A comunidade construiu a maior plataforma de TCG do país
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Thomas P. Fernandez
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23/06/2026 - 12h

A LigaMagic nasceu como um fórum de discussões em setembro de 2001. Ao longo dos 25 anos, a Liga acompanhou a expansão dos jogos de cartas colecionáveis (TCGs) no Brasil. O que começou como um espaço para jogadores trocarem informações, estratégias e experiências, transformou-se no maior marketplace e um dos principais pilares dos TCGs no país. Em um universo onde uma única carta pode ser uma peça essencial numa partida de torneio e um item de coleção e negociação, os TCGs construíram no Brasil uma comunidade que vai muito além das mesas de jogos. A trajetória da LigaMagic acompanha essa evolução, saindo de uma comunidade online de jogadores para uma das maiores plataformas do cenário nacional.

A história da LigaMagic começou antes mesmo de existir uma plataforma ou um marketplace. No fim dos anos 1990, quando a internet ainda estava dando os seus primeiros passos no Brasil, a comunidade de Magic: The Gathering se organizava principalmente por meio de fóruns, chats e presencialmente. Foi nesse cenário que Diogo Pires e Valdebrando Rafael P. Giovanini, fundadores da LigaMagic, começou a criar espaços digitais para aproximar os jogadores e fortalecer a comunidade que ainda era pequena no país. A ideia surgiu a partir de um grupo de jogadores de São José dos Campos, chamado de SJC Team, formado por pessoas que treinavam juntas, participavam de campeonatos e compravam cartas. A partir disso, Diogo criou um blog para registrar partidas e compartilhar informações sobre o cenário competitivo.

O projeto cresceu junto com a internet brasileira. A ideia original era uma página para os jogadores terem acesso a resultados de torneios, mas encontrou outra demanda: os jogadores queriam espaço para conversar, organizar partidas e encontrar maneiras mais eficientes para participar do cenário competitivo. Na época, grande parte da comunicação acontecia em fóruns e canais de conversa online, como o mIRC, em que os jogadores trocavam informações e combinavam campeonatos. A partir disso, surgiu a ideia de criar uma ferramenta mais estruturada. “Eu fiz um site que era muito feio visualmente, mas ele era funcional para o pessoal se inscrever, ver rodada. E aí que começou esse negocio”, conta Diogo em entrevista a Agemt. 

A experiência mostrou que existia uma demanda maior dentro da comunidade, os jogadores não precisavam apenas de um espaço para conversar sobre o jogo, mas também uma maneira mais simples de encontrar as cartas para jogar. Foi nesse momento que Valdebrando Rafael P. Giovanini teve a inspiração de evoluir o projeto. “O objetivo do fórum inicialmente era fazer a galera discutir Magic. Era muito forte naquela época. Em 2000, 2001, a gente tinha mais de duas mil, três mil mensagens por dia e a principal dificuldade era conseguir as cartas”, conta Valdebrando em entrevista a Agemt.

A partir dessa necessidade surgiu o Bazar da Liga, ferramenta que permitia aos jogadores comprarem e venderem cartas entre si. Segundo Rafael, o mercado de cartas avulsas ainda era pouco desenvolvido no Brasil, com poucas lojas especializadas trabalhando com esse tipo de produto, “Naquela época tinha duas, três lojas no Brasil? Talvez tivesse um pouco mais de loja vendendo Magic, mas elas não trabalhavam com singles.” Com o crescimento da plataforma, a LigaMagic passou de ser apenas um espaço para a comunidade e começou a criar uma estrutura para o mercado de TCG no país. O marketplace aproximou os jogadores, vendedores e lojas, permitindo que negociações que antes dependiam de contatos pessoais acontecessem dentro de um ambiente mais amplo e organizado. Essa transformação também ajudou as lojas especializadas a crescer, sem precisar desenvolver toda uma estrutura tecnológica, focando somente na venda de cartas. Ao longo dos anos, a Liga acompanhou a evolução dos TCG no Brasil, o que começou como uma pequena comunidade de jogadores, foi crescendo, juntando lojas, torneios, criadores de conteúdo e um mercado inteiro. Para os fundadores, a força da Liga veio justamente dessa combinação entre tecnologia e comunidade: uma plataforma criada para resolver problemas dos próprios jogadores, mas que acabou se tornando parte da estrutura que sustenta o universo dos jogos de cartas no país. 

Diogo e Valdebrando Rafael, no Liga Fest
Diogo e Valdebrando Rafael, no LigaFest - Imagem: Arquivo Pessoal

Ao longo dos anos, a plataforma também passou a ocupar um espaço de produção de conteúdo, informação e relacionamento com os jogadores, criando uma rotina que aproximou ainda mais a comunidade dos jogos de cartas colecionáveis. Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic e pelas transmissões dos torneios, acompanhou essa transformação de perto. “A mesma plataforma não seria. Eu acho que a produção de conteúdo ajuda a fortalecer a marca da Liga, as pessoas já conhecem os redatores, que toda terça tem artigo do Jeff, toda quarta tem a minha live, e tem gente que manda mensagem falando: “Bom dia e como você está”. A mesma pessoa, tem muita gente que entra esporadicamente, mas a maioria são as mesmas pessoas”, Juliano conta em entrevista a Agemt. Para ele, a produção de conteúdo se tornou uma das principais formas de manter a comunidade ativa e conectada, especialmente em um cenário onde os jogos de cartas passaram a crescer para além das mesas de competição. Segundo Juliano, “Eu acho que esse braço da LigaMagic existe muito mais porque os donos da LigaMagic querem manter isso como um serviço à comunidade. Eles se preocupam realmente em ter uma comunidade do Magic aqui no Brasil e em ter as coisas funcionando”. Essa relação com o público se fortaleceu por meio dos artigos, notícias, vídeos e transmissões, que passaram a fazer parte da rotina dos jogadores. Com o tempo, a Liga deixou de ser apenas um espaço acessado quando alguém precisava comprar uma carta e passou a criar uma presença diária dentro da comunidade.

Além dos textos publicados no portal, as transmissões dos torneios também passaram a ocupar um papel importante dentro desse ecossistema. A cobertura de campeonatos aproximou jogadores que nem sempre conseguem acompanhar os eventos presencialmente e criou uma nova forma de consumir o cenário competitivo. Esse contato constante com a comunidade também fez com que a Liga acompanhasse a expansão dos próprios TCGs no Brasil. Com a chegada de novos jogos de cartas colecionáveis, a produção de conteúdo precisou se adaptar a diferentes públicos, estratégias e formatos competitivos. Juliano explica que passou a acompanhar outros jogos além de Magic: the Gathering, estudando novos cenários para entender como cada comunidade funciona. “Eu tive que aprender mais sobre Flesh and Blood, mais sobre One Piece, mais sobre Riftbound, Lorcana. Hoje todo TCG que lança eu meio que tenho que aprender mais sobre ele”.  A mudança mostra como a própria Liga acompanhou a transformação do mercado de TCGs no país. Para Juliano, esse trabalho de comunicação é parte essencial da identidade da plataforma.

 

Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da Liga Magic
Juliano Gennari Souza, responsável pelo conteúdo da LigaMagic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Com o crescimento da LigaMagic, ela começou a ter um papel importante dentro da economia de todos os TCG. Mais do que aproximar jogadores e lojas, a Liga ajudou a organizar um mercado que antes funcionava de uma maneira mais descentralizada, criando uma referência para preços, negociações e circulação de cartas. André Manenti, criador do canal UMotivo, canal do Youtube sobre TCG, acompanhou a evolução tanto como jogador quanto alguém que analisa o mercado. Para ele, a Liga se tornou uma das principais estruturas do cenário brasileiro ao facilitar a relação entre quem compra, vende e coleciona cartas. “A Liga, sendo um dos pilares do ecossistema de TCGs no Brasil hoje, desempenha um papel de extrema relevância. Um papel de desburocratização do mercado secundário, um verdadeiro hub que facilita a vida de quem está no hobby ”, afirma André à Agemt.  A relação de André com a plataforma começou quando ele era somente um jogador. “Foi através de um notebook velho em uma livraria há 15 anos que descobri, junto com um amigo, que havia um site que me permitia saber o preço dos cards que eu tinha. Esse mesmo site me permitia negociar esses cards e participar de leilões dos cards que eu buscava ”. 

Além da experiência como usuário, André também estudou a relação entre TCG e o mercado financeiro, o seu trabalho de conclusão de curso intitulado: "Magic: The Gathering, do Hobbie ao Lucro" foi um artigo publicado no congresso de controladoria e finanças do curso de ciências contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Nesse artigo pude realizar um questionário com milhares de respostas, que juntas me permitiram entender quais elementos influenciam na obtenção ou não de lucro ao se vender uma coleção de Magic. Aspectos como condição física, ilustração, idioma e edição do card. Foi uma experiência muito interessante e com certeza me ajudou a encontrar algo de suportável em um ambiente nem tão empolgante quanto o da contabilidade. O estudo foi bastante surpreendente, para ser sincero. É de se esperar que jogadores que se intitulam ‘investidores’ tenham mais lucro que jogadores casuais ou novatos, até aí, nada de genial. Em contrapartida, não foi encontrada correlação alguma entre jogadores menos criteriosos no que tange idioma, condição física e ilustração do card. Analisando de maneira avulsa cada uma das três variáveis, a única que apresentou impacto no lucro foi a condição física”, explica. 

 

André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo
André Manenti, criador de conteúdo,do canal UMotivo - Imagem: Arquivo Pessoal

 

Dentro desse cenário, a LigaMagic passou a ter uma influência direta na formação de preços. Por reunir uma grande quantidade de anúncios e negociações, a plataforma se tornou uma das principais referências utilizadas por jogadores e lojas para acompanhar valores. “A Liga acaba sendo um dos principais locais usados para acompanhar as variações nos preços dos cards. Ou seja, a existência da Liga impacta diretamente na lucratividade de alguns jogadores dentro do hobby”.Essa influência fez com que a Liga se transformasse em uma espécie de parâmetro do mercado brasileiro. Entre os jogadores, quando estão fazendo vendas e trocas entre si, existe a famosa frase “Faz pelo menor da Liga?”, que significa utilizar o valor da carta pelo menor valor que a Liga Magic está mostrando que a carta tem. Esse termo se tornou uma espécie de cotação, usado por quase todos os jogadores no Brasil. Apesar da valorização económica dos TCG, André também destaca os riscos de um mercado cada vez mais movimentado. Segundo ele: ”Grandes perfis do mundo dos TCGs também conseguem manipular buyouts, inflacionar preços, gerar demanda, FOMO e coisas do tipo. Um simples deck tech pode aumentar a procura e um vazamento falso de banimento pode derreter o preço de um card”.Mesmo com essas mudanças, André vê o cenário atual de forma positiva. Para ele, nunca foi tão fácil encontrar cartas e participar do hobby. A Liga, nesse processo, acabou se tornando parte da estrutura que sustenta essa nova fase dos TCGs no Brasil. A influência da LigaMagic também pode ser observada fora do ambiente digital, nas lojas físicas e na rotina dos jogadores que utilizam a plataforma diariamente.

Natan Souza, dono da loja Akagami, acompanha essa relação como lojista. Sua trajetória dentro dos TCG começou ainda na infância, quando conheceu o universo do TCG por influência do seu primo. Ele transformou o hobby em uma atividade que, anos depois, se tornaria um negócio. “Sempre fui fã de Pokémon desde pequeno. Quando cheguei nos meus 10 a 12 anos comecei a colecionar cartinhas por influência de um primo mais velho que já colecionava. Desde então segui firme como meu hobby principal até se tornar uma renda extra na minha adolescência.”, conta Natan à Agemt.

 

Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal
Natan Souza, dono da loja Akagami - Imagem: Arquivo Pessoal

 

A Liga, segundo ele, ajuda a quebrar a distância entre consumidores e produtos, especialmente em locais onde existem menos opções para quem joga ou coleciona. A plataforma permite que lojas tenham clientes de diferentes regiões, aumentando o alcance de seus negócios. Apesar dos benefícios, Natan também aponta desafios dentro desse modelo. Um dos principais pontos está na concorrência entre diferentes vendedores dentro do marketplace, já que lojas físicas possuem custos diferentes de operações menores. Outro ponto é a falta de critérios mais específicos para a atuação dentro da plataforma, que pode criar diferenças entre vendedores com estruturas completamente distintas. A Liga funciona como uma ferramenta necessária, mas precisa trazer mais melhorias e inovações para os lojistas, avalia Natan.

Do outro lado desse ecossistema, estão os jogadores, que utilizam a plataforma não apenas para comprar cartas, mas também para encontrar comunidades, torneios, notícias e conteúdo original da Liga. Christian Santos joga TCG há mais de 30 anos e acompanhou diferentes fases desse universo. Para ele, o principal elemento que mantém os TCG vivos é a comunidade. A competição tem o seu papel mas é o contato com outras pessoas que compartilham do mesmo interesse que mantém elas engajadas nesse hobby. A relação de Christian com a LigaMagic começou há cerca de 5 anos, quando passou a utilizar a plataforma para encontrar cartas e acompanhar valores. Hoje, o site faz parte da sua rotina diária. “Uso principalmente para comprar cartas e verificar preços. A plataforma facilita muito esse processo, porque centraliza várias lojas e permite comparar valores rapidamente.”, explica. Para ele, a relação entre a plataforma e as lojas físicas não é de substituição, mas de complemento. Enquanto a Liga facilita o acesso e a comparação de preços, os espaços presenciais continuam tendo um papel fundamental na experiência social do TCG. Christian também destaca a importância dos eventos competitivos organizados pela LigaMagic, como o Circuito LigaMagic, que ajudam a reunir jogadores de diferentes regiões e fortalecem o cenário nacional.

 

Christian Santos, bancário e jogador de Magic
Christian Santos, bancário e jogador de Magic - Imagem: Arquivo Pessoal

 

“A plataforma funciona como um ponto de encontro para jogadores e lojistas. Ela facilita não só as transações, mas também a conexão entre as pessoas, o que é fundamental para manter a comunidade ativa e em crescimento”, comenta. Para o jogador, depois de 25 anos, a LigaMagic se tornou parte da própria estrutura do TCG no Brasil. Mais do que um marketplace, ela passou a conectar diferentes lados de um mesmo universo: quem vende, quem compra, quem compete e quem simplesmente encontra nos TCG uma forma de socializar com outras pessoas.

Ao longo de 25 anos, a LigaMagic acompanhou a transformação do TCG no Brasil. Com um começo humilde, a Liga agora alcança milhares de pessoas que encontram no TCG um hobby que traz competição e novas amizades. A trajetória da Liga também mostra como a necessidade dos próprios jogadores acabou se transformando em uma das principais bases do cenário nacional. Ao reunir compra, venda, informação e comunidade em um mesmo ambiente, a plataforma ajudou a organizar um mercado que antes dependia muito de contatos individuais, encontros presenciais. Além de facilitar o lado de negociações, a Liga passou a funcionar como um ponto de conexão entre várias partes do ecossistema de TCG: jogadores conseguem encontrar cartas mais facilmente, acompanhar eventos e torneios, as lojas ampliam seu alcance e conseguem se aproximar de consumidores de diferentes regiões do país. O mundo dos TCG cresce cada vez mais a cada ano, novos jogos, crescimento da base de jogadores de jogos já existentes, essa organização ajuda a fortalecer o desenvolvimento do hobby no Brasil. 

 

Jogadores no Liga Fest 2025
Jogadores no LigaFest 2025 - Foto: LigaFest/Divulgação

 

A forma como os jogos de cartas colecionáveis são vistos também mudou nos últimos anos. Antes tratados principalmente como um passatempo de nicho, os TCGs passaram a ganhar uma exposição maior com a popularização de criadores de conteúdo e grandes movimentações envolvendo cartas raras. Casos como o de influenciadores internacionais, como Logan Paul, chamando atenção para cartas de alto valor, ajudaram a aproximar parte do público de uma visão mais econômica desse universo, em que algumas cartas passaram a ser enxergadas como ativos de coleção e não apenas como itens de jogo. Esse movimento trouxe novas oportunidades, mas também novos desafios para o mercado. A valorização das cartas aumentou o interesse pelo hobby, atraiu novos jogadores e fortaleceu lojas e plataformas especializadas, mas também criou discussões sobre especulação, inflação de preços e o risco de transformar um elemento cultural em apenas uma oportunidade financeira. 

Mesmo com os desafios de um mercado em constante transformação, como preços, acesso às cartas e a entrada de novos jogadores, a LigaMagic continua ocupando um papel central dentro desse ecossistema. Para jogadores e lojistas, a plataforma se tornou parte da rotina, conectando pessoas que fazem o hobby acontecer em diferentes pontos do país. Ao completar 25 anos, a LigaMagic representa mais do que a história de uma plataforma. Ela acompanha a própria evolução dos TCGs no Brasil: da época dos fóruns e pequenas comunidades até um cenário com grandes torneios, lojas especializadas e um mercado cada vez mais estruturado. O futuro dos jogos de cartas ainda continua sendo construído, mas a Liga já faz parte da história de como essa cultura cresceu e se consolidou no país.

 

Reimaginação do primeiro jogo da franquia chegará em fevereiro do próximo ano
por
Luis Henrique Oliveira
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18/06/2026 - 12h

Na primeira terça-feira do mês (02), a Crystal Dynamics apresentou o trailer de Tomb Raider: Legacy of Atlantis durante a State of Play, evento da Sony para divulgar lançamentos para as plataformas Playstation, e confirmou que o jogo será lançado em fevereiro de 2027. Confira:

 

Desenvolvido em parceria com a empresa Flying Wild Hog e distribuído pela Amazon Games, o jogo será uma releitura de Tomb Raider (1996), primeiro game da franquia. Na história, a arqueóloga Lara Croft é contratada para recuperar as peças espalhadas do Scion, um artefato místico de poder imensurável pertencente à civilização perdida de Atlântida.

“É a aventura que os fãs lembram, reformulada de maneiras que não eram possíveis 30 anos atrás, agora com novas surpresas. Não importa se o original está gravado na sua memória ou se você acabou de conhecer a Lara, esta é a melhor forma de conhecer o início da lenda” disse o líder global de conteúdo e comunidade da Amazon Game Studios, Michael Lovan, para o blog da Playstation.

Essa é a segunda vez que o clássico de 1996 ganha um remake. Em 2007, a própria Crystal Dynamics lançou Tomb Raider: Anniversary, uma versão do vídeo-jogo com gráficos atualizados para os consoles da época.

Frame da personagem Lara Croft, protagonista de Tomb Raider, lutando contra dinossauros
Lara Croft volta a lutar contra dinossauros em Legacy of Atlantis. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

Legacy of Atlantis retoma a mesma narrativa de 30 anos atrás para as plataformas da nova geração, refeita do zero com o programa Unreal Engine 5 a fim de trazer visuais mais realistas. Na nova releitura, os ambientes foram expandidos e semiconectados, permitindo que o jogador explore os espaços por diferentes ângulos e descubra itens colecionáveis, segredos e recursos escondidos para quem quiser ir além do caminho principal.

O uso de IA no desenvolvimento

 

Na última atualização do jogo na página da Steam, foi revelado que os desenvolvedores utilizaram inteligência artificial na “exploração inicial” e desenvolvimento de conteúdos temporários durante a produção, posteriormente substituídos ou refinados por artistas humanos.

“Na Crystal Dynamics, utilizamos ferramentas de IA para ajudar nossas equipes a iterar ideias com mais rapidez e eficiência, garantindo que todo o conteúdo final do produto seja criado por humanos. Nosso objetivo é potencializar a criatividade e a flexibilidade de nossos desenvolvedores para oferecer experiências da mais alta qualidade para jogadores em todo o mundo”, comunicou a Crystal Dynamics em nota para o site Eurogamer.

A empresa não especificou quais elementos foram produzidos com o auxílio da ferramenta.

Lara croft, protagonista da série Tomb Raider, em um dos frames para o novo jogo da franquia.
Novo jogo servirá para unir as três linhas alternativas que existiam na franquia. Foto: Reprodução/YouTube/Playstation

 

Tomb Raider: Legacy of Atlantis foi anunciado oficialmente na última edição do The Game Awards, ao lado de Tomb Raider: Catalyst, aventura inédita de Lara Croft sem data de lançamento definida.

O jogo será lançado para Playstation 5, Xbox Series X e S, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam) e já está em pré-venda.

Os jogadores que comprarem nessa fase terão acesso à Survivor Outfit, uma skin exclusiva. Já a versão deluxe contará com a Parisian Outfit, releitura do traje que a personagem usa durante o jogo The Angel of Darkness (2003), além de uma DLC de história pós-lançamento.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O filme baseado no livro O auto da compadecida, escrito por Ariano Suassuna, e dirigido por Guel Arraes, conta as aventuras dos amigos nordestinos João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. A dupla luta para sobreviver.

No pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba, João Grilo e Chicó, vivem aplicando golpes, sendo um deles o famoso enterro da cachorra de estimação da patroa deles. Golpe que envolve o Padre, fazendo uma sátira, de que todos podem ser comprados.

Nem o temido cangaceiro Severino de Aracaju, fazendo referência a Lampião, escapa das artimanhas de João Grilo e Chicó. Movido por sua fé em Padre Cicero, cai no golpe de tomar um tiro, influenciado pela dupla, na ilusão de que vai conhecer seu padin. Já que ver diante dos seus olhos João Grilo “ressuscitar”, pensa que o mesmo irá acontecer com ele. Mas é apenas enganado e morre de verdade.

O cangaceiro parceiro de Severino, não perdoa a mentira de João e o mata na porta da igreja. A história começa a se passar em um lugar, que representa o juízo final e

lá cada um será julgado, de acordo com o que fez na terra. O Padre e o Bispo, figuras de santidade, vão para o purgatório, já Severino de Aracaju que matou mais 30 é perdoado e vai para o céu, mostrando que todos colheram o que plantou.

João por sua vez, tem a chance de se redimir com a aparição de Nossa Senhora, a compadecida. Ela como uma mãe intercede por ele a seu filho Jesus, e o convence a deixar João volatar.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

Verity é um romance é um thriller psicológico da autora norte-americana Colleen Hoover. Foi inicialmente publicado pela própria autora em 2018. Nascida em 1979 no Texas, famosa por dominar as listas de best-sellers com romances, suspenses psicológicos e ficção "New Adult". Conhecida pelo fenômeno no TikTok ("BookTok"), começou autopublicando suas obras e ficou mundialmente famosa por livros como É Assim Que Acaba (It Ends with Us).

A escrita de Colleen Hoover é marcada por narrativas intensamente emocionais, fluidas e viciantes, focadas em romances contemporâneos, dramas familiares e, frequentemente, suspense psicológico. Seus livros abordam temas pesados, como

violência doméstica, luto e abuso. Com profundidade, mantendo uma leitura rápida, acessível e repleta de reviravoltas surpreendentes

O livro conta a história de uma escritora famosa, cujo nome é Verity, que ganhou fama após escrever uma saga de livros. Porém tudo muda, quando sua vida, parece ser um imã de tragédias, marcado pela morte das filhas gêmeas e um grave acidente de carro, que a deixa catatônica, aos cuidados de seu marido Jeremy Crawford.

No outro lado da história temos Lowen Ashleigh, uma escritora falida contratada para finalizar a série de sucesso de Verity Crawford, aceitando finalizar os últimos três livros da saga, com a condição de assinar com o pseudônimo Laura Chase.

Ela é convidada por Jeremy a ficar na casa da família Crawford, para obter informações e detalhes, que ajudem nessa missão. Mas um manuscrito escondido, escrito por Verity, revela segredos perturbadores, manipuladores e violentos sobre seu casamento e filhos, fazendo Lowen questionar se a Sra. Crawford está mesmo catatônica. O plot twist vêm vem quando ela encontra uma carta, escrita por ela.

Conforme passa-se os dias na casa, Lowen e Jeremy, vão se aproximando e se apaixonando. A desconfiança de Lowen, sobre o estado de Verity, é verdadeira, fazendo com que ela tome decisões perturbadoras.

A principal discussão gira em torno da veracidade da carta final versus o manuscrito, dividindo os leitores entre teorias sobre quem é a verdadeira vilã.

Nas redes o livro gera a dicotomia "ame ou odeie", com alguns elogiando o suspense e outros achando a resolução preguiçosa ou incoerente.

Em 2 de outubro de 2026, o livro ganhará uma adaptação cinematográfica. O thriller psicológico, produzido pela Amazon MGM Studios e dirigido por Michael Showalter, estrela Dakota Johnson (Lowen Ashleigh), Anne Hathaway (Verity Crawford) e Josh Hartnett (Jeremy Crawford).

A adaptação também divide os públicos, há curiosidade sobre como o filme lidará com as revelações perturbadoras da autobiografia de Verity e o dilema de Lowen sobre esconder ou não a verdade de Jeremy. Há os que acham positivo, pois o trailer mostra, algumas cenas fiéis ao livro, há aqueles que se preocupam, achando que vai ser flopado, assim como foi com as outras adaptações dos livros da autora.

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Liliane Gomes
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17/06/2026 - 12h

O texto apresentado, em especial as ideias de Roland Barthes, propõe uma reflexão profunda sobre o papel do mito na sociedade contemporânea e sua relação direta com a linguagem, a cultura e os meios de comunicação. Longe de ser apenas uma narrativa antiga ou religiosa, o mito aparece como um sistema de significação ativo, capaz de naturalizar ideias, valores e ideologias, tornando-as aceitas socialmente sem questionamento. Para o campo do jornalismo, essa perspectiva é fundamental, pois coloca em evidência o poder simbólico da informação e da narrativa no cotidiano social.

Barthes entende o mito não como um objeto fixo, mas como uma forma de discurso. Isso significa que ele pode se manifestar em diferentes linguagens: textos jornalísticos, imagens publicitárias, discursos políticos, programas televisivos e até em notícias aparentemente neutras. O mito opera quando transforma construções históricas e ideológicas em algo que parece “natural”, ocultando seus processos de produção e seus interesses. Assim, o senso comum passa a tomar essas narrativas como verdades universais, quando na realidade são fruto de contextos sociais específicos.

Nesse sentido, o jornalismo ocupa uma posição ambígua. Por um lado, tem o potencial de desmistificar, revelar contradições e questionar discursos dominantes. Por outro, pode reforçar mitologias contemporâneas quando reproduz estereótipos, simplifica narrativas ou trata determinados fenômenos sociais de forma acrítica. Barthes aponta que o mito se alimenta exatamente dessa aparência de neutralidade, o que torna a prática jornalística um espaço estratégico para sua circulação.

Os textos também abordam a ideia de que o mito contemporâneo não desapareceu, apenas mudou de forma. Diferente dos mitos tradicionais, que vinham estruturados em narrativas épicas ou religiosas, o mito atual se fragmenta e se infiltra no cotidiano. Ele pode estar presente na figura do herói moderno, criado pela mídia, ou na idealização de estilos de vida, consumo e sucesso pessoal. A televisão, a imprensa e, atualmente, as redes digitais funcionam como grandes fábricas de mitos, produzindo sentidos que organizam a percepção social da realidade.

Outro ponto presente nos textos é a relação entre mito e ideologia. Barthes afirma que o mito funciona como uma fala ideológica que se esconde atrás da naturalização. Quando uma ideia é apresentada sem contexto histórico ou sem conflito, ela se torna mito. No jornalismo, isso se manifesta, por exemplo, quando desigualdades sociais são tratadas como algo “normal”, quando certos grupos são

sempre representados de forma estigmatizada ou quando interesses econômicos aparecem como necessidades universais.

Para uma estudante de jornalismo, essa leitura provoca um deslocamento importante: compreender que informar não é apenas relatar fatos, mas também disputar sentidos. O jornalismo, ao lidar com a linguagem, participa ativamente do campo simbólico e, portanto, tem responsabilidade na forma como a sociedade compreende a si mesma. Desmistificar, nesse contexto, não significa eliminar os mitos, mas torná-los visíveis, evidenciar seus mecanismos e devolver ao leitor a capacidade crítica.

Por fim, os textos reforçam que o mito continua sendo uma ferramenta poderosa de organização social. Ele não desaparece porque responde a uma necessidade humana de sentido e narrativa. Contudo, cabe ao jornalismo crítico reconhecer esses mecanismos e atuar não como reprodutor automático de discursos, mas como mediador consciente da realidade. Assim, o desafio não é negar o mito, mas compreender como ele opera e quais interesses ele serve em cada contexto histórico.

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Longa de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura é novo candidato ao Oscar
por
Fábio Pinheiro
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19/11/2025 - 12h

O filme nacional “O Agente Secreto” protagonizado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, tem acumulado reconhecimento internacional e resultados expressivos de público no Brasil. Na última semana, o longa venceu dois importantes prêmios da crítica no Key West Film Festival, nos EUA, e de Melhor Fotografia no Festival de Estocolmo, na Suécia - reforçando sua trajetória como forte candidato ao Oscar. 

Além disso, a produção já ultrapassou a marca de meio milhão de espectadores nos cinemas brasileiros, apontando para um desempenho de bilheteria acima da média nacional para estreias.

A trama, ambientada no Brasil de 1977, retrata Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia, que retorna a Recife e descobre estar sob vigilância de agentes da Ditadura Militar. A perseguição desencadeia uma narrativa de suspense político que dialoga com a memória brasileira. 

Com essa proposta, o longa mistura thriller político, referências do neo-noir e elementos de drama histórico, criando uma estética de autoria brasileira marcada por estilo próprio e forte comentário social. A combinação desses gêneros, característica de obras recentes do cinema nacional, ajuda a projetar o filme internacionalmente ao apresentar uma narrativa envolvente que dialoga tanto com a memória do país, quanto com discussões contemporâneas sobre vigilância e Estado.
 

Janja Lula da Silva, Wagner Moura, Presidente Lula e Kleber Mendonça no Palácio da Alvorada
Presidente Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva recebem produção e elenco do filme, em sessão especial no Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O reconhecimento internacional tem impulsionado a presença do longa nas redes sociais e ampliado a expectativa do público brasileiro. Depois que o perfil oficial do Oscar publicou uma foto de Wagner Moura, internautas do Brasil passaram a comentar em massa, celebrando a possibilidade de ver um filme brasileiro competir nas principais categorias da premiação.

No universo dos prêmios, O Agente Secreto já enviou sua campanha para votantes do Critics Choice Awards e do Globo de Ouro, considerados indicadores do Academy Awards. Seu sucesso em festivais e prêmios técnicos pode indicar a conquista de um espaço no cenário global. 

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Espaço cultural na Alameda Dino Bueno e última favela do centro vivem tensões semelhantes: pressão por remoções, projetos de “revitalização” e disputa por permanência de população de baixa renda na região.
por
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h
Foto: Reprodução/Instagram/@faveladomoinho
Foto: Reprodução/Instagram/@faveladomoinho

O Movimento Cultural Recreativo Dois-Dois, na Alameda Dino Bueno, e a Favela do Moinho, a poucos quarteirões dali, são hoje dois polos de uma mesma disputa: quem permanece e quem é afastado do centro de São Paulo. Enquanto o Moinho enfrenta remoções e projetos urbanos, o Dois-Dois reorganiza um galpão abandonado como espaço de cultura popular e articulação política.

Fundado em 2023, o Dois-Dois ocupa um antigo imóvel industrial em Campos Elíseos. O local foi reformado coletivamente e passou a receber rodas de samba, discotecagens, lançamentos de livros, oficinas e debates. A proposta é funcionar como centro cultural independente, com programação regular, principalmente nos fins de semana.

“A gente pegou um lugar que estava vazio e sem uso e transformou em espaço de trabalho e encontro”, afirma Carla Santos, 34, produtora cultural e integrante da organização do Dois-Dois. Segundo ela, o projeto busca garantir acesso à cultura para moradores da região central e de bairros periféricos, mantendo preços populares e atividades gratuitas.

A poucos metros, sob o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel e ao lado da linha do trem, está a Favela do Moinho. A ocupação começou no fim dos anos 1980, em área de um antigo moinho desativado. A comunidade já enfrentou grandes incêndios, operações de remoção e conflitos com o poder público em torno da posse do terreno. Hoje, parte das famílias já foi reassentada ou deixou o local, e o número de moradias diminuiu.

Moradores relatam aumento da pressão por saída, associado a projetos públicos para a área, como a criação de um parque e de novos equipamentos estatais. Quem permanece reclama de insegurança jurídica e de falta de alternativas de moradia na mesma região.

“Quando tiram a gente daqui, não é só a casa que muda. A escola, o posto de saúde e o trabalho ficam longe”, diz Dona Lúcia Ferreira, 56, moradora do Moinho há mais de 20 anos. “Espaços como o Dois-Dois mostram que ainda existe lugar para o povo aqui, mas as famílias estão sendo empurradas para fora.”

A relação entre o Dois-Dois e o Moinho se dá principalmente pelo território e pelas pautas em comum. Moradores da favela participam das atividades culturais, e temas como remoção, moradia e direito à cidade são recorrentes nas rodas de conversa realizadas no galpão. O espaço também é usado para encontros de coletivos e articulações com movimentos de moradia e cultura.

De acordo com Rafael Lima, 27, educador social que atua em projetos com jovens do Moinho, o Dois-Dois funciona como ponto de apoio para discussões e mobilizações. “A gente se encontra lá para conversar com advogados, movimentos, organizar reunião. Não é só festa. Tem dia que é mais debate do que samba”, afirma.

Tanto o Moinho quanto o Dois-Dois são impactados por políticas de “revitalização” do centro, que incluem novos empreendimentos, obras viárias e projetos de requalificação urbana. Na prática, essas intervenções costumam elevar o valor da terra e dificultar a permanência de famílias de baixa renda e de iniciativas culturais autônomas.

A conexão entre o movimento recreativo Dois-Dois e a Favela do Moinho, portanto, não é apenas simbólica. Ambos se tornaram referências de resistência local num momento em que o centro de São Paulo passa por reconfiguração intensa, com disputa permanente entre interesses imobiliários, políticas públicas e o direito de moradores antigos permanecerem na região.

 

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Em comemoração aos 10 anos de existência, a exposição reúne cultura e resistência através da arte
por
Daniela Cid
Maria Clara Palmeira
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13/11/2025 - 12h

Desde setembro de 2025, o Memorial da Resistência abriga a exposição “Ouvidor 63, habitar el arte”, uma mostra artística, gratuita, idealizada pelos moradores da ocupação, composta por imigrantes da América Latina e brasileiros, em conjunto com pesquisadores e estudantes do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Esta parceria com a universidade se iniciou em 2023 através do projeto “Ocupaciones: arte, espacio y reinvención de la vida cotidiana”, com o apoio da FAPESP. 

A exposição trata da história da ocupação Ouvidor 63, recriando seus espaços dentro do museu, apresentando obras, registros, depoimentos e ações realizadas pelos artistas ocupantes. De acordo com seus organizadores, é um convite para que as pessoas se aproximem e conheçam a luta deste espaço mais de perto. 

No terceiro andar do prédio do Memorial da Resistência, a mostra se organiza em 6 principais temas: ¿Qué hacer si llega la policía?, Salón, Biblioteca, Cuarto, Cocina e Teatro. Cada um deles conta sobre uma parte da estrutura do prédio Ouvidor 63, sua importância e suas histórias. Além da exposição, o Memorial da Resistência ainda recebe ações artísticas que fazem parte da programação e são realizadas pelos próprios ocupantes, propondo diálogos sobre questões enfrentadas dentro da Ouvidor 63.

Visão Geral da exposição
Visão da exposição "Ouvir 63 - Habitar a arte". Foto: Maria Clara Palmeira/AGEMT

Nomadismo Artístico

A AGEMT acompanhou as performances sobre o tema Imigrações e Nomadismos. O fotógrafo João Vitor Pereira (Manga), natural de Ceilândia no Distrito Federal, que chegou a São Paulo há 6 meses, explica o conceito de Nomadismo Artístico: “Vim pra cá pelo ‘corre’ da arte. São Paulo é uma cidade grande, e posso crescer no meio artístico”. Após suas andanças pela América do Sul, declara: “O nomadismo me ensinou a não me apegar tanto a coisas materiais, e tem me trazido liberdade geográfica sem medo. Também me traz muitos pontos de vista, novas culturas e linguagens. Através deste conhecimento, do que eu vou vendo e gostando, minha arte se reflete”. 

Durante as performances, Manga recitou um poema de sua autoria:

“Nomadismo, itinerância e circo.
Sou passo,
sou vento,
sou estrada que canta o próprio nome.
Sou parte dessa América Latina em movimento,
onde o corpo é mapa e a alma é travessia.
Antes das fronteiras, os povos originários já sabiam:
ninguém possui a terra,
É ela que nos ensina a andar.”

João Vitor Pereira (Manga), participando das performances e ajudando seus companheiros da Ouvidor 63, no dia 08 de novembro, em frente ao Memorial da Resistência, durante a exposição Habitar a arte. Foto: Daniela Cid/AGEMT
João Vitor Pereira (Manga), participando das performances e ajudando seus companheiros da Ouvidor 63. Foto: Daniela Cid/AGEMT

Ivan Gamba, colombiano, de 31 anos, morador da Ouvidor 63 há 3 anos, apaixonado pelo Brasil graças à Seleção Brasileira de Futebol, fez sua performance circense equilibrando e fazendo malabares com diversas bolas. Antes de iniciar sua apresentação, nos fez viajar no tempo.

Viajando pelos ventos da história, chegamos nos tempos de Abya Yala! - O que é Abya Yala? (...) Antes da colonização, o nosso continente (América Latina), se chamava assim. O significado deste nome é ‘Terra em plena maturidade’".

Ivan Gamba, 31 anos, em performance circense, no dia 08 de novembro, em frente ao Memorial da Resistência, durante a exposição Habitar a arte. Foto: Maria Clara Palmeira/AGEMT
Ivan Gamba, 31 anos, em performance circense durante a exposição Habitar a arte. Foto: Maria Clara Palmeira/AGEMT

 

O artista cênico peruano Bryan Meza, de 34 anos, chegou até São Paulo após ouvir falar sobre a Ouvidor 63, em sua terra natal: “A Ouvidor brinda ao viajante, itinerante, uma família. Ressignifica também a ideia da casa, da família, te coloca em um lugar onde você faz parte do movimento, mesmo que você não tenha interesses políticos, nem que seu trabalho tenha uma narrativa contestativa”. 

Meza explica que passou a trabalhar com audiovisual, e que sua arte gira em torno de memória, território e reparação histórica, temas que se unem dentro da causa da Ocupação. O artista viu no nomadismo da América Latina, uma forma de entrar em contato com sua própria ancestralidade: “A gente está tentando transformar as fronteiras em pontes. O Brasil é o último país a abolir a escravidão, e também o país com mais genocídio indígena. Nós vemos isso e comparamos com outros países da América Latina. Temos estruturas de violências históricas similares. No fim, não somos tão diferentes.”. 

Ouvidor 63 - Maior ocupação artística da América do Sul:

Fundada em 2014 no centro de São Paulo, a ocupação abriga um movimento cultural de extrema importância. Formado por dançarinos, cantores, músicos, artistas plásticos e mais diversas profissões artísticas e culturais, o Ouvidor 63 une a luta por moradia à prática cultural. Entre os diversos cômodos do edifício coabitam ateliês, bibliotecas, estúdios e um teatro que servem como um disseminador de cultura, saberes e ensina sobre organização colaborativa, trazendo vida ao centro da capital.

Ativistas e artistas da ocupação Ouvidor 63 após a primeira intervenção cultural no Memorial da Resistência. Foto: Maria Clara Palmeira/AGEMT
Ativistas e artistas da ocupação Ouvidor 63 após a primeira intervenção cultural no Memorial da Resistência. Foto: Maria Clara Palmeira/AGEMT

“Para a gente morar ali dentro, temos que fazer parte de 3 pilares fundamentais para levar a ocupação para frente, que são: a manutenção do prédio, a parte jurídica, devido ao risco do despejo, e também a parte artística. A parte artística e cultural são as que a gente tenta resguardar e levar para frente, fortalecendo”, relata Ivan Gamba, morador da Ouvidor há três anos.

Edifício da ocupação Ouvidor 63. Foto: Daniela Cid/AGEMT
Edifício da ocupação Ouvidor 63. Foto: Daniela Cid/AGEMT 

 

Visão de quem mora na rua do Ouvidor, próximo à ocupação. Foto: Maria Clara Palmeira/ AGEMTVisão de quem mora na rua do Ouvidor, próximo à ocupação. Foto: Maria Clara Palmeira/ AGEMT
Visão de quem mora na rua do Ouvidor, próximo à ocupação. Foto: Maria Clara Palmeira/ AGEMT

Com um histórico de ocupações, desde a década de 1990, o edifício foi ocupado inicialmente pelo MMC (Movimento de Moradia do Centro) e depois, foi cedido à Unesp, mas permaneceu em abandono de 2007 a 2014, quando foi ocupado por um grupo de artistas de Porto Alegre. Com os moradores da Ouvidor, o prédio de 13 andares foi dividido e revitalizado, tornando-se um refúgio artístico no centro de São Paulo.

 

Confira mais sobre a exposição:

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Foto: Daniela Cid/ AGEMT

 

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Foto: Daniela Cid/ AGEMT

 

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Foto: Maria Clara Palmeira/ AGEMT

A exposição vai até 29 de março de 2026. As próximas intervenções estão programadas para os dias 22 de novembro, às 14h, com o tema Lutas e Resistências Sociais; e dia 29 de novembro, ás 11h, com Enfrentamento à violência de gênero. Os ingressos gratuitos podem ser reservados no site do Memorial da Resistência.

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Produtores e admiradores de Sabotage destacam sua trajetória pessoal e profissional
por
Antonio Amorim
Bruno Caliman
Caio Moreira
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13/11/2025 - 12h

Mauro Mateus dos Santos, mais conhecido como Sabotage, transformou sua realidade com versos que misturavam denúncia social, poesia e esperança. Nascido em 1973, na zona sul de São Paulo, na favela do Canão, enfrentou a pobreza, a violência e o preconceito com suas composições. Sabotage ganhou destaque no final do ano 2000 com seu álbum “Rap é Compromisso”, e depois cantou e compôs ao lado de rappers como o grupo RZO e Rappin’ Hood, além de furar a bolha gravando com os roqueiros do Sepultura e Charlie Brown Jr. Também fez apresentações em grandes canais de televisão, algo que era mal visto por muitos do mundo do rap.

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Mauro Mateus, o Sabotage. Foto: Reprodução/Instagram/@sabotageoficial

O rapper não parou “apenas” na música, mas também atuou em dois filmes, “O Invasor” , lançado em 2002 e dirigido por Beto Brant e “Carandiru: O Filme”, que estreou em 2003, do diretor Héctor Babenco, onde protagonizou o personagem “Fuinha”. No seu primeiro filme, ainda foi cantor e compositor de boa parte das músicas e ganhou três prêmios de melhor trilha sonora: Festival de Brasília, Cine PE - Festival do Audiovisual e Grande Prêmio BR do Cinema Brasileiro.

Sua carreira foi interrompida em 24 de janeiro de 2003, quando foi assassinado às 5h50, na zona Sul de São Paulo, onde foi atingido por quatro tiros. Foi levado ao hospital, mas faleceu horas depois, aos 29 anos, e deixou seus dois filhos, Tamires Rocha e Wanderson Mateus, além da esposa Maria Dalva. Desde 2015, seu nome artístico Sabotage dá nome a um prêmio na CMSP (Câmara Municipal de São Paulo), que premia artistas do hip hop.

Em entrevista à Agemt, o produtor musical Rodrigo Brandão, amigo de Sabotage, afirma que o rapper já era uma lenda antes mesmo de lançar sua primeira música. Na época, Sabotage participava das apresentações do grupo RZO. Segundo Brandão, eles não se rotulavam como um grupo, mas como uma “banca”, em que cada integrante tinha liberdade para mostrar seu próprio trabalho. O coletivo era formado oficialmente por Hélião, Sandrão e DJ Cia, e contava com as participações de Negra Li e Sabotage. “Ele se destacava naturalmente, eu lembro que antes dele gravar toda a sintonia do rap já sabia cantar o refrão de Rap é Compromisso”. 

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Rodrigo Brandão no documentário "Sabotage: Maestro do Canão".
Foto: Reprodução/Youtube/Sabotage

Brandão relata a importância do processo criativo de Mauro, ao ressaltar que, além do domínio das técnicas líricas e vocais, Sabotage costumava adaptar melodias de músicas estrangeiras, escrevendo suas próprias letras sobre essas harmonias. “Na música A dama Tereza, uma grande parte da rima dele é um flow do Eminem e, se for comparar, o Sabotage é melhor”, afirma. O produtor frisa que, além do controle técnico do rap, ele tinha uma musicalidade intrínseca e se surpreendeu quando o cantor revelou que ouvia Chico Buarque e planejava regravar a música “O meu Guri”. 

Da música à vida pessoal, Rodrigo descreve o comportamento de Sabotage com os fãs, a comunidade e os amigos. De acordo com o produtor, o rapper emanava amor e enxergava beleza até onde parecia não haver. “Era abraço, sorriso, carinho, piada, é isso que vi dele”, conclui. Brandão também relembra um relato marcante de Sabotage sobre sua religiosidade. Em uma conversa na sala de sua casa, o rapper contou que, após a morte do irmão, entrou em um estado de inanição e precisou ser hospitalizado. Nenhum dos médicos conseguia fazê-lo se alimentar, até que um doutor negro entrou em seu quarto e o convenceu a comer. Após a refeição, os funcionários do hospital perguntaram o que havia motivado sua atitude. Ele explicou que um médico havia conversado com ele e fez com que reagisse, depois de descrever as características de um homem preto para as enfermeiras, elas afirmaram que não tinha médicos negros no hospital. “Sabota me contou que, em um passeio com a mãe, viu uma foto do homem que o salvou e confirmou sua existência. Sua mãe então explicou que a imagem se tratava de Oxóssi, uma divindade. Eu lembro disso como se fosse hoje, me marcou muito”, relata Brandão.

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Denis Feijão em entrevista para a Agemt. 

Em entrevista, Denis Feijão, um dos produtores do documentário “Sabotage: Maestro do Canão”, comenta sobre o quanto Sabotage era ligado às questões ancestrais e musicais. O produtor lembra que, assim como os rappers Thaíde e Rappin’ Hood, Sabotage fez a mistura do hip hop com o samba e com outras raízes populares africanas. “No final da carreira, ele estava muito ligado no techno, no trance, fazendo rock com Paulo Miklos. Tinha essa coisa mais romântica com a Sandy, ele gostava do Maurício Manieri, que era aquela coisa do rap mais romântico. Então era um cara múltiplo, um cara híbrido, não ficou parado no tempo e foi buscar coisas novas, conhecimento e aprimoração”.

Denis também destaca a falta de espaço da cultura periférica, principalmente em uma época que não tinha celular, internet e streaming. Segundo ele, Sabotage precisou “enfiar o pé na porta” no sentido de relacionar as músicas com a realidade periférica, com o intuito de mudar a situação da periferia: “ainda era um espaço marginalizado, então com certeza o Sabotage foi um dos grandes responsáveis, junto com essa liderança que veio desde o Mano Brown”. “Era um problemaço, dessa cultura ir para a televisão”, completa.

Além dos dois filmes nacionais, Sabotage participou do programa Altas Horas, da TV Globo. Denis acredita que o rapper transcendeu os meios de comunicação e a barreira do entretenimento, e caso estivesse vivo hoje estaria no cinema, seja na escrita ou na atuação de filmes. Através de sua mente aberta e habilidade de se comunicar com o público, Sabota amplificou o alcance da cultura hip hop e abriu o campo das artes para os moradores de periferias. “Hoje, vários cantores e rappers são atores de séries e novelas. Tem um cara muito legal, o Negueba, lá do Nós do Morro do Rio de Janeiro, que é ator da Globo e mudou a realidade dele a partir das músicas do Sabotage”, acrescenta o produtor de filmes.

Compromisso. Essa foi a resposta de Denis quando perguntado sobre definir o Sabotage em uma palavra. Ele faz alusão ao álbum e música “Rap é Compromisso” do rapper, e diz que Sabota teve compromisso com a vida dele, com sua trajetória no rap, com a realidade, comunidade, família, pessoas, entre outros. O produtor executivo conta que Sabotage sempre foi muito presente e nunca saiu da favela do Canão, além de trazer muito conhecimento. Mesmo quando enfrentou dificuldades familiares e financeiras, Mauro soube sobreviver e construir a família dele, com sua esposa e seus dois filhos.

“O legado dele é a nova geração, no sentido de criar acessos, de como a gente tem condição de mudar a nossa realidade, independente de qual seja. É um cara que tem que ser louvado, valorizado e lembrado. É isso. O legado dele é gigante... gigante”, finaliza.

 

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Em sua segunda temporada, o spin-off de “The Boys” mantém sua essência
por
Felipe Volpi Botter
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07/11/2025 - 12h

A Prime Video lançou a segunda temporada de Gen em 17 de setembro, com três episódios para abrir a série e um por semana até chegar ao oitavo e último. Com novos personagens como o vilão de codinome “Cipher”, além de outros alunos importantes para a trama, a produção também trouxe personagens da série “The Boys”, que inspira esse universo.

Para quem está chegando agora, um alerta: entender essa temporada pode dar trabalho! É preciso ver as três primeiras de “The boys”; em seguida, assistir à primeira de Gen V; depois a quarta de “The Boys” e só então mergulhar nesta nova temporada. Para quem não é fã, a jornada pode parecer cansativa, mas para os amantes de histórias com super heróis, o entretenimento de altíssimo nível é garantido.

(ALERTA DE SPOILER)

Após os eventos da última temporada de “The Boys”, os heróis da Godolkin (Marie Moreau, Jordan Li, Emma Meyer e Andre Anderson) estão presos em uma prisão para supers chamada Elmira. Infelizmente, com a morte do ator que fazia o personagem Andre (Chance Perdomo), os produtores também criaram uma morte para o seu personagem na própria Elmira.

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Marie, Jordan e Emma Foto: Reprodução/Prime Video

Maurie consegue fugir da prisão e após a morte de Andre - e mais uma bela jogada de marketing da Vought - Emma e Jordan Li voltam para a universidade. Após alguns dias, Marie também retorna com o acordo entre os três personagens e a Vought, no qual eles iriam para o time principal de supers da empresa, se parassem de lutar contra ela. Porém, com Cipher como reitor, as coisas não serão tão simples.

Cipher começa a se aproximar de Marie e se mostra muito perigoso. Ele tem grandes planos, não só para a Marie como também para a Godolkin. O projeto "Odessa", nova descoberta dos jovens, promete ser capaz de dar um fim ao Capitão Pátria. 

Com novos supers, novos poderes e novos desafios, Marie e os demais enfrentam muitos perigos nesta temporada, que acaba com um incrível gancho para o futuro do universo. Vale conferir!

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