Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Artista gráfico consagrado por ilustrar mais de 450 capas de álbuns, morreu aos 76 anos após complicações por conta de um infarto.
por
Ana Kézia Andrade
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29/03/2022 - 12h

 

Elifas Vicente Andreato, nasceu em 22 de Janeiro de 1946 na cidade de Rolândia no Paraná. Era reconhecido pelo traço marcante e original. O artista paranaense trabalhou na capa de diversos álbuns para Martinho da Vila, Chico Buarque, Caetano Veloso e nomes importantes que compõem o cenário da Música Popular Brasileira. Além de artista gráfico, ilustrador e diretor de arte, Andreato trabalhou como escultor; cenógrafo, roteirista e diretor de shows de MPB e programas de TV; cenógrafo teatral; jornalista e editor.

 

Dono de uma linguagem visual pautada em cores vivas e formas que retratam a imagem do povo brasileiro, Elifas deixa para a cultura brasileira um legado iniciado no começo dos anos 70, acompanhou a evolução digital e tecnológica da música e da arte até o fim da vida. 

 

Em 2012, produziu a obra “A verdade ainda que tardia”, a pedido da Comissão Nacional da Verdade para retratar a realidade das torturas ocorridas na ditadura militar. Denunciou, através de sua arte, o assassinato do Jornalista Vladimir Herzog. Em 2015, a arte que estava exposta nos corredores da Câmara dos Deputados foi arquivada sob o pretexto de falta de espaço na exposição permanente do local.

 

Um de seus últimos trabalhos foi feito para a PUC-SP, Elifas foi responsável pela arte exclusiva para a celebração pela volta das atividades presenciais dos campi da faculdade, inspirada na Semana de 22. A obra intitulada Arte do reencontro é caracterizada por cores fortes, calor humano e traços de conjunção. 

 

A confirmação da morte foi divulgada pelo irmão do artista, Elias Andreato, através de perfil no Instagram. Elifas estava internado desde a semana passada, em decorrência de um infarto. O corpo será cremado às 16h desta quarta-feira (29) no Crematório Vila Alpina, na Zona Leste da capital paulista.

Começando em 22 de abril, os desfiles voltam exprimindo ansiedade tanto no público, quanto nas escolas.
por
BEATRIZ PRETO GABRIELE, GUILHERME DEPTULA ROCHA, RAFAEL DUARTE CASEMIRO 
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29/03/2022 - 12h

Logo depois do carnaval de 2020, a pandemia de Covid-19 nos privou da festa mais popular do Brasil. Mesmo que a Covid continue presente, 2022 é um ano marcado por recomeços: público nos estádios, liberação do uso de máscaras e o retorno dos desfiles das escolas de samba. 

No estado de São Paulo, cada município teve a liberdade de cancelar ou adiar as apresentações das escolas de samba. A capital optou pelo adiamento, iniciando os desfiles no feriado de Tiradentes (21). A decisão da prefeitura dividiu opiniões dentro do mundo carnavalesco. 

“Ficou estranho o carnaval fora do mês habitual” afirma Samantha Prado, uma das participantes da tradicional Vai-Vai, mas ressalta “Concordo com o adiamento pelas questões de estabilização da pandemia. A meu ver, favoreceu as escolas ‘para’ se organizarem melhor para o desfile, mesmo porque em meados de 2021 estava tudo ainda muito incerto”. 

Aqueles que concordam com o adiamento do carnaval na capital, como Samantha, acreditam que o momento ainda não era de comemoração. Mas, desfilando desde 2015, ela sentiu a ausência da festa “Um ano sem Carnaval deixou a sensação de estar faltando algo para o ano começar de fato”.  

Em entrevista, o presidente da escola de samba União da Vila Rio Branco, de Jundiaí, Edison Luiz Pereira, conhecido como ‘Zé Prego’, afirma que a cidade do interior de São Paulo não realizará os desfiles devido a pandemia, “Já estamos pensando no ano que vem”. E acrescenta, “a prefeitura está mudando o sistema de rapasse de subvenção, as escolas não recebem da mesma forma que recebiam (...) e com a crítica da opinião pública, as pessoas não entendem o porquê que se repassa dinheiro para as  escolas de samba.”  

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União da Vila Rio Branco, umas das maiores escola de samba de Jundiaí, desfilando.  

E, além do desincentivo da prefeitura, Zé Prego comenta sobre a falta de patrocinadores. “Assim... patrocínio em Jundiaí é difícil porque o carnaval daqui é pouco explorado pelas empresas (...) pode ser que a partir de agora a gente passe a se preocupar um pouquinho mais com isso.”  

Na cidade de São Paulo o desfile começa no dia 22, às 23h15, no sambódromo do Anhembi, com a Acadêmicos do Tucuruvi. E termina na madrugada de sábado para domingo, com o Império da Casa Verde, às 5h da madrugada. Os ingressos estão à venda no site Clube do Ingresso. Confira as informações do desfile abaixo. 

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O mestre de sala, Pingo, e a porta-bandeira, x, desfilando pela Vai-Vai em 2010, no Sambódromo do Anhembi. (FOTO: Léo Pinheiro) 

Datas e Horários dos desfiles: 

Sexta-Feira: 22 de abril 

23h15 – Acadêmicos do Tucuruvi: “Carnavais…De lá pra cá o que mudou? Daqui pra lá o que será?” 

00h20 – Colorado do Brás: “Carolina – A Cinderela Negra do Canindé” 

01h25 – Mancha Verde: “Planeta Água” 

02h30 – Tom Maior: “O Pequeno Príncipe no Sertão” 

03h35 – Unidos de Vila Maria: “O mundo precisa de cada um de nós” 

04h40 – Acadêmicos do Tatuapé: “Preto Velho. Conta a saga do café num canto de fé” 

05h45 – Dragões da Real: “Adoniram” 

Sábado: 23 de abril 

22h30 – Vai-Vai: “Sankofa” 

23h35 – Gaviões da Fiel: “Basta!” 

00h40 – Mocidade Alegre: “Quelémentina cadê você?” 

01h45 – Águia de Ouro: “Afoxé de Oxalá – No ‘Cortejo de Babá’, Um Canto de Luz em Tempo de Trevas” 

02h50 – Barroca Zona Sul: “A evolução está na sua fé… Saravá Seu Zé!” 

03h55 – Rosas de Ouro: “Sanitatem” 

05h – Império de Casa Verde: “O poder da comunicação: Império, o mensageiro das emoções” 

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Após dois anos, o evento marcou a volta dos festivais em São Paulo após a flexibilização das medidas contra a Covid-19
por
Juliana Mello
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29/03/2022 - 12h

 

Lollapalooza Brasil 2022 é marcado por grandes shows e atos políticos

                                         Após dois anos, o evento marcou a volta dos festivais em São Paulo após a flexibilização das medidas contra a Covid-19

 

Por: Cecília Mayrink O’Kuinghttons, Diogo Moreno Pereira, Giuliana Nardi e Juliana Mello

 

O Lollapalooza Brasil é um dos maiores e mais esperados festivais de São Paulo. Suspenso desde 2020, em decorrência da pandemia da Covid-19, no ano passado foi remarcado e ocorreu neste final de semana, nos dias 25, 26 e 27 de março, no Autódromo de Interlagos, inaugurando assim, a volta dos grandes eventos na cidade. Segundo a organização do festival, ao longo das três datas, 302.235 pessoas estiveram presentes no local, sendo o sábado o dia que mais concentrou o público.

 

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Primeiro dia do Lollapalooza - Reprodução: Arquivo Pessoal

 

O festival contou com diversas atrações, tanto nacionais, quanto internacionais. Na sexta-feira (25) o headliner da noite foi a banda norte-americana The Strokes, donos dos hits Reptilia e Last Nite. No mesmo dia, ocorreram shows de Pabllo Vittar, após a pausa no cronograma devido às condições meteorológicas e a forte chuva que caiu em Interlagos e a consequente paralisação das apresentações por mais de duas horas. Pabllo fez um show cheio de atos políticos e presença de palco. O dia também teve apresentações dos artistas Machine Gun Kelly, Doja Cat e o DJ Alan Walker.

 

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Julian Casablancas, vocalista do The Strokes - Reprodução: Instagram (@aradiorock)

 

No sábado (26), não ocorreu nenhum imprevisto de paralisação dos shows devido ao clima, então não houve cancelamento de apresentações. A headliner da noite era a cantora Miley Cyrus, ídola da geração 2000 a 2010, performando suas músicas acompanhada por um público apaixonado. Seu show contou com a presença da brasileira Anitta, cantando seu sucesso “Boys don’t cry” junto com a plateia. O dia contou com shows dos brasileiros Jão, Emicida e Alok e também, da canadense Alessia Cara e do norte-americado ASAP Rocky. 

 

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Miley Cyrus - Reprodução: Instagram (@mileycyrus)

 

Chegando no domingo (27), último dia de festival, o clima não foi favorável com Interlagos, pois as ameaças de tempestade fizeram com que a organização paralisasse as apresentações novamente por quase duas horas. Por conta dessa interrupção, o show da banda Planta e Raiz e do cantor Rashid foram cancelados. A programação foi retomada com a banda Fresno, um grupo de rock muito presente nos anos 2000. O headliner da noite seria a banda Foo Fighters. Entretanto, com a morte do baterista Taylor Hawkins, na Colômbia, dois dias antes de tocarem no Brasil, a banda teve que cancelar o restante da turnê. Para substituí-los, a organização conseguiu artistas como Emicida, Mano Brown, a banda de rock Ego Kill Talent e outros para fazer um show em homenagem ao artista falecido. Lagum, Cat Dealers, Martin Garrix e Gloria Groove também fizeram apresentações incríveis durante o dia.

 

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Show de Homenagem ao Taylor Hawkins - Reprodução - Instagram (@aradiorock)

 

Além dos brasileiros citados acima, o Palco Adidas, recebeu a participação de Djonga, um rapper super engajado em causas sociais, tais como o racismo e a violência policial nas favelas. O show foi um espetáculo de muita indignação com a atual situação política do Brasil. 

 

O evento acompanhou os decretos estabelecidos pelo Estado de São Paulo em relação aos protocolos de segurança contra a Covid-19 e decidiu que não seria obrigatório o uso de máscara durante o festival, apesar de o recomendarem. Entretanto, foi exigido na entrada do autódromo o comprovante de vacinação contra a doença com ao menos duas doses e um documento com foto. 

 

Isabella de Marco compareceram sábado no festival para assistir a Miley Cyrus e conta que na entrada do evento lhe solicitaram a carteira de vacinação, o que ela considerou prudente e importante, levando em conta o atual momento da pandemia no país: "Esperamos dois anos pelo dia de hoje e estou muito feliz de finalmente estar aqui. Achei a fiscalização das doses da vacina muito bem feita e checaram com cuidado os documentos de forma efetiva”. Já em relação ao uso das máscaras, de Marco observou que poucas pessoas as estavam usando: “Pelo que vi, a maioria dos que adotaram seu uso foram os funcionários dos estabelecimentos de comida, os vendedores ambulantes e algumas pessoas dos guichês da bilheteria”. Apesar de ser uma aglomeração de tal dimensão, a entrevistada diz se sentir mais segura para ir agora aos shows por já estar imunizada e que valeu a pena comparecer ao festival. 

Um dos marcos dessa edição do festival foram as infundadas tentativas de censura impostas pelo partido de Jair Bolsonaro (PL), que após ser criticado pela grande maioria dos artistas que se apresentaram entre sexta e sábado, resolveu acionar o TSE com o intuito de barrar quaisquer manifestações contrárias à atual administração do governo. O que desencadeou essa ação foi a declaração aberta da cantora Pabllo Vittar de preferência de voto ao ex-presidente Lula, nas já não tão distantes eleições presidenciais de 2022. A artista desfilou com uma bandeira estampada com o rosto do político no final de sua apresentação e gritou “Fora Bolsonaro”, que ecoou em toda a multidão de seu público.

 https://lh3.googleusercontent.com/Zq9wDKhwTvqXZdj3ccGISFwVye1-2ClPJDGt0559A-gbppuDFun0-iZM1HtVUKMpy-aUzH66yKCDNrn-inyCTzqiBXwKj2qHbcxDDqHsKKDbsMV0DgkEjBAw8gAYii2VXu6OFWUp

Pabllo Vittar levantando a bandeira com o rosto do ex-presidente Lula - Reprodução: Instagram @ptsaopaulo

 

No domingo de manhã já circulava a notícia da ameaça aberta ao direito de expressão dos artistas, que, por sua parte, fizeram questão de rebater o ato, mesmo sob a recente ameaça de multas e problemas legais. Lulu Santos, Fresno e Djonga iniciaram o último dia do festival utilizando seu espaço, voz e influência para protestarem contra o governo, puxando coros e palavras de ordem contundentes. Tais atitudes culminaram em uma impressionante e organizada resposta dos artistas no especial e emocionante show de fechamento da noite. A mensagem passada era simples e foi ouvida por todo o país na noite de domingo: votar e incentivar uma mudança a um país possível e melhor.

 

 

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Marcelo Forlani do “Omelete” e Márcio Sallem do “Cinema com Crítica” deram suas opiniões sobre quem eles acham que leva o prêmio nas principais categorias
por
Arthur Pessoa e Bruna Damin.
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25/03/2022 - 12h

Oscar 2022: saiba mais sobre os possíveis ganhadores das estatuetas. 

Marcelo Forlani, do “Omelete”, e Márcio Sallem, do “Cinema com Crítica”,  deram suas opiniões sobre quem eles acham que levam os prêmios nas principais categorias.

Por: Arthur Pessoa e Bruna Damin.

O Oscar 2022 acontecerá neste domingo (27) a partir das 20 horas na TNT, TNT Series e no streaming da Globoplay, com acesso aberto para não assinantes. Para os cinéfilos de plantão, este é um dos momentos mais esperados no ano, e por causa disso a Agência Maurício Tragtenberg trouxe aos apaixonados das telonas um guia sobre a 94° edição, para isso, contamos com a ajuda dos entrevistados: Marcelo Forlani, co-fundador do Omelete.com.br, site sobre cultura pop, e da “CCXP”, a Comic Con Experience, juntamente com Márcio Sallem, do “Cinema com Crítica”. 

 

Marcelo Forlani (imagem Instagram: @forlani) e Márcio Sallem (imagem Twitter: @marciosallem).

MELHOR FILME

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy). 

    De acordo com Sallem: “o favoritismo é com larga vantagem ‘Ataque dos Cães’, que tem uma reputação muito forte”. Sendo importante ressaltar que, nesta categoria, o “Ataque dos Cães'' lidera o ranking de indicações, somando 12, além de ter ganhado prêmios como o BAFTA, de melhor filme, e o Globo de Ouro.Forlani também compartilha da mesma opinião: "não é o meu favorito, mas é o favorito para ganhar”.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Ataque dos Cães.

MELHOR DIREÇÃO

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

      Nesta categoria, Jane Campion já fez história somente por ser indicada, ela é a primeira mulher na história a ter 2 indicações para a categoria de melhor direção, “infelizmente a gente acaba sendo privado de um monte de histórias diferentes, por ser uma indústria tão machista” completa Forlani, citando Campion como favorita na categoria, também por já ser reconhecida por seu trabalho com “O Piano”, Sallem acredita que ela deverá fazer história novamente por ser a terceira mulher a vencer na categoria.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Jane Campion (Ataque dos Cães).

MELHOR ATRIZ

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    Sallem fala que essa categoria é imprevisível, devido ao fato de que nenhuma das atrizes, consideradas favoritas, foram indicadas ao prêmio do sindicato dos atores. Ele acrescenta que “antes do começo da temporada de premiações, a Kristen Stewart era dada como vencedora certa”, mas quem está um pouco à frente das demais é a Jessica Chastain, de “Os Olhos de Tammy Faye”.

    Forlani, do Omelete, pensa na Kristen e na Penélope Cruz como dois azarões. “Quem eu vejo como favorita é a Olivia Colman, Jessica Chastain vem em segundo e Nicole Kidman em terceiro", diz ele.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Olivia Colman (A Filha Perdida). 

MELHOR ATOR

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

Em entrevista, Marcelo Forlani disse que o principal candidato a levar uma das estatuetas mais prestigiadas da noite é Will Smith, por seu trabalho em “King Richard”. Palavras do cofundador do Omelete: “ele (Will Smith) é o favorito para ganhar. (..) Ele soma o carisma dele, que é gigantesco. Se for considerar o carisma dele de hoje em dia, fica ao lado do Tom Cruise, ele está neste patamar. (...) Tenho alguns problemas com a história (do filme ‘King Richard’), pois acho que as filhas deveriam ser as protagonistas, não ele. Mas de tudo isso, a atuação é maravilhosa”. 

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Will Smith (King Richard).

MELHOR ANIMAÇÃO

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    A categoria em questão abrange todos os públicos dentro do Oscar, e a Disney vem monopolizando os prêmios desde o início, dentre 20 estatuetas distribuídas, 14 foram para a Disney e a Pixar (adquirida pela Disney). Porém, Sallem comenta que a mesma vem se envolvendo em polêmicas: “a Pixar acusou a Disney de estar sendo hipócrita… Ela estaria apoiando uma lei homofóbica no Estado da Flórida e também teria podado a construção de reações de afeto possivelmente LGBTQIA +", portanto, o entrevistado acredita que isso abre uma porta para que “Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” possa ganhar, porém, ainda pensa em Encanto como favorito.

    Já Forlani, pensa na animação da família Michell como favorita da categoria, por trazer uma linguagem diferente e por ter sido lançada pela Netflix, “é meu favorito e eu espero que seja o vencedor", diz ele.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Encanto.

MELHOR FILME INTERNACIONAL

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    Drive My Car é o principal favorito, de longe, para ganhar a estatueta de melhor filme internacional. A obra japonesa conta com 4 indicações ao Oscar, mais do que qualquer outro concorrente nesta categoria, sendo mais um filme do leste asiático com grande destaque na principal premiação cinematográfica do mundo.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Drive My Car (Japão).

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    Nesta categoria, Adriana DeBose é a grande queridinha da vez, cantando, dançando e atuando muito bem em “West Side Story” (Amor, Sublime Amor). DeBose compete fielmente com Aunjanue Ellis, de “King Richard”, que também rouba muito a cena no longa.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Adriana DeBose (Amor, Sublime Amor).

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    Como melhor ator coadjuvante, temos indicados que fizeram um trabalho incrível e conseguiram transmitir seus papéis de maneira comovente. Acredita-se que os principais nomes são: Kodi Smit-McPhee (Ataque dos Cães), Troy Kotsur (No Ritmo do Coração) e Ciarán Hinds (Belfast).

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Troy Kotsur (No Ritmo do Coração).

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    “Ataque dos Cães”, “No Ritmo do Coração” e “Drive My Car” concretizam-se como os principais longas concorrendo à estatueta dourada.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: No Ritmo do Coração (CODA).

 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

    A categoria de melhor roteiro original conta com excelentes trabalhos de Kenneth Branagh, Adam McKay e Paul Thomas Anderson, sendo então uma das categorias de mais alto nível desta edição.

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up).


 

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

Esta certamente é uma das principais categorias do Oscar, pois todo o público adora esses efeitos mirabolantes que vemos nas telas, e neste ano há diversos candidatos com boas chances de levar a estatueta, deixando a disputa ainda mais acirrada. 

Esta é a única categoria que o filme mais visto no ano, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” concorre na premiação. Para falar sobre isso, Marcelo Forlani “bla bla bla”. Já o Márcio Sallem “bla bla bla”

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Duna (Dune).

 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: “No Time To Die”, 007 - Sem Tempo Para Morrer, por Billie Eilish e Finneas O’Connell.

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Indicados categoria Oscar (imagem: Twitter @TheAcademy).

-Palpite Agência Maurício Tragtenberg: Duna (Dune).

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Jeff e Lucas cultivam expressões culturais nacionais para dar forma a uma espiritualidade ainda muito espelhada em padrões eurocêntricos
por
Ligia de Toledo Saicali
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20/12/2021 - 12h

 A crença em forças ou entidades metafísicas que expliquem a origem e a organização do mundo sempre se mostrou presente no curso da humanidade. Ainda anteriores às grandes religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo), as mitologias politeístas foram as pioneiras na construção da fé de diversos povos, como gregos, romanos, egípcios, nórdicos, entre outros. Além disso, o hinduísmo, as espiritualidades indígenas, bem como as de matriz africana, são práticas que perduram e resistem ao apagamento cultural, principalmente pela ocidentalização cristã.

 

  Contudo, a bruxaria, paganismo, ou “antiga arte”, é uma das espiritualidades mais duradouras e exploradas no sentido cultural (e, até mesmo, comercial). Com o passar do tempo, as práticas bruxas foram se reinventando e sendo interpretadas de diversas maneiras, fosse de modo ritualístico e sagrado, ou preconceituoso, como uma “ameaça” à ordem social, principalmente durante a Idade Média. Inúmeros “subversores”, em especial, mulheres curandeiras e cientistas, foram acusados de bruxaria; estima-se que 50 mil pessoas foram condenadas à morte até o século XVIII por essa justificativa.

 

  Na contemporaneidade, a bruxaria ganha uma nova roupagem. O escritor, antropólogo amador e bruxo ocultista Gerald Gardner (1884-1964) foi um dos grandes responsáveis pela retomada das práticas bruxas de maneira popular e um dos pioneiros da principal vertente moderna, a Wicca. Em 1986, Raymond Buckland (1934-2017) foi o primeiro bruxo a se considerar como wiccano publicamente, e escreveu “O Livro Completo de Bruxaria de Raymond Buckland” baseado em seus estudos com Gardner, uma das maiores obras do neopaganismo, sendo a líder de vendas na Amazon dentro da categoria “Wicca, Bruxaria, Religião e Espiritualidade”.

 

  No Brasil, um país predominante cristão, com um notável histórico de intolerância religiosa (principalmente com crenças de matriz africana), a discussão acerca da bruxaria cresce, mas ainda com pouco espaço. A banalização dos ensinamentos bruxos também ocorre e se mescla com a construção do “jovem místico”, perdendo seu valor político e social, tão evidente em épocas mais remotas. A positividade tóxica com ausência de recortes sociais e o falso transcendentalismo buscam esvaziar ainda mais os princípios da antiga arte e incorporá-la ao atual mundo capitalista.

 

  Na contramão dessa tendência, Jefferson Paixão e Lucas Souza trabalham para desconstruir (e reconstruir) concepções sociais em torno da bruxaria e informar de modo responsável e acessível através do perfil conjunto no Instagram @_bruxedo. Jeff e Lucas - como são conhecidos na plataforma -, estão juntos há dez anos e trazem ao público um neopaganismo que considera questões sociopolíticas sob a perspectiva de um casal gay, interracial e periférico. Além do perfil, o Bruxedo (como a dupla também é nomeada) oferece consultas de tarot, produzem música com temáticas místicas para as plataformas digitais e recentemente fizeram uma parceria com a editora de livros “DarkSide Books”.

 

AGÊNCIA MAURÍCIO TRAGTENBERG - Vocês podem contar um pouco da trajetória de vocês, sobre os caminhos que os levaram até aqui?

 

JEFF E LUCAS - Nessa nossa jornada, a gente tem muito de arte, ela sempre fez parte da nossa vida. E em uma questão de espiritualidade, a gente se encontrou na bruxaria, que entendemos como uma forma alternativa, porque no passado ela foi conhecida como a “antiga arte”, a grande arte. A bruxaria fala sobre o cuidado com a terra, sobre a manipulação de ervas, sobre muitas coisas que, no passado, foram conhecidas como arte. Nem sempre essa foi a forma de expressarmos nossa espiritualidade. Nós éramos cristãos no começo, missionários da Igreja Protestante, que foi onde a gente se conheceu enquanto melhores amigos, e fazíamos parte de uma companhia de artes que realizava projetos sociais. Desse diálogo, desse aprofundamento da nossa relação, começamos a descobrir a nossa sexualidade e, dentro da religião que a gente tinha, não fomos abraçados. Então, começamos a buscar formas de conhecer e construir nossa própria identidade e isso foi levando a gente para outros caminhos e outras possibilidades de ser, enquanto ser humano, enquanto pessoa e na nossa espiritualidade. Nessa busca, a gente se deparou com a bruxaria, e o que chamou muito a nossa atenção é que existe um texto sagrado chamado “Carta da Deusa”e em um trechinho é dito que “todas as formas de amor e prazer são iguais à Ela”. E aí a gente se sentiu abraçado, acolhidos, realmente representados. Nós somos um casal LGBT, interracial, periférico e dentro de todos esses recortes, a gente encontrou na bruxaria o reflexo de quem somos.

 

AGE - Vocês lançaram um álbum de músicas recentemente, em meio à pandemia. Como foi a produção, desde o financiamento até as composições?

 

J&L - Há processos para criar uma bruxaria brasileira, sem ser o reflexo de uma bruxaria europeia, eurocentrada. Ela é um movimento que acontece em todo mundo. O Brasil  ainda é muito carente nessa questão de músicas, conteúdos literários, bebemos muito de fora para construir aqui dentro. Aí a gente entendeu que havia a possibilidade de contribuir e criar algo para a bruxaria, que nos abraçou. A forma de retribuição foi entregar a nossa arte. Então, eu, enquanto cantor, e o Lucas, enquanto músico e produtor, a gente se uniu, mais uma vez, para construir esse álbum. Tem uma sonoridade bem moderna, a gente traz ritmos e instrumentos que façam com que a gente enxergue essa espiritualidade no dia a dia, não só em um momento ritualístico e litúrgico. Todo processo de criação, composição, melodia, masterização, captação vocal, foi o Lucas quem fez, e eu tive minha contribuição vocal e escrita das letras, tudo isso dentro de casa. Então foi um processo bastante desafiador, a gente não podia usar recursos de estúdio. Tivemos que nos reinventar, se profissionalizar e criar esse álbum do zero, materializar o projeto quase como uma mágica.  

 

AGE - Existem muitas diferenças entre a bruxaria antiga e a sua releitura moderna?

 

J&L - Falando de práticas, a gente tem a bruxaria moderna enquanto uma referências do paganismo antigo, resgatando esses caminhos ancestrais, mas ressignificando para o nosso tempo. Então esses saberes rompem com a ideia de religião e espiritualidade patriarcal, ainda muito fortalecidos hoje em dia, enquanto retomamos a herança ancestral. A gente tem, por exemplo, a ideia de bruxaria como respeito aos ciclos da natureza. O paganismo vem do povo do campo, um povo que vivia longe da sociedade que estava sendo criada e desenvolvida em tempos passados. Eles tinham esses saberes, a conexão com a terra, na questão do plantio, colheita, na observação do Sol, da natureza, desses ciclos que eram a totalidade da vida. Aí temos essa transição de feudalismo para capitalismo, com uma sociedade no avanço científico, com maiores poderes do Estado e o fortalecimento da Igreja enquanto religião dominante. A bruxaria é o rompimento desses padrões e a busca desses saberes para muito antes desses processos, com uma observação de como era a vida daquele povo, sua organização social, o cuidado ambiental, que a gente traz para esse momento. Em relação às práticas, há mudanças, mas a gente mantém a simbologia. Naquele tempo, a rotina de vida era outra. Hoje, temos pautas emergenciais que são diferentes daquela época. Estamos ressignificando tudo isso.

 

AGE - Diante do processo de urbanização e o afastamento humano da natureza, como fica o exercício da bruxaria, em que a conexão com a Terra é prejudicada?

 

J&L - Não temos essa separação entre eu, bruxa e espiritualista, e eu, cidadão e pessoa. A gente vive nesse mundo capitalista que realmente não enxerga a natureza como sagrada, divina, e o ser humano não se enxerga como parte dessa natureza. Existe um Ocidente muito fundamentado numa estrutura religiosa que diz que o homem deve dominar a natureza, que ele é superior a ela. Nesse estado de superioridade, ela é colocada como nossa serva, sendo que é totalmente o contrário. A bruxaria entende o planeta como a “Mãe Terra”, sendo o próprio corpo da Deusa. Então, quanto mais eu vou utilizando esses recursos, explorando, eu estou ferindo o corpo da divindade que eu cultuo, o que acaba sendo contraditório. A gente traz, como criadores de conteúdo, a espiritualidade dentro de recortes sociais, movimentos políticos, e, dentro dessa militância, trazemos pautas como essa. Se a bruxa se conecta com o poder da Terra, tem a conexão com os cristais, com as ervas, incensos, então ela também tem que cuidar, ser uma zeladora, sabendo ser uma extensão dela. Porque é o nosso lar, que nos comporta, nossa referência de sagrado. Ninguém joga lixo dentro da Igreja, por exemplo, porque é um lugar considerado sagrado. Então, se entendemos que o planeta é sagrado, a gente não vai jogar lixo na rua.

 

AGE - Como é a relação da bruxaria com a ciência?

 

J&L - Em um contexto geral de espiritualidade, essa questão científica é bastante problemática. Quando falamos de caça às bruxas, a gente tem um movimento de inquisição em que, como falamos antes, o Estado comanda, o cristianismo é a religião dominante e a ciência, principalmente a medicina, se fortalece. E esses pilares se unem para minar qualquer outra forma de poder, qualquer outra alternativa a esses poderes patriarcais. A gente tem a bruxa que é a curandeira, que faz os remédios, mas que também sabe fazer o veneno, ou  a parteira, que dá a vida, mas que também exerce as práticas abortivas. Então, é óbvio que existe uma ciência patriarcal, baseada no homem e em todos os processos de controle do corpo da mulher. É uma ciência que desacredita nessas práticas porque elas também refletem a sabedoria feminina, sua independência. Hoje, a gente tem uma ciência que é cética, com uma veia eurocentrada, desacreditada nesses saberes. Porém, a bruxaria não é inimiga da ciência, muito pelo contrário. Quem entende os fundamentos da magia sabe que um bebe da essência do outro, como a Alquimia, conhecimentos relacionados à Química, o aproveitamento de inúmeros pensadores e cientistas. Só que também temos problemas relacionados ao ser humano, de caráter, muitas vezes. Há um charlatanismo que usa do esoterismo, da mística, para se beneficiar, então não dá para falar em um contexto geral. Ainda não há um diálogo, infelizmente. Mas, no nosso caso, a gente mergulha muito na ciência para não se perder no meio do fanatismo, no meio da alienação. Por isso temos nossos estudos, a busca pela formação acadêmica, para podermos conciliar tudo isso.   

 

AGE - A bruxaria tem alguma explicação ou palpite para fenômenos como a Covid-19?

 

J&L - Quando a gente olha para a pandemia, precisamos levar isso sob um viés político, científico, realmente de crise sanitária. Houve uma grande problemática no começo, de discursos elitistas e negacionistas baseados numa posição de privilégio, com muitos dizendo que era uma transição planetária, uma limpeza da própria Terra, respondendo ao mal que o ser humano fazia. Só que o problema de tudo isso é que a maior parte das pessoas que foram afetadas pela pandemia são as marginalizadas, em lugares de vulnerabilidade, periféricas. A gente tem aí um problema estrutural que não deve ser respondido com espiritualidade. A espiritualidade pode se responsabilizar em uma questão humanitária, de comprometimento no âmbito social, com suporte, auxílio a quem precisa. Se a espiritualidade quiser responder a isso, que seja em movimentos de oferecer abrigo, alimentação, cuidados que se movam nesse sentido.

 

AGE - Existe atualmente uma banalização das práticas bruxas, uma leitura de modo superficial?

 

J&L - A gente teve com os "millennials" um movimento que começa a romper com a religião, de entender a espiritualidade fora dela. Tem um desligamento da necessidade religiosa, de nascer dentro de uma religião e entender que ela é a resposta para todas as coisas. Dentro da geração Z, principalmente, existe essa emancipação e ocorre a busca por uma espiritualidade mais objetiva, mais individualizada, baseada no autoconhecimento, dentro de recortes sociais. Porém, o que existe de falha nesse processo é não respeitar as bases, os fundamentos. Então, nós utilizamos os pilares das espiritualidades passadas para conseguir um legado que contribua para as próximas gerações de maneira mais consciente, desconstruído daquilo que é tóxico, daquilo que é destrutivo. Existem, sim, algumas problemáticas. Por exemplo, círculos de sagrado feminino que são totalmente elitizados, voltados para mulheres brancas, cis, heterossexuais, que excluem outras mulheres. Há também os eventos ritualísticos que acontecem em regiões de cenários paradisíacos extremamente caros, com uma falta de acesso a pessoas que estão na periferia, que não tem recursos e batalham no seu dia a dia para conseguir um alimento ou pagar um aluguel. Tem o charlatanismo de pessoas que se auto proclamam terapeutas, sacerdotisas, que acabam tirando o cuidado profissional, ficando apenas com a questão do dinheiro e do poder. Quando a gente fala de esotérico e místico, já vem junto essa ideia de charlatanismo. A gente olha com desconfiança. Se você vai passar por uma consulta de tarô, a primeira coisa que pensa é “vamos ver se vai dar certo”, por conta dessa falta de base, profissionais, estrutura e pesquisa. Temos, sim, uma grande problemática de negacionismo, de pessoas dentro dos seus privilégios acharem que, com boas vibrações e positividade, todos os problemas do mundo vão se resolver. E isso tá muito além.

 

AGE - Como alguém que se interessa pela iniciação na bruxaria pode buscar fontes seguras de conhecimento?

 

J&L - Eu acho que, como em qualquer religião, a gente começa olhando para a vida de quem se propõe a estar na frente de tudo isso. Não é só sobre o fato de eu falar da minha espiritualidade, mas de quem eu sou no meu dia a dia, quais são os meus posicionamentos, quais são as minhas ideologias, o que eu defendo e acredito. Precisamos observar de forma humana, e não como super-herói. A gente só conhece o padre naquele momento religioso, olhamos para pastores somente durante o culto. Mas eles não são somente aquilo, é apenas uma fração. Em primeiro lugar, a gente vai olhar para a questão de caráter. Em segundo lugar, precisamos sempre pesquisar, fazer a busca, ter materiais de referência. Quando falamos de internet, precisamos observar os conteúdos, ver quem são esses criadores, os influenciadores que falam sobre isso. Quanto aos livros, a gente vai para as bases, a bibliografia, as fontes, autores e autoras. A bruxaria, assim como nas outras espiritualidades, envolve o processo de sermos eternos aprendizes. Nós temos dez anos de prática e todos os dias descobrimos como não sabemos de nada, que ainda temos muito o que aprender. A gente tem, sim, a internet, somos uma geração muito informatizada, mas é preciso ter esses cuidados com a profundidade. Entender primeiro a história, quem são as bruxas, as questões básicas, para depois se aprofundar em feitiços, rituais e etc.

 

AGE - Como vocês enxergam a percepção da bruxaria no Brasil em relação a outros países?

 

J&L - O Brasil é um país que foi colonizado, então trazemos muitas referências de fora, que são supervalorizadas. Temos um histórico de bruxaria, de caça às bruxas, mas a gente sempre se recorda somente da Inquisição ou do caso em Salém. Temos o olhar voltado para fora. Eu, enquanto pessoa negra, escolhi a bruxaria justamente por uma questão de representatividade. Existe um lugar de marginalização e exclusão da pessoa negra, em que ela obrigatoriamente precisa ser da umbanda ou do candomblé, alguma religião de matriz africana. Mas não, a pessoa negra deveria escolher qualquer espaço que ela deseja ocupar, assim como uma pessoa branca. Você não coloca a pessoa branca dentro de uma religião específica porque ela tem esse direito de transitar por qualquer lugar que ela deseja, inclusive dentro da própria umbanda, do próprio candomblé. Eu escolhi a bruxaria para ampliar essas possibilidades, para que as pessoas olhassem para mim e percebessem que ali elas estão refletidas, representadas e seguras. No Brasil, sendo um lugar fundamentalista cristão, a bruxa é o outro, o desconhecido, tudo aquilo que faz parte do ser humano e que ele tenta reprimir. Ela é lasciva, pecaminosa, tudo que o ser humano tem enquanto instinto e natureza, mas que precisa ser anulado. Então, ela é taxada como inimiga. Ainda temos muita discriminação, uma grande intolerância religiosa, um fundamento de livros religiosos que fomentam esse tipo de violência. Não temos praças com fogueiras em que se queimam pessoas, mas temos adeptos de religiões africanas que são apedrejados em público. Não temos os mesmos direitos. Ainda é um cenário em construção, engatinhando.

 

AGE - Quais realizações vocês ainda querem alcançar? Como casal, criadores de conteúdo, músicos…

 

J&L - A gente não tem muito uma separação entre a nossa vida pessoal, do nosso trabalho ou tudo que a gente faz juntos. Então, criamos o Bruxedo como uma identidade que pudesse abraçar todas as nossas possibilidades de ser e nossas manifestações de identidade. A cada momento a gente tá incumbido dentro de um projeto totalmente distinto um do outro. Em um momento estamos focados na produção de um álbum musical, depois a gente tá criando um evento, uma produção de cursos e workshops, depois a gente se envolve com a arte em um sentido artesanal. Atendemos às necessidades da comunidade mística brasileira e nos dedicamos, dentro das nossas limitações, a contribuir com uma iniciativa de fácil acesso à informação, com bases sérias, sólidas, com referências. O que a gente realmente deseja, de todo coração, é a inclusão, essa representatividade. Que a gente continue sendo útil para trazer esse direcionamento para a comunidade que nos abraçou no momento em que precisávamos. E que possamos retribuir abraçando outras pessoas também. 

 

Foto destaque: Patrícia Montrase 

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