Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
por
Sophia Coccetrone
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28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
por
João Luiz Freitas
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22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

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Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
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17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

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Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
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16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

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Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
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Livia Vilela
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17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

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Em meio a pressão financeira, grupo Kering nomeia ex-estilista da Balenciaga
por
Gabriela Jacometto
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17/03/2025 - 12h

 

 À frente da Balenciaga desde 2015, Demna Gvasalia redefiniu os códigos do luxo contemporâneo ao combinar elementos da cultura de rua com a alta-costura. Durante sua gestão, a marca italiana de streetwear experimentou um crescimento expressivo, com número de  vendas quadruplicando nos primeiros cinco anos e superando €1,5 bilhão em 2021.

   Foi com essa abordagem de sucesso em mente que o grupo Kering, nesta quinta-feira (13), anunciou, através de comunicado vinculado em suas redes, o  estilista como o novo diretor criativo da Gucci

  Com essa mudança, a Gucci busca reverter a queda de 23% nas vendas registrada em 2024 e retomar sua relevância cultural, assim como retomar o processo de  crescimento sustentável. 

 O CEO da Kering, François-Henri Pinault, destacou que a criatividade de Demna é exatamente o que a marca precisa neste momento. O designer é consagrado em meio a indústria fashion por dominar a arte de colisão entre luxo, cultura urbana e questões político-sociais da atualidade.  Com esse movimento, fica claro a intenção do grupo de diretores: Demna deverá transformar a Gucci, novamente, em um epicentro de tendências culturais, assim como fez com sua antiga casa.  

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Alessandro Michelle, ex-diretor criativo da Gucci e Demna. Imagem: Getty Images

 

 Em nota oficial, o estilista declarou estar entusiasmado com o novo desafio e ressaltou a honra de contribuir para uma maison que sempre respeitou e admirou. Sua despedida da Balenciaga acontecerá no desfile de Alta-Costura de Paris, em julho deste ano, antes de assumir oficialmente seu novo posto na Gucci.

 

 Essa transição estratégica faz parte dos planos da Kering para revitalizar a Gucci, sinônimo de excelência e tradição do mercado de moda, apostando na visão singular de Demna para renovar a identidade da icônica marca italiana.  

HISTÓRIA DE DEMNA

Nascido em 25 de março de 1981 em Sukhumi, na Geórgia, Demna Gvasalia se tornou um dos estilistas mais influentes da atualidade. 

 Sua trajetória foi marcada pelo deslocamento forçado durante a Guerra Vivil Georgiana (1991-1993), que levou sua família a buscar refúgio em países como Ucrânia e Rússia, antes de se estabelecer definitivamente em Düsseldorf, na Alemanha, no ano 2000.

 Antes de ingressar no universo da moda, Gvasalia iniciou seus estudos em economia internacional na Universidade Estatal de Tbilisi. No entanto, sua verdadeira vocação o levou à Bélgica, onde concluiu, em 2006, um mestrado em Design de Moda na prestigiada Academia Real de Belas Artes de Antuérpia.Sua carreira teve início no mesmo ano, quando passou a colaborar com o estilista Walter Van Beirendonck em coleções masculinas. 

Logo em 2009, foi contratado pela Maison Martin Margiela para liderar as coleções femininas. Cargo que ocupou até 2012. Depois, assumiu o posto de designer sênior de prêt-à-porter feminino na Louis Vuitton, onde trabalhou sob a direção de Marc Jacobs e, posteriormente, de Nicolas Ghesquière.

 O grande salto veio em 2014, quando fundou a Vetements, ao lado de seu irmão, Guram Gvasalia. A marca rapidamente se destacou por sua abordagem disruptiva e sua crítica às normas tradicionais da indústria. 

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Desfile VETMENTS S/S 2015. Imagem: Vogue Runway

 

 No mesmo ano, sua primeira coleção feminina foi apresentada na Semana de Moda de Paris e, em pouco tempo, a Vetements já figurava entre os indicados ao Prêmio LVMH para Jovens Designers de Moda.

O reconhecimento crescente levou Demna a assumir, em 2015, a direção criativa da Balenciaga, substituindo Alexander Wang. Desde então, ele tem redefinido a identidade da grife, consolidando seu nome como um dos mais inovadores e polêmicos da moda contemporânea.

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Ib Kamara, diretor criativo da marca, trouxe armadura futuristas para o centro político de Paris
por
João Luiz Freitas Souza
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13/03/2025 - 12h

A nova coleção da marca de streetwear italiana foi desfilada na quinta-feira passada (06), no Espaço Niemeyer, em Paris. A escolha do local foi milimetricamente pensada: o edifício em questão, construído entre o final dos anos 60 e o começo dos anos 80, foi a sede do Partido Comunista Francês. O formato da locação e os detalhes modernistas do arquiteto brasileiro criam uma atmosfera semelhante a um filme de ficção científica.

O nome da coleção é “State of Resistance” (Estado de Resistência) e para simbolizar essa ideia a maior parcela das peças desfiladas emanava a ideia de “armadura do futuro”. Elementos de roupas militares e estudantis são conciliados a detalhes de proteção, usualmente usados nos trajes de motociclismo e snowboarding. Com uma paleta de cores bem restrita, os tons sóbrios, como preto, branco e vermelho, foram evidenciados. Ombreiras marcantes, joelheiras, cotoveleiras, capuzes e bolsos estiveram fortemente presentes.

Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26
Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Apesar  de uma parte da coleção possuir estética semelhante a de figurinos cinematográficos, o prêt-à-porter não ficou de fora, e o público presente pode apreciar (ou até mesmo desejar) peças mais rotineiras, como vestidos justos e  assimétricos, e agasalhos de outwear — honrando a tradição despojada de seu criador e fundador Virgil Abloh.

Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26
Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Para representar um vestuário passível a um futuro sombrio, Kamara trouxe calças estruturadas, combinadas a  camisas de alfaiataria, acessorizadas apenas com uma gravata estampada de pássaros. Uma outra referência que busca retomar o espírito streetwear da marca fundada em 2013, é o detalhe gráfico da letra “V”, que estava presente em algumas peças, como aquelas remetentes ao motociclismo.

Após o encerramento do desfile, ficou evidente que a mensagem principal da coleção é a importância do debate em relação às dificuldades climáticas e políticas atuais.

Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26
Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

 

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Há quase 3 décadas em comando da marca de seu irmão, Gianni Versace, Donatella deixa oficialmente o cargo de diretora criativa
por
Helena Costa Haddad
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13/03/2025 - 12h

Nos bastidores da última Semana de Moda de Milão, rumores pairavam sobre a aposentadoria de Donatella e da venda da Versace para o grupo Prada. Na última coleção, a diretora referenciou diferentes eras da marca e um ar nostálgico tomou conta da passarela. Nesta quinta-feira (13), o anúncio de Dario Vitale, ex-diretor de design da Miu Miu, como novo diretor criativo, substituindo a famosa herdeira, repercutiu como surpresa na mídia especializada e aqueceu, ainda mais, os rumores da venda da casa. 

donatella
Foto: Mert Alas & Marcus Piggott. Reprodução: Versace/X

Donatella assumiu o comando da tradicional grife italiana  após a trágica morte de seu irmão, Gianni Versace - criador e idealizador do império homônimo. Desde então, a designer de formação implementou sua marca coleção após coleção, sem deixar de homenagear continuamente o legado de Gianni.

Após 28 anos sob comando, Donatella cativa o público consumidor por sua capacidade de manter a marca divertida e relevante no mundo fashion, honrando, ao mesmo tempo, a estética característica e sensual deixada por seu irmão, como as necessidades e vontades da juventude atual.

 A saída de Donatella é triste. Uma mulher empoderada e glamurosa que marcou a cultura pop com seu legado. Agora, como embaixadora chefe, ela será encarregada da parte filantrópica, além de cuidar da marca globalmente. 

Em anúncio no Instagram realçou seu comprometimento em defender a próxima geração de designers. “Estou emocionada que Dario Vitale se juntará a nós e ansiosa para ver a Versace com novos olhos. Quero agradecer à minha incrível equipe de design e a todos os funcionários da Versace com quem tive o privilégio de trabalhar por mais de três décadas.” , afirmou a empresária. 

Novos ares

Dario Vitale, agora novo diretor criativo da Versace, pode não ser midiaticamente conhecido, principalmente quando comparado com sua antecessora. Mas, apesar de ficar longe dos holofotes, o designer, também italiano, tem uma história extensa no mundo da moda. 

Vitale se formou em 2006 pelo Instituto Marangoni e chegou a trabalhar na Bottega Veneta e Dsquared2. Em 2010, ele entra para a Miu Miu e se consolida na marca - vale ressaltar que tal marca que o consagrou, é o atual principal braço de vendas do grupo Prada, possível comprador da Versace.  

Ele é reconhecido pelo trabalho brilhante de manter a imagem da Miu Miu relevante, mesmo com uma crise de vendas no mercado de luxo. 

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Foto: Stef Mitchell. Reprodução: Versace/X

Mas, agora, o que será que podemos esperar dessa nova era da Versace? Talento e competência, a MiuMiu, sob comando na área de ready to wear, e seu sucesso astronômico, são a maior prova a favor de Vitale. Mas será que ele vai trazer o mesmo sucesso para a marca italiana tão tradicionalmente familiar? 

Afinal, o quão difícil será chegar ao mesmo patamar da arte que corre nas veias e está impregnada no DNA Versace?

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Para além de Fernanda Torres e Ariana Grande, o tapete vermelho da noite de gala do cinema foi protagonizado por nomes da alta-costura, como Chanel e Schiaparelli
por
João Luiz Freitas Souza
Beatriz Manocchio
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11/03/2025 - 12h

No primeiro domingo de março (02), aconteceu em Los Angeles a edição de número 97 do Oscar. Enquanto o restante do mundo aguardava ansiosamente pelas premiações, a indústria midiática da moda efervescia com os looks desfilados pelo tapete vermelho no início da noite. 

De Loewe a Armani Privè, separamos os visuais mais relevantes que estiveram presentes nesta, que além de sua grande magnitude para o cenário cinematográfico internacional, também apresenta uma grande relevância para o mundo da moda.

Bruna Marquezine

Bruna Marquezine na premiação Oscar 2025
Bruna Marquezine na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

A atriz brasileira Bruna Marquezine esteve presente na premiação por intermédio de um convite pessoal realizado pela própria Academia do Oscar. Para o evento, ela optou por um vestido sob medida do Atelier Versace, inspirado na coleção de alta-costura Primavera/Verão 2001 da grife. A peça, de cor branca, era longa e bem modelada ao seu corpo. Para acompanhar o visual, um scarpin da marca Giuseppe Zanotti. O penteado estilo Old Hollywood foi a opção pensada para a ocasião, executado pela hairstylist Danielle Priano, responsável pelos cabelos de estrelas como Hailey Bieber e Demi Lovato.

Bruna Marquezine na premiação Oscar 2025
Bruna Marquezine na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

Para a beleza, a beauty artist Diane Buzzetta quis trazer um ar mais natural, com cílios mais alongados, bochechas levemente rosadas e um batom de tom nude. 

Lily-Rose Depp

Lily-Rose Depp na premiação Oscar 2025
Lily-Rose Depp na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

A estrela de “Nosferatu”, Lily-Rose Depp, trouxe a história da moda para o tapete do Oscar: aos olhos menos treinados, o vestido aparenta ser apenas um look inspirado em uma peça da coleção de Primavera de 1995 da Chanel. Mas, especialistas de plantão captaram a maior referência por trás do modelo: a renda trabalhada por toda a extensão do vestido é a mesma que Marilyn Monroe usou em 1953 para a premiére do filme “Como casar com um milionário”. 

O peso de estar cheio de história, foi cobrado nas 515 horas de trabalho que o vestido de Lily precisou para ser finalizado, além de ter sido usado aproximadamente 191,000 elementos para o decorar.

Marilyn Monroe para a premiere de “How to Marry a Millionaire”
Marilyn Monroe para a premiere de “How to Marry a Millionaire” - Foto: Darlene Hammond por Getty Images

Para complementar o look, a beauty artist Nina Park quis recriar um estilo recorrente para a atriz: uma pele leve, com um aspecto bem contornado, corada nas bochechas, olhos com uma sombra neutra esfumada e um delineado sutil. E no cabelo, o hairstylist Bryce Scarlett optou por um penteado que também remete a uma aparência de Old Hollywood.


Na acessorização, Lily desfilou alta joalheria da Chanel, incluindo o colar Motif Russe e um bracelete feito com ouro branco 18 quilates e diamantes.

Lily-Rose Depp na premiação Oscar 2025
Lily-Rose Depp na premiação Oscar 2025 - Foto: Equipe de editorial do The Fashionography

Margaret Qualley

Margaret Qualley na premiação Oscar 2025
Margaret Qualley na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

O vestido escolhido por Margaret Qualley para a noite especial também refere aos mesmos conceitos dos dois looks descritos previamente, combinando clássico de Hollywood e a marca Chanel. Inspirado em em uma coleção de Primavera/Verão de 2005 da marca, o vestido preto de veludo apresenta um formato de gola que valoriza os ombros e em casamento com seu toque moderadamente acentuado, deixa o drama do vestido evidenciado quando se olha a parte de trás, onde um corte profundo em formato V evidencia sensualidade. 


As costas nuas da atriz, foram adornadas por um colar alta joalheria da Chanel, o Motif Russe. Além do colar, a atriz usou outros acessórios da marca, todas essas joias produzidas em ouro branco 18 quilates e com diamantes.

Detalhes da roupa de Margaret Qualley para o Oscar 2025
Detalhes da roupa de Margaret Qualley para o Oscar 2025 - Foto: Tony Wilson

O maquiador oficial da Chanel US, Tyron Machhausen, optou por usar na atriz um batom vermelho brilhante - mais um clássico hollywoodiano. E para penteado, a hairstylist Anna Cofone, desenvolveu um coque diferente com uma inspiração na cultura parisiense e na atriz Audrey Hepburn.

Margaret Qualley na premiação Oscar 2025
Margaret Qualley na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

Timothée Chalamet

Timothée Chalamet na premiação Oscar 2025
Timothée Chalamet na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

Saindo um pouco do convencional, o ator Timothée Chalamet escolheu um terno amarelo manteiga. Para completar, um par de mocassins pretos da Chrome Hearts. O look completo da estrela de Duna foi orquestrado pela stylist Taylor McNeil. A relação dos dois tem sido duradoura e produtiva tendo em vista que Taylor o acompanhou durante toda a temporada de premiações e durante a turnê promocional de seu próximo lançamento, o filme biográfico de Bob Dylan, “A Complete Unknown”.

Timothée Chalamet na premiação Oscar 2025
Timothée Chalamet na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

Ariana Grande

Ariana Grande na premiação Oscar 2025, vestindo Schiaparelli
Ariana Grande na premiação Oscar 2025, vestindo Schiaparelli - Foto: Getty Images

Com a sua primeira indicação para receber a estatueta, a também estrela do pop e agora protagonista de "Wicked", Ariana Grande, fez sua estreia no tapete vermelho do Prêmio da Academia, vestindo um modelo Schiaparelli da coleção de Primavera de 2025. Em um tom rosa claro, o visual escolhido por Mimi Cuttrell, é composto por um corpete estruturado em cetim e salientado por uma saia feita em tule. Daniel Roseberry, designer da peça, se inspirou em uma luminária desenhada pelo escultor Alberto Giacometti.

Maquiagem de Ariana Grande na premiação OScar 2025
Maquiagem de Ariana Grande na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

Para cabelo e maquiagem, Grande apostou no simples: um coque alto e uma maquiagem suave, com lábios brilhantes e olhos rosados no mesmo tom do vestido.

Ariana Grande no vestido Schiaparelli que usou para realizar a apresentação de abertura do Oscar 2025
Ariana Grande no vestido Schiaparelli que usou para realizar a apresentação de abertura do Oscar 2025 - Foto: Katia Temkin no Instagram

E se como só um look incrível não fosse o suficiente, a cantora também chamou a atenção pela peça escolhida para realizar a apresentação de abertura da premiação: mais um Schiaparelli, dessa vez tomara-que-caia, bordado com mais de 150 mil lantejoulas, contas e cristais Swarovski vermelhos. 

O vestido fazia referência aos icônicos sapatinhos de rubi de Dorothy, personagem de O Mágico de Oz. Isso fica claro quando Ariana vira de lado e é possível ver, nas suas costas, o desenho de um saltinho de sapato.

Cynthia Erivo

Cynthia Erivo na premiação Oscar 2025, vestindo Louis Vuitton
Cynthia Erivo na premiação Oscar 2025, vestindo Louis Vuitton - Foto: Getty Images

Indicada para a categoria de Melhor Atriz, Cynthia Erivo, parceira de Ariana Grande no protagonismo de “Wicked", desfilou no tapete vermelho com um vestido Louis Vuitton feito sob medida. A peça em veludo, transluz entre o verde e o preto, de forma a criar conexão  com sua personagem na produção, Elphaba. 

Detalhes de maquiagem, acessórios e unhas de Cynthia Erivo na premiação Oscar 2025
Detalhes de maquiagem, acessórios e unhas de Cynthia Erivo na premiação Oscar 2025 - Fotos: Getty Images

Para combinar, Cynthia não economizou nos acessórios, a maioria em prata, e, como sempre, deu um show com suas unhas grandes e mega trabalhadas.

Demi Moore

Demi Moore na premiação Oscar 2025, vestindo Armani Privé
Demi Moore na premiação Oscar 2025, vestindo Armani Privé - Foto: Getty Images

Em sua primeira vez como indicada para os prêmios da Academia, Demi Moore entra no tapete vermelho em um vestido sereia Armani Privé. A peça conta com um decote acentuado e um plissado no quadril, além de ser completamente bordada com cristais e lantejoulas.

Fernada Torres

Fernanda Torres na premiação OScar 2025, vestindo Chanel
Fernanda Torres na premiação Oscar 2025, vestindo Chanel - Foto: Getty Images

Finalmente chegamos nela, quem tinha nossa torcida! Em sua estreia na premiação, Fernanda Torres usou um vestido alta-costura Chanel, confirmando a relação de amor que a atriz e a grife vinham criando nessa temporada de premiações. 

O modelo escolhido foi um vestido longo apresentado no desfile da marca na última Semana de Alta-Costura de Paris - onde a atriz estava presente na plateia. A peça traz a elegância a qual Fernanda habitou os olhos do público durante toda a campanha de “Ainda Estou Aqui”.

Maquiagem de Fernanda Torres na premiação Oscar 2025
Maquiagem de Fernanda Torres na premiação Oscar 2025 - Foto: Getty Images

Para a maquiagem, foram escolhidos olhos esfumados, mas delicados, e uma pele suave. O cabelo foi escovado, reforçando a sofisticação do look e remetendo ao visual clássico de Eunice Paiva, representada pela atriz, e protagonista da história que deu ao filme brasileiro o primeiro Oscar da história do país. 

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Chemena Kamali, diretora criativa da marca, expande sua visão para além da estética dos anos 70
por
João Luiz Freitas Souza
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11/03/2025 - 12h

Embora o estilo boho continue sendo uma forte referência na nova coleção da Chloé, Chemena Kamali buscou se desprender, ainda que sutilmente, da estética dos anos 70, para explorar novos conceitos. Nesta quinta-feira (06), a marca divulgou um comunicado à imprensa ressaltando a importância da história, da identidade e da construção de estilo de uma mulher — um princípio que guiou sua coleção de Inverno 2025/26.


“A mulher Chloé nem sempre é a mesma. Sua história tem muitas camadas, dimensões e humores diferentes. Ela incorpora complexidade e não é definida por uma única identidade. Ela sente opostos como todos nós”, escreveu a estilista aos convidados. Essa introdução despertou a expectativa de um desfile marcado pela mistura de referências, o que, de fato, foi entregue.

Desfile da Chloé de Inverno, 2025/26
Desfile da Chloé de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Para a execução da coleção, Kamali, se inspirou no contraste entre o simples e o grandioso, e essa oposição foi perceptível assim que os visuais começaram a serem expostos na passarela. Por um lado, casacos bem encorpados, tecidos pesados, texturas distintas e bordados bem trabalhados, por outro lado, vestidos do estilo camisola mais largo,  longos e com rendas nos bustos e nos ombros, além da presença de babados em muitas blusas — algo característico da marca.

Os ombros tiveram um grande destaque, em várias peças do desfile, tanto em vestidos, como em peças de couro — já condizente com uma outra época da moda, os anos 80. 

Uma outra característica presente de uma diferente época é a construção das peças de alfaiataria, tanto pelos recortes e as silhuetas que buscam uma referência à era elisabetana e vitoriana.

Desfile da Chloé de Inverno, 2025/26
Desfile da Chloé de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Uma mudança muito grande nesse desfile, em vista dos posteriores, são as calças, agora com o corte reto, não protagonizaram nenhum grande destaque, diferente do que foi visto em coleções prévias.

Desfile da Chloé de Inverno, 2025/26
Desfile da Chloé de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Não se prendendo apenas às modelagens, a identidade da coleção foi apresentada com um toque mais maduro, ousado e até mesmo sensual, deixando levemente para trás a estética jovem, boêmia e romântica da marca. O moodboard, usado por Chemena Kamali para inspiração na hora de criar esta coleção, estava repleto de fotografias de Guy Bourdin, fotógrafo renomado do final dos anos 70 e inícios dos anos 80. Essa nova abordagem da marca, mostra a evolução pela qual a Chloé vem passando, ainda que mesmo assim mantendo uma certa semelhança a seu DNA, não só nessa coleção, como em toda sua cadeia criativa. 

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