Exibição cinematográfica de curta metragens independentes acontece nas imediações do Elevado João Goulart
por
Beatriz Foz
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29/04/2026 - 12h

O Elevado João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, é um verdadeiro museu a céu aberto na cidade, graças aos imensos murais que colorem as empenas dos prédios que o ladeiam. Além disso, uma vez por ano, essas telas gigantes dão lugar à sétima arte. Fechada para veículos e aberta aos pedestres nos finais de semana, a via elevada completa seis anos como palco do festival de curtas-metragens Cine Minhocão. Desta vez, as projeções acontecem nos dias 25 e 26 de abril e 2 e 3 de maio. 

O festival começou com um pequeno projetor digital e uma caixa de som transportada por uma bicicleta e foi idealizado pelo diretor de animação Antônio Linhares, seus familiares e amigos. A ideia era criar um momento coletivo de exibições mensais, mas o projeto se expandiu. Em 2024 ele ganhou formato de festival e hoje se configura como um grande evento anual com mostras de curtas-metragens independentes nacionais e internacionais. Os curtas concorrem a prêmios votados pelo público e por uma mesa de júris, composta por três especialistas: Radhi Meron (educadora e roteirista premiada), Manu Zilveti (roteirista e diretora) e Niclas Goldberg (programador e jornalista). 

Em 2025 o festival ofereceu quatro prêmios de R$ 4.000,00 e uma verba de exibição de R$ 500,00 para cada curta vencedor. As categorias se dividem em “Melhor Curta Brasileiro” e “Melhor Curta Internacional”, cada um deles é votado pelo público e pelo júri separadamente. Os resultados são divulgados no último dia do evento; neste ano no primeiro domingo de maio (03).

Foto: Reprodução/ (cineminhocao.com.br)
 A exibição é feita com um projetor e uma caixa de som instalados numa bicicleta. Foto: Reprodução/ (cineminhocao.com.br)

A programação do ano é formada por 21 filmes de 9 países e 8 estados brasileiros que misturam produções variadas como live-action, animações e documentários. Muitos dos curtas selecionados já passaram pelas grandes telas de outros festivais, como Cannes, Berlim, Roterdã e Tiradentes. Pode-se esperar diversidade de temas e reflexões que constroem uma programação abastecida de riqueza cultural nacional e internacional. 

Cada um dos quatro dias de evento oferece duas sessões, uma às 18h e outra às 19h, tendo aproximadamente 45 minutos de duração cada. O festival é gratuito, oferecendo consumo cultural de forma democrática, e busca ressignificar e inovar os espaços públicos da cidade, ocupando-os de maneira não usual. No festival é assim: ambulantes vendem bebidas para o público que ocupa o asfalto trazendo cangas, almofadas ou cadeiras de praia. 

O festival acontece de forma independente e é possível contribuir coletivamente com a sua produção adquirindo a camiseta e o cartaz do evento, criados pelo designer gráfico convidado Marcus Bellaverm.

Arte criada pelo designer gráfico Marcus Bellaverm para divulgação do evento de 2026.
Arte criada pelo designer gráfico Marcus Bellaverm para divulgação do evento de 2026.  Foto: Reprodução

 

 

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Adaptação do best-seller chega ao streaming em maio e aposta em romance universitário e esporte
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Gabriela Dias
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23/04/2026 - 12h

O livro “O Acordo”, primeiro da série de cinco livros de  “Off Campus” (Amores Improváveis) da autora Elle Kennedy, será adaptado para o audiovisual e estreia em 13 de maio de 2026 na plataforma Prime Video. A produção será lançada e disponibilizada em formato de maratona, com os oito episódios lançados de uma vez.

A história se passa em uma universidade norte-americana e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), uma estudante dedicada que enfrenta inseguranças pessoais, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei no gelo e um dos alunos mais populares do campus. Apesar do destaque nos esportes, ele precisa melhorar seu desempenho acadêmico para continuar na equipe.

A aproximação entre os dois acontece por interesse mútuo. Hannah passa a ajudá-lo nos estudos, enquanto Garrett propõe fingir um relacionamento para despertar o interesse amoroso de outro estudante. Ao longo da convivência, o vínculo evolui e revela camadas mais profundas dos personagens, com foco em crescimento emocional e construção de confiança.

Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video
Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video

Apesar do foco romântico, a história se sustenta também nas relações de amizade dos protagonistas. Hannah mantém uma forte conexão com Allie Hayes (Mika Abdalla), sua melhor amiga, que funciona como seu apoio emocional e contraponto em momentos decisivos da narrativa. A dinâmica entre as duas demonstra a perspectiva feminina da trama e contribui para o desenvolvimento da protagonista.

Do outro lado, Garrett faz parte de um grupo de amigos formado por Dean Di Laurentis, John Logan e John Tucker, colegas de time e figuras centrais dentro do universo da série. O desenvolvimento emocional do jogador tem grande enfoque na série, trazendo seus problemas com o pai para a trama.

Esses núcleos de amizade têm papel estratégico na construção da narrativa. Na série literária, cada um desses personagens ganha protagonismo em livros seguintes, o que deve ser mantido na adaptação. A tendência é que personagens como Dean, Allie e Tucker também assumam papéis centrais nas próximas temporadas, ampliando o universo da história e aprofundando as relações construídas desde o início. 

Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 
Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 

O ambiente esportivo segue como um plano importante, refletindo a cultura universitária dos Estados Unidos, em que atletas ocupam posição de destaque. A competitividade, a pressão por desempenho e a vida em equipe influenciam na trama, aparecendo em situações como a pressão constante sobre Garrett para manter boas notas e continuar elegível para o time, além da cobrança por um bom desempenho em jogos decisivos de hóquei. A rotina intensa de treinos, viagens e competições também interfere diretamente na vida acadêmica e pessoal dos personagens, criando conflitos recorrentes.

Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 
Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 

O elenco principal conta com Ella Bright (Hannah Wells) e Belmont Cameli (Garrett Graham) nos papéis centrais, além de Mika Abdalla (Allie Hayes), Antonio Cipriano (John Logan), Jalen Thomas Brooks (John Tucker), Stephen Kalyn (Dean Di Laurentis), Josh Heuston (Justin Kohl), Steve Howey (Phil Graham) e Khobe Clarke (Beau Maxwell). A presença desses personagens reforça a proposta de uma narrativa coletiva, em que diferentes histórias se conectam ao longo das temporadas.

A adaptação faz parte da estratégia do streaming em investir em histórias com público já consolidado, especialmente no gênero romântico voltado para jovens. Ao expandir o foco para além do casal principal, a produção aposta na construção de um universo contínuo, sustentado tanto pelo romance quanto pelas relações de amizade.

Por ser uma obra publicada em 2015, a série promete ter uma nova roupagem para 2026. “O Acordo” se consolidou como um dos títulos mais populares do gênero new adult ao longo dos anos. A obra ganhou destaque internacional, impulsionada principalmente pelo boca a boca entre leitores e, mais recentemente, pela viralização em plataformas como o TikTok e o X, onde passou a integrar listas de leituras recomendadas.

Além da popularidade, também é apontado como um dos precursores da popularização de romances no universo do hóquei no gelo. Embora não tenha sido o primeiro a explorar esse cenário, o livro ajudou a consolidar o interesse do público por histórias que combinam esporte e romance, abrindo espaço para uma nova tendência dentro do gênero.

A partir de seu sucesso, outras obras com protagonistas atletas, passaram a ganhar destaque no mercado, formando um nicho que continua em expansão até hoje. O sucesso também se reflete na expansão para a série “Off Campus”, que conquistou uma base de fãs e manteve relevância mesmo anos após o lançamento, fator que contribuiu diretamente para sua adaptação audiovisual.

Além do romance, a trama incorpora temas como autoestima, traumas, ansiedade, consumo de álcool e consentimento, ampliando a identificação com o público jovem.

A segunda temporada já confirmada deve seguir a estrutura dos livros sendo o próximo “O Erro”, focando em outro casal do mesmo universo, com destaque para os personagens John Logan e Grace Ivers. A produção ainda não tem data de estreia definida, mas já se encontra em fase inicial de desenvolvimento. 

Com o lançamento do teaser de “O Acordo” nesta quinta-feira (23), a série ganhou suas primeiras imagens oficiais e aumentou a expectativa do público

Confira o trailer da 1° temporada:

 

 

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Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
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Gabriela Dias
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16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

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Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
por
Carolina Machado
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15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

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Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
por
Maria Olívia Almeida
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15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

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Com a proximidade de dezembro, os filmes natalinos ganham cor em formatos variados, de animação até ação
por
Gisele Cardoso dos Santos
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28/11/2024 - 12h

A aproximação do fim do ano trouxe os lançamentos natalinos para os cinemas e para o canal de streaming Netflix. Entre os gêneros é possível encontrar comédia romântica, ação e fantasia. O elenco também é variado nas produções de fim de ano, com: Lindsay Lohan, Ian Harding, Dwayne Jonhson e Chris Evans.

Um amor feito de neve

O filme conta a história de uma jovem viúva que enfrenta o luto pela morte de seu marido. Com a ajuda da magia do Natal, Kathy reencontra a felicidade quando seu boneco de neve cria vida e se torna um grande companheiro. Porém, com o passar do inverno, seu amor pode desaparecer junto com a neve. O filme está disponível na Netflix, tendo sido lançado em 13 de novembro.

Um amor feito de neve foi lançado em 13 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix
Um amor feito de neve foi lançado em 13 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix

 

Aquele Natal

“Aquele Natal” é um filme de animação para a família. A história narra o natal mais complicado do Papai Noel, quando uma nevasca quase arruinou as comemorações de fim de ano das famílias de Wellington. Porém, em busca de um milagre de Natal, os cidadãos se lembram do que é mais precioso na data. Pode ser assistido pela Netflix a partir de 04 de dezembro.

Aquele Natal será lançado em 04 de dezembro. Foto: Divulgação/Netflix
Aquele Natal será lançado em 04 de dezembro. Foto: Divulgação/Netflix

Sintonia de Natal

Lançado em 07 de novembro pela Netflix, “Sintonia de Natal” traz um triângulo amoroso entre Leyla, James e Teddy.

Ela conhece James no ano anterior em um aeroporto, em um encontro proporcionado por voos atrasados na noite de Natal. Apaixonados, eles combinam de se encontrar no especial de Natal de um grupo musical no ano seguinte, mas os ingressos acabaram  esgotando. Em busca de encontrar seu amado, ela consegue ajuda de Teddy, um assistente pessoal que vai abalar a sua certeza sobre quem é o par perfeito.

Sintonia do Natal foi lançado em 07 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix
Sintonia do Natal foi lançado em 07 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix

Nosso segredinho

Ao conhecer a família do novo namorado na noite de Natal, Avery, interpretada por Lindsay Lohan, descobre que seu ex, é o atual namorado de sua cunhada Katie. Juntos, eles concordam em não contar sobre essa saia justa e lutam para guardar esse segredo. O filme foi lançado em 27 de novembro, na Netflix.

Nosso segredinho será lançado em 27 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix
Nosso segredinho será lançado em 27 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix

No Ritmo do Natal

A comédia romântica conta sobre uma ex-bailarina que retorna para a cidade da sua família ao descobrir que o estabelecimento de seus pais está prestes a fechar as portas. Para impedir que isso aconteça, ela monta uma apresentação com garçons bailarinos e aposta todas as suas fichas na noite de natal. Está disponível desde 20 de novembro também na Netflix.

No Ritmo do Natal foi lançado em 20 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix
No Ritmo do Natal foi lançado em 20 de novembro. Foto: Divulgação/Netflix

Operação Natal

Saindo da sala de estar e entrando nas salas de cinema, a produção “Operação Natal” foge do tradicional e apresenta uma história natalina de aventura. Nessa história, o papai noel é “Das Neves”, um senhor forte e descolado. Porém, ele é raptado e cabe ao caçador de elite, Jack O’Malley (Chris Evans) e Callum Drift (Dwayne Johnson) trazê-lo de volta.

Operação Natal foi lançado em 7 de novembro. Foto: Divulgação/Warner Bros Pictures
Operação Natal foi lançado em 7 de novembro. Foto: Divulgação/Warner Bros Pictures
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Aos 18 anos, mineira fecha contrato vitalício com uma das mais importantes casas de ópera do mundo
por
Gisele Cardoso dos Santos
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28/11/2024 - 12h

A jovem Luciana se tornou a primeira brasileira da história a entrar na Ópera de Paris. Seu contrato garante o vínculo até os seus 42 anos, considerada a idade média de aposentadoria para bailarinas na França.

 

Com sua trajetória no ballet iniciada aos 3 anos, a jovem passou pela Petite Danse no Rio de Janeiro, onde se destacou e chamou a atenção tanto das professoras quanto dos internautas. Depois de muitos prêmios e festivais nacionais, Luciana se apresentou em Nova York para a YAPG 2018 e ficou entre as 12 melhores do mundo. Já em 2021, foi uma das 70 bailarinas que representaram o Brasil no Prixx de Lausanne, uma das maiores competições mundiais do ballet clássico, presidida na Suíça.

Luciana se mudou para o Rio de Janeiro aos 9 anos. Foto: Reprodução/Instagram Luciana Sagioro
Luciana se mudou para o Rio de Janeiro aos 9 anos. Foto: Reprodução/Instagram Luciana Sagioro

Com sua participação, a bailarina conseguiu o terceiro lugar no geral e o primeiro lugar como melhor performance artística, categoria que era decidida por voto público. A mineira, com apenas 15 anos, já saiu da competição com sua bolsa garantida na Escola de Dança da Ópera de Paris, na qual agora foi contratada.

 

A Ópera Nacional de Paris, foi fundada em 1669 e realiza suas apresentações de ballet no teatro Palais Garnier. A ópera é reconhecida mundialmente por seus espetáculos como: Paquita, Swan Lake, Don Quixote, La Bayadère, La Source e Giselle.

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Talitha Barros, chef do Conceição Discos, não apenas cozinha; ela transforma a comida em uma declaração resistência
por
Laura Paro
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27/11/2024 - 12h

 

Tudo é político quando você é uma mulher. Essa é a frase em um dos quadros expostos na parede roxa do restaurante Conceição Discos, localizado no bairro de Santa Cecília da capital paulista. Um fogão poderoso cercado por um balcão chama a atenção, por exalar o cheiro de comida brasileira vindo dali; a cozinheira, que usa um turbante, cozinha enquanto conversa com as pessoas que sentam à sua frente. Entre uma prosa e outra com os seus clientes, que são recebidos sempre com cumprimentos calorosos, ela prepara o prato do dia a ser servido no restaurante. E o cheiro… O cheiro exala a sua paixão por cozinhar, que pode ser sentida já ao entrar no local. É um lugar de cozinha afetuosa.

Talitha Barros é a dona e chef do restaurante Conceição Discos, localizado em Santa Cecília. Foto: Laura Paro/Arquivo pessoal.
Talitha Barros é a dona e chef do restaurante Conceição Discos, localizado em Santa Cecília.
Foto: Laura Paro/Arquivo pessoal.

Talitha Barros é nascida na periferia da zona sul de São Paulo, neta de indígena e a chef que usa turbante por trás das quatro bocas do fogão, utilizado para preparar a comida do restaurante paulistano. A especialidade da casa é servir arroz em diferentes pratos: um ingrediente que parece simples, mas que se torna único a cada combinação – abóbora, costelinha, camarão, baião de dois… E por aí vai. Tudo isso, com a opção de complementar com um ovo frito, que também parece simples, mas é o que há de especial no restaurante.

O cheiro de comida boa e caseira ecoa pelo ambiente e antes mesmo de entrar no restaurante, já é possível ouvir os belos vocais de Nina Simone – uma das artistas escolhidas para compor a trilha sonora do Conceição Discos que, como o nome entrega, também vem da paixão pela música. O local dispõe, além da culinária brasileira, de uma bancada de discos de vinil à venda e de uma vitrola que toca durante o dia. A escolha da trilha sonora que traz resistência cultural, o ambiente caloroso e o cheiro de comida brasileira já dizem muito sobre o restaurante, e também sobre a chef.

Com o sonho de ser antropóloga para cuidar das heranças culturais dos povos nativos, Talitha Barros se encontrou na gastronomia – seguindo com o mesmo sonho, mas dessa vez, envolvendo a arte de cozinhar. Ela diz que sua paixão pela comida brasileira vem nos pequenos detalhes e na valorização de ingredientes que parecem básicos demais, mas que são versáteis: no Conceição Discos, por exemplo, um simples ovo frito é capaz de transformar a finalização de qualquer prato do cardápio.

Foi essa vontade de expressar sua própria identidade que a levou a criar um espaço onde a comida não é apenas uma receita, mas uma forma de contar um pouco de sua história. Ela começou como ajudante de sushiman e depois passou por restaurantes italianos e franceses, mas a vontade de ter algo com a sua própria identidade era maior. Decidiu abrir um restaurante que também contasse um pouco da sua história e de onde veio, e por isso a escolha da comida brasileira: rica em sabores, mesmo com poucos ingredientes; música boa e feita por artistas importantes da indústria musical, a maioria com um histórico de luta e resistência (como Nina Simone, que foi ativista pelos direitos de pessoas pretas nos Estados Unidos); e, ainda, um local formado totalmente por mulheres, desde a cozinha até as atendentes.

Ao sentar no balcão, é possível observar o modo de preparo da chef e todos os utensílios de cozinha que ela utiliza. Foto: Laura Paro/Arquivo pessoal.
Ao sentar no balcão, é possível observar o modo de preparo da chef e todos os utensílios de cozinha que ela utiliza.
Foto: Laura Paro/Arquivo pessoal.

Ao sentar no balcão de frente para ela, os frequentadores assíduos costumam pedir um refrescante de hibisco para começar a jornada gastronômica no restaurante. O prato do dia? Arroz de carne assada. A chef, enquanto prepara a comida a ser servida, de frente para o fogão, ela compartilha um sorriso com um cliente; com outros que já conhece, compartilha histórias, ou até mesmo conta sobre a sua última viagem.

Após alguns minutos, a comida chega na mesa e todo o cheiro aconchegante espalhado pelo ambiente alcança o paladar. A reação dos clientes é sempre única e grande parte, até comem de olhos fechados. É como se estivessem se alimentando de uma história, como se a boa prosa com a cozinheira se transformasse em uma comida afetuosa, que acolhe. O arroz, que parece tão simples, ganha outra dimensão quando, enquanto é preparado, é acompanhado de boas conversas, regadas de histórias. Os pratos não são apenas comida; são uma continuidade de algo maior, que começa nas mãos de Talitha, que, ao colocar a comida na mesa, também coloca um pouco de si mesma.

Aqui, não se trata apenas de alimentar corpos, mas de nutrir a alma. E a alma, para Talitha, tem um gosto muito particular, um gosto que é, ao mesmo tempo, doce e amargo, forte e delicado. Esse é o gosto da resistência, também presente na história da chef: uma mulher periférica, que carrega um legado especial por parte dos seus avós e que ama a culinária de onde veio – a brasileira.

Porque tudo é político quando você é mulher. E, nesse espaço, o político está também em cada ingrediente escolhido por Talitha para colocar no prato e em cada história que ela traz para o balcão. O simples ato de cozinhar, para ela, não se limita a um gesto de sustento. Cozinhar, para ela, é a representação de um espaço de afirmação e empoderamento.

O quadro "Tudo é político quando você é uma mulher" é exposto em uma prateleira na parede do restaurante.
O quadro "Tudo é político quando você é uma mulher" é exposto em uma prateleira na parede do restaurante.
Foto: Laura Paro/Arquivo pessoal.

Como mulher, Talitha sabe que cada prato que sai da sua cozinha é também um manifesto. É uma resposta às desigualdades, um posicionamento sobre o valor da comida simples, mas sofisticada na sua raiz. A valorização do arroz e do ovo, ingredientes essenciais que muitas vezes são vistos como “básicos”, é a celebração de uma gastronomia que carrega uma identidade própria; para ela, cada grão de arroz é como um pedaço da história do Brasil, um pedaço de um país que está sempre tentando ser redefinido, mas que, através da comida, encontra uma maneira de se afirmar.

E quando ela coloca esse arroz no prato, acompanhado de uma costelinha de porco suculenta, ou de um bacalhau, ela nos ensina que a comida pode ser muito mais do que um simples ato de sustento. A comida é história, é luta e também é poesia. E isso é trazido por ela no dia a dia dentro da cozinha, na interação com os clientes e na visível paixão que tem por cozinhar.

Cada prato que sai do fogão de quatro bocas do Conceição Discos é uma maneira de afirmar sua identidade, de afirmar sua luta enquanto chef e principalmente, como mulher. Porque no fundo, o que Talitha oferece não é apenas o sabor inconfundível de um arroz bem feito, mas uma história de resistência e de afirmação. Uma história que é, antes de tudo, política, pois enquanto mulher, sua presença ali, seu espaço conquistado na culinária paulistana, não é só uma escolha de carreira. Mas um verdadeiro ato político.

Ao entrar no Conceição Discos, entra-se não apenas em um restaurante. Mas sim em um espaço onde a comida é política, onde o gosto é resistência, onde a música é história, e onde, acima de tudo, o acolhimento é feito de afeto – o tipo de afeto que transforma, que cura e que, em cada prato, conta a história de uma mulher que escolheu fazer da sua cozinha um lugar de potência.

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“Se não tiver diversão, a gente nem toca”, diz o vocalista da banda de Classic Rock, Outshine
por
Vitória Nunes de Jesus
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25/11/2024 - 12h

A vida noturna de São Paulo é conhecida por sua variedade, abrangendo desde baladas sofisticadas até bares de rock, com opções para todos os gostos e estilos. A Rua Augusta é considerada um dos polos mais ecléticos da cidade, oferece bares, casas noturnas, botecos e locais para música ao vivo. São tantas opções que muitas vezes os paulistas não sabem nem aonde ir.

Para os rockeiros, um bairro interessante é Pinheiros, existem desde bares grandes com bandas e suas performances, vestimentas que imitam artistas até pubs menores que também contam com shows de bandas covers.

As bandas são o que “anima o rolê” e fazem você e seu grupo de amigos perceberem se fizeram a escolha certa do lugar. Quanto mais música, melhor.

Para saber mais sobre o universo das bandas cover, André, o vocalista da banda Outshine, conta um pouco sobre algumas histórias que ele e seus parceiros de palco já passaram. “Somos quatro amigos: André Rima (vocalista), Alex Resende (guitarrista), Fábio Lourenço (contrabaixo) e Cristopher Ribeiro (baterista). Estamos juntos desde 2016. Na adolescência, cada um tinha sua banda, a gente se reuniu para essa banda no final de 2016 com o final da banda de cada um e coincidiu de cada integrante tocar um instrumento e formar a Outshine.”

André diz que a banda procura se manter atualizada nas músicas atuais para montar os repertórios dos shows, mas também não os seguem à risca, vão observando o que o público vai gostando mais. “A gente fica ligado na atualidade, o que tem agradado ao pessoal e também na temperatura do show. Se um ritmo vai agradando, a gente vai puxando para aquele lado. Tudo depende muito do público que está naquele dia, no show, a idade, se gostam mais de um rock pesado, mais leve, pop, a gente vai soltando as músicas e vai vendo a receptividade e às vezes, na hora mesmo, a gente muda a ordem das músicas para se adequar ao que está rolando naquele dia”.

O vocalista da Outshine diz que não tem idade quando o assunto é música boa. “Linkin Park e System of a Down, essas duas bandas a gente pode estar tocando em uma festa de debutante ou de aposentados que vão querer escutar. É impressionante a força que essas duas bandas têm”.

Apesar de algumas vezes o público ter a impressão de algumas bandas cover quererem seguir à risca a imagem dos cantores imitados, André diz que sua banda é diferente, ainda mais por cantarem diversas músicas de várias bandas. “Sempre adicionamos coisas nossas, timbres nossos, a minha voz também é diferente, nunca vai ser igual a do cantor, então sempre faço alguma graça”.

Imagem: arquivo pessoal
Imagem: arquivo pessoal

André relembra que o principal para manter a banda é sentimento pela música. “Se não tiver diversão a gente nem toca. No caso dessa banda, os integrantes não vivem de música, a gente já viveu uma época, mas no período da pandemia não deu para tocar, então cada um seguiu uma carreira. Depois da pandemia a gente continuou tocando por diversão e amor à música”.

Pesquisas mostram a desvalorização e os estigmas sociais da profissão. Uma pesquisa realizada em 2021 pela Record Union apontou que 73% dos músicos independentes relataram problemas de saúde mental devido ao estresse financeiro e à desvalorização da carreira. Outra pesquisa feita em 2020 da Casa de Música do Porto revelou que 42% das pessoas acreditam que a música não é uma “profissão séria”.

Questionado por sofrer preconceito como músico, André diz não ser discriminado em seu meio. “Existe preconceito fora do lugar do show. Músico geralmente é chamado de vagabundo se não ganha muito dinheiro ou não faz muito sucesso, não é um bom músico. A gente não pensa assim, existem faixas e faixas de sucesso que você pode ter na música e formas de se ganhar dinheiro também com música que dá para viver em qualquer lugar do mundo. Desde que você se dedique para música, o mesmo tempo que você se dedica para um trabalho qualquer, você ganha um bom dinheiro”.

O vocalista da banda diz que a Outshine não pretende lançar músicas próprias nos repertórios de seus shows ou seguir outros caminhos musicais. “Cada um de nós tem seus trabalhos próprios. Já tive meus CDs gravados, mas nessa banda é exclusivamente comercial”.

Por fim, André relembra uma história engraçada que a banda viveu em um show. “Foi uma situação muito embaraçosa que aconteceu em Campos do Jordão, num bar, que uma gringa, da Holanda subiu no palco e abaixou as calças e virou para o público enquanto a gente estava tocando. Foi o momento mais engraçado da banda”.

Cumprindo o propósito de alegrar a vida do público e mantendo o seu, que é o amor pela música, bandas cover continuam dando um show por São Paulo e colecionando histórias para contar.

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O evento de música eletrônica promete agitar a capital paulista reunindo grandes nomes brasileiros e globais na primeira quinzena de dezembro
por
Majoi Costa
Nicole Conchon
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22/11/2024 - 12h

 

 

 

Edições antigas da Boiler Room em colagem. Foto: Boiler Room ArchivesV
Edições antigas da Boiler Room em colagem. Foto: Boiler Room Archives

 

 

 

 

 

O Boiler Room, evento de música eletrônica reconhecido por suas festas secretas e transmissões ao vivo, desembarca em São Paulo no dia 13 de dezembro. O local ainda não foi compartilhado, mas nomes como DJ Magal, AKAI, Danny Daze, Suelen Mesmo e DJ Caio Prince são alguns já confirmados pelo programa. 

 

A festa promete ser um marco para os fãs do gênero,  reunindo DJs internacionais e nacionais em um local surpresa, criando uma experiência imersiva e exclusiva para o público. Com sua tradição de apresentações intensas e energéticas, o evento reflete a constante evolução da cena eletrônica global, proporcionando aos paulistanos uma oportunidade rara de vivenciar o conceito único do Boiler Room ao vivo.

Foto: Ryan Buchanan
Foto: Ryan Buchanan

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Surgimento do Boiler Room 

O Boiler Room foi fundado em 2010 por um grupo de britânicos com a ideia de criar uma plataforma que unisse música eletrônica e a cultura de clubbing, que se refere ao conjunt de práticas, comportamentos e valores associados à cena de clubes noturnos e festas eletrônicas, se tornando um estilo de vida que geralmente é associada a gêneros musicais como techno, house, trance e outros estilos eletrônicos. 

 

O conceito era simples, mas inovador: reunir DJs em performances ao vivo e transmiti-las para o mundo, com foco na energia visceral dos clubes underground. Com uma estética minimalista e sem grandes ostentações, o Boiler Room capta a essência da música eletrônica em sua forma mais crua, colocando o público no centro da experiência

 

Inicialmente, o Boiler Room se destacou por sua abordagem alternativa à forma como a música eletrônica era consumida. Ao contrário dos grandes shows de DJ transmitidos de maneira convencional, as festas do Boiler Room eram mais descontraídas, sem palco elevado, com o público ao lado dos artistas, criando uma atmosfera de proximidade e troca de energia única. A transmissão ao vivo das performances pelo YouTube rapidamente atraiu fãs de todo o mundo, fazendo com que o Boiler Room se tornasse uma das maiores plataformas de música eletrônica do planeta. 

 

O Boiler Room chegou ao Brasil pela primeira vez em 2013 e contou com grandes nomes consagrados na cena como o DJ Zegon, Gui Boratto, Ney Faustini e Nomumbah. Nos anos seguintes, como 2017 e 2019, foi a vez de Djonga, Rincon Sapiência, Linn da Quebrada e a Mamba Negra (coletivo underground paulista), Cashu e Badsista levarem suas músicas e sets em São Paulo e no Rio de Janeiro pela plataforma. 

 

A importância do Boiler Room 

O Boiler Room desempenha um papel crucial na democratização da música eletrônica, por meio das transmissões ao vivo. Além disso, oferece um palco para artistas emergentes e consagrados, de diferentes vertentes do gênero. Ao longo dos anos, o evento tem sido um catalisador de novas formas de produzir e criar shows, dando visibilidade a sons alternativos e experimentais, ao mesmo tempo em que se celebra os ícones do underground.

Além de promover o talento musical, o Boiler Room também é uma vitrine para a cultura clubbing e das festas de dança, celebrando não apenas a música, mas o ambiente e a comunidade que ela cria. Cada evento tem um caráter único, sendo das plataformas de vídeo online, com a produção visual cuidadosamente projetada para refletir a vibração e o espírito do evento. 

 

 

DJ Larinhx na Boiler Room do Rio de Janeiro em 2023. Foto: Boiler Room Archives

 

 

 

 

O Boiler Room em São Paulo

 

São Paulo tem uma forte ligação com a cultura da música eletrônica, devido à sua diversidade cultural, infraestrutura de vida noturna e influência global. A cidade atrai pessoas do mundo todo, criando um ambiente ideal para a música eletrônica  florescer e se expandir. E, embora o Boiler Room tenha se tornado uma plataforma de renome mundial, sua presença na cidade ainda era um sonho distante para muitos fãs. 

 

Para os artistas locais, o evento representou uma oportunidade única de visibilidade, tanto para aqueles que puderam se apresentar ao lado de grandes nomes internacionais quanto para os que participaram das transmissões ao vivo.

O preço e os locais onde acontecem os boilers variam muito. Pela alta demanda, a organização do evento não divulgou tudo no momento em que o local é anunciado, mas vão aos poucos compartilhando as atrações e os valores. Em 2023, o ingresso variou entre 50 a 100 reais. E os locais, em festas fechadas como DGTL, The Edge ou até em locais que ocorrem as festas da Mamba Negra, no caso de São Paulo. 

 

O impacto cultural da Boiler Room vai além da música. Ela traz à tona discussões sobre a cena underground, a autenticidade das festas e o crescimento da cena eletrônica em um mundo cada vez mais digital e globalizado. Em um momento em que as festas de grande porte dominam o mercado, a Boiler Room se destaca por manter viva a essência das raves e das festas clandestinas que marcaram a história da música eletrônica.

 

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