Marcas europeias dão o nome no maior salão do automóvel do continente, que mais uma vez registrou grande presença de marcas chinesas
por
Vítor Nhoatto
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23/10/2026 - 12h

A feira automotiva mais antiga do mundo voltou a Porte de Versailles, em Paris, na França e acontece entre os dias 12 e 18 de outubro. O Mondial de l’Auto 2026 levou mais de meio milhão de pessoas para a bienal, que mostra ter recuperado o seu brilho com grande adesão das marcas europeias, enquanto o crescimento das chinesas continuou.

Na edição passada 41 montadoras compareceram e desta vez foram 43. Algumas com retornos expressivos como Fiat e Mercedes. Experiências interativas, test-drives e mais de cem expositores completaram o evento, que teve a questão da eletrificação como foco novamente, o que inevitavelmente reflete o contexto geopolítico e os desafios econômicos e ambientais atuais.

O setor tem se recuperado após dificuldades na pandemia e em grande parte pela chegada das chinesas ao continente com preços muito competitivos. Para se ter uma ideia, a participação de mercado delas foi de 4,9% em 2025, e a porcentagem de carros feitos na China vendidos na Europa superou a dos veículos fabricados na Turquia, no Japão e no Reino Unido, segundo dados da JATO Dynamics. A resistência europeia ainda existe, principalmente na Alemanha, maior produtora e mercado no continente, mas a questão preocupa.

Em 2024, foram aprovadas taxas de importação de até 35% sobre os 10% padrão nos carros elétricos chineses, e a União Europeia estuda limitar a 350 mil híbridos plug-in (PHEV) do país por ano. O presidente francês Emmanuel Macron compareceu pela última vez ao Paris Motor Show e, em meio a tumultuosos protestos pela França, para advogar justamente pela preferência europeia aos chineses. Além disso, o bloco busca aprovar a criação de uma nova categoria na legislação para subsidiar elétricos produzidos nos países membros. 

Resposta europeia conceitual

Nesse sentido, as marcas europeias voltaram com força ao Salão de Paris buscando referências de suas histórias, e o Grupo Stellantis chamou a atenção com oito carros-conceito. Emanuele Cappellano, Diretor de Operações (COO) do conglomerado para a região da Europa ampliada, destacou que “quer aproveitar ao máximo a vantagem competitiva proporcionada pela singularidade de suas marcas icônicas, oferecendo carros que, ao mesmo tempo, estão enraizados em sua herança e voltados para o futuro.”

A principal aposta do grupo é o novo Citroën 2CV, uma releitura do icônico modelo do século passado, seguindo a tendência de sucesso adotada pela rival Renault com os novos R5, R4 e o rival direto, Twingo. A Citroën promete que o modelo de produção custará a partir de 15 mil euros e será fabricado na Itália. 

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Compacto francês deve chegar ao mercado em 2028, com preço acessível e design carismático. Foto: Divulgação/Stellantis

 

Falando do país, a Fiat retornou a Paris depois de dez anos, e apresentou o conceito Multiplay, que prevê o próximo modelo da marca na Europa, um SUV do segmento C com a funcionalidade das minivans dos anos 2000. Além disso, a italiana mostrou o Multiplina, basicamente a versão de quatro lugares do quadriciclo elétrico Topolino.

Outro retorno ao evento foi a francesa DS, marca premium do grupo que, desde a separação da Citroën em 2015, sofre para conquistar uma fatia em meio a Audi, BMW e Mercedes. A marca apresentou o F3VER, prevendo a próxima geração do DS3, inclusive buscando inspiração nas lanternas traseiras da primeira geração do modelo, de 2009, e que seguindo a nova nomenclatura inspirada em perfumes franceses, se chamará Nº3. 

Rival da DS, a Alfa Romeo chamou a atenção com o conceito Cuorerosso, um sedã que antecipa a direção de design da italiana, mantendo a filosofia de beleza necessária e conexão emocional entre motorista e máquina. No entanto, a marca possui apenas três modelos à venda, sendo dois com uma década de mercado, Giulia e Stelvio, com a nova geração deles com futuro incerto após sucessivos atrasos, e nenhum lançamento há dois anos. 

Seguindo a linha da esportividade e do resgate do passado, a Peugeot apresentou o RCZ Vision, um esportivo elétrico sucessor do cupê dos anos 2010. Além disso, a francesa surpreendeu com o E-T16, conceito que antecipa o próximo 208 e resgata elementos da lenda do rally, o 205 Turbo de 1985. A nova geração do B-hatch estreará o volante Hypersquare, retangular, e promete ser o primeiro do segmento com o sistema steer-by-wire, sem ligação mecânica entre volante e rodas.

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Peugeot E-T16 resgata o passado da marca para os futuros Peugeot 208 e 2008. Foto: Divulgação/Stellantis

 

A Stellantis ainda mostrou o Opel STX Concept, que indica a direção que a marca alemã seguirá e chama a atenção por ser um Station Wagon, carroceria que praticamente desapareceu com a ascensão dos SUVs. 

Nessa mesma linha de apostar em receitas diferentes, mas agora no Grupo Renault, a francesa mostrou o E-Space, uma minivan que resgata a história do modelo que se transformou em um SUV de sete lugares. Elétrico e com visual retrô, não foi confirmado se será produzido, mas comprova que a marca segue com a estratégia de reviver ícones do passado, que vêm sendo referência na indústria europeia pelo sucesso de vendas do R5 e Twingo E-Tech. 

O grupo ainda levou a Alpine para o Porte de Versailles, com o concept A310, que busca explorar o passado da marca esportiva com grande presença em competições. Chama a atenção que Nissan e Mitsubishi, apesar de também pertencerem ao grupo e terem um grande legado no esporte mundial, mais uma vez estiveram ausentes e enfrentam dificuldades financeiras. 

Expansão chinesa continua

Diferente das donas da casa, o destaque das chinesas foi com modelos de produção que prometem ser inclusive fabricados no bloco em alguns anos para escapar das tarifas. A parceira estratégica da Stellantis, a Leapmotor, apresentou três novos modelos. 

Após a ofensiva nos segmentos D e C, agora a chinesa aposta no segmento B. O evento foi palco do primeiro contato do público com o SUV B03X. Com porte de Volkswagen ID.Cross e até 401 km de autonomia, chega custando cerca de 24 mil euros, 4 mil a menos que o alemão. A marca apresentou também o B03, versão hatch do B03X, visando bater de frente com o Renault R5 e o Volkswagen ID.Polo. Ambos os modelos devem chegar ao Brasil em breve. 

A recém-chegada Changan também acelera na conquista do continente europeu, apresentando o SUV CS55, lançado em setembro por aqui, e os modelos de luxo da Avatr. Mas o destaque da ofensiva é o lançamento da Deepal e da NEVO em Paris. A primeira é uma marca com apelo esportivo e premium, com os SUVs elétricos ou híbridos plug-in S07 e S05, dos segmentos D e C, respectivamente. Já a Nevo apresentou o Q05, com 4,43 m de comprimento, elétrico ou PHEV, com mais de um milhão de vendas na China e com chegada prevista para o início de 2027. Um degrau acima estará o Q06, ainda em homologação. 

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Grupo chinês já opera no Reino Unido, e agora avança para a União Europeia. Foto: Divulgação/Changan Global

 

O Grupo Chery revelou o Tiggo 4 para a Europa, que irá no próximo ano completar a linha de SUVs por lá, com conjunto híbrido pleno (HEV) com foco em economia e tecnologia. Além disso, a marca apresentou pela primeira vez fora da China o novo Q, um hatch elétrico do segmento B de última geração, levado para avaliar a recepção do público europeu ao modelo. Paris também foi o palco do novo Omoda 4, apresentado na China no começo do ano, e com grandes expectativas de ser o próximo lançamento da marca no Brasil. Com um visual afiado, tem botão de partida com tampa protetora ao estilo Lamborghini, e opção HEV e elétrica. 

Seguindo o plano de expansão na Europa, a vice-presidente da BYD revelou planos de construção de duas novas fábricas em solo europeu, na França e Espanha, se juntando à unidade na Hungria, com produção em massa prevista para começar ainda este ano. A marca lançou também o elétrico Atto 8, o primeiro com a segunda geração da bateria Blade e sistema Flash Charging, com recarga de até 1.500 kW, o que se traduz em 10 a 97% em apenas nove minutos. 

O salão também foi palco para a estreia de duas novas chinesas, Forthing e Li Auto. A primeira faz parte do grupo Dongfeng, que estreou no Brasil em agosto no Festival Interlagos. Para Paris, o conglomerado que estuda uma parceria com a Stellantis aos moldes de Leapmotor, apresentou a marca Forthing e os modelos TK5 e TK7. O primeiro se trata de um SUV médio e o segundo, curiosamente, é uma minivan, ambos elétricos ou híbridos plug-in. Estava presente também a van V9, e planos de uma planta de produção em solo europeu já no início de 2027 foram anunciados. Já a Li Auto levou o seu SUV com ares de minivan, i6, com previsão de lançamento no ano que vem.

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Dongfeng esteve presente nas edições 2023 e 2025 do Salão de Munique, e na edição passada do Paris Motor Show. Foto: Divulgação/Forthing

 

Geely e GAC usaram o evento para fortalecer sua chegada na Europa com os modelos já conhecidos pelos brasileiros. De novidade, a primeira apresentou globalmente o Monjaro EM-i, um D-SUV híbrido plug-in que, apesar do nome curioso, oferece muito espaço e conforto como modelo topo de linha na Europa. Já a segunda revelou o inédito Aion UT Cross, versão aventureira do hatch elétrico.

Chamaram a atenção em Paris ainda as chinesas Aito e Xpeng. A primeira é a marca de luxo do grupo SERES e parceira da gigante de tecnologia Huawei, que também esteve presente em 2024, mas ainda não deslanchou no continente. Já a Xpeng fortalece a ofensiva com a chegada do SUV cupê elétrico ou híbrido L03. Após marcar presença na edição passada do evento e nos dois últimos Salões de Munique, agora aposta em um modelo do segmento D, rival do Tesla Model Y, com 520 km de autonomia, tecnologia de ponta e por cerca de 35 mil euros. 

Lançamentos de produção

Como resposta às chinesas, as marcas tradicionais também aproveitaram o Salão de Paris para mostrar importantes modelos de produção para o futuro da indústria europeia. A Stellantis mostrou os novos Fiat Grizzly e Grizzly Fastback. Como o nome do segundo sugere, eles devem substituir o Fastback atual no Brasil e provavelmente o Pulse. 

O estilo segue o do Grande Panda, que será lançado no Brasil ainda este ano como Argo X. Terá versões a gasolina, híbrida leve (MHEV) e elétrica, e usa a versão simplificada da plataforma e-CMP chamada de Smart Car, desenvolvida em parceria com a indiana Tata.

A coreana Hyundai foi a única asiática não chinesa que apresentou grandes lançamentos neste ano: a segunda geração do SUV Bayon, e a quinta geração do Tucson. O primeiro é um SUV compacto baseado no novo i20 já vendido no Brasil, mas ainda em adequação para o mercado europeu. Ele possui exatamente o mesmo interior do hatch, mas é 11 centímetros mais comprido e seis mais alto, e conta com motorização micro-híbrida por lá, além de futuramente um sistema HEV. Já o Tucson muda completamente em relação à geração atual, que nunca foi vendida no Brasil. Ele continuará contando com opções MHEV, HEV e PHEV, além de um entre-eixos menor que o da versão global, como já adotado pelo atual e pelo Kia Sportage.

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Bayon segue a linguagem de design “Steel of Art”, seguindo a linha do novo Tucson. Foto: Divulgação/Hyundai Group

 

O Grupo Volkswagen vive um momento delicado e levou a sua mais nova aposta para Paris. Após atrasar a nova plataforma elétrica para médios do grupo para 2029, e ter vendas aquém do esperado de seus primeiros elétricos, ID.3, ID.4 e ID.5, a alemã reviu a sua estratégia. Em vez de lançar uma reestilização para os dois últimos, fez mudanças profundas no design, no interior e na nomenclatura. Conforme defendido no Salão de Munique de 2023, o legado das marcas é visto como a principal chave para conquistar os compradores com a chegada dos chineses, e com o sucesso da Renault ao resgatar nomes lendários, a Volkswagen lançou o ID.Tiguan.  

Essencialmente, o modelo é o velho e descontinuado ID.4, recém-lançado no Brasil, com mesma plataforma, bateria e motor. Porém, o exterior é menos arredondado e mais em linha com o Tiguan a combustão, e o interior é completamente novo, sanando o problema da falta de comandos físicos, telas pequenas e acabamento duvidoso. 

Falando em acessibilidade e legado, Paris marcou o retorno de um ícone, o smart #2. Lançado no Paris Motor Show em 1998 como Fortwo, havia sido descontinuado em 2024, e retorna em 2026 mantendo a filosofia de ser realmente pequeno, funcional e divertido. O preço deve começar em 20 mil euros, e a bateria de 35 kW consegue uma autonomia de 290 km para o pequeno com 2,76 de comprimento.

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Primeiras entregas do novo smart #2 começam já este ano em alguns países europeus. Foto: Divulgação/smart

O novo smart será fabricado na China e foi desenvolvido em parceria com a Geely, e reflete bem o momento que a indústria automotiva mundial vive. A produção do #2 em solo europeu não foi descartada, mas a empresa disse que isso teria atrasado seu lançamento em um a dois anos. Ou seja, mesmo que europeias, a colaboração com a China não parece mais opcional, e o tempo mostrará se os conceitos das marcas tradicionais conseguirão chegar a tempo dos chineses de agora.

Colapso glacial gera evento sísmico que destrói estruturas do país e deixa 1.445 mortos e 5.285 desaparecidos; enxurrada do monte Langtang Lirung chega a 180 km/h e atinge Tibete
por
João Barbosa
Manuela Abbate
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22/10/2026 - 12h

Nas últimas semanas, uma série de tragédias ambientais atingiram terrenos asiáticos. Casos de enchentes na região da cadeia montanhosa Hindu Kush-Himalaia causaram estrago na estrutura local e um número alto de óbitos e desaparecidos. Os acidentes são recorrentes e refletem a circunstância das mudanças climáticas que oferecem alto risco a esse tipo de território.

Em 26 de agosto, houve o primeiro grande deslizamento no monte Langtang Lirung. A queda dos detritos gerou uma avalanche que chegou ao vale do rio Lhende Khola, devastando mais de 40 km de rodovias, 70 pontes e 12 hidrelétricas na região. Ao chegar ao solo, os resíduos causaram um tremor sísmico de magnitude 5,2, agravando o desastre.

Houve dois deslizamentos graves desde o ocorrido em agosto, um em 27 de setembro e outro no último domingo (10). Esse atingiu a Índia, deixando 56 mortos.

No momento, 49 dos 77 distritos do Nepal estão em alerta quanto as chuvas. O desastre danificou as fibras ópticas da área, deixando os distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung sem energia.

Ao total, foi calculado pelas autoridades do país que a recuperação custará de 4 a 5 bilhões de dólares.

Quanto as vítimas do desastre, apenas 105 corpos foram identificados e retornados aos familiares. As autoridades nepalesas criaram um cemitério temporário no distrito de Chitwan, onde enterraram em vala comum um número não divulgado de corpos não identificados.

O fenômeno

O colapso glacial consiste na fragilização e o desabamento de geleiras. Durante o deslizamento, o gelo acumula outros sedimentos e detritos, podendo gerar uma avalanche.

Os deslizamentos são esperados durante o verão na Ásia do Sul visto que as chuvas nesse período são intensas. Esse processo é chamado de chuvas de monções. Elas ocorrem quando os ventos da região mudam a trajetória, transportando o ar mais umido do oceano Índico para o continente. Devido as cadeias montanhosas da região, o Himalaia e a Caxemira, as nuvens carregadas não se dispersam, intensificando a precipitação.

mapa que mostra a Índia, Nepal e a região do Tibete na China
Mapa da região, mostrando a fronteira entre o Nepal e o Tibete | Reprodução: Google Earth

É importante pontuar que as mudanças climáticas exercem um papel nessa progressão de eventos. O aumento da temperatura global torna os colapsos glaciais e as precipitações mais frequentes. Em entrevista a Reuters, o cientista Terra Dan Shugar comentou “Algumas das geleiras do vale estavam cobertas de neve ontem e hoje estão, em sua maioria, com o gelo à mostra. Portanto, em outras palavras (e ainda não vi nenhum dado de estações meteorológicas), provavelmente estava quente”, indicando que uma grande quantidade de neve derreteu no dia que precedeu o desastre.

O reflexo no futuro

A longo prazo, o panorama da região tende a seguir o caminho que se perpetua hoje. As variações na precipitação são uma questão de tamanho mundial, o ciclo hídrico do planeta é desregulado pelas mudanças climáticas. Em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento do Nepal no ano de 2023, a professora Shankar Shrestha prevee um aumento de 72% na intensidade diária de chuvas no Nepal pelos próximos anos. Simultaneamente, a perspectiva é de aumentos nas áreas de derretimento. Dados de um levantamento da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que as montanhas nevadas da região perderam cerca de um terço do gelo total, com tendências a aumento crítico no processo.

Em entrevista a AGEMT, o jornalista especializado em divulgação científica Ulisses Capozoli comenta sobre as predisposições do território nepalês: “O Nepal é uma região de choque de placa tectônica, então é de se esperar esse tipo de coisa. A questão é fazer uma análise incluindo dados de processos naturais, para ter um perfil do que está acontecendo. O que está acontecendo é compatível com um planeta que tem uma população crescente e tem um padrão de energia que muda o ambiente”

A interferência humana no comportamento natural do meio ambiente tem implicações diretas na própria existência da sociedade. No caso da parcela do Nepal afetada pelos desastres, a maioria populacional é de baixa renda, que depende da área para o funcionamento local. Por conta dos desastres, hoje esses residentes estão considerados em situação de risco.

Estudos realizados pela IFC (International Finance Corporation), apresentam a progressão do número de pessoas afetadas por enchentes oriundas de mudanças climáticas no Nepal nos ultimos anos. Em 2010, o número foi de aproximadamente 157 mil, enquanto em 2030, o número está previsto para alcançar os 350 mil.

 

 

 

Presidente dos EUA ameaça Irã, Cuba e México, anuncia acordo com a Groenlândia e defende renomear IA como "superinteligência"
por
Sofia Martins
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25/09/2026 - 12h

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na terça-feira (22) na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York.  O mandatário iniciou seu discurso de 37 minutos com a frase “America is back” (América está de volta).  

O político apontou, o que classificou, como “melhorias históricas” na economia, segurança pública e força militar dos EUA. Além disso, reforçou ameaças ao Irã, relações com o território venezuelano e enfatizou o poder e o cuidado com as Inteligências Artificiais, chamadas por Trump de “super-inteligências”. O líder norte-americano falou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O brasileiro abriu a reunião, como  é tradição nas assembleias da organização desde 1955. 

Trump também deu destaque às conquistas econômicas, por recordes na bolsa de valores americana, argumentou que empresas estavam investindo nos Estados Unidos “mais do que já aconteceu em qualquer momento e em qualquer lugar do mundo” durante seu ano de governo e declarou o valor de US$ 21 trilhões em investimentos estrangeiros. Entretanto, segundo relatórios da Casa Branca, esse valor seria quase o dobro do total contabilizado e declarado. De acordo com informações divulgadas no site “Trump Effect List” (Lista de Efeitos de Trump), iniciativa da administração de Donald Trump que reúne anúncios de grandes investimentos corporativos e industriais nos Estados Unidos, o montante de investimentos estrangeiros chega aos US$9,6 trilhões.

Ao se referir aos avanços do território norte americano, ele enfatizou  ter transformado a fronteira dos Estados Unidos  de mais perigosa para mais segura da história do país, informando que nos últimos 16 meses, nenhum imigrante irregular teria sido admitido no país. Durante o discurso, os números apresentados por Trump  para indicar o desenvolvimento do país foram baseados em dados inconsistentes. 

Além disso, Trump disse ter agido para evitar que os EUA, ou qualquer outra nação presente no plenário, tivessem que enfrentar o que chamou de um "pesadelo" nuclear vindo do Irã, e se colocou como defensor não só dos Estados Unidos, mas de toda comunidade internacional reunida na assembleia. O conflito com o país persa, iniciado unilateralmente por Estados Unidos e Israel, tem como um dos pontos de tensão o programa nuclear iraniano.

O presidente ainda chamou a liderança iraniana de fraca e desesperada e afirmou esperar um acordo logo após as eleições. A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a um conflito real e prolongado, quase sete meses de guerra, e segundo o fact-check do PBS/PolitiFact, em um momento de desgaste da opinião pública americana com o impacto do conflito nos preços de combustível. 

O político afirmou estar diante de uma decisão histórica: de um lado, poderia optar por um acordo que permitiria ao Irã reconstruir sua economia e se consolidar como “talvez uma das maiores potências do Oriente Médio”. Por outro lado, advertiu que, caso o acordo não fosse alcançado, o país poderia sofrer uma ação militar capaz de “aniquilar rapidamente a nação iraniana”.

Trump mencionou também ter sancionado, uma nova lei que lhe dá amplos poderes tarifários, ferramenta que disse estar pronto a usar para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por ele como uma "guerra desastrosa" que mata milhares de pessoas por mês.

A invasão realizada pelas forças armadas dos EUA no mês de janeiro a Caracas, capital da Venezuela, também foi lembrada por Trump durante seu discurso: “conseguimos pegar o criminoso, fora da lei, Nicolás Maduro”. O líder norte-americano afirmou que diversos venezuelanos que foram presos erroneamente, deixaram as prisões e que a nação venezuelana festejou após a operação americana. 

Apesar de existir uma parte da população venezuelana que concorda com a operação comandada por Trump, segundo a checagem de fatos da agência Lupa, muitos dos relatos de comemoração da nação venezuelana são falsos. A maioria dos vídeos de comemoração foram gerados por IA ou de protestos anteriores à queda de Maduro. 

A intervenção militar estrangeira armada gerou profundo desespero, apagões e medo na população de Caracas durante os bombardeios. Além disso, houve baixas militares locais e protestos de apoiadores do regime chavista. Sobre os que foram detidos erroneamente, segundo o Foro Penal da Venezuela, após a segunda rodada de diálogos mediada pelos EUA, o balanço registrou a soltura recente de dezenas de detidos. Entretanto, restam 324 pessoas que permanecem presas. A demografia detalhada aponta 310 homens, 14 mulheres, sendo 184 civis e 140 militares.

O chefe da Casa Branca também anunciou o maior acordo de petróleo da história, contando com 65 bilhões de barris de petróleo, que, segundo ele, trará benefícios para o povo norte-americano e venezuelano. “Quando somamos a Venezuela e os Estados Unidos, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, afirmou ele.

81a Assembleia Geral da ONU em Nova York
Trump discursa na 81ª Assembleia Geral da ONU - Daniel Torok/Divulgação Casa Branca

Trump abordou a segurança regional na América Latina, concentrando parte de sua fala no México. O presidente norte-americano classificou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e definiu o México como o “epicentro da violência dos cartéis”, fazendo cobranças diretas ao governo mexicano.

Apesar de afirmar boas relações com o país, ele também declarou que “o México precisa retomar o controle sobre seu território” e comparou os cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. “Eles são inimigos em guerra com a civilização, usando assassinato, estupro, extorsão e táticas de terrorismo. Eles devem ser assassinados, eliminados ou presos sem a possibilidade de serem soltos”, argumentou o político.

Ao mencionar Cuba, Trump descreveu o regime como “Estado fracassado” sob a maior pressão de sua história, que “vai cair”. Ele também alegou que Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, está profundamente envolvido com as negociações sobre o país. 

A situação de Cuba se agravou com o aumento das medidas impostas pelos Estados Unidos, desde janeiro,  que ampliou as restrições contra a ilha, interrompeu o envio de petróleo venezuelano e ameaçou  aplicar tarifas a países que mantivessem relações comerciais com o governo cubano. Após a fala de Donald Trump sobre o país, durante a Assembleia Geral, a delegação de Cuba abandonou a sessão. 

O discurso contou com o anúncio do presidente de que, há poucos dias, os Estados Unidos fecharam um acordo sem precedentes envolvendo a Groenlândia – território dinamarquês – para que esse  fizesse parte da esfera de defesa direta dos EUA. 

Segundo o político, o acordo foi firmado com o Reino da Dinamarca e com representantes do próprio povo groenlandês, que concordaram em atribuir  aos Estados Unidos controle "permanente" sobre a segurança e "todas as demais necessidades" no território. 

Ele encerra o trecho dizendo que isso dará aos EUA capacidade plena para "defender o continente americano, a Europa e outras regiões" a partir dali, elevando a Groenlândia de posse estratégica pontual a peça central da defesa ocidental. 

A Groenlândia é uma área de interesse dos Estados Unidos por ser um território com terras raras, gás e petróleo mais acessíveis, recursos essenciais para produção de tecnologias avançadas. Além disso, a ilha possui uma localização estratégica, servindo como ponto de contenção de mísseis hipersônicos que poderiam atingir os EUA pelo norte. 

Durante seu discurso, Trump comentou que a ONU tem potencial enorme, mas que a organização precisa deixar de impor o que chamou de "agenda de extrema-esquerda de burocratas globalistas que ninguém jamais elegeu". 

Como exemplo, citou uma intervenção do seu governo no ano anterior para impedir que a Organização Marítima Internacional, agência ligada à ONU, criasse um imposto global sobre carbono no transporte marítimo. 

Trump ampliou ainda críticas aos organismos de direitos humanos da ONU. “É inaceitável que, com todas as atrocidades que acontecem no mundo, a ONU tenha autoridades de direitos humanos criticando os EUA por protegermos nossas crianças contra a mutilação de pessoas transgêneras e forçando nossas leis de imigração”, afirmou o presidente. 

Ao mesmo tempo, ele afirmou que cristãos são perseguidos “constantemente”. A declaração foi usada para criticar o que ele considera ser o silêncio da ONU diante dessas perseguições, em contraste com a atenção dada, segundo ele, a questões internas dos Estados Unidos. 

A mesma crítica apareceu quando Trump falou sobre a Unesco. O presidente questionou a atuação da agência, criada para preservar o patrimônio cultural e histórico, e afirmou que ela estaria “destruindo a cultura, a herança e a história”. Com a declaração, Trump reforçou sua crítica às instituições multilaterais, que, segundo ele, estariam se afastando de suas funções originais.

No final do discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos "rejeitam totalmente" qualquer tentativa de criar o que chamou de um "esquema globalista" para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele anunciou que, a partir daquele momento, os documentos oficiais do governo norte-americano passarão a usar o termo "superinteligência", ou "SI", no lugar de "inteligência artificial". Como justificativa, disse que a palavra "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

Trump finalizou afirmando que os Estados Unidos lideram a corrida desenvolvimentista da IA à frente da China, e classificou como pertencentes a um mesmo grupo os críticos do avanço da IA e aqueles que, segundo ele, alertaram anteriormente sobre aquecimento global e sobre supostas interferências russas nas eleições americanas.

Após 25 anos, a tragédia que mudou o rumo dos Estados Unidos ainda deixa marcas na sociedade e nas relações internacionais
por
Vitória Teles
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17/09/2026 - 12h

Há 25 anos, em 11 de setembro de 2001, Nova York vivenciava o maior ataque terrorista da história, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados por jihadistas e atirados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e o prédio do Pentágono. O último avião, acreditava-se que estivesse rumo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia, após os passageiros terem tomado controle do avião, desviando sua rota e fazendo com que ele não chegasse ao destino final.

O evento matou 2.997 pessoas, além dos 19 sequestradores, foi o mais mortal da história do país e permanece vivo na memória dos estadunidenses. O atentado representou um trauma nacional que mudou a forma como os Estados Unidos enxergavam sua segurança, política externa e cotidiano.

O mundo inteiro também acompanhou em tempo real pela transmissão de canais de notícias. Milhões de pessoas viram o segundo avião atingir a torre sul do World Trade Center. As imagens foram repetidas inúmeras vezes na televisão por dias, meses e anos seguintes.

As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons.
As Torres Gêmeas sendo atingidas em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Foto: Robert J. Fisch/Wikimedia Commons. 

 

O atentado demonstrou como terroristas podem usar meios civis, como aviões comerciais, para cometer crimes, isso levou governos de todo o mundo a rever seus sistemas de segurança. Alguns sistemas mudaram drasticamente após o ataque. Os aeroportos passaram a ter controles mais rígidos, com inspeções mais rigorosas de passageiros e bagagens.

Além disso, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), para assumir a segurança aeroportuária. Novas leis antiterrorismo surgiram durante esse período, como a USA Patriot Act, criação da TSA, sancionada em 2001 para monitorar comunicações telefônicas e eletrônicas de suspeitos.

A motivação por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 estava ligada principalmente à ideologia da organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama bin Laden. Segundo a declaração do próprio grupo, as motivações incluíam a presença militar dos Estados Unidos na Arábia Saudita, considerada por Bin Laden uma profanação de locais sagrados do Islã e a oposição à influência política, econômica e militar americana no Oriente Médio.

Além das mudanças nas medidas de segurança, a tragédia provocou um grande choque econômico global. A bolsa de valores de Nova York permaneceu fechada por vários dias, algo raro na história dos EUA. As companhias aéreas foram o setor mais afetado. O espaço aéreo estadunidense foi fechado temporariamente, cerca de 5.000 a 7.000 voos comerciais foram cancelados nos primeiros dias após os atentados e muitas pessoas passaram a evitar viagens de avião no período após o ataque, segundo a National Archives 9/11 Federal Aviation Administration (FAA) Records.

Após o colapso das Torres Gêmeas, as equipes de resgate passaram meses removendo toneladas dos destroços do terreno, conhecido como "Ground Zero" (Marco Zero). O trabalho envolveu busca por sobreviventes, recuperação dos restos mortais das vítimas e estabilização da área para futuras construções.

Como forma de preservação da memória e homenagem, o One World Trade Center, inaugurado em 2014, com 541 metros de altura, representa resiliência e renovação. O edifício tornou-se o mais alto do Hemisfério Ocidental.

No local onde estavam as Torres Gêmeas foram erguidas duas imensas piscinas espelhadas, posicionadas exatamente sobre as fundações das antigas torres. Os nomes das 2.997 vítimas dos ataques foram gravados em painéis de bronze ao redor do memorial. Ao lado, também foi inaugurado o Museu Nacional do 11 de setembro que reúne fotografias, objetos recuperados, documentos históricos, como identidades das vítimas encontradas nos destroços das Torres.

Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures
Memorial construído no mesmo local onde as Torres Gêmeas desabaram. Foto: Public Petr Kratochvil/Domain Pictures

Todos os anos, cerimônias são realizadas no One World Trade Center. Como forma de manter viva a memória das vítimas que morreram em 11 de setembro de 2001, como a leitura dos nomes das vítimas, sete momentos de silêncio e 2.977 luzes em homenagem às vítimas que foi exibida formando a silhueta das Torres Gêmeas, além de uma cerimônia especial em Ground Zero para familiares, sobreviventes e autoridades.

Governo de Donald Trump decide fazer mudança no departamento de estado em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
por
Rafael Jorge
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26/08/2026 - 12h

O Governo dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (17), a troca do chefe de escritório responsável pelas relações entre Brasil e América Latina. Juan Pablo Segura assumiu o cargo de Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, no lugar do embaixador Michael Kozak, que ocupava a função de forma interina desde 2025.

Juan Segura já havia sido indicado pelo presidente Donald Trump em abril deste ano. Em junho, o nome dele passou por uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, quando foi aprovado. Segundo o departamento de estado, o novo chefe tomou posse no dia 14 de agosto.

Juan Pablo Segura é um membro do partido republicano e empresário americano, filho de imigrantes argentinos. Antes de chegar ao departamento de estado, ele foi secretário de Comércio Exterior da Virgínia, no governo de Glenn Youngkin. Também co-fundou, em 2014, a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento pré-natal e pós-parto.

Novo Secretário de Estado em foto oficial
Juan Pablo Segura, novo chefe de escritório responsável pelas relações entre EUA e América Latina. Foto: Departamento de Estado dos Estados Unidos

No mesmo dia em que foi anunciado, Segura utilizou suas redes sociais para dizer que pretende trabalhar em parceria com o Presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rubio “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras. Estou pronto para trabalhar!” afirmou.

 

Publicação no X de Juan Pablo Segura agradecendo a oportunidade no novo cargo
Post de Juan Pablo Segura no dia em que foi oficializado como Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Imagem: X/ Reprodução @WHAAsstSecty 

A mudança acontece em meio a uma tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil. No início de agosto, o governo estadunidense revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão aconteceu, segundo o governo dos Estados Unidos, após o Brasil recusar conceder aprovação diplomática ao embaixador Daniel Perez, indicado por Trump para atuar na capital brasileira.

Juan Pablo Segura já usou suas redes sociais para falar sobre o Brasil. Em fevereiro de 2025, ele criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de multar o X (antigo Twitter) por descumprimento de uma ordem judicial “Bloquear o acesso à informação e impor multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com os valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão." 

Já em abril deste ano, Segura compartilhou um texto sobre a decisão dos Estados Unidos em expulsar um delegado brasileiro que estava supostamente envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território americano. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", dizia a publicação.

O que diz o Itamaraty? 

Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou especificamente sobre a nomeação de Juan Pablo Segura. O governo brasileiro, no entanto, tem defendido que a concessão de agrément, autorização formal do país que receberá um embaixador, é um procedimento diplomático necessário e deve ocorrer antes da divulgação pública da indicação.

Na perspectiva de Brasília, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti e a nomeação de Segura acontecem dentro de um contexto mais amplo de deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao país, após suspeitas de que a visita poderia estar relacionada a questões políticas e ao sistema eleitoral brasileiro.

 

Conheça detalhes da proposta que pretende reduzir jornada de trabalho no Brasil
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
Marcelo Barbosa
|
02/12/2024 - 12h

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende acabar com a jornada de trabalho 6×1, em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para ter direito a apenas um dia de folga, está ganhando força no Congresso Nacional. 

A PEC, que tem como principal defensora a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), alcançou o número mínimo de 171 assinaturas necessárias para ser protocolada e iniciar sua tramitação na Câmara dos Deputados. O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por Rick Azevedo, vereador eleito pelo PSOL no Rio de Janeiro, desempenhou um papel crucial ao dar visibilidade à questão, mobilizando apoiadores e aumentando a conscientização sobre a importância da mudança na legislação trabalhista.

De acordo com informações do gabinete da deputada, cerca de 231 assinaturas de deputados federais já foram registradas até a manhã de sexta-feira, 15 de novembro de 2024. Com isso, a proposta segue agora para as próximas etapas legislativas, com previsão de ser discutida e votada no plenário.

O que propõe a PEC?

A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), responsável pela proposta para redução da jornada. Foto: Câmara dos Deputados.
A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), responsável pela proposta para redução da jornada. Foto: Câmara dos Deputados.


A proposta busca alterar a Constituição Federal para reduzir a carga horária de trabalho semanal de 44 para 36 horas, com a implementação de uma jornada de quatro dias de trabalho seguidos por três dias de folga. 

A justificativa apresentada pela deputada Erika Hilton para a PEC destaca que a alteração proposta à Constituição reflete um movimento global em direção a modelos de trabalho mais flexíveis. 

Isso envolve o reconhecimento de que o mercado de trabalho precisa se adaptar às novas demandas sociais, oferecendo uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores e suas famílias. Hilton afirma que é essencial uma mudança nas normas de jornada de trabalho para equilibrar a vida profissional com o tempo para lazer e convivência familiar.

A mobilização popular e o Movimento VAT

Um dos pilares que sustentam a proposta da PEC é o apoio da população, especialmente de trabalhadores que reivindicam melhores condições de trabalho. O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por Rick Azevedo, vereador eleito pelo PSOL no Rio de Janeiro, foi fundamental para dar visibilidade à questão. 

Rick, fundou o movimento após se tornar uma figura popular nas redes sociais, especialmente no TikTok, ao compartilhar vídeos sobre a rotina de trabalho exaustiva e os impactos psicológicos que a escala 6×1 tinham em sua vida.

O vereador Rick Azevedo, criador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).  Foto: Rick Azevedo via Instagram/Reprodução
O vereador Rick Azevedo, criador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Foto: Rick Azevedo via Instagram/Reprodução.

Em seus vídeos, Rick relatava como a jornada de trabalho intensa afetava sua saúde mental, destacando a sobrecarga de responsabilidades para quem trabalha em empregos como auxiliar de serviços gerais, vendedor, frentista, ou balconista de farmácia. 

Ele mencionava também as dificuldades que enfrentava por não ter tempo para estudos, familiares ou lazer. Ao ganhar visibilidade, Rick organizou grupos no WhatsApp e Telegram, que posteriormente se expandiram para diversos estados do Brasil, com o objetivo de conscientizar e mobilizar mais pessoas em torno da causa.

A petição online iniciada pelo movimento VAT, intitulada "Por um Brasil que vai além do trabalho: VAT e Ricardo Azevedo na vanguarda da mudança", foi uma das principais ferramentas de mobilização. 

A petição solicita que o Congresso Nacional altere a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e revise a escala de trabalho 6×1, propondo alternativas que permitam aos trabalhadores desfrutar de mais tempo para suas vidas pessoais e familiares. Até o momento, a petição já alcançou mais de 2 milhões de assinaturas, o que evidencia o grande apoio popular à iniciativa.

Procuramos a assessoria do Vereador Rick Azevedo e da deputada federal Erika Hilton para maiores esclarecimentos sobre a PEC e sobre o movimento VAT mas não obtivemos retorno até o fechamento desta reportagem..

A PEC no Congresso: desafios e apoios

Com o número de assinaturas alcançado, a PEC agora está pronta para ser protocolada na Câmara dos Deputados. Contudo, o caminho até a aprovação ainda não está garantido, e o processo pode ser longo. A deputada Erika Hilton fez um pronunciamento na tarde de quarta-feira (13) para reforçar os argumentos a favor da mudança na legislação trabalhista.

Minutos antes de uma reunião com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a deputada Erika Hilton, líder do PSOL (SP), exigiu “apoio aberto e declarado” do governo federal para a proposta de emenda constitucional que visa acabar com a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso).

As declarações de Hilton ocorreram logo após ela anunciar que havia obtido as 171 assinaturas necessárias para protocolar a PEC. Ela também confirmou que participaria de uma reunião com Padilha e o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor de uma outra PEC sobre o mesmo tema.

“Vou primeiro ouvir o que o ministro Padilha tem a nos dizer”, afirmou Hilton. “O que precisamos é do apoio do governo para fortalecer essa discussão no Congresso Nacional, com mediação do ministro, para que consigamos avançar na tramitação dessa PEC, com o respaldo claro e explícito do governo.”

A PEC 221/19, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), também propõe a redução da carga horária semanal, mas sem alterar o modelo de quatro dias de trabalho e três dias de folga. Essa PEC está atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, dependendo do andamento, pode ser unificada com a proposta de Erika Hilton ou seguir separada. A decisão sobre a tramitação de ambas as PECs caberá a Arthur Lira (PP-AL), Presidente da Câmara dos Deputados.

Visões contrárias e a reação do governo

A proposta tem gerado controvérsias, com diferentes setores da sociedade e do governo expressando suas opiniões. Entre os defensores da PEC, há o argumento de que a jornada de trabalho 6×1 é excessiva e desgastante, e que sua eliminação poderia criar novos postos de trabalho. A redução da jornada, segundo esses defensores, permitiria que os trabalhadores tivessem mais tempo para o lazer, o que também beneficiaria a saúde mental e a qualidade de vida da população.

No entanto, especialistas e setores do empresariado levantam preocupações em relação aos possíveis impactos da medida. Para eles, a redução da jornada de trabalho poderia aumentar os custos das empresas, sem que houvesse um aumento significativo na produtividade, o que pode gerar alta na inflação e no desemprego.

Cristina Helena Pinto de Mello, economista e professora da PUC-SP, diz que uma das possibilidades para manter o equilíbrio entre a manutenção do ritmo de atividade, se adequar às novas regras e manter o nível de produtividade será necessário contratação adicional ou pagamento de horas extras: “Neste caso, veremos um aumento nos custos de produção e elevação dos preços finais”. 

Mello diz que, com o passar do tempo, esses custos tendem a se diluir pelo endurecimento das negociações salariais com reajustes menores. “Uma alternativa é otimizar processos com tecnologia. Neste caso, os aumentos de custos podem ser menores e diluídos ou rateados em maior atividade produtiva”.  

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está dividido em relação à proposta. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem se mostrado favorável à redução da jornada de trabalho, destacando que ela é uma tendência global e que merece ser debatida. Por outro lado, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), se mostrou mais cauteloso, sugerindo que qualquer mudança na jornada de trabalho devesse ser discutida de forma mais detalhada e, preferencialmente, por meio de negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores.

Reações no Congresso: preocupação com o impacto para as empresas

No Congresso, a reação também tem sido mista. O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito para assumir a presidência da Câmara em fevereiro, expressou preocupações sobre a PEC. Ele acredita que é necessário ouvir os empresários e considerar os efeitos econômicos da proposta antes de avançar. 

Em uma reunião com a Frente Parlamentar pelo Empreendedorismo, Motta afirmou: “O que se criou é um verdadeiro movimento nas redes sociais a favor da PEC, que é um tema que temos e vamos discutir, mas precisamos ouvir ambos os lados.” 

T3: A aprovação da PEC pode desestabilizar a economia?

Desde que ganhou visibilidade, a proposta  passou a ser motivo de críticas. No Congresso Nacional, a grande maioria que votou a favor da PEC eram de partidos da base aliada ao Governo Lula. A oposição de direita contestou a proposta, mas, mesmo assim, obteve um voto a favor do deputado federal Fernando Rodolfo (PL). Alguns parlamentares conservadores, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e José Medeiros (PL-MT), e empresários são contra as mudanças propostas na lei.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), contrário à proposta da redução da jornada. Foto: Câmara dos Deputados.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), contrário à proposta da redução da jornada. Foto: Câmara dos Deputados.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Nikolas classificou a votação como "ataque coordenado" e disse que não vai ceder às pressões. Ele alegou que a proposta pode gerar mais inflação no país e que nenhum outro político foi pressionado a tomar posição no tema. Apesar do que foi dito pelo deputado, a pressão nas redes sociais afetou diferentes políticos, incluindo parlamentares do PT.  

Procuramos a assessoria do Deputado Nikolas Ferreira, mas não obtivemos retorno.

Países do mundo inteiro estão testando ou já efetivaram um modelo de redução na jornada de  trabalho. Através de uma parceria entre a organização 4 day week e a construtora Reconnect Happiness, esse caminho foi experimentado em países como Espanha, Estados Unidos e Austrália.

Um relatório publicado pelo Think Tank Autonomy, juntamente de acadêmicos da Universidade de Cambridge, mostrou resultados positivos. Mais de 90% das empresas que participaram do teste decidiram continuar com a semana de quatro dias, já que o esgotamento dos funcionários diminuiu 71% e as empresas ficaram satisfeitas com a produtividade dos empregados. Além disso, nações de grande relevância econômica possuem jornadas de trabalho com menos de 40 horas. A Holanda possui, em média, 29,2h; A Dinamarca, 32,4h; A Alemanha, 34,4h; A Suíça, 34,4h e a Irlanda com 34,9h semanais.

Entretanto , a professora Cristina Helena ressalta que o cenário brasileiro é diferente do internacional, onde a mudança foi implementada com o aumento da produtividade ou por conta do investimento em tecnologias: “Faremos em um contexto de desindustrialização, forte mercado informal de trabalho, pressões inflacionárias e economia aquecida”, argumenta. 

Saiba qual será o desfecho das acusações criminais e condenações de Donald Trump após ser eleito o 47º presidente dos Estados Unidos.
por
Manuela Schenk Scussiato
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11/11/2024 - 12h

Após uma longa campanha pela Casa Branca, marcada por acusações e investigações criminais, Donald Trump foi, mesmo assim, reeleito presidente da maior democracia do mundo. Agora a principal questão é: o que acontecerá com suas condenações pendentes?

 

6 de janeiro

O recém eleito presidente foi acusado criminalmente pelo procurador Jack Smith por compra de votos, pressão de autoridades para a subversão do resultado democrático e iniciar o motim no Capitólio com o intuito de atrasar a posse do presidente Biden.

Invasão ao Capitólio em Washington DC realizada pelos eleitores de Trump após sua derrota na corrida eleitoral de 2020. A ação foi encorajada pelo próprio ex-presidente. Foto: Leah Millis/REUTERS

Mesmo com as incansáveis tentativas de Smith para a condenação de Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos o deixou parcialmente imune a processos criminais sobre ocorrências em seu mandato. Agora, com sua vitória, esse caso será completamente arquivado. Caso o procurador se recuse a fazê-lo, Trump disse em uma entrevista em rádio no mês de outubro que: “o demitiria em dois segundos”.

Segundo Neama Rahmani, ex-procurador federal: “Está bem estabelecido que um presidente em exercício não pode ser processado, portanto, o processo de fraude eleitoral no Tribunal Distrital de DC vai ser arquivado”.

 

Suborno em NY

Trump já tem 34 acusações no estado de Nova Iorque envolvendo falsificação de registros financeiros. O presidente foi condenado em maio deste ano no estado por júri popular sobre a compra do silêncio da atriz pornô Stormy Daniels no ano de 2016. Sua sentença está em aberto e será divulgada até o dia 15 de novembro pelo juiz do caso, Juan Merchan. O mesmo fez a escolha de adiar a revelação para depois do resultado das eleições.

É improvável que Trump seja condenado a viver atrás das grades por ser um réu primário de 78 anos. Caso isso ocorra, seus advogados podem entrar com recursos que facilmente impedirão sua prisão, o que pode adiar a execução da pena por anos. O mais provável, no entanto,  é um novo adiamento da sentença para o fim de seu mandato.

Trump após sua condenação no estado de Nova Iorque Foto: Seth Wenig/REUTERS
Trump após sua condenação no estado de Nova Iorque
Foto: Seth Wenig/REUTERS

De todos os casos em aberto, esse é o único que torna Trump, de fato, um criminoso condenado e, como se trata de uma acusação estadual, ele não tem o direito de se perdoar.

 

Eleições de 2020 na Geórgia

As acusações carregadas por Trump nesse estado vem de sua tentativa de reverter o resultado das eleições de 2020, quando os democratas levaram os delegados da Geórgia após uma disputa acirradíssima entre os dois candidatos.

O julgamento do caso foi atrasado algumas vezes, principalmente pelas tentativas de retirar a promotora Fani Willis, o que ainda não ocorreu, após ser descoberto seu envolvimento pessoal com um dos advogados do caso. Agora, com a eleição de Trump confirmada, o processo será interrompido pela duração de seu mandato.

 

Documentos confidenciais

Jack Smith, o mesmo procurador do caso da invasão ao Capitólio em 2021, também lidera as acusações de manipulação indevida de documentos oficiais que o futuro presidente enfrenta, caso que o mesmo nega firmemente.

O processo diz que Trump levou documentos da Casa Branca para sua residência em Mar-a-Lago, no estado da Flórida, após deixar a presidência em 2020, além de impedir as autoridades de realizarem a retirada dos papeis.

A juíza do caso, nominada pelo próprio Trump, retirou as acusações e, mesmo com Smith recorrendo a decisão, nada será feito antes da posse, o que dará a este caso o mesmo destino dos supracitados, o arquivo pelos próximos quatro anos.

 

 

Democrata aponta desafios atuais e convoca sociedade a proteger valores democráticos
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
|
08/11/2024 - 12h

 

Em discurso, em Washington na quarta-feira (06), após a derrota na corrida pela Casa Branca, a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, fez um alerta sobre o estado atual da democracia americana. Harris destacou que, mais do que nunca, o país enfrenta ameaças que exigem uma resposta firme e coletiva para proteger os princípios democráticos.

“Nosso sistema democrático está em uma encruzilhada”, afirmou a vice-presidente. Harris mencionou que essa conjuntura não é apenas um reflexo do momento atual, mas sim uma acumulação de desafios que vêm se agravando. “Aceito a derrota, mas continuarei na luta”, declarou, reforçando seu compromisso em seguir defendendo os valores democráticos mesmo após o resultado eleitoral.

Em seu pronunciamento, Kamala enfatizou a importância de manter a vigilância sobre “ameaças tanto internas quanto externas” e destacou o papel fundamental de instituições livres e da sociedade civil.

A vice-presidente direcionou parte de seu discurso à imprensa, que, segundo ela, desempenha um papel indispensável em momentos de crise democrática. “A democracia depende de nossa capacidade de proteger a verdade e assegurar que todos tenham voz”, disse, sublinhando o impacto negativo da desinformação e a necessidade de preservar o acesso dos cidadãos a informações precisas e de qualidade.

Vice-presidente Kamala Harris discursa após derrota, em Washington. Foto: SAUL LOEB/AFP.
Vice-presidente Kamala Harris discursa após derrota, em Washington. Foto: SAUL LOEB/AFP.

Além disso, Harris expressou preocupação com as mudanças recentes na legislação eleitoral de alguns estados, que, segundo ela, dificultam o acesso ao voto para muitos americanos.

“É nossa responsabilidade coletiva defender o acesso igualitário às urnas, sem discriminação ou obstáculos desnecessários”, declarou. A vice-presidente fez questão de lembrar que políticas que restringem o acesso às urnas enfraquecem a essência democrática dos Estados Unidos.

O tom do discurso de Harris foi de mobilização, e ela não hesitou em convidar a população a atuar de forma ativa na proteção da democracia. “Precisamos de todos engajados para superar os desafios e assegurar que as gerações futuras herdem um país onde a democracia prospere”, pontuou, pedindo união e comprometimento para enfrentar as ameaças que colocam em risco os valores fundamentais do país.

Com o discurso, Harris também relembrou o dever da atual geração em "manter vivos os ideais de igualdade e justiça", e alertou que, sem o envolvimento coletivo, os ganhos democráticos das últimas décadas podem ser comprometidos. 

Para ela, é indispensável que a sociedade continue a participar do processo democrático, defendendo as instituições e preservando as liberdades civis para que estas resistam ao passar do tempo.

Kamala Harris concluiu o discurso chamando a atenção para o papel de cada cidadão e a importância de resistir a ameaças que podem comprometer a estabilidade democrática. "Este é o momento de escolhermos qual legado queremos deixar", concluiu, apontando para o impacto de ações e omissões no futuro da democracia nos Estados Unidos.

Logo após a vitória do republicano, o dólar bateu recorde R$ 6,19
por
Vicklin Moraes
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08/11/2024 - 12h

 

Nas vésperas das eleições que definiriam o futuro presidente dos Estados Unidos, o dólar disparou, alcançando R$ 5,87, o maior valor desde a pandemia. Após a vitória de Donald Trump sobre a democrata Kamala Harris, a moeda americana oscilou, atingindo R$ 6,19, um recorde histórico.

Segundo Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), a alta do dólar nas vésperas da eleição reflete um padrão observado em edições anteriores, intensificado pela forte rivalidade entre Trump e Harris. Essa instabilidade impacta diretamente o mercado financeiro, que não aprecia grandes riscos.

De acordo com o professor, o principal efeito na economia brasileira será nas exportações de produtos para os Estados Unidos. “O que Trump promovia em seu governo anterior era uma prática de protecionismo comercial, desvalorizando produtos estrangeiros em favor dos produtos norte-americanos. Isso pode prejudicar a entrada de produtos brasileiros, levando a uma sobretaxação”, afirma Amaral.

A política de protecionismo comercial implementada por Trump não é nova,durante seu primeiro mandato, o Brasil já sentiu grandes impactos devido aos altos impostos sobre a exportação de ferro e aço. Entretanto, o país que mais sofrerá com essa política será a China, que exporta desde aparelhos eletrônicos até soja. Com o baixo comércio entre Brasil e Estados Unidos, a tendência é que o dólar se torne cada vez mais caro.

Em outubro, durante sua campanha presidencial, Trump afirmou que aplicaria tarifas de 100% contra países que tentassem reduzir o valor do dólar ou abandonar a reserva da moeda americana. Em 2025, o Brasil assumirá a presidência do BRICS, e uma das missões será decidir sobre o uso de moedas locais. Caso opte por outra moeda que não seja a americana, o país poderá enfrentar sanções comerciais e sobretaxações.

Presidente Lula em encontro de líderes do Brics, na África do Sul, em 2023 — Foto: Ricardo Stuckert
Presidente Lula em encontro de líderes do Brics, na África do Sul, em 2023 — Foto: Ricardo Stuckert

 

Em relação à política externa, Rodrigo Amaral acredita que não haverá grandes mudanças sob a presidência de Trump, mas sim a manutenção das posturas tradicionais adotadas pelos Estados Unidos

 

Com 34 senadores e 203 deputados, o partido de Trump conquista a maioria dos votos
por
Vicklin Moraes
|
07/11/2024 - 12h

Nesta terça-feira (06), os Estados Unidos confirmaram a vitória de Donald Trump na corrida pela Casa Branca. O republicano irá, pela segunda vez, ocupar o cargo de presidente do país. Porém, além da vitória de Trump, o Partido Republicano dominou as eleições, elegendo 34 senadores e 203 deputados.

Com 34 senadores, o partido de Donald Trump conquistou a maioria das cadeiras do Senado, retomando o controle da Casa, que estava com os democratas desde 2020. Das 100 cadeiras, os republicanos terão 54, formando a maioria. Até então, o Senado era composto por 51 democratas e 49 republicanos.

O Partido Democrata perdeu uma cadeira na Virgínia Ocidental com a vitória do republicano Jim Justice e outra em Ohio, onde os republicanos derrubaram o senador democrata Sherrod Brown e elegeram Bernie Moreno. 

O democrata Jon Tester, que vinha de um mandato popular de três mandatos, perdeu para Tim Sheehy, apoiado por Trump. Sheehy é um ex-militar da Marinha que fez comentários depreciativos sobre os nativos americanos, chegando a dizer que eles “ficavam bêbados às 08h da manhã”. Apesar disso, ele saiu vitorioso contra o democrata. 

Nos Estados Unidos, cada senador tem um mandato de seis anos, com eleições realizadas a cada dois anos para renovar um terço das cadeiras.

Já na eleição para a Câmara, diferentemente do Senado, todos os 435 assentos estavam em disputa. A renovação integral ocorre a cada dois anos. Os republicanos asseguraram 203 cadeiras, enquanto o Partido Democrata conquistou 181, algumas vagas ainda aguardam a conclusão da contagem.

Com a maioria na Câmara e no Senado, o Partido Republicano terá o controle das pautas nas casas. A presidência do Senado é sempre do vice-presidente, que, a partir do próximo ano, será JD Vance.

Além disso, há a possibilidade de Trump indicar mais representantes para a Suprema Corte, caso algum dos ministros se aposente. Quem vota na indicação do presidente é sempre o Senado e, com a maioria, isso ocorrerá.

 

Donald Trump na cerimônia de vitória, ao lado da esposa Melania Trump
Donald Trump na cerimônia de vitória, ao lado da esposa Melania Trump. Foto: Brian Snyder/Reuters