A comunidade construiu a maior plataforma de TCG do país
por
Thomas P. Fernandez
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23/06/2026 - 12h

A LigaMagic nasceu como um fórum de discussões em setembro de 2001. Ao longo dos 25 anos, a Liga acompanhou a expansão dos jogos de cartas colecionáveis (TCGs) no Brasil. O que começou como um espaço para jogadores trocarem informações, estratégias e experiências, transformou-se no maior marketplace e um dos principais pilares dos TCGs no país. Em um universo onde uma única carta pode ser uma peça essencial numa partida de torneio e um item de coleção e negociação, os TCGs construíram no Brasil uma comunidade que vai muito além das mesas de jogos. A trajetória da LigaMagic acompanha essa evolução, saindo de uma comunidade online de jogadores para uma das maiores plataformas do cenário nacional.

A história da LigaMagic começou antes mesmo de existir uma plataforma ou um marketplace. No fim dos anos 1990, quando a internet ainda estava dando os seus primeiros passos no Brasil, a comunidade de Magic: The Gathering se organizava principalmente por meio de fóruns, chats e presencialmente. Foi nesse cenário que Diogo Pires e Valdebrando Rafael P. Giovanini, fundadores da LigaMagic, começou a criar espaços digitais para aproximar os jogadores e fortalecer a comunidade que ainda era pequena no país. A ideia surgiu a partir de um grupo de jogadores de São José dos Campos, chamado de SJC Team, formado por pessoas que treinavam juntas, participavam de campeonatos e compravam cartas. A partir disso, Diogo criou um blog para registrar partidas e compartilhar informações sobre o cenário competitivo.

O projeto cresceu junto com a internet brasileira. A ideia original era uma página para os jogadores terem acesso a resultados de torneios, mas encontrou outra demanda: os jogadores queriam espaço para conversar, organizar partidas e encontrar maneiras mais eficientes para participar do cenário competitivo. Na época, grande parte da comunicação acontecia em fóruns e canais de conversa online, como o mIRC, em que os jogadores trocavam informações e combinavam campeonatos. A partir disso, surgiu a ideia de criar uma ferramenta mais estruturada. “Eu fiz um site que era muito feio visualmente, mas ele era funcional para o pessoal se inscrever, ver rodada. E aí que começou esse negocio”, conta Diogo em entrevista a Agemt. 

A experiência mostrou que existia uma demanda maior dentro da comunidade, os jogadores não precisavam apenas de um espaço para conversar sobre o jogo, mas também uma maneira mais simples de encontrar as cartas para jogar. Foi nesse momento que Valdebrando Rafael P. Giovanini teve a inspiração de evoluir o projeto. “O objetivo do fórum inicialmente era fazer a galera discutir Magic. Era muito forte naquela época. Em 2000, 2001, a gente tinha mais de duas mil, três mil mensagens por dia e a principal dificuldade era conseguir as cartas”, conta Valdebrando em entrevista a Agemt.

A partir dessa necessidade surgiu o Bazar da Liga, ferramenta que permitia aos jogadores comprarem e venderem cartas entre si. Segundo Rafael, o mercado de cartas avulsas ainda era pouco desenvolvido no Brasil, com poucas lojas especializadas trabalhando com esse tipo de produto, “Naquela época tinha duas, três lojas no Brasil? Talvez tivesse um pouco mais de loja vendendo Magic, mas elas não trabalhavam com singles.” Com o crescimento da plataforma, a LigaMagic passou de ser apenas um espaço para a comunidade e começou a criar uma estrutura para o mercado de TCG no país. O marketplace aproximou os jogadores, vendedores e lojas, permitindo que negociações que antes dependiam de contatos pessoais acontecessem dentro de um ambiente mais amplo e organizado. Essa transformação também ajudou as lojas especializadas a crescer, sem precisar desenvolver toda uma estrutura tecnológica, focando somente na venda de cartas. Ao longo dos anos, a Liga acompanhou a evolução dos TCG no Brasil, o que começou como uma pequena comunidade de jogadores, foi crescendo, juntando lojas, torneios, criadores de conteúdo e um mercado inteiro. Para os fundadores, a força da Liga veio justamente dessa combinação entre tecnologia e comunidade: uma plataforma criada para resolver problemas dos próprios jogadores, mas que acabou se tornando parte da estrutura que sustenta o universo dos jogos de cartas no país. 

Diogo e Valdebrando Rafael, no Liga Fest
Diogo e Valdebrando Rafael, no LigaFest - Imagem: Arquivo Pessoal

Ao longo dos anos, a plataforma também passou a ocupar um espaço de produção de conteúdo, informação e relacionamento com os jogadores, criando uma rotina que aproximou ainda mais a comunidade dos jogos de cartas colecionáveis. Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic e pelas transmissões dos torneios, acompanhou essa transformação de perto. “A mesma plataforma não seria. Eu acho que a produção de conteúdo ajuda a fortalecer a marca da Liga, as pessoas já conhecem os redatores, que toda terça tem artigo do Jeff, toda quarta tem a minha live, e tem gente que manda mensagem falando: “Bom dia e como você está”. A mesma pessoa, tem muita gente que entra esporadicamente, mas a maioria são as mesmas pessoas”, Juliano conta em entrevista a Agemt. Para ele, a produção de conteúdo se tornou uma das principais formas de manter a comunidade ativa e conectada, especialmente em um cenário onde os jogos de cartas passaram a crescer para além das mesas de competição. Segundo Juliano, “Eu acho que esse braço da LigaMagic existe muito mais porque os donos da LigaMagic querem manter isso como um serviço à comunidade. Eles se preocupam realmente em ter uma comunidade do Magic aqui no Brasil e em ter as coisas funcionando”. Essa relação com o público se fortaleceu por meio dos artigos, notícias, vídeos e transmissões, que passaram a fazer parte da rotina dos jogadores. Com o tempo, a Liga deixou de ser apenas um espaço acessado quando alguém precisava comprar uma carta e passou a criar uma presença diária dentro da comunidade.

Além dos textos publicados no portal, as transmissões dos torneios também passaram a ocupar um papel importante dentro desse ecossistema. A cobertura de campeonatos aproximou jogadores que nem sempre conseguem acompanhar os eventos presencialmente e criou uma nova forma de consumir o cenário competitivo. Esse contato constante com a comunidade também fez com que a Liga acompanhasse a expansão dos próprios TCGs no Brasil. Com a chegada de novos jogos de cartas colecionáveis, a produção de conteúdo precisou se adaptar a diferentes públicos, estratégias e formatos competitivos. Juliano explica que passou a acompanhar outros jogos além de Magic: the Gathering, estudando novos cenários para entender como cada comunidade funciona. “Eu tive que aprender mais sobre Flesh and Blood, mais sobre One Piece, mais sobre Riftbound, Lorcana. Hoje todo TCG que lança eu meio que tenho que aprender mais sobre ele”.  A mudança mostra como a própria Liga acompanhou a transformação do mercado de TCGs no país. Para Juliano, esse trabalho de comunicação é parte essencial da identidade da plataforma.

 

Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da Liga Magic
Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Com o crescimento da LigaMagic, ela começou a ter um papel importante dentro da economia de todos os TCG. Mais do que aproximar jogadores e lojas, a Liga ajudou a organizar um mercado que antes funcionava de uma maneira mais descentralizada, criando uma referência para preços, negociações e circulação de cartas. André Manenti, criador do canal UMotivo, canal do Youtube sobre TCG, acompanhou a evolução tanto como jogador quanto alguém que analisa o mercado. Para ele, a Liga se tornou uma das principais estruturas do cenário brasileiro ao facilitar a relação entre quem compra, vende e coleciona cartas. “A Liga, sendo um dos pilares do ecossistema de TCGs no Brasil hoje, desempenha um papel de extrema relevância. Um papel de desburocratização do mercado secundário, um verdadeiro hub que facilita a vida de quem está no hobby ”, afirma André à Agemt.  A relação de André com a plataforma começou quando ele era somente um jogador. “Foi através de um notebook velho em uma livraria há 15 anos que descobri, junto com um amigo, que havia um site que me permitia saber o preço dos cards que eu tinha. Esse mesmo site me permitia negociar esses cards e participar de leilões dos cards que eu buscava ”. 

Além da experiência como usuário, André também estudou a relação entre TCG e o mercado financeiro, o seu trabalho de conclusão de curso intitulado: "Magic: The Gathering, do Hobbie ao Lucro" foi um artigo publicado no congresso de controladoria e finanças do curso de ciências contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Nesse artigo pude realizar um questionário com milhares de respostas, que juntas me permitiram entender quais elementos influenciam na obtenção ou não de lucro ao se vender uma coleção de Magic. Aspectos como condição física, ilustração, idioma e edição do card. Foi uma experiência muito interessante e com certeza me ajudou a encontrar algo de suportável em um ambiente nem tão empolgante quanto o da contabilidade. O estudo foi bastante surpreendente, para ser sincero. É de se esperar que jogadores que se intitulam ‘investidores’ tenham mais lucro que jogadores casuais ou novatos, até aí, nada de genial. Em contrapartida, não foi encontrada correlação alguma entre jogadores menos criteriosos no que tange idioma, condição física e ilustração do card. Analisando de maneira avulsa cada uma das três variáveis, a única que apresentou impacto no lucro foi a condição física”, explica. 

 

André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo
André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Dentro desse cenário, a LigaMagic passou a ter uma influência direta na formação de preços. Por reunir uma grande quantidade de anúncios e negociações, a plataforma se tornou uma das principais referências utilizadas por jogadores e lojas para acompanhar valores. “A Liga acaba sendo um dos principais locais usados para acompanhar as variações nos preços dos cards. Ou seja, a existência da Liga impacta diretamente na lucratividade de alguns jogadores dentro do hobby”.Essa influência fez com que a Liga se transformasse em uma espécie de parâmetro do mercado brasileiro. Entre os jogadores, quando estão fazendo vendas e trocas entre si, existe a famosa frase “Faz pelo menor da Liga?”, que significa utilizar o valor da carta pelo menor valor que a Liga Magic está mostrando que a carta tem. Esse termo se tornou uma espécie de cotação, usado por quase todos os jogadores no Brasil. Apesar da valorização económica dos TCG, André também destaca os riscos de um mercado cada vez mais movimentado. Segundo ele: ”Grandes perfis do mundo dos TCGs também conseguem manipular buyouts, inflacionar preços, gerar demanda, FOMO e coisas do tipo. Um simples deck tech pode aumentar a procura e um vazamento falso de banimento pode derreter o preço de um card”.Mesmo com essas mudanças, André vê o cenário atual de forma positiva. Para ele, nunca foi tão fácil encontrar cartas e participar do hobby. A Liga, nesse processo, acabou se tornando parte da estrutura que sustenta essa nova fase dos TCGs no Brasil. A influência da LigaMagic também pode ser observada fora do ambiente digital, nas lojas físicas e na rotina dos jogadores que utilizam a plataforma diariamente.

Natan Souza, dono da loja Akagami, acompanha essa relação como lojista. Sua trajetória dentro dos TCG começou ainda na infância, quando conheceu o universo do TCG por influência do seu primo. Ele transformou o hobby em uma atividade que, anos depois, se tornaria um negócio. “Sempre fui fã de Pokémon desde pequeno. Quando cheguei nos meus 10 a 12 anos comecei a colecionar cartinhas por influência de um primo mais velho que já colecionava. Desde então segui firme como meu hobby principal até se tornar uma renda extra na minha adolescência.”, conta Natan à Agemt.

 

Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal
Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal

 

A Liga, segundo ele, ajuda a quebrar a distância entre consumidores e produtos, especialmente em locais onde existem menos opções para quem joga ou coleciona. A plataforma permite que lojas tenham clientes de diferentes regiões, aumentando o alcance de seus negócios. Apesar dos benefícios, Natan também aponta desafios dentro desse modelo. Um dos principais pontos está na concorrência entre diferentes vendedores dentro do marketplace, já que lojas físicas possuem custos diferentes de operações menores. Outro ponto é a falta de critérios mais específicos para a atuação dentro da plataforma, que pode criar diferenças entre vendedores com estruturas completamente distintas. A Liga funciona como uma ferramenta necessária, mas precisa trazer mais melhorias e inovações para os lojistas, avalia Natan.

Do outro lado desse ecossistema, estão os jogadores, que utilizam a plataforma não apenas para comprar cartas, mas também para encontrar comunidades, torneios, notícias e conteúdo original da Liga. Christian Santos joga TCG há mais de 30 anos e acompanhou diferentes fases desse universo. Para ele, o principal elemento que mantém os TCG vivos é a comunidade. A competição tem o seu papel mas é o contato com outras pessoas que compartilham do mesmo interesse que mantém elas engajadas nesse hobby. A relação de Christian com a LigaMagic começou há cerca de 5 anos, quando passou a utilizar a plataforma para encontrar cartas e acompanhar valores. Hoje, o site faz parte da sua rotina diária. “Uso principalmente para comprar cartas e verificar preços. A plataforma facilita muito esse processo, porque centraliza várias lojas e permite comparar valores rapidamente.”, explica. Para ele, a relação entre a plataforma e as lojas físicas não é de substituição, mas de complemento. Enquanto a Liga facilita o acesso e a comparação de preços, os espaços presenciais continuam tendo um papel fundamental na experiência social do TCG. Christian também destaca a importância dos eventos competitivos organizados pela LigaMagic, como o Circuito LigaMagic, que ajudam a reunir jogadores de diferentes regiões e fortalecem o cenário nacional.

 

Christian Santos, bancário e jogador de Magic
Christian Santos, bancário e jogador de Magic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

“A plataforma funciona como um ponto de encontro para jogadores e lojistas. Ela facilita não só as transações, mas também a conexão entre as pessoas, o que é fundamental para manter a comunidade ativa e em crescimento”, comenta. Para o jogador, depois de 25 anos, a LigaMagic se tornou parte da própria estrutura do TCG no Brasil. Mais do que um marketplace, ela passou a conectar diferentes lados de um mesmo universo: quem vende, quem compra, quem compete e quem simplesmente encontra nos TCG uma forma de socializar com outras pessoas.

Ao longo de 25 anos, a LigaMagic acompanhou a transformação do TCG no Brasil. Com um começo humilde, a Liga agora alcança milhares de pessoas que encontram no TCG um hobby que traz competição e novas amizades. A trajetória da Liga também mostra como a necessidade dos próprios jogadores acabou se transformando em uma das principais bases do cenário nacional. Ao reunir compra, venda, informação e comunidade em um mesmo ambiente, a plataforma ajudou a organizar um mercado que antes dependia muito de contatos individuais, encontros presenciais. Além de facilitar o lado de negociações, a Liga passou a funcionar como um ponto de conexão entre várias partes do ecossistema de TCG: jogadores conseguem encontrar cartas mais facilmente, acompanhar eventos e torneios, as lojas ampliam seu alcance e conseguem se aproximar de consumidores de diferentes regiões do país. O mundo dos TCG cresce cada vez mais a cada ano, novos jogos, crescimento da base de jogadores de jogos já existentes, essa organização ajuda a fortalecer o desenvolvimento do hobby no Brasil. 

 

Jogadores no Liga Fest 2025
Jogadores no LigaFest 2025 - Foto: LigaFest/Divulgação

 

A forma como os jogos de cartas colecionáveis são vistos também mudou nos últimos anos. Antes tratados principalmente como um passatempo de nicho, os TCGs passaram a ganhar uma exposição maior com a popularização de criadores de conteúdo e grandes movimentações envolvendo cartas raras. Casos como o de influenciadores internacionais, como Logan Paul, chamando atenção para cartas de alto valor, ajudaram a aproximar parte do público de uma visão mais econômica desse universo, em que algumas cartas passaram a ser enxergadas como ativos de coleção e não apenas como itens de jogo. Esse movimento trouxe novas oportunidades, mas também novos desafios para o mercado. A valorização das cartas aumentou o interesse pelo hobby, atraiu novos jogadores e fortaleceu lojas e plataformas especializadas, mas também criou discussões sobre especulação, inflação de preços e o risco de transformar um elemento cultural em apenas uma oportunidade financeira. 

Mesmo com os desafios de um mercado em constante transformação, como preços, acesso às cartas e a entrada de novos jogadores, a LigaMagic continua ocupando um papel central dentro desse ecossistema. Para jogadores e lojistas, a plataforma se tornou parte da rotina, conectando pessoas que fazem o hobby acontecer em diferentes pontos do país. Ao completar 25 anos, a LigaMagic representa mais do que a história de uma plataforma. Ela acompanha a própria evolução dos TCGs no Brasil: da época dos fóruns e pequenas comunidades até um cenário com grandes torneios, lojas especializadas e um mercado cada vez mais estruturado. O futuro dos jogos de cartas ainda continua sendo construído, mas a Liga já faz parte da história de como essa cultura cresceu e se consolidou no país.

 

Reimaginação do primeiro jogo da franquia chegará em fevereiro do próximo ano
por
Luis Henrique Oliveira
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18/06/2026 - 12h

Na primeira terça-feira do mês (02), a Crystal Dynamics apresentou o trailer de Tomb Raider: Legacy of Atlantis durante a State of Play, evento da Sony para divulgar lançamentos para as plataformas Playstation, e confirmou que o jogo será lançado em fevereiro de 2027. Confira:

 

Desenvolvido em parceria com a empresa Flying Wild Hog e distribuído pela Amazon Games, o jogo será uma releitura de Tomb Raider (1996), primeiro game da franquia. Na história, a arqueóloga Lara Croft é contratada para recuperar as peças espalhadas do Scion, um artefato místico de poder imensurável pertencente à civilização perdida de Atlântida.

“É a aventura que os fãs lembram, reformulada de maneiras que não eram possíveis 30 anos atrás, agora com novas surpresas. Não importa se o original está gravado na sua memória ou se você acabou de conhecer a Lara, esta é a melhor forma de conhecer o início da lenda” disse o líder global de conteúdo e comunidade da Amazon Game Studios, Michael Lovan, para o blog da Playstation.

Essa é a segunda vez que o clássico de 1996 ganha um remake. Em 2007, a própria Crystal Dynamics lançou Tomb Raider: Anniversary, uma versão do vídeo-jogo com gráficos atualizados para os consoles da época.

Frame da personagem Lara Croft, protagonista de Tomb Raider, lutando contra dinossauros
Lara Croft volta a lutar contra dinossauros em Legacy of Atlantis. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

Legacy of Atlantis retoma a mesma narrativa de 30 anos atrás para as plataformas da nova geração, refeita do zero com o programa Unreal Engine 5 a fim de trazer visuais mais realistas. Na nova releitura, os ambientes foram expandidos e semiconectados, permitindo que o jogador explore os espaços por diferentes ângulos e descubra itens colecionáveis, segredos e recursos escondidos para quem quiser ir além do caminho principal.

O uso de IA no desenvolvimento

 

Na última atualização do jogo na página da Steam, foi revelado que os desenvolvedores utilizaram inteligência artificial na “exploração inicial” e desenvolvimento de conteúdos temporários durante a produção, posteriormente substituídos ou refinados por artistas humanos.

“Na Crystal Dynamics, utilizamos ferramentas de IA para ajudar nossas equipes a iterar ideias com mais rapidez e eficiência, garantindo que todo o conteúdo final do produto seja criado por humanos. Nosso objetivo é potencializar a criatividade e a flexibilidade de nossos desenvolvedores para oferecer experiências da mais alta qualidade para jogadores em todo o mundo”, comunicou a Crystal Dynamics em nota para o site Eurogamer.

A empresa não especificou quais elementos foram produzidos com o auxílio da ferramenta.

Lara croft, protagonista da série Tomb Raider, em um dos frames para o novo jogo da franquia.
Novo jogo servirá para unir as três linhas alternativas que existiam na franquia. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

 

Tomb Raider: Legacy of Atlantis foi anunciado oficialmente na última edição do The Game Awards, ao lado de Tomb Raider: Catalyst, aventura inédita de Lara Croft sem data de lançamento definida.

O jogo será lançado para Playstation 5, Xbox Series X e S, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam) e já está em pré-venda.

Os jogadores que comprarem nessa fase terão acesso à Survivor Outfit, uma skin exclusiva. Já a versão deluxe contará com a Parisian Outfit, releitura do traje que a personagem usa durante o jogo The Angel of Darkness (2003), além de uma DLC de história pós-lançamento.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O filme baseado no livro O auto da compadecida, escrito por Ariano Suassuna, e dirigido por Guel Arraes, conta as aventuras dos amigos nordestinos João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. A dupla luta para sobreviver.

No pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba, João Grilo e Chicó, vivem aplicando golpes, sendo um deles o famoso enterro da cachorra de estimação da patroa deles. Golpe que envolve o Padre, fazendo uma sátira, de que todos podem ser comprados.

Nem o temido cangaceiro Severino de Aracaju, fazendo referência a Lampião, escapa das artimanhas de João Grilo e Chicó. Movido por sua fé em Padre Cicero, cai no golpe de tomar um tiro, influenciado pela dupla, na ilusão de que vai conhecer seu padin. Já que ver diante dos seus olhos João Grilo “ressuscitar”, pensa que o mesmo irá acontecer com ele. Mas é apenas enganado e morre de verdade.

O cangaceiro parceiro de Severino, não perdoa a mentira de João e o mata na porta da igreja. A história começa a se passar em um lugar, que representa o juízo final e

lá cada um será julgado, de acordo com o que fez na terra. O Padre e o Bispo, figuras de santidade, vão para o purgatório, já Severino de Aracaju que matou mais 30 é perdoado e vai para o céu, mostrando que todos colheram o que plantou.

João por sua vez, tem a chance de se redimir com a aparição de Nossa Senhora, a compadecida. Ela como uma mãe intercede por ele a seu filho Jesus, e o convence a deixar João volatar.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

Verity é um romance é um thriller psicológico da autora norte-americana Colleen Hoover. Foi inicialmente publicado pela própria autora em 2018. Nascida em 1979 no Texas, famosa por dominar as listas de best-sellers com romances, suspenses psicológicos e ficção "New Adult". Conhecida pelo fenômeno no TikTok ("BookTok"), começou autopublicando suas obras e ficou mundialmente famosa por livros como É Assim Que Acaba (It Ends with Us).

A escrita de Colleen Hoover é marcada por narrativas intensamente emocionais, fluidas e viciantes, focadas em romances contemporâneos, dramas familiares e, frequentemente, suspense psicológico. Seus livros abordam temas pesados, como

violência doméstica, luto e abuso. Com profundidade, mantendo uma leitura rápida, acessível e repleta de reviravoltas surpreendentes

O livro conta a história de uma escritora famosa, cujo nome é Verity, que ganhou fama após escrever uma saga de livros. Porém tudo muda, quando sua vida, parece ser um imã de tragédias, marcado pela morte das filhas gêmeas e um grave acidente de carro, que a deixa catatônica, aos cuidados de seu marido Jeremy Crawford.

No outro lado da história temos Lowen Ashleigh, uma escritora falida contratada para finalizar a série de sucesso de Verity Crawford, aceitando finalizar os últimos três livros da saga, com a condição de assinar com o pseudônimo Laura Chase.

Ela é convidada por Jeremy a ficar na casa da família Crawford, para obter informações e detalhes, que ajudem nessa missão. Mas um manuscrito escondido, escrito por Verity, revela segredos perturbadores, manipuladores e violentos sobre seu casamento e filhos, fazendo Lowen questionar se a Sra. Crawford está mesmo catatônica. O plot twist vêm vem quando ela encontra uma carta, escrita por ela.

Conforme passa-se os dias na casa, Lowen e Jeremy, vão se aproximando e se apaixonando. A desconfiança de Lowen, sobre o estado de Verity, é verdadeira, fazendo com que ela tome decisões perturbadoras.

A principal discussão gira em torno da veracidade da carta final versus o manuscrito, dividindo os leitores entre teorias sobre quem é a verdadeira vilã.

Nas redes o livro gera a dicotomia "ame ou odeie", com alguns elogiando o suspense e outros achando a resolução preguiçosa ou incoerente.

Em 2 de outubro de 2026, o livro ganhará uma adaptação cinematográfica. O thriller psicológico, produzido pela Amazon MGM Studios e dirigido por Michael Showalter, estrela Dakota Johnson (Lowen Ashleigh), Anne Hathaway (Verity Crawford) e Josh Hartnett (Jeremy Crawford).

A adaptação também divide os públicos, há curiosidade sobre como o filme lidará com as revelações perturbadoras da autobiografia de Verity e o dilema de Lowen sobre esconder ou não a verdade de Jeremy. Há os que acham positivo, pois o trailer mostra, algumas cenas fiéis ao livro, há aqueles que se preocupam, achando que vai ser flopado, assim como foi com as outras adaptações dos livros da autora.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O texto apresentado, em especial as ideias de Roland Barthes, propõe uma reflexão profunda sobre o papel do mito na sociedade contemporânea e sua relação direta com a linguagem, a cultura e os meios de comunicação. Longe de ser apenas uma narrativa antiga ou religiosa, o mito aparece como um sistema de significação ativo, capaz de naturalizar ideias, valores e ideologias, tornando-as aceitas socialmente sem questionamento. Para o campo do jornalismo, essa perspectiva é fundamental, pois coloca em evidência o poder simbólico da informação e da narrativa no cotidiano social.

Barthes entende o mito não como um objeto fixo, mas como uma forma de discurso. Isso significa que ele pode se manifestar em diferentes linguagens: textos jornalísticos, imagens publicitárias, discursos políticos, programas televisivos e até em notícias aparentemente neutras. O mito opera quando transforma construções históricas e ideológicas em algo que parece “natural”, ocultando seus processos de produção e seus interesses. Assim, o senso comum passa a tomar essas narrativas como verdades universais, quando na realidade são fruto de contextos sociais específicos.

Nesse sentido, o jornalismo ocupa uma posição ambígua. Por um lado, tem o potencial de desmistificar, revelar contradições e questionar discursos dominantes. Por outro, pode reforçar mitologias contemporâneas quando reproduz estereótipos, simplifica narrativas ou trata determinados fenômenos sociais de forma acrítica. Barthes aponta que o mito se alimenta exatamente dessa aparência de neutralidade, o que torna a prática jornalística um espaço estratégico para sua circulação.

Os textos também abordam a ideia de que o mito contemporâneo não desapareceu, apenas mudou de forma. Diferente dos mitos tradicionais, que vinham estruturados em narrativas épicas ou religiosas, o mito atual se fragmenta e se infiltra no cotidiano. Ele pode estar presente na figura do herói moderno, criado pela mídia, ou na idealização de estilos de vida, consumo e sucesso pessoal. A televisão, a imprensa e, atualmente, as redes digitais funcionam como grandes fábricas de mitos, produzindo sentidos que organizam a percepção social da realidade.

Outro ponto presente nos textos é a relação entre mito e ideologia. Barthes afirma que o mito funciona como uma fala ideológica que se esconde atrás da naturalização. Quando uma ideia é apresentada sem contexto histórico ou sem conflito, ela se torna mito. No jornalismo, isso se manifesta, por exemplo, quando desigualdades sociais são tratadas como algo “normal”, quando certos grupos são

sempre representados de forma estigmatizada ou quando interesses econômicos aparecem como necessidades universais.

Para uma estudante de jornalismo, essa leitura provoca um deslocamento importante: compreender que informar não é apenas relatar fatos, mas também disputar sentidos. O jornalismo, ao lidar com a linguagem, participa ativamente do campo simbólico e, portanto, tem responsabilidade na forma como a sociedade compreende a si mesma. Desmistificar, nesse contexto, não significa eliminar os mitos, mas torná-los visíveis, evidenciar seus mecanismos e devolver ao leitor a capacidade crítica.

Por fim, os textos reforçam que o mito continua sendo uma ferramenta poderosa de organização social. Ele não desaparece porque responde a uma necessidade humana de sentido e narrativa. Contudo, cabe ao jornalismo crítico reconhecer esses mecanismos e atuar não como reprodutor automático de discursos, mas como mediador consciente da realidade. Assim, o desafio não é negar o mito, mas compreender como ele opera e quais interesses ele serve em cada contexto histórico.

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Filme independente da Letônia desbanca megaproduções estadunidenses na maior noite do cinema
por
Anna Cândida Xavier
Isabelle Rodrigues
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10/03/2025 - 12h

 

No domingo, dia 2, na 97° edição do Oscar, “Flow” recebeu o prêmio de “Melhor Animação” de 2025. Pela primeira vez um filme produzido na Letônia leva a estatueta para casa, após superar grandes produções como “Robô Selvagem” da DreamWorks e “Divertidamente 2” da Disney. 

O longa-metragem independente acompanha um gato preto que perde seu lar em uma inundação e encontra refúgio junto a outros animais em um barco abandonado. Para sobreviver, o felino solitário precisa aprender a nadar, a caçar e a colaborar com outras espécies. Gints Zilbalodis, o diretor da animação, em seu discurso no Oscar destaca que “Estamos todos no mesmo barco, temos de ultrapassar as nossas diferenças e encontrar formas de trabalhar juntos”.

Representação do grupo principal do filme “Flow, a deriva” . FOTO: Janus Films/Reprodução
Representação do grupo principal do filme “Flow, a deriva” . FOTO: Janus Films/Reprodução

 

A animação não tem diálogos e os seres humanos não interferem na narrativa para além de construções destruídas pela água. O filme chamou atenção do grande público, principalmente por seus cenários inundados, paisagens sendo retomadas pela natureza, e a atenção aos detalhes da movimentação e dos animais. A ênfase na cooperação, na resiliência da natureza e na diversidade, em construir uma nova vida após um desastre, também marcam o filme.

Desde a vitória no Globo de Ouro em janeiro, a Letônia comemora, murais foram pintados e estátuas foram erguidas em homenagem ao gatinho preto, personagem principal do filme. O prêmio foi exposto no Museu Nacional de Arte da Letônia e atraiu mais de 15 mil visitantes. “Flow” se tornou o filme mais assistido da história do país, com mais de 300 mil espectadores e seu sucesso instigou o governo a investir mais no cinema nacional. 

Gato de 'Flow' ganha estátua no letreiro da cidade de Riga, capital da Letônia. Foto: Reprodução/@GZilbalodis
Gato de 'Flow' ganha estátua no letreiro da cidade de Riga, capital da Letônia. Foto: Reprodução/@GZilbalodis

 

O governo da Letônia financiou parte do filme, que custou US$3,8 milhões. Em comparação, os concorrentes na categoria tiveram orçamentos de US$78 milhões como “Robô Selvagem” e de US$200 milhões para “Divertidamente 2”. Zilbalodis, acumulou funções durante dos cinco anos de produção: foi diretor, co-roteirista, co-produtor, designer de produção e está creditado na trilha sonora.

Gato preto, apelidado de Flow, no filme FOTO: Janus Films/Reprodução
Gato preto, apelidado de Flow, no filme FOTO: Janus Films/Reprodução

 

Após a vitória, Gints Zilbalodis declarou em entrevista à CNN, “acredito que ‘Flow’ abriu portas para pessoas ao redor do mundo pensarem em fazer animação com software livres”. A fala do diretor faz referência à plataforma Blender, na qual o filme foi desenvolvido, um programa de código aberto que permite que desenvolvedores possam contribuir e aprimorar a ferramenta.

É possível ver a vitória do filme como um novo ponto de partida para futuras produções ao Oscar, tendo em vista o recente apreço da academia por novos nomes na indústria. Já que a alguns anos o monopólio criado no mundo das animações estagnou a liberdade criativa do mercado, repleto de sequências e filmes considerados “mais do mesmo” pelo grande público. 

Cena do filme “Flow”, vencedor no Oscar de 2025 FOTO: Janus Films/Reprodução
Cena do filme “Flow”, vencedor no Oscar de 2025 FOTO: Janus Films/Reprodução

O prêmio de “Melhor Animação” é relativamente recente no Oscar; somente em 2002 a categoria foi incluída oficialmente. Antes da inclusão a academia apenas homenageou algumas produções ao longo dos anos, como “Branca de Neve e os Setes Anões” em 1938, “Uma Cilada Para Roger Rabit” em 1989 e “Toy Story” em 1996. Durante esse período o Oscar valorizou primordialmente produções americanas de grandes estúdios como a Disney, Pixar e DreamWorks. 

Entre 2008 e 2023, apenas três filmes vencedores da categoria não faziam parte dos estúdios Disney, sendo eles “Rango” em 2012, “Homem aranha no aranha verso” em 2019 e “Pinóquio por Guillermo del Toro” em 2023. Além disso, o estúdio possui um histórico ainda maior, com 26 premiações e tendo sido indicado 59 vezes em diversas categorias, sendo até hoje o maior detentor de vitórias no Oscar.

As produções independentes, contudo, continuam a trabalhar na periferia da indústria cinematográfica. Após a vitória, o diretor do filme indicou que o estúdio responsável pelo gatinho preto já está trabalhando em novos projetos.  Em breve o público pode acabar se deparando com uma nova estatueta para a proeminente equipe da Letônia, no meio tempo, o filme “Flow - À deriva” está em cartaz até 28 de março nos cinemas brasileiros.

 

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Diretor vence em sua primeira participação do Oscar e leva 5 estatuetas
por
Maria Eduarda Cepeda
Clara Dell’Armelina
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07/03/2025 - 12h

 

Neste domingo (02), durante o Oscar 2025, em Los Angeles, Sean Baker levou a estatueta de “Melhor Direção” por seu novo longa-metragem “Anora”. O grande vencedor da noite leva mais outras 4 estatuetas, incluindo de melhor atriz, melhor roteiro original, melhor montagem e melhor filme. 

Sean S. Baker, cineasta estadunidense e formado pela Universidade de Nova Iorque (NYU), tem seu nome marcado pelo cinema independente contemporâneo dos Estados Unidos em filmes como Tangerine (2015) e Projeto Flórida (2017).

Na foto temos Anora sentada no colo do seu interesse amoroso no filme.
A atriz Mikey Madison, que interpreta a protagonista Anora, levou a estatueta de “Melhor Atriz” pela sua atuação no longa-metragem. Foto: Divulgação/Universal Pictures Brasil

O filme premiado por melhor direção nesta 97° edição do Oscar conta a história da stripper Ani, (Mikey Madison) que se envolve com Ivan (Mark Eydelshteyn), um filho da aristocracia russa. Depois de casados, Anora passa a aproveitar uma vida repleta de riquezas e luxúria. Mas, a oportunidade da fuga de sua vida na margem da sociedade escorre por seus dedos a partir da desaprovação por parte dos pais de seu marido.

Em 2021, o cineasta produziu o filme “Red Rocket”, estrelado pelo ator e ex-modelo Simon Rex, conhecido pelos seus trabalhos na franquia “Todo Mundo em Pânico” e estrela do videoclipe “Tik Tok” da cantora Kesha. Na época, o filme recebeu prestígio e acumulou prêmios de festivais, e era uma das apostas para o Oscar de 2022, principalmente pela atuação de Simon, mas o filme não obteve nenhuma indicação.

O longa aborda, em grande parte, o cotidiano de personagens que levam suas vidas de maneira árdua, à margem da sociedade, retrato também abordado em “Anora”. 

Mikey e Strawberry estão se encarando frente a frente na loja em que a garota trabalha.
“Red Rocket” teve sua estreia no Festival de Cannes em julho de 2021. Foto: Divulgação/A24

 

Após receber o prêmio, Baker enfatizou a importância dos cinemas, a experiência de frequentá-los é uma resistência à existência desses espaços.  “Assistir a um filme no cinema com uma plateia é uma experiência [..] É uma experiência comunitária que você simplesmente não tem em casa. E agora, a experiência de ir ao cinema está ameaçada. Os cinemas, especialmente os independentes, estão lutando, e cabe a nós apoiá-los [..] Este é o meu grito de guerra. Cineastas, continuem fazendo filmes para a tela grande. Eu sei que eu vou”. No fim, dedicou sua vitória a sua mãe que o levava ao cinema desde pequeno.

Cibele Amaral, diretora de “Por Que Você Chora” (2021), caracteriza “Anora” como um “filme perigoso” e criticou a premiação do longa, argumentando que o filme dirigido por Sean Baker reforça estereótipos femininos e representa um retrocesso para as conquistas das mulheres na indústria cinematográfica. “As personagens femininas se resumem a estereótipos: as ingênuas prostitutas em busca do príncipe encantado, a ‘recalcada’ que disputa o macho da protagonista e a velha bruxa que tenta impedir sua felicidade”, diz a cineasta em duas redes sociais.

No texto para a editora Boi Tempo, Alysson Oliveira e Patrícia de Aquino criticam o estigma criado dentro da realidade da prostituição, “cujo objetivo único na vida seria deixar o trabalho e ser salva, de preferência por um homem branco e rico.”. No mesmo texto, apontam que, se por um lado, Sean Baker mostra-se como um diretor interessado na temática da prostituição, tabu para muitos, por outro, suas obras trazem à tona é uma inesperada visão de mundo conservadora e estereotipada.

“O filme é, além disso, todo marcado pela representação caricata de estrangeiros — especialmente do leste europeu, como Ivan, sua família e seus capangas.”, complementam Alysson e Patricia. 

 

 

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No discurso, a atriz afirmou ser uma “aliada das profissionais do sexo”, abrindo debates nas redes sociais
por
Ana Julia Bertolaccini
Giovanna Brito
|
07/03/2025 - 12h

A atriz estadunidense de 25 anos, Mikey Madison, venceu o Oscar de melhor atriz por sua personagem no filme “Anora”. A premiação aconteceu no domingo (2) e a decisão gerou polêmicas e discussões nas redes, reforçando o histórico do evento, que mais uma vez contrariou as expectativas do público. 

No discurso, a atriz, que interpreta uma trabalhadora do sexo no filme, abriu um debate sobre respeito a essas mulheres. “Sempre vou tentar dar espaço para essa comunidade, advogar para que elas possam viver as vidas que merecem e contar suas próprias histórias", afirmou a estadunidense.

Mikey concorria à categoria de melhor atriz ao lado de Cynthia Erivo por seu papel em “Wicked”, Karla Sófia por “Emília Perez”, Demi Moore por “A Substância” e  Fernanda Torres por “Ainda Estou Aqui”. 

Fernanda Torres e Demi Moore foram às plataformas digitais elogiar a jovem pela conquista. Cynthia Erivo e Karla Sófia não se pronunciaram.

Fernanda era a favorita para o público brasileiro, que sonhava com a conquista inédita na maior premiação do cinema. Apesar disso, era esperado que Demi Moore levasse a estatueta. A atriz já havia vencido como Melhor Atriz no SAG (Sindicato dos Atores) e Melhor Atriz em Filme de Comédia no Globo de Ouro. 

A derrota de Demi, que tem 62 anos, para uma atriz de 25, aumentou o debate sobre etarismo nas redes sociais, que já acontecia por conta de “A Substância”. No filme, Demi interpreta Elisabeth, uma atriz que, aos 50 anos, é apresentadora de um programa de ginástica, mas recebe a notícia de que será trocada por uma garota mais jovem.

Na foto, a atriz Mikey Madison aparece abraçada com o ator Mark Eydelshteyn em uma das cenas do filme "Anora".
Mikey Madison em Anora ao lado de Mark Eydelshteyn, que interpreta Ivan, personagem pelo qual ela se apaixona. Imagem: Divulgação/Universal Pictures.

O papel de Mikey Madison em “Anora” 

Em “Anora” Mikey interpreta Ani, uma jovem stripper de Nova Iorque que em uma de suas noites de trabalho conhece Ivan, o herdeiro de um oligarca russo, interpretado por Mark Eidelshtein. Ani acredita ter encontrado o amor da sua vida, se casando impulsivamente com o rapaz. Contudo, a notícia do casório chega na Rússia e os pais de Ivan ficam sabendo, o que coloca o relacionamento em risco.

O filme é uma montanha russa de sentimentos, e Mikey consegue retratar isso em sua atuação. Entre momentos cômicos, românticos, tristes e de tensão, o telespectador entende, não somente por palavras, o que os personagens estão passando. Além dela, o ator russo, Yura Borisov, também foi elogiado pelo desempenho ao interpretar um capanga que busca auxiliar na solução do caso de Ani e Ivan.

Apesar das críticas do público, “Anora” se destacou positivamente entre as diversas premiações cinematográficas. Só no Oscar o filme ganhou cinco vezes: Melhor Atriz, Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. Além disso, também tiveram prêmios no BAFTA, no Festival de Cinema de Cannes - incluindo a famosa Palma de Ouro e no Critics’ Choice Awards.

Cena do Oscar. Na esquerda, Emma Stone acaba de anunciar a vencedora da categoria de melhor atriz, na direita várias câmeras capturam as atrizes que participavam da categoria: Cynthia, Karla, Mikey, Demi e Fernanda.
Momento em que Mikey Madison leva prêmio de ‘Melhor Atriz’. Imagem: Reprodução/TV Globo.

 

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França recebeu o prêmio pelo filme, que foi gravado no Brasil
por
Ana Clara Farias
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07/03/2025 - 12h

 

Vencedor do Oscar de melhor filme internacional, “Ainda Estou Aqui”’ é a produção responsável por trazer a primeira estatueta da Academia para o Brasil, mas não é a primeira obra feita por brasileiros a ganhar esta categoria. Em 1960, “Orfeu Negro”, dirigido por Marcel Camus (1912-1980), foi o ganhador, mas apesar de se passar no Brasil e retratar a cultura brasileira, o país que levou o prêmio foi a França.

O motivo era que a produtora brasileira responsável, Tupan Filmes, não foi a única e tampouco a principal responsável pelo longa. Na verdade, se tratava de uma coprodução ítalo-franco-brasileira em colaboração com a produtora italiana Gemma Cinematografica  e a francesa Dispat Films, esta sendo considerada a determinante, conduzida pelo francês Sacha Gordine (1910-1968).

Pôster de divulgação
Pôster de divulgação

 

Apesar do crédito ter sido dos franceses, a história é inteiramente dotada de elementos brasileiros e gravada em língua portuguesa. “Orfeu Negro” se passa em uma favela do Rio de Janeiro durante o período do carnaval e a trama é baseada na peça ‘Orfeu da Conceição’, de Vinicius de Moraes, uma recontagem do mito grego de Orfeu e Eurídice.

Assim como na tragédia grega, o drama gira em torno da união entre a música e a poesia, tendo o romance e a morte como os condutores do enredo. A ideia de uma narrativa clássica que preza a importância e o significado da música foi recontada com as melodias e a cultura brasileira em sua essência.

Vinicius de Moraes também participou da trilha sonora do filme, junto com Tom Jobim (1927-1994) e Luís Bonfá (1922-2001). Antônio Maria (1921-1964) teve músicas incluídas e o cantor Agostinho dos Santos (1932-1973) foi o intérprete da música-tema “Manhã de Carnaval”, mas nenhum desses dois e nem Moraes foram creditados. 

Casal do filme de mãos dadas
Cena do filme de 1959. Foto: divulgação

No elenco, os atores brasileiros Breno Mello (1931-2008) e Marpessa  Dawn (1934-2008) foram os protagonistas e os artistas Tião Macalé (1926-1993) e Cartola (1908-1980) fizeram uma participação especial. 

Além do prêmio da Academia, “Orfeu Negro” também recebeu a Palma de Ouro no festival de Cannes, da França e o Globo de Ouro de melhor filme internacional. Também foi indicado ao BAFTA (British Academy of Film and Television Arts) na categoria de melhor filme, mas perdeu para “Se Meu Apartamento Falasse” do diretor Billy Wilder. 

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Em seu novo trabalho, Abebe se confirma como um dos imortais na cena do rap nacional
por
Laila Santos
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28/02/2025 - 12h

O rapper, escritor e compositor Abebe Bikila Costa Santos, conhecido como BK, lançou seu quinto álbum de estúdio em 28 de janeiro, intitulado “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer” (DLRE). Com 16 faixas e participações de diferentes representantes da música brasileira, o disco conta com Djavan, Pretinho da Serra, Evinha, Fat Family, Borges, Mc Maneirinho, Luedji Luna, Luciana Mello, Maui, Melly, Jenni Rocha e Fye Bwoii. 

24h após a estreia, o álbum estava nos principais charts das plataformas de streaming: Spotify, Apple Music, Deezer e YouTube Music.  

A ideia inicial de sua nova obra foi explorar o uso de samples, utilizando somente modelos brasileiros que, segundo o compositor em uma entrevista para o Spotify Brasil, é algo que foi “se perdendo no nosso ‘rolé’ do rap.” 

O projeto, além da identidade visual diferenciada, tem a proposta de trazer uma visão de jornada pessoal, de se desligar de algumas coisas do passado para seguir em frente e reconhecer que isso é doído, e também sobre como as pessoas estão sempre correndo de algo ou correndo em direção a algo. O cantor explicou para o Hypebeast Brasil: “Fala muito sobre você ir para próxima fase... Continuar. Sobre você seguir, desapegar de algumas coisas, deixar pelo caminho, para poder continuar seguindo o seu caminho. Poder criar, crescer e fazer se entender... Então o disco vai por aí, né?! E com esse conceito em mente vou tentando falar de várias perspectivas, vários pontos de vista sobre esse 'desapego'.” 

É como se o artista compartilhasse seus labirintos com o público e, ao mesmo tempo, transmitisse a sensação de algo no coletivo, íntimo para o ouvinte. 

Em processo de criação desde o final de 2023, o fluminense organizou uma audição exclusiva para o nascimento de DLRE. Com a presença de 800 fãs que foram sorteados, o evento ocorreu nos dias 27 e 28 de janeiro, no Circo Voador, Rio de Janeiro.

 

BK' na audição do álbum DLRE
BK na audição do álbum DLRE / Reprodução: Instagram @bkttlapa 

 

“O BANDO NÃO ESPERA, SE FICAR O MONSTRO TE DEVORA. OU CORRE OU MORRE.” - O FILME DE DLRE 

Com a carga pessoal que o trabalho carrega, BK apresentou um pouco do disco no dia 26 de janeiro, através de  um curta-metragem que tem relações com suas raízes. A produção foi gravada em Harar, na Etiópia, país de origem do atleta Abebe Bikila, um dos maiores maratonistas do mundo e de quem o rapper carrega o nome, homenagem de sua mãe, que é militante do movimento negro desde os anos 1980. 

O compositor revelou, no podcast PODPAH, que o país de onde surgiu a inspiração do seu nome foi, justamente, o local onde encontraram as hienas, a figura da lenda citada no filme, menos perigosas para as gravações. 

 

Hiena do filme “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”
Hiena do filme “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer” / Reprodução: Instagram @bkttlapa  

 

O filme é dividido entre alguns trechos das músicas e entre uma lenda, muito antiga, que apresenta um monstro misterioso, onipresente e sempre na espreita para atacar: “Uma lenda mais antiga do que a nossa própria existência. Que habita nas sombras. [...] Uma risada que precede o ataque. [...] O bando marcha, o monstro observa. Ele está em todos os lugares. Pronto para dilacerar qualquer um que se entregue à sua própria indolência”.  

Na faixa “Monstro”, o escritor faz a pergunta: “Quem é o monstro? Eu ou o tempo?”, sugerindo que a lenda seria uma metáfora ao tempo, mas BK deixa aberto à imaginação do público.     

   

Código de Conduta de ”Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”
Código de Conduta de ”Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer” / Reprodução: Youtube 

   

ARTISTA COM “A” MAIÚSCULO  

O artista começou a fazer rap porque tinha vontade de falar ao mundo o que pensa e sente. Ainda para o PODPAH ele declara que não quer vender coisas irreais em suas músicas, “[...] eu sou um cara que, apesar de todo o meu talento, eu tive sorte. Eu sei o que eu passei na minha vida.”, ressaltando que conseguiu “abrir portas” graças ao hip hop e quer ajudar as pessoas a fazer isso também.

"O hip hop fez isso por mim, eu falo isso em toda entrevista e vou falar isso para o resto da minha vida, o hip hop me inspirou e não é só questão da ‘grana’, é questão de realmente procurar um caminho melhor, procurar uma vida melhor, ter um norte. [...]”, comenta o artista.

 

Capa do álbum "Diamantes, Lágrimas e Rostos para esquecer"
Capa do álbum "Diamantes, Lágrimas e Rostos para esquecer" / foto: Bruna Sussekind 

 

Após o encerramento da era ICARUS, em que o artista desenvolveu um álbum e promoveu uma turnê com diversos shows, incluindo um especial nomeado “ICARUS: A Apoteose”, o rapper alcançou 35 milhões de plays em uma semana de DLRE, se tornando a maior estreia da sua carreira.  

O show de abertura da tour do novo álbum de Abebe será no festival GIGANTES, no dia  26 de abril de 2025, na Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, e trará com ele uma nova era do artista. 

 

 

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