Exibição cinematográfica de curta metragens independentes acontece nas imediações do Elevado João Goulart
por
Beatriz Foz
|
29/04/2026 - 12h

O Elevado João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, é um verdadeiro museu a céu aberto na cidade, graças aos imensos murais que colorem as empenas dos prédios que o ladeiam. Além disso, uma vez por ano, essas telas gigantes dão lugar à sétima arte. Fechada para veículos e aberta aos pedestres nos finais de semana, a via elevada completa seis anos como palco do festival de curtas-metragens Cine Minhocão. Desta vez, as projeções acontecem nos dias 25 e 26 de abril e 2 e 3 de maio. 

O festival começou com um pequeno projetor digital e uma caixa de som transportada por uma bicicleta e foi idealizado pelo diretor de animação Antônio Linhares, seus familiares e amigos. A ideia era criar um momento coletivo de exibições mensais, mas o projeto se expandiu. Em 2024 ele ganhou formato de festival e hoje se configura como um grande evento anual com mostras de curtas-metragens independentes nacionais e internacionais. Os curtas concorrem a prêmios votados pelo público e por uma mesa de júris, composta por três especialistas: Radhi Meron (educadora e roteirista premiada), Manu Zilveti (roteirista e diretora) e Niclas Goldberg (programador e jornalista). 

Em 2025 o festival ofereceu quatro prêmios de R$ 4.000,00 e uma verba de exibição de R$ 500,00 para cada curta vencedor. As categorias se dividem em “Melhor Curta Brasileiro” e “Melhor Curta Internacional”, cada um deles é votado pelo público e pelo júri separadamente. Os resultados são divulgados no último dia do evento; neste ano no primeiro domingo de maio (03).

Foto: Reprodução/ (cineminhocao.com.br)
 A exibição é feita com um projetor e uma caixa de som instalados numa bicicleta. Foto: Reprodução/ (cineminhocao.com.br)

A programação do ano é formada por 21 filmes de 9 países e 8 estados brasileiros que misturam produções variadas como live-action, animações e documentários. Muitos dos curtas selecionados já passaram pelas grandes telas de outros festivais, como Cannes, Berlim, Roterdã e Tiradentes. Pode-se esperar diversidade de temas e reflexões que constroem uma programação abastecida de riqueza cultural nacional e internacional. 

Cada um dos quatro dias de evento oferece duas sessões, uma às 18h e outra às 19h, tendo aproximadamente 45 minutos de duração cada. O festival é gratuito, oferecendo consumo cultural de forma democrática, e busca ressignificar e inovar os espaços públicos da cidade, ocupando-os de maneira não usual. No festival é assim: ambulantes vendem bebidas para o público que ocupa o asfalto trazendo cangas, almofadas ou cadeiras de praia. 

O festival acontece de forma independente e é possível contribuir coletivamente com a sua produção adquirindo a camiseta e o cartaz do evento, criados pelo designer gráfico convidado Marcus Bellaverm.

Arte criada pelo designer gráfico Marcus Bellaverm para divulgação do evento de 2026.
Arte criada pelo designer gráfico Marcus Bellaverm para divulgação do evento de 2026.  Foto: Reprodução

 

 

Tags:
Adaptação do best-seller chega ao streaming em maio e aposta em romance universitário e esporte
por
Gabriela Dias
|
23/04/2026 - 12h

O livro “O Acordo”, primeiro da série de cinco livros de  “Off Campus” (Amores Improváveis) da autora Elle Kennedy, será adaptado para o audiovisual e estreia em 13 de maio de 2026 na plataforma Prime Video. A produção será lançada e disponibilizada em formato de maratona, com os oito episódios lançados de uma vez.

A história se passa em uma universidade norte-americana e acompanha Hannah Wells (Ella Bright), uma estudante dedicada que enfrenta inseguranças pessoais, e Garrett Graham (Belmont Cameli), capitão do time de hóquei no gelo e um dos alunos mais populares do campus. Apesar do destaque nos esportes, ele precisa melhorar seu desempenho acadêmico para continuar na equipe.

A aproximação entre os dois acontece por interesse mútuo. Hannah passa a ajudá-lo nos estudos, enquanto Garrett propõe fingir um relacionamento para despertar o interesse amoroso de outro estudante. Ao longo da convivência, o vínculo evolui e revela camadas mais profundas dos personagens, com foco em crescimento emocional e construção de confiança.

Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video
Hannah e Garrett se aproximam durante a sessão de estudos. Foto: Reprodução/Prime Video

Apesar do foco romântico, a história se sustenta também nas relações de amizade dos protagonistas. Hannah mantém uma forte conexão com Allie Hayes (Mika Abdalla), sua melhor amiga, que funciona como seu apoio emocional e contraponto em momentos decisivos da narrativa. A dinâmica entre as duas demonstra a perspectiva feminina da trama e contribui para o desenvolvimento da protagonista.

Do outro lado, Garrett faz parte de um grupo de amigos formado por Dean Di Laurentis, John Logan e John Tucker, colegas de time e figuras centrais dentro do universo da série. O desenvolvimento emocional do jogador tem grande enfoque na série, trazendo seus problemas com o pai para a trama.

Esses núcleos de amizade têm papel estratégico na construção da narrativa. Na série literária, cada um desses personagens ganha protagonismo em livros seguintes, o que deve ser mantido na adaptação. A tendência é que personagens como Dean, Allie e Tucker também assumam papéis centrais nas próximas temporadas, ampliando o universo da história e aprofundando as relações construídas desde o início. 

Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 
Cenas de festa universitária mostram o núcleo de amizades e o estilo de vida dos protagonistas fora do gelo. Foto: Reprodução/Prime Video 

O ambiente esportivo segue como um plano importante, refletindo a cultura universitária dos Estados Unidos, em que atletas ocupam posição de destaque. A competitividade, a pressão por desempenho e a vida em equipe influenciam na trama, aparecendo em situações como a pressão constante sobre Garrett para manter boas notas e continuar elegível para o time, além da cobrança por um bom desempenho em jogos decisivos de hóquei. A rotina intensa de treinos, viagens e competições também interfere diretamente na vida acadêmica e pessoal dos personagens, criando conflitos recorrentes.

Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 
Time de hóquei em quadra, destacando o peso do esporte na rotina e nos conflitos da trama. Foto: Reprodução/Prime Video 

O elenco principal conta com Ella Bright (Hannah Wells) e Belmont Cameli (Garrett Graham) nos papéis centrais, além de Mika Abdalla (Allie Hayes), Antonio Cipriano (John Logan), Jalen Thomas Brooks (John Tucker), Stephen Kalyn (Dean Di Laurentis), Josh Heuston (Justin Kohl), Steve Howey (Phil Graham) e Khobe Clarke (Beau Maxwell). A presença desses personagens reforça a proposta de uma narrativa coletiva, em que diferentes histórias se conectam ao longo das temporadas.

A adaptação faz parte da estratégia do streaming em investir em histórias com público já consolidado, especialmente no gênero romântico voltado para jovens. Ao expandir o foco para além do casal principal, a produção aposta na construção de um universo contínuo, sustentado tanto pelo romance quanto pelas relações de amizade.

Por ser uma obra publicada em 2015, a série promete ter uma nova roupagem para 2026. “O Acordo” se consolidou como um dos títulos mais populares do gênero new adult ao longo dos anos. A obra ganhou destaque internacional, impulsionada principalmente pelo boca a boca entre leitores e, mais recentemente, pela viralização em plataformas como o TikTok e o X, onde passou a integrar listas de leituras recomendadas.

Além da popularidade, também é apontado como um dos precursores da popularização de romances no universo do hóquei no gelo. Embora não tenha sido o primeiro a explorar esse cenário, o livro ajudou a consolidar o interesse do público por histórias que combinam esporte e romance, abrindo espaço para uma nova tendência dentro do gênero.

A partir de seu sucesso, outras obras com protagonistas atletas, passaram a ganhar destaque no mercado, formando um nicho que continua em expansão até hoje. O sucesso também se reflete na expansão para a série “Off Campus”, que conquistou uma base de fãs e manteve relevância mesmo anos após o lançamento, fator que contribuiu diretamente para sua adaptação audiovisual.

Além do romance, a trama incorpora temas como autoestima, traumas, ansiedade, consumo de álcool e consentimento, ampliando a identificação com o público jovem.

A segunda temporada já confirmada deve seguir a estrutura dos livros sendo o próximo “O Erro”, focando em outro casal do mesmo universo, com destaque para os personagens John Logan e Grace Ivers. A produção ainda não tem data de estreia definida, mas já se encontra em fase inicial de desenvolvimento. 

Com o lançamento do teaser de “O Acordo” nesta quinta-feira (23), a série ganhou suas primeiras imagens oficiais e aumentou a expectativa do público

Confira o trailer da 1° temporada:

 

 

Tags:
Temporada amplia debates sobre identidade juvenil
por
Gabriela Dias
|
16/04/2026 - 12h

A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty”, produção da Netflix, marca uma mudança significativa na trajetória da série. Além de dar continuação a história de Kitty Song Covey (Anna Cathcart), os novos episódios mostram um amadurecimento evidente na narrativa, que passa a abordar com mais profundidade temas como identidade, pertencimento e crescimento emocional.

Diferente das temporadas anteriores, que priorizavam romances rápidos e conflitos mais leves, a nova fase aposta em um desenvolvimento mais cuidadoso dos personagens. A protagonista, por exemplo, deixa de ser movida apenas por idealizações amorosas e começa a enfrentar as consequências de suas escolhas, lidando com frustrações e inseguranças de forma mais realista.
 
Logo no início, a temporada apresenta um cenário de recomeço, mas sem apagar os erros do passado. A principal mudança está no andamento da narrativa: os conflitos não são resolvidos de forma imediata e passam a impactar diretamente as relações entre os personagens. Essa mudança de ritmo, mais lenta, contribui para um desenvolvimento emocional da protagonista, em que ela deixa de ser apenas uma jovem guiada por ideais românticos e passa a assumir decisões que exigem maior responsabilidade, o que torna a história mais próxima da realidade do público jovem.
 
Os relacionamentos continuam sendo o eixo central, mas ganham mais complexidade. A série abandona, em parte, a ideia de romances perfeitos e investe em vínculos mais instáveis, marcados por falhas de comunicação, expectativas diferentes e instabilidade. Ampliando a identificação do público, que passa a enxergar situações mais próximas do dia a dia.
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
Kitty e seu interesse amoroso protagonizando uma das relações centrais da nova temporada. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Mesmo com esse avanço, a idealização do amor ainda aparece como um elemento importante. Kitty mantém, em diversos momentos, uma visão romantizada das relações, acreditando em sentimentos intensos e imediatos. No entanto, a própria narrativa questiona essa perspectiva ao mostrar que o amor também envolve dúvidas, erros e aprendizado algo que pode influenciar diretamente a forma como adolescentes enxergam seus próprios relacionamentos.
 
Ao mesmo tempo, os personagens secundários passaram a ter maior protagonismo. Eles abandonaram a função de apoio narrativo e agora contribuem para um universo mais amplo, trazendo seus problemas pessoais para a trama, causando um maior envolvimento do público. Os acontecimentos da personagem Yuri Han (Gia Kim) que ganharam grande desenvolvimento na trama, se tornou um núcleo importante dessa terceira temporada.
 
Outro destaque é o aprofundamento das questões de identidade. A vivência da protagonista em um contexto cultural diferente ganha mais espaço, trazendo reflexões sobre pertencimento e construção pessoal. Esse aspecto amplia o alcance da série, que passa a dialogar com experiências comuns entre jovens.
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
Registros de bastidores mostram o clima das filmagens da terceira temporada com o retorno de Lana Condor. Foto: Reprodução/ @annacarthcart
 
O retorno de Lara Jean, interpretada por Lana Condor, reforça esse debate. Vinda do universo de “Para Todos os Garotos que Já Amei”, da autora Jenny Han, a personagem representa uma visão mais idealizada do amor, em contraste com as experiências mais instáveis vividas por Kitty. A comparação entre as duas evidencia que não existe um único modelo de relacionamento, o amor pode assumir diferentes formas, dependendo das experiências individuais.
 
Outro ponto crucial desta temporada foi um novo ponto de vista de romance vivido pela Lara Jean, no qual passa por um período instável em seu relacionamento, deixando claro que mesmo o amor idealizado tem seus problemas. 

Nos episódios finais, a série assume um tom mais reflexivo. As decisões tomadas ao longo da trama geram consequências, exigindo maior maturidade da protagonista. Ao evitar finais perfeitos, a produção valoriza o desenvolvimento pessoal em vez da resolução romântica.

O desenvolvimento amoroso de Kitty ganha maior evolução ao se aproximar de Min Ho (Sang Heon Lee), em uma relação que surge de forma gradual e menos idealizada, marcada por trocas sinceras. Diferente de suas experiências anteriores, o vínculo entre os dois se constrói a partir da convivência e da vulnerabilidade, evidenciando um sentimento mais realista e menos impulsivo, que foi sendo desenvolvido desde a primeira temporada.
 
A terceira temporada de “Com Carinho, Kitty” equilibra entretenimento e aprofundamento narrativo. Mesmo mantendo elementos leves, a série demonstra evolução ao abordar temas mais complexos e próximos da realidade do telespectador, consolidando sua identidade própria e acompanhando o amadurecimento do público.
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
Relação entre Kitty e Min Ho ganha novos desdobramentos na terceira temporada da série. Foto: Reprodução/Netflix
 

 

Tags:
Museu da Imagem e do Som realiza novo evento literário que valoriza a diversidade e qualidade editorial brasileira, explorando publicações para ver, ouvir e ler
por
Carolina Machado
|
15/04/2026 - 12h

No último final de semana, nos dias 11 e 12 de abril, ocorreu a primeira edição da Feira do Livro do MIS (FLIMIS) no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Em parceria com a editora Lote 42, a FLIMIS teve como objetivo agregar exposições literárias e práticas criativas, inteiramente gratuitas, que remetem ao exercício de ouvir, falar e observar.

Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Entrada da FLIMIS: apresentação dos expositores e das atrações do mais novo evento literário de São Paulo. Foto: Carolina Machado/AGEMT

A feira buscou reunir publicações de 75 expositores que exploram diferentes linguagens artísticas, especialmente aquelas vinculadas à imagem e ao som: fotografia, cinema, ilustração, quadrinhos, música e poesia.

Pedro Augusto, de 30 anos, representou a Anansi Lab, um laboratório de letramento racial transmídia independente, fundado em 2018. A oficina produz e compartilha narrativas subalternizadas por meio de publicações, palestras, bate-papos e rodas de samba. Entre os produtos, o expositor conta com uma revista trimestral de divulgação científica e cultural antirracista chamada Sikudhani, publicada a cada três meses. “Nosso trabalho recolhe materiais, os organiza e os publica como forma de reocupação do espaço tomado pelo colonialismo e imperialismo que nos domina até hoje”, relata Pedro.

Sobre a primeira edição da FLIMIS, o representante da Anansi Lab diz ter interesse em voltar às próximas edições. “Essas feiras são uma ótima oportunidade para encontrarmos novos leitores, artistas e, sobretudo, trocar ideias”, conclui.

Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT
Área de exposição da FLIMIS. Foto: Carolina Machado/AGEMT

As produções impressas presentes representavam a diversidade editorial brasileira tanto pela construção literária quanto pelas técnicas gráficas utilizadas, como gravura e xilogravura. Os dois dias de evento contaram com uma oficina de carimbos que pôde aproximar o público de técnicas gráficas presentes nas publicações, exercitando o processo criativo e a composição artística.

A feira promoveu também 14 palestras relacionadas a produções específicas do catálogo das editoras e dos artistas participantes. A programação de falas era focada em uma única publicação, visando expandir a experiência de leitura e aproximar o público das obras. Os autores compartilharam bastidores, experiências e outros aspectos dos múltiplos caminhos que a arte impressa pode seguir, como a edição e a produção gráfica.

Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora Foto: Carolina Machado/AGEMT
Palestra sobre a produção “9×12”, com Rossana Di Munno, Borogodó Editora. Foto: Carolina Machado/AGEMT

 

Tags:
Filme e relato de refugiadas presentes na sessão, ajudam a entender o conflito entre Irã e Israel
por
Maria Olívia Almeida
|
15/04/2026 - 12h

No dia 26 de março de 2026, a Folha, em parceria com o Cinema Belas Artes, realizou a pré-estreia do filme “Tatame” de 2023. Com um debate após a sessão, o público discutiu o alcance da política iraniana na vida da população, tema proposto pelo filme.

A obra aborda a jornada de uma lutadora de Judô iraniana, Leila Hosseini (Arienne Mandi), impedida de lutar contra uma atleta israelense. A judoca e sua treinadora Maryam (Zar Amir Ebrahimi) são ameaçadas pelo comitê esportivo de seu país e pressionadas a fingir uma lesão em Leila para que ela saia do Campeonato Mundial de Judô, evitando a luta.

Na imagem em preto e branco está Maryam (Zar Amir) de pé à esquerda, usando um quimono preto e um hijab cinza. Na direita está Leila Hosseine (Arienne Mandi), de quimono branco e hijab preto. Ambas as mulheres olham para a frente com feições sérias.
Zar Amir Ebrahimi e Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Reprodução

 

Dirigido pela iraniana Zar Amir Ebrahimi, que também interpreta Maryam, e pelo israelense Guy Nattiv, o filme desconstrói a barreira político ideológica entre iranianos e israelenses representando de forma breve a amizade entre Leila e Shani, lutadora que atua em nome de Israel. Assim, os diretores optaram por uma ênfase na opressão realizada pelo regime teocrático do Irã sobre o povo, em especial sobre as mulheres.

A obra parte de casos reais, como de Saeid Mollaei, lutador de judô nascido no Irã que hoje luta defendendo a Mongólia. O atleta mudou sua representação após ignorar ordens de deixar torneio para evitar enfrentar Israel, em 2019.

Esses conflitos se dão pelo regime iraniano não reconhecer Israel como país, tornando qualquer luta direta com uma representação israelense, por mais que esportiva, um desvio político. Assim, articulando a conjuntura geopolítica contemporânea com a ficção, o filme apresenta o dilema entre continuar lutando ou apoiar a posição de seu país.

Na imagem em preto e branco está Leila Hosseine (Arienne Mandi) ajoelhada no meio de um tatame. Ela usa um quimono branco e seus cabelos estão trançados e a mostra.
Arienne Mandi no filme Tatame – Foto: Juda Khatiapsuturi/Keshet Studio

 

Após a exibição da obra no dia 26 de março, o debate contou com a participação do jornalista Sandro Macedo e da pesquisadora Isabelle Castro, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). Além dos convidados, a plateia integrou de forma ativa a discussão.

No encontro, estavam presentes as ativistas e refugiadas políticas iranianas Mahmooni e sua irmã, Mahsima Nadim, que trouxeram para o evento uma perspectiva pessoal da vida em meio ao regime autoritário representado.

Apesar de “Tatame” ser gravado em preto e branco, a discussão destacou a importância de se considerar todos os muitos subtons do conflito. "Parece uma coisa gratuita, e não é", criticou Castro sobre o filme, que considerou carregado de um tom simplista. Isabelle ainda abordou em seguida como o Irã, após a revolução de 1979, passou a considerar Israel inimigo em função da guerra na Palestina.

Além dessas falas, Mahsima relatou: "desde criança a gente aprende que qualquer pessoa que apertar a mão de um judeu vai ficar impuro por 40 dias". Acrescentando ao cenário o teor ideológico antissemita perpetuado.

Dessa maneira, o filme provoca uma reflexão sobre as implicações de decisões políticas em todo aspecto da vida, representando a instrumentalização do esporte na imposição de uma agenda geopolítica. Um tatame de competição, aparentemente neutro, se torna um cenário de conflito pessoal e social.

 

Tags:
Com um resgate das próprias raízes, a artista prova que é impossível se esconder, mesmo coberta de referências musicais no novo álbum
por
Pedro da Silva Menezes
|
14/03/2025 - 12h

Depois de muito apelo dos Little Monsters (fandom da cantora) e de Michael Polansky, seu noivo, Lady Gaga lançou na sexta-feira (7) seu sétimo álbum de estúdio, “Mayhem”. Com um nome que significa “caos”, o disco é uma mistura de gêneros com a originalidade da ‘Mother Monster’.

O primeiro single, “Disease”, criou no público uma impressão de como seria a era. Com versos como “Eu posso sentir o cheiro da sua doença, posso te curar” e uma sonoridade pop pesada que lembra trabalhos anteriores, como “The Fame Monster”, a esperança era de que o som a ser seguido fosse o do dark pop, estilo que a cantora domina, caracterizado por elementos densos na produção e na composição. 

A segunda música de trabalho, “Abracadabra”, e as fotos de divulgação reforçaram a expectativa de que uma Gaga que não ouvíamos desde 2012 estaria de volta.

Apesar de as duas músicas serem pops completos, com refrãos marcantes, pontes poderosas e videoclipes completamente esquisitos, no melhor estilo Gaga, elas são apenas uma das muitas experimentações que o público encontrará no álbum.

Processo de edição manual com cacos de vidro e sobreposição de fotos no ensaio fotográfico do álbum.
Processo de edição manual com cacos de vidro e sobreposição de fotos no ensaio fotográfico do álbum. Fonte: Reprodução/MTLA Studio.

A faixa “Garden of Eden” evoca uma atmosfera dos anos 2000, com sintetizadores semelhantes aos de “Do Somethin’”, de Britney Spears. A repetição silábica no refrão se tornou uma marca da cantora, e ela usa esse recurso com maestria desde “Poker Face”, repetindo a estratégia aqui e em “Abracadabra”. 

Trechos como “Abracadabra, amor, ooh-na-na / Abracadabra, morta, ooh-ga-ga / Abracadabra, abra, ooh-na-na” e “I'll t-t-take you to the Garden of Eden” mostram como a combinação entre letra e interpretação resulta em uma teatralidade musical característica da nova-iorquina.

Ao contar sobre as inspirações para as canções, Lady disse à revista Elle: “Alternativo dos anos 90, electro-grunge, melodias de Prince e Bowie, guitarra e atitude, linhas de baixo funky, dance eletrônico francês e sintetizadores analógicos”. Isso pode ser ouvido com clareza em “Killah”, que conta com um sample de “Fame”, de David Bowie. A parceria com Gesaffelstein é extremamente divertida e brinca com os instrumentos e a voz da cantora.

Tudo isso foi levado à máxima potência na apresentação que fez no sábado (8) no programa SNL. Entre gritos, trocas de looks e coreografia no chão, a música ganhou vida.

O rock também aparece em “Perfect Celebrity”, na qual fala sobre um tema recorrente em sua carreira: a fama. Contudo, diferente de “Killah”, nessa faixa tudo é mais sombrio. Em “Engasgue com a fama e torça para ficar chapado / Sente na primeira fila, veja a princesa morrer”, ela menciona a não lançada “Princess Die”, uma música muito querida pelos fãs da era “Born This Way”. A Mother Monster confirmou a referência em entrevista para a Billboard.

A primeira música escrita para o álbum foi “Vanish Into You”, candidata ao próximo single. A faixa aparece com destaque nos materiais de divulgação e aborda o amor de uma perspectiva menos esperançosa  que “Die with a Smile”. Nessa e em várias outras canções, o vocal da artista surpreende pela potência e versatilidade. No podcast Las Culturistas, ela revelou que chegava a gravar mais de 50 takes cantando de diferentes formas até encontrar a versão perfeita.

Foto do encarte do álbum com Lady Gaga deitada no chão.
Foto do encarte do álbum. Fonte: Divulgação/Frank Lebon

“Zombieboy” já viralizou no TikTok com uma dança. A música, que havia sido apresentada no clipe de “Disease”, cativa pelo som oitentista, mas com o toque inconfundível da cantora. Afinal, quem mais poderia falar sobre flerte usando uma metáfora com zumbis?

“LoveDrug” e “Don’t Call Tonight” são mais tímidas em relação às outras faixas do disco, sem traços marcantes. Elas lembram o estilo explorado em “Summerboy” e “Disco Heaven”, do “The Fame”, seu primeiro álbum. 

Gaga revelou, na coletiva de imprensa realizada com fãs e o Spotify, que revisitou muitas demos antigas durante o desenvolvimento do projeto. Talvez por isso o álbum soe como um resgate às suas raízes nova-iorquinas, explorando sons do alternativo do começo do século — uma cena da qual a artista fazia parte. “How Bad Do You Want Me” segue a mesma linha, mas com um pouco menos de identidade, chegando até a ser comparada com músicas de Taylor Swift nas redes sociais.

No filme “Gaga Chromatica Ball”, sobre sua última turnê, a compositora divulgou uma prévia de “Shadow of a Man”. O que parecia ser um pop convencional revelou-se, na verdade, uma viagem ao universo de Michael Jackson. Em uma homenagem, ela se entrega à performance ao cantar frases como: “(Eu não quero desaparecer na escuridão esta noite) mostre-me a luz / (Eu não quero ser aquela que se sacrifica) para ganhar vida / (Estou chegando lá, estou chegando lá) me veja, eu juro que vou / Dançar na sombra de um homem” no estilo do Rei do Pop. 

Tudo isso, envolto em uma mensagem sobre mulheres na indústria que estão à sombra de uma figura masculina tomando seu lugar de respeito, torna a música apoteótica.

A lenta “The Beast”, na reta final do álbum, serve como um respiro antes da balada que vem a seguir: “Blade of Grass”. A faixa é uma carta de amor da artista ao noivo, Michael Polansky, e faz referência ao anel de compromisso do casal. 

Ao ser perguntada sobre como gostaria de ser pedida em casamento, Lady Gaga disse a Polansky que ele poderia simplesmente pegar um pedaço de grama e enrolá-lo em torno de seu dedo — e assim ele fez. No entanto, além desse gesto simbólico, a estrela também recebeu um anel de diamante avaliado em mais de 6 milhões de reais.

O noivo participou ativamente da construção do álbum e tem sido citado por Gaga em várias decisões. Ele está creditado em sete das letras do disco e, em “Blade of Grass”, ajudou a escrever o verso: “Eu vou te dar algo/ É, não é um anel de diamante/ O ar que eu respiro”. Além de ser um dos maiores incentivadores da popstar nesse lançamento, Michael vem ganhando popularidade entre os fãs, que o agradecem por apoiar a cantora. 

O encerramento acontece com “Die With a Smile”, definida pela V Magazine como um “clássico instantâneo”. O hit se tornou um dos maiores sucessos da década. Inicialmente, parecia não se encaixar muito nesta fase, por ser bastante diferente dos outros singles. No entanto, dentro da tracklist, é provado o contrário, sendo um desfecho digno para um trabalho coeso da diva. 

Artista também é terceira mulher a vencer a categoria de Melhor Álbum de Rap no Grammy
por
Beatriz Alencar
|
14/03/2025 - 12h

A cantora Doechii foi nomeada a Mulher do Ano de 2025 pela Billboard, com o anúncio feito nesta segunda-feira (10). Com o título, a artista norte-americana tornou-se a segunda rapper a ganhar a honraria no mundo da música, a primeira foi a Cardi B, premiada em 2020.

A revista da Billboard descreveu Doechii como uma das principais artistas da atualidade a “redefinir o que é ser uma precursora na indústria musical”. Ela será homenageada em um evento da Billboard no final deste mês.

Foto: Divulgação álbum “Alligator Nites Never Heal” | Reprodução: Redes sociais | Fotógrafo: John Jay

Foto: Divulgação álbum “Alligator Nites Never Heal” | Reprodução: Redes sociais | Fotógrafo: John Jay

A rapper, de apenas 26 anos, fortaleceu mais a carreira musical em 2024, com o lançamento do álbum “Alligator Bites Never Heal”, uma aposta de mistura entre os gêneros R & B e hip-hop. O mixtape foi indicado para três categorias do Grammy, entre eles o Melhor Álbum de Rap, marcando a primeira vez desse estilo de faixa feito por uma mulher a alcançar essa indicação.

Apesar disso, após a indicação de Melhor Álbum de Rap, Doechii foi convidada para fazer parte da faixa “Baloon” do álbum “Chromakopia”, do rapper Tyler, The Creator. A participação aumentou a visibilidade da artista que começou a fazer apresentações virais em festivais e em programas de rádio e televisão.

As composições de Doechii já viralizavam nas redes sociais desde 2020, com músicas como “What It Is” e "Yucky Blucky Fruitcake", mas as músicas não eram associadas com a imagem da artista. Foi somente após o espaço na mídia tradicional e o convite de Tyler que a rapper foi reconhecida.

Em fevereiro deste ano, Doechii se tornou a terceira mulher a vencer a categoria de Melhor Álbum de Rap no Grammy ao sair vitoriosa na edição de 2025, novamente, seguindo a história de Cardi B.

Foto: sessão de fotos para a revista The Cut - edição de fevereiro | Fotógrafo: Richie Shazam

Foto: sessão de fotos para a revista The Cut - edição de fevereiro | Fotógrafo: Richie Shazam

A apresentação da artista norte-americana na premiação, ocorrida no dia 2 de fevereiro, também foi classificada pela Billboard, como a melhor da noite. A versatilidade, modernidade e o fato de ser uma mulher preta na indústria da música, aparecem tanto nas faixas de Doechii quanto nas roupas e shows, fixando essas características como um dos pontos principais da identidade da artista.

A rapper tem planos de lançar o próximo álbum ainda em 2025, e definiu os últimos meses como um "florescer de um trabalho longo", em declaração a jornalistas na saída do Grammy.

Filme independente da Letônia desbanca megaproduções estadunidenses na maior noite do cinema
por
Anna Cândida Xavier
Isabelle Rodrigues
|
10/03/2025 - 12h

 

No domingo, dia 2, na 97° edição do Oscar, “Flow” recebeu o prêmio de “Melhor Animação” de 2025. Pela primeira vez um filme produzido na Letônia leva a estatueta para casa, após superar grandes produções como “Robô Selvagem” da DreamWorks e “Divertidamente 2” da Disney. 

O longa-metragem independente acompanha um gato preto que perde seu lar em uma inundação e encontra refúgio junto a outros animais em um barco abandonado. Para sobreviver, o felino solitário precisa aprender a nadar, a caçar e a colaborar com outras espécies. Gints Zilbalodis, o diretor da animação, em seu discurso no Oscar destaca que “Estamos todos no mesmo barco, temos de ultrapassar as nossas diferenças e encontrar formas de trabalhar juntos”.

Representação do grupo principal do filme “Flow, a deriva” . FOTO: Janus Films/Reprodução
Representação do grupo principal do filme “Flow, a deriva” . FOTO: Janus Films/Reprodução

 

A animação não tem diálogos e os seres humanos não interferem na narrativa para além de construções destruídas pela água. O filme chamou atenção do grande público, principalmente por seus cenários inundados, paisagens sendo retomadas pela natureza, e a atenção aos detalhes da movimentação e dos animais. A ênfase na cooperação, na resiliência da natureza e na diversidade, em construir uma nova vida após um desastre, também marcam o filme.

Desde a vitória no Globo de Ouro em janeiro, a Letônia comemora, murais foram pintados e estátuas foram erguidas em homenagem ao gatinho preto, personagem principal do filme. O prêmio foi exposto no Museu Nacional de Arte da Letônia e atraiu mais de 15 mil visitantes. “Flow” se tornou o filme mais assistido da história do país, com mais de 300 mil espectadores e seu sucesso instigou o governo a investir mais no cinema nacional. 

Gato de 'Flow' ganha estátua no letreiro da cidade de Riga, capital da Letônia. Foto: Reprodução/@GZilbalodis
Gato de 'Flow' ganha estátua no letreiro da cidade de Riga, capital da Letônia. Foto: Reprodução/@GZilbalodis

 

O governo da Letônia financiou parte do filme, que custou US$3,8 milhões. Em comparação, os concorrentes na categoria tiveram orçamentos de US$78 milhões como “Robô Selvagem” e de US$200 milhões para “Divertidamente 2”. Zilbalodis, acumulou funções durante dos cinco anos de produção: foi diretor, co-roteirista, co-produtor, designer de produção e está creditado na trilha sonora.

Gato preto, apelidado de Flow, no filme FOTO: Janus Films/Reprodução
Gato preto, apelidado de Flow, no filme FOTO: Janus Films/Reprodução

 

Após a vitória, Gints Zilbalodis declarou em entrevista à CNN, “acredito que ‘Flow’ abriu portas para pessoas ao redor do mundo pensarem em fazer animação com software livres”. A fala do diretor faz referência à plataforma Blender, na qual o filme foi desenvolvido, um programa de código aberto que permite que desenvolvedores possam contribuir e aprimorar a ferramenta.

É possível ver a vitória do filme como um novo ponto de partida para futuras produções ao Oscar, tendo em vista o recente apreço da academia por novos nomes na indústria. Já que a alguns anos o monopólio criado no mundo das animações estagnou a liberdade criativa do mercado, repleto de sequências e filmes considerados “mais do mesmo” pelo grande público. 

Cena do filme “Flow”, vencedor no Oscar de 2025 FOTO: Janus Films/Reprodução
Cena do filme “Flow”, vencedor no Oscar de 2025 FOTO: Janus Films/Reprodução

O prêmio de “Melhor Animação” é relativamente recente no Oscar; somente em 2002 a categoria foi incluída oficialmente. Antes da inclusão a academia apenas homenageou algumas produções ao longo dos anos, como “Branca de Neve e os Setes Anões” em 1938, “Uma Cilada Para Roger Rabit” em 1989 e “Toy Story” em 1996. Durante esse período o Oscar valorizou primordialmente produções americanas de grandes estúdios como a Disney, Pixar e DreamWorks. 

Entre 2008 e 2023, apenas três filmes vencedores da categoria não faziam parte dos estúdios Disney, sendo eles “Rango” em 2012, “Homem aranha no aranha verso” em 2019 e “Pinóquio por Guillermo del Toro” em 2023. Além disso, o estúdio possui um histórico ainda maior, com 26 premiações e tendo sido indicado 59 vezes em diversas categorias, sendo até hoje o maior detentor de vitórias no Oscar.

As produções independentes, contudo, continuam a trabalhar na periferia da indústria cinematográfica. Após a vitória, o diretor do filme indicou que o estúdio responsável pelo gatinho preto já está trabalhando em novos projetos.  Em breve o público pode acabar se deparando com uma nova estatueta para a proeminente equipe da Letônia, no meio tempo, o filme “Flow - À deriva” está em cartaz até 28 de março nos cinemas brasileiros.

 

Tags:
Diretor vence em sua primeira participação do Oscar e leva 5 estatuetas
por
Maria Eduarda Cepeda
Clara Dell’Armelina
|
07/03/2025 - 12h

 

Neste domingo (02), durante o Oscar 2025, em Los Angeles, Sean Baker levou a estatueta de “Melhor Direção” por seu novo longa-metragem “Anora”. O grande vencedor da noite leva mais outras 4 estatuetas, incluindo de melhor atriz, melhor roteiro original, melhor montagem e melhor filme. 

Sean S. Baker, cineasta estadunidense e formado pela Universidade de Nova Iorque (NYU), tem seu nome marcado pelo cinema independente contemporâneo dos Estados Unidos em filmes como Tangerine (2015) e Projeto Flórida (2017).

Na foto temos Anora sentada no colo do seu interesse amoroso no filme.
A atriz Mikey Madison, que interpreta a protagonista Anora, levou a estatueta de “Melhor Atriz” pela sua atuação no longa-metragem. Foto: Divulgação/Universal Pictures Brasil

O filme premiado por melhor direção nesta 97° edição do Oscar conta a história da stripper Ani, (Mikey Madison) que se envolve com Ivan (Mark Eydelshteyn), um filho da aristocracia russa. Depois de casados, Anora passa a aproveitar uma vida repleta de riquezas e luxúria. Mas, a oportunidade da fuga de sua vida na margem da sociedade escorre por seus dedos a partir da desaprovação por parte dos pais de seu marido.

Em 2021, o cineasta produziu o filme “Red Rocket”, estrelado pelo ator e ex-modelo Simon Rex, conhecido pelos seus trabalhos na franquia “Todo Mundo em Pânico” e estrela do videoclipe “Tik Tok” da cantora Kesha. Na época, o filme recebeu prestígio e acumulou prêmios de festivais, e era uma das apostas para o Oscar de 2022, principalmente pela atuação de Simon, mas o filme não obteve nenhuma indicação.

O longa aborda, em grande parte, o cotidiano de personagens que levam suas vidas de maneira árdua, à margem da sociedade, retrato também abordado em “Anora”. 

Mikey e Strawberry estão se encarando frente a frente na loja em que a garota trabalha.
“Red Rocket” teve sua estreia no Festival de Cannes em julho de 2021. Foto: Divulgação/A24

 

Após receber o prêmio, Baker enfatizou a importância dos cinemas, a experiência de frequentá-los é uma resistência à existência desses espaços.  “Assistir a um filme no cinema com uma plateia é uma experiência [..] É uma experiência comunitária que você simplesmente não tem em casa. E agora, a experiência de ir ao cinema está ameaçada. Os cinemas, especialmente os independentes, estão lutando, e cabe a nós apoiá-los [..] Este é o meu grito de guerra. Cineastas, continuem fazendo filmes para a tela grande. Eu sei que eu vou”. No fim, dedicou sua vitória a sua mãe que o levava ao cinema desde pequeno.

Cibele Amaral, diretora de “Por Que Você Chora” (2021), caracteriza “Anora” como um “filme perigoso” e criticou a premiação do longa, argumentando que o filme dirigido por Sean Baker reforça estereótipos femininos e representa um retrocesso para as conquistas das mulheres na indústria cinematográfica. “As personagens femininas se resumem a estereótipos: as ingênuas prostitutas em busca do príncipe encantado, a ‘recalcada’ que disputa o macho da protagonista e a velha bruxa que tenta impedir sua felicidade”, diz a cineasta em duas redes sociais.

No texto para a editora Boi Tempo, Alysson Oliveira e Patrícia de Aquino criticam o estigma criado dentro da realidade da prostituição, “cujo objetivo único na vida seria deixar o trabalho e ser salva, de preferência por um homem branco e rico.”. No mesmo texto, apontam que, se por um lado, Sean Baker mostra-se como um diretor interessado na temática da prostituição, tabu para muitos, por outro, suas obras trazem à tona é uma inesperada visão de mundo conservadora e estereotipada.

“O filme é, além disso, todo marcado pela representação caricata de estrangeiros — especialmente do leste europeu, como Ivan, sua família e seus capangas.”, complementam Alysson e Patricia. 

 

 

Tags:
No discurso, a atriz afirmou ser uma “aliada das profissionais do sexo”, abrindo debates nas redes sociais
por
Ana Julia Bertolaccini
Giovanna Brito
|
07/03/2025 - 12h

A atriz estadunidense de 25 anos, Mikey Madison, venceu o Oscar de melhor atriz por sua personagem no filme “Anora”. A premiação aconteceu no domingo (2) e a decisão gerou polêmicas e discussões nas redes, reforçando o histórico do evento, que mais uma vez contrariou as expectativas do público. 

No discurso, a atriz, que interpreta uma trabalhadora do sexo no filme, abriu um debate sobre respeito a essas mulheres. “Sempre vou tentar dar espaço para essa comunidade, advogar para que elas possam viver as vidas que merecem e contar suas próprias histórias", afirmou a estadunidense.

Mikey concorria à categoria de melhor atriz ao lado de Cynthia Erivo por seu papel em “Wicked”, Karla Sófia por “Emília Perez”, Demi Moore por “A Substância” e  Fernanda Torres por “Ainda Estou Aqui”. 

Fernanda Torres e Demi Moore foram às plataformas digitais elogiar a jovem pela conquista. Cynthia Erivo e Karla Sófia não se pronunciaram.

Fernanda era a favorita para o público brasileiro, que sonhava com a conquista inédita na maior premiação do cinema. Apesar disso, era esperado que Demi Moore levasse a estatueta. A atriz já havia vencido como Melhor Atriz no SAG (Sindicato dos Atores) e Melhor Atriz em Filme de Comédia no Globo de Ouro. 

A derrota de Demi, que tem 62 anos, para uma atriz de 25, aumentou o debate sobre etarismo nas redes sociais, que já acontecia por conta de “A Substância”. No filme, Demi interpreta Elisabeth, uma atriz que, aos 50 anos, é apresentadora de um programa de ginástica, mas recebe a notícia de que será trocada por uma garota mais jovem.

Na foto, a atriz Mikey Madison aparece abraçada com o ator Mark Eydelshteyn em uma das cenas do filme "Anora".
Mikey Madison em Anora ao lado de Mark Eydelshteyn, que interpreta Ivan, personagem pelo qual ela se apaixona. Imagem: Divulgação/Universal Pictures.

O papel de Mikey Madison em “Anora” 

Em “Anora” Mikey interpreta Ani, uma jovem stripper de Nova Iorque que em uma de suas noites de trabalho conhece Ivan, o herdeiro de um oligarca russo, interpretado por Mark Eidelshtein. Ani acredita ter encontrado o amor da sua vida, se casando impulsivamente com o rapaz. Contudo, a notícia do casório chega na Rússia e os pais de Ivan ficam sabendo, o que coloca o relacionamento em risco.

O filme é uma montanha russa de sentimentos, e Mikey consegue retratar isso em sua atuação. Entre momentos cômicos, românticos, tristes e de tensão, o telespectador entende, não somente por palavras, o que os personagens estão passando. Além dela, o ator russo, Yura Borisov, também foi elogiado pelo desempenho ao interpretar um capanga que busca auxiliar na solução do caso de Ani e Ivan.

Apesar das críticas do público, “Anora” se destacou positivamente entre as diversas premiações cinematográficas. Só no Oscar o filme ganhou cinco vezes: Melhor Atriz, Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. Além disso, também tiveram prêmios no BAFTA, no Festival de Cinema de Cannes - incluindo a famosa Palma de Ouro e no Critics’ Choice Awards.

Cena do Oscar. Na esquerda, Emma Stone acaba de anunciar a vencedora da categoria de melhor atriz, na direita várias câmeras capturam as atrizes que participavam da categoria: Cynthia, Karla, Mikey, Demi e Fernanda.
Momento em que Mikey Madison leva prêmio de ‘Melhor Atriz’. Imagem: Reprodução/TV Globo.

 

Tags: