Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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O universo dos colecionáveis têm se tornado cada vez mais comum entre fãs de eletrônicos retrô
por
Eduardo Rocha
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09/04/2021 - 12h

Para conversar sobre esse assunto, foi convidado um dos mais importantes colecionadores e cofundador da comunidade Odyssey Brasil. O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Victor Emmanuel Vicente. (Por: Eduardo Rocha) Ouça o podcast

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A crise sanitária causou a extinção dos grandes eventos. Organizadores, promotores e artistas que dependiam deles tiveram sua renda reduzida em até 100%
por
Fernando Bocardo, João Kerr e Pedro Duarte
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09/04/2021 - 12h

O setor de organização e promoção de eventos costumava representar 13% do PIB brasileiro, segundo a CNN. Com a realização de mais de 590 mil eventos por ano, o segmento seria responsável por uma movimentação anual de mais de 1 trilhão de reais em um ano normal. 

A pandemia de Covid-19 tem feito milhares de vítimas por dia e a melhor maneira de combatê-la é praticando distanciamento social, ou seja, sem aglomerações e portanto, sem eventos presenciais. Com isso, o setor de eventos está completamente abandonado.

 

Impacto

Em meados de março de 2020, a crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19 fez com que todos os grandes eventos programados para ocorrer no Brasil fossem suspensos. Em entrevista ao G1, Doreni Caramori Júnior, presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) afirmou que foram mais de 350 mil eventos cancelados ou adiados no ano passado.

Isso impactou de forma drástica a vida de quem trabalha no setor e o funcionamento das mais de 60 mil empresas que dependem da realização de eventos para sobreviver. Apenas durante o período entre março e dezembro de 2020, o prejuízo total do setor de eventos foi de mais de 270 bilhões de reais, de acordo com a CNN. Essas perdas resultaram em mais de 3 milhões de desempregados no período.

“Devo ter umas 20 amigas sem trabalho para cada 1 trabalhando na área” conta Fabiana Ferraz, que trabalha a 17 anos como produtora de eventos. “Quando uma empresa precisa cortar gastos, a primeira coisa que eles cortam são os eventos, que é o que eles consideram mais supérfluo, principalmente quando não se pode ter aglomerações”

Eventos corporativos costumavam reunir centenas de pessoas em um mesmo espaço. (Foto: Matheus Campos)

Após mais de um ano de pandemia, o retorno dos grandes eventos ainda parece distante. “Todas as previsões de retorno que a gente tinha foram furadas. Quando começou a gente achava que em setembro estaríamos de volta. Com o tempo vimos que só em 2021. Chegando em 2021, ainda estamos sem saber quando poderemos voltar com eventos presenciais. E quando isso acontece, as empresas também não conseguem planejar nada”, conta Fabiana.

Judite Codazzi, especialista na assessoria de eventos sociais, afirma que, mesmo após o fim das restrições resultantes da pandemia, a dor de cabeça dos produtores de eventos não vai acabar tão cedo.

“Vai faltar dia pra festa. Todo mundo que já se casaria em 2022, vai ter que competir por datas de espaços, atrações, fornecedores e mão-de-obra com quem queria ter se casado em 2020 ou 2021 e não conseguiu.

As pessoas vão ter que abrir a cabeça e pensar em outras opções, pois não vão conseguir concretizar eventos na proporção que gostariam, mesmo quando não houverem restrições”

 

 

Ações emergenciais

Como é evidente que os grandes eventos não retornarão tão cedo, espera-se que o governo faça algo para respaldar os profissionais do entretenimento. Muitos estão sem renda desde o início da pandemia, pois nem todos se encaixam no auxílio emergencial, o suporte monetário dado pelo governo a trabalhadores informais que recebem menos de três salários mínimos mensais.

 Afonso Nigro atua hoje como empresário do ramo do entretenimento (Foto: Douglas Moreira)

“Vamos começar a perder grandes artistas por conta das dificuldades”, diz Afonso Nigro, ex-integrante da banda Dominó e atual administrador da Nigro Entretenimento. “Meu pianista que já tocou com Ed Motta, Djavan e outros grandes, está trabalhando numa empresa de logística. Esse cara talvez não volte mais. Ele encontrou uma segurança em um momento difícil”.

Afonso é um dos líderes do movimento Brasil Invisível, que promove lives para arrecadar fundos e ajudar os trabalhadores do setor de eventos nesse momento de crise. O movimento tem entre seus pilares a criação de ações emergenciais voltadas para esse setor.

No último mês de março, foi aprovado na Câmara o projeto de lei 5638/20 que prorrogará o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que oferece um benefício financeiro em caso de acordos entre trabalhadores e empregadores nas situações de:

  • redução proporcional de jornada de trabalho e de salário
  • suspensão temporária do contrato de trabalho

O objetivo do programa é evitar demissões no setor do entretenimento.

O projeto 5638/20 também deve prorrogar a lei que dispensa reembolso por cancelamento de eventos durante a pandemia da Covid-19. Ambas as leis perderam validade quando se encerrou o estado de calamidade pública, em 31 de dezembro de 2020 e, portanto, os trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos ou reduzidos estão sem nenhum respaldo, aguardando que o projeto seja aprovado.

 

Soluções alternativas

Sem a possibilidade de reuniões presenciais, os organizadores de eventos se reinventam, utilizando os poucos recursos disponíveis. Diversas cerimônias ocorreram de forma virtual e algumas de maneira híbrida.

Cidinha de Conti, especialista em eventos executivos, explica que o conceito de eventos híbridos consiste em reunir pessoas através de plataforma uma customizada (estruturada de acordo com as necessidades do cliente) ou comercial (zoom ou meet são opções), transmitindo vídeos e um palco em estúdio. O palco pode ter interações entre alguns apresentadores e uma plateia com alguns convidados.

Ela afirma que o número máximo de invitados já chegou a 80, quando estivemos em fase verde da pandemia. As fases vermelha e emergencial não permitem plateia.

 

Evento híbrido, no qual alguns participantes estavam reunidos e outros falavam por videochamada, enquanto o público podia acompanhar pela internet (Foto: Divulgação/ADVB)

 

Esse tipo de empreendimento exige todos os protocolos de segurança como distanciamento, máscaras, álcool em gel, medição de temperatura e oxigenação, tanto para os convidados, quanto para organizadores e equipes de apoio e técnica.

Cidinha acredita que os eventos híbridos serão uma tendência nos eventos executivos mesmo após o fim da pandemia. “As empresas vão começar a colocar no papel se vale a pena levar 2 mil pessoas para um congresso. Os espectadores vão poder participar de forma remota, reduzindo os custos para ambos os lados”


Mas mesmo os especialistas em eventos entendem que salvar esse mercado passa por ações emergenciais e vacinação em massa, não por regularizar aglomerações, pondo em risco a saúde de milhares de pessoas.

“Nossos maiores aliados hoje são a vacinação e os protocolos de segurança — aderir a eles e segui-los adequadamente é o nosso maior trunfo para a superação desse momento.
Não podemos ficar falando em fazer algo além do que está sendo feito hoje nos eventos. Sem saúde, nenhum setor da economia é possível”
-Cidinha de Conti
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Com a Covid-19 cerimônias precisaram se adaptar ao cenário pandêmico, consolidando várias mudanças, desde indicados a falta de espaço físico: podcast discute isso e muito mais
por
Julio Cesar Ferreira
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10/04/2021 - 12h

 

 

Ronaldo Trancoso Jr., jornalista e editor do blog Cinematic Tips; especializado em cinema, premiações e festivais, conversa com Julio Cesar Ferreira, aluno do curso de Jornalismo, colaborador da AGEMT, discutiram as principais mudanças ocorridas na temporada de premiações com o advento do novo coronavírus.

 

cinematic tips
Página inicial do blog Cinematic Tips. Foto: (Captura de tela/Site online) 
ronaldo
Ronaldo Trancoso Jr., editor do blog Cinematic Tips. Foto: (Acervo Pessoal) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Emmy de 2020 foi a primeira cerimônia que adotou o formato virtual, o que antecipou as outras cerimônias e consolidou algumas mudanças para a apresentação de indicados e vencedores. Determinadas entidades conseguiram realizar seus eventos de forma híbrida, como o Grammy 2021  que contou com a presença de alguns artistas indicados mais importantes, o SAG Awards 2021 decidiu ocorrer de maneira gravada e o Oscar 2021 será presencial, sem adotar o hibridismo. 

 

troféus oscar

 

Questões como estas foram discutidas na conversa que contribuiu para a construção do podcast, para além disso, também foi comentado sobre o Governo de Trump e Joe Biden, e seus diferentes posicionamentos acerca da pandemia e o papel da vacina. 

Abordaram, ainda, as principais mudanças de indicações, a diferença entre filmes independentes e os blockbusters nesse momento, o acesso e o lugar do streaming, a falta de diversidade, e como o público vêm consumindo e questionando as cerimônias ao longo dos anos, de modo que a audiência é refletida nisso. O debate se desdobra de maneira informal, criando uma relação próxima entre o emissor e o receptor. 

Para ouvir esse debate leve e descontraído, clique aqui. 

 

Especialista explica de onde surgiu a sexualização mulher japonesa e a relação com os animes e a cultura conservadora do país
por
Gabriella Lopes
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24/06/2021 - 12h

Por Gabriella Lopes

 

Yumeko Jabami em seu primeiro dia na Academia Privada Hyakkaou, uma escola da alta elite localizada em algum lugar não especificado no Japão, surpreende os colegas quando desafia Mary Saotome, um monstro das apostas. Ninguém conhecia Yumeko e muito menos esperavam que fosse ganhar de Mary. Logo de cara entendemos a personalidade da personagem principal. Ela é viciada em apostar, mas para sua sorte, nasceu com o dom de decifrar as pessoas a sua volta e perceber trapaças, o que a leva ganhar na maioria das vezes. 

A história do anime Kakegurui é bastante interessante. A escola é um tipo de cassino para jovens ricos. A hierarquia começa no grêmio estudantil, formado pelos melhores jogadores até os endividados, tratados como serviçais. As relações de poder e amizade são determinadas pelo nível de habilidade. Assim que o sinal bate e a aula acaba, começam as apostas que dependendo do resultado pode mudar completamente a vida de alguém.

Em todos os jogos que Yumeko participa, ela arrisca perder enormes quantidades de dinheiro e em alguns casos até sua a vida, só para sentir a adrenalina do momento e acima de tudo, o prazer. As cenas não são explícitas, mas podemos entender bem o que a personagem sente. Características como suor, gemidos, bochechas coradas e as mãos em cima das partes íntimas são comuns quando se está em uma cena tensa de aposta.

Para quem lê a sinopse parece uma história comum para o estilo de anime shounen mangá.

O shounen mangá é um estilo de anime e mangá japonês voltado para os adolescentes. O seu foco é o público masculino, mas também atrai o feminino. Para atrair os meninos, uma das artimanhas desse estilo usadas pelos produtores  é a sexualização das personagens femininas, o que, com o tempo, se tornou uma característica comum do estilo.

Kakegurui não é exceção. A maioria dos personagens principais são mulheres e todas são sexualizadas, além de mostrarem traços fortes erotizados de homossexualidade e bissexualidade. Elas são viciadas em apostar e sentem prazer sexual, a ponto de se masturbarem ao longo das partidas devido ao tamanho do prazer que sentem ao jogarem. 

Personagens estereotipadas com as de Kakegurui são reflexos diretos do fetcihe do homem japonês. Não existe qualquer conexão lógica em sentir tamanho prazer sexual com apostar. E são histórias como essas que caracterizam o fetiche japonês. Esses tipos de fantasias sexuais são traços singular da cultura do país, especialmente dentro do grupo masculino. 

Simonia Fukue, professora da USP, pesquisadora da cultura japonesa e especialista em animes explica que no Japão o homem não necessariamente precisa do sexo para se satisfazer. O fetiche é, explica ela, em alguns casos, o suficiente. Isso é algo tão característico que existe um mercado inteiro para suprir as demandas desses consumidores.

 

Kakegurui vai longe nesta questão. Midari Ikishima é uma das integrantes  do grêmio estudantil e é masoquista. Seu jogo preferido é a roleta russa e quando quer sentir prazer, atira na própria cabeça com a  expectativa de levar o tiro enquanto se masturba. Todos os jogos que ela propõe envolvem risco de vida a fim de buscar o prazer sexual. Na vida dos homens japoneses existem situações extremas como essa também.

Para a pesquisadora que descende de japoneses e já morou mais de um ano lá, o problema é sistemático. Diferente do ocidente que está avançado no processo, no Japão, o movimento feminista e a pauta sobre a igualdade de gênero é pouco discutida. Além disso, espera-se da mulher um determinado comportamento e vestimenta.  

Simonia, conta, por exemplo, que quando foi pesquisar a estética kawaii (é um adjetivo japonês usado para chamar algo de lindo e fofo, também é uma estética que envolve estilo de roupa, personalidade e conteúdos animados considerado fofo e delicado) no Japão em 2015, sentiu-se julgada pelas suas roupas serem justas (nos padrões japonês) e pela alça de seu sutiã aparecer, algo que no Brasil é popular.

Na visão da professora, o gênero shounen mangá não é contestado pela sociedade japonesa, porque as mulheres ainda não aprofundaram a discussão sobre os direitos da mulher. Pelo contrário, a maior parte pensa que esse é o normal. 

Ao ser perguntada sobre porque uma sociedade tão conservadora também sexualiza personagens de animes, ela responde que ainda não existe uma resposta concreta. Entretanto, voltando um pouco na história do país, é possível observar alguns pontos que dão pistas de onde esse comportamento veio.

Começa na era Meiji, que iniciou em 1868, quando o Japão pressionado pela expansão do capitalismo abriu sua economia para o mundo ocidental. Segundo Simonia, quando as mulheres japonesas entraram em contato com as mulheres ocidentais, principalmente as europeias, elas tomaram como beleza o biotipo das estrangeiras. Uma das consequências disso foi a sexualização de si mesma. Por exemplo, para tentar aumentar os seios, buscaram métodos como usar roupas decotadas.  

Todavia, esse novo desejo entrou em conflito com as tradições e tendências foram criadas. Simonia explica que na década de 90 com o desenvolvimento da Internet, os japoneses passaram a ter mais contato com a cultura ocidental. Dessa forma, as mulheres perceberam diferenças no modo como o homem ocidental tratavam as mulheres e como os homens japoneses as tratavam.

O carinho japonês, conta a professora, é, de certa forma, agressivo e quando viram o carinho ocidental (como o de um homem de filmes hollywoodianos), passaram a repreender os japoneses pela forma brusca como demonstravam amor. 

Em busca de um parceiro ocidental, as japonesas começaram a mudar sua postura. Passaram a buscar uma profissão e a independência financeira, pois concluíram que seria assim que conquistariam os gringos. 

Por outro lado, o homem japonês passou a se sentir abandonado. No Japão, não é aceitável que mulheres ganhem mais do que homens, pois é dever dele sustentar a família. Além disso, começaram a se incomodar com a voz feminina. Para eles era inaceitável que a mulher não seguisse os padrões de comportamento e estéticos pré-determinados. 

Foi daí que se fortaleceu o fetiche do homem. O sexo ficou um pouco de lado, para dar espaço a carência, levando a situações extremas como o mercado de pernas para abraçar, entre outros produtos.

Ao mesmo tempo, as mulheres descobriram uma nova forma de se expressarem. Para burlar as regras sociais, passaram a se mostrar de forma diferente conforme o ambiente. Simonia fala, que “esse outro lado japonês [da mulher] é: ‘enquanto estou vivendo na sociedade eu sou recatada, mas quando estou com meus amigos, estou fora do nicho disciplinado japonês, que pensam como eu e que são como eu, vou ser sexualizada, quero ser sexualizada’, não são todas, mas é a maioria.”

Em contrapartida, as chances delas conseguirem casar com um ocidental eram poucas. Inclusive, porque a cultura japonesa não aceita facilmente relacionamentos com pessoas de outra nacionalidade. Todavia, uma mulher independente e usando roupas decotadas não atrairia o homem japonês e outra tendência nasceu. 

Foi assim que nasceu a moda kawaii. Simonia não sabe afirmar se foi o kawaii que copiou a cultura japonesa ou se foi o contrário. Mas as mulheres passaram a usar roupas e maquiagens para transparecer fofura e fragilidade. 

Isso, segundo a pesquisadora, é outra contradição dentro da sociedade. Ao mesmo tempo que as mulheres querem se sexualizar, elas querem mostrar fragilidade e vulnerabilidade. Ainda não existe uma conclusão certa para isso, mas Simonia diz que na visão dela, os japoneses são 8 ou 80. Talvez isso explique, mesmo que superficialmente, porque as japonesas vivem essa ambiguidade. 

No Brasil, apesar de não haver uma pesquisa específica para isso, pode-se observar um grupo considerável de consumidores de animes e mangás que se incomodam com o assunto. Mesmo assim, continua sendo consumido tanto quanto no Japão. 



 

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“Mais um tiro no pé do governo”, afirma chargista que teve publicação investigada após associar o Presidente Bolsonaro à suástica nazista.
por
Carlos Kelm
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08/04/2021 - 12h

“Algumas pessoas começaram a me mandar solidariedade no zap”, Renato Aroeira conta que ficou incrédulo ao descobrir sobre o caso pela internet. Após se inteirar, o chargista revela que sentiu pânico: “eu não tenho nem advogado”.

 Mais tarde, foi surpreendido novamente, desta vez por pessoas oferecendo ajuda: “Dez advogados apareceram, todos de escritório grande, se colocando à disposição, e eu descobri que existe uma rede de solidariedade funcionando no Brasil há um tempo”

O caso passou a ter ainda mais repercussão após outros cartunistas se juntarem para fazer suas próprias versões da charge original; a nova proposta recebeu o nome de Charge Continuada. “Na evolução disso, a Charge Continuada gerou centenas e centenas de desenhos”

Em pouco tempo, diversos jornais, intelectuais e escritores já haviam declarado apoio a Aroeira. “Aos poucos fui descobrindo que foi um grande tiro no pé e que a capacidade da sociedade de reagir a alguns absurdos é muito rápida”, comenta.

Recentemente, o inquérito aberto pelo ministro da Justiça André Mendonça foi arquivado pelo MPF, em defesa da liberdade de expressão do chargista. Após esse desfecho, Aroeira reafirma seu posicionamento: “O presidente da República pede para a sua massa apoiadora invadir um hospital, a gente só vê isso no fascismo”

O chargista ainda compreende as consequências positivas do ocorrido: “Isso trouxe, na verdade, a discussão sobre a Lei de Segurança Nacional, que é um absurdo e não deveria existir”. Atualmente, o STF discute uma possível mudança na referida lei.

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