Paróquias da cidade têm programação junina, reunindo fiéis e moradores em festas com comidas típicas, brincadeiras e atrações para toda a família
por
Raissa Santos
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23/06/2026 - 12h

O mês de junho sempre traz consigo o cheirinho agradável do vinho quente, decorações com bandeirinhas coloridas e festividades que movimentam comunidades religiosas por todo país. Em São Caetano do Sul, sete das 11 paróquias que compõem a Forania da cidade preparam quermesses que reúnem fiéis em celebrações marcadas por comidas típicas, música e atividades para toda a família. 

As festividades, que começaram em maio com a quermesse da Paróquia São Bento — já encerrada — se estendem até o fim de julho, tomando conta dos pátios das igrejas espalhadas pela cidade. No Centro, a festa da Matriz Sagrada Família segue até o dia 28 de junho, sempre das 16h às 22h. O cardápio oferece aos visitantes opções clássicas como cachorro-quente, espetinhos, milho-verde, além de bebidas típicas como quentão, vinho quente e o tradicional chá do padre. 

No bairro Jardim São Caetano, a Paróquia Santo Antônio também segue com a quermesse até o dia 28, quando realizará o seu tradicional bingão. Voluntária desde 2023, Milena Drudi, de 22 anos, destaca que participar da organização da festa é uma experiência desafiadora e divertida ao mesmo tempo. Neste ano, após deixar a coordenação da barraca das brincadeiras, ela passou a colaborar em diferentes setores da quermesse. Segundo ela, a mudança permitiu conhecer novas funções e ter mais contato com o público. “Foi muito divertido trabalhar como voluntária e também exercitar minhas habilidades sociais. A experiência no caixa foi uma das mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, uma das mais divertidas”, conta. 

Já a Paróquia Nossa Senhora da Candelária, no bairro Cerâmica, mantém sua quermesse até o dia 5 de julho, oferecendo ao público as tradicionais barracas de comidas típicas e um ambiente de confraternização para a comunidade. O mesmo acontece na Paróquia São João Batista, que também segue com sua programação até 5 de julho, mantendo seu tradicional bingo e reunindo fiéis e moradores para celebrar o período junino. 

Domitila Barbosa, de 15 anos, conta que frequenta a São João Batista com a família desde 2008, e participa da barraca do bingo junto de seu pai desde que ele assumiu a coordenação em 2018. “No nosso bingo, quase todo final de semana, temos uma rodada que sorteia um bicho de pelúcia gigante e as crianças ficam super animadas pedindo para os pais participarem do bingo”, destaca.

Frequentadores em bingo da Paróquia São João Batista. Foto: Reprodução / Instagram Paróquia São João Batista SCS
Frequentadores em bingo da Paróquia São João Batista. Foto: Reprodução / Instagram Paróquia São João Batista SCS 

Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, as festividades acontecem até o dia 5 de julho, das 18h às 22h. Além das comidas e bebidas típicas que marcam as quermesses, a paróquia preparou atrações especiais para o público. Entre os destaques estão o posto de troca de figurinhas e um telão que transmitirá os jogos do Brasil na Copa. Heitor Souza Móda, de 15 anos, frequenta a paróquia desde os 10 anos de idade e esteve na quermesse durante o jogo do Brasil contra o Marrocos ao lado dos amigos do grupo de jovens. “É um ambiente gostoso que podemos conviver, é legal ver o jogo com a família, mas com todo o pessoal aqui e as comidas, tudo fica melhor” contou ele. 

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Quermesse da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Foto: Jaqueline Borges

Encerrando a programação, a Paróquia Nossa Senhora das Graças realiza sua quermesse até o dia 26 de julho, sempre das 18h às 22h. Além dos tradicionais lanches, doces e bebidas típicas, a festa também incorporou ao cardápio opções de tempurá de legumes e camarão, oferecendo um diferencial gastronômico aos visitantes.

Com opções espalhadas por diferentes bairros e datas que se estendem até o final de julho, às quermesses de São Caetano do Sul surgem como uma oportunidade para reunir a família, estreitar laços e fortalecer a convivência comunitária, mantendo viva uma das tradições mais populares do calendário brasileiro.

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Ele é o responsável por manter o padrão de qualidade e credibilidade de alguns veículos de imprensa de grande circulação no país
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Julia Jorge de Oliveira
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08/06/2026 - 12h

O profissional de edição atua em redações jornalísticas e realiza suas funções em equipe. Sua responsabilidade é verificar, filtrar e hierarquizar as informações que chegam aos veículos de imprensa. O objetivo é transformar essas informações em um produto, ou seja, a notícia final, para ser comercializada e entregue ao público de maneira clara e objetiva. O editor de vídeo Gabriel Neri Reis, 26, trabalha na redação da Revista Oeste desde 2022 e afirma que, desde criança, sonhava em ser editor de vídeo em um  veículo de comunicação do país. Aos 11 anos, iniciou sua trajetória na fotografia, mas logo migrou para a área de edição em razão do grande volume de trabalho gerado pela internet, principalmente após o surgimento do YouTube. 

Segundo Reis, as habilidades mais importantes para trabalhar na área são ter boas referências sobre os assuntos abordados, muita paciência e um olhar preciso e sensível para as imagens utilizadas em uma edição de vídeo. Ele complementa que existem diferentes tipos de edição no mercado jornalístico, como a edição de documentários, filmes e telejornais. Esta última é mais objetiva e busca apresentar informações, relatos e imagens reais. 

Reis declara que a profissão é voltada para pessoas que não estão em busca de reconhecimento imediato, afinal, o nome dos editores aparece discretamente ao final dos trabalhos. O editor não é apenas o responsável por criar projetos audiovisuais, mas também por aprimorar o conteúdo gravado e adaptá-lo aos formatos das redes sociais. Três grandes projetos marcaram sua trajetória profissional. O primeiro foi uma série documental de investigação sobre a morte de Marielle Franco, no GloboPlay; o segundo, um documentário sobre o cinema; e o terceiro, um documentário sobre as chuvas que atingiram e devastaram diversas famílias no Rio Grande do Sul. 

O especialista em edição afirma que a Inteligência Artificial não tende a eliminar a função do editor de vídeo, mas a transformá-la. Tarefas consideradas repetitivas e operacionais podem ser automatizadas, à medida que cresce a demanda por profissionais capazes de interpretar dados e tomar decisões editoriais complexas. Ao mesmo tempo, surgem preocupações relacionadas à redução de postos de trabalho em atividades mais rotineiras e à necessidade de requalificação profissional, pois nossa principal responsabilidade é transformar imagens brutas, entrevistas e materiais gravados em uma narrativa clara, objetiva e informativa, respeitando os critérios editoriais e éticos de cada veículo de comunicação. 

A tendência no jornalismo brasileiro é a valorização do trabalho do editor como verificador e gestor da qualidade editorial. Em vez de substituir esse profissional, a Inteligência Artificial tende a ampliar sua capacidade de trabalho, exigindo novas competências ligadas à tecnologia e à análise de dados. É importante destacar que a credibilidade, o julgamento humano e a sensibilidade jornalística continuam sendo elementos essenciais para a atividade editorial no jornalismo brasileiro.

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Em outubro, o cantor apresenta o espetáculo “Alquimia Popular Brasileira” no Nubank Parque
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Thais Oliveira
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03/06/2026 - 12h

O cantor e compositor Jorge Ben Jor, 87, retorna aos palcos paulistas no dia 17 de outubro com o espetáculo “Alquimia Popular Brasileira”. A apresentação acontece no Nubank Parque, o antigo Allianz Parque, em São Paulo, e propõe uma celebração da trajetória do artista por meio de um repertório que atravessa diferentes fases da sua carreira.

Com produção da 30e, o show vai reunir clássicos que marcaram gerações, como “País Tropical”, “Mas Que Nada” e “Taj Mahal”. O título do espetáculo faz referência à mistura de ritmos e influências que caracterizam a obra de Jorge Ben Jor, desde os anos 1960. Ao longo da carreira, o artista consolidou uma linguagem musical única ao unir samba, soul, funk, rock e elementos da música afro-brasileira.

Pôster de divulgação do novo show 'Alquimia Popular Brasileira', de Jorge Ben Jor. (Foto: Divulgação/Eventim)
Pôster de divulgação do novo show 'Alquimia Popular Brasileira', de Jorge Ben Jor Foto: Divulgação/Eventim ​​​​​

 

Com mais de seis décadas de carreira, Jorge Ben construiu uma trajetória marcada por sucessos que permanecem entre os mais conhecidos na música popular brasileira. Desde os anos 1960, o artista acumula canções que seguem presentes no imaginário popular e continuam sendo regravadas por outros artistas, mantendo o repertório em circulação até os dias atuais.

A dimensão de sua trajetória também se reflete nos palcos. Em 1993, Jorge Ben Jor e Tim Maia reuniram cerca de três milhões de pessoas em um show de Réveillon na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, um dos maiores públicos já registrados para uma apresentação musical no Brasil. O show entrou para a história  e permanece como um dos momentos mais emblemáticos da trajetória do cantor. 

Em comunicado à imprensa, Jorge Ben Jor destacou a importância da troca com o público durante as apresentações ao vivo. Segundo o artista, o show em São Paulo será uma oportunidade de celebrar sua trajetória musical por meio de canções que marcaram diferentes momentos de sua carreira.

A apresentação no Nubank Parque será a única passagem do espetáculo “Alquimia Popular Brasileira” por São Paulo e integra uma série de shows especiais previstos para 2026.

Ingressos

O show na capital paulista será realizado no Nubank Parque, na Zona Oeste, no dia 17 de outubro. A abertura dos portões está programada para as 15h. A classificação etária é de 16 anos. Menores de idade têm acesso permitido apenas acompanhados pelos pais ou responsáveis legais.

Os ingressos para o público geral estão à venda pela plataforma Eventim. Os valores variam de R$ 147,50 a R$ 1.295,00, de acordo com o setor da arena.

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Baseada no texto da dramaturga britânica Amanda Wilkin, a peça acompanha uma mulher que decide reconstruir a própria vida após sucessivas rupturas
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Daniela Monteiro Marinho
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02/06/2026 - 12h

Após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, “Mudando de Pele" estreia em São Paulo no dia 4 de junho e segue em cartaz até 5 de julho no Sesc 14 Bis. A montagem marca o retorno de Taís Araújo aos palcos e apresenta ao público uma história sobre transformação, pertencimento e a coragem de recomeçar.

Inspirada no texto “Shedding a Skin”, da dramaturga britânica Amanda Wilkin, a peça acompanha Mayah, uma mulher prestes a completar 40 anos que decide romper com um relacionamento desgastado, abandonar um emprego marcado pelo racismo estrutural e reconstruir a própria vida. O que poderia se tornar apenas mais uma narrativa sobre dor e resistência ganha contornos mais complexos: a obra escolhe falar sobre liberdade, cura, ancestralidade e pertencimento.  

No palco, Taís conduz essa transformação com naturalidade impressionante. Sua interpretação evita exageros e aposta em pequenos gestos, silêncios e mudanças de energia que revelam as múltiplas camadas da personagem. O resultado é uma atuação que aproxima o público de Mayah e faz com que suas inquietações pareçam universais.

  

A atriz Taís Araújo durante apresentação de Mudando de Pele, em São Paulo
A atriz Taís Araújo durante apresentação de Mudando de Pele, em São Paulo. / Foto: Nana Moraes 

 

Embora seja apresentado como um solo, “Mudando de Pele” nunca parece solitário. A presença das musicistas Dani Nega e Layla adiciona textura à narrativa. A música executada ao vivo funciona como uma extensão das emoções da protagonista, criando momentos de delicadeza e força que ampliam a experiência sensorial do espetáculo.  

Outro destaque é a direção de Yara de Novaes, que constrói uma encenação elegante e fluida. Sem recorrer a grandes efeitos, a montagem aposta na força do texto, na expressividade do corpo e na simbologia do figurino para representar as sucessivas “peles” que Mayah abandona ao longo da história.  

A delicadeza é um dos principais acertos do espetáculo. Ao acompanhar uma protagonista em meio a sucessivas transformações, a peça aborda questões sociais e políticas de forma orgânica, sem didatismos, e encontra força justamente nos silêncios, nas ambiguidades e nas emoções que atravessam a narrativa.

 

Serviço

Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Temporada: de 4 de junho a 5 de julho de 2026
Horários: quinta a sábado, às 20h; domingos, às 18h
Sessões especiais da Copa: 13/6, 19/6 e 5/7, às 15h
Ingressos: R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia) e R$ 24 (credencial plena Sesc)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos  

 

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Tradicional cinema de rua sofre despejo e movimento de resistência se inicia nas redes sociais
por
Beatriz Foz
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25/05/2026 - 12h

 

Na quinta-feira, 14 de maio, foi cumprida uma medida de reintegração de posse do anexo Espaço Petrobras de Cinema, estabelecida pela Justiça de São Paulo. Caminhões chegaram no local pela manhã e desativaram as salas 4 e 5 do espaço, e o Café Fellini, anexado ao local, congelou suas atividades. Poltronas e equipamentos foram retirados, além de esvaziado o espaço do café.

O Espaço Petrobras de Cinema é um dos cinemas de rua mais antigos da cidade de São Paulo. O anexo funciona em um casarão da década de 1930 e antes de se tornar um espaço de cinema o imóvel abrigava o Instituto Goethe, que foi um local importante na formação de cineastas brasileiros. Eleito um dos melhores cinemas da cidade, conta com cinco salas de exibição que priorizam produções nacionais, cinema de arte e filmes independentes. O cinema era mantido através de um acordo de patrocínio com a Petrobras, via Lei de Incentivo à Cultura, com o objetivo de fortalecer a exibição do cinema brasileiro e internacional na cidade de São Paulo. 

Anexo ao Espaço Petrobras, o Café Fellini era um dos cafés mais tradicionais da cidade e funcionou por mais de 30 anos junto ao cinema. O café ganhou o prêmio de “Melhor Café e Bomboniere dos Cinemas de São Paulo” pelo Guia Folha por oito anos consecutivos. Na última semana o café fechou as portas. 

A luta pela permanência do local começou em 2022, quando o imóvel foi vendido a uma construtora que tinha a intenção de construir um prédio residencial no local. No mesmo ano, a comunidade de cinéfilos que frequentava o anexo organizou um abaixo assinado defendendo a preservação do cinema. Cerca de 50 mil assinaturas foram conquistadas na primeira campanha e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) intitulou o terreno como “Zona Especial de Preservação Cultural”, classificando o anexo como um patrimônio afetivo e cultural da cidade. Tal categorização não impede a demolição, mas obriga a incorporadora a manter o uso cultural do espaço mesmo com a reforma. Na prática, a empresa poderá demolir o espaço, desde que ceda duas salas de cinema e um espaço para o Café Fellini após as obras. 

No entanto, tais mobilizações não foram suficientes para proteger o espaço da batalha judicial. Na última semana, a ordem de reintegração de posse pedida pela Rec Vila 15 Empreendimentos Imobiliários foi cumprida. A incorporadora adquiriu o imóvel da Arteplex, responsável pela operação do cinema.

Um novo abaixo assinado foi criado pelo Café Fellini, reiterando o apelo pela permanência do estabelecimento e do anexo do Espaço Petrobras, já tendo conquistado mais de 90 mil assinaturas. Em um comunicado oficial postado nas redes sociais do café (@cinecafefellini), o estabelecimento agradece o engajamento dos clientes na luta pela permanência e declara que “precisamos defender espaços de convivência abertos para a cidade e para as pessoas”. 

O Espaço Petrobras de Cinema também publicou nas redes uma nota oficial à imprensa, destacando que todas as medidas legais cabíveis para buscar a reversão da situação estão sendo adotadas:  

  • “Seguimos comprometidos com a defesa de uma cidade mais equilibrada, culturalmente rica e voltada às pessoas, às suas formas de convivência e às experiências coletivas que também encontram expressão no cinema de rua.”

Letícia Souza, estudante e ávida frequentadora do Espaço Petrobras de Cinema, lamenta o despejo e o interpreta como uma perda da memória coletiva da cidade de São Paulo: “eu fico muito triste porque cada vez mais a gente vai vendo os cinemas de rua falindo e eu acho que eles fazem parte da memória dos cidadãos de São Paulo”. Letícia destaca que os cinemas de rua encontram dificuldades em se manter ativos com a popularização dos cinemas comerciais. “É difícil competir com algumas redes de cinema que ficam em shoppings como Cinemark, Kinoplex, Cinépolis… quando as pessoas pensam em ir ao cinema elas não pensam mais em ir aos cinemas de rua, mas pensam nesses de shoppings”, acrescenta a estudante. 

A hashtag “#anexofica” foi criada nas redes sociais como forma de protesto contra as medidas jurídicas estabelecidas. Diversos posts destacam a importância cultural do espaço e tratam o despejo como uma forma de descaso com a história da cidade. Outros tradicionais cinemas de rua como o CineSala, localizado em Pinheiros, expressaram seu apoio à luta do anexo através da hashtag. 

 

Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala).
Publicação da página oficial do CineSala em apoio à permanência do anexo. Reprodução/ (@cinesala). 

As salas 1, 2 e 3 do Espaço Petrobras continuam com a programação usual, porém a direção do espaço ainda tenta a reativação das salas 4 e 5. O café permanece fora de atividade. 

 

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Má interpretação científica e tecnologia impulsionam um hábito arriscado que já atinge milhões de brasileiros.
por
Júlia Polito
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16/11/2025 - 12h

Por Júlia Polito

 

Na zona norte de São Paulo, precisamente no bairro do Limão, Maria Adelina, de 74 anos, convive com uma prática que se tornou comum entre muitos brasileiros: a automedicação. Há cerca de dez anos, um médico prescreveu a ela um remédio que, na época, funcionou bem para controlar suas dores na perna. Desde então, Adelina manteve o hábito de recorrer à mesma medicação, mesmo sem acompanhamento regular de um especialista, acreditando que o tratamento indicado no passado ainda resolveria seus problemas de saúde atuais.

Hoje não procura mais clínicas médicas por um motivo: o neto recém-formado em medicina. Adelina passou a pedir a ele receitas para continuar comprando o medicamento nas farmácias que conhece de longa data no bairro, sobretudo as pessoas que trabalham nelas. Considerou adotar esse hábito após algumas experiências negativas com seu plano de saúde. Infelizmente nem todas as pessoas possuem a sorte de ter um médico disponível na família. Caso ele não tivesse se formado, Maria continuaria tomando remédios sem necessidade. Esse ciclo, no entanto, chama atenção para os riscos de manter um tratamento sem avaliação médica atualizada, já que o organismo e as condições clínicas podem mudar com o tempo. E tempo é demasiadamente importante para diagnosticar e oferecer tratamento adequado.

Essa é uma das preocupações de Lucas Verdasca, recém-formado em Medicina. Ele conta que tem sido uma experiência especial poder cuidar da avó e orientá-la de forma correta sobre o uso de medicamentos. Para ele, além de um dever profissional, é também um gesto de carinho.

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                            (Imagem/Reprodução: arquivo pessoal)

 

 

A atenção de Lucas reflete um desafio que vai além das relações familiares. Em um cenário cada vez mais digital, a mesma tecnologia que facilita o acesso à informação e impulsiona campanhas de conscientização como o Outubro Rosa e o Setembro Roxo é também a que pode levar um paciente a interpretar mal os sintomas e buscar soluções por conta própria. Essa é a dualidade da era da informação na saúde.

Diante desse cenário, o médico destaca a diferença crucial entre ter acesso à informação e possuir conhecimento de fato. Ele observa que a facilidade em encontrar conteúdos sobre saúde na internet não significa que o público saiba aplicá-los corretamente. Para ele, informação e formação são conceitos distintos: o acesso não garante domínio sobre a prática nem compreensão sobre como cada caso se aplica a um indivíduo. A Internet não é capaz de construir um raciocínio clínico, o que faz com que muitas pessoas se apeguem aos piores cenários e ignorem que as condutas médicas são sempre individualizadas, jamais universais.

O risco, portanto, é duplo: além do sofrimento psicológico de se autodiagnosticar com uma doença grave, há o perigo físico do uso incorreto de medicamentos. Verdasca lembra que até mesmo anti-inflamatórios, vendidos sem receita e amplamente utilizados, são medicações perigosas e que podem trazer diversos danos à saúde, como lesões nos rins e no estômago, provando que nenhum tratamento deveria começar com um clique, e sim com uma consulta.

A automedicação ganhou novas dimensões na era digital. Uma pesquisa recente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) mostra que 86% da população recorre a remédios sem orientação médica, principalmente para dores de cabeça, gripes e febre. O fenômeno, hoje é intensificado por dois fatores: a influência das redes sociais, onde proliferam dicas de saúde sem comprovação científica, e a má interpretação de estudos acadêmicos ou científicos, que chegam ao público de forma simplificada e fora de contexto. A ausência de uma receita não significa ausência de perigo. Mesmo usando medicações que não precisam de receituário médico, como os anti-inflamatórios, ainda sim são medicações perigosas que podem trazer diversos danos à saúde da pessoa. Segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox/Fiocruz), mais de 30 mil internações anuais estão relacionadas a intoxicações por medicamentos. E com a evolução da tecnologia, esse problema tem se tornado cada vez pior.

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                               (Imagem/Reprodução: Divina Providência)                                                                                                                                                    

Segundo Lucas, mesmo medicamentos aparentemente simples, como os anti-inflamatórios, podem causar danos sérios aos rins e ao estômago quando usados de forma inadequada. Entre os principais sinais de risco estão dor abdominal intensa, especialmente na parte superior do abdômen, diminuição do volume de urina e a presença de sangramentos, que indicam a necessidade imediata de procurar orientação médica. Além disso, existem os riscos das reações adversas, que são imprevisíveis e podem ser fatais. Cada medicação tem suas particularidades, assim como cada indivíduo apresenta condições de saúde e comorbidades próprias, o que faz com que um mesmo medicamento seja adequado para uma pessoa, mas inadequado para outra, sem contar os quadros de alergias que podem se tornar potencialmente graves.

A presença digital transformou as redes sociais em grandes “consultórios informais”, aplicativos como TikTok, Instagram e YouTube concentram milhares de vídeos e postagens que ensinam, de forma simplificada, a lidar com sintomas do dia a dia. O problema é que muitas dessas informações não possuem comprovação científica. Uma investigação do The Guardian revelou que mais da metade dos 100 vídeos mais populares com a hashtag #mentalhealthtips no TikTok contém dados incorretos ou enganosos, que são capazes de induzir a auto diagnósticos equivocados e ao uso inadequado de remédios. 

Esse tipo de conteúdo atinge um público massivo. Praticamente todo usuário de redes sociais já se deparou com algum vídeo ou postagem sugerindo medicamentos ou “truques de saúde”. As famosas trends, desafios ou modas virais funcionam como multiplicadores dessa desinformação, espalhando recomendações sem qualquer base técnica. O papel dos influenciadores digitais se torna perigoso para o público, ao compartilhar experiências pessoais como se fossem orientações universais, eles criam um efeito de validação social. Se alguém em quem o seguidor confia recomenda, a tendência é acreditar que o produto ou técnica funcione. Essa relação de confiança, típica do ambiente digital, aumenta o risco de que milhões de pessoas adotem práticas inadequadas sem questionar a segurança delas.

Não apenas a desinformação contribui para a automedicação. O uso inadequado da ciência também alimenta o problema. Pesquisas científicas complexas, divulgadas em linguagem simplificada, acabam sendo interpretadas de maneira incorreta pelo público, criando uma rede de informações falsas. Um exemplo claro desse fenômeno está no uso de ferramentas de inteligência artificial. Um estudo publicado na Royal Society Open Science mostrou que sistemas como ChatGPT, LLaMA e DeepSeek tendem a generalizar resultados de pesquisas científicas, omitindo detalhes cruciais como dosagem ou riscos. Isso favorece interpretações superficiais e potencialmente perigosas, quando aplicadas diretamente ao consumo de medicamentos.

Essa perigosa generalização é reforçada na prática clínica, como detalha o médico Lucas Verdasca, ao exemplificar o porquê a IA não pode e não deve substituir uma consulta. Pelo simples fato de que ela não foi feita para ocupar o conhecimento e o saber técnico, foi feita para facilitar o que já existe e é humano. Ele ressalta que, embora a tecnologia seja uma aliada dos próprios médicos, ela não possui os elementos essenciais de um diagnóstico, pois existe todo um raciocínio montado não com base em um texto, mas sim em uma avaliação física, exames complementares, análise estruturada, que muitas vezes a inteligência artificial não tem acesso. A tecnologia funciona como facilitadora do trabalho médico,  não um contato direto entre o paciente e a IA.

A automedicação no Brasil aumentou com a chegada da era digital e, embora as redes ajudem a disseminar campanhas de saúde, elas também prejudicam. O quadro é preocupante não apenas pela frequência, mas pelo impacto na saúde pública e no aumento de internações evitáveis. A busca por soluções rápidas e a confiança em fontes não verificadas contribuem para um cenário em que milhões de brasileiros colocam a própria saúde em risco.

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De canetas emagrecedoras à cloroquina, o uso sem comprovação científica expõe a população a riscos e leva a Anvisa a reforçar a fiscalização
por
Juliana Salomão
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16/11/2025 - 12h

O sonho do bem-estar e do corpo ideal move muitos brasileiros em busca de soluções rápidas. Pequenas doses, aplicadas com a leveza de um gesto cotidiano, parecem anunciar mudanças quase imediatas diante do espelho. Entre canetas e gotas que beiram o milagre, espalhou-se a esperança líquida de um emagrecimento rápido, uma promessa moderna de transformação. Para a biomédica Juliana Gonçalves, que dedica seus dias à radiologia, o caminho do emagrecimento não seguiu o roteiro esperado. Com um histórico de resistência à insulina, ela buscou na endocrinologia uma resposta para o próprio corpo. O primeiro plano trouxe resultados tímidos, quase como um sussurro diante do espelho. Foi então que decidiu apostar na caneta emagrecedora, enxergando nela a promessa de uma mudança mais verdadeira, refletida tanto no corpo quanto na forma de se reconhecer.

Os efeitos não se limitaram ao corpo. Internamente, vieram acompanhados de dores de cabeça, náuseas e uma sede constante. Entre todos, o que mais a abalou foi a queda de cabelo, algo comum no cotidiano, mas que dessa vez lembrava os dias de estresse e nervosismo intenso. Ainda assim, Juliana considera que a experiência trouxe aprendizados. Por ter iniciado o uso em um período em que pouco se falava sobre essas canetas, ela reforça a importância do acompanhamento médico e, no seu caso, o cuidado próximo de uma dermatologista.

A importância desse acompanhamento também aparece na experiência da médica veterinária Maristela Brun. Ela iniciou o tratamento com o medicamento após perceber que os ansiolíticos prescritos em um tratamento psiquiátrico haviam desencadeado compulsão alimentar. Depois de realizar exames, decidiu iniciar o uso do medicamento.

Embora a caneta emagrecedora tenha ajudado Maristela a reduzir o apetite e perder peso, o início e o fim do tratamento foram marcados por alterações mais intensas. A falta de fome a surpreendeu, enquanto a ansiedade e o apetite voltaram a se intensificar depois. A experiência mostra que, mesmo quando há resultados positivos, o processo pode apresentar oscilações que exigem atenção constante.

De acordo com Heloisa Salomão, Regulatory Affairs Manager na ReSolution Latin America e biomédica formada pela Universidade de Santo Amaro (UNISA), o uso do medicamento apenas para fins estéticos, sem prescrição médica ou com o objetivo de emagrecimento rápido, representa risco de automedicação, doses inadequadas e efeitos graves, como pancreatite, náuseas e efeito rebote. Ela ainda alerta que essa prática pode causar desabastecimento para quem realmente precisa do tratamento e contribuir para a normalização da automedicação, incentivada pelas redes sociais.

Esse cenário é potencializado pelo crescimento do comércio de medicamentos e cosméticos sem aprovação regulamentar nas redes sociais. Produtos como suplementos capilares, remédios para emagrecimento e cosméticos proibidos circulam livremente em sites, sem passar por testes de segurança, o que expõe os consumidores a riscos ainda maiores e reforça os problemas associados à automedicação.

Plataformas como Instagram e TikTok funcionam como canais de divulgação e venda, onde influenciadores digitais e até profissionais de saúde promovem medicamentos e cosméticos sem comprovação científica. Essa prática aumenta a procura por substâncias irregulares, e pessoas em busca de soluções rápidas acabam se automedicando. O aumento da venda das chamadas “canetas emagrecedoras” entre 2023 e 2024 é um exemplo desse mercado. Esse medicamento injetável é indicado para adultos com diabetes tipo 2 que não controlam a glicemia apenas com dieta e exercícios. O uso sem acompanhamento médico pode causar náuseas, vômitos, pancreatite e problemas cardiovasculares. Apesar das restrições, o produto se popularizou para fins estéticos.

Diante desse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a fiscalização. Em 2024, aprovou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 945, em vigor desde 2025, que define regras para pesquisas clínicas de medicamentos no Brasil. A agência também orienta os consumidores a evitar compras em canais não oficiais e buscar orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento.

Em resposta ao uso inadequado dos medicamentos agonistas do GLP-1, a Anvisa adotou regras mais rigorosas para a venda. Desde junho de 2025, a prescrição deve ser apresentada em duas vias, com uma delas retida pela farmácia, e a venda deve ser registrada no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). A receita tem validade de até 90 dias. Essas medidas buscam reduzir a automedicação e proteger o acesso de pacientes com indicação médica real, já que o uso indiscriminado pode gerar desabastecimento. Além disso, a Anvisa reforça a necessidade de combater a normalização da automedicação incentivada pelas redes sociais.

Regulamentação Sanitária

A pesquisa clínica é a base para garantir que novos medicamentos e tratamentos sejam seguros e eficazes. Esse processo rigoroso, que envolve estudos controlados com voluntários, é fundamental para avaliar efeitos terapêuticos, dosagem e possíveis efeitos adversos antes que um produto chegue à população. Sem essa etapa, não é possível confirmar se um medicamento oferece benefícios reais ou representa riscos à saúde.

Todo o processo é guiado por protocolos éticos e mecanismos de proteção. As normas exigem consentimento informado, supervisão médica e revisão por comitês de ética, assegurando que os voluntários entendam os procedimentos e potenciais efeitos adversos. Esses mecanismos são essenciais para proteger os participantes e garantir que os resultados sejam confiáveis e cientificamente válidos.

Falhas na regulamentação e na fiscalização podem permitir o uso de medicamentos sem comprovação científica. Um exemplo foi o uso da cloroquina durante a pandemia de Covid-19. Apesar de ser utilizada há décadas para malária e doenças autoimunes, sua adoção em larga escala se deu mais por pressão política do que por evidências clínicas, em um contexto de falta de monitoramento rigoroso.

A biomédica esclareceu que o episódio deixou claro que o rigor científico é inegociável e que estudos com falhas metodológicas não podem sustentar recomendações terapêuticas ou decisões regulatórias. A transparência e a ética são fundamentais para evitar a desinformação. A experiência com a cloroquina contribuiu para fortalecer a regulação sanitária, reforçando a necessidade de decisões baseadas em evidências sólidas para garantir a segurança e a eficácia dos tratamentos.

Estudos conduzidos no Brasil e em outros países, como os da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontaram que não havia eficácia comprovada do fármaco contra a Covid-19. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou para riscos adicionais, como efeitos cardíacos. Com base nessas evidências, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a suspensão do uso.

Impactos Globais

No cenário global, os medicamentos também são impactados por medidas políticas entre os países, como a aplicação de uma taxa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos exportados do Brasil, que afeta especialmente os medicamentos emagrecedores à base de GLP-1, estimulando a produção nacional e fortalecendo a indústria local.

Além disso, a patente da Liraglutida, princípio ativo das canetas emagrecedoras Victoza e Saxenda, teve sua exclusividade mantida por liminar concedida pela Justiça Federal. A decisão garante a continuidade do fornecimento regulamentado e contribui para o controle do mercado interno.

Os biológicos são produzidos a partir de DNA recombinante, como a insulina humana, utilizada no tratamento do diabetes. Sua produção é complexa e exige regulamentação específica. Já os sintéticos, produzidos por síntese química, são submetidos a protocolos clínicos e regulamentação estrita. Eles oferecem dados mais sólidos sobre eficácia e riscos, mas também exigem monitoramento contínuo.

A escolha entre os tipos de medicamento deve ser baseada em orientação médica e evidências científicas. De acordo com a OMS, cerca de 40% da população mundial usa algum tipo de medicina natural, mas menos de 20% desses produtos têm comprovação científica robusta. No Brasil, a Anvisa aprovou em 2024 um guia específico para ensaios clínicos de medicamentos fitoterápicos, visando aumentar a segurança e a credibilidade dos produtos de base natural.

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Especialistas destacam necessidade de práticas básicas de proteção e mais acesso à educação digital
por
JESSICA AMANDA CASTRO
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14/11/2025 - 12h

Por Jéssica Castro

 

O uso cotidiano das redes já parece natural e se transformou em rotina para milhões de pessoas, mas esconde um risco crescente: a enorme quantidade de dados pessoais circulando em ambientes digitais pouco seguros. Cada clique, senha ou autorização pode se tornar porta de entrada para golpes cada vez mais sofisticados, e os recentes vazamentos de bilhões de credenciais reforçam como a nossa vida online está vulnerável.

Recentemente, um relatório divulgado pela Forbes trouxe à tona um dos maiores alertas de segurança digital já registrados: mais de 16 bilhões de senhas podem ter sido expostas em vazamentos ligados a aplicativos de grandes empresas como Apple, Meta e Google. A investigação, conduzida pela organização independente Cybernews, mostrou como ataques de phishing, malwares e ransomwares continuam explorando justamente a falta de preparo dos usuários para lidar com os riscos da vida online.

Para Vilius Petkauskas, pesquisador da Cybernews, é improvável que as informações tenham sido extraídas diretamente das big techs. O mais provável é que os hackers tenham se aproveitado de vulnerabilidades comuns, como campanhas de phishing, instalação de malwares e ataques de ransomware, explorando justamente a falta de práticas básicas de proteção por parte dos usuários.

Para entender melhor, conheça o significado dos termos utilizados. Entre os principais mecanismos usados por criminosos digitais estão o phishing, que consiste em enganar o usuário com links ou mensagens falsas para roubar senhas e informações pessoais; os malwares, programas maliciosos instalados em celulares ou computadores que permitem o roubo e monitoramento de dados; e o ransomware, um tipo de ataque em que os invasores sequestram os arquivos da vítima ou os codificam com criptografia e exigem pagamento para liberá-los novamente.

O caso divulgado, escancara a fragilidade de um ambiente digital em que ferramentas de coleta e rastreamento de dados se tornam cada vez mais sofisticadas. Apesar da existência de recursos de privacidade acessíveis, grande parte dos usuários ainda não sabe configurá-los ou identificar práticas abusivas. Muitos aplicativos, por exemplo, solicitam permissões desnecessárias, como acesso à câmera ou ao microfone em jogos simples, o que pode ser um forte indicativo de coleta indevida. Especialistas recomendam atenção redobrada às políticas de privacidade, além do uso de ferramentas como o Exodus Privacy ou o AppCensus, capazes de identificar rastreadores escondidos em apps populares.

No dia a dia, medidas como manter sistemas operacionais atualizados, adotar senhas únicas e habilitar a autenticação em duas etapas seguem sendo as principais formas de se proteger. Navegadores com foco em privacidade, como Brave, Firefox, Duck Duck Go e Tor Browser, também vêm sendo apontados como alternativas importantes diante do crescimento do rastreamento online.

Em entrevista com Bruno Roberto de Jesus, especialista em cibersegurança, é possível compreender que a proteção começa por medidas simples, mas frequentemente ignoradas. Muitos usuários ainda repetem senhas em diferentes plataformas, o que aumenta muito o risco em casos de vazamento. O ideal é criar combinações mais complexas para cada acesso, além de habilitar sempre que possível a autenticação em duas etapas.

Segundo Bruno, a atenção também deve estar voltada às permissões concedidas aos aplicativos instalados no celular. Ele considera que se um app de jogo pede acesso à câmera ou ao microfone, isso deve acender um sinal de alerta. Esses dados podem ser coletados e vendidos sem que o usuário perceba. Práticas como manter os sistemas operacionais atualizados e preferir navegadores com foco em privacidade são formas eficazes de reduzir a exposição.

O especialista também reforça que a educação digital é peça-chave para a prevenção. Ele defende que é preciso democratizar o conhecimento em cibersegurança. Não basta que apenas empresas tenham especialistas. Ele avalia que todos os cidadãos precisam entender os riscos e saber como se proteger. No Brasil, esse ainda é um desafio grande, já que cursos relevantes na área costumam ser internacionais e pagos em dólar.

Se globalmente a escala dos vazamentos preocupa, no Brasil o problema ganha contornos ainda mais desafiadores: a escassez de profissionais de cibersegurança. Cursos especializados continuam caros, concentrados em capitais e muitas vezes apenas em inglês, o que afasta jovens interessados na área. A Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação estima que o país precisará de mais de 500 mil especialistas até 2025, mas a formação atual não acompanha essa demanda. Isso cria um duplo risco: usuários mal informados e empresas sem profissionais suficientes para implementar estratégias de proteção.

O episódio, portanto, vai além da troca emergencial de senhas. Ele evidencia a urgência de formar cidadãos digitais conscientes e de ampliar o acesso à formação em cibersegurança no Brasil. Só assim será possível reduzir o impacto de vazamentos em massa e fortalecer uma cultura de proteção no ambiente online.

 

 

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Evento continua sua evolução com mais atrações e marcas patrocinadoras, mesmo com menos montadoras
por
Vítor Nhoatto
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18/06/2025 - 12h

 

Em sua quarta edição, ocorrida entre os dias 12 e 15 de junho, o Festival Interlagos Edição Carros se consolidou no setor. Realizada no autódromo de mesmo nome, na zona sul de São Paulo, contou com lançamentos de Ford, Honda e GWM. Além disso, nomes como IZA e Ferrugem animaram os amantes das quatro rodas.

Ao todo, estiveram presentes 18 marcas de automóveis, contando Omoda e Jaecoo como marcas separadas. A quantia diminuiu em relação à edição de 2024, que teve 19. Este ano, marcas como Chevrolet e Renault não compareceram. Mas ao andar pelos boxes da pista e no gramado que recebe os festivais Lollapalooza e The Town, a diferença é imperceptível. 

Se por um lado havia uma fabricante a menos, o número de stands de marcas patrocinadoras aumentou e chamava bastante a atenção. Desde casas de apostas até plataformas de venda de produtos online, com direito a uma estátua de leão que atraia as câmeras dos celulares. Completava o cenário a roda gigante popular nos eventos musicais que ali ocorrem, mas que não estava disponível para passeio.

No quesito alimentação, havia um número grande de opções, com uma dezena de food trucks e quiosques para petiscos e um restaurante com buffet também. Ponto importante é a falta de bebedouros pelo complexo, obrigando a todos a comprarem água, mesmo com os shows musicais que pedem por estações de hidratação.

Já em relação à organização do evento, mesmo com as obras aparentemente incessantes em Interlagos, com tapumes e entulhos em alguns locais, estavam menos intrusivas no campo de visão do espectador que as edições passadas. A sinalização continuou precária, com muitas pessoas perguntando para seguranças como descer para a área dos boxes e para o meio da pista, onde as grandes marcas ficavam.

Baseado no conceito de experiência automotor, o formato das edições anteriores foi mantido. Diferente de um Salão do Automóvel tradicional, os interessados poderiam andar na pista por R$593 com o ingresso Drive Pass, e também negociar com representantes de concessionárias a compra dos carros expostos e testados.

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Era possível ainda se sujar na lama, e nem precisava pagar mais pelo Drive Pass, com o Street Pass de R$107 já era suficiente. Foto: Vítor Nhoatto

Tudo isso faz do festival um exemplo atraente financeiramente para as marcas e emocionalmente para o público. Em Portugal, isso acontece de forma parecida com o ECAR Show e, na Espanha, com o Automobile Barcelona, por exemplo. Mas é só no Brasil que uma pista de corridas todo pode ser explorada. Além disso, para diminuir os custos, a edição Carros aconteceu apenas duas semanas depois da edição Motos, reaproveitando a estrutura e agilizando o processo para as montadoras, segundo a organização do evento. 

Palco de lançamentos 

Mesmo sem Volkswagen e o novo Tera, e a Chevrolet tendo optado por lançar os facelift de Onix e Tracker em julho em evento fechado, grandes revelações tomaram Interlagos. No quesito modelo inédito não houve nenhum caso por parte das montadoras tradicionais, limitadas a reestilizações e apresentações ao público de carros já mostrados em solo brasileiro.

Dessa vez presente somente com a Abarth, o conglomerado Stellantis aproveitou o ambiente de corrida que a marca do escorpião evoca e mostrou o renovado Pulse. Seguindo as atualizações da versão não envenenada da Fiat, ganhou nova grade frontal e teto panorâmico, além de banco do motorista com ajuste elétrico para o esportivo. Ficaram de fora, no entanto, novos assistentes de condução como leitor de placas de trânsito e piloto automático adaptativo, disponíveis em veículos mais baratos que os R$157.990 anunciados.

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Por trás do Pulse de hoje, o Abarth 600 dos anos 1960, exposto também pela marca em Interlagos. Foto: Vítor Nhoatto

Ainda em relação às europeias, a Volvo esteve presente novamente, inclusive reaproveitando muitos dos EX30 amarelos da edição passada. Falando nele, que não oferece mais a cor citada, ganhou uma nova versão em território brasileiro, a Cross Country. Apresentada em fevereiro na Europa, chega aqui como topo da gama por R$314.950. Se diferencia das demais pelas caixas de roda e proteções na frente e atrás em plástico preto, além de estrear um novo sistema de propulsão, com  tração integral e 428 cavalos, e indo de 0 a 100km/h em apenas 3,7 segundos.

Também foram mostrados ao público o XC90 atualizado, lançado em 2015, que ganhou sobrevida após a decisão da sueca de prolongar o ciclo dos seus modelos a combustão até uma maior maturação do mercado de elétricos. E ao lado dele estava também o recém lançado no Brasil, o novo EX90, antes tido como sucessor do irmão e agora como complemento e modelo topo de gama da marca. 

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De alguma forma a eletrificação chega para o cliente Volvo, seja com o elétrico EX30 ao fundo ou com o híbrido plug-in XC90 dourado à direita. Foto: Vítor Nhoatto

Mudando de continente, a Honda aproveitou a ocasião para apresentar o facelift do Civic e do HR-V. Ambos receberam mudanças sutis na grade dianteira e parachoques, além de novas lanternas traseiras e desenho de rodas para o segundo. No interior, o sistema multimídia do sedã ganhou novas funcionalidades e o console central do SUV foi alterado levemente para facilitar o acesso ao carregador por indução. Os preços não foram divulgados, no entanto. 

A conterrânea Mitsubishi estava presente novamente, mas diferente da edição 2024 trouxe modelos realmente novos em sua linha, apesar de nenhuma revelação no evento. Lançado no país há poucos meses, a nova geração da picape Triton estava presente e o destaque do stand foi o novo Outlander, anunciado no mês passado. Agora híbrido plug-in, se coloca como modelo mais tecnológico da marca no Brasil, mas custa quase R$400 mil. 

Novidade este ano no festival, a Hyundai também não trouxe novidades, mas aproveitou para mostrar para os consumidores o recém-lançado Kona, o SUV de oito lugares Palisade e o eletrônico Ioniq 5. Os modelos marcam uma nova fase da divisão de importados da coreana no país, administrada pela CAOA e separada da HMB que fabrica os modelos HB20 e Creta. 

Por fim, a estadunidense Ford levou a Interlagos a linha Tremor de suas picapes Maverick, Ranger e F-150, reforçando o apelo off-road da marca com direito a um segundo stand só para elas próxima à pista off-road. Já dentro dos boxes, a reestilização do seu segundo modelo mais importante no país hoje, o Territory, foi revelada.

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Além da mudança estética que tenta alinhar o Territory a linguagem visual da marca, também conta com novo design para as rodas.Foto: Vítor Nhoatto

Atrás apenas da Ranger em vendas e popularidade, é rival de modelos best-sellers como os Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, SUVs médios. Com uma frente toda remodelada, mais arredondada e passível de julgamentos, mudou a cor dos estofados internos mas manteve o seu preço de R$215 mil. Importado da China, pretende crescer na categoria com a estratégia, custando menos que os dois concorrentes citados em versões equivalentes.

Ascensão chinesa continua 

Falando mais sobre a potência asiática, se nenhuma surpresa veio por parte das montadoras já estabelecidas, mais uma vez as chinesas ocuparam em todos os sentidos Interlagos, e tiveram destaque. Com revelações importantes e presentes na pista e no barro, elas focaram em mostrar qualidade e potencial tecnológico irreverente.  

Veteranas do Festival, BYD e GWM foram desta vez por caminhos distintos, com a primeira sem lançamentos no mercado de fato, mas trabalhando fortemente o imaginário da marca no Brasil. No stand o ato principal foi o supercarro elétrico YangWang U9, chamando todas as atenções com o seu vermelho vivo e asa traseira enorme. Além disso, era impossível não reparar o carro “dançando”, demonstrando a suspensão independente sofisticada do modelo que consegue saltar e andar somente com três rodas.

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Ao lado de Dolphin Mini e King, U9 roubava os olhares com seus 1.300 cavalos elétricos. Foto: Vítor Nhoatto

Do lado de fora quem brilhava era o também elétrico YangWang U8, agora sob o formato SUV. Capaz de girar no próprio eixo e flutuar, corria pela pista e chamava atenção pelo porte de cerca de cinco metros de comprimento e design singular. Nada foi falado sobre a possível comercialização de ambos no Brasil, o que não era esperado, mas sim as onomatopeias e expressões de surpresa que eles provocam.

Já em relação ao rival GWM, a estratégia foi repetir o que fez em 2024: apresentar novos modelos. A picape híbrida Poer e o SUV Tank 9 foram as estrelas da vez, com a primeira já tendo aparecido em evento com o vice-presidente Geraldo Alckmin na futura fábrica da empresa no Brasil. No caso do segundo, promete complementar a linha Tank após a chegada do Tank 300, na edição passada revelado, e agora ocupando a pista off-road e as ruas também. 

Cenário similar ocorreu no stand da Omoda & Jaecoo, marcas do grupo Chery que em 2024 debutaram em Interlagos e agora já contam com cerca de 50 lojas pelo país. Foram apresentados a versão híbrida do Omoda 5, vendido aqui até então somente como elétrico sob o nome E5, e o inédito Omoda 7, um híbrido plug-in para rivalizar com BYD Song Plus e o GWM Haval H6. Ambos tem previsão de lançamento até final do ano.

Porém, o destaque da mostra foi a novata GAC, que chegou ao mercado brasileiro oficialmente no mês passado já com 33 lojas e cinco modelos. Estilizada sob o slogan Go and Change, vá e mude em português, é o acrônimo para Guangzhou Automobile Group, e se pronuncia “gê á cê”. 

Com um dos maiores estandes da edição, o mesmo que a também estreante chinesa Neta usou no ano passado, era um dos mais movimentados também. O centro das atenções era o elétrico Hyptec  HT com suas portas traseiras “asa de gaivota”, ao estilo do rival Tesla Model X. Custando a partir de R$299.990, é o modelo topo de gama da marca à venda aqui, e promete agitar o mercado dos SUVs elétricos grandes, com uma cabine extremamente luxuosa.

Mais ao fundo estava o também elétrico e SUV, Aion V, com uma pegada mais quadrada e prática. Com porte de GWM Haval H6, tela para o ajuste do ar condicionado no banco de trás, massagem nos dianteiros e até 602 km de autonomia segundo o ciclo chinês NDEC, custa a partir de R$214.990, mesmo preço que o rival híbrido. A MPV (Multi Purpose Vehicle) Aion Y e o sedã Aion ES completavam a linha elétrica.

E apostando também nos híbridos, o SUV GS4 marcou presença, rival direto do supracitado H6 e do recém atualizado BYD Song Plus. A partir de R$189.990 é tido pela marca como o modelo com maior potencial de vendas, e aposta em um design ousado cheio de vincos e quinas, além de qualidade, conforto e tecnologia por um preço mais acessível que modelos menores como o Toyota Corolla Cross inclusive.

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Espaço da GAC remetia a conforto, natureza e um estilo de vida novo, como proposto pela marca. Foto: Vítor Nhoatto

Vale notar, no entanto, que apesar de todo o apelo high tech, nenhum dos modelos conta com leitor de placas de trânsito e detector de fadiga, presentes nos rivais da GWM e BYD. Além disso, o sedã Aion ES, com a mira para o BYD King, não possui nenhum assistente de condução e acabamento digno de Fiat Mobi por R$170 mil. Só o tempo dirá se a estratégia será efetiva ou desaparecerá em um ano como a Neta.

Museu a céu aberto

Ao lado da imersão chinesa a nostalgia tomava conta no segundo espaço da Honda no evento. Entrando era possível admirar o Civic Type-R, o mais potente já feito e vendido por quase meio milhão no Brasil. De frente a ele estava o primeiro Civic fabricado no Brasil, parecendo que havia saído da loja em 1997.  

E como um espaço de memória da japonesa pedia, um tributo a parceria de Ayrton Senna e a marca levou ao festival itens exclusivos do ídolo brasileiro. Acompanhado do capacete usado por ele estava exposto um exemplar 1992 do Honda NSX, esportivo que contou com a participação do piloto no desenvolvimento e que é lembrado pelos fãs por isso. Os entusiastas das pistas ainda puderam ver de perto o primeiro Honda que ganhou na Fórmula Indy.

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História não se compra e contra isso as chinesas não podem lutar. Foto: Vítor Nhoatto

Não necessariamente só de antiguidades que se faz um museu, mas também obras de arte, como abrigava um pavilhão mais adiante. Nele os interessados podiam fazer tatuagens no estúdio presente enquanto admiravam os dois carros mais caros do Brasil. 

No seu tom azul vibrante de lançamento, o superesportivo Bugatti Chiron estava sempre rodeado de câmeras, queixos caídos e pessoas de todas as idades. Com 1.500 cavalos, estima-se que custe cerca de R$40 milhões e é o único exemplar em solo brasileiro. E acompanhando o francês estava o Pagani Utopia, feito artesanalmente e em apenas 99 unidades. O único exemplar no país é branco e possui faixas azuis e vermelhas, importado por cerca de R$60 milhões.  

Estavam mais ao fundo ainda uma Porsche Taycan e uma Mercedes G-Class, que torcem pelos pescoços pelas ruas, mas se contentavam em ser apenas os figurantes do espaço desta vez. Falando na alemã, pela primeira vez esteve no evento, com um stand discreto no gramado e apenas quatro modelos, mas que estavam quase sempre rodeados de interessados. Ao lado também estavam as novatas no evento, BMW e Mini, com seus últimos modelos, mas sem novidades.

De volta ao prédio, Lexus e Toyota repetiam a estratégia das alemãs, sem alardes, e para completar o mundo das exclusividades, um cercado contava com um Rolls Royce Ghost, um McLaren GT, alguns Mitsubishi Lancer Evolution e até mesmo uma Tesla Cybertruck. Se não fosse o suficiente, no andar de cima empresas de acessórios e produtos automotivos em geral trouxeram Nissan GT-R, Ford Mustang e mesmo Ferrari. Lembrando que se fosse de desejo, por  R$1.970 à R$3.950 era possível pilotar máquinas como essas com o ingresso Sport Pass.

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Seja criança ou não, entusiasta ou leigo, muitos modelos chamavam atenção de todo mundo que passava por Interlagos. Foto: Vítor Nhoatto

Para completar a experiência no fim da noite, ainda aconteceram shows de cantores a lá Lollapalooza em pleno mês de junho. No dia 13 se apresentaram Seu Jorge e IZA, seguidos da dupla Maiara e Maraisa no dia seguinte, e Diogo Nogueira e Ferrugem no domingo (15). 

A Prefeitura de São Paulo anunciou em abril deste ano que renovou o contrato com a organização do evento para edições anuais até 2028, comprovando o sucesso do formato. Mesmo que o Salão do Automóvel de São Paulo volte depois de sete anos em novembro, como foi anunciado, o espaço do Festival Interlagos é só dele, e parece mais que nunca robusto e consolidado pelas marcas, governo e também pelo público. 

Para Mércia Cristina, a ausência do celular trará um aproveitamento melhor dos conteúdos educacionais
por
Laila Santos
Tamara Ferreira
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09/06/2025 - 12h

Em 13 de janeiro deste ano, foi sancionada a lei nº 15.100/2025 pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que limita o uso de celulares em escolas das redes pública e privada. O objetivo é diminuir os impactos negativos deste aparelho, como o vício em tecnologia, a falta de concentração e os prejuízos à saúde mental dos jovens. Não está proibido portar os dispositivos eletrônicos nas classes, mas sua utilização é apenas para emergências, necessidades de saúde e atividades pedagógicas que necessitam deles. Tudo fica sempre sob supervisão do professor. Essa 'brecha' tem levado muitos alunos a tentar burlar as regras, afirma Mércia Cristina de Freitas Andrade, inspetora de alunos em uma escola da rede pública, em entrevista à AGEMT. 

Com foco em diminuir o cyberbullying, que causa dificuldades nas relações interpessoais e no desempenho escolar, além dos problemas de sono e das questões psicológicas, as instituições de ensino tiveram que definir as estratégias de implementação da lei, inclusive em recreios e intervalos entre as aulas.   

Estudante com um celular em sala de aula
Estudante com um celular em sala de aula. Foto/Agência de Notícias Yonhap

Com a dependência em inteligências artificiais (IAs) atualmente, a funcionária do Educandário comentou se notou alguma diferença na aprendizagem dos alunos com a utilização desenfreada da internet e o acesso à inteligência artificial: "O uso de celulares e a utilização da IA, de certa forma, fez com que os alunos fizessem o uso demasiado de respostas e pesquisas prontas. Dessa forma, a aprendizagem e o aprimoramento da bagagem cultural foram seriamente comprometidos", ressalta. 

São Paulo foi o primeiro estado a adotar a medida, antes mesmo da criação da lei federal. Os regulamentos mais detalhados da implementação da legislação ficaram ao cargo do CNE (Conselho Nacional de Educação), órgão consultivo do Ministério da Educação (MEC), que decidiu dar autonomia aos colégios na maneira de armazenar e lidar com os aparelhos. Para Mércia, a proibição foi uma medida tardia, mas necessária e, com isso, os estudantes poderão fazer melhor uso do tempo e se concentrar melhor nos estudos. Ela cita: “Notei uma ligeira melhora nas relações humanas. Uma atenção mais direcionada às disciplinas, mas ainda uma resistência à proibição…" 

A entrevistada: Mércia Cristina
A entrevistada: Mércia Cristina de Freitas Andrade. Foto/Arquivo Pessoal

Essa atitude reflete um relacionamento não saudável com um dispositivo que era, praticamente, parte do material escolar e que está cada vez mais presente na vida social. Quando foi proibido, causou uma onda de irritação nos jovens, relata a inspetora.   

A partir de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) começou a reconhecer a dependência do celular e em outros meios digitais como um transtorno chamado nomofobia. Um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) diz que cerca de 25% dos adolescentes brasileiros são viciados na internet. Além disso, a Opinion Box traz os dados de que 95% das crianças do país, entre 10 e 12 anos, têm acesso a pelo menos um smartphone.  Com essa medida, espera-se que a escola volte a ser um ambiente de interação, que os estudantes voltem a ter uma aprendizagem mais fluida e que desenvolvam uma relação mais equilibrada com a tecnologia. 

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