Após uma década de “Body Positivity”, os tapetes vermelhos estão sendo ocupados com o mesmo padrão de beleza que juravam ter deixado de lado
por
Sofia Morelli Cordeiro
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09/06/2026 - 12h

Desde 2010, a promessa de inclusão se acendeu na indústria da moda, o culto pelos corpos magros ao extremo, muitas vezes chegando a níveis doentios, como o “heroin chic”,  parecia estar enterrado. O Plus-Size ganhou a atenção do público e das marcas e anunciou uma era do que podia constituir como padrão de beleza. Mas agora o mundo deu mais um retrocesso, com o aumento na procura por remédios emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro e manequins estreitados novamente. Em entrevista à AGEMT, Mariana (nome fictício), estudante na PUC-SP, conversa sobre o uso há 1 mês de uma caneta emagrecedora, com acompanhamento de sua endocrinologista. “Acho que a gente acaba sempre em um lugar de insatisfação, com o corpo, a aparência. Esses remédios apareceram como um atalho para uma autoestima melhor, uma aceitação interna. Desde que eu comecei a tomar, eu perdi 8 kg em quatro semanas, e eu estou bem, saudável e mais feliz por estar perto da minha meta, sabe?”.

Os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, Ozempic e Mounjaro, originalmente  foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas ao serem injetados, simulam hormônios intestinais que aumentam a saciedade e reduzem a fome, por isso acabaram nas mãos do público como uma forma eficiente e rápida para se alcançar a silhueta que a moda voltou a celebrar. Celebridades e influenciadores passaram a atribuir publicamente suas perdas de peso com a menção dessas “canetas” e o uso cosmético desses remédios ganhou um caráter quase banal.

O papel das passarelas nesse ciclo não pode ser subestimado, pois quando a moda celebra um tipo de corpo, ela dá impulso à um efeito cascata que atravessa campanhas publicitárias, redes sociais, conteúdos de beleza e atinge os espelhos de mulheres reais, que olham para esses medicamentos como seres milagrosos por darem a oportunidade de alcançarem o corpo ideal, o mesmo que desfila por suas telas. Foi na década de 1990 que surgiu o termo “Heroin Chic” para definir uma estética que crescia, corpos esquálidos, rostos ocos, olheiras profundas, ossos protuberantes, e dominava as passarelas e as revistas, com a “angel” (apelido das modelos da Victoria's Secret), tendo Kate Moss como pioneira.

O nome já dizia tudo: glamourização de uma aparência associada ao consumo de drogas e à autodestruição. Com o tempo, essa estética foi parcialmente despopularizada, ao menos no discurso público que queria aparentar dar atenção a formas saudáveis de emagrecer, com esporte e alimentação balanceada. Mas ela nunca sumiu de verdade. O desfile da Victoria's Secret era um símbolo central da ideia do “corpo perfeito” no início do século, que por anos teve um grande peso na imaginação da população sobre qual deveria ser a meta feminina. Quando as pessoas pediram uma extensão na visão de quem podia ser uma modelo, atravessando as ideias de curvas, idade e etnia, a marca sofreu.

Esse novo divisor de águas no meado de 2010, afetou audiências e eventualmente, por esses e outros problemas administrativos, o famoso desfile perdeu sua relevância a ponto de ser fechado. Mas em outubro de 2024, o desfile voltou, após seis anos de inatividade, com uma palavra-chave no press-release, “Body Positivity", e no ano seguinte, as propagandas continuavam com a mesma linha. Mas em 2025, assim como em 2024, havia cerca de sete modelos curvilíneas entre 52 modelos no total, com os tamanhos “ plus-size”, para as cabeças por trás desta marca, incluíndo 42-44 BR, que são menores do que o tamanho médio utilizado pelas norte-americanas, entre 16-18 US/50 - 52 BR, de acordo com Debora A.Christel e Susan C. Dunn em seu estudo de 2017, “International Journal of Fashion Design, Technology and Education”. Uma discrepância é revelada quando se compara esses números com o esperado para essas Angels, que devem permanecer entre os tamanhos 0-2 US, ou o 34 BR.

As peças de roupa são uma materialização do retorno da glorificação da magreza. Havia um roteiro bonito sendo construído, a abertura das portas da indústria da moda para todos que quiserem entrar, que acabaria com a ideia persistente de gordura como o maior mal contra as mulheres, mas com esse retorno, fica a dúvida se esse processo era visto, pelas grandes corporações, como uma transformação permanente nesse meio. Era um mundo que parecia à beira da morte para muitos, mas que se mantinha vivo no imaginário de muitas meninas que cresceram com esse padrão em suas telas, sendo alimentadas pelos detalhes que remetiam a essa ideia. “Eu sempre tive uma percepção meio distorcida do que é magreza, mas mais por conta dos filmes e séries que eu assistia quando pequena. Eu lembro da Britney Spears sendo considerada gorda numa apresentação, no começo dos anos 2000, saiu em tudo quanto é lugar a gordurinha que apareceu no jeans dele, era algo que deveria ser normal, mas  entrou nas cabeças das garotinhas assim”, conta Mariana.

O mundo das passarelas e tapetes vermelhos estarem fechando seus olhos e valorizando novamente essa ideia de magreza extrema, pode ser o combustível para o aumento de comportamentos, em relação a saúde, devastadores, como distúrbios alimentares, distorção imagética e oscilações de humor, além de reforçar uma abordagem de olhar para os corpos para uma nova geração de garotas mais jovens e suscetíveis a essas manipulações. 

Imagem de capa: Fonte: https://drconsulta.com/conteudo/mounjaro/ Imagem ilustrativa das canetas "emagrecedoras"

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Especialistas alertam que os prejuízos, que vão muito além das perdas financeiras, podem comprometer relações familiares
por
Renata Bittar
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08/06/2026 - 12h

As apostas online se tornaram parte da rotina de milhões de brasileiros, mas o crescimento acelerado das chamadas bets também tem levantado preocupações sobre seus impactos financeiros e psicológicos. Dados do Ministério da Saúde apontam aumento na procura por atendimento relacionado à dependência em jogos, enquanto especialistas alertam para os riscos da compulsão, do endividamento e da falsa percepção de ganhos fáceis. Em entrevista à AGEMT, o psicólogo Renan Afonso e a advogada e presidente da ANVINT, Tanila Savoy, explicam como funciona o mecanismo que pode levar ao vício em apostas, quais são os direitos dos consumidores e os limites da responsabilidade de empresas, influenciadores e plataformas digitais. Confira o podcast clicando aqui! Em caso de emergência, disque 188 para falar com o Centro de Valorização à Vida (CVV). 

 

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Navio de expedição saiu no início de abril do Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde
por
Juliana Bertini de Paula
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26/05/2026 - 12h

Um surto causado por uma cepa rara do hantavírus, Andes, transmitida entre humanos, atingiu um navio de cruzeiro que partiu no dia primeiro de abril de Ushuaia, na Argentina. Atualmente, já são três as mortes registradas, sete casos confirmados e dois casos suspeitos entre os 149 passageiros. O destino final seria Cabo Verde, mas por conta do risco sanitário e a falta de estrutura, o navio seguiu para as Ilhas Canárias em Tenerife, após ficar três dias à deriva. 

Início do surto

Cinco dias após o embarque, um passageiro holandês apresentou os primeiros sintomas da hantavirose. Seis dias depois, em 11 de abril, ele faleceu a bordo. Devido às condições do cruzeiro, seu corpo só pôde ser retirado 13 dias depois, quando o navio atracou na remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. 

Durante esse período, a esposa do passageiro também apresentou sintomas compatíveis com a doença e dois dias após o desembarque, a holandesa também faleceu, já na África do Sul.

Especialistas indicam que o "paciente zero" provavelmente contraiu o vírus ainda em solo argentino. O Prof. Marcos Vinicius da Silva, médico coordenador do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e consultor do Ministério da Saúde, explicou à AGEMT a dinâmica do evento: "A provável causa do surto foi algum dos passageiros durante um passeio, em terra, foi infectado com o Hantavírus Andes, transmitido por algum roedor silvestre e tenha levado e disseminado o vírus para os outros passageiros e tripulantes".

O que transforma o caso do navio em uma emergência de saúde pública global é a biologia da variante Andes. Embora a grande maioria das cepas de hantavírus demande a inalação de partículas de fezes ou urina de roedores contaminados, o vírus Andes possui a rara capacidade de ser transmitido com o contato próximo e prolongado de pessoa para pessoa. Ou seja, o ambiente fechado do cruzeiro funcionou como um acelerador para a propagação da doença. 

Cruzeiro de luxo MV Hondius em expedição polar. Foto: Divulgação/Oceanwide expeditions
Cruzeiro de luxo MV Hondius em expedição polar. Foto: Divulgação/Oceanwide expeditions

 

Evacuação e repatriação

Atracado em Tenerife, o MV Hondius concluiu a evacuação de passageiros e tripulantes. O último grupo, formado por seis passageiros e parte da tripulação, desembarcou no dia 11 de maio antes de seguirem para a Holanda, em voos organizados pelas autoridades holandesas. Após a operação, o navio deixou as Ilhas Canárias rumo aos Países Baixos, levando apenas uma equipe reduzida, além de profissionais de saúde, para passar por um processo de descontaminação e limpeza completa. 

Os viajantes já repatriados seguem em processo de quarentena em seus respectivos países. O protocolo está baseado no longo período em que o vírus pode permanecer "silencioso" no organismo. "As medidas de isolamento dos passageiros e tripulantes já foram tomadas, aguarda-se o período máximo de incubação da doença, que é de seis semanas, com observação médica e sanitária contínua dessas pessoas", esclarece o especialista.

 

A doença

A letalidade da infecção explica as decisões extremas de navegação. Originalmente com destino a Cabo Verde, o desembarque foi negado pelo país africano por conta da falta de infraestrutura local para o suporte médico de alta complexidade, exigido para conter a doença. Isso deixou a embarcação à deriva no oceano Atlântico até que a rota para a Espanha fosse aprovada.

A evolução dessa síndrome é frequentemente fulminante, exigindo intervenção imediata e equipamentos de biossegurança de nível máximo. "O quadro clínico se torna grave logo no início da doença e requer tratamento em unidade de terapia intensiva e com medidas de barreira para isolamento, diminuindo o risco de transmissão para os profissionais de saúde que atendem o paciente", explica ainda o Dr. Marcos Vinícius.

O alerta para a gravidade da hantavirose se dá, em grande parte, pela forma como os primeiros sinais aparecem, muitas vezes confundidos com outras infecções menos severas, antes de evoluírem rapidamente para uma emergência médica. Nos estágios iniciais, os infectados pela cepa Andes costumam apresentar sintomas semelhantes aos de uma forte gripe, como febre, calafrios, dores musculares intensas especialmente na região lombar, ombros e coxas), além de fadiga profunda, dores de cabeça, náuseas e vômitos. 

Imagem microscópica do vírus da hantavirose. Foto: Divulgação/CDC
Imagem microscópica do vírus da hantavirose. Foto: Divulgação/CDC

O cenário da doença, contudo, deteriora-se de forma abrupta na transição para a fase cardiopulmonar. Em questão de poucos dias ou até horas, o paciente passa a sofrer com tosse, falta de ar severa e acúmulo rápido de líquido nos pulmões (edema pulmonar). O quadro culmina em insuficiência respiratória e colapso do sistema cardiovascular. É essa progressão fulminante que justifica a necessidade crítica de leitos de UTI com suporte de vida avançado - o que motivou a busca desesperada do cruzeiro por um porto estruturado. 

 

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Demora no atendimento transforma a espera por saúde em sofrimento diário para milhões de brasileiros.
por
Alice Begnini
Lawanny Nasc
Rafaella Lalo
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21/05/2026 - 12h

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversos serviços gratuitos à população. Criado para garantir acesso universal à saúde, o sistema atende cerca de 76% dos brasileiros exclusivamente pela rede pública. Porém, as queixas sobre o longo tempo de espera aumentam diariamente, causando indignação em quem depende do atendimento.

Apesar dos avanços anunciados pelo governo federal, a realidade ainda é marcada pela demora. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2022 e 2024, o número de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS aumentou 32%, chegando a 13,6 milhões em 2024, o maior número da história do sistema. O governo também ampliou o Programa Nacional de Redução das Filas, que recebeu R$ 1,2 bilhão em investimentos no último ano.

Além disso, programas como o “Mais Acesso a Especialistas” foram criados para diminuir o tempo de espera em áreas críticas, como cardiologia, oncologia e ortopedia. O SUS também é responsável por cerca de 85% dos transplantes realizados no Brasil e possui um dos maiores programas públicos de vacinação do mundo.

Em entrevista, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto destaca que, apesar das dificuldades atuais, o SUS foi fundamental para melhorar as condições de vida da população brasileira nas últimas décadas. Segundo ele, avanços como o acesso à água tratada e melhorias na saúde do trabalhador contribuíram para o aumento da expectativa de vida no país.

Mas os números não conseguem medir o peso da espera.

“Não existe atendimento imediato em nenhum sistema de saúde do mundo”, ressalta Vecina. Para ele, o principal problema não está apenas na existência das filas, mas na maneira como elas são administradas. O médico critica a falta de integração entre estados e municípios e afirma que a má gestão das filas acaba aumentando ainda mais a demora no atendimento. “Nós não temos tido uma resposta mais efetiva do Estado”, disse.

Gonzalo também aponta falhas na integração entre municípios e estados. “As filas são muito mal administradas”, declarou. Segundo ele, pacientes entram em diferentes sistemas de regulação ao mesmo tempo e muitas vezes não cancelam consultas já marcadas, causando desperdício de vagas e aumento da demora.

Mas os dados ainda não mostram madrugadas em corredores de hospital, famílias implorando por exames ou pacientes vendo sintomas simples se transformarem em doenças graves. Também não mostram histórias como a de José Francisco da Silva.

Morador de Embu das Artes, na Grande São Paulo, José Francisco, de 62 anos, aposentado por invalidez e sem instrução, sofria de reumatismo reumatoide quando começou a passar mal e foi levado a uma unidade de saúde com pneumonia. Após ficar internado por apenas 24 horas, recebeu alta. No dia seguinte, piorou. A partir dali, começou uma rotina marcada por tentativas desesperadas de conseguir atendimento.

O quadro de pneumonia piorou com uma infecção urinária e depois evoluiu para sepse, uma infecção generalizada. Segundo a filha, Cleonice Reis, a família precisava insistir constantemente para que o estado de saúde do pai fosse atualizado na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), sistema responsável pela transferência de pacientes entre hospitais do estado. “A gente entrou em guerra para tentar salvar meu pai”, relata.

Após dias de espera, José conseguiu uma vaga no Hospital Geral de Guarulhos. Para chegar até lá, a família precisou recorrer a conhecidos e políticos para conseguir uma ambulância, já que o transporte não havia sido disponibilizado pelo SUS.

No novo hospital, o quadro clínico foi estabilizado. “Hospital maravilhoso, não tenho o que falar”, afirmou Reis. Ainda assim, a família enfrentou novas dificuldades para conseguir transporte com oxigênio e exames básicos. Segundo ela, o aparelho de tomografia da unidade onde o pai estava internado permanecia quebrado havia anos.

Poucos dias depois de voltar para casa, José passou mal novamente. Esposo, pai de duas filhas e avô de seis netos morreu no pronto socorro. “Nós familiares nos sentimos indignados. A gente paga nossos impostos e, quando precisa, fica à mercê”, disse.

Enquanto famílias enfrentam longos períodos de espera, profissionais da saúde também convivem com os impactos da superlotação. Aparecida do Amparo, enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento do bairro Cohab II, em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, afirma que muitos pacientes chegam às UBSs com sintomas leves, mas acabam piorando devido à demora para conseguir especialistas. “Já tive contato com pacientes que, devido à demora, acabaram tendo a doença agravada, sem condições mais de fazer o tratamento”, explicou.

Ao analisar o impacto dessa realidade, Gonzalo Vecina afirma que a demora no SUS também revela desigualdades profundas do país. “A desigualdade é a grande doença da sociedade brasileira”, declarou. Para o médico, a saúde não pode ser analisada separadamente das condições de moradia, alimentação, trabalho e acesso básico à dignidade.

Mesmo diante das dificuldades, Aparecida afirma continuar acreditando no sistema público de saúde. “O que motiva a gente é saber que pode aliviar o sofrimento dos pacientes.”

Manifestação sobre saúde pública
Manifestação sobre a falta de gestão na saúde pública. Foto: Pexels.com

 

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Médicos poerão prescrever o medicamento para pacientes com mais de 10 anos
por
Vitória Teles
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30/04/2026 - 12h

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na quarta-feira (22) o uso de canetas com o princípio ativo da Tirzepatida para crianças e adolescentes que possuem diabetes tipo 2. Antes, o uso só era possível para adultos diagnosticados com diabetes e para tratamentos contra obesidade. Agora, jovens a partir de 10 anos também poderão utilizar com prescrição médica. 

As canetas imitam um hormônio do corpo chamado Glucagon-like peptide-1 (GLP-1), que ajuda a controlar o açúcar no sangue, diminuir o apetite e retardar a digestão, levando à perda de peso. A decisão da Anvisa surgiu a partir de um grande índice de crianças que sofrem com obesidade e diabetes, já que o Brasil é quarto país no mundo com crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, com diabetes tipo 1, podendo evoluir para o tipo 2. No ranking dos países com mais pessoas que possuem essa condição, o Brasil é o sexto no mundo, segundo dados de 2025 da 11ª edição do Diabetes Atlas, divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF).

No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
No ranking de casos de crianças com diabetes tipo 1, o Brasil fica atrás apenas de Índia, Estados Unidos e China. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Ao mesmo tempo que esse uso específico foi aprovado, a Anvisa também proibiu canetas irregulares vendidas pela internet, já que o orientado é apenas o uso com prescrição médica, além de aumentar a fiscalização e exigir regras mais rígidas para a manipulação.

Apesar de ser um caminho eficaz, que apresenta bons resultados, há também controvérsias. Partindo do ponto de vista socioeconômico, muitas famílias sofrem com diabetes tipo 2, em níveis avançados, e não possuem renda para investirem em tratamentos como as canetas emagrecedoras, que tem um valor bastante elevado no mercado, custando entre R$1.400 a R$2.400, podendo variar de acordo com a farmácia. 

Em entrevista à AGEMT, a nutricionista Juliane Pacheco, que atua no mercado nutricional há mais de 6 anos, enfatizou que a Tirzepatida possa sim ser uma boa alternativa para tratar dessa patologia, apesar do medicamento estar muito banalizado no Brasil para fins estéticos e não apenas para tratamento de obesidade. “Para as crianças, é essencial que a medicação seja utilizada apenas com indicação médica e tenha acompanhamento com uma equipe multidisciplinar”, comenta a profissional. 

Sobre os efeitos colaterais na vida das crianças, como náuseas, diarreias e vômitos, Juliane afirma que é necessário fazer a indicação com muita cautela e não banalizar o uso para todas as crianças e adolescentes. Segundo a profissional, a alimentação também é um caminho que traz bons resultados para o tratamento de diabetes, mas que também requer atenção e cuidado. “O que fará mais diferença é a presença dos pais durante todo o tratamento. No final, são eles que compram os alimentos para seus filhos e preparam as refeições, então se não tiver um cuidado, a diabetes não é tratada”, afirma.

 

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Estado norte-americano, que já aplicou mais de 37 milhões de vacinas, segue orientação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Brasileiros que moram no país estão na expectativa para a nova fase
por
Marcelo Moreira
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04/06/2021 - 12h

O Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, anunciou que planeja suspender a obrigatoriedade do uso de máscara, conforme recomendação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Um informativo oficial afirma que a expectativa é de que isso aconteça no dia 15 de junho. A medida vale só para as pessoas que já tomaram as duas doses da vacina contra a Covid-19.

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covid19.ca.gov

Com quase 40 milhões de habitantes, segundo o Departamento do Senso dos Estados Unidos, 37.826.298 doses de imunizantes contra a Covid-19 já foram aplicadas no estado, de acordo com o governo, ou seja, mais da metade da população já está vacinada. Enquanto isso, cresce a esperança para o fim das restrições e a volta à vida normal.

Maria Holtz
(Foto: arquivo pessoal)

Para a jovem brasileira Maria Holtz, de 22 anos, que trabalha como au par (programa de intercâmbio de inglês onde se trabalha como babá de crianças na casa que reside), no Vale do Silício, na Califórnia, o novo momento é sinal do cumprimento de medidas de prevenção seguidas pelos moradores da região. “Eu fiquei bem feliz ao saber que o uso da máscara não será mais obrigatório. Aqui, as pessoas seguem, desde março de 2020, com o uso de máscara, de álcool em gel, e distanciamento social. Lembro de um dia que eu estava no supermercado e eu cheguei mais perto de uma pessoa e ela ficou brava comigo.

Os restaurantes ficaram fechados todo esse tempo e voltaram a abrir no final de dezembro do ano passado”, afirma Holtz.  Mesmo com a pouca idade, Maria já conseguiu tomar as duas doses da vacina contra a Covid-19, o que não seria possível no Brasil por conta do atraso da imunização no país. Ela conta que a situação brasileira em relação à pandemia repercute negativamente sempre que há pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro. “Quando o Bolsonaro fala alguma coisa, as pessoas não gostam, até porque a Califórnia é muito focada no Joe Biden, que é totalmente oposto ao presidente brasileiro”, ressalta.

De acordo com dados do Governo da Califórnia, 62.092 pessoas já morreram em decorrência da Covid-19 no estado, desde o início da pandemia. Investindo em ciência, os Estados Unidos vacinam com os imunizantes da Pfizer/BioNTech, Moderna e Janssen (Johnson & Johnson). Para a jovem Maria Holtz, uma única certeza: “a vacina salva”. “É preciso um pouco de estudo sobre o cenário atual, um pouco de respeito, porque aqui também não foi fácil. O comércio também fechou. O recado é: tome vacina, porque ela, realmente, protege do vírus”, finaliza Holtz. 

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As relações com a alimentação passaram por diversas alterações com a chegada da pandemia. Conversamos com a nutricionista Bruna Lima e o psicólogo Valter de Souza sobre a temática e detalham os cuidados necessários para o momento
por
Evelyn Fagundes, Gabriela Costa e Malu Marinho
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02/06/2021 - 12h
As relações da alimentação com a pandemia
                                                                                                Arte: Evelyn Fagundes

As relações de muitas pessoas com a alimentação passaram por diversas alterações no contexto pandêmico. O podcast a seguir busca abordar as interfaces entre a saúde e a pandemia seguindo pelos pilares da função dos alimentos à imunidade, mas também tratando de assuntos voltados para a compulsão alimentar e o abuso de substâncias alcoólicas. Na ocasião, a nutricionista e residente em oncologia na Unifesp, Bruna Lima e o graduando em psicologia pela FIG, Valter de Souza, foram entrevistados a fim de destrinchar com mais detalhes a temática abordada, relatar mitos de alimentos tidos como cura para a Covid-19 e o papel das redes sociais nesse questão. Confira:

 

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O absorvente é item de luxo para boa parte da população. Uma em cada 4 adolescentes brasileiras não tem dinheiro para comprar
por
Beatriz Loss, Fernanda Fernandes e Giovana Yamaki
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02/06/2021 - 12h
foto pobreza menstrual
1 em cada 4 mulheres já faltou à aula por não poder comprar absorventes. Foto: reprodução. 

 

Sabe quando você se corta acidentalmente e começa a sangrar? No mesmo momento, você já pensa em alternativas para estancar o sangue. Agora, imagine não ter nenhum jeito de fazer o sangue parar e ficar sangrando por bastante tempo. Você se sentiria incomodado? Acredito que sim. Apesar desse exemplo ser banal, esse desconforto e falta de opção realmente ocorre com muitas meninas e mulheres durante o período menstrual, sendo muito mais constrangedor e difícil do que a situação anteriormente apresentada. 

A escassez de absorventes, água encanada, saneamento básico, banheiros com privacidade, sabonetes, papel higiênico, entre outros recursos essenciais representam a pobreza menstrual. A desinformação também é um ponto crucial que influencia esse problema. Com a falta de conhecimento, a população não reconhece a necessidade e a importância de comprar absorventes por pensar que é um item desnecessário para ser adicionado às despesas, além de não saberem os riscos e impactos causados pela falta de cuidados necessários durante a menstruação. O relatório "Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) juntamente ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) deixa explícito a triste realidade de diversas meninas e mulheres. 

A pesquisa comprovou que, aproximadamente, 713 mil brasileiras vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Além de 900 mil não terem acesso à água canalizada em seus domicílios e 6,5 milhões viverem em casas sem ligação à rede de esgoto. Esse problema afeta principalmente aquelas que vivem em condições de pobreza e de extrema vulnerabilidade em contextos rurais e urbanos, como estudantes de baixa renda e presidiárias, e gera muitos impactos durante toda a vida. Além de denunciar a grande desigualdade social.

A menstruação prejudica o ensino de diversas jovens 


A escola poderia servir como um refúgio para essas meninas em situações precárias, contendo saneamento básico e produtos menstruais. Porém isso não ocorre, a maioria dos colégios não possuem nem banheiro em condições de uso. Sendo assim, a melhor alternativa que as alunas encontram é faltar nas aulas. A ONU estima que 1 em cada 10 meninas falte à escola durante a menstruação. Contudo, segundo uma pesquisa encomendada pela marca Always, a situação especificamente no Brasil é bem pior, pois uma em cada quatro mulheres já faltou à aula por não poder comprar absorventes. O estudo também comprovou que quase metade destas (48%) tentaram esconder que o motivo foi a falta de absorventes e 45% acreditam que não ir à aula por falta de itens de higiene provocou consequências negativas ao seu rendimento escolar.

Apesar das alunas esconderem o motivo da ausência e terem vergonha de contar, por a menstruação ainda ser um tabu, a diretora de escola, Edicleia Pereira Dias, foi atenta e não deixou esse problema passar despercebido. Em entrevista ao Fantástico, a educadora relata que, ao analisar as faltas e o período no qual elas ocorriam, assimilou os fatos e entendeu que muitas alunas estavam deixando de frequentar o estabelecimento de ensino durante o período menstrual. E, a partir desse entendimento, desde 2014, ela distribui absorventes todo mês para as estudantes, mudando a vida de muitas adolescentes. Mas, infelizmente, não é sempre que um diretor percebe o problema e tenta combatê-lo.

Como resultado da precariedade menstrual e das faltas escolares, meninas prejudicam o seu desempenho escolar, perdendo muito conteúdo e aprendizados. Isso gera consequências graves a longo prazo. Futuramente essas garotas perdem oportunidades de trabalho e não conseguem empregos muito qualificados, não conseguindo melhorar suas rendas e quebrar o ciclo da pobreza. A partir disso, também ocorre o aumento na desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. 

Pobreza Menstrual nos presídios

A desigualdade de gênero também é ressaltada dentro das penitenciárias, local onde o corpo masculino é tido como padrão para a entrega de kit de higiene. “Só quem sente na pele sabe. Quando falamos em questão de gênero, não queremos dizer que somos iguais aos homens. Nosso corpo é diferente, mas isso não significa que eu seja mais frágil”, afirma Nicole Campos, gerente técnica de projetos da ONG Plan International Brasil. Todos os presos, tanto homens como mulheres, recebem o mesmo pacote para cuidar de sua saúde. No entanto, o Departamento Penitenciário Nacional alega o aconselhamento por parte do órgão de que sejam distribuídos kits de cuidado pessoal com quantidade suficiente de absorvente pelas unidades prisionais. Mas não é com essa realidade que as detentas se deparam.

Quando disponibilizam, são entregues, em média, 12 absorventes por mês. Há locais que só dão 8, o que é extremamente precário, principalmente para aquelas que têm um fluxo intenso e mais duradouro. Em razão dessa insuficiência, as mulheres recorrem a maneiras inseguras para conter a menstruação. Maria Teresa dos Santos, presidente da Associação de Familiares e Amigos de Pessoas Privadas de Liberdade, declarou ao jornal Estado de Minas que as presas reclamavam de fome, mas, quando um grupo foi visitar o Presídio São Joaquim de Bicas, observou-se que havia miolos de pão na cama e eram usados para substituir o absorvente, pois o que recebiam não era suficiente. Além disso, muitas chegam a utilizar jornal, pedaços de roupa, papel e até resto de plástico. O grande problema consiste nos riscos à saúde. Essas formas de conter o fluxo podem provocar infecções e até mesmo candidíase e cistite

Em outras situações, quando não pecam pela falta, deslizam na má condição do produto. Na Penitenciária Feminina de Piraquara, as detentas já acusaram de receber absorventes vencidos há anos, com um cheiro muito forte e uma fina espessura, sem conseguir reter o sangramento por completo. Helen, auxiliar de cozinha, até o ano passado, pelo menos, visitava uma amiga na cadeia e relatou ao Jornal Plural, de Curitiba, um problema ginecológico pelo qual sua colega enfrentou e que outras mulheres também devem sofrer. “[A hemorragia] começou na segunda, fui visitá-la no domingo e ainda não tinha parado. Eu falei para ela ir ao médico, mas ela disse que já tinha tentado. Quando demora o atendimento, elas batem na ‘bocuda’. Ela fez isso. E em vez de ser tirada para o atendimento, foi mandada para o castigo”, comentou.

Há também escassez de papel higiênico. São concedidos dois rolos a cada 30/45 dias. Esquecem-se de que as mulheres usam mais pelo fator menstrual e pela anatomia. Por conta desses déficits, ficam na dependência dos “jumbos”, itens que suas visitas podem lhe fornecer. Contudo, muitas são abandonadas pela família e ficam sem essa possibilidade de receber mais absorvente. E, com a pandemia, isso se agravou. O envio das mercadorias precisou ser via Sedex, mas, por ter que pagar taxa, deixaram de entregar – já que as pessoas, em sua maioria, têm baixa renda.

Como uma forma de buscar auxiliar as presas, começaram a surgir muitas organizações comunitárias para arrecadar e doar itens de higiene a elas, como o coletivo Nós Mulheres, de São Paulo; coletivo Narcisa Amália, do curso de Jornalismo da PUC-SP; Flores no Cárcere, de Minas Gerais e o projeto Absorvidas, do Rio de Janeiro.

Presos que menstruam: a brutal vida das mulheres - tratadas como homens - nas prisões brasileiras, de Nana Queiroz

Neste livro, há relatos de sete mulheres com quem a jornalista conviveu por um tempo, entre outras que teve apenas um breve encontro, algo passageiro. As entrevistadas eram de diferentes localidades, pelo menos uma de cada região do Brasil. A narrativa contém explicações sobre o sistema penitenciário feminino, descrições de agressões que as presas sofrem, histórias de vida e como são as condições gerais do cárcere - marcados pela insalubridade das celas, alimentos em mau estado e falta de recebimento dos itens essenciais de saúde, como absorvente e papel higiênico. Sem contar que retrata como as mulheres são vistas como homens. Em um dos casos, elas tinham um espelho que deformava o rosto e vestidas por uniformes masculinos que as despersonalizavam. Narramos trechos da obra que representam a pobreza menstrual nos presídios. Ouça aqui!
 

Entrevista Absorvidas RJ

Confira aqui a entrevista que foi realizada com o projeto Absorvidas, uma organização que luta contra a pobreza menstrual nos presídios.

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Categoria é uma das mais afetadas pela pandemia, com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas no limite da fadiga física e emocional
por
Beatriz Alvisi Cripa
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01/06/2021 - 12h

A pandemia provocou uma crise econômica e social sem precedentes. Para tentar conter a disseminação do vírus no país, as autoridades brasileiras buscaram estabelecer algumas medidas restritivas desde o início de 2020.  Porém, alguns setores não pararam, como a área de saúde.

Ao mesmo tempo em que o Brasil vive o agravamento da situação pandêmica, com o novo avanço do número de mortes, segue em alta a discussão sobre o conflito entre medidas para salvar vidas ou a economia.

Dados de 26 estados mostram que o gasto conjunto com saúde somou no ano passado R$ 164,8 bilhões. Este valor decorre de um aumento superior ao dobro da taxa de crescimento das receitas.

Há mais de um ano atuando na linha de frente contra a Covid-19, o impacto na vida dos trabalhadores deste setor é generalizado. De acordo com a Fiocruz, 95% dos profissionais de saúde tiveram suas vidas afetadas de uma forma significativa pela pandemia.

Os dados obtidos pela pesquisa feita em março de 2021, que ouviu mais de 25 mil participantes,  mostram um quadro estarrecedor onde a exaustão, a insegurança, o sofrimento e o medo são rotinas.  

Além disso, 50% desses profissionais apresentaram aumento na carga horária de trabalho. Vale ressaltar que 45% desses profissionais necessitam de dois empregos para sobreviver.

Um dos aspectos relevantes para a gestão das atividades em saúde é  planejar ações com antecedência, algo que não é possível em um cenário pandêmico onde o inesperado e imprevisível fazem parte das rotina diária.

Em épocas de surto, as unidades  de saúde podem ser caracterizadas como locais conturbados e caóticos, pressionados por uma demanda bem superior à usual. .

No que se refere aos trabalhadores do setor, manter a competência técnica e científica exige muito controle emocional, considerando que o atendimento apresenta riscos, responsabilidades e sofrimentos. A combinação destes fatores pode ocasionar o adoecimento profissional, e assim impactar o processo de trabalho, e, consequentemente, ameaçar a qualidade e segurança dos serviços.

O fisioterapeuta da Santa Casa de São Paulo Lucas Del Sarto foi um dos afetados pela alta demanda de profissionais de saúde em razão da Covid-19. Ele relata que sua carga horária aumentou radicalmente, passando a 60 horas semanais. Para ele, mais de um ano depois do início da pandemia, é inviável continuar com o mesmo ritmo  de trabalho.

Lucas conta que no começo pensava que seria igual à crise da H1N1 (gripe causada pelo vírus influenza que atingiu mais de 200 países entre 2009 e 2010,na primeira pandemia do século 21). Com o  tempo, porém, ele foi percebendo que o problema era mais sério. “Eu não fiquei com medo quando os números começaram a aumentar, eu fiquei com pavor”, diz.

Um dos maiores problemas de gestão de crise sanitária e econômica, segundo o fisioterapeuta, é o tempo que as pessoas permanecem internadas. “Os doentes chegam muito rápido, mas demoram para sair”, relata Lucas ao ser questionado sobre a superlotação dos hospitais. “Hoje tem mais de 400 pacientes esperando uma vaga na UTI.”

Segundo o governo de São Paulo, de janeiro a março deste ano, os pacientes com coronavírus ficaram, em média, 19 dias internados na UTI em São Paulo. A média aumentou em comparação com os dados de 2020, que mostravam de 14 a 15 dias.

Lucas, no entanto, relata que o maior problema que  tem enfrentado é o isolamento afetivo. Durante a pandemia, ele perdeu o pai, seu grande companheiro. “Eu me sinto em um labirinto cheio de medo, impotência e irritabilidade.” Porém Del Sarto fez questão de frisar a sua esperança em um futuro melhor: “Está difícil, mas a vacina está chegando”.

Esta realidade não é apenas de Lucas, mas de milhares de profissionais que se viram pressionados ao extremo e afastados de seus entes queridos durante a pandemia. Ainda de acordo com o estudo da Fiocruz, durante a pandemia, as alterações mais citadas pelos profissionais foram perturbação do sono (15,8%), irritabilidade/choro frequente/distúrbios em geral (13,6%), incapacidade de relaxar/estresse (11,7%), dificuldade de concentração ou pensamento lento (9,2%), perda de satisfação na carreira ou na vida/tristeza/apatia (9,1%), sensação negativa do futuro/pensamento negativo/ suicida (8,3%) e alteração no apetite/alteração do peso (8,1%). 

Pesquisa apresentada pelo Journal of Management & Health of Care, a pandemia forçou a modificação de hábitos de vida em trabalhadores da área da saúde, principalmente em fisioterapeutas e enfermeiros, considerados profissionais da linha de frente. O maior impacto observado foi o sedentarismo, que pode levar ao desenvolvimento de doenças e afetar o trabalho. 
 

O fato é que a pandemia expôs a essencialidade dos cuidados em saúde para todos os seres humanos. Contraditoriamente, revelou o quanto estes profissionais ainda não são considerados e respeitados nesse processo.

 

 

 

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Intensificados na pandemia, transtornos psicológicos levam empresas a oferecer sessões de terapia, ioga e palestras sobre luto
por
Niara Viana de Brito
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31/05/2021 - 12h

Já se passou mais de um ano desde a chegada da pandemia do novo coronavírus ao Brasil. A partir disso, muita coisa mudou, como a adaptação de boa parte dos trabalhadores ao regime de trabalho remoto. Com isso, a carga horária dos funcionários também foi afetada e pesou bastante para a rotina daqueles que ainda tinham que cuidar da casa ou estender seu período de serviço até altas horas.

Cuidar da saúde mental tem sido tão importante quanto cuidar da saúde física / Imagem: Freepik
Cuidar da saúde mental tem sido tão importante quanto cuidar da saúde física / Imagem: Freepik

Um exemplo disso está na pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente, da Universidade Federal de Minas Gerais (Gestrado/UFMG). O relatório “Trabalho Docente em tempos de Pandemia” mostrou que 82% dos mais de 15 mil professores da educação básica entrevistados tiveram um aumento significativo das horas de trabalho em comparação com o tempo de preparação das aulas presenciais.

A professora de artes Cristina Souza, que atua na rede pública, afirma que seu horário de serviço foi modificado. “No início eu começava às 7h e ia até as 22h, eram 14 horas trabalhando por dia. Atualmente já consigo fazer apenas oito horas, mas a demanda continua muito exaustiva para quem não tinha tanto trabalho diário e precisa estar disposto a responder aos alunos até em momentos de lazer, como em um sábado”, conta Cristina.

Terapia e psicólogos são disponibilizados

Com isso, os trabalhadores vêm tendo dificuldades para a concentração e descanso durante a pandemia. Na verdade, com todo o caos que o país enfrenta, números de óbitos alarmantes, medo do coronavírus, aumento de produtos para consumo básico e carga horária acima do exigido comumente, algumas empresas precisaram planejar novos benefícios para seus funcionários.

Pensando nessa possibilidade, startups, como a Resultados Digitais, enxergaram a necessidade de oferecer sessões de terapia e psicoterapia no pacote de benefícios dos funcionários. A medida alivia a exaustão das jornadas de trabalho e ajuda na organização mental dos empregados.

A supervisora de RH da empresa, Lillian Steves, comenta que esse foi um processo lento para ser implementado dentro dos critérios em seu serviço. “Tivemos que ir aprendendo a adaptar os funcionários nas atuais condições da crise sanitária. Por isso, a partir desse semestre, temos dez sessões de terapia online a cada seis meses para poder descarregar um pouco da nossa carga emocional e mental, também ajudando no desempenho da companhia”, explica a profissional.

Outras formas de compensar o trabalho árduo são as reuniões no final do expediente, os chamados happy hour, que estão sendo feitos de maneira virtual. “Sempre que possível, toda sexta-feira, eu e minha equipe tentamos fazer uma reunião online para curtir um pouco esse momento livre, compartilhando nossos laços. Também temos um cupom para gastar em um aplicativo de delivery e comprarmos algum lanche dentro de casa. Parece mesmo que estamos dentro de um bar ou algo assim, acho que alivia bastante após um dia cansativo”, conclui Lillian.

ovas formas de adaptação para a saúde psicológica devem ser implementadas nas empresas / Imagem: Freepik
Novas formas de adaptação para a saúde psicológica devem ser implementadas nas empresas / Imagem: Freepik

Além disso, ações para saúde mental dentro do universo corporativo também estão aparecendo cada vez mais nesse período, o que possibilita outras alternativas para manter o equilibro emocional em grupo. O arquiteto de soluções e desenvolvedor operacional de nuvem Felipe Viana explica isso melhor: “Na minha empresa, fora a oportunidade de realizar 20 sessões particulares de terapia ao longo do ano, também temos palestras envolvendo aulas de ioga, como lidar com o luto, como manter a saúde mental, como dormir melhor e outros assuntos que possam ajudar o psicológico”.

Apesar disso, ainda fica um pouco inviável estar presente nessas conversas abertas e manter o desempenho no trabalho, considerando os horários e afazeres do serviço. “Essas palestras são disponibilizadas somente nas quartas-feiras à tarde, e eu não consigo ver por estar trabalhando ou até mesmo em uma reunião com algum cliente durante a hora, então para mim não ajudam em nada. Portanto, o que mais me alivia após o expediente são os happy hour online”, finaliza Felipe.

Ainda faltam melhorias em várias empresas

Não obstante, não são todas as empresas que investiram na saúde mental dos funcionários nesse período de crise. De acordo com uma pesquisa realizada pela Vittude, 47% das empresas não buscaram nenhuma iniciativa para melhorar a saúde psicológica dos funcionários desde o início da pandemia. Entre os entrevistados, 33% afirmaram que houve sobrecarga e acúmulo de funções no trabalho e 24% tiveram dificuldades de manter a rotina de casa funcionando.

Entre as possíveis melhorias do ambiente de trabalho e cuidados com a saúde mental daqueles que movem uma empresa, muita coisa precisa ser aperfeiçoada para que o meio social desses empregados possa dar apoio às suas angústias dentro ou fora de uma crise sanitária. Aliás, entrar em contato com seu controle emocional e os estresses mentais é um meio de proporcionar uma profunda jornada para o autoconhecimento e fortalecer outros aspectos pessoais.

 

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