Médicos poerão prescrever o medicamento para pacientes com mais de 10 anos
por
Vitória Teles
|
30/04/2026 - 12h

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na quarta-feira (22) o uso de canetas com o princípio ativo da Tirzepatida para crianças e adolescentes que possuem diabetes tipo 2. Antes, o uso só era possível para adultos diagnosticados com diabetes e para tratamentos contra obesidade. Agora, jovens a partir de 10 anos também poderão utilizar com prescrição médica. 

As canetas imitam um hormônio do corpo chamado Glucagon-like peptide-1 (GLP-1), que ajuda a controlar o açúcar no sangue, diminuir o apetite e retardar a digestão, levando à perda de peso. A decisão da Anvisa surgiu a partir de um grande índice de crianças que sofrem com obesidade e diabetes, já que o Brasil é quarto país no mundo com crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, com diabetes tipo 1, podendo evoluir para o tipo 2. No ranking dos países com mais pessoas que possuem essa condição, o Brasil é o sexto no mundo, segundo dados de 2025 da 11ª edição do Diabetes Atlas, divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF).

No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ao mesmo tempo que esse uso específico foi aprovado, a Anvisa também proibiu canetas irregulares vendidas pela internet, já que o orientado é apenas o uso com prescrição médica, além de aumentar a fiscalização e exigir regras mais rígidas para a manipulação.

Apesar de ser um caminho eficaz, que apresenta bons resultados, há também controvérsias. Partindo do ponto de vista socioeconômico, muitas famílias sofrem com diabetes tipo 2, em níveis avançados, e não possuem renda para investirem em tratamentos como as canetas emagrecedoras, que tem um valor bastante elevado no mercado, custando entre R$1.400 a R$2.400, podendo variar de acordo com a farmácia. 

Em entrevista à AGEMT, a nutricionista Juliane Pacheco, que atua no mercado nutricional há mais de 6 anos, enfatizou que a Tirzepatida possa sim ser uma boa alternativa para tratar dessa patologia, apesar do medicamento estar muito banalizado no Brasil para fins estéticos e não apenas para tratamento de obesidade. “Para as crianças, é essencial que a medicação seja utilizada apenas com indicação médica e tenha acompanhamento com uma equipe multidisciplinar”, comenta a profissional. 

Sobre os efeitos colaterais na vida das crianças, como náuseas, diarreias e vômitos, Juliane afirma que é necessário fazer a indicação com muita cautela e não banalizar o uso para todas as crianças e adolescentes. Segundo a profissional, a alimentação também é um caminho que traz bons resultados para o tratamento de diabetes, mas que também requer atenção e cuidado. “O que fará mais diferença é a presença dos pais durante todo o tratamento. No final, são eles que compram os alimentos para seus filhos e preparam as refeições, então se não tiver um cuidado, a diabetes não é tratada”, afirma.

 

Tags:
Fatores como rotina urbana, excesso de telas e falta de atividade física contribuem para o avanço do problema no país
por
Guilherme Romero
|
28/04/2026 - 12h

O Brasil enfrenta um cenário preocupante quando se trata sobre o sedentarismo. De acordo com divulgação da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 47% da população não atinge os níveis recomendados de atividade física, colocando o país entre os mais sedentários do mundo. Para a nutricionista Patrícia Prado Dias Peres, em entrevista à AGEMT, esse comportamento está cada vez mais comum desde a infância, diretamente ligado ao aumento de doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares, além de afetar a saúde mental. Segundo ela, os hábitos sedentários começam cedo e tendem a se perpetuar a longo prazo na vida.

Crianças que passam grande parte do tempo diante de telas, seja em celulares, videogames ou redes sociais, acabam reduzindo atividades físicas essenciais no tempo livre para o desenvolvimento. Esse padrão se intensifica na adolescência, especialmente entre jovens de 11 a 17 anos, faixa etária apontada como a mais afetada. Mesmo com medidas como a restrição do uso de celulares em ambientes escolares, o comportamento sedentário persiste fora das instituições de ensino, impulsionado pela facilidade de acesso à tecnologia e pela diminuição de espaços adequados para o lazer.  A falta de atividade física provoca uma série de alterações no organismo. Sem movimentação corporal, o gasto energético é reduzido e entra em um “estado de economia”, o que pode desregular processos metabólicos importantes. Entre as consequências mais comuns estão o aumento do peso corporal, o desenvolvimento de massa de gordura corporal e alterações hormonais que afetam a sensação de saciedade. “Esse desequilíbrio favorece um ciclo difícil de romper, em que o excesso de peso torna a prática de exercícios mais cansativa, levando à desmotivação e à manutenção do sedentarismo”, diz Peres. 

Patrícia Prado Dias Peres nutricionista do CEPEUSP (Centro de Práticas Esportivas da USP)
Patrícia Prado Dias Peres nutricionista do CEPEUSP (Centro de Práticas Esportivas da USP)

Os impactos do sedentarismo vão além da questão estética ou do condicionamento físico, também está associado a doenças metabólicas, como diabetes e dislipidemias, além de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral. Também há prejuízos para o sistema musculoesquelético, com aumento de dores, perda de massa muscular e maior risco de osteoporose. Na saúde mental, os efeitos incluem ansiedade, depressão, insônia e até declínio cognitivo, evidenciando que a inatividade física afeta o corpo humano de forma ampla. Segundo Peres, a falta da prática de atividades físicas deve ser tratada como uma questão de saúde pública, porque suas consequências geram impactos diretos e indiretos, desde o aumento dos gastos com tratamentos médicos até a redução da produtividade da população.

O problema também sobrecarrega os sistemas de saúde, que precisam lidar com o crescimento de doenças crônicas associadas ao estilo de vida. Estimativas globais apontam que milhões de mortes poderiam ser evitadas todos os anos com a adoção de hábitos mais ativos. Apesar do cenário preocupante, a mudança de comportamento é possível e pode começar com medidas simples. De acordo com Peres, não é necessário iniciar com atividades intensas: a recomendação é acumular entre 150 e 300 minutos semanais de exercícios moderados, ou de 75 a 150 minutos de atividades mais vigorosas. Mesmo práticas leves já apresentam benefícios quando comparadas à inatividade total. O mais importante, segundo a nutricionista, é encontrar uma atividade que possa ser mantida a longo prazo e incorporada à rotina. 

 A alimentação também desempenha um papel fundamental nesse processo. Peres aponta que dietas equilibradas com base em alimentos in natura ou minimamente processados, contribuem para o controle do peso e para o bom funcionamento do organismo. A redução do consumo de ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e sódio, é apontada como uma estratégia essencial para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida, disse a especialista. Além disso, manter regularidade nas refeições ajuda a evitar picos de fome e o consumo excessivo de calorias. Diante desse cenário, Peres reforça que o enfrentamento do sedentarismo exige ações que vão além da iniciativa individual. Incentivar hábitos saudáveis desde a infância, ampliar o acesso a espaços públicos seguros para a prática de atividades físicas e promover a conscientização sobre os riscos da inatividade são medidas fundamentais. Para ela, pequenas mudanças na rotina, aliadas a uma alimentação equilibrada e à prática regular de exercícios, podem gerar impactos significativos na saúde e melhora na qualidade e expectativa de vida da população brasileira.

Tags:
Campanha alerta o cuidado com a saúde intestinal e incentiva o diagnóstico precoce
por
Carolina Nader
|
24/03/2026 - 12h

Durante o mês de março, período em que ocorrem campanhas importantes de conscientização a algumas doenças, a campanha Março Azul-Marinho mobiliza instituições de saúde, médicos e órgãos públicos em ações de conscientização e prevenção do câncer colorretal, ampliando o acesso da população à informação e aos cuidados preventivos.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 45 mil novos casos da doença por ano, conforme estimativas do órgão para o período de 2023 a 2025. O câncer colorretal está entre os tipos que mais causam mortes no país, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

O que é o câncer colorretal?

O câncer colorretal é um tipo de tumor que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto, parte final do sistema digestivo responsável pela formação e eliminação das fezes. A doença ocorre quando células dessa região passam a crescer de forma desordenada, formando lesões que podem se tornar malignas.

Na maioria dos casos, o tumor surge a partir de pólipos intestinais - pequenas alterações inicialmente benignas que podem evoluir para câncer ao longo do tempo, especialmente quando não são identificadas e removidas precocemente. Em entrevista à AGEMT, o médico especialista em diagnóstico por imagem, Carlos Eduardo de Souza, explica que “o diagnóstico precoce possibilita tratamentos menos invasivos, como a biópsia excisional das lesões polipoides durante a realização da colonoscopia”.

O câncer colorretal é mais frequente em pessoas a partir dos 45 anos, faixa etária considerada de maior risco, com maior incidência entre adultos e idosos. Por esse motivo e também por apresentar evolução lenta e, muitas vezes, sem sintomas nas fases iniciais, entidades médicas recomendam a realização de exames preventivos regulares mesmo na ausência de queixas, como forma de identificar alterações precocemente e aumentar as chances de tratamento eficaz. As orientações são destacadas pelo INCA e por sociedades médicas ligadas à oncologia e à gastroenterologia.

Nos últimos anos, especialistas também têm observado um crescimento gradual no número de diagnósticos entre pessoas com menos de 45 anos, embora a maioria dos casos ainda esteja concentrada nas faixas etárias mais altas. De acordo com dados divulgados pelo INCA, fatores como mudanças nos hábitos alimentares, maior consumo de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e obesidade estão associados a esse aumento, ampliando o alerta para a importância da atenção aos sintomas também entre adultos mais jovens.

Principais sintomas e sinais de alerta

O câncer colorretal pode apresentar poucos ou nenhum sintoma nas fases iniciais, o que torna o diagnóstico precoce mais desafiador e reforça a importância dos exames preventivos. Quando surgem, os sinais costumam estar relacionados a alterações no funcionamento do intestino.

Entre os principais sintomas estão:

  • Presença de sangue nas fezes;
  • Mudanças persistentes no hábito; intestinal, como episódios frequentes; de diarreia ou prisão de ventre; 
  • Dor ou desconforto abdominal contínuo; 
  • Perda de peso sem causa aparente; 
  • Sensação de evacuação incompleta e cansaço frequente.

Segundo Carlos, esses sinais não indicam necessariamente câncer, mas devem ser investigados por um profissional de saúde, principalmente quando persistem por várias semanas.

O INCA também alerta que grande parte dos casos é diagnosticada apenas após o aparecimento de sintomas, o que pode dificultar o tratamento. Com isso, os exames precoces permitem identificar lesões ainda em estágios iniciais, aumentando significativamente as chances de cura, que podem ultrapassar 90% quando descoberto rapidamente.

Barreiras à prevenção

Na prática clínica, existem desafios para a prevenção do câncer colorretal. “Atualmente, barreiras socioeconômicas, culturais, tabus e o desconhecimento de fatores de risco dificultam a prevenção”, explica o doutor Carlos Eduardo. Além disso, muitos pacientes têm medo do exame devido à possibilidade de dor ou perfuração intestinal. O especialista reforça que “o procedimento é indolor, sendo realizado sob sedação e analgesia, sem causar prejuízos ao paciente”.

Fatores de risco associados à doença

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Entre os principais estão hábitos de vida e condições de saúde que influenciam o funcionamento do organismo ao longo do tempo.

Segundo o INCA e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a alimentação rica em carnes processadas e ultraprocessados, aliada ao baixo consumo de fibras, está diretamente associada ao aumento do risco da doença. Estudos da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, apontam que o consumo frequente de carnes processadas pode aumentar em cerca de 18% o risco de câncer colorretal.

O sedentarismo e a obesidade também são fatores relevantes. Dados da OMS indicam que a prática regular de atividade física pode reduzir o risco de câncer de intestino em cerca de 20% a 30%. Além disso, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal.

Pessoas com histórico familiar da doença ou com doenças inflamatórias intestinais devem manter acompanhamento médico regular, já que apresentam maior predisposição ao desenvolvimento do tumor, conforme orientações de sociedades médicas de oncologia e gastroenterologia.

Prevenção e exames ajudam a reduzir casos

Especialistas apontam que grande parte dos casos de câncer colorretal pode ser evitada por meio da adoção de hábitos saudáveis e da realização de exames preventivos. A manutenção de uma alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras e legumes, aliada à prática regular de atividade física, está entre as principais medidas recomendadas para reduzir o risco da doença.

Entre os principais exames utilizados está a colonoscopia, considerada o método mais eficaz para detectar alterações no intestino grosso e no reto. O exame permite não apenas identificar lesões suspeitas, mas também realizar a retirada de pólipos durante o procedimento. O teste de sangue oculto nas fezes também é utilizado como estratégia inicial de rastreamento.

 

Profissionais de saúde do SUS. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Exames de prevenção como a colonoscopia podem ser feitos no SUS. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

De acordo com recomendações médicas e orientações do Ministério da Saúde, pessoas a partir dos 45 anos - ou antes, em casos de histórico familiar - devem procurar avaliação médica para orientação sobre o rastreamento. Parte desses exames pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante encaminhamento profissional.

Ao reforçar a importância da informação e do cuidado contínuo com a saúde intestinal, a campanha Março Azul-Marinho busca incentivar a população a adotar medidas preventivas e a procurar atendimento médico diante de sinais persistentes, contribuindo para a redução da mortalidade causada pelo câncer colorretal.

Tags:
Campanha destaca a importância da vacinação contra o HPV e do diagnóstico precoce
por
Carolina Nader
|
19/03/2026 - 12h

Unidades de saúde de todo o país intensificam, ao longo do mês de março, ações de prevenção e conscientização sobre o câncer de colo do útero como parte da campanha Março Lilás. A iniciativa busca ampliar o acesso à vacinação contra o HPV, à realização do exame preventivo e à informação, medidas essenciais para o diagnóstico precoce e a redução dos casos da doença.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos de câncer de colo do útero por ano entre 2023 e 2025. Apesar de ser considerado amplamente prevenível, o tumor ainda provoca aproximadamente seis mil mortes anuais no país.

A doença está associada principalmente à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), vírus transmitido sobretudo por contato sexual. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os tipos 16 e 18 do HPV são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer cervical.

Desigualdades regionais 

No Brasil, a incidência do câncer de colo do útero também apresenta desigualdades regionais. Dados do INCA indicam que as regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas da doença, cenário frequentemente associado a desafios no acesso aos exames preventivos, desigualdades socioeconômicas e dificuldades no acompanhamento regular em saúde. 

Em entrevista à AGEMT, a ginecologista Laís Panaino explica que fatores sociais e comportamentais ainda dificultam a prevenção. Segundo ela, a falta de acesso ao exame preventivo em algumas regiões, a baixa cobertura vacinal e o estigma quanto ao assunto contribuem para o diagnóstico tardio. "Talvez falte mais campanhas em escolas, para a conscientização. O problema é que algumas pessoas pensam que falar sobre o assunto e estimular campanhas de vacinação induz crianças a pensarem em sexo", relata a médica. 

Além disso, ela explica que o medo e a vergonha contribuem para a diminuição da realização dos exames cautelares entre as pacientes. "No posto de saúde onde trabalho existem casos em que elas não querem colher o preventivo com a enfermeira, pois acham que receberão comentários sobre suas partes íntimas, medo de sair piadas com os nomes delas", comenta. 

Importância do diagnóstico precoce

Diferentemente de outros tipos de câncer, o tumor costuma se desenvolver lentamente na região inferior do útero ao longo de vários anos, geralmente sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Esse intervalo permite que exames preventivos identifiquem alterações celulares antes da formação do câncer, tornando possível o tratamento precoce e aumentando significativamente as chances de cura.

De acordo com Panaino, o exame Papanicolau é essencial nesse processo, pois detecta alterações celulares precoces e lesões causadas pelo HPV que podem evoluir para o câncer caso não sejam tratadas. 

Sinais de alerta para o câncer de colo do útero:

  • Sangramento fora do período menstrual ou após relações sexuais
     
  • Dor ou desconforto durante relações sexuais
     
  • Corrimento vaginal persistente ou com odor forte
     

Em caso de qualquer alteração, a orientação é procurar avaliação médica. Embora esses sintomas possam estar associados a diferentes condições ginecológicas, a investigação é importante para descartar doenças mais graves. 

Vacinação e prevenção  

A vacina contra o HPV é considerada uma das principais estratégias de prevenção, já que possui papel fundamental no bloqueio dos tipos responsáveis pela maior parte dos casos.

A vacina contra o HPV está disponível em qualquer Unidade Básica de Saúde. Foto: Marcelo Camargo (Agência Brasil)
A vacina contra o HPV está disponível em qualquer Unidade Básica de Saúde. Foto: Marcelo Camargo (Agência Brasil) 

Experiências internacionais reforçam a eficácia da vacinação. No Reino Unido, um estudo publicado na revista científica The Lancet apontou redução de até 87% nos casos de câncer de colo do útero entre mulheres que foram vacinadas ainda na adolescência. 

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, o exame preventivo Papanicolau é indicado para mulheres entre 25 e 64 anos e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já a vacina contra o HPV é oferecida para meninas e meninos de 9 a 14 anos e para grupos de pessoas imunossuprimidas - indivíduos com sistema imunológico enfraquecido - como forma de prevenir a infecção pelos tipos do vírus mais associados a esse tipo de câncer. 

Diante de uma doença amplamente evitável, Laís reforça que o acesso à informação, a vacinação contra o HPV e o acompanhamento médico regular são estratégias essenciais para reduzir a mortalidade no país. “Apesar da promessa de acabar com as lesões de colo de útero, muitas pessoas não aderiram, às vezes por desinformação ou pela falta de serem lembradas", afirma. 

Ao incentivar a conscientização e o cuidado contínuo com a saúde, a campanha Março Lilás reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce permanecem como as estratégias mais eficazes para reduzir novos casos e salvar vidas.

Tags:
Transformando a vida de milhões de pessoas todo ano, merece mais reconhecimento e recursos para manter o Brasil vivo
por
Vítor Nhoatto
|
28/11/2025 - 12h

Por Vítor Nhoatto

 

Uma das poucas certezas de todo ser humano, tal qual a morte, é a doença. Sabe aquele resfriado que vem junto ao seco do frio, uma ferida que infecciona depois de cair de bicicleta, até aquelas mais sérias que podem aparecer. Fato é que sem saúde não se vive, sendo um direito constitucional não por acaso. Sendo assim, é preciso que o acesso a essa necessidade tão básica quanto respirar e se alimentar seja universal, e não um bem a se comprar apenas por aqueles que podem.

Para isso então que existe o Sistema Único de Saúde (SUS), tão falado e muito mais presente na vida do que alguns podem sequer imaginar, ou querer. Para se ter uma ideia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador dos medicamentos disponíveis no país, de controle alimentar e hídrico, faz parte do SUS. Regulamentado em 1990, é responsável pelas vacinas e desenvolvimento científico ainda, e sabe os planos de saúde, a Agência Nacional de Saúde (ANS), que os regula, também é integrante do sistema.

Para falar dessa diferença real na vida, antes é preciso até olhar nos papéis para lembrar já a quanto tempo ele é médico, enfermeiro, farmácia. De cabelos curtos hoje, depois de uma repaginada no visual devido ao câncer de pulmão que teve justamente na pandemia de COVID-19, Léia Marisa celebra que há dois anos consegue receber na AME Maria Zélia o micofenolato de Mofetila. Pois é, muitas vezes quando o nome é chique o preço é alto, uns R$500 por caixa, mil reais por mês gastos antes da papelada ficar pronta e ser aceita em 30 de novembro de 2023, já que a doença não espera os trâmites e filas.

A ex-professora, atual dona de casa e empresária a distância do seu restaurante, conta como o período de descoberta e tratamento do câncer, que levou até questões reumatológicas, e ajudou a descobrir uma artrite reumatoide, foi muito difícil. Entre dezenas de idas ao hospital de 2020 até 2023 até chegar ao diagnóstico, foram dias desgastantes, assustadores, e toda ajuda foi essencial, principalmente com os custos de sobreviver à doença. No caso dela, o tratamento do tumor foi feito em rede privada graças ao seu plano de saúde empresarial, que custa salgados R$5 mil reais ao mês. Só aqui são quase quatro salários mínimos, um privilégio muito grande, como ela destaca, olhando para um país em que apenas 7,60% da população ganha entre 5 e 10 salários como o Censo de 2022 do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística revela. 

Se aprofundando mais ainda nos fatos, de acordo com o estudo “Quanto custa o câncer” de 2023 do Observatório de Oncologia, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE) e do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, os custos de tratamento da doença quadruplicaram nos últimos três anos. Uma sessão de radioterapia ou quimioterapia custava quase R$800 em 2022, e dezenas são necessárias na maioria das vezes. Acrescentando nessa conta, consultas, tomografias e biópsias, mil reais ali e cinco acolá, o custo chega facilmente ultrapassa dezenas de milhares de reais. Isso é ainda mais preocupante tendo em conta a incidência do câncer na população, que segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) entre 2023 e 2025, 704 mil pessoas terão a doença como Marisa. 

E com isso que o SUS se mostra como algo tão relevante, oferecendo tratamento integral e gratuito contra todos os tipos de cânceres. Claro que muitos problemas existem, como destaca Marisa ao lembrar que quando estava no meio do tratamento enfrentou problemas com o plano de saúde, mas que só o medo de depender da demora do SUS caso fosse preciso, a preocupava muito. A saúde é o bem mais precioso para, o que para todos provavelmente deva ser, e por isso justamente que em 2012 a lei 12.732/12 obriga que o tratamento contra o câncer tem que ser iniciado em até 60 dias após o diagnóstico. 

Mas além disso, com os olhos marejados depois de navegar novamente no mar agitado que foi a jornada até a vida que tem hoje, curada e com o diagnóstico da sua doença crônica, ela volta e lembra que a diferença que não ter que pagar pelo Micofenolato que a mantém respirando faz.  Quando tinha que arcar com as despesas era como um fardo a mais imposto a ela, que considera a saúde hoje como o bem mais valioso. As idas mensais  ao posto são um alívio hoje para ela, destacando que o seu medicamento nunca faltou até então, mas que já presenciou pessoas na situação contrária e que não tinham como arcar pessoalmente com os gastos. Essa é uma realidade infelizmente, segundo fiscalização de 2023 da secretaria de contas do Estado de São Paulo, em quase metade dos postos visitados faltavam algum medicamento.

papéis
A cada seis meses Marisa tem que renovar a receita e toda a papelada para solicitação do seu medicamento junto a AME - Foto: Vítor Nhoatto

Milhões de uns

Mesmo que falte muito, afinal, só 4,16% do orçamento federal foi destinado à saúde em 2024 segundo o Painel do Orçamento Federal, a porcentagem vem aumentando desde 2022, e milhões de brasileiros são atendidos todos os dias. O Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes com um sistema universal de saúde, e 213 milhões dependem diretamente do SUS, segundo o Ministério da Saúde, que contabiliza em média 2,8 bilhões de atendimentos por ano, empregando 3,5 milhões de profissionais.

E mais um desses uns é Valdir Sousa, que do alto de seus 63 anos de idade é um típico caso brasieleiro. Com diabetes do tipo II há 20 anos e hipertenso, conta que se não fosse o acesso ao sistema gratuito, sua vida seria muito diferente, obviamente pelo lado financeiro, e muito também pelo bem-estar. O mineiro nascido em São João do Paraíso e que vive em São Paulo há décadas já viu tanto na vida, e com o passar do tempo o que todos querem e merecem é justamente qualidade de vida. Essa no caso, em grande parte possível graças a insulina que busca no posto na Freguesia do Ó e os comprimidos que cuidam do seu coração acelerado.

Justamente essa hipertensão que é a doença mais presente nos peitos animados dos brasileiros, e 52% da população é diagnosticada com alguma DCNTs, como revela a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019. Além disso, segundo dados de 2020 da Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) como as de Valdir são tecnicamente chamadas, são as mais comuns no mundo e no Brasil, com o diabetes inclusive tendo aumentado 70% entre 2000 e 2019. 

Para contextualização, nos Estados Unidos existe há alguns anos o movimento nas redes sociais insulin4all, criado pela organização sem fins lucrativos T1 International, que denuncia os altos custos da insulina no país, onde um frasco de 10ml gira em torno de U$330. Tal situação vem levando inclusive pessoas a racionarem o medicamento, o que pode levar a complicações e até a morte em casos mais graves. Já no Brasil, o mesmo remédio é disponibilizado pelo SUS, e o preço máximo permitido por lei é de R$125,30. 

Diante desses dados e o envelhecimento da população fica claro como a saúde vai ser cada vez mais necessária, tal qual destaca o jovem de espírito Valdir, que já foi pedreiro e auxiliar de manutenção geral em uma lanchonete, justamente no Hospital das Clínicas. As histórias que já viu na maior referência de saúde pública brasileira enchem a sua mente, e as palavras saem inquietas sobre as melhorias que o SUS precisa e as pessoas merecem. Ele conta em meio a suspiros que quando precisa de exames mais urgentes, ou consultas em meio a crises, tem que recorrer ao plano de saúde da sua esposa, do qual é dependente, já que as unidades de saúde estão sempre cheias e a fila de espera passa de meses algumas vezes. 

Foi nessas passagens obrigadas pela rede privada que ele inclusive descobriu mais um integrante do seu pacote, a doença renal crônica há um ano. Porém, é no SUS que o acompanhamento com nutricionista, nefrologista e endocrinologista foi possível, uma rotina de cuidados essenciais para uma boa qualidade de vida para quem tem a condição. É graças a essa rede de profissionais e a farmácia popular que Valdir vai aproveitando com os dois filhos e a mulher os seus dias, frisando com a voz até meia trêmula, que sem isso não poderia se ter o seu direito de viver com saúde exercido plenamente.

medicamentos
São graças a compostos como esses que tanto Marisa ou Valdir, e os mais de 100 milhões de brasileiros com doenças crônicas podem viver bem tal qual a constituição garante - Foto: Vítor Nhoatto

 

A jornada do abuso de substâncias até a dependência química e o tratamento de reabilitação voluntário
por
Bruna Quirino Alves
Maria Eduarda Camargo
|
28/10/2022 - 12h

 

Ela vinha em pequenos frascos, de metal ou vidro, com imagens ilustrativas e crianças sorridentes — comercializada para fins anestésicos e tratamento do vício em morfina ou álcool. Assim nasceu a cocaína, droga originada das folhas da coca e que teve — há mais de 100 anos  — seus anos dourados de legalidade. Mas a realidade do vício é muito diferente do glamour dos ternos dos empresários e das festas dos fins de semana.

De acordo com o novo Relatório Mundial sobre Drogas divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em 2021, cerca de 5,5% da população entre 15 e 64 anos usou drogas pelo menos uma vez em 2020, enquanto 36,3 milhões de pessoas, ou 13% do número total de pessoas que usam drogas, sofrem de transtornos associados ao uso de drogas. A psicóloga Lúcia Silva explica que: "A dependência química não se trata de uma vontade de consumir determinada substância e sim da incapacidade de não consumi-la".

No Brasil, segundo pesquisas da OMS, cerca que 6% da população brasileira atual possui dependência química, totalizando 12,4 milhões de pessoas. Os hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram um aumento de 54% em 2020 no atendimento de dependentes químicos em relação a 2019, de acordo com os dados do Ministério da Saúde.  

A lei de n°13840 — sancionada pelo atual presidente Jair Bolsonaro no ano de 2019 — prevê a alteração da lei n°11343, possibilitando a internação involuntária de pacientes com dependência química. A internação involuntária ou compulsória é toda aquela que ocorre sem o consentimento do paciente. Para que ocorra, é necessário um pedido de internação vindo do médico psiquiatra — mesmo sem o consentimento ou pedido de internação da família.

Em entrevista à Revista Veja, o ator global Fábio Assunção conta as dificuldades que enfrentou na sua luta contra a dependência química e os danos gerados pela exposição sofrida por ele durante o seu processo de reabilitação. 

"Fui pela primeira vez aos Alcoólicos Anônimos há cerca de quinze anos. Na saída fui fotografado por um paparazzo e saiu uma nota no jornal. Aquilo me prejudicou muito e demorei anos para voltar.’’ 

Fábio faz parte da nova série da Globoplay ‘’Onde está meu coração’’ na qual ele interpreta o pai de uma jovem médica que se torna usuária de crack, a série retrata como o vício atravessa uma família e os conflitos que são gerados a partir disso, escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, com direção artística de Luísa Lima.  

No painel realizado pela Globoplay na Comic-Con Experience (CCXP), o ator ressalta como fazer parte da produção foi importante na sua jornada com a dependência química. "Pra mim, tudo foi emocionante. Cada coisa que eu falava pra minha filha [na série] por causa da dependência, é como se eu estivesse me ouvindo também. É uma série em que eu estava presente de todas as formas, como ator, como pessoa.’’

Lúcia ainda comenta que: "O ideal é que a intervenção terapêutica combinada seja feita em instituições especializadas e que disponibilizem uma equipe multidisciplinar composta por médicos clínicos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e outros. Além do uso de remédios, o trabalho de aconselhamento auxilia na importância de evitar comportamentos que colocam a saúde em risco. Por meio de uma intervenção multiprofissional é possível alcançar resultados mais satisfatórios na reabilitação do paciente. Quando se trabalha em equipe, o compartilhamento de ideias ajuda a perceber, com mais clareza, a necessidade de eventuais ajustes para tornar as terapias ainda mais eficientes". 

Existe uma importância significativa no tratamento combinado e que é ainda mais alavancado pelo apoio individual e familiar. Assim, o paciente é incluído no próprio tratamento e pode, ativamente, contribuir com sua melhora. E a internação voluntária é a chave para que haja a colaboração e a humanização do paciente e para que o tratamento possa evoluir positivamente.

Tags:
Entenda como abandonar seu parceiro prejudica também a vida dos seres humanos.
por
Luísa Ayres Dias de Oliveira
|
28/10/2022 - 12h

Pelas ruas, a cena se repete. Quem nunca viu um animal desabrigado, revirando lixo ou se escondendo da chuva?

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), sobrevivem cerca de 30 milhões de animais abandonados no país. Desses, aproximadamente 20 milhões são cães e, 10 milhões, gatos.

Apesar de corriqueiro, o cotidiano do abandono revela um problema grave de responsabilidade, empatia e, principalmente, conhecimento da lei. Abandonar animais de estimação é crime. Além do pagamento de multa e proibição da guarda, a reclusão do indivíduo pode chegar a 5 anos – tratando-se de cães e gatos. Caso o animal venha a falecer, a pena aumenta de um sexto a um terço (Conforme a Constituição Federal e a Lei de Crimes Ambientais de nº 9.605/98).  

Priscila Gaieta, voluntária da ONG Canto da Terr, pontua que as causas para o abandono são uma somatória de 3 fatores: Falta de recursos e planejamento, pouco acesso à informação e irresponsabilidade.

“Eu resgato muito animal que ninguém quer. Agora terça feira (18), resgatei uma (cadela Vivi) que foi jogada de um carro a 80 km/h. Está cheia de ponto na cabeça”, conta Priscila, que também cuida de vários bichinhos portadores de alguma deficiência ou dificuldade motora, sobretudo cães cadeirantes que também foram abandonados. “O Banzé foi abandonado na ONG, muito machucado, muito idoso. Hoje está comigo, é o amor da minha vida”, conta emocionada sobre um dos seus cachorros resgatados.

Através de seus relatos, percebem-se os diversos tipos de abandono. Desde aqueles animais que são deixados nas ruas ou nas portas dos abrigos, até os cenários mais desumanos possíveis, como aconteceu com Paçoca, um cãozinho atropelado e abandonado em um dia de chuva ainda dependendo do uso de acesso venoso.

Na pandemia, o índice de abandono cresceu cerca de 61%, conforme aponta a Associação das Mulheres Protetoras dos Animais Rejeitados e Abandonados (Ampara Animal). Como agravante, houve menores índices de adoção em 2022 se comparado ao ano passado, causando superlotações em muitos abrigos.

O que pode ser feito?

Apesar de tentar convencer os donos a ficar com os bichos, Priscila conta que as desculpas são sempre as mesmas: “Ai, já tentei de tudo”, “Meu marido não quer”, “Eu não tenho como cuidar”. Isso quando muitos não mentem, chegando à ONG com um bicho supostamente achado na rua.

Por isso, ela conta que exige uma adoção responsável, em que é feito todo um processo de acompanhamento com os novos tutores, que devem enviar fotos e vídeos do animal pelo tempo que for necessário, além de assegurar a aplicação das vacinas no prazo. Caso contrário, o bicho é retirado através de meios legais.

Além disso, os animais são entregues castrados e os novos donos são informados com antecedência sobre as necessidades e personalidade do animal.

“A gente não tira da rua pra voltar pra rua”, afirma.

Legenda: Rafaela, Carlos Eduardo e a gatinha Flora, respectivamente, durante evento de adoção realizado no pet shop Pata Natural.
Legenda: Rafaela, Carlos Eduardo e a gatinha Flora, respectivamente, durante evento de adoção realizado no pet shop Pata Natural. Créditos: Luísa Ayres.

 

Pensando na causa, o Dezembro Verde, uma campanha realizada em diversos lugares do país, inclusive na ONG e nos projetos de Priscila, tenta conscientizar a população acerca do tema - apesar do mês ser um dos que apresenta maior índice de rejeição animal, sobretudo em meio às festas de fim de ano e viagens de férias.

Cuidar dos animais é cuidar das pessoas

Além de ameaçar a vida dos próprios animais, o abandono também prejudica a vida da população, sobretudo, devido à maior disseminação de doenças. Dentre elas, a raiva, leptospirose, micose, infestação de lombrigas, sarna, giardíase e toxoplasmose. Todas apresentam risco letal, podendo ser transmitidas através de mordidas, arranhões e contato com ferimentos dos bichos.

A ONG internacional World Animal Protection orienta para a denúncia de casos de abandono ou maus tratos: Há a possibilidade de lavrar um Boletim de Ocorrência (BO) ou então de comparecimento à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente. É possível denunciar também ao órgão público do município, utilizando-se inclusive da Lei Estadual ou Federal. Já pelo telefone, pode-se discar 190 (polícia), 181(disque denúncia) ou 0800 61 8080 (IBAMA – em caso de animais silvestres). Pela internet, é possível acessar os portais do Ministério Público Federal ou do Safer Net. Para informações mais específicas de como denunciar em cada região e estado do país, acesse a página da ONG.

Tags:
Mais de 30 mil brasileiros aguardam esperançosamente na fila de transplante por um rim compatível, única opção para tratar pacientes com doença renal crônica em estágio avançado.
por
Manuela Almeida Dias
|
26/10/2022 - 12h

 

O Brasil está em terceiro lugar no ranking dos países que mais realizam transplantes renais no mundo. Em 2021, foram registrados 4.828 procedimentos desse tipo, 90% deles financiados integralmente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). 

 

Mesmo com um alto volume de transplantes realizados com sucesso todos os anos, a fila de espera por um rim é muito longa. Em alguns casos, pacientes estão há mais de 15 anos na fila aguardando por um rim compatível, sendo submetidos a diversos tratamentos e correndo um alto risco de vida.

 

Os rins desempenham papéis fundamentais em nosso organismos. Eles são responsáveis por filtrar o sangue e remover todos os resíduos tóxicos presentes na circulação sanguínea. Quando eles param de funcionar, o paciente deve se submeter a sessões de hemodiálise ou diálise para se manter vivo.

 

Em 2021, com base obtidos pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 15.640 pacientes renais ingressaram na fila de espera pelo transplante, e destes, 3.009 (19,24%) vieram a óbito. 

 

No Brasil, existe o sistema de lista única para transplantes, conhecido popularmente como fila única de transplantes, regulamentado pelo Decreto n.º 2.268, de 1997. Com a demora da fila para transplante, mais de 30 mil pacientes aguardam pelo contato dos hospitais. É o caso do Izaias Sineco de Almeida, um paciente renal de 75 anos que está há mais de 15 anos esperando pelo transplante.

 

“Recentemente fez 15 anos que eu estou aguardando na fila de transplante. Já fui chamado três vezes, mas por ter uma idade avançada eles preferiram priorizar outros pacientes. É agonizante ver os seus colegas falecerem durante uma sessão de hemodiálise. Ter fé é a única coisa que nos resta nesse momento”, diz Izaias.

 

Desde 2007, ele realiza sessões de hemodiálise com 4 horas de duração, três vezes por semana.

 

“Vou à clínica de hemodiálise três vezes por semana. Com o auxílio da minha esposa e filhos tenho permanecido forte e irei me manter dessa maneira até encontrar o meu rim compatível", comenta emocionado.

 

A nefrologista Caroline Reigada explica como é classificada a lista de espera para transplante pelo SUS: “A principal característica de classificação das listas de espera para o tão sonhado transplante é que elas não funcionam por ordem de chegada, mas sim, por condições médicas, como a compatibilidade entre o paciente e o doador e gravidade da doença”.

 

Fundado em 1998, o Hospital do Rim (Hrim), localizado na capital paulista, é o maior centro de transplantes renais do mundo, com mais de 900 procedimentos por ano. O Hrim realiza, em média, 20% de todos os transplantes de rins realizados no País.

 

Tatiane Fonseca, de 46 anos, é professora de Biologia. Ela foi diagnosticada em 2010 com insuficiência renal, e há 4 anos vive com o seu novo rim transplantado:

 

“Frequentei a clínica de hemodiálise por oito anos. Confesso que foram os anos mais difíceis da minha vida, mas me mantive viva e saudável e em 2018 recebi uma ligação do Hospital do Rim de São Paulo. Consegui realizar o meu transplante. Hoje eu tenho uma família linda e pude continuar a dar aulas”, diz Tatiane.

 

A libertação da máquina e agulhas traz o significado de poder desenvolver ações simples que eram possíveis antes do tratamento, como passear no parque, ir à praia, trabalhar ou ir ao cinema, coisas que parecem “bobas” para quem tem uma vida saudável.

 

“Sinto falta de poder tomar um copo de água ou poder correr com os meus netinhos pela rua. Sei que o meu rim está me esperando em algum lugar, e em breve poderei me divertir novamente”, finaliza Izaias. 

 

Tags:
A plataforma está sendo desenvolvida por pesquisadores que visam comprovar a eficácia da inteligência artificial em diagnosticar depressão, ansiedade e estresse.
por
Laura Lima
|
30/06/2022 - 12h

Por Laura Martins

O projeto gravida digital é um aplicativo destinado a identificar transtornos de ansiedade, depressão e estresse em mulheres grávidas. A ideia surgiu em 2020, pelos pesquisadores Hermano Tavares e Kelly dos Santos Prado, ambos médicos psiquiatras pela USP. Mas, só foi lançado no início de 2021 e está disponível pelas plataformas IOS e Play Store. Atualmente o projeto conta com 319 pacientes recrutadas, mas apenas 207 fizeram o download do app pois 112 voluntárias ainda não conseguiram instalar a plataforma por causa de dificuldades técnicas. 

A pesquisa está sendo desenvolvida pelo Instituto Nacional de Psiquiatria do desenvolvimento para a infância e adolescência (INPD), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e o Setor de Inovação e Transferência de Tecnologia (SITT), em parceria com os serviços de atendimento a gestantes com psicopatologia da Obstetrícia e do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, integrando-se a  um núcleo composto por outros três projetos: um pensando no monitoramento de transtornos mentais em mulheres no período neonatal, um focado no rastreio de transtornos mentais na infância e o último, na adolescência. 

A maioria das selecionadas são abordadas durante as consultas de pré-natal no instituto central do hospital das clínicas, em São Paulo. Podem ou não já estarem passando por um tratamento psicológico e psiquiátrico ou, sequer, terem suspeitas das doenças. Após as voluntárias aceitarem participar do  projeto, elas devem instalar o aplicativo chamado “DM Health” para que, através dele, se submetam a uma série de questionários sobre como elas estão se sentindo ao longo do dia. Tal procedimento é repetido semanalmente, junto a uma foto de rosto e um áudio. 

Essa tecnologia viabiliza o rastreio de transtornos psiquiátricos baseando-se em biomarcadores de voz, em expressão facial e utilização de metadados. O aplicativo também permite que o usuário agende uma consulta com um psiquiatra de forma remota ou presencial, sempre que achar necessário. Todas as grávidas que utilizam o app passam por uma avaliação com o que é considerado "gold standard” (ou, padrão ouro): uma ou várias consultas online com um médico psiquiatra. 

De acordo com os pesquisadores, no período perinatal, estima-se uma prevalência de 10-25% de depressão e 11-21% de transtornos ansiosos. Entretanto, apenas 20% das mulheres procuram tratamento e cerca de dois terços dessas pacientes não são diagnosticadas. O diagnóstico é mais difícil em grávidas, pois os sintomas presentes na gestação são parecidos com os de um quadro de depressão e ansiedade, como por exemplo cansaço, mudança de apetite, distúrbios do sono, diminuição da libido, dentre outros.

O estudante de medicina pela USP, Adrian Novelle, ingressou no projeto no início deste ano e explica que: "Um dos motivos das diagnosticadas não darem continuidade ao tratamento é, muitas vezes, a negação e o preconceito com o próprio diagnóstico psiquiátrico. Ainda há muito preconceito com transtornos mentais, as pessoas não querem tratamento, pois acham que só é tratado quem é louco e esse grupo populacional em específico (o de mulheres grávidas) é ainda mais vulnerável, já que a maioria não tem o amparo adequado de seus respectivos cônjuges ou familiares. 

No início de maio, o CFM (Conselho Federal de Medicina) regulamentou a telemedicina no Brasil. Assim, serviços médicos mediados por tecnologia podem ser feitos sem qualquer impedimento ou restrição. Segundo um estudo feito pela American Medical Association, 75% das visitas a serviços médicos regulares ou de emergência são desnecessárias, podendo ser feitas por telefone, chat, vídeo ou outras plataformas digitais. Adrian também reforça que, “Ao contrário do que se possa imaginar, o diagnóstico e tratamento online não é elitista. Na verdade, pode ser mais inclusivo do que se pensa, porque é muito mais fácil para pessoas que moram em regiões extremas terem acesso a um celular e a uma Internet, por mais que seja ruim, do que se locomover até um centro e hospital especializado. Então, ter a possibilidade de entrar em contato com  uma equipe de profissionais tão qualificados pela Internet, é uma alternativa bem interessante para quem tem dificuldade em acessar o serviço de saúde”. 

Após reunidos e trabalhados, os dados obtidos nas quatro pesquisas serão cruzados, gerando um monitoramento longitudinal de transtornos mentais desde a gravides até a adolescência. O pesquisador afirma que “ A gente vai ter um banco de dados gigantesco para poder incorporar a outras pesquisas. Um dos questionários que estamos aplicando é para a obtenção de dados sociodemográficos. Futuramente, a gente vai poder fazer o cruzamento desses dados e investigar se existe uma relação entre as tendências de mulheres grávidas que possuem transtornos mentais dependendo da classe social, da escolaridade, de onde moram e etc”. 

Atualmente, a plataforma DM Health é administrada pelo médico, psiquiatra e desenvolvedor Rodrigo Dias e sua equipe, por meio de um contrato previsto no orçamento. Adrian também afirma que, “A nossa intenção não é mercantilizar o app, mas é possível. Inclusive, há pessoas com essa intenção: o próprio desenvolvedor do software tinha a intenção de vender o app depois de comprovada a eficácia para empresas de convênio de saúde. Essas empresas têm muito interesse nesse tipo de trabalho, pois há um número expressivo de dados longitudinais coletados desde a gravidez até a adolescência… Vende bem.”

Atualmente, o projeto não tem data prevista para término, mas uma troca na empresa que administra a plataforma deve ocorrer em breve. Tendo em vista que o principal objetivo do projeto é definir se a tecnologia é eficaz para o rastreio de transtornos mentais, e não concentrar-se no tratamento de tais doenças, faz-se necessário atentar a utilidade do conjunto desses dados, para garantir que a pesquisa seja convertida em melhorias efetivas para o Sistema Único de saúde (SUS) e, não se torne mais uma ferramenta restrita aos convênios médicos. 
 

Tags:
Perda do pai ainda quando bebê, levou Laura Martins Paro a vivenciar importância da terapia como tratamento
por
José Pedro dos Santos
|
30/06/2022 - 12h
Sessão de terapia Autora: zebradaa (Fernanda Bornancin)
Sessão de terapia zebradaa (Fernanda Bornancin)

Laura Martins Paro explica que a perda de seu pai quando ainda era bebê, acarretou um comportamento introvertido, apesar de ter diversos amigos na infância, além de achar que se não tivesse feito acompanhamento psicológico não seria quem é hoje. Segundo Ana Monteiro, mestre em linguística aplicada na PUC e psicanalista, a morte e o luto afetam cada um de uma forma singular e profunda, mas para a criança, essa perda pode ter consequências muito serias sem um acompanhamento.

Para a psicanalista, a importância da terapia de maneira geral está em permitir um melhor autoconhecimento, mas ao tratar sobre o luto, a possibilidade de ajudar na elaboração e compreensão da morte e a construção de um novo caminho sem a presença deste ente querido. A psicanálise e psicologia não são apenas para esse tipo de questão, podendo também atender pessoas que sofrem com outros tipos de problemas, como depressão e ansiedade e até mesmo pessoas que não são diagnosticadas, para ajudá-las a se entenderem melhor e controlarem melhor suas emoções e sentimentos.

A Psicanálise foi criada pelas ideias do médico Sigmund Freud, ela visa a procura do bem-estar do analisando a partir de uma série de introspecções que levam o mesmo a concluir e conseguir entender coisas de seu funcionamento por conta própria, partindo do auxílio de um psicanalista.

 

Tags: