videoclipe, propriamente gravado em uma piscina olímpica em referência à molhada capa do projeto, é colorido e de ótima direção, feito por Tanu Muiño.
Ainda trazendo elementos de outras culturas, "Maria" se distancia um pouco do pop ao flertar com o flamenco. Se sobressaem instrumentos como a flauta e o violão enquanto Dua canta sobre aprender com relações passadas. Sendo uma das quatro faixas que Kevin Parker não produziu, junto a "These Walls", "Falling Forever" e "Anything For Love", a sonoridade é curiosa e não tão carregada como as demais.
Já "Falling Forever" é uma balada romântica bem Europop, com um refrão que destaca a potência vocal da cantora, trecho que inclusive abre a faixa. A letra é reflexiva e bem trabalhada, abordando a possibilidade e a vontade de que o fogo de uma relação não se apague. Em entrevista ao canal Zach Sang Show, ela conta que a canção retrata a sua relação atual, com o ator britânico Callum Turner.
Após o baque emocional, o ouvinte se depara com uma espécie de interlúdio, "Anything For Love". Tido como uma música como as demais e não uma pausa propriamente, mantendo a cantora fiel ao não uso de interlúdios, a faixa é como uma quebra desnecessária. Com um ritmo que se anima no segundo verso, poderia funcionar se o álbum fosse mais extenso, mas com apenas duas outras músicas após ela, parece um pouco deslocada.
Encerrando o álbum, "Happy For You" tem um ar revigorante e de finalização. A letra traz uma perspectiva de superação e amadurecimento diante de um relacionamento passado no qual ambos seguiram em frente. Dua conta em entrevista ao a Zane Lowe para a Apple Music que a faixa é uma contemplação de como amadureceu e hoje enxerga as coisas com otimismo. Com ambientação de pássaros ao fundo e sons da natureza, o instrumental dominado pela bateria abraça o ouvinte e não esmaga a voz da artista como em algumas outras faixas produzidas por Kevin Parker, e encerra o projeto adequadamente.
Sensação final
Ao fim da jornada, constata-se mais uma continuidade da sonoridade e da carreira da artista do que uma mudança radical, como sugere o título. Com três singles lançados, o projeto é robusto e alegre. "These Walls" e "Happy For You'' destacam as habilidades vocais. Enquanto isso, "French Exit" e "Maria" frisam a originalidade lírica, mantendo a irreverência de Dua Lipa, responsável por seu sucesso. Porém, o álbum não é tão bem trabalhado como deveria e sem tanto fôlego e coerência como em "Whatcha Doing" e "Anything For Love".
Como seus antecessores, espera-se que o "Radical Optimism" ganhe versões estendidas, por conta da pequena duração e por Dua ter revelado em entrevista ao programa Jimmy Kimmel Live que compôs 97 músicas ao todo. Para comparação, o Dua Lipa (Deluxe) conta com 17 faixas e sua reedição de 2018, 25. O Future Nostalgia, por sua vez, possui 13 faixas, enquanto que o relançamento The Moonlight Edition de 2021 possui 19.
Bem produzido, o projeto não tem tanto brilho quanto o seu primeiro álbum e principalmente quanto o Future Nostalgia, mas é cativante e refrescante. As letras são interessantes e possuem ganchos excelentes como em "Training Seasons" e "Illusion", e a sonoridade, apesar de algumas vezes ser confusa ao decorrer da jornada de 36 minutos, entrega emoção.
O dia de lançamento contou com 20.5 milhões de streams no Spotify, a quinta maior estreia até então entre as artistas femininas neste ano, revelando a força da artista. Porém, somente "These Walls" entrou no top 50 da plataforma no dia, juntando-se aos três singles "Houdini", "Training Seasons" e "Illusion", entregando as pequenas pontas soltas do álbum.
Professor da Pontifícia Católica de São Paulo (PUC-SP), estreou seu novo livro, na quarta-feira (24/04), no anfiteatro do TUCA. O evento contou com a participação de especialistas acadêmicos e de ficção que discutiram sobre a obra e o uso da inteligência artificial nos dias atuais.
O romance de estreia de Fernandes, Os dias da peste, foi publicado pela primeira vez em 2009. A narrativa cyberpunk segue o formato de diário, que conta em primeira pessoa a história do despertar das máquinas na perspectiva de um técnico em informática, o professor universitário Arthur Mattos. Na trama, acompanhamos o protagonista tentando resolver os problemas e entender o que está acontecendo com os computadores, que começarão a seguir alguns comandos que não foram dados, como se adquirissem consciência própria.
Embora a criação de IA seja uma temática recorrente na ficção científica, a obra de Fernandes apresenta suas particularidades que ultrapassam a barreira do ficcional, construindo uma espécie de metanarrativa e metacrítica. Essa característica gera uma grande conversa entre o autor e o leitor sobre um mundo num processo de transformação que em um primeiro momento se mostra sorrateiro e vertiginoso.
Pollyana Ferrari, professora da PUC-SP presente no evento, faz analogia ao livro e conta que um dos problemas da nova geração é a falta do hábito de leitura e que isto se dá pela aceleração, já que a tecnologia nos submete a isso. “Hoje em dia tudo é acelerado, áudio no modo acelerado, série em modo acelerado […] Mas com o livro não é assim, as pessoas não têm mais paciência.”
Fausto Fawcett, um dos convidados e autor do prefácio do livro, conta sobre a inspiração do autor "Fábio se inspirou num livro sobre a peste que assombrou a Inglaterra em 1666 escrito por Daniel Defoe (o mesmo que escreveu Robinson Crusoé) intitulado Diário do Ano da Peste, publicado em 1722.”
Imagem da capa da 3ª edição de os dias da peste (Reprodução: Editora Desconcerto)
Outras edições
Nelson Freiria, comentarista de livros e cultura cyberpunk, relatou que a primeira edição das produções de Fernandes, por ser uma publicação da Tarja Editorial, apresentava o problema das páginas brancas e finas, com grande transparência em algumas condições de luz, podendo ser um inconveniente para alguns leitores, assim como a fragilidade do papel. E acrescentou que o prefácio foi escrito por Adriana Amaral. Já em outras edições, essas características mudaram.
Capa da 1ª trilogia (Reprodução: Editoria Tarja) Imagem capa da 2ª edição(Reprodução: portfólio do autor)
Na segunda edição, apesar da oportunidade de alterar datas e outros detalhes da trama, como tecnologias e softwares, o autor optou por não mexer em sua obra. No entanto, houve uma mudança no prefácio, que agora conta com as palavras de Fausto Fawcett, conhecido músico carioca e autor de "Santa Clara Poltergeist" (1991).
Ao final do evento o autor finalizou com autógrafos, e disse “Este livro veio para a complexidade, não para explicar”.
Imagem em auditório da PUC, autor distribui autógrafos ao final do evento (Foto: Lueny)
Sobre o autor
Fábio Fernandes (1966) é jornalista e escritor, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, onde atualmente ministra o curso de Jornalismo. Seus esforços literários vão além da escrita, já que ele também traduziu vários livros, incluindo obras notáveis como Laranja Mecânica e Bons Presságios. Entre suas criações estão os romances Os Dias da Peste, DE VOLTA À URSS (finalista do Prêmio Jabuti 2020), O amor vai nos separar, Sob pressão e Rio 60 Graus, além das coletâneas de contos Amor: Tem Arqueologia e 16 anos. Além disso, realizou pesquisa de pós-doutorado na ECA-USP sobre narrativas utópicas e atua como líder do grupo de pesquisa interdisciplinar Observatório do Futuro, filiado à PUC-SP.
Como adquirir o livro
A obra está disponível em e-book e físico no Amazon, Kindle e no site Desconcertos editora.
Para mais informações acesse o site: OS DIAS DA PESTE (Volume I da TRILOGIA DA PESTE) – Desconcertos Editora
Na noite de sábado (04) Madonna transformou Copacabana na maior pista de dança do mundo. A cantora realizou o encerramento da The Celebration Tour na cidade do Rio de Janeiro. O evento patrocinado pelo Itaú comemorou 100 anos do banco e 40 anos de carreira da artista. Em um palco com o dobro do tamanho original, 812 metros quadrados, o show gratuito celebrou a história da rainha do pop.

A cidade maravilhosa sentiu o efeito Madonna. Em dados publicados pelo governo do estado, a cidade recebeu cerca de 150 mil turistas nacionais e internacionais. Houve 96% de ocupação dos hotéis.
O investimento para que o evento ocorresse chegou a R$60 milhões. O valor foi compartilhado entre o Itaú, Heineken, a prefeitura e o governo do Rio de Janeiro. "O show faz parte da política de atração de grandes eventos para a cidade, como ocorre com a realização do Rock In Rio, ou no Carnaval e Réveillon", explica a gestão. O retorno para a economia local foi de mais de R$300 milhões, segundo Cláudio Castro, governador do estado.
Em sete atos, a lenda da música revive momentos de sua história e ressurge com discussões importantes. Ela extraiu 25 canções dos seus 14 álbuns de estúdio para setlist. Durante “Live To Tell” surgem fotos nos telões de personalidades internacionais - e brasileiras - que faleceram em decorrência da AIDS.

Em “Vogue ", Anitta subiu ao palco para celebrar a cultura LGBT+. Na apresentação, há um desfile de dançarinos executando o estilo que inspirou a música. O número teve a presença de Estere, filha de Madonna, que ganhou nota 10 da artista brasileira com seus passos. Este momento e outros contam com a participação dos filhos adotivos de Madonna. Mercy James, de 18 anos, David Banda, também de 18, e as gêmeas Stella e Estere, de 11, abrilhantaram o palco em diferentes momentos da performance.

Pabllo Vittar subiu ao palco ao som de “Music” com instrumental feito por Pretinho da Serrinha e os jovens ritmistas da "Tropa do Little Black". Com camisa do Brasil as duas estrelas pop dançaram e Madonna fez o famoso passo de dança ‘quadradinho’ na cara de Pabllo. Com o verso “Música faz as pessoas se unirem”. A artista deixou claro que além de honrar sua própria trajetória estava exaltando a cultura brasileira.
Eu vivi pra ver esse momento! Muito BFF's, né, @pabllovittar? #MadonnaNaGlô pic.twitter.com/yPMK7KFC3p
— TV Globo 📺 (@tvglobo) May 5, 2024
No estilo mais Madonna possível, ela beijou seus dançarinos em “Open Your Heart” e em “Hung Up” sua bailarina transexual Jal Joshua. Na música “Fever”, a diva interagiu com uma representação sua dos anos 90 em referência ao documentário “Na cama com Madonna” e simulou uma masturbação. O espetáculo teve desde flerte com “Jesus” até bailarinos apenas de calcinha.
A face provocativa de Madonna a tornou revolucionária para a música, usando a sexualidade como forma de resistência, ela conseguiu se consagrar no mercado musical em tempos onde a expectativa era a feminilidade pura para as mulheres. Sua carreira abriu espaço para a voz das mulheres que vieram após dela. “A coisa mais controversa que já fiz foi permanecer.”, ela replica sua fala durante a aceitação do prêmio de mulher do ano pela revista Billboard no concerto.

Em duas horas de show, aos 65 anos, Madonna mostra o porque é considerada a rainha do pop. As discussões propostas pela artista ultrapassam o mundo da música e os palcos. A identificação com os movimentos prol LGBT+ e feminista são representação disso. Após ser obrigada a adiar a turnê devido a infecção bacteriana em 2023 e ter ficado em coma induzido por quatro dias, a estrela é um símbolo de sobrevivência, resiliência e resistência. Ela se tornou atemporal, desafiando a finitude do tempo. Neste espetáculo ela uniu o presente, o passado e o futuro com confiança de que imortalizou seu nome na história.

Na terça-feira, 30 de abril, foi comemorado o Dia Internacional do Jazz. A data, criada pela UNESCO e celebrada pela primeira vez em 2012, foi idealizada pelo pianista e compositor Herbie Hancock, considerado um dos grandes pianistas da história do jazz, que tocou ao lado de Miles Davis e Chick Corea. Além disso, é reconhecido por suas contribuições para trilhas sonoras de filmes, como a vencedora do Oscar "Round About Midnight" (1986) e a premiada Palma de Ouro no Festival de Cannes, "Blow up" (1966).
Celebrado como uma forma de arte em constante evolução, o jazz continua a inspirar e cativar pessoas no mundo todo, refletindo as experiências e lutas dos afro-americanos e demonstrando a universalidade da música como linguagem de expressão e conexão. Essa data de comemoração tem o papel de reconhecer o gênero musical como um meio de desenvolver e aumentar os intercâmbios culturais e de educação.
Breve História do Jazz
O jazz surgiu entre 1890 e 1910 em Nova Orleans, sendo uma manifestação cultural única da cultura afro-americana, com raízes profundas no blues e nas canções de trabalho dos negros. Sendo um veículo de liberdade e expressão criativa, o estilo musical ganhou popularidade rapidamente nas primeiras décadas do século XX. Ao longo dos anos, passou por uma evolução marcada por diferentes subgêneros, como ragtime, swing, bebop e free jazz, influenciando profundamente a música mundial.
Influência do Jazz para o Brasil
O Jazz e a música brasileira têm muito em comum, apesar da distância, especialmente pela influência da música africana trazida pelos diversos povos escravizados. Essa influência gerou um novo movimento que se fortaleceu no início da década de 1960, chamado bossa nova. Composta por elementos de diferentes gêneros musicais, o samba e o jazz, o novo gênero ficou consagrado em agosto de 1958, quando chegou às lojas o compacto de João Gilberto com a música "Chega de Saudade" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Nas palavras de Ruy Castro, escritor e jornalista brasileiro, conhecido por suas obras sobre a música e a cultura brasileira, "o surgimento da Bossa Nova foi um momento único na história da música brasileira, uma revolução silenciosa que mudou para sempre a maneira como o mundo percebe a nossa música", conforme relatado em seu livro "Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova”.
Também é importante ressaltar os dois Festivais de Jazz de São Paulo, em 1978 e 1980, e do Rio Jazz Monterey Festival, no Rio de Janeiro, em 1980. Eles foram determinantes para despertar o interesse de milhares de pessoas, que passaram a dar maior atenção à nossa música instrumental. Artistas como Peter Tosh, B.B. King, Etta James, Lou Williams, Hermeto Pascoal e Dexter Gordon marcaram presença nesses eventos.

Festivais como esses ficam na lembrança, mas ainda é possível apreciar o jazz em São Paulo. Confira locais em São Paulo que tocam jazz:
JazzB Club
O JazzB, um clube de jazz e música instrumental, apresenta uma programação mensal diversificada, que vai desde tributos a Duke Ellington até “Cartoon in Jazz". O espaço oferece algumas mesas e um parklet na calçada, mas para desfrutar da música, é necessário estar dentro do estabelecimento.
Quando: Quinta 17h - 00h | Sexta - 18h - 01h | Sábado 12h - 01h | Domingo 12h - 17h
Ingressos: R$15 - R$55
Onde: Rua General Jardim, 43 - República, São Paulo
Instagram: https://www.instagram.com/jazzbclub/
Madeleine Jazz
Localizado na Vila Madalena, o bar proporciona uma atmosfera intimista e descontraída, onde os clientes podem desfrutar da extensa carta de vinhos e jazz ao vivo.
Quando: Terça - Sábado 20h - 01h
Ingressos: R$15 - R$55
Onde: Rua Aspicuelta, 201 - Vila Madalena, São Paulo
Instagram: https://www.instagram.com/bar_madeleine/
Bourbon Street Music Club
O Bourbon é um dos locais clássicos do jazz na capital paulista, já recebeu no palco nomes como B.B. King, Ray Charles e Nina Simone. Sua programação é dedicada ao jazz, mas também abrange outros estilos musicais, como blues, soul, funk e MPB, com apresentações de quinta a domingo. Além disso, a cada fim de semana, eles promovem o "Bourbon Street Jazz Café", um espaço gastronômico aberto para rua com programação gratuita.
Quando: Terça - Quarta 19:30 - 01h | Quinta 19h - 02h | Sexta 19:30 - 02:30 | Sábado 12:30 - 18h; 19h - 02:30 | Domingo 12:30 - 18h; 19h - 23:30
Ingressos: Programações gratuitas; R$75 -R$95
Onde: Rua Dos Chanés, 127 - Moema, São Paulo
Instagram: https://www.instagram.com/bourbon_street/
Miles Wine Bar Jazz
O bar presta homenagem ao renomado trompetista Miles Davis em seu nome. Com um ambiente charmoso, o estabelecimento oferece apresentações ao vivo de jazz, blues e soul, enquanto disponibiliza uma vasta variedade de vinhos.
Quando: Terça - Sábado 17h-00h | Domingo 18h - 22h30
Ingressos: R$14 - R$29
Onde: Rua Antônio de Macedo Soares, 1373 - Campo Belo, São Paulo
Instagram: https://www.instagram.com/mileswinebar/
Blue Note
Localizado dentro do Conjunto Nacional na Avenida Paulista, o Blue Note SP mantém o clima do clube original em Nova York com qualidade dos shows, a proximidade da plateia com os músicos e o ambiente intimista. Sua programação vai com programação de qualidade que vai de improvisações do jazz à interpretações da MPB, passando pelo Groove do Blues à novos artistas.
Durante a semana o “Almoço & Jazz” e aos domingos o “Brunch Music”, o espaço também se destaca na gastronomia, com um cardápio inspirado nos anos 70.
Quando: Terça - Quarta 19h - 00h | Quinta 19h - 01h | Sexta - Sábado 20h - 23:30
Ingressos: R$45 - R$450
Onde: Avenida Paulista, 2073 - Consolação, São Paulo
Instagram: https://www.instagram.com/bluenotesp/














