O Brasil tem se tornado um destino importante para pessoas em situação de refúgio. Segundo dados do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), entre 2015 e 2024, o Brasil recebeu solicitações de refúgio de pessoas oriundas de 175 países, totalizando 454.165 pedidos de reconhecimento da condição de refugiado. A Venezuela liderou com, “27.150 solicitações, que corresponderam a cerca de 39,8% dos pedidos recebidos pelo Brasil naquele ano . Logo em seguida, (...) nacionalidade cubana: 22.288 solicitantes (...), que alcançam 32,7% do total de solicitações, em 2024”.
Em São Paulo, esse cenário se intensifica, a cidade concentra uma das maiores comunidades de refugiados do país, sendo porta de entrada e também palco de desafios diários. Apesar da acolhida legal e institucional, a realidade está longe de ser simples. A dificuldade com o idioma, o acesso ao mercado de trabalho e a adaptação cultural são barreiras constantes. Ainda assim, é na resistência cotidiana que surgem histórias de coragem.
Foi o que destacou Giovanna Pedroni Radaelli, coordenadora de Restabelecimento de Laços Familiares (RLF) da Cruz Vermelha São Paulo, em entrevista. Segundo ela, “A RLF trabalha no primeiro contato, o inicial, entre refugiados.”
O programa de RLF atua com maneiras de evitar o desaparecimentos de pessoas e procura maneiras de reconectar famílias fragmentadas pelos mais diversos motivos. Em meio a documentos, buscas internacionais e ligações, em que a própria instituição em parceria com a Surf Telecom, distribui chips (SIM cards) a imigrantes e refugiados com 6 meses de internet grátis. Assim, o trabalho é silencioso, mas profundamente transformador. Cada reencontro representa mais do que proximidade, significa pertencimento.
Giovanna também acredita que em meio a tantos conflitos mundiais, os dados atuais, provavelmente, serão modificados. Segundo ela, “com os conflitos que estão passando no oriente médio é capaz de que possa aumentar o fluxo. Mas, eu não acredito que seja algo muito rápido”. Em seu relato ela cita que a distância e questões financeiras podem dificultar de primeiro momento o contato com refugiados. Logo, possivelmente, a primeira escolha, será por nacionalidades próximas ou até mesmo, migrações dentro do próprio país para zonas seguras.
Desse modo, o segundo passo após contato com sistema de RLF e o encaminhamento a organizações sociais, igrejas e ONGs que têm desempenhado um papel fundamental nesse acolhimento, oferecendo desde aulas de português até apoio psicológico e profissional. Ainda assim, a demanda cresce em ritmo mais acelerado do que a estrutura disponível.
Enquanto isso, nas ruas da cidade, os refugiados seguem reconstruindo suas vidas; trabalhando, estudando e criando novas redes. Muitos carregam diplomas, experiências e sonhos que ainda buscam espaço para florescer.
A história dos refugiados não é apenas sobre deslocamento. É sobre resistência, reconstrução e, sobretudo, humanidade. Em meio ao caos que os fez partir, São Paulo se torna, para muitos, não apenas um abrigo, mas a possibilidade de um novo começo.
No sábado (28), ocorreu mais uma das diversas manifestações que movimentaram boa parte das cidades dos EUA. O ‘No Kings’ (Sem Reis, em português) reuniu cerca de oito milhões de pessoas nas ruas que protestavam contra as doutrinas de política do governo Trump. A demonstração de insatisfação com o presidente americano não surge agora, outras edições do No Kings ocorreram em junho e outubro de 2025.
O nome do movimento ‘No Kings’ não é atoa, americanos, ativistas, críticos, vão às ruas demonstrarem insatisfação diante da administração de Trump. Os participantes alegam que o presidente adota uma postura autoritária para liderar o país, refletida em suas decisões que causam indignação em diversos cidadãos. Organizadores do protesto afirmam que Trump lidera o país como um Tirano, ou seja, que ele exerce seu poder sem legitimidade e de maneira autoritária, como faria um Rei.
No ponto de vista geopolítico, uma das principais causas que mobilizaram as passeatas é a guerra contra o Irã, iniciada em aliança com Israel, tendo em vista que os Estados Unidos tem o poder de influenciar e interferir de forma crucial no conflito, o que causa preocupação e apavoro naqueles que lutam para sobreviver diante ao caos instalado no Oriente Médio. A agressiva política de imigração de Donald Trump também foi uma frente principal para esse episódio. Minnesota entrou em foco após um homem e uma mulher, ambos cidadãos americanos, serem mortos a tiros por agentes federais de Imigraçao dos Estados Unidos (ICE).
A Time Square, em Nova York, foi um um dos principais pontos de encontro para iniciarem esses protestos. Um dos pontos turísticos mais movimentados dos EUA foi tomado por um fluxo intenso de pessoas que carregavam cartazes com mensagens como: “Amo a america, odeio fascistas”, placas, bandeiras e bonecos representando o Trump como forma de ridicularizar o presidente também eram vistos no meio a multidão.
Washington, capital dos Estados Unidos, também foi palco de protestos, inclusive ao redor da Casa Branca, sede do governo do país. O momento em que as manifestações ocorreram é considerado delicado para Trump na visão de alguns apoiadores do presidente, pois sua popularidade atingiu níveis baixos desde seu retorno ao cargo.
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Protestantes marcham em Minnesota - Reprodução/Wikimedia Commons (Foto: Chad Davis) Apesar da dimensão do movimento, membros da Casa Branca agiram com desdém. Como visto até então, as ondas de protestos não foram o suficiente para sensibilizar integrantes da organização governamental de Trump, já que os mesmos alegam que as únicas pessoas que realmente se importam com o movimento são “os repórteres que são pagos para cobri-los”, segundo um porta-voz da Casa Branca, que disse isso a um repórter quando lhe perguntaram sua opinião sobre as manifestações.
Nesta quarta-feira (1), após 50 anos sem realizar nenhuma expedição desde o fim do programa Apollo em 1972, a missão Artemis II, idealizada pela NASA, decolou rumo à lua. O lançamento ocorreu por volta das 19h34 (horário de Brasília), no Centro Espacial Kennedy, localizado na Flórida (EUA). A tripulação conta com quatro astronautas, três americanos e um canadense, são eles: Ride Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. A duração do programa é de cerca de dez dias e planeja chegar a maior distância já alcançada pelos seres humanos em comparação às outras expedições já realizadas pela Nasa.
A missão utiliza um dos foguetes mais poderosos já construídos pela Nasa, o chamado Space Launch System (SLS), e a cápsula onde vão os astronautas foi apelidada de ‘Orion’ pela empresa. O plano de Nasa é que o foguete leve a cápsula Orion ao espaço e depois ela siga viagem sozinha até ao redor da Lua. Segundo informações da própria Nasa, o SLS é o único foguete capaz de enviar a espaçonave Orion, astronautas e carga diretamente para a Lua em um único lançamento.
O que diferencia essa missão das antigas é que a cápsula não irá pousar no satélite, e sim sobrevoar ao redor dele. Os principais objetivos dessa missão são testar os sistemas dessa nave construída com humanos, e analisar como ela reagirá com a comunicação e a navegação durante toda a expedição.Também é importante validar o foguete e a cápsula para futuras missões.
Esse acontecimento é histórico, pois se tornou a primeira viagem humana para o espaço desde 1972, e isso ocorre porque o Programa Artemis tem como objetivo levar humanos de volta à Lua para construir uma possível presença permanente lá, e principalmente, se preparar para uma futura missão em Marte.
“Vocês são lindos aqui de cima” disse a tripulação da missão Artemis II que falou pela primeira vez na última quarta-feira (4), desde que a espaçonave deixou a Terra. Eles comentaram sobre as vistas de “tirar o fôlego” durante uma transmissão ao vivo com membros da Nasa que acompanham seu trajeto pelo centro de comando.
Depois de dez dias em órbita, a tripulação da Artemis II concluiu a missão e está de volta à Terra. O pouso ocorreu no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, na última sexta-feira (10) com seus quatro astronautas que estavam a bordo. A marinha estava à espera dos tripulantes para uma avaliação médica. “Que jornada! Estamos bem, com os quatro tripulantes saudáveis”, comenta Reid Wiseman, comandante da missão.
O retorno pode ser considerado uma das partes mais perigosas da missão, pois a reentrada na atmosfera terrestre atinge altas temperaturas. Esse aquecimento intenso é resultado da altíssima velocidade da cápsula, que pode chegar cerca de 40 mil km/h.
A Bienal de Veneza, que ocorrerá em 09 de maio a 22 de novembro de 2026, ganha destaque pelos embates entre arte e política. Países envolvidos em conflitos internacionais marcam presença e levantam questionamentos e revoltas no público.
Israel está confirmado em meio a obras que abordam temas como guerra, direitos humanos e identidade. Enquanto, o pavilhão da Rússia segue fechado desde 2022.
Criado em 1895, o evento sempre foi um espaço de troca cultural, evidenciando como a arte contemporânea se relaciona com debates políticos e sociais.
"La Biennale" publicou o tema deste ano. “In Minor Keys”, por Koyo Kouoh (1967–2025), foi a primeira mulher de origem africana a assumir a curadoria da mostra, e será homenageada. Mas, o texto também destaca os debates atuais e afirma que “a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza não pretende uma ladainha de comentários sobre os acontecimentos mundiais, nem uma fuga das crises complexas e interligadas. Em vez disso, propõe uma reconexão radical com o habitat natural da arte e seu papel na sociedade (…)”.
Enquanto parte do público defende uma arte neutra, outros acreditam que o posicionamento é inevitável. A repercussão mostra que, mesmo em espaços culturais, a política permanece presente, e a arte segue como forma de expressão da sociedade, especialmente em seus aspectos políticos.
Viajar pela América Latina tem ficado cada vez mais caro para brasileiros devido à combinação de fatores como inflação regional, variação de câmbio e aumento nos custos de turismo. Destinos como Chile e Colômbia, anteriormente considerados econômicos, já não cabem com facilidade no orçamento do brasileiro. Em países como Argentina, Chile e Colômbia, o aumento do dólar elevou os preços de serviços turísticos, bem como aumento nas passagens aéreas e nos custos com hospedagem e alimentação. Além disso, as irregularidades na taxa de inflação de alguns países, em comparação ao Brasil, reduziram o poder de compra dos brasileiros. Não se pode dizer que a desvalorização do real é o único responsável.
Para entender o que mudou, conversamos com a professora e doutora em Ciências Econômicas da PUC-SP, Cristina Helena. Ela explicou que tem dois fatores fundamentais para esse entendimento: a diferença entre câmbio real e nominal e a influência do dólar no turismo. O câmbio nominal é o preço em unidades monetárias de uma moeda. Ou seja, é quanto uma moeda vale. Tomando como exemplo a Argentina, o câmbio nominal é quantos pesos argentinos um brasileiro consegue comprar com 1 real. É aqui que uma moeda valoriza mais que a outra. Como a moeda brasileira valorizou em relação à argentina, com 1 real é possível adquirir mais pesos do que antes. Já o câmbio real, é a capacidade de compra que um estrangeiro tem nesse país com sua moeda original. Muitas vezes, mesmo com a sua moeda original valorizada, o viajante não consegue adquirir muitas coisas, porque o câmbio real está "ruim”, explica Helena.
Ainda com o exemplo da Argentina, o país sofreu com uma inflação que aumentou muito o custo de vida. Então, quando um brasileiro viaja para lá, mesmo com o real estando mais valorizado que o peso, e ele conseguindo comprar um bom número de pesos com apenas 1 real, ele terá pouco poder de compra. O que antes ele conseguia adquirir com 20 pesos, por exemplo, com a disparada da inflação, ele hoje precisa de 60 pesos. Além disso, por uma questão de universalização da moeda, o dólar americano se tornou a principal moeda no turismo. A maioria dos hóteis, passeios, museus, cobram valores em dólar pelos seus serviços, o que não é diferente na rede hoteleira e turística de países da América Latina.
A professora Cristina Helena, desenhou dois gráficos que ajudam neste entendimento.
"Neste primeiro, vemos a taxa de câmbio efetivo real, mostrando como que a nossa moeda tem poder de compra no outro país. Toda vez que você vê essa taxa de câmbio caindo, é porque está ficando mais barato para a gente comprar lá fora. Toda vez que ela sobe, é porque está ficando mais caro a gente comprar lá fora.”, explicou a doutora.
Ela ainda acrescentou que, “já no segundo, toda vez que você vê aumentar o número, é sinal de que essa está ficando desvalorizada em relação ao dólar. Isso significa que para nós é mais barato ir para esse país. Aí, é ao contrário, porque a gente não está vendo o quanto da nossa moeda compra o deles. É o quanto da moeda deles compra em dólar. Então, se eles precisam de mais da moeda deles para comprar dólar, um dólar compra mais da moeda deles, então fica mais barato para a gente", diz.
Outro agente importante na oscilação de preços de viagem, é a política econômica interna e externa dos países. A professora elucida, “O que afeta o valor da moeda nesses países? A capacidade que esses países têm de exportar e de importar, a capacidade que esses países têm de atrair recursos internacionais, como que os investidores olham para situações de risco nesses países. Então as condições políticas afetam o valor do dinheiro”, ressalta Helena.
Nos últimos dois anos, vários países da América Latina passaram por eleições, mudanças em seus chefes - o que mudou a condução da política econômica deles. E em alguns casos, novamente como a Argentina, essas mudanças foram vistas como positivas pelo mercado internacional. Dessa forma, o país recebeu mais investimentos estrangeiros, mais dólares e valorizou de volta sua moeda - aumentando o custo de viagem para os brasileiros.
Como o turismo foi afetado
A inflação e a mudança no câmbio, além de influenciarem a economia local de cada país, também afetam o comportamento do viajante. Carolina Thomazini, agente profissional de viagem, em entrevista à AGEMT, explica que a procura por destinos na América Latina não mudou, mas se tornou mais seletiva e criteriosa. “Agora há mais planejamento e busca real por custo X benefício, além dos passageiros buscarem cada vez mais por destinos que entregam experiências e não apenas viajar porque está barato”, afirma Thomazini.
Apesar de serem destinos na América do Sul, os preços ainda são atrelados ao dólar, e por isso, ficaram mais caros. Ela explica que essa elevação dos valores ocorreu principalmente no Chile e Colômbia, devido a maior valorização da moeda em relação ao real. Além do câmbio, a pandemia do Covid-19 também contribuiu para a alta dos preços. “Notamos esse movimento de elevação dos preços, principalmente, no período pós-pandemia, com o reaquecimento do turismo e a pressão inflacionária no setor", diz Thomazini.
Quando questionada sobre as alternativas de destinos mais “em conta”, a agente afirma que os clientes têm buscado destinos nacionais como substitutos. Ainda que caros, destinos com nicho específico na América Latina que entregam uma experiência única do local, como Machu Picchu, no Peru, e Atacama, no Chile. Carol reforça que notou uma maior movimentação em viajantes que buscam por práticas esportivas e enogastronomia, experiência que harmoniza vinhos com pratos. Essa busca por destinos específicos aumenta a demanda turística nesses locais, pressionando as tarifas. “Não existe um destino barato que seja fixo por si só, e sim uma janela de oportunidades de acordo com as condições do momento.” Esse cenário é influenciado pelos altos custos e pela inflação local em cada país. “Tudo isso contribui de forma significativa na oferta da cadeia turística”.