Eventos variados, exposições, shows e festivais movimentam os espaços culturais da cidade
por
Victória da Silva
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09/04/2026 - 12h

Após as águas de março fecharem o verão e o outono começar no país, o mês de abril chega com uma vasta programação cultural para os paulistas e visitantes da cidade curtirem. Confira aqui algumas atrações interessantes para visitar na capital paulista:

SP-Arte

A SP-Arte é a maior feira de arte e design do Brasil. O encontro promove conversas e lançamentos editoriais. Nesta edição, o evento promete ter uma exposição sobre árvores, abordar o mobiliário moderno, mostrar o retrato da cena atual do design brasileiro, além de prêmios para artistas e designers.

Quando: De 8 a 12 de abril.

Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera.

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

Noite das Livrarias

No dia Mundial do Livro, o evento celebra a literatura em várias livrarias espalhadas por São Paulo. A partir das 18h os interessados podem descobrir espaços novos, trocar experiências, fazer oficinas, participar de festas do pijama e ainda, conhecer outros amantes de livros.

Quando: 23 de abril.

Onde: Conferir livrarias participantes no site oficial do evento (https://noitedaslivrarias.com.br/livrarias

Ingressos: Entrada Gratuita.

Cine Minhocão

O festival de cinema ao ar livre no Elevado João Goulart conta com sessões competitivas de 21 curtas-metragens brasileiros e internacionais, com votação do público e premiação.

Quando: De 25 de abril a 3 de maio - Sessões às 18h e 19h.

Onde: Minhocão

Ingressos: Inteira - R$120,00 e Meia Entrada - R$60,00 (+ taxas de conveniência).

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As obras refletem a pluralidade de linguagens que marcaram a arte brasileira na primeira metade do século XX. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Exposições:

Anita e os Modernistas

Com curadoria de Renata Rocco, a exposição conta com um acervo de 23 obras de Anita Malfatti. A mostra retrata o Modernismo no Brasil e também reúne obras de outros artistas modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922, como Di Cavalcanti, Bruno Giorgi, Paulo Rossi Osir, Ismael Nery, Regina Gomide Graz, Alfredo Volpi e Alberto da Veiga Guignard.

Quando: De 6 de abril até 31 de agosto.

Onde: Palácio dos Bandeirantes.

Ingressos: Entrada Gratuita.

Janis Joplin

A mostra trará mais de 300 itens da lendária cantora, compositora e multi-instrumentista norte-americana Janis Joplin, ícone do rock mundial. Dentre os destaques, estão diversas cartas e bilhetes escritos por Janis, fotos de apresentações, além de peças de roupa e adereços da artista.

Quando: A partir de 16 de abril.

Onde: Museu da Imagem e do Som.

Ingressos: Inteira - R$60,00 e Meia Entrada - R$30,00.

Nova Órbita - Nucle1

O centro integrado de artes de quatro andares e dois subsolos foi pensado para promover uma experiência em cada salão. Com exposições em variados espaços, intervenções e um cinema underground, a “Nova Órbita” propõe não apenas uma visita, mas sim uma imersão.

Quando: Até 28 de maio. Quarta à sexta - 12h às 20h. Sábado e domingo - 10h às 18h.

Onde: Nucleum - Rua Muniz de Souza, 809 - Aclimação.

Ingressos: Entrada gratuita.

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Festival Wine&Jazz encanta com a mistura de música e gastronomia. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Festivais:

Wine & Jazz Sessions

O festival de música ao ar livre reúne jazz, gastronomia e vinho em uma experiência diferenciada. Serão dois dias de shows de Jazz e Soul, área gastronômica com a participação de chefs e seus restaurantes, empório artesanal, além de vinícolas e importadoras de vinho consagradas.

Quando: 11 e 12 de abril. 

Onde: Parque Villa-Lobos.

Ingressos: Entrada gratuita. Para participar do Wine&Jazz nas alturas (na Roda Rico) os preços variam entre R$60,00 e R$120,00.

Gop Tun Festival 2026

O festival acontece em um final de semana inteiro e celebra a cidade de São Paulo unindo artistas da música eletrônica alternativa. Em sua 5ª edição, o público poderá prestigiar a line-up que conta com Jayda G, Optimo (Espacio), Mount Kimbie Dj, Yu Su, Chaos In The Cbd, Moxie, Omoloko, Brenda & Maria Manuela, Sherelle e Aerobica.

Quando: 11 e 12 de abril 

Programação diurna: 13h às 22h30

Programação noturna: 21h30 às 6h em espaço exclusivo.

Onde: Complexo do Pacaembu

Ingressos: Variam entre R$280,00 e R$550,00.

Shows:

Marina Sena - Coisas Naturais

A artista Marina Sena retorna à São Paulo com um novo capítulo da era "Coisas Naturais”, para um show atualizado e repaginado. Entre o setlist da apresentação, está a faixa "Carnaval" que atravessou a estação e se tornou um dos hits mais tocados de fevereiro.

Quando: 17 de abril.

Onde: Espaço Unimed.

Ingressos: A partir de R$130,00.

Jackson Wang - MAGICMAN 2 WORLD TOUR

Jackson Wang, que é integrante do grupo de kpop Got7, retorna para um show em São Paulo e outro show de estreia no Rio de Janeiro, promovendo a turnê “MAGICMAN 2 WORLD TOUR”. Os shows são aguardados pelos fãs que desejam apreciar pessoalmente o alter ego “Magic Man”, criado para expressar a versão mais autêntica do artista.

Quando: 23 de abril.

Onde: Suhai Music Hall.

Ingressos: Variam entre R$470,00 e R$980,00.

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Quanto mais mediado por telas se torna o cotidiano, mais o encontro com o real transforma o teatro em uma experiência intensa e necessária
por
Manoella Marinho
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30/03/2026 - 12h

A relação da geração atual com o mundo passa, inevitavelmente, pelas telas. Celulares, redes sociais e plataformas de vídeo moldam não apenas a forma de comunicação, mas também a percepção da realidade. “O teatro é o presente, é o agora, é o sentimento”, afirma Marcello Drummond, diretor do Teatro Oficina, em entrevista à AGEMT. A fala sintetiza uma das principais diferenças entre o teatro e as mídias digitais: enquanto a internet permite o acesso ilimitado e instantâneo a conteúdos, o teatro exige presença, tempo e entrega. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa o impacto físico da cena.

“Quando você vê um ator na tua frente […] é uma coisa viva”, diz Drummond. Ao contrário da imagem mediada por uma tela, o corpo em cena carrega falhas, respiração, improviso, entregam elementos que tornam cada apresentação única. É essa imprevisibilidade que intensifica a experiência do espectador. Ao mesmo tempo, o ambiente digital tem produzido uma mudança significativa nos hábitos culturais. “As pessoas têm pouco contato com o que não é vídeo”, aponta o diretor. A predominância do audiovisual transforma a forma como a arte é consumida, muitas vezes reduzindo a experiência a fragmentos rápidos e descartáveis.

Créditos: Manoella Marinho Teatro Oficina

 

Ainda assim, o impacto da tecnologia não é apenas negativo. “O digital […] está fazendo com que os teatros fiquem mais cheios”, observa Drummond, conversando com AGEMT dentro do espaço do Teatro Oficina. O fenômeno revela um paradoxo: quanto mais imersas no virtual, mais as pessoas parecem buscar experiências concretas. A saturação de estímulos, característica do cotidiano online, gera uma espécie de cansaço que encontra no teatro um espaço de pausa e intensidade.

Esse movimento ajuda a explicar por que o teatro provoca um efeito tão marcante na geração atual. “A gente tem contato com tela […] mas o vivo toca muito”, resume o diretor. O impacto não está apenas no conteúdo da peça, mas na experiência sensorial completa: o silêncio da plateia, a proximidade com os atores, a impossibilidade de pausar ou voltar a cena. Historicamente, o teatro sempre se construiu a partir dessa relação direta. Encenações como “O Rei da Vela”, marco do Teatro Oficina, ou montagens contemporâneas que rompem a divisão entre palco e plateia, evidenciam a potência do encontro ao vivo. Ao eliminar a chamada “quarta parede”, essas obras convidam o espectador a participar ativamente, transformando-o em parte da cena.

Nesse contexto, o teatro também reafirma seu caráter político. “O fato de estar em cena já é um ato político”, diz Drummond. Em um ambiente digital marcado pela circulação massiva de discursos, muitas vezes superficiais ou polarizados, o teatro oferece um espaço de reflexão mais profunda, onde o tempo e a presença permitem a elaboração crítica. Por outro lado, a própria internet carrega contradições. “Tem coisas muito boas […] e coisas muito ruins que se espalharam”, reconhece o diretor. Se por um lado ela democratiza o acesso à informação e à arte, por outro amplia a circulação de desinformação e discursos problemáticos. Nesse cenário, o teatro se destaca como um espaço de construção coletiva e diálogo direto. A diferença fundamental está na experiência. Enquanto o digital tende à repetição e à reprodução infinita, o teatro se ancora no instante. Cada sessão é única, irrepetível. É nesse sentido que o impacto se intensifica: o espectador não apenas assiste no automático mas vivencia, estimulando análise crítica e sensação.

Em um mundo em que o contato com o real se torna cada vez mais mediado, o teatro reafirma a importância do corpo, do encontro e da presença. Mais do que sobreviver à era digital, ele parece ganhar novo sentido dentro dela. Um espaço onde o humano, finalmente, deixa de ser apenas imagem e volta a ser experiência.

 

Um em cada dez brasileiros conversam com chatbots como forma de tratamento para questões psicológicas
por
Joana Prando
Gabriel Giannini
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30/03/2026 - 12h

 

No Brasil, uma em cada dez pessoas utilizam da Inteligência Artificial (IA) para fazer terapia, segundo a revista Superinteressante. Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais assustadora. De acordo com uma matéria publicada pela jornalista Tamires Vitorio, pela revista Exame no dia 8 de agosto de 2025, aproximadamente 19% dos americanos, cerca de 49,2 milhões de adultos, utilizam ferramentas baseadas em IA como forma de terapia. O uso de inteligência artificial em conversas sobre sentimentos, ansiedade e solidão cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A questão que fica é se a IA realmente é capaz de desvendar o sentimento humano. A psicóloga Bruna Santin Kalil, formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e graduanda pela UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), nos ajuda  a entender os riscos dessa prática. 

Em entrevista à AGEMT, Kalil ressalta que “o uso das tecnologias é um caminho sem volta, principalmente desde a experiência coletiva da pandemia[...]. Eu acho que assim como outros avanços tecnológicos, eles não são em si bons ou ruins, tudo depende do modo como a gente faz uso deles. Uma prática estruturada, um guia, isso pode ser reforçador para a pessoa implementar de fato no dia a dia o que se é proposto pela terapeuta.”  

O Conselho Federal de Psicologia tem feito longas pesquisas sobre a IA, tendo publicado uma cartilha chamada "Chatbots, Inteligência Artificial e sua saúde mental", que nos ajuda a entender para quem essas ferramentas podem (ou não) ser úteis. De acordo com o artigo, os chatbots são comprovadamente inadequados e potencialmente perigosos, especificamente para pessoas que estão passando por crises e pensamentos de atentado contra a própria vida, por exemplo. Além de pessoas que sofrem de esquizofrenia, transtorno bipolar e entre tantos outros. O uso de tais ferramentas digitais para fins de diagnósticos psicológicos e de avaliação psicológica, pode gerar uma fragilidade e até agravamentos em determinados quadros de saúde, o que acaba adiando ou até impedindo a busca por tratamentos verdadeiramente adequados. 

créditos: imagem gerada por IA. Pessoa fazendo uso da terapia com IA

 

 

 

Uma das principais razões de tantos jovens recorrem ao uso da IA como forma de terapia se dá porque essas plataformas são gratuitas e dão repostas rápidas, normalmente aquelas "respostas que gostamos de ouvir" ao invés do que realmente necessitamos. 

Kalil nos ajuda a entender este avanço da IA como terapeuta: "é preciso no processo terapêutico também se trabalhar os limites, também preparar as pessoas para irem desenvolvendo essa autorregulação, essa autonomia" E acrescenta: "não podemos reforçar esse lugar de uma resposta que tem que ser imediata, que não se tenha a sustentação do silêncio, a elaboração, a integração dos insights", explica Kalil.

Uma pesquisa realizada pelo fantástico (G1), publicado em setembro de 2025, aborda os maiores riscos da prática desse tipo de tratamento e da falta de programação específica: Alessandra Santos de Almeida, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), afirma categoricamente que não existe evidência científica de psicoterapia realizada por IA, pois essas ferramentas não foram programadas para esse fim terapêutico. Os principais exemplos dos riscos dessas práticas são a incapacidade de diagnóstico. Diferente de um profissional humano, a IA não possui formação clínica, não consegue realizar diagnósticos precisos, não tem preparo para lidar com crises graves ou ideações suicidas.

Um dos principais riscos é a quebra de sigilo: no consultório, o sigilo é um dever ético legal. Na IA, os dados íntimos são armazenados pelas empresas desenvolvedoras e podem ser usados para outros fins, expondo a privacidade do usuário. Ainda sobre o estudo publicado pelo G1, a repórter Renata Ceribelli testou uma ferramenta de IA sob a supervisão do psicanalista e professor da USP, Christian Dunker. A IA demonstrou uma "empatia simulada" e ofereceu conselhos que geraram uma sensação de acolhimento. No entanto, Dunker alerta que essa sensação é enganosa, pois o robô apenas formula respostas automáticas que imitam a interação humana. 

O uso dos chatbots como forma de terapia, se usado da maneira correta e com o auxílio de um profissional pode sim servir como forma de ajuda para tratamentos psicológicos, mas jamais substituíram o "olho no olho", que só a interação humana é capaz de nos proporcionar. Existem diversos meios de conseguir ajuda para questões de saúde mental, o CVV (Centro de Valorização da Vida), oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita, 24 horas por dia, 7 dias por semana, pelo telefone ou chat discando 188, entre tantos outros existentes. Que a tecnologia nos forneça o auxílio para chegar mais longe, mas que nunca nos faça esquecer que a troca humana é o único remédio insubstituível.  

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Lei que proíbe uso de celulares entrou em vigor em janeiro de 2025, mas o uso iletrado de inteligência artificial expõe brechas na infraestrutura das escolas
por
Sophia Aquino
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30/03/2026 - 12h

Há um ano, a proibição do uso de celulares nas escolas brasileiras entrou em vigor. A lei número 15.100/2025, gerou reações diversas de professores e alunos tanto favoráveis quanto contrárias. De um lado, quem defende que o aparelho era uma fonte constante de distração; do outro, quem questiona se banir o celular resolve de fato os problemas de aprendizado. Porém, a lei abre exceção para o uso pedagógico, o que leva a uma outra discussão em relação ao uso da Inteligência Artificial nas escolas.  

Em entrevista à AGEMT,  o estrategista britânico em digital learning, Matt Lovegrove,  discute que “as escolas precisam investir em inteligência artificial (IA). Se eles querem ajudar os alunos a terem o máximo de educação e investir em letramento de Inteligência Artificial, a melhor coisa é fornecer dispositivos one to one (modelo em que cada aluno tem acesso ao próprio  laptop ou tablet)", explica Matt. 

Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal
Matt Lovegrove. Fonte: Acervo de fotos pessoal 

Matt reconhece que nem todas as escolas têm condições de bancar isso. Para esses casos, ele sugere dispositivos compartilhados — e só em último recurso, o uso controlado do celular, restrito a momentos específicos da aula. "Se as escolas forem fazer isso, tem que ser muito cuidadosamente controlado", afirma. Para ele, o celular não deve vazar para os momentos sociais: recreio, almoço, intervalos. A sociabilidade cara a cara, diz ele, é parte essencial do que a escola oferece. No Reino Unido, onde atua, políticas de restrição de celulares coexistem com forte investimento em infraestrutura tecnológica escolar, permitindo que a proibição de dispositivos pessoais não signifique exclusão digital.

No Brasil, a realidade é diferente. Pesquisa do CETIC.br revela que 60% dos estudantes brasileiros já usam inteligência artificial fora da escola, principalmente para realizar tarefas e responder dúvidas. Dentro das escolas, porém, o cenário é de desigualdade: apenas 30,4% das instituições públicas tinham conexão de internet adequada em 2025, contra 54,3% das privadas. Enquanto estudantes de escolas particulares tem mais chances de ter acesso orientado à tecnologia, grande parte dos alunos da rede pública aprende a usar essas ferramentas sozinho, sem mediação de professores e sem nenhum critério pedagógico. 

Guilherme Cintra, diretor de Inovação e Tecnologia da Fundação Lemann, é uma das vozes mais ativas nesse debate. Para ele, o ponto de partida já ficou para trás. "A discussão já não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, mas definir limites éticos e seguros para essa implementação", afirmou em artigo publicado pela Fundação Lemann. Cintra também explica o papel dos professores nesse processo de aprendizagem com a I.A em que destaca a capacidade de profissionais de criar uma troca entre os alunos.

"A nossa capacidade de criar e manter relações verdadeiras será o que nos distinguirá das máquinas" diz também Cintra em entrevista a CNN Brasil e acrescenta "Não podemos esperar que os professores assumam sozinhos a responsabilidade de toda essa mudança".

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Claudia Oliveira relatou formas de lidar com esse medo da tecnologia de substituição
por
Anna Sofia Carsughi
Olivia Ferreira
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30/03/2026 - 12h

“A transformação é inevitável: algumas funções mais operacionais tendem a ser reduzidas, mas, ao mesmo tempo, surgem novas carreiras, mais estratégicas e analíticas". Em entrevista à AGEMT, Claudia Oliveira, que trabalha na eCOMEX,  contou, na última semana (24), os desafios ligados ao uso crescente da IA no âmbito do trabalho. A profissional, que está inserida em uma empresa de tecnologia para o comércio exterior, traz diariamente soluções inovadoras para gestão, automação e compliance- e busca, em sua logística, uma maneira de se adaptar às mudanças dessa nova tecnologia empresarialUm estudo feito pela Harvard Business Review em 2023, revelou que inteligências artificiais não substituem nenhum humano, mas os humanos com IA substituirão os humanos sem IA.

Esse artigo expõe que quanto mais as pessoas esperam que as empresas ofereçam experiências perfeitas desenvolvidas por IA, mais os líderes precisarão adotar essas tecnologias em seus negócios. Essas tecnologias cada vez mais estarão presentes no cotidiano de todos os seres humanos e  existirá também uma remodelação dos setores, processos, eficiências e diminuição dos erros humanos. Isso porque quem as adota tem a expectativa de impulsionar cada vez mais a produtividade e a inovação, transformando a dinâmica do mercado de trabalho. 

 

União humanos e IA
Reprodução/ Fia Inteligência Artificial 

 

A substituição dos empregos à medida que as inteligências assumem as tarefas repetitivas é algo discutido pelas grandes empresas, em que certamente existirá mudanças internas que exigirão adaptação das mudanças tecnológicas. A IA está presente não para substituir completamente a capacidade humana, mas sim para completá-la trazendo mais oportunidades de desenvolvimento profissional. "Isso não se trata de eliminação pura e simples, mas de uma migração de competências. O profissional que se adaptar terá oportunidades ainda maiores”, afirmou Claudia.

O crescimento no Brasil

A inserção da tecnologia no mercado de trabalho é um tema que cresce diariamente e não deve ser negligenciado. Discutir o caráter ambivalente das IAS permite uma forma de compreender os seus impactos no cotidiano e as possíveis maneiras para amenizar os seus prejuízos. Se por um lado essa novidade traz uma maior automatização do trabalho, com respostas eficientes às perguntas, por outro lado, substitui grande parte da mão de obra física empresarial. O que entra em discussão é um dilema entre facilidade x temor dentro do mercado de trabalho. 

 

Brasil e o uso da IA
Reprodução/ Lets Go Bahia

O crescimento exponencial das recentes tecnologias vêm surgindo com o desembarque dessa geração tecnológica que se preocupa com resultados rápidos e diversos, na qual as IAs generativas entregam isso de forma acessível e fácil. Para Cláudia, “o interesse das empresas brasileiras por Inteligência Artificial cresce porque ela proporciona ganhos reais de eficiência, escalabilidade e competitividade”.

Essa facilidade dentro do mercado de trabalho pode trazer benefícios como a praticidade e maior produtividade, mas também riscos, como a demissão de trabalhadores devido à automatização de serviços. Apesar disso, ela acredita que o Brasil deva investir em inteligências degenerativas, já que a adoção de tais já é uma realidade presente em grandes potências econômicas globais, tais quais China e Estados Unidos. "Ignorar esse movimento pode significar perda de espaço no mercado global”, relatou ela.

As novas tecnologias substituem determinados tipos de trabalhos, mas indivíduos e empresas que souberem utilizar a IA para ampliar a produtividade e diversificar os serviços ofertados certamente terão vantagens competitivas. Para que esse processo seja levado durante as novas gerações, é necessário que o sistema educacional se adapte para essa nova realidade formando e preparando profissionais qualificados. Para a profissional, não é possível frear o avanço da tecnologia, que cresce diariamente. A fórmula correta seria a da substituição, isso é, o profissional deve usar a seu favor a tecnologia, a partir de uma mudança de postura dentro do trabalho. 

“Funções repetitivas e de baixo valor tendem a perder espaço no mercado de trabalho, mas profissionais que souberem integrar a tecnologia ao seu dia a dia terão grande vantagem competitiva. O ponto central não é temer a IA, mas aprender a utilizá-la como ferramenta para ampliação de capacidades humanas”, diz ela.

Dessa forma, o jeito é aprender a lidar com essa tecnologia, ao desenvolver conhecimentos a seu respeito. Para Cláudia, a melhor forma é investir continuamente em atualização. “Quanto maior o domínio sobre a tecnologia, maior o potencial de utilizá-la como diferencial competitivo. Preparação, curiosidade e adaptação serão determinantes para aproveitar plenamente essa fase de transformação”, falou ela. 

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Economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Claudemir Galvani explica quem são as companhias que preferem operar no vermelho e são os pilares de um novo momento do capitalismo.
por
Luiza Fernandes
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09/11/2021 - 12h

Por Luiza Fernandes

Empresas como Nubank, Spotify, Uber, Twitter e Amazon são nomes recentes de grandes empresas de tecnologia que adentraram o nosso dia a dia, com propostas inovadoras e pautadas pelo uso da tecnologia. 

O que se imagina quando se fala de gigantes da tecnologia, é de que se trata de uma receita exorbitante, que seriam empresas com uma alta margem de lucro e que são bem colocadas na bolsa. O que acontece é que dentro desse mercado, há uma outra lógica. 

Lucro ou prejuízo são o que traduzem a última linha da Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) das empresas com capital aberto que divulgam seu desempenho ao fim do trimestre.  Os analistas financeiros se atentam a esses valores para calcular e analisar qual é a saúde financeira de determinada companhia, ou seja, se ela arrecada mais do que gasta para existir. 

Na bolsa americana, empresas que valem bilhões de dólares e tem um grande número de investidores, mas fecham no vermelho já se tornou um fenômeno frequente. Um levantamento feito pela Universidade da Flórida apontou que 81% das ofertas públicas de ações, realizadas nos Estados Unidos em 2018 foram de companhias que registraram prejuízo nos 12 meses anteriores à abertura do capital.

 

 O caso Twitter

 

A empresa Twitter, por exemplo, só foi registar sua primeira sequência de quatro trimestres de lucro em outubro de 2019, mais de uma década depois de ser criado e mesmo já sendo o principal canal de comunicação escolhido por diversos políticos ao redor do mundo. 

Por anos as ações da rede social operaram em forte queda no mercado, mesmo que os seus números de usuários não parassem de aumentar.

Para o Twitter, o problema na equação entre prejuízo e lucro é o de como fazer com que os seus usuários se tornassem consumidores de algo, uma vez que o uso da rede é gratuito. A venda de publicidade na plataforma não era visto como algo atrativo, uma vez que não era permitido vídeos, áudios e havia um limite de 140 caracteres, além disso, era uma rede que facilitava a presença de discursos de ódio. 

A solução encontrada pela empresa foi a de alterar completamente sua plataforma, mudando a quantidade de caracteres permitidos e promovendo canais específicos para áudio e vídeo. Além disso, uma política de remover contas que promovessem discursos de ódio ou conteúdo impróprio foi implementada.  

Segundo um levantamento do estudo "Twiplomacy 2013", atualmente 77% dos líderes globais ou seus governos usam o Twitter como uma ferramenta de comunicação institucional. O usuário mais seguido dentro da rede social é o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que tem 130 milhões de seguidores.

Esses dados revelam o caráter oficial e institucional que a plataforma adquiriu, o Twitter se tornou no imaginário de muitos uma forma de se ter acesso a informação de qualidade e verificada. O que chama atenção é o fato de uma companhia que detém um poder tão grande ter recentemente alterado suas características em razão de seu desempenho na bolsa de valores. 

 

Streamings de música

 

      A primeira vez que o faturamento por streaming de músicas superou a venda de discos foi em 2016. Um dos grandes responsáveis por essa mudança na forma de consumir música é uma startup fundada na Suécia em 2008, o Spotify. 

O aplicativo oferece milhares de músicas e álbuns de forma gratuita, mas com propagandas e serviço limitado, há também planos de até R$40,00 reais que oferecem músicas ilimitadas e sem propaganda. 

O Spotify é a empresa que mais atingiu “sucesso” no ramo de streaming de músicas, é o aplicativo que tem mais usuários registrados, já são 354 milhões entre pagantes e não-pagantes. O sucesso da plataforma em transformar a forma como as pessoas consomem música não é, no entanto, o suficiente para que a empresa tenha resultados positivos na bolsa de valores, no último trimestre de 2020 a empresa fechou no vermelho. 

A resposta para isso, segundo a companhia, seriam os altos valores cobrados por gravadoras e artistas independentes por direitos autorais em suas músicas. Por exemplo, no ano de 2018 a empresa divulgou que teve um faturamento de 2,9 bilhões de euros, mas que 2,5€ bilhões foram utilizados para o pagamento de artistas.

Em Março de 2021, artistas e profissionais da indústria da música se reuniram em sedes do Spotify, em grandes cidades de cinco continentes, eles pediam por mudanças na monetização de suas músicas dentro da plataforma.

 De acordo com os manifestantes, atualmente é pago US $0,00348 por cada “play” em uma música e o objetivo dos artistas é que esse valor passe a ser US $0,01 e não mais sobre cada play, mas sim, sobre cada usuário que se relaciona com o perfil do artista, fazendo com que a lógica de remuneração passe a ser menos popularidade e mais a relação.

 

 Entrevista com o economista Claudemir Galvani

 

AgeMT- Esses exemplos revelam um fenômeno recente do mercado de ações, empresas que apesar de serem avaliadas em bilhões de dólares, não dão lucro na bolsa. Como o senhor explicaria a existência desse fenômeno?  

 Antigamente, o lucro de uma empresa era tangível, era em função da taxa de lucro. Se uma empresa tivesse uma taxa de retorno de por exemplo 5% ao ano, significava que em 20 anos o retorno voltaria a partir disso. Hoje em dia, pode se dizer que, essas empresas de tecnologia são avaliadas pela expectativa, já não mais o lucro de curto prazo, mas sim, o de longo prazo. Há a existência de um novo fenômeno no capitalismo atrelado a isso, seria como uma nova forma de capitalismo financeiro, Rosa de Luxemburgo e Marx já tinham comentado sobre isso, e hoje em dia, o capitalismo de ações dominam completamente a produção de um país, os fundos de investimento controlam a massa de capital. E esse capital passou a ser tão significativo que existe uma bolsa nos Estados Unidos, a Nasdaq, que opera exclusivamente com empresas de tecnologia e mercado financeiro. É uma nova era do capitalismo financeiro. 

 AgeMT- Há uma relação exclusiva então entre esse fenômeno e as empresas de tecnologia?

 Sim. É importante levar em consideração que existe o mercado secundário, por exemplo, eu compro uma ação da Amazon e ela pode não me dar lucro por 5 anos, mas tenho a certeza que vou vender ela por um preço maior do que eu comprei, (justamente pelos investimentos em tecnologia que essa companhia está fazendo) é uma forma de produzir lucro financeiro sem ter tido o que chamávamos de lucro tangível. Isso está totalmente ligado às novas tecnologias e ao inevitável sumiço de antigos serviços, por exemplo, a Uber acaba com o mercado de táxi, o Airbnb põe em risco as hotelarias e a Amazon fecha livrarias. São todos exemplos de empresas que investiram no futuro, que vendiam a expectativa daquilo que elas poderiam ser, para seus acionistas.

 

AgeMT- E com relação a quem investe, não há nenhum retorno a curto prazo? Qual seria a perspectiva de alguém que compra essas ações?

 Um bom exemplo são as novas empresas de tecnologia financeira, novos bancos. São empresas que começam geralmente guiadas por pessoas jovens e que vêem na tecnologia a possibilidade de revolucionar esse mercado. Essas empresas não abrem capital na Bovespa, mas sim, diretamente na Nasdaq nos Estados Unidos e quem vai comprar essas ações sabe que não haverá retorno a curto prazo, entre 4 e 5 anos, mas sim que vai obter lucro na operação de compra e venda dessa ação, justamente quando o modelo de negócio prosperar e mudar a forma como aquele mercado acontece.

 

AgeMT- Há uma reflexão na academia atrás da problemática de pessoas que enriquecem na bolsa sem gerar emprego e pagamento de impostos. O que o senhor pensa sobre isso? Pode-se dizer que há consequências para a economia nacional, nesse modelo de negócio? 

 

O Barack Obama tem uma declaração muito interessante em que ele diz que o mercado financeiro é um cassino.  Acredito que essa concepção está sendo substituída, por essa nova forma de gerar recursos não produtivos, ou seja, quando alguém compra uma ação que não dá lucro a curto prazo mas te garante lucro na venda, não existe a geração de emprego e o dinheiro rodando, existe somente uma grande movimentação na bolsa e um aumento de renda das pessoas que especulam. Essas novas formas de tecnologia são o que provavelmente vai definir o capitalismo do futuro, um capitalismo que se alimenta de expectativas. Os problemas disso são que não sabemos o que vai acontecer no futuro com a manutenção e ampliação dessa realidade, existe uma desvalorização em massa do emprego e uma valorização de tecnologias que sempre se renovam.

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Com o passar dos anos as redes assumiram um grande papel na mídia, e hoje é essencial para ajudar os profissionais de assessoria.
por
Renan Silva de Mello
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09/11/2021 - 12h

Por Renan Silva de Mello

A profissão de Relações Públicas ou como é mais conhecida "RP" existe à mais de cem anos e dentro dela o cargo de assessor de imprensa. O cargo nasceu com um objetivo, ajudar a melhorar a imagem das empresas, mas com o passar do tempo alguns recursos surgiram junto com os avanços tecnológicos, e essas melhorias trouxeram facilidades para a vida do profissional de comunicação.

Luana Pellizzer é uma jornalista que trabalha com diversas empresas, e nos deu a oportunidade de fazer algumas perguntas sobre o ramo. Pellizzer disse que o avanço das redes sociais é de extrema importância para o RP, logo é essencial para o assessor também, já que os  "recebidos" dos influencers ajudam com as vendas e a popularidade dos produtos. Com isso podemos ver de uma forma mais clara que o avanço da tecnologia tem um papel crucial dentro da comunicação, ajudando as pequenas empresas crescerem e as grandes a se tornarem maiores em todos os aspectos, e os profissionais que não se atualizam ficam para trás, porque não conseguem prestar um bom serviço. Luana usa um bom exemplo dizendo que o assessor não pode se prender apenas a imprensa como mídia, é de extrema importância ele adquirir conhecimentos de outros cargos de RP.

A assessora pronunciou uma frase crucial para o ramo; "o profissional de assessoria de imprensa, tem que ter como melhor amigo o jornalista". Luana enfatiza que a assessoria precisa mudar junto com os jornais, e como a imprensa está caminhando para o meio digital, as empresas de assessoria também precisam migrar para lá, porque só assim poderá fazer um trabalho efetivo. E hoje as redes sociais são cruciais para a imagem pública de uma empresa.

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Pesquisadores e professores explicam técnica de descontaminação que utiliza microrganismos presentes no local.
por
Laura Mello
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09/11/2021 - 12h

Por Laura de Almeida Mello

A questão ambiental é um dos maiores problemas mundiais e um dos assuntos mais discutidos atualmente. Problemas como contaminação do solo e de corpos d’água por óleos, metais ou outros contaminantes causam risco para a biodiversidade local, que pode levar anos para ocorrer a descontaminação natural. Assim, a biorremediação entra em cena como o processo mais limpo e seguro para a descontaminação destas áreas, contando com microrganismos locais que degradariam os contaminantes. Esse processo é similar com o que aconteceria na natureza, mas utiliza técnicas específicas para aumentar a população destes microrganismos, fazendo com que o contaminante se degrade mais rapidamente. Desse modo, não gera resíduos ou agride mais uma área previamente sensível. 

Em um levantamento feito por graduandos da Universidade Católica de Santos em Engenharia Ambiental em 2013, somente no Estado de São Paulo há 32 empresas que tratam de biorremediação e/ou remediação. Destas, 8 já ofereciam serviços de biorremediação há mais de 5 anos, e 7 passaram a oferecer nos últimos 5 anos. “As vantagens e desvantagens da biorremediação variam de acordo com o processo e os contaminantes.”, explica Gustavo Gregoracci, doutor em Microbiologia pela Universidade Estadual de Campinas. “Precisamos observar antes, fazer análises dos microrganismos presentes para descobrir qual degradaria o contaminante, sem tornar o ambiente mais tóxico do que inicialmente”. A pós doutora em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo (USP) Elen Aquino explica ainda todas as etapas do processo: “Primeiro é preciso levantar o histórico da área, descobrir quais contaminantes estão presentes, se são orgânicos ou inorgânicos, como metais, a profundidade e o nível da contaminação, e o solo. Depois disso, podemos começar a analisar os microrganismos presentes no local para saber qual degradaria melhor o contaminante. Então, fornecemos fontes que façam estes microrganismos aumentarem sua população, aumentando a velocidade da descontaminação.”. 

Gunther Brucha, pós doutor no Departamento de Tecnologia Ambiental na Universidade de Wageningen, Holanda, conta que, durante seu pós doutorado, fez a remediação de algumas áreas utilizando fontes de carbono e microrganismos locais, mostrando que na Europa este processo biológico já é uma realidade, mesmo demandando mais tempo do que os processos físicos ou químicos. “Aqui no Brasil eu não conheço muitos processos de biorremediação,” comenta “mas é uma área que realmente precisa avançar para que possamos, efetivamente, tratar áreas com ajuda de microrganismos.”. Atualmente faz uma pesquisa em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL), tentando analisar o impacto dos rejeitos do desastre de Brumadinho, que despejou aproximadamente 12 milhões de toneladas de resíduos tóxicos, principalmente metais, no Rio Paraopeba, mais precisamente no Reservatório de Retiro Baixo, localizado a 300km do local do desastre. A pesquisa analisa o Reservatório antes e depois da chegada dos rejeitos, observando sua precipitação e seu impacto na comunidade microbiana presente, tendo chances de se tornar um projeto de biorremediação.  

De acordo com os profissionais, as maiores dificuldades para a implantação geral da biorremediação no País são a falta de investimento em pesquisas e falta de pessoal, principalmente microbiologistas, para encabeçar os projetos. “A pesquisa para começar um projeto de biorremediação requer paciência, tempo e dinheiro para se pôr em prática”, explica Gustavo, “e com a ciência recebendo cada vez menos estímulo do Governo fica cada vez mais difícil. Muitos casos analisados em laboratórios nunca vão para campo”.  

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As consequências podem ser ruins para o desenvolvimento do brincar
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Mayara Neudl
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08/11/2021 - 12h

Por Mayara de Moares Neudl

Basta sair às ruas - ou até mesmo ficar dentro de casa - para perceber o quão a vida atual tornou-se dependente das telas. Esse contato constante com dados faz com que, em apenas uma leitura de jornal, possamos ter acesso à mais informação do que uma pessoa comum no século 17. Agora imagine tudo isso dentro da cabeça de uma criança de 5 anos de idade, ou menos.

De acordo com uma pesquisa com 510 crianças, feita pela Globosat em parceria com o Instituto Play, “81% delas se informam por meio de sites de canais infantis e 83% pela TV por assinatura. Além disso, 61% acessam o YouTube, 42% o Facebook e 40% até navegam em sites de compra online.”, porém os resultados de todo esse acesso podem não ser tão positivos assim para seus pequenos processadores cerebrais.

Em conversa com Maria Ângela Barbato Carneiro, professora coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, a pedagoga afirmou que o uso de gadgets na primeira infância tem provocado problemas de cunho motor e social. “Elas esbarram nas coisas, não são ágeis, elas não conseguem correr… Até porque os espaços externos, dificilmente elas frequentam. O impedir a socialização, também, de alguma maneira faz com que elas sejam mais individualistas, que elas sejam mais voltadas para si, não sejam tão cooperativas, às vezes até mais agressivas em relação aos outros.”, afirma.

Foi o caso da Manuela, de 2 anos. Seu pai, Christopher, relatou que, aos 5 meses de vida, a criança passou a assistir o desenho musical “Mundo Bita” e apresentar mudança de comportamento. “Em determinado momento começou a fazer muita birra, principalmente quando ficava sem os vídeos, nervosa. Foi quando diminuímos o acesso às telas e hoje ela se relaciona melhor com isso.”.

Dois psicólogos estadunidenses, Jean Twenge, da Universidade Estadual de San Diego e Keith Campbell, da Universidade da Geórgia, realizaram um estudo que relacionou o uso de aparelhos eletrônicos por indivíduos de até 4 anos à maiores chances de perda de paciência, ansiedade, irritabilidade e estresse.

Para Maria Ângela, o uso apropriado das telas depende única e exclusivamente dos responsáveis. “Até que ponto isso beneficia ou traz malefícios depende tudo da maneira como a família lida com a questão.”. Ela explica que as crianças e adolescentes imitam a sociedade adulta, então hoje, proibir o uso já não é mais uma possibilidade, mas sim a condução da prática.

Para essa problemática da atualidade, o comprometimento dos tutores de buscarem alternativas como solução é imprescindível. É preciso lembrar sempre que celulares, tablets, computadores e televisões são ferramentas que proporcionam acesso à acervo praticamente infinito de livros, ilustrações, filmes, músicas e muito mais, e ensinar os pequenos a utilizarem sempre como veículo para obtenção de um conhecimento, afinal a tecnologia é um meio para um fim específico, e não um fim em si mesma.

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Entenda o que está por trás do termo que se tornou tendência entre as grandes empresas de tecnologia
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João Kerr
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09/11/2021 - 12h

Por João Kerr Guimarães Bidetti

Durante a tarde da última quinta -feira (28), o CEO do Facebook Mark Zuckerberg anunciou que a empresa será rebatizada com o nome Meta. A famosa rede social continuará existindo com o mesmo nome. Apenas o nome da holding, que também contempla Whatsapp, Instagram e outros produtos, será alterado.

Segundo Mark, o novo nome foi definido em alusão ao conceito de metaverso, novo foco da empresa.

“Minha expectativa é de que, em cerca de cinco anos, as pessoas nos vejam, antes de tudo, como uma empresa de metaverso”, disse o CEO ao The Verge. No recente mês de setembro, o Facebook anunciou que investirá U$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) nessa tecnologia nos próximos 2 anos.

O conceito está em alta — além da empresa de Zuckerberg, a Microsoft e a Nike também anunciaram nos últimos dias que farão investimentos nessa tecnologia. Segundo o portal Cointelegraph, criptoativos ligados a ele valorizaram 13,4% na última semana.

Mas afinal, o que é o metaverso?

O termo tem sido utilizado no contexto atual como uma ideia de um mundo virtual, criado a partir do que temos de mais avançado em tecnologia. Para isso, seriam combinados recursos de realidade virtual, realidade aumentada e Internet.

Esse “universo digital” tem o objetivo de reproduzir experiências reais a partir do uso de tecnologias como óculos de realidade virtual e roupas com sensores táteis. Tudo isso deve ocorrer dentro de um espaço virtual coletivo , no qual é possível interagir com pessoas de qualquer lugar do mundo através da internet.

 

Isso permitirá desde assistir a shows de forma virtual com uma experiência muito mais imersiva e divertida até acompanhar aulas e reuniões de trabalho usufruindo de uma interação muito mais próxima.

De acordo com o Facebook, a criação do metaverso será semelhante à criação da própria Internet e ocorrerá de forma descentralizada, não através de uma ou duas empresas:

“Este não é um produto que uma companhia poderá desenvolver sozinha. Assim como a Internet, o metaverso existe independentemente de o Facebook estar lá ou não”, disse a empresa em comunicado.

Mais de 90 companhias estão atuando no desenvolvimento dessa tecnologia, de acordo com dados da CB Insights.

No entanto, um metaverso acessível e com experiências imersivas como as citadas anteriormente ainda está muito longe de nossa realidade. Isso porque os óculos de realidade virtual ainda são muito caros, desconfortáveis e pouco discretos.

 

Oculus Rift, do Facebook, é vendido a partir de 3280,00

Porque o Facebook está tão focado nisso?

Mark Zuckerberg e os executivos do Facebook estão cientes de que o metaverso idealizado pela empresa não deve se concretizar tão cedo. No comunicado em que anunciou o investimento nessa tecnologia, a empresa admitiu que muitos dos produtos que estão sendo desenvolvidos só serão realidade em 10 ou 15 anos.

No entanto, eles já querem começar a investir naquilo que consideram promissor.

O Facebook demorou para investir em aplicativos móveis. 10 anos atrás, o mercado de apps para celular estava crescendo. Enquanto eram desenvolvidos aplicativos cada vez melhores para os dispositivos móveis, o investimento do Facebook nesse setor não era tão significativo e o app da rede social era cheio de crashes e bugs.

Em 2012, Mark Zuckerberg e seus companheiros perceberam que apps tinham potencial e voltaram todos os esforços da empresa a essa frente, apesar do atraso. Eles não querem cometer o mesmo erro duas vezes, por isso buscam antecipar quais serão os melhores investimentos para os próximos anos.

Victor Dias, especialista em tecnologia, acredita que é um bom momento para apostar: "Se nos apps móveis eles atrasaram, agora eles querem garantir que, caso o metaverso venha a ser a próxima tendência na tecnologia, eles sejam os pioneiros, os maiores nesse universo".

 

Mark Zuckerberg apresenta o novo nome e a nova logomarca de sua holding. (Foto Reprodução/Facebook)

Esse posicionamento começou ficou claro em 2014, quando o Facebook adquiriu a Oculus, empresa de óculos de realidade virtual, por U$ 2 bi, e entrou para o ramo da realidade virtual.

No evento em que comunicou a mudança de nome, a empresa anunciou uma série de novidades para essa tecnologia. Entre elas, estão:

  • Horizon Home: a atualização permitirá “festas” entre amigos, através do uso de óculos de realidade virtual. A festa utilizará os avatares dos usuários e dentro do espaço será possível conversar, assistir vídeos juntos, jogar jogos e utilizar apps.
  • Supernatural Boxing: o aplicativo, desenvolvido para óculos de realidade virtual, ganhará novos exercícios utilizados por atletas profissionais.
  • Novidades no uso para trabalho: no Quest, um dos modelos de óculos de RV, será possível fazer login com uma conta de trabalho em vez da conta pessoal do Facebook. As salas de trabalho do Horizon Home poderão ser personalizadas com o logotipo, pôsteres e toda a identidade visual da empresa.

Já é possível experimentar o metaverso?

Apesar do metaverso idealizado pelo Facebook ainda estar longe de acontecer, alguns softwares já flertam com o conceito.

Fortnite, popular videogame de ação e tiro, inovou ao oferecer a seus jogadores apresentações virtuais de grandes artistas, como Travis Scott. Nesse tipo de evento, os jogadores podiam circular pelo espaço virtual com seus avatares, dançar e interagir com outras pessoas que assistiam ao show simultaneamente.

O conceito se aproxima do que o Facebook busca para o metaverso ao permitir que o usuário experiencie um show ao vivo enquanto interage com pessoas que estão em diferentes partes do mundo.

Mais de 27 milhões de jogadores assistiram ao show “Astronomical”, segundo a Epic Games (Imagem: Reprodução/Twitter)

O jogo de mundo aberto Roblox também se aproxima desse conceito ao proporcionar a seus usuários experiências além dos games. Na plataforma, o usuário pode circular livremente e não se envolver com os “joguinhos” disponíveis.

No último mês de maio, a Gucci criou, dentro do jogo, a Gucci Garden, espaço virtual onde os usuários poderiam circular e interagir com outros jogadores. Nele, era possível observar as novas coleções da marca, bem como experimentar as peças em seus avatares e comprá-las. Uma bolsa virtual foi vendida por mais de R$ 22 mil.

 

 

Jogadores de Roblox podiam passear e interagir com outros usuários dentro da Gucci Garden (Imagens: Roblox)

Como vimos acima, alguns produtos do próprio Facebook (que agora chama-se Meta) vislumbrando o metaverso também estão em desenvolvimento e devem estar disponíveis para o grande público em breve.

Horizon Workrooms, ambiente pensado para simular reuniões presenciais, ainda está em fase de teste, mas já é usado para reuniões internas da empresa há mais de seis meses.

Nele, os usuários podem criar um avatar e interagir com seus colegas de trabalho em um ambiente virtual que conta com lousa, blocos de anotações e tela de apresentação. Confira:

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