Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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O intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal é um dos pilares de uma das mais tradicionais casas de eventos da cidade
por
Luiza Fernandes
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28/06/2022 - 12h

Por Luiza Ferreira Pires da Costa Fernandes

No dia 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarava que o mundo estava vivendo uma pandemia de Covid-19. A única forma de proteção que havia até aquele momento era o distanciamento social, fazendo com que o mundo todo se isolasse. O setor cultural sentiu essa paralisação de forma intensa, dois anos sem que pudesse haver a realização de shows e eventos, surgiram lives e até mesmo peças de teatro a distância, mas existe uma particularidade dos eventos presenciais, que não pode ser reproduzida. Eventos culturais representam algo muito além do simples entretenimento, são uma forma de conexão do espectador com aquilo que é apresentado, na cidade de São Paulo existe um lugar que entende isso muito bem, a Casa de Portugal de São Paulo. Lá acontecem dezenas de eventos todos os anos e é ali que muitos portugueses se reencontram com as raízes de seu país. 

“Muito além de assistir a um show, as pessoas vêm a Casa para se conectarem com a sua história, a comunidade portuguesa é muito presente na cidade e aqui existe um pedaço de Portugal”

Roberto Barreto Mendes é o Secretário Geral da Casa de Portugal de São Paulo a 4 anos e conversou com a reportagem sobre a importância de que os eventos também sejam uma forma de conectar a comunidade luso-brasileira, mostrando para as pessoas a forte relação entre as duas culturas. 

A Casa de Portugal tem sua sede no bairro da Liberdade em São Paulo e, ela foi fundada no dia 13 de Julho de 1935 por portugueses e luso-brasileiros de grande destaque daquela época, que se reuniram com essa finalidade no então “Centro do Minho”, uma associação que representava os portugueses desta região. 

O local dispõe de um patrimônio que ressalta a tradição e a preservação dos valores históricos, culturais e a presença dos portugueses em São Paulo. Foi criada com a intenção de servir como uma instituição de apoio e assistência à Comunidade Portuguesa daquela época.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Cadastro e Registro Estrangeiro (Sincre) e organizada pelo Observatório de Turismo e Eventos de SP (Spturis), a maior comunidade estrangeira vivendo em São Paulo é a portuguesa, com mais de cem mil membros. É justamente para enaltecer a importância que essa população tem na cidade que a Casa de Portugal vem todos os anos promovendo um intercâmbio cultural entre os dois países, através da música.  “Apostamos muito na relação entre o Fado e a Música Popular Brasileira (MPB), são os dois ritmos mais tradicionais dos dois países e ambos carregam muita história, ao serem apresentados juntos no mesmo palco, o luso-brasileiro se sente visto, a gente consegue contar, através da arte, um pouco da história daquela pessoa.”

No mês de Abril foi a última apresentação dos dois ritmos lado a lado no palco da Casa, no dia 29 aconteceu a segunda edição do Festival de Fado e MPB, dessa vez com o show “Toquinho e Convidados Cantam Brasil e Portugal”. Toquinho era a estrela da noite e se apresentou ao lado de Marta Pereira da Costa, jovem talento da guitarra portuguesa e considerada a única mulher que toca profissionalmente o instrumento, em nível mundial. 

 

 

Festival de Fado e MPB recebe Toquinho e Marta Pereira na Casa de Portugal  SP - Jornal Mundo Lusíada

Com um repertório movido pelos grandes sucessos de Toquinho e alguns dos fados mais conhecidos, todo o público se emocionou. “É muito bom poder estar de volta na Casa de Portugal, ainda mais com um show como esse, que faz a gente relembrar músicas brasileiras e portuguesas juntas.”

Ana Amália, 66, é aposentada e frequenta os shows e eventos na Casa de Portugal desde 2016, “Para mim é um lugar muito importante, que representa muito afeto, sempre que posso eu tento estar presente em tudo que acontece por aqui, faz eu me lembrar dos meus pais e de outros laços familiares”.

A importância da Casa de Portugal vai muito além de ser uma casa de shows, é um espaço que reforça identidades e que participa ativamente da valorização da cultura portuguesa, tão fundamental para a construção da cidade. Indo a um show como o festival de fado, é possível identificar todos esses elementos de forma muita clara, existe mesmo ali um pedacinho de Portugal. 

 

 

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O número de animais abandonados e vendidos após maus tratos ainda é alarmante no Brasil
por
Larissa Isabella
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28/06/2022 - 12h

Por Larissa Isabella Araújo de Sousa

Itapecerica da Serra, interior de São Paulo, uma paisagem iluminada pelo crepúsculo, à medida em que caía o sol, Bruno Roberto dos Anjos ficava cada vez mais empolgado para contar sobre os cães que a ONG cuida e seus nomes criativos. Na ONG Cão Sem Dono o principal ponto é o bem estar do animal e o incentivo à retomada deles para a sociedade a fim de fazer com que a adoção seja possível.  No Brasil há mais de 30 milhões de animais de rua entre cães e gatos segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), destes cerca de 170 mil estão sob os cuidados de ONGs que lutam pela causa animal.


Durante a pandemia do coronavírus a situação ficou ainda pior. Além do crescimento da taxa de abandono, os animais começaram a ser deixados em piores condições. Bruno contou que após os 20 anos da organização, os animais começaram a chegar mais machucados, mais magros por estarem passando fome. As ONGs têm uma batalha árdua para conseguir se manter e construir uma boa estrutura para abrigar cada vez mais bichinhos, além disso como não possuem uma entrada fixa de renda elas dependem muito das doações da população. Outra forma de ajudar é apadrinhando um animal, ideal para quem ama os animais, mas não consegue cuidar de um por qualquer motivo.

Em um País em que grande parte da população ainda compra animais, o abandono por qualquer situação fora do controle dos tutores ainda é muito comum. O funcionário da ONG explica que as pessoas têm muito enraizado na mente um cachorro ideal para a adoção, elas chegam com o pensamento voltado em uma fêmea dócil, de pequeno porte e que seja quieto. Irônico como querem adotar um cão para companhia, mas quanto mais humanizado o animal for melhor. A sociedade está muito movida ao bem-estar próprio e ignora que os animais também precisam ser acolhidos, compreendidos e, claro, se necessário, adestrados. No entanto, não deve-se chegar com uma ideia tão fixa de algo vai ser bom apenas para o tutor, dessa forma a probabilidade de devolver o bichinho é grande.

Ao conversar com tutores de animais adotados, o principal incentivo na hora da adoção é sempre a ligação com o cãozinho. Inicialmente a ideia surge por gostarem de bichos desde pequenos e depois de entender que os animais têm sua própria personalidade, as pessoas começam a procurar por organizações seguras que tratam os animais corretamente e então tentam se conectar com um dos bichinhos, para depois adotar.

A venda de animais é ainda uma prática muito comum no Brasil, porém se trata de uma ação ilegal regulamentada na lei de número 11.977 de 25 de agosto de 2005. A ilegalidade acontece porque em grande parte dos casos de criação para o comércio, os animais são explorados e passam por maus tratos em prol de um benefício financeiro a quem os cria. A estrutura das organizações não é só sobre o tamanho e quantos animais conseguem cuidar, é sobre a forma que os tratam.

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Representações do povo Rom na mídia ampliam discussões sobre o preconceito e discriminação sofrida por esse povo
por
Anna Cecília Nunes
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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28/06/2022 - 12h

 

Bandeira Internacional do povo Rom
Bandeira Internacional do povo Rom

O mês de junho, desde 2008, é o Mês da História do Povo Romani. A celebração, que ocorre em sua maior parte no Reino Unido, auxilia no combate ao preconceito e discriminação sofrida por esse povo. Através da conscientização, a data desafia os mitos e dá voz aos membros em geral.  

Hoje, em pleno século XXI, os romanis ainda encontram dificuldades para sobreviver e viver em paz na maioria dos países, muitas vezes identificados como embusteiros e, até mesmo, ladrões. Embora as organizações internacionais e não governamentais tenham tentado melhorar os padrões de vida das comunidades roma em diferentes países, especialmente na Europa, a comunidade permanece em grande parte isolada da população em geral.

“Para mim, o Mês da História Romani é sobre capacitar nossa comunidade, olhando para nossa história de sobrevivência e como podemos continuar a prosperar mesmo depois de tudo o que passamos. Há uma visão geral do nosso povo de que olhar para trás não trará nada além de lembranças ruins do que passamos, e ter um mês dedicado à nossa história, nossas lutas e tudo o que introduzimos através de nossa cultura é incrivelmente importante. Isso mostra que somos um povo resiliente, não os estereótipos que as pessoas pensam de nós", afirma Olivia, romani de 22 anos, de Nevada (EUA).

Historicamente, existem diferentes formas de se referir ao povo romani, de acordo com as regiões que habitam. A origem do termo romani permanece incerta, mas remonta à segunda migração em torno do ano 500. Enquanto ao termo “cigano” vem dos nativos brancos europeus, que acreditavam que os imigrantes vieram do Egito - este termo é, muitas vezes, tomado como um insulto por parte de alguns membros da comunidade.

“Através dos séculos, os ciganos foram vítimas do isolamento e discriminação dos europeus nativos. Por exemplo, na Europa, foram submetidos a uma limpeza étnica, rapto de crianças e trabalho forçado. Na Inglaterra, os ciganos eram expulsos das comunidades, às vezes, pequenos ou eram até mesmo enforcados no início do século XIX. Na França, eles foram marcados tendo barbeadas as suas cabeças, na Morávia e Boêmia as mulheres foram marcadas tendo suas orelhas cortadas”, afirma Carla Cristina, pesquisadora em gênero, mulheres, condição social, relações sociais e políticas sociais, e doutora em Ciências Sociais.  

 

Por que a representatividade dos rom é tão importante na mídia ?

Feiticeira Escarlate: O Caminho das Bruxas (2015)  Reprodução: Marvel Comics
Feiticeira Escarlate: O Caminho das Bruxas (2015) 
Reprodução: Marvel Comics

Wanda Maximoff, popularmente conhecida como Feiticeira Escarlate, é uma super-heroína da Marvel Comics, criada em 1964 por dois escritores judeus, Jack Kirby e Stan Lee. Nascida em um acampamento romani, dentro de sua cultura e costumes, adotou o sobrenome Django Maximoff de seu pai em homenagem a duas lendas da cultura romani, Django Reinhardt e Matéo Maximoff. 

Na adaptação da personagem para os filmes da Marvel Studios, Elizabeth Olsen, atriz branca e não pertencente aos roma, foi escolhida para dar vida à bruxa. Apesar de ser uma das super-heroínas mais poderosas no mundo dos quadrinhos, a escalação ainda gera, em especial nas redes sociais, debates em relação ao apagamento cultural e histórico da comunidade romani no mundo do entretenimento.

Em entrevista à AGEMT, membros da comunidade relataram suas experiências com as representações no meio cultural. "Acho importante elevar as vozes romani e mostrar às pessoas que não somos apenas criminosos ou que nosso futuro sempre será a pobreza. No ambiente cultural, isso mostra às pessoas que não somos uma cultura de ladrões, mas que somos capazes de ser heróis, de retribuir às comunidades externas e que não estamos perpetuamente presos à pobreza porque queremos", contou Itzel, 25 anos, do México. Maria Charlotte, neta de romani, também afirma que as representações perpetuam um ideal racista e estereotipado. "A maioria das representações que eu vejo na mídia, hoje em dia, são visões racistas do meu povo. Um exemplo disso é o personagem Dick Grayson, da DC Comics, que só sofreu o reboot como roma para ser hipersexualizado, ou até mesmo a adaptação extremamente ridícula de Buffy Caçadora de Vampiros, que constantemente bate na tecla de que romanis são sujos, sorrateiros e que vivem jogando maldições em gadjos. Claro que algumas representações funcionam, mas a maioria só leva estereótipos racistas sobre nós para a mídia.", relatou ela. 

A eliminação da cultura romani é uma consequência dos anos de opressão sofridos pela comunidade durante o holocausto e os anos de linchamento por vários países. A representatividade faz com que as pessoas compreendam a discriminação e atrocidades cometidas contra o povo romani - que não duraram apenas décadas, mas centenas de anos - e se conscientizem em relação à essa problemática. Itzel também comenta que esse comportamento midiático menospreza sua cultura. “Eu vejo que a nossa cultura e identidade não são levadas a sério, sendo transformada em fantasia e tratada como uma piada. Não nos dão nenhum crédito pelo o que criamos - a menos que eles o associam ao crime -, então o apagamento é basicamente menosprezar nosso povo e nossa cultura; não somos bons o suficiente para uma representação precisa, basicamente.”

Personagens como Wanda e Pietro Maximoff, ou até mesmo Victor Von Doom, têm um papel importante para as produções culturais, pois contribuem para a diversidade das representações e quebram com o estereótipo racista. "Vejo muita importância em apagar estereótipos e redefinir nossa cultura através de nossas lentes. As pessoas sempre usam estereótipos e caem no racismo para se justificar, porque não temos representação. Na realidade, nunca temos a oportunidade de mostrar nossa cultura, nossa história e opressão através de nossa perspectiva. Também mostra a outros ciganos que eles não estão sozinhos. É importante mostrar nossa cultura através de nossos olhos para evitar racismo e estereótipos e elevar nossas vozes", explica Olivia. Maria Charlotte complementa: "[...] assim como toda representatividade de minorias étnicas, a representatividade romani serve para fazer as pessoas abrirem mais as mentes e nos aceitar mais."

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A dificuldade da lidar com a dor da perda
por
Lucca Ranzani
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25/06/2022 - 12h

Por Lucca Ranzani

 

A perda de um ente querido é uma situação horrível. A notícia é recebida com profunda tristeza, seguido pelo medo de viver sem a presença dessa pessoa. A morte  de uma pessoa importante e querida causa uma grande mudança na vida das pessoas que acabaram ficando. Ela viverá somente nas lembranças e deixando saudades. O ambiente se torna mais vazio, mais silencioso e os planos futuros precisam ser alterados.

O luto é um estado emocional em que as pessoas enfrentam após a perda de um parente, amigo ou uma pessoa querida. Uma sensação de vazio começa a surgir e pensamentos de que a vida perdeu um pouco de seu propósito. Pode levar meses até anos para quem sofreu essa perda consiga se sentir melhor. A psiquiatra suíça- americana Elisabeth Kubler-Ross, precursora de pesquisas com pacientes vítimas de câncer e AIDS que estão em fase terminal, realizou um estudo da proximidade com a morte e acabou notando as cinco fases do luto que são eles:

-Negação (Não acreditar na perda e acaba lutando contra a realidade, negando que a pessoa próxima acabou morrendo.

-Raiva (A pessoa começa a ter atitudes de agressividade e de questionamentos raivosos, como “por que ela e não eu?” ou “por que a vida é assim?)

-Barganha (Tentativas de tentar negociar a volta do ente querido ou tentar fazer um acordo com a fé da pessoa para prolongar a vida desse ente querido que está gravemente doente)

- Depressão (Alto nível de tristeza junto de melancolia e solidão, isso pode acabar evoluindo para uma depressão se não for devidamente tratada)

-Aceitação (Após conseguir externar esses sentimentos ruins, a pessoa consegue seguir em frente, não é quando acaba a dor e a saudade porque isso irá continuar).

Segundo a médica, essas fases do luto são uma resposta emocional que se espera ter nessa situação. Assim, é preciso ser sentidas e externadas de maneira saudável para que as pessoas consigam ser capazes de lidar com essa perda de um ente querido. Quando esse luto não é bem tratado, o luto acaba se tornando um problema para a saúde mental e física, carreira, relacionamento, vida financeira, objetivos pessoais e entre outras áreas da vida. Isso pode acabar resultando em sentimentos de solidão, culpa, apatia, perda de identidade e até ideação suicida.

Para superar o luto, a psicóloga Esthefani Alves diz que é necessário elaborar a perda e refletir, compreender esses aspectos e situações que toda pessoa enfrenta, com o seguir em frente, à nova rotina sem a pessoa, são aniversários, datas comemorativas, dia das mães, dia dos pais, natal e réveillon, onde infelizmente esse ente querido não estará mais presente no plano físico, ficando somente no plano espiritual.

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A dança como parte inerente ao que é ser humano
por
Bruna Parrillo de Carvalho
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23/06/2022 - 12h

 

 Há questões da humanidade que jamais conseguirão ser respondidas, uma delas - por que dançamos? Será uma forma de comunicar o que não conseguimos colocar em palavras? Ou uma forma de se conectar ao mundo? 

Por ser um meio entre o biológico e o cultural, a dança assim como a arte é um reflexo de nós, uma extensão do lugar que habitamos e do momento histórico em que vivemos. Para a bailarina da companhia de dança Ballet Stagium de São Paulo, Raffaela Scotti, a palavra dança “significa vida, e a vida é dança, não tem dissociação.” O corpo é um veículo genuíno de representatividade do interior e exterior, sendo assim a dança transforma-se em uma ferramenta de entendimento do mundo e da humanidade. “Não é que eu poderia viver sem a dança, não teria nenhum sentido estar em uma existência sem dançar”, reflete.

O século XX foi marcado por um período complexo, de rupturas, transformações e guerras, as consequências desses episódios refletiram diretamente na sociedade, na psique humana e nas artes. Em 1920 após a primeira guerra mundial, surge na Alemanha o movimento artístico conhecido como expressionismo, que busca exteriorizar o inconsciente humano. A dança foi influenciada por essa corrente e o coreógrafo Rudolf Laban promove uma pesquisa que explora a compreensão dos conflitos entre corpo e mente. “Apesar da gente querer fugir, também somos natureza, temos que aceitar o irracional”.

Em um breve espaço de tempo a Alemanha passa por duas guerras, o que deixa seu território arrasado sócio, político e economicamente. Nesse contexto, as teorias produzidas por Rudolf Laban caem no esquecimento, no entanto, a partir dos anos de 1970 retomam com os trabalhos da coreógrafa Pina Bausch, inserindo a dança-teatro que se fundamentava em uma dança que deveria ser experienciada, percebida e sentida. 

Qualquer movimento pode ser dança: andar, amarrar os sapatos ou até olhar. “Eu não faço uma dança, estou sempre dançando. A dança é esse movimento de mundo que flui entre as coisas. Tudo é dança”, comenta. Os gestos simples do cotidiano são ressignificados para Pina Bausch, através da repetição tornam-se abstratos, ganhando outro sentido, um estatuto estético e social-crítico. 

A personalidade, histórias e as vivências dos bailarinos permeiam todo processo de criação, expondo em suas obras um ser humano frágil, com dúvidas e inquietações. Para a coreógrafa o bailarino precisava ser consciente dos seus impulsos, se colocando à escuta de si mesmo e deixar que os gestos brotassem dessa conscientização. “Eu não tenho como fugir do que eu sou e a forma que vejo as coisas, única saída é me entregar por inteira”, conclui.

O processo constituía através de questionamentos individuais, na tentativa de problematizar e se aproximar das experiências subjetivas, e partir delas, propor uma retratação da realidade, fazendo com que o público se identificasse com o humano à sua frente. Nas palavras de Pina Bausch, suas criações são um “espaço que podemos encontrar uns aos outros”. 

Afinal, o que te move? “Nem sei como explicar porque é algo tão óbvio e tão simples. É quando a pessoa fala de algo com brilho nos olhos de alguma memória de algo que viveu, uma história da vida dela, é quando fala de alguém que  ama. É quando está por  inteira, viva e pulsando. É isso que me move”.

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