Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
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17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Governo de Donald Trump decide fazer mudança no departamento de estado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
por
Rafael Jorge
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26/08/2026 - 12h

O Governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (17), a troca do chefe de escritório responsável pelas relações entre Brasil e América Latina. Juan Pablo Segura assumiu o cargo de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, no lugar do embaixador Michael Kozak, que ocupava a função de forma interina desde 2025.

Juan Segura já havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril deste ano. Em junho, o nome dele passou por uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, quando foi aprovado. Segundo o departamento de estado, o novo chefe tomou posse no dia 14 de agosto.

Juan Pablo Segura é um membro do partido republicano e empresário americano, filho de imigrantes argentinos. Antes de chegar ao departamento de estado, ele foi secretário de Comércio Exterior da Virgínia, no governo de Glenn Youngkin. Também co-fundou, em 2014, a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento pré-natal e pós-parto.

Novo Secretário de Estado em foto oficial
Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório responsável pelas relações entre EUA e América Latina. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos

No mesmo dia em que foi anunciado, Segura utilizou suas redes sociais para dizer que pretende trabalhar em parceria com o Presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras. Estou pronto para trabalhar!” afirmou.

 

Publicação no X de Juan Pablo Segura agradecendo a oportunidade no novo cargo
Post de Juan Pablo Segura no dia em que foi oficializado como Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Imagem: X/ Reprodução @WHAAsstSecty 

A mudança acontece em meio a uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. No início de agosto, o governo estadunidense revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão aconteceu, segundo o governo dos Estados Unidos, após o Brasil recusar conceder aprovação diplomática ao embaixador Daniel Perez, indicado por Trump para atuar na capital brasileira.

Juan Pablo Segura já usou suas redes sociais para falar sobre o Brasil. Em fevereiro de 2025, ele criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de multar o X (antigo Twitter) por descumprimento de uma ordem judicial “Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão." 

Já em abril deste ano, Segura compartilhou um texto sobre a decisão dos Estados Unidos em expulsar um delegado brasileiro que estava supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território americano. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", dizia a publicação.

O que diz o Itamaraty? 

Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou especificamente sobre a nomeação de Juan Pablo Segura. O governo brasileiro, no entanto, tem defendido que a concessão de agrément, autorização formal do país que receberá um embaixador, é um procedimento diplomático necessário e deve ocorrer antes da divulgação pública da indicação.

Na perspectiva de Brasília, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e a nomeação de Segura acontecem dentro de um contexto mais amplo de deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país, após suspeitas de que a visita poderia estar relacionada a questões políticas e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Em transmissão ao vivo, estudante mata colega e comete suicidio em colégio de Zamboanga
por
Jeórgia Sophia Xavier
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25/08/2026 - 12h
 

Na terça-feira (18) um estudante de um colégio católico na cidade de Zamboanga, no sudoeste das Filipinas, transmitiu ao vivo no Facebook o momento em que atirou e matou o colega Patrick Dylan See, de 15 anos, aluno da primeira série do ensino médio. O atirador era um estudante do 9° ano que, logo após o ocorrido, tirou a própria vida.

Segundo a polícia regional, o estudante levou uma pistola e uma espingarda para dentro da escola – anexa à Universidade Ateneo de Zamboanga –  que pertenciam legalmente ao pai que atuava como oficial da alfândega e foi suspenso preventivamente enquanto as investigações ocorrem. Inicialmente, indicou-se que não havia indícios de convivência ou influência familiar, porém o governo investiga a responsabilidade legal dele por negligência no armazenamento e custódias das armas de fogo.

O estudante, cuja identidade não foi divulgada, começou a atirar sem controle e atingiu um aluno que estava no quarto andar.  A transmissão ao vivo foi confirmada pelo Secretário do Interior, Vitor Remulla, e o perfil do estudante foi desativado. No vídeo, é possível ver crianças correndo e gritando em direção às portas de saída enquanto o autor do crime carrega as armas pelo corredor, semelhante a cena de um jogo eletrônico de tiro em primeira 

Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna
Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna

Pouco depois, o reitor da Universidade, Ernald Andal, esclareceu que não havia mais tiroteio em andamento, e confirmou que não houve outras mortes ou feridos, além das já confirmadas. O padre Guillrey Anthony, presidente da universidade, cancelou as aulas e declarou um dia de luto e oração em todos os campus da universidade. "Não queremos que nada disso aconteça. Desejamos priorizar a segurança de todos os nossos alunos", disse Guillrey em relato para a polícia 

Embora os ataques em escolas sejam raros nas Filipinas, devido às regulamentações rigorosas diante da posse de armas, dois meses antes dois alunos abriram fogo contra os colegas em uma escola pública na cidade de Tacloban. O ataque deixou 3 mortos e cerca de 20 feridos. Também é norma a verificação de antecedentes e avaliação psicológica, embora armas de fogo ilegais continuem em circulação. O presidente Ferdinand Marcos ordenou uma investigação. “As escolas também devem estar entre os lugares mais seguros em nosso país", disse ele em um comunicado.

 

Novo fenômeno ocorreu três dias após um terremoto magnitude 7,7 que deixou dezenas de mortos em Flores
por
Vitória Teles
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24/08/2026 - 12h

Na última terça-feira (18), a região de Sumatra, na Indonésia, foi atingida por um tremor de magnitude 6,1, por volta das 13h02 no horário local (3h02 em Brasília), três dias após um terremoto que deixou mais de 60 mortos e cerca de 200 feridos no último sábado (15), na Ilha das Flores. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) informou que o tremor atingiu 29 quilômetros de profundidade.

Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons
Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons 

Até as últimas atualizações sobre o tremor, não se teve relatos de vítimas. Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos, mas posteriormente cancelados após a probabilidade do fenômeno ter sido descartada.

A Agência Nacional de Gestão de Desastres informou que 19 mil pessoas estão abrigadas em tendas, visto que o tremor danificou cerca de 4,5 mil casas. Segundo o órgão federal, 122 unidades de saúde, 252 escolas e 84 locais de culto também foram danificados. “Há mais de 31.000 pessoas desabrigadas. Até o momento, o Ministério de Assuntos Sociais destinou mais de R $14 bilhões (R$4.079.182,80) em recursos para apoio humanitário”, disse o Ministro de Assuntos Sociais, Saifullah Yusuf, na capital Jacarta, no mesmo dia.

O fenômeno chama atenção, principalmente, por ocorrer poucos dias após um terremoto avassalador que deixou uma série de pessoas mortas e feridas. Entretanto, o tremor de 6,1 registrado em Sumatra, pertence a um sistema sísmico diferente do terremoto que atingiu Flores que passou por uma sequência de réplicas próprias, como parte de um processo de reajuste de crosta após o terremoto inicial.

Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia
Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia

A Indonésia sofre com uma série de terremotos devido a sua localização, sendo prejudicada pelo chamado “Anel de fogo Pacífico”, uma faixa que concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica da Terra. Além disso, o país está situado no encontro de várias placas tectônicas importantes, entre elas as placas: Indo-Australiana, Eurasiana, do Pacífico e das Filipinas. Apesar de ter ocorrido com poucos dias de diferença, os dois terremotos pertencem a eventos sísmicos distintos. A BMKG afirma manter o monitoramento em tempo real e destaca que todos os fatores de um terremoto são analisados, como: os epicentros, profundidade, mecanismos de falhas, entre outros. 

Em meio a tensões eleitorais, atual presidente é reeleito para novo mandato de 5 anos com cerca de 60% dos votos válidos
por
Lucas Farias Oliveira
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21/08/2026 - 12h

A comissão eleitoral da Zâmbia anunciou na manhã desta terça-feira (18) a vitória do atual presidente, Hakainde Hichilema, já no primeiro turno e de forma antecipada. Os resultados divulgados pela ECZ (Comissão Eleitoral da Zâmbia) mostraram que Hichilema, de 64 anos, recebeu aproximadamente 61,4% dos votos válidos, em comparação com seu principal adversário, Brian Mundubile, que teve cerca de 38%. 

Quando o resultado foi anunciado,  cinco dos 226 círculos eleitorais ainda não haviam sido contabilizados, porém, de acordo com a Comissão Eleitoral, os resultados em falta não influenciariam de forma significativa o resultado global das eleições. “Portanto, declaro Hichilema Hakainde como presidente eleito da República da Zâmbia neste dia 18 de agosto de 2026”, disse o presidente da comissão, Mwangala Zaloumis à National Election Results Center (Centro Nacional de Resultados Eleitorais) durante uma coletiva de imprensa. 

Presidente reeleito Hakainde Hichilema acena para apoiadores
Presidente reeleito Hakainde Hichilema em comício eleitoral. Via UPND.co

Após a vitória, através de suas redes sociais, o presidente reeleito agradeceu seus apoiadores e mandou um recado aos que votaram na oposição, “Aos cidadãos que preferiram as ideias apresentadas por nossos oponentes, nós os ouvimos e continuaremos a trabalhar por vocês”, acrescentou.

Comunidado do Presidente reeleito

Após o anúncio de sua vitória, centenas de apoiadores de Hichilema se reuniram na capital, Lusaka, vestindo a cor vermelha de seu Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), em comemoração que se estendeu até a madrugada.

Reeleito, agora o chefe de estado assume o segundo mandato em um momento de reconstrução econômica. Sua principal bandeira foi dar continuidade a disciplina fiscal, e agora vem com plano de aumentar investimento na produção de cobre para acelerar o crescimento econômico. 

Desde que assumiu o poder em 2021, sua gestão liderou a reestruturação da dívida soberana do país para atrair investimentos estrangeiros. Porém, grande parte da população ainda não sentiu o efeito da recuperação, segundo dados  do Banco Mundial, entre 2022 e 2023 mais de 70% dos 22 milhões de habitantes da Zâmbia vivem com menos de US$3 por dia.

Oposição alega que houve fraude e tensão eleitoral

Formada por uma coalizão de forças oposicionistas, o Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade (NRPUP) liderado por Mundubile formou a Tonse Alliance, focava  em propostas de alívio econômico e reestruturação institucional. A principal crítica dos adversários de Hichilema, de acordo com manifesto publicado no site oficial da coligação, foi o descontentamento com o custo de vida, pobreza e desemprego, argumentando que os ganhos macroeconômicos do governo não chegavam suficientemente às famílias. 

O manifesto da oposição apresentou  a inflação e o aumento dos preços como uma das principais falhas do governo Hichilema. Segundo o manifesto da Tonse Alliance, a cesta de necessidades básicas e alimentação para uma família de cinco pessoas em Lusaka passou de cerca de 7 mil kwachas em 2021 para mais de 11 mil entre 2024 e 2025, uma alta superior a 60%, segundo a oposição. 

Opositor de Hichilema, Brian Mundubile acena para apoiadores durante passeata
Brian Mundubile em passeata pré-eleição. Via NRPUP Zambia

O período que antecedeu a  eleição de 13 de agosto foi marcada por um período relativamente tranquilo,  no entanto,  a suspensão inédita da contagem de votos em todo o território, após ataques contra funcionários eleitorais e o roubo de boletins já marcados, tensionaram o cenário eleitoral e levantaram acusações de fraude da oposição. 

Na noite da eleição, as autoridades prenderam 11 pessoas, incluindo figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros, na qual Mundubile estava presente. O governo afirmou que a operação teve como alvo "atividades de milícias", e os detidos teriam sido flagrados em posse de armas de uso militar destinadas a uma insurreição armada. O Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade rejeitou essa versão, afirmando que a operação ocorreu na casa de seu líder e deixou um membro do parlamento ferido por disparos.

No dia seguinte, a comissão eleitoral suspendeu a contagem de votos por horas devido a relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas. Mundubile afirmou ter recebido informações sobre a possível alteração dos formulários de resultados das seções eleitorais e pediu uma investigação independente urgente. A equipe de Hichilema argumenta  que ele estava mentindo.

A Tonse Alliance, em declaração à Grindstone Television Zambia, anunciou que pretende contestar judicialmente o resultado das eleições. De acordo com a Reuters, a missão eleitoral da União Europeia também apontou problemas no processo, além do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com as prisões e pediu respeito ao devido processo legal. 

Apesar das constatações apresentadas pela oposição e das críticas dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral, a reeleição de Hichilema foi reconhecida diplomaticamente por diversos países, entre eles China e Estados Unidos. Brasil não se manifestou sobre.

Ex-ditador sírio foi condenado à revelia por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os 14 anos de conflito e se encontra exilado na Rússia
por
Isabela Sallum
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20/08/2026 - 12h

Na terça-feira (11), o Quarto Tribunal Criminal de Damasco, capital da Síria, condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os quase 14 anos de conflito civil no país. Seu irmão, Maher al-Assad, também recebeu a pena. A decisão é a primeira condenação judicial contra Bashar ou integrantes de seu círculo mais próximo desde a queda do regime, em dezembro de 2024, e representa um marco no processo de responsabilização pelos crimes cometidos durante o governo da família Assad. O juiz Fakhr al Din al Aryan afirmou durante a sessão que Bashar utilizou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

http://www.kremlin.ru/events/president/news/57488/photos
Ex-presidente sírio Bashar al-Assad. Foto: arquivo oficial da Presidência da Rússia.

A condenação ocorre em meio à tentativa do atual governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, de estabelecer um processo de justiça de transição após mais de cinco décadas de domínio da família Assad. Bashar chegou ao poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que havia governado o país desde 1971. Juntos, pai e filho permaneceram por mais de meio século no comando da Síria, mantendo uma estrutura política marcada pelo autoritarismo, pela repressão das forças de oposição e pelo controle do Estado pelo partido Baath.

A Guerra Civíl teve início em março de 2011, quando manifestações contra o governo começaram na cidade de Daraa, no contexto da Primavera Árabe, quando ocorriam protestos, revoltas e guerras civis em diversos países do Oriente Médio e no Norte da África, por volta de 2010. Neste contexto de descontentamento político,  protestos rapidamente se espalharam pelo país e as forças militares prenderam e torturaram adolescentes que haviam escrito mensagens contra o regime. Isso contribuiu para a transformação das manifestações inicialmente pacíficas em um conflito armado. Ao longo dos anos seguintes, a guerra matou cerca de 500 mil pessoas, além de deslocar famílias, provocar a destruição de cidades, hospitais, escolas e grande parte da infraestrutura síria.

O conflito, porém, não se limitou a uma disputa entre o governo Assad e grupos opositores. A guerra envolveu uma multiplicidade de forças políticas e militares e rapidamente adquiriu dimensão internacional. A Rússia e, sobretudo, o Irã foram os principais aliados de Bashar al-Assad, enquanto diferentes grupos da oposição receberam apoio externo. O governo iraniano forneceu recursos financeiros, armas, inteligência e apoio militar, enquanto o governo russo ampliou sua intervenção a partir de 2015, contribuindo decisivamente para o fortalecimento de Assad e para a retomada de territórios pelas forças governistas. Já países como Turquia, Arábia Saudita e Estados Unidos apoiaram, em diferentes contextos globais, grupos da oposição ou atuaram diretamente no conflito, movidos também por interesses próprios.

Após a queda, os irmãos Bashar e Maher al-Assad fugiram para a Rússia, onde receberam asilo. Desde então, o ex-presidente permanece em Moscou, fora do alcance das novas autoridades sírias. É justamente essa condição que limita os efeitos práticos da condenação. O julgamento foi realizado à revelia, isto é, o réu foi avisado oficialmente de um processo, mas não apresenta sua defesa dentro do prazo da lei, Assad não estava presente no tribunal, e a Syrian Network for Human Rights avalia que, no curto prazo, não existe uma perspectiva realista de sua extradição ou prisão. Segundo a organização, entretanto, o processo possui importância mesmo sem a presença física do acusado, pois pode produzir um registro judicial oficial dos crimes, das provas e da cadeia de responsabilidade que poderá ser utilizado em futuras iniciativas de responsabilização.

O julgamento também faz parte de um processo mais amplo contra integrantes do antigo regime. Além de Bashar e Maher, outros funcionários receberam sentenças no mesmo processo. Entre eles está Atef Najib, primo de Bashar e antigo chefe da Segurança Política em Daraa, que estava sob custódia e foi o único dos principais acusados a comparecer pessoalmente ao tribunal. Najib foi responsabilizado pela repressão aos protestos de 2011, incluindo a prisão e tortura de adolescentes, episódio que ajudou a desencadear a revolta contra o governo Assad.

A sentença também foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional reconhece que a abertura de processos contra responsáveis por graves violações representa um avanço, mas aponta que a legislação síria ainda não incorporou adequadamente crimes previstos no direito internacional, como crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A mesma organização questiona se o sistema judicial atual oferece garantias suficientes para um julgamento justo e observa que a Síria mantém a pena de morte.

Assim, a condenação à morte por um lado, serve como uma sinalização política para potências como os Estados Unidos e Israel enquanto tenta conferir legitimidade ao novo governo central de Damasco. Por outro, para as milhões de vítimas e refugiados, a sentença representa um reconhecimento formal das atrocidades cometidas, ainda que a punição física do ex-ditador pareça, no momento, impossível de se concretizar.

Cidade da Espanha recebe mais de 72 mil marroquinos em dois dias através de sua fronteira marítima
por
Manuela Abbate Gonçalves
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13/08/2026 - 12h

No dia 31 de julho, a cidade espanhola autónoma de Ceuta, localizada no norte do continente africano, se deparou com um denso fluxo migratório de cidadãos vindos do Marrocos. A fronteira entre os territórios, embora registre fluxos de migração irregulares há anos, com um episódio de 10 mil migrantes em 2021, nunca lidou com um movimento de larga escala como esse, efetuado por via marítima.  

Mapa que mostra a área do Estreito de Gibraltar, com o continente africano na parte de baixo, o continente europeu em cima e a cidade de Ceuta destacada

Localização geográfica de Ceuta, território ultramarino espanhol que faz fronteira com Marrocos – Imagem: : Google Earth

A travessia é impulsionada pela busca de uma melhor qualidade de vida por parte dos jovens marroquinos. Em entrevista para AGEMT, o  geógrafo e pesquisador Pedro Paulo Coelho comenta: “Não deixa de ser uma crise humanitária, pela magnitude, pela velocidade que aconteceu, pelo perfil de pessoas jovens do Marrocos que estão experimentando desafios sociais econômicos, sobretudo o desemprego.” O país enfrenta uma taxa de desemprego de 9,5%, com o desemprego juvenil, que engloba aqueles entre 15 e 24 anos, aparecendo em 27,2%, de acordo com o Trading Economics para o último bimestre de 2026.

Em entrevista à RFI, (Radio France Internationale), Ali, cidadão marroquino de 22 anos, conta, ao retornar após não conseguir se estabelecer em Ceuta: "Muitos jovens partiram daqui. Eu não me arrependo, quero continuar tentando. Vou continuar pensando na Europa até ficar velho. Nosso país é bonito, mas a Europa é melhor. Se você ficar aqui, pode trabalhar durante 30 anos e ainda assim não sair do lugar, como um hamster girando na roda".

A proporção do ocorrido foi caracterizada tanto pelo governo marroquino quanto pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como fruto de informações falsas que circularam pelas redes sociais sobre uma decisão da Suprema Corte espanhola no dia 29 de Junho.  

A nova política, em questão, proibiu a devolução imediata de interceptados ao mar, as chamadas “devoluciones en caliente”, entretanto não proíbe o retorno desses indivíduos aos seus países de origem. A medida judicial sofreu distorções na mídia, sendo interpretada como uma flexibilização no processo de deportação espanhol que ultimamente beneficiaria os migrantes que fazem a travessia.  

Tal manifestação jurídica impulsionou publicações falsas em redes sociais que geraram uma tentativa em massa de migração pelas águas, sobrecarregando as estruturas da cidade de 80 mil habitantes, sem estrutura hábil para absorver o crescente número de imigrantes. Essa incapacidade resulta na crise humanitária que Ceuta enfrenta: serviços de saúde cheios, polícia local saturada e pessoas desamparadas vagando pelas ruas. 

O ocorrido gerou atritos entre os governos de Marrocos e da Espanha, que mantinham relação de cooperação, após Sánchez indicar possível descaso por parte do Estado marroquino na área da fronteira.  

Primeiro- Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, discursando em um púlpito. Ao fundo, estão uma bandeira da Espanha e outra da União Europeia.
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em declaração oficial sobre crise migratória em Ceuta de 2021. Foto: Borja Puig de la Bellacasa - La Moncloa

“A temática da imigração é uma pauta desafiadora para a União Europeia, que direciona muito da política interna e da política externa”, indica Pedro Coelho quanto aos efeitos da série de acontecimentos em âmbito mundial. O especialista explica que o contexto global atual é permeado por discursos de viés anti migratório, mas que o governo de Sánchez e o partido obrero da Espanha assumem o que Coelho caracteriza como “uma postura que contrasta com a tendência anti migração da Europa”.

Sobre o atual governo da Espanha, o entrevistado explica: “O discurso [espanhol] anterior a essa crise era de que a imigração não seria levada como um caso só de polícia e de expulsão. Ainda esse ano tinha acontecido uma regularização de muitos imigrantes que estavam em situação irregular na Espanha, na informalidade”. Tendo em vista esse episódio, entretanto, Pedro Coelho conclui: ​”Depois que dispara a crise humanitária, com certeza o governo espanhol vai começar a se movimentar de outra forma.”

Políticos de extrema direita utilizam o ocorrido para antagonizar a esquerda. Entre eles encontram-se: Santiago Abascal, líder do partido espanhol ultradireitista, Vox; Primeira-Ministra da Itália, Giorgia Meloni; Nigel Farasi, do Reform UK e Donald Trump, que comentou publicamente sobre a situação. No depoimento, a Casa Branca culpou as “políticas globalistas de extrema esquerda” pelo fenômeno e não citou Marrocos. 

Atualmente, cerca de 70 mil indivíduos já foram retornados para Marrocos pela fronteira terrestre. Entretanto, a cidade de Ceuta ainda enfrenta um estado de crise migratória e humanitária, com mais de 88 mortos confirmados, vítimas da travessia, e cerca de 2 mil indivíduos em situações de ocupação precária em território europeu.   

 

O visto da embaixadora do Brasil em Washington é anulado em represália à demora do Itamaraty em aprovar o novo embaixador americano indicado por Trump
por
Stefany Santos
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12/08/2026 - 12h

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial de repúdio após os Estados Unidos revogarem, na terça-feira (4), o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em entrevista ao podcast Meteoro Brasil, nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão americana como "irresponsável" e afirmou que não vai analisar novas indicações diplomáticas dos Estados Unidos até depois das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro deste ano.

Segundo o Departamento de Estado americano, a medida tem caráter recíproco e é uma resposta à demora do Brasil em conceder a autorização formal exigida pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, para que Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump, assumisse a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Perez foi indicado ao cargo em 1º de junho para  o posto que está vago desde janeiro de 2025, quando Trump ganhou a candidatura.

Não houve, até o momento, declaração formal de persona non grata e o governo norte americano esclareceu que a revogação não significa expulsão. Mas sim que Maria Luiza Viotti pode permanecer em território americano, mas sem visto válido,  não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o país. 

Em nota, o governo brasileiro afirmou que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do candidato à embaixada antes mesmo de apresentar o pedido formal ao Brasil, e destacou que a Convenção de Viena não estipula prazo para a concessão do aval, que segundo o Planalto, ainda está em análise.

A nota também lembra que seguem em vigor sanções individuais dos EUA contra autoridades brasileiras, como cancelamento de vistos diante da alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atingindo inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal como o ministro Alexandre de Moraes que no dia 18 de julho de 2025 teve seu visto negado, assim como integrantes do primeiro escalão do Executivo.

O governo brasileiro classificou a revogação do visto da diplomata brasileira como parte de uma escalada deliberada de medidas motivadas por razões ideológicas, e sinalizou preocupação com uma possível tentativa de interferência na eleição presidencial brasileira. Ainda assim, reafirmou preferência pelo diálogo em vez de um possível confronto. E o Brasil decidiu manter a embaixadora no cargo em Washington mesmo após a revogação do visto. A avaliação no Planalto é que o retorno da embaixadora ao Brasil neste momento causaria ainda mais impasses com os americanos.

Cronologia da tensão

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos não é recente e tem se intensificado ao longo do último ano. Em julho de 2025, Trump enviou uma carta ao governo brasileiro anunciando tarifas em produtos. Em setembro, os presidentes dos dois países se encontraram e as tarifas foram revistas. Em maio deste ano, um novo encontro entre os dois  indicava melhora nas relações diplomáticas.

 

Presidente Lula e Donald Trump
Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026.        Reprodução: Instagram/@lulaoficial

Já em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado norte americano classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais, essa decisão marcou uma escalada inédita na relação entre os dois países e serviu de pano de fundo para a crise diplomática que se seguiria. Em 15 de julho de 2026, o governo dos EUA voltou a impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, oficialmente justificadas por uma investigação da Seção 301 do USTR, a qual apontava práticas brasileiras consideradas desleais ao comércio americano, como o sistema de pagamentos PIX, desmatamento e proteção insuficiente à propriedade intelectual. Essa medida, no entanto, repete o padrão de uma tarifa anterior, anunciada em julho de 2025, que havia sido justificada abertamente pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então em julgamento no Brasil. 

No dia 4 de agosto de 2026, a crise ganhou um novo capítulo com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Atualmente, os Estados Unidos não têm embaixador titular no Brasil, apenas um encarregado de negócios. A indicação de Daniel Perez segue sem aval formal do governo brasileiro, que tem adotado cautela diante do que avalia como sinais de possível interferência americana no processo eleitoral brasileiro, como por exemplo episódios em que autoridades ligadas a Trump teriam questionado publicamente o sistema eleitoral do país.

Um desses episódios ocorreu em julho de 2026, quando o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos do Departamento de Estado dos EUA, solicitaram vistos, em 20 de julho, para viajar ao Brasil com a missão de lançar dúvidas sobre a integridade e a transparência do processo eleitoral brasileiro. No dia seguinte, 21 de julho, o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Ao identificar uma possível ligação entre esse ataque às urnas e a viagem dos dois diplomatas americanos, o Itamaraty negou os vistos em 24 de julho, por avaliar que havia risco de interferência política ligada à agenda eleitoral do pré-candidato.

Quem é Maria Luiza Viotti

Natural de Belo Horizonte, Maria Luiza Ribeiro Viotti foi a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, com aprovação pelo plenário do Senado Federal em maio de 2023. Ingressou na carreira diplomática em 1976, formou-se em Ciências Econômicas pela Associação de Ensino Unificado de Brasília em 1978, onde também concluiu os cursos de Aperfeiçoamento de Diplomatas (1982) e Altos Estudos (1995), também é mestre em Economia pela Universidade de Brasília.

Foi representante permanente do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, período em que chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança e presidiu o próprio Conselho. Também foi embaixadora do Brasil na Alemanha (2013–2016) e chefe de Gabinete do secretário-geral da ONU, durante o primeiro mandato de Antônio Gueterres (2017–2021).

Quem é Daniel Perez

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada americana no Brasil, Daniel Perez ainda precisa ter o nome aprovado pelo Senado dos Estados Unidos. Aos 38 anos, preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida.

Filiado ao Partido Republicano e aliado de Trump, chegou a ser citado no ano passado como possível candidato a procurador-geral da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e mudou-se ainda criança para a Flórida, em 1993. Formado em Direito pela Loyola University New Orleans, é casado e pai de três filhos.

Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017, tem atuação parlamentar voltada a temas como bem-estar infantil, saúde, fortalecimento das famílias, educação e integridade eleitoral. Nas redes sociais, costuma associar-se ao movimento "Make America Great Again" (MAGA) e manifestar apoio às pautas de Trump.

Se confirmado pelo Senado, Perez será o primeiro embaixador americano no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden.

A revogação do visto é mais um capítulo entre uma crise nas relações entre Brasil e Estados Unidos, um movimento que se soma à guerra tarifária já em curso. O impasse permanece sem solução à vista, com os dois lados aguardando desdobramentos em meio à proximidade das eleições presidenciais no Brasil.


 

Ofensas do presidente argentino a Lula e Moraes na candidatura de Bolsonaro expõe planos ideológicos e riscos às relações diplomáticas com o Brasil.
por
Evandro Tortolani
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11/08/2026 - 12h

 

No último domingo (02) , o presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “corrupto” e “condenado” em entrevista à emissora LN+. O alinhamento ideológico com a extrema direita brasileira e estadunidense e as falas controversas do argentino põem em risco a relação de estabilidade econômica e diplomática entre os dois países vizinhos. 

O chefe de estado argentino defendeu suas últimas declarações sobre Lula . Ele afirmou não ter intervindo no cenário político brasileiro mesmo após ataques acalorados ao petista.

“Eles falam sobre interferência política na região. Se alguém está interferindo politicamente na região, é Lula, contaminando tudo com o socialismo [...] O pior é que eles me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um corrupto e um ladrão. É um condenado. Saiu da prisão por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e falei em defesa dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes [do STF], que me negou uma visita a [Jair] Bolsonaro” , afirmou Milei.

No dia 25 de julho, o presidente argentino esteve no Brasil e participou do evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) , à Presidência da República em São Paulo. 

“É um grande prazer para mim estar nesse país, entre aqueles que compartilham minha paixão pela liberdade. E isso se torna especial em tempos como este, quando uma nação se debate entre a libertação ou uma prolongação da esquerda.”

Milei compartilha posicionamentos ideológicos e políticos com a família Bolsonaro, visto que ambos planejavam uma coalizão entre os países latinos contra pautas socialistas. A aparição do argentino na candidatura do filho do ex-presidente mostra seu apoio aos planos da direita brasileira contra o Governo Lula.

Em um discurso apelativo, Milei enalteceu a economia argentina, criticou Lula e as ideias socialistas.

Presidente Javier Milei e Flávio Bolsonaro juntos na convenção nacional do PL
Milei e Flávio Bolsonaro na Convenção Nacional do PL. Foto: Foto: Vittor Sales/Campanha PL/ Divulgação

 

Ainda na convenção do PL, além do presidente Lula, o político argentino fez também proferiu ofensas ao ministro Alexandre de Morais (STF) , por ter sido impedido de visitar Jair Bolsonaro na prisão:
“Para piorar, o lixo careca não me permitiu visitar meu amigo, injustamente preso.”

Após o ocorrido, o Ministro das Relações Exteriores convocou o Embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para  prestar esclarecimentos e manifestar a repulsa do governo brasileiro sobre os comentários, medida que evidencia a tensão diplomática entre os países. 

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro” , disse o Itamaraty em nota publicada no dia 26 de julho. 

Raimondi deixará o Brasil no domingo (9), após o Ministério das Relações Exteriores rebaixar a relação diplomática com o governo de Milei apenas para fins de negócios. 

As falas de Milei também repercutiram na imprensa argentina. 

No La Nación, o jornalista Carlos Pagni comentou sobre a atitude de Milei.  Para ele, a aproximação com Trump é uma evidência de que a necessidade por apoio financeiro americano tem influenciado diretamente nas decisões diplomáticas do presidente argentino.

“Há um jogo geopolítico em curso, no qual o conflito entre a China e os Estados Unidos é projetado na América do Sul, com Lula e Milei como lados opostos. Milei está jogando esse jogo. Isso nos ajuda a entender melhor por que ele está agindo dessa maneira. Não se trata apenas de temperamento. Há uma lógica por trás de sua decisão, ligada a uma certa fragilidade que o governo está enfrentando diante da opinião pública. Essa fragilidade está ligada às finanças e, por sua vez, as finanças estão ligadas a Trump”. , 

No dia 29 de julho, durante a convenção do PSB, o petista respondeu aos ataques de Milei e o desconsiderou possíveis intervenções estrangeiras no Brasil: “Vocês viram a patacoada que ele fez no final de semana. Eu não falei nada, não vou ficar trocando ofensas com aquela coisa. Eu aprendi desde cedo que não sou melhor nem pior que ninguém. E enquanto eu for presidente e vivo ninguém vai meter o bedelho nas eleições brasileiras.”

As ofensas de Milei a Lula em território brasileiro explicitam o desgaste na relação Brasil-Argentina, apesar do histórico de êxito diplomático e econômico entre os dois países. Os posicionamentos do argentino rompem a parceria de longa data entre as nações, visto que seu país é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil.