A circulação massiva de conteúdos manipulados por inteligência artificial amplia a desinformação, influencia a opinião pública e transforma o ambiente digital em uma extensão estratégica dos conflitos armados
por
João Pedro Beltrame, Lucas Leal
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25/03/2026 - 12h

Nas primeiras horas após o início dos bombardeios coordenados desde Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro de 2026, cenas de Tel Aviv em chamas, caças F-35 abatidos no céu de Teerã e crateras gigantes em bases militares inundaram as redes sociais. Nenhum desses conteúdos era real. Todos haviam sido fabricados com ferramentas de inteligência artificial generativas (IAG) e compartilhados por milhares de pessoas sem a devida checagem dos fatos. A organização iraniana de verificação de fatos, Factnameh, integrante da Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN), classificou o conflito de 2024-2025 como a primeira guerra da IA, por ter sido o primeiro grande embate militar em que IAGs tiveram papel central na disputa por percepção pública. 

Antes desse período, a desinformação aparecia em formatos mais previsíveis. Agora, ela chega com rostos convincentes, vozes sintéticas e cenários de destruição que nunca aconteceram. A pesquisadora Rawan Damen, diretora-geral da Arab Reporters for Investigative Journalism, descreve o fenômeno com precisão. "Com a interrupção da internet no Irã e uma narrativa oficial rigidamente controlada nos países do Golfo, abriu-se um grave vácuo de notícias, que está sendo rapidamente preenchido por desinformação impulsionada por inteligência artificial.  É nesse vácuo que as fakes news encontram solo fértil para crescer", diz Damen.

Os efeitos desses vídeos não se restringem à confusão do público nas redes sociais. Para organismos internacionais, o fenômeno tem impacto direto sobre a segurança de civis. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que, em conflitos armados, a conectividade digital é simultaneamente vital e vulnerável. Ao mesmo tempo em que permite que civis encontrem rotas de fuga, hospitais e serviços essenciais, também amplia, em escala e velocidade inéditas, a circulação de conteúdos falsos ou manipulados.

“A desinformação pode ser compreendida como uma atualização da violência simbólica. "Hoje, mesmo com maior disponibilidade de câmeras e redes de informação, conseguir distorcer a realidade é um poder absurdo.” afirma Artur Ferreira, jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, pela PUC-SP, sobre esses esses acontecimentos que fazem parte de um novo tipo de violência simbólica.

“É o desejo dos criadores desses conteúdos falsos de querer influenciar decisões militares, mas é difícil mensurar o quanto isso realmente impacta, seja por barreiras como o sigilo de Estado. Eles podem contribuir para um plano de fundo que futuramente vire algo catastrófico ", comentou sobre as postagens fakes.

Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital
Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital

Ferreira afirmou que não é uma tarefa simples quantificar o impacto direto dessas práticas. Elas contribuem para a formação de opinião popular que sustentam visões distorcidas da realidade, já que a opinião pública está construída diretamente ao consumo de informação. “E influenciar nossa percepção de mundo é o objetivo central desses grupos”, explicou Ferreira. 

As postagens falsas nas redes sociais, além de atenderem a interesses políticos, também funcionam como uma forma de gerar lucro. Conteúdos sobre guerras, com imagens catastróficas produzidas por IA, geram grande repercussão e acabam sendo monetizados devido ao alto engajamento, impulsionado por usuários que questionam se o material é real. As plataformas também tendem a lucrar com a circulação desses conteúdos virais. Despertam a curiosidade do público, levando muitas pessoas a recorrerem às redes sociais para tentar entender o conflito ou compartilhar informações. No entanto, esse movimento também contribui para a disseminação de conteúdos falsos ou imprecisos.

Imagens geradas por inteligência artificial— (fonte: BBC News)
Imagens de Tel Aviv em chamas gerada por IA — fonte: BBC News 

Esse vídeo, sem origem definida, foi repostado pelo portal Globe Eye News na plataforma X com milhares de visualizações e compartilhamentos em diferentes redes sociais. O post foi questionado por alguns usuários, que chegaram a perguntar ao chatbot de IA do X, o Grok, para perguntar se o vídeo era real ou falso. O chatbot insistiu com a resposta de que o vídeo gerado com IA era real. O post foi excluído posteriormente. 

A rede social, X, possui as notas da comunidade como ferramenta de colaboração, que permitem aos usuários ajudar a dar informações corretas em um post potencialmente falso. A nota só será exibida no post se um número suficiente de colaboradores concordarem que ela é útil.

 

Apesar de ações encabeçadas por Reino Unido, França e Alemanha, posição defensiva segue como empecilho a Trump e Netanyahu
por
Vítor Nhoatto
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25/03/2026 - 12h

No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel deram início à operação “Fúria Épica”, bombardeando o Irã e matando o seu líder teocrático, Ali Khamenei. Desde então, a tensão no Oriente Médio só aumentou, com desdobramentos em países como Líbano, Iraque e Arábia Saudita, o que preocupa o mundo e principalmente líderes europeus.

As consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia ainda perturbam a União Europeia, devido a proximidade geográfica e a crise no abastecimento de gás e óleo russo por exemplo. Israel e Palestina mais recentemente abalaram ainda mais a área de defesa, que recebeu um aumento de 98% nos gastos de 2024 para 2025, chegando a €392 bilhões segundo a Agência Europeia de Defesa (EDA).

Nesse sentido, as principais potências militares do bloco têm seguido uma linha cuidadosa e estratégica em relação à mais nova zona de guerra no Oriente. 

O primeiro líder  recebido no salão oval após o início do conflito foi Friedrich Merz, chanceler alemão, no dia 3 de março. No encontro com Donald Trump ele alegou que “estava na mesma página” em relação às intenções de “libertar” o Irã do regime teocrático que a Casa Branca defende derrubar. 

Em 1979 o país passou pela chamada Revolução Iraniana, que acabou com a monarquia imperialista na época. O levante popular foi celebrado e instituiu o islamismo como base politica, mas logo passou a ser visto como antidemocrático e prejudicial à influência do Ocidente na região. Disputas principalmente com a Arábia Saudita, aliado histórico dos Estados Unidos, pelo controle dos recursos dos países vizinhos vem causando tensões constantes. 

Alemanha

Justamente tais instabilidades preocupam o democrata Merz, que destacou ainda que o conflito “é muito prejudicial à economia, e que espera um fim o quanto antes possível”, se limitando a defender suas bases militares e aliados, e não contra-atacar ou retaliar o Irã, como solicitado pelos EUA. 

Para apaziguar os ânimos, a reunião seguiu para o aumento nos gastos com segurança que o bloco tem feito, aplaudidos pelo líder estadunidense. Alemanha e França representaram quase 50% dos €392 bilhões que o bloco injetou no último ano. 

No entanto, essa divergência na política internacional não é recente, e vem desagradando os europeus. Durante a Conferência para Segurança realizada anualmente em Munique, o chanceler criticou o temperamento imprevisível de Trump. “Uma profunda divisão se abriu entre a Europa e os Estados Unidos [...] nossa segurança não está mais garantida e a Europa precisa estar preparada para fazer sacrifícios”, defendeu Merz.

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Vice-presidente dos EUA, JD Vance, cumprimentou Merz e participou do encontro no salão oval no dia 3 de março com Trump - Foto: The White House  / Divulgação

O clima de hostilidade se intensificou principalmente após as ameaças dos Estados Unidos de anexar a Gronelândia em janeiro. A região autônoma sob defesa da Dinamarca, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), foi interpretado como um ataque inesperado a um aliado, em que Trump alegou que até estaria disposto a usar a força em um primeiro momento para conquistar o controle do território 

Mais tarde na Suíça, durante o Fórum Econômico de Davos, Trump voltou atrás declarando que o uso da força não estava mais em cogitação. Mesmo assim, a confiança parece ter sido quebrada, e aliados históricos seguem criticando a política estadunidense e defendendo uma emancipação europeia no âmbito de defesa. 

França

O presidente francês Emmanuel Macron em 2 de março, dois dias após o início da guerra com o Irã, anunciou um plano francês de investimento massivo em defesa nuclear. “O que eu mais quero, como vocês já devem ter percebido, é que os europeus retomem o controle do seu próprio destino”, afirmou durante evento na base de submarinos nuclear “Ile Longue”.

Porém, além de demonstrar as articulações políticas visando as eleições presidenciais no país no ano que vem, a medida reforça o recado à Casa Branca. A tática de se armar nuclearmente é uma estratégia antiga de dissuasão, que visa prevenir conflitos ao demonstrar alto poder de defesa e ataque. Não à toa, o pronunciamento direto em relação ao Irã veio em seguida no dia seguinte. 

Em pronunciamento após ataque às bases militares inglesas no Chipre, Macron anunciou que estava se envolvendo no conflito “estritamente com uma postura de auto defesa e apoio à seus aliados”. Além de não autorizar o uso de suas bases pelos EUA e Israel atacarem o Irã, ele defendeu que os ataques “foram realizados fora do quadro do direito internacional, o que não podemos aprovar”. 

Na ocasião, foi anunciado que o porta-aviões Charles de Gaulle foi para a costa do Mediterrâneo em sinal de defesa e apoio ao Chipre, membro da União Europeia, e aliados históricos no Golfo. Alguns exemplos são o Catar, com quem tem desde 1994 um acordo bilateral de cooperação de defesa, e os Emirados Árabes Unidos, com medida parecida assinada em 1995.  

O líder francês pediu por um cessar-fogo também, caso contrário, levaria ao que ele categorizou como uma “escalada perigosa e um erro estratégico” dos Estados Unidos. 

Reino Unido

Nessa mesma linha, o Reino Unido chateou o presidente americano, como ele mesmo alegou em coletiva de imprensa. Durante o mesmo evento com o chanceler alemão, Trump lamentou não estar trabalhando com Winston Churchill, em referência ao apoio militar e ataques que o então primeiro-ministro inglês ordenou durante a segunda guerra mundial.

A declaração veio em relação ao “não” do atual líder britânico, Keir Starmer, ao pedido de Trump para usar a base militar na ilha de Diego Garcia para atacar o Irã e aliados mesmo antes da guerra, em 20 de fevereiro.

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“É meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha”, destacou Starmer ao parlamento britânico ao optar por não se envolver diretamente na guerra - Foto: UK Parliament / Reprodução

Em 2 de março, após o episódio mencionado com o Chipre, a autorização foi exclusiva para uso defensivo, proibindo o lançamento de mísseis para ataque.  

De lá para cá as tensões entre os aliados históricos se mantiveram altas, com Starmer declarando em uma sessão no parlamento britânico que ele: “não estava disposto a fazer no sábado (28 de fevereiro) o Reino Unido entrar em guerra, a menos que eu estivesse convencido de que havia uma base legal e um plano viável e bem elaborado”. 

Mesmo não fazendo mais parte da União Europeia (UE) desde 2016 com o Brexit, o Reino Unido tem se mostrado disposto a uma aproximação e cooperação maior com a Europa, em resposta à política dos EUA. São exemplos o suporte à Ucrânia em acordo à visão da UE, e a intenção de Macron em estreitar laços com o Reino Unido com seu plano nuclear de defesa.

Espanha

Ainda no salão oval com o líder alemão, a península ibérica foi o último ataque direto de Trump. Com uma linha ainda mais dura que as alegações direcionadas a Starmer, o presidente alegou que “cortaria as relações com a Espanha, um parceiro terrível, e que se quisesse poderia usar as bases espanholas”. 

Com isso, a resposta do primeiro-ministro Pedro Sanchez foi rápida e concisa: “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: não à guerra”. 

No comunicado à imprensa com o objetivo de reafirmar o lado que o país escolhia, Sanchez classificou os ataques americanos-israelenses, e a guerra como um todo, como ilegais e desumanos. Ele se solidarizou aos países atacados como forma de retaliação pelo Irã, reforçando que não apoia o regime do país, mas que escolhia o lado da lei internacional e da paz acima de tudo.

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Protestos contra a guerra no Irã aconteceram na Espanha no último dia 14 em cidades como Sevilha e a capital Madrid - Foto: Greenpeace España / Divulgação

A expressão “não à guerra” foi escolhida por fazer alusão aos protestos internacionais contra o que ele classificou como “erro do passado”, a Guerra do Iraque em 2003. Na época o presidente George W. Bush, atacou o país sob a alegação de desenvolvimento de  armas de destruição em massa por Saddam Hussein.

Dois anos antes, o ataque de 11 de setembro assombrava a segurança dos EUA, mas constatou-se que o Iraque não tinha as armas usadas como pretexto, e que o interesse era nas reservas de petróleo do país. Em 2011 após milhares de protestos pelo mundo as tropas foram retiradas do território iraquiano, com um saldo de milhões de mortos, um cenário político violento e longe da democracia que Bush prometeu instaurar.  

Tudo isso para Sánchez deveria ser uma lição em relação ao Irã hoje, se mantendo firme na posição de ser contra esse “desastre” como enfatizou, exigindo um cessar-fogo.

Próximos passos

Próximo de completar um mês da guerra e novo líder no Irã, um acordo de paz segue fora do tabuleiro, pelo menos do lado de lá. O governo alemão endureceu o tom na quarta (18): "Washington não nos consultou e não considerou necessária a assistência europeia [...] Enquanto a guerra continuar, não participaremos dela", defendeu Merz no Bundestag, o parlamento alemão.

O chanceler fazia referência ao pedido de Trump por ajuda da OTAN para manter o Estreito de Ormuz aberto, fechado desde o início do conflito. Pela passagem passam muitos navios de produtos e principalmente petróleo, que apresenta mais de 40% de aumento no preço do barril do tipo Brent desde final de fevereiro, segundo a Business Inside. 

Na mesma linha, o presidente francês declarou que defender a lei internacional e promover a desescalada é o melhor caminho. “Não ouvi ninguém aqui expressar a vontade de entrar nesse conflito, muito pelo contrário”, enfatizou na Cúpula da UE realizada em Bruxelas no último dia 20.

Durante o evento, Ursula Von der Leyen, presidente do bloco, reforçou a necessidade de um cessar-fogo no conflito “extremamente perigoso para além da região”, além da proteção de civis e infraestrutura. Seu posicionamento continua na defesa e solidariedade aos aliados no Golfo, especialmente o Chipre, e que uma crise energética pode ocorrer se a guerra persistir.

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“É de extrema importância que se chegue a uma solução negociada para pôr fim às hostilidades”, voltou a defender Leyen no último dia 24 - Foto: The European Commission / Divulgação

Sobre essa preocupação, o primeiro-ministro inglês anunciou no dia 21 que os EUA poderiam usar as bases do país também para atacar, se distanciando dos parceiros europeus. Starmer defendeu que o foco se mantém defensivo, no entanto, caracterizando os bombardeios agora autorizados de suas instalações como auto-defesa, mirando alvos iranianos no Estreito de Ormuz. 

Na península ibérica, Sanchez ordenou na segunda-feira (23), através de suas redes sociais, que o estreito seja reaberto também, e a infraestrutura da região preservada. Por lá passam cerca de 20 milhões de barris por dia, um quinto do total, causando a maior interrupção de fornecimento do mundo segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). 

“Uma escalada ainda maior poderia desencadear uma crise energética de longo prazo para toda a humanidade”, defende o primeiro-ministro espanhol após lembrar o preço em vidas de uma guerra.
 

O país alega “divergências profundas”, mas pode enfrentar isolamento financeiro e científico
por
Anna Cândida Xavier
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23/03/2026 - 12h

Nesta terça-feira (17), o governo de Javier Milei formalizou a saída da Argentina da Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão havia sido anunciada em 5 de fevereiro de 2025, seguindo os passos dos Estados Unidos, que se retiraram da organização logo após a posse de Donald Trump. 

Milei fala em palanque
Presidente da Argentina busca soberania nacional ao sair da OMS. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

A saída do país da OMS foi anunciada pelo porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni. O governo argentino afirmou que a decisão tem como objetivo “ordenar, atualizar e tornar mais transparentes estruturas e processos que, por anos, funcionaram com sobreposições, normas obsoletas e escassa supervisão”. 

De acordo com o jornal argentino "La Nación", o argumento oficial utilizado pelo governo argentino em fevereiro de 2025 foi o custo de ser membro do organismo, estimado em cerca de US$ 10 milhões por ano (cerca de R$ 58 milhões). Além disso, acrescentaram que é preciso considerar os gastos com salário, diárias e assessores do representante argentino na entidade.

A decisão também foi justificada pelo governo como uma resposta às “profundas divergências” com a OMS durante a gestão da pandemia de Covid-19 – declaração alinhada à da Casa Branca. O governo argentino alega que “as recomendações da OMS são ineficazes porque não são baseadas na ciência, mas em interesses políticos e estruturas burocráticas que resistem a revisar seus próprios erros”. Em 2025, no X, o presidente Javier Milei classificou a agência como “nefasta e o braço executor daquela que foi a maior experiência de controle social da história”. 

 

Declaração de Milei no X
Foto: Reprodução/@JMilei

Após a saída formal da Argentina, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que “a segurança sanitária exige universalidade” e que a decisão do governo Milei é prejudicial “tanto para a Argentina quanto para o resto do mundo”. Deixar a OMS pode elevar os custos para o acesso a vacinas e tratamentos, além de deixar o país mais vulnerável a crises de saúde sem o apoio técnico e financeiro da organização.

No entanto, o chanceler Pablo Quirino, em postagem no X afirmou que “a Argentina continuará a promover a cooperação internacional em saúde por meio de acordos bilaterais e fóruns regionais, preservando plenamente sua soberania e sua capacidade de tomar decisões sobre políticas de saúde”. A Argentina continua sendo membro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), porém, Tedros deixou claro que as divergências do país com a OMS impactam sua relação com a OPAS. 

Declaração de Pablo Quirno no X
Foto: Reprodução/@pabloquirno

A Organização Mundial de Saúde, fundada em 1948, é responsável por coordenar esforços internacionais em saúde pública. Conta com 194 países membros e tem como missão promover a saúde e coordenar respostas a emergências globais de saúde. 

Um relatório do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas), principal instrumento de pesquisas científicas da Argentina, indica que a saída também poderá isolar o país da comunidade científica.

Essa postura da Argentina se alinha à decisão dos Estados Unidos, que também anunciou sua saída da organização no início de 2025. Mas, diferente dos EUA, a Argentina depende de colaboração internacional para seus programas de saúde.

Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois.
Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

Ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, afirma que ataques inviabilizam a ida da seleção ao Mundial
por
Victória Miranda
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17/03/2026 - 12h

A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 está por um fio. Em uma declaração concedida à TV Estatal do país, na última quarta-feira (11), o Ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou que o país não possui condições de participar do torneio devido ao conflito militar contra os Estados Unidos e Israel.“Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há circunstâncias em que possamos participar da Copa do Mundo”, disse Donyamali.

Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball
Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball

O anúncio ocorre em um dos momentos mais instáveis da história recente do Oriente Médio. O Irã sofre bombardeios desde o dia 28 de fevereiro, iniciados pelos governos estadunidenses e israelenses com o objetivo de acabar com o programa nuclear do país e enfraquecer o regime teocrata xiita. Ofensiva que resultou na morte do líder supremo, Ali Khamenei.

Na quinta-feira (12), seu sucessor e filho, Mojtaba Khamenei, se pronunciou pela primeira vez como o novo Aiatolá. No discurso, ele lamentou a morte do pai e antecessor, pediu para países vizinhos fecharem bases americanas em seus territórios e que a população se mantenha unida e prometeu vingança pelos mortos na guerra.

No mesmo dia, o presidente estadunidense, Donald Trump, postou um comunicado em uma rede social, dizendo que a seleção do Oriente Médio será bem-vinda, mas aconselhou a equipe a não participar.

“A seleção iraniana de futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas realmente não acredito que seja apropriado que estejam lá, para a própria segurança deles. Obrigado pela atenção neste assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”, escreveu o líder na rede "Truth".

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Em resposta à declaração de Trump, a seleção iraniana rebateu e disse que ninguém pode retirá-los da competição, já que se classificaram legitimamente."A Copa do Mundo é um evento histórico e internacional e seu órgão regulador é a Fifa – não qualquer indivíduo ou país. A seleção nacional do Irã, com sua força e uma série de vitórias decisivas conquistadas pelos bravos filhos do Irã, esteve entre as primeiras equipes a se classificar para este grande torneio. Certamente, ninguém pode excluir a seleção nacional do Irã da Copa do Mundo; o único país que poderia ser excluído é aquele que ostenta apenas o título de "anfitrião", mas não tem capacidade para garantir a segurança das equipes participantes deste evento global", disse o comunicado publicado no perfil oficial da seleção iraniana.

Classificação para a Copa do Mundo

O país garantiu vaga em sua quarta Copa do Mundo consecutiva após terminar na liderança isolada do Grupo A da terceira fase das Eliminatórias Asiáticas no ano passado. Após os sorteios dos jogos da competição, ele está no Grupo G com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Os três jogos estão previstos para acontecer justamente nos EUA, com duas partidas em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã (cerca de 200 mil), e uma em Seattle.

O que acontece agora?

A Copa do Mundo da Fifa será disputada entre os dias 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Caso a saída da seleção iraniana seja confirmada oficialmente, a Fifa decidirá o que deve ser feito.

Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay
Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay

 

Segundo o artigo 6.7 do regulamento da competição, caso alguma das equipes for retirada ou excluída da Copa do Mundo Fifa 26, a Fifa pode substituir o time em questão por outra associação. Sendo assim, uma alternativa seria manter o Grupo G com apenas três seleções, o que reduziria o número de jogos e mexeria com o calendário do torneio.

Outra possibilidade seria substituir o Irã por uma seleção vinda da repescagem intercontinental e abrir uma vaga extra no mata-mata classificatório. Nova Caledônia, Jamaica, Bolívia, Suriname, Congo e Iraque disputam duas vagas, e uma terceira equipe poderia herdar o lugar no Mundial. Uma terceira opção é o Iraque ficar com a vaga do Irã, e os Emirados Árabes Unidos herdarem a vaga asiática na repescagem. 

De acordo com as regras da FIFA, o país desistente pode ser punido com uma multa de pelo menos 250 mil francos suíços (aproximadamente R$ 1,6 milhão) caso abandone o torneio em até 30 dias antes do início. 

Se a desistência for oficializada a menos de 30 dias da estreia, o valor sobe para 500 mil francos suíços (R$ 3,2 milhões). O regulamento prevê ainda que a federação deverá reembolsar todos os valores recebidos para a preparação da equipe e contribuições relacionadas ao torneio. 

Além do prejuízo financeiro, o Comitê Disciplinar da FIFA pode aplicar sanções severas, como a exclusão de competições subsequentes da entidade. No entanto, o artigo 6.3 ressalta que, caso o abandono seja provocado por “casos de força maior reconhecidos pela FIFA” — como o atual cenário de guerra e ataques sofridos pelo país —, existe a possibilidade da seleção iraniana se livrar das punições.

Até o momento, a FIFA não se pronunciou sobre a possível desistência. Já o secretário geral da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Windsor Paul John, afirmou na manhã desta segunda-feira (16), em entrevista coletiva na sede da Confederação em Kuala Lumpur, Malásia, que a seleção iraniana ainda planeja continuar na competição.

O secretário também destacou o desejo de ver a seleção em campo: "Esperamos que resolvam seus problemas e que possam participar da Copa do Mundo”.

Filósofo morre aos 96 anos e deixa um importante legado para a humanidade
por
Amanda Lemos
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16/03/2026 - 12h

Jürgen Habermas faleceu neste sábado (14) aos 96 anos em Starnberg, Alemanha, com causa da morte ainda não divulgada. Nascido em Düsseldorf, Alemanha, em 18 de junho de 1929, foi um filósofo e sociólogo, participante da tradição da teoria crítica e do pragmatismo. Ele foi membro da segunda geração da Escola de Frankfurt.

Habermas teve e ainda tem uma grande influência na Alemanha, principalmente na filosofia, na política e no modo como o país pensa a democracia e o espaço público no pós-guerra. Ele surge em 1962 com a publicação de sua primeira obra, “Mudança Estrutural da Esfera Pública”, onde defende espaços de diálogo sem controle estatal em um momento em que a Alemanha precisava refletir sobre o nazismo, reconstruir sua democracia e lidar com a culpa histórica, o autoritarismo e o silêncio social.

O filósofo influenciou debates políticos, universidades, imprensa e a formação da cidadania alemã com a ideia de que “A democracia só funciona de verdade quando as pessoas podem debater livremente em um espaço público aberto, crítico e racional.” O conceito de esfera pública, um espaço social de debate que ele criou e pregava, virou base para pensar a mídia, a opinião pública e a participação política. 

Habermas teve papel intelectual direto em debates nacionais sobre a constituição alemã e os direitos humanos. Ele defendia uma Alemanha democrática, constitucional e baseada no diálogo, não na força. O filósofo pregava que o país não podia esquecer o nazismo e defendeu a memória histórica crítica, impactando em políticas educacionais e debates públicos sobre culpa e responsabilidade coletiva. 

Na Alemanha atual ele ainda é referência em filosofia política, símbolo de intelectual público e citado em debates sobre democracia, mídia e extremismo. 

 

Fotografia em close-up de Jürgen Habermas, um homem idoso com cabelos brancos curtos e óculos de grau de armação fina. Ele veste um paletó de tweed marrom sobre uma camisa branca e gravata xadrez. Ele está com a mão direita levemente levantada em um gesto expressivo, como se estivesse explicando um conceito. O fundo está desfocado, sugerindo um ambiente de biblioteca ou escritório com estantes de livros.
Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do século XX e início do século XXI, da escola de Frankfurt - Foto: Instituto Humanitas Unisinos 

 

Habermas começou a focar nos estudos da comunicação em 1970. Para ele, a democracia depende de uma esfera pública forte, baseada na ação comunicativa, onde cidadãos livres discutem racionalmente os assuntos coletivos e constroem consensos legítimos. Ele defendia que comunicar é agir socialmente. Para ele, vai além da simples transmissão de mensagens, é a base da democracia, da política e da vida social.

Lançou cerca de 50 livros ao longo de sua carreira. Os mais importantes foram “Mudança Estrutural da Esfera Pública” (1962), “Teoria do Agir Comunicativo” (1981) e “Direito e Democracia” (1992). Seu último livro foi “Mais uma vez: Sobre a Europa”, lançado em 2019. 

 

 

Presidente condenou a guerra que se estende por quase um ano na Faixa de Gaza e criticou as recentes ações de Israel no Líbano
por
Matheus Almeida
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26/09/2024 - 12h

O presidente Lula discursou, na última terça-feira (24), na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. Em sua fala, de cerca de 20 minutos, o mandatário destacou as ações de Israel em Gaza e, mais recentemente, no Líbano.  

Lula enfatizou que o mundo vive o período de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e constatou que os gastos militares no globo aumentaram pelo nono ano seguido, atingindo a marca de 2,4 trilhões de dólares.  

Sobre o Oriente Médio, ele classificou a situação como “uma das maiores crises da história recente”, e criticou Israel ao dizer que o “direito à defesa” alegado pelo país, se tornou um “direito de vingança” e que há uma punição coletiva para o povo palestino e não só ao Hamas, como diz o governo israelense.  

"São mais de 40 mil vítimas fatais, em sua maioria, mulheres e crianças. O direito de defesa transformou-se no direito de vingança, que impede um acordo para a liberação de reféns e adia o cessar-fogo".  

O presidente brasileiro também citou brevemente os conflitos do Iêmen e do Sudão, esse na África, mas que afeta o maior número de pessoas em termos absolutos. Segundo dados da ONU, quase 25 dos 48,7 milhões de habitantes precisam de ajuda humanitária para sobreviver no país africano.  

Lula discursa na ONU. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula em discurso na ONU. Foto: Ricardo Stuckert

Guerra no Leste Europeu  

O presidente ainda lembrou da guerra entre Ucrânia e Rússia, que se estende desde fevereiro de 2022. Ele retomou o plano sino-brasileiro para a paz.  

“Já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar. [...] Criar condições para a retomada do diálogo direto entre as partes é crucial neste momento. Essa é a mensagem do entendimento de seis pontos que China e Brasil oferecem para que se instale um processo de diálogo e o fim das hostilidades.”  

Reforma na ONU  

Lula criticou a posição da própria ONU. Segundo ele, as Nações Unidas não conseguem assegurar a segurança e soberania da Palestina, sendo pouco eficaz em combater a violência, não só em Gaza, como também em outras partes do mundo. Ele também defendeu uma reforma, já que a Organização tem pouca representação dos países do Sul Global, e não abrange o mundo inteiro como na época que foi idealizada.  

“Prestes a completar 80 anos, a Carta das Nações Unidas nunca passou por uma reforma abrangente. A versão atual da Carta não trata de alguns dos desafios mais prementes da humanidade. Na fundação da ONU, éramos 51 países. Hoje somos 193. Várias nações, principalmente no continente africano, estavam sob domínio colonial e não tiveram voz sobre seus objetivos e funcionamento. A exclusão da América Latina e da África de assentos permanentes no Conselho de Segurança é um eco inaceitável de práticas de dominação do passado colonial.”  

 

Após conflitos dos últimos dias, representantes mostram temor durante Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU)
por
Larissa Soler
Victória Toral
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26/09/2024 - 12h

Os ataques entre Hezbollah e Israel foram tema do discurso de diversos líderes mundiais presentes na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU),  na última terça-feira (24).

O Secretário Geral da organização, António Guterres, criticou países que descumprem resoluções da ONU, sem citar Israel, e afirmou que eles não podem deixar que o Líbano vire outra Gaza. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, acrescentou que uma guerra total no Oriente Médio “não interessa a ninguém”. 

O embaixador israelense na ONU informou que o país não tem interesse em invadir o território libanes. Após discurso na Assembleia, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou novamente as ações israelenses no norte do Líbano, na quarta-feira (25). 

Iniciado em outubro do ano passado, o conflito entre o grupo Hezbollah e o Estado de Israel começou após a organização que fica localizada no norte do Líbano, atacar a região fronteiriça onde soldados israelenses estavam posicionados.

A ação ocorreu em resposta à guerra na região da Faixa de Gaza entre o grupo Hamas e Israel, que completa um ano no dia 7 de outubro. Desde então, o grupo Hezbollah e o Estado de Israel vêm trocando ofensivas, mas foi na semana passada que o conflito entre os dois se intensificou. 

Um ataque terrorista ao sistema de comunicação móvel de integrantes do Hezbollah ocorreu na terça (17) e quarta-feira (18). O governo libanês e o Hezbollah acusam Israel pela autoria das explosões, já Israel nega qualquer envolvimento.

Na mesma semana, durante um ataque aéreo, na região de Beirute, o comandante da unidade de elite Radwan do Hezbollah, Ibrahim Akil, foi morto. Nos dois ataques pelo menos 82 pessoas morreram e cerca de 3.000 ficaram feridas. 

Segundo informações do Ministério da Saúde do Líbano, 650 pessoas, incluindo, pelo menos, 35 crianças e 58 mulheres, foram mortas em ataques israelenses desde a manhã de segunda-feira (23). O número representa mais da metade dos libaneses mortos na guerra de 34 dias entre Israel e Hezbollah em 2006. 

Em entrevista à Agemt, Rodrigo Amaral, professor do curso de Relações Internacionais da PUC-SP e pesquisador na área de política internacional no Oriente Médio, aponta que esses ataques podem ser uma tentativa do Estado de Israel de estender a conflitualidade contra o Hamas para a região norte do Líbano. 

“Tendo em vista que Gaza está sob escombros, o Hamas não tem qualquer possibilidade de reação por lá. A ideia israelense é muito provavelmente, tudo isso na prova da probabilidade, destruir o outro inimigo regional mais próximo que é o Hezbollah.” explica Rodrigo. 

Sobre as declarações dos líderes mundiais na Assembleia, Rodrigo diz que elas têm um impacto mínimo no conflito: “É um passo importante, porque significa que a comunidade internacional pode ser avessa ao que Israel está fazendo. Mas, não existe uma ação tão direta em decorrência das manifestações na Assembleia Geral das Nações Unidas”.

Amaral adiciona que as ações seriam mais eficazes se o Conselho de Segurança da organização determinasse uma resolução consensual para o fim do conflito, mas que “para que essa resolução ocorra, ela implicaria nos Estados Unidos barrarem as ações militares israelenses no Oriente Médio, algo que nunca aconteceu anteriormente” lembra o professor. 

Hezbollah:

O grupo fundamentalista nasce no contexto da Guerra Civil Libanesa, sendo uma associação político islâmico-libanês. 

“É uma organização política e social, então ele tem não apenas o braço paramilitar, que é o mais famoso que nós conhecemos, mas também um grupo que tem representação no parlamento libanês e que tem ações sociais de grande escala no sul do Líbano, onde esse grupo se desenvolveu” ,comentou. 

O professor explica que o Hezbollah surgiu nos anos 80 e 90, para ocupar a deficiência do Estado libanês na época e acabou se tornando um dos principais grupos de oposição contra o Estado de Israel. “Eles têm como aliados indiretos o eixo da resistência no Oriente Médio, forças de mobilização popular no Iraque, os houthis no Iêmen e de forma mais direta o Hamas, mas que também não há qualquer conexão material de aliança, é só uma questão de serem “inimigos” de Israel. Há também uma conexão diplomática com o Irã, mas não há confirmação de ligação de cooperação técnico militar”.

O grupo político islâmico-libanês e o Estado de Israel já estiveram em conflito antes, durante a Guerra do Líbano, em 2006. O conflito, que durou cinco semanas, teve início após membros da organização sequestrarem dois soldados israelenses. Nessa época quase 1.200 pessoas morreram no meio da guerra, sendo a maioria civis. 

Apesar da conexão diplomática entre o Hezbollah e o Irã, Amaral não vê o país entrando em um confronto com Israel: “Ele demonstrou que não tem vontade de fazer uma guerra direta com Israel e vice-versa. É improvável a inserção de forças militares iranianas, apesar de ser bastante factível o apoio indireto do Irã ao Hezbollah.”

Mossad: 

O pesquisador aponta que os ataques ao sistema de comunicação móvel de integrantes do Hezbollah na semana passada podem ter sido organizados taticamente pelo Mossad - Serviço de Inteligência de Israel e um dos mais desenvolvidos do mundo. Na ocasião, pagers e walkie-talkies de membros da organização foram utilizados como explosivos que atingiram milhares de pessoas. 

“O Mossad já atuou outras vezes na história de Israel, começou de maneira mais intensa a partir da Guerra dos Seis Dias em 1967 e desde então Israel tem ações de espionagem ativa contra os seus inimigos”. explica o professor. 

Porém, essa é a primeira vez que um ataque desse tipo é tão bem articulado tecnicamente e taticamente, o que demonstra a força da organização  “Vimos explosões simultâneas desses equipamentos, houve ali uma manipulação do hardware, de tecnologias que são dos anos 90, anos 2000 e que supostamente têm uma maior dificuldade de hackeamento”, comenta. 

O que esperar: 

Para os próximos dias, o pesquisador acredita que haja uma intensificação da ação militar israelense “há um risco alto dessa intensificação de operações aéreas militares se tornarem também operações em solo, lembrando que Israel já depositou a 98ª Batalhão das Forças Militares Israelenses na fronteira norte, que é a fronteira com o Líbano, portanto, acionou ali uma possibilidade de invasão, de ocupação, o que seria, basicamente, repetir o que aconteceu em 1982 e 2006”, finaliza. 

Destroços sendo retirados após ataque. Foto: AP Photo/Hassan Ammar
Destroços sendo retirados após ataque. Foto: AP Photo/Hassan Ammar



 

Ataque israelense deixa 492 mortos e 1.645 feridos em maior ofensiva desde o início do conflito
por
João Victor Tiusso
Lucca Fresqui
|
24/09/2024 - 12h
Foto: AFP/ND
Foto: AFP/ND

Na última segunda-feira, dia 23, Israel realizou um amplo ataque aéreo contra diversos alvos no Líbano. Foi o maior e mais mortífero bombardeio desde o início do conflito entre o país e o grupo Hezbollah. 

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, 492 pessoas morreram e 1.645 ficaram feridas. Entre os mortos estão 35 crianças e 42 mulheres. O governo libanês informou que também há profissionais de saúde entre as vítimas.

Ao todo, foram atingidos 1.100 alvos no Líbano, inclusive na capital, Beirute. Os moradores das regiões do país atacadas receberam mensagens de texto e de voz enviadas por Israel alertando sobre a iminência dos ataques.

Os ataques desta segunda-feira foram os mais mortíferos no Líbano desde a guerra com Israel em 2006, cujo resultado foi inconclusivo para ambos os lados. 

De acordo com Israel, um dos comandantes do alto escalão do Hezbollah, Ali Karaki, está entre os mortos. No entanto, o Hezbollah afirmou em comunicado que Karaki está bem e foi movido para um local seguro. 

Em resposta ao bombardeio, o grupo libanês contra-atacou com foguetes, mísseis e drones, deixando várias cidades de Israel em estado de alerta. 

As agressões entre Israel e Hezbollah se intensificaram com a operação na faixa de Gaza, no ano passado, e vinham aumentando desde então. Porém, atingiram um novo patamar com a explosão dos pagers e walkie-talkies do grupo extremista na última semana. 

Devido à escalada do conflito, o governo dos Estados Unidos anunciou que enviará mais tropas ao Oriente Médio para reforçar as forças americanas já presentes na região.

Harris e ex-presidente se encaram no primeiro debate eleitoral americano
por
Octávio Alves
|
18/09/2024 - 12h

O primeiro debate entre Donald Trump e Kamala Harris ocorreu na última terça-feira (10) na Filadélfia. O embate, organizado pela ABC News, pode ser o único da eleição devido ao curto tempo e às tensões crescentes entre os partidos, o que torna o confronto ainda mais marcante para a história recente dos Estados Unidos.

Kamala Harris, 59 anos, atual vice-presidente, está na disputa substituindo Joe Biden. Se vencer, Harris será a primeira mulher eleita presidente dos Estados Unidos. Já o seu opositor, Donald Trump, 78 anos, foi presidente de 2017 a 2021, mas perdeu para Biden em 2020 e agora busca retornar ao poder.

 

O início: 

O confronto começou com algo que não se via há 8 anos, os candidatos à presidência se cumprimentaram. Antes mesmo do debate, Harris foi cumprimentar Donald Trump, em um gesto de acalmar os ânimos dessa eleição, que estavam escalando a nível perigoso, sendo o estopim a tentativa de assasinato de Trump.

Harris cumprimenta Trump
Kamala Harris cumprimenta o ex -presidente Donald Trump  antes do início do debate. Foto: Saul Loeb/AFP via Getty Images

 

Harris assumiu uma postura provocativa durante o debate, atitude característica de Trump. Diversas vezes utilizou frases de efeito em tentativas bem sucedidas de desestabilizar o candidato, além de acusá-lo de inimigo da democracia americana. 

Já o republicano respondeu firmemente aos ataques, criticou a forma que os democratas o colocam como inimigo da democracia e diz que levou um tiro por culpa deles: “Eu provavelmente levei uma bala na cabeça por causa das coisas que eles dizem sobre mim. Eles falam sobre democracia, eu sou uma ameaça à democracia. Mas eles são uma ameaça à  democracia”, disparou.

Harris fazendo cara de deboche
Kamala Harris lança olhar de deboche à Trump no debate. Foto: Saul Loeb/AFP

 

Aborto: 

A candidata construiu seu debate em cima de pautas confortáveis para os democratas. Se posicionou em defesa da liberdade de escolha da mulher quanto ao aborto, enquanto acusou Trump de ser a favor do banimento da prática em todo país.

Ao tentar se defender, o ex-presidente negou a acusação e disse que a decisão cabe a cada estado. Ao atacar Harris, afirmou que o Partido Democrata é a favor de executar bebês após o nascimento e foi logo desmentido pela âncora Linsey Davis: “Não há estado neste país onde seja legal matar um bebê depois que ele nasce”.


 

Trump careta
Donald Trump fazendo careta ao reagir fala de Kamala Harris. Foto: Win Mcnamee/Getty Images/ via AFP

Imigração:

Trump se aproveitou da crise imigratória no país e trouxe o assunto como pauta-conforto do debate.  “Em Springfield (Ohio), eles (imigrantes) estão comendo os cachorros. Eles estão comendo os gatos. Comendo os pets das pessoas que moram lá”

A produção da ABC News entrou em contato com a Prefeitura de Springfield e confirmou que não haviam ocorrências de desaparecimento de animais, desmentindo o republicano mais uma vez. 

Harris se esquivou de questões que envolviam o assunto imigração, mas defendeu-se dos ataques de Trump. Alfinetou o candidato republicano ao chamar os comícios de campanha do ex-presidente de “entediantes”: “Você vai notar que as pessoas saem de seus comícios cedo por exaustão e por estarem entediados”, acrescentou. 

A democrata lembrou Trump dos crimes que ele está sendo acusado, como os de revolta, tentativa de fraude e pagamento a atriz pornô nas eleições de 2016. 

 

Conflitos Mundiais:

De forma simplista, Trump propunha resolver conflitos vigentes no mundo em seu mandato e disse que se estivesse no poder nos últimos anos, esses conflitos não teriam acontecido.

Harris se posicionou de forma favorável a Israel no conflito com a faixa de Gaza. Afirmou que, juntamente ao Presidente Biden, já trabalham em acordos de cessar-fogo. Ainda assim, acrescentou que o que acontece em Gaza é devastador. 

O ex-presidente declarou que sua oponente não apoiava Israel, no entanto Harris contestou dizendo que tal afirmação, além de falsa, era uma distração dos assuntos que realmente eram relevantes.

A democrata, por sua vez, acusou Trump de possuir amizade com os líderes da Rússia e Coreia do Norte e, se estivesse no poder, teria os ajudado.

Para a doutora em Ciência Política  e professora de Relações Internacionais na PUC-SP, Natália Nóbrega de Mello, Kamala Harris teve o melhor desempenho: “Em primeiro lugar, ela acabou parecendo mais presidenciável, transmitindo confiança, enquanto ele parecia uma pessoa instável. Em segundo lugar ela soube bem como explorar o gestual.” afirma.

Mello adiciona que Kamala foi  impositiva e conseguiu apresentar seus projetos e propostas de forma consistente, enquanto Trump baseou seu debate no medo dos imigrantes.
Apesar do bom desempenho,  a professora  pontua que não sabe se performance de Harris foi suficiente para ser decisiva neste embate eleitoral bem dividido.

 

Cantora repetiu histórico de escolha em candidato democrata e criticou Donald Trump.
por
Isabelli Albuquerque
Vitória Nascimento
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17/09/2024 - 12h

A cantora norte-americana Taylor Swift publicou nas redes sociais, na madrugada da última quarta-feira (11), um texto declarando apoio a Kamala Harris, candidata à presidência dos Estados Unidos pelo partido democrata. 

N/A
Para referenciar o termo "tia dos gatos" usado por J. D. Vance, Taylor Swift escolheu uma foto de seu ensaio para a TIME, quando se tornou a primeira cantora a ser nomeada "Pessoa do Ano" pela revista. FOTO: Reprodução/Instagram/@taylorswift

A publicação ocorreu após o fim do debate entre Harris e Donald Trump e recebeu cerca de 2 milhões de curtidas em apenas 1 hora. Swift também compartilhou com os seus 284 milhões de seguidores o site vote.gov que ensina aos usuários como se registrar para as votações que ocorrem em novembro. 

Segundo a Administração de Serviços Gerais (GSA), o link foi acessado por mais de 400 mil pessoas em menos de 24 horas.

"Estou votando em Kamala Harris porque ela luta pelos direitos e causas que acredito que precisam de uma guerreira para defendê-los", declarou a compositora. 

Na postagem ela relata que assistiu ao debate e ressaltou a importância de se manter informada sobre os candidatos à presidência e suas propostas. 

A cantora revelou que foi motivada a ser clara sobre sua posição política quando chegou ao seu conhecimento que Trump havia usado imagens geradas por inteligência artificial que mostravam a artista o apoiando. 

Nas fotos manipuladas compartilhadas pelo empresário americano, também havia imagens que mostravam que os fãs da cantora, denominados “swifties” também o endossavam. Como resposta os fãs organizaram o movimento “Swifties for Kamala” que conta com presença em diversas redes sociais, no Instagram a organização possui quase 60 mil seguidores. 

A organização apartidária Vote.gov compartilhou que desde que Swift divulgou o link para o site, 52 mil americanos se registraram e 144 mil verificaram os seus status de registro, os dados contam as ações realizadas entre quarta-feira (11) até as 14h de quinta-feira (12).

Através de um comunicado, Andrea Hailey, diretora executiva da organização disse que o impacto da cantora no engajamento dos eleitores é inegável "O importante a lembrar é que o trabalho de Taylor serve como um modelo que todos com uma plataforma podem usar para encorajar os americanos a participar do engajamento cívico."

A publicação da artista foi acompanhada por uma foto dela com um de seus gatos e o texto foi assinado como “Childless Cat Lady” (a versão americana de “tia dos gatos”) em referência às falas de J. D. Vance, vice-presidente de Trump, que chamou Harris e outras mulheres democratas de "um bando de tia dos gatos sem filhos que são infelizes com suas próprias vidas e escolhas e por isso querem tornar o resto do país miserável também", em vídeo publicado em 2021. 

Inspirados pela compositora, outras celebridades fizeram as suas próprias versões da publicação. A cantora Stevie Nicks compartilhou uma foto com seu cachorro e lembrou que faltavam apenas dois meses para as eleições. O texto da estrela pop foi curtido por outras celebridades como Lady Gaga, Oprah, Lupita Nyong’o, Reese Witherspoon e Jennifer Aniston.

Taylor Swift demonstrou empolgação com a escolha do governador de Minnesota Tim Walz para a vice-presidência e ressaltou as políticas de defesa dos direitos LGBTQ+, fertilização in vitro e os direitos das mulheres ao próprio corpo administradas por Walz durante os anos de mandato que fizeram de Minnesota um dos estados americanos com as leis mais defensivas e abertas para o acesso ao aborto. 

“Eu fiz minha pesquisa e fiz minha escolha. Sua pesquisa é toda sua para fazer, e a escolha é sua”, finalizou a estrela pop que lembrou que é preciso estar registrado para poder votar e incentivou as pessoas a votarem mais cedo, já que nas eleições americanas é possível enviar os votos de forma adiantada pelos correios. 

Durante o Video Music Award (VMA) que aconteceu em Nova Iorque, na noite de quarta-feira (11), a cantora, ao ganhar o prêmio mais importante da noite, o “Vídeo do Ano”, reforçou o pedido, uma vez que nos Estados Unidos votar é opcional “Se você tem mais de 18 anos, registre-se para votar em outra coisa importante - a eleição presidencial”.

O momento escolhido por Swift para a publicação permitiu respostas quase imediatas. Donald Trump, em entrevista ao programa “Fox and Friends” realizada após ao debate comentou a decisão da cantora: “Ela é uma pessoa muito liberal, ela sempre parece apoiar um democrata e provavelmente pagará o preço por isso no mercado”. 

Apesar da fala de Trump, as manifestações prévias da artista a candidatos democratas não a impediram de conseguir atingir estimados 1 bilhão de dólares com a sua atual turnê “The Eras Tour”, que volta em novembro com shows esgotados nos Estados Unidos e Canadá. 

“Eu sou incrivelmente grato a Taylor Swift, e eu digo isso como um dono de gato” confessou Tim Walz. O vice-presidente de Harris estava ao vivo no programa “MSNBC” quando a apresentadora Rachel Maddow leu a declaração de apoio recém-publicada, a qual Walz demonstrou empolgação durante a leitura. “Isso foi eloquente e claro, é o tipo de coragem que nós precisamos na América para nos levantarmos”, comentou.

Kamala Harris ainda não comentou o apoio de Swift a sua candidatura, mas saiu do debate presidencial ao som da música “The Man” da cantora. Uma hora depois do texto ter sido publicado nas redes sociais, Harris colocou à venda em seu site online pulseiras da amizade, que desde 2023 viraram símbolos para referenciar Taylor Swift. 

Na sexta-feira (13), o partido democrata divulgou um outdoor de Kamala Harris com alusão a atual turnê de Taylor Swift. O anúncio conta com uma imagem de Harris com a frase “Estamos na nossa era Kamala” e o link para o site I Will Vote que ensina os eleitores a como se registrarem e responde dúvidas sobre o processo de votação americano, o outdoor está disponível digitalmente e o partido democrata pretende exibi-lo na Times Square em Nova Iorque e em Las Vegas.

No mesmo dia, usando uma estratégia semelhante, Trump colocou à venda em seu site uma camiseta em referência a The Eras Tour, estampando a imagem do candidato com o mesmo design usado para os pôsteres de divulgação da turnê. 

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Swift não foi a primeira artista a ter sua imagem usada indevidamente por Trump. O empresário usou diversas músicas não autorizadas durante seus anúncios e comícios, artistas como Celine Dion, ABBA e Beyoncé criticaram o uso impróprio de suas músicas. FOTO: Divulgação/trumpstore.com

O posicionamento do ex-presidente americano acaba revelando um padrão de ataques à cantora. Apesar das críticas a outras celebridades que o desaprovaram durante sua carreira política, o empresário demonstrou um descontentamento maior com Taylor Swift do que com outras estrelas.

 

O Histórico Político de Swift

 

Desde o início de sua carreira Taylor manteve uma imagem de “garota ao lado”, sempre muito educada, respeitosa e simples, sem manifestar suas opiniões políticas. 

Nascida no estado da Pensilvânia, a cantora se mudou ainda muito nova para a cidade de Nashville no Tennessee, um estado extremamente conservador e republicano. 

Com raízes musicais no country, a artista confessou em uma entrevista realizada em 2019 pelo jornal britânico The Guardian que sempre foi aconselhada a não ser igual ao trio musical The Chicks, que recebeu ataques da mídia e do público após as integrantes se posicionarem contra a guerra do Iraque. “Eu assisti a música country apagar aquela vela. O grupo mais incrível que tínhamos, só porque elas falaram sobre política”, lamentou a cantora.

Mesmo com o medo de sofrer ataques similares aos que o trio recebeu, Swift decidiu se manifestar politicamente pela primeira vez em 2018, quando criticou em uma postagem do Instagram a candidata ao Senado Marsha Blackburn e declarou apoio ao democrata Phil Bredesen. Donald Trump, que era presidente na época, foi questionado por repórteres na Casa Branca o que achava do posicionamento da cantora: “Vamos dizer que eu gosto da música de Taylor cerca de 25% menos agora, ok?”, declarou o ex-presidente.  

No ano de 2020 Taylor Swift lançou seu documentário produzido pela Netflix intitulado “Miss Americana”, no longa - que foi gravado entre os anos de 2018 e 2019 - questões como inseguranças da artista, sua relação com a mídia e, principalmente, seu posicionamento político foram abordadas. A compositora declarou no documentário ser contra Donald Trump e o partido republicano, acrescentando que se sentia arrependida de não ter se manifestado contra o empresário durante as eleições presidenciais de 2016.

N/A
Para acompanhar o documentário, a cantora também lançou a música "Only The Young". Swift diz considerar a canção um hino para os jovens frustrados com a política. FOTO: Divulgação/Netflix

No mesmo ano de lançamento de “Miss Americana”, Trump começa sua campanha de reeleição à presidência, desta vez contra Joe Biden. A campanha foi marcada por falas sensacionalistas e preconceituosas vindas do então presidente, uma delas em relação aos protestos do movimento “Black Lives Matter” que aconteciam na cidade de Minneapolis, lugar onde George Floyd foi assassinado pelo policial Derek Chauvin. 

Em seu perfil no X - antigo “Twitter”, Trump escreveu que “quando o saque começar, o tiroteio começará”, o que rendeu uma resposta de Swift na mesma plataforma: “Depois de alimentar o fogo da supremacia branca e do racismo durante toda a sua presidência, você tem a coragem de simular superioridade moral antes de ameaçar violência? ‘Quando os saques começam, os tiros começam’? Nós vamos tirar você com o voto em novembro”, declarou a cantora, em seguida declarando apoio à Joe Biden. 

Em 2022, os Estados Unidos passou por um enorme retrocesso em relação aos direitos das mulheres, o caso “Roe x Wade” que garantiu o direito a um aborto seguro para mulheres no ano de 1973 foi revogado. A Suprema Corte decidiu a favor da proibição do aborto no Mississipi, fazendo com que outros estados pudessem implementar o mesmo. Diversas celebridades se manifestaram contra essa decisão em diversas plataformas e Taylor Swift foi uma delas. 

A estrela compartilhou uma carta aberta da ex-primeira dama Michelle Obama em seu perfil do X, acrescentando que se sentia “absolutamente apavorada que esse é o lugar em estamos”.

Desde então, a última vez que a cantora havia se manifestado politicamente foi em 2023, quando postou um link do site Vote.org em seu Instagram. A organização divulgou que graças a postagem de Swift, 35 mil pessoas se registraram para votar no tempo em que a publicação esteve no ar.