A circulação massiva de conteúdos manipulados por inteligência artificial amplia a desinformação, influencia a opinião pública e transforma o ambiente digital em uma extensão estratégica dos conflitos armados
por
João Pedro Beltrame, Lucas Leal
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25/03/2026 - 12h

Nas primeiras horas após o início dos bombardeios coordenados desde Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, no fim de fevereiro de 2026, cenas de Tel Aviv em chamas, caças F-35 abatidos no céu de Teerã e crateras gigantes em bases militares inundaram as redes sociais. Nenhum desses conteúdos era real. Todos haviam sido fabricados com ferramentas de inteligência artificial generativas (IAG) e compartilhados por milhares de pessoas sem a devida checagem dos fatos. A organização iraniana de verificação de fatos, Factnameh, integrante da Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN), classificou o conflito de 2024-2025 como a primeira guerra da IA, por ter sido o primeiro grande embate militar em que IAGs tiveram papel central na disputa por percepção pública. 

Antes desse período, a desinformação aparecia em formatos mais previsíveis. Agora, ela chega com rostos convincentes, vozes sintéticas e cenários de destruição que nunca aconteceram. A pesquisadora Rawan Damen, diretora-geral da Arab Reporters for Investigative Journalism, descreve o fenômeno com precisão. "Com a interrupção da internet no Irã e uma narrativa oficial rigidamente controlada nos países do Golfo, abriu-se um grave vácuo de notícias, que está sendo rapidamente preenchido por desinformação impulsionada por inteligência artificial.  É nesse vácuo que as fakes news encontram solo fértil para crescer", diz Damen.

Os efeitos desses vídeos não se restringem à confusão do público nas redes sociais. Para organismos internacionais, o fenômeno tem impacto direto sobre a segurança de civis. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirma que, em conflitos armados, a conectividade digital é simultaneamente vital e vulnerável. Ao mesmo tempo em que permite que civis encontrem rotas de fuga, hospitais e serviços essenciais, também amplia, em escala e velocidade inéditas, a circulação de conteúdos falsos ou manipulados.

“A desinformação pode ser compreendida como uma atualização da violência simbólica. "Hoje, mesmo com maior disponibilidade de câmeras e redes de informação, conseguir distorcer a realidade é um poder absurdo.” afirma Artur Ferreira, jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, pela PUC-SP, sobre esses esses acontecimentos que fazem parte de um novo tipo de violência simbólica.

“É o desejo dos criadores desses conteúdos falsos de querer influenciar decisões militares, mas é difícil mensurar o quanto isso realmente impacta, seja por barreiras como o sigilo de Estado. Eles podem contribuir para um plano de fundo que futuramente vire algo catastrófico ", comentou sobre as postagens fakes.

Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital
Artur Ferreira, jornalista e mestre pela PUC-SP em tecnologias da Inteligência e Design Digital

Ferreira afirmou que não é uma tarefa simples quantificar o impacto direto dessas práticas. Elas contribuem para a formação de opinião popular que sustentam visões distorcidas da realidade, já que a opinião pública está construída diretamente ao consumo de informação. “E influenciar nossa percepção de mundo é o objetivo central desses grupos”, explicou Ferreira. 

As postagens falsas nas redes sociais, além de atenderem a interesses políticos, também funcionam como uma forma de gerar lucro. Conteúdos sobre guerras, com imagens catastróficas produzidas por IA, geram grande repercussão e acabam sendo monetizados devido ao alto engajamento, impulsionado por usuários que questionam se o material é real. As plataformas também tendem a lucrar com a circulação desses conteúdos virais. Despertam a curiosidade do público, levando muitas pessoas a recorrerem às redes sociais para tentar entender o conflito ou compartilhar informações. No entanto, esse movimento também contribui para a disseminação de conteúdos falsos ou imprecisos.

Imagens geradas por inteligência artificial— (fonte: BBC News)
Imagens de Tel Aviv em chamas gerada por IA — fonte: BBC News 

Esse vídeo, sem origem definida, foi repostado pelo portal Globe Eye News na plataforma X com milhares de visualizações e compartilhamentos em diferentes redes sociais. O post foi questionado por alguns usuários, que chegaram a perguntar ao chatbot de IA do X, o Grok, para perguntar se o vídeo era real ou falso. O chatbot insistiu com a resposta de que o vídeo gerado com IA era real. O post foi excluído posteriormente. 

A rede social, X, possui as notas da comunidade como ferramenta de colaboração, que permitem aos usuários ajudar a dar informações corretas em um post potencialmente falso. A nota só será exibida no post se um número suficiente de colaboradores concordarem que ela é útil.

 

Apesar de ações encabeçadas por Reino Unido, França e Alemanha, posição defensiva segue como empecilho a Trump e Netanyahu
por
Vítor Nhoatto
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25/03/2026 - 12h

No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel deram início à operação “Fúria Épica”, bombardeando o Irã e matando o seu líder teocrático, Ali Khamenei. Desde então, a tensão no Oriente Médio só aumentou, com desdobramentos em países como Líbano, Iraque e Arábia Saudita, o que preocupa o mundo e principalmente líderes europeus.

As consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia ainda perturbam a União Europeia, devido a proximidade geográfica e a crise no abastecimento de gás e óleo russo por exemplo. Israel e Palestina mais recentemente abalaram ainda mais a área de defesa, que recebeu um aumento de 98% nos gastos de 2024 para 2025, chegando a €392 bilhões segundo a Agência Europeia de Defesa (EDA).

Nesse sentido, as principais potências militares do bloco têm seguido uma linha cuidadosa e estratégica em relação à mais nova zona de guerra no Oriente. 

O primeiro líder  recebido no salão oval após o início do conflito foi Friedrich Merz, chanceler alemão, no dia 3 de março. No encontro com Donald Trump ele alegou que “estava na mesma página” em relação às intenções de “libertar” o Irã do regime teocrático que a Casa Branca defende derrubar. 

Em 1979 o país passou pela chamada Revolução Iraniana, que acabou com a monarquia imperialista na época. O levante popular foi celebrado e instituiu o islamismo como base politica, mas logo passou a ser visto como antidemocrático e prejudicial à influência do Ocidente na região. Disputas principalmente com a Arábia Saudita, aliado histórico dos Estados Unidos, pelo controle dos recursos dos países vizinhos vem causando tensões constantes. 

Alemanha

Justamente tais instabilidades preocupam o democrata Merz, que destacou ainda que o conflito “é muito prejudicial à economia, e que espera um fim o quanto antes possível”, se limitando a defender suas bases militares e aliados, e não contra-atacar ou retaliar o Irã, como solicitado pelos EUA. 

Para apaziguar os ânimos, a reunião seguiu para o aumento nos gastos com segurança que o bloco tem feito, aplaudidos pelo líder estadunidense. Alemanha e França representaram quase 50% dos €392 bilhões que o bloco injetou no último ano. 

No entanto, essa divergência na política internacional não é recente, e vem desagradando os europeus. Durante a Conferência para Segurança realizada anualmente em Munique, o chanceler criticou o temperamento imprevisível de Trump. “Uma profunda divisão se abriu entre a Europa e os Estados Unidos [...] nossa segurança não está mais garantida e a Europa precisa estar preparada para fazer sacrifícios”, defendeu Merz.

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Vice-presidente dos EUA, JD Vance, cumprimentou Merz e participou do encontro no salão oval no dia 3 de março com Trump - Foto: The White House  / Divulgação

O clima de hostilidade se intensificou principalmente após as ameaças dos Estados Unidos de anexar a Gronelândia em janeiro. A região autônoma sob defesa da Dinamarca, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), foi interpretado como um ataque inesperado a um aliado, em que Trump alegou que até estaria disposto a usar a força em um primeiro momento para conquistar o controle do território 

Mais tarde na Suíça, durante o Fórum Econômico de Davos, Trump voltou atrás declarando que o uso da força não estava mais em cogitação. Mesmo assim, a confiança parece ter sido quebrada, e aliados históricos seguem criticando a política estadunidense e defendendo uma emancipação europeia no âmbito de defesa. 

França

O presidente francês Emmanuel Macron em 2 de março, dois dias após o início da guerra com o Irã, anunciou um plano francês de investimento massivo em defesa nuclear. “O que eu mais quero, como vocês já devem ter percebido, é que os europeus retomem o controle do seu próprio destino”, afirmou durante evento na base de submarinos nuclear “Ile Longue”.

Porém, além de demonstrar as articulações políticas visando as eleições presidenciais no país no ano que vem, a medida reforça o recado à Casa Branca. A tática de se armar nuclearmente é uma estratégia antiga de dissuasão, que visa prevenir conflitos ao demonstrar alto poder de defesa e ataque. Não à toa, o pronunciamento direto em relação ao Irã veio em seguida no dia seguinte. 

Em pronunciamento após ataque às bases militares inglesas no Chipre, Macron anunciou que estava se envolvendo no conflito “estritamente com uma postura de auto defesa e apoio à seus aliados”. Além de não autorizar o uso de suas bases pelos EUA e Israel atacarem o Irã, ele defendeu que os ataques “foram realizados fora do quadro do direito internacional, o que não podemos aprovar”. 

Na ocasião, foi anunciado que o porta-aviões Charles de Gaulle foi para a costa do Mediterrâneo em sinal de defesa e apoio ao Chipre, membro da União Europeia, e aliados históricos no Golfo. Alguns exemplos são o Catar, com quem tem desde 1994 um acordo bilateral de cooperação de defesa, e os Emirados Árabes Unidos, com medida parecida assinada em 1995.  

O líder francês pediu por um cessar-fogo também, caso contrário, levaria ao que ele categorizou como uma “escalada perigosa e um erro estratégico” dos Estados Unidos. 

Reino Unido

Nessa mesma linha, o Reino Unido chateou o presidente americano, como ele mesmo alegou em coletiva de imprensa. Durante o mesmo evento com o chanceler alemão, Trump lamentou não estar trabalhando com Winston Churchill, em referência ao apoio militar e ataques que o então primeiro-ministro inglês ordenou durante a segunda guerra mundial.

A declaração veio em relação ao “não” do atual líder britânico, Keir Starmer, ao pedido de Trump para usar a base militar na ilha de Diego Garcia para atacar o Irã e aliados mesmo antes da guerra, em 20 de fevereiro.

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“É meu dever julgar o que é do interesse nacional da Grã-Bretanha”, destacou Starmer ao parlamento britânico ao optar por não se envolver diretamente na guerra - Foto: UK Parliament / Reprodução

Em 2 de março, após o episódio mencionado com o Chipre, a autorização foi exclusiva para uso defensivo, proibindo o lançamento de mísseis para ataque.  

De lá para cá as tensões entre os aliados históricos se mantiveram altas, com Starmer declarando em uma sessão no parlamento britânico que ele: “não estava disposto a fazer no sábado (28 de fevereiro) o Reino Unido entrar em guerra, a menos que eu estivesse convencido de que havia uma base legal e um plano viável e bem elaborado”. 

Mesmo não fazendo mais parte da União Europeia (UE) desde 2016 com o Brexit, o Reino Unido tem se mostrado disposto a uma aproximação e cooperação maior com a Europa, em resposta à política dos EUA. São exemplos o suporte à Ucrânia em acordo à visão da UE, e a intenção de Macron em estreitar laços com o Reino Unido com seu plano nuclear de defesa.

Espanha

Ainda no salão oval com o líder alemão, a península ibérica foi o último ataque direto de Trump. Com uma linha ainda mais dura que as alegações direcionadas a Starmer, o presidente alegou que “cortaria as relações com a Espanha, um parceiro terrível, e que se quisesse poderia usar as bases espanholas”. 

Com isso, a resposta do primeiro-ministro Pedro Sanchez foi rápida e concisa: “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: não à guerra”. 

No comunicado à imprensa com o objetivo de reafirmar o lado que o país escolhia, Sanchez classificou os ataques americanos-israelenses, e a guerra como um todo, como ilegais e desumanos. Ele se solidarizou aos países atacados como forma de retaliação pelo Irã, reforçando que não apoia o regime do país, mas que escolhia o lado da lei internacional e da paz acima de tudo.

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Protestos contra a guerra no Irã aconteceram na Espanha no último dia 14 em cidades como Sevilha e a capital Madrid - Foto: Greenpeace España / Divulgação

A expressão “não à guerra” foi escolhida por fazer alusão aos protestos internacionais contra o que ele classificou como “erro do passado”, a Guerra do Iraque em 2003. Na época o presidente George W. Bush, atacou o país sob a alegação de desenvolvimento de  armas de destruição em massa por Saddam Hussein.

Dois anos antes, o ataque de 11 de setembro assombrava a segurança dos EUA, mas constatou-se que o Iraque não tinha as armas usadas como pretexto, e que o interesse era nas reservas de petróleo do país. Em 2011 após milhares de protestos pelo mundo as tropas foram retiradas do território iraquiano, com um saldo de milhões de mortos, um cenário político violento e longe da democracia que Bush prometeu instaurar.  

Tudo isso para Sánchez deveria ser uma lição em relação ao Irã hoje, se mantendo firme na posição de ser contra esse “desastre” como enfatizou, exigindo um cessar-fogo.

Próximos passos

Próximo de completar um mês da guerra e novo líder no Irã, um acordo de paz segue fora do tabuleiro, pelo menos do lado de lá. O governo alemão endureceu o tom na quarta (18): "Washington não nos consultou e não considerou necessária a assistência europeia [...] Enquanto a guerra continuar, não participaremos dela", defendeu Merz no Bundestag, o parlamento alemão.

O chanceler fazia referência ao pedido de Trump por ajuda da OTAN para manter o Estreito de Ormuz aberto, fechado desde o início do conflito. Pela passagem passam muitos navios de produtos e principalmente petróleo, que apresenta mais de 40% de aumento no preço do barril do tipo Brent desde final de fevereiro, segundo a Business Inside. 

Na mesma linha, o presidente francês declarou que defender a lei internacional e promover a desescalada é o melhor caminho. “Não ouvi ninguém aqui expressar a vontade de entrar nesse conflito, muito pelo contrário”, enfatizou na Cúpula da UE realizada em Bruxelas no último dia 20.

Durante o evento, Ursula Von der Leyen, presidente do bloco, reforçou a necessidade de um cessar-fogo no conflito “extremamente perigoso para além da região”, além da proteção de civis e infraestrutura. Seu posicionamento continua na defesa e solidariedade aos aliados no Golfo, especialmente o Chipre, e que uma crise energética pode ocorrer se a guerra persistir.

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“É de extrema importância que se chegue a uma solução negociada para pôr fim às hostilidades”, voltou a defender Leyen no último dia 24 - Foto: The European Commission / Divulgação

Sobre essa preocupação, o primeiro-ministro inglês anunciou no dia 21 que os EUA poderiam usar as bases do país também para atacar, se distanciando dos parceiros europeus. Starmer defendeu que o foco se mantém defensivo, no entanto, caracterizando os bombardeios agora autorizados de suas instalações como auto-defesa, mirando alvos iranianos no Estreito de Ormuz. 

Na península ibérica, Sanchez ordenou na segunda-feira (23), através de suas redes sociais, que o estreito seja reaberto também, e a infraestrutura da região preservada. Por lá passam cerca de 20 milhões de barris por dia, um quinto do total, causando a maior interrupção de fornecimento do mundo segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). 

“Uma escalada ainda maior poderia desencadear uma crise energética de longo prazo para toda a humanidade”, defende o primeiro-ministro espanhol após lembrar o preço em vidas de uma guerra.
 

O país alega “divergências profundas”, mas pode enfrentar isolamento financeiro e científico
por
Anna Cândida Xavier
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23/03/2026 - 12h

Nesta terça-feira (17), o governo de Javier Milei formalizou a saída da Argentina da Organização Mundial de Saúde (OMS). A decisão havia sido anunciada em 5 de fevereiro de 2025, seguindo os passos dos Estados Unidos, que se retiraram da organização logo após a posse de Donald Trump. 

Milei fala em palanque
Presidente da Argentina busca soberania nacional ao sair da OMS. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

A saída do país da OMS foi anunciada pelo porta-voz da Casa Rosada, Manuel Adorni. O governo argentino afirmou que a decisão tem como objetivo “ordenar, atualizar e tornar mais transparentes estruturas e processos que, por anos, funcionaram com sobreposições, normas obsoletas e escassa supervisão”. 

De acordo com o jornal argentino "La Nación", o argumento oficial utilizado pelo governo argentino em fevereiro de 2025 foi o custo de ser membro do organismo, estimado em cerca de US$ 10 milhões por ano (cerca de R$ 58 milhões). Além disso, acrescentaram que é preciso considerar os gastos com salário, diárias e assessores do representante argentino na entidade.

A decisão também foi justificada pelo governo como uma resposta às “profundas divergências” com a OMS durante a gestão da pandemia de Covid-19 – declaração alinhada à da Casa Branca. O governo argentino alega que “as recomendações da OMS são ineficazes porque não são baseadas na ciência, mas em interesses políticos e estruturas burocráticas que resistem a revisar seus próprios erros”. Em 2025, no X, o presidente Javier Milei classificou a agência como “nefasta e o braço executor daquela que foi a maior experiência de controle social da história”. 

 

Declaração de Milei no X
Foto: Reprodução/@JMilei

Após a saída formal da Argentina, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que “a segurança sanitária exige universalidade” e que a decisão do governo Milei é prejudicial “tanto para a Argentina quanto para o resto do mundo”. Deixar a OMS pode elevar os custos para o acesso a vacinas e tratamentos, além de deixar o país mais vulnerável a crises de saúde sem o apoio técnico e financeiro da organização.

No entanto, o chanceler Pablo Quirino, em postagem no X afirmou que “a Argentina continuará a promover a cooperação internacional em saúde por meio de acordos bilaterais e fóruns regionais, preservando plenamente sua soberania e sua capacidade de tomar decisões sobre políticas de saúde”. A Argentina continua sendo membro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), porém, Tedros deixou claro que as divergências do país com a OMS impactam sua relação com a OPAS. 

Declaração de Pablo Quirno no X
Foto: Reprodução/@pabloquirno

A Organização Mundial de Saúde, fundada em 1948, é responsável por coordenar esforços internacionais em saúde pública. Conta com 194 países membros e tem como missão promover a saúde e coordenar respostas a emergências globais de saúde. 

Um relatório do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas), principal instrumento de pesquisas científicas da Argentina, indica que a saída também poderá isolar o país da comunidade científica.

Essa postura da Argentina se alinha à decisão dos Estados Unidos, que também anunciou sua saída da organização no início de 2025. Mas, diferente dos EUA, a Argentina depende de colaboração internacional para seus programas de saúde.

Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois.
Trump recebeu Milei na Casa Branca em outubro de 2025, reforçando a aliança entre os dois. Fonte: Reprodução/@javiermilei

 

Ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, afirma que ataques inviabilizam a ida da seleção ao Mundial
por
Victória Miranda
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17/03/2026 - 12h

A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 está por um fio. Em uma declaração concedida à TV Estatal do país, na última quarta-feira (11), o Ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, afirmou que o país não possui condições de participar do torneio devido ao conflito militar contra os Estados Unidos e Israel.“Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há circunstâncias em que possamos participar da Copa do Mundo”, disse Donyamali.

Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball
Seleção iraniana foi a terceira a se classificar para a Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball

O anúncio ocorre em um dos momentos mais instáveis da história recente do Oriente Médio. O Irã sofre bombardeios desde o dia 28 de fevereiro, iniciados pelos governos estadunidenses e israelenses com o objetivo de acabar com o programa nuclear do país e enfraquecer o regime teocrata xiita. Ofensiva que resultou na morte do líder supremo, Ali Khamenei.

Na quinta-feira (12), seu sucessor e filho, Mojtaba Khamenei, se pronunciou pela primeira vez como o novo Aiatolá. No discurso, ele lamentou a morte do pai e antecessor, pediu para países vizinhos fecharem bases americanas em seus territórios e que a população se mantenha unida e prometeu vingança pelos mortos na guerra.

No mesmo dia, o presidente estadunidense, Donald Trump, postou um comunicado em uma rede social, dizendo que a seleção do Oriente Médio será bem-vinda, mas aconselhou a equipe a não participar.

“A seleção iraniana de futebol é bem-vinda à Copa do Mundo, mas realmente não acredito que seja apropriado que estejam lá, para a própria segurança deles. Obrigado pela atenção neste assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”, escreveu o líder na rede "Truth".

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Declaração oficial de Trump. Foto: Reprodução/@realDonaldTrump

Em resposta à declaração de Trump, a seleção iraniana rebateu e disse que ninguém pode retirá-los da competição, já que se classificaram legitimamente."A Copa do Mundo é um evento histórico e internacional e seu órgão regulador é a Fifa – não qualquer indivíduo ou país. A seleção nacional do Irã, com sua força e uma série de vitórias decisivas conquistadas pelos bravos filhos do Irã, esteve entre as primeiras equipes a se classificar para este grande torneio. Certamente, ninguém pode excluir a seleção nacional do Irã da Copa do Mundo; o único país que poderia ser excluído é aquele que ostenta apenas o título de "anfitrião", mas não tem capacidade para garantir a segurança das equipes participantes deste evento global", disse o comunicado publicado no perfil oficial da seleção iraniana.

Classificação para a Copa do Mundo

O país garantiu vaga em sua quarta Copa do Mundo consecutiva após terminar na liderança isolada do Grupo A da terceira fase das Eliminatórias Asiáticas no ano passado. Após os sorteios dos jogos da competição, ele está no Grupo G com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Os três jogos estão previstos para acontecer justamente nos EUA, com duas partidas em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã (cerca de 200 mil), e uma em Seattle.

O que acontece agora?

A Copa do Mundo da Fifa será disputada entre os dias 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Caso a saída da seleção iraniana seja confirmada oficialmente, a Fifa decidirá o que deve ser feito.

Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay
Há menos de 90 dias do campeonato mundial, a participação do Irã é incerta. Foto: Pixabay

 

Segundo o artigo 6.7 do regulamento da competição, caso alguma das equipes for retirada ou excluída da Copa do Mundo Fifa 26, a Fifa pode substituir o time em questão por outra associação. Sendo assim, uma alternativa seria manter o Grupo G com apenas três seleções, o que reduziria o número de jogos e mexeria com o calendário do torneio.

Outra possibilidade seria substituir o Irã por uma seleção vinda da repescagem intercontinental e abrir uma vaga extra no mata-mata classificatório. Nova Caledônia, Jamaica, Bolívia, Suriname, Congo e Iraque disputam duas vagas, e uma terceira equipe poderia herdar o lugar no Mundial. Uma terceira opção é o Iraque ficar com a vaga do Irã, e os Emirados Árabes Unidos herdarem a vaga asiática na repescagem. 

De acordo com as regras da FIFA, o país desistente pode ser punido com uma multa de pelo menos 250 mil francos suíços (aproximadamente R$ 1,6 milhão) caso abandone o torneio em até 30 dias antes do início. 

Se a desistência for oficializada a menos de 30 dias da estreia, o valor sobe para 500 mil francos suíços (R$ 3,2 milhões). O regulamento prevê ainda que a federação deverá reembolsar todos os valores recebidos para a preparação da equipe e contribuições relacionadas ao torneio. 

Além do prejuízo financeiro, o Comitê Disciplinar da FIFA pode aplicar sanções severas, como a exclusão de competições subsequentes da entidade. No entanto, o artigo 6.3 ressalta que, caso o abandono seja provocado por “casos de força maior reconhecidos pela FIFA” — como o atual cenário de guerra e ataques sofridos pelo país —, existe a possibilidade da seleção iraniana se livrar das punições.

Até o momento, a FIFA não se pronunciou sobre a possível desistência. Já o secretário geral da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Windsor Paul John, afirmou na manhã desta segunda-feira (16), em entrevista coletiva na sede da Confederação em Kuala Lumpur, Malásia, que a seleção iraniana ainda planeja continuar na competição.

O secretário também destacou o desejo de ver a seleção em campo: "Esperamos que resolvam seus problemas e que possam participar da Copa do Mundo”.

Filósofo morre aos 96 anos e deixa um importante legado para a humanidade
por
Amanda Lemos
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16/03/2026 - 12h

Jürgen Habermas faleceu neste sábado (14) aos 96 anos em Starnberg, Alemanha, com causa da morte ainda não divulgada. Nascido em Düsseldorf, Alemanha, em 18 de junho de 1929, foi um filósofo e sociólogo, participante da tradição da teoria crítica e do pragmatismo. Ele foi membro da segunda geração da Escola de Frankfurt.

Habermas teve e ainda tem uma grande influência na Alemanha, principalmente na filosofia, na política e no modo como o país pensa a democracia e o espaço público no pós-guerra. Ele surge em 1962 com a publicação de sua primeira obra, “Mudança Estrutural da Esfera Pública”, onde defende espaços de diálogo sem controle estatal em um momento em que a Alemanha precisava refletir sobre o nazismo, reconstruir sua democracia e lidar com a culpa histórica, o autoritarismo e o silêncio social.

O filósofo influenciou debates políticos, universidades, imprensa e a formação da cidadania alemã com a ideia de que “A democracia só funciona de verdade quando as pessoas podem debater livremente em um espaço público aberto, crítico e racional.” O conceito de esfera pública, um espaço social de debate que ele criou e pregava, virou base para pensar a mídia, a opinião pública e a participação política. 

Habermas teve papel intelectual direto em debates nacionais sobre a constituição alemã e os direitos humanos. Ele defendia uma Alemanha democrática, constitucional e baseada no diálogo, não na força. O filósofo pregava que o país não podia esquecer o nazismo e defendeu a memória histórica crítica, impactando em políticas educacionais e debates públicos sobre culpa e responsabilidade coletiva. 

Na Alemanha atual ele ainda é referência em filosofia política, símbolo de intelectual público e citado em debates sobre democracia, mídia e extremismo. 

 

Fotografia em close-up de Jürgen Habermas, um homem idoso com cabelos brancos curtos e óculos de grau de armação fina. Ele veste um paletó de tweed marrom sobre uma camisa branca e gravata xadrez. Ele está com a mão direita levemente levantada em um gesto expressivo, como se estivesse explicando um conceito. O fundo está desfocado, sugerindo um ambiente de biblioteca ou escritório com estantes de livros.
Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do século XX e início do século XXI, da escola de Frankfurt - Foto: Instituto Humanitas Unisinos 

 

Habermas começou a focar nos estudos da comunicação em 1970. Para ele, a democracia depende de uma esfera pública forte, baseada na ação comunicativa, onde cidadãos livres discutem racionalmente os assuntos coletivos e constroem consensos legítimos. Ele defendia que comunicar é agir socialmente. Para ele, vai além da simples transmissão de mensagens, é a base da democracia, da política e da vida social.

Lançou cerca de 50 livros ao longo de sua carreira. Os mais importantes foram “Mudança Estrutural da Esfera Pública” (1962), “Teoria do Agir Comunicativo” (1981) e “Direito e Democracia” (1992). Seu último livro foi “Mais uma vez: Sobre a Europa”, lançado em 2019. 

 

 

Ao lado de seu vice J.D. Vance, o republicano reafirma alguns de seus planos de governo
por
Gustavo Oliveira de Souza
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07/11/2024 - 12h
Foto de Donald Trump
Trump durante discurso. Foto: BRENDAN MCDERMID

Na manhã da última quarta-feira (6), na Flórida, o agora reeleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez discurso de vitória para seus apoiadores. Juntamente com J.D. Vance, vice-presidente republicano, Trump promove posicionamento combativo e promete mudanças no país. 

Já no início da fala, Trump afirma que o país está “doente” e precisa de cura, colocando as fronteiras como parte do processo. Durante toda a fala, ele agradece os apoiadores e ressalta que foi eleito pelo povo. 

O republicano afirma que “este será verdadeiramente o auge dourado da América”. A frase foi celebrada por todos que estavam presentes no local, incluindo J.D. Vance e Dana White, empresário e dono do UFC, que também estavam no palanque. 

Trump aproveitou para atacar os veículos televisivos, ao se referir à Vance. “Ele é um cara destemido. Ele foi para o campo inimigo, certas redes, como CNN, NBC. Ele é o único que fica ansioso e depois vai e os destrói”. 

Outro citado por Donald Trump foi o empresário Elon Musk. Ele citou conversas entre os dois, além de uma visita dele à sede da Starlink. Afirmou que Musk é “gênio”, e que vai trabalhar em conjunto com o empresário em seu governo. 

Trump alfineta Arábia Saudita e Rússia. Disse que os Estados Unidos têm mais outro líquido, petróleo e gás do que o resto do mundo, incluindo os sauditas e os russos. Além deles, a China também foi alvo do republicano, que promete  reduzir os impostos e declarou que os Estados Unidos possuem poderes que os outros países não possuem. “A China não tem o que nós temos, ninguém tem o que nós temos. Temos as melhores pessoas também, isso é o mais importante.” Evidenciando o desejo pela hegemonia americana que pregou em seu último mandato e durante a campanha. 

Donald Trump terminou sua declaração agradecendo novamente os apoiadores e prometeu um futuro “maior, melhor, mais audacioso, mais rico, mais seguro e mais forte do que nunca antes.”

 

Donald Trump e Kamala Harris fazem seus últimos discursos uma semana antes das eleições estadunidenses.
por
Manuela Schenk Scussiato
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02/11/2024 - 12h

Nos dias 27 e 28 de outubro, Donald Trump e Kamala Harris, postulantes à Casa Branca pelos partidos Republicano e Democrata, fizeram seus discursos finais para as eleições nacionais que ocorrerão no dia 5 de novembro.

 

Donald Trump

O comício de Donald Trump ocorreu no Madison Square Garden, em Nova Iorque, alcançando a lotação máxima do local de 20 mil pessoas. A escolha do local foi inusitada pois, com todas as comparações ao fascismo em suas falas, Trump escolheu justamente o local do famoso comício de apoio ao nazismo em 1939.

Donald Trump em seu discurso no Madison Square Garden. Foto: Angela Weiss/AFP
Donald Trump em seu discurso no Madison Square Garden.
Foto: Angela Weiss/AFP

Discursos feitos por Trump e seus convidados deram um show de preconceito, trazendo falas direcionadas ao marido de Kamala Harris, chamando-o de “judeu de quinta categoria”. A própria vice-presidente sofreu injúrias como: “burra”, “prostituta”, “demônio” e “anticristo”. Além de se direcionar aos eleitores democratas como: “um bando de degenerados”. O último convidado da noite, o comediante Tony Hinchcliffe, em sua fala, chamou o território porto-riquenho de “uma grande ilha de lixo” e completou dizendo que os imigrantes não seriam uma quantidade tão expressiva se soubessem usar contraceptivos.

Trabalhadores próximos ao ex-presidente revelaram para a imprensa após o comício que Trump demonstra interesse em se livrar de Porto Rico, território estadunidense, caso seja eleito. O mesmo já perguntou se seria possível se livrar da ilha, ou trocá-la pela Groenlândia, já que lá não tem “moradores sujos e pobres”, nas palavras do concorrente a Casa Branca.

Mas se engana quem pensa que os absurdos acabam pelos convidados. Donald Trump subiu ao palco para realizar o que está sendo chamado de “O argumento final mais extremo da história moderna”. O discurso foi repleto de mentiras, injúrias e exageros, com muitas falas baseadas no racismo, machismo e seus ideais anti-imigratórios.

Trump trouxe um discurso muito comum entre líderes de extrema-direita ao sugerir que os imigrantes, principalmente os latino-americanos, são culpados pelas frustrações econômicas que os americanos vêm passando durante o governo Biden, ele afirma que a população estava melhor na economia de seu governo e que os imigrantes são os maiores culpados disso. Falas nesse sentido foram comparadas aos discursos de políticos como Hitler e Mussolini nos anos 40 por vários eleitores democratas incluindo Tim Walz, candidato à vice-presidência pela chapa de Kamala Harris.

Com mais polêmica, Trump continua suas falas anti-imigratórias. Segundo ele, a mistura do sangue do imigrante com o sangue americano é um perigo para a raça americana. Além de trazer falas anti-democráticas como: “Essa vai ser a última vez que a América precisa votar em mim”.

Trump foi extremamente criticado internacionalmente pelo discurso durante o comício, mas isso não afetou suas chances de vitória por enquanto.



Kamala Harris

O discurso final de Kamala Harris, um dia após o de Trump, foi realizado no Ellipse, parque ao sul da Casa Branca, o local trouxe 40 mil pessoas para ouvirem o discurso da vice-presidente, o dobro do que ouviu Trump no dia anterior. Sua fala focou na sua promessa de que, caso ganhe a disputa, seu governo trabalhará contra o extremismo que as ideologias de Donald Trump instalaram no país. No atual cenário, onde ambos os candidatos estão empatados tecnicamente, Kamala se dirigiu àqueles indecisos ou com pouca vontade de votar até terça-feira.

Kamala Harris durante seu argumento final no parque Ellipse. Foto: Bonnie Cash/UPI
Kamala Harris durante seu argumento final no parque Ellipse.
Foto: Bonnie Cash/UPI

A primeira crítica da candidata a seu oponente foi que Trump está muito focado em sua “lista de inimigos” enquanto ela trabalha em sua “lista de tarefas”. Kamala também relembra que, há quatro anos, Trump esteve no mesmo local que ela para incentivar a população a invadir o Capitólio no famoso 6 de janeiro de 2021. Ela também se posicionou contra as falas de seu concorrente sobre os imigrantes latinos, em especial a população porto-riquenha.

“Donald Trump pretende usar o exército dos Estados Unidos contra os cidadãos americanos que simplesmente discordam dele. Pessoas que ele chama de ‘o inimigo de dentro’. Este não é o melhor candidato à presidência que está pensando em como tornar sua vida melhor”, disse a vice-presidente. “Este é alguém instável, obcecado por vingança, consumido por queixas e em busca de poder descontrolado”.

Sobre suas próprias propostas, Harris falou sobre expandir o MediCare para a cobertura de assistência médica a domicílio, e apoiar os direitos reprodutivos das mulheres. A democrata também reforçou que acabar com a guerra em Gaza será parte crucial de seu governo.

Ela reforçou que fará uma reforma no sistema migratório do país, dizendo que “não há motivo para trabalhar a imigração como um problema para assustar o eleitor”. Ela ainda pretende ser severa em relação a imigração ilegal, pressionar os cartéis e dar apoio a patrulha fronteireira, mas afirmou que vai proteger os imigrantes legais em território estadunidense.

Conheça o vice do candidato republicano Donald Trump
por
Gustavo Oliveira de Souza
|
31/10/2024 - 12h
Foto de J.D Vance
J.D Vance discursando em Charlotte. Foto: Melissa Melvin-Rodriguez

Nascido em Ohio, James David Vance é senador júnior do estado, eleito em 2023. Filho de Beverly Carol (1961) e Donald Ray Bowman (1959 - 2023), J.D é bacharel em Ciências Políticas e Filosofia formado pela Ohio State University em 2007, e atuou em um escritório de direito por dois anos. 

Relação com o empresariado americano 

A carreira política começou há alguns anos, após ter fundado a Our Ohio Renewal, em 2017. Segundo o próprio candidato, o instituto tinha o intuito de “tornar mais fácil para as crianças carentes realizarem seus sonhos”. Mas ele negava que tivesse algum intuito político. 

Entretanto, uma matéria publicada pelo New York Times em 2022 revelou que a instituição estava apenas focada em trabalhar para a campanha de Vance. O jornal ainda analisou documentos do instituto e descobriu que Vance mentiu sobre o dinheiro arrecadado e o classificou como “organização de bem-estar social” para o governo americano, apenas como forma de trabalhar para a sua campanha eleitoral. Ao todo, o projeto arrecadou 200.000 dólares e terminou oficialmente em 2021. 

Desde que se tornou um potencial político, Vance foi apoiado por grandes empresários de Ohio. Em 2018, considerou concorrer ao senado contra o candidato democrata Sherrod Brown, mas desistiu.
 

Carreira política

Em março de 2021, Peter Thiel, cofundador do PayPal, doou 10 milhões de dólares para o comitê de J.D, chamado de Protect Ohio Values. Além dele, o cientista de dados Robert Mercer também doou uma quantia que não foi revelada. No dia 1° de julho daquele mesmo ano, o republicano anunciou sua candidatura para o Senado de seu estado. 

Durante o período eleitoral, ele derrotou Josh Mandel e Matt Dolan nas eleições primárias e nas eleições gerais, bateu o candidato democrata Tim Ryan, com 53% dos votos totais. No dia 3 de janeiro de 2023, J. D Vance tomou posse como membro do 118° Congresso dos Estados Unidos. 

Uma pesquisa feita em julho deste ano mostrou que Vance fez 45 discursos no Senado e participou de 57 projetos de lei, sendo nenhum deles aprovado pelo Senado. Além disso, foi co-participante de 288 outros projetos de lei, e dois deles foram aprovados pelo Senado, mas logo foram barrados pelo presidente Biden. 

Em junho de 2023, James votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal de 2023, que proibiu o aumento do teto de gastos do país. Em julho daquele ano, o senador apresentou um projeto que penalizava qualquer um que participasse do fornecimento de cuidados de gênero para menores de idade. O projeto tornaria o cuidado de afirmação de gênero um crime federal, com pena de até 12 anos de prisão. No último dia 15 de julho, J.D foi anunciado por Trump como vice do candidato, após ter apoiado o candidato à presidência  nas eleições primárias. 

Por sua posição política, J.D Vance é descrito como conservador. Além de ser contrário ao aborto, ele se posiciona contra o casamento homoafetivo e ao controle de armas. Em algumas oportunidades, afirmou que a ausência de filhos em adultos está ligada à sociopatia e classificou as universidades como “inimigas”. 


 

 

Bilionário tenta voltar ao comando da Casa Branca pelo Partido Republicano
por
Octávio Alves
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30/10/2024 - 12h

Muito antes de ser presidente e fazer suas falas polêmicas, Donald John Trump já era conhecido no cenário nacional americano como o bilionário mais excêntrico do país. Ele teve três esposas: Ivana Trump, de 1977 a 1992, com quem teve três filhos, Donald Jr., Eric e Ivanka; Marla Maples, de 1993 a 1999, com quem teve Tiffany Trump; e, no último e atual casamento, Melania Trump, em 2005 que teve o seu último filho Barron Trump .
 

Trump nasceu em Nova York, em 1946, é o quarto filho do magnata do setor imobiliário de Nova York, Frederick Cristo Trump (1905-1999), apesar da riqueza da família, estaria destinado a ocupar cargos de menor escalão na empresa do seu pai, por ser o quarto filho. 

Com 13 anos ele foi matriculado em um colégio militar devido ao mau comportamento que ele tinha na escola. Depois de concluir o ensino médio, Trump estudou e se formou na Escola Wharton de administração da Universidade da Pensilvânia.

Trump no colégio militar
Trump com 18 anos, anuário na academia militar. Foto:  New York Military Academy yearbook 

Após se formar, aos 22 anos Donald Trump entrou nos negócios do seu pai, Trump Management, que possuía moradias para aluguel de classe média nos bairros periféricos da cidade de Nova York. Após os seus primeiros anos,  Trump acabou sendo cotado como o favorito para ser o herdeiro dos negócios do pai, logo após o irmão mais velho dele, Fred Trump Jr. (1938-1981),  decidir se tornar piloto de aviões.

 

Com o sucesso  em administrar o extenso portfólio do seu pai em Nova York, ele assumiu o controle da companhia em 1971, mudando seu nome para "The Trump Organization", Organização Trump em tradução livre

Donald Trump 1976
Donald Trump construindo a sua carreira como empresário, foto em 1976, Nova York. Foto: Bettmann / Getty Images

 

Marca Trump

 

Agora com os negócios da família nas mãos, Trump começou a mudar da construção de unidades residenciais no Brooklyn e no Queens para luxuosos projetos em Manhattan, sendo projetos como hoteis, cassinos e campos de golfe. Trump gosta de dizer que começou seus próprios negócios modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão” de seu pai.

 

Podemos dizer que seu primeiro grande negócio foi com o Hotel Commodore, em 1976, foi um projeto de grande risco, já que na época Nova York não era considerada um destino do turismo de luxo.

Trump em cima da Trump Tower
Donald Trump no topo da Trump Tower em 1987. Foto: Harry Benson/Getty Images

 

Depois deste sucessos os empreendimentos de Trump não pararam, ainda teve a Trump Tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey. No começo da década de 90, três dos seus cassinos entraram por causa de dívidas, na tentativa de reestruturar o investimento.

 

Mídia

 

Para contornar os problemas que teve no início dos anos 90, Trump vendeu  seu iate e companhia aérea. Ele ainda  surpreendeu a todos com a compra dos direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen, tornando-se seu produtor executivo. 

 

Trump fez várias aparições em programas de televisão, incluindo o famoso programa da Oprah, onde, em 1988, foi questionado se ele iria concorrer à presidência, ele respondeu: "Provavelmente não." Muitos brasileiros o reconheceram pela primeira vez em sua breve aparição no filme Esqueceram de Mim 2, lançado em 1992.

 

Mas o que podemos dizer que foi o momento que ele entrou no entretenimento americano foi o programa “The Apprentice”, O Aprendiz, de 2003, em que tinha o poder de demitir os participantes, que ficou marcado com a famosa frase "You are fired", você está demitido . Em 2007, Trump recebeu uma estrela na Calçada da Fama por sua contribuição à televisão. Essa estrela foi alvo de ataques de vândalos durante a campanha presidencial de 2016.

O aprendiz
Trump fazendo o seu principal bordão do programa, “Você está demitido”. Foto: Frazer Harrison/Getty Images

Depois de entrar na corrida presidencial, Trump parou de apresentar o programa e em junho de 2015, a NBC rescindiu o contrato com Trump após as declarações polêmicas do bilionário a respeito dos mexicanos

 

Carreira política 

 

Trump foi filiado ao Partido Republicano  (1987-1999), depois foi membro do Partido da Reforma (1999-2001), onde flertou com a ideia de disputar a presidência, mas desistiu,e em 2001 se filiou ao Democrata ficando no Partido até 2009.  Após essa passagem, voltou a se filiar ao Republicanos em 2012. 

No dia 16 de junho de 2015, em entrevista coletiva na Trump Tower, Donald desceu as escadas rolantes ao lado da atual esposa, Melania, e anunciou que iria entrar na corrida para ser o candidato republicano à Casa Branca.

 

No início a campanha foi tratada como piada sendo um dos candidatos alternativos, porém com uma boa atuação nos debates, e sempre apertando na mesma tecla anti imigração com falas polêmicas , referindo- se aos imigrantes mexicanos como estupradores e traficantes, e contrário ao projeto chamado Obamacare. Por conta disso, ele acabou sendo escolhido como candidato republicano para as eleições de 2016 para presidente

 

Com propostas fora do comum, como a construção do muro entre a fronteira do México e Estados Unidos,  e um discurso anti imigrante, de maneira surpreendente, Trump derrotou Hillary Clinton, candidata democrata,  ao conquistar 306 votos no Colégio Eleitoral, contra 232 de Clinton.

 

Trump discurso da vitória
Discurso da vitória de Trump, em Nova York. Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

 

Presidência:

 

A sua gestão foi marcada por uma série de políticas controversas e um estilo de liderança polarizador. Ele adotou uma postura populista e "America First", priorizando interesses econômicos dos EUA, promovendo cortes de impostos, reduzindo regulamentações, tolerância zero com imigrantes. 

 

No cenário internacional, Trump retirou os EUA de acordos globais importantes, como o Acordo de Paris sobre o clima e o Acordo Nuclear com o Irã, e tensionou as relações comerciais, especialmente com a China.

 

Apesar dos avanços econômicos iniciais, como a baixa taxa de desemprego antes da pandemia, sua gestão foi altamente divisiva e deixou um legado de forte polarização política nos Estados Unidos, principalmente com a Coivd 19.

 

Ele foi muito questionado, e com crise racial no país, como a morte de George Floyd, resultou em um cenário bem polarizado na corrida eleitoral de 2020. Ele enfrentou o ex-vice presidente de Obama, Joe Biden, e com uma disputa acirrada perdeu a corrida, por 306 votos para Biden contra 232 do Trump.

 

Seu mandato terminou com seu segundo processo de impeachment, após o ataque ao Capitólio em janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump tentaram reverter os resultados da eleição de 2020, que ele mesmo alegou falsamente ter sido fraudada nas eleições.

 

Trump Capitólio
Trump na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Foto: AP Photo /Jacquelyn Martin

 

 

Corrida presidencial 2024:

 

As eleições de 2024, marcadas para 5 de novembro, será uma disputa acirrada entre os partidos Republicano e Democrata, com o retorno do polêmico Trump. Mesmo condenado por usar dinheiro de campanha para pagar uma atriz pornô, além de outras acusações, como tentativa de golpe contra o Estado democrático, fraude fiscal e assédio, ele segue na corrida presidencial.

Trump discursasndo
Trump em um comício republicano. Foto:Eric Thayer / The Washington Post


Desta vez o republicano vai encarar a vice presidente de Biden, Kamala Harris, que entrou na disputa após desistência do atual presidente à reeleição , devido a perca de força na corrida após o atentado contra Donald Trump.  

Trump luta
Trump, após o atentado sendo escoltado por guardas. Foto: Evan Vucci / AP Photo

Se eleito, Trump vai se tornar o homem mais velho a subir no poder, com 78 anos, se cumprir o mandato vai sair aos 82 anos.

Entrada de novos países membros e conflitos ao redor do mundo estiveram entre os principais temas
por
João Victor Tiusso
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29/10/2024 - 12h

 

Foto: Alexander Nemenov
Foto: Alexander Nemenov

A cúpula dos BRICS terminou na última quinta-feira (24), após três dias de reuniões. O evento foi realizado na cidade russa de Kazan e o anfitrião da cúpula foi o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

A entrada de 13 novos integrantes ao bloco de cooperação mútua foi aprovada. A Rússia, que ocupa a presidência rotativa do grupo neste ano, agora será responsável por convidar os novos integrantes.Os países convidados são: Turquia, Indonésia, Argélia, Belarus, Cuba, Bolívia, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã, Nigéria e Uganda.

O BRICS já havia passado por uma expansão. O grupo que até o final do ano passado era composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul passou a integrar também Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos e Etiópia em 2024.

A entrada de novos membros faz parte da agenda internacional russa e chinesa, que buscam impulsionar a ideia de que não estão isolados politicamente e reforçar sua posição na geopolítica mundial. A presidência da Rússia no sistema rotativo e a própria dinâmica da política internacional atual contribuíram para configurar os BRICS como uma alternativa às alianças econômicas ocidentais.

Dois países interessados em fazer parte da nova categoria de parceiros dos BRICS e que ficaram de fora da lista final são a Venezuela e a Nicarágua.

O governo do presidente Lula não apoia o ingresso de nenhuma das duas nações e, segundo interlocutores presentes na reunião, um veto informal fez com que a vontade do Brasil prevalecesse. 

O presidente brasileiro tem feito críticas a Nicolás Maduro e à sua recusa em divulgar as atas das eleições de julho, das quais diz ter saído vitorioso. No caso da Nicarágua, o desconforto brasileiro é motivado pelo recente congelamento das relações com o país.

Além da expansão do bloco, também houveram discussões a respeito do conflito no Oriente Médio. Em uma declaração conjunto emitida no dia 23, os países membros fizeram críticas a Israel ao dizer que os BRICS veem com "grave preocupação a deterioração da situação e a crise humanitária no Território Palestino Ocupado, em particular a escalada sem precedentes da violência na Faixa de Gaza e na Cisjordânia como resultado da ofensiva militar israelense, que levou a mortes e ferimentos em massa de civis, deslocamento forçado e destruição generalizada da infraestrutura civil."

A guerra na Ucrânia não foi pauta na cúpula, porém o bloco criticou as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, classificando-as como ilegais e como "medidas coercitivas unilaterais": "Estamos profundamente preocupados com o efeito perturbador de medidas coercitivas unilaterais ilegais, incluindo sanções ilegais, sobre a economia mundial, o comércio internacional e a realização das metas de desenvolvimento sustentável."

No campo econômico, a presidenta do Banco do Brics, Dilma Rousseff, defendeu a ampliação do bloco e o aumento dos financiamentos em moedas nacionais, em substituição ao dólar.