Roupas que atravessam gerações, peças garimpadas em brechós e uma indústria que produz em ritmo acelerado mostram que repensar a moda passa pela relação com aquilo que já existe
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Sophia Coccetrone
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28/09/2026 - 12h

Por Sophia Coccetrone

 

Todos os dias, Sibelle Oliveira leva cerca de uma hora e meia para chegar ao seu brechó, na República, região central de São Paulo. Moradora do Jardim Peri, na zona norte da cidade, ela costuma fazer o trajeto de ônibus para economizar. No caminho, carrega sacolas e malas cheias de roupas que serão garimpadas, higienizadas, avaliadas e colocadas à venda no seu brechó. Aos 29 anos, divide a rotina entre o brechó, o trabalho como esteticista e possui sua carga de ensino técnico de Marketing. O negócio começou de outra maneira. No Brechó Vertical, prédio localizado na República que reúne diferentes brechós, ela inicialmente tentou desenvolver um espaço voltado à estética. Porém, a ideia não se sustentou sozinha. Foi então que decidiu transformar também sua relação com as roupas em trabalho e criou o Brecholezeiras.

Desde então, boa parte das tarefas fica por sua conta. É ela quem procura as peças, seleciona, higieniza, organiza, pensa na apresentação e atende as clientes. O trabalho acontece entre deslocamentos, estudos e outras atividades profissionais. Afirma que é um trabalho muito louco, e é para quem tem disposição.

Para chegar até ali, Sibelle precisa carregar fisicamente o próprio negócio em meio ao transporte público da cidade de São Paulo. “É assim que eu sigo lutando na correria para sustentar meu próprio negócio”.

A história de Sibelle revela uma das faces menos visíveis do consumo de segunda mão. Antes de uma peça chegar ao cabide de um brechó, existe uma série de escolhas, deslocamentos e trabalhos. E, depois que ela é vendida, sua história continua por mais algum tempo, agora no guarda-roupa de outra pessoa.

 

Brechós em São Paulo: veja 14 lojas para garimpar em SP - 04/10/2025 -  Passeios - Guia Folha

Corredor do Brechó Vertical - Imagem: Folha/UOL

 

Para Sibelle, vender roupas usadas não representa apenas uma alternativa de consumo. É também uma forma de trabalho e de construir uma identidade. A maior parte de suas clientes são mulheres próximas de sua idade, entre 20 e 30 anos, que procuram peças diferentes e, muitas vezes, encontram no brechó uma possibilidade de comprar produtos que seriam mais caros novos ou buscar mais alternativas para seu estilo pessoal. Ela afirma que geralmente quem consome muito de brechó, só vive de brechó.

A relação de Sibelle com as roupas também mudou a maneira como ela se veste. Ao passar boa parte dos dias procurando peças e pensando em quem poderia usar, ela começou a entender o garimpo não apenas como uma tarefa comercial, mas como uma forma de descobrir estilos e observar as diferentes maneiras pelas quais as pessoas constroem sua identidade.

Há também uma questão econômica. Para ela, comprar de segunda mão pode significar encontrar produtos de marcas conhecidas por valores mais acessíveis, além de peças antigas ou que já não são produzidas. Mas a escolha também está relacionada ao destino das roupas. Quando uma peça usada encontra uma nova dona, ela deixa de ser apenas algo que poderia ocupar espaço em um armário ou ser descartado. Passa a circular novamente. É uma lógica semelhante à da economia circular, em que produtos permanecem em uso por mais tempo antes de serem transformados em resíduos.

O professor Urbano Nobre, da PUC-SP, observa esse processo a partir da própria duração dos produtos. Para ele, uma das formas mais concretas de tornar o consumo mais consciente é fazer com que aquilo que já foi produzido permaneça em circulação por mais tempo.

 

“Uma das formas de você transformar de forma objetiva o consumo em algo consciente é você alongar a vida dos objetos, fazer com que o ciclo de produção e reprodução de consumo se alongue a três, quatro, cinco estágios.”

A experiência de Sibelle mostra esse prolongamento acontecendo na prática. Mas também evidencia que o consumo de segunda mão não elimina sozinho os problemas da indústria. Para que uma roupa chegue ao brechó, ela primeiro precisou ser produzida. E, enquanto novas peças continuam sendo fabricadas em grandes quantidades, o desafio permanece sendo diminuir a velocidade com que roupas entram e saem dos guarda-roupas.

Uma vida entre o tecidos e não-tecidos

Se Sibelle encontra novas histórias para roupas que já existem, Monika Debasa passou boa parte de sua trajetória pensando em como elas são produzidas. Professora de Moda da Faculdade Santa Marcelina e especialista em têxteis, Monika construiu sua carreira entre a indústria, a pesquisa e o ensino. Formada em Design pela FAAP, passou por diferentes experiências no setor têxtil, trabalhando com estamparia, padronagem, desenvolvimento de produtos e gestão.

Ainda no início da carreira, teve contato direto com o chão de fábrica durante um estágio na TDB Tecidos, empresa voltada à produção de malharia circular para beachwear e lingerie. Depois, atuou em Minas Gerais na área de algodão e desenvolveu uma coleção de estampas. Também trabalhou na Horizonte Têxtil, onde entrou em contato com pesquisas de tendências e chegou a administrar departamentos.

Foi nesse percurso que as questões relacionadas aos materiais e aos resíduos começaram a ganhar espaço em seu trabalho. Em 2009, Monika realizou testes com o Lonapet, tecido produzido a partir de garrafas recicladas de Guaraná Antártica. O material mantinha a cor verde das garrafas e também incorporava restos de fibras curtas de algodão a novos testes.

A experiência fazia parte de uma preocupação maior: entender que a sustentabilidade não começa depois que uma roupa é descartada. Ela também está presente na escolha das fibras, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça permanecer em uso. Monika diz que a estética é, frequentemente, o primeiro fator de atração. A funcionalidade, por sua vez, deve ser adaptada ao contexto de uso. Contudo, a durabilidade é o pilar central da sustentabilidade. Quanto mais duradoura uma peça, mais sustentável ela se torna.

Para ela uma roupa não pode ser considerada sustentável apenas porque foi produzida com determinado material. A fibra utilizada, a qualidade da fabricação, o conforto, a possibilidade de manutenção e até a maneira como a peça é lavada interferem em sua vida útil.

Essa perspectiva acompanha sua trajetória acadêmica. Depois da experiência na indústria, ela se especializou em moda e gestão e realizou mestrado na área de design têxtil na EACH-USP. A pesquisa e a prática profissional passaram a caminhar juntas, até que o ensino se tornou uma parte central de seu trabalho.

Do ativismo à sala de aula

A preocupação de Monika com a sustentabilidade também ultrapassa os processos industriais. Ela participa do Fashion Revolution, movimento internacional criado após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013, que matou mais de mil trabalhadores da indústria têxtil e colocou em evidência as condições de trabalho e produção do setor.

Como uma das embaixadoras brasileiras do movimento, Monika participa de ações voltadas à transparência, às condições de trabalho e à responsabilidade ambiental na moda. Ela costuma comparar o Fashion Revolution a uma espécie de “Greenpeace da moda”, justamente pela tentativa de aproximar questões ambientais e sociais do cotidiano da indústria.

A discussão também chega à Faculdade Santa Marcelina. Um exemplo é o “Setembro da Segunda Mão”, projeto de troca de roupas que incentiva os alunos a fazerem as peças circularem novamente. Na edição mais recente mencionada pela professora, 375 peças foram trocadas. A iniciativa parte de uma ideia simples: Monika gosta de reforçar que a melhor roupa é aquela que já existe.

É uma mudança de perspectiva que também aparece no trabalho de Sibelle. Enquanto Monika discute a durabilidade antes e durante a produção, Sibelle trabalha justamente no momento seguinte, quando a roupa poderia ser esquecida, acumulada ou descartada.

A roupa como trabalho

No cotidiano de um brechó, entretanto, prolongar a vida de uma peça não acontece de maneira automática. Sibelle precisa encontrar as roupas, transportá-las, selecionar o que pode ser vendido, higienizar cada peça, organizar o espaço, fotografar ou apresentar os produtos e conversar com as clientes, tudo sozinha. 

O esforço também aparece na maneira como Sibelle transforma sua própria rotina em expressão. Ela faz rimas de rap improvisado para retratar o trabalho e as situações que vive todos os dias, usando a música como uma maneira de registrar a experiência de manter um negócio próprio e se manter no "corre" do dia a dia.

O brechó, nesse sentido, está longe de ser apenas um espaço onde uma roupa usada muda de dono. Existe uma cadeia de trabalho por trás de cada peça que chega ao cabide. E existe também uma relação afetiva: alguém escolheu aquela roupa antes, alguém decidiu não descartar e outra pessoa agora encontrou nela uma nova oportunidade

O problema começa antes do descarte.

A trajetória de Sibelle acontece em contraste com um mercado de moda cada vez mais acelerado. Segundo dados citados pela CNN Brasil, a quantidade de peças de vestuário produzidas no mundo dobrou desde os anos 2000. No mesmo período, os consumidores passaram a comprar cerca de 60% mais roupas, mas a utilizá-las durante aproximadamente metade de sua vida útil. O problema, portanto, não está apenas no momento em que uma roupa vira lixo. Ele começa antes, na quantidade de peças produzidas, na velocidade com que são substituídas e na forma como o consumidor se relaciona com elas, além da forma do descarte que muitas vezes é irresponsável ambientalmente. 

A experiência de comprar uma roupa nova parece simples, mas envolve uma cadeia que passa pela obtenção da matéria-prima, produção, uso de água e energia, processos químicos, transporte, venda e, finalmente, descarte. É nesse intervalo entre produção e descarte que histórias como a de Sibelle ganham importância. Um brechó não interrompe a produção em larga escala, mas cria uma possibilidade para que algumas peças permaneçam em circulação.

Crescer sem ultrapassar os limites

A relação entre crescimento econômico e limites ambientais também é discutida pelo professor José Geraldo Portugal Júnior, vice-coordenador da FEA PUC-SP. A partir do conceito de Economia Donut, desenvolvido pela economista Kate Raworth, Portugal trabalha com a ideia de que uma sociedade precisa garantir condições mínimas de vida para as pessoas sem ultrapassar os limites ambientais do planeta.

Aplicada à indústria têxtil, essa perspectiva coloca a questão sobre como atender às necessidades de uma população crescente sem depender de uma produção cada vez maior de roupas que são utilizadas por períodos cada vez menores. A resposta não está apenas em trocar um tecido por outro. É preciso observar toda a cadeia e, principalmente, a quantidade de produtos colocados em circulação e o tempo que eles permanecem em uso.

Materiais alternativos, como fibras produzidas a partir do cânhamo, podem fazer parte dessa transformação, dependendo das condições de cultivo e processamento. Mas substituir uma matéria-prima não resolve por si só o problema de uma indústria baseada em produção e consumo acelerados.

A mudança também passa pela maneira como as marcas comunicam seus produtos. Em um mercado no qual a sustentabilidade ganhou valor comercial, existe o risco de que termos como “ecológico”, “consciente” ou “sustentável” sejam utilizados como estratégia de comunicação sem que mudanças correspondentes aconteçam nos processos produtivos. É o chamado greenwashing.

Por isso, a sustentabilidade não pode ficar restrita à publicidade. Ela precisa aparecer nas decisões sobre materiais, produção, qualidade, durabilidade, condições de trabalho e destino dos produtos.

A trajetória de Monika ajuda a mostrar essa diferença. Sua experiência com tecidos reciclados não ficou apenas na comunicação de uma ideia sustentável: envolveu pesquisa, testes e tentativa de encontrar usos para resíduos que normalmente seriam descartados. Já o trabalho de Sibelle acontece em outro lado. Seu negócio não precisa produzir uma nova peça para vender. Ele trabalha com aquilo que já existe e contribui para evitar que o descarte seja o fim inevitável de uma roupa.

Uma transformação que começa no que já existe

A sustentabilidade na indústria têxtil não depende de uma única solução. Ela envolve quem produz, quem cria, quem vende, quem comunica e quem compra. Mas as histórias de Monika e Sibelle mostram que a transformação também pode acontecer em escalas menores.

Monika passou décadas dentro da indústria e da academia investigando materiais, processos e maneiras de tornar as roupas mais duráveis. Hoje, leva essa experiência para a sala de aula e para o ativismo. Sibelle, por outro lado, construiu um negócio independente a partir das próprias dificuldades e descobriu no brechó uma maneira de trabalhar com roupas que já existem.

No fim, as duas trajetórias se encontram em uma ideia simples: uma roupa não precisa terminar sua história quando deixa de ser nova. Para Sibelle, essa história pode continuar no corpo de outra pessoa. Para Monika, ela começa na escolha de um tecido, na qualidade da produção e na capacidade de uma peça resistir ao tempo.

Em uma indústria acostumada a transformar novidade em necessidade, talvez um dos maiores desafios seja justamente aprender a olhar para aquilo que já existe para que sustentabilidade não seja apenas consumir menos, mas fazer com que as roupas tenham tempo suficiente para cumprir mais de uma história antes de se tornarem descarte.

Estilista inicia nova fase independente após deixar a direção criativa da Versace
por
João Luiz Freitas
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22/09/2026 - 12h

Donatella Versace está de volta ao comando criativo de uma marca. Nesta segunda-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão, a estilista anunciou uma nova parceria com a Revolve, varejista global de moda e beleza, dando início a um projeto independente que irá reunir os universos da moda e da beleza.

Ainda sem nome revelado, a nova marca terá Donatella à frente da direção criativa. A primeira etapa do projeto será dedicada à beleza, enquanto a expansão para a moda acontecerá posteriormente. Os primeiros produtos estão previstos para chegar ao mercado em 2027. 

A parceria representa uma nova etapa na trajetória da estilista. Em março de 2025, Donatella deixou a direção criativa da Versace, função que ocupava desde 1997, após assumir o posto deixado por seu irmão, Gianni Versace. Desde então, permaneceu ligada à grife como embaixadora, enquanto Dario Vitale assumiu a direção criativa.

Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente
Donatella Versace anuncia nova parceria para criação de marca independente - Foto: Reprodução/Instagram @donatella_versace

Agora, longe da casa que marcou quase três décadas de sua carreira, Donatella passa a construir uma identidade criativa própria. O projeto pretende transitar entre moda, beleza, cultura e entretenimento, enquanto a Revolve contribui com sua estrutura de comércio digital e alcance internacional.

A distribuição inicial está planejada para mercados como Estados Unidos, América Latina, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O nome da marca e os primeiros produtos ainda serão divulgados nos próximos meses.

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Com passagem por Miu Miu e Versace, designer tem a missão de renovar a marca sem deixar de lado os códigos construídos por Giorgio Armani
por
João Luiz Freitas
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17/09/2026 - 12h

A Armani inicia uma nova fase da sua história com a chegada de Dario Vitale à direção criativa da Emporio Armani. Além do cargo, o designer também ficará responsável pela direção criativa dos acessórios Giorgio Armani. Anunciada nesta quarta-feira (16), a escolha representa uma mudança importante para a casa italiana, que, pela primeira vez, coloca um profissional de fora da família Armani em uma posição criativa de liderança.

A nomeação acontece um ano após a morte de Giorgio Armani, fundador da marca e responsável por construir uma das identidades mais reconhecíveis da moda italiana. Enquanto Silvana Armani e Leo Dell’orco permanecem ligados à direção criativa das coleções principais, Vitale chega especialmente à Emporio Armani, linha criada em 1981 com uma proposta mais jovem e experimental dentro do grupo.

A escolha também ganha força quando observada a trajetória do designer. Formado pelo Istituto Marangoni, em Milão, Vitale passou por nomes importantes da indústria italiana, incluindo Dsquared2 e Bottega Veneta, antes de chegar à Miu Miu em 2010. Durante aproximadamente 15 anos na marca, ocupou posições de destaque e chegou a comandar o design de ready-to-wear e a área de imagem.

Dario Vitale
Dario Vitale se torna o novo diretor criativo da Emporio Armani - Foto: Jeannette Montgomery Barron/Divulgação EA.

Em 2025, Vitale assumiu outro desafio histórico ao se tornar o primeiro profissional de fora da família Versace a ocupar a direção criativa da grife. Sua passagem, entretanto, durou apenas uma temporada. Depois da aquisição da Versace pelo grupo Prada, o designer deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. Apesar do curto período, sua estreia foi apontada por veículos especializados como um dos momentos de destaque daquela temporada.

É justamente essa experiência que pode fazer diferença em sua chegada à Emporio Armani. Vitale carrega uma trajetória construída dentro de diferentes linguagens da moda italiana, passando pelo minimalismo e pela sofisticação da Miu Miu e chegando ao maximalismo e ao glamour historicamente associados à Versace. Para a Armani, essa bagagem pode representar uma oportunidade de aproximar a Emporio de uma geração mais jovem sem necessariamente romper com os códigos estabelecidos pela casa.

Seu primeiro grande teste à frente da Emporio Armani já tem data marcada: a coleção de verão 2027 será apresentada durante a semana de moda de Milão, em 24 de setembro. Será a partir dela que será possível observar como o designer pretende traduzir sua assinatura para o universo construído por Giorgio Armani.

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Patricia Bonaldi transforma a paisagem e a arquitetura dos jardins modernos em silhuetas, bordados e volumes que celebram a exuberância brasileira
por
João Luiz Freitas
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16/09/2026 - 12h

A paisagem brasileira ganhou novas formas na passarela da New York Fashion Week nesta terça-feira (15). A PatBO, marca comandada pela estilista Patricia Bonaldi, apresentou sua coleção primavera/verão 2027 em Domino Square, em Williamsburg, no Brooklyn, levando para um dos principais calendários da moda internacional uma interpretação contemporânea de natureza e do paisagismo brasileiro.

Intitulada “Splendid Brazil”, a coleção parte de uma referência que vai além da representação literal da flora nacional. A inspiração está nos jardins modernos brasileiros e, principalmente, na maneira como paisagistas do período modernista organizaram a natureza para transformá-la em uma linguagem visual própria.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

“O ponto chave não é criar uma coleção sobre plantas, mas traduzir a maneira como eles organizaram a natureza”, explica Bonaldi, fundadora e diretora criativa da PatBO em vídeo disponibilizado no Instagram da marca.

A proposta aparece na passarela por meio de silhuetas orgânicas, volumes escultóricos, bordados botânicos abstratos, texturas e blocos de cores vibrantes. Em vez de simplesmente reproduzir flores e folhas nas roupas, a coleção transforma elementos da paisagem em construção de moda. Curvas são convertidas em recortes, volumes remetem a formas escultóricas e os ornamentos aparecem integrados à própria estrutura das peças.

Visuais apresentados no desfile da PatBO
Visuais apresentados no desfile da PatBO - Foto: Reprodução PatBO

A referência à natureza também aparece nos trabalhos de superfície. Estampas florais combinadas com bordados e desenhos abstratos, enquanto algumas peças parecem transportar para o corpo a composição de um jardim. A intenção, segundo Bonaldi, é justamente fazer com que a paisagem deixe de ser apenas uma imagem e passe a funcionar como estrutura.

Model Board do desfile da PatBO
Model Board do desfile da PatBO - Foto: @jonatasjacque/Instagram

Ao levar essa interpretação para Nova Iorque, a PatBO reforça também o espaço que a moda brasileira vem buscando ocupar internacionalmente. No último dia da temporada primavera/verão 2027 da NYFW, a  marca colocou o artesanato, a exuberância e referências da arquitetura paisagística brasileira no centro da discussão, mostrando que a identidade brasileira pode ser ponto de partida para uma moda global.

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Na The Art of Loving Tour, a cantora britânica leva vestidos, brilhos, franjas e glamour aos palcos
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Livia Vilela
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17/08/2026 - 12h

Eu não sei você, mas eu queria ser amada como Simone Beyene ama Olivia Dean. É difícil assistir a um show da cantora britânica e não chegar a essa conclusão. Quando Olivia Dean sobe ao palco, os vestidos brilham, as franjas acompanham seus movimentos, as penas flutuam atrás dela e seu figurino se torna parte indispensável do show. Por trás dessa estética própria, está Simone Beyene, stylist responsável pela imagem da cantora desde o começo de sua carreira.

Aos 27 anos, Olivia Dean vive o melhor momento de sua trajetória profissional. Nascida em Londres, lançou seu álbum de estreia, Messy, em 2023. O disco apresentou ao público uma artista que mistura soul, jazz e pop com letras sobre amor, relacionamentos e amadurecimento, a partir do olhar de uma jovem mulher segura de si. Já em 2025, o segundo álbum, The Art of Loving, alavancou sua carreira. Com 12 faixas, o disco coloca o amor como tema central. Não apenas o romântico, mas também o amor-próprio, as amizades e as diferentes maneiras de se conectar com alguém. 

olivia dean vestido plumas
Vestido de plumas Self-Portrait para a turnê Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano 

Foi o The Art of Loving que também marcou sua entrada definitiva no mainstream. “Man I Need” se tornou seu maior sucesso, enquanto “Nice To Each Other” e “So Easy (To Fall In Love)” ajudaram a estabelecer a sonoridade dessa nova era. O reconhecimento veio rápido. Em fevereiro de 2026, Olivia Dean venceu o Grammy de Artista Revelação, consolidando uma ascensão que, até pouco tempo antes, acontecia de maneira mais silenciosa.

Agora, essa nova dimensão da carreira chega aos palcos com a The Art of Loving Tour, sua primeira grande turnê de arenas como atração principal. A estreia aconteceu em Glasgow, no Reino Unido, em abril de 2026, em um espetáculo que reúne músicas de seus dois álbuns. Depois de se apaixonar pelas músicas, os fãs agora encontram outro motivo para se encantar: o estilo da Olivia, que ganha cada vez mais destaque a cada apresentação. 

olivia dean conjunto branco
Conjunto de top com saia Chanel para a The Art of Loving Tour Foto: Reprodução/Instagram @oliviadeano

Nesse caso, os figurinos não seguem os padrões convencionais de uma estrela pop contemporânea. Não há uma dependência de bodysuits, figurinos performáticos ou produções cenográficas típicas de grandes estrelas pop. Em seu lugar aparecem vestidos de festa, tecidos fluidos, silhuetas femininas e uma estética vintage. Algumas produções são delicadas, outras são completamente cobertas por brilho. É justamente essa combinação que torna o seu estilo tão particular. 

Se os figurinos da turnê parecem tão naturais nela, é porque essa estética não começou com a turnê. Simone Beyene construiu ao lado da cantora uma imagem marcada pela experimentação, glamour e principalmente pela diversão. Fora dos palcos, essa mesma identidade aparece de uma maneira mais descomplicada, dando forma ao seu chamado "effortless glamour".

olivia dean vestido amarelo de franjas
Vestido amarelo de franjas Alaïa feito para a turnê Foto: Reprodução/ Instagram @oliviadeano 

A seleção da turnê reúne marcas como Chanel, Jacquemus, Gucci, Coperni, Self-Portrait e Alaïa. A criação dos figurinos partiu de uma referência clara nas grandes divas. O moodboard trazia nomes como: Tina Turner, Cher, Diana Ross e Josephine Baker, além da estética das décadas de 1960 e 1970. A proposta era levar o conceito de party dress, o vestido de festa, ao extremo, incorporando o brilho de Tina e Cher, a teatralidade de Diana Ross e a presença cênica de Josephine Baker.

O estilo de Olivia Dean parece nascer naturalmente de quem ela é. Suas escolhas traduzem uma imagem feminina, elegante e contemporânea que acompanha a evolução de sua música sem competir com ela. No fim, acompanhar Olivia Dean também é prestar atenção no que ela veste e aproveitar o estilo que se tornou parte de sua experiência como artista. 

Talvez essa seja a verdadeira força da imagem da cantora. Tudo parece ter sido escolhido para que ela continue contando a própria história. A roupa deixa de ser apenas roupa e passa a fazer parte da narrativa. No fim, a The Art of Loving Tour transforma o amor em música e a música em espetáculo. E, nos figurinos, Olivia encontra mais uma forma de mostrar ao público quem é. 

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Jovens garimparam suas roupas em brechós e no guarda-roupas de seus pais
por
Carlos Kelm
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11/09/2023 - 12h

Quando­ certa­ manhã­ Fernanda acordou­ de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama meta­morfoseada numa adulta chique e pretencisoa. 

Nossos millenials mais jovens estão cada vez mais perto dos trinta. Muitos deles não se identificam com o rótulo de adulto, nem com a ideia de sucesso e as demais cafonices que a acompanham. Pensando nisso, Fernanda decidiu abordar o assunto em sua festa de aniversário. Ela e seus amigos procuraram inspirações em filmes antigos, e no guarda-roupa de seus pais para montar looks divertidos e autoconscientes que remetem à "chiqueza" e à vida adulta.

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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm

 

Com enfoque histórico nos impactos ambientais, em 4 dias de evento a Copenhagen Fashion Week soprou ventos que abalaram a temporada de verão.
por
Bianca Athaide
Giovanna Montanhan
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21/08/2023 - 12h

Criada em 2006, a semana de moda escandinava vem estabelecendo seu espaço no universo fashion graças a seu caráter rígido para uma boa conduta sustentável.  Não recebendo o mesmo prestígio das quatro principais semanas de moda do universo fashion, a Copenhagen Fashion Week sintetiza a união de tendências e inovações no âmbito da moda sustentável, traço característico da cultura sueca. 

Com o título de irmã mais nova, essa semana traz o progressismo e afronte que um dia foi característico da - agora mais tradicional - Semana de Moda de Londres. Sua CEO Cecilie Thorsmark listou 18 padrões rígidos que englobam áreas como diversidade, cadeia de suprimentos e a vida útil das peças de roupa, que devem ser cumpridos por todos os designers e marcas que queiram usar a semana como vitrine para o mercado mundial. 

Assim, do dia 07 ao 11 de agosto, 31 marcas, entre elas veteranas e novatas, subiram às passarelas para mostrar o porque que Copenhagen está cada dia mais perto de roubar a coroa de capital da moda da antiga Paris.

Opening Day

O primeiro dia contou com a participação de grandes nomes como: Latimmier e A. Roege Hover, além da marca esportiva-casual 7 Days Active e da crescente estrela em ascensão Saks Potts. 

A marca que carrega os sobrenomes de suas criadoras (Barbara Potts e Catherine Saks) é a mais nova queridinha de estrelas como Kendall Jenner e Lily Rose-Depp, devido a seu espírito que funde alfaiataria com denim e brilhos. 

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Alana Hadid estreando nas passarelas com look que resume a identidade da Saks. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com

2º Dia

A estrela do segundo dia foi a marca finlandesa Rolf Ekroth e sua característica pegada romântica. Com looks de acento utilitário, combinando pontos dos anos 1960 e 1990, a coleção impressionou ao romantizar o grunge, sob um olhar ultra jovem. 

rolf ekroth
9º look da coleção verão da Rolf Ekroth. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com

Além da finlandesa, outras 8 marcas brilharam no segundo dia: Nicklas Skovgaard; Lovechild 1979; Vain; Remain; P.L.N. e a inovadora Sunflower. 

A marca dinamarquesa abusou do pseudo jeans na maioria de seus looks. Com um forte elemento rockers do anos 80, o desfile foi ambientado pela banda Laid Back.

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Sunflower e o pseudo jeans. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com


3º Dia 

Com 9 marcas, o terceiro dia do evento teve uma maior presença de designers femininas, principalmente a ganhadora do Zalando Visionary Award, Paolina Russo, que teve seu debut no dia. A coleção da criadora inglesa teve enfoque na cultura do surf, com traços psytrance - estilo conveniente da comunidade frequentadora de raves - e leves toques hippies. 

Paolina Russo
5º look apresentado no desfile de Paolina Russo. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com

4º Dia 

Na quinta-feira (10), penúltimo dia dos desfiles, foram a vez dessas marcas dominarem as passarelas: TG Botanical (marca ucraniana, que visa ampliar o conceito de moda relacionando-a com tecnologia e natureza); Munthe; Gestuz; The Royal Danish Academy; Mark Kenly Domino Tan; Helmstedt (marca alemã, com produção sob demanda em prol da sustentabilidade); Deadwood; Rotate e a tão esperada Ganni. 

A Ganni é uma marca escandinava comprada pelo casal Ditte e Nicolaj Reffstrup, que reestruturaram a grife. Os novos donos fizeram questão de frisar que não se identificam com o título de ‘’marca sustentável’’, pois alegam que no cerne da moda há um estímulo à novidade e ao consumo, o que se traduz como uma contradição significativa com o conceito de sustentabilidade, mas afirmam estarem comprometidos com uma meta absoluta de redução de carbono de 50% até 2027. E se antes o foco estava em peças de cashmere, agora está em refletir o estilo escandinavo e nórdico, porém com uma abordagem moderna, vibrante e atual, além de ser a queridinha das it-girls como, por exemplo, da modelo Kendall Jenner.

Ganni
Ganni na passarela. - Reprodução: James Cochrane

The Last Call - 5º Dia

A responsável por encerrar a Semana de Moda de Copenhague foi a escandinávia Fine Chaos – fundada por Marc C. Møllerskov, que tem como público-alvo a geração Y (nascidos entre as décadas de 80 e 90), além de desafiar as normas sociais por meio da expressão artística ao criar roupas sem gênero diretamente para as minorias da sociedade, e estar sempre em constante busca por maneiras de reduzir o impacto ambiental durante toda a produção, que conta com apenas de 40 a 60 peças por item.

Algumas personalidades brasileiras compareceram ao evento, entre elas a influenciadora Livia Nunes Marques, que em entrevista a Glamour, falou sobre suas impressões: ‘’nessa temporada há uma presença forte de roupas com texturas, que costuma ser o ponto de partida de qualquer look. O jeans também é uma aposta como full look. Além disso, a estética dos anos 2010 segue com tudo, dada a sua adesão de tendências como pops de neon, blazers em abundância (embora desta vez oversized e despojados)’’. 

É inegável que a indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, e que ainda de acordo com o blog de Lilian Pacce, ‘’os eventos em torno de uma semana de moda emitem uma grande quantidade de CO2, relativa a passagens áreas, comidas servidas, energia, deslocamentos etc. ‘’ 

Por esse motivo a Semana de Moda de Copenhague deve ser celebrada, por fornecer enfoque a marcas amigáveis ao meio ambiente, contrastando com  outros eventos que acontecem anualmente em Nova Iorque, Londres, Paris ou Milão, e que recebem até mais reconhecimento que o da cidade escandinava. 

 

 


 

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Na terça-feira (20), o cantor e compositor norte-americano assumiu oficialmente um dos cargos mais importantes da moda e apresentou uma coleção recheada de inovações.
por
Giovanna Montanhan
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28/06/2023 - 12h

Paris, a capital mundial da moda, foi o cenário escolhido para o lançamento da aguardada nova coleção da Louis Vuitton. A renomada maison francesa, conhecida por suas criações luxuosas e elegantes, realizou um desfile espetacular ao longo do Rio Sena, na icônica Pont Neuf. O evento foi marcado não apenas pela exuberância das peças apresentadas, mas também pela nomeação de Pharrell Williams como diretor criativo de moda masculina, assumindo o cargo de substituo de Virgil Abloh, que faleceu tragicamente em novembro de 2021, vítima de um câncer.

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

Virgil Abloh, um nome inesquecível na indústria da moda, foi um visionário que revolucionou o conceito de streetwear e o levou às passarelas de alta-costura. Como diretor artístico da linha masculina da Louis Vuitton, Abloh trouxe uma estética inovadora e ousada, que combina elementos urbanos com detalhes sofisticados.

 

Foto Reprodução: Forbes
Foto Reprodução: Forbes

 

O desfile da nova coleção primavera/verão 2024 foi uma verdadeira homenagem a Virgil. O cantor e produtor, já conhecido por seu estilo autêntico e ousado, abraçou a responsabilidade de continuar o legado de seu amigo. O desfile não apenas refletiu a visão artística de Pharrell, mas também prestou tributo ao trabalho de Abloh.

As peças de roupa apresentadas na passarela combinaram o estilo urbano com elementos de luxo. A coleção apresentou uma fusão única entre o universo do jogo Minecraft (bastante popular entre o público jovem) e a moda de alta-costura. Os figurinos exibiram alusões sutis ao popular jogo, com a presença de estampas pixelizadas e formas inspiradas nos elementos gráficos característicos do Minecraft.

A coleção também explorou a camuflagem de uma forma única trazendo uma nova perspectiva para esse clássico da moda masculina. As estampas camufladas foram combinadas com os pixels, criando um visual moderno e desconstruído. Essa abordagem inovadora da Louis Vuitton evidencia a capacidade da marca de se adaptar às tendências contemporâneas e ao gosto de uma nova geração.

 

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

 

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

 

 

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O desfile também contou com a presença de diversas celebridades e personalidades do mundo da música e da moda. Beyoncé e Jay Z, sempre influentes na cena cultural, estavam entre os convidados ilustres que prestigiaram o evento. A cantora brasileira Anitta, reconhecida internacionalmente, também marcou presença. Além disso, Rihanna, Asap Rocky, Lewis Hamilton, L7nnon, Kim Kardashian, Maluma, Zendaya  e Willow Smith estavam entre os presentes.

 

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Os precursores, os destaques e as figuras históricas do país no desfile mais famoso do mundo
por
Davi Garcia
|
23/06/2023 - 12h
Gisele Bündchen, no MetGala 2023. (Foto: Getty Images)
Gisele Bündchen, no MetGala 2023. (Foto: Getty Images)

No começo de maio, aconteceu em Nova York a 43º edição do MetGala, desfile beneficente com propósito de arrecadar dinheiro para a Instituição Metropolitana do Museu de Arte de Nova York. Com isso, duas estrelas brasileiras estiveram presentes: Anitta, na sua terceira participação, e Gisele Bündchen, figurinha carimbada no desfile. Ambas cumpriram a temática da noite e representaram o Brasil num dos maiores desfiles do mundo. Porém, o que é o MetGala?


Nele, celebridades do mundo inteiro se concentram para mostrar suas roupas e acessórios inspirados em uma temática que muda a cada ano. Em 2023, a Vogue – realizadora do MetGala – e seus presidentes (que mudam de acordo com a temática), Dua Lipa, Roger Federer, Penelope Cruz, homenagearam o estilista e diretor criativo da Chanel, Karl Lagerfeld, tendo os looks baseados na trajetória do alemão, além do uso de referências e objetos sobre sua vida.


O MetGala impulsiona artistas como referências e inspirações no mundo da moda, por ter a maior cobertura de um desfile pela televisão, chegando a aproximar e trazer mais pessoas ao universo fashion. Além disso, ter a cultura style acessível, mesmo utilizando de looks experimentais e criativos, ajuda estilistas menores a terem seu espaço e reconhecimento.

Ao voltar na história do MetGala, fora Anitta e Gisele, outros brasileiros estiveram presentes no tapete vermelho, como a modelo e empresária Adriana Lima, que ganhou muito destaque na década passada pela simplicidade e beleza dos looks, como em 2015 e 2017, quando foi elogiada pela mídia internacional pelo impacto e o vestido da Versace.

Adriana Lima, no MetGala 2017. (Foto: Getty Images)
Adriana Lima, no MetGala 2017. (Foto: Getty Images)

Carol Trentini foi mais uma brasileira a pisar no tapete vermelho, com um vestido feito à mão que impressionou, em 2022 pela sua delicadeza. Também fez presença Alessandra Ambrósio, que se destacou em 2016, quando usou um Balmain compatível com a temática daquele ano, “Mão x Máquina: a moda na era da tecnologia”. Isabeli Fontana e Camila Coelho foram outras modelos e influenciadoras tupiniquins que participaram do evento. Porém, o primeiro nome a pisar nos corredores do MetGala foi a atriz e modelo Sônia Braga, ainda em 1990.

Sônia Braga, a primeira brasileira a ir no MetGala, em 1990. (Foto:  Getty Images)
Sônia Braga, a primeira brasileira a ir no MetGala, em 1990. (Foto:
Getty Images)

Liz Ortiz, estudante e produtora de moda, comenta sobre as brasileiras que frequentaram o tapete vermelho recentemente, dando ênfase à Gisele Bündchen e Anitta. Liz destaca a cantora carioca como alguém que: “Recebeu muito destaque nesses últimos trêsanos que tem frequentado o baile. E complementa: “está frequentando e cada vez mais com looks marcantes e ousados”. Por fim, a produtora de moda cita Carol Trentini e Valentina Sampaio como as únicas que cruzaram o MetGala.

Liz Ortiz, estudante e produtora de moda. (Arquivo Pessoal)
Liz Ortiz, estudante e produtora de moda. (Arquivo Pessoal)

Um nome importante na área é Francisco Mota, diretor criativo da Calvin Klein de 2003 a 2016. Muitos looks vistos no MetGala, durante esse tempo, passaram na mão do brasileiro, que ganhou prêmios como o de Designer de Moda Feminina do Ano, em 2006 e 2008; e o Estilista do Ano no National Design Award, em 2009. E, em se tratando de temáticas, Liz comenta que o Brasil nunca esteve diretamente envolvido: “O mais perto que tivemos foi o tema “American Woman: Fashioning a National Identity”, mas mesmo assim o tema não foi explorado por nenhum brasileiro”.


Outro destaque foi a brasileira Valentina Sampaio, a primeira mulher trans a ser capa da Vogue Paris. Desfilou também pelo Victoria's Secret Fashion, evento promovido pela marca de lingeries para divulgar seu produto no mais alto nível da moda marcando história na premiação, principalmente por ser brasileira.


Em 2021, usando um vestido assinado por Iris von Herper, a cearense, em entrevista à Vogue comenta sobre ser chamada para o desfile: “Eu me sinto honrada de ter sido convidada para o Met Gala que, hoje, é o maior evento no mundo para o Fashion Business”. E sobre seu vestido, ressaltou principalmente o significado social dele: “Eu acho o assunto super-atual neste momento histórico de pandemia e, principalmente, após as recentes eleições presidenciais, que dividiram fortemente o país em dois partidos: Democratas e Republicanos. A escolha do vestido foi o momento mais delicado, pois o red carpet do Met Gala é o maior do mundo. Nele, sempre vimos looks incríveis e icônicos. Sobre o meu, posso afirmar que é maravilhoso!”.

Valentina Sampaio, com seu Iris van  Herper, em 2021. (Foto: Getty Images)
Valentina Sampaio, com seu Iris van Herper, em 2021. (Foto: Getty Images)

Porém, não há como fugir do maior nome da moda brasileira e uma das maiores do mundo: Gisele Bündchen. A super modelo gaúcha já foi a mais bem paga do mundo, e marcou história ao inovar em poses e movimentos em suas fotos. Além disso, já atuou em diversos filmes, como no sucesso “Diabo veste Prada”. Quando se trata de MetGala, a brasileira esteve presente em quase todos os desfiles desde 1999, impressionando sempre pela sua simplicidade, fidelidade ao tema e impacto.


No Brasil, a moda também vem crescendo e sendo marcada por eventos internacionais, como o MetGala, e também nacionais. Liz destaca: “A moda brasileira tem ganhado cada vez mais espaço e mais comentada e apreciada, principalmente por artistas”. Ela complementa: “O que temos de mais parecido com o Met Gala no Brasil, é o Baile da Vogue, um evento já tradicional que inicia o calendário de festas e comemorações de carnaval no Rio de Janeiro há 18 anos.” O Baile da Vogue se utiliza da época de pré- carnaval para inspirar os looks e maquiagens do evento, com mais expressão e características abrasileiradas.

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A influenciadora Gi Sayuri destaca benefícios econômicos e culturais do maior evento de moda do país
por
Laura Paro
|
23/06/2023 - 12h
A influenciadora de moda e lifestyle Gi Sayuri tem apenas 21 anos e já alcança mais de 700 mil seguidores no TikTok. (Imagem: arquivo pessoal)
A influenciadora de moda e lifestyle Gi Sayuri tem apenas 21 anos e já alcança mais de 700 mil seguidores no TikTok. (Imagem: arquivo pessoal) 

A São Paulo Fashion Week (SPFW) é o maior evento de moda do Brasil e o mais importante da América Latina. Ocupa o quinto lugar entre as maiores semanas de moda do mundo, perdendo apenas para as de Paris, Milão, Nova York e Londres. Para além da união de grifes brasileiras, estilistas, modelos e ícones da moda, o evento tem grande relevância ao refletir acontecimentos e comportamentos sociais através da roupa e dar espaço às pautas de interesse público. “A Fashion Week tem um grande peso em uma questão social, uma vez que valoriza cada região do país e coloca holofotes para nossa própria cultura. A moda nacional é esquecida e, num evento desse tamanho, podemos relembrar que o mercado fashion brasileiro move muito além de tendências: gera empregos, melhora a vida das pessoas e, em grande plano, mostra como é rica a produção de moda no Brasil”, afirma a influenciadora de moda Gi Sayuri, de 21 anos.  

Na edição deste ano, realizada entre 25 e 28 de maio, o tema “Origens” marcou as passarelas e mais de vinte marcas participaram do desfile, que ocupou espaços no Shopping Iguatemi, Senac Faustolo e Komplexo Tempo. Quase trinta anos após sua primeira edição, a Semana, além de gerar um grande movimento econômico, também abordou questões como a importância da sustentabilidade. "O evento simboliza, desde coincidências e convergências a sentido de revolução. A moda brasileira vive um momento especial e isso é muito bom para o mercado. É importante que a gente pense sempre em inovação. Nós investimos um protagonismo para esta indústria”, afirma Paulo Borges, sócio e criador da SPFW. 

Com o objetivo de organizar a produção de moda do Brasil, internacionalizar os desfiles e potencializar novos negócios no setor, os investimentos no evento começaram em torno de R$ 600 mil e hoje chegam a mais de R$ 5 milhões aedição. Hoje, participam da Semana 34 estilistas e mais de dois mil jornalistas para fazer a cobertura. A organização é feita meses antes da data do evento para que a indústria tenha ideias de quais serão as tendências futuras, com tempo de sobra para comercializar.  

Para Sayuri, tamanha é a influência do evento, que às vezes ocorre de forma imperceptível pelas redes sociais.  “Se você está passando pelo seu Instagram e vê uma pessoa com uma combinação de look legal, você se inspira e monta algo parecido instantaneamente. A mesma coisa acontece nos desfiles, onde você não só vê o que está chegando nas próximas temporadas como já pega várias ideias de composições”, afirma.  

Com o Instagram e o TikTok, o movimento fashionista ganha cada vez mais força e recebe uma proporção tão grande que não consegue ser ignorada pela mídia. As redes sociais também proporcionam um espaço para a representatividade e a diversidade no mundo da moda. “Cada vez mais, ainda mais com o poder da internet, as pautas sociais estão presentes, e as marcas estão abraçando as causas. Seja por representatividade regional, de corpos ou de gêneros, a SPFW tem se tornado uma vitrine para exibir tudo o que compõe o nosso país na pluralidade que ele sempre teve”, diz a influenciadora.  

Sayuri destaca a importância cultural da SPFW. Segundo ela, os desfiles contam histórias e as roupas exibidas funcionam como a caracterização de uma ideia, lugares e sentimentos. Inclusive, a cultura brasileira se mostra sempre presente no evento: “Acredito que cada Fashion Week traz a essência do lugar através dos desfiles e do que é desfilado, uma forma de mostrar, seja qual for o país, um pouco da cultura local. Para qualquer um de fora que queira saber como funciona a produção de moda brasileira, é num evento desse porte que é possível conhecer cada detalhe, tanto criativo quanto social da nossa moda”, conclui Sayuri. 

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