Após uma década de “Body Positivity”, os tapetes vermelhos estão sendo ocupados com o mesmo padrão de beleza que juravam ter deixado de lado
por
Sofia Morelli Cordeiro
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09/06/2026 - 12h

Desde 2010, a promessa de inclusão se acendeu na indústria da moda, o culto pelos corpos magros ao extremo, muitas vezes chegando a níveis doentios, como o “heroin chic”,  parecia estar enterrado. O Plus-Size ganhou a atenção do público e das marcas e anunciou uma era do que podia constituir como padrão de beleza. Mas agora o mundo deu mais um retrocesso, com o aumento na procura por remédios emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro e manequins estreitados novamente. Em entrevista à AGEMT, Mariana (nome fictício), estudante na PUC-SP, conversa sobre o uso há 1 mês de uma caneta emagrecedora, com acompanhamento de sua endocrinologista. “Acho que a gente acaba sempre em um lugar de insatisfação, com o corpo, a aparência. Esses remédios apareceram como um atalho para uma autoestima melhor, uma aceitação interna. Desde que eu comecei a tomar, eu perdi 8 kg em quatro semanas, e eu estou bem, saudável e mais feliz por estar perto da minha meta, sabe?”.

Os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, Ozempic e Mounjaro, originalmente  foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas ao serem injetados, simulam hormônios intestinais que aumentam a saciedade e reduzem a fome, por isso acabaram nas mãos do público como uma forma eficiente e rápida para se alcançar a silhueta que a moda voltou a celebrar. Celebridades e influenciadores passaram a atribuir publicamente suas perdas de peso com a menção dessas “canetas” e o uso cosmético desses remédios ganhou um caráter quase banal.

O papel das passarelas nesse ciclo não pode ser subestimado, pois quando a moda celebra um tipo de corpo, ela dá impulso à um efeito cascata que atravessa campanhas publicitárias, redes sociais, conteúdos de beleza e atinge os espelhos de mulheres reais, que olham para esses medicamentos como seres milagrosos por darem a oportunidade de alcançarem o corpo ideal, o mesmo que desfila por suas telas. Foi na década de 1990 que surgiu o termo “Heroin Chic” para definir uma estética que crescia, corpos esquálidos, rostos ocos, olheiras profundas, ossos protuberantes, e dominava as passarelas e as revistas, com a “angel” (apelido das modelos da Victoria's Secret), tendo Kate Moss como pioneira.

O nome já dizia tudo: glamourização de uma aparência associada ao consumo de drogas e à autodestruição. Com o tempo, essa estética foi parcialmente despopularizada, ao menos no discurso público que queria aparentar dar atenção a formas saudáveis de emagrecer, com esporte e alimentação balanceada. Mas ela nunca sumiu de verdade. O desfile da Victoria's Secret era um símbolo central da ideia do “corpo perfeito” no início do século, que por anos teve um grande peso na imaginação da população sobre qual deveria ser a meta feminina. Quando as pessoas pediram uma extensão na visão de quem podia ser uma modelo, atravessando as ideias de curvas, idade e etnia, a marca sofreu.

Esse novo divisor de águas no meado de 2010, afetou audiências e eventualmente, por esses e outros problemas administrativos, o famoso desfile perdeu sua relevância a ponto de ser fechado. Mas em outubro de 2024, o desfile voltou, após seis anos de inatividade, com uma palavra-chave no press-release, “Body Positivity", e no ano seguinte, as propagandas continuavam com a mesma linha. Mas em 2025, assim como em 2024, havia cerca de sete modelos curvilíneas entre 52 modelos no total, com os tamanhos “ plus-size”, para as cabeças por trás desta marca, incluíndo 42-44 BR, que são menores do que o tamanho médio utilizado pelas norte-americanas, entre 16-18 US/50 - 52 BR, de acordo com Debora A.Christel e Susan C. Dunn em seu estudo de 2017, “International Journal of Fashion Design, Technology and Education”. Uma discrepância é revelada quando se compara esses números com o esperado para essas Angels, que devem permanecer entre os tamanhos 0-2 US, ou o 34 BR.

As peças de roupa são uma materialização do retorno da glorificação da magreza. Havia um roteiro bonito sendo construído, a abertura das portas da indústria da moda para todos que quiserem entrar, que acabaria com a ideia persistente de gordura como o maior mal contra as mulheres, mas com esse retorno, fica a dúvida se esse processo era visto, pelas grandes corporações, como uma transformação permanente nesse meio. Era um mundo que parecia à beira da morte para muitos, mas que se mantinha vivo no imaginário de muitas meninas que cresceram com esse padrão em suas telas, sendo alimentadas pelos detalhes que remetiam a essa ideia. “Eu sempre tive uma percepção meio distorcida do que é magreza, mas mais por conta dos filmes e séries que eu assistia quando pequena. Eu lembro da Britney Spears sendo considerada gorda numa apresentação, no começo dos anos 2000, saiu em tudo quanto é lugar a gordurinha que apareceu no jeans dele, era algo que deveria ser normal, mas  entrou nas cabeças das garotinhas assim”, conta Mariana.

O mundo das passarelas e tapetes vermelhos estarem fechando seus olhos e valorizando novamente essa ideia de magreza extrema, pode ser o combustível para o aumento de comportamentos, em relação a saúde, devastadores, como distúrbios alimentares, distorção imagética e oscilações de humor, além de reforçar uma abordagem de olhar para os corpos para uma nova geração de garotas mais jovens e suscetíveis a essas manipulações. 

Imagem de capa: Fonte: https://drconsulta.com/conteudo/mounjaro/ Imagem ilustrativa das canetas "emagrecedoras"

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Especialistas alertam que os prejuízos, que vão muito além das perdas financeiras, podem comprometer relações familiares
por
Renata Bittar
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08/06/2026 - 12h

As apostas online se tornaram parte da rotina de milhões de brasileiros, mas o crescimento acelerado das chamadas bets também tem levantado preocupações sobre seus impactos financeiros e psicológicos. Dados do Ministério da Saúde apontam aumento na procura por atendimento relacionado à dependência em jogos, enquanto especialistas alertam para os riscos da compulsão, do endividamento e da falsa percepção de ganhos fáceis. Em entrevista à AGEMT, o psicólogo Renan Afonso e a advogada e presidente da ANVINT, Tanila Savoy, explicam como funciona o mecanismo que pode levar ao vício em apostas, quais são os direitos dos consumidores e os limites da responsabilidade de empresas, influenciadores e plataformas digitais. Confira o podcast clicando aqui! Em caso de emergência, disque 188 para falar com o Centro de Valorização à Vida (CVV). 

 

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Navio de expedição saiu no início de abril do Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde
por
Juliana Bertini de Paula
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26/05/2026 - 12h

Um surto causado por uma cepa rara do hantavírus, Andes, transmitida entre humanos, atingiu um navio de cruzeiro que partiu no dia primeiro de abril de Ushuaia, na Argentina. Atualmente, já são três as mortes registradas, sete casos confirmados e dois casos suspeitos entre os 149 passageiros. O destino final seria Cabo Verde, mas por conta do risco sanitário e a falta de estrutura, o navio seguiu para as Ilhas Canárias em Tenerife, após ficar três dias à deriva. 

Início do surto

Cinco dias após o embarque, um passageiro holandês apresentou os primeiros sintomas da hantavirose. Seis dias depois, em 11 de abril, ele faleceu a bordo. Devido às condições do cruzeiro, seu corpo só pôde ser retirado 13 dias depois, quando o navio atracou na remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. 

Durante esse período, a esposa do passageiro também apresentou sintomas compatíveis com a doença e dois dias após o desembarque, a holandesa também faleceu, já na África do Sul.

Especialistas indicam que o "paciente zero" provavelmente contraiu o vírus ainda em solo argentino. O Prof. Marcos Vinicius da Silva, médico coordenador do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor do Ministério da Saúde, explicou à AGEMT a dinâmica do evento: "A provável causa do surto foi algum dos passageiros durante um passeio, em terra, foi infectado com o Hantavírus Andes, transmitido por algum roedor silvestre e tenha levado e disseminado o vírus para os outros passageiros e tripulantes".

O que transforma o caso do navio em uma emergência de saúde pública global é a biologia da variante Andes. Embora a grande maioria das cepas de hantavírus demande a inalação de partículas de fezes ou urina de roedores contaminados, o vírus Andes possui a rara capacidade de ser transmitido com o contato próximo e prolongado de pessoa para pessoa. Ou seja, o ambiente fechado do cruzeiro funcionou como um acelerador para a propagação da doença. 

Cruzeiro de luxo MV Hondius em expedição polar. Foto: Divulgação/Oceanwide expeditions
Cruzeiro de luxo MV Hondius em expedição polar. Foto: Divulgação/Oceanwide expeditions

 

Evacuação e repatriação

Atracado em Tenerife, o MV Hondius concluiu a evacuação de passageiros e tripulantes. O último grupo, formado por seis passageiros e parte da tripulação, desembarcou no dia 11 de maio antes de seguirem para a Holanda, em voos organizados pelas autoridades holandesas. Após a operação, o navio deixou as Ilhas Canárias rumo aos Países Baixos, levando apenas uma equipe reduzida, além de profissionais de saúde, para passar por um processo de descontaminação e limpeza completa. 

Os viajantes já repatriados seguem em processo de quarentena em seus respectivos países. O protocolo está baseado no longo período em que o vírus pode permanecer "silencioso" no organismo. "As medidas de isolamento dos passageiros e tripulantes já foram tomadas, aguarda-se o período máximo de incubação da doença, que é de seis semanas, com observação médica e sanitária contínua dessas pessoas", esclarece o especialista.

 

A doença

A letalidade da infecção explica as decisões extremas de navegação. Originalmente com destino a Cabo Verde, o desembarque foi negado pelo país africano por conta da falta de infraestrutura local para o suporte médico de alta complexidade, exigido para conter a doença. Isso deixou a embarcação à deriva no oceano Atlântico até que a rota para a Espanha fosse aprovada.

A evolução dessa síndrome é frequentemente fulminante, exigindo intervenção imediata e equipamentos de biossegurança de nível máximo. "O quadro clínico se torna grave logo no início da doença e requer tratamento em unidade de terapia intensiva e com medidas de barreira para isolamento, diminuindo o risco de transmissão para os profissionais de saúde que atendem o paciente", explica ainda o Dr. Marcos Vinícius.

O alerta para a gravidade da hantavirose se dá, em grande parte, pela forma como os primeiros sinais aparecem, muitas vezes confundidos com outras infecções menos severas, antes de evoluírem rapidamente para uma emergência médica. Nos estágios iniciais, os infectados pela cepa Andes costumam apresentar sintomas semelhantes aos de uma forte gripe, como febre, calafrios, dores musculares intensas especialmente na região lombar, ombros e coxas), além de fadiga profunda, dores de cabeça, náuseas e vômitos. 

Imagem microscópica do vírus da hantavirose. Foto: Divulgação/CDC
Imagem microscópica do vírus da hantavirose. Foto: Divulgação/CDC

O cenário da doença, contudo, deteriora-se de forma abrupta na transição para a fase cardiopulmonar. Em questão de poucos dias ou até horas, o paciente passa a sofrer com tosse, falta de ar severa e acúmulo rápido de líquido nos pulmões (edema pulmonar). O quadro culmina em insuficiência respiratória e colapso do sistema cardiovascular. É essa progressão fulminante que justifica a necessidade crítica de leitos de UTI com suporte de vida avançado - o que motivou a busca desesperada do cruzeiro por um porto estruturado. 

 

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Demora no atendimento transforma a espera por saúde em sofrimento diário para milhões de brasileiros.
por
Alice Begnini
Lawanny Nasc
Rafaella Lalo
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21/05/2026 - 12h

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos serviços gratuitos à população. Criado para garantir acesso universal à saúde, o sistema atende cerca de 76% dos brasileiros exclusivamente pela rede pública. Porém, as queixas sobre o longo tempo de espera aumentam diariamente, causando indignação em quem depende do atendimento.

Apesar dos avanços anunciados pelo governo federal, a realidade ainda é marcada pela demora. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2022 e 2024, o número de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS aumentou 32%, chegando a 13,6 milhões em 2024, o maior número da história do sistema. O governo também ampliou o Programa Nacional de Redução das Filas, que recebeu R$ 1,2 bilhão em investimentos no último ano.

Além disso, programas como o “Mais Acesso a Especialistas” foram criados para diminuir o tempo de espera em áreas críticas, como cardiologia, oncologia e ortopedia. O SUS também é responsável por cerca de 85% dos transplantes realizados no Brasil e possui um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo.

Em entrevista, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto destaca que, apesar das dificuldades atuais, o SUS foi fundamental para melhorar as condições de vida da população brasileira nas últimas décadas. Segundo ele, avanços como o acesso à água tratada e melhorias na saúde do trabalhador contribuíram para o aumento da expectativa de vida no país.

Mas os números não conseguem medir o peso da espera.

“Não existe atendimento imediato em nenhum sistema de saúde do mundo”, ressalta Vecina. Para ele, o principal problema não está apenas na existência das filas, mas na maneira como elas são administradas. O médico critica a falta de integração entre estados e municípios e afirma que a má gestão das filas acaba aumentando ainda mais a demora no atendimento. “Nós não temos tido uma resposta mais efetiva do Estado”, disse.

Gonzalo também aponta falhas na integração entre municípios e estados. “As filas são muito mal administradas”, declarou. Segundo ele, pacientes entram em diferentes sistemas de regulação ao mesmo tempo e muitas vezes não cancelam consultas já marcadas, causando desperdício de vagas e aumento da demora.

Mas os dados ainda não mostram madrugadas em corredores de hospital, famílias implorando por exames ou pacientes vendo sintomas simples se transformarem em doenças graves. Também não mostram histórias como a de José Francisco da Silva.

Morador de Embu das Artes, na Grande São Paulo, José Francisco, de 62 anos, aposentado por invalidez e sem instrução, sofria de reumatismo reumatoide quando começou a passar mal e foi levado a uma unidade de saúde com pneumonia. Após ficar internado por apenas 24 horas, recebeu alta. No dia seguinte, piorou. A partir dali, começou uma rotina marcada por tentativas desesperadas de conseguir atendimento.

O quadro de pneumonia piorou com uma infecção urinária e depois evoluiu para sepse, uma infecção generalizada. Segundo a filha, Cleonice Reis, a família precisava insistir constantemente para que o estado de saúde do pai fosse atualizado na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), sistema responsável pela transferência de pacientes entre hospitais do estado. “A gente entrou em guerra para tentar salvar meu pai”, relata.

Após dias de espera, José conseguiu uma vaga no Hospital Geral de Guarulhos. Para chegar até lá, a família precisou recorrer a conhecidos e políticos para conseguir uma ambulância, já que o transporte não havia sido disponibilizado pelo SUS.

No novo hospital, o quadro clínico foi estabilizado. “Hospital maravilhoso, não tenho o que falar”, afirmou Reis. Ainda assim, a família enfrentou novas dificuldades para conseguir transporte com oxigênio e exames básicos. Segundo ela, o aparelho de tomografia da unidade onde o pai estava internado permanecia quebrado havia anos.

Poucos dias depois de voltar para casa, José passou mal novamente. Esposo, pai de duas filhas e avô de seis netos morreu no pronto socorro. “Nós familiares nos sentimos indignados. A gente paga nossos impostos e, quando precisa, fica à mercê”, disse.

Enquanto famílias enfrentam longos períodos de espera, profissionais da saúde também convivem com os impactos da superlotação. Aparecida do Amparo, enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento do bairro Cohab II, em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, afirma que muitos pacientes chegam às UBSs com sintomas leves, mas acabam piorando devido à demora para conseguir especialistas. “Já tive contato com pacientes que, devido à demora, acabaram tendo a doença agravada, sem condições mais de fazer o tratamento”, explicou.

Ao analisar o impacto dessa realidade, Gonzalo Vecina afirma que a demora no SUS também revela desigualdades profundas do país. “A desigualdade é a grande doença da sociedade brasileira”, declarou. Para o médico, a saúde não pode ser analisada separadamente das condições de moradia, alimentação, trabalho e acesso básico à dignidade.

Mesmo diante das dificuldades, Aparecida afirma continuar acreditando no sistema público de saúde. “O que motiva a gente é saber que pode aliviar o sofrimento dos pacientes.”

Manifestação sobre saúde pública
Manifestação sobre a falta de gestão na saúde pública. Foto: Pexels.com

 

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Médicos poerão prescrever o medicamento para pacientes com mais de 10 anos
por
Vitória Teles
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30/04/2026 - 12h

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na quarta-feira (22) o uso de canetas com o princípio ativo da Tirzepatida para crianças e adolescentes que possuem diabetes tipo 2. Antes, o uso só era possível para adultos diagnosticados com diabetes e para tratamentos contra obesidade. Agora, jovens a partir de 10 anos também poderão utilizar com prescrição médica. 

As canetas imitam um hormônio do corpo chamado Glucagon-like peptide-1 (GLP-1), que ajuda a controlar o açúcar no sangue, diminuir o apetite e retardar a digestão, levando à perda de peso. A decisão da Anvisa surgiu a partir de um grande índice de crianças que sofrem com obesidade e diabetes, já que o Brasil é quarto país no mundo com crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, com diabetes tipo 1, podendo evoluir para o tipo 2. No ranking dos países com mais pessoas que possuem essa condição, o Brasil é o sexto no mundo, segundo dados de 2025 da 11ª edição do Diabetes Atlas, divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF).

No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ao mesmo tempo que esse uso específico foi aprovado, a Anvisa também proibiu canetas irregulares vendidas pela internet, já que o orientado é apenas o uso com prescrição médica, além de aumentar a fiscalização e exigir regras mais rígidas para a manipulação.

Apesar de ser um caminho eficaz, que apresenta bons resultados, há também controvérsias. Partindo do ponto de vista socioeconômico, muitas famílias sofrem com diabetes tipo 2, em níveis avançados, e não possuem renda para investirem em tratamentos como as canetas emagrecedoras, que tem um valor bastante elevado no mercado, custando entre R$1.400 a R$2.400, podendo variar de acordo com a farmácia. 

Em entrevista à AGEMT, a nutricionista Juliane Pacheco, que atua no mercado nutricional há mais de 6 anos, enfatizou que a Tirzepatida possa sim ser uma boa alternativa para tratar dessa patologia, apesar do medicamento estar muito banalizado no Brasil para fins estéticos e não apenas para tratamento de obesidade. “Para as crianças, é essencial que a medicação seja utilizada apenas com indicação médica e tenha acompanhamento com uma equipe multidisciplinar”, comenta a profissional. 

Sobre os efeitos colaterais na vida das crianças, como náuseas, diarreias e vômitos, Juliane afirma que é necessário fazer a indicação com muita cautela e não banalizar o uso para todas as crianças e adolescentes. Segundo a profissional, a alimentação também é um caminho que traz bons resultados para o tratamento de diabetes, mas que também requer atenção e cuidado. “O que fará mais diferença é a presença dos pais durante todo o tratamento. No final, são eles que compram os alimentos para seus filhos e preparam as refeições, então se não tiver um cuidado, a diabetes não é tratada”, afirma.

 

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Com a instauração da fase roxa na metrópole paulistana, ficou nítido que os casos não param de se expandir. O que era 100 mortos por dia virou 4 mil - e as UTIS atualmente trabalham com quatro vezes sua capacidade; realmente existem os responsáveis por tu
por
Yerko Mauricio, Pietra Nobrega, Manuela Troccoli e João Carlos Ambra
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08/04/2021 - 12h

Em março de 2020 foi declarado o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Um ano depois, somatizamos em mais de 400 mil mortes. Mas por que motivo isso acontece? A quem se deve o colapso que estamos vivendo, e, principalmente, a que comportamento isso pode ser associado?

    Apesar de São Paulo ter mais de 12 mil leitos (todos ocupados), e considerando que a UTI está operando com quatro vezes da sua capacidade total, a fila de mortalidade de covid só cresce - são centenas de pessoas aguardando e falecendo ao não conseguir ter acesso a nenhum leito (vale lembrar que São Paulo é o Estado com maior quantidade e disposição de leitos no país). A calamidade é geral, milhares de habitantes aguardam oxigênio.

    Além de temas como “quarentena”, “lockdown” e “kit covid”, não podemos descartar a falta de um plano nacional de imunização, a “novela” que está sendo o processo das vacinas desde o ano passado e o comité anti covid falando inclusive sobre furar a fila do plano nacional - tal que é para muitos, questionável. Sem contar que não se fala de combate, das estatísticas de outros países e da importância crucial de usar máscaras protetoras. 

    A grande falta de informação produz um descuido na proteção ao vírus, inclusive aglomerações constantes e várias festas clandestinas; mas será que quem frequenta este tipo de ambiente realmente não tem acesso a informação ou prefere se alienar para “curtir com os amigos”?

Após o aumento em massa de casos de covid com a nova variante e o decreto do governo da fase vermelha e emergências, os donos de festas, lounges, bares começaram organizar as mais conhecidas  “festas clandestinas”. 

São festas feitas a escondidas, contra as leis, com pessoas imprudentes que desrespeitam as regras e não se importam com o grande número de casos em São Paulo. Os organizadores que são chamados de promotores fazem o convite circular pelas redes sociais, sem nunca revelar a identidade para não serem pegos facilmente pelos guardas civis, policiais ou fiscais da vigilância sanitária. 

Os interessados entram em contato e recebem os dados bancários para o pagamento, só após feito e a apresentação do comprovante é revelado onde será o ponto de encontro para o partida  ou mandam o endereço para se conduzirem ao local proibido onde ocorrerá a festa clandestina. 

Os promotores apresentam regras antes de acontecerem as baladas para que não ocorra de serem encontrados, eles obrigam os convidados a deixarem o celular em um guarda volumes para evitar as fotos, também frequentemente a troca de endereços.

Dependendo do lugar e da festa a classe social acaba mudando, em lugares mais elegantes e mais caros a elite de São Paulo estará presente, que são as pessoas que têm mais dinheiro e estão dispostas a pagar mais de 300 reais pela entrada das baladas. Já em bairros mais pobres a classe muda, mas independente de quem são as pessoas eles estão desrespeitando as regras e piorando o andamento contra o Vírus. 

O empresário Carlos Eduardo de Andrade, de 28 anos, era dono de um restaurante, no centro de São Paulo. Porém com a pandemia, muitas lojas e restaurantes tiveram que fechar suas portas, devido a crise. Carlos não conseguiu manter seu restaurante e fechou.

"Na minha opinião, restaurantes, bares, shoppings e o comércio deveriam funcionar normalmente, com o uso obrigatório de máscaras e distanciamento, não vejo necessidade alguma de não poder funcionar e no final somente nós saímos perdendo e tendo que fechar nossos estabelecimentos .” disse Andrade.

    Carlos conta que estava frequentando restaurantes, bares e até mesmo festas com aglomerações.

“ Não acho tão preocupante o momento atual que estamos vivendo, a ponto de parar a minha vida e ficar isolado em casa, sei que muitas pessoas estão morrendo mas é só se cuidar e sair de máscara. Estou saindo com meus amigos sempre que posso.” Diz Andrade.

Com cerca de 341 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, e os números de mortes por dia cada vez maiores, Carlos Eduardo diz não confiar em números e dados fornecidos pelo ministério da saúde. 

“Posso afirmar que o governo está fazendo um bom trabalho na pandemia, dentro do possível é claro, mas acho que eles aumentam os números de morte para deixar a sociedade mais aflita, com medo de sair e assim, as pessoas  começam a ficar em casa.” Diz Andrade

    Com o processo de vacinação ocorrendo por todo o Brasil, o empresário faz parte do grupo de pessoas que ainda não sabem se irão se vacinar e duvidam da eficácia.

    “Tenho um tempo para pensar até chegar a minha vez, mas como nunca peguei o vírus, acho que não vou precisar, tenho uma boa imunidade. Até porque não quero virar jacaré.” Diz Andrade. 

       Para buscar um contraponto de alguém que estava tratando a pandemia com cuidado e respeito, entrevistamos Lia Aruni Damous Bertolo, de 20 anos, que atualmente exerce a profissão de estudante. Lia está tomando todos os cuidados e cautelas necessárias e tem uma opinião contrária à de Carlos Eduardo de Andrade sobre a pandemia e a Covid-19. 

       “Por um um lado entendo aqueles que precisam trabalhar e não tem a opção de não pegar transporte público, mas vejo que muitos já se acostumaram com o que estamos passando e não tem mais “medo” do vírus. Acredito que aqueles que não tem mais “medo” do vírus e não se precavem podem não ajudar a melhorar a situação que estamos. Outro ponto que não está colaborando é o governo, que está cagando completamente pra tudo, e isso tá me dando um certo medo de ver os outros países conseguindo controlar a pandemia enquanto o Brasil só cresce o número de mortos por dia.” Diz Bertolo

       A estudante conta a respeito das medidas que está tomando junto a sua família para se cuidar contra a Covid-19.

       “As medidas que ando tomando são as básicas, como o uso de álcool em gel sempre que não estou em casa, uso de máscara, quando volto do mercado com compras sempre higienizo, ao entrar em casa tirar o tênis, higienizar a sola do sapato  e o colocar na área externa (onde há ventilação natural) além de sempre que posso tomar um banho por completo depois de voltar da rua, minha mãe está bem exigente, mas com razão, todo cuidado é pouco.” Disse Bertolo

       Lia tem tomado cuidado em dobro pois está vendo somente seu namorodo e a família dele tem pessoas no grupo de risco, sobre a vacinação da COVID-19 a estudante pontuou;

     “Sobre a vacina, irei  tomar e meu namorado também, estamos ansiosos. Mas ainda não fiz uma pesquisa a fundo pra saber mais detalhes e eficácias das vacinas. Para aqueles que optaram por não tomar, eu respeito, mas estes têm que ter um cuidado maior consigo e os que estão à sua volta.” Disse Bertolo; 

Lia conta que está passando por momentos de altos e baixos na quarentena e acredita que todos estão de saco cheio.

      “Estou muito de saco cheio da quarentena, tudo que eu queria era poder viajar com meus amigos, sair na rua, abraçar pessoas,  mas não é por isso que vou furar a quarentena e botar a minha vida e a de outros que estão à minha volta em risco, é difícil se manter positiva e produtiva em tempos como esse, tenho várias fases precisamos cuidar da gente e da nossa saúde mental.” Diz Lia.

    Após as entrevistas, ficou clara uma nítida contraposição entre os entrevistados. Enquanto de um lado existem pessoas clamando pelo fim da pandemia, e tomando cuidado para que este período não se prolongue, temos outras pessoas que estão vivendo a vida de maneira muito próxima a vida normal, sem se preocupar com contrair a doença e sobretudo em transmiti-la.

    O interessante é pensar que ambos os entrevistados estão lidando com a mesma crise sanitária, de formas absolutamente distintas. 

            Com o cenário atual que estamos vivendo, existem pessoas que preferem não enxergar a realidade, às vezes é mais fácil, só pensar em você, enxergar a sua realidade, que muitas vezes é totalmente diferente dos outros, sem se  importar com o próximo, e com as dificuldades que muitas pessoas estão passando, notamos isso  nas entrevistas. 

    Enfrentar a pandemia está sendo difícil para todos os brasileiros, todos tiveram que se adaptar a uma nova realidade, se reinventar, construir uma nova  rotina totalmente diferente,  ver a vida por outros ângulos, dar chances para o novo. Não podemos negar que as classes inferiores sentem esse impacto de uma forma maior, e com mais necessidades, mas cada um tem sua batalha diária, sua forma de passar  e viver a tudo isso.

           A melhor forma de enfrentarmos a Covid-19 é sendo humilde em reconhecer que esse momento tão crítico e cruel merece nossos esforços para que tudo acabe logo, como fazer a quarentena, ficar em casa sempre que possível, usar máscara, álcool em gel, evitar aglomerações. Cada vida importa, a sociedade precisa se unir para um bem estar coletivo, não dá mais para fingir que todos os dias morrem mais de mil pessoas, que o Brasil não é um dos piores países no combate do vírus, com dados e índices assustadores. Precisamos combater esse vírus e a diferença começa por cada um de nós.

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Algumas academias de pequeno porte mantém seu funcionamento de forma velada
por
Rodrigo Vaz Guimarães Mendonça e Mario Gandini Caldeira Cardoso Neves
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08/04/2021 - 12h

  Mesmo com a escalada da pandemia da Covid-19 no Brasil com mais de 13 milhões de casos e 4 mil mortes em média por dia, até o fechamento desta reportagem em 08 de abril, pela doença além de novas variantes surgindo como a detectada na cidade de Manaus no Amazonas e outra na cidade de Sorocaba em São Paulo, muitos ainda defendem a abertura de serviços considerados não essenciais como academias alegando a necessidade de praticar exercícios físicos às vezes até indo contra decretos estaduais, como em São Paulo que por decreto do governo estadual nenhuma academia pode estar aberta desde o dia 6 de março quando todas as cidades do estado entraram na Fase Vermelha do "Plano São Paulo" que proíbe serviços como esse de abrirem.  

Coletiva de imprensa do Governo do Estado de São Paulo na qual o estado voltou a fase vermelha
Coletiva de imprensa do Governo do Estado de São Paulo na qual o estado voltou para a fase vermelha 

   Essas medidas tiveram que ser tomadas novamente devido ao relaxamento nas regras de isolamento e ao comodismo das pessoas em relação à pandemia. Entrevistamos pessoas sobre essa normalização da pandemia na cabeça de alguns e como isso afetou no ponto de vista de quem realmente está correndo risco e não tem condições de ficar trabalhando em casa: “É uma palhaçada isso, eu sei que na minha quebrada tem gente que não respeita , mas também nós [pobres] não temos condição de ficar em casa ,a gente tem que fazer o nosso corre, ou eu trabalho ou passo fome.”Carlos, morador de Paraisópolis."Como sempre, a gente paga o preço  das pessoas que não estão respeitando ,ainda mais quando a gente trata de vidas”,ressaltou Vera Lúcia, uma idosa moradora da zona XXX, em São Paulo.

   Na última semana de março, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), decretou a antecipação dos feriados de Corpus Christi de 2021 e 2022 ,da Consciência Negra de 2021 e 2022 ,além do aniversário da cidade de 2022.Todas essas medidas foram uma tentativa de diminuir os números de mortos e infectados pelo Covid-19.

 

   O avanço do coronavírus está colapsando  o sistema de saúde na cidade de São Paulo, a ocupação dos leitos de UTI já  está  em 90%,leitos de enfermaria praticamente lotados e pela primeira vez na pandemia a capital paulista apresentou falta de oxigênio para o tratamento de pacientes.

 

LUTA PELA VIDA 

 

   Estamos em tempos de guerra, a luta pela vida é diária e devemos nos resguardar se possível e nos manter atentos sobre os cuidados de higiene pois o vírus ainda está por aí esperando a nossa desatenção.A maioria dos brasileiros mudou a sua rotina devido a pandemia, com o auxílio da internet, tudo ficou um pouco mais fácil, um escritório passou a fazer a suas reuniões diárias via video chamada. 

   Outra questão que está emergindo é a relação da prática de  atividade física como grande potencial na prevenção das consequências decorrentes do vírus, muitos dos profissionais das academias estão sem receita pois não tem como exercer seu trabalho, muitos  destes mesmos profissionais questionam essas medidas de lockdown pois não incluem a academia como atividade essencial.Mesmo com essas medidas, existem pessoas que mantém o seu estabelecimento funcionando de forma clandestina, entrevistamos um destes donos com  a finalidade de saber o que levou ele a fazer isso.O entrevistado pediu para ser identificado com um nome diferente do seu para não causar problemas para o próprio.

 

Mesmo diante deste caos que está a pandemia porque o senhor manteve a academia funcionando?

  Primeiramente, sou praticante de esportes há 35 anos, de musculação à levantamento de peso olímpico.É cientificamente comprovado que a prática de atividade física ajuda na imunidade do ser humano além de ser um dos pilares contra a obesidade..Eu acho um absurdo esse fechamento das academias e dizer que os profissionais presentes nas academias não são “profissionais de saúde''. Absurdo, claro que somos”. 

 

Mas o que o senhor acha dessa pandemia e do coronavírus ?

  Não é que eu desacredito do Covid-19, mas temos que cuidar da nossa saúde, melhorar os hábitos alimentares e praticar atividade física que na minha opinião é essencial para um momento desse. Eu tenho atletas de alto  rendimento e eles não podem ficar sem academia..Além de já ser um válvula de escape natural para o estresse, que  aumentou drasticamente na população desde que começou a pandemia, o esporte incentiva o funcionamento do nosso sistema imunológico. 



 

 

 

 

 

 

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Jovens passam a ser maioria nas UTIs dos hospitais brasileiros.
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Iris Martins Oliveira de Freitas e João Victor Guimarães de Siqueira
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08/04/2021 - 12h

      Ao final de 2019 o mundo presenciou algo jamais visto por muitos, o início de uma pandemia. O novo coronavírus é uma doença infecciosa que pode ser transmitida por meio de gotículas de saliva, do aperto de mãos contaminadas, espirro, tosse e tem como sintomas: perdas de olfato e paladar, falta de ar, tosse, dor de garganta, coriza, febre, cansaço, entre outros. Mas, o que realmente preocupa são os assintomáticos que espalham esta enfermidade sem sequer saberem que estão doentes, colocando as pessoas do grupo de risco, como idosos e pessoas com pressão alta, em piores condições. Os jovens, menor grupo de afetados pela doença, acreditam que podem ignorar o isolamento social, que funciona como método preventivo e que é adotado por muitos países até hoje.

      Em entrevista, Ana Silva, 18 anos, estudante de direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, conta à Agência de Jornalismo Online Maurício Tragtenberg sobre sua vida na pandemia, que inclui encontros familiares e com amigos. A jovem diz que desde o começo era contra o isolamento e que nunca parou de frequentar lugares como farmácias, cartório, supermercado, academia, praia, restaurantes (quando abertos) e que se a faculdade estivesse aberta, também iria. Em seu relato, ainda narra que em sua família houve encontro familiar para a comemoração do Natal, que contou com a presença de 15 ou 20 pessoas e que os integrantes não utilizavam máscaras, medida utilizada para prevenção do covid-19, especialmente com a presença de idosos.

      A necessidade de ver pessoas é um ponto que Ana ressalta em sua fala, ela se reúne com seus amigos frequentemente, em torno de 5 a 15 pessoas aos fins de semana, na maioria das vezes. A jovem diz que os encontros com pessoas de sua faixa etária estimulam as habilidades de convivência, indica que é reconfortante tê-los ao seu lado fisicamente e não somente através de uma tela de celular. Psicólogo formado há 16 anos pela Uniban, Sidney de Rosa Júnior, em entrevista à agência, explica essa necessidade de convivência: “Tem a questão dos interesses similares, assim como a identificação com um grupo. Um jovem de 18 ou 19 anos tem a maturidade e os interesses completamente diferentes de um adulto de 30 anos, a conversa é outra, a diversão é outra.”

Jovens em festa clandestina pegos pela polícia em São Paulo no dia 21 de março de 2021
Festa clandestina em São Paulo no dia 21 de março de 2021 foi encerrada pela polícia - Foto: DEIVIDI CORREA/ESTADÃO CONTEÚDO

      Mesmo tendo contato com várias pessoas sem tomar as devidas medidas de prevenção contra a doença, a menina não a contraiu. Em razão  deste exemplo e de muitas outras situações semelhantes que os jovens de hoje em dia possuem essa ilusão de indestrutibilidade, por terem pouca idade, acreditam que são indestrutíveis. Questionado sobre isso, Sidney elucida sobre essa “Síndrome de super-heróis”: “Quando somos crianças, não conseguimos associar a ideia por trás da morte. Quando entramos na adolescência, temos consciência do que ela é, porém é uma ideia muito distante. Isso, combinado com a liberação de hormônios (que não podem ser ignorados também) nos jovens gera a sensação de imortalidade”.

       Em entrevista à BBC News, o médico Matheus Alves de Lima, em um plantão recente de casos de covid-19 em UTI de hospitais de campanha no Distrito Federal, afirma que houve uma mudança no perfil dos pacientes. "Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante", explica à BBC News Brasil. Alves ainda relata outros casos como o de um paciente de 28 anos que não resistiu à extubação (processo de retirada da ventilação mecânica), precisou ser entubado novamente e fazer hemodiálise.

     

Jean Carlo Gorinchteyn, Secretário de Saúde do Estado de São Paulo - Foto: Governo de São Paulo
Jean Carlo Gorinchteyn, Secretário de Saúde do Estado de São Paulo - Foto: Governo de São Paulo

Em entrevista coletiva no dia 1° de março de 2021, o Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirma que "a pandemia retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferentes daquela da primeira onda". E continua, "São pacientes mais jovens, que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e, pior, são pacientes que acabam permanecendo um período mais prolongado nas UTIs. Na primeira onda, tínhamos (nas UTIs paulistas) percentual de mais de 80% de idosos e portadores de doenças crônicas. O que temos visto hoje são pacientes mais jovens, 60% deles de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia."

      Muitas das pessoas contaminadas hoje utilizam desculpas como não estarem no grupo de risco, ou até mesmo por já terem contraído o vírus para se aglomerarem e não seguirem as normas de prevenção contra o covid. A maioria da população mundial já tomou alguma atitude considerada inconsequente, porém há um limite que está sendo seriamente ultrapassado, visto que são completamente diferentes a ida a um restaurante e a uma festa, por exemplo.

      A conscientização dos jovens quanto aos riscos da doença e a adoção das medidas sanitárias recomendadas pelos médicos são fundamentais para o controle da pandemia no Brasil, porém não é o que ocorre, uma vez que o percentual de pessoas que morrem sem atingirem os 60 anos de idade saltou 35% em relação ao ano passado, segundo dados fornecidos pela UOL com base nos números do portal da transparência da Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais).

(O nome da jovem entrevistada foi alterado para a preservação de sua identidade).

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Nunca foi segredo a questão do etarismo na nossa sociedade. Da vida profissional às relações pessoais e sociais, é perceptível o preconceito da sociedade com relação à idade. 
por
Giovanna Canha Crescitelli e Marina Daquanno Testi 
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24/03/2021 - 12h

Diante de países como o Japão, Cingapura - cuja média de expectativa de vida é 83 anos -, Espanha - 82 anos - e Coreia do Sul - primeiro país a caminhar para uma expectativa de vida de 90 anos -, o Brasil não está muito distante em questão de longevidade, com sua expectativa geral em 75,8 anos esta supera a média mundial que é de 71 anos. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2016, a média da expectativa de vida da população mundial era de 74 anos para mulheres e de 69 anos para homens. 


No Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que representa 13% da população do país. E esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, segundo a Projeção da População, divulgada em 2018 pelo IBGE.

 

A relação entre a porcentagem de idosos e de jovens é chamada de “índice de envelhecimento”, que aumentou de 43,19%, em 2018, para 173,47%, em 2060. Esse processo pode ser observado graficamente pelas mudanças no formato da pirâmide etária ao longo dos anos, que segue a tendência mundial de estreitamento da base (menos crianças e jovens) e alargamento do corpo (adultos) e topo (idosos).

 

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE em 2013, mostrou que a cada quatro pessoas com 60 anos ou mais, pelo menos uma relatava participar de atividades sociais organizadas. Entre as mulheres, o percentual era maior, chegando a quase 30%. Mas a participação dos homens também foi significativa, ficando bem pouco abaixo dos 20%. Este estudo nos permite ter um olhar sensível sobre a qualidade de vida desta população e mostra como a tendência dos idosos, com o avanço das cidades , é se isolar socialmente.

 

De acordo com a psicóloga Graça Câmara, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esse movimento acontece por causa das limitações que vão sendo impostas, pelo próprio corpo e pela sociedade. “Os jovens perdem a paciência com os mais velhos e, muitas vezes, as famílias os colocam no lugar de  ‘os improdutivos da casa’”, disse para a revista Leve. Contudo este também é um dos motivos que traz profunda angústia aos que estão envelhecendo, se tornar dependente de alguém ou “incapaz” de realizar certas funções que antes lhe vinham naturalmente. 

 

Nessa constante busca por compreensão, sem perder o respeito e validação da sociedade, nossos futuros antepassados já nos avisam quanto nossa futura realidade: se aqui, enquanto somos jovens, não mudarmos certas posturas e visões “viciadas” de nossa sociedade, iremos nos deparar com nosso inerente destino e ainda sem apoio. Simone de Beauvoir disse em sua obra “A Velhice”, nos anos 70, que “Não reconhecemos a velhice em nós, nem sequer paramos para observá-la, somente a vemos nos outros, mesmo que estes possuam a mesma idade que nós”. 

 

Entrevista com Sandra Regina Gomes

 

Sandra é  a atual coordenadora de políticas para o idoso, dentro da secretaria de direitos humanos da prefeitura da cidade de São Paulo. Nascida em Santos a especialista tem um longo currículo na área, foi responsável pela implementação de políticas públicas para o idoso na cidade de São Paulo e já ocupou os cargos de assessora técnica da Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado de São Paulo, coordenadora da Rede de Proteção Social para Idosos na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo e docente na Universidade da Terceira Idade. A fonoaudióloga e gerontóloga, que também se especializou em políticas públicas, ajudou diretamente a implantar o Centro de Referência da Cidadania do Idoso, as unidades Boracea e Casa de Simeão do Abrigo para Idoso  em Situação de Rua, o Serviço de Apoio-Socioalimentar para Idoso e os Núcleos de Convivência para Idosos.

 

 

Envelhecimento é um fenômeno global? 

 

Sim, o mundo todo envelhece. Só que os países que se preparam para isso, no caso da Europa, do Canadá que por mais de cem anos se preparam para o processo de envelhecimento; o Brasil não. No Brasil, como diz uma professora querida, Maria Cecília Minai da Fiocruz, estamos trocando o pneu com o carro andando e isso é muito sério porque até onde éramos um país de jovens e hoje estamos com um país envelhecido e um envelhecimento muito rápido. Então é um um fenômeno global sem dúvida nenhuma, o mundo está envelhecendo rapidamente e nós precisamos ter ações e políticas públicas para isso. 

 

O que é Envelhecimento ativo? Como abordar o tema ao longo da vida e não apenas na fase do envelhecimento?

 

Primeiro envelhecimento ativo é um processo de otimização de oportunidades para a saúde  e aprendizagem ao longo da vida, que está relacionado a educação, a participação e segurança para garantir uma melhor qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Isso tudo aqui é uma determinação da OMS baseada no pressuposto de que o mundo precisa olhar o envelhecimento sob a ótica, promovendo resiliência ao longo do curso de vida. O que quer dizer isso? Em tese você tem processo de envelhecimento e que bom porque a maior conquista do século XX é a longevidade, uau estamos envelhecendo, hoje no Brasil a  expectativa de vida é de 75 anos, e já já vamos chegar ao Japão é de 81 anos. Para o século XXI a longevidade é um desafio, nós temos que saber como envelhecer. Então em 2002 a OMS lança esse programa de envelhecimento ativo, que o Brasil é signatário. Isto tem a ver como abordar o tema ao longo da vida, temos que pensar o envelhecimento ao longo da vida porque é uma fase como a infância, a adolescência e fase adulta depois criamos independência e depois temos o processo de velhice. Ainda bem que chegamos ao processo de envelhecimento se não você morre antes dos 60 anos e no Brasil você é considerado idoso com essa idade, em país desenvolvidos é 65 anos ou mais. Então é importante que se faça um trabalho desde de a infância, de orientação alimentar, de estilos de vidas, de aproximação de gerações e tudo isso está no Estatuto do Idoso. Não é possível falar sobre envelhecimento no Brasil sem citar o Estatuto do idoso.      

 

Qual é o papel do Estado frente ao envelhecimento ativo? Existe o direito ao envelhecimento? O que determina um processo de envelhecimento seja de qualidade e englobe o conceito de envelhecimento ativo? 

 

Tudo isso é importante que a gente entenda que não se consegue um envelhecimento saudável se você não garantir esses quatro pilares: saúde, educação, proteção e participação. Esses princípios são fundamentais porque se você tem saúde, tem a garantir de que tem as doenças todas controladas. Hoje você não morre mais de hipertensão, a não ser que você não tenha o controle dessa doença. Hipertensão, colesterol e demais doenças têm medicações e tratamentos próprios. Acompanhamento médico, atividade física, alimentação saudável, dependência química e uso de drogas, inclusive as lícitas como bebida e cigarro, tem relação com a qualidade de vida além da participação social. 

Estamos em plena pandemia, onde o isolamento é palavra de ordem, principalmente para a população idosa, que tem maior risco em relação ao COVID-19. Em que pé estamos? Temos que manter esse cérebro ativo, fazer com que as pessoas superem essas dificuldades da inclusão social e digital. Uma coisa está ligada a outra, por isso, atuo como coordenadora de políticas para a pessoa idosa dentro da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania pensando nessas relações. Existe um ganho para o idoso quando enxergamos que ele não está ligada apenas a saúde, ou a assistência, ou a previdência, ou a justiça e na verdade ele engloba todos esses aspectos representados no Estatuto do Idoso que declara que o idoso precisa de proteção, precisa ter condições de denunciar casos de violência, precisa do acolhimento, precisa da saúde e por aí vai. 

 

As diferenças que observamos em outras áreas, como na economia onde as mulheres ganham menos que os homens, também se repetem no processo de envelhecimento? Fatores culturais, gênero, ambiente social e a presença de sistemas de saúde, tanto rede particular quanto rede pública, são determinantes?

 Sim, esses determinantes sociais são muito importantes ao meu ver. Você pode resgatar esses determinantes na publicação do Kalache, A revolução da Longevidade. Ele destaca duas questões, dentre todos os determinantes, existem dois pontos transversais: um é o gênero, o outro é a cultural. 

Nós não podemos desconsiderar o histórico cultural das pessoas mais velhas e por isso nós defendemos a territorialização dessa população, ou seja que fiquem onde nasceram, onde criaram os filhos portanto onde teve seu ambiente de participação social. "Ah vou tirar ele da casa dele e vou colocá-lo na minha casa", temos que ter muito cuidado em relação a isso. Em casos extremos, talvez seja necessário, mas é melhor que a população idosa consiga permanecer onde transitou durante a vida toda, onde existe maior afinidade, aproximação e familiaridade. Chamamos isso de princípio da territorialização. 

A questão do gênero também merece destaque. Evidentemente que o processo de envelhecimento é um processo mais feminino, a gente fala dentro da gerontologia da feminização da velhice e existem muitos estudos falando disso. É muito importante que a gente entenda que existe uma característica muito marcante em relação ao envelhecimento da mulher, entretanto o sofrimento maior do processo de envelhecimento fica realmente para o homem. O homem tem muita dificuldade pra envelhecer, a mulher tem mais cuidados de saúde ao longo da vida.

 

Quais são os principais desafios enfrentados por quem está no processo de envelhecimento? Como lidar com o desenvolvimento de doenças e com o maior risco de desenvolver deficiências?

 

À medida que envelhecemos corremos riscos, né? Aumento de quedas em idosos é o que mais mata, aumenta porque nós temos a fragilidade óssea e doenças como osteoporose e também por questões visuais, há uma baixa da acuidade visão e acuidade auditiva. Nós temos a percepção e os reflexos, então há uma característica própria do processo de envelhecimento e isso é inevitável. À medida que você tem um trabalho de prevenção, uma rotina mais disciplinada no jeito de atividade física, alimentação saudável, grupo de amigos. Um dos recursos importantes é manter uma rede de amigos, mesmo que em pese alguns com o passar dos alguns venham a falecer, você abrir a possibilidade de novos contatos. è importante que você tem a amplitude da sua rede de suporte, para que você tenha a família e no caso da ausência da família que você tenha amigos, na ausência que você constitua uma outra rede de suporte. Isso é fundamental porque faz com que você esteja inserido e a gente chama na gerontologia, um sentimento de pertencimento, isso é muito importante. 

Apartar socialmente é um grande erro das políticas e na abordagem quando se fala de velho, "Ah vou colocar um prédio só de idosos" Eu não gosto disso. "Ah vou colocar um bairro só de idosos" Eu acho que a gente precisa de todas as diversidades, todas as diferentes gerações, toda  movimentação como é a característica de uma cidade. Não precisa isolar, você precisa cuidar e garantir uma cidade acessível você consegue nesse documento, A Revolução da Longevidade, Kalache fala muito sobre acessibilidade, sobre possibilidade de ter uma cidade mais amigável a pessoa idosa. Os risco de doenças sim, tem um gráfico de capacidade funcional quanto mais risco você corre quando inclusive como jovem 

 

Como devemos prover as condições ideias e as condições necessárias para oferecer cuidado de qualidade para população em envelhecimento?

 

A primeira providência é a participação social da pessoa idosa, participação nos conselhos e nos foros a exemplo de São Paulo - que tem 23 foros do idoso na capital. Nós temos o grande Conselho Municipal do Idoso, onde se concentram representantes das cinco macro regiões da cidade. É nesse local, nessa arena democrática, que se discutem as demandas e as necessidades das pessoas idosas na metrópole paulistana. São Paulo é uma cidade enorme, um idoso que mora em São Miguel Paulista é completamente diferente do idoso que mora no centro da cidade. 

Os idosos têm características diferentes, o que a gente chama de singularidade da velhice na área da Gerontologia. É importante respeitar as características de cada um e de cada região, na cidade de São Paulo são 96 bairros e distritos, cada um com seu perfil. Nós temos um documento onde fizemos o diagnóstico da questão para a cidade, elaboramos indicadores sociodemográficos para população idosa residente na cidade em São Paulo, porque o primeiro passo para fazer essas políticas públicas foi conhecer quem são esses idosos, onde eles vivem, quais são suas características e qual o perfil daquela população. Esse documento foi publicado em 2020, mas nós já o usamos desde setembro de 2017 quando iniciamos nosso trabalho durante a minha gestão na Secretaria. 

Então a primeira coisa é isso, a segunda é fortalecer essa participação social que é fundamental. Para que isso aconteça, você tem que levar ao conhecimento das pessoas idosas os dados sobre as regiões para eles avaliarem. Nós seguimos esse documento do Alexandre Kalache, que é um guia global de uma cidade amiga do idoso. Perguntamos para a população idosa sobre como está o transporte, a questão da moradia, a acessibilidade, a participação social, a questão dos locais de atendimento ao idoso se estão acessíveis e iluminados, além de uma série de perguntas que você  encontra ao visitar esse documento. Então você dá insumos às discussões e em cada bairro, em cada local isso faz com que exista uma participação, uma voz do idoso. Essa participação social clama por uma escuta. Então é como nós falamos, é de baixo pra cima e de cima pra baixo; isso é fundamental. 

 

Como podemos criar um novo paradigma de envelhecimento? 

 

A primeira coisa é falar de onde estamos falando, de que envelhecimento estamos falando. Nós estamos falando de um processo natural da vida, a velhice é natural, à medida que você vive mais adquire mais anos na sua vida, isso é super importante, e a partir dos 60 anos você é considerado idoso. Nós estamos sofrendo no Brasil,  principalmente na pandemia, a questão do idadismo - que é o preconceito em relação a idade.

"Ah é coisa de velho", "Isso é porque são velhos", "Porque os velhos precisam ficar apartados"... Existe um preconceito. 

Então, primeiramente, é preparar a sociedade para a maior proximidade com a questão do envelhecimento, então temos a questão da intergeracionalidade. A intergeracionalidade é um paradigma fundamental. As políticas públicas, privadas, filantrópicas, particulares devem integrar as ações e não fazê-las de forma apartada. É o mesmo idoso que transita entre a assistência social, entre a saúde e todas as outras áreas. Precisamos ter a integração e a integralidade, uma visão holística, integral, intergeneracional. A transversalidade é fundamental, todas as agendas de discussões precisam ter a temática sobre envelhecimento. Todas. Todas porque temos idosos imigrantes, LGBTs, em situação de rua, com deficiências, quilombolas, ribeirinhos, indígenas, portanto temos que parar de segregar. Todas essas temáticas devem vir à tona na discussão e tudo isso para preparar a questão de uma sociedade mais amigável e amorosa na questão do envelhecimento.  


 

Referências 

A Revolução Da Longevidade | Alexandre Kalache. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_5N8V1lPIGg&t=47s> Acessado em 24/11

https://ibge.gov.br/

KALACHE, Alexandre. Envelhecimento populacional no Brasil: uma realidade nova. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro ,  v. 3, n. 3, p. 217-220,  Sept.  1987 

BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente: Lei federal nº 8069, de 13 de

julho de 1990. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2002. 

Beauvoir S. (1990). A velhice. Tradução de MHF Monteiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira

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A quarentena é um privilégio, porém a classe operária se vira como pode e com o que tem, e a classe alta não ajuda, como de costume.
por
Gabriel Yudi Gati Isii
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08/03/2021 - 12h

A pandemia afeta o Brasil todo, dos ricos aos pobres, porém a quarentena para a classe baixa existiu durante um mês, logo após isso houve a crise, onde os comércios locais e pessoas empregadas em residências e empresas se viram necessitadas a sair de casa. Ficar em casa é um privilégio, em São Paulo, é um local de extrema desigualdade social e econômica, desde março a cidade vive em um colapso na saúde. A classe baixa tem diversos conflitos entre si e com a classe alta.

Segundo o site UOL, no dia 24 de maio, foi compartilhado que os 20 bairros com mais mortes por covid-19 são áreas periféricas. No site do G1, em 4 de agosto, foi publicado que o levantamento da prefeitura mostra a localização dos locais com mais vítimas fatais pelo novo coronavírus, o bairro de Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, é o primeiro com 437 óbitos pela doença, já o segundo é o da Brasilândia, na Zona Norte, com 368.

Em entrevista, Ana Paula Vianna, que perdeu seu avô, Carlos Ribeiro Vianna, de 83 anos, por conta do corona, conta como foi o procedimento até a morte. A família vive na COHAB-1 Zona Leste, onde é conhecido também como conjunto habitacional Padre José de Anchieta. Ela relata que não sabe dizer se houve mesmo uma quarentena por lá, pois muitos vizinhos acreditavam e confiaram em ser apenas uma “gripezinha”, porém houve a paralisação do comércio local, mantendo apenas estabelecimentos com serviços essenciais, segundo decretado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em relação a morte de seu avô ela contou detalhadamente como foi o trajeto até o óbito de Carlos. Na primeira ida ao hospital, não foi feito o teste para covid, apenas alegaram que o mesmo estava com dengue, porém no dia seguinte levaram o senhor para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itaquera, no local ele foi atendido e constatado como portador do vírus, mas enviaram ele novamente para sua casa, chegando na residência, a família ligou para o SAMU, que levou o idoso até o hospital de campanha do Morumbi, onde era muito complicado o contato com o próprio, mesmo que fosse para saber se havia melhora. Durante oito dias eles buscaram informações, ligando para os médicos responsáveis e assistentes sociais, porém sem nenhum retorno, quando conseguiam ver ele, aparentemente o idoso estava com frio. A neta afirma que o avô estava melhorando, porém de repente, houve uma ligação da médica responsável pelo plantão dizendo que o senhor precisava ser entubado, a família se desesperou, e no dia seguinte, houve a ligação dizendo que ele não possuía estabilidade para ser transferido de hospital por conta da intubação. Horas depois, ligaram dizendo que ele estava sendo transferido. Quando a família chegou ao Hospital do Mandaqui, localizado na Zona Norte de São Paulo, não havia registro da entrada de Carlos, após duas horas, a família conseguiu entrar na ala de emergência, porém ele não foi encontrado, até que um médico informou que o avô não havia resistido. A inconformação da família é se o mesmo morreu por negligência médica ou por vontade divina, pois afirmaram que o mesmo não aguentava ser transferido e mesmo assim houve a transferência.

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(Carlos Vianna é o circulado. Por: Ana, sua neta)

O atual presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, é um dos cúmplices para explicar o momento em que o país vive. Com as frases mais emblemáticas quando questionado sobre o coronavírus “É só uma gripezinha. ” e “Vou fazer o que? Não sou coveiro. ”. O governo do mesmo não tem um Ministro da Saúde em definitivo faz 3 meses. Muitos de seus seguidores apenas reproduzem suas falas e não ligam para as normas básicas que a OMS decretou. A priorização da volta da economia levou a diversos problemas, como o aumento em massa pelo vírus e o fatídico frango contaminado vendido para China, que vetou a compra de alimentos do país, Filipinas também mencionou que não comprara por enquanto.

Em entrevista, uma enfermeira do Hospital do Mandaqui, que pediu para que não fosse dito seu nome, explicou como funciona tudo por parte da linha de frente que ajuda ao máximo a população.

A mulher disse não haver falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) (roupas e acessórios para evitar o máximo a contaminação), mas não há leitos suficientes para todos os infectados, assim tendo que transferir o paciente para outros hospitais. Ela diz que os funcionários do hospital têm a preocupação de não se infectar e não levar o vírus para suas respectivas residências. Ela relatou que quando os pacientes descobrem que estão infectados eles entram em estado de medo e angústia, alterando batimentos cardíacos e impossibilitando diversos procedimentos, muitos oram em voz alta pedindo a cura para seu respectivo Deus, muitas vezes eles se exaltam. É normal, segundo ela, a população procurar ajuda médica quando já está em estágio avançado.

A quarentena é um privilégio da classe média e alta, a população da classe baixa não tem alternativa, apenas trabalha para que consigam colocar comida em suas respectivas casas. O descaso do Estado com eles é revoltante, mas sempre foi assim, o povo pelo povo, a burguesia nunca se importou, porque das mais de 100.000 mortes, a maioria vem das periferias. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, publicou em, 6 de maio, que houve um aumento de 45% nas mortes dos 20 distritos mais pobres da cidade. Já dos 20 bairros mais ricos, foi um aumento de 36%. Essa diferença ocorre pelo fato da classe baixa não ter condições de manter uma higiene básica, causada pela desigualdade social.

Lucas Marques Cardoso, 23, diz que seu pai, mesmo com todo o caos, teve que trabalhar durante a pandemia, mas ele não contraiu a doença, felizmente, alega o jovem. Em, Itapecerica, que é onde o mesmo mora, não houve quarentena para a população, mas para o comércio local existiu a parada. Lucas teve suspeita de corona, porém recorreu ao hospital particular, quando chegou lá e confirmou que havia o vírus, ele relata a diferença que é do sistema público para o privado de saúde.

Segundo a Imperial College, de Londres, cravou que a pandemia do novo coronavírus é elitista, pois lavar as mãos com água e sabão, algo considerado básico para se precaver, não é algo que todos possuem, assim aumentado a taxa de contaminação em 32%. Através da Organização das Nações Unidas (ONU), 4,5 bilhões de pessoas não têm acesso à saneamento básico seguro, dado de 2017.

A mesma pesquisa relata que os países com maior concentração de riqueza apresentam 4,7 vezes mais leitos hospitalares, 13 vezes mais médicos e 9,6 vezes mais enfermeiros em relação aos mais pobres.

Através do site G1, foi publicado uma matéria que visibiliza a desigualdade social, na qual o Ministério da Saúde disponibilizou o Código de Endereçamento Postal (CEP), de 3.959 pessoas, mostra que 66% das vítimas, da grande São Paulo, recebiam salários médios abaixo de R$ 3 mil, 21% com a média de R$ 6.500 e nas regiões da classe alta, a média de R$ 19 mil era de apenas 1%. Segundo o G1, também, no dia 17 de setembro, a média de mortes no Brasil nos sete últimos dias era de 779 óbitos por dia, que somados dão 5.453 no país.

Coronavírus: Pandemia escancara vulnerabilidade de 50 milhões da nova classe  C

(Reprodução: Uol.com)

Em entrevista com Lucas Bacelar, 18, morador do bairro da Brasilândia, localizado na Zona Norte de São Paulo contou sobre como vive durante a pandemia. O jovem conta que conheceu pessoas que se infectaram pelo vírus, sendo algumas pessoas de sua família e ele conhecia um senhor que tinha um bar, contaminou-se e faleceu, o caso viralizou tanto que foi parar na Record. O mesmo especifica como foi a quarentena por lá, na qual ele cita a preocupação inicial com o vírus, fazendo o possível para evitar movimentação na rua, higienizar, como possível, suas respectivas casas e as pessoas. Porém, cerca de um mês após o decreto do isolamento, o medo da contaminação ficou para trás e tudo voltou ao normal.

Lucas relata seu privilégio de sua mãe e seu irmão poderem trabalhar em home-office, porém ele mora com seu avô, que faz fretes e é autônomo, mesmo com o auxílio, teve de ir em busca de alguma renda. O próprio relata que o seu tio, que trabalhava de Uber e como segurança particular, teve de sair para a rua em busca de algum sustento. Ele pôde ver que os casos de pessoas que tiveram o privilégio de se manter em casa foram minoria, a grande maioria da população local teve que sair após os 15 dias de quarentena. Após isso, as festas e bailes clandestinos começaram novamente, logo, o isolamento proposto pelo governo foi quebrado muito rápido.

O jovem relata que no início, se assustava com a proporção de mortos, mas depois de algumas pesquisas feitas pelo próprio, ele disse que viu o quão grande era o bairro, que engloba boa parte da Zona Norte e da parte Noroeste, tornando o número de mortos pequeno para o real tamanho. Porém, ele ressalta que não se deve relaxar, e sim continuar tomando os cuidados devidos, sendo eles higiênicos e o mesmo cita a imunidade, para que haja uma boa resistência contra o vírus. Sobre a pesquisa de Lucas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a Brasilândia tem 5.803,542 km2, com cerca de 11.853 pessoas em seu território. Um bairro com grandes números comparado a outros próximos.

Uma enfermeira de um postinho de saúde da região da Freguesia do Ó, ela afirma que o Estado deu as condições mínimas de trabalho e os funcionários lidam com as normas descritas pela OMS. A mulher diz que é desesperador ver a reação das pessoas ao saberem que estão com o vírus, com a evolução e se poderão sair vivas.

Em entrevista com Antônio Gati, o idoso de 86 anos contraiu o vírus, ele alega que achou que morreria, pois ele já possui uma idade avançada e já tem casos de pressão alta e problemas pulmonares. O próprio tem convênio, porém com todos os fatores ele se torna um grupo de risco bem alto e grave, porém ele saiu bem e sem nenhuma sequela. Sua esposa, Rosa Moreli, também teve, ela possui 82 anos, tem diabetes e é obesa, no entanto, ela sobreviveu ao vírus, porém despertou um câncer em seu fígado e pâncreas.

O presidente, Jair Messias Bolsonaro, que tanto recomenda a cloroquina sem recomendações médicas pode gerar efeitos colaterais em seus pacientes com o uso do remédio, como arritmia cardíaca, problemas renais e comprometimento na saúde dos olhos. Magnus Gisslén, professor e médico chefe da clínica de infecção do Hospital Universitário Sahlgrenska, relatou ao jornal Gothenburg Post que o medicamento tem efeitos colaterais sérios, principalmente no coração.

De acordo com o monitoramento da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos), já são mais de 116.600.908 milhões de casos no mundo, com 2.589.638 morte até o momento. Mesmo com uma taxa de mortalidade baixa, que mata uma pessoa a cada 30, é uma doença letal que não se sabe seus efeitos a longo prazo.

A ONU publicou em 2019 o Índice Multidimensional de Pobreza, com 101 países analisados, há 1,3 bilhão de pessoas consideradas “multidimensionalmente pobres”. Cerca de 500 milhões vivem em pobreza extrema, sem comida, água e higiene básica. Aproximadamente, 600 milhões de pessoas menores de 18 anos vivem com a desigualdade e 428 milhões tem menos de 10 anos.

O relatório observa que a África Subsaariana e o sul da Ásia têm a maior proporção de pessoas pobres, cerca de 84,5%. O nível de desigualdade é descrito como imenso na África Subsaariana, onde varia de 6,3% na África do Sul a 91,9% no Sudão do Sul. O nível de disparidade no sul da Ásia é oscilando de 0,8% nas Maldivas, para 55,9% no Afeganistão.

Após todos os fatos, deve-se tomar cuidado atualmente e posteriormente a fase do coronavírus, na qual deve aumentar o índice, por exemplo quando o dono da Amazon aumentou sua fortuna enquanto milhares de pessoas perdem seus pequenos negócios e ficam desempregados. O covid-19 é um vírus que veio para atingir o pobre e fortificar a elite. As pessoas só não sabiam que teriam que lutar contra dois vírus, o coronavírus e o capitalismo. E para o brasileiro, combater o genocida Jair Messias Bolsonaro é mais um obstáculo.

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