No primeiro episódio do PODPUC, fizemos um recorte dos pontos que mais se destacam nesse momento de pandemia no Estado de São Paulo. Com as opiniões de professores, enfermeiro e uma pessoa que já contraiu o vírus
Trazendo diferentes visões sobre o assunto, foi produzido pelos alunos da PUC-SP: Marcelo Moreira, Maria Luiza Oliveira, Pedro Alcantara e Renan Mello.
Confira o episódio do PODPUC, disponível no Spotify: https://open.spotify.com/episode/1452CV5i9267CmSTU4IR7f?si=qWS6dS6-RdiuJbgvHnQmew&nd=1

Por Inara Novaes e Guilherme Dias
Em meio a crise sanitária dos últimos tempos, quando milhares de vidas são interrompidas diariamente, muitas pessoas vivem sem escolha, fadadas ao risco, expostas à morte e presas ao velho estigma do trabalhador: aquele que é impedido de parar, em troca da subsistência. Não importa o contexto social, político e econômico, trabalhar permanece sempre como sua única escolha de vida.
Segundo o filósofo alemão Dietmar Kamper no artigo O Corpo Vivo, O Corpo Morto, criamos imagens sobre essas pessoas e criar imagens é matar corpos. Transformados em imagem, os corpos perdem sua “essência natural e histórica”, tornando-se desprovidos de profundidade e subjetividade. Aos olhos de muitos, são apenas máquinas orgânicas programadas para funcionar, pois outra opção não lhes é dada. Para a população periférica, trabalhar é uma constante fuga do desabrigo, da fome, das dívidas e da morte.
Com esses corpos reduzidos a imagem, a sanidade mental dessa população é deixada de lado, ou melhor, não é pautada. Como relata a jornalista Thaís Cavalcante, em sua pesquisa sobre a saúde mental dos moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, a mídia falha em pautar esse assunto. “Nunca li sobre morador de favela ter problemas de saúde mental. A pessoa não tem informações sobre o assunto. A naturalização existe”.
A imposição ao ‘novo normal’ implica numa perturbação psicossocial, promovendo novas tensões, angústias e temores. “O que tem tirado muito o sono” aumentaram consideravelmente, os medos se tornaram ainda mais pavorosos e sabendo disso, empresas e governos buscam lançar sobre a população o cabresto do empreendedorismo. Sem auxílios suficientes e o já comum abandono, trabalhadores e trabalhadoras acabam internalizando o papel de próprio chefe e mergulhando em um novo mar de incertezas.
Confeiteira autônoma, Giovanna Vitória, 20, moradora do Capão Redondo, vive à margem das incertezas. “Eu só tenho essa renda e é dessa renda que eu consigo me manter, ajudar a minha família, ajudar o meu filho". Os receios somam-se à possibilidade de se contaminar e perder a única fonte de renda “e não conseguir fazer mais nada”.

Mãe solteira, Giovanna faz parte de um grupo de mulheres no qual a pandemia tem um peso ainda mais cruel. Cerca de 28 milhões de famílias são chefiadas por mães solteiras, segundo o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Sem outras pessoas para ajudar nas despesas de casa, essas mulheres não conseguem manter alimentação e higiene da sua família.
A romantização do sofrimento atinge muitas pessoas moradoras de comunidades e periferias. As políticas públicas não alcançam ou, na maioria das vezes, são ineficazes para muitas dessas famílias. Isto impacta na estabilidade psicológica, não é fácil falar de saúde mental sem considerar a crise financeira e outras preocupações que, ocasionalmente, esses grupos já lidam diariamente. Isso causa, inclusive, aumento do impacto emocional reverberando dentro dessa população a sensação de abandono.
Para além dos fatores culturais que afastam a periferia de acessar esse serviço, o alto custo de sessões de terapia e a falta de profissionais da área no Sistema Único de Saúde (SUS) colaboram para a atual realidade. “Eu queria muito fazer terapia, mas tá muito fora da minha realidade atualmente, financeiramente falando, e práticas de autocuidado são coisas que nunca foram fomentadas na população periférica. É muito complicado, porque ocupa muito tempo e é um tempo que, às vezes, a gente poderia tá usando pra fazer outras coisas da nossa vida, tipo trabalhar”, afirma Kaio Chagas, 20, trabalhador autônomo, fundador do brechó "Veste Pencas".

O Portal Psicanálise Clínica confirmou em pesquisa de 2019, que em média, as sessões de psicanálise variam de R$ 70 a R$400 por encontro. Em geral, psicólogos solicitam uma sessão com frequência semanal, porém com a intenção de garantia de faltas, alguns profissionais gostam de trabalhar com dois encontros por semana, ou seja, no final do mês os valores podem variar entre R$280 e R$ 3200.
Mesmo com a Internet ajudando na socialização de serviços voltados à saúde psíquica por meio de coletivos e movimentos que fornecem sessões gratuitas ou com preço acessível, o ambiente domiciliar de muitas famílias periféricas dificulta o andamento da sessão, pois, muitas das vezes, a privacidade é escassa. Sem um ambiente adequado, a terapia pode gerar tensões ainda maiores ao paciente.
Com a falta de acesso e o alto custo, moradores das margens sociais criam maneiras de superar os momentos de tristeza, ansiedade e depressão. “Olha, eu tento dormir, acho que é o que eu tenho feito bastante, quando posso. Quando não preciso fazer algum bico, algum trabalho para complementar a minha renda”, revela Kaio.
Estar inerte e se deixar consumir pelo cotidiano pandêmico faz parte de muitas vidas em 2021. Com o número de mortes aumentando cada vez mais e a impossibilidade de respirar novos ares, estar estático se torna inevitável. Não há tempo, não há incentivo, muito menos meios governamentais que possibilitem a melhoria da vida psíquica da população periférica. Para o sistema e boa parte da mídia hegemônica, o trabalhador continuará como uma máquina orgânica sem sentimentos ou psicológico.
Em março de 2020 foi declarado o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Um ano depois, somatizamos em mais de 400 mil mortes. Mas por que motivo isso acontece? A quem se deve o colapso que estamos vivendo, e, principalmente, a que comportamento isso pode ser associado?
Apesar de São Paulo ter mais de 12 mil leitos (todos ocupados), e considerando que a UTI está operando com quatro vezes da sua capacidade total, a fila de mortalidade de covid só cresce - são centenas de pessoas aguardando e falecendo ao não conseguir ter acesso a nenhum leito (vale lembrar que São Paulo é o Estado com maior quantidade e disposição de leitos no país). A calamidade é geral, milhares de habitantes aguardam oxigênio.
Além de temas como “quarentena”, “lockdown” e “kit covid”, não podemos descartar a falta de um plano nacional de imunização, a “novela” que está sendo o processo das vacinas desde o ano passado e o comité anti covid falando inclusive sobre furar a fila do plano nacional - tal que é para muitos, questionável. Sem contar que não se fala de combate, das estatísticas de outros países e da importância crucial de usar máscaras protetoras.
A grande falta de informação produz um descuido na proteção ao vírus, inclusive aglomerações constantes e várias festas clandestinas; mas será que quem frequenta este tipo de ambiente realmente não tem acesso a informação ou prefere se alienar para “curtir com os amigos”?
Após o aumento em massa de casos de covid com a nova variante e o decreto do governo da fase vermelha e emergências, os donos de festas, lounges, bares começaram organizar as mais conhecidas “festas clandestinas”.
São festas feitas a escondidas, contra as leis, com pessoas imprudentes que desrespeitam as regras e não se importam com o grande número de casos em São Paulo. Os organizadores que são chamados de promotores fazem o convite circular pelas redes sociais, sem nunca revelar a identidade para não serem pegos facilmente pelos guardas civis, policiais ou fiscais da vigilância sanitária.
Os interessados entram em contato e recebem os dados bancários para o pagamento, só após feito e a apresentação do comprovante é revelado onde será o ponto de encontro para o partida ou mandam o endereço para se conduzirem ao local proibido onde ocorrerá a festa clandestina.
Os promotores apresentam regras antes de acontecerem as baladas para que não ocorra de serem encontrados, eles obrigam os convidados a deixarem o celular em um guarda volumes para evitar as fotos, também frequentemente a troca de endereços.
Dependendo do lugar e da festa a classe social acaba mudando, em lugares mais elegantes e mais caros a elite de São Paulo estará presente, que são as pessoas que têm mais dinheiro e estão dispostas a pagar mais de 300 reais pela entrada das baladas. Já em bairros mais pobres a classe muda, mas independente de quem são as pessoas eles estão desrespeitando as regras e piorando o andamento contra o Vírus.
O empresário Carlos Eduardo de Andrade, de 28 anos, era dono de um restaurante, no centro de São Paulo. Porém com a pandemia, muitas lojas e restaurantes tiveram que fechar suas portas, devido a crise. Carlos não conseguiu manter seu restaurante e fechou.
"Na minha opinião, restaurantes, bares, shoppings e o comércio deveriam funcionar normalmente, com o uso obrigatório de máscaras e distanciamento, não vejo necessidade alguma de não poder funcionar e no final somente nós saímos perdendo e tendo que fechar nossos estabelecimentos .” disse Andrade.
Carlos conta que estava frequentando restaurantes, bares e até mesmo festas com aglomerações.
“ Não acho tão preocupante o momento atual que estamos vivendo, a ponto de parar a minha vida e ficar isolado em casa, sei que muitas pessoas estão morrendo mas é só se cuidar e sair de máscara. Estou saindo com meus amigos sempre que posso.” Diz Andrade.
Com cerca de 341 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, e os números de mortes por dia cada vez maiores, Carlos Eduardo diz não confiar em números e dados fornecidos pelo ministério da saúde.
“Posso afirmar que o governo está fazendo um bom trabalho na pandemia, dentro do possível é claro, mas acho que eles aumentam os números de morte para deixar a sociedade mais aflita, com medo de sair e assim, as pessoas começam a ficar em casa.” Diz Andrade
Com o processo de vacinação ocorrendo por todo o Brasil, o empresário faz parte do grupo de pessoas que ainda não sabem se irão se vacinar e duvidam da eficácia.
“Tenho um tempo para pensar até chegar a minha vez, mas como nunca peguei o vírus, acho que não vou precisar, tenho uma boa imunidade. Até porque não quero virar jacaré.” Diz Andrade.
Para buscar um contraponto de alguém que estava tratando a pandemia com cuidado e respeito, entrevistamos Lia Aruni Damous Bertolo, de 20 anos, que atualmente exerce a profissão de estudante. Lia está tomando todos os cuidados e cautelas necessárias e tem uma opinião contrária à de Carlos Eduardo de Andrade sobre a pandemia e a Covid-19.
“Por um um lado entendo aqueles que precisam trabalhar e não tem a opção de não pegar transporte público, mas vejo que muitos já se acostumaram com o que estamos passando e não tem mais “medo” do vírus. Acredito que aqueles que não tem mais “medo” do vírus e não se precavem podem não ajudar a melhorar a situação que estamos. Outro ponto que não está colaborando é o governo, que está cagando completamente pra tudo, e isso tá me dando um certo medo de ver os outros países conseguindo controlar a pandemia enquanto o Brasil só cresce o número de mortos por dia.” Diz Bertolo
A estudante conta a respeito das medidas que está tomando junto a sua família para se cuidar contra a Covid-19.
“As medidas que ando tomando são as básicas, como o uso de álcool em gel sempre que não estou em casa, uso de máscara, quando volto do mercado com compras sempre higienizo, ao entrar em casa tirar o tênis, higienizar a sola do sapato e o colocar na área externa (onde há ventilação natural) além de sempre que posso tomar um banho por completo depois de voltar da rua, minha mãe está bem exigente, mas com razão, todo cuidado é pouco.” Disse Bertolo
Lia tem tomado cuidado em dobro pois está vendo somente seu namorodo e a família dele tem pessoas no grupo de risco, sobre a vacinação da COVID-19 a estudante pontuou;
“Sobre a vacina, irei tomar e meu namorado também, estamos ansiosos. Mas ainda não fiz uma pesquisa a fundo pra saber mais detalhes e eficácias das vacinas. Para aqueles que optaram por não tomar, eu respeito, mas estes têm que ter um cuidado maior consigo e os que estão à sua volta.” Disse Bertolo;
Lia conta que está passando por momentos de altos e baixos na quarentena e acredita que todos estão de saco cheio.
“Estou muito de saco cheio da quarentena, tudo que eu queria era poder viajar com meus amigos, sair na rua, abraçar pessoas, mas não é por isso que vou furar a quarentena e botar a minha vida e a de outros que estão à minha volta em risco, é difícil se manter positiva e produtiva em tempos como esse, tenho várias fases precisamos cuidar da gente e da nossa saúde mental.” Diz Lia.
Após as entrevistas, ficou clara uma nítida contraposição entre os entrevistados. Enquanto de um lado existem pessoas clamando pelo fim da pandemia, e tomando cuidado para que este período não se prolongue, temos outras pessoas que estão vivendo a vida de maneira muito próxima a vida normal, sem se preocupar com contrair a doença e sobretudo em transmiti-la.
O interessante é pensar que ambos os entrevistados estão lidando com a mesma crise sanitária, de formas absolutamente distintas.
Com o cenário atual que estamos vivendo, existem pessoas que preferem não enxergar a realidade, às vezes é mais fácil, só pensar em você, enxergar a sua realidade, que muitas vezes é totalmente diferente dos outros, sem se importar com o próximo, e com as dificuldades que muitas pessoas estão passando, notamos isso nas entrevistas.
Enfrentar a pandemia está sendo difícil para todos os brasileiros, todos tiveram que se adaptar a uma nova realidade, se reinventar, construir uma nova rotina totalmente diferente, ver a vida por outros ângulos, dar chances para o novo. Não podemos negar que as classes inferiores sentem esse impacto de uma forma maior, e com mais necessidades, mas cada um tem sua batalha diária, sua forma de passar e viver a tudo isso.
A melhor forma de enfrentarmos a Covid-19 é sendo humilde em reconhecer que esse momento tão crítico e cruel merece nossos esforços para que tudo acabe logo, como fazer a quarentena, ficar em casa sempre que possível, usar máscara, álcool em gel, evitar aglomerações. Cada vida importa, a sociedade precisa se unir para um bem estar coletivo, não dá mais para fingir que todos os dias morrem mais de mil pessoas, que o Brasil não é um dos piores países no combate do vírus, com dados e índices assustadores. Precisamos combater esse vírus e a diferença começa por cada um de nós.
Mesmo com a escalada da pandemia da Covid-19 no Brasil com mais de 13 milhões de casos e 4 mil mortes em média por dia, até o fechamento desta reportagem em 08 de abril, pela doença além de novas variantes surgindo como a detectada na cidade de Manaus no Amazonas e outra na cidade de Sorocaba em São Paulo, muitos ainda defendem a abertura de serviços considerados não essenciais como academias alegando a necessidade de praticar exercícios físicos às vezes até indo contra decretos estaduais, como em São Paulo que por decreto do governo estadual nenhuma academia pode estar aberta desde o dia 6 de março quando todas as cidades do estado entraram na Fase Vermelha do "Plano São Paulo" que proíbe serviços como esse de abrirem.

Essas medidas tiveram que ser tomadas novamente devido ao relaxamento nas regras de isolamento e ao comodismo das pessoas em relação à pandemia. Entrevistamos pessoas sobre essa normalização da pandemia na cabeça de alguns e como isso afetou no ponto de vista de quem realmente está correndo risco e não tem condições de ficar trabalhando em casa: “É uma palhaçada isso, eu sei que na minha quebrada tem gente que não respeita , mas também nós [pobres] não temos condição de ficar em casa ,a gente tem que fazer o nosso corre, ou eu trabalho ou passo fome.”Carlos, morador de Paraisópolis."Como sempre, a gente paga o preço das pessoas que não estão respeitando ,ainda mais quando a gente trata de vidas”,ressaltou Vera Lúcia, uma idosa moradora da zona XXX, em São Paulo.
Na última semana de março, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), decretou a antecipação dos feriados de Corpus Christi de 2021 e 2022 ,da Consciência Negra de 2021 e 2022 ,além do aniversário da cidade de 2022.Todas essas medidas foram uma tentativa de diminuir os números de mortos e infectados pelo Covid-19.
O avanço do coronavírus está colapsando o sistema de saúde na cidade de São Paulo, a ocupação dos leitos de UTI já está em 90%,leitos de enfermaria praticamente lotados e pela primeira vez na pandemia a capital paulista apresentou falta de oxigênio para o tratamento de pacientes.
LUTA PELA VIDA
Estamos em tempos de guerra, a luta pela vida é diária e devemos nos resguardar se possível e nos manter atentos sobre os cuidados de higiene pois o vírus ainda está por aí esperando a nossa desatenção.A maioria dos brasileiros mudou a sua rotina devido a pandemia, com o auxílio da internet, tudo ficou um pouco mais fácil, um escritório passou a fazer a suas reuniões diárias via video chamada.
Outra questão que está emergindo é a relação da prática de atividade física como grande potencial na prevenção das consequências decorrentes do vírus, muitos dos profissionais das academias estão sem receita pois não tem como exercer seu trabalho, muitos destes mesmos profissionais questionam essas medidas de lockdown pois não incluem a academia como atividade essencial.Mesmo com essas medidas, existem pessoas que mantém o seu estabelecimento funcionando de forma clandestina, entrevistamos um destes donos com a finalidade de saber o que levou ele a fazer isso.O entrevistado pediu para ser identificado com um nome diferente do seu para não causar problemas para o próprio.
Mesmo diante deste caos que está a pandemia porque o senhor manteve a academia funcionando?
Primeiramente, sou praticante de esportes há 35 anos, de musculação à levantamento de peso olímpico.É cientificamente comprovado que a prática de atividade física ajuda na imunidade do ser humano além de ser um dos pilares contra a obesidade..Eu acho um absurdo esse fechamento das academias e dizer que os profissionais presentes nas academias não são “profissionais de saúde''. Absurdo, claro que somos”.
Mas o que o senhor acha dessa pandemia e do coronavírus ?
Não é que eu desacredito do Covid-19, mas temos que cuidar da nossa saúde, melhorar os hábitos alimentares e praticar atividade física que na minha opinião é essencial para um momento desse. Eu tenho atletas de alto rendimento e eles não podem ficar sem academia..Além de já ser um válvula de escape natural para o estresse, que aumentou drasticamente na população desde que começou a pandemia, o esporte incentiva o funcionamento do nosso sistema imunológico.
Ao final de 2019 o mundo presenciou algo jamais visto por muitos, o início de uma pandemia. O novo coronavírus é uma doença infecciosa que pode ser transmitida por meio de gotículas de saliva, do aperto de mãos contaminadas, espirro, tosse e tem como sintomas: perdas de olfato e paladar, falta de ar, tosse, dor de garganta, coriza, febre, cansaço, entre outros. Mas, o que realmente preocupa são os assintomáticos que espalham esta enfermidade sem sequer saberem que estão doentes, colocando as pessoas do grupo de risco, como idosos e pessoas com pressão alta, em piores condições. Os jovens, menor grupo de afetados pela doença, acreditam que podem ignorar o isolamento social, que funciona como método preventivo e que é adotado por muitos países até hoje.
Em entrevista, Ana Silva, 18 anos, estudante de direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, conta à Agência de Jornalismo Online Maurício Tragtenberg sobre sua vida na pandemia, que inclui encontros familiares e com amigos. A jovem diz que desde o começo era contra o isolamento e que nunca parou de frequentar lugares como farmácias, cartório, supermercado, academia, praia, restaurantes (quando abertos) e que se a faculdade estivesse aberta, também iria. Em seu relato, ainda narra que em sua família houve encontro familiar para a comemoração do Natal, que contou com a presença de 15 ou 20 pessoas e que os integrantes não utilizavam máscaras, medida utilizada para prevenção do covid-19, especialmente com a presença de idosos.
A necessidade de ver pessoas é um ponto que Ana ressalta em sua fala, ela se reúne com seus amigos frequentemente, em torno de 5 a 15 pessoas aos fins de semana, na maioria das vezes. A jovem diz que os encontros com pessoas de sua faixa etária estimulam as habilidades de convivência, indica que é reconfortante tê-los ao seu lado fisicamente e não somente através de uma tela de celular. Psicólogo formado há 16 anos pela Uniban, Sidney de Rosa Júnior, em entrevista à agência, explica essa necessidade de convivência: “Tem a questão dos interesses similares, assim como a identificação com um grupo. Um jovem de 18 ou 19 anos tem a maturidade e os interesses completamente diferentes de um adulto de 30 anos, a conversa é outra, a diversão é outra.”

Mesmo tendo contato com várias pessoas sem tomar as devidas medidas de prevenção contra a doença, a menina não a contraiu. Em razão deste exemplo e de muitas outras situações semelhantes que os jovens de hoje em dia possuem essa ilusão de indestrutibilidade, por terem pouca idade, acreditam que são indestrutíveis. Questionado sobre isso, Sidney elucida sobre essa “Síndrome de super-heróis”: “Quando somos crianças, não conseguimos associar a ideia por trás da morte. Quando entramos na adolescência, temos consciência do que ela é, porém é uma ideia muito distante. Isso, combinado com a liberação de hormônios (que não podem ser ignorados também) nos jovens gera a sensação de imortalidade”.
Em entrevista à BBC News, o médico Matheus Alves de Lima, em um plantão recente de casos de covid-19 em UTI de hospitais de campanha no Distrito Federal, afirma que houve uma mudança no perfil dos pacientes. "Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante", explica à BBC News Brasil. Alves ainda relata outros casos como o de um paciente de 28 anos que não resistiu à extubação (processo de retirada da ventilação mecânica), precisou ser entubado novamente e fazer hemodiálise.

Em entrevista coletiva no dia 1° de março de 2021, o Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirma que "a pandemia retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferentes daquela da primeira onda". E continua, "São pacientes mais jovens, que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e, pior, são pacientes que acabam permanecendo um período mais prolongado nas UTIs. Na primeira onda, tínhamos (nas UTIs paulistas) percentual de mais de 80% de idosos e portadores de doenças crônicas. O que temos visto hoje são pacientes mais jovens, 60% deles de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia."
Muitas das pessoas contaminadas hoje utilizam desculpas como não estarem no grupo de risco, ou até mesmo por já terem contraído o vírus para se aglomerarem e não seguirem as normas de prevenção contra o covid. A maioria da população mundial já tomou alguma atitude considerada inconsequente, porém há um limite que está sendo seriamente ultrapassado, visto que são completamente diferentes a ida a um restaurante e a uma festa, por exemplo.
A conscientização dos jovens quanto aos riscos da doença e a adoção das medidas sanitárias recomendadas pelos médicos são fundamentais para o controle da pandemia no Brasil, porém não é o que ocorre, uma vez que o percentual de pessoas que morrem sem atingirem os 60 anos de idade saltou 35% em relação ao ano passado, segundo dados fornecidos pela UOL com base nos números do portal da transparência da Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais).
(O nome da jovem entrevistada foi alterado para a preservação de sua identidade).




