Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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O cinema brasileiro vem sendo boicotado desde a sua invenção, atualmente produtoras independentes lutam para ganhar o merecido espaço no mercado.
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Maria Clara Alcântara
Maria Eduarda Dos Anjos
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07/06/2022 - 12h

     

O setor da cultura sofreu uma real caça-às-bruxas desde a posse de Jair Bolsonaro na presidência. Bolsas foram cortadas e editais pausados, congelando o cenário cultural brasileiro por 4 anos. Mesmo assim, a efetivação desses fundos continuou fácil para alguns artistas como o “Sertanejogate” deflagrou: artistas como Gusttavo Lima e Luan Santana conseguiam com tranquilidade usar dinheiro público para financiar espetáculos em cidades minúsculas. Todos são, convenientemente, apoiadores do governo. Todos com arrecadação suficiente para não precisarem de ajuda estatal. Ao mesmo tempo, filmes nacionais de temáticas necessárias precisam ser criativos para se manter em exibição.  Medida Provisória, por exemplo, cobrou meia entrada em todas suas exibições nos cinemas Itaú Cultural de São Paulo para se manterem no circuito por maior tempo possível. 

Produtoras nacionais rotineiramente têm de dar cambalhotas para que o ciclo de um filme seja completo, mas não pelas razões que frequentemente estão no subconsciente coletivo. Não é a falta de talento, qualidade ou profissionais que faz a produção nacional ser algo aparentemente escasso, mas sim as complicações com distribuição, financiamento, legislação e formação de público. O sucateamento não está com o desaparecimentos dos filmes ou curtas, mas sim com todas as pontes que fazem conexão com a sociedade.

Elenco e direção do filme Medida Provisória na estreia. Foto:reprodução/ instagram @medidaprovisoriafilme.
 Elenco e direção do filme Medida Provisória na estreia. Foto:reprodução/ instagram @medidaprovisoriafilme.

De acordo com o João Saldenha, da Boulevard filmes, distribuidora e produtora de longas, “O cinema brasileiro passou por um grande tsunami.A gente vê uma instabilidade da Ancine desde 2018, e logo em sequência veio a pandemia, que afetou todos os espaços de produção e distribuição no audiovisual; realizadores, distribuidores, até mesmo órgãos de fomento”.    

    Dados da ANCINE, no ano de 2021 os filmes brasileiros foram responsáveis só por 1,3% de toda a bilheteria nacional. A falta de publicidade e a pequena cota de tela são os principais culpados disso; em média, o gasto mínimo para que uma campanha de marketing vá bem é de 1,5 milhões de reais, quantia inacessível para a maioria das distribuidoras nacionais sem incentivo do governo ou de setores privados.“Há um vácuo de financiamento no setor de distribuição, além de profissionais especializados. Sempre vejo cursos pontuais de roteiro, direção, mas quase nunca há um curso sobre distribuição cinematográfica. Tenho percebido que saber falar de distribuição, com propriedade e firmeza, é algo raro que os profissionais carregam; não sabem os caminhos, os processos.”, explica Saldenha.

 

     Em entrevista concedida à  Agemt, a cineasta e sócia da distribuidora Pena Capital, Rafaella Serret, fala das dificuldades do cinema nacional em se manter nas salas dos principais cinemas:“a gente precisa tomar cuidado, pois constantemente surge um projeto para diminuir a cota de tela para filmes brasileiros em sala de cinema. Acho que até seja o caso de aumentar essa cota, sinto falta de iniciativas que visem essa formação de público para que ele próprio possa se desenvolver nessa questão. Uma cota de tela com mais da metade de filmes nacionais faz o público conhecer melhor o cinema”.

 A conscientização de que esse público só existirá se for incentivado levanta a questão: qual seriam os gostos do brasileiro se tudo estivesse ao alcance?  Os comédia são a maioria entre os grandes sucessos de bilheteria, porém filmes fora desse gênero vem ganhando espaço, como Marighella e o próprio Medida Provisória que conseguiu atrair 200% mais público do que Homem Aranha nos cinemas da prefeitura de São Paulo.Com acesso, como e quanto a identidade brasileira mudaria de si? O estrangeiro ainda seria visto da mesma forma, também?

    O aumento da cota de tela já é realidade em outros países, a Coreia do Sul é um modelo disso.Lá, a cota  para filmes nacionais é por pelo menos 73 dias, “O mercado da Coreia do Sul tem cota de tela para filmes nacionais de mais de 50%. O filme Parasita, por exemplo,em termos de êxito de mercado, o filme foi super comercial, você só consegue chegar nisso se há incentivo para que aquilo seja produzido e seja visto. Uma cota de tela com mais da metade de filmes nacionais faz o público conhecer melhor o cinema, se relacionar mais profundamente”, discorre Raffaella. 

   Fora das salas de cinema, ações de  incentivo ao cinema independente e brasileiros são mais importantes que nunca. A soberania dos streamings funciona como uma faca de dois gumes, nesse caso. Enquanto tornam o acesso mais cômodo aos consumidores e são planejados para que a experiência do usuário seja descomplicada, intuitiva e personalizada, é um monopolizador que soma para a precarização da indústria de dentro para fora. É interessante para a visibilidade do país que a Netflix tenha em seu catálogo produções como Coisa Mais Linda ou 3%, mas a indústria nacional não é realmente contemplada nesses processos visto que essas grandes empresas não diversificam suas parcerias. “Algo que não pode faltar para o futuro é uma regulação de streamings. Há um lobby muito pesado que eles fazem no Senado para que essas medidas passem mais flexíveis ou não passem, mas está mais que na hora de ser discutido. Apesar de termos visto uma grande inserção dos Streamings no mercado brasileiro, para produção de conteúdo nacional, quem são as produtoras que estão com eles? Essa regulamentação é essencial para aumentar o leque de produtoras que trabalham com eles. Também é importante para reverter a tributação dos streamings para o fomento de novas obras. E outro ponto: esses streamings estão presentes e atuantes - mesmo que seja com 10 produtoras ao todo pelo Brasil, que é bem pouco- mas não fornecem dados. Não sabemos quanto aquele conteúdo foi visualizado, quantas vezes, em que região, etc., e nem sabemos dos critérios contratuais. Uma vez que não há regulamentação, não é possível planejar muito”, analisa João.

 

Falta tempo e um novo mandato para que o setor audiovisual consiga caminhar com mais segurança. A geração atual de realizadores começou a carreira com vários percalços, mas equivale suas chances com o impulso de agir, como observa Raffaella,”tenho visto também vários núcleos de cineastas se juntando e criando selos de filmes independentes, produtoras, revistas novas de cinema, principalmente escrita por pessoas jovens. Acho que isso mostra a vontade das pessoas de discutirem cinema, tomarem para si essa discussão, e acho que com esse próximo governo que vier as coisas podem melhorar.”

 

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Série da Netflix desperta interesse e ascende a discussão pela representação em conteúdos.
por
Giulia Aguillera
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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07/06/2022 - 12h

A série Heartstopper, lançada no final de abril pela Netflix, chamou a atenção do público - principalmente dos jovens - no último mês. A produção tem como foco o relacionamento de Charlie Spring (Joe Locke) e Nick Nelson (Kit Connor), além de trazer diversas discussões sobre homofobia, autoconhecimento, bullying e representatividade. Fora das telonas, a série também despertou, em especial nas redes sociais, debates sobre a importância da representatividade LGBTQIAP+ não-fetichizada em obras cinematográficas e literárias.

Em entrevista à AGEMT, membros da comunidade LGBTQIAP+ relataram suas experiências com esse tipo de conteúdo. "Eu vejo essa representatividade sem fetichização de extrema importância, pois vamos parar de ser vistos, e de nos vermos, apenas como objeto de prazer, juntamente com a descontração de todo um estereótipo em cima de pessoas LGBTQIAP+ de serem promíscuas, pois essa fetichização sempre coloca nossos corpos em situações extremamente sexuais e muitas vezes em contextos totalmente idiotas, fora que corpos de pessoas trans foram o principal alvo dessa fetichização”, contou Nico Angel Faria. Thomas Costa também afirma que falta representatividade no cinema e, quando existe, vem de forma sexualizada. "Isso faz com que a gente se sinta sujo, inferiorizado, nos faz acreditar que nunca vamos ser amados de verdade porque não somos 'dignos' de merecer. A comunidade já sofre muito nas ruas e dentro da própria casa, não precisamos de mais um preconceito disfarçado de apoio", desabafou ele.

Para esses jovens, Heartstopper representa uma nova esperança de serem vistos e de se identificarem com os famosos personagens do mainstream. Karen Arruda, responsável pela Casa Miga - Acolhimento LGBTQIAP+, comenta que esse tipo de conteúdo ajuda também no autoconhecimento. “Eu acho muito importante esse trabalho, essa série […] porque dificilmente a gente fala do romance. A gente fala só do sexo. E o romance existe, então eu acho interessante falar das duas coisas.”

De acordo com a sinopse oficial da série, a obra adaptada das graphic novels da autora Alice Oseman aborda as temáticas de autoconhecimento, descoberta sexual e identitária e relações amorosas. Os adolescentes Charlie Spring e Nick Nelson descobrem que são mais do que apenas amigos e lidam com as dificuldades amorosas e sociais. O primeiranista Charlie se apaixona pelo Nick, veterano popular pelo rugby, dando origem a sentimentos diversos, desde amor até mesmo insegurança e medo. Em oito capítulos, a série conta com 100% de aprovação da crítica especializada no site Rotten Tomatoes.

Nick Nelson (Kit Connor) e Charlie Spring (Joe Locke) em Heartstopper. Foto: Divulgação/Netflix
Nick Nelson (Kit Connor) e Charlie Spring (Joe Locke) em Heartstopper
(Foto: Divulgação / Netflix)

Beatriz Marina, membro da comunidade, conta a importância dos produtos culturais no processo de identificação. "Acho que a gente só precisa de coisas pra se espelhar, 'né'? Tipo aqueles romances que te fazem suspirar. [...] Sendo lésbica, é muito difícil ver qualquer romance não-fetichizado. Então, ver filmes ou séries que não fetichizam ou sexualizam mulheres lésbicas e tratam o assunto com naturalidade é muito importante para nós, porque muda a concepção das pessoas sobre nós”, explica ela.

Segundo Vinicius Grossos, jornalista e escritor, a fetichização dos personagens é maléfica, pois contribui com a criação de estereótipos. "[...] O problema de consumir esses conteúdos que fetichizam relacionamentos LGBTQIAP+, principalmente quando a gente é muito novo e não temos referência, é que a gente pode acabar criando um ideal de relacionamento que não é alcançável e nem saudável."

Perguntado se algum paciente já chegou à clínica relatando que não se sente tão bem representado pelas obras em geral, Dr. Airton Rocha, psicólogo clínico da Pride Mind, clínica de Saúde Mental e Emocional LGBT+, responde que principalmente os adultos resgatam a própria história por meio dessas representações. "Metaforicamente, imagine uma argila. Talvez o produto cultural venha como uma água que amolece a argila, mas o trabalho que ele vai fazer ali, para dar uma forma para aquilo, não depende tanto assim do estímulo. O estímulo é um início, um pontapé, ele é como uma energia de ativação, mas não sustenta o processo como um todo."

Por outro lado, obras como Heartstopper têm um papel importante para produções culturais , de forma geral. Isso porque abre espaço para mais produções LGBTQIAP+ na indústria e contribui para a diversidade das representações. Karen ainda ressalta que trata-se de uma comunidade plural e, por isso, quanto mais representatividade, melhor. "Nós somos várias coisas: nós temos profissões diferentes, somos pessoas diferentes vindas de contextos diferentes [...] Então, quanto mais dessa diversidade estiver presente nesses conteúdos, melhor é", explica. O escritor Vinicius complementa: "[...] a armadilha da fetichização é colocar todo um grupo de pessoas dentro de uma caixinha para uma grande massa, como se fossemos só isso ou aquilo."

Tornando-se mais que uma série, Heartstopper ganhou espaço e atenção de jovens de dentro e fora da comunidade. Thomas Costa relata a importância do conteúdo para si. "Um exemplo de conteúdo LGBTQIAP+ com representação sem fetichização é a série Heartstopper, que aborda várias sexualidades e identidades de gênero de uma maneira leve e super tocante, que faz a gente se sentir acolhido e perceber que somos muito mais do que imaginamos. É desse tipo de coisa que precisamos, não de um bando de séries e filmes onde o foco é nos transformar em bonecos sexuais."

O cinema e a literatura, assim como qualquer outra manifestação artística, têm o papel não só de representar a realidade, mas também de trazer enfoque para os problemas e pautas presentes na sociedade. Mesmo que fictícias, elas estabelecem diálogos com temas atuais, como violência, política e outros movimentos sociais. Por isso, é comum que séries e outras obras - sejam elas escritas ou audiovisuais - sejam assunto de discussões que permeiam as redes sociais e as rodas de conversa.

Quanto a isso, Dr. Airton relata: "Quanto mais a sociedade, como um todo, vai tendo abertura para ir sendo diluído, conversado e questionado, formas diferentes de ser. Não só formas de praticar sexualidade ou de expressar a identidade de gênero, a gente vai conseguindo ter público, não só dentro da própria comunidade, mas de curiosos, pessoas que simpatizam e buscam compreender melhor. É aí que eu entendo que é quando a gente começa a chegar em representações culturais no estilo de Heartstopper, onde você consegue ampliar a discussão mas por uma conquista antropológica e sociológica de conseguir ser melhor comunicada com a população em geral."

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Há quinze anos no ramo da música, o violinista Fernando Souza segue levando por São Paulo a herança deixada pelo pai
por
Dayres Vitoria
Victoria Nogueira
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07/06/2022 - 12h

Fernando Souza da Silva, de 42 anos, fez da música a sua profissão. Tocando cinco tipos de instrumentos - violão, saxofone, clarinete, gaita e violino - ele não esconde a paixão que tem pela arte dos sons e ritmos.  Vindo de uma família de músicos, o pai foi a grande inspiração para seguir no ramo musical. "Meu pai trabalhava com eventos. O acompanhando nas festas, surgiu a paixão e aprendi a tocar junto com o meu maior ídolo", relatou Fernando.

Mesmo após a morte dele, fatalidade na qual teve que lidar,  o sentimento de gratidão permanece. Segundo o músico, as canções que costuma tocar para o público são para homenagear o seu maior herói. Seguindo os passos dele, chegou aonde está hoje. 

Atualmente, tocando especialmente em eventos e ocasionalmente em metrôs, Fernando fez da Paulista  seu palco de ensaios, uma espécie de pré-aquecimento antes de partir para os locais em que se apresenta. Assim, durante o dia toca na avenida, e, à noite, nos compromissos musicais em que tira a fonte de renda. O músico atesta que não falta público na avenida Paulista e, por isso, faz questão de divulgar o trabalho na via mais famosa de São Paulo. 

Fernando tocando na Avenida Paulista.
Fernando tocando na Avenida Paulista.

 

Além de músico também é artesão.  Chegou a ser segurança, mas foi quando ingressou no meio musical que se encontrou. Nessa caminhada, Souza  já está há 15 anos. Ele afirma que pretende ir até o fim nesta missão. Para o paulista, a música é um compromisso para a vida. Além disso, aprendeu o seu valor e  a diferença que a persistência faz quando, em um período de sua vida, deu aulas para  jovens aspirantes a também tocarem instrumentos.  Chegou a ter  cerca de  30 alunos, no entanto, o artista viu os aprendizes desistirem rápido do objetivo. "Os [estudantes] querem aprender logo, em um, dois meses. Já querem pegar na parte mais adiantada, não querem só os exercícios, querem mais. Aí chega uma hora que saem. Os que permaneceram - até o fim - foram só dois alunos", contou.

Ainda que a carreira como professor não tenha dado certo, Fernando se sente bem realizado com as experiências que a música já lhe proporcionou. Com os mais de dez anos em que se apresenta ao público aprendeu a diversificar as músicas, e a  atender a todos os tipos de gostos, demonstrando que deixar seus ouvintes à vontade com o que gostam também é uma preocupação. "Nós que trabalhamos com arte temos que tocar vários estilos para agradar a um e ao outro também. Eu procuro alegrar a todos", garante o artista. 

Com o início da pandemia da Covid-19, o instrumentista teve as atividades interrompidas pela quarentena imposta pela crise sanitária. Apesar das restrições, o sonho, agora em um cenário de flexibilizações, continua. O desejo de, no futuro, abrir uma escola de música nunca morreu, mesmo com as turbulências no caminho. Quanto à capital paulista, Fernando, que já tocou em cidades como Rio de Janeiro, não esconde o apreço pela metrópole. "O Rio é bom porque o povo é mais carismático, mas prefiro São Paulo. Aqui é o meu lugar", afirmou Souza, que, ao fim da entrevista, guardou o violino, indo ao encontro da esposa após o fim de mais um dia de apresentações. 
 

OUÇA UM TRECHO DO FERNANDO TOCANDO NA PAULISTA.

 

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Sessão ao ar livre na Cinemateca reúne fãs do cinema maldito e do personagem mais original do cinema brasileiro.
por
Artur dos Santos
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14/05/2022 - 12h

Na noite desta sexta-feira (13) a Cinemateca Brasileira reabriu ao público com uma exposição inédita de "A Praga", um filme de José Mojica que havia sido considerado perdido. “500 pessoas, isso vai ficar para a história!”, disse Dora Mourão, presidente da Sociedade de Amigos da Cinemateca, sobre o sucesso da exposição do último filme do personagem brasileiro Zé do Caixão. 

"A Praga" foi um filme produzido em 1980, e, segundo Mojica, perdido entre pilhas de rolos de filmes e de histórias em quadrinhos e nunca chegou a ser exibido. Por isso a tamanha importância da sessão sediada hoje na Cinemateca; representou o resgate e a reconstrução parcial do filme para que este fosse exposto de maneira integral.

Quando encontrados, os rolos que continham trechos do filme não estavam com áudio e parte do processo de término do filme envolveu a participação de pessoas com deficiências auditivas para que lessem os lábios dos atores e atrizes para a dublagem que seria realizada.

Durante a abertura, os filhos de Mojica, Liz e Crounel Marins, discursaram sobre a importância do que se estava realizando nesta noite. “Triste de um povo que não tem cultura! Uma cultura com censura não representa a verdadeira cultura de um povo!”, afirmou Crounel ao início de sua fala. “Essa é a casa do cinema independente, autoral e maldito, como era o de meu pai”, conclui o roteirista.

Em conversa com a Agência Maurício Tragtenberg, Crounel afirmou que apenas rodando pelo mundo que se pode entender a importância de seu pai para o Brasil. O roteirista acrescentou que com o evento de hoje, "ressurge a instituição Cinemateca".

O evento foi um sucesso, angariou pessoas saudosas da interação que tinham com a Cinemateca, e a volta não poderia ter filme e data melhores para acontecer.

As próximas propostas de ação já estão sendo planejadas, de acordo com Mourão. "O próximo evento é a semana ABC (Associação Brasileira de Cinematografia), evento criado para a atualização de profissionais da área; um grande evento para a classe cinematográfica”. 

 

 

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Islamismo, Mulçumano e Árabe, termos distintos
por
Vitor Simas
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10/05/2022 - 12h

É comum que as pessoas associem o Islamismo, o mundo mulçumano e o árabe como uma coisa só, isso parte de uma ignorância, um desinteresse estrutural do Ocidente que acaba por gerar repulsa, disseminação de muita desinformação e violência. No Brasil os muçulmanos são a segunda religião que mais sofre intolerância. Estigmas, estereótipos e rótulos são muito exaltados frente a figura do mulçumano, principalmente no que diz respeito a opressão contra as mulheres e ao fundamentalismo e fanatismo religioso. 

No século XIX e início do século XX as potências industrializadas da Europa colonizaram grande parte do mundo, incluindo terras e povos que os europeus pouco conheciam ou compreendiam. Nesse período se deu a divisão entre Ocidente e Oriente, divisão esta que extrapola as medidas geográfica, é uma divisão ideologicamente imposta com o objetivo de segregar e impor. É hegemônico. O termo “oriente” passou a ser usado para se referir a esse mundo tido como exótico para os europeus. Atualmente, essa divisão tem como principal embate a religião, sobretudo no caso da oposição entre as três maiores religiões monoteístas do mundo, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.

Neste podcast feito com a partipação de Thariq Osman Mohamed, graduando do departamento de letras Árabe da USP, você aprenderá um pouco sobre a história do povo árabe, entenderá o que é ser mulçumano, os conceitos do islamismo, desde suas origens, a figura da mulher e sua representatividade mundial, além de desmistificar estigmas generalistas sobre o Islamismo e dogmas extremistas que conduzem algumas minorias ao terrorismo.

 

 

 

 

 

Referências:

 

Edward W. Said, ORIENTALISMO. O Oriente como invenção do Ocidente, disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1861897/mod_resource/content/1/said%20edward%20w%20-%20orientalismo.pdf

 

POLITIZE! Islamismo: como é a religião mulçumana, disponível em: https://www.politize.com.br/islamismo-como-e-a-religiao-muculmana/

 

LETICIA MORI. News Brasil em São Paulo https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58325595

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