De 11 a 16 de setembro, a cidade de Nova Iorque abre espaço em sua frenética rotina para as passarelas apresentarem as novidade da Primavera/Verão 2026 e abrilhantar os olhos dos fãs de moda.
No dia de ontem, 14, Manhattan foi banhada por looks com mistura de texturas entre tecidos fluidos, bordados, transparências. Além de um protagonismo para uma alfaiataria reformulada, com cortes ousados e proporções exageradas.
Cores neutras mescladas com pontos de cores vibrantes de (vermelho, laranja e estampas arriscadas), marcaram o quarto dia de evento, que integra o calendário das chamadas "Big Four" ao lado de Paris, Milão e Londres.
O street style acompanhou essa atmosfera de contrastes: looks mais sóbrios recebendo toques fortes com a adesão de acessórios chamativos, sobreposições e cortes assimétricos.
A beleza esteve com foco em peles naturais, "menos pesado”, valorizando textura natural da pele, evidenciando seu brilho sutil.
Alguns desfiles se ressaltaram na mídia pela forte identidade visual, seja pelas temáticas ou pela presença de celebridades, como Oprah Winfrey, Lizzo, Natasha Lyonne e outros.
Kai Schreiber, filha trans de Naomi Watts e Liev Schreiber, abriu o desfile de Jason Wu. O show homenageou o artista Robert Rauschenberg, mesclando arte e moda fortemente influenciadas pelo seu legado.

O designer Christian Siriano apresentou uma coleção primavera/verão 2026 com inspiração no velho glamour de Hollywood; houve vestidos longos, looks dramáticos, mistura de masculinidade e feminilidade com peças ousadas, além de chapéus impactantes.

Sergio Hudson mostrou uma coleção vibrante, com ternos trabalhados, uso de estampas e bordados com inspiração africana, foco em alfaiataria refinada.

Momentos de street style e aparições de celebridades: muita gente do mundo artístico presente nos desfiles e eventos de moda, com looks chamativos, acessórios fortes, e aquele mix de elegância + ousadia.

Vivian Wilson (filha de Elon Musk) fez sua estreia em passarela, desfilando para Alexis Bittar. O desfile abordou uma temática social/política, misturando teatralidade e crítica em sua estética.

Gradualmente, a busca pelo bem-estar deixou de ser apenas mais uma tendência momentânea e se consolidou como um dos principais motores da moda. No Brasil, de acordo com o Sebrae Paraná, o setor fitness movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano e cresce em média 8,2% ao ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, e atrai investimentos que unem estilo, performance e consciência ambiental.
O fenômeno é reforçado pelo enclothed cognition, conceito que descreve como as roupas influenciam o comportamento. Vestir roupas esportivas aumenta a disposição para a prática de exercícios, unindo moda e psicologia. No Brasil, casos de sucesso confirmam o potencial. A marca catarinense Live! cresce cerca de 45% ao ano e já exporta para Ásia e Oriente Médio, consolidando a vocação nacional para o segmento.
Em entrevista exclusiva para a AGEMT, a estilista Dafne Setton, especialista em moda fitness, defende que esse cenário reflete uma transformação no comportamento do consumidor. “Hoje as pessoas querem se sentir bem durante todo o dia. A roupa precisa ter conforto, permitir mobilidade e, ao mesmo tempo, transmitir estilo. É por isso que o athleisure se tornou um símbolo de estilo de vida. Ele expressa disciplina e descontração”, afirma.
As novas preferências apontam para silhuetas mais amplas, como calças cargo e trackpants oversized, em substituição às leggings ajustadas ao corpo. Ao mesmo tempo, cresce a exigência por sustentabilidade, reforçando o protagonismo de tecidos tecnológicos que unem compressão, respirabilidade e fibras recicladas. “Tecido ecológico não é mais um diferencial e sim um requisito. O consumidor jovem exige isso”, explica Dafne. O mercado de luxo também se aproxima desse movimento, criando um fenômeno conhecido como cardio couture — tradução livre “alta costura do cardio”, expressão usada para definir treinos ou práticas esportivas que incorporam estética e sofisticação típicas da moda de luxo, transformando o exercício físico em experiência de estilo. Grifes como Louis Vuitton e Prada lançaram acessórios esportivos sofisticados, transformando o athleisure em um item de estilo de vida.
O clima tropical brasileiro também favorece o uso cotidiano de roupas leves, que transitam facilmente entre o ambiente de treino e o lazer. Além disso, a forte cultura de praia e a valorização da estética corporal ajudam a consolidar um estilo de vida em que o bem-estar é parte do cotidiano. Esse contexto cria um mercado interno robusto e uma vitrine atraente para a exportação de marcas nacionais.
Outro ponto de destaque é a crescente adesão das academias e estúdios de bem-estar a estratégias de branding ligadas à moda. Muitas oferecem coleções próprias de roupas e acessórios, transformando a experiência do aluno em um pacote completo, que vai do exercício ao consumo de estilo. Essa convergência entre saúde, moda e consumo reforça o wellness como um setor multifacetado, em constante expansão e com impacto cultural direto no modo de vestir dos brasileiros.
As redes sociais também impulsionam o processo. Plataformas como TikTok e Instagram transformaram a estética wellness em repertório visual que mistura treino, alimentação saudável e moda esportiva. “As pessoas não compram só a roupa, compram a ideia de vida equilibrada — e isso é altamente compartilhado online”, observa a estilista. Para ela, o futuro da moda fitness estará ligado à tecnologia, personalização e monitoramento em tempo real. Tecidos inteligentes capazes de acompanhar sinais vitais já estão em desenvolvimento e devem ganhar espaço. “Wellness é uma nova forma de viver. Quem entender isso estará à frente do mercado”, conclui.
O mundo da moda se despede hoje de Giorgio Armani, falecido aos 91 anos, em Milão. Considerado um dos mais importantes estilistas da história, Armani criou um legado de precisão e sofisticação atemporal.
Nascido em Piacenza, no norte da Itália, Giorgio Armani construiu um império a partir de uma ideia simples, mas revolucionária: a elegância não precisa ser barulhenta. Ao longo de cinco décadas, refinou o terno masculino, suavizou as linhas rígidas que dominavam a alfaiataria e criou para as mulheres roupas que dialogavam com elegância, poder e leveza.
Com sua marca fundada em 1975, Armani rapidamente deixou de ser apenas um estilista para se tornar um fenômeno cultural. Vestiu gerações de astros de Hollywood, de Richard Gere em Gigolô Americano a Cate Blanchett no tapete vermelho de Cannes e consolidou o imaginário de que vestir Armani era mais do que estar bem vestido: era incorporar uma postura, uma confiança silenciosa.


Dono de uma visão empresarial rara, manteve sua companhia independente, sempre controlando cada decisão criativa e estratégica. O império Armani se expandiu para perfumes, hotéis, esportes e design de interiores, mas nunca perdeu a identidade minimalista que o caracterizava.

A notícia de sua morte reverbera entre colegas e admiradores. Estilistas de diferentes gerações destacam não apenas sua influência estética, mas também sua disciplina e fidelidade a um estilo que não se rendia a modismos passageiros. Armani foi, em essência, um criador que acreditava que a moda deve servir ao indivíduo, e não o contrário.
Seu legado permanecerá nas passarelas, nos filmes, nos red carpets e, sobretudo, na forma como aprendemos a olhar para a simplicidade como o mais alto grau de sofisticação.
A certidão de óbito da estilista Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, foi oficialmente retificada nesta quinta-feira (28), em uma cerimônia em Minas Gerais. A atualização faz parte de um pacote de 21 certidões entregues pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania a familiares de pessoas mortas ou desaparecidas durante a ditadura militar e atende à Resolução nº 601/2024, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O novo documento especifica que a morte de Zuzu ocorreu de forma não natural, violenta e causada pelo Estado brasileiro, no contexto de perseguição política que marcou o regime militar. A retificação também incluiu dados complementares, como idade, estado civil, além da data e local da morte. Na cerimônia ocorrida na Assembleia Legislativa mineira, além da certidão de Zuzu Angel, foram entregues documentos retificados de outras vítimas da ditadura.
Aos 54 anos, um acidente de carro na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado matou Zuzu Angel. O túnel foi rebatizado anos mais tarde e hoje leva seu nome. Desde os anos 1980, familiares e ativistas afirmavam que o acidente foi provocado e que seu carro teria sido jogado para fora da pista por agentes do regime.
Zuzu Angel ganhou espaço no cenário da moda brasileira ao valorizar bordados artesanais, cores vibrantes e elementos da cultura popular, em contraste com as influências europeias dominantes. Seu trabalho chegou a vestir estrelas de Hollywood, projetando seu nome internacionalmente. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi o desfile realizado em Nova York em 1971, que trouxe à passarela referências à repressão vivida no Brasil. A coleção incorporou símbolos de luto e resistência, transformando a moda em uma forma de denúncia política e visibilidade internacional para a causa de seu filho Stuart Angel Jones, militante do MR-8 torturado e morto no mesmo ano do desfile.
Atualmente, parte de seu acervo está preservada no Instituto Zuzu Angel, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. O espaço funciona como centro de memória da estilista, com peças catalogadas e, ocasionalmente, abertas a exposições sob gestão da filha, Hilde Angel.

A retificação da certidão de óbito de Zuzu Angel, inserindo oficialmente a causa violenta e a responsabilidade do Estado, representa um marco na busca por reparação e preservação da memória no país. O registro traz clareza formal sobre as circunstâncias de sua morte e reforça o legado de Zuzu como estilista que abriu caminhos na moda brasileira e transformou sua dor pessoal em denúncia por meio da arte.
A H&M inaugura sua primeira loja no Brasil neste sábado (23), no Shopping Iguatemi São Paulo. A unidade, com cerca de 1 mil m², será dedicada ao público feminino. No dia 4 de setembro, a rede abre a segunda loja no Shopping Anália Franco, também na capital paulista, com quase 2 mil m² e espaço para as linhas masculina e infantil. Além das lojas físicas, o e-commerce nacional começa a funcionar simultaneamente, ampliando a presença da marca no mercado digital. De acordo com a empresa, outras unidades estão previstas até o fim de 2025. As informações foram divulgadas pela Elle Brasil e confirmadas pela varejista.
Fundada em 1947, na cidade sueca de Västerås, a H&M é uma das maiores redes de fast fashion do mundo, com mais de 4.500 lojas, em 70 países. Sua estratégia combina preços competitivos, alta rotatividade de coleções e forte integração digital. A companhia chega ao Brasil em um momento de retração econômica global — no primeiro semestre fiscal de 2025, a economia mundial registrou queda de 1% nas vendas e recuo de 27,7% no lucro líquido, segundo o jornal espanhol “Cinco Días”. Ainda assim, a América Latina aparece como prioridade no plano de expansão da empresa.
No país, a operação contará com um centro de distribuição em Extrema (MG), localizado entre São Paulo e Rio de Janeiro, para agilizar a logística e o abastecimento das lojas. O mercado acompanha de perto o movimento, já que o setor de moda brasileiro movimenta cerca de R$230 bilhões ao ano, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).
A chegada da H&M insere-se em um histórico de marcas globais que buscaram espaço no consumo nacional. A C&A, de origem holandesa, foi a primeira a se instalar, em 1976. Em 1999, a Zara inaugurou sua primeira loja no Shopping Morumbi, em São Paulo, e consolidou presença nos grandes centros urbanos. Já a Forever 21 desembarcou em 2014, mas encerrou suas operações em 2019, após dificuldades de adaptação.
Em entrevista à AGEMT, a gerente de estilo Camila de Paula Souza afirmou que a movimentação da H&M exigirá atenção das concorrentes locais. “A H&M traz uma operação global com muita força, o que exige que as varejistas se reposicionem. O desafio é manter proximidade com o público, reforçando a identidade nacional e ampliando a integração entre loja física e on-line”, disse. Segundo ela, o setor aposta em coleções cápsula assinadas por designers brasileiros, em parcerias com influenciadores digitais e em investimento tecnológico. “O consumidor busca preço, mas também diversidade, representatividade e conveniência. Esse é o caminho para manter a relevância diante da chegada da H&M”, completou.
Expansão de mercado e o desafio da sustentabilidade
Além da disputa por espaço no mercado, a chegada da H&M reacende o debate sobre sustentabilidade. Globalmente, 89% dos insumos da marca já são de origem considerada sustentável, sendo 29,5% reciclados, com meta de atingir 100% até 2030, segundo dados divulgados pela própria empresa. A linha “Conscious”, desenvolvida com tecidos reciclados, estará disponível no Brasil e será apresentada como diferencial diante das críticas ao modelo fast fashion, frequentemente acusado de estimular o descarte em massa e de ter grandes impactos ambientais.
O setor, no entanto, segue competitivo. Em 2024, a Renner registrou lucro de R$1,1 bilhão, a C&A obteve R$452 milhões e outras empresas alcançaram resultados relevantes, de acordo com balanços publicados pelas companhias. Paralelamente, plataformas digitais como a Shein, que entrou no Brasil em 2022, já atingiram mais de 50 milhões de consumidores no país, representando de 10% a 15% de seu faturamento global.
Com inaugurações previstas para os próximos meses e expectativa de arrecadar até R$2,88 bilhões no país, segundo o portal “Mercado & Consumo”, a H&M deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos com a instalação das primeiras unidades e do centro de distribuição. O histórico mostra que a adaptação cultural é determinante para o sucesso das marcas estrangeiras: enquanto a Zara conseguiu consolidar presença, a Forever 21 não resistiu. Agora, em um cenário de consumidor mais conectado e exigente, a chegada da H&M promete inaugurar uma nova fase para o varejo de moda no Brasil.
























