Na quinta feira, dia 8 de maio, durante o segundo dia de conclave, a fumaça branca saiu pela chaminé da Basílica de São Pedro e anunciou uma decisão. O novo papa é o estadunidense Robert Francis Prevost, que escolheu como nome Leão XIV.
Este conclave contou com 133 cardeais que, após quatro votações, escolheram o novo líder. Robert Prevost é o primeiro papa nascido nos Estados Unidos da história e a sua nacionalidade foi motivo de insegurança por parte de alguns. É o caso de Felipe Dias, estudante de Publicidade e Propaganda da PUCSP, que contou: “Confesso que quando vi que o novo papa era americano fiquei nervoso, todo mundo sabe que a religião lá é bem conservadora”.
Contudo, o primeiro discurso de Leão XIV indicou uma provável continuação dos ideais apresentados pelo Papa Francisco. E, além disso, a fala inicial contou também com uma parte em Espanhol, homenageando fieis peruanos, país em que o novo líder foi bispo por nove anos. A escolha pelo uso de outra língua foi bem vista por muitos. A professora Adriana Reis, por exemplo, considerou a atitude como “maravilhosa” e disse ser possivelmente um indicativo da criação de um futuro vínculo entre o Papa e a América Latina.
Adriana conta estar bem satisfeita com a escolha. “Eu estou confiante. Ele se tornou cardeal porque foi conduzido pelo Papa Francisco e isso já indica que irá acompanhar essa linha progressista” justifica a professora e logo depois acrescenta: “Ele também é devoto de Santo Agostinho, outro sinal de que provavelmente trabalhará sempre focando no coletivo”.
No segundo dia de conclave, a fumaça branca apareceu e um novo papa foi eleito. O escolhido foi o cardeal Robert Francis Prevost, nascido nos Estados Unidos, mas que também tem a nacionalidade peruana. Robert assumiu o papado com o nome de Leão XIV, utilizado pela última vez em 1903.
O primeiro papa norte-americano da história tem a cidadania peruana desde 2015. Tudo começou em 1985, quando foi enviado para sua primeira missão na cidade de Piura, Peru. A partir desse episódio, Prevost ocupou diferentes cargos na cidade de Trujillo, onde havia chegado em 1988.
Em sua primeira aparição oficial como novo papa, Leão XIV exaltou o legado que Francisco deixou. Visivelmente emocionado, o pontífice deu ênfase à paz em seu discurso, além de repetir a palavra algumas vezes.
Leão XIV enfrentará alguns desafios já no início de seu papado, visto que atualmente alguns países estão em guerra, e ele quer a paz de todos os povos, por exemplo. “Vamos ver se ele vai seguir os passos do Francisco, ou virá com uma nova conduta”, opina Alessandro, funcionário da PUC-SP, que apresenta a mesma dúvida de milhares de pessoas sobre o comportamento do novo papa: se será progressista, assim como Francisco, ou mais conservador.
A fumaça branca que anunciou a eleição do novo papa reacendeu velhas e novas perguntas. No coração da Praça de São Pedro e nas ruas das grandes cidades, fiéis e não fiéis discutem o impacto da escolha e, principalmente, o que esperam desse novo líder religioso.
Entre os que acompanham o momento com olhar crítico está João Gabriel, estudante de Economia da PUC-SP. Em entrevista à nossa reportagem, ele não economizou nas palavras ao imaginar um encontro com o novo pontífice:
“Mano, eu ia direto no assunto. Ia querer saber se ele pensa em fazer algo real pelos pobres, pelas mulheres, ou se vai continuar naquele papinho de sempre.” A fala de João resume a cobrança de muitos jovens que esperam mudanças reais e não apenas discursos. à capacidade da Igreja de enfrentar os próprios tabus e dialogar com as urgências sociais contemporâneas.
Maria Clara, estudante de Jornalismo da PUC-SP questiona se essa escolha foi realmente guiada por fé ou política?
“Ah, foi política total, principalmente pela questão dos Estados Unidos, pois é o primeiro papa americano, e hoje é o maior país em questão de poder aquisitivo e grande potência”. As palavras de Maria Clara ecoam em um momento delicado para a Igreja, que enfrenta a crise de credibilidade, perda de fiéis e desafios internos entre elas conservadoras e progressistas.
Nesta quinta-feira(8), a fumaça branca marcou o fim do Conclave e a escolha do sucessor de Francisco. Cardeais do mundo todo se reuniram na Capela Sistina para decidir quem assumiria o papado. Para a decisão ser efetivada são necessários 89 votos. O escolhido para assumir este papel foi o norte americano Robert Francis Prevost, o papa Leão XIV, de 69 anos. Apesar de ser estadunidense, Prevost construiu grande parte de sua trajetória religiosa no Peru. Com o passar dos anos, se tornou destaque dentro da igreja e ocupava dois cargos de suma importância: o de prefeito do órgão responsável pela nomeação da maioria dos bispos e de presidente da CAL(Comissão Pontifícia para a América Latina).
Apesar de seu primeiro discurso ter tido um certo caráter humanista e progressista, o uso da escolha de roupa de Prevost gerou muitos questionamentos. O novo papa fez sua primeira aparição em público vestindo as mesmas roupas que o conservador e tradicionalista Bento XVI usou. Segundo o mestrando de comunicação e semiótica, Marcelo Assis, a roupa diz muito sobre a pessoa que a veste. “A gente pode entender como um modo particular de ver as coisas e atuar.” afirmou. “É como se a roupa dele falasse ‘eu sou o papa’, mas o próprio discurso dele, atenua algo mais próximo do anterior”. Para o mestrando, o sentimento que fica é misto. Ele acredita que a escolha da vestimenta insinua que o novo papa não abrirá mãos de seus benefícios, mas que também não é nenhum monstro. E finalizou dizendo “a igreja é política, mas torço sempre pelo melhor”.
O papa Leão XIV é o primeiro americano a ocupar esse cargo, apesar de também ser considerado latino-americano por ter trabalhado por muitos anos no Peru. Robert Prevost é o primeiro Agostiniano que comandará a Igreja Católica. O discurso de sua posse tem como principal foco a ideia de paz ao inicia-lo falando “a paz esteja com vocês” e também uma alta defesa dos pobres.
As vestes de Robert chamaram a atenção, pois diferentemente de Francisco, que vestiu branco e anéis de prata para simbolizar a simplicidade, Leão voltou à tradição que foi seguida até Bento XVI, usando uma roupa vermelha e anéis de ouro. “A vestimenta traz a ideia da centralidade de tradição católica do papa”, afirma o mestrando em Comunicação e Semiótica, Mauri Oliveira.
“A Fratelli Tutti escrita pelo Papa Francisco falava muito sobre o direito à vida, direito ao espaço e isso era ligado também aos imigrantes por terem direito de viver onde escolheram, espero que Leão siga isso, acho que ele falar espanhol fluente pode ser algo que conte como apoio imigratório”, comenta a aluna de Psicologia na PUC-SP, Ky Maiorano.
Há grandes discussões se o novo papa seguirá as ideias de Francisco. Suas falas são de acolhimento a todos, principalmente os mais necessitados, já suas roupas trazem a ideia de tradição a ser seguida, o que traz a dúvida entre ser reformista e conciliador. Mas ainda só existem especulações sobre como pode ser o novo papado, “falar por falar todos falam, queremos ver as ações e esperar para ver”, reforça o aluno de história Luís Gustavo Moreira.