Em um período de transformação significativa na mídia e nas artes performáticas do Brasil, uma personalidade se destacou por sua adaptabilidade e criatividade: Diego Martins. O ator, que também atua como, cantor e drag queen, vem conquistando novos públicos e expandindo sua atuação em várias plataformas, incluindo a televisão aberta e apresentações ao vivo, enquanto promove uma mensagem de visibilidade e diversidade artística.
Natural de Campinas, e com uma trajetória que começou na infância no teatro musical, Diego já tem uma carreira que combina atuação, música e performances drag. Ele ganhou notoriedade nacional ao interpretar Kelvin Santana na novela “Terra e Paixão”, da TV Globo, um papel que cativou o público devido à sua personalidade leve e carismática.
Em 2026, o artista inicia uma nova fase de notoriedade ao se juntar ao elenco de “Coração Acelerado”, em que interpreta Esteban, um estilista que se entrelaça com as histórias centrais da trama. Essa participação é um marco relevante na carreira televisiva de Diego, ampliando seu alcance para um público cada vez mais amplo e diversificado.
A força da presença LGBTQIA+ na televisão
Na trama de 2023 que Diego interpretou,Kelvin, ele começou sendo inserido no núcleo do bar da cidade fictícia de Nova Primavera, mas rapidamente ganhou destaque.
Seu enredo LGBTQIA+ foi um dos pontos mais comentados da novela. Kelvin viveu um relacionamento afetivo que se desenvolveu ao longo da história, abordando conflitos internos, preconceitos e o direito ao afeto em um contexto conservador. A construção do personagem fugiu de estereótipos caricatos e apostou em camadas emocionais, humor e vulnerabilidade, elementos que geraram forte identificação do público.
A repercussão foi significativa nas redes sociais e nos debates sobre representatividade na teledramaturgia. Kelvin não era apenas um personagem cômico: tinha história, desejo, fragilidades e protagonismo em seu arco romântico. Esse papel foi considerado um divisor de águas na carreira de Diego, ampliando sua visibilidade nacional.
No entanto, a resposta positiva do público levou a mudanças no desenvolvimento da trama.
De acordo com os grupos de pesquisa e análises qualitativas de recepção do personagem Esteban, desenvolvidos pela emissora, os relatórios apontaram alto índice de empatia e potencial narrativo ainda pouco explorado nos capítulos iniciais.
A partir desses dados, o personagem passou a ganhar mais tempo de tela e conflitos próprios, deixando de orbitar apenas outros núcleos e assumindo maior protagonismo. O movimento evidencia não apenas o carisma do ator, mas também a força de personagens que dialogam com diversidade estética e comportamental na televisão aberta.
Enquanto seu papel na novela atrai a atenção dos espectadores, Diego continua a ser ativo no cenário musical e de performances. Com shows que combinam suas composições originais, repertório pop e performances drag, o artista tem oferecido ao público uma estética que atravessa estilos e identidades. Seus shows acústicos tornaram-se um espaço de encontro tanto artisticamente quanto simbolicamente, onde a audiência experimenta uma nova dimensão de expressividade.
Após o sucesso da apresentação em São Paulo, o artista realizará uma performance em 2 de abril no Teatro Claro Mais RJ, no Rio de Janeiro. Esta versão acústica foca em arranjos mais íntimos, destacando sua voz e estabelecendo uma maior conexão com o público, solidificando o impacto de sua performance drag mesmo em uma configuração mais contida. O feedback positivo da apresentação paulista motivou esta nova data, consolidando o projeto como uma extensão significativa de sua identidade artística.
O projeto revela uma faceta mais intimista. Com banda reduzida e foco na interpretação vocal, o espetáculo mistura repertório autoral, releituras e momentos de conversa direta com o público. A performance drag aparece de forma integrada à proposta musical, reforçando que essa expressão é parte estrutural de sua identidade artística e não apenas um recurso estético.
Do teatro musical ao mainstream
Antes de chegar à televisão, Diego desenvolveu uma carreira sólida no teatro musical, participando de produções como “Priscilla - A rainha do deserto” (2024), “A Era do Rock” (2017) e muitos outros que exigem canto, dança e atuação, habilidades que agora potencializam sua expressão artística em outros meios. Após se destacar no reality show “Queen Stars Brasil”, o artista rompe fronteiras tradicionais da indústria cultural brasileira e dialoga, com públicos distintos sem abandonar sua identidade artística. Ele ficou ainda mais famoso após vencer a quinta temporada do “The Masked Singer Brasil”, na qual performou sob a fantasia de Odete Roitman, emocionando o público com sua voz e carisma, sua visibilidade nacional. Odete é a grande vilã da novela “Vale Tudo”, exibida pela TV Globo no final dos anos 1980. Interpretada por Beatriz Segall, a personagem ficou marcada por seu comportamento elitista, opiniões polêmicas e frases contundentes. Até hoje, ela é considerada um símbolo de vilania sofisticada na televisão brasileira. Em seguida, firmou um contrato com a Universal Music Brasil.
Foi nesse momento que lançou o álbum “TANTO”, que além de musical também é um álbum visual, um trabalho que estabelece sua identidade musical ao misturar pop moderno, sensibilidade nas letras e intensa carga emocional. Este projeto reafirma sua versatilidade artística e sinaliza uma fase de maturidade, conectando a carreira na televisão com a expressão autoral na música.
Em suas performances e shows acústicos, o artista frequentemente aborda temas de autoaceitação e celebração da identidade, fazendo de cada apresentação não apenas uma exibição musical, mas um ato de afirmação cultural e social.
“A arte drag é uma forma de expressão, é você, com coragem, com ousadia, com escudo, com uma força a mais”, afirmou Diego em entrevista recente, refletindo sobre como essa persona artística funciona não como um alter ego, mas como uma extensão de sua própria verdade.
Além dos palcos, este ano ele participou de eventos culturais relevantes, como o Carnaval de Belo Horizonte com a tradicional Banda Mole, onde misturou performances drag e repertório popular para milhares de foliões.
Influência e inclusão
Além de entreter, a jornada de Diego Martins desde as telenovelas até os palcos simboliza um diálogo mais amplo com a sociedade brasileira sobre diversidade, inclusão e a relevância de ambientes onde múltiplas vozes têm a chance de se expressar.
A participação de figuras como ele nas principais grades de programação da televisão aberta e na atual cena musica, amplia a percepção sobre quem pode preencher esses papéis, um espelho das mudanças culturais em andamento no Brasil.
No último domingo (15), a 98° cerimônia do Oscar aconteceu no Dolby Theater em Los Angeles. Essa temporada de premiações foi marcada por diversos momentos singulares e a presença do brasileiro, Wagner Moura, na categoria de Melhor Ator. Dessa vez o troféu não veio para casa, Michael B. Jordan levou pela sua atuação no filme Pecadores.
Disputa pelo prêmio
Jordan veio como um foguete e passou na frente de seus colegas nas chances de ganhar o prêmio. “Pecadores” teve sua estreia no primeiro trimestre de 2025, mas manteve sua relevância até o fim do ano, algo muito difícil de se atingir.
Desde a estreia do longa, a performance do ator tem sido muito comentada e bem prestigiada. Na trama, Jordan interpreta dois gêmeos gângsters no sul dos Estados Unidos, cada um com uma personalidade distinta e arcos opostos na história.
Durante a temporada de premiações, Jordan ocupou o segundo lugar como ator mais premiado por muito tempo, ficando atrás apenas de Timothee Chalamet. Foi após sua vitória no The Actor Awards que o ator se tornou oficialmente o favorito da categoria.
Wagner Moura começou sua campanha muito bem, lá em maio de 2025, quando ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Sua vitória, e de Kleber Mendonça Filho como Melhor Diretor, alavancaram “O Agente Secreto” num alcance mundial.
O filme recebeu diversas críticas positivas mundialmente, conquistando prêmios e 3 indicações ao Oscar, uma na categoria de Melhor Ator. Wagner, que havia ganhado o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama, foi ganhando força ao longo da temporada, aumentando as esperanças de todos os brasileiros em ver o baiano ganhar um Oscar.
Quando a temporada de premiações iniciou, o favorito da crítica era o ator franco-americano, Timothée Chalamet pelo filme “Marty Supreme”. O ator teve sua primeira indicação ao Oscar aos 21 anos, por “Me Chame Pelo Seu Nome”.
O longa, que estreou em outubro do ano passado para a imprensa e críticos, recebeu muitos elogios e foi de cara marcado como um dos melhores do ano. Chalamet rapidamente ganhou o favoritismo dos especialistas e era a principal aposta para conquistar a tão desejada estatueta.
Porém, sua campanha foi por água abaixo quando o marketing do filme começou. A promoção de “Marty Supreme” foi extravagante, para dizer o mínimo, com grandes eventos em todo o mundo e outros artifícios mirabolantes.
O maior problema, contudo, foi a arrogância que Chalamet transpassou em suas entrevistas. Em uma entrevista com o também ator, Matthew McConaughey, Chalamet fez um comentário de mau gosto sobre artes clássicas. Enquanto discutia suas ambições e paixão pelo cinema, o ator - que cresceu em uma família de bailarinas - afirmou não querer trabalhar com ópera e balé pois “ninguém se importa mais com isso”.
Seu comentário irritou a comunidade de artes clássicas, além do público geral, que passou dias comentando a fala polêmica do ator. A entrevista tomou enorme proporção e, durante sua introdução na cerimônia do Oscar, o apresentador Conan O'Brien brincou “A segurança está bastante reforçada esta noite. Ouvimos dizer que pode haver ataques tanto da comunidade da ópera quanto da comunidade do balé”.
Chalamet, que com apenas 30 anos já conquistou 3 indicações ao Oscar e outros prêmios importantes, afirmava ter sido esnobado pela Academia e deixava escapar frases que indicavam sua vitória no Oscar pelo papel de Marty Mauser. As falas esnobes do ator diminuíram suas chances e, o até então favorito para o prêmio, ganhou a antipatia do público e dos votantes da Academia.
Leonardo DiCaprio também foi indicado na categoria. O ator, que protagonizou o maior vencedor da noite, “Uma Batalha Após a Outra”, estava no topo das listas para ganhar a estatueta. DiCaprio têm uma longa história com a premiação, tendo sido indicado 8 vezes com apenas 1 vitória, conquistando uma fama de azarão por muitos anos.
Nessa temporada, foi considerado um dos grandes nomes para vencer na categoria, batendo de frente com Chalamet. Mas, surpreendendo críticos e apostadores, DiCaprio perdeu força ao longo de sua campanha, sendo substituído por Michael B. Jordan como principal oponente do francês.
O veterano Ethan Hawke, também foi indicado por sua performance em “Blue Moon”. Hawke, é o mais velho da categoria e possuí diversos filmes de sucesso, em bilheteria e crítica, em sua carreira.
Críticos previam sua performance como sendo a vencedora justamente pela carreira lendária do ator, que protagonizou os clássicos “A Sociedade dos Poetas Mortos” e a trilogia “Antes do Amanhecer". Além da filmografia aclamada, Hawke é querido por muitos membros da Academia - fato importante para a conquista de um Oscar, já que a cerimônia é conhecida por premiar atores que tiveram uma campanha impecável e não necessariamente as melhores performances.
Conforme o dia da cerimônia se aproximava, o resultado estava ficando mais e mais incerto. Alguns ainda acreditavam que Chalamet levaria um Oscar para casa, os brasileiros mantinham a fé em Wagner e outros confiavam que Jordan levaria a melhor - e estavam certos.
Em seu discurso, Jordan menciona outros artistas negros que receberam a mesma honraria como Forest Whitaker e Will Smith. O ator também agradeceu sua mãe, que estava na plateia, em um momento emocionante. Confira abaixo:
Neste domingo (15), Paul Thomas Anderson conquistou o Oscar 2026 de Melhor Direção por “Uma Batalha Após a Outra". O longa-metragem marca a primeira vitória do diretor na premiação após 14 indicações em edições anteriores. Além dessa, o filme levou mais 5 estatuetas.
O filme, estrelado por Leonardo DiCaprio, era o favorito na categoria, que contava com Chloé Zhao (Hamnet), Ryan Coogler (Pecadores), Josh Safdie (Marty Supreme) e Joachim Trier (Valor Sentimental). Anderson já havia sido indicado para a modalidade por trabalhos antecessores, como “Sangue Negro”, em 2008, e “Licorice Pizza”, em 2022.
Em fevereiro , Paul ganhou o DGA (Directors Guild of America Awards), o prêmio do sindicato dos diretores, indicando sua vitória como certa. Desde 1948, os vencedores da condecoração têm coincidido com os resultados do Oscar, sendo raras as exceções.
A trama foi inspirada no livro Vineland (1990), de Thomas Pynchon, e segue a história de Bob Ferguson (DiCaprio), um ex-revolucionário que tem como missão resgatar sua filha de Steven J. Lockjaw (Sean Penn), coronel militar dos Estados Unidos e inimigo de longa data.
Além do astro de Titanic, nomes como Benicio Del Toro (O Esquema Fenício), Teyana Taylor (Um Príncipe Em Nova York 2), Regina Hall (Todo Mundo em Pânico) e a novata Chase Infiniti (Acima de Qualquer Suspeita) compõem o elenco principal.
Em seu primeiro discurso na noite, decorrente da vitória em Melhor Roteiro Adaptado, Paul Thomas Anderson expressou sentir-se “extremamente honrado por fazer parte da história” e agradeceu Pynchon pela obra que inspirou o filme.
O diretor também mencionou a atriz e comediante Maya Rudolph, com quem vive um relacionamento desde 2001, bem como os filhos do casal. “Escrevi este filme para os meus filhos, como um pedido de desculpas pela bagunça que deixamos neste mundo que estamos lhes entregando. Mas também, com o intuito de encorajá-los a serem a geração que, espero, nos trará bom senso e decência” explicou.
Uma Batalha Após a Outra foi o mais premiado da noite, levando seis das 13 indicações, dentre elas Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Filme, categorias que o Brasil também disputava com “O Agente Secreto”. Sean Penn levou a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante.
O longa produzido pela Sony Pictures em parceria com a Netflix lançado no dia 20 de junho de 2025 conquistou nesse domingo (15) o Oscar de Melhor Animação. Ao receber a estatueta, Maggie Kang, diretora da animação, destacou a importância de filmes animados possuírem representatividade e diversidade e ressaltou ainda como o filme trouxe espaço e destaque para a cultura asiática em Hollywood.
A trama dirigida por Kang e Chris Appelhans conta a história de três garotas Rumi, Mira e Zoey, que durante o dia são artistas e fazem parte do grupo de K-pop Huntrix e durante a noite são guerreiras que lutam contra demônios para proteger a humanidade. O filme é baseado na cultura sul coreana e mistura música e ação, além de combinar elementos visuais 2D com CGI.
O longa alcançou um rápido sucesso, ficou no top 10 global da Netflix por 27 semanas consecutivas. Quebrou recordes de audiência, ultrapassando 500 milhões de visualizações. Apenas dois meses após a estreia, se tornou o filme mais assistido de todos os tempos no streaming, ultrapassando 236 milhões de visualizações.
A animação ganhou uma versão sing along, adaptada para permitir que a audiência cante as músicas junto com o filme, que foi exibida nos cinemas do mundo todo em agosto do mesmo ano. A crítica também foi bem positiva, com um percentual de 96% no Rotten Tomatoes, um website agregador de críticas de cinema e televisão, além da trilha sonora que emplacou sucesso na Billboard Global 200 e na Billboard Hot 100 (EUA), alcançando o primeiro lugar em ambas e levando um prêmio no Oscar.
O filme já havia conquistado prêmios em 2025. No Golden Globe Awards ganhou os prêmios de Melhor Filme de Animação e de Melhor Canção Original com “Golden”, marcando a primeira vitória de um grupo de K-pop, mesmo que fictício. Ganhou também o Critics Choice Awards, na categoria de Melhor Animação e de Melhor Canção com a mesma música.
A canção também fez história ao ficar 18 semanas no Top 200 da Billboard, sendo a primeira música do gênero a alcançar a primeira posição nas paradas.
O filme norueguês Valor Sentimental, dirigido por Joachim Trier, ganhou o Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional na cerimônia realizada neste domingo (15), no Dolby Theatre, em Los Angeles, ao superar produções de outros quatro países, incluindo o Brasil, e confirmar o favoritismo construído ao longo da temporada de premiações.
A obra é um drama intimista que acompanha o reencontro de duas irmãs com o pai distante, um diretor de cinema que enfrenta uma crise profissional e pessoal. A tentativa de reaproximação reabre feridas do passado e expõe ressentimentos acumulados ao longo dos anos, colocando em confronto diferentes visões sobre família, afeto e responsabilidade emocional. Ao longo da narrativa, o filme aborda escolhas pessoais, frustrações e a dificuldade de reconciliação, construindo um retrato sensível das relações familiares e dos impactos do silêncio e da ausência.
Joachim Trier é um dos principais nomes do cinema autoral europeu contemporâneo. Já conhecido por dramas intimistas; Valor Sentimental chegou ao Oscar 2026 como um dos principais favoritos da categoria após uma campanha consistente no circuito internacional. Sua trajetória nas premiações contou com a vitória no BAFTA, principal premiação do cinema britânico e um dos principais indicadores da corrida pelo Oscar. O longa acumulou ainda diversas indicações em categorias centrais da Academia, sinalizando amplo apoio entre os votantes e consolidando sua posição como uma das produções mais prestigiadas do ano.
Disputa internacional e repercussão da participação brasileira
A categoria de Melhor Filme Internacional concentrou uma das maiores expectativas da cerimônia do Oscar 2026, segundo veículos especializados como Variety, IndieWire e The Hollywood Reporter, que encerrou com o triunfo do longa norueguês Valor Sentimental. O resultado marcou o segundo ano consecutivo em que uma produção brasileira esteve entre os indicados, sinalizando a presença recente do país na principal premiação da indústria audiovisual mundial.
O Brasil foi representado no Oscar pelo filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, indicado em quatro categorias. Embora não tenha conquistado estatuetas, o longa se destacou ao longo da temporada por seu reconhecimento crítico e pela ampla circulação em festivais internacionais, consolidando uma trajetória relevante no cenário do cinema mundial.
A visibilidade do filme começou ainda antes da cerimônia, impulsionada pelos dois prêmios conquistados no Festival de Cannes, o que manteve a produção em evidência durante toda a corrida pelo Oscar. Em entrevista no tapete vermelho, o ator Wagner Moura ressaltou o valor simbólico da indicação e reconheceu a força dos concorrentes.
“Eu estou pensando que a gente tem que estar curtindo aqui. Se ganhar o Oscar, vai ser incrível. A gente chegou a um lugar muito bonito, muito legal. Representamos o cinema brasileiro por dez meses, desde o Festival de Cannes, mas, se a gente não ganhar, está tudo certo”, afirmou.
O resultado favorável à produção norueguesa reforça uma tendência observada nos últimos anos: o reconhecimento de narrativas autorais provenientes de diferentes cinematografias ao redor do mundo, de acordo com a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, a qual divulgou uma lista com os últimos vencedores da categoria de Melhor Internacional do Oscar. A Noruega possui presença histórica mais discreta nessa categoria do Oscar, com poucas indicações ao longo das décadas, segundo dados da própria Academia de Hollywood. Parte desse reconhecimento tem sido construído gradualmente a partir do circuito de festivais europeus, onde produções do país costumam ganhar projeção crítica antes de alcançar a premiação norte-americana.
Dados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) indicam que a ampliação do número de votantes internacionais a partir de 2016 contribuiu para uma maior diversidade entre os vencedores, movimento que tem privilegiado narrativas autorais e culturalmente específicas - característica presente na obra norueguesa premiada neste ano.
A repercussão foi imediata na imprensa estrangeira, com veículos como Variety e The Hollywood Reporter apontando o resultado como reflexo da crescente valorização do cinema global e um marco para a indústria audiovisual norueguesa. No Brasil, o anúncio gerou debates entre críticos e nas redes sociais, combinando frustração pelo resultado com o reconhecimento da projeção internacional alcançada pelo cinema nacional e de sua presença frequente entre os indicados recentes.