Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
|
29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
|
26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

Tags:
A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
|
26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

Tags:
Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
|
25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

z
       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

z
                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
z
                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
z
                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

Tags:
Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
|
25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

Tags:
A premiação musical tenta se estabilizar com o gênero após premiações polêmicas dos anos anos anteriores.
por
Davi Garcia Valentim
Ana Kézia de Andrade
|
05/04/2022 - 12h

 

Primeiro semestre do ano, época reservada para as maiores premiações no âmbito cultural, entre eles o Grammy, evento responsável por premiar os melhores no universo da música, o evento ocorreu no último domingo (03). A premiação envolve esquemas de votações consideradas contestáveis, pois é feita por um grupo selecionado pela Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravação dos Estados Unidos (ou NARAS), sem a possibilidade de participação de críticos e fãs.

 

Após edições com diversas polêmicas em grande parte das categorias, como em 2020, a estreante Billie Eilish empilhando prêmios em cima das gigantes Taylor Swift, Beyoncé e Ariana Grande. E mais recente, em 2021, a também estreante Megan Thee Stalion que, surpreendendo a muitos internautas, passou pelo mega-hit “The Box” do jovem Roddy Rich, ou “Rockstar”, do DaBaby, garantindo assim o prêmio de melhor música de rap, categoria essa que também já é polêmica desde 2013, com Macklemore e venceu em cima de uma obra-prima de Kendrick Lamar, “Good Kid, M.A.A.D City”.

 

A organização do evento possui o dever de garantir estabilidade para a categoria do rap, pois a cada ano vem sendo mais e mais criticada, e por consequência, boicotada por diversos rappers e artistas do meio. The Weeknd, Drake e Kanye West foram alguns que escolheram não comparecer à premiação deste ano, por conta da reincidência de erros.

 

Começando pelo prêmio de revelação, que contou com o jovem e estrondoso Baby Keem, primo da estrela Kendrick Lamar, além do australiano Kid Laroi, responsável por um dos maiores sucessos do ano, “Stay” com Justin Bieber. Porém, não havia alguém capaz de tirar o troféu da estrela Olivia Rodrigo, uma máquina de hits em 2021, fez um sucesso enorme no mundo inteiro, e colocou “good 4 u” em incríveis 14 semanas no nº1 da Billboard Chart. Porém, Keem foi recompensado na categoria de melhor performance no rap, com a música “Family ties”. 

 

Na categoria ‘rap melódico' o prêmio ficou com o consagrado Kanye West com “Hurricane”, e ainda contou com The Weekend e Lil Baby, numa atuação magistral do trio em um hit considerado por fãs como angelical. Também vale destacar “WUSYANAME”, do aclamado Tyler the Creator, em uma união com o polêmico NBA Youngboy, mas que gerou uma das melhores músicas de 2021.

 

Nas principais categorias do gênero, Kanye garantiu mais uma, numa dupla gigantesca com Jay-Z, com a música “Jail”. Esse prêmio gerou uma certa discussão nas redes, com argumentos sobre não ser a melhor música de “Donda”, álbum vencedor da categoria. Estavam na disputa pelo prêmio “Family ties”, e “m y . l i f e”, do também ótimo J.Cole. 

 

Na categoria “melhor álbum de Rap” a decisão era unânime, pois quem ganhasse o prêmio, este estaria em boas mãos, nesse caso foi para Tyler the Creator, que ganhou seu segundo Grammy na categoria, agora com o completo e prazeroso “Call Me If You Get Lost”. A categoria contava com “Donda”, “The Off-Season”, do J.Cole, e “King’s Disease II”, do Nas. Todavia, internautas nas redes sociais comentam que, ainda sim, faltaram possíveis candidatos, como o “The Melodic Blue”, do Baby Keem, ou o incrível e pouco badalado “Sometimes I Might Be Introvert”, da Little Simz. Vale destacar também Doja Cat e SZA em “Kiss Me More”, que venceram como melhor performance em dupla/grupo no Pop.

 

Independente do ano, a premiação irá gerar polêmica nas redes, enquanto o NARAS não garantir segurança em suas escolhas e na entrega do prêmio. É improvável agradar a todos. Espera-se que o senso crítico prevaleça, independente de números. 

 

 

Tags:
A escritora, membro da Academia Brasileira de Letras e ganhadora de diversos prêmios importantes da literatura, faleceu no último domingo (03/04) aos 98 anos, devido a causas naturais
por
Ana Kézia Andrade
|
04/04/2022 - 12h

 

Uma vida transitando entre conto e romance, assim é marcada a trajetória de Lygia Fagundes Telles. Nascida em 19 de Abril de 1923, na cidade de São Paulo, criada pela região do interior do estado. Filha de um advogado e promotor de justiça e de uma pianista. 

 

Aprendeu a ler e a escrever cedo, e aos 15 anos estreou no mercado da literatura com a obra  Porão e Sobrado, uma coletânea de 12 contos. No entanto, a escritora considerava o início de sua carreira com o lançamento do romance Ciranda de Pedra, em 1954, mesmo tendo lançado dois livros de contos antes. Seu legado coleciona mais de 20 livros de contos e quatro romances. 

 

Dona de uma escrita ousada e sensível, com o dom da escrita incentivado pelos consagrados escritores Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo, a escritora reúne em sua extensa lista de premiações mais de 16 troféus, entre eles o Prêmio Camões, um dos mais importantes para a categoria. Seus livros receberam diversos prêmios, dentre eles, alguns de destaque internacional, como o Antes do Baile Verde que conquistou premiação no Concurso Internacional de Escritoras, na França. E diversos nacionais, como Prêmio Jabuti, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e “Golfinho de Ouro”, os mais importantes para a categoria.

 

Formada em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, conciliou a carreira jurídica com a literatura e formou-se no mesmo ano em que ocupou um cargo na Academia Brasileira de Letras. Atuou como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo. Atuou na presidência da Cinemateca Brasileira e foi membro da Academia Paulista de Letras.

 

Suas obras foram traduzidas e publicadas em mais de 10 países, ganharam adaptação para o teatro, cinema e TV. Integrou a comissão de escritores que combateram veementemente a censura através do “Manifesto dos Mil” em 1976, na cidade de Brasília. 

 

Lygia faleceu na manhã do dia 3 de Abril, alguns dias antes de completar 99 anos. Uma morte por causas naturais, em casa. O corpo foi velado ainda na tarde de domingo 03/04, na Academia Paulista de Letras, na qual a escritora era membro desde os anos 80. O Corpo foi cremado em uma celebração restrita à familiares na tarde desta de segunda-feira, 04/04.  

Tags:
Após passar por 24 países, evento desembarca na capital paulista
por
Dayres Vitoria
Victoria Nogueira
|
31/03/2022 - 12h

A exibição imersiva de Vincent Van Gogh finalmente chegou ao Brasil. Desde 17 de março a mostra “Beyond Van Gogh“  pode ser admirada em São Paulo, oferecendo aos visitantes   a experiência de se sentirem parte das obras do  pintor holandês. 

Bruna, analista de marketing, de 25 anos, que inclusive já visitou o museu do artista em Amsterdã, na Holanda,  garante que a experiência está extraordinária e que não se compara a nenhuma outra que tenha vivido. "É muito diferente, você realmente se sente dentro das obras e você se imagina um pouco como um pedacinho dos quadros. É uma experiência única".

Já Laura, jovem goiana que está de férias na capital paulista, foi convidada pela amiga a ir à exposição e simplesmente adorou. A administradora de empresas curtiu tanto a vivência  que ainda manda um recado para quem não teve a oportunidade de visitar a exposição. "Eu acho que tem que vir para se entregar e se deixar sentir, (...) deite no chão, olhe para cima e se permita entrar nos quadros e acompanhar toda história do artista”.

OBRAS E CARREIRA 

 

Obra "A Noite Estrelada",  de 1889 | Reprodução
Obra "A Noite Estrelada", de 1889 | Reprodução 

 

Referência no campo da pintura, o holandês Vincent Van Gogh adotou diversos estilos antes de se consolidar no pós-impressionismo. A primeira obra que fez de Van Gogh um artista reconhecido no mundo da arte foi “Os Comedores de Batatas", de 1885. Carregada de um forte contexto social, a pintura retratava a vida simples de camponeses durante uma refeição noturna.  A  obra  era apontada como  um  dos  quadros favoritos do artista. 

Embora ela tenha sido essencial para sua carreira, esta pintura não foi seu único grande sucesso. “Noite Estrelada”, também de 1889, ganhou a admiração do mundo como uma de suas obras mais belas ao representar a graciosidade de um céu estrelado. “Lírios”, outra de suas obras-primas, é facilmente reconhecida pela delicadeza. Já “Os Girassóis'', de  1888, chegou a quebrar recorde de leilão de uma pintura ao ser vendida por quase U$40 milhões em 1987. 

Em meio a tantos trabalhos excepcionais, a aclamação mundial somente foi conquistada após sua morte. Em vida, teve apenas uma única obra vendida. Depois de seu falecimento, sua fama rapidamente decolou, principalmente após uma exibição feita em  Paris  com  71 de suas pinturas.  Em vida,  seu trabalho  foi  a mais pura manifestação  de seu amor pela arte e pela beleza do mundo. 


TRAJETÓRIA E  FRACASSOS 

Nascido em 30 de março de 1853, no sul da Holanda, Vincent Willem Van Gogh vinha de uma família rica, teve cinco irmãos e desde criança se interessou  pela arte, sendo incentivado já pequeno a seguir carreira na área. Um de seus familiares mais importantes em sua vida foi seu irmão,  Theodorus Van Gogh, que foi seu alicerce  e melhor amigo durante toda a sua trajetória. Devido a forte proximidade entre os irmãos, chegaram a trocar mais de 600 correspondências. Theo, mesmo sendo quatro anos mais novo,  foi um dos principais incentivadores de sua carreira artística, além de  o ajudar financeiramente.

As inúmeras incertezas sobre a vida de Vincent despertam até hoje  curiosidades de diversos estudiosos e cientistas. Um estudo recente feito pela Universidade de Medicina de Groningen, na Holanda, constatou que o famoso incidente do pintor, que deu origem ao quadro “Autorretrato com a Orelha Cortada”, teria sido fruto de um descontrole emocional. O episódio, influenciado pela sua bipolaridade e  alcoolismo, o levou ao suposto suicídio. 

 

"Autorretrato com a Orelha Cortada", 1889 | Reprodução
"Autorretrato com a Orelha Cortada", 1889 | Reprodução 

 

Apesar de seu inquestionável dom e espírito artístico, o envolvimento  com o álcool   simbolizou o começo de um  declínio  sem volta. Apenas após o incidente da orelha foi que o artista se viu obrigado a ter que deixar o vício, o que lhe rendeu uma forte abstinência que mais tarde teria reflexo em seus futuros problemas psicológicos. Entretanto, mesmo com a vida posteriormente acometida pela depressão, ele não interrompeu a produção artística.
Em 1890, Vincent Van Gogh  morre em meio a circunstâncias não esclarecidas.  Para alguns estudiosos, o pintor holandês teria cometido suicídio com um tiro no peito, mas para  Steven Naifeh e Gregory White, autores da biografia “Van Gogh: The Life (Van Gogh: A Vida, em tradução livre), isso não aconteceu, na verdade o artista teria sido atingido por um tiro acidental dado por dois rapazes  que o conhecia. 

Sendo referência incomparável  no mundo da arte, Vincent Van Gogh é considerado um dos maiores pintores já existentes. Em 37 anos de vida produziu mais de 2 mil obras. Após sua morte recebeu o devido reconhecimento, mas em vida  o pintor lidava com inúmeros problemas pessoais, frutos de uma trajetória para lá de conturbada. 


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO: 

“Beyond Van Gogh“ ficará  em  cartaz em São Paulo até 03 de julho de 2022 no estacionamento do piso G4 do Morumbi Shopping. Os ingressos seguem à venda no site da Livepass e os valores variam  entre R$70,00 e R$110,00. Idosos e estudantes têm direito a meia-entrada.  

Tags:
Coordenadora do curso de “Arte: História, Crítica e Curadoria” da PUC-SP destaca a importância do artista para a identidade cultural do país.
por
Gustavo Pereira
Isadora Taveira
Laura Melo
Marcelo Zanardo
|
30/03/2022 - 12h

Em entrevista à AGEMT a coordenadora do curso de “Arte: História, Crítica e Curadoria” da PUC-SP Priscila Almeida enaltece a grande carreira de Elifas, “Ele teve em torno de 40 anos de carreira, inúmeros trabalhos, com uma produção muito grande em capas de discos. Assinou obras do Paulinho da Viola, Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Elis Regina. Ele também fez ilustrações de capas de livros, por exemplo da Clarice Lispector”.

A professora complementa dizendo, “A linguagem visual dele, principalmente a conhecida no campo da discografia é bastante pautada em cores vivas, que de alguma maneira dialogam com a cultura popular brasileira e geralmente trabalha com retratos emotivos que humanizam e evocam imagens de um povo brasileiro sofrido, trabalhando também com os signos políticos e que fazem parte da história do país”.

Almeida conta ainda qual é sua obra preferida de Andreato, “ele tem no campo das artes plásticas um painel que foi montado no corredor de acesso ao Plenário da Câmara dos Deputados, onde ele homenageia alguns políticos que tiveram os seus mandatos cassados na época da ditadura civil militar no Brasil. É uma obra que faz parte do resgate da história da ditadura militar, uma obra grande, que tem em torno de 5 metros de comprimento por 1,70 de altura e ela participa como um documento desse período histórico trágico do país”. Ela se refere à tela A Verdade, ainda que tardia, concluída e doada em 2012 para a Câmara. Ela foi exposta durante as homenagens daquele ano a parlamentares cassados pela ditadura e mostra cenas de tortura praticadas pelo regime contra cidadãos brasileiros nos chamados “anos de chumbo” (1968-1974). O quadro ficou um mês exposto na casa legislativa e depois foi levado para um depósito, longe do público, onde está até hoje. Na época, deputados exigiram a retirada por considerar as cenas retratadas, “constrangedoras”.  

Para a docente, “desde os anos 60, o trabalho dele (Elifas Andreato) no campo da ilustração, do design gráfico, fez aqui a história da cultura da produção brasileira”.

Em ano eleitoral, o festival chama a atenção do Governo devido a protestos de artistas.
por
José Pedro dos Santos
Gabriel Cordeiro
|
29/03/2022 - 12h

 

   Após o primeiro dia do festival Lollapalooza, o Partido Liberal, atual partido do presidente Jair Bolsonaro, abriu uma ação contra manifestações políticas dentro do evento. O protesto de maior repercussão durante o evento foi o protagonizado pela cantora Pabllo Vittar, que durante a apresentação expôs uma toalha com o rosto e nome do ex-Presidente e atual pré-candidato à presidência Luíz Inácio “Lula” da Silva. Ao fim da apresentação reforçou seu protesto ao dizer “Fora Bolsonaro”.

   Ainda no primeiro dia do evento, houveram outras manifestações contrárias ao governo, vindas tanto pela plateia, quanto de artistas, como Julian Casablancas, vocalista do The Strokes e a cantora pop britânica Marina.

    No segundo dia do festival, o início foi marcado com protestos dos cantores brasileiros Silva e Jão. Ao final, a manifestação do rapper Emicida, ao abrir o show com a música Boa Esperança, o cantor paulistano disse em seu discurso “se você tem de 15 a 18 anos tira a p**** do título de eleitor”, e logo após continuou acompanhado da plateia com gritos contra Bolsonaro. No mesmo dia, o TSE - Tribunal Superior Eleitoral, aprovou a ação movida pelo Partido Liberal, que visa proibir qualquer manifestação política dentro do festival, com a premissa de que essas manifestações são propaganda eleitoral.

   Apesar do clima de tensão devido ao processo, grande parte dos artistas continuou expressando suas opiniões e contestando a censura por parte do TSE. Como o caso da Banda Fresno junto com o cantor  Lulu Santos, que expressaram indignação a qualquer tipo de censura. Outro exemplo foi Marina, que através de sua fala contestou a decisão do tribunal juntamente com o rapper Djonga, conhecido pelas críticas ao atual governo. Além disso, a cantora e Drag Queen Gloria Groove, em um momento de sua apresentação apareceu usando uma roupa de time de numeração 13 nas costas em uma alusão ao PT, Partido dos Trabalhadores, maior oposição a Bolsonaro atualmente.

   Em decorrência da morte do baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, o encerramento do Festival ficou por conta do Emicida e artistas convidados, entre esses o rappers Criolo e a Banda de Rap/Rock Planet Hemp, comandada por Marcelo D2 e BNegão.  Enfatizaram a importância de tirar o título de eleitor, o rapper  Criolo usou uma camiseta estampando o documento nas costas e na frente uma urna eletrônica. Marcelo D2, ironizou a ação judicial, ao dizer que “não pode falar de política, mas pode homenagear o festival, falando ‘olê, olê, olá, Lulla, Lolla”, fazendo um trocadilho entre o Lula, ex- Presidente e pré- candidato à presidência e Lolla, abreviação utilizada para nomear o festival.

   Ao fim do evento, foi noticiado que a ação judicial de propaganda política antecipada foi invalidada, pois os advogados do Partido Liberal erraram o CNPJ da organização do festival, a T4F entretenimento S.A, colocando no lugar o CNPJ da Lollapalooza Brasil Serviço de internet LTDA, empresa  inapta há mais de dois anos. O erro ocasionou um ruído de comunicação entre o TSE com a organização do evento a respeito da ação. No entanto, a T4F  apresentou-se como empresa organizadora do Festival Lollapalooza para a Justiça Superior Eleitoral, e está passível de arcar com o processo e os valores da multa.

Tags: