Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Buscar a tranquilidade em São Paulo pode ser uma tarefa difícil, mas não impossível
por
Victória Toral de Oliveira
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08/04/2022 - 12h

 

Foto: Divulgação / Mundo Conectado
Foto: Divulgação / Mundo Conectado

Pensar em um momento nestes seis meses, em que estou em São Paulo, quando consegui realmente relaxar foi uma tarefa muito difícil. Nesse período consegui um estágio, descobri que minhas aulas voltariam presenciais e busquei por quartos na região da faculdade, para que minha rotina melhorasse um pouco. Uma mudança radical e conturbada em minha vida, que eu não tinha noção do tamanho. 

São Paulo, também conhecida como a cidade que não para, transformou essa mulher, que já era ligada no 110 volts, em uma jovem, louca, ligada no 220 volts. A bagunça dessa cidade não me permitiu, por um tempo, encontrar momentos que me trouxessem paz interior. 

Quando fui desafiada a encontrar algo aqui na capital que me tranquilizasse, a primeira coisa que veio na minha cabeça era ir embora daqui. Sair de São Paulo, pegar um ônibus que me levasse para minha cidade. Não porque a cidade onde eu morava era calma, porque não é, mas porque o caminho, a trajetória até lá permitia eu alcançar um silêncio no meu corpo fora do comum. 

Dizer que apenas fora de São Paulo eu encontro paz foi meio que exagero né? Mas pensa comigo, estou a  pouco tempo tentando me adaptar a essa diferente, estranha e movimentada cidade, que é difícil pensar em algo que me fez ter um momento tranquilo. 

Quando tentei me acalmar andando por uma das avenidas mais famosas de São Paulo, que é a avenida Paulista, o sentimento de euforia dominou meu corpo. Fiquei  hipnotizada, até que perdi a concentração para tentar relaxar. 

Tentei tirar um tempo para apenas caminhar e tomar café, coisas que sempre gostei de fazer nos momentos que me via estressada. Mas não consegui realizar as duas tarefas ao mesmo tempo. Pessoas trombaram em mim, o medo de ser assaltada, enquanto tentava me distrair, pois sempre escutei para ficar muito atenta quando andasse por São Paulo, e o tempo todo olhando os nomes das ruas para não me perder, transformou essas simples atividades em desafios complexos para minha mente. 

Essa tentativa, naquele momento, da minha vida realmente falhou, então fui tentar buscar outra. Fui até bibliotecas, sentei e tentei ler livros que achava interessante, mas realmente não sei o que aconteceu, eu não parava de pensar nos trajetos que faria depois que saísse do local, o trânsito da cidade fazia minha mente ser dominada pela dúvida de quanto tempo levaria para chegar na casa da minha irmã e, mais uma vez me perdi completamente entre as palavras do escritor Haemin Sunim. O livro “As coisas que você só vê quando desacelera”, apenas serviu como paisagem para a minha mente. 

Todos esses momentos que tive na tentativa de ficar mais relaxada, me deixou realmente preocupada.Como uma cidade não me deu lugares, ou atividades que me fizesse relaxar? Será que São Paulo seria a cafeína em meu corpo? Não conseguiria relaxar em por cinco minutos nessa cidade?Todas essas perguntas vieram na minha cabeça, a procura pela tranquilidade falhou e mais uma vez não conseguia ficar relaxada.

Mas, depois de um tempo com todos esses questionamentos que ficaram lá no fundo da minha mente, enquanto vivia uma vida agitada fui questionada por um professor a encontrar algo que me deixasse tranquilia em São Paulo. A pergunta vinda de fora provocou uma rebobinada nos últimos seis meses que vivi aqui e mostrou que não é apenas a cidade que precisava encontrar meu eixo. Eu também precisava buscar entender o eixo de São Paulo.

Então, refiz todas as caminhadas que dei no começo, tomei novamente os cafés que tinha experimentado quando cheguei, me aventurei novamente em bibliotecas que não lembrava o trajeto e andei pela Paulista olhando apenas para frente, com foco total no meu futuro. E finalmente percebi, eu estava tranquila, com foco apenas na minha respiração. A minha mente não tinha a menor noção do que estava acontecendo. Foi quando entendi, que para achar algo que te acalme em São Paulo é necessário saber unir o seu eixo com o da cidade que nunca dorme.

Buscar lugares que te acalmam, não precisamente é saber encontrar um lugar calmo em São Paulo. A tranquilidade vem de dentro. Os parques cheio de pessoas fazendo coisas diferentes, podem ser uma ótima oportunidade de buscar a calmaria. Ou, se você é do tipo que senti o silêncio como uma característica para ter paz as bibliotecas são uma boa opção. Mas o que realmente importa, nessa caminhada é entender que para encontrar um lugar que te transmita paz, você precisa estar buscando por ela.  

 

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A cantora Maria Rita traz ao Templo – Bar de Fé o seu projeto de maior sucesso "Samba da Maria"
por
Tábata Santos
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08/04/2022 - 12h

Nos dias 8 e 25 de abril a partir das 19h00 a cantora, compositora e produtora musical Maria Rita, traz ao palco do Templo – Bar de Fé, ambiente temático aconchegante que acompanha o conceito de boteco contemporâneo, o “Samba da Maria”, projeto que tem percorrido diversas cidades do Brasil desde 2015.

Maria Rita em "Samba da Maria"Voz potente, marcante presença de palco e muito samba no pé é o que nos garante a cantora, que tem como repertório grandes sucessos da sua carreira como “Cara Valente”, “Tá Perdoado”, “Num Corpo Só”, e homenageia cantores como Arlindo Cruz (Meu Lugar), Alcione (Não Deixe o Samba Morrer), Beth Carvalho (Vou Festejar), sua mãe Elis Regina (O Bêbado e a Equilibrista), entre outros.

Maria Rita e a sua banda composta por Leandro Pereira (violão 7 cordas), Fred Camacho (banjo e cavaquinho), Vinícius Feijão (pandeiro), Jorge Quininho (percurssão) e Adilson Didão (percursão), colocam qualquer um para sambar e festejar.

Consagrada como uma das maiores vozes da música brasileira, Maria Rita encontrou no samba o seu lugar e isso fica nítido quando está em cima do palco. Ganhadora de 8 prêmios Grammy Latino, incluindo o de Melhor Álbum de Samba, com “Amor e Música” em 2018, a artista esbanja carisma, talento e respeito por seu ofício.  

Com o retorno dos shows presenciais em São Paulo e seguindo os protocolos exigidos pelo estado junto à Organização Mundial da Saúde, os públicos de todos os estilos musicais têm a oportunidade de voltar a sorrir e deixar os problemas de lado, é um respiro necessário.

 

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A premiação musical tenta se estabilizar com o gênero após premiações polêmicas dos anos anos anteriores.
por
Davi Garcia Valentim
Ana Kézia de Andrade
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05/04/2022 - 12h

 

Primeiro semestre do ano, época reservada para as maiores premiações no âmbito cultural, entre eles o Grammy, evento responsável por premiar os melhores no universo da música, o evento ocorreu no último domingo (03). A premiação envolve esquemas de votações consideradas contestáveis, pois é feita por um grupo selecionado pela Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravação dos Estados Unidos (ou NARAS), sem a possibilidade de participação de críticos e fãs.

 

Após edições com diversas polêmicas em grande parte das categorias, como em 2020, a estreante Billie Eilish empilhando prêmios em cima das gigantes Taylor Swift, Beyoncé e Ariana Grande. E mais recente, em 2021, a também estreante Megan Thee Stalion que, surpreendendo a muitos internautas, passou pelo mega-hit “The Box” do jovem Roddy Rich, ou “Rockstar”, do DaBaby, garantindo assim o prêmio de melhor música de rap, categoria essa que também já é polêmica desde 2013, com Macklemore e venceu em cima de uma obra-prima de Kendrick Lamar, “Good Kid, M.A.A.D City”.

 

A organização do evento possui o dever de garantir estabilidade para a categoria do rap, pois a cada ano vem sendo mais e mais criticada, e por consequência, boicotada por diversos rappers e artistas do meio. The Weeknd, Drake e Kanye West foram alguns que escolheram não comparecer à premiação deste ano, por conta da reincidência de erros.

 

Começando pelo prêmio de revelação, que contou com o jovem e estrondoso Baby Keem, primo da estrela Kendrick Lamar, além do australiano Kid Laroi, responsável por um dos maiores sucessos do ano, “Stay” com Justin Bieber. Porém, não havia alguém capaz de tirar o troféu da estrela Olivia Rodrigo, uma máquina de hits em 2021, fez um sucesso enorme no mundo inteiro, e colocou “good 4 u” em incríveis 14 semanas no nº1 da Billboard Chart. Porém, Keem foi recompensado na categoria de melhor performance no rap, com a música “Family ties”. 

 

Na categoria ‘rap melódico' o prêmio ficou com o consagrado Kanye West com “Hurricane”, e ainda contou com The Weekend e Lil Baby, numa atuação magistral do trio em um hit considerado por fãs como angelical. Também vale destacar “WUSYANAME”, do aclamado Tyler the Creator, em uma união com o polêmico NBA Youngboy, mas que gerou uma das melhores músicas de 2021.

 

Nas principais categorias do gênero, Kanye garantiu mais uma, numa dupla gigantesca com Jay-Z, com a música “Jail”. Esse prêmio gerou uma certa discussão nas redes, com argumentos sobre não ser a melhor música de “Donda”, álbum vencedor da categoria. Estavam na disputa pelo prêmio “Family ties”, e “m y . l i f e”, do também ótimo J.Cole. 

 

Na categoria “melhor álbum de Rap” a decisão era unânime, pois quem ganhasse o prêmio, este estaria em boas mãos, nesse caso foi para Tyler the Creator, que ganhou seu segundo Grammy na categoria, agora com o completo e prazeroso “Call Me If You Get Lost”. A categoria contava com “Donda”, “The Off-Season”, do J.Cole, e “King’s Disease II”, do Nas. Todavia, internautas nas redes sociais comentam que, ainda sim, faltaram possíveis candidatos, como o “The Melodic Blue”, do Baby Keem, ou o incrível e pouco badalado “Sometimes I Might Be Introvert”, da Little Simz. Vale destacar também Doja Cat e SZA em “Kiss Me More”, que venceram como melhor performance em dupla/grupo no Pop.

 

Independente do ano, a premiação irá gerar polêmica nas redes, enquanto o NARAS não garantir segurança em suas escolhas e na entrega do prêmio. É improvável agradar a todos. Espera-se que o senso crítico prevaleça, independente de números. 

 

 

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A escritora, membro da Academia Brasileira de Letras e ganhadora de diversos prêmios importantes da literatura, faleceu no último domingo (03/04) aos 98 anos, devido a causas naturais
por
Ana Kézia Andrade
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04/04/2022 - 12h

 

Uma vida transitando entre conto e romance, assim é marcada a trajetória de Lygia Fagundes Telles. Nascida em 19 de Abril de 1923, na cidade de São Paulo, criada pela região do interior do estado. Filha de um advogado e promotor de justiça e de uma pianista. 

 

Aprendeu a ler e a escrever cedo, e aos 15 anos estreou no mercado da literatura com a obra  Porão e Sobrado, uma coletânea de 12 contos. No entanto, a escritora considerava o início de sua carreira com o lançamento do romance Ciranda de Pedra, em 1954, mesmo tendo lançado dois livros de contos antes. Seu legado coleciona mais de 20 livros de contos e quatro romances. 

 

Dona de uma escrita ousada e sensível, com o dom da escrita incentivado pelos consagrados escritores Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo, a escritora reúne em sua extensa lista de premiações mais de 16 troféus, entre eles o Prêmio Camões, um dos mais importantes para a categoria. Seus livros receberam diversos prêmios, dentre eles, alguns de destaque internacional, como o Antes do Baile Verde que conquistou premiação no Concurso Internacional de Escritoras, na França. E diversos nacionais, como Prêmio Jabuti, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e “Golfinho de Ouro”, os mais importantes para a categoria.

 

Formada em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, conciliou a carreira jurídica com a literatura e formou-se no mesmo ano em que ocupou um cargo na Academia Brasileira de Letras. Atuou como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo. Atuou na presidência da Cinemateca Brasileira e foi membro da Academia Paulista de Letras.

 

Suas obras foram traduzidas e publicadas em mais de 10 países, ganharam adaptação para o teatro, cinema e TV. Integrou a comissão de escritores que combateram veementemente a censura através do “Manifesto dos Mil” em 1976, na cidade de Brasília. 

 

Lygia faleceu na manhã do dia 3 de Abril, alguns dias antes de completar 99 anos. Uma morte por causas naturais, em casa. O corpo foi velado ainda na tarde de domingo 03/04, na Academia Paulista de Letras, na qual a escritora era membro desde os anos 80. O Corpo foi cremado em uma celebração restrita à familiares na tarde desta de segunda-feira, 04/04.  

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Após passar por 24 países, evento desembarca na capital paulista
por
Dayres Vitoria
Victoria Nogueira
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31/03/2022 - 12h

A exibição imersiva de Vincent Van Gogh finalmente chegou ao Brasil. Desde 17 de março a mostra “Beyond Van Gogh“  pode ser admirada em São Paulo, oferecendo aos visitantes   a experiência de se sentirem parte das obras do  pintor holandês. 

Bruna, analista de marketing, de 25 anos, que inclusive já visitou o museu do artista em Amsterdã, na Holanda,  garante que a experiência está extraordinária e que não se compara a nenhuma outra que tenha vivido. "É muito diferente, você realmente se sente dentro das obras e você se imagina um pouco como um pedacinho dos quadros. É uma experiência única".

Já Laura, jovem goiana que está de férias na capital paulista, foi convidada pela amiga a ir à exposição e simplesmente adorou. A administradora de empresas curtiu tanto a vivência  que ainda manda um recado para quem não teve a oportunidade de visitar a exposição. "Eu acho que tem que vir para se entregar e se deixar sentir, (...) deite no chão, olhe para cima e se permita entrar nos quadros e acompanhar toda história do artista”.

OBRAS E CARREIRA 

 

Obra "A Noite Estrelada",  de 1889 | Reprodução
Obra "A Noite Estrelada", de 1889 | Reprodução 

 

Referência no campo da pintura, o holandês Vincent Van Gogh adotou diversos estilos antes de se consolidar no pós-impressionismo. A primeira obra que fez de Van Gogh um artista reconhecido no mundo da arte foi “Os Comedores de Batatas", de 1885. Carregada de um forte contexto social, a pintura retratava a vida simples de camponeses durante uma refeição noturna.  A  obra  era apontada como  um  dos  quadros favoritos do artista. 

Embora ela tenha sido essencial para sua carreira, esta pintura não foi seu único grande sucesso. “Noite Estrelada”, também de 1889, ganhou a admiração do mundo como uma de suas obras mais belas ao representar a graciosidade de um céu estrelado. “Lírios”, outra de suas obras-primas, é facilmente reconhecida pela delicadeza. Já “Os Girassóis'', de  1888, chegou a quebrar recorde de leilão de uma pintura ao ser vendida por quase U$40 milhões em 1987. 

Em meio a tantos trabalhos excepcionais, a aclamação mundial somente foi conquistada após sua morte. Em vida, teve apenas uma única obra vendida. Depois de seu falecimento, sua fama rapidamente decolou, principalmente após uma exibição feita em  Paris  com  71 de suas pinturas.  Em vida,  seu trabalho  foi  a mais pura manifestação  de seu amor pela arte e pela beleza do mundo. 


TRAJETÓRIA E  FRACASSOS 

Nascido em 30 de março de 1853, no sul da Holanda, Vincent Willem Van Gogh vinha de uma família rica, teve cinco irmãos e desde criança se interessou  pela arte, sendo incentivado já pequeno a seguir carreira na área. Um de seus familiares mais importantes em sua vida foi seu irmão,  Theodorus Van Gogh, que foi seu alicerce  e melhor amigo durante toda a sua trajetória. Devido a forte proximidade entre os irmãos, chegaram a trocar mais de 600 correspondências. Theo, mesmo sendo quatro anos mais novo,  foi um dos principais incentivadores de sua carreira artística, além de  o ajudar financeiramente.

As inúmeras incertezas sobre a vida de Vincent despertam até hoje  curiosidades de diversos estudiosos e cientistas. Um estudo recente feito pela Universidade de Medicina de Groningen, na Holanda, constatou que o famoso incidente do pintor, que deu origem ao quadro “Autorretrato com a Orelha Cortada”, teria sido fruto de um descontrole emocional. O episódio, influenciado pela sua bipolaridade e  alcoolismo, o levou ao suposto suicídio. 

 

"Autorretrato com a Orelha Cortada", 1889 | Reprodução
"Autorretrato com a Orelha Cortada", 1889 | Reprodução 

 

Apesar de seu inquestionável dom e espírito artístico, o envolvimento  com o álcool   simbolizou o começo de um  declínio  sem volta. Apenas após o incidente da orelha foi que o artista se viu obrigado a ter que deixar o vício, o que lhe rendeu uma forte abstinência que mais tarde teria reflexo em seus futuros problemas psicológicos. Entretanto, mesmo com a vida posteriormente acometida pela depressão, ele não interrompeu a produção artística.
Em 1890, Vincent Van Gogh  morre em meio a circunstâncias não esclarecidas.  Para alguns estudiosos, o pintor holandês teria cometido suicídio com um tiro no peito, mas para  Steven Naifeh e Gregory White, autores da biografia “Van Gogh: The Life (Van Gogh: A Vida, em tradução livre), isso não aconteceu, na verdade o artista teria sido atingido por um tiro acidental dado por dois rapazes  que o conhecia. 

Sendo referência incomparável  no mundo da arte, Vincent Van Gogh é considerado um dos maiores pintores já existentes. Em 37 anos de vida produziu mais de 2 mil obras. Após sua morte recebeu o devido reconhecimento, mas em vida  o pintor lidava com inúmeros problemas pessoais, frutos de uma trajetória para lá de conturbada. 


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO: 

“Beyond Van Gogh“ ficará  em  cartaz em São Paulo até 03 de julho de 2022 no estacionamento do piso G4 do Morumbi Shopping. Os ingressos seguem à venda no site da Livepass e os valores variam  entre R$70,00 e R$110,00. Idosos e estudantes têm direito a meia-entrada.  

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