Primeiro semestre do ano, época reservada para as maiores premiações no âmbito cultural, entre eles o Grammy, evento responsável por premiar os melhores no universo da música, o evento ocorreu no último domingo (03). A premiação envolve esquemas de votações consideradas contestáveis, pois é feita por um grupo selecionado pela Academia Nacional de Artes e Ciências de Gravação dos Estados Unidos (ou NARAS), sem a possibilidade de participação de críticos e fãs.
Após edições com diversas polêmicas em grande parte das categorias, como em 2020, a estreante Billie Eilish empilhando prêmios em cima das gigantes Taylor Swift, Beyoncé e Ariana Grande. E mais recente, em 2021, a também estreante Megan Thee Stalion que, surpreendendo a muitos internautas, passou pelo mega-hit “The Box” do jovem Roddy Rich, ou “Rockstar”, do DaBaby, garantindo assim o prêmio de melhor música de rap, categoria essa que também já é polêmica desde 2013, com Macklemore e venceu em cima de uma obra-prima de Kendrick Lamar, “Good Kid, M.A.A.D City”.
A organização do evento possui o dever de garantir estabilidade para a categoria do rap, pois a cada ano vem sendo mais e mais criticada, e por consequência, boicotada por diversos rappers e artistas do meio. The Weeknd, Drake e Kanye West foram alguns que escolheram não comparecer à premiação deste ano, por conta da reincidência de erros.
Começando pelo prêmio de revelação, que contou com o jovem e estrondoso Baby Keem, primo da estrela Kendrick Lamar, além do australiano Kid Laroi, responsável por um dos maiores sucessos do ano, “Stay” com Justin Bieber. Porém, não havia alguém capaz de tirar o troféu da estrela Olivia Rodrigo, uma máquina de hits em 2021, fez um sucesso enorme no mundo inteiro, e colocou “good 4 u” em incríveis 14 semanas no nº1 da Billboard Chart. Porém, Keem foi recompensado na categoria de melhor performance no rap, com a música “Family ties”.
Na categoria ‘rap melódico' o prêmio ficou com o consagrado Kanye West com “Hurricane”, e ainda contou com The Weekend e Lil Baby, numa atuação magistral do trio em um hit considerado por fãs como angelical. Também vale destacar “WUSYANAME”, do aclamado Tyler the Creator, em uma união com o polêmico NBA Youngboy, mas que gerou uma das melhores músicas de 2021.
Nas principais categorias do gênero, Kanye garantiu mais uma, numa dupla gigantesca com Jay-Z, com a música “Jail”. Esse prêmio gerou uma certa discussão nas redes, com argumentos sobre não ser a melhor música de “Donda”, álbum vencedor da categoria. Estavam na disputa pelo prêmio “Family ties”, e “m y . l i f e”, do também ótimo J.Cole.
Na categoria “melhor álbum de Rap” a decisão era unânime, pois quem ganhasse o prêmio, este estaria em boas mãos, nesse caso foi para Tyler the Creator, que ganhou seu segundo Grammy na categoria, agora com o completo e prazeroso “Call Me If You Get Lost”. A categoria contava com “Donda”, “The Off-Season”, do J.Cole, e “King’s Disease II”, do Nas. Todavia, internautas nas redes sociais comentam que, ainda sim, faltaram possíveis candidatos, como o “The Melodic Blue”, do Baby Keem, ou o incrível e pouco badalado “Sometimes I Might Be Introvert”, da Little Simz. Vale destacar também Doja Cat e SZA em “Kiss Me More”, que venceram como melhor performance em dupla/grupo no Pop.
Independente do ano, a premiação irá gerar polêmica nas redes, enquanto o NARAS não garantir segurança em suas escolhas e na entrega do prêmio. É improvável agradar a todos. Espera-se que o senso crítico prevaleça, independente de números.
Uma vida transitando entre conto e romance, assim é marcada a trajetória de Lygia Fagundes Telles. Nascida em 19 de Abril de 1923, na cidade de São Paulo, criada pela região do interior do estado. Filha de um advogado e promotor de justiça e de uma pianista.
Aprendeu a ler e a escrever cedo, e aos 15 anos estreou no mercado da literatura com a obra Porão e Sobrado, uma coletânea de 12 contos. No entanto, a escritora considerava o início de sua carreira com o lançamento do romance Ciranda de Pedra, em 1954, mesmo tendo lançado dois livros de contos antes. Seu legado coleciona mais de 20 livros de contos e quatro romances.
Dona de uma escrita ousada e sensível, com o dom da escrita incentivado pelos consagrados escritores Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo, a escritora reúne em sua extensa lista de premiações mais de 16 troféus, entre eles o Prêmio Camões, um dos mais importantes para a categoria. Seus livros receberam diversos prêmios, dentre eles, alguns de destaque internacional, como o Antes do Baile Verde que conquistou premiação no Concurso Internacional de Escritoras, na França. E diversos nacionais, como Prêmio Jabuti, APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e “Golfinho de Ouro”, os mais importantes para a categoria.
Formada em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, conciliou a carreira jurídica com a literatura e formou-se no mesmo ano em que ocupou um cargo na Academia Brasileira de Letras. Atuou como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo. Atuou na presidência da Cinemateca Brasileira e foi membro da Academia Paulista de Letras.
Suas obras foram traduzidas e publicadas em mais de 10 países, ganharam adaptação para o teatro, cinema e TV. Integrou a comissão de escritores que combateram veementemente a censura através do “Manifesto dos Mil” em 1976, na cidade de Brasília.
Lygia faleceu na manhã do dia 3 de Abril, alguns dias antes de completar 99 anos. Uma morte por causas naturais, em casa. O corpo foi velado ainda na tarde de domingo 03/04, na Academia Paulista de Letras, na qual a escritora era membro desde os anos 80. O Corpo foi cremado em uma celebração restrita à familiares na tarde desta de segunda-feira, 04/04.
A exibição imersiva de Vincent Van Gogh finalmente chegou ao Brasil. Desde 17 de março a mostra “Beyond Van Gogh“ pode ser admirada em São Paulo, oferecendo aos visitantes a experiência de se sentirem parte das obras do pintor holandês.
Bruna, analista de marketing, de 25 anos, que inclusive já visitou o museu do artista em Amsterdã, na Holanda, garante que a experiência está extraordinária e que não se compara a nenhuma outra que tenha vivido. "É muito diferente, você realmente se sente dentro das obras e você se imagina um pouco como um pedacinho dos quadros. É uma experiência única".
Já Laura, jovem goiana que está de férias na capital paulista, foi convidada pela amiga a ir à exposição e simplesmente adorou. A administradora de empresas curtiu tanto a vivência que ainda manda um recado para quem não teve a oportunidade de visitar a exposição. "Eu acho que tem que vir para se entregar e se deixar sentir, (...) deite no chão, olhe para cima e se permita entrar nos quadros e acompanhar toda história do artista”.
OBRAS E CARREIRA

Referência no campo da pintura, o holandês Vincent Van Gogh adotou diversos estilos antes de se consolidar no pós-impressionismo. A primeira obra que fez de Van Gogh um artista reconhecido no mundo da arte foi “Os Comedores de Batatas", de 1885. Carregada de um forte contexto social, a pintura retratava a vida simples de camponeses durante uma refeição noturna. A obra era apontada como um dos quadros favoritos do artista.
Embora ela tenha sido essencial para sua carreira, esta pintura não foi seu único grande sucesso. “Noite Estrelada”, também de 1889, ganhou a admiração do mundo como uma de suas obras mais belas ao representar a graciosidade de um céu estrelado. “Lírios”, outra de suas obras-primas, é facilmente reconhecida pela delicadeza. Já “Os Girassóis'', de 1888, chegou a quebrar recorde de leilão de uma pintura ao ser vendida por quase U$40 milhões em 1987.
Em meio a tantos trabalhos excepcionais, a aclamação mundial somente foi conquistada após sua morte. Em vida, teve apenas uma única obra vendida. Depois de seu falecimento, sua fama rapidamente decolou, principalmente após uma exibição feita em Paris com 71 de suas pinturas. Em vida, seu trabalho foi a mais pura manifestação de seu amor pela arte e pela beleza do mundo.
TRAJETÓRIA E FRACASSOS
Nascido em 30 de março de 1853, no sul da Holanda, Vincent Willem Van Gogh vinha de uma família rica, teve cinco irmãos e desde criança se interessou pela arte, sendo incentivado já pequeno a seguir carreira na área. Um de seus familiares mais importantes em sua vida foi seu irmão, Theodorus Van Gogh, que foi seu alicerce e melhor amigo durante toda a sua trajetória. Devido a forte proximidade entre os irmãos, chegaram a trocar mais de 600 correspondências. Theo, mesmo sendo quatro anos mais novo, foi um dos principais incentivadores de sua carreira artística, além de o ajudar financeiramente.
As inúmeras incertezas sobre a vida de Vincent despertam até hoje curiosidades de diversos estudiosos e cientistas. Um estudo recente feito pela Universidade de Medicina de Groningen, na Holanda, constatou que o famoso incidente do pintor, que deu origem ao quadro “Autorretrato com a Orelha Cortada”, teria sido fruto de um descontrole emocional. O episódio, influenciado pela sua bipolaridade e alcoolismo, o levou ao suposto suicídio.

Apesar de seu inquestionável dom e espírito artístico, o envolvimento com o álcool simbolizou o começo de um declínio sem volta. Apenas após o incidente da orelha foi que o artista se viu obrigado a ter que deixar o vício, o que lhe rendeu uma forte abstinência que mais tarde teria reflexo em seus futuros problemas psicológicos. Entretanto, mesmo com a vida posteriormente acometida pela depressão, ele não interrompeu a produção artística.
Em 1890, Vincent Van Gogh morre em meio a circunstâncias não esclarecidas. Para alguns estudiosos, o pintor holandês teria cometido suicídio com um tiro no peito, mas para Steven Naifeh e Gregory White, autores da biografia “Van Gogh: The Life (Van Gogh: A Vida, em tradução livre), isso não aconteceu, na verdade o artista teria sido atingido por um tiro acidental dado por dois rapazes que o conhecia.
Sendo referência incomparável no mundo da arte, Vincent Van Gogh é considerado um dos maiores pintores já existentes. Em 37 anos de vida produziu mais de 2 mil obras. Após sua morte recebeu o devido reconhecimento, mas em vida o pintor lidava com inúmeros problemas pessoais, frutos de uma trajetória para lá de conturbada.
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO:
“Beyond Van Gogh“ ficará em cartaz em São Paulo até 03 de julho de 2022 no estacionamento do piso G4 do Morumbi Shopping. Os ingressos seguem à venda no site da Livepass e os valores variam entre R$70,00 e R$110,00. Idosos e estudantes têm direito a meia-entrada.
Em entrevista à AGEMT a coordenadora do curso de “Arte: História, Crítica e Curadoria” da PUC-SP Priscila Almeida enaltece a grande carreira de Elifas, “Ele teve em torno de 40 anos de carreira, inúmeros trabalhos, com uma produção muito grande em capas de discos. Assinou obras do Paulinho da Viola, Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Elis Regina. Ele também fez ilustrações de capas de livros, por exemplo da Clarice Lispector”.
A professora complementa dizendo, “A linguagem visual dele, principalmente a conhecida no campo da discografia é bastante pautada em cores vivas, que de alguma maneira dialogam com a cultura popular brasileira e geralmente trabalha com retratos emotivos que humanizam e evocam imagens de um povo brasileiro sofrido, trabalhando também com os signos políticos e que fazem parte da história do país”.
Almeida conta ainda qual é sua obra preferida de Andreato, “ele tem no campo das artes plásticas um painel que foi montado no corredor de acesso ao Plenário da Câmara dos Deputados, onde ele homenageia alguns políticos que tiveram os seus mandatos cassados na época da ditadura civil militar no Brasil. É uma obra que faz parte do resgate da história da ditadura militar, uma obra grande, que tem em torno de 5 metros de comprimento por 1,70 de altura e ela participa como um documento desse período histórico trágico do país”. Ela se refere à tela A Verdade, ainda que tardia, concluída e doada em 2012 para a Câmara. Ela foi exposta durante as homenagens daquele ano a parlamentares cassados pela ditadura e mostra cenas de tortura praticadas pelo regime contra cidadãos brasileiros nos chamados “anos de chumbo” (1968-1974). O quadro ficou um mês exposto na casa legislativa e depois foi levado para um depósito, longe do público, onde está até hoje. Na época, deputados exigiram a retirada por considerar as cenas retratadas, “constrangedoras”.
Para a docente, “desde os anos 60, o trabalho dele (Elifas Andreato) no campo da ilustração, do design gráfico, fez aqui a história da cultura da produção brasileira”.
Após o primeiro dia do festival Lollapalooza, o Partido Liberal, atual partido do presidente Jair Bolsonaro, abriu uma ação contra manifestações políticas dentro do evento. O protesto de maior repercussão durante o evento foi o protagonizado pela cantora Pabllo Vittar, que durante a apresentação expôs uma toalha com o rosto e nome do ex-Presidente e atual pré-candidato à presidência Luíz Inácio “Lula” da Silva. Ao fim da apresentação reforçou seu protesto ao dizer “Fora Bolsonaro”.
Ainda no primeiro dia do evento, houveram outras manifestações contrárias ao governo, vindas tanto pela plateia, quanto de artistas, como Julian Casablancas, vocalista do The Strokes e a cantora pop britânica Marina.
No segundo dia do festival, o início foi marcado com protestos dos cantores brasileiros Silva e Jão. Ao final, a manifestação do rapper Emicida, ao abrir o show com a música Boa Esperança, o cantor paulistano disse em seu discurso “se você tem de 15 a 18 anos tira a p**** do título de eleitor”, e logo após continuou acompanhado da plateia com gritos contra Bolsonaro. No mesmo dia, o TSE - Tribunal Superior Eleitoral, aprovou a ação movida pelo Partido Liberal, que visa proibir qualquer manifestação política dentro do festival, com a premissa de que essas manifestações são propaganda eleitoral.
Apesar do clima de tensão devido ao processo, grande parte dos artistas continuou expressando suas opiniões e contestando a censura por parte do TSE. Como o caso da Banda Fresno junto com o cantor Lulu Santos, que expressaram indignação a qualquer tipo de censura. Outro exemplo foi Marina, que através de sua fala contestou a decisão do tribunal juntamente com o rapper Djonga, conhecido pelas críticas ao atual governo. Além disso, a cantora e Drag Queen Gloria Groove, em um momento de sua apresentação apareceu usando uma roupa de time de numeração 13 nas costas em uma alusão ao PT, Partido dos Trabalhadores, maior oposição a Bolsonaro atualmente.
Em decorrência da morte do baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, o encerramento do Festival ficou por conta do Emicida e artistas convidados, entre esses o rappers Criolo e a Banda de Rap/Rock Planet Hemp, comandada por Marcelo D2 e BNegão. Enfatizaram a importância de tirar o título de eleitor, o rapper Criolo usou uma camiseta estampando o documento nas costas e na frente uma urna eletrônica. Marcelo D2, ironizou a ação judicial, ao dizer que “não pode falar de política, mas pode homenagear o festival, falando ‘olê, olê, olá, Lulla, Lolla”, fazendo um trocadilho entre o Lula, ex- Presidente e pré- candidato à presidência e Lolla, abreviação utilizada para nomear o festival.
Ao fim do evento, foi noticiado que a ação judicial de propaganda política antecipada foi invalidada, pois os advogados do Partido Liberal erraram o CNPJ da organização do festival, a T4F entretenimento S.A, colocando no lugar o CNPJ da Lollapalooza Brasil Serviço de internet LTDA, empresa inapta há mais de dois anos. O erro ocasionou um ruído de comunicação entre o TSE com a organização do evento a respeito da ação. No entanto, a T4F apresentou-se como empresa organizadora do Festival Lollapalooza para a Justiça Superior Eleitoral, e está passível de arcar com o processo e os valores da multa.














