Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Em um mundo dominado por telas há quem ainda prefira sentir as páginas de um livro.
por
Julia Lourenço
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29/06/2022 - 12h

Por Julia Lourenço Rocha

A era digital trouxe uma revolução no consumo de entretenimento, nunca antes na história houve tantas opções para consumo imediato como hoje. Filmes, músicas, livros, tudo a um clique de distância. Entretanto esse consumo instantâneo de conteúdo faz com que a sociedade se torne cada vez mais impaciente, diversas plataformas digitais proporcionam para seus usuários ferramentas para acelerar vídeos e áudios. No mundo digital, tempo é dinheiro. 

O prazer de folhear um livro, sentar e desfrutar de uma leitura parece bem distante desta realidade, tanto que muitos apostaram ser o fim dos livros físicos, mas este tem se mostrado resistentes ao tempo. Para o Professor Doutor em Ciências da Comunicação, Norval Baitello Junior, as novas formas de mídia vão se acrescentando as antigas e isso faz com que elas jamais deixem de existir, ainda que reservadas a espaços alternativos. 

As altas taxas de publicação no Brasil, somadas a baixa demanda, tornam o preço final dos livros ainda mais elevados para o consumidor final, e em busca de melhores preços ou de exemplares raros, os sebos ganharam espaço entre o publico leitor. Anthony trabalha a 15 anos no Book Box, sebo que herdou do pai no Mercadão de São Miguel Paulista, com mais de 40 anos de existência e muito conhecida na região, há quem passe e pergunte pelo “magrão” como era chamado o pai de Anthony, muitos saem com lagrimas nos olhos ao saber de seu falecimento. 

O maior desafio veio durante a Pandemia, sem poder trabalhar no Mercadão, a solução foi migrar para a internet, mas Anthony conta que se adaptar ao mundo digital não tem sido uma tarefa fácil, já que ele mesmo afirma que a troca de experiências durante a venda é sua maior prioridade. Já para Acácio, a internet mais ajudou que atrapalhou, o gerente da Sebolândia do Alto da Lapa conta que a exposição nas redes trouxe mais visibilidade a seu negócio e ajudou a alcançar novos clientes. Além dos livros, discos e CDs antigos são bastante procurados, já que itens de colecionador são facilmente encontrados nestes espaços, proporcionando uma rica mistura geracional entre o publico consumidor. 

Em relação ao futuro, Acácio se mostra bastante otimista, “da mesma forma que os discos foram substituídos pelos CDs, e estes pelos mp3, mas agora voltaram a apresentar alta procura, assim também acontecerá com os livros, eu creio que o mercado de livros nunca vai minguar, de uma forma geral”.  

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“Como museu público, a Pinacoteca tem o dever de estar em contato com a realidade do país e de apresentar da maneira mais democrática e plural possível”
por
Victória Toral de Oliveira
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29/06/2022 - 12h

Por Victoria Toral

 

  Foto: Victória Toral 

 

Olhar para fora de nossas bolhas faz com que consigamos enxergar além daquilo que nos rodeia. Provoca, de início, um estranhamento para nossa visão. Mas com o passar do tempo gera a expansão de nossos conhecimentos e assim, permite desenvolver um indivíduo com menos preconceitos. Compreender a presença das diferentes culturas existentes e ir atrás das que proporcionaram base para a formação da sociedade te leva a enxergar de maneira mais ampla a história do mundo. Mas com o modo de vida que temos nos dias de hoje, com a liquidez das relações e da busca pelo conhecimento, o número de pessoas consumidoras de conteúdos culturais, como maneira para buscar conhecimento não é algo grande. 

Exposições em museus são ótimas maneiras de proporcionar interações entre o homem e as múltiplas culturas. Poder apreciar o sentimento, o protesto e a história que o artista buscou apresentar em um material, como em pinturas, fotos, estátuas e outros projetos é uma das formas mais profundas de consumir diferentes mundos em um só local. Artistas, com estilos, visões e o pensar diferentes, abriram as portas para o raciocinar fora de nossas bolhas. 

Em São Paulo, com inúmeros museus presentes na cidade, a busca por entretenimentos culturais torna a lista de opções diversificadas. Museu como o Masp, na Paulista, o museu da Imagem e do Som, no Jardim Europa, o do Futebol, no Pacaembu, e a Pinacoteca, são bons exemplos para pessoas que buscam caminhos para expansão cultural. 

A Pinacoteca, por exemplo, fundada em 1905, e pertencente a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, é um dos mais importantes museus do país. Localizada no Centro de São Paulo, o museu contou, em primeiro momento, com 26 pinturas, todas vindas do Museu Paulista da USP. E hoje em dia, apresenta um acervo com mais de 10 mil obras de arte. 

Composta por diversas exposições dentro de seu edifício, o museu proporciona a seus visitantes múltiplos modos de visão do mundo em apenas uma única visita. Thierry Freitas, Curador da Pinacoteca, conta, durante uma entrevista, que isso se dá por causa da diversidade e da pluralidade em seu acervo, que busca novas linguagens e novas perspectivas críticas sobre a sociedade brasileira e sobre o sistema de arte.  Com projetos ligados à arte visual, o museu traz ênfase em obras brasileiras, do século XIX até a contemporaneidade. Thierry fala, ainda, que isso se dá por conta do foco estar no Brasil, “ A Pinacoteca coleciona apenas artistas brasileiros ou artistas estrangeiros que produziram no Brasil, ou produções que versam sobre o Brasil… Em 2019, a gente comprou via programa de patronos, que é o nosso dispositivo Institucional para adquirir obras e continuar formando a nossa coleção, compramos as primeiras duas obras de artistas indígenas contemporâneos, do Denilson Baniwa e do Jaider Esbell.”

Mas a relação desse edifício com a sociedade não é focada apenas em abrir espaço para a visualização de obras magníficas. A Pinacoteca, além de proporcionar aos seus visitantes a relação do ser com as obras, permite que eles criem ali uma relação consigo mesmo e uma conexão com outros frequentadores. Por meio da transmissão de sentimentos, essa estrutura provoca uma nova e intensa socialização, que só é criada quando se está presencialmente no museu, um sentimento que não há adjetivação suficiente e, acredito que nem exista, para descrever. Uma sensação única a cada frequentador e consumidor das obras que ali estão presentes. 

O edifício é um ótimo ponto para se visitar, mas engana-se quem acredita que em apenas um dia é possível conhecer todas as exposições ali presente. Cada sala do museu é formada por grandes quantidades de trabalhos e em cada canto da Pinacoteca há informações para ser digerida. 

 

Foto: Victória Toral 

Os visitantes, sendo eles pais com seus filhos, namorados, amigos, ou até mesmo sozinho, buscam o museu como uma das maneiras para se entreter e ao mesmo tempo aprender. Mas, também, há aqueles que vão para conseguirem ótimas fotos. Com uma arquitetura de tirar o chapéu, a composição das obras com a estrutura do prédio dá àqueles que buscam o clique perfeito ótimos cenários para suas fotos. 

Mas, a verdade é que o museu carrega uma grande importância para a sociedade brasileira. E manter essa estrutura presente em nossa cultura permitirá continuarmos contando nossas histórias. “Como museu público, a Pinacoteca tem a função de divulgar nossa arte, mas também de formar público, tanto oferecendo dias gratuitos para a entrada, como cursos com vagas gratuitas para professores da rede pública ou visitas educativas focadas em determinados grupos, muitos deles em situação de vulnerabilidade social, que entram no museu pela primeira vez. Acho que, como museu público, tem o dever de estar em contato com a realidade do país e de apresentar da maneira mais democrática e plural possível.” ressalta Thierry. 

A cultura não pode e não deve ser esquecida, ela é a base para a formação do indivíduo, como explica Milene Chiovatto, coordenadora do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca de São Paulo, em sua análise “A cultura é um direito. Ela aparece, ao lado de alimentação e saúde, por exemplo, na declaração dos direitos humanos, de 1948. E assim é, pois a formação cultural é parte constituinte da identidade de cada um. Não é possível separar o indivíduo de sua cultura. Nessa perspectiva, a arte é um dos aspectos culturais que participam daquilo que cada um de nós é.” 

E, bloquear a presença de certas classes para o consumo artístico provoca em toda a sociedade um atraso não apenas cultural, mas educacional. Como enfatizado por Milene, “A frequência cultural é, assim, um dos meios para fortalecer e repensar as identidades.”. Excluir qualquer que seja o indivíduo de vivenciar e compreender as diferentes bolhas existentes, através das artes visuais é colocar em xeque o crescimento social, pois, principalmente no cenário atual em que estamos, onde a estrutura das redes sociais, a volatilidade, o visual e a baixa presença de narrações ou expressões escritas estão em alta, a exposição é a forma mais provável de prender a atenção dos indivíduos, como explica Milene: “Numa sociedade midiática e imagética como a que estamos inseridos, as artes, principalmente as visuais, alcançam um outro patamar de importância, já que por meio da reflexão crítica sobre elas, podemos desenvolver um necessário discernimento sobre as imagens produzidas e difundidas no mundo, não nos deixando enganar , por exemplo por falsas informações (fake news); entendendo as imagens do mundo como uma construção intencional cujos bastidores apresentam sentidos muitas vezes diversos do que a imagem final aparenta difundir.” 

 

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A pauta da última quarta-feira (22) contou com 68 itens que seguem em tramitação na Assembleia Legislativa
por
Laura Mariano
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29/06/2022 - 12h

Por Laura Mariano

A Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo deu aval a 29 projetos de autoria parlamentar. As proposituras aprovadas seguirão em tramitação antes de serem levadas para votação no Plenário.

Entre as propostas, está o Projeto de Lei (PL) 402/2020, de autoria da deputada Professora Bebel (PT), que autoriza o Governo do Estado a distribuir recursos para professores da rede pública, para que estes consigam adquirir computadores, aparelhos telefônicos e tablets durante a pandemia da Covid-19. O projeto propõe uma linha de crédito estimulada pelo governo, através do Banco do Povo Paulista, para financiar a compra destes equipamentos. A parlamentar ainda ressalta a importância para o incentivo do Estado aos servidores públicos, sobretudo se uma atividade remota for necessária.

Já o Projeto de Lei 658/2021, do deputado Wellington Moura (Republicanos), articula a implantação do "Programa Colação de Grau para Todos" em no Estado. A ideia é garantir que todos os estudantes, independentemente do nível de escolaridade, possam desfrutar da cerimônia. A proposta foi aprovada pela Comissão de Educação e Cultura e incluída em caráter de urgência para deliberação em reunião conjunta de comissões.

Proposto pela deputada Analice Fernandes (PSDB), o PL 517/2021 discorre sobre a criação do "Curso Técnico em Veterinária" nas Unidades do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. A formação, que será oferecida pelo Governo de São Paulo, buscará capacitar os estudantes com aulas práticas e teóricas, contribuindo para a geração de empregos e renda.

Na justificativa, a deputada afirma que a demanda de serviços veterinários aumentou durante a pandemia, ao passo que mais pessoas adotaram animais domésticos. Assim, é necessário que o setor conte com uma mão de obra qualificada e com variados conhecimentos acadêmicos. As despesas com a cerimônia serão custeadas pela instituição de ensino, contudo, o governo fará o necessário para que todos os estudantes participem.

De autoria da deputada Adriana Borgo (PTC), o Projeto de Lei 645/2020 autoriza o Executivo a oferecer convênios para bolsas integrais em cursos de esportes eletrônicos, em instituições privadas de tecnologia. O PL descreve que os benefícios de estudo serão permitidos para alunos e alunas da rede pública, que estejam no ensino fundamental ou médio, ou para estudantes de escolas particulares que já sejam bolsistas. O recurso também será oferecido a estudantes com deficiência.

Reunião

A pauta contou com 68 itens, sendo que para 28 deles, os parlamentares pediram vista. O presidente da Comissão, deputado Maurici (PT) conduziu os trabalhos e os deputados e deputadas, sendo eles, Douglas Garcia (Republicanos), Leci Brandão (PCdoB), Professora Bebel (PT), Roberto Engler (PSDB), Sérgio Victor (NOVO) e Valéria Bolsonaro (PL) também estiveram presentes.

 

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Como foi a celebração pelo orgulho queer após dois anos de pandemia
por
Michelle Batista Gonçalves
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15/06/2022 - 12h

Por Michelle Batista Gonçalves

Com a pandemia provocada pelo vírus da COVID-19, a reclusão e o medo foram as tônicas de nossas vidas nos últimos dois anos. Bares, boates, restaurantes e parques: tudo estava fechado ou limitado em seu funcionamento. Encontrar pessoas? Somente nos mercados e farmácias, a uma distância de um metro e meio, de preferência. Uma adaptação ao novo mundo que se apresentava a nossa frente foi necessária. Assim, importantes eventos anuais foram adiados ou remanejados a novos formatos – com as famosas lives, por exemplo –, mas finalmente, após este longo período de isolamento e afastamento, o calor do contato humano ganhou as ruas da Avenida Paulista mais uma vez, em uma celebração pelo mês do orgulho LGBTQUIA+.

Junho, escolhido o mês do orgulho em homenagem a Revolta de Stonewall – forte protesto contra a discriminação queer, ocorrido em 28 de junho de 1969, em Nova York –, é também o mês no qual a Parada LGBT de São Paulo celebra, todos os anos, a resistência e luta de toda sua comunidade; tendo sua primeira edição realizada em 28 de Junho de 1997.

Marcando o 19 de junho de 2022, a 26° Parada LGBT de São Paulo, teve o tema "Vote com orgulho - Por uma política que representa". De acordo com Claudia Garcia, presidenta da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), é importante o apoio a representantes efetivamente comprometidos com um Brasil mais igualitário e humano. Além dos 19 trios, que este ano contou com participação e shows de nomes como Pabllo Vittar, Luísa Sonza, Ludmilla, Pocah, Liniker, Mateus Carrilho e Quebrada Queer, as cores do arco íris eram pintadas com muito glitter e acessórios nos 2,8 longos quilômetros da rua com a maior diversidade de pessoas possível. Aliás, ao chegar na grande avenida, mal se podia andar entre as milhões de pessoas presentes no evento.

Kendely Caroline, que estava presente na celebração desse ano, relata uma sensação de liberdade e alívio em poder retornar às ruas após dois anos de pandemia. Este período pandêmico sem a possibilidade de celebrar a resistência e existência de pessoas que "amam e se sentem como eu" - em suas próprias palavras - foi realmente difícil. Apesar da insegurança e um resquício de medo e dúvida no ar, houve uma agitação maior por parte do público na comemoração desse ano; uma empolgação em compensação pelo tempo perdido.

A Parada LGBT é um evento de grande importância para a representatividade e união de sua comunidade. "Ver tantas pessoas que são julgadas e discriminadas somente por existir, me dá medo. Mas aqui, nesse momento, enquanto ocorre esse evento, sinto que mesmo com medo podemos ser quem somos de verdade. E celebramos isso".

 

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Com 56 anos e muitas histórias para contar, o Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ultrapassa a barreira de apenas um espaço e é um símbolo cultural e político de São Paulo.
por
Luan Leão
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29/06/2022 - 12h

Por Luan Gabryel dos Santos Leão

Desde sua inauguração em 1965, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo, ou TUCA como é carinhosamente conhecido, já recebeu diversos artistas da música, do teatro  e até mesmo personalidades do cenário político. O Teatro, localizado na zona oeste de São Paulo, mostra sua relevância ano após ano, e se firma como símbolo cultural e político da cidade. Sobrevivente de dois incêndios, o espaço é cartão de visitas da cidade de São Paulo.

Resistência do TUCA
Foto: Jornal PUC-SP

“É uma honra a gente trabalhar aqui, e ter o histórico que tem, de poder ser um mensageiro da política e da história em si”, afirma Célia Grahl, Coordenadora administrativa do TUCA.  Para a coordenadora, a experiência de fazer o teatro funcionar é “incrível”. “Na construção dos cenários, por exemplo, é muito gratificante. Você vê o negócio cru e daqui a dois ou três dias tá aquela beleza”, afirma Grahl. 

No TUCA desde 1991, o superintendente do Teatro, Sérgio Rezende, classifica o espaço como um “marco” na história de São Paulo. “Nós temos uma história nos últimos 30 anos, o TUCA sempre lutou pela democracia, sempre lutou pelos espaços de cultura, hoje que nossa cultura está tão reprimida”, disse Rezende. 

A primeira peça apresentada no teatro, pouco mais de vinte dias depois de sua inauguração em 1965 foi “Morte e Vida Severina”, texto de João Cabral de Melo Neto, encenado por alunos do curso promovido pelo TUCA na época.  O jornalista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, José Arbex Jr, destacou a importância política da TUCA, e relembrou a realização do Tribunal do Genocídio, em 2021, para julgar os crimes cometidos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia. “Que outro espaço no Brasil existiu para fazer um julgamento desse tipo ? Quem mais no Brasil condenou o Bozo (sic) por genocídio ? O TUCA foi esse espaço, e isso tem uma relevância extraordinária no processo de resistência contra um governo do tipo fascistóide (sic), como é o governo Bolsonaro”, ressalta Arbex. 

Interior do TUCA
Foto: Jornal PUC-SP

Para Arbex, que esteve presente na invasão da PUC-SP pelos militares em 1977, o Teatro é um espaço de liberdade e defesa da democracia. “As paredes queimadas, que foram preservadas, incendiadas por um atentado da extrema-direita, elas estão lá para lembrar a gente que a ameaça está sempre aí. Democracia nunca é uma conquista definitiva, consolidada, é sempre um processo. E o TUCA tá aí para ajudar a gente a manter esse processo vivo”. 

Aos risos e com certa emoção, Célia Grahl encerrou a entrevista dizendo que o TUCA é “metade da minha vida”. “O TUCA para mim é uma grande alegria. É uma grande satisfação estar aqui, representando a cultura neste teatro”, finaliza Sérgio Rezende. Na memória afetiva de São Paulo, o Tuca, ou Tucão, é mais do que apenas um teatro, é resistência, cultura, política, o símbolo de toda uma comunidade. 

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