Pensar em um momento nestes seis meses, em que estou em São Paulo, quando consegui realmente relaxar foi uma tarefa muito difícil. Nesse período consegui um estágio, descobri que minhas aulas voltariam presenciais e busquei por quartos na região da faculdade, para que minha rotina melhorasse um pouco. Uma mudança radical e conturbada em minha vida, que eu não tinha noção do tamanho.
São Paulo, também conhecida como a cidade que não para, transformou essa mulher, que já era ligada no 110 volts, em uma jovem, louca, ligada no 220 volts. A bagunça dessa cidade não me permitiu, por um tempo, encontrar momentos que me trouxessem paz interior.
Quando fui desafiada a encontrar algo aqui na capital que me tranquilizasse, a primeira coisa que veio na minha cabeça era ir embora daqui. Sair de São Paulo, pegar um ônibus que me levasse para minha cidade. Não porque a cidade onde eu morava era calma, porque não é, mas porque o caminho, a trajetória até lá permitia eu alcançar um silêncio no meu corpo fora do comum.
Dizer que apenas fora de São Paulo eu encontro paz foi meio que exagero né? Mas pensa comigo, estou a pouco tempo tentando me adaptar a essa diferente, estranha e movimentada cidade, que é difícil pensar em algo que me fez ter um momento tranquilo.
Quando tentei me acalmar andando por uma das avenidas mais famosas de São Paulo, que é a avenida Paulista, o sentimento de euforia dominou meu corpo. Fiquei hipnotizada, até que perdi a concentração para tentar relaxar.
Tentei tirar um tempo para apenas caminhar e tomar café, coisas que sempre gostei de fazer nos momentos que me via estressada. Mas não consegui realizar as duas tarefas ao mesmo tempo. Pessoas trombaram em mim, o medo de ser assaltada, enquanto tentava me distrair, pois sempre escutei para ficar muito atenta quando andasse por São Paulo, e o tempo todo olhando os nomes das ruas para não me perder, transformou essas simples atividades em desafios complexos para minha mente.
Essa tentativa, naquele momento, da minha vida realmente falhou, então fui tentar buscar outra. Fui até bibliotecas, sentei e tentei ler livros que achava interessante, mas realmente não sei o que aconteceu, eu não parava de pensar nos trajetos que faria depois que saísse do local, o trânsito da cidade fazia minha mente ser dominada pela dúvida de quanto tempo levaria para chegar na casa da minha irmã e, mais uma vez me perdi completamente entre as palavras do escritor Haemin Sunim. O livro “As coisas que você só vê quando desacelera”, apenas serviu como paisagem para a minha mente.
Todos esses momentos que tive na tentativa de ficar mais relaxada, me deixou realmente preocupada.Como uma cidade não me deu lugares, ou atividades que me fizesse relaxar? Será que São Paulo seria a cafeína em meu corpo? Não conseguiria relaxar em por cinco minutos nessa cidade?Todas essas perguntas vieram na minha cabeça, a procura pela tranquilidade falhou e mais uma vez não conseguia ficar relaxada.
Mas, depois de um tempo com todos esses questionamentos que ficaram lá no fundo da minha mente, enquanto vivia uma vida agitada fui questionada por um professor a encontrar algo que me deixasse tranquilia em São Paulo. A pergunta vinda de fora provocou uma rebobinada nos últimos seis meses que vivi aqui e mostrou que não é apenas a cidade que precisava encontrar meu eixo. Eu também precisava buscar entender o eixo de São Paulo.
Então, refiz todas as caminhadas que dei no começo, tomei novamente os cafés que tinha experimentado quando cheguei, me aventurei novamente em bibliotecas que não lembrava o trajeto e andei pela Paulista olhando apenas para frente, com foco total no meu futuro. E finalmente percebi, eu estava tranquila, com foco apenas na minha respiração. A minha mente não tinha a menor noção do que estava acontecendo. Foi quando entendi, que para achar algo que te acalme em São Paulo é necessário saber unir o seu eixo com o da cidade que nunca dorme.
Buscar lugares que te acalmam, não precisamente é saber encontrar um lugar calmo em São Paulo. A tranquilidade vem de dentro. Os parques cheio de pessoas fazendo coisas diferentes, podem ser uma ótima oportunidade de buscar a calmaria. Ou, se você é do tipo que senti o silêncio como uma característica para ter paz as bibliotecas são uma boa opção. Mas o que realmente importa, nessa caminhada é entender que para encontrar um lugar que te transmita paz, você precisa estar buscando por ela.
Nos dias 8 e 25 de abril a partir das 19h00 a cantora, compositora e produtora musical Maria Rita, traz ao palco do Templo – Bar de Fé, ambiente temático aconchegante que acompanha o conceito de boteco contemporâneo, o “Samba da Maria”, projeto que tem percorrido diversas cidades do Brasil desde 2015.
Voz potente, marcante presença de palco e muito samba no pé é o que nos garante a cantora, que tem como repertório grandes sucessos da sua carreira como “Cara Valente”, “Tá Perdoado”, “Num Corpo Só”, e homenageia cantores como Arlindo Cruz (Meu Lugar), Alcione (Não Deixe o Samba Morrer), Beth Carvalho (Vou Festejar), sua mãe Elis Regina (O Bêbado e a Equilibrista), entre outros.
Maria Rita e a sua banda composta por Leandro Pereira (violão 7 cordas), Fred Camacho (banjo e cavaquinho), Vinícius Feijão (pandeiro), Jorge Quininho (percurssão) e Adilson Didão (percursão), colocam qualquer um para sambar e festejar.
Consagrada como uma das maiores vozes da música brasileira, Maria Rita encontrou no samba o seu lugar e isso fica nítido quando está em cima do palco. Ganhadora de 8 prêmios Grammy Latino, incluindo o de Melhor Álbum de Samba, com “Amor e Música” em 2018, a artista esbanja carisma, talento e respeito por seu ofício.
Com o retorno dos shows presenciais em São Paulo e seguindo os protocolos exigidos pelo estado junto à Organização Mundial da Saúde, os públicos de todos os estilos musicais têm a oportunidade de voltar a sorrir e deixar os problemas de lado, é um respiro necessário.
Primeiro semestre do ano, época reservada para as maiores premiações no âmbito cultural, entre eles o Grammy, evento responsável por premiar os melhores no universo da música, o evento ocorreu no último domingo (03). A premiação envolve esquemas de votações consideradas contestáveis, pois é feita por um grupo selecionado pela Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravação dos Estados Unidos (ou NARAS), sem a possibilidade de participação de críticos e fãs.
Após edições com diversas polêmicas em grande parte das categorias, como em 2020, a estreante Billie Eilish empilhando prêmios em cima das gigantes Taylor Swift, Beyoncé e Ariana Grande. E mais recente, em 2021, a também estreante Megan Thee Stalion que, surpreendendo a muitos internautas, passou pelo mega-hit “The Box” do jovem Roddy Rich, ou “Rockstar”, do DaBaby, garantindo assim o prêmio de melhor música de rap, categoria essa que também já é polêmica desde 2013, com Macklemore e venceu em cima de uma obra-prima de Kendrick Lamar, “Good Kid, M.A.A.D City”.
A organização do evento possui o dever de garantir estabilidade para a categoria do rap, pois a cada ano vem sendo mais e mais criticada, e por consequência, boicotada por diversos rappers e artistas do meio. The Weeknd, Drake e Kanye West foram alguns que escolheram não comparecer à premiação deste ano, por conta da reincidência de erros.
Começando pelo prêmio de revelação, que contou com o jovem e estrondoso Baby Keem, primo da estrela Kendrick Lamar, além do australiano Kid Laroi, responsável por um dos maiores sucessos do ano, “Stay” com Justin Bieber. Porém, não havia alguém capaz de tirar o troféu da estrela Olivia Rodrigo, uma máquina de hits em 2021, fez um sucesso enorme no mundo inteiro, e colocou “good 4 u” em incríveis 14 semanas no nº1 da Billboard Chart. Porém, Keem foi recompensado na categoria de melhor performance no rap, com a música “Family ties”.
Na categoria ‘rap melódico' o prêmio ficou com o consagrado Kanye West com “Hurricane”, e ainda contou com The Weekend e Lil Baby, numa atuação magistral do trio em um hit considerado por fãs como angelical. Também vale destacar “WUSYANAME”, do aclamado Tyler the Creator, em uma união com o polêmico NBA Youngboy, mas que gerou uma das melhores músicas de 2021.
Nas principais categorias do gênero, Kanye garantiu mais uma, numa dupla gigantesca com Jay-Z, com a música “Jail”. Esse prêmio gerou uma certa discussão nas redes, com argumentos sobre não ser a melhor música de “Donda”, álbum vencedor da categoria. Estavam na disputa pelo prêmio “Family ties”, e “m y . l i f e”, do também ótimo J.Cole.
Na categoria “melhor álbum de Rap” a decisão era unânime, pois quem ganhasse o prêmio, este estaria em boas mãos, nesse caso foi para Tyler the Creator, que ganhou seu segundo Grammy na categoria, agora com o completo e prazeroso “Call Me If You Get Lost”. A categoria contava com “Donda”, “The Off-Season”, do J.Cole, e “King’s Disease II”, do Nas. Todavia, internautas nas redes sociais comentam que, ainda sim, faltaram possíveis candidatos, como o “The Melodic Blue”, do Baby Keem, ou o incrível e pouco badalado “Sometimes I Might Be Introvert”, da Little Simz. Vale destacar também Doja Cat e SZA em “Kiss Me More”, que venceram como melhor performance em dupla/grupo no Pop.
Independente do ano, a premiação irá gerar polêmica nas redes, enquanto o NARAS não garantir segurança em suas escolhas e na entrega do prêmio. É improvável agradar a todos. Espera-se que o senso crítico prevaleça, independente de números.
Uma vida transitando entre conto e romance, assim é marcada a trajetória de Lygia Fagundes Telles. Nascida em 19 de Abril de 1923, na cidade de São Paulo, criada pela região do interior do estado. Filha de um advogado e promotor de justiça e de uma pianista.
Aprendeu a ler e a escrever cedo, e aos 15 anos estreou no mercado da literatura com a obra Porão e Sobrado, uma coletânea de 12 contos. No entanto, a escritora considerava o início de sua carreira com o lançamento do romance Ciranda de Pedra, em 1954, mesmo tendo lançado dois livros de contos antes. Seu legado coleciona mais de 20 livros de contos e quatro romances.
Dona de uma escrita ousada e sensível, com o dom da escrita incentivado pelos consagrados escritores Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo, a escritora reúne em sua extensa lista de premiações mais de 16 troféus, entre eles o Prêmio Camões, um dos mais importantes para a categoria. Seus livros receberam diversos prêmios, dentre eles, alguns de destaque internacional, como o Antes do Baile Verde que conquistou premiação no Concurso Internacional de Escritoras, na França. E diversos nacionais, como Prêmio Jabuti, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e “Golfinho de Ouro”, os mais importantes para a categoria.
Formada em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, conciliou a carreira jurídica com a literatura e formou-se no mesmo ano em que ocupou um cargo na Academia Brasileira de Letras. Atuou como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo. Atuou na presidência da Cinemateca Brasileira e foi membro da Academia Paulista de Letras.
Suas obras foram traduzidas e publicadas em mais de 10 países, ganharam adaptação para o teatro, cinema e TV. Integrou a comissão de escritores que combateram veementemente a censura através do “Manifesto dos Mil” em 1976, na cidade de Brasília.
Lygia faleceu na manhã do dia 3 de Abril, alguns dias antes de completar 99 anos. Uma morte por causas naturais, em casa. O corpo foi velado ainda na tarde de domingo 03/04, na Academia Paulista de Letras, na qual a escritora era membro desde os anos 80. O Corpo foi cremado em uma celebração restrita à familiares na tarde desta de segunda-feira, 04/04.
A exibição imersiva de Vincent Van Gogh finalmente chegou ao Brasil. Desde 17 de março a mostra “Beyond Van Gogh“ pode ser admirada em São Paulo, oferecendo aos visitantes a experiência de se sentirem parte das obras do pintor holandês.
Bruna, analista de marketing, de 25 anos, que inclusive já visitou o museu do artista em Amsterdã, na Holanda, garante que a experiência está extraordinária e que não se compara a nenhuma outra que tenha vivido. "É muito diferente, você realmente se sente dentro das obras e você se imagina um pouco como um pedacinho dos quadros. É uma experiência única".
Já Laura, jovem goiana que está de férias na capital paulista, foi convidada pela amiga a ir à exposição e simplesmente adorou. A administradora de empresas curtiu tanto a vivência que ainda manda um recado para quem não teve a oportunidade de visitar a exposição. "Eu acho que tem que vir para se entregar e se deixar sentir, (...) deite no chão, olhe para cima e se permita entrar nos quadros e acompanhar toda história do artista”.
OBRAS E CARREIRA
Referência no campo da pintura, o holandês Vincent Van Gogh adotou diversos estilos antes de se consolidar no pós-impressionismo. A primeira obra que fez de Van Gogh um artista reconhecido no mundo da arte foi “Os Comedores de Batatas", de 1885. Carregada de um forte contexto social, a pintura retratava a vida simples de camponeses durante uma refeição noturna. A obra era apontada como um dos quadros favoritos do artista.
Embora ela tenha sido essencial para sua carreira, esta pintura não foi seu único grande sucesso. “Noite Estrelada”, também de 1889, ganhou a admiração do mundo como uma de suas obras mais belas ao representar a graciosidade de um céu estrelado. “Lírios”, outra de suas obras-primas, é facilmente reconhecida pela delicadeza. Já “Os Girassóis'', de 1888, chegou a quebrar recorde de leilão de uma pintura ao ser vendida por quase U$40 milhões em 1987.
Em meio a tantos trabalhos excepcionais, a aclamação mundial somente foi conquistada após sua morte. Em vida, teve apenas uma única obra vendida. Depois de seu falecimento, sua fama rapidamente decolou, principalmente após uma exibição feita em Paris com 71 de suas pinturas. Em vida, seu trabalho foi a mais pura manifestação de seu amor pela arte e pela beleza do mundo.
TRAJETÓRIA E FRACASSOS
Nascido em 30 de março de 1853, no sul da Holanda, Vincent Willem Van Gogh vinha de uma família rica, teve cinco irmãos e desde criança se interessou pela arte, sendo incentivado já pequeno a seguir carreira na área. Um de seus familiares mais importantes em sua vida foi seu irmão, Theodorus Van Gogh, que foi seu alicerce e melhor amigo durante toda a sua trajetória. Devido a forte proximidade entre os irmãos, chegaram a trocar mais de 600 correspondências. Theo, mesmo sendo quatro anos mais novo, foi um dos principais incentivadores de sua carreira artística, além de o ajudar financeiramente.
As inúmeras incertezas sobre a vida de Vincent despertam até hoje curiosidades de diversos estudiosos e cientistas. Um estudo recente feito pela Universidade de Medicina de Groningen, na Holanda, constatou que o famoso incidente do pintor, que deu origem ao quadro “Autorretrato com a Orelha Cortada”, teria sido fruto de um descontrole emocional. O episódio, influenciado pela sua bipolaridade e alcoolismo, o levou ao suposto suicídio.
Apesar de seu inquestionável dom e espírito artístico, o envolvimento com o álcool simbolizou o começo de um declínio sem volta. Apenas após o incidente da orelha foi que o artista se viu obrigado a ter que deixar o vício, o que lhe rendeu uma forte abstinência que mais tarde teria reflexo em seus futuros problemas psicológicos. Entretanto, mesmo com a vida posteriormente acometida pela depressão, ele não interrompeu a produção artística.
Em 1890, Vincent Van Gogh morre em meio a circunstâncias não esclarecidas. Para alguns estudiosos, o pintor holandês teria cometido suicídio com um tiro no peito, mas para Steven Naifeh e Gregory White, autores da biografia “Van Gogh: The Life (Van Gogh: A Vida, em tradução livre), isso não aconteceu, na verdade o artista teria sido atingido por um tiro acidental dado por dois rapazes que o conhecia.
Sendo referência incomparável no mundo da arte, Vincent Van Gogh é considerado um dos maiores pintores já existentes. Em 37 anos de vida produziu mais de 2 mil obras. Após sua morte recebeu o devido reconhecimento, mas em vida o pintor lidava com inúmeros problemas pessoais, frutos de uma trajetória para lá de conturbada.
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO:
“Beyond Van Gogh“ ficará em cartaz em São Paulo até 03 de julho de 2022 no estacionamento do piso G4 do Morumbi Shopping. Os ingressos seguem à venda no site da Livepass e os valores variam entre R$70,00 e R$110,00. Idosos e estudantes têm direito a meia-entrada.