A pandemia do Covid-19 afetou todas as áreas da sociedade e com a musica não poderia ser diferente. Com o cancelamento dos shows presenciais, o meio musical teve que se reinventar. Afinal, as apresentações se posicionavam como a principal fonte de renda da maioria dos artistas.
Muitos apostaram em apresentações via plataformas de streaming, as conhecidas LIVES - algumas delas pagas ou patrocinadas por alguma entidade privada. Os artistas de maior sucesso também contam com a monetização de suas redes sociais, como Youtube, Spotify, Instagram etc. Outros aproveitam o maior tempo livre para desenvolver suas produções. No entanto, nem de longe essas iniciativas compensam o vazio deixado pela ausência dos shows presenciais.
Para entender melhor essa situação, conversei com o produtor musical Wendel Vicente, dono da gravadora Beatmasters - Audio Innovations. Durante a entrevista, ele conta um pouco sobre as principais dificuldades desse momento tão difícil e como os músicos tem feito para driblar essa situação. Segundo ele, além do aspecto financeiro, os shows serviam como combustível para a alma dos músicos, era o grande momento que fazia valer todos os sacrifícios. Confira a entrevista!
No último mês de abril o ministério da economia liderado por Paulo Guedes, apresentou uma proposta de reforma tributária na qual, se aprovada, acontecerá um aumento de 12% nos preços dos livros. O aumento vai acontecer porque hoje o bem é isento do pagamento de impostos apesar dos insumos de papel e tinta, que são usados na feitura do livro, serem taxados. A proposta causou debate tanto no setor livreiro quanto nos meios acadêmicos e artísticos. O texto enviado pelo governo ao Congresso afirma que os livros podem ser taxados porque não são bens consumidos pelos brasileiros mais pobres. A afirmação presente na proposta gerou grande polêmica e alguns famosos como Zeca Camargo, que lançou campanha contra a iniciativa do ministério da economia, e Marcelo Freixo que cobrou o Ministro por seu posicionamento.
Sobre a proposta conversamos com a jornalista Gabriela Mayer, da Band News FM, que tem um podcast focado em literatura, o Põe na Estante. No encontro ela fala sobre a importância dos livros e que acha a "proposta um acinte, pois a taxação zero veio do escritor Jorge Amado numa iniciativa para aumentar a leitura, já que o Brasil é um pais que lê pouquíssimo, ai você taxa os livros sobre o argumento que só os ricos leem é um descalabro até porque se a gente for taxar as coisas dos ricos poderíamos taxar grandes fortunas que com certeza seria mais eficiente”, diz Mayer.
Gabriela defendeu a força dos livros e o poder transformador que eles tem numa sociedade. “Os livros são muito potentes, imagina uma sociedade leitora, que consegue ler as entrelinhas e conhecer outros mundos pelos livros, isso explica muita coisa de quem vem a proposta e o que eles querem com isso”, ressalta Mayer.
A isenção dos impostos para livros foi uma proposta feita em 1948 pelo escritor e então deputado Jorge Amado, junto com colegas deputados por Pernambuco. A isenção perdura até hoje e foi ratificada na assembleia constituinte de 1988. Durante o governo Lula, em 2004, foi elaborada uma lei federal que isentou o setor livreiro do pagamento dos impostos PIS e Cofins. A indústria do livro brasileira não é grande, quando comparada às de outros países, entretanto é um setor simbólico.
Os livros fazem parte da nossa cultura e ajudam ela se manter viva, Gabriela também comentou sobre como enxerga o papel da cultura na nossa sociedade e porque está sofrendo tantos ataques igual ao projeto de taxação dos livros. “A importância da cultura é a importância da sobrevivência, eu acho que a cultura tem a capacidade de nos conectar, seja um livro ou não, ela conta uma história.
A arte, quando você coloca-a para fora, é algo tão potente que podemos nos conectar sem nunca ter se encontrado. A cultura é o que nos faz humanos, a cultura é a nossa capacidade de criar, de se colocar no lugar do outro, de questionar, a cultura é o que permite que estejamos nos mesmos espaços.
A proposta irá como pauta para o Congresso Nacional apenas quando Paulo Guedes der início à prometida reforma tributária. Por enquanto, a taxação de 12% sobre o valor dos livros, que é a alíquota sugerida pelo governo para a Contribuição de Bens e Serviços (CBS), fica na gaveta de pendências da Receita Federal.
Apesar do nosso país ter índices baixíssimos de leitura, uma população analfabeta consideravelmente grande, (aproximadamente 11 milhões de pessoas), alegar que o aumento tributário afetará apenas os ricos é não apenas ignorar, como desmerecer milhares de pessoas e estudantes, que têm o hábito de leitura e precisam dos livros para passar no vestibular, conquistar bolsas de estudo, e poderem proporcionar melhores condições de vida para suas famílias.
Alemanha, final dos anos 1960, a música eletrônica começa a se tornar uma marca, ou complemento, daqueles artistas que buscavam algo musicalmente diferente em um país tomado pelas músicas hits, simples e chicletes. Como uma forma de reagir a isso, ao que chamavam de “vácuo cultural”, em consequência de uma Alemanha pós-guerra, emerge ali, uma cena de bandas de rock experimental, com pegadas de free jazz, música eletrônica, minimalismo, rock psicodélico, entre muitos outros subgêneros existentes.
Esse movimento ficou popularmente conhecido fora da Alemanha como Krautrock. E a proposta era basicamente subverter a música americana e a música popular alemã, eles queriam fugir disso, criando algo único. As principais bandas nesse cenário foram, Tangerine Dream, Amon Düül II, Can, Neu!, Kraftwerk, entre outras que iremos falar mais sobre no decorrer do podcast, com Leonardo Passos, mestrando em Música na UNICAMP, e que você pode ouvir clicando aqui. Se você gostou do gênero e não sabe por onde começar, ouça a playlist no spotify.

A Amazon anunciou a compra dos estúdios cinematográficos Metro Goldwyn Mayer (MGM) por 8,45 bilhões de dólares, em maio passado, incluindo a dívida da MGM, sendo o marco da entrada da gigante em Hollywood.
A Prime Video, plataforma de streaming da Amazon, já agregava cerca de 4 mil produções da Metro, e o objetivo da aquisição é preservar o acervo e distribuí-lo de maneira mais fácil ao público. As franquias de sucesso James Bond e Rocky fazem parte do negócio, mas os clássicos como O mágico de Oz e ...E o vento levou ficaram de fora, isso porque é a Warner quem tem os direitos das obras até 1985.
Fundada em 1924 pelo empresário Marcus Loew, a MGM surgiu em Hollywood com seu slogan, o rugido de um leão, tornando-se a marca registrada do estúdio, aparecendo em todas suas produções. Até a década de 1960 foi a produtora de cinema mais lucrativa, mas só em 1973 melhorou financeiramente ao adquirir a franquia de James Bond. A queda de bilheteria, além das dívidas das grandes produções cinematográficas, fez a tradicional Metro Goldwyn Mayer anunciar falência, ainda em meados de 2009.
“A MGM tem quase um século de história no cinema e complementa o trabalho da Amazon Studios, que se concentrou principalmente na produção de programas de TV", disse a Amazon em comunicado.
A gigante tecnológica foi criada pelo Jeff Bezos, iniciando como um comércio de livros e posteriormente e-commerce de outros produtos, logo em 2005 surgiu o Prime Video que atualmente é uma das maiores plataformas de streaming, competindo com a Netflix e Disney+.
Mas será que o eterno leão vai sobreviver à Amazon Studios, já que o Prime tem o seu próprio logo? Os filmes vão ao cinema ou serão exclusivos de assinantes? O intuito é de preservar o acervo, mas como serão as novas produções de 007, por exemplo, isso já não sabemos, Bezos pode nos surpreender a cada instante.
A jornalista Gabriela Mayer é formada pela Faculdade Cásper Líbero e é pós graduada em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
É apresentadora da rádio Band News FM e do podcast “Elas com Elas”, é realizadora do podcast “Põe na Estante” e co-fundadora da rádio “Guarda Chuva”, que reúne diversos podcasts jornalísticos.
Mayer é uma leitora voraz e em seu podcast “Põe na Estante” traz discussões junto com leitores, assim como ela não especialistas, sobre livros escolhidos pela própria e algumas vezes pelos convidados “Eu não sou uma especialista, eu sou uma leitora”.
Cada temporada conta com episódios quinzenais e segue um tema diferente, os livros selecionados seguem um mesmo padrão criado por ela e conversam entre si. O podcast é produzido pela jornalista e hoje conta com um financiamento coletivo, que ajuda a pagar o irmão, que é o artista plástico responsável pelas capas dos episódios, e o mixador.
A jornalista define seu podcast como um incentivo a leitura e diz que o número de livros lidos no Brasil é muito baixo e que o projeto de taxação de livros proposto pelo governo federal não ajuda nada estes números e tira o poder de entendimento das pessoas. Para ela os livros ensinam as pessoas a terem domínio sobre a palavra para que consigam contar a própria história.
Assim como os livros são cultura, Mayer explica que o jornalismo também é, por mais que ainda não se reconheça como. “O jornalismo por essência é cultura. É de comunicação que a gente vive”.
Por fim ela diz que é a cultura que nos conecta e nos torna humanos, nos permite criar e ocupar os mesmos espaços: “A importância da cultura é a importância da sobrevivência”.














