O uso exacerbado de IA em trabalhos acadêmicos apresentam riscos cognitivos se não forem usados com ética
por
Chiara Abreu
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09/06/2026 - 12h

O avanço das inteligências artificiais (IA) tem provocado transformações profundas no cenário educacional, exigindo novas posturas tanto de instituições de ensino quanto de professores. Com a praticidade das IAs na criação de textos dissertativos, alunos tem enfrentado uma maior dificuldade na geração e organização de ideias. O uso excessivo tem contribuído para a falta de prática em alunos do ensino básico e superior. Da falta de concentração à compreensão de simples textos, a dificuldade dos alunos tem assustado os educadores, que encontram alunos cada vez menos preparados para dissertar sobre assuntos socialmente relevantes. A ferramenta apresenta um déficit cognitivo em usuários compulsivos, em que áreas como memória e pensamento crítico são severamente afetados.

Um estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025, indica que o uso de inteligências artificiais pode ser relacionado com uma possível atrofia cognitiva. De acordo com Hugo Dória, Neurocirurgião, MD, PhD da Beneficência Portuguesa de São Paulo em entrevista à CNN, "O problema não é a inteligência artificial em si, mas o fenômeno chamado de cognitive offloading, ou terceirização cognitiva. Quando passamos a delegar funções essenciais, como pensar, estruturar ideias ou resolver problemas, o cérebro reduz seu nível de ativação nessas redes", explica.

O sistema de auto supervisionamento das IAs dificulta o auxílio do corpo docente aos alunos, já que eles têm encontrado uma dificuldade cada vez maior de detectar um texto produzido por IA, especialmente em teses e monografias. Ainda que existam programas que detectam plágio, especialmente em faculdades com mais recursos, a eficácia não é total.

Segundo Maria Eugênia D’Esposito, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP, em entrevista à AGEMT, "se eu colocar uma redação hoje, ela vai corrigir de um jeito. Se eu colocar a mesma redação para corrigir amanhã, ela vai corrigir de outro jeito". Essa volatilidade da tecnologia torna difícil assegurar com certeza que um trabalho não teve intervenção de IA. Mas ainda existem alguns padrões fáceis de detectar, como a aparência de uma `colcha de retalhos´, em que as ideias do texto não conversam entre si", preocupa-se Maria Eugênia.

Letramento em IA para os professores seriam uma possível solução, mas a maioria das escolas não utilizam esse recurso. D’Esposito explica que qualquer atividade ou curso extra deve ser, por lei, remunerado. Essa obrigação dificulta para as instituições a implementação das especializações. Por outro lado, muitas instituições optam por “convites”, que desobrigam a remuneração, o que diminui o interesse e procura. 

Entre a conexão e o excesso: impacto no sono, na saúde mental e nas relações sociais
por
Guilherme Romero
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02/06/2026 - 12h

 O celular tornou-se uma ferramenta indispensável no cotidiano, mas o  seu uso excessivo tem despertado preocupação entre especialistas. A crescente dependência de dispositivos móveis, desde crianças até idosos, têm impactado hábitos de sono, concentração, relações sociais e saúde mental. Inclusive, comportamentos como ansiedade e estresse estão cada vez mais comuns no dia a dia das pessoas por serem dependentes do celular.

 Nesse contexto, vamos entender como essa dependência se desenvolve e quais são seus impactos na vida das pessoas. Assista a conversa com o psicólogo André Vasconcellos, em entrevista à AGEMT.

Grupo de estudantes publicitários da Belas Artes cria evento sobre a pobreza menstrual
por
Pedro Timm
Gabriel Giannini
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29/05/2026 - 12h

A quantidade de mulheres com falta de acesso às necessidades básicas e conhecimento sobre a menstruação é enorme no país. O Projeto Fluxos surge para ajudar nessa causa. A iniciativa surgiu dentro da faculdade Belas Artes, em São Paulo, por sete estudantes que promoveu dia 30/5, no Buffet Piatto, em Interlagos (SP) um evento com palestras e ativações proporcionadas pela Fluxos e seus parceiros para que mulheres tenham um espaço para falar sobre a saúde e o corpo. Para saber mais sobre o projeto, acesse @somosfluxos no Instagram. A AGEMT acompanhou o evento. Escute!

 

Saiba mais em @somosfluxos no Instagram.

Como grandes empresas conseguiram reverter o declínio do tabagismo trazendo de volta hábitos antigos e viciando jovens em novos produtos
por
Julia Naspolini
Leticia Falaschi
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22/05/2026 - 12h

Os resultados da pesquisa preliminar da Vigitel divulgados no início de 2026, revelam que houve um aumento no número de fumantes no Brasil, que estava estagnado desde 2019. A proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, um crescimento de 25% em apenas um ano. Especialistas apontam preocupação diante dos números, principalmente entre os mais jovens, que além de fumarem cigarros tradicionais, se tornaram viciados nos formatos eletrônicos. O aumento no número de fumantes do cigarro original, pode ser explicado pela diminuição de campanhas públicas contra o tabagismo. Juntamente a isso, o preço mínimo do produto no país, imposto pelo governo, ficou paralizado, ou seja sem nenhum reajuste, entre 2016 e 2024.

Além disso, os “pods”, “vapes” e “juuls”, apesar de serem oficialmente proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), conseguiram se popularizar e se espalhar entre diferentes faixas etárias de forma bem rápida,  influenciando bastante o aumento do número de fumantes no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde Escolar, entre 2019 e 2024, o uso dos eletrônicos subiu de 16,8% para 29,6%, entre adolescentes de 13 a 17 anos. A indústria desses dispositivos cresceu de forma desenfreada nos últimos 10 anos, no Brasil e no mundo, principalmente no cotidiano dos jovens. Por alegarem não conter as substâncias cancerígenas e a fuligem resultantes da combustão do fumo, evitariam riscos de câncer, doenças cardiovasculares e pulmonares.  A promessa era sedutora, mas a realidade é bem diferente.

Além de atrativos que parecem querer captar a atenção de jovens, como sabores artificiais, aparência compacta e tecnológica e propagandas chamativas, os fatores que mais alertam os especialistas é a composição e proporção química desses produtos. Quando os lucros começam a cair, os fabricantes se renovam para continuar vendendo, e ainda mais. Compactar a nicotina num dispositivo que não tem cheiro de fumaça parece mais palatável e mais aceitável. Mas será que eles são tão inovadores? O que os consumidores raramente sabem é que por trás das nuvens perfumadas havia os mesmos donos de sempre. A Altria, a maior fabricante de cigarros nos Estados Unidos, detentora das marcas Marlboro e Parliament, investiu US$12,8 bilhões na compra de 35% da Juul Labs, empresa que domina um terço do florescente mercado de cigarros eletrônicos do país. 

A resposta está no lucro. “Essas indústrias do cigarro convencional começaram a perceber que estavam perdendo dinheiro e compraram as indústrias do cigarro eletrônico”, explica a Dra.pneumologista Manuela Truiti, em entrevista à AGEMT. “O problema é que muitas vezes esses interesses econômicos avançam muito mais rápido do que as evidências científicas conseguem acompanhar. Então, enquanto a ciência ainda está estudando os impactos de longo prazo do vape, a indústria investe pesado em marketing, tecnologia e estratégias para ampliar o consumo, especialmente entre os jovens… quanto mais tempo eles conseguirem manter uma pessoa viciada, dependente da sua substância, mais dinheiro eles vão ganhar", ressalta Manuela. 

A estratégia é conhecida. “Durante décadas, no século passado, o cigarro com filtro e o cigarro light também foram vendidos como opções mais saudáveis… e depois a gente viu que isso não era verdade. Hoje muitos cigarros eletrônicos são divulgados com uma imagem de modernidade, redução de danos e até bem-estar, o que acaba diminuindo a percepção de risco, principalmente entre os jovens”, diz a médica. 

Trata-se de uma troca, e não de uma cura. Os especialistas são categóricos: “... trocar o cigarro branco por cigarro eletrônico? Não é parar de fumar… a pessoa só está transicionando de uma forma de tabagismo para outra”, afirma a Dra. “A gente tem estudos que avaliaram o uso do vape como uma ferramenta para cessar o uso do cigarro branco, e o que eles viram, acompanhando esses indivíduos depois de um ano, é que a maioria ainda estava usando vape”, diz. 

O que é avaliado é que o vape tende a intensificar a dependência comportamental, não apenas a química. “A pessoa continua mantendo a dependência e muitas vezes até aumenta a dependência de nicotina, porque os vapes têm concentrações altíssimas e também são usados ao longo do dia em situações ou locais em que o cigarro branco não seria usado nem tolerado”. 

Manuela ainda alerta para o perigo das substâncias tóxicas produzidas mesmo sem a combustão, como no cigarro tradicional: “O vapor que é formado pelo aquecimento do líquido possui dezenas de substâncias tóxicas e algumas cancerígenas já identificadas, fora a quantidade gigantesca de nicotina, que muitas vezes equivale a centenas de cigarros”. Estudos do INCA (Instituto Nacional do Câncer) indicam que o uso do dispositivo oferece riscos diretos como dependência, doenças respiratórias e cardiovasculares, e câncer, com toxicidade que pode ser tão prejudicial quanto a versão tradicional. 

Medidas contra o tabagismo

A Anvisa nunca permitiu a produção ou a comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil. Mas, os cigarros tradicionais são legalizados e facilmente encontrados em bancas, mercados e lojas de conveniência, por baixos valores. Em uma campanha contra o tabagismo, a Agência e o Ministério da Saúde anunciaram mudanças nesse valor. Desde 1 de maio, o preço mínimo do maço do cigarro subiu de R$6,50 para R$7,50, e até agosto deste ano, ainda haverá um aumento na taxação de impostos dele, levando o comerciante a subir mais o valor final. Essa medida do Ministério da Saúde, tenta diminuir a prática do tabagismo, eles defendem a elevação do custo como a forma mais eficiente de diminuir o hábito do fumo.

O problema é que às vezes, ao invés de abaixar o consumo do cigarro, o aumento no preço só estimula mais o mercado ilegal. Levando as pessoas a comprarem produtos sem fiscalização e de origem desconhecida, ao invés de um lugar de confiança. O professor de Economia da PUC-SP e Conselheiro do Conselho Federal de Economia, Claudemir Galvani, elucida a questão, "o mercado ilegal realmente pode ser beneficiado, sim, claro. Se aumenta o preço aqui e não aumenta lá, que não tem imposto, não paga imposto. E isso o governo, como é que ele resolve isso daqui? Pela polícia federal para ter o controle das fronteiras. Mas, é um estímulo a mais você correr o risco de comprar uma mercadoria, porque o preço ficou muito mais caro aqui, mas é uma forma que o governo tem também de usar o seu poder de polícia”.

Além do aumento do mercado ilegal e dos riscos disso, o professor ainda aponta que um fumante viciado, não deixa de comprar o produto de seu vício, por uma diferença de preço. "É o chamado bem de demanda inelástica, ou seja, é tão fundamental para a vida dele como alimentação, como a água. Então, para ele, vai impactar, sim, no sentido que ele vai continuar comprando e vai parar de comprar outras coisas que ele entende que seja menos necessária do que o cigarro”.

Esse questionamento da real efetividade desta medida para fumantes é colaborado pelo médico psiquiatra, Dr. Ivan Sérgio Petroucic, que aponta que “o dependente estabelecido pode migrar para marcas mais baratas, pode sacrificar necessidades básicas, ou migrar simplesmente para o mercado clandestino de contrabando”. Mas, essa norma de aumento no preço mínimo e dos impostos ainda pode ajudar a afastar os jovens do cigarro tradicional e pode ajudar a diminuir o número de novos fumantes. O aumento de preços, normalmente via aumento de impostos, tem o objetivo de prevenir que novos fumantes iniciem o árduo. Principalmente os jovens. Qualquer produto que você aumente o preço, na prática, você está reduzindo o acesso a ele”, complementa o Dr. Petroucic. 

“É necessário politizar o debate para discutir impactos sociais, ambientais e econômicos”, afirma coordenador pedagógico de Colégio de elite em São Paulo
por
Annick Borges
Davi Madi
Rafael Pessoa
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05/05/2026 - 12h

Com o avanço exponencial da tecnologia, popularizando e facilitando o uso de Inteligências Artificiais Generativas (IAGs) entre usuários de todas as idades, iniciam-se preocupações das instituições de ensino e do próprio estado de São Paulo em relação a estes sistemas. Por outro lado, pesquisas indicam que seu uso adequado e responsável pode trazer benefícios. Em fevereiro de 2025, a Secretaria de Governo Digital, juntamente com o Serpro, publicou uma cartilha de inteligência artificial generativa, com o intuito de explicar e abordar os riscos desta nova tecnologia. O texto, produzido em colaboração com diferentes órgãos públicos, traz como um dos riscos a “Criatividade Sintética”, resposta gerada a partir de invenções da IA por falta de informações sobre o tópico. 

A avaliação dialoga com a preocupação de Paulo Edson, professor de sociologia e coordenador pedagógico da Escola Nossa Senhora das Graças, popularmente conhecida como “Gracinha”, localizada no Itaim, que alerta: “a IA ainda inventa informações, inclusive referências que não existem. Ela ainda não tem este código de ética”. 

Para Edson, estes sistemas estão para a nossa sociedade como outras ferramentas tecnológicas estão para a história da humanidade, como instrumentos de auxílio. No entanto, seu uso deve ser embasado. “Ela pode facilitar os trabalhos, mas se você não tiver repertório, você não consegue formular prompts”, aponta. Sobre seu uso na didática escolar, o professor conclui: “Ela tem potencial, mas ela tem que ser avaliada, por cientistas e comitês de ética universitários”.

De acordo com pesquisa realizada em 2023 pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), em parceria com a empresa Educa Insights, cerca de 74% das instituições de ensino consideram muito importante o investimento em ferramentas de IA para a educação. Para o coordenador, a união entre escola e IA deve vir acoplada de  investimentos em uma educação que valoriza o repertório e o pensamento crítico. “Existe o risco de perder processos importantes do pensamento, como o esforço de interpretação e criação”, afirma.

Outros desafios na introdução do uso destes sistemas também foram apresentados no estudo da ABMES, tais como a falta de participação humana nas pesquisas e a possível dependência em tecnologias que podem falhar ou se tornarem ultrapassadas rapidamente. Diante desta avaliação, a cartilha do governo problematiza esta obsolescência e afirma que o impacto são decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas.

Ilustração presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa, com texto sobre "Alucinação e desinformação", seguido dos tópicos "Critividade Sintética: Na Ausência de dados confiáveis, a IA pode inventar informações, referências legais inexistentes ou interpretações incorretas" e "Obsolescência: O conhecimento da IA pode estar limitado à data do seu treinamento. em alguns casos, pode ignorar fatos novos, legislações recentes ou mudanças de contexto que ocorreram após essa data", seguido da observação "Impactos: decisões baseadas em informações incorretas ou desatualizadas".
Ilustração de alerta sobre riscos do uso irresponsável de IA, presente na Cartilha de Inteligência Artificial Generativa: Reprodução - gov.br 

 

Edson também colocou como medidas educacionais no Gracinha o aumento de exercícios manuscritos, leitura e por fim ensinar os alunos a usar o prompt (caixa de pergunta ou instrução enviada para IAG). Segundo ele, muitas vezes os estudantes têm dificuldade em fazer os pedidos de forma correta  o que resultam em respostas que não solucionam as dúvidas.  Apesar dos riscos apontados, os resultados do estudo da ABMES mostram que mais da metade das instituições consultadas consideram que a IA pode apresentar benefícios na rotina dos alunos. Dentre estes, são citadas a versatilidade de aprender a qualquer hora  ou lugar; o acesso diversificado a informações e a melhor eficiência na resolução de dúvidas e problemas.

Paulo Rota, coordenador do ensino médio no Gracinha e mestre em tecnologias na inteligência e design digital, em entrevista à AGEMT, acredita que ainda não alcançamos um uso satisfatório da inteligência artificial na educação, e acha que alguns professores ainda demonstram resistência em seu uso. Essa confiança das instituições está relacionada ao avanço contínuo da inteligência artificial generativa (IAG) no apoio aos estudos. A cada ano surgem sistemas mais refinados, práticos e eficazes, que auxiliam em processos de pesquisa e aprendizagem, o que amplia sua adoção como ferramenta educacional pelas escolas. Rota diz que não consegue pensar no ser humano sem dispositivos, mas ressalta: “tem uma contradição na IA e nas redes sociais. É uma coisa privatizada, e o controle da inteligência artificial e das big techs está na mão de algumas poucas empresas”.

Para Rota, a IA pode ser vista como ferramenta de auxílio externo ao estudante, e não deve ser ignorada. O coordenador do ensino médio ainda compara a visão diante da nova tecnologia com os princípios filosóficos de Aristóteles. “Para ele, o ser humano não podia ler livros. Deveríamos construir nossa opinião somente com base em nossa razão. Alguns professores que rejeitam a IA estão sendo aristotélico”, afirma. Ele ainda segue, ao afirmar que usar estas tecnologias é nossa natureza. “Somos como a aranha, e a IA é como nossa teia. Algo criado pelo ser humano, alheio, mas que devemos usar”. 

Com base na progressão do uso das IAGs entre estudantes e, a Secretaria de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais (SEGAPE) produziu o “Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsável de Inteligência Artificial”, em fevereiro deste ano. O documento trabalha através de princípios, diretrizes e recomendações que busquem orientar instituições de ensino à como utilizar sistemas de IA na educação. Assinado pelo Ministério da Educação, o referencial reúne diversos pontos que auxiliam a compreensão sobre como se pode usar a tecnologia como ferramenta para um aprendizado com inclusão e equidade, mantendo a ética e responsabilidade.

Dentre os tópicos, são destacados: a supervisão humana no acesso às IAGs pelos alunos, que devem ser orientados e acompanhados pelos professores; o combate às desigualdades, utilizando das ferramentas como promoção de um acesso à informação justo e não discriminatório; e a transparência diante dos dados apresentados, sempre esclarecendo a origem das informações e a checagem dos fatos. A conclusão do referencial afirma que o uso de IAGs e de pesquisa são uma possibilidade de auxílio no processo de aprendizado, contanto que o rigor de ensino, de checagem e presença do professor ao longo do uso se mantenham. “Ao reafirmar a centralidade do projeto pedagógico, a indispensabilidade da supervisão humana e a salvaguarda dos direitos fundamentais, busca-se promover o uso da inteligência artificial como instrumento de qualificação dos processos educacionais”, afirma o documento.

Com jornadas mais longas e ganhos instáveis, cresce o número de pessoas que fazem dos apps seu principal meio de sustento
por
Tamara Ferreira Santos
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17/11/2025 - 12h

Por Tamara Ferreira

 

Nicolas pilotava sua moto pelas ruas de São Paulo e a única coisa que o importava era o vento batendo no rosto. Aos 22 anos, o entregador do iFood aprendeu a gostar da cidade de um jeito diferente. Com o céu cinza da cidade, pelas ruas estreitas e pelo vai e vem de pedidos que, para ele, significam liberdade. “Gosto de sentir o vento”, repete, como quem encontra no movimento uma forma de vida. Mas, neste ano, a rotina ganhou outro ritmo. Além das entregas, Nicolas passou a trabalhar com carteira assinada. O contraste entre os dois mundos opostos,  o fez analisar os lados diferentes, em um deles, ele ter patrão, um horário fixo e salário mensal, mas quando fazia apenas entrega, não tem uma pessoa cobrando, uma equipe ou meta.

A realidade de Nicolas não é isolada. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última quinta-feira (17), o número de trabalhadores de plataformas digitais cresceu 25% em dois anos. De acordo com a pesquisa, no terceiro trimestre de 2024, cerca de 1,7 milhão de pessoas utilizaram o trabalho por aplicativos como principal fonte de renda. O rendimento médio mensal desse grupo foi de R$ 2.996, valor acima da média do mercado, embora essas pessoas trabalhem, em média, 5,5 horas a mais por semana. O levantamento identificou quatro tipos de aplicativos usados como fonte de renda: transporte particular de passageiros (exceto táxi), entrega de comida e produtos, plataformas de serviços gerais ou profissionais e aplicativos voltados para taxistas.

Enquanto Nicolas tenta equilibrar os dois empregos, pensando única e exclusivamente em ter os benefícios garantidos, uma nova geração já observa o trabalho de longe com um estranhamento incomum.

Homem trabalhando de bicicleta para o IFood. Foto: Reprodução
Homem trabalhando de bicicleta para o iFood. Foto: Reprodução

Recentemente, o número de adolescentes que rejeitam a ideia de trabalhar com carteira assinada cresceu. Em um vídeo publicado no TikTok, a influenciadora Fabiana Sobrinho, mais conhecida como Fabi Bubu, aparece ao lado da Valentina, sua filha de 12 anos, que afirma não querer ser CLT para não precisar “andar de ônibus” ou estar “em um ambiente com muitas pessoas e com um chefe mandando nela”.

Enquanto Valentina pensa assim, José Carlos, de 68 anos, formou-se em Economia, mas, como não conseguiu emprego na área, passou a trabalhar com corridas de táxi, de forma autônoma. Nas ruas desde 1989, ele tem diabetes e, mesmo não podendo ficar muito tempo sentado, já chegou a trabalhar 30 horas seguidas, porque, apesar de estar aposentado, o dinheiro que recebe não é suficiente para suprir suas necessidades — como contas médicas e despesas diárias. As dores na perna são constantes, mas José relata que trabalha muito por necessidade, para poder arcar com as suas despesas, comer e comprar os remédios que precisa. No último domingo, foram 16 horas sem descanso. O dinheiro da aposentadoria não dá para remédios, contas, comida. Sentar por tantas horas agrava sua condição, mas parar não parece uma opção.

Entre correrias e recibos, José vive o oposto da liberdade que atrai Nicolas e em um “tão tão distante” em relação ao mundo que Valentina imagina estar. A rotina dupla de Nicolas tem aumentado o cansaço.  O jovem revelou que sua rotina anda mais estressante e menos lucrativa, sendo cansativo trabalhar em dois empregos. Apesar de ainda achar que, com as entregas, pode ganhar mais, já que quanto mais produz, mais recebe, hoje ele enxerga no trabalho com carteira assinada uma maior estabilidade, por saber que tem direitos garantidos e um salário fixo. Mesmo gerando certa ansiedade por ser um valor menor do que o que recebia apenas com as entregas, o modelo CLT lhe traz conforto e segurança. Esse foi, inclusive, um dos motivos pelos quais Nicolas decidiu aceitar um emprego de carteira assinada e manter as entregas no restante do dia.

Entre as diferentes gerações, expectativas e necessidades, o trabalho segue se reinventando, para uns por por prazer, para outros por sobrevivência — alguns fazem por liberdade, outros por urgência.

Mês do terror em SP tem centenas de festas para se fantasiar e curtir com os amigos
por
Felipe Volpi Botter
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20/10/2025 - 12h

O mês de outubro traz o Halloween a São Paulo. O calendário brasileiro traz uma vertente mais assombrada e festiva para celebrar o Halloween. Uma cultura importada dos EUA que ganha força com festas elaboradas, cenários imersivos e público ávido por experiências além do convencional.

A capital paulista se destaca como epicentro das celebrações. No dia 18 de outubro, a festa We Make Horror Nights organizada pela We Make, com local ainda a ser definido, promete oferecer ao público uma experiência sensorial intensa, com cenografia temática e open bar. Já nos dias 25 e 26 de outubro, a Roda Rico dá início à 3ª edição das Noites do Espanto. Que teve suas duas primeiras edições marcadas por atrações icônicas, como “A Casa do Espanto” e “O Caminho dos Horrores”. Eles também transformam sua roda gigante em ponto de tensão e diversão: shows, concurso de fantasias e atrações ao longo de seus 91 metros de altura.

 

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Jovens fantasiadas em festa de Halloween
Divulgação - Bit Magazine

No dia 25, o Lotus Club, em São Paulo, resgata o clima nostálgico com o Halloween – Super Revival, um baile retrô com hits dos anos 70, 80, 90 e 2000, concurso de fantasias e drinks temáticos. Para quem prefere algo mais familiar, o Halloween Boo Bash (AmSoc) a Sociedade Americana de São Paulo promove uma celebração durante a tarde, com “doces ou travessuras”, casa assombrada e oficinas de abóbora.

No interior paulista, o Hallowtrain 2025, passeio temático entre Itu e Salto, permitirá que os viajantes embarquem num trem decorado, em meio a interação do cenário, personagens e experiências imersivas. O evento ocorre nos dias 24, 25 e 31 de outubro.

 

 

Influenciados por algoritmos, jovens mergulham em um padrão de consumo capitalista que afeta finanças e saúde mental
por
Beatriz Lima
Anna Cândida Xavier
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18/09/2025 - 12h

 

A geração Z, nascida entre 1997 e 2012, vive rodeada de anúncios personalizados na internet e ofertas que prometem oportunidades únicas, em uma cultura de consumo que se torna cada vez mais rápida e impulsiva.

Embora, de um lado, a facilidade do crédito e das compras online proporcione conforto, de outro, traz efeitos que variam desde o endividamento até a ansiedade, além de fortalecer a lógica de um capitalismo fundamentado no consumismo incessante. Nesse contexto, especialistas alertam para as consequências das compras impulsivas.

Através de entrecliques rápidos e promoções de curta duração, a geração Z se tornou o alvo principal das estratégias de consumo impulsivo. Nascidos na era digital, esses jovens estão constantemente expostos  à presença marcante de influenciadores que tornam produtos populares e a dinâmica das compras online que oferecem praticidade e prazer instantâneo. Segundo levantamento da Serasa, cerca de 7 em cada 10 consumidores já fizeram compras de forma não planejada e 72% se arrependeram dos produtos adquiridos.

Sacolas de compras
As compras impulsivas se tornaram uma problemática na geração atual. Foto: imagem gerada por IA.

As compras impulsivas, em sua maioria, levam em consideração somente o bem-estar a curto prazo, um escape do dia monótono que pode ter repercussões sérias no orçamento no fim do mês.

Edmilson Felipe, antropólogo, psicanalista e professor na PUC-SP, explica como a crescente dos influencers afeta na ideia do consumismo dos jovens: “Em uma cultura da imagem, as pessoas se baseiam em padrões, estilos de vida, estilos de corpos, e isso envolve um novo cenário de consumo, onde as pessoas, em sua maioria influencers, postam suas imagens no Instagram, de perfeição do corpo, com as ginásticas e produtos e suplementos e, com isso, ganham cada vez mais seguidores porque trazem uma solução imediata para o comportamento e o consumo dos jovens.”

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que os produtos mais comprados pela internet são as roupas, calçados e acessórios (46%), comida por delivery (34%), remédios e produtos de saúde (28%) artigos para casa (28%) e cosméticos e perfumes (26%). Quantas dessas compras não são resultado da propaganda constante nas redes sociais? 

Compras e redes sociais

O algoritmo das redes sociais trabalha para conhecer milimetricamente seus usuários. Todas as interações (gostos, comentários, compartilhamentos) e até mesmo o tempo de visualização de cada postagem, ajudam a construir uma base de dados individualizada para apresentar anúncios personalizados. Ao compreender as preferências e o comportamento dos usuários, as plataformas se adaptam para apresentar conteúdos cada vez mais interessantes, que mantêm o usuário engajado e estimulado. Uma forma muito eficaz de prender o público é por meio da propaganda.

No Instagram, as marcas podem inclusive pagar para “impulsionar” seus anúncios -  o Instagram Ads veicula conteúdos pagos para os usuários, segundo o algoritmo. A rede social conta com 2 bilhões de usuários no mundo e o Brasil é o segundo país com o maior número de perfis ativos.

 Segundo pesquisa da Opinion Box feita no início de 2024, 68% das pessoas que utilizam a plataforma já compraram produtos ou contrataram serviços que descobriram no Instagram. Recentemente, a plataforma inaugurou anúncios “impossíveis de pular”, a propaganda surge e toma sua tela por alguns segundos, obrigando o usuário a esperar antes de continuar visualizando as publicações.

Essa dinâmica das propagandas e compras online ganhou uma nova dimensão com o lançamento do TikTok Shop no Brasil, agora compras podem ser feitas sem precisar sair da plataforma. Visando aproveitar o público de 91,7 milhões de usuários e integrar entretenimento e compras, o aplicativo adicionou um botão de compra nos vídeos em que influenciadores, marcas ou criadores de conteúdo anunciam produtos. Também há o “live shopping”, que integra transmissões ao vivo com ofertas em tempo real e uma “vitrine” nos perfis de criadores, que expõe os itens anunciados por eles.

tiktok shop
Ícone do Tiktok Shop, meio de compras online dentro do próprio aplicativo. Reprodução: Tiktok

 

Propagação do consumo

Em contrapartida à falta de regulamento das redes sociais, a televisão luta contra o consumo excessivo de jovens e crianças. Em 2014, a resolução nº 163/2014 do CONANDA, definiu a publicidade dirigida ao público infantil como abusiva, argumentando que ela fere a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ou seja, regulamenta e considera publicitariamente abusiva qualquer prática que se aproveite da falta de julgamento e discernimento da criança, não sendo legalmente permitido direcionar publicidade para esse público.

A geração que consumiu essa publicidade televisiva em excesso hoje são adultos que já possuem o próprio dinheiro, ou seja, agora são consumidores diretos na cadeia capitalista de compra e venda. A pesquisa feita pela CNDL e pelo SPC Brasil aponta que 54% dos consumidores jovens entrevistados não fazem controle dos gastos mensais com cartão de crédito. Essa pesquisa traz uma análise social complexa sobre como os jovens adultos da geração Z não controlam seus impulsos consumistas em meio às influências presentes na internet.

Em entrevista, o doutor em multimeios e professor da PUC-SP, Mauro Luiz Peron, fala sobre o consumo excessivo, “A ideia que se projeta nisso tudo é de um sonho pequeno burguês, de você ter o seu carro, de você ter uma grife, de você ter o alimento e como consumi-lo, de você consumir a música, o audiovisual. Há todo um universo de mundos luminosos pela frente, e isso não significa consumir mercadorias, mas sim consumir ideias que são vendidas.”

Segundo a pesquisa de 2025 do DataReportal, o brasileiro passa em média 9 horas do seu dia conectado na internet, especialmente nas redes sociais. A população gasta seu tempo e volta sua atenção às plataformas intrinsecamente programadas para incentivar o consumo – e por meio dele, a alienação. Mauro Peron adverte essa postura, “o estímulo ao debate é importante, reconhecer as contradições do contexto que a gente vive, questionar os valores, questionar os parâmetros, questionar as relações de forças e questionar as formas de resistência possíveis e as impossíveis”.

Crédito: Freepik
Pesquisa do DataReportal mostra que os brasileiros passam em média 9 horas do seu dia conectado na internet. Foto: Reprodução Freepik / Gerada por IA.

 

Consequências sociais

Ainda de acordo com a pesquisa da CNDL, a maioria dos cartões de crédito utilizados pelos entrevistados foram emitidos por bancos digitais e 28% admitem já ter sido negativados por falta de pagamento da fatura. Ou seja, mesmo sem o dinheiro em mãos para alimentar esse padrão de consumo idealizado, os jovens improvisam uma maneira de continuar comprando, e isso nos leva para questões mais profundas de desigualdade social.

Com isso, pode-se notar que essa forma de vida baseada em compras pertence a um grupo seleto da população, aquela que tem acesso a bens e serviços, enquanto a outra sofre com falta de oportunidades básicas. “Você tem aqueles que possuem muito dinheiro e aqueles que estão na batalha, estamos em um país em que as pessoas ainda passam fome. Então há uma desigualdade absurda, e esse consumo vai se limitando com a existência de consumidores e cidadãos. No processo da sociedade capitalista aquele que não aciona diretamente o capital das empresas é falho”, conclui Edmilson Felipe.

Em uma sociedade que constrói seu senso de “ser” a partir do consumo, uma forma de desafiar o status quo é comprando de forma consciente, criando barreiras contra o estímulo constante das propagandas, do frete grátis e das promoções. Se tempo é dinheiro, onde você investe seu tempo?

Minimalismo, funcionalidade e inovação refletem mudanças econômicas e sociais
por
Luana Marinho
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18/09/2025 - 12h

A moda, frequentemente apontada como um espelho dos tempos, volta seus olhos para tempos de escassez. Em meio à instabilidade econômica global, marcada por inflação persistente e crises políticas ao redor do mundo, ganha força o chamado “Recessioncore” (estética da recessão), que traduz, de forma visual, a precariedade e o desânimo de uma geração.

“Quando falamos de recessões, de crises econômicas, dá para ver esse reflexo diretamente na moda. Hoje, vivemos uma grande incerteza econômica, e muitas marcas de luxo começaram a lançar campanhas desperdiçando comida, baguetes sendo amassadas, frutas jogadas no chão da feira, alimentos destruídos”, afirma Audry Mary, especialista em marketing de moda e influenciadora digital. “É uma forma de comunicação: enquanto a base está sofrendo com a falta, quem consome a marca pode esbanjar. E isso é extremamente político”, acrescenta Audry.

Se nos anos de crescimento econômico os desfiles explodem em cores vibrantes, brilhos e ostentação, em momentos de incerteza o figurino muda: tons neutros, silhuetas sóbrias e peças utilitárias assumem o protagonismo. É o que se vê agora com a ascensão da estética “clean girl”, termo popularizado no TikTok e em outras redes sociais que descreve um estilo minimalista, com peças básicas, cores neutras e cortes discretos 

"Elas são mais acessíveis, carregam pouca informação de moda e seguem um estilo mais recatado, mais doméstico”, diz Audry sobre as roupas identificadas com o estilo. “É conservador, e as marcas estão apostando muito nisso”, explica.

Segundo a especialista, a estética “clean girl” não surge isoladamente: é resultado direto de um contexto econômico instável, no qual o crescimento do "quiet luxury" (luxo silencioso) e de coleções minimalistas indica que as marcas buscam transmitir segurança e sobriedade. Historicamente, períodos de recessão geraram mudanças semelhantes. Durante a Grande Depressão, cortes retos e tecidos duráveis se tornaram padrão, enquanto a crise de 2008 reforçou o consumo de fast fashion e peças de baixo custo, ainda que de qualidade inferior.

O impacto econômico também se reflete no crescimento do mercado de roupas de segunda mão, que se tornou um indicativo claro das mudanças no comportamento de consumo. Nos Estados Unidos, o mercado de moda de segunda mão alcançou US$ 50 bilhões em 2024, com projeção de crescimento para US$ 73 bilhões até 2028, impulsionado principalmente por millennials e pela geração Z, nascidos entre 1981 e 2010, que buscam alternativas mais acessíveis e responsáveis. Esse movimento transforma o mercado de segunda mão em uma tendência não apenas econômica, mas também cultural, refletindo valores de sustentabilidade e consumo consciente.

No Brasil, a ascensão dos brechós segue a mesma lógica: adaptação à crise econômica, respeito às prioridades financeiras e resposta às incertezas sociais. Segundo dados do Sebrae, o país contava com mais de 118 mil brechós ativos em 2023, representando um aumento de 30,97% em relação aos cinco anos anteriores. Além disso, o mercado de brechós no Brasil deve movimentar cerca de R$ 24 bilhões até 2025, superando o mercado de “fast fashion” até 2030, conforme projeções da Folha de São Paulo.

O crescimento do mercado de brechós também é impulsionado por plataformas digitais. O Enjoei, com mais de 1 milhão de compradores e 2 milhões de vendedores ativos, abriu recentemente sua primeira loja física no Rio de Janeiro e adquiriu a Gringa, plataforma de revenda de artigos de luxo de segunda mão, por R$ 14 milhões, evidenciando a demanda crescente por itens de alto valor.

Esse movimento também pressiona a indústria tradicional, que já responde com novas estratégias. O aumento dos custos de produção deve acelerar o uso de matérias-primas alternativas, como tecidos reciclados e fibras de origem vegetal, além de experimentos com couro vegetal e biotêxteis. Ao mesmo tempo, cresce a exigência por transparência nas cadeias de produção: passaportes digitais de produtos, rastreabilidade de origem e relatórios de impacto ambiental podem deixar de ser tendência para se tornar padrão da indústria.

Olhando para o futuro, a moda deve consolidar caminhos cada vez mais funcionais, atendendo à demanda de consumidores impactados pela instabilidade econômica, que priorizam praticidade e durabilidade. Segundo Audry, essa tendência deve se intensificar. “Acredito que vamos ver cada vez mais peças utilitárias, roupas multiuso e tecidos resistentes ganhando protagonismo, porque o consumidor está buscando longevidade e funcionalidade em tudo o que veste”, afirma.

O minimalismo, já consolidado, deve permanecer central, mas com variações sutis. “Minha aposta é que tons terrosos, cortes amplos e peças que permitam personalização vão se tornar ainda mais comuns, enquanto pequenos revivals dos anos 2000 e 2010 reinterpretam itens básicos para novas gerações”, diz a influenciadora, que também projeta expansão de modelos híbridos, que combinam venda de peças novas, revenda, aluguel e customização, fortalecendo a economia circular como resposta prática às restrições financeiras. 

A tecnologia surge ainda como aliada estratégica, com inteligência artificial e provadores digitais ajudando marcas a reduzir desperdícios e aproximar consumidor e produto. “A inovação permite que a indústria transforme limitações econômicas em oportunidades criativas”, conclui Audry, reforçando que, para o futuro, a moda funcionará como um laboratório de soluções, mais do que apenas reflexo de crise.

 

 

 

Psicóloga explica as motivações emocionais e sociais que levam a este comportamento
por
Cecília Schwengber Leite
Helena de Paula Barra
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12/06/2025 - 12h

Nos últimos meses viralizaram na Internet diversos casos de “mães de bebê reborn”, em que mulheres adultas faziam vídeos cuidando e interagindo com as bonecas artesanais realistas como se realmente fossem suas filhas, dividindo opiniões sobre tal comportamento. A polêmica se acentuou quando começaram a surgir mulheres levando suas bonecas para supostamente serem atendidas em postos de saúde, ou até brigando pela sua guarda na justiça. Para entender melhor o assunto, ouvimos Kelly Vieira Ramos, psicóloga e especialista em análise do comportamento, em entrevista à AGENT. Para assistir ao vídeo, acesse o link: