Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Em 2022 o cantor e compositor conhecido como Bituca, se despede dos palcos com a turnê "A Última Sessão de Música"
por
Tábata Santos
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29/06/2022 - 12h

Por Tábata Pereira

Sentado em uma cadeira ao centro do palco, no auge dos seus 80 anos, Milton Nascimento apresenta a turnê “A ‘Última Sessão de Música”, que teve início em 11 de junho no Rio de Janeiro, partiu para a Europa, volta ao Brasil e segue para os Estados Unidos marcando por onde passa, o adeus ao Bituca nos palcos. Prevista para encerrar em Belo Horizonte, no estado em que foi criado, a turnê segue encantando e marcando a história de uma era por onde passa.

Nascido em 26 de outubro de 1942, no Rio de Janeiro, Milton Nascimento se tornou órfão aos dois anos de idade, passando a morar com a avó em Juiz de Fora – Minhas Gerais. Aos seis anos, mudou-se para Três Pontas, com os pais adotivos e desde criança já demonstrava interesse pela música. Quando tinha 13 anos, Milton ganhou o seu primeiro violão e aos 15 anos criou com seu amigo Wagner Tiso, o grupo "Som Imaginário" que ganhou novos integrantes e tornou-se o W’s Boys, que se apresentada nos bailes da cidade; já em 1963, Milton formou o Clube da Esquina, junto com Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges e Fernando Brant.

Na busca para que suas músicas fossem gravadas, mudou-se para São Paulo em 1966, passando por diversas dificuldades até conhecer Elis Regina, que gravou a sua primeira música “Canção do Sal”, tornando-a um grande sucesso. Em 1967, teve as canções “Travessia”, “Maria, Minha Fé” e “Morro Velho”, classificadas no Festival Internacional da Canção da TV Globo, ganhando em segundo e sétimo lugar. Milton lançou então o seu primeiro disco solo, que foi sucesso de vendas e rendeu diversos shows ao cantor.

Iniciou a sua carreira internacional em 1968 nos Estados Unidos com o disco “Courage” e em 1972 transformou o “Clube da Esquina”, fundado em 1963, em um álbum que foi grande sucesso. Em 60 anos de carreira, Milton Nascimento lançou 42 álbuns e ganhou diversos prêmios, inclusive cinco Grammy Latino. Entre as suas músicas de maior sucesso estão “Travessia”, “Sentinela”, “Clube da Esquina”, “Cais”, “Nada Será Como Antes”, “Fé Cega, Faca Amolada”, Ponta de Areia”, “Maria, Maria”, “Canção da América”, “Caçador de mim”, “Coração de Estudante” e “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”.

Completando 60 anos de carreira em 2022, e com 80 anos de idade, Bituca se despede dos palcos em grande estilo e tocando o coração do seu público que permanece fiel ao cantor. O jornalista e produtor cultural, Nano Ribas, esteve presente no show de Barcelona e se emociona ao lembrar desse momento “Se podia ver muitos estrangeiros. Ingleses, espanhóis, catalãs, alemães etc.; foi uma catarse. Eu me sinto muito honrado em poder fazer parte, mesmo que um dia, dessa história, chorei o show todo, como disse Elis Regina ‘Se Deus tivesse voz, seria a do Milton Nascimento.’”

Milton anunciou a turnê de encerramento dos palcos através de um vídeo publicado nas suas redes sociais e exibido em TV aberta, em que conta um pouco da sua história e das amizades que fez ao longo de sua carreira, “Minha música ampliou meus horizontes. Em seis décadas me levou aos quatro cantos do mundo, nesse caminho eu encontrei gigantes como Tom Jobim, Elis Regina, Agostinho dos Santos, Quincy Jones, Eumir Deodato, que me ajudaram a levar minha música para o mundo. Amigo é coisa pra se guardar... essa é outra coisa que a música me proporcionou nesses anos de estrada... grandes amizades. Eu costumo dizer que sem as amizades a minha vida jamais teria sido o que é, e nem a minha carreira.”, disse o cantor.

Segundo a fã e produtora cultural Tâmara Alves, “Milton passa uma mensagem sobre a liberdade, o amor e a democracia” e apesar de as múltiplas interpretações que as músicas podem gerar, os jovens músicos têm muito o que aprender com a carreira de Bituca, “Pessoalmente acho que a mensagem é sobre a qualidade intangível que deve ser buscada, sobre dizer as verdades de maneira suave, mas que apesar da suavidade a verdade não deve deixar de fazer parte de suas obras.”, destaca.

Milton Nascimento crava um legado difícil de ser alcançado e leva consigo o respeito do seu público. Nano Ribas ressalta “Tenho 51 anos e mais de 30 de carreira, ouço Milton desde a barriga, podemos falar por baixo que ele atingiu 6 gerações. Ele com quase 80 anos, fazendo uma turnê que passa por vários países, a mensagem que fica pra mim é de respeito e amor à música e principalmente ao seu público. A sua obra é gigante. Todo artista deve ir aonde o povo está, esse é o legado, mesmo aos 80 anos.”

Bituca diz orgulhoso que se tornou um cidadão do mundo sem deixar de ser brasileiro e deixa claro que a despedida é apenas dos palcos, “Esse ano eu completo 80 anos e é aos amigos e fãs que dedico essa turnê, que marcará a minha despedida dos palcos. Só dos palcos mesmo, da música jamais.”

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Nos dias 17,18 e 19 de junho ocorreu em São Paulo o festival CENA, que levou aos palcos artistas que representam a realidade periférica e preta
por
Ana Beatriz Assis
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28/06/2022 - 12h

 “Fogo nos racistas” frase da música “Olho de tigre” do rapper mineiro Djonga, é uma das mais marcantes passagens na luta contra o racismo. A expressão foi motivo de falatório nas redes em abril deste ano, quando uma enfermeira preta, utilizou seu Facebook para denunciar uma agressão sofrida pela irmã, postando a frase com revolta. Um juiz do tribunal de justiça de São Paulo, determinou que a enfermeira excluísse a postagem, alegando apologia à violência, o que levou a protestos de militantes e artistas da área.

No dia 18 de junho, no festival CENA, o bordão, mais do que cantado, foi vivido nos palcos. O rapper contou com um dublê que foi incendiado durante o show, uma forma de referenciar o icônico trecho. Mais uma vez, a opinião do público se dividiu nas redes.

Este episódio retrata a forma como o rap/trap são utilizados como instrumentos de resistência e representatividade para a comunidade preta e periférica, viabilizando lutas e cedendo espaço para denunciar realidades.

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Postagens contra e a favor da atitude do rapper (Via: Twitter)
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Momento em que dublê é incendiado no palco Via: instagram)

“O rap foi feito e é para as pessoas negras, nele é englobado vários temas sociais. Com um evento como o cena a maioria dos artistas são negros e a maioria dos ouvintes também, dando visibilidade para a comunidade” Evidencia Ana Vitória Santiago, de 19 anos, integrante da plateia do festival. Ela ainda reforça o importante papel dos artistas para conscientização social: "a música é um grande meio de comunicação sendo assim também tem a obrigação de conscientizar o seu público."

“Cada composição que escrevo tenho uma mensagem para alguém que passou pela mesma coisa que eu, todas as músicas que escrevo são vivenciadas por mim, não consigo fazer algo que seria um mito em minhas composições, tentando passar uma mensagem de máximo conforto, foco, perseverança e o mais importante a verdade.’’ Thais Aparecida,25, mais conhecida como “Emici Thay” trás a ideia da responsabilidade de um artista do gênero, expõe as principais mensagens que busca com seus sons. Não somente a questão da representatividade é colocada em questão, a autoestima, a exaltação da beleza da comunidade são pontos tocados nas composições. A temática da ostentação com a ambição de tomar posições de poder são também temas centrais das letras das canções.

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Tasha e Tracie, Kyan no palco principal do evento (Via: Instagram)

 

Pra nóis que somos pretas os clichês são outros” “Sendo forjado porque a ameaça de vida pra eles é um preto”. Trechos de “Freestyle 2022” música que conta com a colaboração de mais de 8 artistas, aborda as dificuldades de vida enfrentada antes e durante a fama. Dentre eles, Tasha e Tracie e Kyan, grandes nomes do rap na atualidade, juntos, somam mais de dois milhões do ouvintes mensais no Spotify. Os rappers ouviram seus nomes serem entonados no palco principal do evento.

As grandes produções musicais atuais têm sempre uma inspiração na velha guarda, que luta pela visibilidade das periferias a muito tempo. “O show do racionais quando os outros artistas já tinham se apresentado, pararam pra assistir o show, tipo, como se fosse uma aula” Ana Vitória cita um dos momentos do evento que a deixou mais emocionada. Racionais MCs, um dos grandes nomes do rap nacional, foram um dos nomes mais aguardados pelo público, mesmo com um atraso de 1h, os artistas foram recebidos com admiração e a certeza de uma plateia que sabia suas músicas de cor. “Sobrevivendo ao inferno” disco lançado em 1997 conta com mais de um milhão e meio de cópias vendidas, passa a mensagem de uma juventude negra em meio a pobreza, crime e violência. O disco que virou livro, em 2018 tornou-se leitura obrigatória para vestibular da universidade de campinas. 

 

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Racionais Mc´s se apresentando no palco principal (Foto: Henry Hwu)

 

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Telão do palco após a chegada do grupo (Foto: Ana Beatriz)

 

 

 

 

 

 

 

Segundo a organização do evento, mais de 100 mil pessoas circularam no sambódromo do Anhembi nos três dias de festival. A estrutura contou com três palcos: Mundo Cena, TrapHits e palco cena, O palco principal “Mundo cena” contou com a parceria do Spotify. Nomes nacionais e internacionais foram vistos pelo público, como: Playboi Carti, Lucas Carlos, Borges, Ebony, Slipmami, entre outros, a estimativa foi de 70 artistas apresentados.

A estrutura do evento contou com praça de alimentação, área de basquete e um shopping de souvenirs. A grande quantidade de filas e densidade de pessoas foi um ponto negativo citado entre o publico. A falta de alguns artistas do line up (Mc Caverinha, KayBlack) também demandou certo jogo de cintura por parte da organização para adaptar e comunicar os novos horários.

A primeira edição do festival foi em 2019, com a proposta de expandir o gênero musical pelo país e dar visibilidade a artistas em ascensão. Em 2022, mesmo sendo adiado (originalmente seria em abril, tendo duração de dois dias) o festival continuou com sua proposta inicial.

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Postagem no Twitter de Malcolm Vl, integrante da line up do festival, se apresentou sábado (18)  (Via: Twitter)

 

“Temos diversos talentos na área, mas de 1 em um milhão 10 estão se destacando. Não desmereço a correria de nenhum artista, mas percebemos que nessa cena musical muitos que não mereciam, tanto por disciplina quanto humildade e qualidade de composição, se destacam e passam a frente de muitos que fariam a diferença e tem a real qualidade. Isso tudo por falta de OPORTUNIDADE.” Emici Thay desabafa sobre a perspectiva de crescimento dentro da indústria musical do gênero.

Após o evento, Instagram, Twitter e Tiktok explodiram com conteúdos. Somente o Tiktok somou mais de 128 milhões de visualizações na hashtag #cena2k22. Alguns dos conteúdos, citam que “O público-alvo não teve condições de ir” ao alegar que viu-se muitas pessoas ao qual as musicas não eram direcionas.

A representatividade sempre vai ser um assunto a ser pautado, seja na música, no cinema, na televisão. O rap, é um dos principais vetores de mensagem de conscientização, pois, a música além de ser cantada, é vivida por grande parte dos compositores. “Eu me vejo nas canções do racionais" cita Eduardo de Souza, de 55 anos, morador da Zona sul de São Paulo, porteiro e fã dos mc´s. Ele assistiu a ascensão do grupo e vê hoje, o impacto dos versos na geração de seus filhos.

O sentimento de reconhecimento e pertencimento é algo essencial para uma população cuja cultura foi e ainda é vista como inferior. como escrito por racionais mc´s e citado por seu Eduardo: "Eu não li, eu não assisti, eu vivo o nego drama, eu sou o nego drama."

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por
Júlia Takahashi
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29/06/2022 - 12h

Por Júlia Takahashi

Entre sorrisos e braços ao redor do mundo, a comunidade LGBTQIA + celebra o mês do orgulho em Junho. Em São Paulo, no domingo, dia 19, a 26° parada reuniu mais de 4 milhões de pessoas, segundo as informações publicadas pelo Observatório do Turismo da Prefeitura de São Paulo e da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, levantando suas bandeiras e resistindo ao preconceito. Essa manifestação é carregada de história e resistência às violências que a sociedade faz contra a comunidade, sendo marco inicial a rebelião de Stonewall.

No ano de 1969, alguns estados norte americanos derrubavam a lei que criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo, porém o estado de Nova York era inflexível a essa decisão. Consequentemente, o preconceito contra homossexuais era visto como normal, e foi no dia 28 de junho daquele ano, que a polícia novaiorquina invadiu um dos bares mais badalados em que a população LGBTQIA + se encontrava, o Stonewall Inn, localizado em Greenwich Village, na época era um dos únicos lugares de aceitação livre à comunidade. A justificativa pela invasão era de “violação do estatuto de vestuário”, uma vez que era exigido por lei que as pessoas usassem pelo menos três “roupas apropriadas para o seu sexo”.

Toda essa violência levou a população a olhar o preconceito existente a essa parte da sociedade com outros olhos, centenas de pessoas passaram a protestar contra a perseguição policial aos homossexuais e lutar a favor dos direitos LGBTQIA +. Desta forma, um ano depois, no dia 27 de junho, ocorreu a primeira parada do orgulho gay, chamada de CSD, Christopher Street Day (Dia da Rua Cristopher) em memória a rua que o bar era localizado. No mesmo ano, ocorreu uma parada com os mesmos princípios em Los Angeles e com o tempo as marchas começaram a se propagar por outras cidades dos Estados Unidos e pelo mundo.

No Brasil, em 1997 ocorreram as primeiras paradas do orgulho, uma na paulista e outra em Copacabana, porém três anos depois o evento em São Paulo crescia gradativamente e atraiu muitos participantes ao redor do país. No mesmo ano, foi criada a Associação da Parada do Orgulho GLBT, que hoje recebe o nome de Associação da Parada do Orgulho LGBT, o qual é responsável por administrar o evento. O escritor e militante João Silvério Trevisan, em um artigo publicado na revista Sui Generis, comenta sobre a parada de 1999 no Brasil, destacando o apoio que o evento teve explicitamente de empresas e marcas.

“Numa Cultura onde tudo passa pela estatística, reunir 20 mil pessoas é uma façanha respeitável. E aí está o grande sentido político da parada: a afirmação de que existimos, gostem ou não somos milagres. Vencemos o nosso pior inimigo, a invisibilidade, e afirmamos nossa existência (...) Políticos conservadores, religiosos fundamentalista e homofóbicos em geral, que insultavam gente anônima, agora terão que se defrontar com uma multidão de homossexuais com rosto e identidade”.

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal - STF decidiu criminalizar a homofobia e a transfobia, enquadrando-as como crime de racismo no Brasil. A descrição sobre racismo no país deve ser entendida como uma construção histórica, da qual procura justiça devido às situações de desigualdade, dominação política e subjugação social dos grupos mais vulneráveis e que a LGBTfobia se encaixa nessa declaração. Essa decisão é uma reivindicação histórica ao movimento, principalmente durante o governo de Jair Bolsonaro que criticou a ação e, ao longo da sua vida política, inviabilizou e menosprezou a comunidade LGBTQIA +.

A realização da parada e a construção de espaços da comunidade é resistir a esse preconceito histórico e lutar pela própria existência. A advogada, militante lésbica e cofundadora da Rede Feminista de Juristas, Marina Ganzarolli, comenta para o Jornal Nexo que mesmo a parada ser “despolitizada, comercial, turística, gay, masculina, cis e branca”, ela tem sua importância de visibilidade, destacando que são nesses eventos de diversão, que é lembrado a existentência da comunidade LGBTQIA+ e da suas lutas pelos direitos reconhecidos, como de todos na sociedade, “são espaços de ação e organização política”.

 

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O penteado, apesar de ancestral, carrega até hoje a resistência como um de seus maiores atributos
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Aline Freitas
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28/06/2022 - 12h

Por Aline Almeida de Freitas

A cultura de origem africana tem como uma das suas características principais servir como forma de resistência. As tranças, tão presentes nessa cultura, não são exceção. Na época da escravidão, esses penteados ancestrais serviam para esconder grãos e até mesmo traçar mapas de fuga para os escravizados. No presente, continuam com esse aspecto, como afirma o professor de história contemporânea da PUC-SP, Amailton Azevedo. “As tranças funcionam como forma de resistência atualmente pois estabelecem uma ruptura com os modelos estabelecidos sobre a estética capilar”, explica. 

Tal estética provém de uma cultura majoritariamente branca. Em meio às centenas de imposições, as tranças servem de lembrança da origem e de uma quebra na expectativa do cabelo liso, sem volume e sem frizz. Além de reforçar a identidade e a presença da cultura negra. "Elas fizeram parte do meu processo de reconhecimento como mulher negra, me trouxeram aceitação sobre quem sou", afirma Talita Aia, professora de 22 anos, que já usou o cabelo trançado de diversas maneiras ao longo dos anos. 

Ainda nessa narrativa, com cada vez mais frequência, mulheres negras têm usado o penteado para auxiliar na transição capilar. Que é o período entre a realização da última química no cabelo, como a progressiva, até o crescimento do cabelo natural. "Muitas meninas chegam para fazer as tranças comigo com a autoestima muito abalada. A transição mexe muito com a imagem delas mesmas. Quando eu termino, é nítida a diferença na expressão", conta Milene Santos, trancista de 39 anos. 

Sobre o assunto, Aia comenta, "quando coloquei, me senti muito bem comigo mesma, me senti bonita, me senti potente, me senti eu". Ela relata que não passou pela transição, pois nunca alisou o cabelo. Mas, viu no estilo, uma maneira de aceitar a própria origem. "Sou uma mulher preta de pele clara e demorei para alcançar a aceitação e conseguir me colocar nos espaços dessa forma", diz. "As tranças foram como uma revelação, uma afirmação de quem sou no mundo", complementa. 

Para Santos, além de uma questão de rompimento com os padrões estéticos, serve também como uma forma de resistência financeira. "Perdi o emprego na pandemia, e eu sempre soube trançar. Então, juntei o útil ao agradável e agora é assim que pago as minhas contas", explica. 

Apesar de não utilizar a habilidade como forma de renda, Aia também tem conhecimento de como fazer os penteados. "Eu aprendi a trançar na infância, brincava de trançar meus próprios cabelos, da minha mãe, de amigas. Não lembro exatamente o momento que aprendi, mas provavelmente aprendi com minha mãe", relata.


 

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Apesar do inegável marco na cultura ocidental, o nome mais conhecido do trap americano carrega consigo inúmeras controvérsias
por
Aline Freitas
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29/06/2022 - 12h

Por Aline Almeida de Freitas

Mesmo tendo seu início nos anos 90, é inegável que o Trap vive o seu ápice na atualidade. O estilo musical dominou a cultura moderna e já é presença garantida em festivais e premiações ao redor do mundo. Dentro disso, o nome de Travis Scott não pode passar despercebido já que o artista se consagrou como uma das maiores representações do gênero.  Desde o boom de sua carreira em 2018, Scott atraiu uma legião de fãs, como Vinicius Gil, estudante, de 25 anos, que acompanha sua trajetória desde 2019. "Ele batalhou muito para chegar aonde chegou como artista e influenciador”, afirma.

Não é atoa que Gil o classifica como mais que apenas cantor. Com o auxílio das redes sociais, o trapper extrapolou os limites da música e se tornou também uma personalidade a ser copiada, ou, simplesmente, um influenciador. A sua influência é tão grande que até mesmo suas roupas são motivo de inspiração. Contudo, apesar das inúmeras conquistas, a carreira de Scott não é marcada apenas por pontos positivos. As polêmicas também se sobressaem quando seu nome é mencionado. 

Em 5 de novembro de 2021, o festival Astroworld, promovido pelo trapper americano Travis Scott, foi cenário de um desastre. Ao menos 10 pessoas morreram pisoteadas e centenas ficaram feridas depois da confusão generalizada que tomou a plateia. O acontecimento gerou grande polêmica quando vídeos do cantor dando continuidade a apresentação enquanto via o tumulto nas arquibancadas circularam na internet. Muitos o acusaram de ser conivente e até mesmo responsável pela tragédia. Para Gil, o cantor deve ser responsabilizado. "Avisaram que as pessoas estavam se machucando e mesmo assim ele continuou o show", diz.

Já para o também admirador do cantor, Gabriel Golveia, de 16 anos, Travis não teve culpa no que aconteceu. ''Ele postou um vídeo se pronunciando depois do show, disse que não sabia de nada e estava devastado. Não foi culpa dele, na minha opinião", conta. 

Essa, entretanto, não foi a única controvérsia envolvendo as performances do cantor. Mesmo que Scott nunca tenha presenciado uma tragédia de tamanha dimensão, a incitação da baderna nos seus shows já havia recebido diversas críticas. Inclusive, esse é o tema central do seu documentário na rede de streaming Netflix. 

Previamente a esse acontecimento, como mostra o documentário, o astro já havia pedido para seus fãs baterem em um garoto que tentou pegar um de seus tênis enquanto o cantor realizava um flashmob. Scott também foi preso, em Chicago, após incentivar seus fãs a invadirem o festival Lollapalooza.  Para Gil, as atitudes do cantor o desmotivam de ir a um show. "Não me sentiria seguro no ambiente, não considerando o jeito que o público se comporta".

Golveia tem uma visão diferente, "Tenho muita vontade de ir, até comprei ingresso para o Lollapalooza Brasil em 2020 porque ele era um dos destaques, mas vendi quando mudaram a lineup", conta. O estudante ainda afirma que a baderna durante as performances do cantor é um atrativo para ele "Deve ser uma experiência única", opina. "Não tenho medo de me machucar, acho que os fãs aprenderam depois do Astroworld". Travis Scott tem muitos fãs adolescentes como Golveia e seu nível de influência causa debates acerca do que esses jovens estão adquirindo dessa admiração. 

A psicóloga Bharesca Ayres é coautora do artigo "Ídolos e Apoio Emocional: Reflexões sobre a dinâmica do fã adolescente contemporâneo", que discute pontos acerca do papel de uma celebridade idolatrada na vida de um adolescente. Em entrevista, ela afirma que, em um nível patológico, o adolescente não é capaz de distinguir o artista da obra e acaba se inspirando nos atos dele e complementa, "o adolescente, por estar nessa fase de desenvolver a identidade, tem qualquer interferência externa como possível gatilho de consequências negativas para o produto final que é o que ele vai se tornar".  Esse contexto, certamente, se torna aliado das críticas quanto à postura do artista, considerando a faixa etária de seus fãs e o seu histórico de ações. 


 

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