Empresa decide não cobrir oferta superior da Paramount Skydance e encerra negociação bilionária iniciada em 2025
por
Luiza Passos Bruno Scheepmaker
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02/03/2026 - 12h

A plataforma Netflix anunciou, na última quinta-feira (26), a desistência da compra da Warner Bros. Discovery (WBD), empresa responsável pelo streaming HBO Max, depois de a Paramount Skydance apresentar uma proposta superior. O acordo, que estava em andamento desde dezembro de 2025, era avaliado em cerca de US$ 82,7 bilhões.

A negociação havia sido comunicada ao mercado no fim do ano passado e era considerada estratégica para o setor de entretenimento, já que envolveria uma grande fusão da indústria audiovisual recente. A WBD é responsável por franquias de sucesso como “Harry Potter” e o universo DC, o que ampliaria significativamente o catálogo de filmes da Netflix.

Fachada do prédio dos Warner Bros. Studios Leavesden, com o logotipo da Warner Bros. em destaque na parede bege.
Fachada do complexo de estúdios da Warner Bros. Studios, Leavesden, localizado perto da cidade de Watford, na Inglaterra - Foto: Luiza Passos

No entanto, o cenário teve uma reviravolta nesta semana com a nova investida da Paramount. Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters decidiram não aumentar sua oferta pela empresa.

“Sempre fomos disciplinados e, pelo preço exigido para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atraente, portanto, estamos recusando a oferta da Paramount Skydance”, afirmaram os co-CEOS em declaração oficial.

A desistência da Netflix reacendeu um debate dentro da indústria cinematográfica. De acordo com o jornal “New York Times”, o anúncio do fim do ano passado havia gerado preocupações por um grupo de produtores de cinema que temiam os possíveis impactos na exibição de filmes.

“A Netflix considera qualquer tempo gasto assistindo a um filme no cinema como tempo não gasto em sua plataforma. Eles não têm nenhum incentivo para apoiar a exibição em salas de cinema e têm todos os incentivos para acabar com ela.”, alegam produtores em carta anônima.

Se antes a possível compra da WBD pela Netflix gerava debates no campo criativo, a eventual aquisição pela Paramount desloca a discussão para o campo político. O CEO da empresa, David Ellison, é visto como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que intensificou questionamentos sobre possíveis impactos na independência editorial da CNN (que faz parte do grupo Warner).

Com a saída da Netflix da disputa, a decisão agora depende da aprovação de órgãos reguladores. O desfecho da negociação poderá redefinir não apenas o mercado de streaming, mas também as consequências para um dos grandes veículos de informação global.

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Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Espetáculo tem estreia marcada para 04 de novembro no Teatro Estúdio, em São Paulo
por
João Victor Tiusso
Lucca Fresqui
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03/10/2024 - 12h

 

 Musical Dom Casmurro/Divulgação
 Musical Dom Casmurro/Divulgação

Um dos maiores clássicos da literatura brasileira, Dom Casmurro, será adaptado para musical, que estreia em 04 de novembro no Teatro Estúdio. O elenco conta com Rodrigo Mercadante interpretando Bentinho, Luci Salutes como Capitu, e Cleomácio Inácio como Escobar. Na produção, as letras e letras e músicas originais são de Guilherme Gila e a direção é de Zé Henrique de Paula. 

Os ritmos e músicas variam do rock ao MPB. A proposta de Gila e Zé Henrique é oferecer uma nova perspectiva à obra de Machado de Assis, centrada nos personagens Bentinho, Capitu e Escobar.

Para trazer a atmosfera de Bentinho como narrador-personagem, o rock and roll dá vida à raiva e rebeldia do protagonista, enquanto a MPB traz um toque emocional e nacional às letras. 

Considerado título fundamental na formação da literatura nacional, “Dom Casmurro” narra a história de vida de Bentinho, um advogado de uma família rica no Rio de Janeiro, que se apaixona por Capitu, uma jovem com quem passou boa parte da infância e adolescência. A história se desenvolve à medida que Bentinho se vê cego de ciúmes quando seu melhor amigo, Escobar, volta para sua vida e passa a se aproximar de Capitu.

O musical passou três anos sendo planejado e foi viabilizado por meio de um financiamento coletivo. A obra dá segmento ao projeto iniciado por Guilherme Gila em 2023, quando estreou “A Igreja do Diabo”, adaptação do conto de nome homônimo, também de Machado de Assis, publicado em 1884, que lhe rendeu um Prêmio Bibi Ferreira e um Prêmio Destaque Imprensa Digital.

A iniciativa segue a tendência de produções da Broadway de adaptarem obras clássicas e inseri-las no mercado musical e no teatro. Apesar disso, produções como essa ainda são raras no Brasil pela falta de incentivo e interesse público. 

Os ingressos antecipados para o musical de “Dom Casmurro” já estão à venda pelo site do projeto do financiamento. As sessões são de segunda e terça-feira à noite, e a temporada tem a promessa de ser “curta”.

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A segunda edição do KOFF (Korean Film Festival) exibirá mais de 60 produções
por
Bárbara More
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02/10/2024 - 12h

Os amantes de cinema coreano já podem marcar no calendário que entre os dias 03 e 09 de outubro São Paulo receberá a segunda edição do KOFF, ou Korean Film Festival (Festival de Cinema Coreano). O evento contará com a exibição de 22 longas-metragens e 40 curtas-metragens como parte de uma Mostra Competitiva e uma Mostra Não-Competitiva em duas salas de cinema no Reserva Cultural, na Avenida Paulista. 

O KOFF passou por Piracicaba entre os dias 15 e 18 de agosto, e agora se prepara para chegar à capital paulista com a programação recheada de produções de todos os gêneros e para todos os gostos. Os ingressos para as sessões são gratuitos e podem ser reservados através do site oficial em um link disponível nas redes sociais do evento.
 

Greta Lee e Teo Yoo em cena do filme "Vidas Passadas"
Cena do filme “Vidas Passadas”. Crédito: Reprodução

Dentre os longas que mais atraem a atenção está “Soulmate”, dirigido por Min Yon-geun. O drama romântico com Kim Da-Mi, Byeon Woo-seok e Jeon So-nee como os protagonistas. “Exhuma”, de Jang Jae-hyun, é outro grande querido; o terror sobrenatural inclui elementos de mistério e do oculto em uma trama com os astros Choi Min-sik, Kim Go-Eun, Yoo Hae-jin e Lee Do-hyun.

Para os fãs de Park Seo-joon, Park Bo-young e Lee Byunghun, será exibido “Sobreviventes - Depois do Terremoto”; o filme de Um Tae-hwa se passa em uma Seul fictícia destruída por um terremoto.

“Vidas Passadas”, de Celine Song que também estará em cartaz, foi indicado a dois prêmios no Oscar 2024, além de ser vencedor de Melhor Diretor e Melhor Filme no Film Independent Spirit Awards.

Dotados de elencos renomados, diretores reconhecidos e aclamação da crítica, outros longas que também se destacam na programação são “Road to Boston”, de Kang Jae-gyu; “Mimang”, de Kim Tae-yan; “Força-Bruta: Sem saída”, de Lee Sang-yong; e “Spring in Seoul, de Kim Sung-su”.

O curta-metragem “Night Fishing” será exibido em todos os dias de festival e é um dos mais aguardados, pois a produção de Moon Byoung-Gon foi vencedora na categoria Melhor Edição no 28° Fantasia International Film Festival. 

KOFF (Korean Film Festival)
Quando:  03 e 09 de outubro
Onde: Reserva Cultural (Avenida Paulista, 900 - Bela Vista - SP) 
Ingressos: Entrada gratuita mediante reserva da sessão.

Confira os ingressos disponíveis aqui.
 

 

 

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Rock in Rio traz Katy Perry no lançamento de seu álbum, “143”, e performances de Cyndi Lauper e Ed Sheeran
por
Eshlyn Cañete
Pedro da Silva Menezes
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02/10/2024 - 12h

 

Joss Stone se apresenta no Palco Mundo do Rock in Rio
Joss Stone se apresenta no Palco Mundo do Rock in Rio — Foto: Leo Franco/AgNews

Os dois últimos dias de semana do Rock in Rio, 19 e 20 de setembro, contaram com shows marcantes em comemoração aos 40 anos do festival, com Will Smith, ator vencedor do Oscar, Cindy Lauper, cantora de sucesso dos anos 80 e até o lançamento do álbum “143”, de Katy Perry. Durante a quinta e sexta-feira, os fãs puderam assistir performances de gêneros variados, mas quem reinou foi o pop. 

Os shows do dia 19 alcançaram 4,9 pontos de audiência na TV Globo com o pop de Ed Sheeran e Charlie Puth, o samba de Fundo de Quintal e a renomada Joss Stone. A britânica foi a segunda a se apresentar no principal palco do festival, o Palco Mundo, e manteve a tradição de cantar com os pés descalços "Super Duper Love" e "You Had Me".

Entretanto, quem abriu o principal palco da Cidade do Rock foi Jão, no pop nacional. Ao tentar imitar um programa de auditório, o cantor convidou vários fãs para o show na estética de 1940. As músicas “Vou morrer sozinho” e “Imaturo” estavam presentes no setlist. 

Jão no Rock in Rio 2024
Jão no Rock in Rio 2024 — Foto: Reprodução

De volta à Cidade do Rock desde 2019, quando esteve presente no Palco Sunset do festival carioca, Charlie Puth cantou novos hits. Neste ano, o cantor foi promovido a um dos artistas do Palco Mundo e ainda emocionou com um dos maiores sucessos da carreira: ‘’See you again’’, tema do filme Velozes e Furiosos. Além disso, em homenagem ao Rio de Janeiro, o estadunidense tocou ‘’Garota de Ipanema’’ no piano. 

Também no palco Sunset, Will Smith, vencedor da categoria Melhor Ator do Oscar de 2022, se apresentou no Rock in Rio 2024. No entanto, o show de rap foi curto, com exatos 18 minutos. O rapper cantou algumas de suas músicas mais conhecidas,  “Man in Black” e “Work of Art”. Ele também é conhecido por ter feito a música tema de “Um Maluco no Pedaço”, sitcom que protagonizou nos anos 1990.

Will Smith faz participação especial no Rock in Rio
Will Smith faz participação especial no Rock in Rio — Foto: Stephanie Rodrigues/g1

Sem muita surpresa, o headliner da noite, Ed Sheeran, cantou sozinho durante uma hora e 24 minutos. A voz e o violão foram os únicos aliados do artista, que, embalado pelo coro dos fãs, deixou claro que faz tudo ao vivo. Pela quarta vez no Brasil, o britânico se despediu da plateia com a promessa de uma possível turnê solo em 2025. 

Ed Sheeran canta no Rock in Rio 2024
Ed Sheeran canta no Rock in Rio 2024 — Foto: Gustavo Wanderley/g1

O mundo é das mulheres?

Na sexta-feira (20), aconteceu o “Dia Delas”, que recebeu esse nome por contar apenas com atrações femininas. Essa foi a resposta do festival à enxurrada de críticas que a organizadora Rock World recebeu por não escalar nenhuma atração principal feminina para o festival The Town, que ocorreu em São Paulo, no ano passado. Mesmo com a tentativa de reparação, é decepcionante que, com sete dias de festival, apenas um tenha uma artista feminina como headliner no palco mundo. O dia, recheado de estrelas pop, esgotou rapidamente e registrou a melhor audiência da edição na televisão, com 6,7 pontos.

Luedji Luna abriu o Palco Sunset e, com as convidadas Tássia Reis e Xênia França, entregou uma apresentação etérea, perfeita para as boas-vindas do dia. O show contou com uma energia solar que chegou ao seu pico quando Luedji e Xênia cantaram “Lua Soberana”, que estava na boca do povo, já que a canção era a abertura da novela “Renascer”, remake de Bruno Luperi para a Globo.

Luedji Luna e Xênia França no palco sunset do Rock In Rio
Luedji Luna e Xênia França no palco sunset do Rock In Rio. Fonte: Leo Franco/AgNews

No Palco Mundo, Ivete Sangalo transformou a Cidade do Rock em carnaval. A cantora animou o público sem pausa para descanso, com hits do início ao fim. Com músicas desde a época da Banda Eva até seu sucesso recente “Macetando”, todos dançaram e instintivamente sabiam de cor as letras. A performance vocal ao vivo de Ivete é poderosa, e na produção é possível notar as referências que ela buscou na Renaissance Tour, quando assistiu ao show no ano passado. A baiana é nostálgica sem soar datada e se mostra um verdadeiro titã da cultura musical brasileira. Sites como o G1 citam a cantora como a “maior diva pop do Brasil”.

Ivete Sangalo canta no Rock in Rio 2024
Ivete Sangalo canta no Rock in Rio 2024 — Foto: Stephanie Rodrigues/g1

O ícone dos anos 80, Cyndi Lauper, trouxe um show à moda antiga, sustentando a audiência com sua banda e gogó, sem grandes estruturas e efeitos especiais. Ela parecia a escolha perfeita para o “Dia Delas” por ser grande referência para a maioria das artistas femininas que estavam no lineup. O reflexo disso foi sua volta ao palco junto com Katy Perry, que enalteceu o legado de Cyndi. “Time After Time” e “True Colors” emocionaram e mostraram ao público mais jovem o poder das composições de Lauper para além de “Girls Just Wanna Have Fun”, que fechou com chave de ouro o show.

Há alguns anos, Karol G está tentando conquistar os brasileiros, afinal, o poder da população em números de streamings e consumidores de música é o maior da América Latina. Mas o Brasil não pareceu muito interessado, nem mesmo quando entoou “Tudo OK (Remix)”. Poucos cantaram os versos em espanhol adicionados por Karol e Maluma na música e pareciam até mesmo desconhecê-los. Entretanto, a colombiana segurou o palco na coreografia e nos efeitos especiais, em músicas como “GATÚBELA” e “TQG”, em que ela fez chover no palco. Além disso, a pirotecnia sincronizada com as melodias em “TUSA” foi o auge da apresentação. Karol trouxe as participações de Pabllo Vittar, Yseult e Sevdaliza para cantar “Alibi” juntas pela primeira vez, eletrizando todos os presentes.

Karol G segurando a bandeira do Brasil durante show no Rock In Rio
Karol G segurando a bandeira do Brasil durante show no Rock In Rio. Fonte: Felipe Orvi/Divulgação.

A headliner do dia, Katy Perry, foi o ponto alto do festival. A cantora escolheu o Brasil para receber o primeiro show de sua nova era, com o lançamento do álbum “143” no mesmo dia. Apesar das polêmicas e críticas, Katy é uma potência da música pop e mostrou que muitas das críticas feitas online não se traduzem para a vida real. A abertura com “Woman’s World” surpreendentemente foi um shot de energia nos fãs, que cantaram os versos, amplamente criticados pela superficialidade acerca do empoderamento feminino nas redes sociais. 

Katy Perry içada na abertura do show do palco mundo
Katy Perry içada na abertura do show do palco mundo. Fonte: Mauro Pimentel / AFP

Logo no início, a sequência de hits número #1 ilustrou a fala dela no VMA, de que “Não há acidentes que se perduram por décadas”. A roupagem mais eletrônica na produção tornou tudo mais coeso e alinhado com o som do novo álbum. Katy entregou o que  um show de diva pop precisa: palco e cenografia impactantes, múltiplas trocas de figurino, coreografias com breakdowns, segmentos temáticos e surpresas. Portanto, é possível perceber de onde vêm os elogios e críticas ao trabalho de Perry, que, apesar de ser completo, pode parecer superficial em alguns momentos.

No sábado (21), o Dia Brasil foi completamente dedicado à artistas nacionais, e contou com muito sertanejo. O Rock in Rio se encerrou no domingo (22), com outros headliners como Mariah Carey. Celebrando uma edição histórica, o festival completou sua quadragésima edição com ícones como Ney Matogrosso, mas decepcionou em algumas performances, como a de Luisa Sonza e Akon, julgado em portais de notícia brasileiros como o Estadão e o GShow como “as piores apresentações”. 

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A influência da literatura e do romance no Brasil o bate papo entre leitores e autores nacionais são pauta aberta no universo
por
Eduarda Gonçalves Amaral
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02/10/2024 - 12h

bookinfluencers na mesa do estande da Amazon com mediação do Tiago Valente
Mesa sobre os bookinfluencers com mediação do Tiago Valente - Foto: Eduarda Amaral 

 

A 27ª Bienal Internacional do livro encerrou em setembro sua programação no Distrito Anhembi, Zona Norte de São Paulo. O evento promoveu temas sobre “Bookinfluencers: Estratégias de conteúdo para engajar”, “Romances e o poder do “felizes para sempre”, com discussões entre influenciadores e autoras nacionais.

Uma das mesas de destaque do evento foi a “Bookinfluencers: Estratégias de conteúdo para engajar”, no Estande da Amazon Kindle às 11h, mediada pelo influenciador Tiago Valente, reunindo Paulo Ratz, Patrick Torres, Milena Souza (Enevoada) e Rodrigo de Lorenzi. Com humor e troca de experiências, a conversa falou sobre o impacto da influência na formação de leitores mais jovens e das comunidades criadas nas redes sociais. 

Tendo em vista a dinâmica dos conteúdos que geram engajamento na internet, Tiago questiona qual tipo de postagem consegue ultrapassar as bolhas e atingir um público ainda maior. “Eu só viralizo e meu conteúdo só engaja quando eu falo sobre racismo” diz Enevoada, que tem um público majoritariamente negro e indica livros com foco em representatividade não branca. A influenciadora também relata sobre o senso de comunidade da plataforma digital: “É um refúgio”.

Entretanto, ela contrapõe que muitos buscam seu trabalho apenas por ser negra ou por estar falando sobre raça, mas que não consomem criadores de conteúdo que são pretos em obras que não sejam relacionadas ao racismo.

Patrick Torres, que é um autor brasileiro, comenta: “Qualquer menção a raça no meu perfil funciona muito bem em números”, e explica que para ele “o exotismo engaja”, quanto mais o conteúdo for diferente e “exótico”, maior o engajamento.

A influência dos “bookinfluencers” é evidente nas escolhas literárias dos leitores, que demonstram uma crescente afinidade com a literatura nacional, e impulsionam seu reconhecimento. “A minha comunidade foi impactada com a minha indicação da Carla Madeira” (autora do livro “Tudo é Rio”), comenta Rodrigo de Lorenzi, a mesa finaliza ao discutir questões burocráticas e econômicas sobre a vivência com a literatura na internet.

 

“O romance só é romance se ele tem um final feliz?”

Autoras nacionais na mesa sobre romances com a mediadora Milena Souza (Enevoada)
Mesa sobre romance e finais felizes com as autoras e mediadora do evento - Foto: Eduarda Amaral

 

Outro bate papo com Enevoada, dessa vez no papel de mediadora, contou com a presença das autoras, Carina Rissi, Paola Aleksandra, Aione Simões e Vanessa Airallis, em um debate sobre “Romances e o poder do “‘felizes para sempre’”.

Um ponto chave na discussão foi sobre como o gênero é lido e escrito, e como as autoras encaram as críticas e a importância do romance. “Tudo que é associado ao interesse da mulher, escrito por mulheres e consumido majoritariamente por mulheres acaba parecendo como algo fútil, porque aquilo que é associado a mulheres é menor” comenta a autora Aione Simões, que cresceu como produtora de conteúdo defendendo romances. 

“O que é literatura de homem? isso não existe, mas porque temos uma literatura de mulher?” diz ela também, sobre o “subgênero” chick lit, que trata de questões femininas modernas.

A autora de “Amor às causas perdidas”, Paola Aleksandra, destaca que a principal transformação no cenário literário dos romances está sendo impulsionada pelos consumidores, que consomem cada vez mais histórias de amor, incentivadas pelas mídias sociais.

O último tópico abordado pela mesa de romance foi sobre a obrigatoriedade dos finais felizes: “Eu sinto que o final feliz me faz sentir controle sobre algo” diz Aleksandra, sobre ler romances com finais que aquecem corações, “porque é o que nos motivam a ter esperança para o nosso dia a dia”.

A crítica na leitura de romances que apresentam finais idealizados e excessivamente felizes gira em torno da expectativa de alguns leitores. Sobre isso, a autora Carina Rissi menciona que a discordância de seus fãs com relação ao final de uma de suas obras a levou a questionar sobre “o que é um final feliz?”. Quando ela escreve seus livros, nem sempre o final que ela quer é o final que os leitores vão gostar: “um final feliz é aquele que a minha protagonista merece, é o que ela precisa” finaliza Carina, autora de “Perdida”.


 

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Peça de Antônio Fagundes e Christiane Torloni tem temporada prevista até dezembro
por
Giovanna Montanhan
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01/10/2024 - 12h

A estreia da peça ‘Dois de Nós’ ocorreu no dia 05 de setembro, no Teatro TUCA. O elenco reúne grandes nomes do teatro e da televisão brasileira, como Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Thiago Fragoso e Alexandra Martins. É dirigido por José Possi Neto, e concebido e escrito por Gustavo Pinheiro, jornalista que também assinou os textos de ‘Antes do Ano que Vem’ e ‘A Lista’. O palco do Teatro TUCA foi escolhido para ser a primeira casa do espetáculo, que ficará em cartaz até dia 15 de dezembro.

A premissa é de um mesmo casal, retratado em dois momentos distintos de suas vidas - na juventude, sendo interpretados por Alexandra e Thiago e na velhice, por Christiane e Antônio. Em um determinado momento, ambas as versões se encontram em um mesmo quarto de hotel, onde o passado e o futuro se entrelaçam, revelando segredos, frustrações e sonhos. O choque entre duas perspectivas de si mesmos desencadeia uma série de revelações e questionamentos. 

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Elenco da peça 'Dois de Nós' - Reprodução: Instagram @doisdenosteatro

 

A química e o entrosamento entre os atores é um ponto de destaque na peça. Alguns membros do elenco da peça já haviam trabalhado juntos anteriormente, como Torloni e Fagundes, que contracenaram juntos em ‘Amizade Colorida’ (1981), ‘Besame Mucho’ (1987) ‘Louco Amor’ (1983),  ‘A Viagem’ (1994) e ‘Velho Chico’ (2016).

Alexandra Martins explicou, em entrevista à AGEMT, que o texto foi escolhido pelo próprio Gustavo Pinheiro, e escrito especificamente no elenco atual. Ela se apaixonou imediatamente pela obra assim que teve o primeiro contato com o roteiro, que discute a questão geracional nos relacionamentos. 

Antonio Fagundes afirmou, também para a AGEMT, que o texto é “perfeito para o momento atual, em um período em que tantas pessoas estão se afastando umas das outras em meio à polarização”.

Para ele, a peça traz uma mensagem importante de união. Ao comentar sobre suas contribuições ao personagem, mencionou que “todo ator sempre contribui para além do que está no texto de alguma forma”. 

Já Thiago Fragoso explicou que, embora o texto normalmente seja o primeiro fator a atrair um ator, foi o convite de Fagundes que o motivou para o trabalho. Segundo ele, que já havia trabalhado com o ator na televisão, a parceria no teatro seria um próximo passo. Rasgou elogios a Antônio, o reverenciando como “uma lenda do ofício”, como alguém que “continua a se superar”.

Por fim, mencionou que o encontro é uma honra e uma experiência muito especial, e, também fez questão de reafirmar a genialidade do texto. 

A peça utiliza do recurso da metalinguagem e leva o público para uma reflexão sobre as relações humanas e suas imperfeições, mostrando como elas são, na verdade, perfeitas em sua complexidade.Ao contrário das idealizações trazidas pelas comédias românticas norte-americanas, o espetáculo confronta o espectador com a realidade.

O espetáculo é recheado de momentos de gargalhadas intensas e emoções profundas, proporcionados por uma escrita atual e sagaz, que retrata os desafios da modernidade de maneira leve e divertida. O humor, aliado à reflexão, faz também com que o público não apenas se divirta com as situações cotidianas encenadas no palco, mas também se enxergue nelas, como um autorretrato. 

Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do Teatro TUCA e também no site/app do Sympla. Os valores começam a partir de R$80. Entretanto, docentes e discentes da PUC-SP pagam R$20. 

Também é possível adquirir uma visita guiada pelos próprios atores aos bastidores, camarins e coxias por R$100 a mais. 

Ao fim de cada sessão, há um bate-papo onde os atores interagem com a plateia e respondem respectivas dúvidas e impressões sobre o espetáculo apresentado.