Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
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Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

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Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

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Foto/Divulgação: Givenchy

 

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Tecnologia auxilia na análise de tendências, preferências do público e desempenho de vendas, otimizando a criação de coleções mais assertivas e sustentáveis
por
Larissa Pereira José
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24/03/2025 - 12h

A moda sempre foi um reflexo do comportamento humano, e nos últimos anos, a tecnologia tem desempenhado um papel crucial na forma como as coleções são criadas. No segmento fashion, que exige inovação constante para atender a um público cada vez mais exigente, a Inteligência Artificial (IA) tem se tornado uma ferramenta essencial. Desde a pesquisa de tendências até a análise de dados de vendas, a tecnologia vem revolucionando o processo criativo e estratégico.  

Para entender melhor essa transformação, conversamos com Nayara Graziela do Lago, estilista responsável pelo desenvolvimento de roupas fitness femininas para um grande magazine. Com anos de experiência no setor, ela destaca como a IA tem otimizado seu trabalho e impactado positivamente as coleções. “Antes, a pesquisa de tendências era um processo muito manual e baseado na intuição. Hoje, conseguimos usar IA para analisar um grande volume de informações e identificar padrões com muito mais precisão”, explica Nayara.  

Ferramentas de inteligência artificial são capazes de cruzar dados de redes sociais, desfiles internacionais, comportamento de busca na internet e até avaliações de clientes em e-commerce. Isso permite que a equipe de estilo tenha uma visão mais clara do que está em alta e do que realmente pode funcionar para o público-alvo. “No segmento fitness, por exemplo, percebemos que há uma crescente demanda por peças multifuncionais, que possam ser usadas tanto na academia quanto no dia a dia. A IA nos ajuda a confirmar essa tendência analisando o comportamento dos consumidores em tempo real”, acrescenta a Nayara.  

Além de prever tendências futuras, a inteligência artificial também tem um papel fundamental na análise de coleções passadas. A tecnologia permite avaliar quais peças tiveram melhor desempenho de vendas, quais cores e modelagens foram mais aceitas e até quais tecidos proporcionaram mais conforto ao consumidor.  

“A cada nova coleção, conseguimos acessar relatórios detalhados sobre o que funcionou e o que precisa ser ajustado. A IA cruza dados de vendas com feedbacks dos clientes e nos mostra, por exemplo, se determinada peça foi muito devolvida por problemas de caimento ou se uma estampa específica teve alta aceitação. Isso nos dá uma base muito mais sólida para criar novos produtos”, explica Nayara.  

Esse tipo de análise evita desperdícios e ajuda a direcionar melhor os investimentos na produção. Em um mercado cada vez mais competitivo, entender as preferências do público-alvo é essencial para criar coleções assertivas e bem-sucedidas. Outro aspecto revolucionário do uso da inteligência artificial na moda está na criação de estampas e modelagens. Hoje, já existem softwares que geram prints exclusivos baseados em combinações de cores e texturas identificadas como tendências. Além disso, ferramentas de simulação virtual permitem testar digitalmente o caimento das peças antes mesmo da confecção dos primeiros protótipos físicos.  

“Isso reduz drasticamente o desperdício de materiais e encurta o tempo de desenvolvimento das coleções. Antes, fazíamos diversos testes com tecidos e modelagens diferentes, o que demandava tempo e custos. Agora, conseguimos visualizar um look completo de forma digital e fazer ajustes antes de costurá-lo”, explica Nayara. 

Maquinário de fábrica têxtil que desenvolve peças sem costura.
Maquinário de fábrica têxtil que desenvolve produtos sem costura.

Apesar das inúmeras vantagens proporcionadas pela IA, Nayara faz questão de ressaltar que a tecnologia não substitui a criatividade humana. “A moda tem emoção, identidade e precisa criar conexão com o consumidor. A IA é uma ferramenta poderosa, mas o toque final ainda é do estilista. Somos nós que interpretamos os dados e transformamos essa informação em coleções que realmente conversam com o público.”  

Para a estilista, o futuro da moda passa pela combinação entre tecnologia e sensibilidade humana. “O uso da IA no desenvolvimento de coleções já é uma realidade e tende a crescer cada vez mais. Mas a essência da moda continua sendo a criatividade e a capacidade de contar histórias por meio das roupas”.  

Com um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, a inteligência artificial se consolida como um diferencial estratégico para marcas que desejam inovar, reduzir desperdícios e entregar produtos alinhados às expectativas do consumidor moderno. E, como Nayara bem pontua, quando aliada ao olhar criativo do estilista, a tecnologia se torna uma poderosa ferramenta para transformar dados e estatísticas em coleções de sucesso.

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Dezessete desfiles comemorarão três décadas do maior evento de moda da América Latina
por
Bianca Pisciottano Athaide
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17/03/2025 - 12h

No início do mês de abril, entre os dias 06 e 11, acontecerá o primeiro período da temporada de moda nacional, o São Paulo Fashion Week (SPFW). Nesta edição, dividida entre o Shopping JK Iguatemi, a Casa Higienópolis e outras locações externas, a semana, além de celebrar a inovação da indústria, também comemora o seu trigésimo aniversário. 

 

Em uma edição mais compacta que a anterior, em outubro de 2024, a programação celebratória promete trazer artistas e marcas da indústria de moda brasileira que ajudaram a consolidar a SPFW, ao longo de três décadas, como uma plataforma de expressões artísticas e impacto cultural. Estilistas como Herchcovitch; Alexandre, Lino Villaventura e Walério Araújo estão confirmados no line-up, com instalações e desfiles que entregam o DNA inovador e característico da única semana de moda da América Latina presente no calendário internacional. 

 

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Herchcovitch; Alexandre na SPFW de 2024 (Foto: Zé Takahashi - Divulgação SPFW)

 

A primeira edição de 2025 também apresentará novidades: as estreias de Leandro Castro e MNMAL abriram esse novo ciclo do evento, trazendo frescor essencial para o cenário de moda nacional. Ambos novatos são sinônimo de produção sustentável e preocupação ambiental, com peças feitas artesanalmente, através da redução de materiais. Leandro, que teve passagem pela Casa dos Criadores, sobe às passarelas no dia 09, com sua coleção construída através de materiais descartados. No dia seguinte, MNMAL esbanja no Shopping JK Iguatemi seu conceito minimamente essencialista. 

 

Outro momento muito aguardado para essa edição é o retorno da PIET para o SPFW. Depois de quase 5 anos longe das passarelas paulistanas, a marca criada pelo estilista Pedro Andrade traz de volta sua estética streetwear, agora, de maneira mais sofisticada, do que em sua última participação em 2019, já que, desde então, a PIET se consagrou internacionalmente no cenário da cultura urbana - e no guarda-roupa de muitos seguidores apaixonados por sua conexão autêntica com o estilo.

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PIET, SPFW de 2019 (Foto: Zé Takahashi - Divulgação SPFW)

Para reafirmar seu compromisso com a exaltação da criatividade e riqueza em técnicas, a SPFW também convidou nomes como Patricia Viera, referência de trabalho em couro no Brasil; João Pimenta e sua característica alfaiataria de vanguarda; a Dendezeiro novamente, para reforçar seu olhar carinhoso e analista sobre a identidade cultura brasileira e a Aluf, com suas inovações na área têxtil. 

 

A edição de número 59 é o primeiro capítulo da celebração que promete ser histórica para o mercado de moda brasileiro. Ao longo dos últimos 30 anos, entre altos e baixos, a SPFW se consagrou internacionalmente como palco para criatividade e exaltação, na mesma medida, de inovação e tradição nacional. 


O line-up completo está disponível no site do evento: https://spfw.com.br/spfw-30-anos-futuros-possiveis/

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Em meio a pressão financeira, grupo Kering nomeia ex-estilista da Balenciaga
por
Gabriela Jacometto
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17/03/2025 - 12h

 

 À frente da Balenciaga desde 2015, Demna Gvasalia redefiniu os códigos do luxo contemporâneo ao combinar elementos da cultura de rua com a alta-costura. Durante sua gestão, a marca italiana de streetwear experimentou um crescimento expressivo, com número de  vendas quadruplicando nos primeiros cinco anos e superando €1,5 bilhão em 2021.

   Foi com essa abordagem de sucesso em mente que o grupo Kering, nesta quinta-feira (13), anunciou, através de comunicado vinculado em suas redes, o  estilista como o novo diretor criativo da Gucci

  Com essa mudança, a Gucci busca reverter a queda de 23% nas vendas registrada em 2024 e retomar sua relevância cultural, assim como retomar o processo de  crescimento sustentável. 

 O CEO da Kering, François-Henri Pinault, destacou que a criatividade de Demna é exatamente o que a marca precisa neste momento. O designer é consagrado em meio a indústria fashion por dominar a arte de colisão entre luxo, cultura urbana e questões político-sociais da atualidade.  Com esse movimento, fica claro a intenção do grupo de diretores: Demna deverá transformar a Gucci, novamente, em um epicentro de tendências culturais, assim como fez com sua antiga casa.  

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Alessandro Michelle, ex-diretor criativo da Gucci e Demna. Imagem: Getty Images

 

 Em nota oficial, o estilista declarou estar entusiasmado com o novo desafio e ressaltou a honra de contribuir para uma maison que sempre respeitou e admirou. Sua despedida da Balenciaga acontecerá no desfile de Alta-Costura de Paris, em julho deste ano, antes de assumir oficialmente seu novo posto na Gucci.

 

 Essa transição estratégica faz parte dos planos da Kering para revitalizar a Gucci, sinônimo de excelência e tradição do mercado de moda, apostando na visão singular de Demna para renovar a identidade da icônica marca italiana.  

HISTÓRIA DE DEMNA

Nascido em 25 de março de 1981 em Sukhumi, na Geórgia, Demna Gvasalia se tornou um dos estilistas mais influentes da atualidade. 

 Sua trajetória foi marcada pelo deslocamento forçado durante a Guerra Vivil Georgiana (1991-1993), que levou sua família a buscar refúgio em países como Ucrânia e Rússia, antes de se estabelecer definitivamente em Düsseldorf, na Alemanha, no ano 2000.

 Antes de ingressar no universo da moda, Gvasalia iniciou seus estudos em economia internacional na Universidade Estatal de Tbilisi. No entanto, sua verdadeira vocação o levou à Bélgica, onde concluiu, em 2006, um mestrado em Design de Moda na prestigiada Academia Real de Belas Artes de Antuérpia.Sua carreira teve início no mesmo ano, quando passou a colaborar com o estilista Walter Van Beirendonck em coleções masculinas. 

Logo em 2009, foi contratado pela Maison Martin Margiela para liderar as coleções femininas. Cargo que ocupou até 2012. Depois, assumiu o posto de designer sênior de prêt-à-porter feminino na Louis Vuitton, onde trabalhou sob a direção de Marc Jacobs e, posteriormente, de Nicolas Ghesquière.

 O grande salto veio em 2014, quando fundou a Vetements, ao lado de seu irmão, Guram Gvasalia. A marca rapidamente se destacou por sua abordagem disruptiva e sua crítica às normas tradicionais da indústria. 

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Desfile VETMENTS S/S 2015. Imagem: Vogue Runway

 

 No mesmo ano, sua primeira coleção feminina foi apresentada na Semana de Moda de Paris e, em pouco tempo, a Vetements já figurava entre os indicados ao Prêmio LVMH para Jovens Designers de Moda.

O reconhecimento crescente levou Demna a assumir, em 2015, a direção criativa da Balenciaga, substituindo Alexander Wang. Desde então, ele tem redefinido a identidade da grife, consolidando seu nome como um dos mais inovadores e polêmicos da moda contemporânea.

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Ib Kamara, diretor criativo da marca, trouxe armadura futuristas para o centro político de Paris
por
João Luiz Freitas Souza
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13/03/2025 - 12h

A nova coleção da marca de streetwear italiana foi desfilada na quinta-feira passada (06), no Espaço Niemeyer, em Paris. A escolha do local foi milimetricamente pensada: o edifício em questão, construído entre o final dos anos 60 e o começo dos anos 80, foi a sede do Partido Comunista Francês. O formato da locação e os detalhes modernistas do arquiteto brasileiro criam uma atmosfera semelhante a um filme de ficção científica.

O nome da coleção é “State of Resistance” (Estado de Resistência) e para simbolizar essa ideia a maior parcela das peças desfiladas emanava a ideia de “armadura do futuro”. Elementos de roupas militares e estudantis são conciliados a detalhes de proteção, usualmente usados nos trajes de motociclismo e snowboarding. Com uma paleta de cores bem restrita, os tons sóbrios, como preto, branco e vermelho, foram evidenciados. Ombreiras marcantes, joelheiras, cotoveleiras, capuzes e bolsos estiveram fortemente presentes.

Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26
Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Apesar  de uma parte da coleção possuir estética semelhante a de figurinos cinematográficos, o prêt-à-porter não ficou de fora, e o público presente pode apreciar (ou até mesmo desejar) peças mais rotineiras, como vestidos justos e  assimétricos, e agasalhos de outwear — honrando a tradição despojada de seu criador e fundador Virgil Abloh.

Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26
Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

Para representar um vestuário passível a um futuro sombrio, Kamara trouxe calças estruturadas, combinadas a  camisas de alfaiataria, acessorizadas apenas com uma gravata estampada de pássaros. Uma outra referência que busca retomar o espírito streetwear da marca fundada em 2013, é o detalhe gráfico da letra “V”, que estava presente em algumas peças, como aquelas remetentes ao motociclismo.

Após o encerramento do desfile, ficou evidente que a mensagem principal da coleção é a importância do debate em relação às dificuldades climáticas e políticas atuais.

Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26
Desfile da Off-white de Inverno, 2025/26 - Foto: Launchmetrics Spotlight

 

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Há quase 3 décadas em comando da marca de seu irmão, Gianni Versace, Donatella deixa oficialmente o cargo de diretora criativa
por
Helena Costa Haddad
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13/03/2025 - 12h

Nos bastidores da última Semana de Moda de Milão, rumores pairavam sobre a aposentadoria de Donatella e da venda da Versace para o grupo Prada. Na última coleção, a diretora referenciou diferentes eras da marca e um ar nostálgico tomou conta da passarela. Nesta quinta-feira (13), o anúncio de Dario Vitale, ex-diretor de design da Miu Miu, como novo diretor criativo, substituindo a famosa herdeira, repercutiu como surpresa na mídia especializada e aqueceu, ainda mais, os rumores da venda da casa. 

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Foto: Mert Alas & Marcus Piggott. Reprodução: Versace/X

Donatella assumiu o comando da tradicional grife italiana  após a trágica morte de seu irmão, Gianni Versace - criador e idealizador do império homônimo. Desde então, a designer de formação implementou sua marca coleção após coleção, sem deixar de homenagear continuamente o legado de Gianni.

Após 28 anos sob comando, Donatella cativa o público consumidor por sua capacidade de manter a marca divertida e relevante no mundo fashion, honrando, ao mesmo tempo, a estética característica e sensual deixada por seu irmão, como as necessidades e vontades da juventude atual.

 A saída de Donatella é triste. Uma mulher empoderada e glamurosa que marcou a cultura pop com seu legado. Agora, como embaixadora chefe, ela será encarregada da parte filantrópica, além de cuidar da marca globalmente. 

Em anúncio no Instagram realçou seu comprometimento em defender a próxima geração de designers. “Estou emocionada que Dario Vitale se juntará a nós e ansiosa para ver a Versace com novos olhos. Quero agradecer à minha incrível equipe de design e a todos os funcionários da Versace com quem tive o privilégio de trabalhar por mais de três décadas.” , afirmou a empresária. 

Novos ares

Dario Vitale, agora novo diretor criativo da Versace, pode não ser midiaticamente conhecido, principalmente quando comparado com sua antecessora. Mas, apesar de ficar longe dos holofotes, o designer, também italiano, tem uma história extensa no mundo da moda. 

Vitale se formou em 2006 pelo Instituto Marangoni e chegou a trabalhar na Bottega Veneta e Dsquared2. Em 2010, ele entra para a Miu Miu e se consolida na marca - vale ressaltar que tal marca que o consagrou, é o atual principal braço de vendas do grupo Prada, possível comprador da Versace.  

Ele é reconhecido pelo trabalho brilhante de manter a imagem da Miu Miu relevante, mesmo com uma crise de vendas no mercado de luxo. 

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Foto: Stef Mitchell. Reprodução: Versace/X

Mas, agora, o que será que podemos esperar dessa nova era da Versace? Talento e competência, a MiuMiu, sob comando na área de ready to wear, e seu sucesso astronômico, são a maior prova a favor de Vitale. Mas será que ele vai trazer o mesmo sucesso para a marca italiana tão tradicionalmente familiar? 

Afinal, o quão difícil será chegar ao mesmo patamar da arte que corre nas veias e está impregnada no DNA Versace?

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