Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
por
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
por
KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Com um estacionamento inteiro reservado, a exposição que já passou por 24 países finalmente chega ao Brasil, porém, sem as obras de fato para serem apreciadas
por
Livia Veiga Andrade
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25/05/2022 - 12h

Reprodução: LivePass

 

Por Livia Veiga Andrade

 

Começou em março a exposição imersiva Beyond Van Gogh, no estacionamento reservado do Morumbi Shopping em São Paulo. O projeto permite imersão total nas obras de arte, com o apoio de diversas tecnologias. Cria-se uma viagem sensorial ao longo de todo o espaço reservado. De acordo com a idealizadora do projeto, a Normal Studio, a experiência procura apresentar o mundo do pintor e aproximar-se do sentimento de liberdade que suas obras têm. O contato com as pinturas é único e pessoal, cada visitante terá uma percepção diferente de acordo com seu próprio mundo interno.


Todo o espaço foi milimetricamente pensado para oferecer a melhor imersão possível ao visitante, desde sua entrada, com uma cafeteria montada no mesmo estilo da obra Café Noturno ao campo de girassóis, já dentro da exposição. É possível comprar itens com estampas do artista na lojinha, mas a magia está depois de um grande autorretrato do pintor. A visitação ficará aberta até o dia 3 de julho no pavilhão do estacionamento, mas o preço dos ingressos é bastante alto diante da magnitude do projeto. É possível visitá-lo por um preço um pouco mais acessível pelas manhãs durante os dias de semana, os valores flutuam de 80 à 200 reais, a entrada inteira, tendo a possibilidade de uma experiência básica ou VIP. Os ingressos podem ser comprados através do site oficial LivePass.

Vincent Willem van Gogh é o nome completo do pintor holandês que carregou consigo inquietações e incômodos com o mundo e os transmitiu em suas obras. Conhecido mundialmente, com o valor de suas obras sempre na casa dos milhões, ele, na verdade, não aproveitou sua fama enquanto vivo. Foi o segundo filho do casal Anna Cornelia e Theodorus van Gogh, após o nascimento de um irmão natimorto que receberia também o nome Vincent em homenagem ao avô. Nascido em uma família protestante, com mais cinco irmãos, o pintor sempre buscou a validação paterna e até mesmo se envolveu com a religião por alguns anos, mas nunca foi motivo de orgulho para seu pai. Trabalhando no mesmo ramo de vendas desde seus dezesseis anos, por recomendação do tio, Vincent foi morar com seu irmão mais novo, Theo, em Paris, no ano de 1886. Neste período, o pintor teve contato direto com os representantes do impressionismo, como Emile Bernard, Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin e Edgar Degas. Theo foi o maior apoiador do irmão em suas pinturas, e era com ele que Van Gogh tinha a ligação mais forte e mantinha muito contato através de cartas, essa sendo sua segunda paixão, foram mais de 652 correspondências que o pintor enviou durante seus anos de vida apenas para o irmão.

O holandês trabalhou em seus quadros durante seis anos e produziu mais de setecentas obras, nelas é possível observar a rapidez e a força de suas pinceladas, o que, de acordo com o professor e artista plástico Tiago Celestino Bueno, traduz sua enorme necessidade de se expressar. Van Gogh teve um tempo de vida bastante curto. Com uma vida muito conturbada, lutou contra a depressão e outros transtornos mentais, não recebeu diagnóstico ou tratamento adequado, fracassou no amor, teve problemas com seu pai e com álcool, ele se suicidou aos 37 anos, com um tiro no peito após um forte surto de depressão.

Vincent, como preferia assinar por medo de que as pessoas não conseguissem pronunciar seu sobrenome corretamente, também foi proibido de entrar em seu próprio estúdio de pintura pois ingeria tintas e solventes. Mas, diferente do mito da tinta amarela, a qual acredita-se que ele a comia por ser a cor da felicidade, o pintor, na verdade, o fazia para se envenenar e acabar com sua vida. Esse fato foi confirmado através de uma das cartas que ele enviou ao irmão, “Parece que eu pego coisas sujas e as como, embora minhas memórias desses momentos ruins sejam vagas”.

A experiência no pavilhão do shopping nos apresenta alguns trechos dessas cartas, logo após a leitura do ingresso somos imersos na confusão mental do pintor. Suas falas estão distribuídas pelo primeiro pátio, nos conduzindo através dos momentos mais importantes de sua vida e sua sensibilidade com o mundo, sua história é contada pelas cartas que ele redigiu ao irmão com suas obras ao fundo. Neste primeiro momento temos a sensação de conhecê-lo e entender melhor suas frustrações, pensamentos, sentimentos e o que acontecia durante suas loucuras.

Para o professor Tiago Celestino Bueno, Van Gogh tinha a arte como sua religião, as pinceladas eram a forma como ele conseguia se expressar e mostrar tudo aquilo que estava dentro de sua cabeça. Analisando a relação dos girassóis com o pintor fica explícito a depressão que ele vivia, essa flor fica aberta durante o dia com a exposição à luz, porém durante a noite, se fecha. O caminho entre o pavilhão principal e o inicial fica marcado por essa mesma flor, um campo de girassóis iluminados se apresenta de uma forma mágica para o visitante. Nesta parte todos param para tirar uma foto e registrar o momento, é como se estivéssemos em um campo de verdade por alguns minutos. Para Tiago, o fato das obras não estarem presentes não causa nenhuma perda de conhecimento, na verdade, exposições como essa podem aumentar as nossas sensações e percepções do mundo, pois não é apenas um sentido que está sendo explorado, a visão, nós somos imersos em um ambiente pensado para que desde a música as luzes sejam a composição perfeita para entendermos toda a história que está sendo apresentada.

A experiência inteira dura em torno de trinta minutos e notamos uma lógica durante seu trajeto, que de acordo com a artista plástica e curadora Eliana Tsuru, é uma das características mais importantes em uma exposição: é preciso entender o que está diante nossos olhos, mas muitas vezes sem a necessidade de uma explicação verbal, apenas o uso de cores, como por exemplo as lâmpadas amareladas ao longo do campo de girassóis, já são responsáveis por evidenciar que aquele espaço deve transmitir um sentimento bom e que as pessoas sintam-se livres para fotografarem sorrindo. O salão principal abriga as obras de forma fluída, os projetores são responsáveis por nos transportar para dentro das pinturas, os quartos, bares, ruas e campos que Van Gogh pintou ao longo de sua vida. O silêncio é imprescindível nesse momento, pois as mensagens que podemos ouvir são um pouco baixas, mas conforme vemos as pinceladas sendo feitas ao nosso redor, elas nos causam arrepios.

Reprodução: Curitiba Cult

Vincent tinha uma relação muito próxima com a natureza, sua pintura era muito característica dele mesmo e ver, por exemplo, A Noite Estrelada sendo feita bem a sua frente é uma experiência única, o azul e as composições com o branco e o amarelo para formar os círculos característicos de suas obras encerra a experiência com chave de ouro. Na exposição Beyond Van Gogh não temos contato direto com as obras originais, apesar do museu MASP em São Paulo abrigar quatro obras do holandês, a maioria tem sua casa permanente no museu do Louvre, em Paris. A visitação a museus tem sua importância exclusiva, que de acordo com a curadora Eliana, cria uma vibração diferente e deixa o visitante livre para decidir sozinho quanto tempo será necessário para que ele tenha contato com cada obra.

Exposições presenciais restringem um pouco o público, as virtuais, que são aquelas em que temos acesso pelo computador, telefone ou tablet, abrem espaço para mais visitantes, mas perde-se um pouco da característica fundamental de uma visitação que é a percepção individual de cada obra exposta. A arte não é apenas estética, uma foto ou vídeo não é o suficiente para transmitir toda a história ou sentimento de uma única pintura, nesse formato perdemos detalhes que a compõem, não somos capazes de perceber as pinceladas, ou as nuances de cor e os detalhes. Para Eliana, o despertar do campo visual e sensorial é de extrema importância em nosso país, por isso experiências virtuais também são válidas, para criarmos uma cultura mais sensível e ligadas às artes, é necessário um treino para ampliar o nosso conhecimento e entendimento artístico, isso adiciona muita bagagem cultural e pode ser responsável por transformar a vida de pessoas, fazendo-as perceber o mundo como nunca havia feito antes.

A exposição Beyond Van Gogh uniu perfeitamente o virtual com o presencial, perdendo muito pouco as características mais importantes de uma observação, o espaço nos permite admirar as obras e nos aponta discretamente quais detalhes devemos dar atenção em cada pintura.

 

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Há tempo que a mídia mostra sua influência no hábito alimentar da população
por
Larissa Isabella
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25/05/2022 - 12h

Por Larissa Isabella Araújo de Sousa

  A população brasileira tem em sua cultura a comida como afeto por muitas gerações. É extremamente comum que famílias se reúnam nos finais de semanas, feriados, datas comemorativas para comerem juntas. A criadora de conteúdo dona da página, Taurinagens, Flávia Antunes, 22, comentou sobre a comida em sua vida, “Os alimentos são mais do que só o valor nutricional, tem muito a ver com cultura, com costume, com momentos afetivos, eu tento trazer muito isso no meu insta… A comida sempre foi relacionada a momentos bons e isso ficou ainda mais intenso pra mim na pandemia sabe, basicamente organizava minha rotina em torno do que eu ia comer no meu dia, eu ficava animada se ia pedir algo”.

 A expressão “A cozinha é o coração da casa” é bastante difundida no Brasil justamente por se tratar do local onde muitas famílias se reúnem e passam bons momentos em conjunto. A comida sempre esteve envolvida nestes momentos, mas com a mudança imposta pela sociedade muitas pessoas deixaram de ver essa importância também afetiva nos alimentos. Por muitos anos a mídia focou muito em mostrar dietas radicais e por vezes com restrições de alimentos que são eleitos como malignos. Juntamente com as dietas restritivas desnecessárias, há grande apelo popular relacionado a chás milagrosos e remédios emagrecedores. De toda forma, a mídia sempre esteve muito relacionada em incentivar tais comportamentos.

 Durante os anos 90 e 00 a televisão teve grande influência negativa nos comportamentos alimentares da população, principalmente em garotas que só viam representação de mulheres extremamente magras e queriam alcançar aquele padrão corporal extremo. Em muitos filmes, inclusive, a representação de garotas que tinham uma má alimentação nutricional visando somente a estética era muito comum, podendo resultar futuramente até mesmo em transtornos alimentares. Os transtornos alimentares têm crescido drasticamente nas últimas décadas, atingindo principalmente adolescentes do sexo feminino. Mesmo que inicialmente a mídia não tenha relação direta com o desenvolvimento de tais transtornos ela está envolvida no aumento da comparação entre os corpos reais e os mostrados na internet e televisão.

A nutricionista comportamental, Gabriela Ortiz, 24, falou sobre o distúrbio de imagem “Li um estudo que o distúrbio de imagem, que é relacionado aos transtornos alimentares, subiu muito nos últimos 10 anos e é basicamente o mesmo tempo que as pessoas começaram a usar mais o instagram, então tem uma correlação”.

"Os níveis de cirurgias plásticas aumentaram muito nos últimos anos e há estudos que falam da correlação entre o aumento da procura de cirurgias e o aumento de filtros do Instagram. Acredito que sim, isso pode causar um distúrbio de imagem, isso pode causar uma comparação”, diz Ortiz.

Levando em consideração todo o contexto da relação entre televisão e alimentação, podemos então analisar dois principais pontos: primeiro a forma como mudou a relação da população com a comida; e depois a mudança da visão da população em relação a dietas. A comida passou a ser mal vista por diversos grupos, principalmente as mulheres, que muito afetadas pela mídia, mudaram a forma como entendem a alimentação em busca de um padrão estético. A comida passou de ser um ponto importante na vida, um momento de afeto, satisfação, para se tornar a vilã, sendo consumida de maneira equivocada sem levar em conta a nutrição necessária que o corpo necessita para se manter saudável.

Foi inserido no imaginário de grande parte da sociedade que as dietas são feitas exclusivamente para se atingir objetivos estéticos, mudando completamente o real objetivo de uma dieta criada por nutricionistas capacitados, que são a saúde e o bem-estar. “Quando a gente pensa em dieta restritiva de algum alimento sem necessidade, por exemplo, aquelas dietas prontas de internet, a gente tem um pouco de raiva sendo sincera. Porque muitas pessoas procuram o caminho mais fácil, a pessoa faz uma dieta pronta e ela perde o peso inicialmente, só que ela não consegue manter pois aquilo não é uma coisa sustentável e depois engorda tudo de novo”, comenta a nutricionista. Contrapondo o que se poderia imaginar com o andar da carruagem em relação à toda a indústria formada ao redor das dietas mal preparadas que criminalizam os alimentos, surgiu nas redes sociais um grande nicho que recoloca a alimentação no foco com a devida importância. Neste grupo de criadores de conteúdo tem-se alguns subgrupos como nutricionistas que desmascaram mitos populares ao redor da comida e também personalidades que frequentam e experimentam novos restaurantes.

Assim como a mídia influencia as pessoas, os novos criadores de conteúdo também têm se estruturado como influenciadores, adquirindo cada vez mais seguidores que buscam novos olhares sobre os alimentos. “Eu recebo bastante relatos de restaurantes e pequenas empresas, eu ouço muito assim, que eu posto e eles ficam tão felizes com o retorno que tem… Eu acho que sou uma micro influenciadora, às vezes eu saio e as pessoas me reconhecem, chegam e falam ‘segui uma dica sua’, ‘fui em um lugar por que você postou'”, diz Flávia.

O principal em relação às redes sociais é saber dividir e analisar as informações, porque mesmo que tenhamos uma melhora no conteúdo veiculado e com uma maior facilidade da população em consumir tais informações ainda há uma grande veiculação de conteúdos muito focados em estética ou que distorcem muito os corpos nas redes.  Gabriela Ortiz deixa um comentário sobre nossa relação com as redes sociais, “É preciso tomar cuidado com quem a gente segue, eu sei que é difícil ter um senso crítico quando um nutricionista ou um médico tá falando alguma coisa, automaticamente a gente vê aquela pessoa como autoridade. Mas todo profissional que critica muito um alimento, põe um alimento num pedestal, a gente tem que desconfiar, porque de forma geral não existe um alimento que vai estragar sua saúde, assim como não existe outro que vai salvar. Tudo depende de um contexto saudável”.

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por
Matheus Monteiro da Luz
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20/04/2022 - 12h

Por Matheus Monteiro

No final da década passada se iniciou um debate a respeito da posição que o Funk ocupa na cultura brasileira ou até mesmo na música como um todo. Em 2017, alegando crime à saúde  pública e propagação de falsa cultura, o empresário Marcelo Alonso foi responsável por uma sugestão legislativa que tentou criminalizar o funk. Após o Projeto de Lei ganhar o apoio de mais de 20 mil pessoas, foi endereçado aos cuidados da Comissão de Direitos Humanos (CDH).

Na comissão o projeto perdeu força, uma vez que, o relator do processo, o senador Romário, julgou a proposta como um desrespeito a uma parcela da população. Visto que o relator ganhou o apoio de diversos artistas, antropólogos e pessoas interessadas na valorização do funk como uma expressão genuína da cultura brasileira, debates relacionados a criminalização do funk deixaram de percorrer as esferas do legislativo, se limitando a discussão em em fóruns e redes sociais espalhando-se pela Internet.

Tendo em vista esse fato, em 2019, Fabricio Di Paolo; mais conhecido na Internet como Lord Vinheteiro, começa a  ganhar notoriedade com vídeos questionando a qualidade da música e a real posição do gênero para a cultura brasileira. Em um vídeo intitulado “Por que Funk é tão ruim?” Vinheteiro alcançou 2,2 milhões de acessos e reacendeu esse debate que parecia. Em sua explanação o pianista clássico, trata o funk como desrespeito em falas como “o funk é um gênero musical de fezes. Termos aliás que o youtuber adora classificar o funk em qualquer lugar onde tenha opinião sobre o assunto.

Apesar dessa manifestação carregada de preconceitos e opiniões pessoais, ela ganhou muito relevância e compartilhada por parte da população brasileira. Funkeiros e produtos musicais oriundos da periferia saíram em defesa do funk. E os palcos para esse debate novo acabou sendo a internet que aproveitou a nova onda do Talks Shows, para aumentar sua repercussão.

O motivo pelo qual a pergunta do título é cogitada é o fato do brasileiro de médio e de alta classe não reconhecer, muito menos se identificar com o rimo. O desconhecimento da realidade cantada pelos cantores de funk, vai em desacordo com os valores pregados por essas classes mais privilegiadas. É óbvio que ele contém machismo, desvalorização da mulher, apologia ao uso de drogas e o crime, entretanto o que está sendo desconsiderado é a realidade do morador das comunidades brasileiras. Como vai ser cantado algo diferente? Nem os compositores, nem os consumidores alvos conhecem outra realidade.

Outra coisa que é deixada de lado é que parece que todas as produções do gênero contém esses aspectos negativos, o que é outra ideia que mostra a ignorância da população em relação ao Funk. Esse tipo de letra representa uma camada, que bem verdade não é pequena, mas também não compreende a totalidade do funk. Cantoras como Valesca Popozuda e Ludmilla se apresentariam na Rede Nacional cantando músicas que vão em desacordo com a família tradicional brasileira? Claro que não.

Mas infelizmente se fecha os olhos para os aspectos positivos do Funk, suas letras positivas e de valorização da favela, a criação de novas oportunidades para quem mora em comunidades periféricas. O Funk pode também representar a porta de entrada de muitos jovens ao mundo da música, talvez para alcançar patamares maiores, tanto na questão instrumental, vocal ou de produção. Foi o Funk que impulsionou Anitta para alcançar o topo do Spotify, tendo a música mais ouvida na plataforma, com o hit “Envolver”, posto que nunca tinha sido alcançado por um brasileiro.

O produtor Bruno Ramos, numa conversa com o próprio Lord Vinheteiro, veiculadas do canais digitais da GNT, disse que um gênero musical não pode ser responsabilizado por uma deficiência de formação social. Na visão dele não é a música que vai influenciar alguém a ter um comportamento de violência contra as mulheres, por exemplo. Esse comportamento é apenas um reflexo do apresentado nesse contexto social.
 

O Funkeiro ainda complementa, dizendo que outros segmentos culturais também apresentam comportamentos considerados imorais, e nem por isso são responsabilizados ou taxados de possuir qualidade inferior por conta disso. Nesse ponto que está localizado o problema está muito preocupado com o conteúdo e entretenimento que o povo periférico está produzindo, mas não se discute suas condições de vida.

Nada é feito para promover uma mudança nessas condições,a infraestrutura já é precária para a sobrevivência, imagina então para uma produção musical. Mesmo com esses fatores jogando contra muita arte de qualidade e relevância está sendo produzida no local. E por mais que esse tipo de produção enfrente barreiras, ele está em evoluindo tecnicamente e conquistando cada vez mais seu espaço dentro da cultura brasileira.

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As instiuições são fundamentais para a preservação das artes paulistanas
por
Bárbara More
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25/05/2022 - 12h

Por Bárbara Cristina More

Além de ser o centro financeiro do Brasil, São Paulo também é uma metrópole muito rica quando se pensa em cultura. Com o intuito de garantir livre acesso da população às artes, a Secretaria Municipal de Cultura dispôs 20 Casas de Cultura espalhadas pela cidade. As instituições são voltadas para a atuação do setor artístico-cultural, promovendo atividades gratuitas que abrangem todas as camadas da sociedade. Dentro delas, um universo de cores e texturas invade os sentidos dos presentes. 

Quem já passou por uma dessas casas, provavelmente não conseguiu ignorá-la. Estruturas imponentes e coloridas, elas chamam os transeuntes a visitar seu espaço. No interior, pessoas de todas as idades celebram as artes durante os eventos e exercitam talentos criativos nas oficinas. Localizadas nos corações de bairros tradicionais de São Paulo, essas instituições também abrigam exposições artísticas, apresentações musicais e espetáculos teatrais. Contudo, por se tratarem de iniciativas públicas, os polos sofreram muito com a pandemia de Covid-19. 

Os espaços, que antes eram dominados por músicas e conversas animadas, perderam a vida e foram invadidos pelo silêncio. Por conta das restrições sanitárias, fecharam as portas que estavam sempre abertas e se viram obrigados a buscar por alternativas. Algumas recorreram à lives e aulas remotas, enquanto outras precisaram cessar as atividades. No caso da unidade do Butantã, apenas os seguranças ficavam no local para cuidar da propriedade. Com o decreto de liberação, ela deu boas-vindas novamente ao público e já recuperou todo o seu esplendor. 

Oficializado em 1992 com a lei de Casas de Cultura, a instituição foi planejada e construída com o intuito de ser um sacolão e, por conta disso, apresenta um formato de galpão. O coordenador da casa, Danilo, ficou animado ao exaltar o bairro que se tornou um símbolo de residência artística. A instituição é um reflexo da história local e se ergueu em meio a grandes polos exportadores de cultura. Artistas ocuparam o espaço antes que ele pudesse se tornar um comércio e criaram uma casa que acolhe aqueles que estão dispostos a conhecer seu universo. 

No interior, frequentadores e oficineiros se misturam enquanto exercem diferentes atividades. Por se tratar de um espaço sem divisões, algumas oficinas acontecem simultaneamente, criando uma explosão de cores e sons. A música se mistura às conversas, risadas e ensinamentos que estão sendo passados. Pessoas de diferentes gerações, classes sociais e origens se encontram para praticar ações distintas, mas sem haver confusão. Ao mesmo tempo em que existe uma inundação de informações, tudo é simples de ser entendido e parece hipnotizar o visitante a entrar e não sair mais. 

Se a casa do Butantã é bem colorida, no polo de Santo Amaro reinam os tons marrons. A explicação para o ar mais sóbrio do local está em sua história. Antes de abrigar a instituição, o prédio chegou a ser um mercadão e uma funerária. Hoje, ele ainda preserva a sua arquitetura e representa um imponente patrimônio histórico do bairro. As marcas no piso de madeira denunciam os milhares de sapatos que se arrastavam no chão enquanto seus donos dançavam nos bailes. Nas paredes, estão quadros e registros de seus principais eventos e o orgulho da casa: o samba de vela. 

Funcionária da casa há 15 anos, Neuma carregou suas palavras de felicidade ao falar sobre o tradicional bloco de samba. Apesar de as atividades estarem voltando gradualmente após terem cessado durante a pandemia, o visual do espaço permite imaginar casais apaixonados girando ao som de músicas nacionais e aproveitando uma bela noite de divertimento. Os idosos, que estavam acostumados a bailar de duas a três vezes por mês, ocasionalmente batem na porta e clamam pelo retorno dos eventos. Por conta da saudade das aulas, o público se entristeceu e alguns até chegaram a ficar doentes. A cultura é uma distração para a terceira idade, que representa o grupo mais frequenta o local. 

Quando se fala de tradição, não há como deixar de mencionar a Casa de Cultura Salvador Ligabue. Se para o resto da cidade ela se tornou um ponto turístico, para os moradores da Freguesia do Ó, o local integra sua rotina. A instituição faz parte do novo polo cultural e gastronômico do Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, um projeto de lei instaurado pela vereadora Sandra Santana. Ao longo de seus 30 anos de existência, a construção cresceu e anexou o espaço da junta militar, onde agora há uma escola gastronômica. 

Da gastronomia às artes, o largo não falha em atrair público. Na época de Carnaval, a região hospeda um dos mais tradicionais blocos da cidade de São Paulo. Contudo, não é apenas no feriado que se pode encontrar festas. A Casa de Cultura invoca a todos a participar de seus programas e se inscreverem em sua oficinas. As crianças do bairro se habituaram a frequentar o local para aprender novas habilidades e se divertir no processo. Assim como o polo de Santo Amaro, a Salvador Ligabue recebe muitos idosos, que parecem rejuvenescer ao adentrar o seu espaço. Enquanto passam seu tempo livre no acolhedor local, os sorrisos não deixam seus rostos. Contudo, tiveram que esperar longos meses para sentir novamente o calor da casa, que segue tomando cuidados preventivos e realiza controle de carteiras de vacinação para acessar as atividades.

Na luta pela sobrevivência à pandemia, o coordenador Luís se empenhou em fazer um estudo de como manter os artistas em atividade de forma segura. Seguindo o exemplo de outras unidades, ele também recorreu aos meios de comunicação onlines e criou uma programação onde os artistas eram contatados e cadastrados em um sistema para que a instituição e o público conseguissem continuar contemplando os programas. Com as pessoas retidas em casa e clamando pelo acesso às artes, não havia alternativa senão reunir esforços para inovar os equipamentos culturais e se adaptar nesse processo.

Para participar das aulas gratuitas oferecidas pelas instituições, o interessado deve aguardar pela abertura do período de inscrições, visitar a Casa de Cultura de sua preferência e deixar os seus dados.

Secretaria de Cultura de São Paulo 

Em entrevista à AGEMT, a secretária de cultura de São Paulo, Aline Torres, comentou a importância das Casas de Cultura para a sociedade. Para ela, essas instituições são uns dos principais equipamentos de livre acesso e descentralização da cultura, porque elas estão, de fato, nos mais diversos bairros. Preocupada com o fomento de políticas públicas das artes e implantação de novos projetos para a sociedade, ela revelou que a secretaria está introduzindo um programa novo.

Ainda em processo, ele fomentará 300 blocos de carnavais periféricos pequenos. Aline afirma que já conseguiram instrumentalizar a ideia juridicamente para contratar esses grupos. No entanto, ela acredita que a pandemia não teve impacto somente nos programas de incentivo à cultura, mas na cultura como um todo. Segundo Torres, ela foi o primeiro segmento da sociedade que teve impacto, depois da saúde, porque foi onde os palcos e os microfones foram fechados. Ao mesmo tempo, a cultura foi quem deu sobrevida para todo mundo.

A secretária acredita no poder das artes em trazer forças para a população. Durante a entrevista, ressaltou que foi preciso criar um novo olhar e inovar na hora de levar a cultura até a população, sendo o momento das lives e dos shows em casa. Em específico, a sociedade conseguiu reorganizar e entender que podia transformar o teatro em audiovisual, abrindo novas plataformas e possibilidades da cultura para todos os fomentos..

 

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Imagem estereotipada em filmes representa o Brasil no exterior.
por
Lucca Cavalheiro Ranzani
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08/06/2022 - 12h

Por Lucca Ranzani

O estereótipo é algo que sempre existiu na sociedade, desde os primórdios, onde o ser humano se tornava racional, as pessoas já realizavam isso. Sendo uma representação de uma imagem preconcebida, padronizada e generalizada definida pelo senso comum. Usado principalmente para definir e limitar as pessoas quanto a aparência, naturalidade e comportamento. Era tratado como normal realizar estereótipo na dramaturgia, aonde eles pegavam coisas de outra  nacionalidade, raça, sexo etc.

Um exemplo bastante claro sobre a questão do estereotipo racista nas produções é a peça teatral Chocolat e Footit que era uma dupla de amigos palhaços, Chocolat era o primeiro palhaço negro de sucesso na França moderna, nas apresentações era feito brincadeiras contra o Chocolat, onde era derrubado da cadeira, sofria agressões, mas era tratado como uma forma de brincadeira e hoje é compreendido que era um ato de racismo e os espectadores da época não via isso e pelo contrário achava engraçado. Vem mudando de uns tempos para cá, porém pessoas negras não se viam representadas em livros, filmes, séries de televisão, brinquedos e etc. Os negros não tinham pessoas para se impressionar e inspirar, mas com a mudança de ideias, pensamentos, os negros começaram a ser representados. Um exemplo claro disso é na série de TV americana Brooklyn 99, uma série de comedia, situada em uma delegacia de polícia em Nova York que é chefiada por um capitão negro e homossexual, também tem um sargento negro, e duas detetives latinas que acabam representando essas minorias. 

As produções de Hollywood são as mais famosas do mundo, que recebem notoriedade pelos astros, sets de filmagens, direções e um alto nível de orçamento. Mas o preço dessa notoriedade é um alto nível de disseminação de estereótipos e visões distorcidas do mundo. Desde o começo Hollywood reforça preconceitos existentes na sociedade norte americana. Paródias, personagens caricaturescos e técnicas de filmagens são elementos utilizados até hoje, nas para representar determinadas culturas de forma equivocada e depreciativa.   

O Brasil tem muitos estereótipos apresentados em produções audiovisuais que acabam sendo retratados como um país de favelas, samba, mulheres e etc. No filme Rio (2011) é mostrada uma imagem customizada do país e mais especificamente do Rio de Janeiro, em que é apresentada a velha e boa “receita de bolo” para um filme fazer sucesso com a imagem do Brasil no exterior. No filme existem alguns equívocos como a fala de personagens quando interpretado em português e espanhol, com um sotaque latino e também usam expressões típicas do espanhol. No filme o país é repleto de macacos, corrupção, favelas, contrabando de animais silvestres e outros estereótipos.   

Para o professor Norval Baitello Jr, estereótipo é uma forma de repetição, um clichê, onde as produções acabam realizando essas gafes para assim poder ter mais sucesso, pois as pessoas têm o costume de ir sempre no comum, no porto seguro. Se na produção audiovisual faz sucesso filmes em que é retratado o Brasil de forma estereotipada  por exemplo, então acaba fazendo sucesso lá fora por ser algo que é bem-visto por eles e aqui no Brasil por ser um filme de fora falando sobre a gente e assim fazer sucesso. É necessário ter uma mudança de pensamento tanto por parte das empresas, quanto por parte dos espectadores pois que devem abrir a cabeça para novas ideias e assim tentar diminuir os estereótipos e as repetições. Apesar disso ser algo seguro para nós, as vezes é necessário sair da zona de conforto e explorar coisas novas e também entendermos que os estereótipos contra raça, sexo, nacionalidade etc. é algo errado e temos que combater essas situações. 
 

 

 

 

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