Premiação a Frankenstein desperta debate sobre a nova vida do estilo gótico
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João Calegari
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26/03/2026 - 12h

A consagração de Frankenstein no Oscar 2026 ganhou forma pela minúcia da produção: o filme levou a estatueta de Melhor Figurino pelo trabalho da figurinista Kate Hawley, o que reconhece uma construção visual que extrapola a recriação de época. Em uma categoria marcada pela diversidade estética, a vitória reafirma o peso das escolhas visuais na narrativa e consolida o longa de Guillermo del Toro como um dos grandes destaques técnicos da premiação. Além de despertar olhares ao estilo norteador do filme, o gótico.

Porque na indústria cinematográfica atual, se engana aquele que acredita nas decisões editoriais realizadas ao acaso. A produção não se trata apenas de um bom processo na confecção de roupas, mas de decisões que fazem parte de um projeto: voltar os holofotes culturais para o estilo gótico novamente.

A parceria entre Guillermo del Toro e Kate Hawley não é de hoje, os dois trabalham juntos desde “Círculo de Fogo”, filme lançado em 2013. O diretor conta que fazia reuniões periódicas com Kate meses antes da produção se iniciar. Nelas, del Toro apresentava diversas convicções sobre os figurinos: havia uma necessidade de peças modernas, a produção não poderia se basear em uma  simples recriação de época. Por outro lado, Hawley apresentava a estética do romantismo gótico para os figurinos, proposta determinante para que o filme adquirisse a estética de “sonho melancólico”.

Foto: Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura.
Personagem Elizabeth usa vestido volumoso branco em meio a uma sala escura. / Fonte: Netflix

O filme dirigido por Guillermo del Toro adapta o clássico de Mary Shelley, de 1818, para uma nova linguagem. A obra original é considerada pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Ruy Castro, como o primeiro grande exemplar das histórias de horror modernas, além de ser o grande precursor do gênero de ficção científica. 

“O clássico conta a história de um horrendo ser, que ao despertar para o mundo, torna-se consciente de que é um monstro, rejeitado por todos” - Ruy Castro

A definição de Ruy também serve de modelo para a ótica gótica de se ler o mundo, já que essa estética se propõe a representar os rejeitados. A produção monumental proporcionada pela Netflix sugere um novo ritmo para a modernidade, assim como todo o estilo gótico. 

Foto: Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.
Arco de catedral no estilo gótico / Fonte: Pxhere.

É óbvio traçar o paralelo, a história original questiona a ambição humana ao criar seres que não se encaixam nos seus contextos. Assim como eram os edifícios que se mostravam gigantes derretendo em uma época de erudição regrada. Assim como, uma criatura de Victor Frankenstein decide se revoltar contra uma “elite do saber”. Ou, então, um trabalho de figurinos que decide inovar em meio ao clássico ao invés de uma simples recriação de uma época.

Talvez seja esse último que fez com que o trabalho de Hawley se destacasse em meio aos indicados ao prêmio de melhor figurino no Oscar. Uma vez que as propostas de Hamnet: A vida antes de Hamlet, Marty Supreme e Pecadores possuíam a recriação de períodos históricos como princípio norteador. A exceção entre os indicados é Avatar, por se tratar de uma produção com estética fantasiosa.

Foto: Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.
Personagem Elizabeth segura um crânio enquanto usa vestido verde com adereço de penas na cabeça. / Fonte: Netflix.

O gótico sempre foi uma forma cultural de lidar com os medos de uma época. No século XIX, ele refletia angústias ligadas ao avanço científico e à ruptura com antigas tradições religiosas, temáticas que são ainda mais atuais hoje do que no período de publicação do livro. 

Nesse sentido, o sucesso de Frankenstein (2025) revela também uma mudança no próprio cinema de horror. Se recentemente o gênero foi associado a necessidade de sustos rápidos e entretenimento descartável, produções como a de Del Toro reafirmam o potencial artístico e filosófico dessas narrativas. O gênero do terror volta a ser tratado como espaço de reflexão estética e existencial.

A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.
A criatura está sentada no contraluz de um sótão, um dos momentos em que percebe ser rejeitado por seu próprio criador. / Fonte: Netflix.

Na irregularidade formal das peças do filme, se vê um contraste claro. A obra acompanha um cenário de rigor anatômico, porém, nos trajes mais impactantes do longa, é perceptível um objetivo de perversão desse tecnicismo através dos excessos.

Tal lógica de excesso e simbolismo se estende às joias, assinadas pela Tiffany & Co., que empresta ao filme peças raríssimas de seu acervo. Colares como o “The Wade” e o “The Beetle” não funcionam apenas como ornamento, mas como extensão da própria construção estética do longa. Foi a primeira vez que a casa de joias novaiorquina reuniu obras de arquivo e peças contemporâneas em uma produção cinematográfica.

A peça mais emblemática da obra, o vestido de apresentação da personagem Elizabeth, interpretada por Mia Goth, é a prova disso. Elizabeth é o ideal de Lady europeia do Século XVIII, é guiada pelo cuidado e empatia. É, portanto, a grande antítese do protagonista.

O vestido é volumoso e ganha transparência em contato com a luz, mas o que chama atenção mesmo é o adereço de cabeça feito de penas, que aparenta orbitar a cabeça da personagem, elemento que transmite a sensação onírica proposta por Kate Hawley.

croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.
Croqui do vestido de Elizabeth ilustrado na campanha promocional do filme. /Fonte: Netflix.

Mas além dele, o filme é recheado por outros vestidos com silhuetas dramáticas e exageradas, tecidos pesados e volumes acentuados. Mas além disso, na maioria das cenas, a direção de del Toro propõe a escuridão como elemento transformador dos figurinos de Hawley. Todos se engrandecem no escuro, ganham novas formas nas cenas de contraluz e assim, a escuridão ganha protagonismo na obra. 

Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix
Vestido da personagem Elizabeth em luzes escuras, destacando a variedade de tecidos do vestido / Fonte: Netflix

Por fim, a vitória de Frankenstein no Oscar de figurino não representa apenas um prêmio técnico. Ela simboliza a necessidade de questionar o universo cultural em que estamos inseridos. Ao pautar o retorno do gótico, estamos remodelando a forma de se observar os comportamentos sociais por meio das manifestações artísticas. É notável que a estética gótica propõe uma nova forma de se observar um mesmo mundo. 

A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix
A criatura usa vestes de sobreposição enquanto veste um capuz. Está sozinho em um lago congelado. / Fonte: Netflix

 

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Duas das casas mais importantes da atualidade exploram seu legado e aproveitam para se reinventar
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Liz Ortiz Fratucci
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17/03/2026 - 12h

No último domingo (8), em Paris, Jean Paul Gaultier e McQueen marcaram o sétimo dia da Semana de Moda parisiense, com coleções que revisitaram a história de suas casas.

Desde a aposentadoria de Jean-Paul Gaultier das passarelas em 2021, a maison adotou um modelo rotativo para a direção criativa: toda temporada um designer diferente é convidado para reinterpretar os códigos deixados por Gaultier. Para a coleção de Outono/Inverno 2026, Duran Lantink foi convidado para assumir brevemente a direção de criação pela segunda vez. O legado da marca foi revisitado por Lantink através da subversão de gêneros e de peças provocadoras e irônicas.

O designer apresentou um equilíbrio entre o novo e as homenagens. Sua experiência na criação de volumes resultou na reinterpretação de clássicos da casa, como o corset, as silhuetas estruturadas e os jogos de trompe-l’œil - técnica artística que utiliza perspectivas e ilusionismo para criar a ilusão de ótica - que marcaram a carreira de Jean-Paul Gaultier.

O fundador da marca homônima é notório por misturar elegância e teatralidade. Em seus desfiles, a passarela transformava-se em um espetáculo performático com personagens, humor e apresentações visuais que iam além das peças. Lantink, dialoga com esse universo lúdico ao apresentar personagens western, esportistas e que evocam vilões de cinema.

Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26. Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier FW26.
Foto: Divulgação/Jean Paul Gaultier

 

“Explorar a tensão psicológica entre a interioridade e a exterioridade; performance e paranoia…” explica Seán McGirr, no release, o que ele quis retratar nessa temporada. Assim como McQueen, McGirr usa filmes como inspiração. “Safe” de 1995 influenciou a coleção à explorar temas como ansiedade, identidade e tensão psicológica. 

Com uma trilha sonora inquietante assinada por Ag Cook - colaborador frequente da cantora Charli XCX - o designer apresentou sobretudos usados como vestidos curtos, botas que chegavam até os joelhos e mini saias que evocavam a moda dos anos 60 de Mary Quant. 

Por baixo dos blazers acetinados, surgiam blusas com flores bordadas à mão e outras aplicações que remeteram a escamas. Alguns dos looks apresentaram peças de crochê feitas com material metálico.

A herança de Alexander McQueen foi resgatada por meio de calças de cintura baixa com aprofundamento na parte de trás, conhecida como “bumsters”. A clássica bolsa Knuckle Clutch também teve uma releitura, enquanto um cachecol estampado com caveiras retomou um dos símbolos mais reconhecíveis da Alexander McQueen.

Ao final do desfile, são introduzidos vestidos esvoaçantes feitos de organza, rendas e cetim. McGuirr deixa claro que a renda não surge apenas como ornamento, mas como um elemento íntimo que revela o interior. A coleção encerra com uma noiva com um vestido e um gorro inteiramente brancos e bordados com flores. 

McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
McQueen FW26. Foto: Divulgação/McQueen
 



 

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Alfaiataria precisa, romantismo gótico e referências a diretores criativos antecessores marcaram os desfiles do sexto dia.
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Liz Ortiz Fratucci
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11/03/2026 - 12h

No último sábado (7), em Paris, Celine, Ann Demeulemeester e Balenciaga estiveram entre os principais desfiles do dia. As coleções apresentaram diferentes leituras dos códigos de cada maison, combinando referências a seus arquivos com as interpretações de seus atuais diretores criativos.

“Eu acredito que a Celine é o lugar que você vai encontrar peças lindamente cortadas e uma silhueta mais fina” disse Michael Rider, o diretor criativo da Celine, em entrevista para Vogue. Para Rider, a tendência do oversized presente na última década está começando a sair de cena e por isso, nessa nova coleção, ele volta a enfatizar silhuetas mais ajustadas e uma alfaiataria precisa.

Em suas duas últimas coleções para a marca, o designer trouxe a estética preppy para as passarelas. Porém, nessa coleção ele apresenta um estilo diferente, focado na alfaiataria: casacos e ternos com ombros estruturados e calças flare encurtadas. 

Os acessórios causam dissonância no styling: chapéus em formato de sino e cachecóis aparecem cobrindo o rosto das modelos; alguns homens aparecem usando coroas de penas; colares ou brincos maximalistas compõem alguns dos looks.

O desfile foi ambientado em um salão inteiramente branco, com grandes amplificadores de som de aparência vintage espalhadas pelo espaço. Nas caixas de som, músicas do norte-americano Prince se misturavam a um mix de rock que reforçava a atmosfera de banda de garagem da coleção.

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Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
 
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine
Celine FW26. Foto: Divulgação/Celine

Na Ann Demeulemeester, a coleção foi exibida na Couvent des Cordeliers de Paris e foi chamada de “Dear Night Thoughts”, expressão que o diretor criativo da marca, Stefano Gallici, usava quando criança ao começar a escrever uma nova página em seu diário.

A locação do desfile já foi usada anteriormente pela marca por possuir uma arquitetura medieval e sombria que complementa a atmosfera poética e melancólica característica da maison. 

Nessa temporada, o DNA da marca foi resgatado por looks monocromáticos pretos, saias com camadas fluidas e silhuetas andróginas e alongadas. A coleção foi composta por peças de estética colegial, blazers com brasões, jaquetas militares, capas de ombro com golas que remetiam a era vitoriana, punhos e colarinhos com rufo (babados ou pregas franzidas, geralmente aplicado em golas ou punhos), camisetas por cima de camisas, vestidos de renda, cadarços longos que saíam das camisas e balançavam ao caminhar, além de peças de couro com franjas.

Em meio a um casting diverso, o cantor inglês de rock, Billy Idol, fez uma participação surpresa e desfilou vestindo uma capa de couro preta com franjas, colete preto, camisa branca com gola rufo, calças pretas e botas de couro. 


 

Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Ann Demeulemeester FW26. Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester
Billy Idol na passarela da Ann Demeulemeester FW26.
Foto: Divulgação/Ann Demeulemeester

Em sua segunda temporada na Balenciaga, Pierpaolo Piccioli dialoga tanto com o legado do fundador da casa, Cristóbal Balenciaga, quanto com a estética de seu antecessor, Demna Gvsalia.

A coleção foi chamada “ClairObscur” (claro e obscuro) e explorou a ideia de luz e escuridão, inspirada na pintura barroca de Caravaggio. A intenção de Piccioli era criar um “fresco de humanidade”, refletindo emoções e contrastes da vida contemporânea. 

O desfile também teve uma colaboração inusitada com o diretor Sam Levinson, criador da série Euphoria, que criou um vídeo imersivo com imagens de paisagens naturais mescladas a rostos humanos. A trilha sonora, também feita por Levinson, foi uma mistura de música clássica, com canções de Rosalia e de Labrinth. 

Dessa vez, Piccioli faz referência a Balenciaga dos anos 1950 e 1960 em peças como: casacos longos, cocoon coats (silhueta arredondada e volumosa, que envolvem o corpo como um casulo), vestidos drapeados e casacos com silhueta balloon (formato em que a peça cria volume curvo para fora do corpo, lembrando um balão). O streetwear da era Demna aparece em: estampas inspiradas na série "Euphoria”, moletons, leggings, jaquetas utilitárias, botas até o joelho, tênis robustos e óculos futuristas. 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga


 

Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga
Balenciaga FW26. Foto: Divulgação/Balenciaga

 

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Com 68 desfiles previstos, a semana de moda começou com grandes destaques, misturando tradição, inovação e presença internacional
por
Amanda Lemos
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10/03/2026 - 12h

A semana de moda de Paris começou na segunda-feira (02) e foi até o dia 10. O evento encerrou o calendário internacional de desfiles, que teve etapas anteriores em Nova York, Londres e Milão. A abertura foi realizada por alunos do mestrado de vários países do Institut Français de la Mode (IFM), uma das instituições de moda mais prestigiadas do mundo. Ela prepara profissionais para entender a moda como sistema, não apenas como estética. Além disso, o primeiro dia contou com a presença de marcas como Hodakova, Vaquera e Julie Kegels. Os desfiles do primeiro dia aconteceram no Jardim das Tuileries. 

O evento começou com foco em novos designs, trazendo coleções que misturavam tradição e modernidade. Algumas marcas como Dior, Gucci e Fendi, têm investido em novos diretores criativos para renovar os códigos tradicionais das casas de moda. Os looks chamavam atenção por suas cores vibrantes e peças marcantes. A passarela foi organizada em formato circular, permitindo que o público tivesse uma visão completa do desfile. 

Vista aérea do palco da Paris Fashion Week 2026, com passarelas de vidro sobre espelhos d’água esverdeados, cercados por estruturas modernas e plantas aquáticas.
Palco dos desfiles da semana de moda de Paris 2026 no Jardim das Tuileries - Foto: @dior / Instagram 

A Hodakova, marca sueca fundada em Estocolmo, foi uma das primeiras a desfilar. A coleção foi assinada por Ellen Hodakova Larsson, fundadora e diretora criativa da marca e trouxe uma tendência de moda conceitual e sustentável. A paleta de cores, dominada por tons neutros e sóbrios, como preto, bege, cinza e off-white, evidenciava as formas e os volumes das peças. A grife investiu em costuras aparentes, sobreposição e proporções deslocadas. 

A Vaquera, grife norte-americana fundada em Nova York, também marcou presença com uma ideia de tensão entre perfeição e caos. Com coleção assinada pelos diretores criativos e também criadores da marca Patric DiCaprio e Bryn Taubensee, se reafirmou como uma das marcas mais excêntricas do cenário atual. Ela brincou com proporções e texturas, trazendo para a passarela silhuetas exageradas e uma estética que provoca reflexões sobre identidade. Assim, desafiando os códigos tradicionais da moda. 

As coleções apresentadas pelas marcas no início da semana de moda de Paris 2026, trouxeram um panorama inicial das propostas que foram exibidas ao longo dos demais dias. 

Modelos desfilam criações conceituais da Hodakova na Paris Fashion Week 2026, com looks experimentais feitos de materiais reaproveitados, incluindo peças esculturais e combinações minimalistas, em passarela intimista.
Desfile da Hodakova na semana de moda de Paris 2026 - Foto: Hodakova
Cartaz digital em estilo "DIY" e punk, com estética de xerox em preto e branco de alto contraste sobre um fundo branco. No topo, o texto em letras maiúsculas e levemente inclinadas diz "VAQUERA DÉFILÉ". Abaixo, as informações do evento: "MONDAY MARCH 2ND" (Segunda-feira, 2 de março) e o horário "8:30PM".
Post feito pela Vaquera no instagram para anunciar data e hora do desfile - Foto: @vaquera.nyc / Instagram

 

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Estilistas consolidam suas assinaturas criativas e reinventam elementos clássicos com frescor.
por
Helena Haddad
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10/03/2026 - 12h

No quinto dia da Paris Fashion Week Outono/Inverno 26-27, as direções artísticas mostraram como é possível honrar legados e, ao mesmo tempo, projetar novas visões nas passarelas. Os desfiles, realizados em locais históricos, têm reforçado as narrativas propostas. Confira os principais destaques das coleções.

Mugler

Marcando o segundo capítulo da sua trilogia para a Maison, Miguel Castro Freitas entregou a coleção The Commander (O Comandante). A ideia é revisitar os “clichês” da Mugler, os ombros afiados e arquitetônicos, a silhueta dramática e o power dressing

mugler
Foto/Divulgação: Mugler 

A narrativa contou com mulheres confiantes e em posição de comando. As ombreiras marcantes, inspiradas em uniformes militares, reforçaram essa figura de autoridade e, claro, a silhueta de ampulheta.
Cintos largos aparecem ao lado de bolsos utilitários, enquanto a alfaiataria surge como um dos principais destaques da coleção, em peças de diferentes cortes e em tons como azul, bege, roxo e preto. Na Mugler, o glamour esperado aparece em texturas metalizadas, lisas e plissadas, além do couro que molda o corpo

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Foto/Divulgação: Mugler 

Loewe

Na segunda coleção dos estilistas Jack McCollough e Lazaro Hernandez para a Loewe, marca espanhola, o desafio foi mesclar peças de verão, em uma temporada de inverno. Para os dois estilistas estadunidenses, a Espanha remete ao calor, que se manifesta nas cores, nas texturas e nas roupas.

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Foto/Divulgação: Loewe

Na coleção, é possível encontrar peças de verão, muita influência do estilo esportivo. Os vestidos aparecem como toalhas. O tecido felpudo, na verdade, é resultado de pontos de tricô minuciosamente trabalhados. O látex e o couro coloridos fazem parte da essência da marca, junto do xadrez colorido.

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Foto/Divulgação: Loewe

 Aqui, os diretores honraram as raízes divertidas da Maison, mas também imprimiram nelas sua própria marca


Givenchy


Sendo uma das únicas mulheres à frente de uma casa de luxo, Sarah Burton trouxe o protagonismo feminino de uma forma sexy e rígida.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Nesta coleção, Burton desconstruiu e brincou com peças clássicas. A camisa social apareceu com as costas para a frente, trazendo um colarinho dramático e divertido. Para a estilista, não há um limite quando se trata de moda feminina, do vestido de oncinha ao terno elegante.

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Foto/Divulgação: Givenchy

Teve o inusitado couro estampado, o uso de estampas florais com franjas dramáticas e a renda preta combinada com acessórios extravagantes. Já seda apareceu no final do desfile. O ponto alto da coleção: top de jóias, feito de pedras e metais. A peça resgata um dos looks mais famosos da Givenchy, já usado pela cantora e rapper estadunidense Doechii, no Grammy deste ano. Uma verdadeira obra de arte.

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Foto/Divulgação: Givenchy

 

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A semana de moda italiana de 2023 aconteceu entre os dias 20 e 25 de setembro e contou com 62 desfiles, além da estreia da designer brasileira Karoline Vitto.
por
Giovanna Montanhan
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05/10/2023 - 12h

A Semana de Moda de Milão (MFW) acontece anualmente desde 1958, nos meses de fevereiro e setembro. Antigamente, o evento era apresentado pela associação da Camera Sindacale della Moda Italiana, que mudou de nome para Camera Nazionale della Moda Italiana. Na época, o evento se resumia a exibir desfiles de moda e exposições que apresentavam a indústria da moda italiana, hoje em dia, tem como objetivo promover estilistas italianos tanto na Itália quanto internacionalmente. 


Primeiro dia (20/09)

Destaques:

Fendi: fundada em 1925 por Adele e Edoardo Fendi. A marca começou como uma pequena boutique no coração de Roma, especializada em bolsas e peles. O designer britânico Kim Jones assumiu o cargo de diretor artístico da alta costura em 2020, ao lado das diretoras artísticas Silvia Venturini Fendi e Delfina Delettrez Fendi, respectivamente, a terceira e a quarta geração da família Fendi. A grife ficou conhecida por seu modelo icônico de bolsa baguette.

Na passarela, Kim apresentou uma coleção refinada para mulheres elegantes e modernas, misturando tons neutros aos pastéis e multicoloridos para criar seus visuais. Peças que carregavam o monograma da marca também estavam presentes, além do uso de tecidos leves, como a seda, e alfaiataria. 

Os acessórios combinados foram desde bolsas - bolsas-cargo repletas de compartimentos,  mini bolsas e as clássicas baguette com o logo aparente - até luvas de couro, usadas por todas as modelos. 

Segundo o diretor artístico da marca, ‘’Há uma elegância na facilidade e no fato de não se importar com o que os outros pensam - esse é o verdadeiro luxo. Nessa coleção, eu queria refletir isso".

 

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Foto: Getty Images

 

Roberto Cavalli: criada em 1970 pelo designer de nome homônimo da marca. Conhecido por suas peças com estampa animal em couros e em tecidos e o estilo prêt-à-porter (expressão francesa que significa “pronto para vestir”) , o conceito de Cavalli reflete nas roupas fabricadas em tamanhos padrão, acessórios - incluindo bolsas, óculos, relógios, sapatos, perfumes - e joias.

O desfile foi capaz de traduzir a essência do conceito de primavera na passarela. Muitas plumas, recortes e transparências, além do uso exacerbado de cores vívidas, que remetem à próxima estação. 

 

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Foto: NOWFASHION

 

 

Diesel: estabelecida em 1978 por Renzo Rosso. A escolha do nome da marca foi pela pronúncia, pois se mantém a mesma em todo o mundo. É especializada em jeans de alta qualidade, além de acessórios para mulheres, homens e crianças de todas as idades. 

O desfile chamou a atenção quando a marca enviou câmeras analógicas como forma de convite. 

O desfile aconteceu a céu aberto, debaixo de chuva, no qual os convidados precisaram usar guardas-chuva para assistir. As peças em jeans, tie dye (técnica de tingimento de tecidos), látex, couro e casacos puffer (modelo acolchoado) foram itens que tiveram destaque. 

 

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Foto: Getty Images

 


 

Segundo dia (21/09)

Destaques:

Prada: fundada em 1913 por Mario Prada e por seu irmão Martino. A grife, inicialmente era chamada “Fratelli Prada” (Prada Brothers), e vendia acessórios para viagem como baús, malas e produtos de couro. 

Em 1978, a neta de um dos fundadores, Miuccia Prada, passou a comandar a marca ao lado de seu esposo, Patrizio Bertelli.

O desfile foi marcado por looks que transitaram entre o delicado e o ousado. As modelos usaram toucas justas o tempo todo, além de exibir peças bem construídas, como jaquetas com mangas largas, lenço de seda no pescoço formando uma espécie de capa, shorts de cintura alta, vestidos transparentes em cor pastel, saias douradas e prateadas com franjas, cintos de couro e camisas florais com franjas. 

 

 

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Foto: Isidore Montag


 

MM6 Maison Margiela: é uma segunda linha da marca, criada em 2012, na França, pelo designer Martin Margiela. Foi lançada por Maison Margiela, que anteriormente era chamada de Maison Martin Margiela (1988). 

O fundador é considerado uma das personalidades mais misteriosas do mundo da moda, cuja principal característica é o anonimato, e até hoje, nunca se viu uma foto dele sequer. 

O desfile foi marcado pela presença de looks que remetem aos anos 90, mantendo os trajes elegantes em destaque, com foco no estilo clássico por meio de tecidos brancos e cinza escuro listrados, além das camisas sem manga prateadas, combinadas com bodys e decote profundo, calças oversized, casaco sobretudo de couro, coletes e shorts modelo vintage. 

 

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Foto: Getty Images

 

 

 

MOSCHINO: criada em 1983 por Franco Moschino. Suas coleções são caracterizadas por serem extravagantes, ousadas e excêntricas, sempre fazendo o uso de muitas cores. Desde 2013, o designer norte-americano Jeremy Scott comandava a direção criativa, mas deixou o cargo em março deste ano. 

O desfile celebrou os 40 anos da grife e convidou as estilistas Carlyne Cerf de Dudzeele, Gabriella Karefa-Johnson, Katie Grand, e Lucia Liu para montarem dez looks cada. 

A inspiração para esta coleção foram as décadas de 80 e 90, marcadas por modelos com silhueta bem definida. As peças criadas por Carylne trouxeram a marca de volta às origens de seu criador (Franco Moschino), com ternos brancos de dois botões, junto a calças cinza plissadas e golas altas pretas. Os acessórios exibidos foram bolsas em formato de coração, brincos e colares. 

Gabriella, por sua vez, estilizou os clássicos chapéus de cowboy, apresentou vestidos de crochê e joias marcantes, além de apresentar seus visuais ao som da música PURE/HONEY da cantora norte-americana Beyoncé. 

Katie, tinha o intuito de montar suas peças em cima de slogans chamativos. 

Alguns bodys que estampavam pontos de interrogação, outros que delineavam o corpo nas cores preto e branco, outras peças continham, em letras garrafais, a frase Loud Luxury ( que remete a ideia de fácil identificação da marca de luxo pelo público geral).

Por fim, Lucia, que adotou uma abordagem mais romântica e conceitual. E Liu, que usou muito ouro, ferragens em forma de coração e bordados florais em silhuetas delicadas. 

 

 

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Foto: Getty Images

 

 

Emporio Armani: é a segunda marca da família ‘’Armani’’, estabelecida em 1975 por Giorgio Armani e Sergio Galeotti

Na passarela, foram apresentados conjuntos organizados por cor - permitindo uma fusão de nuances, estilos e tons. A coleção começou com tons neutros de prata, bege, preto e cinza antes de passar para tons de verde, azul, roxo e rosa. Além disso, foram exibidos conjuntos formados por duas peças, blazers, vestidos, saias fluidas, shorts, tops de soutiens e blusas transparentes. E tudo isso, claro, sem perder a elegância tradicional da grife. 

 

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Foto: Getty Images

 

Tom Ford: fundada em 2005 pelo designer de nome homônimo.

Em 1990, Tom foi contratado no cargo de designer prêt-à-porter feminino da grife italiana Gucci. Em 1994, tornou-se diretor criativo da marca. Sob seu comando, o grupo Gucci adquiriu a Yves Saint Laurent - grife francesa - fazendo com que ele também assumisse os papéis de diretor de criação e diretor de comunicação da nova marca adquirida, enquanto exercia sua função na Gucci. 

Em 2004, pediu demissão e iniciou sua própria marca. 

O desfile marcou a estreia de Peter Hawkings como diretor criativo da grife, que apresentou looks em tons neutros e vibrantes, que iam de ternos despojados a peças em couro, decotes exagerados, metalizados, vestidos transparentes, franjas e alfaiataria.

 

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Foto: Getty Images



Terceiro dia  (22/09)

Destaques: 

Gucci: estabelecida em 1921 por Guccio Gucci. O fundador da marca veio de uma família simples, trabalhava como porteiro em um hotel em Londres e após muitos anos observando malas de viagem, decidiu criar seu próprio negócio para vender bolsas e malas. 

Em um primeiro momento, o foco da marca era artigos feitos em couro de alta qualidade por artesãos. Depois de um tempo, a Gucci passou a ampliar sua fabricação, e começou a produzir luvas, bolsas, cintos e sapatos. 

O desfile foi marcado pela estreia do novo diretor criativo, Sabato de Sarno, que entregou um show que não agradou os amantes da moda! Os espectadores disseram que a nova coleção não parecia uma grife, mas sim peças de fast fashion, como da Zara, por exemplo. Uma das reclamações foi a falta de criatividade e originalidade de Sabato para esta coleção, alegando que o trabalho feito pelo antigo diretor criativo Alessandro Michele (que durou sete anos) foi muito mais memorável e ousado. 

Foi possível observar na passarela, muitas peças em alfaiataria, como: os micro shorts-saia e casacos compridos, aplicações de franjas, camisetas brancas e regatas, mocassins de plataforma, vestidos brancos de cetim e muitos visuais estampados com o monograma da grife, como coletes oversized  e bolsas já conhecidas pelo público. Foram desfilados também blazers e terninhos com pele à mostra, jaquetas de couro rígidas, túnicas cintilantes, lapelas de cristal. Os acessórios que mais chamaram atenção foram as joias volumosas douradas e os óculos de sol. 

 

 

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Foto: Getty Images

 

 

Versace: fundada em 1978 por Gianni Versace. Suas peças sempre foram conhecidas por explorarem a sensualidade feminina por meio do uso do couro, com recortes e modelagem que marcaram a silhueta, além de cores vibrantes e estampas que não passavam despercebidas. 

Em 1997, Gianni foi brutalmente assassinado em frente à sua mansão, em Miami. A partir de então, Donatella Versace, sua irmã, que já dividia tarefas com ele, assumiu o comando como diretora criativa e permanece no cargo até hoje. 

O logotipo traz a imagem da Medusa - figura mítica grega que exala sensualidade, teatralidade e classe, conceitos que, de acordo com a grife, são essenciais para a representação que ela deseja transmitir. 

Donatella trouxe os anos 60 para a passarela! Apresentou vestidos sem mangas curtos e botas até o joelho, que remetem à estética retrô e cores pastéis na maioria dos looks. As modelos usavam cabelos volumosos e rabos de cavalo altos, com faixas de cabelo. Além disso, foi possível observar vestidos evasê adornados com mangas bufantes, conjuntos comportados em alfaiataria fluida e peças floridas em crochê. Modelos em seda, couro, tweed, bem como tricô e tecido transparente compuseram a maior parte da coleção.

 

 

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Foto: Getty Images

 

Boss: criada em 1924 por Hugo Ferdinand Boss, na Alemanha, após o fim da Primeira Guerra. 

A marca, inicialmente, ficou conhecida por produzir fardas militares e uniformes para o partido nazista, no qual era associado. 

Hugo faleceu em 1953 e foi substituído por seu genro, que mudou a imagem da marca. O foco continuou no estilo masculino, mas na produção de ternos que ficaram conhecidos como “ternos Hugo Boss”. 

Em 1967, passou a ser comandada por seus netos que transformaram o conceito da marca para um estilo mais moderno e autêntico. Nas décadas de 70 e 80, a grife apostou no estilo esportivo e na elite, investindo na Fórmula 1, no golfe e no tênis. Em 1998, entrou para o universo feminino, com peças minimalistas e elegantes. 

Marco Falcioni apresentou uma coleção clássica, seguindo os moldes tradicionais. Com saias lápis, casacos estruturados, blusas drapeadas e com decotes, cores neutras e maletas adornadas como acessórios. 

 

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Foto: Getty Images

 

Quarto dia (23/09)

Destaques:

Ferragamo: fundada em 1927 por Salvatore Ferragamo. Marca conhecida por criar modelos memoráveis de sapatos feitos à mão. Nos dias de hoje, também produz acessórios e perfumes. Algumas atrizes como Marilyn Monroe, Greta Garbo e Sophia Loren já usaram pelo menos um dos modelos de suas criações, nessa perspectiva, passou a ser conhecido como “sapateiro das estrelas”. 

Nesta coleção, o diretor criativo britânico Maximilian Davis, tirou a cor vermelha do destaque e deu espaço para os tons neutros brilharem! A paleta girava em torno do preto, branco, um pouco de verde e sutis detalhes de vermelho.

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Foto: Getty Images

 

Dolce & Gabbana: criada em 1985 por Stefano Gabbana e Domenico Dolce. A dupla de designers faz questão de exaltar seu país de origem (Itália) sempre que podem. A marca tem como característica o uso de símbolos religiosos na grande maioria de suas peças, além de abusar de estampas florais. 

A grife já se envolveu em algumas polêmicas, como em 2013, quando Domenico (que se considera homossexual) se posicionou contra a adoção de crianças por casais homoafetivos, alegando que o modelo tradicional (mulher + homem) de família seria o correto.

Um tempo depois, a marca fez uma coleção que exaltava o culto à magreza extrema, exibindo tênis e bolsas com as seguintes palavras: “magra e maravilhosa”.

Em 2018, se envolveu em mais um escândalo. Antes de apresentar um desfile na China, a grife divulgou um vídeo no qual uma modelo chinesa, vestida com trajes típicos, tentava comer pizza usando hashis. O motivo do “humor" se concentrava na tentativa falha. O vídeo foi acusado de carregar xenofobia e sofreu boicote. 

Nesta coleção, os tons neutros tiveram destaque! O desfile fez uso do preto e branco, que acabou dominando a passarela, chegando até a receber o nome  de ‘’Woman’’ (Mulher). Vestidos assimétricos de chiffon preto com poás de renda e transparente, junto de laços amarrados no pescoço, smokings desconstruídos, micro shorts, babados e estampas florais foram algumas das peças desfiladas. Algumas roupas tinham colarinhos brancos ou detalhes em camisas sociais brancas. Além de uma seleção de ternos, jaquetas e vestidos completamente brancos. As modelos carregavam pequenas bolsas de mão e usavam saltos agulha ou botas pretas de cano alto.

Sem esquecer de mencionar a icônica estampa animal da marca em capas de chuva brilhantes. 

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Foto: Getty Images

 

 

The Attico: estabelecida em 2016 por Gilda Ambrosio e Giorgia Tordini. As inspirações da dupla para criar suas coleções se baseiam nos palácios e casas de Lago, abordando a proposta vintage que a marca deseja transmitir.

A The Attico fez sua estreia na Semana de Moda de Milão nesta edição e apresentou 42 looks, dentre eles tecidos transparentes (com vestidos) e lantejoulas espelhadas, calças cargo, jaquetas oversized, calças prateadas, sobretudos oversized, blazer com ombreiras, meias adornadas com penas, echarpes, sapatilhas cravejadas com cristais e bolsas brilhantes. 

 

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Foto: Getty Images

 

Bottega Veneta: fundada em 1966 por Michele Taddei e Renzo Zengiaro. Sua especialidade sempre foi criar peças refinadas de couro usando o método intrecciato - couro trançado que vem do trabalho artesanal. A marca vai na contramão da ideia de luxo ostentação e parte do princípio do ‘’Quiet Luxury’’ - termo adotado por pessoas da alta sociedade que desejam utilizar peças de grife de maneira discreta. 

O conceito do desfile foi uma verdadeira ‘’floresta fashion’’ - na qual o diretor criativo da marca, Matthieu Blazy, transportou os convidados para o distrito de Bovisa, que foi todo colorido com mapas pintados à mão e convites em formato de relógios de bússola de couro. As peças iam de casacos de tweed a bolsas de mão brilhantes, malhas em patchwork, casacos de franja, camisas listradas e gravatas de couro, além de exibirem jornais como se fossem acessórios. 

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Foto: Getty Images

 

 

Quinto dia (24/09)

Destaques:

Giorgio Armani: criada em 1975 pelo estilista de nome homônimo e por Sergio Galeotti. A marca não está somente no mercado do vestuário, mas também nos perfumes, acessórios, itens de decoração, coleções esportivas e itens dedicados a crianças. A grife é famosa por produzir peças elegantes de alfaiataria, como blazers e ternos, em tons neutros, roupas com a silhueta feminina marcada e vestidos modelo ‘’sereia’’ e paetês, considerados o carro-chefe da grife. 

Armani intitulou esta coleção como ‘’Vibes’’ e se inspirou em cores, texturas e movimentos que remetem à água, como por exemplo, o uso de tecidos fluídos em tons de azul e verde. 

 

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Foto: Getty Images

Karoline Vitto: fundada em 2019, em Londres, pela estilista brasileira de nome homônimo da marca. Para vir a Milão desfilar sua primeira coleção solo, teve o apoio da italiana Dolce & Gabbana. Sua intenção sempre foi divulgar os corpos reais e curvilíneos, deixando de lado os estereótipos de beleza convencionais. 

Vitto costuma investir em peças que contém recortes e várias numerações. Na passarela, foi possível observar modelos mid-size e plus-size usando vestidos tubinhos, saias lápis, transparências, calça cintura baixa e muitos decotes, sendo a maioria das peças adornadas com aplicações de metais. 

 

 

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Foto: Gorunaway.com

 

 

 

 

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Até hoje marcas utilizam símbolos nazistas em coleções, ignorando a história e gerando polêmica
por
Bianca Athaide
Helena Cardoso
|
22/11/2023 - 12h

Por Bianca Athaíde (texto) e Helena Cardoso (audiovisual)

Não é a primeira vez que um caso como esse acontece, e infelizmente não será a última. No dia 10 de setembro de 2023, Maria Eugênya Pacioni, entrou em uma loja de departamento e encontrou peças um tanto quanto controversas: um conjunto formado por uma camisa e calça listradas, com a combinação de branco e azul acinzentado, que foi motivo de polêmica nas redes sociais. 

Vendido pela Riachuelo, a roupa foi comparada com o uniforme usado nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O episódio serviu para o renascimento de uma já conhecida história entre a indústria fashion e o nazifascismo. Se na atualidade as referências da estetica nazista ecoam na moda, na época do regime as relações eram estreitamente diretas e inquestionáveis.

A publicação feita pela especialista em Cultura Material, Consumo e Semiótica Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP), com uma foto da peça, viralizou no X (antigo Twitter). No post, que hoje tem mais de 6 milhões de visualizações e 100 mil curtidas, Pacioni escreveu que está faltando conhecimento histórico e noção para os estilistas da rede. 

 

A pesquisadora completou, em outra postagem, sobre o uso do estética do holocausto e da escravidão, como uma das formas de marketing, já que ao gerar a polêmica, você consegue ser visto. Mas também criticou a falta da construção de um pensamento crítico, da preservação da memória e reforçou o déficit em estudos da história. O argumento proposto por ela, é de que a criação ou uso estético de uma peça, é colocado acima da crítica, do respeito e da memória histórica; quando, na verdade, a moda deveria se lembrar da história da humanidade e de seus símbolos. 

holocausto
Judeus em Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial - Foto: Domínio Público via Wikimedia Commons 

 

Utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, os uniformes tinham como principal objetivo apagar a individualidade dos judeus que estavam dentro dessas peças e tornar a questão ainda mais impessoal – e como forma de humilhar ainda mais as vítimas. Além disso, as estampas tinham um baixo valor de produção e as listras eram fáceis. 

A loja de departamento se pronunciou, em nota, sobre o caso e chamou de “infelicidade”. Além disso, todas as peças foram retiradas das lojas físicas e do e-commerce. Porém, essa não é a primeira vez que uma situação assim acontece no mundo da moda, mexendo com questões históricas e simbólicas, causando polêmica. 

OUTROS CASOS: LANÇA PERFUME, CHANEL E HUGO BOSS

Em 2018, a marca Lança Perfume lançou uma coleção cápsula intitulada "Noite em Berlim", com peças que uniam cores e referências de inspiração militar. O militarismo rebelde era o tema mais quente no mundo da moda na época, com releituras para cultura jovem contemporânea de maneira que questionava ao mesmo tempo que remetia as históricas vestimentas militares. Mas a Lança Perfume foi em contrapartida - propositalmente ou não - a essa onda. Suas peças eram claramente guiadas pelo ambiente nazista, principalmente nos uniformes do Terceiro Reich (1933-1945). 

Gabrielle Bonheur Chanel (Coco Chanel), um dos nomes mais importantes da história da costura francesa, que denomina a maison dona de um gigantesco renome até hoje, teve sua trajetória como espiã nazista exposta em sua biografia, lançada em 2011, nos Estados Unidos. A obra "'Sleeping with the Enemy: Coco Chanel’s Secret War" relata como a estilista realizou inúmeras missões em nome do serviço de inteligência nazista, principalmente em cidades como Madrid e Berlim. 

Acompanhada - alguns dizem até influenciada - por seu amante, o oficial Hans Gunther Von Dincklage, Coco usou de sua posição de espiã para recebimento de favores, como apropriação dos bens de sócios judeus de sua marca.  

A marca alemã Hugo Boss, também é outro exemplo do impacto da ideologia antissemita na moda. O laço entre seu fundador, Hugo Ferdinand Boss, foi desenterrado em 2011, quando uma auditoria financiada pela própria empresa expôs o passado da grife, que já chegou a ser chamada de "alfaiataria de Hitler", no livro "Uma Fábrica de Roupas entre a República de Weimar e o Terceiro Reich". A marca, hoje sinônimo de luxo e elegância, fabricava uniformes para diversas instituições nazistas, como a Juventude Hitlerista e a implacável e criminosa.

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Confira alguns dos looks que ganharam holofotes nesta edição da premiação
por
Helena Maluf
Gabriela Jacometto
|
23/09/2023 - 12h

Aconteceu esta terça-feira, a 39ª edição do Video Music Awards (VMA)  em New Jersey, EUA. A premiação da MTV tem como foco os videoclipes e músicas de maior sucesso dos últimos meses. Como de costume, várias estrelas da música e artistas renomados do ramo estiveram presentes.

Composta por visuais que saíram de “archive” das marcas e modelos diretamente da semana de moda de Nova York, as aparições marcaram a noite com ousadia e elegância. Veja alguns dos looks que passaram pelo Pink Carpet, o tapete vermelho da premiação:

Anitta

A cantora brasileira foi indicada na categoria “Melhor Videoclipe Latino” por seu trabalho "Funk Rave". Anitta apostou em um look exibido nas passarelas de Paris em  julho deste ano. Com um recorte que lembra uma fechadura, o vestido da marca Schiaparelli foi acompanhado por maxibrincos de cores vibrantes e uma faixa de cabelo para incorporar o look. Segundo a cantora, o intuito da escolha polêmica foi para que ela representasse a chave do cadeado na composição.

Anitta
 Anitta no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                     

Lil Nas X

O ícone do rap americano desfilou pelo tapete vermelho usando Palomo Spain, marca do designer de moda espanhol Alejandro Gómez Palomo, que veio diretamente da edição 24 da semana de moda de Nova York. Lil postou na tendência de rendas, plumas e transparência para acompanhá-lo na premiação. 

lil nas x
Lil Nas X no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

Ayra Starr

A cantora nigeriana dona do hit “Rush”, lançado em 2021, participou da premiação usando um vestido curto de veludo preto. A peça do “archive”, do estilista Thierry Mugler, era composta por babados de seda retorcidos cor salmão, além de uma gargantilha de brilhantes e um scarpin nas cores da peça principal.

ayra
Ayra Starr no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Megan Thee Stallion

A rapper que estourou no mundo da música com o hit “Savage”, usou um modelo exclusivo da marca Brandon Blackwood, o vestido com modelagem justa ao corpo esbanjava transparência. Megan também investiu em acessórios e maquiagem que realçaram os pontos de luz da combinação.

megan
Megan Thee Stallion no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

Olivia Rodrigo

A princesa do pop brilhou no tapete da premiação usando um vestido exclusivo da marca Ludovic De Saint Sernin, feito inteiro de cristais Swarovski prateados. Os únicos acessórios usados foram os anéis escrito “GUTS”, promovendo o novo álbum da artista.

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Olivia Rodrigo no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

Bebe Rexha

Indicada a categoria “Melhor Colaboração” e após se apresentar no segundo dia do festival “The Town”, em São Paulo, Bebe compareceu na premiação de forma deslumbrante, com um vestido de couro sexy da marca The Uncommonist. A peça era composta por recortes ousados na parte traseira e um aplique que simulava um rabo de cavalo.

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Bebe Rexha no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

Coco Jones

A atriz e cantora, arrasou no look que couro feito exclusivamente pela Moschino. Ela apostou na tendência da cintura baixa e da fivela como top.Coco usou jóias grandes na composição que se casaram perfeitamente com os metais maximizados do look, os brilhantes nos levam a uma futura tendência de jóias ousadas no mundo da moda. 

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Coco Jones no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

Sabrina Carpenter

A cantora pop e ex-atriz da Disney, que abrirá a turnê “The eras tour”, da cantora Taylor Swift, na américa latina, andou pelo tapete vermelho usando um vestido exclusivo da grife Vera Wang. O look entregou muita transparência e brilho, deixando a artista com uma estética angelical.

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Sabrina Carpenter no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

Doja Cat

A rapper estreou no tapete vermelho sua nova fase de rock alternativo. Doja pôs fim a era do pop em sua carreira e marcou presença na premiação usando um vestido com recortes da marca Monse. A peça branca com transparências remete ao efeito de “teia de aranha”.

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Doja Cat no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

Selena Gomez

A cantora, atriz e empresária, que esteve afastada dos holofotes por um tempo, usou nessa edição do VMA um vestido vermelho vibrante, composto por recortes de folhas, flores, bordados e uma saia desconstruída da marca  Oscar de La Renta, designer dominicano também conhecido como o mestre da Prêt-à-Porter (movimento “pronto para vestir”).

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Selena Gomez no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                

Nick Minaj

A rainha do rap também apostou na tendência da transparência e tecidos leves. Com um look pink composto de rendas, tule e alguns detalhes de seda, Nick fez uma referência ao seu próximo álbum intitulado “Pink Friday 2” com a peça custom-made  Dolce&Gabanna.  

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Nick Minaj no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Shakira

A homenageada da noite que recebeu o prêmio “Video Vanguard”, e diva dos hits do pop latino “Hips don't lie” e “TGQ”, foi a premiação usando um look metálico da Versace. O vestido ousado tinha recortes na laterais, um ultra decote na parte traseira, fenda e uma cauda curta.

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Shakira no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

Taylor Swift

A cantora que apresentará no brasil com a turnê  “The eras tour” no mês de novembro e dona dos principais hits do pop atual, Taylor apostou em um look sexy e ousado para a cerimônia do VMA desse ano. O vestido da grife Versace era composto por recortes drapeados, assimetria e detalhes dourados, clássicos da marca. 

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Taylor Swift no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Demi Lovato 

Apostando na tendência do couro, a cantora usou um look gótico da marca Buerlangma esbanjando sua nova fase de mulher mais madura e, segundo a própria, “retornando às raízes”. Demi causou bastante impacto ao anunciar a transição pelos estilos musicais. Deixando o pop para investir na carreira do rock, a cantora mudou seu estilo e anunciou que gravaria novamente alguns de seus maiores sucessos versão rock.

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Demi Lovato no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

Cardi B

Com o look mais autêntico da noite, a rapper usou um vestido metálico composto por mais de 1000  clipes de cabelo, da designer de moda turca-britânica Dilara Findikoglu. A marca de Dilara ganhou destaque no mundo da moda a partir de 2022, por inovar suas criações as compondo de objetos fora do tradicional.

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Cardi B no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

Nelly Furtado

Ícone pop dos anos 2000 e dona dos hits “Maneater” e “Promiscuous”, a cantora marcou presença no tapete vermelho com um vestido sensual de textura lisa e decote na parte traseira, algo bem característico da marca Dundas, do designer norueguês Peter Dundas. A marca, que foi lançada em 2017, é conhecida por ser audaciosa e por valorizar as mulheres e seus próprios corpos.

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Nelly Furtado no tapete vermelho. Foto: Getty Images                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

Flo Milli

O recente sucesso do rap americano com o hit “Rodeo”, Flo Milli  usou no tapete vermelho um look rosa extravagante, composto por um top e uma mini saia feitos de recortes assimétricos e franjas da marca AREA, fundada em 2014 pelas designers Piotrek Panszczyk e Beckett Fogg. A marca americana é especializada em designs feitos a mão, tornando a peça uma verdadeira obra de artesanato. AREA também é especialista em desenvolvimento têxtil, o que explica a utilização de materiais que vão além dos clichês, tornando a marca uma das principais referências em inovação no mundo da moda. 

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Flo Milli no tapete vermelho. Foto: Getty Images 

 

O evento promoveu a arrecadação de fundos para o museu em parceria com a grife Chanel, prestando homenagem às histórias indígenas junto da presença de Vanessa da Mata
por
Giulia Fontes Dadamo
|
22/09/2023 - 12h

Na última terça-feira (19), aconteceu a 9ª edição da MASP Festa, celebração anual do museu que foi criada com a missão de arrecadar fundos e garantir verbas para a instituição. O tema deste ano, "Histórias Indígenas", foi o centro de diversas oficinas, exposições, cursos e palestras durante 2023.

A organização, em parceria com a Chanel, contou com a presença de empresárias, modelos, atrizes e amantes do mundo da moda. "É uma festa que é muito ligada à valorização da arte e da cultura brasileira, o MASP fomenta e incentiva artistas brasileiros há muitos anos, então é uma ode à cultura e essa conexão entre cultura e moda." disse a atriz Carla Salle em entrevista, convidada pela marca para participar do evento. 

Carla Salle
Carla Salle. Imagem: Helena Maluf

A noite começou com um jantar assinado pela chef Manu Ferraz, do restaurante A Bananeira, que possui um espaço no subsolo do museu. Como entrada, foram servidos grandes montes de manteiga temperada com flor de sal posicionados bem ao centro da mesa, cobertos por formigas da Amazônia para comer com pães. Já o prato principal foi peixe no molho de tucupi, purê de banana e salada de feijão. Apesar da escolha extravagante, a chef buscou valorizar a cultura brasileira nos seus pratos.

Após o jantar, o professor pesquisador Ibã Huni Kuin do Acre, integrante do “Movimento dos Artistas Huni Kuin” (Mahku), fez uma apresentação na língua nixi pae. Ibã cobriu a icônica rampa do museu com pinturas do coletivo que está em exposição no MASP. "É uma primeira experiência que nós indígenas que estamos chegando no museu mostrando a cultura de língua, de cura e de admiração. Eu estou muito feliz compartilhando esse conhecimento, encontrando vários artistas e mais informações."
 

Carmo Johnson, Mytara Karaja Rare Huni Kuin e Ibã Huni Kuin
Da esquerda para a direita: Carmo Johnson, Mytara Karaja Rare Huni Kuin e Ibã Huni Kuin. Imagem: Helena Maluf
 

As atrizes globais convidadas pela Chanel, Sophie Charlotte (que estrela o filme "Meu Nome é Gal" no dia 19/10) e Isabelle Drummond (que possui rumores de participar numa novela na HBO Max futuramente) demonstraram seu apoio à causa do tema principal da noite. "A moda que movimenta tanto a opinião pública pode ajudar nessa luta de colocar a questão indígena no Brasil no centro da conversa. Demarcação é importantíssima, demarcação já!" disse Sophie. "Todo tipo de manifestação dá voz à causas, às esferas e aos povos. Essa movimentação e o fato das pessoas estarem aqui em prol disso já dá voz e traz conscientização." acrescentou Isabelle, que manifestou sua intensa identificação com o assunto após contar sobre suas visitas à terras indígenas. 

 

Sophie Charlotte e Isabelle Drummond
Da esquerda pra direita: Sophie Charlotte e Isabelle Drummond. Imagem: Helena Maluf

O evento contou com outros convidados famosos para prestigiar o evento. Além do curador do museu Adriano Pedrosa, a festa estava repleta de patronos do MASP, art advisors e empresários — como Paula Mageste (CEO da Globo Condé Nast), Carol Bassi (dona da marca que carrega seu nome), Maria Laura Neves (redatora-chefe da Vogue Brasil) e Sandra Annenberg (jornalista).

Sandra Annenberg, Igi Ayedun e Carol Bassi.
Da esquerda para a direita: Sandra Annenberg, Igi Ayedun e Carol Bassi. Imagem: Helena Maluf

Igi Ayedun, jovem patrona do MASP, artista e dona da galeria de arte Hoa, manifestou muito orgulho em apoiar todas as atividades do museu ao contar sobre ser uma das responsáveis pelo envolvimento da Chanel com a festa. "É muito bom que o MASP se responsabilize por fazer a história dos povos originários parte da cronologia da arte brasileira."

A vantagem dessa relação entre os patronos e a marca foi ressaltada por Taciana Veloso, convidada do Iguatemi. "É muito interessante ter a Chanel, uma marca tão importante no universo de moda e luxo, apoiar essa causa não é? A cultura faz parte do nosso país de uma forma muito relevante e essa é uma oportunidade de a gente estar aqui e prestigiar a arte brasileira e o museu que conta uma história linda pra gente", expôs a profissional de RP e uma das criadoras da Index.

Apesar de já possuir oito edições anteriores a essa, a MASP Festa teve pela primeira vez "sold-out" nos ingressos do show, segundo afirmação de Vanessa da Mata no seu Instagram. A empresária, patrona do museu e dona da grife de beachwear Jo De Mer esteve na festa desde a primeira edição e comentou sobre sua evolução ao longo dos anos: "O evento está ficando cada vez maior com mais adesão tanto da classe artística quanto de pessoas que apoiam o museu e a Chanel abre o caminho para outros patrocínios, para que em algum momento outros brands brasileiros possam estar envolvidos em eventos com fim de divulgar arte, cultura e nossas raízes."

Após o jantar, a noite seguiu com a apresentação de Vanessa da Mata, indicada ao Latin Grammy Award por melhor álbum de MPB pelo seu novo disco "Vem doce", e de DJ Dani Vellocet, que tocou até o fim da festa.

Vanessa da Matta e DJ Dani Vellocet
Da esquerda para a direita: Vanessa da Matta e DJ Dani Vellocet. Imagem: Helena Maluf
 

 

A temporada foi marcada por muitas peças fluídas de alfaiataria, rendas, transparências, metalizados e mais!
por
Giovanna Montanhan
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15/09/2023 - 12h

Os eventos intitulados fashion weeks surgiram com uma espécie de peças-chave na indústria da moda, são eles os agentes capazes de promover as últimas tendências e coleções de estilistas renomados. Paris, Milão, Tóquio e São Paulo, assim como Nova Iorque, são cidades que sediam essas semanas e se destacam nesse cenário fashionista

A norte-americana e publicitária na área da moda, Eleanor Lambert, foi a responsável por organizar a primeira semana de moda na década de 40. No período em que a Segunda Guerra Mundial estava em vigor, criou o ‘’Press Week’’ (Semana da Imprensa) -  reuniu jornalistas especializados no ramo e designers norte-americanos para divulgar suas coleções sazonais. Este evento surgiu em virtude das consequências deixadas pela guerra, quando a França, por exemplo, estava profundamente envolvida no conflito e não podia se concentrar em apresentações de grandes grifes.

Após a realização da primeira Semana da Imprensa, a revista Vogue (fundada nos Estados Unidos, em 1894) dedicou suas páginas às tendências norte-americanas, e não apenas às francesas.

Com o cessar da guerra, essa ocasião intitulada como Semana da Imprensa, veio a ser o que conhecemos hoje pela Semana de Moda de Nova Iorque. 

Nesta edição, várias tendências chamaram a atenção. Designs ousados e inovadores, tecidos leves e com transparências que refletiam a sensualidade feminina, as clássicas camisas brancas, os looks brilhosos e metalizados com certeza ocuparão grande parte do nosso guarda-roupa nesta estação, além de muita alfaiataria oversized, quebrando as regras tradicionais de se usar a peça com corte ajustado e apresentando-a em proporções mais exageradas.

As coleções apresentaram uma fusão de estilos retrô misturados a abordagens futuristas, criando um equilíbrio entre o nostálgico e o vanguardista. A moda sustentável também desempenhou um papel significativo, com muitas marcas que incorporaram materiais e práticas ecologicamente conscientes em suas criações. 

Foram seis dias repletos de glamour na cidade da Big Apple. Entre os dias 08 e 13 de setembro, 71 marcas desfilaram, majoritariamente de forma presencial - com a mostra virtual de apenas duas delas (Maisie Wilen e Et Ochs). 

Primeiro dia (08/09):

Destaque para:

Helmut Lang - fundada em 1986, na França, por um estilista de nome homônimo da marca, Helmut atingiu o ápice do sucesso entre os anos 90 e 2000, e agora quem assume sua direção criativa é o vietnamita Peter Do. O que se destacou durante o desfile foi a forte presença de ternos - do smoking aos de alfaiataria - camisetas com frases do poeta Ocean Vuong, peças de couro e o estilo esportivo como base para os visuais. 

Christian Siriano - fundada em 2008 nos Estados Unidos, pelo estilista de nome homônimo da marca. Ficou conhecido, por ter vencido o reality show ‘’Project Runaway’’ -  um programa de televisão de competição de moda em que aspirantes a estilistas competem em desafios semanais para criar roupas criativas e inovadoras, são julgados por estilistas renomados do ramo, com o objetivo de ganhar visibilidade e uma oportunidade na indústria da moda.

Christian sempre se mostrou preocupado em incluir todos os tipos de corpos na passarela, além de brincar com diferentes texturas e formas, apresentou tecidos fluídos que transmitem leveza, muitas camadas e designs únicos.

 

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Foto: Divulgação

 

 

Ralph Lauren - fundada em 1964 nos Estados Unidos, pelo próprio Ralph Lauren. A grife surgiu de forma inóspita. Ralph chamava atenção por ter o costume de usar gravatas estreitas, até que um dia, ele decidiu criar sua própria marca de gravatas. Este desfile foi um dos principais da noite e considerado um dos mais esperados pelos amantes da moda, visto que fazia quatro anos que a marca não participava da semana de moda de Nova Iorque, pois a empresa vinha tendo dificuldades para se adequar às demandas dos consumidores e do mercado. E o resultado não foi nada positivo. 

A razão do retorno talvez parta de uma tendência que viralizou recentemente nas redes sociais intitulada “Old Money” -  um estilo de vida associado a famílias de longa data com riqueza e status social estabelecidos ao longo de várias gerações. No caso da moda, esse estilo de roupa é caracterizado e almejado pelos jovens, como algo elegante que valoriza a qualidade e os cortes da peça. A partir disso, a marca teve a oportunidade de voltar a ativa, pois sempre fez o seu nome em cima de padrões mais clássicos, atemporais e tradicionais. 

Foi possível observar nas passarelas peças em jeans com estampas, bordados, corsets, saias compridas, muita alfaiataria mesclada com o estilo esportivo, além de cores neutras e listras.

 

Coach - fundada em 1941 nos Estados Unidos, por um grupo de artesãos. Começou com a produção de artigos de couro (como carteiras e bolsas). 

Mais adiante, foi comprada pelo grupo americano Tapestry (que também comanda a americana Kate Spade). O ponto alto da noite (e da marca) foi o uso do couro sustentável, além de peças que resgatam essa essência dos anos 90, com vestidos colados, transparência com renda, e tecidos reutilizados de outras coleções antigas. 

 

Prabal Gurung - fundada em 2009, pelo estilista nepalês-americano de mesmo nome, seu foco foi na tendência de peças metalizadas, no uso abundante de cores vibrantes, e roupas que remetem ao frescor do verão, além de apostar em maxi acessórios (com destaque para os brincos).

 

Collina Strada - fundada em 2008, nos Estados Unidos, por Hillary Taymour, é uma marca que possui ideais sustentáveis e utiliza materiais reciclados para criar suas coleções. A ideia que a estilista quis transmitir com esse desfile, aconteceu a partir de uma reflexão sobre o futuro em virtude dos inúmeros desastres ambientais causados pela crise climática. Com o auxílio de uma ferramenta de IA, Hillary junto de sua equipe, construíram os looks dessa temporada. E o resultado pode ser visto a partir de peças maximalistas, assimétricas, com espartilhos, sobreposições, mix de texturas, cetim e rendas. 

 

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Segundo dia (09/09): 

Destaque para: 

Proenza Schouler - fundada em 2002, nos Estados Unidos, pelos sócios Jack McCollough e Lazaro Hernandez. Trouxeram a atmosfera dos anos 90 de volta para a passarela, em um desfile repleto de peças de alfaiataria, sobreposições e tecidos leves. 

PatBo - foi a única marca brasileira inserida na programação. Fundada em 2012, pela estilista mineira Patrícia Bonaldi, a coleção vibrante, inspirada nos anos 70, apostou em modelos com bastante movimento, franjas, aplicações de pedrarias e peças que não escondem a sensualidade da mulher. 

 

patbo
Foto: Divulgação

 

Com a presença da transparência, corpos reais na passarela, cores fortes, como as características da bandeira do Brasil (verde e amarelo), cores neutras (como branco e bege) e as cores que remetem o estilo jovial (como pink e lilás), a beleza do desfile foi assinada pela marca homônima da jornalista e empresária Bruna Tavares. 

Khaite - fundada em 2016 nos Estados Unidos, por Catherine Holstein. Seu estilo é baseado nas típicas mulheres nova-iorquinas, com a cintura e ombros bem marcados. A modelagem oversize toma conta da grande maioria dos looks, os modelos drapeados e com transparência também estão presentes. 

As cores transitam do neutro (preto e branco) para o metalizado (dourado), ao verde militar, vermelho e laranja.

Eckhaus Latta - fundada em 2012 nos Estados Unidos, por Mike Eckhaus e Zoe Latta. Para criar seus visuais, a marca utilizou uma tecnologia de tecelagem em 3D chamada Vega, que inclusive foi lançada nesse desfile e inserida no mundo da moda. Esse feito contribui para a redução de resíduos, o que faz com que a marca alcance um potencial sustentável. Os looks, em sua maioria, eram peças em jeans reconstruídos, tops de malha, tecidos translúcidos e metalizados. 

 

Palomo Spain - fundada em 2015 na Espanha, por Alejandro Gómez Palomo. Seu objetivo era fazer uma coleção andrógina que mostrasse a dualidade do ser humano. Parte do desfile focou no desejo carnal e na sensualidade (representada pela cor vermelha), enquanto a outra parte mais romântica teve foco na pureza (representada pela cor branca), com calças de penas, blazers croppeds, shorts, vestidos transparentes e conjuntos cobertos de flores. 

O uso da renda  contrastava com as peças feitas em jeans e em couro. ‘’Jardim das Rosas‘’ foi o título escolhido para nomear essa coleção, por isso, até as bolsas tinham formato de rosas com hastes que quase alcançavam o chão, além de tecidos rosa claro, que exibiam ilustrações florais por meio de vestidos com gola, calças esvoaçantes e corsets. 

Dion Lee, fundada em 2009 na Austrália, pelo designer homônimo ao nome da marca. O designer saiu de sua zona de conforto, que costuma ser monocromática nesta temporada, e abraçou os tons mais vibrantes. 

O desfile apresentou um encontro entre o atelier e a oficina, onde peças como chaves de fenda foram transformadas em corsets, ferramentas viraram cintos e andaimes se tornaram inspiração para joias. 

Calças jeans volumosas laminadas e peças em couro foram destaque, além dos tons metálicos muito presentes nas saias, vestidos texturizados, tanto em preto quanto em vermelho.

 

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Terceiro dia (10/09):

Destaques para: 

FFORME - lançada em setembro de 2022, pelas sócias Nina Khosla e Laura Vazquez. Foi apresentada uma coleção focada em peças de alfaiataria como calças, saias e blazers, túnicas, vestidos midi que modelam o corpo, peças de couro maleável e uma grande aposta na tendência do chinelo de dedo, que promete ser o hit da próxima estação.

Jason Wu Collection - fundada em 2007 em Taiwan, pelo designer de mesmo nome. Sua coleção intitulada ‘’Solstício’’, teve como base peças feitas com artesanato e apresentou looks em tom off-white - com a aparência de roupas comidas por traças - estampas inspiradas na natureza em casacos e camisas, uma variedade de tecidos translúcidos, silhuetas afinadas e cores monocromáticas.

 

jason wu
Foto: Divulgação

 

Phillip Lim - fundada em 2005 nos Estados Unidos, pelo designer homônimo e por Wen Zhou. Apresenta uma coleção baseada no estilo urbano esportivo, com peças em jeans, e uso abundante da cor cáqui. Construiu modelos em silhuetas feitas de náilon, muita alfaiataria, transparência, texturas e bordados.

 Area - fundada em 2014 nos Estados Unidos, pelos estilistas Piotrek Panszczyk e Beckett Fogg. A marca forneceu um toque de excentricidade para o desfile, com a ideia inicial de contar uma história a partir do homem pré-histórico, além da presença de peles (feitas por jeans estampado de cores variadas) e ossos (de resina) para representar os visuais - tudo de maneira sustentável. Além da enorme quantidade de cristais utilizados. 

Ulla Johnson - fundada em 1998 nos Estados Unidos, pela estilista de nome homônimo. Seu estilo característico é o maximalista. Suas peças, em geral, são marcadas pelas estampas animal print, psicodélicas, muitos modelos em xadrez, plissados, bordados, drapeados e tecidos leves. Algumas peças foram inspiradas na arte excêntrica da pintora Shara Hughes. 

 

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Quarto dia (11/09):

Destaque para: 

Michael Kors - fundada em 1981 nos Estados Unidos, pelo estilista homônimo. Michael trouxe à tona as décadas de 60 e 70 para este desfile. Peças rendadas nas cores neutras (caramelo, preto e branco) foram destaque, além de blazers e tricôs. Os vestidos variavam de tamanho, indo desde os mais curtinhos até os mais longos. 

Altuzarra - fundada em 2008 nos Estados Unidos, por Joseph Altuzarra. Inspirou-se na Nouvelle Vague - movimento cinematográfico francês das décadas de 50 e 60, conhecido por sua abordagem criativa e pela ruptura com as convenções tradicionais do cinema, com foco na experimentação narrativa e visual. Para esta coleção criou uma atmosfera que transparecia o estilo romântico, com a presença de cetim, poás e peças bufantes.

 

altuzarra
Foto: Divulgação

 

Tory Burch - fundada em 2004 nos Estados Unidos, pela estilista de nome homônimo. Uma coleção minimalista, com foco nas curvas, sapatos com bordas arredondadas, óculos de sol em formatos não tradicionais e coloridos, além do cetim como protagonista em vestidos, túnicas e casacos. 

 

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Quinto dia (12/09): 

Destaque para: 

Carolina Herrera - fundada nos anos 80, pela venezuelana de mesmo nome. O desfile foi assinado pelo diretor criativo Wes Gordon, que atua há cinco anos no cargo. 

O show foi aberto com a icônica camisa branca da marca, junto de vestidos longos e midis florais, que dispunham de muito volume. Croppeds, saia lápis, peças brilhosas e vestidos de renda com transparência foram destaque. O encerramento ficou por conta da mesma versão da camisa famosa, só que na cor preta. Uma coleção que mostrou que a marca sempre permanecerá com os mesmos valores tradicionais, apresentando modelos que ilustram a classe e a elegância da mulher moderna.

 

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Foto: Divulgação

 

 

Gabriela Hearts - fundada em 2015, pela uruguaia de mesmo nome. Gabriela foi diretora criativa da grife Chloé por três anos. Agora, a estilista volta às raízes com sua marca própria. 

Para esta coleção, usou do trabalho do haitiano Levoy Exil, para criar peças artesanais feitas em macramê e bordados. Modelos de alfaiataria foram a peça chave para compor os looks, além de calças largas e saias midi, Gabriela fez uso da transparência por meio de vestidos, e também exibiu visuais de paetês feitos de material reciclado e couro de descarte. 

Elena Vélez - fundada em 2018 nos Estados Unidos, pela designer de nome homônimo da marca. Ela fez da passarela convencional um verdadeiro lamaçal para as modelos desfilarem suas criações. De tênis Nike a chinelos e saltos altos, os calçados afundavam na lama. 

Peças em linho e algodão, látex, tons de marfim, vestidos com corsets, camadas de lingerie, jaquetas, calças com cintos e costuras aparentes, saia com modelo assimétrico, casacos alongados, calças jeans e roupas térmicas fizeram o desfile da estilista memorável. 

O conceito estipulado por ela para esta coleção foi representar uma espécie de ‘’heroína anti-moda’’, além de criticar a estética feminina moderna. 

 

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Sexto dia (13/09): 

Destaque para: 

Puppets and Puppets - fundada em 2019 nos Estados Unidos, pelos sócios Carly Mark e Ayla Argentina. O desfile começou ao som da canção ‘’Careless Whisper’’ de George Michael, interpretada por um saxofonista conhecido por tocar nas estações de metrô de Nova Iorque, chamado John Ajilo. As peças transitavam entre vestidos de tafetá cáqui com mangas curtas a camisetas e calças largas cáqui,com bolsos fundos. A coleção também apresentou vestidos de lantejoulas drapeados e peças com franjas. Os acessórios considerados surrealistas incluíam uma banana pendurada na transversal - como se fosse uma bolsa- uma bolsa com uma colher gigante de prata como alça e uma nova colaboração entre a marca Keds com tênis de lona, cobertos de boquinhas de batom. 

 

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Foto: Divulgação

 

Luar - fundada em 2017 nos Estados Unidos, por Raul Lopez. A marca apresentou uma coleção repleta de peças bem estruturadas em alfaiataria, peças sem distinção de gênero, com formas futuristas e acessórios excêntricos. Também foi visto na passarela, óculos de sol anexados a blusas, camisas acolchoadas, pulseiras de cristal nos punhos e saias longas com contas. 

 

PH5 - fundada em 2014 na China, pelos sócios Wei Lin e Zoe Champion. 

O foco do desfile foram peças de malha feitas à mão, coletes de tricô, golas assimétricas, e acessórios descolados. Além do clássico chinelo com meia que faz parte do estilo casual. As cores que predominaram foram as de tons pastéis. 

 

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