Em transmissão ao vivo, estudante mata colega e comete suicidio em colégio de Zamboanga
por
Jeórgia Sophia Xavier
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25/08/2026 - 12h
 

Na terça-feira (18) um estudante de um colégio católico na cidade de Zamboanga, no sudoeste das Filipinas, transmitiu ao vivo no Facebook o momento em que atirou e matou o colega Patrick Dylan See, de 15 anos, aluno da primeira série do ensino médio. O atirador era um estudante do 9° ano que, logo após o ocorrido, tirou a própria vida.

Segundo a polícia regional, o estudante levou uma pistola e uma espingarda para dentro da escola – anexa à Universidade Ateneo de Zamboanga –  que pertenciam legalmente ao pai que atuava como oficial da alfândega e foi suspenso preventivamente enquanto as investigações ocorrem. Inicialmente, indicou-se que não havia indícios de convivência ou influência familiar, porém o governo investiga a responsabilidade legal dele por negligência no armazenamento e custódias das armas de fogo.

O estudante, cuja identidade não foi divulgada, começou a atirar sem controle e atingiu um aluno que estava no quarto andar.  A transmissão ao vivo foi confirmada pelo Secretário do Interior, Vitor Remulla, e o perfil do estudante foi desativado. No vídeo, é possível ver crianças correndo e gritando em direção às portas de saída enquanto o autor do crime carrega as armas pelo corredor, semelhante a cena de um jogo eletrônico de tiro em primeira 

Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna
Escola sendo evacuada após ataque. Foto: REPRODUÇÃO / YOUTUBE Cna

Pouco depois, o reitor da Universidade, Ernald Andal, esclareceu que não havia mais tiroteio em andamento, e confirmou que não houve outras mortes ou feridos, além das já confirmadas. O padre Guillrey Anthony, presidente da universidade, cancelou as aulas e declarou um dia de luto e oração em todos os campus da universidade. "Não queremos que nada disso aconteça. Desejamos priorizar a segurança de todos os nossos alunos", disse Guillrey em relato para a polícia 

Embora os ataques em escolas sejam raros nas Filipinas, devido às regulamentações rigorosas diante da posse de armas, dois meses antes dois alunos abriram fogo contra os colegas em uma escola pública na cidade de Tacloban. O ataque deixou 3 mortos e cerca de 20 feridos. Também é norma a verificação de antecedentes e avaliação psicológica, embora armas de fogo ilegais continuem em circulação. O presidente Ferdinand Marcos ordenou uma investigação. “As escolas também devem estar entre os lugares mais seguros em nosso país", disse ele em um comunicado.

 

Novo fenômeno ocorreu três dias após um terremoto magnitude 7,7 que deixou dezenas de mortos em Flores
por
Vitória Teles
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24/08/2026 - 12h

Na última terça-feira (18), a região de Sumatra, na Indonésia, foi atingida por um tremor de magnitude 6,1, por volta das 13h02 no horário local (3h02 em Brasília), três dias após um terremoto que deixou mais de 60 mortos e cerca de 200 feridos no último sábado (15), na Ilha das Flores. A Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia (BMKG) informou que o tremor atingiu 29 quilômetros de profundidade.

Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons
Destroços de uma casa após o terremoto em Flores, no sábado (15). Foto: Wikimedia Commons 

Até as últimas atualizações sobre o tremor, não se teve relatos de vítimas. Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos, mas posteriormente cancelados após a probabilidade do fenômeno ter sido descartada.

A Agência Nacional de Gestão de Desastres informou que 19 mil pessoas estão abrigadas em tendas, visto que o tremor danificou cerca de 4,5 mil casas. Segundo o órgão federal, 122 unidades de saúde, 252 escolas e 84 locais de culto também foram danificados. “Há mais de 31.000 pessoas desabrigadas. Até o momento, o Ministério de Assuntos Sociais destinou mais de R $14 bilhões (R$4.079.182,80) em recursos para apoio humanitário”, disse o Ministro de Assuntos Sociais, Saifullah Yusuf, na capital Jacarta, no mesmo dia.

O fenômeno chama atenção, principalmente, por ocorrer poucos dias após um terremoto avassalador que deixou uma série de pessoas mortas e feridas. Entretanto, o tremor de 6,1 registrado em Sumatra, pertence a um sistema sísmico diferente do terremoto que atingiu Flores que passou por uma sequência de réplicas próprias, como parte de um processo de reajuste de crosta após o terremoto inicial.

Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia
Foto: Reprodução/Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica da Indonésia

A Indonésia sofre com uma série de terremotos devido a sua localização, sendo prejudicada pelo chamado “Anel de fogo Pacífico”, uma faixa que concentra a maior parte da atividade sísmica e vulcânica da Terra. Além disso, o país está situado no encontro de várias placas tectônicas importantes, entre elas as placas: Indo-Australiana, Eurasiana, do Pacífico e das Filipinas. Apesar de ter ocorrido com poucos dias de diferença, os dois terremotos pertencem a eventos sísmicos distintos. A BMKG afirma manter o monitoramento em tempo real e destaca que todos os fatores de um terremoto são analisados, como: os epicentros, profundidade, mecanismos de falhas, entre outros. 

Em meio a tensões eleitorais, atual presidente é reeleito para novo mandato de 5 anos com cerca de 60% dos votos válidos
por
Lucas Farias Oliveira
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21/08/2026 - 12h

A comissão eleitoral da Zâmbia anunciou na manhã desta terça-feira (18) a vitória do atual presidente, Hakainde Hichilema, já no primeiro turno e de forma antecipada. Os resultados divulgados pela ECZ (Comissão Eleitoral da Zâmbia) mostraram que Hichilema, de 64 anos, recebeu aproximadamente 61,4% dos votos válidos, em comparação com seu principal adversário, Brian Mundubile, que teve cerca de 38%. 

Quando o resultado foi anunciado,  cinco dos 226 círculos eleitorais ainda não haviam sido contabilizados, porém, de acordo com a Comissão Eleitoral, os resultados em falta não influenciariam de forma significativa o resultado global das eleições. “Portanto, declaro Hichilema Hakainde como presidente eleito da República da Zâmbia neste dia 18 de agosto de 2026”, disse o presidente da comissão, Mwangala Zaloumis à National Election Results Center (Centro Nacional de Resultados Eleitorais) durante uma coletiva de imprensa. 

Presidente reeleito Hakainde Hichilema acena para apoiadores
Presidente reeleito Hakainde Hichilema em comício eleitoral. Via UPND.co

Após a vitória, através de suas redes sociais, o presidente reeleito agradeceu seus apoiadores e mandou um recado aos que votaram na oposição, “Aos cidadãos que preferiram as ideias apresentadas por nossos oponentes, nós os ouvimos e continuaremos a trabalhar por vocês”, acrescentou.

Comunidado do Presidente reeleito

Após o anúncio de sua vitória, centenas de apoiadores de Hichilema se reuniram na capital, Lusaka, vestindo a cor vermelha de seu Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), em comemoração que se estendeu até a madrugada.

Reeleito, agora o chefe de estado assume o segundo mandato em um momento de reconstrução econômica. Sua principal bandeira foi dar continuidade a disciplina fiscal, e agora vem com plano de aumentar investimento na produção de cobre para acelerar o crescimento econômico. 

Desde que assumiu o poder em 2021, sua gestão liderou a reestruturação da dívida soberana do país para atrair investimentos estrangeiros. Porém, grande parte da população ainda não sentiu o efeito da recuperação, segundo dados  do Banco Mundial, entre 2022 e 2023 mais de 70% dos 22 milhões de habitantes da Zâmbia vivem com menos de US$3 por dia.

Oposição alega que houve fraude e tensão eleitoral

Formada por uma coalizão de forças oposicionistas, o Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade (NRPUP) liderado por Mundubile formou a Tonse Alliance, focava  em propostas de alívio econômico e reestruturação institucional. A principal crítica dos adversários de Hichilema, de acordo com manifesto publicado no site oficial da coligação, foi o descontentamento com o custo de vida, pobreza e desemprego, argumentando que os ganhos macroeconômicos do governo não chegavam suficientemente às famílias. 

O manifesto da oposição apresentou  a inflação e o aumento dos preços como uma das principais falhas do governo Hichilema. Segundo o manifesto da Tonse Alliance, a cesta de necessidades básicas e alimentação para uma família de cinco pessoas em Lusaka passou de cerca de 7 mil kwachas em 2021 para mais de 11 mil entre 2024 e 2025, uma alta superior a 60%, segundo a oposição. 

Opositor de Hichilema, Brian Mundubile acena para apoiadores durante passeata
Brian Mundubile em passeata pré-eleição. Via NRPUP Zambia

O período que antecedeu a  eleição de 13 de agosto foi marcada por um período relativamente tranquilo,  no entanto,  a suspensão inédita da contagem de votos em todo o território, após ataques contra funcionários eleitorais e o roubo de boletins já marcados, tensionaram o cenário eleitoral e levantaram acusações de fraude da oposição. 

Na noite da eleição, as autoridades prenderam 11 pessoas, incluindo figuras importantes da oposição, em uma operação que envolveu troca de tiros, na qual Mundubile estava presente. O governo afirmou que a operação teve como alvo "atividades de milícias", e os detidos teriam sido flagrados em posse de armas de uso militar destinadas a uma insurreição armada. O Partido Nacional de Reconciliação para a Unidade e Prosperidade rejeitou essa versão, afirmando que a operação ocorreu na casa de seu líder e deixou um membro do parlamento ferido por disparos.

No dia seguinte, a comissão eleitoral suspendeu a contagem de votos por horas devido a relatos de violência contra funcionários das seções eleitorais e roubo de cédulas. Mundubile afirmou ter recebido informações sobre a possível alteração dos formulários de resultados das seções eleitorais e pediu uma investigação independente urgente. A equipe de Hichilema argumenta  que ele estava mentindo.

A Tonse Alliance, em declaração à Grindstone Television Zambia, anunciou que pretende contestar judicialmente o resultado das eleições. De acordo com a Reuters, a missão eleitoral da União Europeia também apontou problemas no processo, além do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos manifestou preocupação com as prisões e pediu respeito ao devido processo legal. 

Apesar das constatações apresentadas pela oposição e das críticas dos observadores internacionais sobre o processo eleitoral, a reeleição de Hichilema foi reconhecida diplomaticamente por diversos países, entre eles China e Estados Unidos. Brasil não se manifestou sobre.

Ex-ditador sírio foi condenado à revelia por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os 14 anos de conflito e se encontra exilado na Rússia
por
Isabela Sallum
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20/08/2026 - 12h

Na terça-feira (11), o Quarto Tribunal Criminal de Damasco, capital da Síria, condenou à morte, à revelia, o ex-presidente Bashar al-Assad por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante os quase 14 anos de conflito civil no país. Seu irmão, Maher al-Assad, também recebeu a pena. A decisão é a primeira condenação judicial contra Bashar ou integrantes de seu círculo mais próximo desde a queda do regime, em dezembro de 2024, e representa um marco no processo de responsabilização pelos crimes cometidos durante o governo da família Assad. O juiz Fakhr al Din al Aryan afirmou durante a sessão que Bashar utilizou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e contra a humanidade.

http://www.kremlin.ru/events/president/news/57488/photos
Ex-presidente sírio Bashar al-Assad. Foto: arquivo oficial da Presidência da Rússia.

A condenação ocorre em meio à tentativa do atual governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, de estabelecer um processo de justiça de transição após mais de cinco décadas de domínio da família Assad. Bashar chegou ao poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que havia governado o país desde 1971. Juntos, pai e filho permaneceram por mais de meio século no comando da Síria, mantendo uma estrutura política marcada pelo autoritarismo, pela repressão das forças de oposição e pelo controle do Estado pelo partido Baath.

A Guerra Civíl teve início em março de 2011, quando manifestações contra o governo começaram na cidade de Daraa, no contexto da Primavera Árabe, quando ocorriam protestos, revoltas e guerras civis em diversos países do Oriente Médio e no Norte da África, por volta de 2010. Neste contexto de descontentamento político,  protestos rapidamente se espalharam pelo país e as forças militares prenderam e torturaram adolescentes que haviam escrito mensagens contra o regime. Isso contribuiu para a transformação das manifestações inicialmente pacíficas em um conflito armado. Ao longo dos anos seguintes, a guerra matou cerca de 500 mil pessoas, além de deslocar famílias, provocar a destruição de cidades, hospitais, escolas e grande parte da infraestrutura síria.

O conflito, porém, não se limitou a uma disputa entre o governo Assad e grupos opositores. A guerra envolveu uma multiplicidade de forças políticas e militares e rapidamente adquiriu dimensão internacional. A Rússia e, sobretudo, o Irã foram os principais aliados de Bashar al-Assad, enquanto diferentes grupos da oposição receberam apoio externo. O governo iraniano forneceu recursos financeiros, armas, inteligência e apoio militar, enquanto o governo russo ampliou sua intervenção a partir de 2015, contribuindo decisivamente para o fortalecimento de Assad e para a retomada de territórios pelas forças governistas. Já países como Turquia, Arábia Saudita e Estados Unidos apoiaram, em diferentes contextos globais, grupos da oposição ou atuaram diretamente no conflito, movidos também por interesses próprios.

Após a queda, os irmãos Bashar e Maher al-Assad fugiram para a Rússia, onde receberam asilo. Desde então, o ex-presidente permanece em Moscou, fora do alcance das novas autoridades sírias. É justamente essa condição que limita os efeitos práticos da condenação. O julgamento foi realizado à revelia, isto é, o réu foi avisado oficialmente de um processo, mas não apresenta sua defesa dentro do prazo da lei, Assad não estava presente no tribunal, e a Syrian Network for Human Rights avalia que, no curto prazo, não existe uma perspectiva realista de sua extradição ou prisão. Segundo a organização, entretanto, o processo possui importância mesmo sem a presença física do acusado, pois pode produzir um registro judicial oficial dos crimes, das provas e da cadeia de responsabilidade que poderá ser utilizado em futuras iniciativas de responsabilização.

O julgamento também faz parte de um processo mais amplo contra integrantes do antigo regime. Além de Bashar e Maher, outros funcionários receberam sentenças no mesmo processo. Entre eles está Atef Najib, primo de Bashar e antigo chefe da Segurança Política em Daraa, que estava sob custódia e foi o único dos principais acusados a comparecer pessoalmente ao tribunal. Najib foi responsabilizado pela repressão aos protestos de 2011, incluindo a prisão e tortura de adolescentes, episódio que ajudou a desencadear a revolta contra o governo Assad.

A sentença também foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A Anistia Internacional reconhece que a abertura de processos contra responsáveis por graves violações representa um avanço, mas aponta que a legislação síria ainda não incorporou adequadamente crimes previstos no direito internacional, como crimes contra a humanidade e crimes de guerra. A mesma organização questiona se o sistema judicial atual oferece garantias suficientes para um julgamento justo e observa que a Síria mantém a pena de morte.

Assim, a condenação à morte por um lado, serve como uma sinalização política para potências como os Estados Unidos e Israel enquanto tenta conferir legitimidade ao novo governo central de Damasco. Por outro, para as milhões de vítimas e refugiados, a sentença representa um reconhecimento formal das atrocidades cometidas, ainda que a punição física do ex-ditador pareça, no momento, impossível de se concretizar.

Cidade da Espanha recebe mais de 72 mil marroquinos em dois dias através de sua fronteira marítima
por
Manuela Abbate Gonçalves
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13/08/2026 - 12h

No dia 31 de julho, a cidade espanhola autónoma de Ceuta, localizada no norte do continente africano, se deparou com um denso fluxo migratório de cidadãos vindos do Marrocos. A fronteira entre os territórios, embora registre fluxos de migração irregulares há anos, com um episódio de 10 mil migrantes em 2021, nunca lidou com um movimento de larga escala como esse, efetuado por via marítima.  

Mapa que mostra a área do Estreito de Gibraltar, com o continente africano na parte de baixo, o continente europeu em cima e a cidade de Ceuta destacada

Localização geográfica de Ceuta, território ultramarino espanhol que faz fronteira com Marrocos – Imagem: : Google Earth

A travessia é impulsionada pela busca de uma melhor qualidade de vida por parte dos jovens marroquinos. Em entrevista para AGEMT, o  geógrafo e pesquisador Pedro Paulo Coelho comenta: “Não deixa de ser uma crise humanitária, pela magnitude, pela velocidade que aconteceu, pelo perfil de pessoas jovens do Marrocos que estão experimentando desafios sociais econômicos, sobretudo o desemprego.” O país enfrenta uma taxa de desemprego de 9,5%, com o desemprego juvenil, que engloba aqueles entre 15 e 24 anos, aparecendo em 27,2%, de acordo com o Trading Economics para o último bimestre de 2026.

Em entrevista à RFI, (Radio France Internationale), Ali, cidadão marroquino de 22 anos, conta, ao retornar após não conseguir se estabelecer em Ceuta: "Muitos jovens partiram daqui. Eu não me arrependo, quero continuar tentando. Vou continuar pensando na Europa até ficar velho. Nosso país é bonito, mas a Europa é melhor. Se você ficar aqui, pode trabalhar durante 30 anos e ainda assim não sair do lugar, como um hamster girando na roda".

A proporção do ocorrido foi caracterizada tanto pelo governo marroquino quanto pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como fruto de informações falsas que circularam pelas redes sociais sobre uma decisão da Suprema Corte espanhola no dia 29 de Junho.  

A nova política, em questão, proibiu a devolução imediata de interceptados ao mar, as chamadas “devoluciones en caliente”, entretanto não proíbe o retorno desses indivíduos aos seus países de origem. A medida judicial sofreu distorções na mídia, sendo interpretada como uma flexibilização no processo de deportação espanhol que ultimamente beneficiaria os migrantes que fazem a travessia.  

Tal manifestação jurídica impulsionou publicações falsas em redes sociais que geraram uma tentativa em massa de migração pelas águas, sobrecarregando as estruturas da cidade de 80 mil habitantes, sem estrutura hábil para absorver o crescente número de imigrantes. Essa incapacidade resulta na crise humanitária que Ceuta enfrenta: serviços de saúde cheios, polícia local saturada e pessoas desamparadas vagando pelas ruas. 

O ocorrido gerou atritos entre os governos de Marrocos e da Espanha, que mantinham relação de cooperação, após Sánchez indicar possível descaso por parte do Estado marroquino na área da fronteira.  

Primeiro- Ministro da Espanha, Pedro Sánchez, discursando em um púlpito. Ao fundo, estão uma bandeira da Espanha e outra da União Europeia.
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em declaração oficial sobre crise migratória em Ceuta de 2021. Foto: Borja Puig de la Bellacasa - La Moncloa

“A temática da imigração é uma pauta desafiadora para a União Europeia, que direciona muito da política interna e da política externa”, indica Pedro Coelho quanto aos efeitos da série de acontecimentos em âmbito mundial. O especialista explica que o contexto global atual é permeado por discursos de viés anti migratório, mas que o governo de Sánchez e o partido operário da Espanha assumem o que Coelho caracteriza como “uma postura que contrasta com a tendência anti migração da Europa”.

Sobre o atual governo da Espanha, o entrevistado explica: “O discurso [espanhol] anterior a essa crise era de que a imigração não seria levada como um caso só de polícia e de expulsão. Ainda esse ano tinha acontecido uma regularização de muitos imigrantes que estavam em situação irregular na Espanha, na informalidade”. Tendo em vista esse episódio, entretanto, Pedro Coelho conclui: ​”Depois que dispara a crise humanitária, com certeza o governo espanhol vai começar a se movimentar de outra forma.”

Políticos de extrema direita utilizam o ocorrido para antagonizar a esquerda. Entre eles encontram-se: Santiago Abascal, líder do partido espanhol ultradireitista, Vox; Primeira-Ministra da Itália, Giorgia Meloni; Nigel Farasi, do Reform UK e Donald Trump, que comentou publicamente sobre a situação. No depoimento, a Casa Branca culpou as “políticas globalistas de extrema esquerda” pelo fenômeno e não citou Marrocos. 

Atualmente, cerca de 70 mil indivíduos já foram retornados para Marrocos pela fronteira terrestre. Entretanto, a cidade de Ceuta ainda enfrenta um estado de crise migratória e humanitária, com mais de 88 mortos confirmados, vítimas da travessia, e cerca de 2 mil indivíduos em situações de ocupação precária em território europeu.   

 

O cardeal Robert Francis Prevost foi escolhido e a fumaça branca encontrou o céu do Vaticano sob gritos eufóricos
por
Iasmim Silva
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09/05/2025 - 12h

Nesta quinta-feira, dia 8 de maio, o novo pontífice, eleito na quarta votação do Conclave, escolheu o nome Leão XIV. A escolha do novo papa reuniu 133 cardeais eleitores, sendo 80% indicação do falecido papa Francisco. 

Os cardeais, pela primeira vez na história, possuem maior diversidade étnica e de nacionalidade, representando 56 países de todos os continentes. O escolhido é norte-americano, natural de Chicago, Estados Unidos. Possui cidadania peruana, onde foi missionário por 20 anos e passou por diversos cargos importantes na hierarquia da igreja, sendo o último deles prefeito do Dicastério para os Bispos, nomeado em janeiro de 2023 pelo papa Francisco. 

As expectativas sobre quais seriam os posicionamentos do novo papa em relação a assuntos-chave abriu portas para uma série de debates, incluindo, sobretudo, questões políticas e de gênero. O seu serviço missionário no Peru causou uma reação positiva, por estar ligado ao sacerdócio de pessoas humildes, e permitiu que ele seja tido como um candidato aceitável perante críticas sobre sua nacionalidade estadunidense. 

Expectativas para o futuro são formadas

Anderson Neves, mestrando e supervisor de ensino, cita que sua maior expectativa sobre o papa é a preservação do legado deixado pelo Papa Francisco, sendo o principal deles o avanço quanto ao acolhimento de pessoas na igreja, em que o principal objetivo é evitar o afastamento dos fiéis da igreja e aproximar quem é deixado de fora. “Como ele sempre falou, Jesus tem que sair da igreja para encontrar o povo”, diz ele.

Adriana Reis, professora de pós-graduação na PUC-SP, comenta que está feliz com a escolha do novo papa e que não tinha medo da escolha, “eu tenho essa perspectiva de que ele também vai seguir a linha progressista do Papa Francisco”, comenta. Ela está contente com a atitude de Prevost em discursar também em espanhol.

 

Depois de 4 votações, cardeais nomearam Papa progressista com semelhanças a Francisco.
por
Martim Tarifa
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09/05/2025 - 12h

Após dois dias de conclave, Robert Prevost foi eleito o primeiro Papa Norte-americano da história. Nascido em Chicago, viveu longos anos no Peru, o que lhe rendeu um espanhol fluente e um contato mais próximo com a cultura latino-americana.

A doutora e mestre em Comunicação e Semiótica Christine Mello, falou sobre a importância do primeiro discurso de Leão XIV, “falar da paz, mostra sua preocupação não só com os católicos, mas com o mundo.” Seu nome faz referência a Leão XIII, autor da primeira carta voltada para questões sociais publicada em 1891. Leão XIII apontou como os avanços tecnológicos durante a revolução industrial, prejudicavam a vida dos trabalhadores.

Christine, espera que Leão XIV continue com os princípios básicos de Francisco, “se eu pudesse pedir uma coisa para ele seria a igreja de Jesus, a igreja dos necessitados.”  A expectativa é que isso se cumpra, pois, as semelhanças apontadas num primeiro momento entre antecessor e sucessor, são justamente ligadas na postura de humildade e ajuda aos mais necessitados.

Mas as diferenças também estarão presentes, estudante americana Venetia Smith, se preocupa com falas contra a comunidade LGBTQIAP+, como as que Robert já fez em 2012, onde dizia que práticas homossexuais estão em desacordo com o evangelho. “Espero que esse papa olhe com carinho para a comunidade, Francisco tinha feitos grandes avanços.”

 

 

 

 

Contrariando estimativas, o papa eleito é estadunidense, algo inédito na história da Igreja
por
Manuela Schenk Scussiato
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08/05/2025 - 12h

Na tarde desta quinta-feira, 8 de maio, os cardeais chegaram a um consenso e elegeram o novo papa. O processo de eleição para o papado após a morte de Francisco, chamado de Conclave, começou um dia antes. Houve três votações sem consenso até que os 133 cardeais presentes deram os 89 votos necessários para o eleito e apresentaram o novo líder da Igreja Católica ao mundo. Robert Francis Prevost, o cardeal estadunidense escolheu Leão XIV como seu nome pontifício.

Fumaça branca no Vaticano indica a escolha do novo Pontífice Foto: reprodução/Vatican Mídia
Fumaça branca no Vaticano indica a escolha do novo Pontífice
Foto: reprodução/Vatican Mídia

Cerca de 20 mil pessoas estavam na Praça de São Pedro hoje às 18:08 no Vaticano (13:08 horário de Brasília) quando a fumaça branca anunciou a escolha do novo líder católico. Depois de uma hora, o Cardeal Prevost fez sua primeira aparição como Papa Leão XIV, emocionando a multidão que esperava ansiosamente pela revelação de sua identidade.

Multidão reunida mostra fieis de várias nacionalidades ansiosos com a revelação do novo Papa. Foto: Reprodução/Filippo Monteforte
Multidão reunida mostra fieis de várias nacionalidades ansiosos com a revelação do novo Papa.
Foto: Reprodução/Filippo Monteforte

Quem é o Cardeal Prevost

Natural de Chicago, capital do estado de Illinois, Robert Prevost tem 69 anos e se tornou o primeiro Papa norte-americano da história da Igreja Católica.

O novo líder da igreja católica se tornou cardeal há apenas dois anos, nomeado por Francisco. Prevost foi escolhido para substituir Marc Ouellet no comando do Dicastério para Bispos no Vaticano, ficando assim responsável por indicar e guiar a nova geração de bispos. Sua carreira na igreja começou como missionário no Peru, onde foi nomeado arcebispo, por esse motivo, sua escolha é de grande importância para a América Latina.

Prevost é da ordem de Santo Agostinho, traz uma visão positiva para a igreja e uma dimensão missionária para sua candidatura. Além de representar uma vertente progressista da igreja americana, o novo Papa defende questões sociais polêmicas em seu país de origem, como a imigração.

Em seu primeiro discurso como Pontífice, Leão XIV falou sobre seu desejo por paz e o amor incondicional de Deus por todos. Também sobre sua admiração pelo Papa Francisco e como pretende estender seu legado.

“À Igreja de Roma, uma saudação especial. Devemos buscar juntos como ser igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, que dialoga, sempre aberta a receber como esta praça de braços abertos, a todos, todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo, de amor” disse o Papa Leão em seu discurso.

Papa Leão XIV durante seu discurso de apresentação Foto: reprodução/REUTERS
Papa Leão XIV durante seu discurso de apresentação
Foto: Reprodução/REUTERS

Significado do nome Leão XIV

O nome Leão foi usado pela última vez em 1878, agora, ele volta ao cargo com Leão XIV. Seu significado é ligado à justiça social, tópico importante nas lutas do cardeal Prevost, além de evocar força e liderança. O Papa Leão XIII (1810-1903) foi o primeiro a dedicar atenção a questões sociais, como a situação dos trabalhadores, em meio à Revolução Industrial. Na encíclica Rerum Novarum (1891), que inaugurou a chamada Doutrina Social da Igreja, Leão XIII fez críticas ao socialismo e ao capitalismo, em defesa do direito dos trabalhadores, 

Na Bíblia, o Leão também representa poder, liderança e autoridade. É usado várias vezes para simbolizar a imagem de Jesus Cristo, especialmente no livro do Apocalipse, onde ele é denominado como “Leão da tribo de Judá". O leão também pode ser interpretado como uma ameaça a Satanás em passagens do livro de São Pedro.

 

jovem afegão relata os desafios de sua nova vida em São Paulo
por
Francisco Barreto
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29/04/2025 - 12h

De acordo com dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), entre janeiro de 2022 e julho de 2024, mais de 11 mil afegãos chegaram ao Brasil. A maioria se estabeleceu no estado de São Paulo, especialmente na região metropolitana. Estimativas da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que cerca de 28% residem na capital paulista e 20% em Guarulhos. Aos 20 anos, Habibullah Shariatee carrega em sua trajetória a força de quem precisou recomeçar a vida longe da terra natal. Natural do Afeganistão, ele chegou ao Brasil há três anos, fugindo da instabilidade provocada pela retomada do poder pelo grupo terrorista Talibã. Confira a entrevista exclusiva à AGEMT

 

O processo de nomeação ultrapassa a Capela Sistina e desperta curiosidade pelo mundo
por
Victória Rodrigues
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24/04/2025 - 12h

O Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, a maior autoridade da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano. No caso de sua morte ou renúncia, existem protocolos e ritos a serem seguidos para dar início ao processo de sucessão.

 

 

Quando um papa morre, são realizadas tradições litúrgicas. O Camerlengo (cardeal escolhido para exercer as funções interinas do papa) anuncia a morte do pontífice, declarando o tempo de luto.

O velório acontece na Basílica de São Pedro por nove dias, chamados de “Novendiale”. Esses dias são reservados para que fiéis, autoridades e líderes religiosos prestem suas homenagens.

Ao final deste período, um cortejo é realizado, seguido do sepultamento, que tradicionalmente acontece na Basílica de São Pedro, em Roma, exceto quando outro local é escolhido previamente pelo Santo Padre. Em caso de renúncia, é o próprio papa emérito quem anuncia sua decisão.

Até que um sucessor seja escolhido, o Camerlengo ficará à frente do governo da Igreja. Um tempo chamado de “Sé Vacante” ou “Sede Vacante” (sede vazia), que significa que a cadeira do líder da Igreja de Roma está vaga.

Este também é o período em que o Camerlengo reunirá o Colégio de Cardeais. A partir daí, começam as votações que definirão o próximo Pontífice. 

De “Sé Vacante” a “Habemus Papam” 

Entre 15 e 20 dias após a morte ou renúncia do Papa, o Colégio de Cardeais se reúne na Capela Sistina, onde é realizado o Conclave. 

Em entrevista à AGEMT, o padre Luiz Carlos Brito, da Diocese de Guarulhos, explicou esse processo:  “O Conclave é uma reunião sigilosa, significa ‘trancado com chave’. Nela, será definido o próximo Padre Santo. É sigilosa justamente para não haver influências externas, além de ser um momento de profunda oração para a Igreja”.  

Trancados em uma sala, os cardeais realizam as votações, sendo votante e elegíveis apenas aqueles  com menos de 80 anos. “Para ser eleito, é necessário que um dos cardeais elegíveis atinja pelo menos dois terços dos votos, podendo haver até quatro sessões de votação por dia”, afirma o presbítero. 

Após a contagem dos votos, se o número mínimo não for atingido ou se o escolhido pela votação não aceitar o cargo, uma fumaça preta tomará o céu, declarando encerradas as sessões daquele dia, e a Igreja seguirá sem um Papa.

No entanto, se o número mínimo de votos for atingido e o cardeal eleito aceitar a função de chefe do Vaticano e da Igreja Católica, uma fumaça branca sairá da chaminé da Capela Sistina, anunciando a boa nova ao mundo. 


Fumaça branca confirma a escolha do novo Papa | Foto: Agência Reuters

Em seguida, o cardeal protodiácono, que é o mais antigo do Colégio de Cardeais, tem o privilégio de anunciar “Habemus Papam”, temos um Papa. 

Não existe um período máximo para que o novo Bispo de Roma seja nomeado. O Conclave mais longo na história do catolicismo durou 34 meses, entre novembro de 1268 e setembro de 1271. Ao final foi eleito Teobaldo Visconti como Papa Gregório X. E a mais rápida das votações foi em 1939, que em duas sessões declarou o Papa Pio XII.

Ao ser eleito, o sucessor de Pedro adota um novo nome. De acordo com o Pe. Luiz, os motivos vão desde referência a nomes de santos ou outros papas, a uma facilidade de tradução para diferentes idiomas.

Os nomes geralmente são escolhidos em referência a algum outro papa ou a algum santo da Igreja Católica, como, por exemplo, Francisco é uma referência a São Francisco de Assis; João Paulo, além de fazer referência aos santos São João e São Paulo, juntou os nomes de seus dois antecessores. Além disso, nome próprio não se traduz, então o nome dos santos já tem  uma adaptação para  cada idioma” explica o sacerdote.

O Papa Francisco foi o 266° líder da Igreja Católica. Sua chegada dividiu opiniões. Nos últimos doze anos, o Santo Padre sofreu críticas por seu posicionamento progressista. Logo após assumir o papado, o Pontífice foi questionado sobre a homossexualidade e respondeu com a frase “Quem sou eu para julgar?”.

Além disso, Francisco seguiu a virtude da humildade de seu Santo patrono. Em uma declaração, disse que “Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade". Alguns fiéis chegaram a acusá-lo de heresia e até mesmo de comunismo.

Para o Pe. Luiz, a Igreja é uma instituição que deve se adaptar: “Cada Papa tem um perfil, então seu pontificado será direcionado de acordo com suas convicções, isso gera um impacto na igreja de certa forma. Há alguns progressistas, há outros mais conservadores, e a cada mudança a Igreja Católica Apostólica Romana precisa se adaptar ao novo mandato”.