Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
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Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
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Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Bgirl Maia e Bboy Leony são os finalistas da BC One Camp Brasil 2022
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Júlia Takahashi
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04/08/2022 - 12h

 

O último final de semana de julho fechou com chave de ouro no espaço Streetopia, próximo à Avenida Paulista, com a Red Bull BC One, o maior campeonato de Breakdance do mundo. Foram três dias intensos, que começaram  com o Bboy Lula e a MC Aline apresentando a quarta cypher em  que os competidores se classificam  para a final do nacional. Essa final encerrou o evento no domingo, 31, com a Bgirl Maia e o Bboy Leony campeões que vão representar o Brasil na Last Chance Cypher, competição que antecede a final do Mundial, em Nova York, Estados Unidos, em novembro.

As cyphers ocorreram em quatro cidades espalhadas pelo Brasil: Curitiba, Fortaleza, Brasília e São Paulo. Cada competição classificou oito breakers, totalizando na final 16 Bgirls e 16 Bboys para a batalha final. Os competidores são: Dedessa, Fran, Itsa, Jeizzy, Karolzinha, Livia, Loirinha do Break, Maia, Nathana,  Nay, Mini Japa Pekena,  Prix, Rayane, Toquinha e Violetta; do masculino são: Allef the Deep, Bart, Dinamite, Flash, Fly Jan,  Iguin, Kapu, Kley, Leony, Luan, Rato, Robin, Sinistro, Snoop, Xandin e Zym. A batalha funciona 1x1 e enquanto a música toca, aleatoriamente, escolhida na hora pelo DJ, os dançarinos têm duas entradas em cada round, ou seja, vão ao centro do tablado para se apresentar e impressionar os jurados, que os avaliam em musicalidade, fundamentos, dificuldade de movimentos, personalidade, estilo, entrada e originalidade. No final das apresentações, os jurados levantam a placa do nome do competidor que seguirá para a próxima batalha.

Apresentadores MC Aline e Uiu na final do nacional
Apresentadores MC Aline e Uiu na final do nacional por Julia Takahashi

 

O evento também organizou workshops e palestras com Sarah Bee, Little Shao, Kapela, Lilou e outros grandes nomes do breaking, apresentações, oficinas de dança e claro, muita disputa!  A Batalha do Chinelo, criada pelo Bboy Pelezinho, também não ficou de fora e a torcida colaborou muito para vibrar o tablado e acelerar o coração dos participantes. A intenção dessa invenção é batalhar sem deixar o chinelo sair do pé. No sábado, a galera vibrava com a batalha intensa entre a crew Tsunami All Stars e Squadron Crew, com o DJ MF. A fotógrafa Martha Cooper e os artistas OS GÊMEOS também estiveram presentes no evento.

É importante ressaltar que o breaking é a primeira dança esportiva nas olimpíadas e  estará presente no ano que vem nos Jogos Pan-Americanos que acontecerão em Santiago, Chile, e nos jogos de 2024, em Paris, França. O reconhecimento do Break como esporte pelo COI - Comitê Olímpico Internacional - aconteceu na edição dos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, 2018. Dois anos depois, é oficializada e entra como a nova modalidade nos Jogos Olímpicos. A seleção conta com 16 participantes, entre eles Leony e Maia, campeões da Final do Nacional.

A grande disputa nacional contou com uma excelente estrutura e transmissão ao vivo. O Bboy paranaense Leony conquistou a sua quarta vitória, disputando a final com Allef. Já a Bgirl Maia, disputou com a Mini Japa e saiu com seu primeiro título de campeã nacional. Ambos tiveram que vencer quatro outras disputas, passando pelas oitavas, quartas e semifinais. A partir de agora, eles se preparam para disputar o Last Chance Cypher, encontrando com os melhores competidores de vários países para estarem em uma das vagas no mundial da Red Bull BC One, em novembro.

Resultado dos campeões nacionais Bboy Leony e Bgirl Maia
Resultado dos campeões nacionais Bboy Leony e Bgirl Maia por Julia Takahashi

Breakdance e hip hop

Originário dos bairros nova-yorkinos, Bronx e Brooklyn, o hip hop começa a ocupar seu espaço na sociedade, em meados do século XX, diante de um cenário de violência, criminalização e disputas entre gangues. A voz e corpo dos manifestantes começam a ser vistos por meio do grafite, da dança, da música e da moda. Nomes como Kool herc e Africa Bambaataa foram responsáveis por movimentar e resistir diante uma sociedade racista, com a segregação racial ainda vigente na época nos Estados Unidos.

No Brasil, Nelson Triunfo foi um dos principais nomes para difundir o Hip Hop, que se instalava no centro de São Paulo, próximo à estação São Bento, palco onde também nascia o Rap Nacional, com grandes nomes, como Mano Brown e Edi Rock.

O campeonato

A Red Bull BC One nasceu em 2004, na Suíça, sendo a primeira competição 1x1 de breakdance e, hoje, é a maior do mundo. Este ano a final será sediada nos Estados Unidos, mas já esteve presente na Polônia (2021), Áustria (2020) e na Índia (2019). A grande batalha conta com 16 bboys e 16 bgirls, do total de cada grupo, 14 dançarinos são convidados, de acordo com o seu alto nível, as outras duas vagas são conquistadas na Last Chance Cypher, pelo campeão e vice campeão. Esta última batalha acontece alguns dias antes da batalha do mundial.

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Nos dois sábados do evento, leitores e ouvintes se reuniram para ver e ouvir Ilana Casoy, Ivan Mizanzuk, Carol Moreira e Mabê Bonafé
por
Bianca Novais
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13/07/2022 - 12h

A 26a edição da Bienal do Livro de São Paulo retornou no sábado (02), após quatro anos de hiato. Devido à pandemia de Covid-19, não houve edição em 2020, com isso o número de pessoas que compareceram ao Expo Center Norte durante os nove dias de evento demonstra o sucesso que é a Bienal: 660 mil pessoas.

Além das atrações próprias de cada estande, a Bienal contou com 1.300 horas de programação cultural. Entre elas, o painel "Crimes Reais", no primeiro dia. Ivan Mizanzuk, Carol Moreira e Mabê Bonafé bateram um papo sobre o gênero, com mediação de Duds Saldanha, na Arena Cultural.

Mizanzuk é jornalista, professor e ficou conhecido nacionalmente pelo seu podcast Projeto Humanos, em especial pela temporada O Caso Evandro, em que aborda a investigação e o processo judicial do desaparecimento e assassinato de crianças em Guaratuba, Paraná, nos anos 1990. À época, o caso ficou conhecido como "Bruxas de Guaratuba", mas o jornalista explicou durante o painel porque preferiu não usar o título sensacionalista: "Se eu quisesse fazer sucesso logo de cara, coloraria o nome conhecido. Mas ele é acusativo, determina de quem é a culpa. Já 'caso Evandro' era usado por alguns promotores e juízes, e achei importante porque dava foco à vítima".

O Caso Evandro , inspirou a produção da série documental homônima, que estreou em 2021 na Globoplay. No mesmo ano, o livro O caso Evandro: Sete acusados, duas polícias, o corpo e uma trama diabólica foi publicado pela Harper Collins.

A obra originou-se no formato de podcast, que atualmente é um dos grandes responsáveis pela popularização do gênero true crime no Brasil e no mundo. Produções internacionais como Serial (Serial) e My Favorite Murder (Meu Assassinato Favorito) acumulam centenas de milhões de downloads. Além do podcast de Mizanzuk; Modus Operandi e o mais recente fenômeno A Mulher da Casa Abandonada são os representantes brasileiros do crescente nicho.

Carol Moreira e Mabê Bonafé são apresentadoras do Modus Operandi e lançaram seu primeiro livro, de mesmo nome, durante a Bienal. A maior parte dos presentes na Arena Cultural durante o painel era feminino. De acordo com Saldanha, que também é roteirista do Modus, "Mulheres são as pessoas que mais consomem conteúdo de crimes reais porque elas aprendem como sair de uma situação, caso aconteça".

Em entrevista exclusiva à AGEMT, Bonafé confessa a surpresa que teve com a quantidade de presentes no painel. "A gente estava muito empolgada, mas não sabíamos como era nossa audiência, porque não fizemos nenhum evento presencial. Veio muita gente, foi muito especial".

Uma semana depois, no penúltimo dia de Bienal, a dupla do Modus retornou à Expo Center Norte, para entrevistar a criminóloga e escritora best-seller Ilana Casoy. Dessa vez, os leitores se reuniram em frente ao estande da Submarino. A desorganização da editora, conhecida como a gigante do comércio on-line, não foi o suficiente para fazer os fãs das três autoras desistirem de assistir à gravação ao vivo do podcast. Enquanto a fila de entrada que dava voltas no estande passava entre o palco e os espectadores, Bonafé e Moreira realizavam o que disseram ser seu sonho.

Casoy é especialista em perfil psicológico de criminosos, com foco em serial killers, há mais de 20 anos. Sua lista de obras é extensa e inclui casos de grande repercussão no Brasil. O Quinto Mandamento, que trata sobre o homicídio do casal Richthofen, e A Prova É A Testemunha, sobre o caso Nardoni com relatos inéditos, são alguns de seus livros mais famosos. Bom Dia, Verônica, sua obra mais recente, com coautoria de Rafael Montes, se tornou uma série da Netflix de mesmo título.

Parte do trabalho de Casoy envolve entrevistar face a face assassinos e estupradores. Durante o painel, a escritora conta como foi a experiência de estar na mesma sala com serial killer misógino. Sua estratégia para fazê-lo falar foi se colocar submissa ao psicólogo que a acompanhava. Colocou ele sentado na cadeira mais imponente da sala, se ofereceu para buscar água, e quando saiu o psicólogo fez "aquela cara de macho para macho", em suas palavras. Apesar do malabarismo, Casoy esclarece que são ossos do ofício: "Precisa ter bem claro o que se quer obter, porque quem não sabe o que procura, não acha".

Na Bienal dos reencontros, podcast e literatura se misturaram, consolidando a mídia de áudio do início dos anos 2000 e provando que os leitores – e os ouvintes – estavam morrendo de vontade de sair do virtual.

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O encontro ocorreu com a escritora Pétala Souza na Arena Cultural da Bienal em São Paulo no dia 04 de julho
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09/07/2022 - 12h

No último dia (04/07) de Bienal do Livro em São Paulo, a escritora Pétala Souza entrevistou o artista Lázaro Ramos. O tema abordado no bate-papo foi a importância da literatura infantil, O ator iniciou o encontro contando como foi escrever livros infantis sobre seus filhos. 

O autor explicou o processo de escrita do  livro “Caderno sem rimas da Maria”, composto de palavras inventadas para descrever brincadeiras ou ações que as crianças fazem e não tem nome, foi um processo de afeto e carinho, descoberto a partir da vivência e de uma descrição da poeta e escritora Luciene Nascimento “se eu permitir que você toque no meu cabelo crespo e sua mão travar, isso não é um embaraço, é um convite para fazer um carinho por mais tempo”. O embaraço é nomeado de “denguindacho”.

Acerca da aproximação entre a criança e a literatura, Lázaro diz que o primeiro passo para aproximar os pequenos é ser o exemplo, para que quando adulto o leitor torne o livro um objeto natural na vida deles.

Além disso, a identificação com personagens e assuntos que os interessem são fatores que mudam a experiência da leitura, o autor explica que um dos dilemas na sua infância e juventude eram a falta de personagens negros, ou quando tinham, eram coadjuvantes. 

Por isso, nos livros que escreve, Lázaro destaca a  importância de falar sobre questões raciais e colocar personagens negros como protagonistas, e ressalta que procura falar sobre diferentes temas como valores, autoestima e outros que transmitam afetividade e informação para quem ler. Orienta também que todos devem ler escritores pretos, não só pelos livros serem uma ação social, mas por serem de qualidade. 

Quanto a distribuição e acesso aos livros feitos por escritores negros, o autor afirma que ainda há dificuldades, os livros são preteridos ou tem distribuições modestas, mas ao mesmo tempo, na atualidade, estes estão ocupando lugares como a Bienal. Ainda aponta para as vendas e produções alternativas que são uma forma de aumentar o acesso e distribuição. 

O estudo denominado Literatura Brasileira Contemporânea - Um Território Contestado (Editora Horizonte/UERJ) analisou 258 romances publicados por três grandes editoras entre 1990 e 2004 e constatou que 93,9% dos autores eram brancos, 68% residiam em São Paulo ou Rio de Janeiro e 72% eram do sexo masculino.

O autor explica, quanto à recepção dos seus livros, que a organização de caravanas por escolas públicas e particulares para conversar com os leitores traz riqueza e aprendizagem para produzi-los a partir da resposta do público, mas ainda valoriza os comentários por redes sociais e diz se sentir abraçado pelos seus leitores. 

Em relação a reconstrução do país por meio da literatura, o Lázaro deixa claro que é necessário que a educação junto a literatura e cultura voltem a ser valorizados pela política brasileira e critica o atual período político apontando a celebração a ignorância, desvalorização da educação e figura dos(as) professores(as),  do poder e da importância dos livros, além da tentativa de taxação destes, pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes em 2021, e liberação de armas no lugar da influência a leitura. 

Quanto à abordagem de assuntos políticos em livros infantis, o ator diz que é importante pesquisar e adaptar a linguagem e que é possível trazer o debate para os pequenos. Conta o exemplo de uma criança que avaliou seu livro antes de ser publicado, em que, no livro, foi representado um dia chuvoso como triste e para ela era feliz pois faltava água onde morava, evidenciando o potencial das crianças de enxergarem os problemas. Afirma que mesmo que não existam respostas fáceis para problemas complexos, o silenciamento não é o caminho.

Em relação a literatura como ferramenta de manutenção da infância e desenvolvimento do ser, Lázaro conta que foi a uma escola em Salvador-BA em que o nível de leitura era muito baixo e as crianças não sabiam que poderiam sonhar, e a partir de um projeto de literatura, as perspectivas de mundo e sonhos se ampliaram. 

O autor salientou acerca de livros que tratam de assuntos relacionados a desenvolvimento como capacidades socioemocionais e o quão importantes são para as crianças aprenderem a nomear o que sentem. 

Com empolgação, encerrou-se o bate-papo e  Pétala finalizou com o questionamento para Lázaro, sobre qual livro ele gostaria de ter lido na infância, este relatou que desejaria ter lido Kiusam e Nei Lopes e que ainda lê e gosta de livros infantis, inclusive quando lê histórias de ninar, termina o livro para si mesmo depois que os filhos dormem.

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O legado do maior marco cultural do século XX
por
Julia Lourenço
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29/06/2022 - 12h

Por Julia Lourenço Rocha

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco cultural que completou 100 anos em fevereiro deste ano, realizado com o intuito de festejar os 100 anos da Independência do Brasil, o evento ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo e apesar de não ser o primeiro evento modernista, deu força ao movimento no país. O evento juntou diversos artistas da música, literatura e pintura que tinham o intuito de romper com as influências europeias para começar a produzir uma arte autoral brasileira. 

Apesar de escandalizar o público da época, estabeleceu as bases para a consolidação do Modernismo no país. Para o professor e doutor em Comunicação e Semiótica do Departamento de Artes da PUC-SP, Marcus Bastos, o evento foi extremamente positivo “a arte no final do século XIX era muito formalista, por exemplo, na poesia o parnasianismo era super metrificado, o modernismo veio oxigenar isso e trouxe uma série de novas ideias, muito ligadas também ao fato de que a vida estava se tornando cada vez mais urbana naquela época, então trouxe uma atualização de pensamento, buscando produzir coisas que tinham mais a ver com a vida urbana.” 

Marcus ainda afirma que o maior legado foi justamente a capacidade de fazer uma renovação da arte no Brasil, para ele foi um grande marco na cultura brasileira do século XX, onde é possível analisar a produção artística antes e depois da Semana de Arte Moderna.  

Mesmo com o intuito de instaurar uma identidade nacional artística, é possível observarmos que o evento não foi completamente bem-sucedido, já que em um país com uma pluralidade cultural tão vasta como o Brasil, seria necessário que todas as vertentes tivessem oportunidades iguais de visibilidade, o que 100 anos após o evento ainda não é uma realidade. O fato de ter sido realizado majoritariamente por uma elite paulista branca e estudada levanta debates até hoje sobre o legado elitista e excludente que o evento teve. 

Quando perguntado sobre a possibilidade de haver outro evento tão impactante como foi a Semana de Arte Moderna de 22, Marcus declara: “Eu acho difícil que haja outro evento como este porque uma coisa que acontece neste período contemporâneo é que não temos mais movimentos tão unificados, há uma diversidade muito grande, algo muito mais heterogêneo, o que é excelente na verdade, mas dificulta ter esse tipo de confluência maior.” 

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A busca pela praticidade e pela agilidade não gera apenas a perda de momentos da vida, está prejudicando, também, a alimentação das pessoas
por
Victória Toral de Oliveira
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29/06/2022 - 12h

 

Imagem: Freepik

Por Victoria Toral

Quando uma pessoa é questionada referente a como anda a vida, a grande maioria relata que está cada vez mais sem tempo. A perda das horas no dia a dia está se tornando algo muito comum entre seres humanos. Vivemos em uma correria insana, que nem tempo para respirar fundo estamos tendo.  Trabalho, faculdade, pós-graduação, filhos, amigos, inglês, espanhol e um tempinho para o lazer, que para tentarmos dar conta de tudo deslizamos em outras funções, como no caso da alimentação. Estamos todos os dias correndo de um lado para o outro, falando que sempre não temos tempo para fazer uma comida. Que com isso, e a modernidade nos dias atuais, preparar sua própria refeição virou coisa do passado. 

Em um só clique as pessoas conseguem, por meio de um aplicativo, pedir uma comida, sem precisar ter “gasto” tempo com esse tipo de coisa que a vida exige. Mas, o que não estão percebendo é que essa nova mania cultural não é prejudicial apenas no quesito alimentar. Fazer pedidos de comida por delivery a maior parte da semana afeta também a rotina da pessoa. Não se alimentar de forma saudável gera no indivíduo uma baixa disposição de energia, e provoca impactos nas outras ações do seu cotidiano.

Mas o que seria de nós sem um aplicativo para escolher uma comida, a cada dia, com variedade de cozinha e com a praticidade de chegar em sua casa, sem você precisar sair do sofá? Como iríamos nos alimentar sem a função delivery em nosso cotidiano? Você já parou para pensar que quando isso não existia as pessoas, que tinham as mesmas atividades que você e que também tinham uma vida acelerada, com trabalhos, filhos, estudos e momentos para o lazer, precisavam separar um tempo para preparar suas próprias comidas?

Com esse modo de vida, as pessoas estão, nos tempos atuais, apenas adiando a satisfação a longo prazo, para poderem saciar o momentâneo. E com isso, desenvolvendo novos vícios culturais, como relatado pela Biomédica, Renata Sartori, que contou que, no passado, tinha o costume de sempre pedir delivery, seja no almoço, ou na janta, por conta de sua rotina agitada, impactada pela grande quantidade de viagens, que realizava para a empresa, em que trabalhava. Renata falou, ainda, que percebeu esse vício na sua rotina, quando essa ação, de entrar no aplicativo e pedir a comida, deixou de ser feita apenas nos momentos em que estava trabalhando, “ Mesmo quando estava em São Paulo, em casa, era muito prático, nos momentos em que estava cansada, ou quando não queria cozinhar, ou, ainda, quando não tinha algo em casa, era mais fácil pedir, eu pedia no almoço, na janta, durante a semana e no final de semana.”. 

Essa realidade não é algo incomum na vida dos jovens de hoje, para darem conta de todas as funções, eles vêem cada vez mais abrindo mão da boa qualidade de vida e desenvolvendo assim problemas que impactam de forma negativa seu cotidiano. 

Renata contou, também, que com esse hábito começou a perceber mudanças tanto em seu corpo, como em sua disposição na hora de fazer as coisas, “Porque além de eu pedir delivery, eu pedia muita massa, fritura, hambúrguer, comidas pesadas. Com isso comecei a engordar, não pela quantidade que comia, mas pela falta de qualidade e com muita frequência. E, também, a atividade física que parei, por conta da pandemia, mais o trabalho excessivo. Então, comecei a ficar muito cansada, dormia mal, comecei a ter dor de estômago, azia, e o emocional sendo prejudicado ainda."

E por mais que essa mudança de estilo de vida possa parecer inatingível, a Renata, que hoje em dia, vem buscando alcançar uma melhora na forma que se alimenta, ressalta que muita das vezes, acabamos tendo esse tipo de ação, não por conta da falta de tempo, mas porque não sabemos administrar ele. Ela, ainda, dá um conselho para outros jovens viciados em aplicativos de delivery: "Hoje, eu percebo que a minha desorganização gera a minha falta de tempo, eu sei que é difícil a rotina que temos, mas dá para se organizar e fazer. Há comidas práticas que podem ser feitas, momentos para tirar e fazer suas comidas. Pense mais em si mesmo, a gente pode achar que isso é prático, mas no futuro não será.”

A praticidade, por mais que possa parecer algo bom no momento, analisando o futuro, pode ser um fator negativo, para a evolução e crescimento desses jovens viciados em delivery, no quesito de ter uma vida mais saudável na velhice. A Renata, por exemplo, com a busca em adaptar a sua rotina a ter momentos para cozinhar, além de ter relembrado do gosto e prazer que tem de cortar, descascar, temperar e fazer sua própria comida, também já vê nessa ação uma forma de descansar dos problemas que precisa resolver no dia a dia. E você? Vai permanecer clicando na escolha da comida da vez, ou vai buscar adaptar sua rotina e ajustar seu tempo para ter mais prazer na hora da alimentação? O que era escolher, qualidade ou praticidade? 

 

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