Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
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Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

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Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

givenchy
Foto/Divulgação: Givenchy

 

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De recortes dramáticos a tons pasteis clássicos, os desfiles revelam nova era de inovação e expressão, desafiando convenções e celebrando a criatividade
por
Beatriz Vasconcelos e Clara Maia
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04/10/2024 - 12h

No dia 1º de outubro, a Semana de Moda de Paris encerrou sua temporada Primavera/Verão 2025 com os desfiles de grandes nomes como Chanel, Miu Miu e Louis Vuitton. O evento, que teve início no dia 23 de setembro, é conhecido por antecipar as principais tendências que vão influenciar o mercado nas próximas estações.

Chanel

A Chanel trouxe uma coleção com uma atmosfera que evocava o tema da liberdade, refletido em sua cenografia com grades, gaiolas e pássaros. A inspiração veio de uma famosa citação de Gabrielle Coco Chanel sobre a busca por autonomia: “Sempre quiseram me prender em gaiolas, com promessas e luxos. No entanto, eu só desejava a liberdade da gaiola que eu mesma criasse”, dizia o cartão que acompanhava o desfile.

Uma grande gaiola foi posicionada no centro do Grand Palais, local icônico dos desfiles da marca, que voltou a receber eventos após uma reforma de 30 milhões de euros, financiada pela própria maison. Com sua estrutura de aço e vidro, o edifício em si funcionava como uma metáfora de jaula, algo que talvez a própria Chanel tivesse interesse em criar e habitar.

Chanel primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Chanel primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

Com a saída da diretora criativa Virginie Viard em junho, a coleção foi desenvolvida inteiramente pela equipe da marca. Peças clássicas de tweed dominaram a passarela, mantendo as características tradicionais da grife. A coleção adotou uma abordagem mais comercial, destacando o domínio da marca na criação de produtos de alta qualidade. Elementos como plumas, tons de azul, tecidos leves, transparências e brilhos foram combinados com itens casuais, como o jeans, para definir o estilo do verão de 2025.

Miu Miu

Sob o comando de Miuccia Prada, a Miu Miu continua a surpreender e se manter em alta. Para o verão de 2025, a marca apostou em uma fusão de estilos, apresentando uma coleção colorida e maximalista. Elementos boho, como cintos metálicos, foram misturados com peças mais tradicionais, como casacos no estilo colegial.

Conhecida por ressuscitar a tendência das saias curtas nas últimas coleções, desta vez a marca inovou ao trazer peças longas e midi, provando mais uma vez a versatilidade de Miuccia. Maiôs, vestidos volumosos, estampas florais e geométricas, óculos arredondados e bolsas práticas compuseram o visual ousado e moderno da marca para a nova temporada.

Outro grande destaque do desfile se dá pela presença de grandes celebridades na passarela, entre elas Hilary Swank, Cara Delevigne e principalmente Willem Dafoe. Não é a primeira vez que o ator ousou na passarela, já que em 2012 participou do desfile histórico de primavera Prada. “É muito divertido…é como estar atuando em um novo personagem” declara Dafoe para a Vogue, momentos depois de desfilar.

Willem Dafoe e Cara Delevigne para Miu Miu primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Willem Dafoe e Cara Delevigne para Miu Miu primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

O cenário do show foi marcado por uma instalação artística da polonesa Goshka Macuga, que recriou uma gráfica de um jornal fictício, o "The Truthless Times". A escolha provocativa convidava o público a refletir sobre a enxurrada de informações não verificadas e conteúdo enganoso amplamente disseminado nas redes sociais. Assim como a coleção da Prada, que também explorou o tema da sobrecarga de informações, a Miu Miu propôs uma abordagem que ultrapassa o universo das roupas, incentivando uma perspectiva crítica e a autonomia no pensamento – conceitos que também estavam presentes nas peças exibidas.

 

 

Louis Vuitton

A Louis Vuitton desfilou sua coleção no icônico Louvre, com uma passarela adornada por baús e malas de viagem. A coleção, assinada por Nicolas Ghesquière, deu continuidade à estética apresentada no verão de 2024, mantendo a visão exploratória da marca. A passarela, feita de baús de viagem, foi erguida diante dos convidados em um ambiente escuro. Ao fundo, "Louis Vuitton Paris" brilhava em LED. 

Listras em tons terrosos e avermelhados apareceram em tecidos fluidos que moldavam o corpo, ao lado de casacos com mangas bufantes e saias com brilho. Ghesquière também trouxe camisas oversized com estampas que remetem ao expressionismo, mantendo sua assinatura criativa ao combinar o clássico com o contemporâneo. As peças evocavam imagens históricas que iam desde trajes da Revolução Francesa até casacos militares dos anos 1940 e jaquetas esportivas dos anos 1980. Embora pareça uma combinação ousada, é exatamente o tipo de construção que o diretor criativo adora explorar.

Louis Vuitton primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Louis Vuitton primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

A distopia, nesta temporada, foi representada pelas obras do artista francês Laurent Grasso, cujas pinturas da série Studies into the Past (2009) foram reproduzidas nas camisas finais do desfile. Nessas paisagens a óleo, castelos e cavaleiros medievais aparecem ao lado de eclipses solares e outros fenômenos da natureza.

Na primeira fileira estavam reunidos os amigos principais embaixadores da marca, entre eles a nossa medalhista olímpica, Raíssa Leal. A lista se estende com nomes importantes, como Zendaya, Jaden Smith, Chloe Moretz, Cate Blanchett, entre outros.

Raissa Leal no desfile da Louis Vuitton - Crédito: Divulgação
Raissa Leal no desfile da Louis Vuitton - Crédito: Divulgação

Coperni

A Coperni encerrou a Semana de Moda de Paris de maneira inesquecível, levando o público ao icônico parque temático da Disney para apresentar sua coleção. O desfile aconteceu em meio à magia da Disneyland Paris, onde a marca já havia criado burburinho anteriormente com o seu sapato que remete às famosas orelhas do Mickey. Essa conxão entre a moda e o universo lúdico do parque trouxe um toque de fantasia ao evento, criando uma atmosfera única para a exibição das peças.

A coleção, marcada pela ousadia e inovação, refletiu o estilo futurista e divertido da Coperni. Modelos desfilaram com looks que combinam elegância com uma pegada tech, apresentando tecidos metálicos, cortes geométricos e acessórios inusitados que capturaram o espírito experimental da marca. O destaque ficou por conta de peças que misturam o tradicional com a fantasia, através de formas e materiais que proporcionaram a coleção remeter aos grandes heróis e vilões tão presentes no imaginário do público.

Kylie Jenner para Coperni primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação
Kylie Jenner para Coperni primavera/verão 2025 - Crédito: Divulgação

Com essa coleção primavera/verão e desfile em pleno parque da Disney, a Coperni elevou ainda mais o conceito de moda como espetáculo, transformando a passarela em um palco de encantamento e criatividade. A escolha do local, aliada à presença de personalidades influentes como Kylie Jenner, consolidou o desfile como um dos mais comentados da temporada, mostrando que a marca continua a desafiar as fronteiras entre moda, tecnologia e cultura pop.

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De Fendi a Max Mara, etiquetas icônicas exploraram transparências, minimalismo sensual e maximalismo boêmio, para encerrar a semana italiana desfiles
por
Nina Januzzi da Gloria
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02/10/2024 - 12h

No domingo  22 de setembro aconteceram os últimos desfiles presenciais do Milão Fashion Week, que apresentaram as coleções primavera/verão 2025. Durante o dia, algumas das maiores casas de moda do mundo caminharam  pelas passarelas,  apresentando momentos marcantes. Entre os principais destaques, estão: Fendi, Etro, Roberto Cavalli, Max Mara e Jil Sander. 

Fendi 

A marca homenageou em seu desfile os anos 1920 e a art déco A coleção explorou a leveza e o movimento, a partir de transparências com saias de organza e vestidos adornados com bordados, tecidos fluídos e cintos baixos, que realçam a cintura. Jones utilizou também uma paleta de cores neutras, como preto, cinza pérola e bege, que consolidaram a tendência da paleta serena para a primavera/verão 2025​. 

Foto: Getty images
 Vestido Fendi coleção primavera/verão 2025 Foto: Getty Images

O desfile mostra uma nova fase da Fendi, sob a liderança de Kim Jones, que assumiu a direção criativa da casa após Karl Lagerfeld. Sua visão tem misturado influências mais contemporâneas com tradições italianas.  A coleção também reforça o compromisso da grife com a excelência artesanal, mantendo a relevância da marca no cenário global. 

Kim Jones e Karl Lagerfeld
Kim Jones e Karl Lagerfeld   Foto: Page six

Etro 

Para a coleção primavera/verão 2025, o designer Marco de Vincenzo, abraçou o maximalismo em estampas florais paisley, crochê, lantejoulas coloridas e camadas ricas que refletiam a estética boêmia característica da grife. 

O desfile ainda contou com a trilha sonora da cantora Daniela Pes, que adicionou uma energia vibrante à apresentação, reforçando a extravagância das peças. Além disso, o uso de acessórios e camadas destacou a originalidade e ousadia da marca. 

Coleção Etro
Coleção boho da marca Etro Foto: Fashion Network

Max Mara

A grife italiana Max Mara trouxe uma nova perspectiva para o minimalismo moderno, trazendo um toque sensual e inesperado a suas peças sofisticadas. A coleção apresentada apostou em cortes minimalistas e detalhes ousados, como a cintura alta e camisas longas com fendas que revelavam lingerie preta. 

Mesmo as peças mais tradicionais da marca ganharam uma nova versão, com recortes estratégicos, que visavam reforçar a ideia de que o minimalismo também pode ser provocante. 

Max Mara desfile
Design da grife Max Mara para o Milão fashion week Foto: Fashion Network

Roberto Cavalli 

Fausto Puglisi, diretor criativo da marca, apresentou uma coleção que se destacou como um dos grandes momentos do dia. O designer explorou sua herança siciliana, a partir de peças que remetiam ao litoral mediterrâneo e à natureza. 

Os looks apresentaram uma profusão de plissados, penas e sequins, com vestidos esvoaçantes que pareciam capturar o movimento da água e do pôr do sol em suas estampas. As peças que mais se destacaram foram as em tons de areia e impressões aquareladas. A junção dessas características, deu à coleção um ar hipnotizante. 

Roberto Cavalli
Coleção primavera/verão 2025 da marca Roberto Cavalli Foto: Runway Magazines

Jil Sander

A marca, comandada por Lucie e Luke Meier, apresentou uma coleção surrealista, inspirada pelo trabalho do fotógrafo Greg Girard. As peças misturavam a simplicidade do cotidiano com toques sofisticados, a partir de vestidos volumosos com golas extravagantes e estampas de carros antigos, o que gerava a sensação de distorção intencional e desafiava o conceito de beleza tradicional. 

Essa combinação entre familiaridade misturada com um toque de estranheza, tornou o desfile um dos mais intrigantes do dia. 

Jil Sander estampa de carro
Design com estampa de carro Foto: Fashion Network 

 

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A quinta-feira na capital francesa é contemplada pelo olhar para o passado com inspiração de criação do futuro
por
Helena Costa Haddad
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30/09/2024 - 12h

CHLOÉ

A marca francesa, que iniciou o quarto dia da Semana de Moda de Paris, apresentou uma coleção digna da estação primaveril  e importada diretamente dos anos 70. Chemena Kamali, atual diretora criativa da Chloé, dialogou  com a última coleção de inverno e apostou fortemente na  renda, transparência e feminilidade, como características principais. O resultado foi uma coleção atrativa e quente, deixando  bem claro o verão se aproximando.

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network

Como uma forma de se integrar nas tendências, a grife inovou, de sua maneira, as famosas saias balonês, transformando-as em calças. Já os vestidos vão desde a leveza de tecidos fluídos e  esvoaçantes até os de comprimento mini - outra querida novidade. As cores claras, os caimentos despretensiosos e divertidos, o uso de laços adornando muitas peças e os acessórios nem um pouco discretos, construíram a soma de aspectos que resultaram em um desfile resposta a maior dúvida do mundo fashion atual: o boho está de volta? A Chloé confirma que sim.  

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network

MUGLER

Personalidade. Essa seria a palavra que muitos usariam para definir a irreverente etiqueta francesa mugler. Shapes afiados e vilanescos,cores escuras e os penteados assimétricos, fizeram da nova coleção um espetáculo de  impressionar ao atravessar a  passarela. A artisticidade visionária da Mugler nunca decepciona os admiradores. 

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network

Uma coleção que literalmente marca. Os cortes das roupas deram ênfase à estrutura dos modelos, definindo  cintura , quadris e ombros. Mas, ainda se tratando de  uma coleção primavera/verão, e apesar de sempre fugir do óbvio, o diretor criativo Casey Cadwallader referenciou jardins, não só no cenário, mas também nas roupas. A pétala se transforma em uma blusa estruturada, com camadas, e as caudas contornadas remetem ludicamente à flora. O uso de pérolas, principalmente nos sapatos, também marcam o desfile. 

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network

SCHIAPARELLI 

A nova coleção "Future Vintage" aterrissou em Paris  completa  de corsets, blazers, listras e, claro, o jeans. O uso da malharia e da alfaiataria foram impecáveis. A cartela de cores e o uso de brilho parecem ter saído direto de uma pintura.  Os sapatos foram um toque a mais. Mules surrealistas aparecem em degradês e em tons metálicos, Daniel Roseberry brinca com o formato de pés, já muito usado e conhecido na marca. Além dos famosos acessórios dourados da couture, que finalizam os looks lindamente.

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Charlotte Stouvenot. Reprodução: Instagram

Um verão sexy, define bem a coleção, muita silhueta marcada e pele à mostra. Os ombros arredondados dos blazers, o jeans finíssimo. A mistura do casual e a vibe praiana, que funcionam muito bem. 

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network

Daniel Roseberry diz que sua proposta como diretor criativo era montar looks não apenas para as atuais clientes, mas também para suas filhas e netas, e daí o nome da coleção. O diretor criativo segue fazendo história e honrando o nome de Elsa Schiaparelli. Uma coleção inovadora. 

Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network
Foto: Launchmetrics/spotlight. Reprodução: Fashion Network




 

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A supermodelo brasileira volta de maneira triunfal na passarela da Schiaparelli, para Paris Fashion Week
por
Kiara Elias
|
29/09/2024 - 12h

Desde o dia 23 de setembro,  a indústria da moda está com toda sua atenção voltada  para a cidade da luz, onde ocorre mais uma edição da Paris Fashion Week, a semana mais importante da moda mundial. Na quinta-feira (26), durante o desfile da Schiaparelli, quem concentrou todos os olhares foi a top model brasileira Adriana Lima, que retornou às passarelas após anos afastada dos desfiles. 

 

Nascida em Salvador, ela iniciou sua carreira aos 15 anos ao participar pela primeira vez do concurso de modelos "Supermodel of Brazil", organizado pela Ford Models, e vencê-lo. Esse êxito inicial a levou a competir no concurso internacional "Supermodel of the World", onde ficou em segundo lugar. Esse foi o início de sua carreira meteórica. Pouco tempo depois, Adriana mudou-se para Nova York e assinou contrato com a Elite Model Management. Desfilando para grifes renomadas como Versace, Christian Dior e Givenchy, rapidamente se estabeleceu no cenário internacional.

 

Porém, foi como uma das "Angels" da Victoria’s Secret que Adriana Lima se tornou mundialmente conhecida. Sua história com a marca iniciou em 1999, quando a jovem modelo tinha apenas 18 anos e, em 2000, foi promovida a "Angel" - um título de prestígio, reservado para os principais rostos  da icônica etiqueta  de lingerie. Adriana se destacou no Victoria's Secret Fashion Show por quase vinte anos, sendo uma das modelos que mais desfilou para a grife. Sua despedida oficial do evento, em 2018, marcou o fim de uma era de forma emocionante.

 

Modelo Adriana Lima desfilando para a Schiaparelli durante a Paris Fashion Week
Adriana Lima na passarela da Schiaparelli. Foto: REPRODUÇÃO/ Instagram Schiaparelli 

 

Em seu retorno, ao lado de Caroline Trentini, outro grande nome brasileira na indústria, a modelo desfilou para a italiana  Schiaparelli, comandada por Daniel Roseberry.  Modelando um vestido branco com estampa quadriculada, aberto na frente e com a cintura bem marcada por uma estrutura do mesmo tecido, remetendo a estética de  um corset, Adriana provou porque seu nome é um dos maiores da história das passarelas  Nas redes sociais os apreciadores de moda vibraram com seu retorno e a encheram de elogios. 

 

Vale lembrar que no ano passado, após posar com a família na pré-estreia do filme Jogos Vorazes - A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, Adriana recebeu uma enxurrada de comentários negativos sobre sua aparência por um suposto excesso de procedimentos estéticos.

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Etiquetas que desfilaram permaneceram fieis aos seu DNAs identitários
por
Liz Ortiz Fratucci
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27/09/2024 - 12h

 Na última quarta-feira (25/09), aconteceu o terceiro dia da Paris Fashion Week feminina e o destaques foram as marcas: Courrèges, Germanier e Dries Van Noten, que apresentaram desfiles marcantes e leais  às suas personalidades únicas.

 

 

Courrèges

 

O diretor criativo da Courrèges, Nicolas Di Felice, apresentou uma coleção inspirada nos ciclos e nas repetições, mas ainda capaz de manter o interesse pela coleção elevado. O designer continuou a seguir os códigos retrô-futuristas dos anos 60, estabelecidos pela marca fundada por André Courrèges, brincando com as silhuetas geométricas que fazem parte do DNA desde 1961.

Nesta temporada, Nicolas apresentou mais uma coleção no cenário característico de suas últimas apresentações: o cubo branco. Desta vez, no centro do salão, foi adicionada uma instalação de arte oriunda  da colaboração com os artistas finlandeses Tommi Grönlund e Petteri Nisunen.

A coleção apresentou uma paleta de cores reduzida, com muitos tops minúsculos, vestidos com recortes limpos e detalhes subversivos nas cores preto, branco, cinza e azul escuro. O styling incluiu novamente nessa temporada os óculos de armações grandes.  A novidade ficou com  os saltos de bico aberto que apareceram na maioria dos looks e pareciam fazer parte das calças leggings que saíam por baixo das saias das modelos.

Desfile Courreges
Reprodução: Vogue Runway
Desfile Courreges
Reprodução: Vogue Runway

 

Germanier

 

A coleção de primavera/verão apresentada na última quarta-feira (25/09) por Kevin Germanier foi inspirada no zodíaco e recebeu o nome “Les Désastreuses”, que significa desastre em francês. Nesta temporada, o designer trouxe o casamento entre o caos e a beleza dos astros, criando looks extremamente maximalistas e opulentos, com o uso de materiais descartados da indústria da moda.

Um dos fatores mais interessantes do desfile foi a participação de designers emergentes de outros países que colaboraram com ele nesta coleção. Entre eles, Gustavo Silvestre, brasileiro criador do Projeto Ponto Firme,  proposta também  ligada a questões sustentáveis e, de maneira semelhante à de Kevin, trabalha com cores e texturas. Desde 2023, os dois firmaram uma união criativa. Além da participação de Gustavo em mais de uma dúzia de looks, a marca brasileira Havaianas colaborou com a Germanier , oferecendo seus chinelos — sinônimo de brasilidade — para a criação de um look inteiro composto  apenas pelos calçados brasileiros.

Em 2024, no contexto climático mundial em que vivemos, Kevin Germanier mostrou as possibilidades da moda sustentável e como ela pode ser excêntrica e divertida, sem ser necessariamente uma das maiores indústrias poluentes do mundo, como é atualmente.

Modelo com vestido feito de Havaianas no desfile da Germanier
Reprodução: Instagram
Modelo no desfile da Germanier
Reprodução: Instagram

Dries Van Noten

 

Em junho deste ano, o designer homônimo da marca anunciou que a temporada masculina de verão 2025 seria sua última coleção, assim, posteriormente, se aposentando do posto de diretor criativo. Nesta quarta-feira (25/09), ocorreu o desfile de verão feminino da grife, assinado pela equipe de estilo, já que ainda não foi nomeado um substituto para o cargo. Ainda assim, com o papel de conselheiro da marca,o ex-diretor criativo aprovou cada um dos 60 looks desfilados.

 

A coleção refletiu uma homenagem à trajetória do designer, revisitando elementos que definiram seu trabalho ao longo dos anos, como a mistura de estampas vibrantes, a alfaiataria descontraída, e o uso criativo de bordados. Ao pesquisar nos arquivos da marca, a equipe buscou inspiração no inverno de 1977, que combinava códigos da moda oriental e ocidental. 

 

 Embora recorrer a recriação do arquivo da marca tenha se tornado uma estratégia um pouco desgastada na moda, a grife consegue usar essa abordagem com frescor, evitando que suas criações pareçam previsíveis. O futuro da marca parece promissor.

Modelo no desfile da Dries Van Noten
Foto: Alessandro Lucioni. Reprodução: Vogue Runaway
Modelo no desfile da Dries Van Noten
Foto: Alessandro Lucioni. Reprodução: Vogue Runaway

 

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