Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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A instituição proporciona melhor qualidade de vida àqueles que possuem mais de 60 anos de idade
por
Bárbara More
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23/06/2022 - 12h

Por Bárbara Cristina More

Para muitos, a vida é simples: nascer, envelhecer, morrer. Envelhecer é a única maneira que se descobriu de viver muito e, para isso, é necessário dar a devida importância aos cuidados físicos e mentais ao longo da vida, pois o envelhecimento do corpo é natural e inevitável, mas o da alma necessita de permissão do dono. Como País subdesenvolvido e emergente, o Brasil enfrenta um processo de envelhecimento. O primeiro teste nacional do Censo Demográfico 2022 indicou que a população brasileira é constituída por 16,7% de idosos - dependendo da região, um em cada quatro habitantes possui acima de 60 anos de idade. Medidas precisam ser tomadas para que essa parcela em crescimento desfrute de uma boa qualidade de vida.

Reformas da Previdência Social não bastam quando o assunto é bem-estar. No ônibus, os assentos disponíveis não são suficientes; nos bancos, as filas ainda os colocam em situação complicada; nas lojas, apenas um caixa preferencial; em casa, muitos passam fome por não terem conseguido o benefício da aposentadoria. Porém, a situação fica ainda pior ao se analisar a questão da saúde mental. Para a sociedade, as pessoas possuem um prazo de validade e não podem sequer aproveitar as alegrias da vida após ultrapassarem a marca de 60 anos de idade. "Se você se aposentou, fique no aposento. Já trabalhou a vida inteira, agora fique em casa." É comum que 'os mais jovens', e principalmente os parentes, soltem palavras como estas como se elas não carregassem um enorme peso. 

Por quê? Por que elas não podem vestir a melhor roupa, passar maquiagem, arrumar o cabelo e sair para dançar? Após uma vida inteira trabalhando, chegou a hora destas pessoas aproveitarem o tempo para curtir atividades de lazer. O corpo pode estar envelhecido, mas ainda vive uma menina dentro de cada uma das idosas. Se a jovem de 20 anos de idade pode, o que as impede de também calçar belos sapatos e arrastar os pés no salão de um baile? O Núcleo de Convivência de Idosos existe para provar que cabelos brancos não é sinônimo de inutilidade, como muitos ainda cometem o pecado de acreditar.

Denunciando ser necessária a implementação de um projeto de envelhecimento saudável, a unidade da Brasilândia é uma luz na vida da terceira idade residente da Zona Norte da capital de São Paulo. Ao longo do dia, o pequeno espaço é rapidamente preenchido por idosos, em sua maioria mulheres, que frequentam a casa voluntariamente, com a liberdade de exercer atividades que lhes agradam. Após terem dedicado uma vida inteira aos cuidados dos filhos e netos, chegou a hora delas cuidarem de si mesmas. Gerente da instituição, Elaine conta que muitas frequentadoras chegam depressivas e usam as atividades diárias como uma forma de terapia e tratamento preventivo de futuros problemas psicológicos.

A unidade está aberta desde 2008, tendo começado com um público pequeno de 30 a 60 idosos. Através da forte divulgação daqueles que frequentam o polo, o trabalho foi aumentando e hoje a casa recebe quase 300 pessoas. De segunda a sexta-feira, o que não faltam são atividades. No local, os idosos matriculados são divididos em grupos para tornar o trabalho da instituição mais eficiente e individualista. Cada um destes grupos participa de oficinas de sua escolha, que incluem artesanato, yoga, capoeira, exercício físico, dança de salão e muito mais. Além da ginástica e jogos, o Núcleo entende ser necessário levar conhecimento de diversas áreas.

O dia da instituição começa às 8h30min, quando as idosas chegam, tomam café da manhã e aguardam pelas primeiras atividades que vão das 9h00min às 11h00min. Em seguida, elas se dirigem às suas casas para almoçar e retornam ao núcleo às 13h30min, pois logo começarão novas oficinas das 14h00min às 16h00min. Além da grade semanal, a unidade oferece passeios de duas modalidades: cultural e de lazer. O primeiro conta com visitas a centros históricos, museus, teatros e locais artísticos; enquanto o segundo foca em programas como banho de piscina, visita à parques e piqueniques o horto florestal. Exceto o aluguel do prédio onde o polo está localizado, todos os gastos necessários para a sua sobrevivência são custeados através de um convênio com a Prefeitura de São Paulo. 

Para completar, uma vez por semana, um voluntário faz um encontro cultural onde fala sobre a atualidades, como a guerra da Ucrânia. O professor de história Francisco se disponibiliza a trazer um contexto histórico, comentar os assuntos e tirar dúvidas das idosas, que muitas vezes não se sentem confortáveis de perguntar em casa ou não recebem a resposta adequada dos filhos. Curiosamente, os papéis de mãe e filho são invertidos na instituição, que realiza uma Reunião de Filhos para estes acompanharem o desenvolvimento das idosas matriculadas.

A grande maioria dos idosos chega de maneira voluntária, porém alguns são encaminhados pelo CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), o qual o núcleo presta contas. No ato da matrícula, o primeiro momento é de acolhimento, quando a pessoa interessada senta em uma sala reservada para contar sua história de vida, como conheceu a instituição, compartilhar seus gostos e desgostos e entregar uma relação de documentos. Terminada a parte burocrática, o auxiliar administrativo sai para entrar o trabalho da psicóloga e assistente social, que abordarão a questão emocional, social e financeira. Por fim, a pessoa começa a frequentar e permanece o tempo que o coração decidir, algumas chegam a frequentar a casa até morrer por ser o lugar que gostam de estar. 

Elaine conta que a família é o principal parceiro no trabalho, pois cobram quando a mãe ou o pai não comparecem ao local. Graças às devolutivas do núcleo, eles até chegam a ficar surpresos quando percebem o que os pais são capazes de fazer. Na instituição, os idosos ganham a possibilidade de mostrar em casa que ainda tem uma vida útil. O sorriso, as risadas e o brilho no olhar daqueles que encontram felicidade e paz de espírito na instituição beneficente deveria ser motivo suficiente para que mais unidades sejam criadas em todos os bairros ao redor do Brasil. No entanto, a gerente fica emocionada ao pensar nas histórias de vida de cada uma das mulheres que frequenta o local e revela que muitas enfrentam uma situação de miséria. 

Há casos em que as matriculadas não conseguem se aposentar e, sem renda, sobrevivem de um benefício da prefeitura chamado BPC (Beneficio de Prestação Continuada). No entanto, ele só é disponibilizado para pessoas acima de 65 anos de idade.  A maioria das frequentadoras da instituição viveram sustentando sozinhas uma família inteira e até hoje entregam o pouco que ganham para cobrir os gastos da casa. Existem frequentadoras  que levam o neto que estava sob seu cuidado porque não querem deixar de estar na casa. Com a pandemia, a situação se tornou ainda mais alarmante e a necessidade extrema. Algumas idosas passam fome ou sequer tem acesso a recursos básicos como cobertor e fralda geriátrica, sendo necessárias realizações de campanhas de arrecadação, pois as UBSs locais não são abastecidas. Elaine disparou ser difícil acreditar que a prefeitura se preocupe com a população da terceira idade, quando quem acompanha o dia-a-dia sabe que é mentira e está vendo ela envelhecer de forma precária. No desespero, há quem chegue bem cedo no núcleo apenas para garantir o café da manhã. 

Com o intuito de aliviar as preocupações dos frequentadores e auxiliar em suas necessidades, o núcleo realiza um levantamento daqueles que precisam realizar o recadastramento bienal do NIS (Número de Inscrição Social), que garante benefícios que pode ser automaticamente cortados caso o procedimento não seja efetuado. Em outro âmbito de dificuldades enfrentadas pelos idosos em seu dia-a-dia, o núcleo atua com o PDU ( Plano de Desenvolvimento do Usuário) para atender aos acamados. Atualmente, há 87 indivíduos que se enquadram nesse perfil, os quais não necessariamente estão na cama, mas confinados em casa por algum motivo - sendo a grade maioria relacionado à saúde ou porque estão cuidando de alguém. Maria é casa com o Seu José, mas ele ficou doente e ela precisa deixar de frequentar a instituição para prestar assistência ao marido. Consequentemente, Seu José acabou falecendo e quem ficou acamada é a Dona Maria, porque ela foi cuidadora a vida inteira e não consegue voltar à vida ativa de convivência com o grupo.

O plano conta com duas profissionais, a assistente social e a psicóloga, que visitam semanalmente esses idosos. A visita não tem o objetivo de clinicar, mas informar que a equipe de profissionais está disponível para orientar e auxiliar no que for preciso - como conseguir uma cadeira de rodas, alimentação, beneficio ou marcar consultas médicas.  No entanto, o Núcleo de Convivência de Idosos sozinho não consegue oferecer todos os serviços que a terceira idade precisa, mas realiza um trabalho espetacular de melhora na qualidade de vida. O indivíduo que se matricula com 60 anos de idade, facilmente chegará aos 90 se tiver qualidade de vida.

Na casa, é possível observar idosas com 89 anos de idade dançando fazendo capoeira, assim como pode-se encontrar aquela que chegou com 60 extremamente doente e depressiva, porque não teve ninguém que trabalhasse com ela as questões de um envelhecimento saudável. 

Elaine lamenta o fato de os trabalhos preventivos não começarem mais cedo, antes de o indivíduo adentrar a terceira idade, para que haja uma maior garantia do envelhecimento saudável. O sonho da assistente social é ver mais polos espalhados em diversas regiões e que a população brasileira na totalidade passe a enxergar os idosos com novos olhos, dando a devida importância e investimento a projetos de assistência e reconhecendo que idade não é sinônimo de invalidez. Todos ganharão cabelos brancos um dia e é necessário olhar para o futuro. 

 

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Escritores autônomos aproveitam essa oportunidade para alavancar seu trabalho
por
Clara Maia
Flavia Cury
Larissa Soler
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14/06/2022 - 12h

O evento acontecerá entre os dias 2 a 10 de julho no Expo Center Norte, após última edição acontecer online por conta da pandemia de Covid-19. Além disso contará com diversas atrações, como painéis de autores nacionais e internacionais.

Para Suze Rocha, autora do livro A Menina Sem Rosto, a Bienal do Livro é um momento de valorização da literatura nacional, pois promove um momento de conexão entre amantes da literatura e também dá acesso ao conhecimento e novas obras. “Acredito que a Bienal  será um reencontro cheio de amor”, diz Rocha. 

“Como escritora autônoma, este evento é a atmosfera perfeita para divulgar meu trabalho, atrair leitores curiosos e envolvidos com questões sociais”, relata Rocha. “O autônomo tem que ser muito corajoso e confiante para entrar neste mercado, só o amor pela escrita e leitura que nos transforma em pessoas corajosas.”

Gabriel Davini, escritor da saga A Ruína Dourada, também compartilha do mesmo sentimento. “Os eventos são uma parte chave da vida de qualquer escritor independente”. Confira nossa entrevista com Davini na íntegra:

 

A Ruína Dourada:

Assista ao trailerbook:

 

A Menina Sem Rosto:

O livro "A menina sem rosto" é uma história comovente, baseada em fatos reais, que narra a trajetória de sofrimento de uma garotinha que é vítima de bullying na escola. “É um forte instrumento de combate e conscientização sobre o mal que o bullying faz nas crianças e adolescentes em um ambiente escolar. Escrevi esse livro pensando em todas as vítimas, e desejo que todos (adultos, adolescentes e crianças) tenham acesso e o utilizem como agente transformador”, conta a autora.

Capa de A Menina Sem Rosto
Capa do livro "A Menina Sem Rosto"

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Após dois anos, realizado online por causa da pandemia da Covid-19, o evento voltou a ocorrer presencialmente.
por
Eshlyn Cañete
Jessica Midori
João Pedro Lindolfo
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09/06/2022 - 12h

Localizado em oito regiões diferentes ao redor de São Paulo, o Evento contou com shows de artistas renomados como Luisa Sonza, Pitty e Planet Hemp e se caracterizou um sucesso na crítica do público. A presença maior de artistas da periferia e a descentralização dos shows são os grandes fatores para o sucesso da Virada Cultural, que permitiu acessibilidade a quem possui dificuldade para se locomover em grandes distâncias por São Paulo. No vídeo, iremos mostrar um pouco deste evento cultural que retornou à capital.  

https://www.youtube.com/watch?v=66GyQsGWNZw&ab_channel=EshlynBeatrizCa%C3%B1ete

 

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A exposição é uma homenagem aos 13 anos do livro "A arte de Tim Burton", que fala sobre o universo do artista
por
Ana Beatriz Villela
Kiara Elias
Vitor Simas
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09/06/2022 - 12h

"A beleza sombria dos monstros" é uma homenagem aos 13 anos do livro "A arte de Tim Burton", que fala sobre o universo do artista conhecido por filmes como "Edward mãos de tesoura", "Batman", "A noiva cadáver" e "Alice no país das maravilhas".

exposição
Foto: Bruno Soares/ Divulgação​​​​​​

A exposição, inaugurada na Oca do Parque Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, conta com 14 salas, são mais de 2,6 mil metros quadrados de experiência imersiva com recursos multimídias: ilustrações, luzes, sombras, sons, cores e formas cênicas que dão vida ao universo do Tim Burton.  Está aberta ao público de terça a domingo, das 9h às 21h. Os ingressos custam de R$ 20 a R$ 70 reais e podem ser comprados na bilheteria da própria Oca ou pela internet.

Confira o vídeo reportagem da exposição feita pela AGEMT aqui.

 

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Após sete semanas de depoimentos íntimos, explosivos e reveladores, o júri toma sua decisão a favor de Depp, assista o vídeo e entenda todos os detalhes do caso
por
Arthur Pessoa, Beatriz Vasconcelos, João Victor E. Guimarães, Rafaela Dionello
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09/06/2022 - 12h

No dia 11 de abril deste ano Johnny Depp e Amber Heard deram início a um julgamento que se estendeu por sete semanas. Depp estava processando a atriz por difamação, após ela ter escrito uma matéria, em dezembro de 2018, para o jornal The Washington Post o acusando de agressão doméstica. Amber não mencionou o nome de Depp, mas a defesa do ator afirma que o artigo configurou difamação e foi responsável por prejudicar a carreira dele. 

O julgamento, que parou a internet, finalmente teve um desfecho. Para acompanhar todos os detalhes assista o vídeo. 

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