Greve geral de estudantes e funcionários busca melhorias na Universidade de São Paulo
por
Sofia Martins
Beatriz Foz
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21/05/2026 - 12h

A greve de estudantes e funcionários paralisou 130 cursos da Universidade de São Paulo no começo de abril. No dia 14, a greve de funcionários foi aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e nos dias seguintes, de 15 e 16 de abril, os estudantes aderiram ao movimento, convocados pelo Diretório Central Estudantil (DCE) após assembleias coletivas em diversos cursos. Sem previsão de retorno às atividades normais da universidade e com uma programação paralela de atos estudantis e passeatas, a paralisação une trabalhadores e estudantes, que pedem melhorias no espaço estudantil e isonomia salarial.

Os funcionários da universidade entraram em greve, principalmente, pelo projeto da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace). A gratificação consiste em um aumento de R$ 4.500,00 durante dois anos para docentes exclusivos, que oferecessem aulas extracurriculares aos alunos da universidade. O bônus foi visto como uma medida excludente e injusta pelos servidores da USP, que decretaram greve reivindicando isonomia salarial. 

Wilson Maia, técnico de laboratório da Escola Politécnica e filiado ao SINTUSP declarou que os funcionários sempre ficam "em segundo lugar”, explicando que a atual reitoria privilegia somente os professores. “Isso só vai mudar se tiver greve, manifestação com bastante força que nem eu acho que está tendo agora.”, complementou o técnico. 

Em entrevista à AGEMT, Mirela Bueno Pacífico, estudante de letras da Faculdade de Letras, Filosofia e Ciências Sociais (FFLCH) e filiada ao Movimento Rebeldia, destaca que  a gratificação proposta pela reitoria é apenas uma manobra para não reajustar oficialmente os salários de todos os funcionários. “O salário dos trabalhadores e dos próprios professores está defasado há anos, e eles não fazem reajuste”, conclui a estudante. 

Exigindo melhorias no Programa de Permanência Estudantil e maior qualidade dos espaços da universidade, os estudantes paralisaram mais de 100 cursos. As principais reivindicações são melhorias no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), que passou semanas com problemas de energia, resultando na falta de água e de luz; melhoria da qualidade da alimentação dos Restaurantes Universitários, que apresentaram larvas, baratas e até pedaços de pedras em unidades diferentes (principalmente no bandejão da Química, no campus Butantã, e no bandejão da São Francisco) e o reajuste do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), considerado atualmente um valor insuficiente de R$ 885,00 mensais.

Em relação à precarização do CRUSP, o estudante de letras João Vitor Santos, comenta que alguns blocos da residência ainda não estão estabilizados após a falta de energia. “Isso mostra que a universidade não faz nada para os estudantes permanecerem, na verdade contribui para que eles sejam expulsos diretamente”, acrescentou o estudante.

Galão de água com o escrito "Cadê a água do CRUSP?" em frente a reitoria. Reprodução:/ (@dceusp)
Em protesto pela falta de energia do CRUSP, estudantes colocam galão de água vazio em frente à reitoria. Reprodução:/ (@dceusp)

Como manifestação, os estudantes e trabalhadores da Universidade de São Paulo marcharam do portão 1 da USP Butantã até a Av. Faria Lima, na quinta-feira (23).

O professor de história e sociologia Marco Cabral, doutor em História Econômica pela FFLCH-USP, comenta que as greves nas faculdades públicas acontecem, principalmente, por uma disputa por orçamento. “A gente tem um orçamento limitado, o país é cheio de carências e alguns setores merecem mais atenção. Acho que a educação tem sempre menos força para tracionar esse cabo de guerra.”, explica o professor. Marco destaca a importância dos movimentos estudantis para a melhoria do funcionamento das universidades. “Muitas das conquistas que as universidades públicas tiveram também aconteceram por influência da pressão dos movimentos estudantis. A universidade prospera também graças à essa pressão.”, declarou o historiador.

Dany Oliveira, aluna de Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e diretora do DCE Livre da USP, comenta sobre as dificuldades dos alunos da Universidade de São Paulo: “Muitos trabalhadores e jovens vindos da periferia, que ingressam na faculdade, têm vivenciado um completo desmonte do ensino público. A vida desses estudantes é insustentável, é inconciliável morar longe, trabalhar, estudar e conseguir terminar o seu curso, a universidade não se importa com a falta de condições em prosseguir com os estudos”. Com relação ao bandejão e a terceirização dentro da universidade, Oliveira critica: “A USP está num processo de privatização dos bandejões, os bandejões terceirizados têm cumprido um papel de precarizar a vida dos trabalhadores, usar horários exaustivos de jornada e oferecer a pior qualidade de comida. O problema não está nos trabalhadores, mas no fornecimento que as empresas têm destinado para a USP.”

No dia 23 de Abril, os servidores da USP aceitaram a proposta da reitoria e decidiram pelo fim da greve dos funcionários. A proposta apresentada ao SINTUSP propõe uma gratificação mensal aos trabalhadores no valor de R$ 1.600,00. O dinheiro seria oriundo do mesmo montante destinado aos docentes da USP e pagamento acompanharia o cronograma de vencimento da gratificação dos professores, previsto para o início de 2027, durante dois anos. Além disso, o acordo tem o intuito de oferecer aos trabalhadores terceirizados melhores condições de transição dentro do campus, similares aos dos funcionários da universidade, podendo incluir a criação de novo sistema de transporte gratuito. Parte dos trabalhadores voltaram à rotina normal de trabalho na sexta-feira (24), enquanto o restante voltou na segunda-feira (27). Mesmo após paralisação da parte dos trabalhadores, os estudantes seguem em greve.

As manifestações estudantis que prosseguiram contaram com protestos e críticas contra o atual governo de São Paulo, que tem se omitido diante da situação. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na terça-feira (05), limitou-se a dizer que "a greve não entra na minha cabeça. É uma falta de oportunidade, os estudantes têm que estudar”. O governador optou por não discutir as questões dos bandejões, CRUSP, terceirização e outros. 

Oliveira esclarece as condições atuais da Universidade de São Paulo: "Sou ex-moradora do CRUSP, morei até o final do ano passado (2025) e a situação da moradia é muito precária, eu passei quase dois meses sem chuveiro e água em casa. A justificativa da universidade foi de que não havia condições de manutenção por falta de funcionários voltados para essa área. Os bandejões até 2023 não funcionavam no fim de semana, então os moradores do CRUSP não tinham o que comer.” 

O Deputado Estadual Guilherme Cortez (PSOL), em entrevista à AGEMT, diz que "a greve é muito legítima, é lamentável que o corpo diretor da universidade não tenha se disposto a ouvir as demandas, é uma greve que merece todo nosso apoio, por que não é só pelos direitos dos estudantes, que são muito importantes, mas para que a universidade pública tenha o dinheiro adequado para cumprir com seu papel social no Estado”. O parlamentar comenta que a situação da Universidade de São Paulo é muito crítica, desde de 1995 e que investimentos mínimos nas universidades estaduais não são reajustados. “Isso na ponta vai implicar menos dinheiro para a permanência estudantil, menos dinheiro para os bandejões, para o trabalho dos hospitais universitários… tudo isso prejudica a atividade dos estudantes”, complementa Cortez. 

A manifestação foi marcada por cartazes e fotos do governador Tarcísio de Freitas como um soldado nazista, junto do reitor Aluísio Augusto Segurado com uma bandeja com larvas nas mãos. Segurado não estava presente na ocupação da reitoria, ignorando a ação dos estudantes.

Cartazes de caricaturas de Tarcísio de Freitas e Aluísio Augusto Segurado durante o ato em frente a reitoria do dia 28/05. Foto: Beatriz Foz.
Cartazes de caricaturas de Tarcísio de Freitas e Aluísio Augusto Segurado durante o ato em frente a reitoria do dia 28/05. Foto: Beatriz Foz/Agemt.

Após prosseguirem com manifestação na USP Butantã, estudantes ocuparam a reitoria na quinta-feira (07). Imagens gravadas por um funcionário e alunos mostram o portão sendo derrubado e portas de vidro do prédio da administração central sendo quebradas. Segundo os alunos, não há intenção de encerrar os atos e manifestações continuarão a favor de melhores condições na universidade, enquanto não houver uma negociação com a reitoria. 

 

Alunos seguram cartazes em manifestação. Reprodução:/(@dceusp)
Alunos seguram cartazes em manifestação. Reprodução:/ (@dceusp)

Depois de adentrarem o saguão da reitoria, a Polícia Militar foi acionada. Os policiais interromperam o ato, usando bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes, ‘corredor polonês’ para desocupar o prédio, a ação durou aproximadamente 15 minutos. Quatro estudantes foram detidos e levados ao 7º Distrito Policial, da Lapa, onde foi registrado um boletim de ocorrência por dano a patrimônio público e alteração de limites. A gestão do Reitor Aluísio Cotrim Segurado repudiou o ocorrido, afirmando que a PM agiu sem o conhecimento da reitoria e que "nada substitui o diálogo, a pluralidade de ideais e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias". O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) se pronunciou sobre o caso e falou em “descer a borracha” nos participantes. 

 

Impedidas de ocupar a Paulista, centrais sindicais levam o ato para a República, enquanto grupos de direita convocam manifestação na avenida
por
Isabela Sallum
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30/04/2026 - 12h

Neste Dia do Trabalhador, a Avenida Paulista será palco de uma manifestação convocada por grupos de extrema direita em apoio à possível candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O ato também inclui pautas como a defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Tradicionalmente marcada por mobilizações do campo progressista e do movimento sindical, a data mantém seu caráter de reivindicação trabalhista, ainda que em outro endereço. Neste ano, centrais sindicais realizam seus atos na Praça da República, após terem o pedido para ocupar a Paulista negado pela Polícia Militar. Segundo a PM, a prioridade foi concedida ao grupo Patriotas do QG, que teria protocolado a solicitação primeiro, em 2024.

Para as lideranças sindicais, o contexto atual impõe novos desafios. Em entrevista à AGEMT, Thiago Tanji, presidente do Sindicato dos Jornalistas, afirma que o movimento enfrenta um cenário adverso marcado pelo avanço de políticas neoliberais. “O neoliberalismo tem uma ideologia muito clara, centrada no individualismo, que nega a existência de soluções coletivas e coloca os sindicatos como entidades que atuariam apenas em interesse próprio”, diz. Segundo ele, essa narrativa contribui para a desmobilização da organização coletiva dos trabalhadores.

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, ministra das mulheres Cida Gonçalves e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante ato do dia 1º de Maio das Centrais Sindicais, na Praça Campo de Bagatelle, em 2025. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, ministra das mulheres Cida Gonçalves e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, durante ato do dia 1º de Maio das Centrais Sindicais, na Praça Campo de Bagatelle, em 2025. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Apesar disso, as pautas trabalhistas seguem nos centro das reivindicações. Em 2026, o principal eixo dos atos é a mudança na jornada de trabalho. “O debate pelo fim da escala 6x1 é o grande debate dos sindicatos e da sociedade brasileira”, afirma Tanji. Pesquisa do Datafolha indica que 71% dos brasileiros são favoráveis à mudança. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores empresariais, que alegam possíveis impactos econômicos e na produtividade.

Relevância histórica

Mesmo em outro local, o movimento sindical preserva protagonismo na data. Celebrado internacionalmente, o 1º de Maio remonta à luta histórica da classe trabalhadora por direitos e melhores condições de trabalho.

O ponto inicial para que o Dia do Trabalhador fosse celebrado no 1º de Maio foi a greve dos trabalhadores em Chicago, nos Estados Unidos, no final do século XIX, que reivindicava uma jornada de trabalho de 8 horas diárias. O episódio se tornou símbolo da resistência operária.

No Brasil, o 1º de Maio foi incorporado ao calendário oficial ainda no início do século XX, em meio ao crescimento do operariado urbano e à organização dos primeiros movimentos trabalhistas. A data foi transformada em feriado nacional em 1924 com o objetivo de celebrar a “confraternização das classes trabalhadoras”, mas também de reduzir o caráter reivindicatório das mobilizações, frequentemente marcadas por protestos e greves. A greve mais marcante ocorreu em 1917, contando com a participação de aproximadamente 50.000 operários que reivindicavam aumento salarial, fim do trabalho infantil, jornadas de 8 horas entre outras coisas, resultando em 200 mortes entre grevistas e policiais que atuavam na repressão.

Palmeiras Antifascista e outros grupos colaboram para um esporte mais acessível e igualitário.
por
Sophia Coccetrone
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13/11/2025 - 12h

Há diversos grupos políticos dentro de torcidas de futebol, principalmente com guerras e embates cada dia mais intensos. Na torcida palmeirense não seria diferente. Palmeiras Antifascista, ou P16, por conta do seu ano de fundação (2016), é um coletivo de torcedores palmeirenses que luta contra os rumos que o futebol e a sociedade estão tomando, principalmente a questão do reacionarismo dentro do esporte e a elitização do futebol. A página começou pelo Facebook, mas tomou grandes proporções e hoje o coletivo participa de manifestações e atos importantes, seja com assuntos futebolísticos, seja com pautas externas, como a questão Palestina x Israel. 

O grupo se concentra nos dias de jogos da Sociedade Esportiva Palmeiras, na rua Caraíbas, mais especificamente no bar Caraíbas 45’. Segundo membros, a concentração de torcedores nas famosas “alamedas” do antigo Parque Antártica e atual Allianz Parque trata-se, além de uma tradição, de uma luta contra os valores abusivos dos ingressos para os estádios, além de celebrar a união da torcida sem discriminações e tornar a experiência palmeirense para todos, principalmente na gestão Leila Pereira, que, segundo os entrevistados, intensificou a elitização do Palmeiras e do futebol em geral. 

Hugo Martins, membro do Palmeiras Antifascista e estudante de Ciências Biológicas pela Universidade Nove de Julho, diz: “Minha maior memória palmeirense é a camisa oficial da Adidas verde-limão que ganhei na infância (...) Eu só consegui assistir um jogo no estádio uma vez na vida, e já era adulto.” 

A tradição das alamedas incomoda os defensores do futebol moderno, e as ruas Caraíbas, Palestra Itália e Venâncio Aires (principais ruas de concentrações de torcedores) é sempre questionada, algumas vezes contando com policiais militares interditando as ruas sob justificativa de que a aglomeração para assistir jogos gera “bagunça”, incômodo aos moradores e entrada de vendedores ambulantes de produtos não-oficiais.

As três ruas citadas possuem bares temáticos do Palmeiras, sedes de torcidas organizadas como Mancha Verde, Rasta Alvi Verde, entre outras. Contam também com a presença de pessoas de torcidas aliadas, como Galoucura (Atlético-MG), Geral do Grêmio e Força Jovem do Vasco e possui lojas de produtos do clube com preços pouco mais acessíveis. 

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Bar O Sobrado, na rua Caraíbas, com pôster antirracismo de Luighi, jovem jogador do Palmeiras que sofreu racismo de torcedores na Libertadores sub-20. - Foto: Sophia Coccetrone/AGEMT 

Gabriel Silva, membro do Palmeiras Antifascista e estudante de Relações Internacionais pela FMU, diz que se sensibiliza muito pela pauta palestina, principalmente com a influência do seu curso. Ele sente a necessidade de colocar a política em pauta no futebol, principalmente por se tratar de uma área conservadora e que há a falácia de que “política e futebol não se misturam”. O estudante comenta que o Palmeiras tem política desde sua essência, sendo um clube fundado por imigrantes italianos operários em 1914, sob o nome de Palestra Itália, além de possuir um primeiro presidente anarquista, Ezequiel Simoni.

Apesar de tudo, Gabriel diz que há fascistas, reacionários e conservadores em todos os lugares, e que as torcidas de futebol são espelho da sociedade. Ele enxerga o futebol como um pilar que ilustra comportamentos sociais. Por isso, segundo ele, uma colega do Palmeiras Antifascista já foi expulsa de um bar de futebol sob ameaças por conta de sua homossexualidade e posição política. 

Gabriel comenta que dentro do ramo do futebol, sua maior preocupação é a elitização e o futebol “teatral” ou “moderno”, ou seja, um futebol “socializado”, sem torcidas organizadas, sem festa, sem classe baixa dentro do estádio e sem produtos oficiais acessíveis, além da flexibilização da rivalidade, levando à diminuição da efervescência do que é ser torcedor. 

O jovem comenta que seu pai se tornou palmeirense porque era um menino sozinho, sem um figura paterna, e um vizinho mais velho o levava para o estádio Morumbi para ver jogos do Palmeiras. Assim, o pai passou o amor pelo alviverde para o filho, que hoje sofre com problemas para frequentar o estádio devido aos altos custos dos ingressos em arenas, como o próprio Allianz Parque. 

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João Gabriel Silva na manifestação Marcha Por Gaza, em apoio aos palestinos. - Foto: Sophia Coccetrone/AGEMT

Entretanto, a experiência palestrina continua viva para os torcedores, que não abandonam o clube, sob a alegação de que: "Pessoas (gestores, jogadores, conselheiros…) passam, o Palmeiras fica!"  

Uma atitude ampliada pela torcida palmeirense foi a campanha #SomosSociedade, que foi divulgado pelo Palmeiras em prol do fim do ódio no futebol e na sociedade, também contando com participação de mulheres com câncer de mama na entrada aos gramados durante o Outubro Rosa, além de uniformes com mensagens anti-desmatamento e em solidariedade aos cânceres de próstata e mama. 

 

 

 

Voluntário conta sua experiência de dez anos entregando cestas básicas para comunidade no Morumbi
por
Gustavo Song Jun Choi
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24/09/2025 - 12h

Na cidade de São Paulo, o bairro do Morumbi é marcado pela desigualdade, principalmente pelo contraste entre as residências de alto padrão e as moradias precárias. Na Rua Santo Américo, 357, a paróquia São Bento do Morumbi procura ajudar os moradores de uma das comunidades do bairro, o Jardim Colombo. O trabalho é realizado pelos voluntários da Pastoral Social, alguns deles membros da comunidade, que fazem a entrega de cestas básicas na paróquia e organizam visitas de apoio às moradias da comunidade.

Fabrício Habib, conselheiro e membro ativo do trabalho comunitário da paróquia, diz que se vinculou ao projeto quando começou a frequentar a igreja e conhecer as pessoas da comunidade. “Já tinha vontade de fazer um trabalho social, achava que era algo importante para minha vida, para meu papel como cidadão”, conta.

Segundo ele, quando se somou ao projeto, a pastoral ainda não dispunha de um sistema de organização para a entrega de cestas. Hoje, a distribuição é dividida em etapas e equipes, responsáveis por tarefas diferentes do processo. Esse modelo foi planejado e implementado por Habib, ao longo de seus dez anos de experiência como voluntário e coordenador.

Voluntários da Pastoral Social da Paróquia São Bento do Morumbi
Fabrício Habib e voluntários da Pastoral Social - Foto: Divulgação


As cestas básicas costumam ser distribuídas no terceiro sábado de cada mês, às 8h30, na paróquia. Habib afirma que a quantidade de cestas distribuídas, comparada a quando ele começou, em 2015, tem demonstrado aumento. Hoje, o projeto atende 300 famílias, o maior número de pessoas já registrado. "Quando entrei, eram em torno de 95 cestas”, conta. Sobre o conteúdo da cesta em si, ela é montada especificamente para a paróquia, com objetivo de alimentar uma família de quatro pessoas por 15 dias, ou duas pessoas por 30 dias. 

De acordo com o conselheiro, a origem por trás da paróquia ocorreu com a chegada de uma congregação de monges beneditinos húngaros ao Brasil por volta de 1930. Desde então, começaram uma série de obras sociais, ao fundar a Abadia São Geraldo, que possui outras unidades, uma delas a paróquia São Bento do Morumbi. O trabalho voluntário em questão surgiu através do Movimento PAX.

De acordo com o site “Movimento PAX”, o movimento foi fundado por Dom Veremundo Tóth, em 1990, com o objetivo de pregar paz e alegria. Atualmente, além de encontros e retiros religiosos, o movimento realiza o trabalho de auxílio aos necessitados do Jardim Colombo. O financiamento para a montagem das cestas básicas é feito pelo movimento, constituído, em sua grande maioria, por alunos e ex-alunos do Colégio Santo Américo. Localizada ao lado da paróquia, a escola é uma das unidades que derivam da abadia.

Quando questionado sobre futuras metas do trabalho da pastoral, o ex-coordenador diz que o objetivo de longo prazo seria não só dar cestas básicas, mas ajudar as pessoas atendidas a sair da situação de pobreza, para que não precisem mais da cesta. “Não queremos de maneira nenhuma que essas pessoas dependam da gente, ou que seja um trabalho só de enxugar gelo, ou que seja só um trabalho de assistência simples”, diz.

Sobre as dificuldades logísticas do trabalho, o conselheiro conta que é uma dificuldade contínua, e que varia ao longo do tempo. Apesar de atenderem 300 famílias, houve vezes em que, por conta da falta de recursos, atenderam menos de 100.

“Houve épocas em que fomos obrigados a diminuir a quantidade de alimentos na cesta, épocas em que temos muita gente trabalhando”, complementa.

Habib ainda relata outras dificuldades relacionadas ao trabalho. “Somos voluntários, temos nossas vidas, nosso trabalho, nossa família. Então já houve dificuldades também de a gente dedicar tanto tempo que acaba atrapalhando nossa vida pessoal." 

Ele diz que o projeto coloca seus voluntários em contato com a pobreza extrema, o que muitas vezes já o deixou abalado ao voltar para casa, com dificuldade até mesmo de sentar-se à mesa para almoçar. “É muito difícil você conseguir separar isso do dia a dia, precisa de um amadurecimento emocional para conseguir fazer esse trabalho com um pouco mais de profundidade”, afirma.

Ainda sobre as visitações, Habib diz que é uma experiência dura, por colocar o voluntário de frente a uma realidade que muitas pessoas não sabem que existe e com a qual outras tantas fazem questão de não conviver no dia a dia. Porém, ao mesmo tempo, ele considera a experiência engrandecedora, pois o voluntário passa a entender a sociedade de outra maneira, aprendendo sobre a fragilidade das pessoas.

“É engrandecedor, pois isso faz com que você ressignifique o tamanho de seus problemas, e ajuda a gente a ser um ser humano mais completo”, afirma, acrescentando: “O correto não deveria ser só para nós mesmos. Temos obrigação como cidadãos de cuidar da nossa sociedade, do nosso país, do nosso bairro e da nossa comunidade”.

Sobre a desigualdade do bairro, Habib diz: “O Morumbi é a cara do Brasil. Essa desigualdade que existe no Morumbi existe no Rio de Janeiro, Brasília. Você sai da capital federal, onde estão os políticos ou pessoas de condição financeira, anda 30 minutos de carro e chega em áreas extremamente pobres”. E continua: “Esse é um reflexo da sociedade que a gente construiu, onde as oportunidades não são iguais para todo mundo”.

Habib avalia que, apesar de a saúde e a educação pública serem um direito de todos, o governo sempre poderia estar fazendo melhor, já que o nível de assistência e oportunidade é muito diferente e, ao longo do tempo, a tendência, para ele, é que essa desigualdade aumente. Porém, o conselheiro acredita que o esforço para mudança cabe não apenas ao governo, como também aos próprios cidadãos. “Não é uma função só do governo, é um trabalho que deve ser feito em conjunto. Sabendo disso, meu trabalho ganha mais sentido.”

 

 

Com a presença de convidados especiais, Boitempo, em parceria com o MST, promove a comemoração dos 207 anos do pensador e 30 anos da editora
por
Isabela Fabiana
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09/06/2025 - 12h

O encontro ocorreu no Espaço Cultural Elza Soares, das 10h as 18h, tendo como principais pautas a crise ambiental, o identitarismo, colonialismo e precarização do trabalho. O evento acontece desde 2018, e contou com a participação de grande nomes do pensamento crítico contemporâneo,  na politica e nas artes como, por exemplo, Rita Von Hunty, Douglas Barros, Paulo José Netto, Manuela D’Villa, Luciano Genro, Ricardo Antunes, entre outros. 

Para alimentação, o MST preparou refeições agroecológicas para café da manha, almoço e café da tarde. Além de debates, com pautas importantes, o evento contou com uma feira literária, entre as editoras participantes estavam a Veneta, Ruptura, a própria Boitenpo, Camisa Critica, Boitata, oferecendo revistas gratuita, contracorrente e muitas outras. Confira a reportagem em vídeo

 

 

 

 

Nova gestão arrecada 99,3% dos 287 votos totais e permanece até agosto de 2024
por
João Curi
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14/09/2023 - 12h

O Centro Acadêmico de Psicologia (CAPSI) anunciou, no dia 6 de setembro, a posse da gestão Bispo do Rosário por uma Universidade Popular, com 285 votos. O processo eleitoral estava em curso desde o dia 12 de agosto, quando a Comissão Eleitoral tomou posse da entidade, demarcando o fim da gestão Nise da Silveira por uma Universidade Popular. Assim como no ano passado, as eleições ocorreram com chapa única.

Na véspera da abertura do período eleitoral, a gestão anterior (2022- 2023) compartilhou nas redes sociais do centro acadêmico uma série de postagens referentes ao histórico da entidade. O ano passado foi marcado pela revitalização do espaço físico e da mobilização do movimento estudantil junto aos docentes para reivindicar os salários integrais de professores após redução de 10% anunciada – e posteriormente revogada - pela FUNDASP, em setembro de 2022.

Com publicações detalhadas e de fácil linguagem, ainda foram descritas as funções e histórico das secretarias de Finanças, de Agitação e Propaganda (Agitprop), de Infraestrutura e de Saúde Mental. Esta, por sua vez, destacou-se pela realização de “aulões” destinados aos estudantes bolsistas para “amenizar o impacto causado pelo acúmulo de matérias em decorrência da entrada tardia dos alunos que recebem bolsas de estudo”. A iniciativa foi baseada na colaboração do próprio corpo discente, por meio de questionário e voluntariado, para definir o conteúdo a ser trabalhado e também para compor o corpo de produção e monitoria.

A luta e articulação para promover uma universidade mais popular, diante das dificuldades enfrentadas pelo corpo estudantil desde a retomada das aulas presenciais após o período de pandemia, não foi encerrada em agosto deste ano. Na verdade, a causa passa o bastão à sua sucessora.

A nova gestão declarou, em sua carta-programa, defender um centro acadêmico alinhado às pautas de inclusão e de engajamento de classes. O documento ainda expõe a visão da chapa sobre as conjunturas atuais do país e da PUC-SP, demarcado neste a elitização do espaço acadêmico e sua natureza excludente. “É fundamental pensarmos na PUC como um espaço que, apesar de sua relevância histórica enquanto uma instituição de defesa e formação de valores democráticos, se apoia em uma imagem de um passado cada vez mais distante da realidade atual”, declara.

Estruturalmente, o CAPSI será gerenciado por três secretarias, além da Diretoria e Tesouraria, que são obrigatórios segundo edital aprovado na Assembleia de Curso, no dia 7 de agosto. A Secretaria de Comunicação está encarregada das redes sociais da entidade e prioriza o contato com os estudantes também no campus. A secretária de Eventos é responsável pela organização de projetos que promovam “a cultura, a política de permanência e o acolhimento des estudantes”. Por fim, a Secretaria de Infraestrutura visa a limpeza e manutenção do espaço físico, em continuidade ao processo de revitalização.

Para isso, a gestão propôs uma associação denominada “Núcleo de Infraestrutura e Cultura” (NIC), que prevê a participação direta de estudantes na intervenção do espaço físico e sugere um núcleo independente quanto à autogestão. Ainda assim, o documento declara obrigatória a presença do secretário de Infraestrutura nas reuniões e no alinhamento de eventuais projetos de ação.

Das oito propostas apresentadas pela chapa durante as eleições, destacam-se o compromisso de continuar os “aulões” para alunos bolsistas no início dos semestres e a equalização dos valores das Bolsas CEPE e CNPq, referentes à iniciação científica oferecida pela mantenedora da PUC-SP. A gestão ainda esclarece as pautas centrais a serem trabalhadas nos próximos meses, como a dialogação com coletivos (Libertas, Da Ponte Pra Cá e Saravá), Ligas Acadêmicas, Atlética, Empresa Jr. e outras entidades para além do curso de Psicologia.

 

Gestão Bispo do Rosário (2023-2024)

Presidente: André Sanches Montemor Augusto

Vice-presidente: Isabella Helena Rocha

Tesoureiro: Victor Alves Toscano

Secretária de Comunicação: Isabella Villar Oliveira

Secretárias de Eventos: Nádia Uana e Flávia Rocha Banyan

Secretário de Infraestrutura: Saulo Sirota Palma

A terceira edição da convenção nerd das favelas aconteceu no mês de julho
por
Marina Laurentino Mendonça
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03/08/2023 - 12h

No último domingo (30), ocorreu a terceira edição do Perifacon, a convenção nerd voltada para as pessoas da periferia de São Paulo.

O evento que dá visibilidade para as pautas e artistas das favelas do país contou com a colaboração de grandes marcas, como: Warner, Netflix, Ambev Tech, UNICEF, iFood, Kwai, BibliON, Agência Mural, Shopee, Museu das Favelas e Letraria Cultural.
 

Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Marina Laurentino
Foto: Thainara Sabrine
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O grupo age durante as noites no centro da capital paulista a fim de ajudar as pessoas que necessitam
por
Melissa Mariano Joanini
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19/06/2023 - 12h

 

O Bem da Madrugada atua na região central da cidade de São Paulo, pela Sé, Viaduto do Chá e o Pateo do Collegio. Entre os voluntários estão estudantes de medicina, enfermagem, medicina veterinária, direito, odontologia, psicologia e jornalismo. Eles também distribuem ração para os animais, fornecem alimentação para as pessoas e serviços de barbearia. 

 

Melissa 1
Atendimento psicológico para pessoas vulneráveis. Autor: Melissa Joanini

 

Melissa 2
Movimentação durante a ação do Bem da Madrugada. Autor: Melissa Joanini
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Melissa 3
Retrato de Arthur, um dos assistenciados. Autor: Melissa Joanini

 

Melissa 4
Jovens após receber assistência médica e alimentícia. Autor: Melissa Joanini

 

Melissa 5
Momento de risadas durante atendimento de psicólogos. Autor: Melissa Joanini

 

Melissa 6
Aguardando corte de cabelo e barba. Autor: Melissa Joanini

 

Melissa 7
Atendimento de barbearia para pessoas vulneráveis. Autor: Melissa Joanini

 

Melissa 8
Seu João após cabelo e barba feitos. Autor: Melissa Joanini

 

MST oferece a 4a. edição nacional da feira agrária em SP, no Parque da Água Branca
por
Amanda Furniel
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19/06/2023 - 12h

No último mês de maio, do dia 11 ao dia 14, o Parque da Água Branca recebeu a quarta edição da Feira Nacional da Reforma Agrária. A feira contou com produtores do MST de todo o Brasil, com uma imensa diversidade de alimentos, produtos artesanais, especiarias e muito mais. O evento atraiu um público de todas as idades, desde bebês de colo até idosos vestindo orgulhosamente suas camisas do MST. 

Amanda 1
Brincos artesanais que estavam a venda na feira. Autora: Amanda Furniel
Amanda 1
Cadernos artesanais que estavam a venda na feira, a maioria deles eram estampados com mensagens de resistência. Autora: Amanda Furniel 
Amanda 1
Produtores do MST, vendendo suas especiarias e produções. Autora: Amanda Furniel 
Amanda 1
Área de venda de plantas e cultivo. Autora: Amanda Furniel 
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Boné gigante do MST que estava ornamentando a feira. Autora: Amanda Furniel
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Bonés do MST que estavam a venda e uma parte do grande público que compareceu ao evento. Autora: Amanda Furniel 
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Público do evento, com destaque para a camisa com uma mensagem sobre a reforma agrária de um dos visitantes. Autora: Amanda Furniel  

 

A quarta feira promovida pelo MST na capital paulista
por
Felipe Assis Pereira da Silva
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19/06/2023 - 12h

Com a ideia de apresentar os produtos produzidos pelos assentamentos dos membros do MST, a feira da reforma agrária é fundamental para que mais pessoas possam conhecer o trabalho do movimento, junto com suas ideias sobre a reforma agrária no Brasil, principal bandeira do grupo. O evento foi carregado pela movimentação de pessoas, vindo e vindo, carregando o nome e dando visibilidade para um dos mais importantes e atuantes movimentos sociais das ultimas décadas. 

 

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A abundancia de alimentos produzidos pelo MST. Autor: Felipe Assis 

 

 

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Grande movimento de pessoas comprando alimentos, enchendo os corredores da feira. Autor: Felipe Assis 

 

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Pessoas passeando pelo evento. Autor: Felipe Assis

 

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Membros da organização da feira. Autor: Felipe Assis

 

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 Corredor de plantas que foram comercializadas na feira. Autor: Felipe Assis