Foi em Resende (RJ) que Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente e capitão do exército condenado por tentativa de golpe de estado, viveu entre 1974 e 1977 e teve, com a então esposa Rogéria Nantes Braga Bolsonaro, seu primeiro filho: Flávio Nantes Bolsonaro, nascido no dia 30 de abril de 1981.
Hoje, com 45 anos, Flávio é candidato à presidência da república pelo Partido Liberal (PL), casado com a cirurgiã-dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e pai de duas meninas.
O primogênito de Jair, apelidado pelo pai como “zero um”, foi deputado estadual por quatro mandatos e senador da república. Possui graduação em direito pela Universidade Candido Mendes (UCAM) e especialização em políticas públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e em empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Sua trajetória política começou como legislador estadual do Rio de Janeiro. Em 2002, Flávio, então com 21 anos e filiado ao Partido Progressista (PP), tornou-se o deputado estadual mais novo a ser eleito no Rio, contabilizando 31.293 votos. Ocupou o cargo por quatro mandatos consecutivos, entre 2003 e 2018, e ampliou sua votação nas eleições seguintes, 43 mil votos em 2006, 58 mil em 2010 e mais de 160 mil em 2014. Nesse meio tempo, o candidato também mudou diversas vezes de legendas, passando pelo Partido da Frente Liberal (atual União Brasil), Partido Social Cristão (PSC) e Partido Social Liberal (PSL).
Em 16 anos no mandato estadual, Flávio protocolou 140 Projetos de Lei (PL) e 14 Propostas de Emenda à Constituição Estadual do Rio de Janeiro. Grande parte da sua atuação foi centrada em temas ligados à segurança pública, uma das principais bandeiras políticas de seu pai. Entre as propostas apresentadas nesse período estão a redução da jornada de trabalho para servidores e militares com dependentes com deficiência, isenção de taxas e ampliação do direito ao porte e posse de armas de fogo e o combate às cotas raciais em universidades públicas.
No ano de 2016, quando ainda estava no PSC, concorreu à prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em quarto lugar, acumulando 424.307 votos.
Dois anos mais tarde, alavancado pela vitória de Jair Bolsonaro na disputa presidencial, Flávio foi eleito senador da república com 31,3% dos votos válidos, recebendo o voto de 4,3 milhões de fluminenses.
Seus anos como senador foram marcados pela interlocução com parlamentares e dirigentes partidários. Propôs 59 PLs e 93 Propostas de Emenda à Constituição (PEC). Contudo, apenas um Projeto de Lei foi aprovado pelas duas casas, o PL 3.190 de 2023, que prevê adequações para empresas no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado.
O candidato também foi relator da “PEC da Praia", que transfere terrenos costeiros para seus ocupantes privados. Flávio presidiu algumas comissões, incluindo a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
O caso da rachadinha
Em dezembro de 2018, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão administrativo responsável por analisar transações financeiras, apontou movimentações consideradas anormais nas contas de Fabrício Queiroz, policial militar aposentado e assessor pde Flávio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, o assessor movimentou cerca de R$ 1,2 milhão. A investigação passou a questionar a origem dos recursos e a existência de um possível esquema de “rachadinha”, prática em que funcionários públicos devolvem parte de seus salários ao parlamentar ou a pessoas ligadas ao gabinete.
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outras pessoas por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita em 2020. Na denúncia, os promotores defenderam que o então deputado seria o líder do esquema e Queiroz, seu operador financeiro. O MP afirmou que as irregularidades teriam ocorrido entre 2007 e 2018, durante o período em que Flávio exerceu mandato na Alerj. Flávio negou as acusações.
Posteriores decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam elementos utilizados na investigação, especialmente provas relacionadas à quebra de sigilo bancário e fiscal.
Em maio de 2022, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia contra Flávio. A decisão impediu o prosseguimento da acusação com base nos elementos considerados inválidos.
Candidatura à presidência em 2026
Flávio Bolsonaro chega às eleições presidenciais com o objetivo de manter vivo o legado de seu pai, Jair Bolsonaro.
No dia cinco de dezembro de 2025, via redes sociais, o candidato anunciou sua pré candidatura. Em nota, Flávio escreve que a decisão foi de seu pai: “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”, declarou.
O filho do ex-presidente, na mesma nota, criticou a situação contemporânea do Brasil: “Eu não posso, e não vou, me conformar ao ver o nosso país caminhar por um tempo de instabilidade, insegurança e desânimo. Eu não vou ficar de braços cruzados enquanto vejo a esperança das famílias sendo apagada e nossa democracia sucumbindo”.
O candidato possui algumas alianças com governadores espalhados pelo país. A principal é com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador do estado de São Paulo. Outros nomes como, Cláudio Castro (PL) e Jorginho Mello (PL) também apoiam publicamente a candidatura de Flávio.
A divulgação da campanha do candidato visa enfatizar a relação do senador com o eleitor popular. Nas suas redes sociais, Flávio busca mostrar para os eleitores seu apoio e interação com a população. Apesar de seguirem a mesma vertente ideológica, Flávio e Jair Bolsonaro possuem diferenças em seus discursos.
A primeira delas, é a relação com o chamado “centrão”. O ex-presidente, inicialmente, adotou uma postura de rejeição. O filho, por outro lado, manteve relação com as lideranças centrais desde o início de sua trajetória como político.
Embora seu pai, seja historicamente defensor da pena de morte, o senador já declarou publicamente, em sua redes sociais, ser contrário.
Segurança
O eixo central da proposta do candidato é o enquadramento de organizações criminosas como narcoterroristas, modelo semelhante ao estabelecido pelo líder de El Salvador, Nayib Bukele. Facções como o Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital, milícias e demais grupos armados passariam a essa classificação, o que, segundo o plano do candidato, abriria caminho para bloqueio de ativos financeiros e desarticulação de esquemas de lavagem de dinheiro.
Na área penal, o candidato defende a redução da maioridade de 18 para 16 anos. A proposta se junta a outras mudanças como exigência de cumprimento integral da pena para assassinos e agressores de mulheres, e quadruplicação da pena inicial para quem furta, revende ou comercializa celulares roubados.
No sistema prisional, Flávio propõe a construção de cinco presídios federais de segurança máxima inspirados no modelo salvadorenho, batizados de "TREVA", nos quais líderes de quadrilhas ficariam isolados, sem acesso a celular ou visita íntima. Paralelamente, o plano prevê parcerias com estados para a criação de meio milhão de novas vagas no sistema prisional ao longo de quatro anos de mandato, além da promessa de dobrar os investimentos federais em segurança pública no mesmo período.
Duas medidas do plano têm como alvo crimes contra mulheres e crianças: A primeira é a castração química para estupradores e abusadores condenados pela Justiça e a segunda amplia o monitoramento eletrônico. Agressores sob medida protetiva usariam tornozeleira, e o rompimento da distância regulamentar da vítima dispararia um alerta às autoridades.
Junto a isso, Flávio propõe o projeto Muralha Brasileira,extensão nacional do Muralha Paulista. Seria um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais, que vigiaria portos, aeroportos e áreas públicas com o apoio de mais de 1 milhão de novas câmeras de segurança.
Costumes e pautas sociais
Flávio se posiciona contra a ampliação do direito ao aborto e a legalização das drogas e defende valores cristãos como parte de sua identidade política.
A religião também aparece de forma explícita em seu discurso. Flávio chegou a defender o Brasil como uma “nação cristã”, aproximando-se da base religiosa de Jair Bolsonaro.Sobre as armas, a campanha demonstra uma mudança de ênfase. Embora Flávio não tenha rompido com a pauta armamentista, o tema perdeu espaço para propostas de endurecimento penal e combate ao crime organizado. Na educação, aparecem propostas como expansão das escolas cívico-militares, método fônico de alfabetização e ensino de robótica e inteligência artificial. Flávio também tenta ampliar sua aproximação com o eleitorado feminino. O programa “Brasil por Elas” prevê creches, capacitação profissional, incentivo ao empreendedorismo, atendimento à saúde e medidas de proteção contra a violência.
Ao lançar o programa, afirmou que não havia se tornado “feministo” e vinculou a valorização das mulheres à defesa da família. A estratégia busca ampliar seu eleitorado sem romper com a base ideológica bolsonarista.
Economia e programas sociais
A área social e a política econômica aparecem interligadas, com os programas assistenciais tratados como ponte de acesso ao mercado de trabalho formal.
No plano de governo, o candidato assume o compromisso de manter todos os programas sociais em vigor, com foco no aperfeiçoamento da gestão e no combate às fraudes. Contudo, certos recursos de programas seriam bloqueados para apostas online, numa medida apresentada como proteção ao orçamento alimentar das famílias em situação de vulnerabilidade.
Na área habitacional, o plano retoma o programa “Casa Verde e Amarela”, com meta de entrega de 2,5 milhões de moradias e prioridade para que títulos de propriedade urbana sejam concedidos em nome das mulheres.
O candidato propõe, no âmbito tributário, rever a reforma em curso, buscando reduzir a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado, atualmente projetada em 30%, e simplificar a legislação, com garantia de não cumulatividade real, de forma a impedir a cobrança de imposto sobre imposto, além de desonerar exportações e investimentos.
No campo fiscal, o candidato propõe uma reformulação das regras que regem o controle de gastos, com foco na redução gradual da relação entre dívida pública e PIB. Essa reformulação vem acompanhada de uma proposta de enxugamento da máquina pública, batizada de "Tesouraço", que prevê corte de cargos comissionados, combate a supersalários e a fusão ou extinção de pelo menos dez ministérios.
No mercado de trabalho, Flávio propõe a redução gradual dos encargos sobre a folha de pagamento das empresas, sendo um meio de estimular a contratação com carteira assinada.
Dois novos modelos de contrato acompanham essa medida. Um voltado a jovens de 18 a 24 anos, com custos de folha reduzidos para o primeiro emprego, e outro direcionado à recontratação de pessoas com 50 anos ou mais que estejam desempregadas há mais de um ano.
Instituições e democracia
A relação com o Supremo Tribunal Federal é um dos principais pontos de tensão da candidatura. Flávio Bolsonaro critica a atuação da Corte e propõe limitar decisões individuais de ministros e alterar algumas de suas competências.
O candidato também coloca a liberdade de expressão entre suas principais bandeiras. Ele critica a regulação das redes sociais sob o argumento de combate à censura, embora esse direito não seja absoluto e permaneça sujeito aos limites previstos em lei.
No caso do 8 de Janeiro, Flávio defende uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos, o que poderia beneficiar Jair Bolsonaro. A medida, entretanto, não depende apenas do presidente: precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.
No combate à corrupção, o programa prevê redução de cargos públicos, enfrentamento aos supersalários, mudanças no foro privilegiado e restrições destinadas a evitar conflitos de interesse no Judiciário.
As propostas revelam uma tensão central: Flávio afirma buscar maior equilíbrio entre os Poderes, mas sustenta uma plataforma marcada pelo confronto com o STF.
Política externa
No contexto da política externa, Flávio Bolsonaro defende, em linhas gerais, os mesmos ideais de seu pai.
Em relação às potências mundiais, o candidato defende uma política de aproximação com nações, como Estados Unidos, Israel e China. Por outro lado, é crítico à Venezuela e a outros governos de esquerda da América Latina.
Em relação aos Estados Unidos, o senador busca um alinhamento direto com o governo de Donald Trump. Flávio, inclusive, se reuniu com o presidente americano em maio de 2026, na Casa Branca e foi definido pelo presidente estadunidense como “um jovem inteligente que ama muito o seu país”.
Da mesma forma, o senador possui boa relação com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em julho de 2026, Netanyahu elogiou o candidato à presidência em vídeo. Na gravação, ele afirmou: “Você é um grande campeão do Brasil, um grande campeão da amizade entre nossos povos, e eu sei que você levará o Brasil a patamares mais elevados”.
A relação de Flávio com a China é pragmática. Em julho de 2026, ele culpou Lula pela taxa adicional de 55% cobrada pelos chineses sobre a carne bovina. O senador afirmou que pretende procurar a Embaixada Chinesa no Brasil, a fim de pedir a revisão dessas taxas. Nesse contexto, o candidato não vê problema algum em negociar e conversar com a nação asiática.
Sobre a Venezuela, Flávio define o governo do país como uma ditadura. Ele utiliza da nação venezuelana como exemplo negativo dos avanços de pautas socialistas.
Em uma publicação no X, em janeiro de 2026, Flávio critica duramente os governantes Hugo Chávez e Nicolás Maduro: “ o país enfrentou a concentração de poder, o enfraquecimento das instituições democráticas, a perseguição à imprensa, a repressão à oposição e a eliminação da independência do Judiciário. Maduro utilizava o território venezuelano como rota estratégica para a distribuição de drogas para diversos países”.
O senador alinha-se a líderes conservadores próximos, como Javier Milei, atual presidente da Argentina, com viés de combater ideologias de esquerda nos continentes americanos.
O vice
Alfredo Gaspar, deputado federal do PL de Alagoas, foi anunciado como vice de Flávio Bolsonaro em cinco de agosto de 2026. Gaspar foi promotor de justiça e atuou no Ministério Público de Alagoas de 1996 a 2020. Além disso, comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos, 2015 a 2016 e 2021 a 2022.
Em 2022, Gaspar foi eleito Deputado Federal pelo União Brasil e em 2023 deu início ao seu primeiro mandato.
Em 2026, ele migrou para o PL, onde chegou a ser cotado como candidato ao senado por Alagoas. Entretanto, a candidatura não foi oficializada e ele foi anunciado como vice de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais.
Flávio pretendia colocar uma mulher como vice-presidente, a fim de atrair parte do eleitorado feminino conservador. Porém, acabou anunciando Alfredo Gaspar.
Gaspar foi acusado pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) por estupro de vulnerávels. A polícia ainda analisa o pedido de abertura da investigação.
Em coletiva realizada no início de agosto, Flávio Bolsonaro caracterizou a acusação como uma farsa. O candidato saiu em defesa do vice e descartou qualquer possibilidade de mudança na chapa.
Médico psiquiatra, escritor e palestrante, Augusto Jorge Cury disputa, pela primeira vez, um cargo eletivo. Conhecido nacional e internacionalmente por suas obras sobre inteligência emocional, saúde mental e desenvolvimento humano, o candidato do Avante busca levar para a política temas que marcaram sua trajetória profissional ao longo das últimas décadas.
Nascido em Colina, no interior de São Paulo, em 2 de outubro de 1958, Cury construiu carreira na medicina e ganhou projeção como autor de best-sellers, com livros publicados em dezenas de países. Sem experiência anterior em cargos públicos, o psiquiatra ingressou na corrida presidencial apresentando-se como uma alternativa à polarização política que domina o cenário nacional. Filiado ao Avante e tendo o ex-deputado federal Júlio Delgado como candidato a vice-presidente, o presidenciável defende uma gestão baseada no diálogo, na valorização das pessoas e na busca por equilíbrio entre responsabilidade fiscal e políticas sociais.
Ao lançar sua candidatura, Cury afirmou que sua entrada na política foi motivada pela preocupação com questões ligadas à saúde mental, à educação e ao desenvolvimento humano. Seu programa de governo, intitulado como “O Brasil dos Nossos Sonhos”, procura reunir propostas voltadas à formação emocional dos jovens, à melhoria da educação e à construção de um ambiente político menos marcado por conflitos ideológicos.
A marca de sua candidatura é baseada na saúde mental como prioridade nacional, no centro das políticas públicas. O candidato pretende colocar isso em prática por meio da ampliação no acesso a atendimento psiquiátrico e psicológico, programas preventivos contra ansiedade e depressão, saúde emocional nas escolas e atenção especial para crianças e adolescentes neurodivergentes. Entre suas propostas sobre saúde mental, Augusto defende um projeto chamado ‘mulheres vivas”, que visa o desenvolvimento da inteligência emocional e saúde mental feminina, além do incentivo ao autocuidado, autoestima e autoconhecimento
Além do eixo mental, Cury defende uma grande reforma no modelo educacional brasileiro, com destaque para competências socioemocionais e para a melhoria do desempenho dos alunos em matérias básicas, como: matemática, português e ciência. Ele também propõe uma maior valorização e qualificação dos professores, com incentivo à oratória e à comunicação. O candidato também carrega em seu programa de governo uma proposta de mandato de oitoanos para ministros, com o objetivo de aumentar a renovação, a independência e o equilíbrio institucional do STF.
Embora o foco de Augusto seja a saúde mental e educação, uma das principais propostas é estimular a criação de pequenos negócios. No debate que ocorreu na Band, no último domingo (23), Cury afirmou que pretende financiar mais de 10 milhões de microempresas, com o objetivo de transformar o Brasil em um país empreendedor. Em conjunto com a reforma do atual modelo educacional, a proposta prevê a criação de clubes de empreendedorismo nas escolas e comunidades. O programa também contemplará o fortalecimento do agronegócio e o incentivo à inovação tecnológica.
A pesquisa, divulgada na última sexta-feira (21), aponta que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está à frente da corrida presidencial no cenário do primeiro turno, com 39% das intenções de voto na pesquisa estimulada. O candidato Flávio Bolsonaro (PL), aparece com 33%, Ronaldo Caiado (PSD), fechou com 5%, Renan Santos do Missão chegou a 4%. Romeu Zema do Novo está com 3%. Augusto Cury chega a 2%.
Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi do (Democrata) marcaram 1% cada. Clariana Barão (Democracia Cristã) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram na pesquisa. Os nulos e brancos somam 6%,não souberam responder ficou em 4%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Na pesquisa espontânea, onde o nome dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula é citado por 32% dos eleitores, no levantamento anterior, eram 30%, Flávio Bolsonaro aparece com 19%, contra 17% na pesquisa anterior. Há também menções a Jair Bolsonaro (3%), Renan Santos (2%), Ronaldo Caiado (2%), Romeu Zema (1%) e Pablo Marçal (1%), os demais candidatos não atingiram 1%. A parcela de indecisos chega a 32%, com destaque para a indecisão entre mulheres (40%) e os homens (22%). Por gênero, Lula aparece à frente entre as mulheres, com 41% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro registra 29%, enquanto Ronaldo Caiado tem 5%. Já entre os homens, Flávio Bolsonaro aparece com 37%, um ponto à frente de Lula, que soma 36%. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 6%.
Por idade, Lula aparece à frente tanto com os eleitores de 16 a 24 anos, com 37%, quanto com os eleitores mais velhos,de 45 a 59 anos, com 41% e, entre aqueles de 60 anos ou mais, com 45%. Flávio Bolsonaro lidera entre os eleitores de 25 a 34 anos, com 35% e, empata com Lula entre os eleitores na faixa de 35 a 44 anos, com 35% cada. No cenário de segundo turno, o atual presidente venceria Flávio Bolsonaro por 47% a 43%.
Nos cenários em que Flávio não chegasse ao segundo turno, Lula fecharia com 47% a 40% contra Ronaldo Caiado, 47% a 37% contra Renan Santos e 48% a 38% contra Romeu Zema. Os dois principais candidatos também concentram as maiores porcentagens de rejeição. 46% dos entrevistados dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro, enquanto 45% dizem o mesmo em relação ao Lula. O levantamento do Datafolha foi realizado nos dias 18 e 19 de agosto de 2026, com 2058 entrevistas presenciais em 128 municípios, entre eleitores de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, tendo um nível de confiança de 95%. O número de registro no TSE é BR-04496/2026.
Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, 76 anos, é o candidato do Partido Social Democrático (PSD) à Presidência da República em 2026. Essa não é sua primeira disputa pelo Palácio do Planalto: em 1989, aos 39 anos, Caiado também concorreu à Presidência. Na ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente, era um de seus adversários.
Antes de se envolver na vida pública, Caiado se formou em Medicina, em 1972, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Ele vem de uma família tradicional em Goiás, com registros de atuação no estado desde o século XVIII. A influência familiar e a relação com o setor rural contribuíram para sua aproximação com a defesa dos interesses dos produtores. Em 1985, assumiu a presidência da União Democrática Ruralista (UDR), entidade ligada à representação dos interesses de produtores rurais. Nesse período, ganhou projeção nacional ao se posicionar contra propostas de reforma agrária e em defesa da propriedade rural.
A entrada de Caiado na política institucional foi em 1989, quando concorreu pela primeira vez à Presidência. No ano seguinte, o goiano foi eleito como deputado federal pela primeira vez, com a posse em 1991, e posteriormente acumulando cinco mandatos consecutivos na Câmara e um mandato no Senado. E, mais recentemente, em 2019, foi governador de Goiás, permanecendo no cargo até 31 de março de 2026, quando deixou o governo para concorrer ao Planalto.
Suas candidaturas presidenciais, em 1989 e agora em 2026, não foram as únicas disputas contra o PT. Em 2016, Caiado foi um dos principais opositores à ex-presidente Dilma e defendeu seu impeachment no mesmo ano. O posicionamento do então senador gerou comparações na imprensa com sua postura no processo de impeachment de Fernando Collor em 1992, quando, na função de deputado federal, votou contra o impedimento do então Presidente.
Recentemente, em dezembro de 2024, Caiado também enfrentou uma decisão da Justiça Eleitoral por abuso de poder. Foram realizados encontros com lideranças políticas no Palácio das Esmeraldas (sede oficial do governo do estado de Goiás) após o primeiro turno das eleições municipais, em apoio à campanha de Sandro Mabel, prefeito de Goiânia. A Justiça Eleitoral de Goiás determinou a inelegibilidade do governador, de Mabel e da vice-prefeita Cláudia Lira por oito anos, porém, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) derrubou a decisão em abril de 2025 por unanimidade, mas manteve a multa de R$100 mil.
Entre as principais propostas de Caiado destacam-se medidas nas áreas de segurança pública, economia e reforma política.
No quesito de segurança pública, o goianiense reforçou o combate ao crime organizado. Entre as propostas estão a criação da Lei do Terrorismo Doméstico, que prevê penas mais severas para integrantes de organizações criminosas, além de medidas para atingir financeiramente as facções, como o confisco e a perda de bens ligados às atividades criminosas. Além disso, Caiado apoia a aprovação da PEC da redução da maioridade penal para 16 anos em casos específicos, como homicídio, estupro de vulnerável e roubo com violência.
Outro destaque na segurança pública é a criação da “SULPOL”, uma polícia integrada aos países vizinhos do Brasil que transitaria livremente entre as nações. O objetivo da corporação seria de integrar dados, formar núcleos conjuntos de investigação e coordenar operações contra tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, cibercrime, tráfico de pessoas e redes criminosas transnacionais.
O candidato também apresenta propostas de combate ao feminicídio e de ampliação dos direitos das mulheres. Entre os projetos na área, estão a criação de uma rede integrada nacionalmente para medidas protetivas e alertas, expansão do monitoramento eletrônico de “agressores de alto risco”, implementação de um botão de emergência para a mulher violentada e destinação dos bens do condenado às vítimas e filhos. Também é projetada a expansão das casas de acolhimento e atendimento à mulher, aceleração da oferta de creches em áreas de maior demanda, ampliação e incentivo à participação de mulheres no agronegócio, ciência, tecnologia e indústria, e criação do selo “Empresa pela Igualdade”, que reconheceria empresas que promovam equidade de gênero.
Na área política, o candidato defende extinguir a reeleição consecutiva para cargos do Poder Executivo (presidente da República, governadores e prefeitos). A justificativa apresentada é a busca por maior igualdade nas disputas eleitorais e o incentivo ao planejamento a longo prazo, já que os governantes não precisariam pautar suas decisões pela busca de uma reeleição imediata. Ele também propõe a adoção de um sistema distrital misto, um modelo de reforma eleitoral para cargos legislativos (senadores, deputados e vereadores) que visa manter a proporcionalidade das forças políticas no parlamento. A medida combina a eleição de uma parte dos parlamentares em distritos territoriais menores (voto distrital) e a eleição de outra parte por meio de listas partidárias.
Embora não conste em seu plano de governo, Ronaldo Caiado já confirmou, durante a sabatina da GloboNews, que pretende anistiar os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Se eleito, pautar esse projeto seria uma das suas primeiras ações já no primeiro dia de mandato, a fim de “pacificar o país”.
Na economia, o ex-governador busca a estabilização fiscal do país sem elevar os impostos. Isso seria feito por intermédio de medidas para desacelerar o crescimento das despesas obrigatórias e por meio da revisão de subsídios e benefícios fiscais. Além disso, ele propõe o “orçamento da verdade”, um documento que transparece todas as despesas obrigatórias, passivos, subsídios, benefícios tributários, restos a pagar e riscos fiscais do governo.
Ainda no campo econômico, Caiado apresenta o estímulo à produtividade e ao investimento privado – uma vez equilibradas as contas públicas. O candidato propõe fortalecer micro e pequenas empresas, definir metas de produtividade e investimento que seriam revistas a cada quatro anos, reduzir o custo do capital produtivo, expandir o ensino técnico e reindustrializar o país por meio da energia limpa.
Na cultura, o candidato busca estruturar um financiamento pelo “Sistema Nacional de Cultura”, sem “dirigismo ideológico” e focado na liberdade artística. Ele propõe regras para o uso de obras com inteligência artificial, criar um programa de manutenção do patrimônio material e imaterial, política industrial para audiovisual e jogos e o incentivo à economia criativa e trabalho cultural.
A saúde inclui modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de transformá-lo em uma rede preventiva e digitalizada. Caiado também propõe a criação de um “Sistema Nacional de Acesso e Regulação Inteligente” que “substitua progressivamente a fila passiva por uma jornada clínica rastreável” com base na gravidade e risco de progressão da doença do paciente. Também são apresentadas medidas de “soberania sanitária”, a fim de reduzir a dependência externa; as propostas incluem o desenvolvimento e produção nacional de vacinas, terapias avançadas e medicamentos de alto custo.
As medidas de Caiado para a educação contam com com um “Pacto Nacional pela Alfabetização e Matemática na Idade Certa”, que apoiaria estados e municípios para que todas as crianças leiam, escrevam, compreendam e dominem fundamentos matemáticos até o final do 2º ano do ensino fundamental. Além disso, o candidato prevê a criação de itinerários com implementação curricular no ensino médio e fala em “transformar o Enem em instrumento coerente de conclusão e acesso, com avaliação das competências essenciais.” As propostas também abordam a elevação do padrão das licenciaturas, restrição de cursos de baixa qualidade e oferecimento de bolsas a bons estudantes que escolham a docência. O aperfeiçoamento de recursos de permanência estudantil a estudantes de baixa renda no ensino básico e a elevação das exigências de avaliação de cursos do ensino superior também foram apresentadas.
No domingo (16), foram iniciadas oficialmente as propagandas políticas e a divulgação dos números de cada candidato. Mas uma das questões levantadas nessa época é: de onde vem o dinheiro que financia as propagandas por meio de panfletos, adesivos e produções audiovisuais?
Alguns candidatos contam com arrecadações extras por meio de doações, mas todos os partidos recebem anualmente um Fundo Partidário e todo ano de eleição um Fundo Eleitoral.
Fundo Eleitoral
Em junho ocorreu a liberação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, que está previsto nas regras do Tribunal Superior Eleitoral. o valor é disponibilizado pelo Tesouro Nacional ao TSE e distribuído aos diretórios nacionais dos partidos, caso não seja utilizado todo o montante, é necessário que as siglas devolvam o que sobrar para o Tesouro na prestação de contas.
O FEFC contempla cerca de 30 partidos registrados no TSE e é utilizado nas campanhas dos candidatos a partir de 16 de agosto, quando passam a ser permitidas as propagandas eleitorais oficiais.
O Fundo Eleitoral conta com o valor de R$ 4,9 bilhões para as eleições de 2026. O Partido Liberal (PL) foi a sigla que recebeu maior valor, um total de R$ 881,7 milhões, o segundo maior montante foi para o Partido dos Trabalhadores (PT), R$ 615,4 milhões. O terceiro foi o União Brasil, com o total de R$ 526,2 milhões. Segundo dados do TSE, os três partidos concentram 40% do valor total distribuído.
A distribuição funciona da seguinte maneira: 2% são divididos igualmente entre todos os partidos, 35% são proporcionalmente divididos aos votos recebidos pelas legendas na última eleição geral para a Câmara dos Deputados; 48% são repartidos de acordo com o número de representantes eleitos para a Câmara dos Deputados e 15% conforme representação dos partidos no Senado federal.
O Fundo Eleitoral foi criado em 2015, após o STF proibir doações de empresas para os custos de campanhas, com o objetivo de diminuir a influência do poder econômico na política, já que as empresas bancavam mais de 70% dos gastos. Atualmente, o total dos recursos é definido a partir da Lei Orçamentária Anual.
Para as eleições de 2026, são considerados os números da eleição geral de 2022 na distribuição das porcentagens..
Fundo Partidário
O Fundo Partidário é distribuído anualmente, em parcelas de doze partes iguais, para que os partidos consigam pagar seus gastos administrativos e é repartido da seguinte forma: 95% vai proporcionalmente para as siglas a partir dos votos obtidos na última eleição geral (em 2022) e 5% é dividido igualmente. O valor é arrecadado pela União a partir da quantia autorizada por lei com multas, penalidades, doações e outros recursos financeiros.
Esse valor é distribuído como forma de manutenção das agremiações, assim podem utilizá-lo com gastos administrativos como água, luz, aluguéis e salários de funcionários. Esses gastos costumam ser publicados no Diário da Justiça Eletrônico, para que haja maior transparência com a população.
Além de gastos administrativos burocráticos, os partidos podem utilizar o dinheiro para custear passagens aéreas, publicação de conteúdo nas redes sociais, advogados e contadores.
Vídeos capazes de simular discursos e expressões que nunca aconteceram deixaram de ser experimentos tecnológicos para se tornarem uma preocupação crescente no ambiente digital. Produzidos com o uso de Inteligência Artificial (IA), os chamados deepfakes ampliam desafios para a informação pública e acendem alertas sobre a disseminação da desinformação, especialmente em períodos eleitorais.
Mais do que uma inovação técnica, esses materiais circulam em um ambiente digital marcado pela velocidade do compartilhamento e pelo peso das emoções na propagação de informações. Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado em 2018 na revista Science, mostrou que informações falsas podem se espalhar até seis vezes mais rápido do que conteúdos verdadeiros nas redes sociais, ampliando desafios para jornalistas, pesquisadores e usuários diante da desinformação online.
Em períodos eleitorais, essa dinâmica torna-se ainda mais relevante. Ao navegar pelas redes, eleitores são expostos a publicações virais que, antes mesmo de serem verificadas ou desmentidas, alcançam grande circulação e passam a influenciar percepções sobre candidatos e acontecimentos políticos. Houve casos como o da deputada Tabata Amaral, que teve suas imagens adulteradas com montagens pornográficas em 2024.
De acordo com João Henrique Martins, advogado especialista em Direito Digital e mestre em IA pela PUC-SP, o principal desafio está na diferença de ritmo entre tecnologia e instituições. “Há um problema diagnosticado de que o processo legislativo não acompanha a mesma velocidade com que a tecnologia evolui. Enquanto a desinformação circula em um ritmo exponencial, a lógica processual possui ritmo muito menor.”
Segundo o especialista, a expansão dos deepfakes também está ligada à democratização das ferramentas de inteligência artificial. O que antes exigia conhecimento técnico avançado passou a estar acessível a qualquer pessoa capaz de utilizar plataformas digitais, ampliando significativamente o potencial de criação e disseminação de materiais manipulados durante campanhas eleitorais.
Martins destaca ainda que a legislação eleitoral brasileira já prevê responsabilização para casos de desinformação. De acordo com ele, a punição pode atingir tanto quem produz quanto quem compartilha conteúdos sabidamente falsos, já que o foco da lei está no ato de divulgar informações inverídicas capazes de influenciar o eleitorado. Ainda assim, a velocidade da circulação digital impõe dificuldades práticas para a aplicação das normas existentes.
A rapidez das redes sociais também contribui para o impacto dos deepfakes ao se conectar diretamente às emoções humanas. As plataformas digitais são estruturadas para priorizar publicações que geram reação imediata nos indivíduos. Para o psicanalista João Bosco, “a racionalidade exige tempo e o ambiente digital valoriza a velocidade.”
Além disso, o especialista afirma que conteúdos extremos rompem a sensação de normalidade. Para ele, o ser humano não está apto a viver em um ambiente onde imagens podem mentir. Durante a maior parte da evolução humana, “ver” era sinônimo de acreditar, e a confiança na percepção visual foi fundamental para a sobrevivência. Agora, com a possibilidade de manipulação total das imagens, esse princípio é abalado, gerando um conflito psicológico. “Esse desalinhamento pode causar ansiedade, insegurança e até uma sensação constante de dúvida em relação à realidade”, afirma.
As consequências ultrapassam o campo individual e passam a afetar diretamente as relações sociais e a confiança coletiva, especialmente em contextos eleitorais. O relatório do World Economic Forum de 2024 apontou a desinformação impulsionada por IA como um dos principais riscos globais de curto prazo, destacando o potencial impacto sobre processos democráticos. Segundo João Bosco, quando as pessoas passam a duvidar sistematicamente do que veem, ocorre uma “erosão da confiança perceptiva”. Isso pode levar a dois extremos: acreditar em tudo pela emoção ou não acreditar em nada pelo ceticismo excessivo. No longo prazo, o impacto atinge não apenas a informação, mas a própria construção de sentidos sobre o mundo.
Diante do avanço dos deepfakes, plataformas digitais e autoridades eleitorais têm ampliado medidas de identificação, por meio da exigência de rotulagem de conteúdos gerados artificialmente, monitoramento, remoção de conteúdo irregular e multas eleitorais. Especialistas alertam, porém, que o desafio não é apenas tecnológico. A dificuldade em distinguir o que é real pode gerar cansaço informacional e afastamento do debate público - fenômeno associado ao aumento da apatia política.
Em um cenário em que imagens já não garantem automaticamente a verdade, o pensamento crítico passa a ocupar papel central na construção da confiança pública e no funcionamento da democracia.