O ex-vocalista do Charlie Brown Jr., Chorão, completaria 51 anos de idade nesta sexta (9). O músico liderou a banda a um sucesso nacional astronômico desde o final da década de 90 até a sua morte, em 2013.
Alexandre Magno Abrão nasceu em 9 de abril de 1970, na cidade de São Paulo, onde residiu durante sua infância até se mudar para Santos, no litoral paulista. O curioso apelido que o acompanhou até o final de sua vida surgiu aos 14 anos de idade, criado pelos amigos que se referiam aos choros do jovem quando errava manobras em seu skate. Ali nascia o “Chorão”.
Começou sua carreira aos 20 anos, quando se juntou ao What’s Up. Nesse período, conheceu o baixista Champignon. Após o fim do grupo, a dupla buscou novos membros para a formação de uma nova banda. O conjunto foi completado por Renato Pelado (bateria), Marcão e Thiago Castanho (guitarras).
O nome Charlie Brown Jr. foi originado a partir do desenho “Charlie Brown”, que Chorão encontrou em uma barraca de água de coco. O “Jr.” significava que a banda seria a mais nova geração do rock brasileiro. O estilo musical era bem diverso, misturando elementos do hardcore e do reggae, junto com as influências estéticas advindas do skate.

A banda passou por diversas formações em sua extensa carreira, mas isso não impediu que o projeto se tornasse de grande sucesso no Brasil. Ao total, lançaram 11 álbuns de estúdio, além de três discos gravados ao vivo, recebendo títulos e premiações pelos trabalhos.
“O Chorão era um cara que entedia muito de som, sua genialidade musical era atemporal. Ele ouvia muitas músicas e tinha um ouvido muito refinado. A gente gravava a voz dele e ele já orientava as próximas coordenadas para as demais vozes. Isso era de praxe, gravávamos, ouvíamos juntos e ele, de certa forma, já pré-mixava ali mesmo”, conta André Freitas, um dos produtores do álbum “La Família 013”, em entrevista à AGEMT.
Freitas relembra como o vocalista era muito exigente e autocrítico durante as tomadas de gravação do disco. “Ele gravava um trecho, ouvia no fone, ouvia na técnica e seguia. E eu, privilegiado por estar ali, aprendi muito”.
Em 6 de março de 2013, aos 42 anos de idade, Chorão é encontrado morto em sua casa, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Após a realização do exame toxicológico do corpo, constata-se que o artista sofreu uma overdose de cocaína.
Seu falecimento acontece em meio as gravações do disco que ainda não havia sido terminado. Freitas explica que “as vozes do álbum já haviam sido gravadas previamente, inclusive, junto de algumas faixas que estavam finalizadas e prontas para serem lançadas”.
O disco “La Família 013”, divulgado em outubro de 2013, foi o último trabalho do conjunto e recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de Rock Brasileiro".
“As músicas “Fina Arte”, “Um dia a gente se encontra” e “Meu novo Mundo”, que seriam os singles do disco, foram gravadas antes”.
“Depois do falecimento dele, entramos em uma rotina: trabalhávamos todas as tardes no estúdio pegando todas as músicas no computador e cobrindo com as guitarras”, conclui Freitas.

Apesar do fim da banda santista, ainda em 2013, após a morte do vocalista, seu legado segue preservado pelos ouvidos de uma legião de fãs, como o Naderson Henrique, administrador de uma das maiores páginas de fãs do Chorão no Facebook, “O Chorão me ensinou”.
"Ele [Chorão] não pode ser lembrado apenas quando chegar esta data [falecimento], ele é muito mais do que isso. Eu queria ajudar de alguma maneira, então criei a fanpage e 'tamo aí na atividade' até hoje”, explica Henrique para a AGEMT.
Residente em Natal (RN), o administrador da página detalha o motivo de tanto carinho pelo Charlie Brown Jr.
“Não importa o meu estado emocional, sempre vou ouvir Charlie Brown Jr., o Chorão sempre tem um conselho pra te dar e a banda tem uma música pra cada momento da sua vida.” Apesar de cada um ter uma relação diferente com as obras do Chorão, não há dúvida que o músico foi uma figura inspiradora para muitas pessoas. Henrique afirma que sua maior admiração pelo vocalista é devido a sua humildade.
“Ele sabia como conversar com a gente através de suas letras, nos aconselhando a não desistir dos nossos sonhos, mesmo que ainda esteja longe, pois como ele mesmo dizia: temos que ter força, atitude, coragem, respeito...”

Em junho de 2020, o Charlie Brown Jr. se reunia para a realização de um tributo ao aniversário do Chorão, que teria completado 50 anos de idade. O grupo havia planejado uma turnê celebrativa em homenagem ao falecido vocalista para ser iniciada no mês de abril, mas, em função da pandemia de coronavírus, os shows foram adiados.
Contudo, os integrantes convidaram Egypcio, ex-vocalista da banda Tihuana, para assumir os microfones, realizando um show, transmitido através de uma live, para anunciar a adição.
“Para mim, é uma grande honra. Estarei representando um brother, com quem viajei muito pelas estradas, nos shows e festivais. Será bacana, vou dedicar todo o meu trabalho e atenção a essa tour celebrativa e espero todos vocês nos shows assim que essa pandemia passar”, diz Egypcio à AGEMT.
O conjunto santista é um conhecido de longa data do convidado. Mesmo antes de sua participação em um show do Charlie Brown Jr., em 2014, Egypcio relata diversos encontros fora dos palcos ao longo dos anos.
“Fizemos muitos shows juntos. Pertencíamos [o Tihuana e o CBJr] à mesma gravadora, a Virgin Records, que ficava no Brooklyn (Nova Iorque, EUA), e a gente se encontrava frequentemente. Todos os nossos encontros por aí eram muito bacanas, sempre com muita festa e muita risada”, conta o vocalista.
Egypcio também reconhece a importância do grupo de seus anfitriões para o cenário musical nacional e a relevância de seu front man no meio. “Um letrista que falava a língua da rua, da garotada, do skate. Tudo isso marcou uma geração”.
Assista a entrevista com Chorão, durante o programa Ensaio de TV Cultura, em 2009, quando o vocalista nos 29:17 minutos comenta a briga com Marcelo Camelo, do Los Hermanos, e se autointitula “Pedregulho do rock”.
Renato Aroeira, nascido em 18 de maio de 1954, é um chargista renomado. O mineiro de 65 anos contou um pouco sobre a sua carreira. Ao ser perguntado sobre sua entrada no ramo das charges, ele diz que sua trajetória começa no "nepotismo" antes de ingressar na carreira de cartunista, "meu pai era jornalista do jornal de Minas, e a coluna de esportes era dele", e foi aí que começou a carreira de Aroeira ilustrando a coluna de futebol.
E essa influência do futebol em sua vida, faz com que ele use muitos temas futebolísticos em suas charges.

Os desenhos dele chamaram a atenção do editor do jornal, que o chamou para fazer ilustrações políticas. Essa transição de esportes para política trouxe Aroeira ao que é hoje. Renato fez sucesso com suas charges políticas, e em 2020 ganhou ainda mais destaque. O Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos reconhece o melhor da produção jornalística em defesa da democracia, cidadania e direitos humanos e sociais. No ano passado, a comissão organizadora criou uma categoria exclusiva daquela edição para reconhecer a importância da chamada "Charge Continuada", uma série com mais de 400 desenhos que replicam uma charge inicial de Aroeira, na qual ele apresenta o Presidente Jair Bolsonaro pintando uma suástica no símbolo da saúde, o nome da categoria foi "Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado". O prêmio é dado à série de charges, porém o detentor do físico dele é Aroeira, por ser o idealizador.

Essa charge não recebeu só a premiação, mas também um processo a Renato Aroeira, a pedido do Ministro da Justiça André Mendonça. A Procuradoria Geral da República arquivou o processo que se baseava na Lei de Segurança Nacional, do tempo da ditadura civil-militar no país. Essa tentativa de censurar a arte não freou a criatividade de Aroeira, que deu continuidade a suas ilustrações, com o tom humorístico e realista de sempre.
Com pai jornalista e mãe pedagoga, Aroeira começa no mundo do cartoon ajudando os dois com alguns trabalhos de ilustração. Sua trajetória se inicia no jornal local de Minas Gerais, na coluna de esportes do pai, e a mudança do jornalismo esportivo para o político ocorre quando o mesmo é enxergado pelo editor geral do jornal que o chama para fazer alguns desenhos para a coluna política. Aroeira conta que isso foi durante o governo Geisel, e é interessante que mesmo durante a ditadura, ainda havia chargistas falando sobre política.
Renato conta que existem 3 coisas envolvidas numa charge: o que você quis dizer, o que você disse realmente, e o que as pessoas entenderam daquilo. Na hora de usar o humor para fazer uma charge é preciso ter muito cuidado pra não tocar em pontos sexistas, homofóbicos e etc. Renato diz tomar bastante cuidado com isso, e lembra de um desenho que fez para mãe retratando algumas profissões e de ter ouvido da mesma que todos os trabalhos importantes estavam retratados sendo feitos por pessoas brancas e homens, e os trabalhos considerados menos importantes, por mulheres e pessoas negras. Foi aí que ele começou a olhar profundamente para essas questões.
Quando perguntado se incorpora o ‘politicamente correto’, Renato diz que sim, que sempre toma cuidado com o tipo de abordagem, e que não faz nenhuma charge criticando mulheres, índios, gays, nordestinos e outros que ainda são oprimidos pela sociedade.
O cartunista relembra quando entrou em uma polêmica após fazer uma charge relacionando o atual presidente Bolsonaro ao nazifascismo, e diz ter lidado com a tentativa de censura do governo com sensação de incredulidade. Quando o ex-ministro da justiça, André Luiz Mendonça tuitou pedindo inquérito para apurar a charge que associava Bolsonaro, muitos advogados apoiaram Aroeira, assim como a população, que reagiu rapidamente. A procuradoria recusou o processo e o caso se encerrou. Esse episódio trouxe à cena a Lei de Segurança Nacional.
Aroeira destaca que o atual governo ataca constantemente a imprensa, e o artista diz ter medo do que o governo possa fazer, mas diz que percebe estar seguro com o poder de luta a favor da democracia que existe atualmente. Para Aroeira, é preciso sempre ir com tudo na luta contra a censura e o fascismo, pois o outro lado não vai se cansar. Durante a entrevista, o artista relembra o Prêmio Especial Continuado Vladimir Herzog, dado em 2020 para a chamada "Charge Continuada", uma série de mais de quatrocentas charges de outros artistas que replicaram o primeiro desenho feito por Aroeira e atacado pelo governo ao relacionar Bolsonaro com a suástica: “Sou o depositário, fiz junto com parceiros da Revista Pirralha.”
A intenção de publicar uma charge é uma mistura de sentimentos para o artista, “Há o querer de ser olhado pelo público, e também sentir o papel social de fazer críticas. Quero que as pessoas se divirtam, que gostem, mas que também entendam o que eu estou querendo passar. O que eu não espero, é que a charge resolva algum problema ou provoque uma revolução. As charges são uma pecinha num componente cultural. [...] As pessoas precisam compreender o mundo para poder tomar uma decisão e entender o que está acontecendo. Este é o papel da mídia, e eu sou parte dela".
Sobre o processo criativo, Renato conta que faz cerca de 15 a 20 desenhos por semana e relembra o começo da carreira, “Antes o processo era ler o jornal toda manhã, escolher um fato e fazer a charge sobre. Porém há alguns anos eu já sei mais ou menos o que quero dizer e já tenho uma noção do que eu estou enxergando. Eu escolho o aspecto da realidade daquele momento, e retrato ele.” E conta que realiza suas obras a mão e pelo computador, sempre amando a tinta nanquim e aquarela.
Durante sua entrevista, o artista relata a importância das redes sociais atualmente, “Quando comecei eram por carta, e as cartas chegavam apenas uma semana depois do caso, depois foi por e-mail e depois eram nos jornais, mas quando a charge saía já era sobre um fato de 4 dias atrás. Agora com as redes sociais tudo fica mais fácil, eu vejo o fato, faço a charge e a arte já é publicada, as pessoas rapidamente comentam pois é sobre o que está acontecendo agora. E isso é extremamente importante, ajuda muito o nosso trabalho.”
Os cartunistas são um grupo muito animado e unido, conta ele, que já trabalhou com Ziraldo, Miguel Paiva. Saxofonista, já formou banda com os cartunistas Chico e Paulo Caruso. Renato diz adorar trabalhar coletivamente. Sobre sua relação com a música, ele responde “A minha arte engajada é o cartoon, adoro a música, mas sou mais um intérprete dela, não um compositor. A minha força em tentar transformar é pelo desenho, a música é mais o que gosto, e gosto de passar pros outros.”
Se há alguma charge que o mesmo se arrependeu de fazer? Aroeira diz com sinceridade, “Ah com certeza, volta e meia eu encontro charges com equívocos, mas vejo isso como um aprendizado.” E sobre a famosa cultura do cancelamento, Renato responde “Eu acredito muito no diálogo e na conversa, sou muito contrário à cultura do cancelamento, pois mais cedo ao mais tarde isso se volta contra você. [...] Acredito na mídia totalmente livre, pois qualquer restrição dela atinge a mim, e a qualquer pessoa que precisa dizer alguma coisa.” Sobre as questões sociais, o artista acrescenta, “Tento falar do que eu entendo, até para os meus vizinhos. [...] Mas eu acredito na ideia do lugar de fala se tornando o lugar de ação, este processo é emocionante.”
Quando questionado sobre não fazer mais charges sobre futebol, Aroeira confessa em meio a risos que depois da derrota de 7x1 contra a Alemanha em 2014 seu amor pelo esporte morreu um pouco. “Também escolhi torcer pro Botafogo, que agora está na segunda divisão”, lamenta Aroeira.
Os desafios da profissão são muitos. Uma aluna pergunta o que o faz continuar. Renato conta que acaba se tornando responsável pelo trabalho, “Depois que a gente começa a gente se sente responsável em continuar. [...] Os jornalistas sempre foram ferrados, precisamos sempre correr atrás e todo esse trabalho é necessário.”
Renato Aroeira é um dos mais importantes cartunistas brasileiros, e depois dessa entrevista vemos sua humildade e abertura para conversa. O artista é um apaixonado pela pintura, e com toda certeza faz jus a esta paixão intensamente.
Por Bruna Galati e Leticia Galatro
Carolina Faita, de 22 anos, está há algumas semanas de menstruar e isso significa que está odiando o mundo e esperando ansiosamente por aquele momento que irá chorar com um filme de romance. Ela acredita que não seria tão acolhedor fazer isso no cinema e fica aliviada de estar no conforto de sua casa, com uma pipoca de microondas e um cobertor.
Deitada no sofá da sala, Carol dá play no terceiro filme de "Para todos garotos que já amei" e se prepara para mais um clichê que trará algumas de suas lágrimas. O crescimento dos streamings, forma de acessar e consumir conteúdos sob demanda, garante cenas como essa no dia a dia das pessoas. Qualquer dispositivo conectado à internet é o suficiente para acessar as mais diversas plataformas e desfrutar de produções de qualidade e para diferentes gostos.
Lançada no universo online em 2007, a Netflix é uma das plataformas mais famosas de filmes. No Brasil, essa tendência de assistir conteúdos, pagando uma mensalidade, apresentou um crescimento contínuo a partir de 2013. Com a pandemia e as pessoas buscando lazer dentro de casa, a empresa encerrou 2020 com um recorde. Em apenas um ano ganhou 37 milhões de usuários, totalizando 204 milhões de assinantes. Isadora Castaldi, de 21 anos, faz parte desse número. Ela não se conteve apenas com esse streaming e virou cliente da Amazon Prime e da Disney+.
Embora Isadora relate que se distanciou dos filmes. Para ela, assistir algo no cinema costumava ir muito além do conteúdo passado em tela. Quando tinha uma sexta-feira livre, encontrava as amigas no shopping mais próximo de sua casa, passava na Loja Americanas para comprar um pacote de batatas fritas, um saquinho de doces e um refrigerante e caminhava feliz em direção a sala do filme. Não pensava muito na escolha, mas sabia que o gênero não poderia ser terror.
Hoje, Isadora opta pelas séries nas plataformas e não pelos filmes, já que eles não prendem tanto a sua atenção como acontecia no ambiente do cinema. Quando ela escolhe assistir um longa metragem, normalmente são produções feitas para streaming, como Daniel Castello, consultor e palestrante de estratégias digitais, menciona:
Segundo um levantamento da consultoria App Annie, especializada no setor de streaming, o Brasil é o sexto país que mais gasta dinheiro com plataformas de streaming. E segundo Daniel, isso acontece porque as diversas plataformas tendem a criar produções com propostas temáticas e estéticas que conquistam novos públicos distintos.
Castello nunca foi um grande fã de futebol. Odiava que no passado a socialização era baseada em placar, pênaltis e times vencedores, na rodinha dos homens. O papo das mulheres era focado no resumo do último capítulo da novela. Daniel não conseguia interagir com nenhum deles, já que não era um consumidor desses conteúdos. Com a expansão dos streamings e as pessoas descobrindo novos gostos, ele conseguiu se encontrar, já que atualmente existem públicos para diversos gêneros, os que gostam de heróis, como é o caso de Daniel, os que gostam de serial killers, os que gostam de documentários e assim por diante.
Outro ponto trazido pelos entrevistados é que com o surgimento das plataformas digitais, agora eles podem consumir os conteúdos dos seus interesses em diversos lugares, como afirma o professor de cinema André Gatti.
Essa afirmação também é levantada por Mauro Peron, doutor em Multimeios, quando ele diz que os streamings levam as cinematografias dos grandes estúdios em nichos antes ausentes, devido às tecnologias que permitem a visualização de filmes em múltiplos dispositivos. A geração Alpha, marcada pelos nascimentos pós 2010, já cresce em ambiente totalmente dependente da tecnologia. Esse avanço digital tem impactado nos mais diversos âmbitos do conhecimento, inclusive na produção cinematográfica, arte totalmente dependente da tecnologia.
A impossibilidade de sair de casa somada a ideia de assistir qualquer filme, quantas vezes quiser, no conforto de casa, sem precisar se dedicar 100% para aquele momento, pela presença de smartphones e outros tipos de distrações, favorece a escolha por streaming.
Além disso, as salas de cinema são uma oferta de cultura elitizada, limitando o acesso de parte da população. Segundo uma pesquisa do IBGE, em 2018, 39,9% da população morava em municípios sem, ao menos, um cinema. Sobre esse assunto, a cineasta Carol Serrano, acrescenta: "A assinatura de uma plataforma de streaming vale muito mais a pena, claro que muitas pessoas não possuem áudio e imagem de qualidade igual a uma sala de cinema, mas em compensação podem ter milhares de filmes para assistir pelo preço de um bilhete, além de não precisarem gastar dinheiro extra com transporte”.
O cinema, portanto, representa uma dupla desigualdade. Há restrições quanto ao acesso à educação, à estrutura básica para sobrevivência e ao contato com equipamentos culturais.
A oferta de cultura é essencial para uma sociedade, porque incentiva a aprendizagem de uma forma leve e natural. Dessa forma, mesmo que esteja perdendo sua força com a chegada das plataformas de streaming, o cinema tradicional ainda está longe de acabar.
A ida ao cinema é um movimento importante para a convivência e lazer de muitas famílias ao redor do mundo. Nada se compara a sensação de esperar ansiosamente pelo lançamento de um filme, comprar ingressos, um combo de pipoca e bebida e sentar em uma sala confortável e feita unicamente para esse tipo de experiência.
Com o avanço da contaminação por Covid-19, empresas de entretenimento buscam alternativas para garantir um entretenimento fora de casa seguro.
Uma das soluções encontradas foi a criação de cinemas drive-in, caracterizados como grandes espaços ao ar livre, em que as pessoas podem assistir aos filmes em seus próprios carros. Comum nos anos 50 e 60, esta maneira de oferecer sessões de filmes faz sucesso durante o isolamento social por oferecer segurança e diversão. Vários espaços se adaptaram e a nova forma de diversão está espalhada por toda cidade de São Paulo.
A atração, que vem tendo uma grande adesão do público, conta com a exibição de filmes antigos e preço cobrado por carro com até 4 pessoas. Alguns lugares até oferecem pipoca e bebidas, através de garçons devidamente protegidos. “Era só dar um sinal de luz com o carro que aparecia um funcionário para tirar o pedido a qualquer minuto do filme. Não tem que se preocupar em comprar a pipoca antes do filme começar “, relembra Paola Grandino, de 21 anos.
Ela conta que além disso, vários outros motivos a fizeram gostar da experiência e querer voltar: “Você paga pela noite, eu comprava a entrada do filme das 18h, mas podia ficar para assistir o filme das 20h e das 22h se quisesse. Acaba sendo mais barato que um cinema normal. E o que a gente gostava era do conforto do carro. A gente podia conversar durante o filme sem incomodar ninguém e controlar o volume, já que o som vem por estação de rádio".
Dois cinemas a céu aberto no País responderam por 98,8% da bilheteria brasileira no final de semana de 21 a 24 de maio. Juntos, o Cine Drive-In Brasília e o Cinesystem Litoral Plaza Drive-In, de Praia Grande (SP), arrecadaram R$ 76,3 mil e atraíram mais de 3.000 telespectadores.
Por mais que essa forma de fazer cinema esteja em alta neste momento, não há certeza de seu futuro. Acredita-se que pós-pandemia ocorra um efeito rebote, no qual todos os serviços que ficaram fechados durante a fase vermelha vão ser consumidos em excesso. Com isso, certamente, os cinemas a céu aberto vão perder espaço para as salas de cinemas convencionais.
Além disso, apesar de ser a melhor solução em meio ao cenário pandêmico atual, o Cinema Drive-In apresenta algumas características desfavoráveis para sua permanência, como destaca Isabela Aguiar:
O cartunista brasileiro Renato Aroeira, nascido em Minas Gerais, ficou conhecido por suas inúmeras charges com duras críticas políticas: “Eu sou um crítico social. E a crítica social tem a função de criticar a estrutura que garante a permanência do que está errado e assim por diante. ”
Aroeira iniciou sua carreira na editoria de esporte do Jornal de Minas e com ilustrações para livros pedagógicos, “eu começo trabalhando com educação e depois com cartoon. O que facilitou para eu aceitar as críticas mais tarde como chargista. ”
Surgiu a oportunidade e espaço para ele se aprimorar como chargista político, contudo, ele afirma que o seu aprendizado sobre o tema ocorre no movimento estudantil e na reconstrução da imprensa sindical, “(...) a partir daí eu parei de fazer simplesmente uma charge política e comecei a entender realmente o que era a política”, afirma Aroeira.

Em suas obras, Aroeira espera que as pessoas se divirtam, mas que identifiquem aquilo que está sendo apontado e o “gosto amargo da charge”. “Eu não espero que uma charge resolva algum problema, nem provoque uma revolução ou coisa parecida. A charge é um pedacinho deste caldo cultural que precisa para a sociedade mudar de rumo. ”
Para o chargista, não pode existir a simplificação do humor a ser passado para a sociedade, “a simplificação dá a origem de uma compreensão muito diferente do que você pretendia”. Aroeira explica que há três questões envolvidas para o desenvolvimento de uma charge: “(...) o que você quis dizer, o que você disse realmente e o que as pessoas vão interpretar”

Aroeira continua dizendo que: “O humor simplificado tende a ser um humor muito rasteiro e ele costuma ser homofóbico, racista, sexista. Ele tem vários preconceitos da sociedade embutida, pois costuma trazer o riso mais fácil. O chargista precisa tomar cuidado com isso”
Além disso, Renato afirma que sua visão de crítica é com aquilo que está errado socialmente, “Essa é a minha visão de crítica, eu não consigo achar graça com uma piada com negro, LGBT, mulher. Não tem graça, essa é a piada do opressor” - e continua: “ (...) eu não bato em quem está apanhando. Eu não vou fazer charge criticando uma mulher, por exemplo, pois ela já vive uma situação de opressão na sociedade. ”














