Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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Ministério da Saúde confirmou, nesta quinta-feira (09), 24 casos e cinco mortes na capital paulista
por
Juliana Bertini de Paula
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09/10/2025 - 12h

Desde o dia 18 de setembro, diversos quadros de intoxicação por metanol têm sido relatados por hospitais de diferentes estados. Nesta quinta-feira (09), o Ministério da Saúde divulgou um novo balanço, com 5 mortes e 24 casos confirmados em tratamento. Outros 235 são investigações apenas na cidade de São Paulo. Outros casos também despontaram em diversos estados do Brasil, bem como em São Bernardo do Campo e outras cidades da Grande São Paulo.

A intoxicação é provocada pela ingestão de metanol em bebidas adulteradas. Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Piauí, Espírito Santo, Goiás, Acre, Paraíba e Rondônia também investigam casos de intoxicação. Paraná e Rio Grande do Sul confirmaram ocorrências.

Entre as mortes confirmadas estão Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos e Marcelo Lombardi, de 45 anos, moradores de São Paulo, além de Bruna Araújo, de 30 anos, de São Bernardo do Campo, e Daniel Antonio Francisco Ferreira, 23 anos, de Osasco.

Na capital paulista, em 30 de setembro, 7 locais foram alvo de investigação da vigilância sanitária. Em dois deles foram encontradas bebidas com metanol. Mais 11 estabelecimentos foram interditados. O bar Ministrão, na Alameda Lorena, nos Jardins, e o bar Torres, na Mooca, foram fechados temporariamente. Seis distribuidoras e um bar em São Bernardo do Campo também foram interditados.

Bar Ministrão, nos Jardins. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Bar Ministrão, nos Jardins. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O que dizem as autoridades?

Nesta segunda-feira (06), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), realizou uma coletiva de imprensa, junto com representantes das secretárias de Saúde, Segurança Pública, Justiça e Cidadania, Desenvolvimento Econômico, Fazenda e Planejamento. Além deles, estavam presentes representantes do ramo de bebidas, que auxiliaram no treinamento de agentes públicos e comerciantes para a identificação de falsificações.

Durante a entrevista, o governador contrariou as declarações do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e descartou a possibilidade de envolvimento de facções criminosas na adulteração de bebidas, sem revelar qual a hipótese que está sendo seguida pela polícia paulista. Tarcísio foi criticado por brincar com a situação dizendo que “quando falsificarem Coca-Cola, vou me preocupar”. No dia seguinte, em suas redes sociais, Freitas publicou um vídeo no qual pedia desculpas pela afirmação.

Em fevereiro deste ano, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou que 13 bilhões de litros de bebidas adulteradas são comercializados ilegalmente todos os anos, com perdas fiscais que podem chegar a R$ 72 bilhões, sendo a segunda maior fonte de renda das facções de crime organizado, que perde apenas para combustíveis adulterados.

O Fórum destaca ainda a prática ilegal conhecida como refil, quando há reutilização de garrafas para envasamento de bebidas falsificadas. Só em 2023 foram apreendidas 1,3 milhão de garrafas do tipo. Há também anúncios online de venda de garrafas vazias com rótulos das bebidas. Além disso, em 2016, durante o governo de Michel Temer, o Sistema de Controle de Produção de Bebidas, o Sicobe, foi suspenso sob alegação de altos custos de manutenção (R$ 1,4 bilhão ao ano), o que tornou a fiscalização federal inexistente e realizada por meio de autodeclaração dos bares.

Em nota para a AGEMT, a Secretária Municipal de Saúde de São Paulo disse que “as ações da Vigilância Sanitária do município são constantes, com fiscalizações em comércios varejistas (restaurantes, bares, adegas, lanchonetes, entre outros) e distribuidores/atacadistas de bebidas, na verificação da procedência da bebida: se há nota fiscal de aquisição, lacre de segurança, integridade e legibilidade da rotulagem, se apresenta todas as informações obrigatórias (dados do fabricante/importador, lote, registro no órgão oficial), bem como a manipulação. A pasta está intensificando ações em comércios junto à vigilância estadual e à Secretaria de Segurança Pública.”

A Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou para a AGEMT. O espaço segue aberto.

Sintomas e tratamentos

Em entrevista à AGEMT, o farmacologista e toxicologista Maurício Yonamine conta que a rapidez para o atendimento médico é o fator mais crítico para a chance de recuperação em caso de intoxicação por metanol. “O prognóstico é melhor quanto mais rápido for o diagnóstico e o início do tratamento, pois o tempo é o que permite que os subprodutos tóxicos (principalmente o ácido fórmico) se acumulem e causem danos irreversíveis.”

Maurício Yonamine, toxicologista formado pela USP. Foto: Reprodução/RevSALUS
Maurício Yonamine, toxicologista formado pela USP. Foto: Reprodução/RevSALUS

 

Maurício conta que o principal problema do metanol é que ele deixa o sangue extremamente ácido e, após ser metabolizado pelo fígado, gera subprodutos extremamente tóxicos, principalmente o formaldeído e o ácido fórmico. “O acúmulo desses metabólitos, especialmente o ácido, interfere na função celular, ataca nervos e órgãos.”

Os sintomas de intoxicação por metanol nas primeiras horas podem ser confundidos com uma ressaca forte, náuseas, dor abdominal, tontura e dor de cabeça. Muitas vezes, os sintomas são leves, o que atrasa a procura por atendimento médico. “Os sintomas iniciais podem ser traiçoeiros”, diz Yonamine.

Depois, começam aparecer os sintomas mais fortes, resultado do ácido fórmico que tem uma afinidade particular pelas células do nervo óptico. Entre eles estão a visão turva, a fotofobia e a aparição de pontos luminosos. Além disso, o sangue ácido causa respiração acelerada, fraqueza, confusão mental e sobrecarga no coração e nos pulmões.

Se não tratado com urgência, o quadro evolui para complicações graves em até 48 horas. O ácido atinge o sistema nervoso central, podendo causar convulsões, rebaixamento de consciência, coma e arritmias cardíacas. A partir disto, os danos passam a ser sistêmicos: coração, pulmões e rins entram em colapso progressivo, consequência direta da acidose metabólica (sangue ácido) severa e da sobrecarga tóxica. É nesse momento que o risco de morte se torna elevado e, mesmo com tratamento, as chances de cura caem drasticamente. 

No sábado (05), o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a compra de 2,6 mil antídotos para a ingestão de metanol durante uma coletiva de imprensa em Teresina. O medicamento chamado fomepizol não possui registro no Brasil e foi comprado de maneira emergencial, juntamente com a Organização Panamericana de Saúde, de um fabricante japonês, Daiichi Sankyo. 

 

 

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Ativo desde 2011, canal produzia conteúdos sobre a Universidade de forma educativa, contava com mais de 100 mil inscritos e ficou 12 dias fora do ar
por
Khauan Wood
Victória da Silva
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01/10/2025 - 12h

Perfil da TV PUC, canal Universitário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no YouTube foi reativado pela plataforma na tarde desta quarta-feira (01) após ter sido retirado do ar sem aviso prévio ou justificativa no último dia 19 de setembro.

A conta tem um importante e extenso acervo histórico e cultural da instituição. 

Em publicação realizada em seu Instagram oficial, a Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP, denunciou no dia 30 de outubro que o canal havia sido simplesmente retirado da grade da plataforma repentinamente.

Ainda na publicação, a instituição informou que a empresa, que é ligada ao Google, enviou apenas um e-mail informando que a retirada seria causada por descumprimento das regras e diretrizes da plataforma, sem detalhar de que se tratava, acrescentando que as políticas de spam, práticas enganosas e golpes não teriam sido seguidas.

A Universidade abriu uma contestação dentro da plataforma, em que constava um prazo de 48 horas para o retorno. Após o prazo, uma nova mensagem enviada dizia que uma nova resposta seria dada dentro de 24 horas. Mas esses prazos não foram respeitados, o que motivou a denúncia nas redes sociais que mobilizou a comunidade acadêmica.

O time da TV PUC afirmou à Agemt que tudo começou quando um dos integrantes da equipe tentou gerar um link para uma live, mas a página não abria corretamente. Em seguida, eles receberam uma notificação de que o perfil havia sido retirado do ar.

Também em entrevista à Agemt, Julio Wainer, professor da PUC-SP e diretor da TV PUC, relata que em anos de canal, nunca receberam sequer uma advertência. O diretor contou que houve avisos pontuais sobre conteúdos com direitos autorais, que foram retirados imediatamente.

Ainda segundo ele, a equipe jurídica da Fundasp esteve em contato direto com a plataforma durante todo o período de inatividade para tentar reaver o canal. 

De acordo com a Fundasp, a TV PUC existe desde 2007, mas publica vídeos regularmente desde 2011. O canal contava com mais de 5 mil publicações e já ultrapassara o número de 100 mil inscritos.

Ao publicar novamente o canal, a plataforma enviou mensagem à TV PUC desculpando-se pelo ocorrido. Os responsáveis pelo canal ainda avaliam se todo o conteúdo e os seguidores da página foram mantidos.

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A TV PUC produz conteúdos ativamente há 14 anos. Foto: Victória da Silva

O conteúdo do canal universitário é diverso e produzido por professores e alunos. Sobre isso, o diretor da TV PUC afirma que o canal possui “de tudo um pouco”, já que conta com trabalhos institucionais de alunos e professores sobre temas variados, além de lives e programas. 

“Tudo que nós produzimos, nós colocamos lá como repositório para ir acumulando visualizações e as pessoas ficarem sabendo”, contou. O canal tem como missão promover os assuntos debatidos na universidade, mostrando o que é feito para diferentes cursos e com o que os alunos têm engajado na rotina universitária.

A TV PUC também acompanha palestras e outros acontecimentos da universidade e publica os eventos na íntegra, além de resumi-los em outros vídeos com depoimentos dos participantes. A recepção de calouros, que acontece todos os anos e recebe figuras importantes no Tucarena para a abertura do semestre, é um exemplo dos vários registros que o canal tinha antes da retirada.

Falas de personalidades históricas, professores e intelectuais foram derrubadas após a retirada do canal do ar, além de documentários relevantes e outros materiais importantes para a história da PUC-SP apagados pela plataforma ainda sem justificativa.

A TV PUC também tenta trazer os estudantes para as telas e enxergar a PUC-SP a partir do olhar deles. Para isso, as matérias sempre contam com entrevistas e conversas com os alunos que se envolvem nas diferentes atividades que ocorrem durante o ano. Os vídeos são informativos e promovem pautas científicas, culturais e políticas.

O professor do curso de jornalismo, Aldo Quiroga, destacou em um vídeo em seu perfil no Instagram que a Roda de Conversa com os vencedores do Prêmio Vladimir Herzog, em que os jornalista contam como as reportagens vencedoras foram realizadas, também é um dos exemplos dos conteúdos “sequestrados pelo Youtube”, na derrubada do canal. É a TV PUC quem faz a transmissão anual da Roda de Conversa Vladimir Herzog e do Prêmio que também leva o nome do jornalista morto pela ditadura militar.

No vídeo, Quiroga também ressalta a influência das Big Techs sobre o Congresso Nacional para impedir a regulamentação dessas empresas pela sociedade civil, que se encontra refém de decisões como essa.

Em nota enviada à Agemt, o Google afirmou que está apurando o motivo do encerramento do canal e que retornaria em breve. O espaço segue aberto.

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Seca na China, mais de 67 milhões de brasileiros inadimplentes, TSE determina proibição do uso de celular na cabine de votação e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
Sônia Xavier
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25/08/2022 - 12h

 

Quinta-feira, 25 de agosto de 2022, veja os destaques do Resumo AGEMT:

  • TSE proíbe uso de celular pelo eleitor na cabine no dia da eleição; eleitor deve entregar o celular antes de entrar.
  • Recorde: 87% dos deputados federais tentam reeleição
  • Mais de 67 milhões de brasileiros estão inadimplentes, de acordo com o Serasa.
  • Onda de calor e seca na China.
  • Chefe da comissão dos Direitos Humanos da ONU diz estar preocupada com ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral.
  • A média móvel de óbitos em decorrêcia da covid-19 nos últimos sete dias é de 145.
  • Copa do Brasil: Flamengo vence e sai na frente por uma vaga na Copa do Brasil; Fluminense e Corinthians empatam em jogo de muitos gols

 

Eleitor está proibido de levar celular a cabines de votação Tânia Rêgo/Agência BrasilEleitor está proibido de levar celular a cabines de votação Tânia Rêgo/Agência Brasil
Eleitor está proibido de levar celular a cabines de votação - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sem celulares

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por unanimidade nesta quinta-feira (25) que não será permitido o uso do celular durante o ato da votação em outubro. A decisão foi tomada a fim de garantir o sigilo do voto, ficando então estabelecido que o eleitor deverá entregar o aparelho ao mesário antes de entrar na cabine e retirar após votar.

“Temos uma grande preocupação com a utilização ilícita dos celulares no dia de votação, porque o sigilo do voto fica comprometido”, afirmou o presidente do órgão, o ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com o TSE, haverá uma mesa receptora encarregada da retenção e guarda dos aparelhos e o eleitor que negar a regra estará cometendo um crime eleitoral. O juiz deverá ser acionado e poderá chamar a Polícia Militar. De acordo com o ministro, poderão ser utilizados detectores de metais.

A decisão foi tomada após o partido União Brasil ter questionado a respeito da permissão do uso do telefone. Os detalhes deverão ser divulgados em uma nova resolução, que deverá ser aprovada na próxima semana.

 

Aqui de novo 

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) divulgou com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o número de deputados federais que vão tentar a reeleição em 2022 é o maior da história. 

De acordo com os dados, na eleição deste ano, 446 deputados tentarão a reeleição, equivalente a mais de 86% do total. Esse número supera o recorde anterior que era em 1998, quando 443 deputados tentarão a recondução ao cargo. Em 2018, 404 deputados tentaram a reeleição. 

Ao todo, em outubro, 10.453 deputados disputam pelas 513 cadeiras da Câmara. 

 

cartão de crédito é responsável pela maior parte dos endividamentos - Foto: Reprodução Programa Nex
cartão de crédito é responsável pela maior parte dos endividamentos - Foto: Reprodução Programa Nex

Inadimplência

Levantamento do Serasa Experian revelou nesta quinta-feira (25) que 67,6 milhões de brasileiros estão inadimplentes. Este é o maior índice desde 2016, um acréscimo de 800 mil pessoas se comparado ao levantamento do mês anterior.

Os devedores estão na faixa  dos 26 aos 40 anos, tendo o banco e os cartões como principal segmento das dívidas com 28,6%. Em seguida, vem contas básicas - como água, luz e gás - com 22,2%. Setores de financeiras com 13,7% e varejo, 12,4%, estão logo atrás.

São Paulo é o estado que conta com maior número de endividados, com 16 milhões, seguido pelo Rio de Janeiro, com 6,8 milhões. Minas Gerais está na terceira colocação do ranking com 6,4 milhões de negativados. 

 

Uma visão geral mostra o leito seco do rio Jialing, afluente do rio Yangtzé na cidade de Chongqing, no Sudoeste da China Noel Celis / AFP
Leito seco do rio Jialing, afluente do rio Yangtzé na cidade de Chongqing, no Sudoeste da China - Foto: Noel Celis / AFP

Calor na China

A China enfrenta a maior onda de calor da sua história recente. Metade de seu território enfrenta uma seca, incluindo áreas do Tibete, onde geralmente o clima é frio, segundo dados de monitoramento do Centro Climático de Pequim. 

A onda de calor já se estende no país por 75 dias, 12 a mais do que o recorde anterior, em 2013. O sul da China enfrenta a onda de calor mais prolongada desde o início dos registros de dados meteorológicos há mais de 60 anos, informou o ministério da Agricultura do país. 

O clima seco afeta a produção das hidrelétricas e várias províncias chinesas têm enfrentado cortes de energia, o que força o fechamento de fábricas. 

Para tentar combater a seca, o governo decidiu realizar o bombardeamento de nuvens para aumentar as chuvas na região da bacia do rio Yangtzé, que se estende desde a província central de Sichuan até Xangai, que abriga grandes centros industriais.

O calor extremo, contudo, deve continuar segundo a Administração Meteorológica da China, e as temperaturas devem prosseguir acima de 40°C nas próximas 24 horas em Chongqing e nas províncias de Sichuan, Jiangxi e Zhejiang.

 

Preocupação 

A chefe da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, afirmou que está preocupada com ataques ao sistema eleitoral brasileiro e o aumento da violência política no Brasil.

"O presidente (Jair) Bolsonaro intensificou os ataques ao Judiciário e ao sistema eletrônico de voto, incluindo em um encontro com embaixadores em julho, o que gerou fortes reações (...) e eu tenho que dizer, tendo sido já chefe de Estado, que um chefe de Estado deve respeitar outros poderes, o Judiciário, o Legislativo, e não ficar vociferando ataques contra outros, porque é essencial para um presidente da República assegurar a democracia”, disse Bachelet em uma entrevista coletiva em Genebra nesta quinta-feira (25). 

Bachelet também afirmou estar preocupada com a decisão de Bolsonaro de convocar seus apoiadores para manifestações no dia 7 de setembro. Além disso, declarou estar “seriamente preocupada” com os informes de aumento da violência política, a manutenção do racismo estrutural e o encolhimento do espaço cívico. A ONU também reforçou que está monitorando e analisando os discursos de ódio utilizados durante o processo eleitoral brasileiro.

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou 21.039 novos casos de COVID-19, e 145 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 145. No total, o país acumula 34.350.639 casos confirmados, e 683.233 óbitos por COVID-19. 

Jogo do Flamwngo
Flamengo venceu o São Paulo, na noite desta sexta-feira (24), por 3 a 1 - Foto: Gilvan de Souza/CRF

Copa do Brasil 

O Flamengo foi o único time a vencer e encaminhar classificação para a final da Copa do Brasil 2022, na noite de quarta-feira (22). 

Mesmo jogando em casa, o Fluminense esteve na frente do placar por duas vezes e levou o empate do Corinthians na última jogada da partida. Paulo Henrique Ganso e Arias marcaram para o tricolor carioca e Renato Augusto e Roger Guedes para o Timão. Com o 2 a 2, qualquer empate na próxima partida leva a disputa para os pênaltis. O próximo jogo está marcado para o dia 14/09, na Arena NeoQuimica, em São Paulo. 

Jogando fora de casa, o Flamengo fez valer a força do seu elenco e venceu o São Paulo. A equipe paulista chegou a arrematar incríveis 26 vezes para o gol, mas viu seu ataque ser ineficiente. Em um dia pouco inspirado, o Rubro-negro contou com a qualidade individual do seu elenco para sair com o resultado. João Gomes, Gabi e Everton Cebolinha marcaram para o time carioca; enquanto Rodrigo Nestor descontou para o tricolor paulista. O 3 a 1 deixa o Flamengo em condição confortável para o jogo da volta, previsto para o dia 14/09, agora, em solo carioca, no Maracanã. 

 

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Seis meses de guerra na Ucrânia, inflação em queda, semifinais da Copa do Brasil e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
24/08/2022 - 12h

Quarta-feira, 24 de agosto de 2022, veja os destaques do Resumo AGEMT:

  • Ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu comandantes das PMs. Segundo eles, as tropas estão sob controle;

  • Prévia da inflação apresenta queda puxada pela gasolina, mas alimentação segue em alta. 

  • Seis meses de guerra na Ucrânia: Biden aprova pacote de U$3 bilhões para o país; Zelensky diz que país “renasceu” após a invasão russa.

  • Semifinais da Copa do Brasil com duelos Rio-SP movimentam a noite desta quarta-feira.

  • A média móvel de óbitos em decorrêcia da covid-19 nos últimos sete dias é de 152.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro Alexandre de Moraes - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Segurança das eleições

Nesta quarta-feira (24), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, recebeu os comandantes das Polícias Militares para discutir a 

segurança das eleições deste ano.

Em entrevista à imprensa após o encontro, o coronel James Padilha, da PM de Rondônia, afirmou que “as tropas estão sob controle”. “Como militares que somos, nós temos os pilares da hierarquia e da disciplina”, reiterou. Padilha destacou também que, apesar do cenário de polarização no pleito deste ano, as instituições tem “total isenção, imparcialidade e tranquilidade”.

No encontro, o ministro também abordou a restrição ao porte de armas nas eleições ou ao treinamento e transporte de armas pelos caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). 

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Inflação 

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, foi de -0,73% em agosto, após registrar 0,13% em julho. O Índice foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (24).

Essa é a menor taxa da série histórica, iniciada em novembro de 1991. Em agosto de 2021, o índice foi de 0,89%. No ano, a inflação está em 5,02% e caiu para 9,60% no acumulado dos últimos 12 meses, ficando abaixo dos 11,39% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. 

O resultado de agosto teve impacto principalmente do setor de transportes (-5,24%). A deflação neste setor foi influenciada pela queda nos preços dos combustíveis (-15,33%). A gasolina caiu 16,80% e foi a maior contribuição negativa do índice. 

No lado das altas, o destaque vai para o setor de alimentos e bebidas, com 1,12%. Esse índice foi muito afetado pela alta do leite longa vida (14,21%), responsável pela maior alta individual. Em 2022, o leite longa vida acumula uma alta de 79,79%. Outras altas registradas nesse setor foram das frutas (2,99%), queijo (4,18%) e frango em pedaços (3,08%). 

Com a elevação dos preços, a alimentação no domicílio variou 1,24% em agosto. Comer fora de casa ficou 0,80% mais caro em agosto, e apesar disso, apresentou desaceleração em relação a julho, quando marcou 1,27%. 

 

Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky faz pronunciamento no dia que marca tanto a independência do país quanto o aniversário de seis meses da guerra contra a Rússia - Foto: Reuters
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez pronunciamento na data que marca tanto a independência do país quanto o aniversário de seis meses da guerra contra a Rússia - Foto: Reuters

Seis meses de guerra

No dia da independência da Ucrânia, e após seis meses de guerra, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, aprovou um novo pacote de assistência à segurança de cerca de U$ 3 bilhões em ajuda militar para o país na guerra contra a Rússia. 

"Nos últimos 6 meses, os ucranianos inspiraram o mundo com sua extraordinária coragem e dedicação à liberdade. Os Estados Unidos da América estão comprometidos em apoiar o povo da Ucrânia enquanto eles continuam lutando para defender sua soberania", disse Biden em comunicado.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, agradeceu a Biden pela ajuda. Em publicação no Twitter, disse que os ucranianos “apreciam muito o apoio inabalável” dos EUA.

Em comemoração aos 31 anos de independência da Ucrânia, Zelensky disse em um discurso gravado aos ucranianos feito nesta quarta-feira (24) que seu país “renasceu” quando a Rússia invadiu e que nunca desistiria de sua luta pela liberdade da dominação de Moscou.

Zelensky, gravou o discurso em uniforme de combate em frente ao imponente monumento à independência da União Soviética, dominada pela Rússia, que se separou em 1991, no centro de Kiev.

“Uma nova nação apareceu no mundo em 24 de fevereiro às 4 horas da manhã. Não nasceu, mas renasceu. Uma nação que não chorou, gritou ou se assustou. Uma que não fugiu. Não desistiu. E não se esqueceu”, declarou o líder ucraniano.

Além disso, alegou que  a guerra só acabará quando Kiev sair vitoriosa, e não quando os bombardeios russos acabarem. Em recado à Rússia, o presidente afirma: "Não vamos sentar à mesa de negociações por medo, com uma arma apontada para nossas cabeças. Para nós, o mais terrível não são mísseis, aviões e tanques, mas as algemas. O que para nós é o fim da guerra? Costumávamos dizer: paz. Agora dizemos: vitória. Não nos importamos com o exército que vocês têm, só nos importamos com nossa terra. Lutaremos por ela até o fim.”

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou 18.277 novos casos de COVID-19, e 202 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 152. No total, o país acumula 34.329.600 casos confirmados, e 683.076 óbitos por COVID-19.

 

Foto: Reprodução/Instagram @fluminensefc
Foto: Reprodução/Instagram @fluminensefc

Copa do Brasil 

Começam nesta quarta-feira (24) os jogos que definem os finalistas da Copa do Brasil 2022. As semifinais deste ano contam com a presença de quatro forças do futebol nacional, colocando frente a frente Rio de Janeiro e São Paulo.

Às 19h30, no estádio do Maracanã, o Fluminense vai receber o Corinthians. Atual segundo colocado no Campeonato Brasileiro, o tricolor das Laranjeiras vem embalado após golear o Coritiba na última rodada por 5 a 2. O Corinthians, por sua vez, perdeu para o Fortaleza fora de casa por 1 a 0. A expectativa é de que mais de 50 mil torcedores estejam no estádio para acompanhar o duelo. 

Mais tarde, às 21h30, no estádio do Morumbi, o São Paulo enfrenta o Flamengo, na outra semifinal. De um lado, o Flamengo, com seu investimento milionário, vai com tudo para seguir na briga pelo tetracampeonato. A equipe de Dorival Júnior quer aproveitar o bom momento que vive em todas as competições. Do outro, o São Paulo, que nunca venceu a competição, promete fazer jogo duro pela classificação. Ao seu favor, o tricolor paulista tem o bom retrospecto de mandante na fase mata-mata, no ano de 2022, foram 9 jogos como mandantes e nove vitórias da equipe paulista. É jogaço!

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Busca e apreensão contra empresários bolsonaristas que defenderam golpe de Estado, beneficiários do Auxílio Brasil se mostram otimistas com o cenário econômico e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
23/08/2022 - 12h

Terça-feira, 23 de agosto de 2022, veja os destaques do Resumo AGEMT:

  • Brasília estremecida com operação da Polícia Federal ordenada pelo Ministro Alexandre de Moraes, contra empresários que defenderam um golpe em caso de derrota de Jair Bolsonaro; celulares apreendidos mostram conversas entre os empresários e o Procurador-Geral da República, Augusto Aras. 

  • Datafolha mostra que beneficiários do Auxílio Brasil estão otimistas com uma retomada econômica. 

  • Donald Trump levou documentos sigilosos ao deixar a presidência dos EUA, de acordo com o jornal NYT. 

  • O Brasil é o 3° pais no mundo com mais casos da nova varíola.

 

Bolsonaro e Luciano Hang, dono da Havan, em uma live
Presidente Jair Bolsonaro e Luciano Hang, dono da Havan, em uma live do Facebook - Foto: Reprodução/Facebook Jair B

Ameaça a democracia 

Nesta terça-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra o grupo de empresários que defenderam um golpe de Estado em um cenário de vitória do candidato do PT (Partido dos Trabalhadores) à presidência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no pleito deste ano. Moraes também autorizou que a Polícia Federal (PF) ouça os empresários, a quebra de sigilos bancários e o bloqueio de suas respectivas redes sociais. As mensagens foram divulgadas com exclusividade pelo site Metrópoles na última quarta-feira (17).

Segundo informações obtidas pelo site JOTA, os celulares apreendidos mostram troca de mensagens entre o procurador-geral da República e procurador-geral-eleitoral, Augusto Aras, com os alvos da operação. Segundo o jornal, fontes da PF alegaram ter encontrado críticas ao trabalho de Moraes e declarações sobre a candidatura à reeleição de Bolsonaro.

Dentre o grupo alvo de investigação estão empresários como Luciano Hang ( Havan), Afrânio Barreira Filho (Coco Bambu) e Marco Aurelio Raymundo (Mormaii).

As buscas aprovadas pelo ministro são baseadas em um pedido da PF que busca atingir uma suposta organização criminosa responsável pela disseminação de fake news e ataque às instituições. 

 

pessoas em uma rua movimentada
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Confiantes 

De acordo com pesquisa Datafolha, os beneficiários do Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, estão mais otimistas em relação ao futuro da economia brasileira que o restante da população. 

De acordo com o relatório, 53% dos eleitores que recebem o benefício acreditam na melhoria da situação econômica do país nos próximos meses. Por outro lado, dentre os eleitores que não recebem o auxílio, a parcela é de 47%.

Os que acreditam na piora da economia representam 16% entre os beneficiários e 29% entre os que não recebem.

Para a pesquisa, que foi feita entre os dias 16 e 18 de agosto, o Datafolha entrevistou 5.744 eleitores em 281 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
 

Donald Trump, ex-presidente dos EUA
Reprodução: EFE/EPA/CHRIS KLEPONIS / POOL

Mais polêmica 

Após sua saída da Casa Branca, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump levou cerca de 300 documentos secretos para sua residência oficial, em Mar-a-lago, de acordo com o “The New York Times”. Segundo a publicação, entre os papéis levados indevidamente estão materiais da CIA (agência central de inteligência dos EUA), do FBI, e da Agência Nacional de Segurança. 

Nos meses de janeiro e junho parte das documentações foram devolvidas, após negociações com os assessores do ex-presidente.

No dia 12 de agosto, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos na Flórida disponibilizou acesso público ao mandado de busca e apreensão na casa de Trump. Uma parte dos documentos secretos foram recolhidos pelo FBI. O documento ainda revelou que ele é investigado por possível obstrução de Justiça e potencial violação da Lei de Espionagem.

Nesta segunda-feira (22), Donald Trump apresentou à Justiça um pedido para que o FBI não tenha acesso aos documentos recolhidos em sua residência de Mar-a-Lago. 
 

Tubos de ensaio com rótulos sobre varíola dos macacos
Foto: Reuters/Dado Ruvic

Nova varíola 

O Brasil assumiu a terceira posição de país com mais casos de varíola dos macacos no mundo depois da atualização do Ministério da Saúde na segunda-feira (22). De acordo com o Ministério, o Brasil confirmou 3.788 casos. Até agora, o país registrou apenas uma morte, em junho.

Um ranking organizado pelo Our World in Data, instituto digital especializado em ciência, o Brasil fica atrás apenas de Estados Unidos, com 14.050 casos, e Espanha, com 5.792 casos confirmados. Entre os estados da federação, São Paulo e Rio de Janeiro são os que confirmaram mais casos da nova varíola, tendo 2.506 e 422, respectivamente.
 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou 20.241 novos casos de COVID-19, e 203 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 159. No total, o país acumula 34.311.323 casos confirmados, e 682.874 óbitos por COVID-19. 

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Animais resgatados precisam passar por processo de readaptação para encontrar uma nova família
por
Lucas G. Azevedo
Sônia Xavier
|
29/06/2022 - 12h

Ao caminhar pelas ruas brasileiras é comum ver animais vagando sem rumo, em busca de alimento ou apenas atrás de um pouco de atenção. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), há mais de 30 milhões de animais abandonados no país, cerca de 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Muitos grupos dedicam seu tempo para recolher, adaptar e encontrar uma família para eles.

Bruno dos Anjos, gerente do sítio da ONG Cão Sem Dono, disse que a organização cuida atualmente de quase 450 animais, entre eles cerca de 370 cães e 80 gatos. Ele explica como é o processo de resgate: "Quando recebemos o aviso de um animal que precisa ser resgatado, seja por maus tratos ou por situação de rua, nós vamos até o local, recolhemos ele e começamos a nos preparar para realizar os processos que precisam acontecer para disponibilizá-lo a adoção". Ele também complementa ao explicar que não acolhem animais que já possuem donos, mas desejam deixar de ter o animal por alguma razão.

Grávida dá a luz a filhotes na ONG após ser resgatada. Foto: Lucas Azevedo.
Aurora dá a luz a filhotes na ONG após ser resgatada. Foto: Lucas Azevedo.

Após o resgate, os animais precisam passar por procedimentos veterinários a fim de identificar possíveis problemas e deixá-los saudáveis. Carol Perussi, médica veterinária da Clínica Veterinária Popular Cão Sem Dono fala sobre a condição dos animais quando chegam aos seus cuidados: “Normalmente os animais chegam com a doença do carrapato, quase sempre, e também com verme e pulga [...] varia de caso para caso, quando o animal sofre maus tratos ele tá bem abaixo do peso, tem feridas pelo corpo, está bem desnutrido. Quando são cães de rua, eles têm algumas feridas e às vezes um tumor ou um verme." A veterinária esclareceu sobre os procedimentos realizados: "Os animais quando são resgatados, eles passam pelos tratamentos que precisam, seja ganhar peso, cuidar da doença do carrapato, de um tumor. E quando já estão saudáveis nós fazemos a castração, depois as vacinas e a vermifugação para poder disponibilizar para a adoção".

​  Filhotes sob cuidado da clinica veterinária. Foto: Lucas Azevedo.  ​
​  Filhotes sob cuidado da clinica veterinária. Foto: Lucas Azevedo.  ​

Porém, o animal também precisa se acostumar a conviver com humanos, já que em grande parte das vezes, eles chegam nos lares temporários com experiências emocionais fortes e que precisam ser tratadas. Segundo o adestrador de cães Marcos Melo o animal sofre com “traumas, alguns têm medo de pessoas, barulho de moto, de caminhão, de bombas e até de outros cães, o que dificulta a aproximação dos cuidadores”. Bruno contou sobre os procedimentos de adaptação feitos pela ONG Cão Sem Dono com cães vítimas de maus tratos: “Quando o animal passa por maus tratos, ele tem medo do humano, aí o que nós fazemos? Entramos no canil mas não vamos atrás do animal, eu sento aqui, de costas, coloco um petisco no chão e fico aqui, deixo ele se aproximar de mim, deixo o animal pegar confiança, não tento forçar ele a ficar perto de mim”.

Cães vitimas de maus tratos com medo dos humanos. Foto: Lucas Azevedo
Jujuba (esquerda) e Galdino (direita), cães vitimas de maus tratos com medo dos humanos. Foto: Lucas Azevedo

Em alguns casos os animais são adotados antes mesmo de chegar às organizações, como o caso de Preta, uma gatinha adotada ainda filhote por Ester Lessa: “Eu adotei ela com uns dois meses mais ou menos, meu irmão ficou sabendo porque um amigo dele repostou um post de uma outra menina, aí ele viu e pegou ela.” Ester acredita que Preta não sofreu maus tratos antes da adoção por ser uma gata muito dócil: “ela gosta de brincar, gosta de carinho, ela não arranha na maldade se arranha ela tá brincando”.

Preta. Acervo pessoal: Ester Lessa.
Preta. Acervo pessoal: Ester Lessa.

Um caso diferente é o de Mike, adotado por Laís Bonfim com 3 meses de vida e que, apesar de não ter nascido na rua, teve dificuldades no processo de adaptação à nova família: “Foi bem difícil, ele chorava a noite e tinha muito medo”. Laís relata sobre o comportamento dele ser reflexo dos maus tratos sofridos pela mãe enquanto estava na rua: "Ele nasceu na ONG, não foi resgatado. Mas a veterinária disse que ele pegava os traumas da mãe, então ele era realmente muito medroso”. Outro comportamento comentado por Laís é o medo de barulho, homens e de crianças que, para ela, foram adquiridos em outros lares que o cão passou: “toda vez que ele vê uma criança fica muito agitado, começa a se esconder e homens também, principalmente, gente alta”.

Mike era o maior dos filhotes e foi o último da ninhada a ser adotado. Acervo pessoal: Laís Bonfim.
Mike era o maior dos filhotes e foi o último da ninhada a ser adotado. Acervo pessoal: Laís Bonfim.

Nem todo processo de adoção é igual, Bruno dos Anjos explica como são avaliados os possíveis tutores na ONG Cão Sem Dono para que o bem estar do animal seja mantido: ”Não adotamos para qualquer um, não é só chegar e querer o animal, nós conduzimos uma entrevista com o interessado, para saber se ele tem condição de cuidar do animal, se tem a responsabilidade, se vai conseguir realmente cuidar do bicho”.

Bruno finaliza ao dizer como as pessoas podem ajudar os grupos de resgate: "Hoje a parte mais importante para nós é a divulgação, claro que a parte financeira é importante, até porque temos que comprar ração e pagar as contas. Também é muito importante termos pessoas voluntárias para ajudar com os trabalhos. Mas o mais importante de tudo é a divulgação do nosso projeto, é levar os animais em estações do metrô (existe uma parceria entre a ONG e o metrô de São Paulo que os permite realizar feiras de adoção nas estações), em faculdades, postagens em redes sociais, porque aí nós conseguimos levar nossos animais para as pessoas conhecerem. Nós precisamos que eles sejam adotados para poder resgatar novos animais".

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Informalidade na venda de alimentação é a saída possível para fazer frente à inflação
por
Gustavo Zarza
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15/06/2022 - 12h

 

Por Gustavo Zarza

Depois de acordar cedo e trabalhar o dia inteiro, você ainda tem que ir à faculdade, o que te faz pensar duas vezes se vai ou não, mas acaba indo. Chegando no prédio você vê tantas pessoas vendendo comida que te dá fome e você decide comprar algo. Observa uma senhora muito simpática, que chama cada um dos seus clientes de amor, vê que ela vende maravilhosos brownies e compra um. Quando você prova é maravilhoso. Aquele pequeno bolinho, molhadinho por dentro e sequinho por fora faz o teu dia e mata sua fome. 

Provavelmente muitas pessoas já tiveram experiências como essas, talvez não só com brownies, mas com um pastel, um churrasquinho ou uma pamonha. Há sempre aquele vendedor que sabe fazer do melhor jeito e do jeito que você gosta. O que não se sabe, às vezes, é que esses vendedores têm uma história por trás, tem uma vida e um preparo para que você possa ter um pequeno momento de alegria. 

Vera, de 70 anos, é viúva e vende brownies na frente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ela é muito conhecida pelos estudantes que estão ali, chama todos de amor e sempre os agradece, mesmo aos que se recusam a comprar seus brownies. "É para completar a renda" disse Vera, ao ser questionada sobre porque vende os bolinhos. Disse ter passado por muitos apertos, nunca lhe faltou nada, mas teve que economizar muita coisa. Ela, que ainda tem a ajuda da pensão do marido, acorda todos os dias às sete horas da manhã, vai à universidade às nove, para vender sua produção, volta para casa a uma, prepara mais alguns, retorna para a universidade e fica lá até às nove horas da noite, fazendo isso todos os dias, com a intenção de ajudar na renda dela e de sua filha. Ela trabalhou por muito tempo no ramo de alimentação. Já teve um buffet e morou seis anos na Inglaterra preparando e vendendo almoço. Agora, por questões financeiras voltou a trabalhar neste ramo. 

Essa é uma das histórias de vidas de várias pessoas que se encontram vendendo algo ou prestando algum serviço. Muitos precisam fazer algo a mais para completar a sua renda, muito por conta do problema econômico que ocorre no Brasil. Segundo um levantamento da consultoria IDados feita no segundo trimestre de 2021, havia 48,7% da população ocupada  na  informalidade. Isso significa que o Brasil hoje tem mais de 42,7 milhões de trabalhadores informais. Mesmo sem a crise, o trabalho de ambulante é uma opção de muitos, já que não há um patrão e o vendedor controla o seu próprio negócio. Por isso é uma boa saída para quem busca um empreendimento lucrativo e seguro. E para isso é preciso investir.

Célio vende mini pizzas na frente da PUC-SP faz 20 anos e vive somente disso. Quando era motoboy fez uma entrega próximo da universidade. Ao ver o tanto de gente por ali, percebeu que havia uma grande oportunidade. Ele comprou uma máquina de fazer pizzas e começou o seu próprio negócio. Ao passar dos anos seu negócio foi crescendo, os alunos gostando e ele ficou, sempre melhorando e se reinventando. A pandemia também chegou a afetar o seu empreendimento. "Muitos dos alunos que eram meus clientes se formaram e não estão mais aqui, outros são novos, tenho que reconquistar os clientes", disse Célio. 

Esses vendedores são muito bons em ganhar os seus clientes, seja pela qualidade do seu produto ou por sua simpatia. Aqueles que de vez em quando querem comer algo sempre pensam em comprar com aquela pessoa que faz muito bem e vende muito bem, até mesmo porque, há uma história de vida que acompanha o produto em cada venda.

 

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