Navio de expedição saiu no início de abril do Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde
por
Juliana Bertini de Paula
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26/05/2026 - 12h

Um surto causado por uma cepa rara do hantavírus, Andes, transmitida entre humanos, atingiu um navio de cruzeiro que partiu no dia primeiro de abril de Ushuaia, na Argentina. Atualmente, já são três as mortes registradas, sete casos confirmados e dois casos suspeitos entre os 149 passageiros. O destino final seria Cabo Verde, mas por conta do risco sanitário e a falta de estrutura, o navio seguiu para as Ilhas Canárias em Tenerife, após ficar três dias à deriva. 

Início do surto

Cinco dias após o embarque, um passageiro holandês apresentou os primeiros sintomas da hantavirose. Seis dias depois, em 11 de abril, ele faleceu a bordo. Devido às condições do cruzeiro, seu corpo só pôde ser retirado 13 dias depois, quando o navio atracou na remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. 

Durante esse período, a esposa do passageiro também apresentou sintomas compatíveis com a doença e dois dias após o desembarque, a holandesa também faleceu, já na África do Sul.

Especialistas indicam que o "paciente zero" provavelmente contraiu o vírus ainda em solo argentino. O Prof. Marcos Vinicius da Silva, médico coordenador do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor do Ministério da Saúde, explicou à AGEMT a dinâmica do evento: "A provável causa do surto foi algum dos passageiros durante um passeio, em terra, foi infectado com o Hantavírus Andes, transmitido por algum roedor silvestre e tenha levado e disseminado o vírus para os outros passageiros e tripulantes".

O que transforma o caso do navio em uma emergência de saúde pública global é a biologia da variante Andes. Embora a grande maioria das cepas de hantavírus demande a inalação de partículas de fezes ou urina de roedores contaminados, o vírus Andes possui a rara capacidade de ser transmitido com o contato próximo e prolongado de pessoa para pessoa. Ou seja, o ambiente fechado do cruzeiro funcionou como um acelerador para a propagação da doença. 

Cruzeiro de luxo MV Hondius em expedição polar. Foto: Divulgação/Oceanwide expeditions
Cruzeiro de luxo MV Hondius em expedição polar. Foto: Divulgação/Oceanwide expeditions

 

Evacuação e repatriação

Atracado em Tenerife, o MV Hondius concluiu a evacuação de passageiros e tripulantes. O último grupo, formado por seis passageiros e parte da tripulação, desembarcou no dia 11 de maio antes de seguirem para a Holanda, em voos organizados pelas autoridades holandesas. Após a operação, o navio deixou as Ilhas Canárias rumo aos Países Baixos, levando apenas uma equipe reduzida, além de profissionais de saúde, para passar por um processo de descontaminação e limpeza completa. 

Os viajantes já repatriados seguem em processo de quarentena em seus respectivos países. O protocolo está baseado no longo período em que o vírus pode permanecer "silencioso" no organismo. "As medidas de isolamento dos passageiros e tripulantes já foram tomadas, aguarda-se o período máximo de incubação da doença, que é de seis semanas, com observação médica e sanitária contínua dessas pessoas", esclarece o especialista.

 

A doença

A letalidade da infecção explica as decisões extremas de navegação. Originalmente com destino a Cabo Verde, o desembarque foi negado pelo país africano por conta da falta de infraestrutura local para o suporte médico de alta complexidade, exigido para conter a doença. Isso deixou a embarcação à deriva no oceano Atlântico até que a rota para a Espanha fosse aprovada.

A evolução dessa síndrome é frequentemente fulminante, exigindo intervenção imediata e equipamentos de biossegurança de nível máximo. "O quadro clínico se torna grave logo no início da doença e requer tratamento em unidade de terapia intensiva e com medidas de barreira para isolamento, diminuindo o risco de transmissão para os profissionais de saúde que atendem o paciente", explica ainda o Dr. Marcos Vinícius.

O alerta para a gravidade da hantavirose se dá, em grande parte, pela forma como os primeiros sinais aparecem, muitas vezes confundidos com outras infecções menos severas, antes de evoluírem rapidamente para uma emergência médica. Nos estágios iniciais, os infectados pela cepa Andes costumam apresentar sintomas semelhantes aos de uma forte gripe, como febre, calafrios, dores musculares intensas especialmente na região lombar, ombros e coxas), além de fadiga profunda, dores de cabeça, náuseas e vômitos. 

Imagem microscópica do vírus da hantavirose. Foto: Divulgação/CDC
Imagem microscópica do vírus da hantavirose. Foto: Divulgação/CDC

O cenário da doença, contudo, deteriora-se de forma abrupta na transição para a fase cardiopulmonar. Em questão de poucos dias ou até horas, o paciente passa a sofrer com tosse, falta de ar severa e acúmulo rápido de líquido nos pulmões (edema pulmonar). O quadro culmina em insuficiência respiratória e colapso do sistema cardiovascular. É essa progressão fulminante que justifica a necessidade crítica de leitos de UTI com suporte de vida avançado - o que motivou a busca desesperada do cruzeiro por um porto estruturado. 

 

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Demora no atendimento transforma a espera por saúde em sofrimento diário para milhões de brasileiros.
por
Alice Begnini
Lawanny Nasc
Rafaella Lalo
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21/05/2026 - 12h

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos serviços gratuitos à população. Criado para garantir acesso universal à saúde, o sistema atende cerca de 76% dos brasileiros exclusivamente pela rede pública. Porém, as queixas sobre o longo tempo de espera aumentam diariamente, causando indignação em quem depende do atendimento.

Apesar dos avanços anunciados pelo governo federal, a realidade ainda é marcada pela demora. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2022 e 2024, o número de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS aumentou 32%, chegando a 13,6 milhões em 2024, o maior número da história do sistema. O governo também ampliou o Programa Nacional de Redução das Filas, que recebeu R$ 1,2 bilhão em investimentos no último ano.

Além disso, programas como o “Mais Acesso a Especialistas” foram criados para diminuir o tempo de espera em áreas críticas, como cardiologia, oncologia e ortopedia. O SUS também é responsável por cerca de 85% dos transplantes realizados no Brasil e possui um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo.

Em entrevista, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto destaca que, apesar das dificuldades atuais, o SUS foi fundamental para melhorar as condições de vida da população brasileira nas últimas décadas. Segundo ele, avanços como o acesso à água tratada e melhorias na saúde do trabalhador contribuíram para o aumento da expectativa de vida no país.

Mas os números não conseguem medir o peso da espera.

“Não existe atendimento imediato em nenhum sistema de saúde do mundo”, ressalta Vecina. Para ele, o principal problema não está apenas na existência das filas, mas na maneira como elas são administradas. O médico critica a falta de integração entre estados e municípios e afirma que a má gestão das filas acaba aumentando ainda mais a demora no atendimento. “Nós não temos tido uma resposta mais efetiva do Estado”, disse.

Gonzalo também aponta falhas na integração entre municípios e estados. “As filas são muito mal administradas”, declarou. Segundo ele, pacientes entram em diferentes sistemas de regulação ao mesmo tempo e muitas vezes não cancelam consultas já marcadas, causando desperdício de vagas e aumento da demora.

Mas os dados ainda não mostram madrugadas em corredores de hospital, famílias implorando por exames ou pacientes vendo sintomas simples se transformarem em doenças graves. Também não mostram histórias como a de José Francisco da Silva.

Morador de Embu das Artes, na Grande São Paulo, José Francisco, de 62 anos, aposentado por invalidez e sem instrução, sofria de reumatismo reumatoide quando começou a passar mal e foi levado a uma unidade de saúde com pneumonia. Após ficar internado por apenas 24 horas, recebeu alta. No dia seguinte, piorou. A partir dali, começou uma rotina marcada por tentativas desesperadas de conseguir atendimento.

O quadro de pneumonia piorou com uma infecção urinária e depois evoluiu para sepse, uma infecção generalizada. Segundo a filha, Cleonice Reis, a família precisava insistir constantemente para que o estado de saúde do pai fosse atualizado na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), sistema responsável pela transferência de pacientes entre hospitais do estado. “A gente entrou em guerra para tentar salvar meu pai”, relata.

Após dias de espera, José conseguiu uma vaga no Hospital Geral de Guarulhos. Para chegar até lá, a família precisou recorrer a conhecidos e políticos para conseguir uma ambulância, já que o transporte não havia sido disponibilizado pelo SUS.

No novo hospital, o quadro clínico foi estabilizado. “Hospital maravilhoso, não tenho o que falar”, afirmou Reis. Ainda assim, a família enfrentou novas dificuldades para conseguir transporte com oxigênio e exames básicos. Segundo ela, o aparelho de tomografia da unidade onde o pai estava internado permanecia quebrado havia anos.

Poucos dias depois de voltar para casa, José passou mal novamente. Esposo, pai de duas filhas e avô de seis netos morreu no pronto socorro. “Nós familiares nos sentimos indignados. A gente paga nossos impostos e, quando precisa, fica à mercê”, disse.

Enquanto famílias enfrentam longos períodos de espera, profissionais da saúde também convivem com os impactos da superlotação. Aparecida do Amparo, enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento do bairro Cohab II, em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, afirma que muitos pacientes chegam às UBSs com sintomas leves, mas acabam piorando devido à demora para conseguir especialistas. “Já tive contato com pacientes que, devido à demora, acabaram tendo a doença agravada, sem condições mais de fazer o tratamento”, explicou.

Ao analisar o impacto dessa realidade, Gonzalo Vecina afirma que a demora no SUS também revela desigualdades profundas do país. “A desigualdade é a grande doença da sociedade brasileira”, declarou. Para o médico, a saúde não pode ser analisada separadamente das condições de moradia, alimentação, trabalho e acesso básico à dignidade.

Mesmo diante das dificuldades, Aparecida afirma continuar acreditando no sistema público de saúde. “O que motiva a gente é saber que pode aliviar o sofrimento dos pacientes.”

Manifestação sobre saúde pública
Manifestação sobre a falta de gestão na saúde pública. Foto: Pexels.com

 

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Médicos poerão prescrever o medicamento para pacientes com mais de 10 anos
por
Vitória Teles
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30/04/2026 - 12h

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na quarta-feira (22) o uso de canetas com o princípio ativo da Tirzepatida para crianças e adolescentes que possuem diabetes tipo 2. Antes, o uso só era possível para adultos diagnosticados com diabetes e para tratamentos contra obesidade. Agora, jovens a partir de 10 anos também poderão utilizar com prescrição médica. 

As canetas imitam um hormônio do corpo chamado Glucagon-like peptide-1 (GLP-1), que ajuda a controlar o açúcar no sangue, diminuir o apetite e retardar a digestão, levando à perda de peso. A decisão da Anvisa surgiu a partir de um grande índice de crianças que sofrem com obesidade e diabetes, já que o Brasil é quarto país no mundo com crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, com diabetes tipo 1, podendo evoluir para o tipo 2. No ranking dos países com mais pessoas que possuem essa condição, o Brasil é o sexto no mundo, segundo dados de 2025 da 11ª edição do Diabetes Atlas, divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF).

No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ao mesmo tempo que esse uso específico foi aprovado, a Anvisa também proibiu canetas irregulares vendidas pela internet, já que o orientado é apenas o uso com prescrição médica, além de aumentar a fiscalização e exigir regras mais rígidas para a manipulação.

Apesar de ser um caminho eficaz, que apresenta bons resultados, há também controvérsias. Partindo do ponto de vista socioeconômico, muitas famílias sofrem com diabetes tipo 2, em níveis avançados, e não possuem renda para investirem em tratamentos como as canetas emagrecedoras, que tem um valor bastante elevado no mercado, custando entre R$1.400 a R$2.400, podendo variar de acordo com a farmácia. 

Em entrevista à AGEMT, a nutricionista Juliane Pacheco, que atua no mercado nutricional há mais de 6 anos, enfatizou que a Tirzepatida possa sim ser uma boa alternativa para tratar dessa patologia, apesar do medicamento estar muito banalizado no Brasil para fins estéticos e não apenas para tratamento de obesidade. “Para as crianças, é essencial que a medicação seja utilizada apenas com indicação médica e tenha acompanhamento com uma equipe multidisciplinar”, comenta a profissional. 

Sobre os efeitos colaterais na vida das crianças, como náuseas, diarreias e vômitos, Juliane afirma que é necessário fazer a indicação com muita cautela e não banalizar o uso para todas as crianças e adolescentes. Segundo a profissional, a alimentação também é um caminho que traz bons resultados para o tratamento de diabetes, mas que também requer atenção e cuidado. “O que fará mais diferença é a presença dos pais durante todo o tratamento. No final, são eles que compram os alimentos para seus filhos e preparam as refeições, então se não tiver um cuidado, a diabetes não é tratada”, afirma.

 

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Fatores como rotina urbana, excesso de telas e falta de atividade física contribuem para o avanço do problema no país
por
Guilherme Romero
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28/04/2026 - 12h

O Brasil enfrenta um cenário preocupante quando se trata sobre o sedentarismo. De acordo com divulgação da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 47% da população não atinge os níveis recomendados de atividade física, colocando o país entre os mais sedentários do mundo. Para a nutricionista Patrícia Prado Dias Peres, em entrevista à AGEMT, esse comportamento está cada vez mais comum desde a infância, diretamente ligado ao aumento de doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares, além de afetar a saúde mental. Segundo ela, os hábitos sedentários começam cedo e tendem a se perpetuar a longo prazo na vida.

Crianças que passam grande parte do tempo diante de telas, seja em celulares, videogames ou redes sociais, acabam reduzindo atividades físicas essenciais no tempo livre para o desenvolvimento. Esse padrão se intensifica na adolescência, especialmente entre jovens de 11 a 17 anos, faixa etária apontada como a mais afetada. Mesmo com medidas como a restrição do uso de celulares em ambientes escolares, o comportamento sedentário persiste fora das instituições de ensino, impulsionado pela facilidade de acesso à tecnologia e pela diminuição de espaços adequados para o lazer.  A falta de atividade física provoca uma série de alterações no organismo. Sem movimentação corporal, o gasto energético é reduzido e entra em um “estado de economia”, o que pode desregular processos metabólicos importantes. Entre as consequências mais comuns estão o aumento do peso corporal, o desenvolvimento de massa de gordura corporal e alterações hormonais que afetam a sensação de saciedade. “Esse desequilíbrio favorece um ciclo difícil de romper, em que o excesso de peso torna a prática de exercícios mais cansativa, levando à desmotivação e à manutenção do sedentarismo”, diz Peres. 

Patrícia Prado Dias Peres nutricionista do CEPEUSP (Centro de Práticas Esportivas da USP)
Patrícia Prado Dias Peres nutricionista do CEPEUSP (Centro de Práticas Esportivas da USP)

Os impactos do sedentarismo vão além da questão estética ou do condicionamento físico, também está associado a doenças metabólicas, como diabetes e dislipidemias, além de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral. Também há prejuízos para o sistema musculoesquelético, com aumento de dores, perda de massa muscular e maior risco de osteoporose. Na saúde mental, os efeitos incluem ansiedade, depressão, insônia e até declínio cognitivo, evidenciando que a inatividade física afeta o corpo humano de forma ampla. Segundo Peres, a falta da prática de atividades físicas deve ser tratada como uma questão de saúde pública, porque suas consequências geram impactos diretos e indiretos, desde o aumento dos gastos com tratamentos médicos até a redução da produtividade da população.

O problema também sobrecarrega os sistemas de saúde, que precisam lidar com o crescimento de doenças crônicas associadas ao estilo de vida. Estimativas globais apontam que milhões de mortes poderiam ser evitadas todos os anos com a adoção de hábitos mais ativos. Apesar do cenário preocupante, a mudança de comportamento é possível e pode começar com medidas simples. De acordo com Peres, não é necessário iniciar com atividades intensas: a recomendação é acumular entre 150 e 300 minutos semanais de exercícios moderados, ou de 75 a 150 minutos de atividades mais vigorosas. Mesmo práticas leves já apresentam benefícios quando comparadas à inatividade total. O mais importante, segundo a nutricionista, é encontrar uma atividade que possa ser mantida a longo prazo e incorporada à rotina. 

 A alimentação também desempenha um papel fundamental nesse processo. Peres aponta que dietas equilibradas com base em alimentos in natura ou minimamente processados, contribuem para o controle do peso e para o bom funcionamento do organismo. A redução do consumo de ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e sódio, é apontada como uma estratégia essencial para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida, disse a especialista. Além disso, manter regularidade nas refeições ajuda a evitar picos de fome e o consumo excessivo de calorias. Diante desse cenário, Peres reforça que o enfrentamento do sedentarismo exige ações que vão além da iniciativa individual. Incentivar hábitos saudáveis desde a infância, ampliar o acesso a espaços públicos seguros para a prática de atividades físicas e promover a conscientização sobre os riscos da inatividade são medidas fundamentais. Para ela, pequenas mudanças na rotina, aliadas a uma alimentação equilibrada e à prática regular de exercícios, podem gerar impactos significativos na saúde e melhora na qualidade e expectativa de vida da população brasileira.

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Campanha alerta o cuidado com a saúde intestinal e incentiva o diagnóstico precoce
por
Carolina Nader
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24/03/2026 - 12h

Durante o mês de março, período em que ocorrem campanhas importantes de conscientização a algumas doenças, a campanha Março Azul-Marinho mobiliza instituições de saúde, médicos e órgãos públicos em ações de conscientização e prevenção do câncer colorretal, ampliando o acesso da população à informação e aos cuidados preventivos.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 45 mil novos casos da doença por ano, conforme estimativas do órgão para o período de 2023 a 2025. O câncer colorretal está entre os tipos que mais causam mortes no país, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

O que é o câncer colorretal?

O câncer colorretal é um tipo de tumor que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto, parte final do sistema digestivo responsável pela formação e eliminação das fezes. A doença ocorre quando células dessa região passam a crescer de forma desordenada, formando lesões que podem se tornar malignas.

Na maioria dos casos, o tumor surge a partir de pólipos intestinais - pequenas alterações inicialmente benignas que podem evoluir para câncer ao longo do tempo, especialmente quando não são identificadas e removidas precocemente. Em entrevista à AGEMT, o médico especialista em diagnóstico por imagem, Carlos Eduardo de Souza, explica que “o diagnóstico precoce possibilita tratamentos menos invasivos, como a biópsia excisional das lesões polipoides durante a realização da colonoscopia”.

O câncer colorretal é mais frequente em pessoas a partir dos 45 anos, faixa etária considerada de maior risco, com maior incidência entre adultos e idosos. Por esse motivo e também por apresentar evolução lenta e, muitas vezes, sem sintomas nas fases iniciais, entidades médicas recomendam a realização de exames preventivos regulares mesmo na ausência de queixas, como forma de identificar alterações precocemente e aumentar as chances de tratamento eficaz. As orientações são destacadas pelo INCA e por sociedades médicas ligadas à oncologia e à gastroenterologia.

Nos últimos anos, especialistas também têm observado um crescimento gradual no número de diagnósticos entre pessoas com menos de 45 anos, embora a maioria dos casos ainda esteja concentrada nas faixas etárias mais altas. De acordo com dados divulgados pelo INCA, fatores como mudanças nos hábitos alimentares, maior consumo de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e obesidade estão associados a esse aumento, ampliando o alerta para a importância da atenção aos sintomas também entre adultos mais jovens.

Principais sintomas e sinais de alerta

O câncer colorretal pode apresentar poucos ou nenhum sintoma nas fases iniciais, o que torna o diagnóstico precoce mais desafiador e reforça a importância dos exames preventivos. Quando surgem, os sinais costumam estar relacionados a alterações no funcionamento do intestino.

Entre os principais sintomas estão:

  • Presença de sangue nas fezes;
  • Mudanças persistentes no hábito; intestinal, como episódios frequentes; de diarreia ou prisão de ventre; 
  • Dor ou desconforto abdominal contínuo; 
  • Perda de peso sem causa aparente; 
  • Sensação de evacuação incompleta e cansaço frequente.

Segundo Carlos, esses sinais não indicam necessariamente câncer, mas devem ser investigados por um profissional de saúde, principalmente quando persistem por várias semanas.

O INCA também alerta que grande parte dos casos é diagnosticada apenas após o aparecimento de sintomas, o que pode dificultar o tratamento. Com isso, os exames precoces permitem identificar lesões ainda em estágios iniciais, aumentando significativamente as chances de cura, que podem ultrapassar 90% quando descoberto rapidamente.

Barreiras à prevenção

Na prática clínica, existem desafios para a prevenção do câncer colorretal. “Atualmente, barreiras socioeconômicas, culturais, tabus e o desconhecimento de fatores de risco dificultam a prevenção”, explica o doutor Carlos Eduardo. Além disso, muitos pacientes têm medo do exame devido à possibilidade de dor ou perfuração intestinal. O especialista reforça que “o procedimento é indolor, sendo realizado sob sedação e analgesia, sem causar prejuízos ao paciente”.

Fatores de risco associados à doença

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Entre os principais estão hábitos de vida e condições de saúde que influenciam o funcionamento do organismo ao longo do tempo.

Segundo o INCA e a Organização Mundial da Saúde (OMS), a alimentação rica em carnes processadas e ultraprocessados, aliada ao baixo consumo de fibras, está diretamente associada ao aumento do risco da doença. Estudos da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, apontam que o consumo frequente de carnes processadas pode aumentar em cerca de 18% o risco de câncer colorretal.

O sedentarismo e a obesidade também são fatores relevantes. Dados da OMS indicam que a prática regular de atividade física pode reduzir o risco de câncer de intestino em cerca de 20% a 30%. Além disso, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo o colorretal.

Pessoas com histórico familiar da doença ou com doenças inflamatórias intestinais devem manter acompanhamento médico regular, já que apresentam maior predisposição ao desenvolvimento do tumor, conforme orientações de sociedades médicas de oncologia e gastroenterologia.

Prevenção e exames ajudam a reduzir casos

Especialistas apontam que grande parte dos casos de câncer colorretal pode ser evitada por meio da adoção de hábitos saudáveis e da realização de exames preventivos. A manutenção de uma alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas, verduras e legumes, aliada à prática regular de atividade física, está entre as principais medidas recomendadas para reduzir o risco da doença.

Entre os principais exames utilizados está a colonoscopia, considerada o método mais eficaz para detectar alterações no intestino grosso e no reto. O exame permite não apenas identificar lesões suspeitas, mas também realizar a retirada de pólipos durante o procedimento. O teste de sangue oculto nas fezes também é utilizado como estratégia inicial de rastreamento.

 

Profissionais de saúde do SUS. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Exames de prevenção como a colonoscopia podem ser feitos no SUS. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

De acordo com recomendações médicas e orientações do Ministério da Saúde, pessoas a partir dos 45 anos - ou antes, em casos de histórico familiar - devem procurar avaliação médica para orientação sobre o rastreamento. Parte desses exames pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante encaminhamento profissional.

Ao reforçar a importância da informação e do cuidado contínuo com a saúde intestinal, a campanha Março Azul-Marinho busca incentivar a população a adotar medidas preventivas e a procurar atendimento médico diante de sinais persistentes, contribuindo para a redução da mortalidade causada pelo câncer colorretal.

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A plataforma está sendo desenvolvida por pesquisadores que visam comprovar a eficácia da inteligência artificial em diagnosticar depressão, ansiedade e estresse.
por
Laura Lima
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30/06/2022 - 12h

Por Laura Martins

O projeto gravida digital é um aplicativo destinado a identificar transtornos de ansiedade, depressão e estresse em mulheres grávidas. A ideia surgiu em 2020, pelos pesquisadores Hermano Tavares e Kelly dos Santos Prado, ambos médicos psiquiatras pela USP. Mas, só foi lançado no início de 2021 e está disponível pelas plataformas IOS e Play Store. Atualmente o projeto conta com 319 pacientes recrutadas, mas apenas 207 fizeram o download do app pois 112 voluntárias ainda não conseguiram instalar a plataforma por causa de dificuldades técnicas. 

A pesquisa está sendo desenvolvida pelo Instituto Nacional de Psiquiatria do desenvolvimento para a infância e adolescência (INPD), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e o Setor de Inovação e Transferência de Tecnologia (SITT), em parceria com os serviços de atendimento a gestantes com psicopatologia da Obstetrícia e do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, integrando-se a  um núcleo composto por outros três projetos: um pensando no monitoramento de transtornos mentais em mulheres no período neonatal, um focado no rastreio de transtornos mentais na infância e o último, na adolescência. 

A maioria das selecionadas são abordadas durante as consultas de pré-natal no instituto central do hospital das clínicas, em São Paulo. Podem ou não já estarem passando por um tratamento psicológico e psiquiátrico ou, sequer, terem suspeitas das doenças. Após as voluntárias aceitarem participar do  projeto, elas devem instalar o aplicativo chamado “DM Health” para que, através dele, se submetam a uma série de questionários sobre como elas estão se sentindo ao longo do dia. Tal procedimento é repetido semanalmente, junto a uma foto de rosto e um áudio. 

Essa tecnologia viabiliza o rastreio de transtornos psiquiátricos baseando-se em biomarcadores de voz, em expressão facial e utilização de metadados. O aplicativo também permite que o usuário agende uma consulta com um psiquiatra de forma remota ou presencial, sempre que achar necessário. Todas as grávidas que utilizam o app passam por uma avaliação com o que é considerado "gold standard” (ou, padrão ouro): uma ou várias consultas online com um médico psiquiatra. 

De acordo com os pesquisadores, no período perinatal, estima-se uma prevalência de 10-25% de depressão e 11-21% de transtornos ansiosos. Entretanto, apenas 20% das mulheres procuram tratamento e cerca de dois terços dessas pacientes não são diagnosticadas. O diagnóstico é mais difícil em grávidas, pois os sintomas presentes na gestação são parecidos com os de um quadro de depressão e ansiedade, como por exemplo cansaço, mudança de apetite, distúrbios do sono, diminuição da libido, dentre outros.

O estudante de medicina pela USP, Adrian Novelle, ingressou no projeto no início deste ano e explica que: "Um dos motivos das diagnosticadas não darem continuidade ao tratamento é, muitas vezes, a negação e o preconceito com o próprio diagnóstico psiquiátrico. Ainda há muito preconceito com transtornos mentais, as pessoas não querem tratamento, pois acham que só é tratado quem é louco e esse grupo populacional em específico (o de mulheres grávidas) é ainda mais vulnerável, já que a maioria não tem o amparo adequado de seus respectivos cônjuges ou familiares. 

No início de maio, o CFM (Conselho Federal de Medicina) regulamentou a telemedicina no Brasil. Assim, serviços médicos mediados por tecnologia podem ser feitos sem qualquer impedimento ou restrição. Segundo um estudo feito pela American Medical Association, 75% das visitas a serviços médicos regulares ou de emergência são desnecessárias, podendo ser feitas por telefone, chat, vídeo ou outras plataformas digitais. Adrian também reforça que, “Ao contrário do que se possa imaginar, o diagnóstico e tratamento online não é elitista. Na verdade, pode ser mais inclusivo do que se pensa, porque é muito mais fácil para pessoas que moram em regiões extremas terem acesso a um celular e a uma Internet, por mais que seja ruim, do que se locomover até um centro e hospital especializado. Então, ter a possibilidade de entrar em contato com  uma equipe de profissionais tão qualificados pela Internet, é uma alternativa bem interessante para quem tem dificuldade em acessar o serviço de saúde”. 

Após reunidos e trabalhados, os dados obtidos nas quatro pesquisas serão cruzados, gerando um monitoramento longitudinal de transtornos mentais desde a gravides até a adolescência. O pesquisador afirma que “ A gente vai ter um banco de dados gigantesco para poder incorporar a outras pesquisas. Um dos questionários que estamos aplicando é para a obtenção de dados sociodemográficos. Futuramente, a gente vai poder fazer o cruzamento desses dados e investigar se existe uma relação entre as tendências de mulheres grávidas que possuem transtornos mentais dependendo da classe social, da escolaridade, de onde moram e etc”. 

Atualmente, a plataforma DM Health é administrada pelo médico, psiquiatra e desenvolvedor Rodrigo Dias e sua equipe, por meio de um contrato previsto no orçamento. Adrian também afirma que, “A nossa intenção não é mercantilizar o app, mas é possível. Inclusive, há pessoas com essa intenção: o próprio desenvolvedor do software tinha a intenção de vender o app depois de comprovada a eficácia para empresas de convênio de saúde. Essas empresas têm muito interesse nesse tipo de trabalho, pois há um número expressivo de dados longitudinais coletados desde a gravidez até a adolescência… Vende bem.”

Atualmente, o projeto não tem data prevista para término, mas uma troca na empresa que administra a plataforma deve ocorrer em breve. Tendo em vista que o principal objetivo do projeto é definir se a tecnologia é eficaz para o rastreio de transtornos mentais, e não concentrar-se no tratamento de tais doenças, faz-se necessário atentar a utilidade do conjunto desses dados, para garantir que a pesquisa seja convertida em melhorias efetivas para o Sistema Único de saúde (SUS) e, não se torne mais uma ferramenta restrita aos convênios médicos. 
 

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Perda do pai ainda quando bebê, levou Laura Martins Paro a vivenciar importância da terapia como tratamento
por
José Pedro dos Santos
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30/06/2022 - 12h
Sessão de terapia Autora: zebradaa (Fernanda Bornancin)
Sessão de terapia zebradaa (Fernanda Bornancin)

Laura Martins Paro explica que a perda de seu pai quando ainda era bebê, acarretou um comportamento introvertido, apesar de ter diversos amigos na infância, além de achar que se não tivesse feito acompanhamento psicológico não seria quem é hoje. Segundo Ana Monteiro, mestre em linguística aplicada na PUC e psicanalista, a morte e o luto afetam cada um de uma forma singular e profunda, mas para a criança, essa perda pode ter consequências muito serias sem um acompanhamento.

Para a psicanalista, a importância da terapia de maneira geral está em permitir um melhor autoconhecimento, mas ao tratar sobre o luto, a possibilidade de ajudar na elaboração e compreensão da morte e a construção de um novo caminho sem a presença deste ente querido. A psicanálise e psicologia não são apenas para esse tipo de questão, podendo também atender pessoas que sofrem com outros tipos de problemas, como depressão e ansiedade e até mesmo pessoas que não são diagnosticadas, para ajudá-las a se entenderem melhor e controlarem melhor suas emoções e sentimentos.

A Psicanálise foi criada pelas ideias do médico Sigmund Freud, ela visa a procura do bem-estar do analisando a partir de uma série de introspecções que levam o mesmo a concluir e conseguir entender coisas de seu funcionamento por conta própria, partindo do auxílio de um psicanalista.

 

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A humanização proposta pelo voluntariado faz com que o hospital seja um ambiente mais confortável e acolhedor para pacientes internados ou em tratamento.
por
Sônia Xavier
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07/06/2022 - 12h

 

A atividade de Clown Care - cuidados com palhaços, em tradução livre - é uma prática de humanização hospitalar, na qual voluntários se vestem de palhaços e tentam de forma lúdica distrair pacientes da realidade carregada de estresse, ansiedade e melancolia dos hospitais. Conforme a história do movimento, a prática de palhaços-doutores teve início na década de 60, com participação do médico norte americano Hunter Adams - o Patch Adams -, que teria sido o primeiro a entrar num ambiente hospitalar vestido de palhaço a fim de levar alegria a pacientes que passavam dificuldades psicológicas e físicas por conta das suas enfermidades. 

O próprio Adams passou por um período de grave crise depressiva, logo após a morte do pai, chegando a se internar numa clínica psiquiátrica, percebendo assim que “o riso, a alegria e a criatividade são parte integrante do processo de cura” (The Gesundheit Institute). Em 1971, com ajuda de amigos, acaba fundando o Instituto Gesundheit para abordar todos os problemas de saúde em um único modelo. 

No Brasil o primeiro grupo de Clown Care foi o “Os Doutores da Alegria” criado pelo brasileiro Wellington Nogueira, em 1991, inspirado pelo projeto similar do qual participava em Nova Iorque - a Clown Care Unit . Hoje em dia são várias as instituições sem fins lucrativos que utilizam a arte do palhaço para desmistificar tratamentos e levar conforto a pacientes em situações sensíveis. O uso da dramaticidade e do improviso tenta reduzir o estresse e a ansiedade provocada pela rotina hospitalar, buscando aliviar e dar conforto psicológico e social para essas pessoas.

O simples fato de se caracterizar já atrai um novo olhar sobre o voluntário. Abgail Menezez, voluntária pelo Instituto Nenex desde 2019, relata a sensação de entrar como palhaço no ambiente hospitalar "Quando você entra num hospital sem estar caracterizado, as pessoas mal te olham, mas quando você se caracteriza todos te olham e geralmente abrem um sorriso, então o nariz de palhaço te dá liberdade pra falar com as pessoas, brincar”. 

Voluntários caracterizados de palhaços
Atendimento com voluntários caracterizados. (Foto: arquivo pessoal)

O voluntário coloca à disposição do paciente o prazer de rir, fazendo com que se sinta acolhido, o que para o psicoterapeuta Árlon Miqueias pode  fazê-lo acreditar mais na cura. Tal posicionamento também é partilhado pelo professor e psicólogo Claudinei Affonso, que acredita na mudança da postura perante o tratamento e, ademais, nas relações entre todos os atores que partilham do espaço, como médicos e acompanhantes. Para ele, "algumas intervenções auxiliam na forma como o paciente reage diante do tratamento, outras, ajudam na recuperação e, outras, resgatam a dignidade e identidade perdida em uma internação ou nos modos de tratamento”.

As ações também acrescentam muito na vida do voluntário. Abgail relata que acha o voluntariado muito gratificador: “É muito gratificante você chegar perto de uma criança, fazer bolinha de sabão e na hora ela parar de chorar, ou a enfermeira te chamar pra distrair a criança enquanto aplica a medicação, ou mesmo, colocar as senhorinhas pra dançar. Eu fico com uma sensação de que sirvo pra alguma coisa, mesmo que seja uma palhaçada, risos”. 

Menezez revela que na sua vivência, os adultos lhe parecem mais fragilizados e carentes. Ela acredita que como as crianças geralmente estão acompanhadas ou com brinquedos, elas se distraem com mais facilidade. Os adultos geralmente se sentem mais sozinhos: “ Às vezes, você quer sair do quarto e eles querem continuar conversando, isso é muito legal”. Com a ajuda desse mundo lúdico eles distraem e fazem com que o processo fique um pouco menos doloroso e como é uma atividade sem fins lucrativos é fácil sentir o carinho e o cuidado dos voluntários para com os pacientes “Eu quando estou sem o nariz sou uma pessoa, quando coloco o nariz sou outra. E o legal é que qualquer brincadeira que fizermos se não der certo não tem problema porque a gente é palhaço, se a gente canta e desafina não tem problema, a gente é palhaço”, ressalta Abgail. 

Voluntários caracterizados de palhaços
Palhaços em visita à hospital.(Foto: arquivo pessoal)

Dessa forma os doutores- palhaços têm auxiliado na recuperação de enfermidades físicas e mentais das pessoas, se preocupando com o bem estar delas num ambiente muitas vezes pesaroso. Levando a arte aos outros com amor e, claro, muito bom humor. 

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O que dizem os especialistas a respeito deste hábito?
por
Maria Eduarda Magalhães
Pedro Labigalini
Rafaela Eid
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24/09/2021 - 12h

Neste episódio, Eduarda Magalhães, Pedro Labigalini e Rafaela Eid contam a história da haste flexível de algodão, ou melhor, do cotonete. No bate-papo, a Dra. Gisele Bianchini, otorrinolaringologista, explica sobre o uso do cotonete. Afinal, é mesmo saudável?


O primeiro episódio da série "Desde Quando" já está disponível na plataforma do Spotify:
https://open.spotify.com/episode/7nxUYqH7Xrbzx0kPjPnZAa

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Nos primeiros meses de 2020, o país registrou 40 mil internações por falta de saneamento básico.
por
Bianca Monteiro e Raíssa Haddock Lobo
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08/07/2021 - 12h

A falta de saneamento básico não é novidade no Brasil. Entretanto, durante a pandemia de COVID-19, a falta de estrutura passou a contribuir com a transmissão do vírus. Podendo ser encontrar no ar e na água, o problema afetou justamente a parcela mais vulnerável da população: os moradores de baixa renda. 

Cristina Fonseca, 26 anos e mãe de três crianças pequenas, vive de perto a destruição causada pela estrutura precária, o desemprego, a falta de apoio estatal e as vidas perdidas pelo coronavírus. Até março de 2020, Fonseca conseguia alimentar as crianças com trabalhos periódicos, "bicos" como ela mesma chama de faxineira em casa de família, manicure e babá. Impossibilitada financeiramente de prover pelo os próprios filhos, ela teve que cuidar de outras crianças para garantir o minímo para as dela. O pai de seus filhos, uma paixão forte que durou só até a gravidez do terceiro bebê, não tem contato com ela nem com as crianças há mais de um ano. 

Quem a ajudava na manutenção da casa e nas contas do dia a dia era seu pai: "minha família sempre foi simples, nunca sobrou um real em casa. Mas meu pai também nunca deixou faltar, sempre me ajudou com as crianças e com as contas de casa." Infelizmente, a situação se agravou quando o pai de Cristina, um senhor de 67 anos foi diagnosticado com COVID-19 em setembro de 2020. "Entrei em desespero, os hospitais estavam todos lotados, eu e nem as crianças podíamos ficar perto dele. Ficou impossível de sair para trabalhar e nossa situação financeira piorou muito."

Cris, como gosta de ser chamada, acredita que ela mesma pode ter passado o vírus ao pai, "me culpo muito, mas eu não tinha o que fazer! O auxílio que o governo dá não dava pra nada e eu precisava sair para trabalhar para continuar colocando comida na mesa."

Na mesma época que Lourenço Fonseca, pai de Cristina, foi diagnosticado houve um surto de coronavírus na região. As áreas mais pobres das cidades de todo o Brasil foram as mais afetadas pelas altas taxas de contaminação e número de óbitos. Essa epidemia singular se deu porque para essa população, seguir as recomendações convencionais de prevenção à COVID-19 não é tarefa fácil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), 10% das casas têm falta de água, pelo menos, uma vez por semana. O acesso à água potável é uma das instalações de saneamento básico.  

Na casa da família Fonseca não era diferente. A falta de água era mais cotidiano para eles do que a presença. O cotidiano para as crianças, a mãe e o avô era encher baldes para que fosse possível fazer o básico da higiene pessoal e pudessem cozinhar e ter um pequeno estoque do líquido em casa. A água parada, a impossibilidade de manter a quarentena, a necessidade de trabalhar fora de casa, o desemprego e a falta de um auxílio emergencial justo fez com que muitos moradores não conseguissem cumprir as medidas de isolamento social. Em entrevista, o médico infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia, Renato Grinbaum, explica que esses fatores foram extremamente prejudiciais para a saúde dessas famílias em vulnerabilidade. O tamanho e a estrutura das casas também faz diferença, a falta de ventilação e de cômodos para isolamento tornou a vida dessas famílias ainda mais complicada. 

Durante a pandemia, a desigualdade social ganhou ainda mais evidência. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de brasileiros em extrema pobreza triplicou entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021: o país saltou de 9,5 milhões para 27 milhões de pessoas.

No caso da família Fonseca, que já lutava contra as estatísticas a situação tomou outro rumo quando Lourenço veio a óbito, por causa de complicações devido ao COVID-19. "Agora só me resta meus filhos, não tenho emprego, o auxílio do governo só diminuiu e não consigo mais segurar as pontas seu meu pai. Dói muito a falta dele, tanto dentro de mim quanto em casa." Cris tem família no interior de São Paulo e, assim que conseguir juntar dinheiro para sua passagem e das crianças, pretende pegar a estrada para nunca mais voltar. "Vou atrás de dignidade."

 

Como o assunto reverbera na internet e entre especialistas  

 Raul Santiago, morador do Complexo do Alemão, criou a hashtag #diáriodeumfaveladonapandemia poucos dias após a Organização Mundial da Saúde decretar a pandemia em março de 2020. Na ocasião, o morador e ativista social na ONG Papo Reto, estava sem água em casa há 3 dias. 

Nas redes sociais, Raul ensina os moradores a lavarem as mãos com a menor quantidade de água. Em um tweet de abril de 2020, explicou como ele e a família costumam fazer para estocar (e manter a água limpa) durante a pandemia.

A falta de água durante a pandemia não afeta apenas a parte da higiene básica, mas pode contribuir para espalhar o vírus. O projeto "Estação de Tratamento de Efluentes Sustentáveis ​​do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia", da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), confirmou a presença do vírus Sars-Cov-2 em esgotos perto dos hospitais da cidade. Isso facilita a possibilidade de infecção pelo contato com a água não tratada - o vírus resiste até 10 dias nesses locais. 

O médico infectologista, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor na faculdade de medicina do ABC, Munir Aiub, apontou que o esgoto rastreia o coronavírus nos bairros: “O vírus é excretado pelas fezes e pela urina. Com a coleta de amostras de esgoto, podemos inferir como está a distribuição da doença em determinada região.”

Aiub comentou sobre projetos não concluídos de tratamento de esgoto e criticou o Estado por não investir o suficiente no saneamento básico. Para o infectologista, o governo pode melhorar a situação ao investir o dinheiro das "coletas de impostos e arrecadação pela União” nos serviços de esgoto.

O infectologista afirmou que o ciclo de doenças e internações continuarão existindo caso o governo federal, municipal ou estadual não olhe para o saneamento básico. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), o país teve 40 mil internações em 2020. Isso custou cerca de R$ 16 milhões ao Brasil.        

Em 2018, dados do Trata Brasil registraram 233.880 internações e 2.180 óbitos por doenças causadas em função do contato com esgoto. Por Bianca Ferreira

 

A importância do saneamento antes, durante e depois da COVID-19

Para Juliana de Lemos, bióloga e professora, oferecer saneamento básico com logística é essencial: “A importância das instituições que gerenciam instrumentos de saneamento básico desde o planejamento atuam nessa área.”                                   

A professora reforçou a importância de um saneamento básico de qualidade para combater doenças: “Quando as formas de transmissão estão ligadas com o mantimento da saúde das pessoas e do meio ambiente ou quando o saneamento básico não existe ou tem problemas, os organismos se tornam mais vulneráveis a contrair doenças causadas por vírus.”

Sobre as medidas para evitar danos ao meio ambiente por conta do saneamento básico, a bióloga pontua três ações: presença de órgãos gestores para planejar instrumentos de saneamento básico e garantir sua distribuição; consulta constante com instituições especializadas na área; contato com pessoas diretamente afetadas pela situação.

O saneamento básico é um direito garantido na Constituição e pela Lei 11.445/07. Ele assegura a distribuição de água potável, a coleta e tratamento do esgoto, a drenagem urbana - que lida com a água da chuva -, e a coleta de resíduos sólidos para todos. 

Em levantamento do Ranking de Saneamento de 2020, 100 milhões de brasileiros não possuem cobertura da coleta de esgoto e 35 milhões não usufruem de água tratada. 

No Brasil, uma em sete casas não está ligada à rede de água. Dados do Trata Brasil em 2016 apontam 9,6 milhões de residências sem água na torneira e cerca de 90% do esgoto em áreas irregulares nas 100 maiores cidades do país.

 

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