Em março de 2020 foi declarado o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Um ano depois, somatizamos em mais de 400 mil mortes. Mas por que motivo isso acontece? A quem se deve o colapso que estamos vivendo, e, principalmente, a que comportamento isso pode ser associado?
Apesar de São Paulo ter mais de 12 mil leitos (todos ocupados), e considerando que a UTI está operando com quatro vezes da sua capacidade total, a fila de mortalidade de covid só cresce - são centenas de pessoas aguardando e falecendo ao não conseguir ter acesso a nenhum leito (vale lembrar que São Paulo é o Estado com maior quantidade e disposição de leitos no país). A calamidade é geral, milhares de habitantes aguardam oxigênio.
Além de temas como “quarentena”, “lockdown” e “kit covid”, não podemos descartar a falta de um plano nacional de imunização, a “novela” que está sendo o processo das vacinas desde o ano passado e o comité anti covid falando inclusive sobre furar a fila do plano nacional - tal que é para muitos, questionável. Sem contar que não se fala de combate, das estatísticas de outros países e da importância crucial de usar máscaras protetoras.
A grande falta de informação produz um descuido na proteção ao vírus, inclusive aglomerações constantes e várias festas clandestinas; mas será que quem frequenta este tipo de ambiente realmente não tem acesso a informação ou prefere se alienar para “curtir com os amigos”?
Após o aumento em massa de casos de covid com a nova variante e o decreto do governo da fase vermelha e emergências, os donos de festas, lounges, bares começaram organizar as mais conhecidas “festas clandestinas”.
São festas feitas a escondidas, contra as leis, com pessoas imprudentes que desrespeitam as regras e não se importam com o grande número de casos em São Paulo. Os organizadores que são chamados de promotores fazem o convite circular pelas redes sociais, sem nunca revelar a identidade para não serem pegos facilmente pelos guardas civis, policiais ou fiscais da vigilância sanitária.
Os interessados entram em contato e recebem os dados bancários para o pagamento, só após feito e a apresentação do comprovante é revelado onde será o ponto de encontro para o partida ou mandam o endereço para se conduzirem ao local proibido onde ocorrerá a festa clandestina.
Os promotores apresentam regras antes de acontecerem as baladas para que não ocorra de serem encontrados, eles obrigam os convidados a deixarem o celular em um guarda volumes para evitar as fotos, também frequentemente a troca de endereços.
Dependendo do lugar e da festa a classe social acaba mudando, em lugares mais elegantes e mais caros a elite de São Paulo estará presente, que são as pessoas que têm mais dinheiro e estão dispostas a pagar mais de 300 reais pela entrada das baladas. Já em bairros mais pobres a classe muda, mas independente de quem são as pessoas eles estão desrespeitando as regras e piorando o andamento contra o Vírus.
O empresário Carlos Eduardo de Andrade, de 28 anos, era dono de um restaurante, no centro de São Paulo. Porém com a pandemia, muitas lojas e restaurantes tiveram que fechar suas portas, devido a crise. Carlos não conseguiu manter seu restaurante e fechou.
"Na minha opinião, restaurantes, bares, shoppings e o comércio deveriam funcionar normalmente, com o uso obrigatório de máscaras e distanciamento, não vejo necessidade alguma de não poder funcionar e no final somente nós saímos perdendo e tendo que fechar nossos estabelecimentos .” disse Andrade.
Carlos conta que estava frequentando restaurantes, bares e até mesmo festas com aglomerações.
“ Não acho tão preocupante o momento atual que estamos vivendo, a ponto de parar a minha vida e ficar isolado em casa, sei que muitas pessoas estão morrendo mas é só se cuidar e sair de máscara. Estou saindo com meus amigos sempre que posso.” Diz Andrade.
Com cerca de 341 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, e os números de mortes por dia cada vez maiores, Carlos Eduardo diz não confiar em números e dados fornecidos pelo ministério da saúde.
“Posso afirmar que o governo está fazendo um bom trabalho na pandemia, dentro do possível é claro, mas acho que eles aumentam os números de morte para deixar a sociedade mais aflita, com medo de sair e assim, as pessoas começam a ficar em casa.” Diz Andrade
Com o processo de vacinação ocorrendo por todo o Brasil, o empresário faz parte do grupo de pessoas que ainda não sabem se irão se vacinar e duvidam da eficácia.
“Tenho um tempo para pensar até chegar a minha vez, mas como nunca peguei o vírus, acho que não vou precisar, tenho uma boa imunidade. Até porque não quero virar jacaré.” Diz Andrade.
Para buscar um contraponto de alguém que estava tratando a pandemia com cuidado e respeito, entrevistamos Lia Aruni Damous Bertolo, de 20 anos, que atualmente exerce a profissão de estudante. Lia está tomando todos os cuidados e cautelas necessárias e tem uma opinião contrária à de Carlos Eduardo de Andrade sobre a pandemia e a Covid-19.
“Por um um lado entendo aqueles que precisam trabalhar e não tem a opção de não pegar transporte público, mas vejo que muitos já se acostumaram com o que estamos passando e não tem mais “medo” do vírus. Acredito que aqueles que não tem mais “medo” do vírus e não se precavem podem não ajudar a melhorar a situação que estamos. Outro ponto que não está colaborando é o governo, que está cagando completamente pra tudo, e isso tá me dando um certo medo de ver os outros países conseguindo controlar a pandemia enquanto o Brasil só cresce o número de mortos por dia.” Diz Bertolo
A estudante conta a respeito das medidas que está tomando junto a sua família para se cuidar contra a Covid-19.
“As medidas que ando tomando são as básicas, como o uso de álcool em gel sempre que não estou em casa, uso de máscara, quando volto do mercado com compras sempre higienizo, ao entrar em casa tirar o tênis, higienizar a sola do sapato e o colocar na área externa (onde há ventilação natural) além de sempre que posso tomar um banho por completo depois de voltar da rua, minha mãe está bem exigente, mas com razão, todo cuidado é pouco.” Disse Bertolo
Lia tem tomado cuidado em dobro pois está vendo somente seu namorodo e a família dele tem pessoas no grupo de risco, sobre a vacinação da COVID-19 a estudante pontuou;
“Sobre a vacina, irei tomar e meu namorado também, estamos ansiosos. Mas ainda não fiz uma pesquisa a fundo pra saber mais detalhes e eficácias das vacinas. Para aqueles que optaram por não tomar, eu respeito, mas estes têm que ter um cuidado maior consigo e os que estão à sua volta.” Disse Bertolo;
Lia conta que está passando por momentos de altos e baixos na quarentena e acredita que todos estão de saco cheio.
“Estou muito de saco cheio da quarentena, tudo que eu queria era poder viajar com meus amigos, sair na rua, abraçar pessoas, mas não é por isso que vou furar a quarentena e botar a minha vida e a de outros que estão à minha volta em risco, é difícil se manter positiva e produtiva em tempos como esse, tenho várias fases precisamos cuidar da gente e da nossa saúde mental.” Diz Lia.
Após as entrevistas, ficou clara uma nítida contraposição entre os entrevistados. Enquanto de um lado existem pessoas clamando pelo fim da pandemia, e tomando cuidado para que este período não se prolongue, temos outras pessoas que estão vivendo a vida de maneira muito próxima a vida normal, sem se preocupar com contrair a doença e sobretudo em transmiti-la.
O interessante é pensar que ambos os entrevistados estão lidando com a mesma crise sanitária, de formas absolutamente distintas.
Com o cenário atual que estamos vivendo, existem pessoas que preferem não enxergar a realidade, às vezes é mais fácil, só pensar em você, enxergar a sua realidade, que muitas vezes é totalmente diferente dos outros, sem se importar com o próximo, e com as dificuldades que muitas pessoas estão passando, notamos isso nas entrevistas.
Enfrentar a pandemia está sendo difícil para todos os brasileiros, todos tiveram que se adaptar a uma nova realidade, se reinventar, construir uma nova rotina totalmente diferente, ver a vida por outros ângulos, dar chances para o novo. Não podemos negar que as classes inferiores sentem esse impacto de uma forma maior, e com mais necessidades, mas cada um tem sua batalha diária, sua forma de passar e viver a tudo isso.
A melhor forma de enfrentarmos a Covid-19 é sendo humilde em reconhecer que esse momento tão crítico e cruel merece nossos esforços para que tudo acabe logo, como fazer a quarentena, ficar em casa sempre que possível, usar máscara, álcool em gel, evitar aglomerações. Cada vida importa, a sociedade precisa se unir para um bem estar coletivo, não dá mais para fingir que todos os dias morrem mais de mil pessoas, que o Brasil não é um dos piores países no combate do vírus, com dados e índices assustadores. Precisamos combater esse vírus e a diferença começa por cada um de nós.
Mesmo com a escalada da pandemia da Covid-19 no Brasil com mais de 13 milhões de casos e 4 mil mortes em média por dia, até o fechamento desta reportagem em 08 de abril, pela doença além de novas variantes surgindo como a detectada na cidade de Manaus no Amazonas e outra na cidade de Sorocaba em São Paulo, muitos ainda defendem a abertura de serviços considerados não essenciais como academias alegando a necessidade de praticar exercícios físicos às vezes até indo contra decretos estaduais, como em São Paulo que por decreto do governo estadual nenhuma academia pode estar aberta desde o dia 6 de março quando todas as cidades do estado entraram na Fase Vermelha do "Plano São Paulo" que proíbe serviços como esse de abrirem.

Essas medidas tiveram que ser tomadas novamente devido ao relaxamento nas regras de isolamento e ao comodismo das pessoas em relação à pandemia. Entrevistamos pessoas sobre essa normalização da pandemia na cabeça de alguns e como isso afetou no ponto de vista de quem realmente está correndo risco e não tem condições de ficar trabalhando em casa: “É uma palhaçada isso, eu sei que na minha quebrada tem gente que não respeita , mas também nós [pobres] não temos condição de ficar em casa ,a gente tem que fazer o nosso corre, ou eu trabalho ou passo fome.”Carlos, morador de Paraisópolis."Como sempre, a gente paga o preço das pessoas que não estão respeitando ,ainda mais quando a gente trata de vidas”,ressaltou Vera Lúcia, uma idosa moradora da zona XXX, em São Paulo.
Na última semana de março, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), decretou a antecipação dos feriados de Corpus Christi de 2021 e 2022 ,da Consciência Negra de 2021 e 2022 ,além do aniversário da cidade de 2022.Todas essas medidas foram uma tentativa de diminuir os números de mortos e infectados pelo Covid-19.
O avanço do coronavírus está colapsando o sistema de saúde na cidade de São Paulo, a ocupação dos leitos de UTI já está em 90%,leitos de enfermaria praticamente lotados e pela primeira vez na pandemia a capital paulista apresentou falta de oxigênio para o tratamento de pacientes.
LUTA PELA VIDA
Estamos em tempos de guerra, a luta pela vida é diária e devemos nos resguardar se possível e nos manter atentos sobre os cuidados de higiene pois o vírus ainda está por aí esperando a nossa desatenção.A maioria dos brasileiros mudou a sua rotina devido a pandemia, com o auxílio da internet, tudo ficou um pouco mais fácil, um escritório passou a fazer a suas reuniões diárias via video chamada.
Outra questão que está emergindo é a relação da prática de atividade física como grande potencial na prevenção das consequências decorrentes do vírus, muitos dos profissionais das academias estão sem receita pois não tem como exercer seu trabalho, muitos destes mesmos profissionais questionam essas medidas de lockdown pois não incluem a academia como atividade essencial.Mesmo com essas medidas, existem pessoas que mantém o seu estabelecimento funcionando de forma clandestina, entrevistamos um destes donos com a finalidade de saber o que levou ele a fazer isso.O entrevistado pediu para ser identificado com um nome diferente do seu para não causar problemas para o próprio.
Mesmo diante deste caos que está a pandemia porque o senhor manteve a academia funcionando?
Primeiramente, sou praticante de esportes há 35 anos, de musculação à levantamento de peso olímpico.É cientificamente comprovado que a prática de atividade física ajuda na imunidade do ser humano além de ser um dos pilares contra a obesidade..Eu acho um absurdo esse fechamento das academias e dizer que os profissionais presentes nas academias não são “profissionais de saúde''. Absurdo, claro que somos”.
Mas o que o senhor acha dessa pandemia e do coronavírus ?
Não é que eu desacredito do Covid-19, mas temos que cuidar da nossa saúde, melhorar os hábitos alimentares e praticar atividade física que na minha opinião é essencial para um momento desse. Eu tenho atletas de alto rendimento e eles não podem ficar sem academia..Além de já ser um válvula de escape natural para o estresse, que aumentou drasticamente na população desde que começou a pandemia, o esporte incentiva o funcionamento do nosso sistema imunológico.
Ao final de 2019 o mundo presenciou algo jamais visto por muitos, o início de uma pandemia. O novo coronavírus é uma doença infecciosa que pode ser transmitida por meio de gotículas de saliva, do aperto de mãos contaminadas, espirro, tosse e tem como sintomas: perdas de olfato e paladar, falta de ar, tosse, dor de garganta, coriza, febre, cansaço, entre outros. Mas, o que realmente preocupa são os assintomáticos que espalham esta enfermidade sem sequer saberem que estão doentes, colocando as pessoas do grupo de risco, como idosos e pessoas com pressão alta, em piores condições. Os jovens, menor grupo de afetados pela doença, acreditam que podem ignorar o isolamento social, que funciona como método preventivo e que é adotado por muitos países até hoje.
Em entrevista, Ana Silva, 18 anos, estudante de direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, conta à Agência de Jornalismo Online Maurício Tragtenberg sobre sua vida na pandemia, que inclui encontros familiares e com amigos. A jovem diz que desde o começo era contra o isolamento e que nunca parou de frequentar lugares como farmácias, cartório, supermercado, academia, praia, restaurantes (quando abertos) e que se a faculdade estivesse aberta, também iria. Em seu relato, ainda narra que em sua família houve encontro familiar para a comemoração do Natal, que contou com a presença de 15 ou 20 pessoas e que os integrantes não utilizavam máscaras, medida utilizada para prevenção do covid-19, especialmente com a presença de idosos.
A necessidade de ver pessoas é um ponto que Ana ressalta em sua fala, ela se reúne com seus amigos frequentemente, em torno de 5 a 15 pessoas aos fins de semana, na maioria das vezes. A jovem diz que os encontros com pessoas de sua faixa etária estimulam as habilidades de convivência, indica que é reconfortante tê-los ao seu lado fisicamente e não somente através de uma tela de celular. Psicólogo formado há 16 anos pela Uniban, Sidney de Rosa Júnior, em entrevista à agência, explica essa necessidade de convivência: “Tem a questão dos interesses similares, assim como a identificação com um grupo. Um jovem de 18 ou 19 anos tem a maturidade e os interesses completamente diferentes de um adulto de 30 anos, a conversa é outra, a diversão é outra.”

Mesmo tendo contato com várias pessoas sem tomar as devidas medidas de prevenção contra a doença, a menina não a contraiu. Em razão deste exemplo e de muitas outras situações semelhantes que os jovens de hoje em dia possuem essa ilusão de indestrutibilidade, por terem pouca idade, acreditam que são indestrutíveis. Questionado sobre isso, Sidney elucida sobre essa “Síndrome de super-heróis”: “Quando somos crianças, não conseguimos associar a ideia por trás da morte. Quando entramos na adolescência, temos consciência do que ela é, porém é uma ideia muito distante. Isso, combinado com a liberação de hormônios (que não podem ser ignorados também) nos jovens gera a sensação de imortalidade”.
Em entrevista à BBC News, o médico Matheus Alves de Lima, em um plantão recente de casos de covid-19 em UTI de hospitais de campanha no Distrito Federal, afirma que houve uma mudança no perfil dos pacientes. "Tivemos a morte de um paciente de apenas 25 anos, o que é muito chocante", explica à BBC News Brasil. Alves ainda relata outros casos como o de um paciente de 28 anos que não resistiu à extubação (processo de retirada da ventilação mecânica), precisou ser entubado novamente e fazer hemodiálise.

Em entrevista coletiva no dia 1° de março de 2021, o Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirma que "a pandemia retornou com uma velocidade e uma característica clínica diferentes daquela da primeira onda". E continua, "São pacientes mais jovens, que têm a sua condição clínica muito mais comprometida e, pior, são pacientes que acabam permanecendo um período mais prolongado nas UTIs. Na primeira onda, tínhamos (nas UTIs paulistas) percentual de mais de 80% de idosos e portadores de doenças crônicas. O que temos visto hoje são pacientes mais jovens, 60% deles de 30 a 50 anos, muitos dos quais sem qualquer doença prévia."
Muitas das pessoas contaminadas hoje utilizam desculpas como não estarem no grupo de risco, ou até mesmo por já terem contraído o vírus para se aglomerarem e não seguirem as normas de prevenção contra o covid. A maioria da população mundial já tomou alguma atitude considerada inconsequente, porém há um limite que está sendo seriamente ultrapassado, visto que são completamente diferentes a ida a um restaurante e a uma festa, por exemplo.
A conscientização dos jovens quanto aos riscos da doença e a adoção das medidas sanitárias recomendadas pelos médicos são fundamentais para o controle da pandemia no Brasil, porém não é o que ocorre, uma vez que o percentual de pessoas que morrem sem atingirem os 60 anos de idade saltou 35% em relação ao ano passado, segundo dados fornecidos pela UOL com base nos números do portal da transparência da Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais).
(O nome da jovem entrevistada foi alterado para a preservação de sua identidade).
Diante de países como o Japão, Cingapura - cuja média de expectativa de vida é 83 anos -, Espanha - 82 anos - e Coreia do Sul - primeiro país a caminhar para uma expectativa de vida de 90 anos -, o Brasil não está muito distante em questão de longevidade, com sua expectativa geral em 75,8 anos esta supera a média mundial que é de 71 anos. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2016, a média da expectativa de vida da população mundial era de 74 anos para mulheres e de 69 anos para homens.
No Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que representa 13% da população do país. E esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, segundo a Projeção da População, divulgada em 2018 pelo IBGE.
A relação entre a porcentagem de idosos e de jovens é chamada de “índice de envelhecimento”, que aumentou de 43,19%, em 2018, para 173,47%, em 2060. Esse processo pode ser observado graficamente pelas mudanças no formato da pirâmide etária ao longo dos anos, que segue a tendência mundial de estreitamento da base (menos crianças e jovens) e alargamento do corpo (adultos) e topo (idosos).
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE em 2013, mostrou que a cada quatro pessoas com 60 anos ou mais, pelo menos uma relatava participar de atividades sociais organizadas. Entre as mulheres, o percentual era maior, chegando a quase 30%. Mas a participação dos homens também foi significativa, ficando bem pouco abaixo dos 20%. Este estudo nos permite ter um olhar sensível sobre a qualidade de vida desta população e mostra como a tendência dos idosos, com o avanço das cidades , é se isolar socialmente.
De acordo com a psicóloga Graça Câmara, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esse movimento acontece por causa das limitações que vão sendo impostas, pelo próprio corpo e pela sociedade. “Os jovens perdem a paciência com os mais velhos e, muitas vezes, as famílias os colocam no lugar de ‘os improdutivos da casa’”, disse para a revista Leve. Contudo este também é um dos motivos que traz profunda angústia aos que estão envelhecendo, se tornar dependente de alguém ou “incapaz” de realizar certas funções que antes lhe vinham naturalmente.
Nessa constante busca por compreensão, sem perder o respeito e validação da sociedade, nossos futuros antepassados já nos avisam quanto nossa futura realidade: se aqui, enquanto somos jovens, não mudarmos certas posturas e visões “viciadas” de nossa sociedade, iremos nos deparar com nosso inerente destino e ainda sem apoio. Simone de Beauvoir disse em sua obra “A Velhice”, nos anos 70, que “Não reconhecemos a velhice em nós, nem sequer paramos para observá-la, somente a vemos nos outros, mesmo que estes possuam a mesma idade que nós”.
Entrevista com Sandra Regina Gomes
Sandra é a atual coordenadora de políticas para o idoso, dentro da secretaria de direitos humanos da prefeitura da cidade de São Paulo. Nascida em Santos a especialista tem um longo currículo na área, foi responsável pela implementação de políticas públicas para o idoso na cidade de São Paulo e já ocupou os cargos de assessora técnica da Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado de São Paulo, coordenadora da Rede de Proteção Social para Idosos na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo e docente na Universidade da Terceira Idade. A fonoaudióloga e gerontóloga, que também se especializou em políticas públicas, ajudou diretamente a implantar o Centro de Referência da Cidadania do Idoso, as unidades Boracea e Casa de Simeão do Abrigo para Idoso em Situação de Rua, o Serviço de Apoio-Socioalimentar para Idoso e os Núcleos de Convivência para Idosos.
Envelhecimento é um fenômeno global?
Sim, o mundo todo envelhece. Só que os países que se preparam para isso, no caso da Europa, do Canadá que por mais de cem anos se preparam para o processo de envelhecimento; o Brasil não. No Brasil, como diz uma professora querida, Maria Cecília Minai da Fiocruz, estamos trocando o pneu com o carro andando e isso é muito sério porque até onde éramos um país de jovens e hoje estamos com um país envelhecido e um envelhecimento muito rápido. Então é um um fenômeno global sem dúvida nenhuma, o mundo está envelhecendo rapidamente e nós precisamos ter ações e políticas públicas para isso.
O que é Envelhecimento ativo? Como abordar o tema ao longo da vida e não apenas na fase do envelhecimento?
Primeiro envelhecimento ativo é um processo de otimização de oportunidades para a saúde e aprendizagem ao longo da vida, que está relacionado a educação, a participação e segurança para garantir uma melhor qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Isso tudo aqui é uma determinação da OMS baseada no pressuposto de que o mundo precisa olhar o envelhecimento sob a ótica, promovendo resiliência ao longo do curso de vida. O que quer dizer isso? Em tese você tem processo de envelhecimento e que bom porque a maior conquista do século XX é a longevidade, uau estamos envelhecendo, hoje no Brasil a expectativa de vida é de 75 anos, e já já vamos chegar ao Japão é de 81 anos. Para o século XXI a longevidade é um desafio, nós temos que saber como envelhecer. Então em 2002 a OMS lança esse programa de envelhecimento ativo, que o Brasil é signatário. Isto tem a ver como abordar o tema ao longo da vida, temos que pensar o envelhecimento ao longo da vida porque é uma fase como a infância, a adolescência e fase adulta depois criamos independência e depois temos o processo de velhice. Ainda bem que chegamos ao processo de envelhecimento se não você morre antes dos 60 anos e no Brasil você é considerado idoso com essa idade, em país desenvolvidos é 65 anos ou mais. Então é importante que se faça um trabalho desde de a infância, de orientação alimentar, de estilos de vidas, de aproximação de gerações e tudo isso está no Estatuto do Idoso. Não é possível falar sobre envelhecimento no Brasil sem citar o Estatuto do idoso.
Qual é o papel do Estado frente ao envelhecimento ativo? Existe o direito ao envelhecimento? O que determina um processo de envelhecimento seja de qualidade e englobe o conceito de envelhecimento ativo?
Tudo isso é importante que a gente entenda que não se consegue um envelhecimento saudável se você não garantir esses quatro pilares: saúde, educação, proteção e participação. Esses princípios são fundamentais porque se você tem saúde, tem a garantir de que tem as doenças todas controladas. Hoje você não morre mais de hipertensão, a não ser que você não tenha o controle dessa doença. Hipertensão, colesterol e demais doenças têm medicações e tratamentos próprios. Acompanhamento médico, atividade física, alimentação saudável, dependência química e uso de drogas, inclusive as lícitas como bebida e cigarro, tem relação com a qualidade de vida além da participação social.
Estamos em plena pandemia, onde o isolamento é palavra de ordem, principalmente para a população idosa, que tem maior risco em relação ao COVID-19. Em que pé estamos? Temos que manter esse cérebro ativo, fazer com que as pessoas superem essas dificuldades da inclusão social e digital. Uma coisa está ligada a outra, por isso, atuo como coordenadora de políticas para a pessoa idosa dentro da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania pensando nessas relações. Existe um ganho para o idoso quando enxergamos que ele não está ligada apenas a saúde, ou a assistência, ou a previdência, ou a justiça e na verdade ele engloba todos esses aspectos representados no Estatuto do Idoso que declara que o idoso precisa de proteção, precisa ter condições de denunciar casos de violência, precisa do acolhimento, precisa da saúde e por aí vai.
As diferenças que observamos em outras áreas, como na economia onde as mulheres ganham menos que os homens, também se repetem no processo de envelhecimento? Fatores culturais, gênero, ambiente social e a presença de sistemas de saúde, tanto rede particular quanto rede pública, são determinantes?
Sim, esses determinantes sociais são muito importantes ao meu ver. Você pode resgatar esses determinantes na publicação do Kalache, A revolução da Longevidade. Ele destaca duas questões, dentre todos os determinantes, existem dois pontos transversais: um é o gênero, o outro é a cultural.
Nós não podemos desconsiderar o histórico cultural das pessoas mais velhas e por isso nós defendemos a territorialização dessa população, ou seja que fiquem onde nasceram, onde criaram os filhos portanto onde teve seu ambiente de participação social. "Ah vou tirar ele da casa dele e vou colocá-lo na minha casa", temos que ter muito cuidado em relação a isso. Em casos extremos, talvez seja necessário, mas é melhor que a população idosa consiga permanecer onde transitou durante a vida toda, onde existe maior afinidade, aproximação e familiaridade. Chamamos isso de princípio da territorialização.
A questão do gênero também merece destaque. Evidentemente que o processo de envelhecimento é um processo mais feminino, a gente fala dentro da gerontologia da feminização da velhice e existem muitos estudos falando disso. É muito importante que a gente entenda que existe uma característica muito marcante em relação ao envelhecimento da mulher, entretanto o sofrimento maior do processo de envelhecimento fica realmente para o homem. O homem tem muita dificuldade pra envelhecer, a mulher tem mais cuidados de saúde ao longo da vida.
Quais são os principais desafios enfrentados por quem está no processo de envelhecimento? Como lidar com o desenvolvimento de doenças e com o maior risco de desenvolver deficiências?
À medida que envelhecemos corremos riscos, né? Aumento de quedas em idosos é o que mais mata, aumenta porque nós temos a fragilidade óssea e doenças como osteoporose e também por questões visuais, há uma baixa da acuidade visão e acuidade auditiva. Nós temos a percepção e os reflexos, então há uma característica própria do processo de envelhecimento e isso é inevitável. À medida que você tem um trabalho de prevenção, uma rotina mais disciplinada no jeito de atividade física, alimentação saudável, grupo de amigos. Um dos recursos importantes é manter uma rede de amigos, mesmo que em pese alguns com o passar dos alguns venham a falecer, você abrir a possibilidade de novos contatos. è importante que você tem a amplitude da sua rede de suporte, para que você tenha a família e no caso da ausência da família que você tenha amigos, na ausência que você constitua uma outra rede de suporte. Isso é fundamental porque faz com que você esteja inserido e a gente chama na gerontologia, um sentimento de pertencimento, isso é muito importante.
Apartar socialmente é um grande erro das políticas e na abordagem quando se fala de velho, "Ah vou colocar um prédio só de idosos" Eu não gosto disso. "Ah vou colocar um bairro só de idosos" Eu acho que a gente precisa de todas as diversidades, todas as diferentes gerações, toda movimentação como é a característica de uma cidade. Não precisa isolar, você precisa cuidar e garantir uma cidade acessível você consegue nesse documento, A Revolução da Longevidade, Kalache fala muito sobre acessibilidade, sobre possibilidade de ter uma cidade mais amigável a pessoa idosa. Os risco de doenças sim, tem um gráfico de capacidade funcional quanto mais risco você corre quando inclusive como jovem
Como devemos prover as condições ideias e as condições necessárias para oferecer cuidado de qualidade para população em envelhecimento?
A primeira providência é a participação social da pessoa idosa, participação nos conselhos e nos foros a exemplo de São Paulo - que tem 23 foros do idoso na capital. Nós temos o grande Conselho Municipal do Idoso, onde se concentram representantes das cinco macro regiões da cidade. É nesse local, nessa arena democrática, que se discutem as demandas e as necessidades das pessoas idosas na metrópole paulistana. São Paulo é uma cidade enorme, um idoso que mora em São Miguel Paulista é completamente diferente do idoso que mora no centro da cidade.
Os idosos têm características diferentes, o que a gente chama de singularidade da velhice na área da Gerontologia. É importante respeitar as características de cada um e de cada região, na cidade de São Paulo são 96 bairros e distritos, cada um com seu perfil. Nós temos um documento onde fizemos o diagnóstico da questão para a cidade, elaboramos indicadores sociodemográficos para população idosa residente na cidade em São Paulo, porque o primeiro passo para fazer essas políticas públicas foi conhecer quem são esses idosos, onde eles vivem, quais são suas características e qual o perfil daquela população. Esse documento foi publicado em 2020, mas nós já o usamos desde setembro de 2017 quando iniciamos nosso trabalho durante a minha gestão na Secretaria.
Então a primeira coisa é isso, a segunda é fortalecer essa participação social que é fundamental. Para que isso aconteça, você tem que levar ao conhecimento das pessoas idosas os dados sobre as regiões para eles avaliarem. Nós seguimos esse documento do Alexandre Kalache, que é um guia global de uma cidade amiga do idoso. Perguntamos para a população idosa sobre como está o transporte, a questão da moradia, a acessibilidade, a participação social, a questão dos locais de atendimento ao idoso se estão acessíveis e iluminados, além de uma série de perguntas que você encontra ao visitar esse documento. Então você dá insumos às discussões e em cada bairro, em cada local isso faz com que exista uma participação, uma voz do idoso. Essa participação social clama por uma escuta. Então é como nós falamos, é de baixo pra cima e de cima pra baixo; isso é fundamental.
Como podemos criar um novo paradigma de envelhecimento?
A primeira coisa é falar de onde estamos falando, de que envelhecimento estamos falando. Nós estamos falando de um processo natural da vida, a velhice é natural, à medida que você vive mais adquire mais anos na sua vida, isso é super importante, e a partir dos 60 anos você é considerado idoso. Nós estamos sofrendo no Brasil, principalmente na pandemia, a questão do idadismo - que é o preconceito em relação a idade.
"Ah é coisa de velho", "Isso é porque são velhos", "Porque os velhos precisam ficar apartados"... Existe um preconceito.
Então, primeiramente, é preparar a sociedade para a maior proximidade com a questão do envelhecimento, então temos a questão da intergeracionalidade. A intergeracionalidade é um paradigma fundamental. As políticas públicas, privadas, filantrópicas, particulares devem integrar as ações e não fazê-las de forma apartada. É o mesmo idoso que transita entre a assistência social, entre a saúde e todas as outras áreas. Precisamos ter a integração e a integralidade, uma visão holística, integral, intergeneracional. A transversalidade é fundamental, todas as agendas de discussões precisam ter a temática sobre envelhecimento. Todas. Todas porque temos idosos imigrantes, LGBTs, em situação de rua, com deficiências, quilombolas, ribeirinhos, indígenas, portanto temos que parar de segregar. Todas essas temáticas devem vir à tona na discussão e tudo isso para preparar a questão de uma sociedade mais amigável e amorosa na questão do envelhecimento.
Referências
A Revolução Da Longevidade | Alexandre Kalache. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_5N8V1lPIGg&t=47s> Acessado em 24/11
KALACHE, Alexandre. Envelhecimento populacional no Brasil: uma realidade nova. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 3, n. 3, p. 217-220, Sept. 1987
BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente: Lei federal nº 8069, de 13 de
julho de 1990. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2002.
Beauvoir S. (1990). A velhice. Tradução de MHF Monteiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira
A pandemia afeta o Brasil todo, dos ricos aos pobres, porém a quarentena para a classe baixa existiu durante um mês, logo após isso houve a crise, onde os comércios locais e pessoas empregadas em residências e empresas se viram necessitadas a sair de casa. Ficar em casa é um privilégio, em São Paulo, é um local de extrema desigualdade social e econômica, desde março a cidade vive em um colapso na saúde. A classe baixa tem diversos conflitos entre si e com a classe alta.
Segundo o site UOL, no dia 24 de maio, foi compartilhado que os 20 bairros com mais mortes por covid-19 são áreas periféricas. No site do G1, em 4 de agosto, foi publicado que o levantamento da prefeitura mostra a localização dos locais com mais vítimas fatais pelo novo coronavírus, o bairro de Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, é o primeiro com 437 óbitos pela doença, já o segundo é o da Brasilândia, na Zona Norte, com 368.
Em entrevista, Ana Paula Vianna, que perdeu seu avô, Carlos Ribeiro Vianna, de 83 anos, por conta do corona, conta como foi o procedimento até a morte. A família vive na COHAB-1 Zona Leste, onde é conhecido também como conjunto habitacional Padre José de Anchieta. Ela relata que não sabe dizer se houve mesmo uma quarentena por lá, pois muitos vizinhos acreditavam e confiaram em ser apenas uma “gripezinha”, porém houve a paralisação do comércio local, mantendo apenas estabelecimentos com serviços essenciais, segundo decretado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em relação a morte de seu avô ela contou detalhadamente como foi o trajeto até o óbito de Carlos. Na primeira ida ao hospital, não foi feito o teste para covid, apenas alegaram que o mesmo estava com dengue, porém no dia seguinte levaram o senhor para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itaquera, no local ele foi atendido e constatado como portador do vírus, mas enviaram ele novamente para sua casa, chegando na residência, a família ligou para o SAMU, que levou o idoso até o hospital de campanha do Morumbi, onde era muito complicado o contato com o próprio, mesmo que fosse para saber se havia melhora. Durante oito dias eles buscaram informações, ligando para os médicos responsáveis e assistentes sociais, porém sem nenhum retorno, quando conseguiam ver ele, aparentemente o idoso estava com frio. A neta afirma que o avô estava melhorando, porém de repente, houve uma ligação da médica responsável pelo plantão dizendo que o senhor precisava ser entubado, a família se desesperou, e no dia seguinte, houve a ligação dizendo que ele não possuía estabilidade para ser transferido de hospital por conta da intubação. Horas depois, ligaram dizendo que ele estava sendo transferido. Quando a família chegou ao Hospital do Mandaqui, localizado na Zona Norte de São Paulo, não havia registro da entrada de Carlos, após duas horas, a família conseguiu entrar na ala de emergência, porém ele não foi encontrado, até que um médico informou que o avô não havia resistido. A inconformação da família é se o mesmo morreu por negligência médica ou por vontade divina, pois afirmaram que o mesmo não aguentava ser transferido e mesmo assim houve a transferência.
(Carlos Vianna é o circulado. Por: Ana, sua neta)
O atual presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, é um dos cúmplices para explicar o momento em que o país vive. Com as frases mais emblemáticas quando questionado sobre o coronavírus “É só uma gripezinha. ” e “Vou fazer o que? Não sou coveiro. ”. O governo do mesmo não tem um Ministro da Saúde em definitivo faz 3 meses. Muitos de seus seguidores apenas reproduzem suas falas e não ligam para as normas básicas que a OMS decretou. A priorização da volta da economia levou a diversos problemas, como o aumento em massa pelo vírus e o fatídico frango contaminado vendido para China, que vetou a compra de alimentos do país, Filipinas também mencionou que não comprara por enquanto.
Em entrevista, uma enfermeira do Hospital do Mandaqui, que pediu para que não fosse dito seu nome, explicou como funciona tudo por parte da linha de frente que ajuda ao máximo a população.
A mulher disse não haver falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) (roupas e acessórios para evitar o máximo a contaminação), mas não há leitos suficientes para todos os infectados, assim tendo que transferir o paciente para outros hospitais. Ela diz que os funcionários do hospital têm a preocupação de não se infectar e não levar o vírus para suas respectivas residências. Ela relatou que quando os pacientes descobrem que estão infectados eles entram em estado de medo e angústia, alterando batimentos cardíacos e impossibilitando diversos procedimentos, muitos oram em voz alta pedindo a cura para seu respectivo Deus, muitas vezes eles se exaltam. É normal, segundo ela, a população procurar ajuda médica quando já está em estágio avançado.
A quarentena é um privilégio da classe média e alta, a população da classe baixa não tem alternativa, apenas trabalha para que consigam colocar comida em suas respectivas casas. O descaso do Estado com eles é revoltante, mas sempre foi assim, o povo pelo povo, a burguesia nunca se importou, porque das mais de 100.000 mortes, a maioria vem das periferias. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, publicou em, 6 de maio, que houve um aumento de 45% nas mortes dos 20 distritos mais pobres da cidade. Já dos 20 bairros mais ricos, foi um aumento de 36%. Essa diferença ocorre pelo fato da classe baixa não ter condições de manter uma higiene básica, causada pela desigualdade social.
Lucas Marques Cardoso, 23, diz que seu pai, mesmo com todo o caos, teve que trabalhar durante a pandemia, mas ele não contraiu a doença, felizmente, alega o jovem. Em, Itapecerica, que é onde o mesmo mora, não houve quarentena para a população, mas para o comércio local existiu a parada. Lucas teve suspeita de corona, porém recorreu ao hospital particular, quando chegou lá e confirmou que havia o vírus, ele relata a diferença que é do sistema público para o privado de saúde.
Segundo a Imperial College, de Londres, cravou que a pandemia do novo coronavírus é elitista, pois lavar as mãos com água e sabão, algo considerado básico para se precaver, não é algo que todos possuem, assim aumentado a taxa de contaminação em 32%. Através da Organização das Nações Unidas (ONU), 4,5 bilhões de pessoas não têm acesso à saneamento básico seguro, dado de 2017.
A mesma pesquisa relata que os países com maior concentração de riqueza apresentam 4,7 vezes mais leitos hospitalares, 13 vezes mais médicos e 9,6 vezes mais enfermeiros em relação aos mais pobres.
Através do site G1, foi publicado uma matéria que visibiliza a desigualdade social, na qual o Ministério da Saúde disponibilizou o Código de Endereçamento Postal (CEP), de 3.959 pessoas, mostra que 66% das vítimas, da grande São Paulo, recebiam salários médios abaixo de R$ 3 mil, 21% com a média de R$ 6.500 e nas regiões da classe alta, a média de R$ 19 mil era de apenas 1%. Segundo o G1, também, no dia 17 de setembro, a média de mortes no Brasil nos sete últimos dias era de 779 óbitos por dia, que somados dão 5.453 no país.
(Reprodução: Uol.com)
Em entrevista com Lucas Bacelar, 18, morador do bairro da Brasilândia, localizado na Zona Norte de São Paulo contou sobre como vive durante a pandemia. O jovem conta que conheceu pessoas que se infectaram pelo vírus, sendo algumas pessoas de sua família e ele conhecia um senhor que tinha um bar, contaminou-se e faleceu, o caso viralizou tanto que foi parar na Record. O mesmo especifica como foi a quarentena por lá, na qual ele cita a preocupação inicial com o vírus, fazendo o possível para evitar movimentação na rua, higienizar, como possível, suas respectivas casas e as pessoas. Porém, cerca de um mês após o decreto do isolamento, o medo da contaminação ficou para trás e tudo voltou ao normal.
Lucas relata seu privilégio de sua mãe e seu irmão poderem trabalhar em home-office, porém ele mora com seu avô, que faz fretes e é autônomo, mesmo com o auxílio, teve de ir em busca de alguma renda. O próprio relata que o seu tio, que trabalhava de Uber e como segurança particular, teve de sair para a rua em busca de algum sustento. Ele pôde ver que os casos de pessoas que tiveram o privilégio de se manter em casa foram minoria, a grande maioria da população local teve que sair após os 15 dias de quarentena. Após isso, as festas e bailes clandestinos começaram novamente, logo, o isolamento proposto pelo governo foi quebrado muito rápido.
O jovem relata que no início, se assustava com a proporção de mortos, mas depois de algumas pesquisas feitas pelo próprio, ele disse que viu o quão grande era o bairro, que engloba boa parte da Zona Norte e da parte Noroeste, tornando o número de mortos pequeno para o real tamanho. Porém, ele ressalta que não se deve relaxar, e sim continuar tomando os cuidados devidos, sendo eles higiênicos e o mesmo cita a imunidade, para que haja uma boa resistência contra o vírus. Sobre a pesquisa de Lucas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a Brasilândia tem 5.803,542 km2, com cerca de 11.853 pessoas em seu território. Um bairro com grandes números comparado a outros próximos.
Uma enfermeira de um postinho de saúde da região da Freguesia do Ó, ela afirma que o Estado deu as condições mínimas de trabalho e os funcionários lidam com as normas descritas pela OMS. A mulher diz que é desesperador ver a reação das pessoas ao saberem que estão com o vírus, com a evolução e se poderão sair vivas.
Em entrevista com Antônio Gati, o idoso de 86 anos contraiu o vírus, ele alega que achou que morreria, pois ele já possui uma idade avançada e já tem casos de pressão alta e problemas pulmonares. O próprio tem convênio, porém com todos os fatores ele se torna um grupo de risco bem alto e grave, porém ele saiu bem e sem nenhuma sequela. Sua esposa, Rosa Moreli, também teve, ela possui 82 anos, tem diabetes e é obesa, no entanto, ela sobreviveu ao vírus, porém despertou um câncer em seu fígado e pâncreas.
O presidente, Jair Messias Bolsonaro, que tanto recomenda a cloroquina sem recomendações médicas pode gerar efeitos colaterais em seus pacientes com o uso do remédio, como arritmia cardíaca, problemas renais e comprometimento na saúde dos olhos. Magnus Gisslén, professor e médico chefe da clínica de infecção do Hospital Universitário Sahlgrenska, relatou ao jornal Gothenburg Post que o medicamento tem efeitos colaterais sérios, principalmente no coração.
De acordo com o monitoramento da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos), já são mais de 116.600.908 milhões de casos no mundo, com 2.589.638 morte até o momento. Mesmo com uma taxa de mortalidade baixa, que mata uma pessoa a cada 30, é uma doença letal que não se sabe seus efeitos a longo prazo.
A ONU publicou em 2019 o Índice Multidimensional de Pobreza, com 101 países analisados, há 1,3 bilhão de pessoas consideradas “multidimensionalmente pobres”. Cerca de 500 milhões vivem em pobreza extrema, sem comida, água e higiene básica. Aproximadamente, 600 milhões de pessoas menores de 18 anos vivem com a desigualdade e 428 milhões tem menos de 10 anos.
O relatório observa que a África Subsaariana e o sul da Ásia têm a maior proporção de pessoas pobres, cerca de 84,5%. O nível de desigualdade é descrito como imenso na África Subsaariana, onde varia de 6,3% na África do Sul a 91,9% no Sudão do Sul. O nível de disparidade no sul da Ásia é oscilando de 0,8% nas Maldivas, para 55,9% no Afeganistão.
Após todos os fatos, deve-se tomar cuidado atualmente e posteriormente a fase do coronavírus, na qual deve aumentar o índice, por exemplo quando o dono da Amazon aumentou sua fortuna enquanto milhares de pessoas perdem seus pequenos negócios e ficam desempregados. O covid-19 é um vírus que veio para atingir o pobre e fortificar a elite. As pessoas só não sabiam que teriam que lutar contra dois vírus, o coronavírus e o capitalismo. E para o brasileiro, combater o genocida Jair Messias Bolsonaro é mais um obstáculo.