Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
por
João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
por
Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
por
Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

modelo celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

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Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

loewe
Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

givenchy
Foto/Divulgação: Givenchy

 

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Reconhecimento da estética periférica: como a moda se torna um ato político para reivindicar a liberdade de ser e de estar
por
Thainara Sabrine
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31/08/2023 - 12h

Loyal é um movimento de moda periférica que surgiu no extremo sul da periferia de São Paulo e vem transformando olhares para a moda desde 2017. O movimento une narrativas diversas e vivências marginalizadas, permitindo o reconhecimento do eu através da estética e da representatividade. 


A subversidade, neste caso, é se opor a padronização e vestir o que se é. Possibilitar encontrar em si próprio, ser a sua principal referência e, a partir disso, construir narrativas singulares que permitam reconhecimento. Neste caso, a moda está além da estética, mas principalmente como uma expressão em diversos sentidos.

No último sábado (26), aconteceu mais uma ação do movimento, desta vez, através do fomento à cultura periférica no “Estéticas das Periferias”, sediado na Organização não governamental (ONG) Núcleo de Acolhimento e Valorização da Educação (N.A.V.E) Capão Redondo. A ação propõe a coletivos independentes a oportunidade para a realização de atividades artísticas e culturais em seus próprios domínios.

                           

Mulher negra de cabelos longos e lisos desfilando com empoderamento. Veste uma peça de roupa que possui fendas por todo corpo
Desfile Loyal: 1000 trutas 1000 tretas. Modelo está vestindo "IURI". Foto por Thainara Sabrine

                
Movimentos que surgem e permanecem na periferia

O Loyal tem como parte de seu fundamento a seguinte condição: que as ações sejam sempre realizadas na periferia. “O Loyal surge na quebrada com público da quebrada, com os produtores, com os artistas, com os modelos de quebrada. A gente não quer se vender enquanto mercadoria da indústria, então o Loyal não é pra galera da ponte pra lá, é pra galera da quebrada”, comenta a idealizadora do movimento, Jaqueline Leal (Loyal).

Jaqueline também explicita que poucas pessoas se viam como criadoras ou modelos, mas a partir de seu primeiro desfile foi nítido o aumento do empoderamento individual e coletivo. 


Hoje podemos encontrar diversas marcas periféricas que surgem em decorrência da experiência no movimento e, como exemplo disso, temos as próprias marcas que participaram do último desfile  (Apolod, IURI e Loyal). Loyal reitera:  “Nós somos um movimento, não é algo isolado [...] nos promover entre a gente, fazer acontecer pra gente.” 
 

Homem negro desfilando empoderado, vestindo um casaco branco cheio de fendas
Desfile Loyal "1000 trutas 1000 tretas". Modelo está vestindo "IURI". Foto por Thainara Sabrine

                                   
1000 trutas 1000 tretas

Todo o espetáculo carrega uma temática a ser abordada e debatida entre os participantes e espectadores, pois reencontramos propostas que possam sugerir a discussão em torno da cultura ou estética periférica. Por isso, a proposta do movimento Loyal é também trazer para suas ações, discussões e celebrações que se relacionam com o cotidiano e as vivências de pessoas da periferia, viabilizando um sentimento real de pertencimento. 

Para o último desfile realizado, o movimento decidiu se inspirar na comemoração “50 Anos do Movimento Hip Hop”, Jaqueline Loyal explica: “A gente resolveu abraçar essa temática do Estéticas e de fato trazer essas intervenções sobre o Hip Hop e algumas informações que normalmente a gente não conhece como quem foram os pioneiros aqui, e lá fora”. 


Outras intervenções também tomaram conta dos palcos da última edição, como shows de Rap, Breaking, DJ Set e o Graffiti.

mulher negra com tranças longas, sorrindo, segurando um microfone, vestindo um cropped
Apresentação da cantora Afreekassia durante o desfile "1000 trutas 1000 tretas" do Loyal. Foto por Thainara Sabrine

                                       
O Loyal é um movimento coletivo, é um empoderamento da quebrada

Existem outros movimentos de moda acontecendo em paralelo ao Loyal, cada um em sua especificidade e com seus princípios. Quando questionada sobre o que o move  “O Loyal” Jaqueline comentou: “Não é só sobre a roupa, é o modelo que tá ali, é o público que tá na platéia, é o artista que tá se apresentando. A roupa é só um plus, um adereço. O que faz as coisas acontecerem são as pessoas e essa autoestima. Às vezes elas não se enxergam no dia a dia, mas quando vestem uma roupa do Loyal, Apolod ou IURI, se sentem empoderadas”. 


“É um movimento muito coletivo, então quando eu vejo alguém da minha família modelando, um vizinho desfilando, um vizinho que nunca vi cantar e ele tá lá no Loyal cantando, isso nos empodera energeticamente. Muitas pessoas ao meu redor se empoderam entre elas [...] é um empoderamento da quebrada, um movimento da quebrada e tudo muito coletivo. Para nós não importa muito o que ta rolando da ponte pra lá. Acho que quando fazemos esse contra-moda, esse movimento, nós nos empoderamos entre a gente.”

                                         

foto do corpo de uma mulher negra vestindo um top e uma saia de upcycling
Desfile Loyal "1000 trutas 1000 tretas". Modelo está vestindo "IURI". Foto por Thainara Sabrine


Durante sua trajetória, o Loyal também contou com a abertura de um Núcleo de Moda na Fábrica de Cultura do Jd. São Luís, dando início a mais uma atividade que propoẽ o saber sobre o moda e a valorização da criação periférica. 


No desfile, conversamos com LIZI (@cherodejasmim) que além de estudante do núcleo de moda, também é modelo e desfilou na Loyal nesta última ação. LIZI comentou sobre sua experiência: “O meu sentimento de desfilar na Loyal foi de grandeza, como um mulher quilombola eu represento muitas pessoas que infelizmente hoje não puderam estar aqui, mas é um privilégio enorme pra mim desfilar na quebrada, com 3 estilistas muito monstros [...] Loyal não é especificamente sobre as peças, mas sim sobre os modelos, sobre corpos, sobre identidade visual, identidade própria, e é muito gostoso se sentir representada por marcas assim.”

                                           

Mulher negra com a cabeça baixa mostrando penteado "bantu", enquanto segura correntes douradas
 LIZI mostra seus acessórios, correntes e penteado "Bantu Knots" que completaram sua éstetica no desfile "1000 trutas 1000 tretas". Foto por Thainara Sabrine

                                   
A subversidade de vestir o que se é está principalmente no ato de se enxergar enquanto potencialidade e representante da sua própria história. Loyal é um movimento que permite esse encontro através da coletividade e afirmação da própria identidade. 

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Aprofundando na estética e moda dos shows e do público!
por
Maria Clara Aoki
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11/09/2023 - 12h

Um ensaio fotográfico experimental no Festival "Quem é Quem", oferecido pela produtora "De Quintal", formada por Felipe Távora e Isadora Klock, contaram com atrações como Ana Spalter, Rosa Camaleão, Lince, Dj Set Ottopapi. O breve ensaio procura abordar a moda e a estética encontrada no brechó de Giulia Napoli e nos looks do público, somada ao cenário de uma casa repleta de obras de arte. 

Para mais informações dos próximos festivais e eventos da produtora, acesse o insta @dequintal.festival e fique por dentro de tudo. 

 

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Look de Olívia Pinatti. Foto por Maria Clara Aoki

 
 
 

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Show do cantor e compositor Lince. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

   

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Show do Dj Set Ottopapi. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

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A cantora Caru Cordeiro, integrante da banda Rosa Camaleão. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

 

 

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O baixista Theo Magalhães no show de Rosa Camaleão. Foto por Maria Clara Aoki

 

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Garimpos do brechó de Giulia Napoli. Foto por Maria Clara Aoki

 

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Os espaços do brechó presente no Festival. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

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 Os amigos Marcelo Canduta e Olívia Pinnati. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

9
Matheus Francisco, Theo Magalhães, Artur Santos e Pedro Toldi reunidos. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

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Mulheres e amigas conversando na sala de estar da casa. Foto por Maria Clara Aoki

 

 

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O baixista Valentim Frateschi, o cantor Lince e parte da organização do evento, Joana Izuno. Foto por Maria Clara Aoki

 

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Looks styles do casal abraçado. Foto por Maria Clara Aoki

 

Jovens garimparam suas roupas em brechós e no guarda-roupas de seus pais
por
Carlos Kelm
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11/09/2023 - 12h

Quando­ certa­ manhã­ Fernanda acordou­ de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama meta­morfoseada numa adulta chique e pretencisoa. 

Nossos millenials mais jovens estão cada vez mais perto dos trinta. Muitos deles não se identificam com o rótulo de adulto, nem com a ideia de sucesso e as demais cafonices que a acompanham. Pensando nisso, Fernanda decidiu abordar o assunto em sua festa de aniversário. Ela e seus amigos procuraram inspirações em filmes antigos, e no guarda-roupa de seus pais para montar looks divertidos e autoconscientes que remetem à "chiqueza" e à vida adulta.

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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm
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Foto: Carlos Kelm

 

Com enfoque histórico nos impactos ambientais, em 4 dias de evento a Copenhagen Fashion Week soprou ventos que abalaram a temporada de verão.
por
Bianca Athaide
Giovanna Montanhan
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21/08/2023 - 12h

Criada em 2006, a semana de moda escandinava vem estabelecendo seu espaço no universo fashion graças a seu caráter rígido para uma boa conduta sustentável.  Não recebendo o mesmo prestígio das quatro principais semanas de moda do universo fashion, a Copenhagen Fashion Week sintetiza a união de tendências e inovações no âmbito da moda sustentável, traço característico da cultura sueca. 

Com o título de irmã mais nova, essa semana traz o progressismo e afronte que um dia foi característico da - agora mais tradicional - Semana de Moda de Londres. Sua CEO Cecilie Thorsmark listou 18 padrões rígidos que englobam áreas como diversidade, cadeia de suprimentos e a vida útil das peças de roupa, que devem ser cumpridos por todos os designers e marcas que queiram usar a semana como vitrine para o mercado mundial. 

Assim, do dia 07 ao 11 de agosto, 31 marcas, entre elas veteranas e novatas, subiram às passarelas para mostrar o porque que Copenhagen está cada dia mais perto de roubar a coroa de capital da moda da antiga Paris.

Opening Day

O primeiro dia contou com a participação de grandes nomes como: Latimmier e A. Roege Hover, além da marca esportiva-casual 7 Days Active e da crescente estrela em ascensão Saks Potts. 

A marca que carrega os sobrenomes de suas criadoras (Barbara Potts e Catherine Saks) é a mais nova queridinha de estrelas como Kendall Jenner e Lily Rose-Depp, devido a seu espírito que funde alfaiataria com denim e brilhos. 

saks potts
Alana Hadid estreando nas passarelas com look que resume a identidade da Saks. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com

2º Dia

A estrela do segundo dia foi a marca finlandesa Rolf Ekroth e sua característica pegada romântica. Com looks de acento utilitário, combinando pontos dos anos 1960 e 1990, a coleção impressionou ao romantizar o grunge, sob um olhar ultra jovem. 

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9º look da coleção verão da Rolf Ekroth. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com

Além da finlandesa, outras 8 marcas brilharam no segundo dia: Nicklas Skovgaard; Lovechild 1979; Vain; Remain; P.L.N. e a inovadora Sunflower. 

A marca dinamarquesa abusou do pseudo jeans na maioria de seus looks. Com um forte elemento rockers do anos 80, o desfile foi ambientado pela banda Laid Back.

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Sunflower e o pseudo jeans. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com


3º Dia 

Com 9 marcas, o terceiro dia do evento teve uma maior presença de designers femininas, principalmente a ganhadora do Zalando Visionary Award, Paolina Russo, que teve seu debut no dia. A coleção da criadora inglesa teve enfoque na cultura do surf, com traços psytrance - estilo conveniente da comunidade frequentadora de raves - e leves toques hippies. 

Paolina Russo
5º look apresentado no desfile de Paolina Russo. - Reprodução: Andrea Adriani/ Gorunaway.com

4º Dia 

Na quinta-feira (10), penúltimo dia dos desfiles, foram a vez dessas marcas dominarem as passarelas: TG Botanical (marca ucraniana, que visa ampliar o conceito de moda relacionando-a com tecnologia e natureza); Munthe; Gestuz; The Royal Danish Academy; Mark Kenly Domino Tan; Helmstedt (marca alemã, com produção sob demanda em prol da sustentabilidade); Deadwood; Rotate e a tão esperada Ganni. 

A Ganni é uma marca escandinava comprada pelo casal Ditte e Nicolaj Reffstrup, que reestruturaram a grife. Os novos donos fizeram questão de frisar que não se identificam com o título de ‘’marca sustentável’’, pois alegam que no cerne da moda há um estímulo à novidade e ao consumo, o que se traduz como uma contradição significativa com o conceito de sustentabilidade, mas afirmam estarem comprometidos com uma meta absoluta de redução de carbono de 50% até 2027. E se antes o foco estava em peças de cashmere, agora está em refletir o estilo escandinavo e nórdico, porém com uma abordagem moderna, vibrante e atual, além de ser a queridinha das it-girls como, por exemplo, da modelo Kendall Jenner.

Ganni
Ganni na passarela. - Reprodução: James Cochrane

The Last Call - 5º Dia

A responsável por encerrar a Semana de Moda de Copenhague foi a escandinávia Fine Chaos – fundada por Marc C. Møllerskov, que tem como público-alvo a geração Y (nascidos entre as décadas de 80 e 90), além de desafiar as normas sociais por meio da expressão artística ao criar roupas sem gênero diretamente para as minorias da sociedade, e estar sempre em constante busca por maneiras de reduzir o impacto ambiental durante toda a produção, que conta com apenas de 40 a 60 peças por item.

Algumas personalidades brasileiras compareceram ao evento, entre elas a influenciadora Livia Nunes Marques, que em entrevista a Glamour, falou sobre suas impressões: ‘’nessa temporada há uma presença forte de roupas com texturas, que costuma ser o ponto de partida de qualquer look. O jeans também é uma aposta como full look. Além disso, a estética dos anos 2010 segue com tudo, dada a sua adesão de tendências como pops de neon, blazers em abundância (embora desta vez oversized e despojados)’’. 

É inegável que a indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, e que ainda de acordo com o blog de Lilian Pacce, ‘’os eventos em torno de uma semana de moda emitem uma grande quantidade de CO2, relativa a passagens áreas, comidas servidas, energia, deslocamentos etc. ‘’ 

Por esse motivo a Semana de Moda de Copenhague deve ser celebrada, por fornecer enfoque a marcas amigáveis ao meio ambiente, contrastando com  outros eventos que acontecem anualmente em Nova Iorque, Londres, Paris ou Milão, e que recebem até mais reconhecimento que o da cidade escandinava. 

 

 


 

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Na terça-feira (20), o cantor e compositor norte-americano assumiu oficialmente um dos cargos mais importantes da moda e apresentou uma coleção recheada de inovações.
por
Giovanna Montanhan
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28/06/2023 - 12h

Paris, a capital mundial da moda, foi o cenário escolhido para o lançamento da aguardada nova coleção da Louis Vuitton. A renomada maison francesa, conhecida por suas criações luxuosas e elegantes, realizou um desfile espetacular ao longo do Rio Sena, na icônica Pont Neuf. O evento foi marcado não apenas pela exuberância das peças apresentadas, mas também pela nomeação de Pharrell Williams como diretor criativo de moda masculina, assumindo o cargo de substituo de Virgil Abloh, que faleceu tragicamente em novembro de 2021, vítima de um câncer.

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

Virgil Abloh, um nome inesquecível na indústria da moda, foi um visionário que revolucionou o conceito de streetwear e o levou às passarelas de alta-costura. Como diretor artístico da linha masculina da Louis Vuitton, Abloh trouxe uma estética inovadora e ousada, que combina elementos urbanos com detalhes sofisticados.

 

Foto Reprodução: Forbes
Foto Reprodução: Forbes

 

O desfile da nova coleção primavera/verão 2024 foi uma verdadeira homenagem a Virgil. O cantor e produtor, já conhecido por seu estilo autêntico e ousado, abraçou a responsabilidade de continuar o legado de seu amigo. O desfile não apenas refletiu a visão artística de Pharrell, mas também prestou tributo ao trabalho de Abloh.

As peças de roupa apresentadas na passarela combinaram o estilo urbano com elementos de luxo. A coleção apresentou uma fusão única entre o universo do jogo Minecraft (bastante popular entre o público jovem) e a moda de alta-costura. Os figurinos exibiram alusões sutis ao popular jogo, com a presença de estampas pixelizadas e formas inspiradas nos elementos gráficos característicos do Minecraft.

A coleção também explorou a camuflagem de uma forma única trazendo uma nova perspectiva para esse clássico da moda masculina. As estampas camufladas foram combinadas com os pixels, criando um visual moderno e desconstruído. Essa abordagem inovadora da Louis Vuitton evidencia a capacidade da marca de se adaptar às tendências contemporâneas e ao gosto de uma nova geração.

 

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

 

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

 

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

O desfile também contou com a presença de diversas celebridades e personalidades do mundo da música e da moda. Beyoncé e Jay Z, sempre influentes na cena cultural, estavam entre os convidados ilustres que prestigiaram o evento. A cantora brasileira Anitta, reconhecida internacionalmente, também marcou presença. Além disso, Rihanna, Asap Rocky, Lewis Hamilton, L7nnon, Kim Kardashian, Maluma, Zendaya  e Willow Smith estavam entre os presentes.

 

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Foto Reprodução: Getty Images

  

 

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Foto Reprodução: Just Jared

 

  

 

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Foto Reprodução: Getty Images

 

 

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