Novos métodos foram autorizados para agilizar execuções por crimes federais
por
Davi Madi
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06/05/2026 - 12h

 

No dia 24 de abril o governo Trump aprovou a implementação de novas medidas nas políticas de pena de morte, que agora incluem pelotão de fuzilamento, para presos federais, além de cadeira elétrica, asfixia por gás nitrogênio e injeção letal. O comunicado foi emitido pelo Departamento de Justiça estadunidense (DOJ), que afirma cumprir  uma ordem direta do presidente Donald Trump, para que sejam ampliadas e agilizadas as execuções no país.

A aprovação representa uma alteração no uso da pena de morte dentro da legislação, quando comparada com as políticas apresentadas no governo anterior. No fim de sua gestão, Joe Biden, após a confirmação da vitória de Trump nas urnas, trocou a sentença de 37 dos 40 condenados à injeção letal para prisão perpétua, a fim de evitar que estes fossem executados pelo republicano.

Na ocasião, em dezembro de 2024, o ex-presidente afirmou: “Em sã consciência, não posso recuar e deixar uma nova administração retomar as execuções que eu interrompi”. A comutação das penas ocorreu após o governo Biden acatar pesquisas do próprio Departamento de Justiça, que afirmavam que o método de execução “causava dor e sofrimento desnecessário”.

Após a aprovação de Donald Trump, o DOJ apontou em seu comunicado que a análise do governo democrata era “profundamente falha”: “A administração anterior fracassou em seu dever de proteger o povo americano”.

Veja o comunicado feito em post do perfil oficial do Departamento de Justiça na rede social X

Publicação na rede social X, feita pelo perfil oficial do Departamento de Justiça Estadunidense, sobre as alterações na lei de pena de morte feitas pelo presidente Donald Trump
Alteração na lei de pena de morte representa a primeira mudança nas políticas de execução estadunidenses desde o governo Biden - Reprodução: X/@TheJusticeDept

 

Como será aplicada a nova lei

A pena de morte é prevista na legislação estadunidense, e a injeção letal, método utilizado por padrão no país, está presente no código penal. No entanto, esta política é descentralizada, o que significa que diferentes modos de execução são utilizados em cada estado.

Por base, 27 dos 50 estados do país tem a pena de morte legalizada, o que era, até então, aplicado para presos estaduais. O comunicado de Donald Trump se aplica como um parâmetro, buscando facilitar a execução das penas em nível federal, para casos onde a injeção letal não era possível ou fora ineficaz.

Como exemplo, em 2025, na Carolina do Sul, um homem foi executado através do pelotão de fuzilamento, na falta de disponibilidade do medicamento necessário para o método padrão. Atualmente, este método já é permitido em 5 estados do país: Carolina do Sul, Idaho, Mississipi, Oklahoma e Utah. 

Um caso anterior, de 2024, no Alabama, também se popularizou quando um homem foi submetido à asfixia por gás nitrogênio como método, após falhas da injeção letal e adiamento da execução. O uso desta substância, no entanto, enfrentou denúncias após ser qualificado pela ONU como forma de tortura.

Kenneth Smith, condenado à pena de morte nos Estados Unidos, sobreviveu à quatro tentativas de execução por injeção letal, foi submetido à asfixia por gás nitrogênio e morto em 2024
Kenneth Smith foi morto por asfixia com gás nitrogênio após sobreviver a quatro tentativas de execução por injeção letal - Reprodução: Youtube/NBC News

 

Esta mudança nas políticas penais dos EUA refletem promessas feitas por Donald Trump desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na ocasião, o republicano retomou a pena de morte em nível federal após 20 anos de sua suspensão. Nos primeiros meses de mandato, seu governo executou 13 condenados por injeção letal. Nos 50 anos antes de sua posse, somente três pessoas haviam sido submetidas ao método.

No momento, mais de 40 presos federais aguardam julgamento que pode resultar na pena capital nos EUA. No entanto, esses processos ainda podem levar anos.

“Pessoas foram executadas em estádios” afirma Renata Beltrão, guia do Museu do Futebol
por
Malu Malaquias
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28/04/2026 - 12h

O esporte foi utilizado como instrumento político por ditaduras militares na América Latina, especialmente no Brasil, na Argentina e no Chile, entre as décadas de 1960 e 1980, período marcado por golpes de Estado e repressão. Governos autoritários desses países exploraram o enorme alcance popular do esporte para promover propaganda oficial, estimular o nacionalismo e desviar a atenção da população das violações de direitos humanos, seja por meio de grandes eventos como Copas do Mundo ou do controle sobre clubes, federações e estádios. Essa estratégia ocorreu porque o futebol, enquanto fenômeno de massa, possui alto poder de mobilização emocional, tornando-se uma ferramenta eficaz de legitimação política e controle social em contextos autoritários.

Durante esse período, os países afetados por regimes militares sofreram controle não apenas as instituições políticas, mas também as manifestações culturais. Nesse cenário, a modalidade esportiva, já consolidada como o principal fenômeno de massa do continente, passou a ocupar um lugar estratégico nas ações do Estado. Capaz de mobilizar sentimentos coletivos, reunir multidões e produzir símbolos nacionais, o esporte foi apropriado pelos governos como instrumento para sustentar discursos oficiais de ordem, progresso e unidade. Essa instrumentalização envolveu diferentes dimensões, como a propaganda governamental, o controle social por meio do entretenimento e a construção de um sentimento patriótico artificial em meio à repressão. 

No Brasil, após o golpe civil-militar de 1964, o novo governo passou a intervir diretamente no universo esportivo. Os militares compreenderam que o futebol, não poderia permanecer distante das disputas de poder. A suspensão de competições logo após a ruptura democrática indicou que o Estado via o esporte como um espaço sensível à instabilidade política. Com o Ato Institucional nº 5, decretado em 1968, aprofundou o autoritarismo da ditadura militar ao suspender direitos civis, ampliar a censura e intensificar a repressão política, criando o contexto ideal para o uso do futebol como instrumento de propaganda e controle social. A aproximação entre o governo, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e dirigentes como João Havelange consolidou uma aliança que permitiu maior controle sobre a organização esportiva e sobre a imagem da Seleção Brasileira.

A conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, tornou-se o maior símbolo do uso político desse fenômeno esportivo em nosso país. O tricampeonato mundial foi apropriado pelo regime do general Emílio Garrastazu Médici como prova da suposta grandeza nacional. Campanhas publicitárias e slogans, como “Pra Frente, Brasil” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, associaram o sucesso esportivo ao chamado “milagre econômico”, promovendo a ideia de um país próspero e em ascensão. Enquanto a população celebrava nomes como Pelé, Tostão e Jairzinho, a repressão se intensificava nos bastidores, com censura, tortura e desaparecimentos políticos. Tornando a modalidade uma poderosa ferramenta para encobrir a violência do Estado e legitimar o regime interna e externamente.

Na Argentina, a ditadura instaurada em 1976 pela junta militar liderada por Jorge Rafael Videla encontrou na Copa do Mundo de 1978 uma oportunidade estratégica de autopromoção internacional. O evento foi cuidadosamente planejado para apresentar o país como moderno, organizado e pacificado, apesar da existência de centros de detenção clandestinos e da prática sistemática de violações dos direitos humanos. O torneio ficou marcado por denúncias de censura à imprensa, perseguição política, desaparecimentos forçados e suspeitas de interferência nos resultados esportivos, como a polêmica goleada da Argentina sobre o Peru por 6 a 0.  Historiadores como José Paulo Florenzano, apontam que o título mundial simboliza uma profunda contradição entre a euforia popular e o terror imposto pela autoridade estatal.

No Chile, o golpe de 11 de setembro de 1973, liderado por Augusto Pinochet, estabeleceu uma relação ainda mais brutal entre futebol e repressão. O Estádio Nacional de Santiago, principal palco esportivo do país, foi convertido em centro de detenção, tortura e execução, por onde, segundo levantamentos históricos e instituições de memória, estima-se que cerca de 40 mil prisioneiros políticos nos primeiros meses da ditadura. O espaço, tradicionalmente associado à celebração esportiva, transformou-se em símbolo do terror estatal. Um episódio emblemático desse período foi o boicote da União Soviética à partida contra o Chile, válida pela repescagem da Copa do Mundo de 1974, em protesto contra a realização do jogo em um estádio recentemente utilizado como campo de concentração.

​ Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias  Click e arraste para mover ​
Painel exposto no Museu do Futebol relembra a ditadura militar no Chile, destacando a pergunta “¿Dónde está?” (“Onde está?”), símbolo da luta por memória e justiça diante dos desaparecimentos forçados ocorridos após o golpe de 1973. Foto: Malu Malaquias

Apesar do forte controle estatal, o futebol não se restringiu ao papel de instrumento da repressão. Em diferentes momentos, tornou-se também espaço de resistência política. No Brasil, a Democracia Corinthiana destacou-se como um dos movimentos mais significativos, ao defender a gestão democrática do clube e apoiar publicamente a campanha das Diretas Já no início dos anos 1980.

“Houve atuação direta de alguns jogadores contra a ditadura”, constatou a guia Renata

Liderados por jogadores como Sócrates, Casagrande e Wladimir, os atletas utilizaram sua visibilidade para questionar o autoritarismo. Além disso, torcidas organizadas, jornalistas esportivos e intelectuais passaram a empregar o futebol como linguagem simbólica para driblar a censura e ampliar o debate público.

Com o fim das ditaduras, a preservação da memória tornou-se fundamental para compreender o papel do futebol nesses regimes. Instituições como o Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), ligado ao Museu do Futebol, dedicam-se à pesquisa, documentação e divulgação das relações entre esporte, política e direitos humanos. Em parceria com centros acadêmicos, como o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas, essas iniciativas contribuem para combater o apagamento histórico e aprofundar o debate sobre o passado autoritário do continente. Reconhecer que futebol e política sempre estiveram interligados é essencial para que o esporte deixe de ser instrumento de dominação e se consolide como espaço de cidadania, reflexão crítica e memória coletiva.

Frente à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, os líderes entram em embate discutindo ideologia e direitos pelas redes sociais
por
Carolina Machado
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22/04/2026 - 12h

Nos últimos dias, dois dos americanos mais influentes do mundo trocaram farpas sobre o rumo dos conflitos mundiais: Donald Trump e o Papa Leão XIV. Enquanto o líder estadunidense intensifica seu discurso sobre a força militar no Oriente Médio, o Pontífice  exalta os direitos humanos frente a um cenário de guerra que afeta a todos nos Estados Unidos e mundo afora.

No dia 31 de março, em declaração à imprensa, o Papa Leão XIV pediu por paz, cobrou a defesa da dignidade humana e reforçou a necessidade de Estados Unidos, Israel e Irã negociarem um cessar-fogo. O líder católico citou de maneira direta o presidente Donald Trump – diferente das críticas feitas por seus antecessores que não mencionavam chefes de Estado. 

Uma semana depois, no dia 7 de abril, quando Trump ameaçou destruir a civilização iraniana, o Pontífice voltou a se manifestar. “Hoje, como todos sabemos, houve também essa ameaça contra todo o povo do Irã, e isso é verdadeiramente inaceitável”, afirmou. O líder convidou os fiéis a refletirem e rezarem pela vida de todos os inocentes, além de procurarem formas de se comunicar com os congressistas e outras autoridades americanas, pedindo o fim da guerra.

Papa Leão XIV em missa no Vaticano. Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex
 Papa Leão XIV em missa no Vaticano.
Imagem: Instagram/Reprodução @pontifex

No domingo, dia 12 de abril, durante a tradicional oração do meio-dia no Vaticano, o Papa retomou o tema da guerra mencionando o Líbano, que tem sido severamente bombardeado por Israel. “Estou mais próximo do que nunca do amado povo libanês nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus”, disse. Ele volta a fazer apelos às partes envolvidas no conflito para que cessassem o fogo e para que busquem juntos uma solução pacífica. 

Poucas horas depois, Trump se pronunciou. Pela rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos definiu o líder católico como “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Ele ainda acrescentou não querer um “Papa que ache que tudo bem o Irã ter arma nuclear”, mesmo não existindo nenhum registro emitido pelo Vaticano ou pelo próprio Pontífice defendendo o direito iraniano de possuir esse tipo de arsenal.

Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido. Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump
Post de Donald Trump sobre o Papa Leão XIV traduzido.
Imagem: X(Twitter)/ Reprodução @realDonaldTrump

No mesmo dia, Donald Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que ele aparece como Jesus curando um doente. “Não sou um grande fã do Papa Leão: ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em combater o crime”, reforçou ele em declaração à imprensa.  

O presidente dos Estados Unidos ressaltou ainda que o Papa deveria agradecer, pois só foi colocado na lista de elegíveis para o cargo por ser americano. Isso porque seu antecessor, Papa Francisco, era acusado de não entender a Igreja dos Estados Unidos por ser latino-americano. Em vida, o Pontífice argentino criticou a hostilidade de Trump em relação aos imigrantes, além das intervenções americanas e dos incentivos militares pelo globo. 

Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca. Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump
Donald Trump em coletiva de Imprensa na Casa Branca.
Imagem: Instagram/ Reprodução @realdonaldtrump

“Papa Francisco instituiu que era preciso olhar para as periferias [...] ele falou e viveu isso. Hoje, temos um Papa que veio da periferia”, afirma Boris Agustín Nef Ulloa, diretor da faculdade de Teologia da PUC-SP, na palestra “Sonhos de Francisco”. Ele ainda explica que o atual líder católico foi bispo em uma diocese perdida na Amazônia Peruana e que seus antecessores, em sua maioria, vieram de grandes arquidioceses, como Francisco - mesmo que na América Latina. “Esse Papa, que veio da periferia, tem mostrado, nessa última semana, a força e a coragem do evangelho como ajuda poderosa deste mundo”, conclui. 

Em um avião a caminho da Argélia, no dia seguinte, o Papa Leão XIV respondeu às falas de Trump, dizendo não ter medo do presidente, nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho. “Sou chamado a fazer o que a Igreja é chamada a fazer. Acredito que a mensagem do Evangelho [...] é a mensagem que o mundo precisa ouvir hoje”, declara.

Descubra um pedaço da história desse país localizado nos Balcãs, seus desafios econômicos e belezas naturais
por
Vítor Nhoatto
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19/04/2026 - 12h

 

Doce euforia de viajar, desbravar um país e uma cultura nova. Certamente acompanhada também de algum estresse pelos perrengues chiques, e o cansaço satisfatório de atingir a meta de passos diários explorando ao máximo esse mundo fascinante. Desde a chegada na cosmopolita capital Tirana, até a despedida após uma desconexão da velocidade na praia de Durres, sentimentos que certamente não vão embora de quem visitar a Albânia. 

Já na aterrissagem no principal aeroporto do país de 29 mil quilômetros quadrados, pouco maior que o estado de Alagoas, as singularidades começam. A maioria deve não reparar, mas a frota de carros usados no Tirana International Airport Nënë Tereza (TIA) é toda formada por BYDs Dolphin Mini, chineses e elétricos. 

Ao sair do modesto aeroporto, a arquitetura característica composta por formas geométricas como cubos e pirâmides se sobressai na fachada da construção. Ao lado, vários quiosques de locadoras de carros, um ônibus que sai a cada hora para o centro da capital Tirana, cerca de 20 km, e novamente, dezenas de táxis chineses. A relação com o país asiatico é antiga, desde 1949 devido ao regime comunista que o país vivenciou até 1992, com uma interrupção entre 1979 até 1989 devido a política albanesa de isolamento total na época.

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Na saída do aeroporto, dezenas de táxis, tal qual esse Honda e:Ny1 versão chinesa e não europeia. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De dentro do táxi elétrico, que tal qual o ônibus e a maioria dos comércios, só aceita pagamento em dinheiro físico, lekë ou euro, outro fato curioso que continua refletindo a história onde se está. Na cidade não há sistema metroviário, apenas ônibus, e plataformas como Uber não operam no país. 

A indústria dos taxistas possui um peso político muito grande, durante o comunismo e a proibição de empresas privadas, muitos albaneses passaram a trabalhar clandestinamente para complementar a renda do emprego estatal, como encanadores, pedreiros, e motoristas também. Mas se com isso, a ânsia por um aplicativo, ou a necessidade de pagar em cartão gritarem, existem uma série de plataformas de viagens como o “Tirana Taxi” e o “Bee Taxi”.

Chegado ao destino, um caloroso “obrigado” em inglês, um sorriso, e a simpatia que não é comum a outros países do continente, quem dirá aos franceses. Mesmo apesar da única língua oficial do país ser o Albanês, segundo dados do Instituto de Estatísticas do país (Instat) de 2018, quase 40% da população fala pelo menos numa língua estrangeira, chegando a quase 60% entre as pessoas até 34 anos. O principal é o inglês, seguido do italiano e do grego.

Além disso, apesar do albanês ser uma língua indo-europeia, é a única sobrevivente do ramo linguístico ilírio, ou seja, não possui similaridades com nenhum outro idioma atualmente, apenas influências do turco e grego, o que demanda dos comerciantes e juventude uma forma de se comunicar com outros povos. Existem ainda dois dialetos falados no país e no Kosovo, majoritariamente formados por albaneses, o Tosk e o Gheg.

 

Encontro de gerações e pensamentos 

 

A Albânia é um país que faz fronteira com a Grécia, Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro, enquanto a oeste tem o mar Adriático até a Itália. Devido a essa posição, e as várias vezes que o comunismo já foi citado, pode-se pensar que a nação fez parte da antiga Iugoslávia, país formado pelos povos de origem eslava que durou de 1929 até 1991 e foi controlado pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, o país nunca pertenceu à extinta nação, que hoje responde a sete países, e muito menos foi um satélite soviético, apesar de estreitos laços até 1960. A declaração de independência veio em 28 de novembro de 1912 em meio a Guerra dos Balcãs, e o reconhecimento internacional em 1913 com o Tratado de Bucareste. 

Em relação a sua atual capital, Tirana, a fundação é bem mais antiga, datada em 1614 e realizada pelo comerciante Sulejman Bargjini Pasha. Sua posição estratégica, uma área em meio a cadeia de montanhas Dajti e o mar Adriático, fez com que se tornasse capital em 1920, e todas essas história, pode ser vista e sentida na prática ao andar pela praça Skanderbeg, primeiro ponto turístico dessa viagem.

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País assumiu posição alinhada ao Ocidente desde os anos 2000, como bandeira da Ucrânia na prefeitura comprova nos dias de hoje. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt 

 

O fundador da cidade construiu na época uma casa de banho turca, uma mesquita e uma padaria, elementos que compõem bem essa parte otomana da cidade. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, o fascismo regiu a recém independente monarquia do Rei Zog I. Até que em 1944 o comunismo invade a arquitetura do lugar, mudando a paisagem até 1991, quando a modernização de cicatrizes começa.

Dito tudo isso, a praça em questão tem elementos concentrados em poucos metros quadrados exatamente de todas essas eras. O nome faz homenagem ao herói nacional Skanderbeg, militar  que liderou a resistência de 25 anos na região contra o império otomano, exemplo de sucesso dos cristãos nos Balcãs.

Ao lado de sua estátua está justamente uma parte otomana da cidade, formada pela Torre do Relógio, construída em 1812, e a mesquita Et’hem Bej. Terminada em 1821 pelo bisneto do fundador da cidade, é aberta a todos que queiram entrar e admirar o fresco e colorido interior, desde que se tire os sapatos como a religião sunita manda. E claro, se bata um papo com o simpático “recepcionista” da mesquita, que entrega panfletos sobre a rica história do lugar que foi inclusive fechado durante a ditadura comunista, e símbolo da reabertura religiosa no país em 1991 após manifestações de estudantes. 

Colocando o sapato para fora do templo, eis as construções da época fascista, com prédios quadrados e amarelados dos famosos arquitetos do período de Mussolini na Itália, Florestano Di Fausto e Armando Brasini. A praça inclusive se tornou o centro da cidade após o projeto entre os italianos e o ex-primeiro ministro, ex-presidente, e então rei Zog I em 1923. 

Hoje todos são prédios públicos, como a atual prefeitura, e revitalizados no começo dos anos 2000 pelo então prefeito Edi Rama com cores vibrantes. A escolha das cores intensas como vermelho, amarelo, rosa e azul são inclusive uma resposta ao cinza da época das construções do comunismo.

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Cores marcantes, torres envidraçados, estátuas e até um prédio residencial em formato de cabeça, representam como a cidade é uma mistura constante de épocas. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Do outro lado da praça, sempre movimentada, e com turistas em torno da gigante escultura  “I Love Tirana”, que significa “eu amo Tirana” em português, está o Museu de História Nacional e o mosaico característico da propaganda comunista: albaneses simples, trabalhadores, empunhando a bandeira do país com determinação e alegria. Apesar de fechado para reformas desde março de 2024, com entrega prevista para março de 2028, mesmo assim faz o visitante parar por alguns minutos para admirar a obra. Outra construção da época é o atual  Palácio da Cultura, que abriga a ópera e o ballet da Albânia, a Livraria e o Teatro Nacional, além de vários comércios. 

Seguindo o passeio condensado de períodos históricos, em meio ao Palácio e os coloridos prédios dos Ministérios da cidade, um museu sobre a ditadura vivida pelos albaneses. Não se trata de outra construção de arquitetura stalinista, um projeto italiano ou otomano, mas um buraco no chão. Melhor dizendo, um bunker.

 

Relembrar o passado para se ter um futuro

Uma das características mais marcantes do período era a preocupação com possíveis invasões de países capitalistas. Tal paranoia do líder Enver Hoxha, encheu o território do país com as construções em formato de cogumelo que levam para milhares de quilômetros de túneis subterrâneos. Se esperava que 750 mil bunkers fossem construídos, mas estima-se que apenas 173 mil ficaram prontos até a morte do líder em 1985. Uma ferida dolorosa para muitos albaneses que viveram o período, mas hoje também um lugar de resistência e educação, com um desses bunkers tendo se transformado em um museu, o Bunk’Art 2. 

O preço do ingresso varia, cerca de 700 lekës para apenas o Bunk’Art 2, e 1.300 lekës também para visitar o Bunk’Art 1, bem maior, mas a 15km do centro. Em uma conversão simplificada para o euro, significa cerca de 7 e 13 euros respectivamente. Destaque para a opção de pagar com cartão de crédito, além da possibilidade de visitar o Bunk’Art 1 em até três dias caso opte pelo ingresso conjunto.

Ao descer as escadas após uma simpática recepção ao lado da entrada do “cogumelo” por um carro militar da época, os túneis começam. O lugar conta a história desde a ascensão de Hoxha como líder da oposição na época da monarquia pela Frente Democrática Albanesa, até a reabertura do país. Para isso, uma curadoria cheia de documentos originais recuperados da época, textos e painéis informativos, além de vídeos e até figuras com interação com realidade aumentada pelo aplicativo Bunk’Art.

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Quarto de Enver Hoxha, hoje no Bunk’Art, nunca foi usado pelo ditador, tal qual todos os bunkers construídos. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Foram recriados também os ambientes da época, nos quartos que de fato foram usados para testes militares, com móveis e equipamentos de espionagem do Sigurimi (órgão responsável por espionar os cidadãos na ditadura) preservados da época, máscaras contra armas químicas e relatos de sobreviventes. 

Também estão presentes exposições de artistas contemporâneos albaneses, como instalações com o uso de projetores e recursos digitais sobre o passado, presente e futuro. Além de uma área do bunker dedicada a obras interativas sobre ilusão de ótica, muito semelhante às obras do Museu da Ilusão em Madrid, e por todo o mundo. O título “Ilusão ótica como manipulação política” é divertido e carregado de significado ao fazer referência a propaganda do regime.

No Bunk’Art 1 a imersão é ainda maior pois o museu fica no maior e principal bunker da época, e é seguro contra ataques nucleares, com tecnologias específicas. Nele, o visitante tem uma complementação do que foi visto no menor, ou caso opte por ir só nesse maior, terá a experiência completa. 

O lugar lembra muitas vezes sobre a violência da época de uma forma didática e sensível, como relatos recuperados de agentes da guarda nacional sobre os que tentaram escapar pela fronteira, e as milhares de vítimas desaparecidas e que famílias vieram a saber sobre o paradeiro do corpo somente após 1991 com o Instituto de Estudos Sobre os Crimes e Consequências Durante o Comunismo (ISCCC). Ou ainda a disposição pelas paredes dos túneis de todas as 6.027 vítimas executadas formalmente pela ditadura conforme documentos resgatados pelo órgão.

Ao longo da visita várias mensagens sobre a importância de não esquecer o passado para poder ter um futuro pelas paredes estão dispostas. É importante destacar que só há guia de áudio para ambas visitas em albanês, inglês e italiano, e que todos os vídeos possuem legendas em inglês, e os textos versões em albanês e inglês.

Voltando ao passeio histórico, são 106 salas em 3 mil  metros quadrados no Bunk’Art 1, com destaque para a espécie de teatro que foi construída no complexo para performances artísticas e conferências enquanto os líderes estivessem se protegendo dos ataques do mundo capitalista.

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Espaço foi reformado antes de ser aberto ao público, e o teatro possui agora luz natural e medalhas do período da ditadura. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

De cicatrizes para arranha-céus 

 

Entre os prédios históricos citados até agora, várias torres envidraçadas, luzes de led dos carros e guindastes lembram que desde 1991 o país se abriu de novo para o mundo. Após a morte de Hoxha em 1985, Ramiz Alia assumiu o poder, mas protestos começaram, principalmente de estudantes. Algumas relações com países foram reafirmadas, como com a China em 1989, e após a queda do muro de Berlin no mesmo ano e o fim do comunismo na Romênia, o cenário foi sendo abrandado. 

No mesmo ano, Alia assinou o Acordo de Helsínquia na Finlândia, novos partidos foram criados e a Albânia passou a adotar os Direitos Humanos da Europa. Até que em 1991 após fraude nas eleições daquele ano e protestos massivos, o então presidente renunciou ao cargo e Sali Berisha assumiu o poder como presidente eleito. Daqui para frente muitos desafios, escândalos de corrupção e opressão marcaram o país, que então em 1998 criou a sua constituição e um alinhamento ao Ocidente se intensificou. Em 2009 o país aderiu à Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN), e também está na lista de candidatos para ingressar na União Europeia.

Agora com o contexto dado, chama a atenção por exemplo o imponente e vibrante vermelho, estádio Kombëtare. Centros comerciais pomposos e hubs empresariais como o Blloku Center, e com certeza um lugar obrigatório para se visitar, a Pirâmide de Tirana. 

Em um formato literalmente de pirâmide, diferente das do Museu do Louvre, certamente maior e com mais concreto para poder ter espaço interior utilizável, chama de cara a atenção após uns 10 minutos de caminhada da praça Skanderbeg. Construída em 1988 como um museu para o recém falecido ditador, já foi um centro de conferências após a queda do comunismo em 1991, uma base de operações da OTAN durante a operação no Kosovo em 1999, e em 2001, passou a abrigar escritórios de canais de rádio e televisão. 

Porém, foi em 2018 que uma proposta de renovação foi apresentada e o local se tornou um centro cultural, tecnológico e jovial. No gramado ao seu redor há várias lojas de comida, videogames, cafés e empresas telefônicas em forma de cubos na diagonal e com cores vibrantes. Se aproximando, uma escadaria de cento e sessenta e poucos degraus, iluminados por led e que levam até uma das vistas mais bonitas da cidade, seja de dia ou à noite.

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Do topo da pirâmide se tem uma vista 360° da cidade, a qual fica iluminada a noite toda. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Contrastes de uma cidade cosmopolita

Falando mais sobre a noite, tal qual toda cidade grande, o trânsito fica um caos em horário de pico. Lembra-se que a cidade não possui metrô e os táxis são uma força política? Pois bem, os ônibus ficam realmente cheios a partir de umas quatro horas da tarde, não são elétricos e o cobrador fica andando entre as pessoas para coletar os 40 lekës da passagem e dar o bilhete em papel para cada um.  

Aplicativos como o Google Maps e o Moovit funcionam em Tirana, mas os intervalos dos ônibus passam facilmente de 15 minutos. Para quem preferir a cada esquina um táxi amarelo ou branco perguntará se precisa de uma viagem. Além disso, as locadoras de carros estão por toda parte e uma opção é alugar um carro, que provavelmente será um alemão (Audi, BMW ou Mercedes), ou chinês para os mais econômicos. Segundo levantamento da JATO Dynamics, em 2025, dos dez carros mais vendidos seis foram da chinesa BYD. 

Resumindo, a melhor opção é ir a pé, afinal de contas, o centro da cidade fica a poucos minutos da Pirâmide, das ruas de comércio popular no bairro Pazari i Ri, e da vida boêmia, agitada e cara do Blloku. 

Neste bairro durante o dia, cafés, lojas de eletrônicos e roupas, restaurantes fast-food como KFC e Burger King (McDonalds não opera no país), e refinados de culinária grega em especial, e mundial, enchem as ruas. A noite, carros luxuosos, música alta dos bares e gente por aí mostram que Tirana tem opções para todos os gostos.

Porém, as ruas até esses restaurantes, bares e baladas da região provavelmente vão preocupar. Mesmo com a modernização nos últimos anos, muitas regiões no país ainda são formadas por vielas e habitações da época do comunismo que aparentemente não tem manutenção há anos. Ruas estreitas, escuras e casas com tijolos à mostra são certas nos rolês pela cidade, tal qual pelo menos um gato, lembrando até um pouco a Turquia e a relação com os bichanos.

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País enfrenta problemas econômicos e políticos, mas está empenhado em ingressar na União Europeia em 2029. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Para se ter uma ideia, segundo o Banco Mundial, o Índice de distribuição per capita na Albânia era em 2024 de 11.377 dólares, que apesar de há 30 anos ser de cerca de 600 dólares, ainda é muito mais baixo que países como a Grécia (25 mil), República Checa (31 mil) e Itália (40 mil). Isso sem falar na desigualdade social que o número não considera, afinal, o Brasil tem uma cifra ainda menor para efeito de comparação, 10.310 dólares.

Belezas naturais a um piscar de olhos

 

Mudando o perfil do turismo, apesar do território pequeno, a Albânia é um país rico em biodiversidade, e Tirana é caracterizada por contrastes geológicos e climáticos devido às montanhas e a proximidade com a costa. 

Bem próximo de Blloku, um refúgio do ritmo agitado da cidade pode ser visitado, o Lake Park. Aberto ao público 24 horas por dia e em todos os dias da semana, conta com um lago, que dá nome ao parque, com chafariz e uma vista deslumbrante ao pôr do sol. Ao longo da caminhada estátuas despertam a curiosidade, memoriais às vítimas do holocausto e um pequeno teatro. 

Do outro lado da cidade, há 10 minutos do Bunk’Art 1, vale a visita ao maior teleférico dos Balcãs, o Dajti Ekspress. Como o nome sugere, os bondinhos conectam a cidade até o topo da montanha de mesmo nome, com um comprimento de 4.354 metros e um passeio que dura 15 minutos. Para aqueles com medo de altura essa atração não é muito aconselhada, a sensação de escutar o vento pelas aberturas de ar da cabine e a leve sacudida de tempos em tempos pode ser desconfortante. Mas no topo, passeios de asa delta, trilhas e escalada estão disponíveis aos mais aventureiros. 

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Construção do teleférico é austríaca, e ingresso de ida e volta custa 1.500 lekë por pessoa. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Além desses destinos dentro de Tirana, ainda é possível em cerca de uma hora de ônibus e 40 minutos de carro chegar em Durrës, importante cidade portuária e milenar. A segunda cidade mais populosa do país é também uma das mais antigas, com a sua fundação ainda no século VII antes de Cristo. O anfiteatro da cidade, por exemplo, é um sítio arqueológico a céu aberto do século II depois de Cristo. Se destacam também a Torre Veneziana, datada do império bizantino, preservada e que se liga às partes que restaram do castelo da cidade do século V. 

Mas como nem só de passado que se vive, uma arquitetura em forma côncava se destaca ao lado da Torre, construída a cerca de dois anos, e que dá de frente para os boulevards característicos do local. Com palmeiras altas lado a lado da rua, relativamente largas e com muitas lojas, evocam até um sentimento de estar em Los Angeles em pleno verão com um conversível de capota aberta para sentir o sol e o calor no corpo. 

E como se trata de uma cidade portuária, a praia é também atração principal. Com uma grande área de calçamento, estátuas de heróis do país e pessoas vendendo miçangas relaxam os visitantes, enquanto se admira o mar adriático bem azul. Olhando para frente inclusive, é possível gritar “terra à vista”, terra essa que é nada menos que o salto da bota da Itália.

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Durrës é um ótimo destino para aqueles que estão buscando viagens de bate e volta da capital. Foto: Vítor Nhoatto/Agemt

 

Seja pelas vielas humildes que podem lembrar “O Cortiço" de Aluísio Azevedo, as avenidas opulentas do centro de Tirana são lotadas de carros de todas as marcas do mundo. A vida noturna agitada de Blloku e a arquitetura que mistura tradição, bunkers e modernidade. Ou ainda pela vista emocionante que a natureza da politicamente desafiadora Albânia proporciona, caro leitor, é um lugar barulhento e intrigante que merece um lugar na sua lista de destinos.

Parlamento Israelense sanciona nova medida para prisioneiros palestinos acusados de terrorismo
por
Juliana Hochman
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10/04/2026 - 12h

O Knesset, parlamento de Israel, aprovou na última  segunda-feira de março (30) um projeto de lei para execução de prisioneiros palestinos que assassinaram com intenção de “negar a existência do Estado de Israel e provocar sua destruição”, com 62 votos a favor e 48 contra. O projeto é criticado por violação dos direitos humanos e ir contra a tentativa mundial de extinção da pena de morte.

 

Sobre a lei

Após o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023, no qual mais de 1200 israelenses foram assassinados, alguns parlamentares pressionaram a volta da execução de palestinos acusados de terrorismo. A pena foi praticada apenas duas vezes na história do país: Em 1948, Meir Tobianski, oficial acusado de espionagem e em 1962, na execução do nazista Adolf Eichmann.

 

Promovida pelo partido Otsama Yehut, apresentada pelo ministro extremista da segurança Itamar Ben-Gvir, e apoiada por parlamentares do partido Likud e do conservador Yisrael Beiteinu, o projeto prêve pena de morte, principalmente por enforcamento, para palestinos, que não são cidadãos ou residentes, presos por ataques letais, acusados pelo tribunal militar. “A partir de hoje, todo terrorista saberá, todo o mundo saberá, que o Estado de Israel tira a vida de qualquer um que tire uma vida” diz o ministro da segurança antes da aprovação, em rede nacional “quem escolhe o terror, escolhe a morte”.

Limor Son Har-Melech (Otzma Yehudit) assinando lei de pena de morte. Foto: Limor Son Har/Divulgação/Instagram
A vice-presidente do Knesset, Limor Son Har-Melech, do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, assina lei de pena de morte. Foto: Divulgação/@limor_sonhar.

 

Oposição

 

A nova lei foi uma das principais campanhas da extrema direita israelense. Logo após a aprovação, grupos de defesa dos direitos humanos de Israel e países Europeus condenaram a proposta. A Associação dos Direitos Civis anunciou que entrou com uma petição para a Suprema Corte do país, exigindo a anulação da Lei de Pena de Morte para Terroristas. A entidade também criticou a distinção entre israelense e palestinos no projeto. Além disso, foram feitos protestos no mundo todo, no qual civis foram às ruas para mostrar oposição à lei promulgada na segunda (30).

 

Com a aprovação da proposta, Israel vai contra o fluxo da abolição da pena de morte mundial, que, segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, 113 países anularam completamente tal penalidade. 

 

De acordo com as Nações Unidas, o texto é “vago e excessivamente amplo” de quem é terrorista, o que pode levar à aplicação da pena em “pessoas que não tiveram atitude necessariamente terrorista”. Outra questão levantada pelos opositores é a possível eliminação da salvaguarda destinada ao processo legal de Israel.

 

Críticos também apontam problemáticas no texto, já que posto em prática, a lei se aplica apenas a palestinos que matam judeus, e não ao contrário. Em teoria, os Israelenses só podem ser condenados se forem contra a existência do Estado, que, segundo juristas, a chance é quase nula. Em nota para o New York Times, o rabino Benny Lau diz “não há nada além de vingança, atrelada à uma narrativa de orgulho e violência judaica”.

 

Próximos passos

 

A partir de agora, a lei permite que tribunais israelenses imponham a medida sem permissão do Ministério Público, também não precisando de unanimidade para sancionar a decisão, valendo tanto para o território de Israel quanto para a Cisjordânia.

 

Brasil também condenou ação israelense contra missão de paz das Nações Unidas
por
João Victor Tiusso
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16/10/2024 - 12h

 

Foto: Hussein Malla
Foto: Hussein Malla

Os ataques israelenses contra agentes da Unifil, a missão de manutenção da paz da ONU, receberam ampla condenação internacional após dois incidentes em menos de 48 horas. 

No dia 10 de outubro, dois soldados da Unifil ficaram feridos após um tanque israelense disparar contra uma torre de observação de uma das bases da ONU. No dia 11, outros dois agentes também foram feridos em um bombardeio israelense. 

Além das duas ações, militares das forças de paz relataram soldados israelenses utilizando escavadeiras para remover barreiras da ONU ao longo da fronteira entre Israel e o Líbano. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o ataque como “intolerável e não pode se repetir”. O portugues foi considerado persona non grata por Israel no início do mês por não condenar o Irã, após lançamentos de mísseis contra o Estado judeu. 

Na última segunda-feira (14), Itália, Reino Unido, França e Alemanha afirmaram que os ataques de Israel são contrários ao direito humanitário internacional e devem parar imediatamente. Em uma declaração conjunta, as quatro nações reafirmaram “o papel estabilizador essencial” desempenhado pela Unifil no sul do Líbano, acrescentando que Israel e outras partes tinham que garantir a segurança das forças de paz em todos os momentos.

A situação entre os países europeus e Israel é ainda mais tensa. A missão de paz conta com centenas de soldados europeus, que têm sido repetidamente atacados pelos militares israelenses. Israel pediu à ONU que retire as tropas da área, pois ela tem como alvo as forças do Hezbollah.

O governo braisleiro também emitiu um comunicado, condenando a invasão israelense à base da Unifil.

Ataques deliberados contra integrantes de missões de manutenção da paz e instalações da ONU são absolutamente inaceitáveis e constituem grave violação do Direito Internacional, do Direito Internacional Humanitário e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, declarou o governo brasileiro.

Fenômeno chegou na costa de Siesta Key com tempestade de categoria 3 em escala que vai até 5
por
João Victor Tiusso
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15/10/2024 - 12h

 

Foto: EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH
Foto: EFE/EPA/CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

O furacão Milton, que atingiu a Flórida na última semana, foi um dos fenômenos mais perigosos a atingir os Estados Unidos nos últimos anos. Pelo menos 17 pessoas morreram. As autoridades ainda trabalham nos locais atingidos para atender à população. 

A tempestade chegou à costa perto de Siesta Key, na Flórida, como uma perigosa tempestade de categoria 3, em escala que vai até 5, gerando ventos de até 200 km/h e chuvas fortes, além de inundações e tornados. 

Mesmo após ter sido rebaixado para a categoria 1, o fenômeno deixou um rastro de destruição, destelhando casas, derrubando árvores, postes e um guindaste. Além dos mortos e feridos, cerca de 3 milhões de pessoas ficaram sem energia. 

Os danos projetados com o furacão Milton são bilionários e podem variar, de acordo com um funcionário da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). O custo estimado de reconstrução fica entre US$ 123 bilhões e US$ 174 bilhões, segundo dados da CoreLogic, empresa de análise de propriedades.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, alertou que áreas alagadas ainda são um risco por causa de fios desencapados e destroços. Ele falou que vai acelerar a remoção de entulho. Vários caminhões estão passando pela cidade para retirar todo o entulho. Mas a limpeza pode levar semanas.

O Milton foi o terceiro furacão a atingir os EUA esse ano, apenas duas semanas depois da passagem do furacão Helene, que deixou mais de 230 mortos, 15 deles na Flórida.

Estima-se que a guerra na Faixa de Gaza já deixou 42 mil mortos e mais de 96 mil feridos
por
Rafaela Eid
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15/10/2024 - 12h

O ataque do Irã contra Israel, ocorrido em 1º de outubro deste ano, marcou uma nova fase no conflito que teve início em 7 de outubro de 2023, quando o grupo palestino Hamas invadiu o território israelense. Desde então, Israel tem respondido com uma série de ataques retaliatórios, cujo objetivo declarado é desmantelar o Hamas.

O conflito já causou milhares de mortes e deixou muitos gravemente feridos, com a Faixa de Gaza sendo o epicentro da devastação. Dados do Ministério da Saúde palestino indicam que cerca de 42 mil pessoas morreram em Gaza desde o início dos confrontos, e mais de 96 mil ficaram feridas.

A troca de ataques entre Israel e o Hamas agravou ainda mais a tensão em uma região historicamente marcada por conflitos. Em setembro deste ano, o Líbano também foi envolvido nos embates. 

Explosões de pagers e walkie-talkies, provocadas por Israel nos dias 17 e 18 de setembro, resultaram em ataques que atingiram civis e soldados libaneses. No primeiro dia, 12 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas; no segundo dia, pelo menos 25 pessoas morreram e 600 ficaram feridas.

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Homem segura walkie-talkie durante o funeral de pessoas mortas na explosão de pagers, no Líbano. Reprodução:  ANWAR AMRO / AFP.

A professora de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Isabela Agostinelli, explicou que os ataques israelenses têm como objetivo enfraquecer o chamado Eixo da Resistência.

“Os ataques terroristas de Israel - no caso das explosões de pagers e walkie-talkies - respondem à tentativa de eliminar o chamado Eixo da Resistência, composto por Irã e atores não-estatais, como Hamas, Hezbollah e Houthis, e que se coloca contra as ações imperialistas dos EUA, levadas à cabo no Oriente Médio com apoio de Israel”, explicou  Agostinelli.

Desde então, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu iniciou uma série de ataques ao território libanês, com a justificativa de proteger as comunidades israelenses, do norte de Israel, de ofensivas do Hezbollah, aliado do Hamas. Por consequência disso, em 27 de setembro, Hassan Nasrallah, na época líder do Hezbollah, foi morto após uma onda de ataques aéreos aos subúrbios ao sul de Beirute, capital do Líbano.

Em resposta à ofensiva israelense, o Irã, financiador do Hamas e do Hezbollah, bombardeou Tel Aviv no dia 1º de outubro. O grupo lançou cerca de 180 mísseis balísticos contra Israel, mirando instalações militares e de inteligência na capital e em todo o país. A maior parte dos mísseis foi interceptada. 

“O Irã já deu um recado no dia 1º de outubro, destruiu parcialmente várias bases militares de Israel, numa demonstração de que o Irã pode penetrar a defesa de Israel. Não quis até agora, atacar a população civil, assim como Hezbollah não quis atacar a população civil, mas, se a guerra escalar, eles vão fazer isso. Isso ameaça incendiar toda a região”, pontuou José Arbex Jr, jornalista e ex-professor de Relações Internacionais da PUC-SP.

Crise humanitária e migração

Além dos 42 mil mortos no conflito em Gaza, a guerra obrigou grande parte da população a se descolar. Nove em cada dez habitantes de Gaza foram deslocados internamente, e alguns foram obrigados a se mudar dez ou mais vezes durante o último ano, de acordo com o The Intercept Brasil.

Sem comida suficiente, sem água potável, com sistema de saúde precário, escassez de combustível e remédios, os palestinos sobrevivem em tendas improvisadas. Em julho, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), disse que a crise humanitária em Gaza havia atingido “proporções alarmantes”. Ainda segundo a organização, desde outubro do ano passado, pelo menos 19 mil crianças foram separadas de seus pais.

“Qualquer lugar fora de Gaza, que se tornou uma terra arrasada, mas de onde os palestinos são proibidos de sair, visto que todas as fronteiras foram fechadas por Israel, que não permite a entrada e saída de pessoas, alimentos, medicamentos. Ao mesmo tempo, porém, os palestinos de Gaza temem abandonar suas casas, uma vez que as pretensões coloniais da ocupação israelense significam a não garantia do direito de retorno dos palestinos, algo que Israel faz desde pelo menos 1948”, disse  Agostinelli, após ser questionada sobre os destinos procurados pelos palestinos.

No Líbano, dados da Confederação Nacional das Entidades Líbano-Brasileiras (Confelibra) dizem que, desde o início da guerra, mais de 2 mil pessoas foram mortas, mais de 10 mil ficaram feridas e 1,5 milhão saíram do sul do país -  território alvo dos ataques vindos de Israel nas últimas semanas.

 Estados Unidos na guerra 

Na última quarta-feira (09), o presidente americano Joe Biden e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversaram por telefone em meio às tensões com o Irã. A ligação entre os dois líderes coincide com a escalada do conflito entre Israel, Irã e Hezbollah.

Desde 7 de outubro de 2023, os Estados Unidos têm demonstrado forte apoio a Israel, seu principal aliado na região. Segundo um relatório feito pela Universidade de Brown, o governo americano forneceu quase 18 bilhões de dólares em armamentos para o país, incluindo munições e sistemas de defesa.

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Tel Aviv, Israel, em 18 de outubro de 2023. Reprodução: GPO/Folheto/Anadolu via Getty Images.

Com o envolvimento do Irã e do Líbano na guerra, o governo dos EUA intensificou ainda mais seu apoio militar a Israel. O Departamento de Defesa anunciou o envio de milhares de militares ao Oriente Médio, com o objetivo de proteger Israel, bem como suas instalações e interesses na região.

Segundo Isabela Agostinelli, Israel busca o envolvimento do Irã na guerra, trazendo para ainda mais perto a atuação dos Estados Unidos. “Um envolvimento direto do Irã na guerra, que é o que Israel tem buscado, resultaria em uma guerra regional de larga escala. Além disso, traria um envolvimento mais direto dos EUA, que enxerga o Irã como grande inimigo na região desde 1979. Uma guerra entre Irã, de um lado, e EUA e Israel, de outro, significaria um custo altíssimo em termos de armamentos, investimentos na guerra, e principalmente o custo humano”, declarou a professora.

Até o momento, Israel não retaliou o ataque de Teerã a Tel Aviv, mas o ministro da Defesa, Yoav Gallent, prometeu uma resposta “letal, precisa e surpreendente”. Paralelamente, na última sexta-feira (11), os EUA impuseram novas sanções ao setor de petróleo do Irã, bloqueando 16 entidades envolvidas no transporte de produtos iranianos.

Sete estados podem desempenhar papel fundamental na definição do próximo presidente dos Estados Unidos
por
Manuela Schenk Scussiato
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14/10/2024 - 12h

Com a proximidade das eleições dos Estados Unidos, marcadas para o dia 5 de novembro, o termo swing states (ou estados-pêndulo, em português) tem sido amplamente utilizado pela imprensa para se referir a estados decisivos no resultado eleitoral.

Nos Estados Unidos, o sistema eleitoral funciona por meio de delegados atribuídos a cada estado, com base na sua população. Quanto maior o número de habitantes, mais delegados o estado possui no Colégio Eleitoral.

O candidato que obtiver a maioria dos votos em um estado conquista todos os seus delegados. No total, há 538 delegados no país, e o candidato precisa de pelo menos 270 para ser eleito presidente.

Alguns estados, historicamente, elegem sempre o mesmo partido, por exemplo: o Texas é sempre repúblicano (partido de Donald Trump), enquanto Nova Iorque é sempre democrata (partido de Kamala Harris).

Porém, os swing states são estados que não tem uma preferência definida, o que torna-os decisivos na corrida eleitoral.

Esses estados não são fixos e são definidos com base em pesquisas eleitorais realizadas durante o período de campanha. Para as eleições deste ano, os principais estados-pêndulo incluem Pensilvânia, Michigan, Nevada, Wisconsin, Geórgia, Carolina do Norte e Arizona.

Mapa eleitoral estadunidense Fonte: Reprodução/XP Investimentos
Mapa eleitoral estadunidense
Fonte: Reprodução/XP Investimentos

O mapa eleitoral acima mostra, em roxo, os Estados pendulares, em azul os democratas e em vermelho os republicanos.

Enquanto a disputa estava entre Joe Biden e Donald Trump, o partido democrata vinha perdendo forças dentro dos estados-chave. No cenário passado, Trump levava todos os estados menos a Geórgia. Além disso, o atual presidente também perdia forças dentro dos estados que historicamente defendem seu partido(democrata).

Após a entrada de Harris na corrida eleitoral, o cenário mudou a favor dos democratas. Pesquisas recentes apontam a vitória de Kamala Harris sobre Donald Trump nos pendulares. O partido azul tem 49% das intenções de votos nesses sete estados, enquanto o vermelho tem 44%. Os outros 7% continuam indecisos..

 

Quais são os estados-pêndulo?

Arizona

O Arizona, que faz fronteira com o México, é um estado onde a questão da imigração é central. Trump promete realizar a "maior operação de deportação" se reeleito, enquanto Kamala Harris propõe melhorar as políticas imigratórias, tanto para os imigrantes quanto para a população local. Nas últimas eleições, Joe Biden venceu no estado, mas as pesquisas indicam que Trump tem chances de ganhar o Arizona este ano. O Arizona possui 11 delegados, ele representa parte importante da corrida eleitoral para ambos os candidatos.

 

Geórgia

A Geórgia tem um terço de sua população afro-americana, uma das maiores porcentagens de população preta nos Estados Unidos. Acredita-se que isso foi um dos maiores motivos para a vitória de Biden em 2020, mas por se localizar no sul do país, a população ainda é muito conservadora, essa ambiguidade torna as eleições lá acirradas. Além disso, Trump tem quatro processos criminais no Estado, um onde ele foi condenado e três que estão em aberto, sendo um deles por interferência eleitoral no estado. Com 16 delegados para representar a população do estado, a Geórgia está dentre os três maiores estados-pêndulo dessas eleições

 

Michigan

O Michigan possui a maior população arabe-americana do país, o que torna a guerra entre Israel e Hamas um tema relevante na eleição. Biden ganhou no estado em 2020, porém, após suas ações de defesa a Israel, os democratas perderam muita força no território.

Por mais que Kamala Harris traga em seu plano de governo propostas incisivas sobre o cessar fogo em Gaza, as ações de Biden durante seu mandato podem afetar o partido. O Michigan, assim com a Geórgia, também têm 16 delegados, sendo o segundo estado dentro dos três maiores estados pendulares deste ano.

Protestos contra o presidente Biden no Michigan Foto: reprodução/Getty images
Protestos contra o presidente Biden no Michigan
Foto: reprodução/Getty images

Nevada

Embora tenham apoiado consistentemente os democratas nas últimas eleições, o estado enfrentou desafios econômicos significativos sob a administração de Biden - atualmente Nevada  possui a terceira maior porcentagem de desemprego do país, atrás apenas da Califórnia e de Washington DC.

A entrada de Kamala Harris na corrida melhorou a imagem dos democratas no estado, mas a crise de desemprego continua a ser uma grande preocupação para os eleitores. Trump promete resolver a situação, focando na criação de empregos e na revitalização da economia local, o que pode atrair eleitores que estão insatisfeitos com as políticas econômicas atuais. Nevada é o menor estado-pêndulo da corrida eleitoral, apenas seis delegados representam o estado.

 

Carolina do Norte

Esse estado faz fronteira com a Geórgia, portanto os dois estados têm visões similares. No entanto, a Carolina do Norte foi o primeiro lugar a receber uma visita de Donald Trump após o atentado que sofreu em julho, na Pensilvânia. Com um discurso de viés populista, Trump enfatizou a importância do estado para sua vitória, na esperança de repetir o desempenho obtido em 2020. O estado traz para a disputa 15 delegados.

 

Pensilvânia

A Pensilvânia, terra natal de Biden, enfrenta sérios problemas com a inflação, o que tem prejudicado a popularidade dos democratas. Além disso, o estado foi palco de um atentado contra a vida de Donald Trump durante a campanha, aumentando o clima de tensão na disputa. A Pensilvânia também é o maior pendular deste ano eleitoral, com 20 delegados adicionais para o candidato que ganhar no estado.

Trump após ser atingido na orelha por um projétil na tentativa de tirar sua vida Foto: Evan Gucci
Trump após ser atingido na orelha por um projétil na tentativa de tirar sua vida
Foto: Evan Gucci

Wisconsin

Wisconsin votou no candidato vencedor nas ultimas duas eleições (Trump em 2016 e Biden em 2020), com margens muito pequenas entre ambos. Nesse estado, porém, existe uma grande influência de candidatos de terceiro partido, nem democratas nem republicanos, o que pode tirar votos dos dois maiores concorrentes, por isso, o foco nele durante as campanhas aumenta.

Trump afirmou: "Se ganharmos Wisconsin, ganhamos tudo", enquanto Kamala Harris anunciou sua candidatura à presidência durante uma visita a capital Milwaukee, ambos atos feitos para reforçar a importância do estado na disputa. Wisconsin dá ao candidato

 

Candidatos a vice discutiram temas do cotidiano dos Estados Unidos
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
Gustavo Oliveira de Souza
|
08/10/2024 - 12h

 

J.D Vance e Tim Walz durante o debate. Foto: Chip Somodevilla/ Getty Images
J.D Vance e Tim Walz durante o debate. Foto: Chip Somodevilla/ Getty Images

Na noite da última terça-feira (1), os vice-presidentes dos candidatos à presidência dos Estados Unidos, J.D. Vance, vice de Donald Trump, e Tim Walz, vice de Kamala Harris, participaram de um debate nos estúdios da TV americana CBS, em Nova Iorque. O debate teve um tom amistoso, com os dois vice-candidatos procurando expor seus pontos de vista sem ofensas ou agressões. Os raros momentos de ataque eram direcionados apenas a Trump e Harris.

A discussão abrangeu todos os temas que fazem parte do cotidiano dos estadunidenses. Questões como a greve portuária, o furacão Helene e o bombardeio do Irã contra Israel foram debatidas por ambos.

Imigração

Vance foi o primeiro a ser questionado quando o assunto foi a crise da imigração. O candidato foi indagado sobre o plano de Trump, que prometeu criar o maior programa de deportação em massa de imigrantes ilegais, utilizando as forças militares. 

Ele não hesitou em culpar Kamala Harris por desfazer o programa que o republicano havia criado. J.D. terminou seu discurso afirmando que a política de reabertura da fronteira por parte de Biden foi responsável pelo desaparecimento de 320 mil crianças no país.

Em resposta, Walz destacou o programa de controle da imigração do atual governo, plano que foi idealizado pelo governador James Langford, que, segundo ele, “é conservador, mas é um homem de princípios”. 

Walz também ressaltou que o projeto foi elaborado tanto por democratas quanto por republicanos e que Trump mentiu sobre a construção do muro que separa o México dos Estados Unidos. As apresentadoras do debate ainda voltaram ao assunto, e J.D. Vance continuou afirmando que Kamala permitiu que o tráfico de drogas através dos cartéis mexicanos acontecesse no país. Tim, mais uma vez, pediu que a questão fosse vista de forma mais humana.

Oriente Médio

Com a escalada de tensões no Oriente Médio, impulsionada por um ataque iraniano a Israel, a postura dos EUA na região ganhou espaço nas discussões eleitorais. 

Tim Walz, representante da chapa democrata liderada por Kamala Harris, reiterou o compromisso dos EUA em apoiar Israel incondicionalmente. Para Walz, a segurança de Israel é uma prioridade, especialmente diante das ameaças representadas por grupos como o Hamas.

 "Precisamos garantir que Israel tenha os meios necessários para se defender e ao mesmo tempo resolver a crise humanitária em Gaza", afirmou o candidato democrata, ressaltando a necessidade de equilibrar suporte militar e assistência humanitária.

Walz também defendeu que as relações com o Irã devem ser geridas com cautela, mantendo a diplomacia como ferramenta principal, mas sem abrir mão da segurança regional. Ele criticou a decisão da administração anterior de retirar os EUA do acordo nuclear com o Irã, apontando que isso trouxe instabilidade à região.

Por outro lado, J.D. Vance, vice na chapa republicana de Donald Trump, fez elogios à abordagem da administração Trump, que, segundo ele, trouxe estabilidade ao Oriente Médio ao adotar uma política de "dissuasão forte". 

Vance reforçou que Israel deve ser capaz de tomar suas próprias decisões de defesa sem uma interferência excessiva dos EUA. "O acordo nuclear com o Irã era um erro, e a retirada foi necessária para evitar que o Irã se tornasse uma ameaça ainda maior", argumentou Vance, refletindo uma postura mais conservadora em relação à política externa.

J.D. Vance e Tim Walz no debate vice-presidencial, nos Estados Unidos, em 1º de outubro de 2024 — Foto: REUTERS/Mike Segar
J.D. Vance e Tim Walz no debate vice-presidencial, nos Estados Unidos, em 1º de outubro de 2024 — Foto: REUTERS/Mike Segar

O aborto e a divisão política

Enquanto a política externa gerou debate, foi o tema do aborto que trouxe as discussões mais acaloradas entre os candidatos. Tim Walz se posicionou como um defensor firme dos direitos reprodutivos, destacando a importância de garantir o acesso ao aborto em todo o país. 

Ele criticou duramente as leis estaduais mais restritivas, como as implementadas no Texas, onde mulheres enfrentam complicações graves por falta de acesso a procedimentos médicos adequados. 

"Essas leis não só ameaçam os direitos das mulheres, mas também colocam suas vidas em risco", afirmou Walz, referindo-se ao caso de Amanda Zurawski, uma mulher que sofreu complicações durante a gravidez devido às restrições legais no estado.

Além disso, Walz condenou o "Projeto 2025", uma proposta conservadora que visa dificultar ainda mais o acesso ao aborto e limitar os tratamentos de fertilidade. Para ele, os direitos reprodutivos não devem ser determinados por onde a pessoa vive, mas sim garantidos de maneira uniforme em todo o país.

J.D. Vance, no entanto, adotou uma postura mais moderada em relação ao tema. Embora claramente pró-vida, Vance evitou defender uma proibição nacional do aborto, preferindo deixar a decisão para os estados. 

"As realidades e necessidades de cada estado são diferentes, e essa questão deve ser tratada localmente", afirmou o republicano. Apesar de sua visão contrária ao aborto, Vance tentou evitar uma postura que pudesse ser vista como extremista, focando mais em políticas de apoio às famílias e à vida.

Armamento 

Outro tema abordado no debate foi o porte de armas. A apresentadora do debate introduziu o assunto relembrando a prisão dos pais de um menino que atirou e matou colegas na escola, um caso inédito no país. 

Quando questionado se a prisão dos pais era a medida correta, J.D. Vance afirmou que as pessoas devem confiar nas autoridades locais. Sobre o aumento das mortes por armas de fogo, o democrata responsabilizou novamente Kamala Harris, alegando que a abertura das fronteiras contribuiu para o crescimento do comércio de armas ilegais nos Estados Unidos. Como solução para reduzir as estatísticas, defendeu o reforço nas portas e janelas das escolas.

Em resposta, Walz argumentou que é necessário realizar mais pesquisas e ampliar os dados sobre a violência para entender onde e como os problemas surgem. Como exemplo de segurança, citou a Finlândia, que tem uma boa parte da população armada, mas onde tiroteios em escolas não são comuns. Ele também pediu à população que confie no trabalho de Kamala.

Uma pesquisa instantânea da CNN revelou que 51% dos telespectadores acreditam na vitória de Vance, enquanto 49% consideram que Tim Walz foi o vencedor do debate. Esse foi, provavelmente, o último debate antes das eleições, marcadas para o dia 5 de novembro.