Na terça-feira (7) foi inaugurado no Brasil o projeto musical “Tiny Desk Concert”, com a participação do músico João Gomes. O vídeo de lançamento tem 20 minutos e oito músicas do artista, entre elas hits famosos como “Dengo” e “Meu pedaço de pecado”.
Criado em 2008 por Bob Boilen e Stephen Thompson, da rádio NPR, o Tiny Desk surgiu com uma proposta inovadora no meio da era de grandes performances, barulhos e estruturas: aproximar o artista convidado do público, com um tom descontraído, intimista e, às vezes, com melodias inovadoras.
As apresentações acústicas da NPR logo conquistaram o coração das pessoas. O projeto que se iniciou com uma postagem em um blog e com a participação da cantora folk Laura Gibson chamou a atenção, mais tarde, de nomes como Adele, Justin Timberlake, BTS e Taylor Swift.
Não demorou para que o sucesso chegasse ao Brasil, com seu estilo musical inovador. O Tiny Desk norte-americano atingiu o auge das pesquisas do Google entre os brasileiros em 2024, mas a música brasileira já tinha ganhado espaço antes. Cantores como Liniker, Rodrigo Amarante, Luciana Souza e Seu Jorge foram convidados a participar de episódios na NPR.
A popularidade deu resultado e abriu as portas para a nova fase do Tiny Desk no Brasil. A estreia de João Gomes repercutiu e foi bem recebida entre o público. O cantor, que assumiu estar envergonhado no vídeo, ficou arrepiado durante as apresentações e concluiu, em entrevista com Sarah Oliveira, que “é nesse formato que a gente vai ter a oportunidade de apresentar tanta gente daora”.
Uma das questões levantadas entre os ouvintes do programa é a presença não só de nomes grandes, como João, mas também de médios e pequenos artistas. A apresentação de nomes que vão além do mainstreaming é uma das vertentes do projeto. Dar visibilidade para cantores de estilos como folk, blues e até de outras nacionalidades é constante, mesmo que em menor quantidade.
Os episódios do Tiny Desk serão lançados toda terça-feira às 11h (horário de Brasília) e às quintas, os artistas convidados também serão entrevistados por Sarah, tudo no canal do youtube do programa.
O movimento “Stop Killing Game” criado por Ross Scott, do canal Accursed Farms, apresentou em 2025 mais de 1 milhão de assinaturas à União Europeia para exigir medidas que impeçam a remoção e desligamento de jogos digitais. A preservação é definida como um conjunto de ações voltado a manter a integridade de bens, documentos ou pessoas, tendo museus e centros históricos como instituições dedicadas a essa tarefa.
No campo do entretenimento, os videogames se destacam como a indústria que mais cresce desde a década de 1950. Apesar do seu impacto econômico e cultural, eles recebem atenção limitada em políticas e práticas de preservação, diferente de outras formas de arte, como cinema, televisão e literatura.
Devido a inacessibilidade de jogos comprados por consumidores, a proposta do movimento é simples, mas poderosa: proteger os consumidores e preservar os videogames, trazendo as práticas recorrentes de empresas que fecham os servidores ou retiram os jogos do mercado digital, apagando não apenas produtos, mas também capítulos de história cultural dos videogames.
A iniciativa se transformou em “Stop Destroying Videogames”, utilizando a Iniciativa de Cidadania Europeia, uma ferramenta disponível para cidadãos da União Europeia para levarem questões diretamente ao parlamento europeu. A petição foi registrada em junho do ano passado e começou a coletar assinaturas no dia 31 de julho de 2024. No mesmo dia, Scott, soltou um vídeo com o título "Europeans can save gaming!", que compartilha sobre como o movimento pode levar a criação de lei com um número alto de assinaturas e apoiadores.
Ele destaca que a criação da lei não era uma certeza, entretanto, apontava que existem fatores, como: o alinhamento com outras políticas para consumidores e indefinições jurídicas nas práticas no meio dos games. Esses pontos reforçam que o sucesso está no futuro do movimento. Depois de alcançar 1 milhão de assinantes e realizar uma vistoria - para desconsiderar menores de idade, duplicidades e pessoas fora da UE - a petição apresentou 97% de validação das assinaturas.
A preocupação é quando um jogo é removido das lojas digitais ou tem os serviços online desligados, pois deixa de ser acessível para futuras gerações de gamers. Um dos casos mais conhecidos foi do “Project CARS 3”, lançado em 2020. O produto foi retirado de circulação para venda e fecharam os servidores, tornando-se praticamente inacessível.
O mesmo ocorre com títulos de grandes estúdios como Ubisoft e EA, sendo uma tendência que preocupa colecionadores, consumidores e fãs. Diferente de filmes, livros e músicas, que possuem mais facilidade para sua preservação, os games dependem de vários fatores: chaves digitais, servidores e licenciamento contínuo para existir. Para isso, a preservação não exige somente de vontade cultural, mas também mudanças legais e regulatórias.
No Brasil, esse debate começou a ganhar relevância em 2024, com a aprovação do Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos (Lei nº 14.852/2024). Embora a lei tenha o intuito de incentivar o crescimento do setor no país e atrair investidores, ela também abre espaço para a reflexão sobre o ciclo de vida dos jogos e sua preservação como patrimônio cultural. A luta pela proteção e cuidados dos videogames não é apenas dos jogadores nostálgicos, mas também uma questão cultural e de direito de acesso.
O “Stop Killing Games” mostra que, diante da lógica do mercado, há fãs dispostos a lutar para que os jogos não desapareçam.Se no passado os museus se dedicaram a guardar fósseis, manuscritos e obras de arte, o futuro terá que olhar também para os consoles, cartuchos e CDs. Porque, como lembra o movimento, “ao desligar um jogo, não se mata apenas um software, se apaga uma parte da história”.
Localizada no bairro de Pinheiros (SP), a Feira de Artes, Cultura e Lazer da Praça Benedito Calixto foi criada em 1987 através da Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto (AAPBC), que na época era apenas um grupo de amigos dedicados ao bem-estar do local e da comunidade. Esse coletivo, muito voltado para questões culturais, propôs um projeto de revitalização por meio de um evento que pudesse subsidiar essa iniciativa.
Inspirados pela popularidade dos mercados de pulgas e das feiras de antiguidades da época, os membros da AAPBC decidiram criar um evento que misturasse esses elementos. Assim surgiu a ideia da Feira, com o intuito de oferecer um ambiente que transmitisse cultura e, ao mesmo tempo, revitalizasse a região.
Ao longo dos anos, a Feira foi ganhando visibilidade e popularidade. Atualmente, ela acontece todos os sábados, das 9h às 17h, e conta com mais de 300 expositores, que são, em sua maioria, pequenos comerciantes e artesãos que encontram um espaço para divulgar e vender seus produtos.
Em entrevista, Maria Emília Ciavaglia, atual presidente da AAPBC, explicou que a criação deste tradicional encontro atraiu diversos tipos de comércio para o entorno da praça, incluindo bares, restaurantes, lojas e galerias. "Fizemos um trabalho que acabou revitalizando toda a região, não apenas a praça," afirmou.
O expositor de antiguidades, Jefferson Pereira, também comenta sobre o aumento dos estabelecimentos comerciais: “antes havia casas, mas agora têm muitos comércios. Todos se aproveitam da estrutura física da feira para vender mais.”
Nas calçadas da praça, os mostradores e visitantes encontram uma diversidade de mercadorias, desde antiguidades e móveis vintage até livros, discos de vinil, roupas, acessórios, obras de arte e vários tipos de artesanato.
Atividades e projetos
A feira está dividida em quatro principais setores: antiguidades, artes plásticas, artesanatos e alimentação. Além disso, ao longo dos anos, foram criadas iniciativas para incentivar eventos de qualidade cultural, que reforçam ainda mais a presença da Feira.
Em 2000, a antiquária Thereza Barata idealizou o projeto "Qualidade” para o setor de antiguidades. O objetivo desta atividade é premiar e incentivar os expositores que se destacam pela excelência no trato, na exposição e na preservação das peças, por meio de curadorias minuciosas e criteriosas.
A qualidade dos produtos usados e semi-usados chamou a atenção de Clara Rede, estudante de Jornalismo da universidade Cásper Líbero. Em entrevista, Clara mencionou o cuidado aparente que os expositores têm com suas mercadorias: “algumas coisas não parecem ser usadas. Dá para perceber que estão gastas, mas todas são muito bem preservadas.”
Na área de alimentação, a diversidade culinária é acompanhada do projeto “Cardápio Musical”, que recebe músicos independentes para se apresentarem na praça. Esses artistas criam a trilha sonora da visita com apresentações de jazz, MPB e o famoso “chorinho” - chamado de Choro da Benedito -, uma das principais e mais tradicionais atrações da feira.
Ao se tratar desta atração, Maria Emília diz que o som característico da Benedito Calixto aos sábados é o choro. Ela também destaca que os integrantes da banda fazem parte da história da Feira, e que mesmo renovando seus integrantes, o Choro da Benedito está presente desde o início: “um dos membros fez 94 anos agora. O outro tem 90. Tem mais um de 89… e continuam lá, tocando maravilhosamente.”
O outro projeto existente chama-se “O Autor na Praça”, reunião literária que completou 25 anos em maio de 2024. Este projeto possui o objetivo de levar escritores, cartunistas e poetas a conhecerem seus leitores - e vice-versa -, promovendo encontros no Espaço Plínio Marcos, uma tenda no meio da feira de artes.
Com esses eventos organizados, a Feira recebe um público estimado em 10 mil pessoas por sábado, o que reflete o sucesso no esforço contínuo de preservar as tradições vivas e incentivar a troca cultural.
Diversidade de público
A variedade de atividades e produtos disponíveis na feira atrai um público amplo e diverso. Desde colecionadores de antiguidades, até pessoas que buscam apenas apreciar os objetos, como em um museu ao ar livre, visitantes de todas as idades e origens se reúnem semanalmente para explorar as barracas, como as de moda e gastronomia.
Clara Rede, por exemplo, conta que frequenta a feira com sua família desde os 7 anos. "Eu já conhecia aqui porque minha avó gostava de ir a feiras de antiguidades, então eu vinha com ela," relata a estudante.
A Feira de Arte, Cultura e Lazer da Praça Benedito Calixto é o evento ideal para apoiar pequenos comerciantes e apreciar a diversidade cultural paulistana, além de ser um espaço onde modernidade e tradição se encontram. "A gente vai sempre fomentando essa parte, porque é de tradição e cultura que a gente sobrevive. Então, acredito que nosso papel está sendo bem desempenhado neste momento," finaliza Maria Emília.
A moda, frequentemente apontada como um espelho dos tempos, volta seus olhos para tempos de escassez. Em meio à instabilidade econômica global, marcada por inflação persistente e crises políticas ao redor do mundo, ganha força o chamado “Recessioncore” (estética da recessão), que traduz, de forma visual, a precariedade e o desânimo de uma geração.
“Quando falamos de recessões, de crises econômicas, dá para ver esse reflexo diretamente na moda. Hoje, vivemos uma grande incerteza econômica, e muitas marcas de luxo começaram a lançar campanhas desperdiçando comida, baguetes sendo amassadas, frutas jogadas no chão da feira, alimentos destruídos”, afirma Audry Mary, especialista em marketing de moda e influenciadora digital. “É uma forma de comunicação: enquanto a base está sofrendo com a falta, quem consome a marca pode esbanjar. E isso é extremamente político”, acrescenta Audry.
Se nos anos de crescimento econômico os desfiles explodem em cores vibrantes, brilhos e ostentação, em momentos de incerteza o figurino muda: tons neutros, silhuetas sóbrias e peças utilitárias assumem o protagonismo. É o que se vê agora com a ascensão da estética “clean girl”, termo popularizado no TikTok e em outras redes sociais que descreve um estilo minimalista, com peças básicas, cores neutras e cortes discretos
"Elas são mais acessíveis, carregam pouca informação de moda e seguem um estilo mais recatado, mais doméstico”, diz Audry sobre as roupas identificadas com o estilo. “É conservador, e as marcas estão apostando muito nisso”, explica.
Segundo a especialista, a estética “clean girl” não surge isoladamente: é resultado direto de um contexto econômico instável, no qual o crescimento do "quiet luxury" (luxo silencioso) e de coleções minimalistas indica que as marcas buscam transmitir segurança e sobriedade. Historicamente, períodos de recessão geraram mudanças semelhantes. Durante a Grande Depressão, cortes retos e tecidos duráveis se tornaram padrão, enquanto a crise de 2008 reforçou o consumo de fast fashion e peças de baixo custo, ainda que de qualidade inferior.
O impacto econômico também se reflete no crescimento do mercado de roupas de segunda mão, que se tornou um indicativo claro das mudanças no comportamento de consumo. Nos Estados Unidos, o mercado de moda de segunda mão alcançou US$ 50 bilhões em 2024, com projeção de crescimento para US$ 73 bilhões até 2028, impulsionado principalmente por millennials e pela geração Z, nascidos entre 1981 e 2010, que buscam alternativas mais acessíveis e responsáveis. Esse movimento transforma o mercado de segunda mão em uma tendência não apenas econômica, mas também cultural, refletindo valores de sustentabilidade e consumo consciente.
No Brasil, a ascensão dos brechós segue a mesma lógica: adaptação à crise econômica, respeito às prioridades financeiras e resposta às incertezas sociais. Segundo dados do Sebrae, o país contava com mais de 118 mil brechós ativos em 2023, representando um aumento de 30,97% em relação aos cinco anos anteriores. Além disso, o mercado de brechós no Brasil deve movimentar cerca de R$ 24 bilhões até 2025, superando o mercado de “fast fashion” até 2030, conforme projeções da Folha de São Paulo.
O crescimento do mercado de brechós também é impulsionado por plataformas digitais. O Enjoei, com mais de 1 milhão de compradores e 2 milhões de vendedores ativos, abriu recentemente sua primeira loja física no Rio de Janeiro e adquiriu a Gringa, plataforma de revenda de artigos de luxo de segunda mão, por R$ 14 milhões, evidenciando a demanda crescente por itens de alto valor.
Esse movimento também pressiona a indústria tradicional, que já responde com novas estratégias. O aumento dos custos de produção deve acelerar o uso de matérias-primas alternativas, como tecidos reciclados e fibras de origem vegetal, além de experimentos com couro vegetal e biotêxteis. Ao mesmo tempo, cresce a exigência por transparência nas cadeias de produção: passaportes digitais de produtos, rastreabilidade de origem e relatórios de impacto ambiental podem deixar de ser tendência para se tornar padrão da indústria.
Olhando para o futuro, a moda deve consolidar caminhos cada vez mais funcionais, atendendo à demanda de consumidores impactados pela instabilidade econômica, que priorizam praticidade e durabilidade. Segundo Audry, essa tendência deve se intensificar. “Acredito que vamos ver cada vez mais peças utilitárias, roupas multiuso e tecidos resistentes ganhando protagonismo, porque o consumidor está buscando longevidade e funcionalidade em tudo o que veste”, afirma.
O minimalismo, já consolidado, deve permanecer central, mas com variações sutis. “Minha aposta é que tons terrosos, cortes amplos e peças que permitam personalização vão se tornar ainda mais comuns, enquanto pequenos revivals dos anos 2000 e 2010 reinterpretam itens básicos para novas gerações”, diz a influenciadora, que também projeta expansão de modelos híbridos, que combinam venda de peças novas, revenda, aluguel e customização, fortalecendo a economia circular como resposta prática às restrições financeiras.
A tecnologia surge ainda como aliada estratégica, com inteligência artificial e provadores digitais ajudando marcas a reduzir desperdícios e aproximar consumidor e produto. “A inovação permite que a indústria transforme limitações econômicas em oportunidades criativas”, conclui Audry, reforçando que, para o futuro, a moda funcionará como um laboratório de soluções, mais do que apenas reflexo de crise.
A escultura no Brasil ainda é um campo pouco explorado e com inúmeros desafios, como a falta de políticas públicas, a ausência de incentivo cultural e um universo ainda limitado de pessoas dispostas a investir em arte no país. Para manter a profissão viva, muitos artistas recorrem ao mercado internacional e às redes sociais como alternativa de divulgação.
No cenário brasileiro, a escultura não ocupa o mesmo espaço que outras linguagens artísticas, como a música ou as artes visuais mais populares. O escultor Rick Fernandes, que atua na área desde a década de 1990, observa que a profissão ainda carece de reconhecimento cultural. “O brasileiro não tem a mesma tradição que americanos e europeus em colecionar arte. Muitas vezes, as prioridades econômicas acabam afastando o público”, afirma.
Esse distanciamento é agravado pela falta de políticas voltadas à categoria. Projetos de incentivo que poderiam estimular a prática da escultura em escolas ou em comunidades raramente são aprovados. Fernandes relembra tentativas frustradas em 2015 e 2023 de levar oficinas para jovens da periferia e para pessoas com deficiência. “Os incentivos, em sua maioria, estão voltados para música e grandes eventos. Nichos como a escultura ficam esquecidos”, critica.
Rick Fernandes produzindo sua peça - foto: https://www.rfstudiofx.com/
No mercado, outro obstáculo é a dificuldade de concorrer com produtos industrializados ou importados. Segundo Fernandes isso faz que muitos escultores direcionem suas obras ao exterior, onde encontram colecionadores e compradores mais fiéis. O artista calcula que cerca de 80% de suas encomendas vêm de fora do Brasil. Mesmo com a popularização de novas tecnologias, como impressoras 3D, ele destaca que há demanda para trabalhos exclusivos, o que mantém a escultura tradicional relevante.
As redes sociais têm sido fundamentais para reduzir a distância entre artistas e público. Plataformas como o Instagram permitem que escultores apresentem seus portfólios, encontrem clientes e troquem experiências em comunidades digitais. “Muitos dos meus contatos surgiram através da rede. É uma vitrine essencial para quem vive da arte”, ressalta o escultor.
Além do mercado e do incentivo, a valorização da escultura ainda depende de uma mudança de percepção social sobre o trabalho manual e artístico. Para Fernandes, investir na formação desde cedo é o caminho. “Campanhas nas escolas de ensino fundamental poderiam fazer a diferença. As crianças têm fome de aprender coisas novas e a escultura poderia ser mais explorada nesse ambiente”, defende.
Apesar das dificuldades, Fernandes garante que nunca pensou em desistir, movido por “amor e diversão”. Além de manter o estúdio, ele atua como professor. Nem todos tiveram a mesma sorte. A artista Júlia Dias, por exemplo, faz esculturas desde 2006, mas até hoje não tem uma base fixa de clientes, vivendo em meio à instabilidade de demandas que atinge grande parte dos escultores.
O campo da escultura se divide em diferentes níveis de atuação. Enquanto alguns artistas trabalham com peças decorativas ou personalizadas para ocasiões como aniversários e eventos, outros produzem obras direcionadas a colecionadores e galerias. Essa variedade mostra como a atividade é ampla, mas também deixa claro que nem tudo recebe o mesmo valor: trabalhos voltados ao mercado de luxo encontram maior reconhecimento e retorno financeiro, enquanto produções mais populares ainda lutam por espaço e estabilidade.
Outro desafio está ligado ao custo e ao acesso a materiais de qualidade. Fernandes explica que utiliza plastilina para modelagem, moldes de silicone para a finalização e resina de poliestone para as peças finais, com acabamento em aerógrafo e pincel. Segundo ele, os materiais nacionais apresentam bom custo-benefício e já não ficam atrás dos importados. Ainda assim, os gastos para manter a produção podem ser elevados, principalmente para quem não conta com retorno constante do mercado.
Apesar de não existirem editais exclusivos para escultores no Brasil, a categoria pode concorrer em programas de incentivo mais amplos voltados às artes visuais e à cultura. Iniciativas como os editais da Funarte (Fundação Nacional de Artes, do governo federal), o ProAC (Programa de Ação Cultural, mantido pelo governo de São Paulo) e leis de incentivo fiscal possibilitam que projetos de escultura recebam apoio. No entanto, a concorrência é acirrada e a escultura segue como um nicho pouco contemplado, o que reforça a sensação de invisibilidade entre os artistas da área.