Robótica, inteligência artificial e novas ferramentas já fazem parte da prática médica, mas formação profissional, custos e desigualdade ainda limitam sua expansão
por
Amanda Furniel
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19/10/2026 - 12h

Por Amanda Furniel

 

A medicina do futuro talvez não tenha chegado exatamente como foi imaginada. Não há, necessariamente, um robô tomando o lugar do médico ou uma inteligência artificial decidindo sozinha o destino de um paciente. O que existe é algo mais silencioso: telas substituindo livros, algoritmos auxiliando decisões, imagens cada vez mais precisas e braços mecânicos entrando nas salas de cirurgia. Aos poucos, a tecnologia deixa de ser promessa e passa a fazer parte da rotina de quem está aprendendo a cuidar de pessoas.

É o caso de Vitória Santana, estudante de medicina pela Universidade de Salvador (UNIFACS), Ela conta que essa transformação começa antes mesmo de vestir o jaleco. A biblioteca, que durante décadas esteve associada às estantes cheias de livros e às longas horas de consulta, agora cabe dentro de uma tela. Livros físicos deram lugar aos e-books, artigos científicos podem ser acessados em poucos segundos e aplicativos oferecem desde calculadoras médicas até plataformas de preparação para as provas de residência.

A tecnologia, portanto, já não aparece como um elemento externo à formação médica. Ela é parte dela. É uma presença tão constante que se tornou, nas palavras da estudante, indissociável da formação de um médico. Mas existe uma diferença entre aprender com a tecnologia e aprender a trabalhar com ela. Apesar de estar cercada por ferramentas digitais durante a graduação, Vitória percebe que a formação ainda não acompanha a velocidade com que essas ferramentas surgem. A grade curricular de sua faculdade, por exemplo, não contempla de maneira suficiente disciplinas voltadas à tecnologia. A experiência com cirurgia robótica tampouco costuma fazer parte do percurso obrigatório. Quando acontece, muitas vezes é porque o próprio estudante decidiu procurar atividades extracurriculares.

É nesse intervalo entre o que a medicina já consegue fazer e aquilo que os futuros médicos estão aprendendo, que surge uma das questões centrais dessa transformação. A tecnologia avança em ritmo acelerado. Mas a formação, nem sempre. Ainda não há um levantamento nacional que mostre quantas faculdades de Medicina incluem a cirurgia robótica como disciplina obrigatória. O que se observa, nas instituições que já oferecem contato específico com a tecnologia, é que esse aprendizado costuma aparecer como disciplina optativa, atividade extensivas ou treinamento em simuladores.

episódio de greys anatomy
Cena do episódio 22, da temporada 10, mostra um exemplo claro da tecnologia sendo usada dentro da medicina.

Na sala de cirurgia, entretanto, essa velocidade pode representar ganhos concretos. A cirurgia robótica permite ao profissional realizar movimentos com um grau elevado de precisão, alcançando determinadas estruturas por caminhos mais específicos e reduzindo a possibilidade de atingir tecidos que não deveriam ser afetados. O resultado pode ser uma intervenção menos invasiva e, consequentemente, uma recuperação mais rápida para o paciente.

O robô, porém, não opera sozinho. Por trás dos braços mecânicos existe uma equipe. E, por trás da equipe, existe um profissional tomando decisões. É justamente nesse ponto que a estudante enxerga um limite importante para a expansão tecnológica. Para ela, inteligência artificial, cirurgia robótica ou qualquer outra ferramenta não substituem o médico. São extensões de suas habilidades. A conduta continua dependendo da avaliação humana, assim como o raciocínio clínico necessário para compreender um paciente para além dos dados que aparecem em uma tela. Essa fronteira se torna ainda mais importante quando a tecnologia deixa a sala de cirurgia e encontra o paciente.

Vitória ainda tem dificuldade para imaginar como será, no futuro, a relação entre médico, paciente e tecnologia. Mas há algo que ela sabe que não gostaria de perder: o contato humano. Uma consulta não é feita apenas de sintomas, exames e diagnósticos. Existe aquilo que o paciente diz e também aquilo que não consegue dizer. Existem demandas que aparecem em um gesto, em uma hesitação ou na maneira como alguém conta o que está sentindo. Ela entende que a tecnologia não pode criar uma distância onde antes existia vínculo. Afinal, a relação entre médico e paciente também interfere na adesão ao tratamento e na capacidade do profissional de perceber necessidades que não aparecem nos exames.

A medicina tecnológica carrega a promessa de tornar os procedimentos mais precisos mas, paradoxalmente, ela também traz uma indagação menos tecnológica sobre quem terá acesso a esse tipo de procedimento. No Brasil, incorporar um dos avanços mais significativos da área médica, a cirurgia robótica, ao sistema público não significa simplesmente comprar um robô. É preciso ter um hospital capaz de receber o equipamento, infraestrutura adequada, manutenção e profissionais preparados para utilizá-lo. E a capacitação não termina no cirurgião. Instrumentadores e outros integrantes da equipe também precisam aprender a trabalhar com aquela tecnologia. A formação adequada vai muito além apenas de quem usa o jaleco, ela passa por cada profissional que atua no hospital. Esse conjunto de exigências transforma o preço do equipamento em apenas uma parte da discussão. O desafio está em criar condições para que a tecnologia funcione de fato.

A estudante acredita que esse processo ainda pode levar alguns anos, mas vê na robótica possibilidades que vão além do ambiente dos hospitais privados. A telecirurgia, por exemplo, permite imaginar um cenário em que especialistas possam participar de procedimentos realizados a distância, com o apoio de uma equipe presencial. Para ela, essa possibilidade deveria entrar também na conta dos gestores quando se pensa em orçamento e acesso à saúde.

Entretanto democratizar a tecnologia não significa distribuí-la de maneira aleatória. Antes de decidir qual equipamento deve chegar a um hospital público, seria necessário olhar para duas coisas: a capacidade daquela instituição de receber a tecnologia e as necessidades da população que ela atende. Vitória entende que não faria sentido instalar uma estrutura caríssima para cirurgias robóticas ortopédicas em uma região cuja principal demanda seja por procedimentos urológicos, por exemplo.

A medicina do futuro, nesse sentido, também precisaria aprender a olhar para o presente. A inovação só faria sentido se respondesse às necessidades reais dos pacientes. Caso contrário, corre o risco de se transformar em mais um marcador de desigualdade: uma tecnologia sofisticada disponível para poucos enquanto grande parte da população permanece distante dela.

Para a nova geração de médicos, talvez esse seja justamente um dos maiores desafios. Não basta aprender a utilizar as ferramentas que já existem. Será necessário acompanhar aquelas que ainda estão sendo criadas, atualizar-se constantemente e entender até onde cada recurso pode contribuir para o trabalho médico.

Porém, ao mesmo tempo, existe o risco inverso: confiar demais na tecnologia.

Vitória defende que o futuro médico precisa ser capaz de desenvolver seu próprio raciocínio clínico mesmo quando não houver uma ferramenta disponível ao lado. Uma inteligência artificial pode oferecer uma informação rapidamente. Um equipamento pode produzir uma imagem com precisão. Um robô pode executar movimentos que seriam mais difíceis para as mãos humanas. Nenhum deles, porém, deveria retirar do médico a autonomia para compreender o caso e decidir o caminho a seguir.

Talvez seja justamente nessa autonomia que esteja uma das fronteiras da medicina tecnológica. Porque, enquanto máquinas podem calcular, ampliar, localizar, movimentar e até sugerir, ainda existe algo que a tecnologia não aprendeu a fazer: sentir.

Para a estudante, a empatia continuará sendo indispensável. O paciente não é apenas um organismo que apresenta sintomas. É alguém atravessado por questões psicológicas, sociais e emocionais. É nesse território que a medicina deixa de ser apenas técnica e volta a ser encontro entre pessoas. O desafio dos futuros médicos não parece ser escolher entre o jaleco e o robô, é aprender a usar o robô sem esquecer quem está do outro lado da mesa de cirurgia.

A medicina brasileira caminha para um cenário em que tecnologia e cuidado precisarão coexistir. O avanço dos equipamentos pode tornar procedimentos mais precisos e menos invasivos, enquanto a inteligência artificial e outras ferramentas prometem ampliar as possibilidades de diagnóstico e tratamento. Mas a velocidade dessa transformação não garante que ela será igualmente acessível.

Entre o hospital equipado e aquele que ainda não possui estrutura, entre o estudante que encontra uma atividade extracurricular e aquele que nunca teve contato com a robótica, existe uma distância que a tecnologia, sozinha, não consegue atravessar. É nessa distância que se encontra a verdadeira questão sobre a medicina do futuro: não apenas até onde as máquinas serão capazes de chegar, mas até onde o sistema de saúde brasileiro, mesmo com todos os desafios, conseguirá levá-las, e para quem elas serão oferecidas.

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Pesquisadores documentam falhas graves em chatbots usados para terapia
por
Rafael Jorge
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28/09/2026 - 12h

Por Rafael Jorge

 

Marina abre o aplicativo às 23h47min. A tela ilumina o teto do quarto, e ela digita devagar, como quem ainda está decidindo se vale a pena continuar acordada só para falar sozinha, embora, tecnicamente, não esteja. A resposta chega em menos de três segundos. É gentil, bem construída, sem pressa nenhuma, o tipo de calma que ninguém tem à meia-noite de uma terça-feira. A IA valida o que ela sente, pergunta com delicadeza sobre o que Marina lembra do pai, sugere técnicas de respiração para quando a culpa aperta o peito. Marina se sente ouvida. É a quarta noite seguida que ela conversa assim.

Marina tinha uma psicóloga, pelo plano de saúde, uma sessão por semana havia dois anos. Depois da morte do pai, ela pediu para aumentar a frequência. A operadora negou duas sessões mensais era o limite do plano básico, e mudar de categoria significava esperar noventa dias de carência. A psicóloga particular que ela pesquisou cobrava o equivalente a um terço do salário de Marina por mês. Ela fez as contas, adiou a decisão, e uma noite, sem premeditação, abriu o aplicativo de IA que já usava para revisar e-mails de trabalho.

Essa combinação, acesso limitado a profissionais, custo alto, disponibilidade zero de plantão emocional, é exatamente o que pesquisadores apontam como motor do fenômeno. Um levantamento da Harvard Business Review, divulgado em 2025, colocou "terapia e companhia virtual" no topo da lista dos dez usos mais comuns de inteligência artificial generativa no mundo, à frente de tarefas como redigir textos ou programar. Não é um uso marginal, é, hoje, um dos motivos centrais pelos quais as pessoas abrem esses aplicativos.

A explicação não é misteriosa. A tecnologia oferece coisas que o sistema de saúde mental, sobrecarregado em quase todos os países, frequentemente não consegue oferecer como resposta imediata, ausência aparente de julgamento e custo zero. Para uma geração que já resolve boa parte da vida prática pelo celular, conversar com um chatbot às vezes parece menos custoso socialmente, do que ligar para alguém e admitir que a noite está difícil.

Nas primeiras semanas, a experiência de Marina com a IA foi, à primeira vista, positiva. As respostas são organizadas, empáticas, cheias de validação, "faz muito sentido você sentir isso", "é completamente compreensível", "você está sendo gentil consigo mesma ao reconhecer isso". Ela nunca se sente julgada. Nunca é interrompida. Nunca precisa esperar uma semana para desabafar de novo.

É exatamente aqui que pesquisadores identificam o primeiro risco relevante, a validação automática excessiva. Um chatbot de uso geral é, em boa medida, otimizado para manter a pessoa engajada na conversa, o que na prática costuma significar concordar, acolher, suavizar qualquer atrito. Isso é agradável, mas pode ser o oposto do que uma análise de verdade frequentemente exige, que é também confrontar padrões de pensamento, questionar narrativas e, por vezes, gerar um desconforto que é parte do processo terapêutico. Um estudo apresentado neste ano na Conferência AAAI/ACM sobre Inteligência Artificial, Ética e Sociedade, conduzido por pesquisadores da Universidade Brown, mapeou quinze riscos éticos distintos em chatbots que atuam como conselheiros de saúde mental. A equipe reuniu sete conselheiros treinados em terapia cognitivo-comportamental para conduzir sessões simuladas com sistemas como o ChatGPT, o Claude e o Llama, usando como base conversas reais de aconselhamento humano, psicólogos clínicos licenciados revisaram depois as transcrições em busca de violações éticas. Entre os problemas identificados estavam justamente respostas que reforçavam, em vez de questionar.

Marina não sabe nada disso. Para ela, a validação constante é só um alívio depois de meses tensos. É difícil perceber um risco que se parece, ponto a ponto, com aquilo que ela mais precisava, alguém que não a interrompesse.

Numa quinta-feira, algumas semanas depois da primeira conversa, Marina escreve algo diferente. Não é um pedido de ajuda explícito, é uma frase solta no meio de um desabafo mais longo, "às vezes eu queria só dormir”. A IA responde com empatia, sugere técnicas de manejo de ansiedade, pergunta como ela está se sentindo agora. Não pergunta diretamente o que ela está pensando. Não menciona um número de apoio. Não sinaliza, de forma clara, a gravidade daquela frase.

Nada de irreversível acontece com Marina naquela noite. Ela fecha o aplicativo, dorme mal, acorda cansada. Mas o episódio é um acidente que, multiplicado por milhões de conversas ao redor do mundo, revela por que organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiram tratar o tema com urgência, em janeiro deste ano, a entidade reuniu pesquisadores, gestores públicos e profissionais de saúde para discutir especificamente o uso de IA em contextos de saúde mental, e elaborou recomendações que incluem avaliar o impacto psicológico dessas ferramentas antes da liberação ao público.

Passado o susto daquela noite, Marina continua usando o aplicativo, só que com mais cautela, evitando tocar de novo naquele assunto. O que muda, sem que ela perceba claramente, é o entorno da sua vida. A irmã liga, Marina atende, mas as conversas ficam mais curtas, porque ela já "desabafou" à noite, com a IA. A psicóloga, que ela ainda vê uma vez por semana, comenta que Marina parece mais fechada nas sessões, como se já tivesse processado tudo sozinha antes de chegar ali.

Há mais uma camada, menos visível no dia a dia de Marina, mas presente em quase todos os relatos sobre o tema, a privacidade. Nas conversas de madrugada, ela compartilhou informações extremamente íntimas, luto, culpa, pensamentos e detalhes da relação com o pai que nunca contou a ninguém além da psicóloga. Dependendo da plataforma e de suas políticas de uso de dados, esse tipo de conteúdo pode ser armazenado, processado ou, em alguns casos, utilizado para aprimorar versões futuras do próprio sistema, uma condição que a maioria dos usuários aceita em termos de uso que raramente lê até o fim.

Essa é, talvez, a linha mais difícil de enxergar quando se está do outro lado da tela, às 23h47min, sem ninguém mais para conversar. Marina não fez nada de errado. Ela só usou a ferramenta que estava disponível, gratuita e sempre acordada. O problema nunca esteve inteiramente nela, está na distância entre o que a tecnologia parece oferecer e o que ela não sabe fazer, reconhecer uma crise, dizer um "não" que ajude, e insistir para que alguém procure, de verdade, o cuidado humano que nenhuma resposta gerada em três segundos consegue substituir.

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Pesquisas da UNICAMP e de uma universidade da Espanha comprovam que consumidores acham produtos com proteína mais saudáveis sem ver sua composição nutricional
por
martim tarifa
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28/09/2026 - 12h

Por Martim Tarifa

 

Fábio tem 26 anos e desde criança quase sempre esteve acima do peso. Com o passar do tempo e principalmente durante a pandemia, Fábio se tornou obeso devido a um período difícil em questão de sua saúde mental. Ele terminou a escola durante a quarentena e se viu sem chances de ingressar em uma universidade ou arranjar um emprego. 
Com o fim da pandemia, o principal objetivo era recuperar sua saúde física e mental,  para depois pensar o que fazer da vida.

Fábio fez da academia um hábito. Executava os exercícios corretamente e se mantinha disciplinado na dieta, mas não via grandes resultados. Assim ele acabou transferindo a culpa para si mesmo e voltou a ter depressão, deixou de frequentar a academia e começou a focar apenas no emprego que havia arrumado a pouco tempo. 

Foi apenas cerca de 1 ano depois que Fábio decidiu se consultar com uma nutricionista presencialmente. Apresentando toda a sua rotina da época em que estava praticando atividade física regularmente, ficou claro para a profissional que o problema estava na alimentação. Apesar da dieta estar correta, toda proteína consumida por Fábio vinha de alimentos ultra processados e ou altos em gordura e açúcar. Algo que o jovem nem tinha parado para pensar, pois imaginava que por ter proteína e ser indicado por pessoas do mundo fitness, esse produto seria saudável. Depois disso Fábio retomou a musculação e o acompanhamento nutricional com profissionais que estavam o auxiliando de verdade e mantinham contato presencial.

 

Com o crescimento da recente moda de adição de proteína em alimentos comuns, o consumidor deve ficar alerta em como isso é uma estratégia de marketing das empresas. Ter proteína extra não torna um alimento necessariamente saudável. Um produto ultra-processado com altos índices de açúcar e ou sódio não se torna bom para a nossa saúde apenas por ter mais proteína. Porém o consumidor ainda não percebeu isso e as empresas do ramo alimentício estão aproveitando essa oportunidade. 

Uma pesquisa realizada pela FCA da UNICAMP (Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade de Campinas) entrevistou 412 pessoas para entender como essa adição de proteína principalmente destacada nos rótulos dos produtos afetava a preferência de compra dos consumidores. E os resultados confirmam a tese de que um produto ultra-processado ganha uma nova chance com os consumidores apenas por possuir no rótulo o selo light, fit, saudável e proteico. Todos os entrevistados se mostraram afetados por esse padrão. Até mesmo os consumidores que dizem não se importar com a saúde, disseram escolher alimentos com essa característica, por mais que sem saber, a fórmula continuasse a mesma em muitos casos. 

Outro estudo, publicado na revista científica Nutrients, e conduzido por pesquisadores da Universidad Complutense de Madrid, analisou 36 produtos processados enriquecidos com proteína vendidos em supermercados da Espanha. O nível de proteína desses produtos variava de 10% a 88%, mostrando o quanto essa "dose extra" pode ser exagerada. Segundo a pesquisa, apenas uma porção de alguns desses produtos, somada a 150g de carne no dia, já é suficiente para ultrapassar toda a recomendação diária de proteína de uma pessoa, chegando a até 306% do necessário em mulheres e 232% em homens. O consumidor pode estar exagerando no consumo sem nem perceber, apenas por confiar no rótulo. O estudo também aponta riscos desse excesso: o risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2 pode aumentar entre 20% e 40% a cada 10g de proteína consumida além do necessário, além de possíveis efeitos negativos na microbiota intestinal e até ganho de peso, quando o excesso de proteína não vem acompanhado de uma redução de carboidratos ou gorduras na dieta.

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Barras de proteína são o principal alimento ultra processado do mundo fitness. 


No caso de Fábio foram as dicas de exercício, dieta e suplementos que o auxiliaram. Disse que sabia nada de academia, dieta e proteína. Tudo aprendeu na Internet. Hoje está conseguindo emagrecer e tem uma saúde mental estável para enfrentar o dia-a-dia.

Por isso é essencial que o consumidor aprenda a checar o rótulo corretamente antes de confiar apenas no que está estampado na embalagem. O primeiro passo é ignorar as chamadas na frente do produto, como "rico em proteína" ou "fit", e ir direto para a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Nessa lista, os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade, ou seja, os primeiros da lista são os que mais compõem o produto. Se açúcar, xarope de glucose ou gordura vegetal aparecerem entre os primeiros, é um sinal de alerta, mesmo que a proteína esteja em destaque na embalagem. Outro ponto importante é observar o tamanho da porção usada como referência na tabela nutricional, já que muitas vezes as empresas calculam os valores para porções pequenas, fazendo o produto parecer mais saudável do que realmente é quando consumido na quantidade real. Por fim, vale comparar o produto "fit" com a versão tradicional do mesmo alimento, olhando lado a lado os valores de açúcar, sódio e gordura saturada, para entender se a diferença é real ou apenas uma estratégia de marketing.
    

    

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Consultas, cirurgias e anos de dor fazem parte da rotina de mulheres com endometriose, que enfrentam o desafio de serem levadas a sério
por
Maria Clara Palmeira
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28/09/2026 - 12h

Por Maria Clara Palmeira

 

Antes mesmo de saber o nome da doença, Carolina já conhecia a dor e Liliane Lima  levou quase sete anos para descobrir o que provocava as crises que a faziam abandonar o trabalho e procurar o pronto-socorro. Separadas por décadas e por experiências muito diferentes de acesso à informação e ao atendimento médico, as duas têm em comum uma doença que pode transformar a menstruação em um obstáculo para a vida cotidiana. A endometriose, caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, ainda pode levar anos para ser diagnosticada e, nesse intervalo, muitas mulheres aprendem a conviver com uma dor que nem sempre é levada a sério.

A doença inflamatória e crônica que ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o interior do útero, se desenvolve em outras regiões do organismo. As lesões podem atingir os ovários, as trompas, o intestino, a bexiga e outras estruturas da região pélvica. A doença pode provocar cólicas intensas, sangramento, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias e dificuldades para engravidar. A intensidade dos sintomas varia entre as pacientes, mas, nos casos mais graves, a dor pode deixar de ser apenas um sintoma associado à menstruação e passar a determinar a rotina de quem convive com ela.

Carolina menstruou pela primeira vez aos 13 anos. As dores, porém, já faziam parte de sua vida antes mesmo da primeira menstruação. Quando o ciclo chegou, a intensidade dos sintomas deixou de parecer apenas uma característica da adolescência, o fluxo era muito intenso, as cólicas eram fortes e os dias de menstruação passaram a interferir na rotina. 

A família conhecia a doença por conta do seu histórico familiar e, por isso, Carolina teve acesso desde cedo a uma ginecologista que já acompanhava sua mãe. Aos 14 ou 15 anos, depois de passar por exames, recebeu a confirmação, o diagnóstico chegou cedo, mas não significou que o tratamento seria simples. Diz que sempre se sentiu muito segura (com a ginecologista), ainda mais por a conhecer desde pequena. Sua mãe já fazia acompanhamento com ela, por isso cresceu tendo essa referência. Quando começou a sentir tudo aquilo, já sabia que podia ser endometriose e conseguiu investigar mais rápido.

Durante o tratamento, Carolina passou por aproximadamente sete anticoncepcionais diferentes até encontrar um que conseguisse controlar os sintomas. Por cerca de três anos, emendou as cartelas e deixou de menstruar, a estratégia permitiu que mantivesse uma rotina que, durante os períodos de crise, ficava praticamente impossível. Ela conta que era praticamente impossível ter ciclo, porque sempre Carolina parava no hospital. Quando menstruava, não conseguia seguir a vida normalmente, mas, finalmente, encontrou um anticoncepcional que funcionava, foi importante para que ela conseguisse voltar a ter uma rotina.

A endometriose afeta cerca de 7 a 8 milhões de mulheres no Brasil, o que representa entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva
A endometriose afeta cerca de 7 a 8 milhões de mulheres no Brasil, o que representa entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva

A história de Liliane seguiu por outra direção, em 1999, aos 28 anos, ela começou a sentir dores fortes antes, durante e depois da menstruação. Moradora da Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo, procurou os serviços públicos de saúde da região. Passou por postos, foi encaminhada para outros atendimentos e chegou à Santa Casa, entretanto, não recebeu um diagnóstico. A cada novo ciclo, a resposta era voltada para o alívio imediato da dor.

A menstruação de Liliane durava sete dias e vinha acompanhada de sangramento intenso e muitos coágulos e em algumas ocasiões, o sangue atravessava a roupa enquanto ela estava trabalhando e era preciso voltar para casa. A perda frequente de sangue provocava anemia e, nas crises mais fortes, ela precisava receber Tramal pela veia. Ela conta que sua menstruação durava sete dias, sempre muito intensa e com coágulos. Por quase sete anos, ela procurou uma resposta. A encontrou apenas em 2006, depois de conseguir um plano de saúde e na primeira consulta com um novo ginecologista, a possibilidade de endometriose foi levantada e os exames confirmaram a doença. O diagnóstico chegou quando o quadro já estava avançado. No ano seguinte, Liliane passou pela primeira cirurgia. O médico encontrou uma grande quantidade de aderências e precisou interromper o procedimento diante do risco de atingir outros órgãos. Em 2008, passou por uma segunda cirurgia, desta vez por videolaparoscopia, para retirar parte das aderências.

Foi durante esse processo que ouviu dos médicos que teria menos de 1% de chance de engravidar, a possibilidade de não ser mãe foi uma das partes mais difíceis do tratamento. Liliane queria muito ser mãe e quando o médico fala que a possibilidade de engravidar é praticamente nenhuma, mexe com o psicológico daquela mulher, as vezes até mais que a própria dor física. Precisar trabalhar o psicológico, o emocional, fazer o tratamento, passar por cirurgia e, ao mesmo tempo, saber que talvez não consiga realizar um sonho é difícil. A dor voltou ainda mais forte em 2009. Depois de enfrentar outras complicações de saúde, Liliane finalmente passou por uma histerectomia em outubro daquele ano. A cirurgia marcou uma mudança na relação com a dor que havia acompanhado sua vida durante uma década. Depois que tirou o útero, as dores praticamente cessaram. Liliane comenta que é uma diferença muito grande para quem passou tantos anos vivendo com dor. Mesmo depois com toda a adaptação, ela conta que existem outras fases como a menopausa, da alimentação, da atividade física. Apesar disso, quela dor que fazia parte da rotina praticamente deixou de existir.

Enquanto Liliane atravessava anos de consultas sem diagnóstico, Carolina tinha uma trajetória marcada pelo acompanhamento desde a adolescência. Ainda assim, anos depois, também precisou voltar ao ponto de partida: a dor. Em 2025, uma crise levou Carolina ao hospital. Ela havia procurado atendimento para receber medicação, mas sua médica decidiu solicitar uma ressonância magnética diante da suspeita de que a endometriose pudesse estar comprometendo outras estruturas. A cirurgia, que já estava prevista para acontecer em algum momento, acabou sendo antecipada.

A procura por respostas também levou Carolina a buscar outros médicos. Em uma dessas consultas, ouviu que a dor poderia ser psicológica, a fala teve um peso diferente porque vinha depois de uma cirurgia e de anos de acompanhamento médico. Liliane também conhece a sensação de procurar ajuda e não encontrar acolhimento, durante os anos em que utilizou o sistema público de saúde, ela diz que ninguém conseguiu investigar a origem das dores. Para ela, mesmo que determinados exames não estivessem disponíveis naquele momento, uma orientação poderia ter mudado o percurso.

As duas relatam que endometriose atravessou a vida para além dos consultórios e hospitais. A dor interferia no trabalho, nos compromissos e na possibilidade de planejar atividades simples. Apesar do transtorno, depois do diagnóstico, Liliane passou a falar mais sobre a doença quando amigas relataram cólicas fortes. Algumas procuraram ginecologistas e descobriram também a mesma doença. Para ela, falar sobre o assunto é também uma maneira de evitar que outras mulheres passem anos sem entender o que acontece com o próprio corpo. Ela alerta, que se a cólica é tão forte que você não consegue trabalhar, não consegue sair da cama, não consegue fazer a sua vida, procure um ginecologista e investigue.

É nesse intervalo entre a primeira queixa e a investigação que as histórias de Carolina e Liliane se encontram. Uma teve a possibilidade de investigar cedo por conhecer a doença dentro de casa, a outra precisou atravessar quase sete anos de consultas e crises até ouvir o diagnóstico. Entre as duas, permanece uma questão que ultrapassa a experiência individual: quanto tempo uma mulher precisa sentir dor até que alguém decida investigar o que seu corpo está tentando dizer?

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As pessoas relatam porque ainda não foram ao posto de saúde se proteger
por
Daniella Ramos
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28/09/2026 - 12h

Por Daniella Ramos

 

Paola Barbosa, 26 anos, moradora da Zona Leste de São Paulo, enfrenta dificuldade para conseguir se vacinar contra o sarampo. Até o momento, o estado de São Paulo registrou 37 casos e precisou ampliar sua vacinação.  Ela acorda às 5h da manhã todos os dias, sai para o trabalho às 6h e só volta para a casa às 23h, os postos de saúde costumam abrir às 7h e fechar às 19h, logo, a estudante de publicidade, se vê sem opções: sai de casa antes do posto abrir e volta depois que ele já fechou. 

Além da rotina exaustiva, os finais de semana servem como um respiro para conseguir aguentar mais uma nova semana intensa. Paola se vê entre escolher ter dinheiro para sobreviver ou ter tempo para cuidar de sua saúde. O capitalismo que move o mundo, acaba remoendo a vida da estudante em seu cotidiano e nos seus costumes. Em razão disso ela só foi ter noção de como estavam as condições da população sobre a vacinação do sarampo através de amigos que contaram para ela, em conversas descontraídas, que tinham se vacinado, pois no seu dia a dia e nas suas redes sociais, Paola não teve acesso a essa informação.

Para entender porque Paola não teve acesso à essa informação de interesse público, basta entender a lógica dos algoritmos. Um conjunto de sistemas automatizados aprenderam o que prende a atenção de cada pessoa e, a partir dessas informações, esse sistema consegue montar, em frações de segundo, um feed personalizado para cada usuário. 

O algoritmo de Paola não trouxe à ela uma informação que é de necessidade pública, que precisaria ser passada a todos, mas que não é de interesse capital, principalmente para META e o X, o que faz com que nas redes ela não tenha tão facilmente esse acesso ao que estava ocorrendo. Mas não só ela foi afetada.

Nathalia Ayub, 24 anos, publicitária da zona sul de São Paulo, passa pelo mesmo problema. Sai de casa antes do posto de saúde abrir e volta quando ele já está fechado, mas relata um diferencial: embora se tenha tentado se planejar para tomar a vacina no horário de almoço. percebeu que não havia nenhum posto de saúde perto o suficiente para ir dentro do período liberado.  Ayub ainda chegou a ter atenção nas propagandas dos relógios de rua, pois dentro do ônibus viu de longe a mensagem que os postos funcionariam aos sábados para tentar atender a população, mas com os trabalhos freelancers que ela exerce para ter uma renda extra, também não conseguiria ir no final de semana.

Ainda interessada pela vacina, Nathalia faz questão de ressaltar possibilidades para melhoria da vacinação em seu bairro de forma que ela pudesse ser contemplada também: para além da vacinação em algumas estações de metrô, ela sugere que sejam em várias estações por vários dias e tentar parcerias com supermercados, padarias e farmácias para que houvessem mais opções de lugares para se prevenir contra o sarampo. 

Assim como Paola, o algoritmo de Nathalia em nenhum momento chegou a sugerir para ela qualquer tipo de informação sobre a vacinação. Se a publicitária não tivesse a curiosidade de olhar para fora na janela de ônibus, talvez nem soubesse quais meios de poderia usar para se vacinar.

Entre 3 e 19 de agosto, a Secretaria Municipal da Saúde registrou a aplicação de 1.045.758 doses em um estado que tem 46.179.008 pessoas. 

Uma pesquisa do DataSenado aponta de 54% dos brasileiros têm meios digitais como principal fonte de notícias. Para as entrevistadas, o melhor seria uma maior amplitude de divulgação nas redes sociais e no cotidiano dos transportes públicos a fim de ajudar a Secretaria da Saúde levar o contexto da vacinação para a população.

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Tema passou a ser mais abrangido nos últimos anos
por
Gabriel Dalto Borelli
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18/09/2023 - 12h

A saúde mental é algo que passou a ter maior valorização e tratamento especial nos últimos anos, envolvendo maior procura de especialistas na área, juntamente com a busca por conhecimento e compreensão de transtornos. Com isso, causas relacionadas ao assunto foram escancaradas com a crescente do interesse popular.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a definição de saúde mental se concentra em ser um estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza suas próprias habilidades, é capaz de lidar com o estresse normal da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera e é capaz de fazer uma contribuição para a sua comunidade. A partir disso, se têm os transtornos mentais, algo que é entrelaçado com a saúde mental, porém se trata de um aspecto “distinto” do ser-humano; são condições clínicas diagnosticadas que afetam o funcionamento psicológico, emocional e comportamental de uma pessoa. Alguns exemplos incluem depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, entre outros. Esses diagnósticos são caracterizados por sintomas específicos que podem causar sofrimento, disfunção e impactar negativamente a qualidade de vida de um indivíduo, geralmente requerendo intervenção médica.

Desde o surgimento da última pandemia de Covid-19, no Brasil, houve uma maior tendência de busca por saúde mental e o que a abrange. Segundo pesquisa realizada com dados provenientes da plataforma “Psicologia Viva”, entre junho de 2020 até o mesmo mês em 2021, foram feitos aproximadamente 925 mil agendamentos de consultas psicológicas, sendo que, dentre esses atendimentos o tema mais abordado foi o de ansiedade, com índice de procura acima de 20%. Além disso, também foram objeto de acompanhamento a depressão, com 6,5%; desenvolvimento pessoal (4,93%); psicologia clínica (3,27%) e finalmente, saúde mental de uma maneira geral fecha o ranking dos 5 tópicos mais buscados entre todas as idades.

Mesmo com a evidente valorização de temas relacionados ao bem-estar mental, ainda há um tabu quanto a esse assunto, e uma “omissão” por parte de chefes de estado e sociedade. Isso se dá devido ao tratamento para buscar compreender o funcionamento da mente humana, e o que a engloba além dos prós e contras que existem no processo. Um desses fatores que abrangem essa omissão, é o fator preconceito, que encara transtornos mentais, por exemplo, como algo “bobo”, ou até mesmo de “insano”, e que merece tratamento manicomial, um jeito de conduzir situações que se tornou ultrapassado. Uma alternativa no tratamento de situações como a de transtornos, é a realocação de indivíduos com diagnósticos do gênero que passaram a morar em ambientes onde a pessoa é tratada de forma mais humanizada, em que se busca compreender o lado emocional e as vontades do paciente. Esse ambiente é o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), órgão erguido pelo governo brasileiro que tem como objetivo substituir hospitais psiquiátricos - antes manicômios e hospícios - e vem sucedendo na missão, algo que era previsto desde a reforma psiquiátrica no Brasil, realizada no fim da década de 80.

Mayara Maria Bermonte Rocha, 24, acompanhante comunitária em residências assistidas em São Paulo, relata satisfação com todo trabalho imposto pelo governo e CAPS: “As questões de medicamento, auxílio, tratamento com moradores e PTS’s (Projeto Terapêutico Singular) são muito satisfatórias e positivas”. Ao ser questionada sobre eventuais melhorias que podem ser praticadas na área, Rocha, natural de São Paulo menciona: “Seria necessário um maior número de empregados nesse setor, muitas vezes ocorrem imprevistos que impossibilitam a pessoa de vir trabalhar, férias e outros fatores, e esse serviço muitas vezes exige um maior acompanhamento. Também é preciso uma maior seleção por parte do governo ao escolher pacientes para serem acompanhados em residências como a que eu trabalho, pois alguns deles não tem condições de residir nesse local, são casos diferentes que requerem outro tipo de local assistido para essas pessoas”.

No Brasil, os direitos humanos das pessoas com transtornos mentais são protegidos pela Lei da Reforma Psiquiátrica, divulgada em 2001 e expressa como Lei nº10.261. O estatuto prevê um avanço significativo na proteção dos direitos humanos das pessoas com tais diagnósticos, e regula uma nova norma de tratamento à época; “Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental”.

Esta reportagem foi produzida como atividade extensionista do curso de Jornalismo da PUC-SP.

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Ivo Vilela nunca foi assaltado no bairro da zona sul de SP, exaltado nas músicas dos Racionais MC´s
por
Livia Machado Vilela
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22/06/2023 - 12h

“Eu nunca fui assaltado no Capão Redondo, em quase 20 anos. A lama e o tomar tiro que eles diziam, sempre foi por parte dos fascistas”. Ivo Vilela (60), hoje dono de um laboratório ótico, conta a perspectiva de alguém que sobreviveu na periferia por 18 anos como um trabalhador sem a arte como válvula de escape.

Em Novembro de 2022 estreou a produção da Netflix “Racionais: Das ruas de São Paulo para o mundo”,
que conta a historia dos 30 anos do grupo de rap Racionais MC’s. No documentário, os integrantes
relembram a vida difícil no Capão Redondo, na Zona Sul da capital. “O Capão não tinha nada para oferecer
nessa época. A não ser lama e tomar tiro”, disse Mano Brown.

Como exemplo, Ivo lembrou a história de ‘Macaquinho’, que era como um ‘Robbin Wood’, roubava do
rico e ajudava o pobre. Estava sempre nos bailes, tomando Whiskey e ouvindo Al Green. Depois, o
noticiário anunciou que o Macaquinho, ladrão de banco, foi executado pela polícia. “Ninguém tinha medo do macaquinho dançando blues no baile, todos temiam ir embora e encontrar a ROTA no caminho de casa. Eu
conheci um ex-policial da ROTA, ele mesmo dizia que eram treinados para matar. Paravam algum jovem
voltando de uma festa, entregavam uma arma na sua mão e falavam: ‘ Você tem uma chance, troca tiro com
a gente pra ver se escapa’. Mas não tinha chance nenhuma. E isso tudo saía no dia seguinte no jornal com outra narrativa.”


Em um momento do filme Mano Brown relata: “A gente pegava o ônibus e demorava uma hora e meia pra
chegar até o centro. Era uma viagem quase espiritual, mano. Você saía da condição de miséria pra ir pra
onde todas as luzes tão acesas.” Ivo, que sempre trabalhou no centro de São Paulo, acrescenta: “É natural, você sentia que estava em outro mundo. Ele era músico e eu era um trabalhador mas nós sentíamos a mesma pobreza. Mas a galeria do rock era ponto de música, quem curtia era músico.”


Seus momentos de lazer não eram no centro, mas de volta à periferia, jogando futebol. “Eu não tinha
ambição nenhuma naquela época, meu prazer era ir pra várzea de final de semana jogar bola.” Explica que o dono de uma granja recrutava os melhores jogadores da periferia e realizavam torneios entre os bairros. Era
tudo pelo conforto que ele oferecia, algumas laranjas, o transporte, a chuteira que era providenciada.
Em conversa filmada para o documentário, o grupo dizia que não sabia de onde veio a consciência política
para compor suas letras. “Eles simplesmente cantavam o que eles viam, e eles viam o que eu tô te narrando
aqui”, acrescentou Ivo. A sua própria ideologia veio apesar do Capão, a cultura da periferia na época não era
estruturada, não era ainda formadora de opinião entre os jovens. O primeiro contato com seus ideais sociais
foi o movimento das Diretas Já, mas a maior influência é a Democracia Corinthiana. “Eles tinham poder de
voto, coisa que eu com 20 e poucos anos não conhecia como cidadão ainda”.


“Ninguém convivia muito com musica, o rap ainda não era acessível para a minha geração, e quase ninguém
tinha esse senso de revolução dos Racionais”. Na verdade, Ivo, que presenciou a mesma realidade que os
Racionais MC’s não consumia sua arte. “Eles viveram na mesma época que eu vivi, a vida deles era a minha.
Eu escuto e logo penso: A história do Guina deles, é o Macaquinho que eu conheci, em cada canto do Capão
tinha um. Mas quando o sucesso deles veio, eu já era adulto, e eles estavam cantando para a nova geração. É
a partir desses jovens que as coisas foram mudando.”

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Cigarros eletrônicos e narguilés são apontados como principais causadores do aumento do tabagismo em jovens
por
José Pedro dos Santos
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19/06/2023 - 12h

Segundo o Ministério da Saúde, na última década houve um aumento na proporção total de fumantes na faixa etária de 13 a 17 anos (6,6% em 2015 para 6,8% em 2019).

Um dos causadores desse aumento no consumo de produtos a base de nicotina ocorre por conta dos cigarros eletrônicos e dos Narguilés, que por terem um gosto mais agradável, acabam levando os jovens a experimentar e gostarem, o que faz com que consumam outros produtos de nicotina, como o tabaco orgânico e o cigarro tradicional. 

Todos os produtos a base de nicotina que utilizam a fumaça como forma de entrada no corpo causam a morte e problemas de saúde, como o câncer de pulmão, boca, laringe, esôfago, estômago, pâncreas entre outros, além de doenças respiratórias obstrutivas como a bronquite crônica e o enfisema pulmonar.

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Jovem enrolando um cigarro de tabaco. autor: José Pedro dos Santos
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Jovem acendendo cigarro em evento autor: José Pedro dos Santos
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Cigarro de tabaco orgânico, seda e isqueiro. Autor: José Pedro dos Santos
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Verso de um pacote de tabaco, onde é mostrado que ele é maléfico para as pessoas. autor: José Pedro dos Santos
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Cigarro de tabaco orgânico sendo enrolado. autor: José Pedro dos Santos 

 

Conheça a síndrome que abrange 1% da população e ainda é vista sob olhares preconceituosos e capacitistas.
por
Luísa Ayres
Manuela Dias
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24/05/2023 - 12h

A Síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico que foi descoberto em 1825 pelo médico francês Jean Marie Itard, depois do acompanhamento de uma jovem que manifestava tiques vocais e físicos desde a infância.

Dentre os sinais que sugerem o diagnóstico da síndrome estão piscar de olhos com frequência, caretas, encolher os ombros e até mesmo xingamentos compulsivos e atitudes mais violentas, como bater no próprio peito, rosto ou quebrar coisas em sua volta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a síndrome de Tourette é considerada rara e atinge cerca de 1% da população.

O mestre em neurologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e neurologista infantil do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, Lucas Alves, comenta sobre as causas que levam a síndrome. “As causas da Tourette não são 100% conhecidas, mas pesquisas recentes sugerem a existência de componentes genéticos, doenças psiquiátricas, transtorno do espectro autista (TEA) e anomalias em neurotransmissores cerebrais como os principais fatores para o desenvolvimento da Tourette”, explica Alves.

De acordo com o neurologista, os primeiros sintomas são perceptíveis antes da fase adulta, tipicamente entre os 4 e 6 anos, com picos maiores na adolescência. Para que a síndrome seja diagnosticada, os médicos consideram a escala de tiques dividida em 3 categorias pelo Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition (DSM-5).

“Os pacientes apresentam tiques motores e orais, não é obrigatório ter os dois ao mesmo tempo, mas para receber o diagnóstico é preciso que os movimentos involuntários estejam se manifestando em um período acima de um ano”, diz o especialista. Após o diagnóstico clínico, os pacientes são encaminhados para o acompanhamento psicológico, onde possíveis fatores emocionais que estejam influenciando na aparição das crises serão identificados e compreendidos.

Outra maneira de tratamento é o uso de medicamentos controlados que regulam a serotonina e a dopamina, dois neurotransmissores que desempenham diversas funções no corpo, colaborando para que todo o organismo funcione adequadamente.

É importante ressaltar que a manifestação desses tiques é involuntária, fugindo do controle de quem convive com a síndrome em seu dia a dia. Segundo o Manual para Profissionais de Saúde, os tiques podem diminuir quando os pacientes estão envolvidos em tarefas, o que leva muitas pessoas com a síndrome a buscar atividades que gostem muito como forma de escape e alívio.

No Brasil, o dia 7 de junho é marcado no calendário como uma forma de conscientizar a população acerca da existência da síndrome.

"É tudo muito difícil"

Para Juliana Portugal, influencer digital com mais de 68 mil seguidores no Instagram e mais de 300 mil no Tik Tok, esse refúgio é a dança. Diagnosticada com a síndrome de Tourette aos 15 anos de idade, ela conta que pela falta de contato com neurologista, recebeu o diagnóstico através de seu psiquiatra, de maneira rápida, já que seus sintomas são bastante perceptíveis. “A minha vida mudou em um nível absurdo. Eu era jogadora de vôlei, era jogadora de futebol e tudo mudou. Eu não consigo segurar um copo de vidro direito, um garfo, uma faca”, relata a influencer. 

Juliana Portugal - 1
Juliana reúne milhares de fãs em suas redes, retratando o dia a dia da síndrome sem romantização, mas com sorrisos e acolhimento / Reprodução: envio via WhatsApp.

Ainda assim, Portugal afirma que ter acesso a um convênio de saúde com atendimentos particulares foi um grande facilitador, sobretudo pela falta de assistência do sistema público de saúde. “Para síndromes como essa você não pode procurar qualquer profissional. Você tem que procurar um profissional especialista naquilo ou que já trabalhou com aquilo”, comenta a jovem.

A mãe de Juliana explica que a influencer chegou a tomar medicamentos para controle dos tiques. E apesar da medicação, outros problemas passaram a se manifestar. Isso porque, além da Síndrome de Tourette, Juliana também convive com os desafios do Distúrbio Neurológico Funcional (DNF), que pode provocar desmaios e até convulsões.

Capacitismo, exclusão e violência

Bullying na escola, ser expulsa de lojas e de banheiros públicos são alguns exemplos das situações preconceituosas e capacitistas as quais Juliana Portugal foi submetida desde as primeiras manifestações da síndrome. “Já aconteceu de gente me xingar, mostrar o dedo do meio pra mim", relata com indignação. Além disso, ela também conta que na escola, os outros alunos colocavam o pé em sua frente e a empurravam para que caísse. Depois, pediam perdão de maneira irônica e diziam que também tinham tique.

As barreiras não vinham apenas dos colegas de sala, mas também do próprio método de ensino e da pouca experiência dos professores com alunos com a síndrome. Portugal conta que os educadores a ajudavam com as provas, mas que não tinham preparação para lidar com os seus tiques. “Eles chamavam muita a minha atenção porque eles achavam que eu quem queria chamar a atenção dos outros alunos pra conseguir amigo”, diz a influenciar. Os professores também não deixavam que ela saísse de sala para se acalmar ou aliviar a ansiedade e o estresse que poderiam piorar as suas crises.

Além das dores e preconceitos, a exclusão também foi um desafio durante muito tempo na vida de Juliana, o que começou a mudar após conhecer pessoas que a compreendessem verdadeiramente. “Amigos na escola eu não tinha, até o momento que eu fui internada. Quando eu fui internada, eu consegui fazer amigos que me entendiam por que eu os entendia também”, conta a jovem, que já foi internada 8 vezes em um período de 3 anos.

“Quando eu tentava fazer amizade, as pessoas achavam que eu estava zuando com a cara delas, fazendo brincadeira. Mesmo que eu falasse que tenho a síndrome de tourette, diziam que eu estava inventando para arrumar alguma desculpa”, completa.

A influencer também falou sobre o impacto da síndrome em seus relacionamentos. “Sempre foi muito difícil porque eu tinha desmaio, tinha conversão (reação física ao estresse) e era muito tique. Atrapalha mesmo, mas eu nunca me deixei abalar, nunca pensei que não fosse arranjar ninguém na vida porque tenho Tourette. Eu vou arranjar a pessoa certa no momento certo”, garante. “É importante para pessoas que querem ter uma relação amorosa e tem certas síndromes que aceitem a si mesmo primeiro. Eu só consegui lidar com esse negócio de amor e amizade quando eu me aceitei”, afirmou.

"Ninguém vai me parar"

Juliana Portugal - 2
Juliana aparece na foto usando o cordão que caracteriza pessoas com alguma deficiência não identificável fisicamente / Reprodução: envio via WhatsApp

Estudiosa, inteligente e esforçada, Juliana conta que aprendeu línguas nórdicas da Escandinávia sozinha. “Quando eu quero alguma coisa, eu sou capaz de fazer tudo. Nem a Tourette, nem a DNF, nem ninguém vai me parar”, ressalta.

A mãe de Juliana conta que após a mudança de escola, muitas coisas melhoraram, já que agora em sua escola atual os professores têm procedimento para atender alunos com Tourette. Ainda assim, para ela, estudar sozinha com videoaulas ou leituras individuais é muito mais confortável. No entanto, Juliana precisou trancar a matrícula para passar por mais uma internação.

Tourette e a mídia

Artistas como a cantora Billie Eilish, o ex participante do Big Brother Brasil e lutador Cara de Sapato e o cantor Lewis Capaldi também têm a síndrome - e não fazem mais questão de a esconder da mídia ou do resto do mundo. Para Juliana, isso é muito importante.

“A pessoa não se expõe, ela simplesmente se abre. Quando você fala de uma deficiência que você tem, você não está se expondo, você está se abrindo e é muito bom isso pra você (...) Isso alivia a gente”, conta a influencer.

“A Billie Elish fala em uma entrevista que ela tinha vergonha e que as pessoas riam do Tourette dela e você vê hoje ela no show rindo dos tiques. Ela mudou muito por causa da internet, então sim a internet é importante para quem tem Tourette e outras doenças”, comenta. A jovem destaca, no entanto, o lado negativo das redes sociais, relembrando que  excluiu diversos vídeos pela quantidade de ataques que recebia. Hoje, ela garante que não se deixa abalar pelos comentários ruins – que não são mais a maioria.

Nas suas redes, Juliana Portugal compartilha vídeos de danças, maquiagens e relatos das situações que passa em seu dia a dia, sem romantizar seu cotidiano, mas sempre de maneira muito aberta, sincera e humanizada. 

Para acompanhar e conhecer mais sobre Juliana Portugal, siga sua conta no Instagram (@julianaportugaall) e no Tik Tok (juliana portugal) / Reprodução: Instagram.
Para acompanhar e conhecer mais sobre Juliana Portugal, siga sua conta no Instagram (@julianaportugaall) e no Tik Tok (juliana portugal) / Reprodução: Instagram.

 

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Decisão do órgão considerou a redução no número de casos e de mortes pela doença.
por
Mohara Ogando Cherubin
|
05/05/2023 - 12h

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim da Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional (PHEIC) para a Covid-19, encerrando o mais alto nível de alerta da OMS para uma doença, mantido para a pandemia de Covid-19 desde 2020.

A decisão foi anunciada após a 15ª reunião do Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), que revisou o quadro e concluiu que no momento atual, o mundo vive um problema de saúde estabelecido e contínuo. A prova disso é a queda de casos e hospitalizações pela Covid-19. O alto índice de população vacinada contra a doença foi um dos fatores considerados para a decisão.

De acordo com a OMS, já foram aplicadas mais de 12 bilhões de doses das vacinas disponíveis contra a doença, e 89% dos profissionais de saúde, além de 82% dos adultos com mais de 60 anos completaram o esquema inicial com duas doses. Desde o início da pandemia, foram registrados 765 milhões de casos e 6,9 milhões de mortes.

No início da reunião sobre o status da emergência, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, destacou a importância de que os cuidados em relação ao vírus não sejam abandonados. “Estamos todos cansados ​​desta pandemia e queremos deixá-la para trás. Mas esse vírus veio para ficar e todos os países precisarão aprender a gerenciá-lo junto com outras doenças infecciosas", disse.

O diretor-geral ressaltou o cenário que permitiu o fim da emergência. “Por mais de um ano, a pandemia está em tendência de queda, com aumento da imunidade da população por vacinação e infecção, diminuição da mortalidade e diminuição da pressão sobre os sistemas de saúde. Essa tendência permitiu que a maioria dos países voltasse à vida como a conhecíamos antes da Covid-19”, afirmou.

No anúncio, Adhanom ressaltou que a pandemia da Covid-19 ainda não está encerrada de fato. “No entanto, isso não significa que a Covid-19 acabou como uma ameaça à saúde global. Na semana passada, a doença tirou uma vida a cada três minutos – e essas são apenas as mortes que conhecemos. Enquanto falamos, milhares de pessoas em todo o mundo estão lutando por suas vidas em unidades de terapia intensiva. E outros milhões continuam a viver com os efeitos debilitantes da condição pós-Covid-19”, completou o diretor-geral.

A OMS destaca que existem evidências de redução dos riscos à saúde impulsionados pela alta imunidade da população devido à infecção natural e à vacinação. Juntos, esses fatores contribuíram para um declínio global significativo no número semanal de mortes, hospitalizações e admissões em unidades de terapia intensiva relacionadas à doença desde o início da pandemia.

Conforme a OMS "Embora o SARS-CoV-2 continue a evoluir, as variantes atualmente circulantes não parecem estar associadas ao aumento da gravidade".

Tedros Adhanom convocará um Comitê de Revisão do Regulamento Sanitário Internacional para aconselhar sobre as recomendações permanentes para o gerenciamento de longo prazo da pandemia, levando em consideração o Plano Estratégico de Preparação e Resposta à Covid-19 2023-2025.

O que se modifica com a mudança de status da pandemia ?

Com o fim da emergência internacional, a OMS divulgou recomendações para que os países mantenham a vigilância e fortaleçam seus sistemas de saúde, inclusive para ter o devido preparo para futuras pandemias.

Entre as recomendações, estão:

- Incluir a vacinação contra a Covid-19 nos programas de imunização ao longo da vida.

- Estabelecer planos de preparação contra pandemias de doenças respiratórias.

- Restaurar programas de saúde impactados pela pandemia de Covid.

O que seria a classificação de emergência global ?

Em 30 de janeiro de 2020, seguindo as recomendações do Comitê de Emergência, o diretor-geral da OMS declarou que a Covid-19 constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC). A OMS declarou que a emergência causada pelo coronavírus atingiu o patamar de uma pandemia no dia 11 de março de 2020.

De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, de 2005, a classificação é definida como “um evento extraordinário determinado a constituir um risco de saúde pública para outros Estados através da disseminação internacional de doenças e que potencialmente requer uma resposta internacional coordenada”.

De acordo com Tedros Adhanom, a declaração de fim da emergência global destaca que o mundo entra em um momento de transição sobre os cuidados em relação ao coronavírus. “A pior coisa que qualquer país pode fazer agora é usar esta notícia como um motivo para baixar a guarda, desmantelar os sistemas construídos ou enviar a mensagem à população de que a Covid-19 não é motivo de preocupação", alerta Adhanom.

O diretor-geral ainda afirma que, se necessário, o Comitê de Emergência poderá ser convocado novamente caso a doença represente um risco global. “Decidi usar uma disposição do Regulamento Sanitário Internacional que nunca foi usada, para estabelecer um Comitê de Revisão para desenvolver recomendações permanentes de longo prazo para os países sobre como gerenciar a Covid-19 de forma contínua”, detalhou.

Mundialmente, mais de 2,5 milhões de novos casos e quase 17.000 mortes foram relatados nos últimos 28 dias avaliados pela OMS, que engloba o período de 3 a 30 de abril. Os índices representam uma queda de 17% e 30%, respectivamente, em comparação com os 28 dias anteriores (6 de março a 2 de abril).

No Brasil, os dados semanais mais recentes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) apontam que entre os dias 23 e 29 de abril foram registrados 38.553 casos e 339 óbitos pela doença no país.

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