Os candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), disputarão o segundo turno das eleições no dia 25 de outubro. Segundo a apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.503 votos. Já Lula obteve 45,16%, o que representa 53.879.538 votos.
O candidato Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar na disputa e recebeu 3.448.569 votos (2,89%). Em seguida, Renan Santos (Missão) alcançou 2,24%, o que equivale a 2.675.887 votos. Em quinto lugar, Ronaldo Caiado (PSD) teve 2.605.148 votos (2,18%), seguido por Romeu Zema (Novo), com 326.488 votos (0,27%).
Entre os candidatos de menor expressão, Samara Martins (UP) conquistou 122.911 votos (0,10%), seguida por Hertz Dias (PSTU), que obteve 43.103 votos (0,04%). Logo atrás, Clariana Barão (DC) alcançou 40.043 votos (0,03%). Edmilson Costa (PCB) apareceu em seguida com 22.693 votos (0,02%). Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) alcançaram o mesmo percentual de 0,01%, com 16.881 e 15.024 votos respectivamente.
O TSE apurou 125.275.835 votos, dos quais 95,23% foram válidos: 119.300.788 votos. Entre os votos inválidos, foram 2.300.798 brancos (1,84%), enquanto 3.674.249 (2,93%) foram nulos. Entre os 158.745.502 eleitores aptos ao voto, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, o que representa 21,08% de abstenções – o maior índice registrado em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998.
Em sua primeira disputa à presidência, Flávio Nantes Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro, chegou ao segundo turno com um resultado superior ao obtido pelo pai no primeiro turno de 2018. Flávio foi deputado estadual do Rio de Janeiro por quatro mandatos, entre os anos de 2003 à 2018, e ocupou o cargo de senador de 2018 a 2026.
Já Luiz Inácio Lula da Silva participa de sua oitava disputa à presidência, sendo a quarta vez que vai ao segundo turno. Sua estreia na corrida pelo Executivo aconteceu em 1989, primeira eleição após a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, quando perdeu no segundo turno para Fernando Collor. Lula sairia derrotado novamente nas disputas de 1994 e 1998, ambas perdidas para Fernando Henrique Cardoso.
Em 2002, foi eleito no segundo turno, com 53 milhões de votos pelo Brasil. Quatro anos mais tarde, em 2006, se reelegeu com o voto de 58 milhões de eleitores. O candidato voltou a concorrer pelo cargo mais alto do Executivo em 2022. Em uma disputa acirrada com o então presidente Jair Bolsonaro, Lula foi eleito no segundo turno por uma diferença de 2,1 milhões de votos, a menor margem percentual registrada em uma eleição presidencial brasileira.
Confira o resultado do 1º turno nas cinco regiões:
Sudeste
No Estado de São Paulo — o maior colégio eleitoral do país — Flávio Bolsonaro manteve o desempenho à frente de Lula. O candidato do PL obteve 12.922.023 votos (51,93%), já o candidato à reeleição alcançou 9.505.413 votos (38,20%).
Em Minas Gerais — o segundo maior colégio eleitoral do país e tido como um “espelho” para as projeções nacionais — Flávio se manteve à frente do adversário, mas com uma diferença menor do que em São Paulo. O ex-senador recebeu 5.777.468 votos (48,24%), enquanto Lula teve 5.188.546 votos (43,33%). Apesar de ter ficado mais de sete anos à frente do governo do Estado, Romeu Zema teve menos de 1% dos votos válidos. O candidato do Novo recebeu 98.407 votos (0,82%).
No Rio de Janeiro, Bolsonaro permaneceu em vantagem sobre Lula, com 4.966.844 votos (53,01%), contra 3.693.021 votos (39,41%) do presidente. No Espírito Santo, o candidato do PL seguiu à frente do petista, com 1.233.194 votos (54,78%), já Lula teve 850.028 votos (37,76%).
Sul
O candidato Flávio Bolsonaro teve mais votos nos três estados do sul do país. No Paraná, o ex-senador registrou 3.945.345 dos votos (59,91%). Lula, por sua vez, angariou 2.054.597 (31,20%). Mais ao sul, em Santa Catarina, estado que possui forte presença do bolsonarismo, Flávio recebeu 3.000.020 dos votos (66,65%), o candidato à reeleiçãocontabilizou 1.127.168 (25,04%).
No Rio Grande do Sul, o candidato do PL também saiu à frente no primeiro turno: 3.573.783 eleitores (55,64%) optaram por ele, enquanto o candidato do PT levantou 1.127.168 de votos (25,04%). Apesar da predominância de Flávio no estado, Lula conquistou mais eleitores na capital gaúcha, Porto Alegre, recebendo 377.252 votos (48,57% ) do total.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro também predominou sobre Lula. No Distrito Federal, menor unidade federativa do país, Lula recebeu 675.627 votos (38,11%), enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 909.616 votos (51,31%). Em Goiás, Flávio Bolsonaro obteve 2.051.888 votos, equivalentes a 53,60% dos votos válidos. Lula recebeu 1.188.880 votos (31,06%). O candidato Ronaldo Caiado, que governou o Estado por dois mandatos, terminou na terceira posição, com 472.041 votos (12,33%).
No Mato Grosso, o ex-senador registrou 1.298.581 votos (65,15%), enquanto Lula recebeu 581.681 votos (29,18%). Abaixo desse estado, em Mato Grosso do Sul, Flávio também terminou à frente, com 873.351 dos votos válidos (58,60%), e o atual presidente contabilizou 516.855 eleitores (34,68%).
Norte
Na região Norte, os resultados mostraram vantagem de Flávio em quatro dos sete estados, enquanto Lula apareceu à frente no Amazonas, no Pará e, por uma diferença mínima, no Amapá, onde o atual presidente recebeu 212.503 votos (45,71%) — 225 votos a mais que o adversário do PL, que alcançou 212.278 (45,67%).
No Acre, Flávio Bolsonaro registrou 302.807 votos (64,56%), contra 134.770 (28,73%) de Lula. Em Rondônia, foram 652.988 votos (67,45%) para o candidato da direita e 250.667 (25,89%) para o petista. Já em Roraima, Flávio somou 231.322 votos (71,06%), enquanto Lula teve 74.420 (22,86%). No Tocantins, Flávio também ficou à frente, com 469.321 votos (50,44%), contra 404.009 (43,42%) de Lula.
Nos demais estados, Lula aparece na liderança. No Amazonas, o candidato recebeu 1.046.996 votos (48,23%), enquanto Flávio teve 976.764 (45,00%). No Pará, Lula somou 2.427.237 votos (49,91%), contra 2.163.957 (44,50%) de Flávio.
Nordeste
No Nordeste, Lula liderou a votação nos nove estados, com mais que o dobro dos votos de Flávio Bolsonaro no total. O petista obteve 63,77% dos 33.704.652 votos válidos na região. O presidente somou 21,49 milhões de votos, contra 10,39 milhões (30,85%) do candidato do PL.
Na Bahia, Lula teve a maior votação absoluta da região, com 5.664.771 votos (66,17%), enquanto Flávio recebeu 2.442.585 (28,53%). No Ceará, foram 3.555.263 votos (63,29%) para Lula, contra 1.756.850 (31,27%) de Flávio. Em Pernambuco, o petista somou 3.553.971 votos (63,45%), enquanto o senador teve 1.738.043 (31,03%).
No Maranhão, Lula recebeu 2.566.301 votos (63,99%), contra 1.239.040 (30,90%) de Flávio. Na Paraíba, foram 1.541.127 votos (61,31%) para Lula e 831.377 (33,07%) para Flávio. Já no Rio Grande do Norte, o petista teve 1.237.963 votos (59,75%), enquanto Flávio ficou com 720.493 (34,77%).
O Piauí registrou a maior vantagem percentual de Lula no Nordeste: 70,99% dos votos válidos, contra 24,09% de Flávio. Foram 1.523.710 votos para o petista e 517.028 para o candidato do PL, uma diferença superior a 1 milhão de votos.
Em Sergipe, Lula alcançou 856.019 votos (62,75%), contra 417.839 (30,63%) de Flávio. Já Alagoas teve a disputa mais equilibrada da região: Lula recebeu 995.459 votos (54,73%), enquanto Flávio somou 735.718 (40,45%) — diferença de 14,28 pontos percentuais.
Próximos passos
Após o término da apuração, o presidente Lula falou à imprensa em um hotel em São Paulo, ao lado de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). Também acompanharam o pronunciamento os candidatos da chapa paulista de Lula: Fernando Haddad (PT), que disputou o governo do Estado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas ao Senado — todos derrotados nas respectivas disputas.
“Eu confesso que estava convencido de que eu ia ganhar as eleições no primeiro turno, mas eu já pensei isso outras vezes”, reconheceu o presidente. Lula afirmou que o segundo turno representa uma "prorrogação” da disputa e relembrou eleições anteriores em que também precisou enfrentar uma segunda votação. “É a hora da gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, declarou.
Segundo o petista, além de apresentar as diferenças entre sua trajetória e a de Flávio Bolsonaro, sua campanha deverá se concentrar na mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas. A campanha fará um "apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do Brasil o voto é necessário", explicou o presidente.
Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, se pronunciou em seu QG de campanha, no Lago Sul, em Brasília, ao lado de apoiadores e integrantes da campanha. O candidato do PL se antecipou em dizer que o resultado da votação representa o “fim da era do Partido dos Trabalhadores”, cujo legado, segundo o presidenciável, é “um recorde de desesperança”.
O senador também reforçou duas das principais bandeiras apresentadas durante sua campanha: a defesa do fim da reeleição para presidente e a acusação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) teria interferido na eleição para beneficiar o adversário petista. “É assim que vou continuar me comportando nessas próximas três semanas: com uma campanha limpa, como alguém que não está preocupado com a perpetuação no poder”, declarou.
A apuração das Eleições Gerais de 2026 na Região Norte definiu os novos governadores de quatro estados ainda no primeiro turno, enquanto três unidades da federação precisarão de uma nova votação para escolher seus gestores estaduais. Dr. Furlan (PSD) no Amapá, Dr. Daniel (Podemos) no Pará, Marcos Rogério (PL) em Rondônia e Arthur Henrique (PL) em Roraima garantiram a vitória com mais da metade dos votos válidos. Por outro lado, eleitores do Acre e do Amazonas voltarão às urnas no próximo dia 25 de outubro para decidir as disputas entre Mailza Assis e Alan Rick, e Omar Aziz e Professora Maria do Carmo, respectivamente.
Mailza e Alan Rick avançam ao 2º turno no Acre
Foto: Reprodução/Agência Brasil.
A governadora Mailza Assis (PP) e o senador Alan Rick (Republicanos) disputarão o segundo turno pelo governo do Acre, em 25 de outubro, ambos apoiam Flávio Bolsonaro. No primeiro turno realizado neste domingo (4), com 100% das urnas apuradas, Mailza teve 49,76% (218.760 votos) dos votos válidos e Alan Rick, 32,27% (141.859 votos) , segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB) ficou em terceiro lugar, com 10,22% (44.946 votos). Thor Dantas (PSB), candidato da frente de esquerda apoiada por Lula (PT), teve 7,5% (32.963 votos). Eudo Raffael (PCB) e Dr. Luisinho (Agir) registraram 0,16% (715 votos) e 0,09% (404 votos), respectivamente.
Esse ano, a eleição acreana coloca em disputa a sucessão de Gladson Cameli (PP), eleito governador em 2018, reeleito em 2022 e que deixou o Palácio Rio Branco, sede do governo estadual, em abril deste ano para concorrer ao Senado. Mailza Assis, vice de Cameli desde 2023, assumiu o governo. Mailza concorre pela coligação “Avança Acre”, formada pelo Partido Progressista (PP), União Brasil, Movimento Democrata Brasileiro (MDB), Partido Liberal (PL), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Democrata. Sua vice é a ex-deputada Jéssica Sales (MDB). Ela declarou voto em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente e fez campanha ao lado do senador Márcio Bittar (PL).
Alan Rick, eleito senador em 2022, também integrou a base de Cameli antes de se lançar ao Executivo estadual. A ruptura entre os dois se consolidou no último ano. Em fevereiro de 2025, Cameli exonerou integrantes ligados ao senador, incluindo familiares de Rick e aliados políticos, em meio ao processo de definição dos nomes para a sucessão estadual.
Ele lidera a coligação “Trabalho da Esperança”, com Republicanos, Partido Social Democrata (PSD), Novo, Democracia Cristã e Avante. O vice é Ricardo Leite, do mesmo partido de Alan. O Republicanos do Acre também declarou apoio a Flávio Bolsonaro, e a candidata do grupo ao Senado, Mara Rocha, recebeu apoio do presidenciável do PL. A disputa deste ano coloca em lados opostos nomes que integram o mesmo grupo político nos últimos anos: Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com um aliado em cada uma das duas chapas acreanas.
Eleito no primeiro turno, Dr. Furlan é o novo governador do Amapá
Neste domingo (4), Antonio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), obteve 62,75% dos votos necessários para ser eleito ao cargo de governador do Amapá (AP), ficando na frente de Clécio (União Brasil) que recebeu 37,72% dos votos. Sua vice-governadora é a empresária Luciana Gurgel (PL).
Furlan tem 53 anos e nasceu em San José, na Costa Rica, mas é filho de brasileiros. Ele foi eleito deputado estadual em 2014 e reeleito em 2018.
Em 2020, foi eleito prefeito de Macapá e reeleito em 2024. Em março deste ano, Dr. Furlan foi afastado do cargo após indícios de desvio de recursos federais destinados à construção do Hospital Geral Municipal. Logo após, ele renunciou ao madato.
Amazonas decide governador em segundo turno
Após a apuração de 100% das urnas no Amazonas, foi constatado que nenhum candidato para governador ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos. Os candidatos. Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) disputarão a vaga no segundo turno. Os seguintes resultados foram: Osmar com 45,55% dos votos válidos (835.519 votos) e Maria do Carmo com 24,58% (506.544 votos).
Omar Aziz é um político com longa carreira política no Amazonas. O candidato já foi governador entre 2010 e 2014, e antes de disputar o cargo nas eleições de 2026, ocupava o cargo de senador da República pelo estado. Entre os candidatos que concorrem ao 2º turno, ele é o que possui a experiência mais extensa em cargos políticos.
Já a professora Maria do Carmo possui um perfil diferente, a candidata do PL é contadora e advogada, ficou conhecida principalmente por sua atuação como reitora da Fametro, Instituição de ensino superior sediada em Manaus. Entrou na política partidária recentemente. Ela atuou primeiro no Novo e migrou para o PL em 2025, porém não ocupou nenhum cargo político anteriormente.
Pará elege Dr. Daniel do Podemos no 1° turno
Foto: Reprodução/Prefeitura de Ananindeua
O candidato do Podemos, Daniel Barbosa Santos, 40 anos, conhecido como Dr. Daniel, foi eleito governador do Pará no primeiro turno das eleições de 2026 com 51,37% dos votos válidos. O estado teve uma abstenção de 19,10% de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Junto de sua vice, Ellayne de Almeida (PL), Dr. Daniel concorreu pela coligação O Pará é do Povo (Podemos, PL, DC, Novo, Federação Renovação Solidária - PRD/Solidariedade) com apoio do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Nascido no Maranhão, Daniel se mudou para o Pará ainda aos três anos de idade. Após se formar em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) o Doutor entrou no cenário político em 2012 e concorreu como vereador no município de Ananindeua (PA) pelo Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB). Ele foi eleito naquele ano e reeleito em 2016 quando assumiu a presidência da Câmara Municipal.
Já em 2018, ainda como vereador Daniel foi eleito deputado estadual e se tornou presidente da Assembleia Legislativa do estado do Pará (Alepa). Em 2020, ainda em Ananindeua, o político se tornou prefeito pelo partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sendo reeleito em 2024 depois de outra troca de partido, naquele ano concorreu pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e permaneceu no cargo até este ano, quando se filiou ao Podemos para concorrer a governador.
Marcos Rogério é eleito governador de Rondônia no primeiro turno
Foto: Reprodução/ Senado Federal
Marcos Rogério (PL) foi eleito governador de Rondônia no domingo (4), no primeiro turno das eleições. A totalização de 100% das seções eleitorais confirmou 537.370 votos para o candidato, equivalente a 56,86% dos votos válidos. Como ultrapassou a metade dos votos válidos, Marcos Rogério foi eleito sem a necessidade de uma segunda votação para o governo de Rondônia.
Adailton Furia (PSD) terminou a disputa em segundo lugar, com 189.547 votos, ou 20,06% dos votos válidos. Hildon Chaves (União) ficou em terceiro, com 134.355 votos, correspondentes a 14,22%. Expedito Netto (PT) recebeu 72.851 votos, ou 7,71%. Pedro Abib (MDB) teve 6.591 votos, 0,70%, e Samuel Costa (PSB) recebeu 4.344 votos, 0,46%.
A eleição para governador registrou 945.058 votos válidos, que representaram 95,43% dos votos. Foram registrados 23.607 votos em branco, equivalentes a 2,38%, e 21.648 votos nulos, correspondentes a 2,19%. O comparecimento foi de 990.313 eleitores, 78,29% do eleitorado apto. A abstenção foi de 274.695 eleitores, ou 21,71%. Os dados são da Justiça Eleitoral após a totalização das 4.698 seções de Rondônia.
Marcos Rogério terá como vice-governador Rodrigo Camargo Ribeiro Pinho, conhecido como Delegado Camargo (PODEMOS). Ele é deputado estadual e foi escolhido para compor a chapa de Marcos Rogério. A candidatura dos dois integrou a coligação Juntos por Rondônia, formada por PL, Podemos, Democracia Cristã, Novo e Mobiliza.
A eleição encerra uma etapa da trajetória de Marcos Rogério na política de Rondônia. Natural de Ji-Paraná, ele iniciou a carreira eleitoral em 2008, quando foi eleito vereador do município. Em 2010, chegou à Câmara dos Deputados e foi reeleito em 2014. Em 2018, foi eleito senador por Rondônia para o mandato iniciado em 2019. Em 2022, deixou o Senado durante a campanha para disputar o governo do estado. Naquele pleito, chegou ao segundo turno contra Coronel Marcos Rocha, que foi reeleito. Em 2026, voltou a disputar o cargo e foi eleito no primeiro turno.
Marcos Rogério é formado em Direito e Jornalismo e possui mestrado em Administração Pública. No Congresso Nacional, exerceu dois mandatos como deputado federal antes de chegar ao Senado. O mandato de senador, iniciado em 2019, tinha previsão de término em 2027.
O resultado do último domingo também definiu a composição da disputa para o governo sem a realização de uma segunda votação. Pela legislação eleitoral, o candidato a governador é eleito no primeiro turno quando obtém mais da metade dos votos válidos. Caso nenhum candidato alcance esse percentual, os dois mais votados disputam o segundo turno. Em Rondônia, a votação terminou com Marcos Rogério acima desse limite, enquanto Adailton Furia ficou na segunda posição.
A votação ocorreu junto com as eleições para presidente da República, senador e deputados federais e estaduais. Em Rondônia, a Justiça Eleitoral informou que 26.959 pessoas trabalharam no processo eleitoral, entre mesários e equipes de apoio. O estado possui 29 zonas eleitorais e, neste pleito, foram utilizadas 4.698 urnas eletrônicas.
A apuração foi concluída no mesmo dia da votação. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, a totalização das seções terminou às 19h50. O comparecimento correspondeu a 78,29% dos eleitores aptos, enquanto a abstenção foi de 21,71%. A Justiça Eleitoral divulgou os percentuais de votos válidos, brancos e nulos após a conclusão da totalização.
O resultado estabeleceu uma diferença de 347.823 votos entre os dois primeiros colocados. Marcos Rogério recebeu 537.370 votos, enquanto Adailton Furia teve 189.547. Em percentual dos votos válidos, a diferença foi de 36,80 pontos percentuais.
O governo de Rondônia será exercido por Marcos Rogério a partir de 2027. O mandato de senador iniciado em 2019 tinha previsão de término em 2027. Com a eleição para o governo, ele deixará o Senado para assumir o Executivo estadual. A escolha do vice-governador ocorreu na mesma chapa apresentada ao eleitorado.
O pleito de 2026 foi realizado em 4 de outubro, conforme o calendário das Eleições Gerais. O segundo turno, previsto para 25 de outubro, não será realizado para o cargo de governador em Rondônia.
Arthur Henrique (PL) é eleito governador de Roraima
Foto: Reprodução Agência Brasil
Arthur Henrique, de 45 anos, (PL) foi eleito governador de Roraima neste domingo (4), no primeiro turno das eleições de 2026. O candidato do PL obteve 220.809 votos, o equivalente a 69,13% dos votos válidos, mais que o dobro do governador interino Soldado Sampaio (Republicanos). Sampaio recebeu 93.434 votos, 29,25%.
A abstenção no estado foi de 17,14%, o que corresponde a 68.644 eleitores que não compareceram às urnas. Dos 331.959 que votaram, 3.677 votos foram em branco, o que representa 1,10%, e 8.869 foram nulos, 2,67%.
Na eleição suplementar de 21 de junho, Arthur Henrique terminou na frente, com 160.004 votos, ou 60,87%. Mas não foi proclamado eleito. Sua candidatura estava sub judice depois de uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a norma do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima que flexibilizava o prazo de desincompatibilização. Sampaio, derrotado nas urnas, seguiu como governador interino. Arthur Henrique havia renunciado à prefeitura de Boa Vista em abril para disputar o governo. Agora, com a nova votação, ele garante o mandato definitivo. Na chapa, tem como vice o empresário Haroldo Cathedral (Novo), de 73 anos. A posse está prevista para 6 de janeiro de 2027, com mandato de quatro anos.
Arthur Henrique Brandão Machado nasceu em Boa Vista, em 19 de agosto de 1981, e tem 45 anos. Antes da política, trabalhou nas multinacionais Siemens e Capgemini. Foi secretário municipal de Inclusão Digital entre 2013 e 2019 e de Educação entre 2019 e 2020, vice-prefeito e, de 2021 a 2026, prefeito da capital. Chegou ao cargo com o apoio da então prefeita Teresa Surita, de quem foi secretário durante duas gestões.
Tocantins deixa a decisão para o segundo turno
Vicentinho Júnior na Câmara dos Deputados.
Foto/Reprodução: Câmara dos Deputados
O governador do Tocantins será eleito no segundo turno, no dia 25 deste mês, pela terceira vez na história. O estado constou com 848.629 votos válidos e os candidatos mais votados foram Professora Dorinha (União), que recebeu 396.260 votos, equivalente à 45,52%, e o candidato Vicentinho Júnior (PSDB), com 372.848, equivalente à 43.94%.
Professora Dorinha, Maria Auxiliadora Seabra Rezende, de 62 anos, é natural de Goiânia (GO). A senadora já foi secretária da Educação e Cultura do Tocantins e teve 3 mandatos como deputada federal. Atos Gomes (Republicanos) é seu candidato a vice-governador.
Já Vicente Alves de Oliveira Júnior, Vicentinho Júnior de 41 anos, é deputado federal em seu terceiro mandato consecutivo. Em 2023 assumiu a presidência do Progressistas de Tocantins, mas deixou o partido no início deste ano e filiou-se ao PSDB. Seu candidato a vice-governador é o atual presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres do MDB.
Os demais candidatos tiveram menos de 10% dos votos: Laurez Moreira (PSD) recebeu 8.24%; Ataídes de Oliveira, 1.55%; Prof Witer Naves (PSOL), 0.60%; e Du Pereira (DC), 0.15%. Além disso, o estado constou com 9,14% de votos nulos e 2,81% brancos.
No último domingo (4), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos como novos senadores do estado de São Paulo. Derrite foi o primeiro colocado, com 30,59%, e se tornou o senador mais votado da história do Brasil, com mais de treze milhões de votos. Prado ocupou a segunda posição e obteve 29,28% dos votos válidos. A partir de 2027, ambos irão compor a bancada no Senado e devem manter seus cargos até 2034.
Simone Tebet (PSB) terminou em terceiro lugar com 19,23% de votos, seguida de Marina Silva (Rede), que conquistou 18,12% do eleitorado. A distância entre André do Prado, segundo colocado, e Tebet foi de 10,05 pontos percentuais.
A votação para o Senado funciona de maneira diferente dos demais cargos. O senador é o único que possui mandato de 8 anos, e cada estado possui três senadores. Em uma eleição, renova-se um terço da bancada, como em 2022, em que Marcos Pontes (PL) foi eleito. Na eleição seguinte, os dois outros senadores são substituídos. Agora, em 2026, o eleitor teve dois votos para o Senado.
Conheça a trajetória dos eleitos
Guilherme Derrite
Guilherme Muraro Derrite é formado em direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e integrou a Polícia Militar de São Paulo entre 2003 e 2018. O senador também serviu nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a ROTA, de 2010 a 2013.
Sua trajetória na política começou em 2018, quando foi candidato ao cargo de deputado federal pelo PP. Derrite foi eleito em sua primeira eleição com 119.034 votos e foi o 30° deputado mais votado. No mandato iniciado em 2019, foi 2.º vice-presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado por dois anos. Derrite também foi relator do projeto da Lei Complementar 191/2022, que aprovou descongelar o tempo de serviço de profissionais de saúde e segurança pública durante a pandemia de Covid-19.
Em 2022, Guilherme Derrite foi reeleito deputado federal, dessa vez pelo PL. Em 2023, foi secretário da Pasta da Segurança Pública do Estado durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Por lá, recebeu críticas pelo aumento do índice de violência policial. Dados do Ministério Público revelaram um aumento de 98% de mortes cometidas por profissionais da Polícia Militar.
Guilherme Derrite, em entrevista para a CNN, definiu uma revisão do pacto federativo como prioridade absoluta no senado: “a distribuição de recursos do pacto federativo é algo que precisa ser revisto. São Paulo sempre foi o coração pulsante da economia do nosso país e se encontra com grandes dificuldades porque o acesso ao crédito está cada vez mais caro por conta da taxa de juros e por conta da crise econômica que a gente está vivendo”, afirmou.
A campanha do senador foi marcada por alinhamentos eleitorais com nomes da direita, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL). Ele, juntamente com André do Prado, contou com o apoio das lideranças. Derrite chegou a acompanhar Flávio em diversos eventos e atos em São Paulo.
Em relação à apuração, Guilherme Derrite recebeu 33% dos votos em sua cidade natal, Sorocaba, e dedicou sua vitória à ela.
O sorocabano obteve resultados ainda mais expressivos em outros municípios. As cidades mais fortes foram Saltinho, com 42,8% dos votos válidos, Gabriel Monteiro, 42,3% e Marapoama, 41,4%. Na capital paulista também foi o mais votado, com um total de 25,5%, cerca de 2,5 milhões de pessoas. Por fim, ele liderou a votação das dez maiores cidades do estado, com uma média de 29,98%.
Em seu primeiro discurso como senador de São Paulo, Derrite fez questão de agradecer seus companheiros de campanha: “Quero agradecer ao governador, não só pelo período da eleição, à sua esposa Cristiane, nossa primeira-dama, todo o time da prefeitura, obrigado”. Ele também declarou apoio total a Flavio Bolsonaro e prometeu acabar com os recentes escândalos de corrupção: “Chega de corrupção no governo federal, chega de escândalo do INSS, mensalão, petrolão. A população de São Paulo deu o recado”.
André do Prado
André do Prado conquistou a segunda cadeira paulista após uma carreira concentrada na política municipal e estadual. Natural de Guararema, na região do Alto Tietê, iniciou sua trajetória como vereador em 1992. Também foi secretário municipal de Saúde, vice-prefeito e prefeito, antes de ingressar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).
Eleito deputado estadual em 2010, Prado acumulou quatro mandatos consecutivos e presidiu a Alesp entre 2023 e 2026. Filiado ao Partido Liberal (PL) desde o início de sua carreira, manteve proximidade com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e com o governo de Tarcísio de Freitas. Durante a campanha, apresentou-se como um aliado do governador na defesa das políticas estaduais.
Na presidência da Assembleia, conduziu a sessão que aprovou a autorização para a privatização da Sabesp, em dezembro de 2023. A votação ocorreu após um confronto entre manifestantes e a Polícia Militar, com lançamento de gás lacrimogêneo no plenário. Parlamentares da oposição deixaram o local e pediram o adiamento da votação. Prado defendeu a condução do processo e a privatização em entrevista à Folha de São Paulo durante a campanha.
Ao longo da disputa, percorreu o estado ao lado de Tarcísio e fez campanha conjunta com Guilherme Derrite. A aproximação com lideranças municipais já aparecia na pré-campanha, quando participou das Caravanas 3D, encontros do governo estadual com autoridades regionais. Nessas agendas, discursou diante de prefeitos e destacou a relação entre o Executivo e a Assembleia. Em Votuporanga, recebeu apoio público de Tarcísio; em Ribeirão Preto, sua candidatura também foi defendida pelo prefeito Ricardo Silva (PSD).
Entre as prioridades anunciadas para o Senado, Prado destacou a defesa dos municípios, a saúde, o desenvolvimento econômico e a segurança pública. Também manifestou apoio à redução da maioridade penal e a mudanças na progressão de penas. Na última semana de campanha, recebeu o apoio de Ricardo Salles (Novo), que desistiu da candidatura em 28 de setembro, após ter feito críticas ao parlamentar durante a disputa.
Nas urnas, registrou percentuais elevados em sua região de origem, Guararema, onde recebeu 43,18% dos votos válidos para o Senado. Também alcançou 40,55% em Santa Branca, 39,65% em Biritiba Mirim e 38,15% em Igaratá. Esses foram os maiores percentuais identificados entre os municípios de seu levantamento sobre o Alto Tietê e entorno.
Na capital paulista, seu percentual foi menor: Prado recebeu 2.588.741 votos, correspondentes a 23,52% dos válidos, e ficou em terceiro lugar, atrás de Derrite e Simone Tebet. Já em Registro, no Vale do Ribeira, liderou a disputa com 19.842 votos, ou 34,21%. Os resultados evidenciam diferenças no apoio municipal, embora não constituam um ranking estadual das maiores e menores votações do candidato.
Após a vitória, Prado ressaltou a intenção de trabalhar com Tarcísio e aproximar sua atuação parlamentar das demandas das cidades paulistas.
Na reta final da campanha ao Senado por São Paulo, a semana de André do Prado (PL) foi marcada pela desistência do adversário Ricardo Salles (Novo). O gesto consolidou a chapa da direita paulista, e os reflexos já aparecem nas pesquisas, que mostram Prado em alta a poucos dias da eleição de domingo (4).
O anúncio foi feito na manhã de segunda-feira (28), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Derrite (PP) e do próprio Prado. Tarcísio explicou que a desistência busca evitar a dispersão de votos da direita que poderia fortalecer candidatas como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede): "Seria muito ruim que São Paulo tivesse candidaturas da esquerda chegando ao Senado Federal", afirmou o governador em campanha pela reeleição.
Ao longo da campanha, Salles chegou a acusar Prado de ter mantido como chefe de gabinete o ex-assessor, José Renato da Silva, condenado por crimes sexuais contra familiares. Além de chamá-lo de "marionete" do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e associá-lo a uma suposta "roubalheira do Centrão".
Por sua vez, o candidato rebateu as acusações, afirmando que o ex-assessor atuava para a liderança partidária, não seu gabinete direto, e que o teria exonerado assim que soube da condenação. Apesar dos embates, em suas redes sociais, Prado classificou a retirada como um "gesto de grandeza" de Salles e que a campanha da direita em São Paulo segue agora apenas com ele e Derrite como os principais nomes para as duas vagas ao Senado.
Logo após o anúncio da saída de Ricardo e a direita mais articulada, as pesquisas passaram a mostrar Prado em alta. Uma pesquisa Real Time Big Data, divulgada na terça-feira (29), apontou Prado em segundo lugar, com 20% das intenções de voto, atrás de Derrite com 22%. Já em um levantamento divulgado, nesta quarta-feira (30), pelo Instituto Vox Brasil, mostrou André na liderança pela primeira vez em todo o pleito, com 28,5%, à frente de Marina (27,1%), Derrite (26,5%) e Tebet (25,6%) - diferença dentro da margem de erro da pesquisa, o que mantém os quatro tecnicamente empatados.
Durante a semana, Prado também se posicionou sobre a proibição das bets anunciada pelo governo federal a poucos dias da eleição. O candidato afirmou que sempre foi contrário às casas de apostas, citando o impacto que elas podem causar dentro das famílias, e disse que pretende atuar no Senado por uma solução definitiva sobre o tema. Ele criticou o anúncio às vésperas da eleição por meio de uma medida provisória que, "como o próprio nome já diz, é por pouco tempo e não resolve o problema", declarou Prado.
Nos últimos dias de campanha, o candidato intensificou a agenda de rua pela capital e pelo interior do estado. No sábado (26), participou de um ato em Osasco ao lado do candidato à deputado federal Pedro Sotero. Os dois defendem a revisão do pacto federativo, a divisão dos impostos entre União, estados e municípios para diminuir a concentração de recursos em Brasília e enviar mais verbas ao estado de São Paulo e aos municípios paulistas e aproveitaram o ato para reforçar a ideia.
Durante à noite esteve no Jaguariúna Rodeo Festival, no interior, ao lado de Flávio Bolsonaro, Tarcísio e Derrite. O evento, tradicional do universo do agronegócio, setor de grande peso na região e próximo da direita paulista, reuniu os candidatos da chapa em busca de consolidar votos do interior. Na segunda-feira (28), mesmo dia do anúncio de Salles, também caminhou pela região central da capital e pelo Mercadão de São Paulo, novamente com Flávio Bolsonaro e Tarcísio. Já na quarta-feira (30), caminhou pelas ruas de Itaquera, na zona leste da capital, ao lado de Tarcísio, do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e com lideranças locais. Prado afirmou ainda que pretende intensificar as atividades de campanha até o fechamento das urnas.
Os candidatos a governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), estiveram presentes em debate realizado pela TV Globo, na noite da última terça-feira (29). O encontro, mediado pelo jornalista Alan Severiano, foi marcado por acusações sobre o crime organizado, divergências sobre a gestão dos serviços públicos e críticas tanto aos governos federal e estadual, como a aliados políticos das duas figuras. Tratou-se do último confronto direto entre os dois candidatos antes do primeiro turno, que será no dia 4 de outubro.
Regras do debate
Dividido em quatro blocos de 20 minutos, o debate teve diferentes dinâmicas. No primeiro e no terceiro, os candidatos discutiram dois temas previamente definidos, escolhidos entre seis opções apresentadas pela organização, e relacionaram as perguntas a uma das regiões metropolitanas do estado. Cada candidato tinha cinco minutos para cada tema e podia administrar o próprio tempo.
Já no segundo e no quarto blocos, o tema era livre. Cada candidato teve dez minutos para conduzir as discussões e distribuir o próprio tempo. Os participantes puderam circular livremente pelo estúdio e fazer perguntas diretamente um ao outro. Ao final do quarto bloco, os dois tiveram espaço para as considerações finais.
Segurança pública e crime organizado
A segurança pública abriu espaço para uma das discussões mais tensas da noite. A presença de facções criminosas em São Paulo e as relações políticas dos candidatos com pessoas investigadas por suspeita de ligação com organizações criminosas estiveram entre os assuntos.
Haddad questionou a relação política de Tarcísio com a família do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo da capital paulista.
O candidato do PT mencionou um evento de campanha no qual o atual governador pediu votos para os filhos de Leite, realizado semanas antes da prisão. “Ninguém te informou que você não deveria subir no palanque para pedir voto para uma pessoa que 15 dias depois seria presa?”, questionou.
Por outro lado, Tarcísio respondeu que sua relação com a família Leite “sempre foi institucional” e contra-atacou ao citar a prisão do vereador do PT, Senival Moura, investigado por suspeita de ligação com o PCC.
Haddad também perguntou qual é a atuação do governo estadual diante da presença do Comando Vermelho (CV) em São Paulo. “Sobre o Comando Vermelho, você vai continuar negando a presença, apesar dos informes que vêm agora da Polícia Civil de Minas Gerais dizendo que as coisas não estão bem”, afirmou. As referências ao crime organizado foram acompanhadas de acusações sobre alianças políticas e da discussão sobre a atuação das forças de segurança.
Além disso, os candidatos disputaram o protagonismo da Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC no setor de combustíveis e em empresas do mercado financeiro. Tarcísio atribuiu a iniciativa às forças de segurança estaduais, enquanto Haddad destacou a participação dos órgãos federais.
“Você não reconhece o protagonismo que eu dei para a Receita Federal, que no mundo inteiro é quem atua do lado da Polícia Federal no combate ao crime organizado”, declarou ele.
Economia
As contas públicas foram discutidas a partir de perspectivas diferentes sobre os governos estadual e federal. Haddad questionou a transparência dos benefícios fiscais concedidos em São Paulo e classificou as informações sobre incentivos como uma “caixa preta”. O candidato também usou a expressão “bolsa empresário” ao cobrar a divulgação dos benefícios por CNPJ.
Já Tarcísio afirmou que sua administração reduziu benefícios fiscais considerados ineficientes e citou medidas de transparência na nota fiscal eletrônica. Na discussão sobre a situação fiscal, o governador mencionou o resultado primário acumulado pelo estado e argumentou que São Paulo mantém capacidade de pagamento e controle das despesas de pessoal.
A política econômica federal entrou no debate a partir dos pedidos de recuperação judicial de empresas. Tarcísio citou Casas Bahia, Tok&Stok e Habib's ao questionar a condução das contas públicas pelo governo Lula, Haddad respondeu que não defenderia empresários envolvidos em investigações criminais e citou medidas adotadas pelo governo federal, como a reforma tributária.
A política econômica da Argentina também foi incorporada à discussão. Haddad questionou a aproximação de Tarcísio com o presidente argentino Javier Milei. “Vocês querem o Milei aqui, não é? Vocês forneciam osso e agora querem carne de burro aqui”, afirmou. Tarcísio respondeu: “O Milei pegou uma situação muito complexa lá e está indo bem”.
Saúde
A situação do atendimento no SUS paulista foi outro ponto de divergência. Haddad citou o aumento das filas para consultas e cirurgias e propôs a ampliação dos hospitais-dia como uma forma de descentralizar procedimentos e reduzir a pressão sobre hospitais gerais.
Entre as medidas apresentadas durante o debate, Tarcísio citou a Tabela SUS Paulista, criada para complementar os repasses estaduais destinados a hospitais filantrópicos e municipais, além da abertura de novos leitos.
A discussão sobre saúde também foi relacionada à pandemia de Covid-19. Haddad atribuiu parte dos problemas atuais ao que classificou como “caos herdado” da gestão federal durante o governo Bolsonaro. Tarcísio, por sua vez, criticou a participação do governo federal no financiamento da saúde paulista e mencionou medidas adotadas durante a administração Bolsonarista.
Educação
A educação foi outro tema de confronto. Haddad questionou o cumprimento das metas de ampliação do ensino em tempo integral e citou indicadores de alfabetização infantil. Segundo dados do Ministério da Educação, São Paulo chegou a 61% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano em 2025, enquanto a média nacional foi de 66%.
O candidato também criticou mudanças nas regras de contratação dos profissionais que acompanham alunos com deficiência na rede estadual. Em 2025, o governo Tarcísio publicou a Resolução SEDUC 129/2025, que substituiu a exigência de professores especializados em educação especial pela atuação de profissionais de apoio escolar com nível médio e treinamentos de curta duração. A mudança não eliminou todas as capacitações, mas alterou os requisitos de formação exigidos para o atendimento desses estudantes.
Já o candidato de oposição, rebateu as críticas, negou que o governo tenha reduzido a assistência e citou essas novas licitações para profissionais de apoio, a tentativa de criação de salas sensoriais e iniciativas voltadas às mães de crianças com deficiência. O governador também mencionou o recebimento do Selo Ouro do Ministério da Educação (MEC), reconhecimento ligado às metas de alfabetização. “Se não está funcionando, por que a gente ganhou o selo ouro do MEC? O selo ouro não vale nada?”, questionou.
Transporte, privatizações e infraestrutura
Sobre as privatizações e concessões, Haddad criticou a desestatização da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Relacionou as medidas a problemas na prestação de serviços e defendeu a interrupção do processo.
“Você entregou a CPTM para gente que não entende de trem, que está explodindo trem”, afirmou Haddad. O candidato também disse que pretende interromper o processo de privatizações caso seja eleito.
“A gente faz para melhorar o serviço e as pessoas vão ver”, respondeu Tarcísio ao tentar defender a política de desestatizações. Ele também argumentou ao dizer que a participação privada pode ampliar os investimentos e que isso geraria uma maior universalização do saneamento. Já Haddad apresentou a criação de um Bilhete Único Metropolitano como proposta para integrar o transporte público, enquanto Tarcísio afirmou que a iniciativa depende de estudos de viabilidade financeira e de uma estrutura de governança metropolitana.
As obras da Linha 6-Laranja do Metrô também foram discutidas. Tarcísio atribui atrasos relacionados à obra aos efeitos da Operação Lava Jato e às gestões anteriores. O candidato do PT contestou a associação e citou investimentos federais em infraestrutura.
O saneamento apareceu na discussão por meio do Integra Tietê, programa do governo estadual voltado à redução da poluição do rio e à ampliação do saneamento.
Considerações finais e nacionalização
As considerações finais retomaram a disputa nacional que atravessou o debate. Haddad associou sua candidatura às políticas do governo Lula e direcionou críticas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). “Flávio Bolsonaro é uma ameaça pro país, está envolvido em todos os escândalos”, afirmou.
Enquanto Tarcísio encerrou o encontro destacando ações realizadas durante seu mandato e a aliança política com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). O atual governador também manteve o apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.