A experiência de João Pedro mostra como tecnologias assistivas ampliam as possibilidades de mobilidade de pessoas com deficiência física.
por
Dhara Yuki
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26/10/2026 - 12h

Por Dhara Yuki

 

Para João Pedro sair de casa exige pensar além do destino. Antes de atravessar a porta é preciso considerar o caminho, a distância, o tempo que ficará em pé e os recursos que poderá precisar para chegar ao lugar desejado. Dependendo do compromisso, a escolha pode ser uma órtese, uma muleta ou uma cadeira de rodas. A decisão não é apenas sobre como se locomover, mas sobre qual equipamento oferecerá melhores condições para enfrentar o percurso.

Diagnosticado ainda durante a gestação com mielomeningocele, uma má-formação congênita da coluna vertebral, João teve contato com a tecnologia médica antes mesmo de nascer. Durante os exames de pré-natal, sua mãe descobriu a condição e soube que existia a possibilidade de uma cirurgia para corrigir a má-formação ainda dentro do útero. O procedimento, que envolve a abertura do útero para operar a coluna do feto e depois reposicioná-lo, foi uma das primeiras possibilidades de intervenção médica relacionadas à sua condição. Uma das complicações associadas à mielomeningocele é a hidrocefalia, caracterizada pelo acúmulo de líquido nos ventrículos cerebrais. Logo após o nascimento, João passou por uma cirurgia para tratar o problema e recebeu uma válvula que permitia drenar o excesso de líquido. O dispositivo, entretanto, exigia acompanhamento médico e poderia precisar ser substituído ao longo da vida. A possibilidade de depender de um equipamento por tempo indeterminado fez parte de sua história desde o começo. Anos depois, uma nova intervenção médica mudaria essa relação com a tecnologia.

Quando tinha dois anos, a mãe de João descobriu o Hospital Sarah Kubitschek, em Minas Gerais, uma instituição especializada em reabilitação. Lá, ele iniciou um tratamento direcionado às necessidades de pessoas com a mesma deficiência e passou a utilizar órteses de polipropileno, dispositivos que auxiliam a sustentação e o movimento das pernas, e esse acompanhamento durou dez anos. A órtese se tornou parte de sua rotina e permitiu que ele desenvolvesse sua mobilidade com o auxílio do equipamento. Entretanto, conforme crescia, as limitações do material começaram a aparecer. Por volta dos 12 anos, a equipe que o acompanhava informou que as órteses utilizadas até então não seriam mais suficientes para suportar seu peso. Era necessário encontrar outra alternativa.

A busca levou João à Ottobock, uma empresa especializada em soluções de tecnologia assistiva, entre elas órteses e próteses. A alternativa encontrada utilizava fibra de carbono, um material que permite produzir dispositivos leves e resistentes. Porém, o custo representava um obstáculo. Os equipamentos eram caros, e conseguir acesso a uma tecnologia mais adequada às suas necessidades não dependia apenas de sua existência. Na mesma época, João decidiu procurar uma cadeira de rodas motorizada. Embora conseguisse andar com o auxílio da órtese, percorrer longas distâncias provocava cansaço. A cadeira poderia facilitar esses deslocamentos, mas, para adquiri-la, foi necessário organizar uma vaquinha com a ajuda de amigos e familiares.

No entanto, a cadeira não correspondeu às expectativas, pois pesava aproximadamente 70 quilos, sendo difícil transportá-la, e as condições das ruas de Santo André tornavam a locomoção ainda mais complicada. A tecnologia havia sido pensada para facilitar seus deslocamentos, mas o peso do equipamento e as características do espaço urbano acabaram gerando novas dificuldades. A experiência evidencia uma contradição presente no cotidiano de muitas pessoas com deficiência, um dispositivo pode oferecer determinada solução sem necessariamente resolver os problemas encontrados no ambiente em que será utilizado. Não basta que um equipamento permita o deslocamento se o peso, o transporte ou as condições das calçadas dificultam sua utilização.

Aos 15 anos, João enfrentou outro episódio que mudaria sua relação com os recursos médicos. As dores de cabeça se tornaram intensas e não melhoraram nem com o uso de fortes analgésicos. Ao procurar um neurologista, recebeu a orientação de que a válvula implantada após o nascimento deveria ser substituída, mesmo sem estar completamente obstruída, porém outra possibilidade foi levantada, segundo João, o médico havia desenvolvido uma técnica cirúrgica que permitiria tratar a hidrocefalia sem a necessidade de manter a válvula. O procedimento foi realizado fora do convênio porque não oferecia cobertura, e teve o resultado esperado. Desde então, João não precisou mais utilizar o dispositivo. A cirurgia representou uma grande mudança, um recurso que havia acompanhado sua história desde os primeiros dias de vida deixou de ser necessário. O avanço médico não se limitou a substituir um equipamento antigo por outro, mas possibilitou uma nova condição de tratamento. O acesso, porém, teve um custo. A ausência de cobertura pelo convênio fez com que o procedimento dependesse de recursos particulares, revelando que a existência de uma tecnologia não significa que ela esteja disponível para todos que poderiam se beneficiar dela.

Na mesma fase, João conseguiu adquirir uma órtese de fibra de carbono. O equipamento permaneceu com ele por aproximadamente seis anos, período em que o dispositivo acompanhou seu crescimento e suas necessidades. Agora, ele se prepara para trocá-lo por um modelo mais recente, desenvolvido para corrigir melhor sua marcha e oferecer menor peso. A evolução das órteses mostra como a tecnologia assistiva não se resume à criação de um equipamento. Os dispositivos também passam por aperfeiçoamentos que podem modificar sua eficiência, seu conforto e a forma como se integram à rotina de quem os utiliza. Para João, a troca representa a possibilidade de contar com um recurso mais adequado às necessidades atuais, depois de anos utilizando o mesmo equipamento.

A cadeira de rodas também ganhou uma nova versão. Durante um intercâmbio na Itália, João passou os primeiros 15 dias acompanhado da mãe para compreender como seria sua rotina no país e avaliar as dificuldades de deslocamento. Percebeu que não conseguiria percorrer todos os trajetos apenas com a órtese. Dessa vez, encontrou uma cadeira mais leve, compacta e acessível financeiramente. O modelo atual pesa 27 quilos, dobra-se como um carrinho de bebê e custou menos da metade do preço da primeira cadeira motorizada que havia adquirido.

Hoje, João alterna os recursos de acordo com a necessidade. Nos dias em que precisa comparecer presencialmente a compromissos que exigem permanecer muito tempo em pé, utiliza a cadeira de rodas. Para ir à faculdade, quando considera o percurso viável, prefere a órtese e a muleta. A escolha também depende das condições do caminho. Em ruas irregulares ou em trajetos nos quais precisa ter maior controle dos movimentos, a cadeira pode ser menos prática do que a muleta. O equipamento mais avançado, portanto, não é necessariamente o mais adequado em todas as situações. A autonomia está também na possibilidade de escolher o recurso que melhor responde às necessidades de cada deslocamento.

Dentro de casa, a rotina é diferente. João utiliza um assento fixo durante o banho por causa da dificuldade para permanecer em pé por muito tempo, mas fora isso, sua casa não conta com adaptações específicas para sua condição, inclusive, consegue subir e descer escadas, mas algumas tarefas mais simples, como levar um copo ou um prato da pia até a mesa, exigem atenção para evitar desequilíbrios. A tecnologia, nesse contexto, não elimina todas as dificuldades. Mesmo com os equipamentos que utiliza, existem situações em que a organização dos espaços e as características do ambiente interferem diretamente em sua autonomia.

A mesma questão aparece quando João vai à faculdade. A instituição realiza a chamada por meio do sistema da catraca, mas a entrada principal não oferece acessibilidade. Para conseguir entrar, ele precisa utilizar o portão dos fundos, que permite a passagem, mas não conta com o sistema de registro de presença. A solução encontrada pela instituição para registrar presença aos alunos não contempla todos da mesma maneira. O problema não está na capacidade de João de frequentar as aulas, mas na ausência de uma estrutura que permita que ele acesse o espaço e cumpra os procedimentos institucionais nas mesmas condições que os demais estudantes. Segundo ele, mesmo após uma reforma na faculdade, a questão permaneceu sem solução. Essa situação diz que a acessibilidade não depende exclusivamente de equipamentos individuais ou de avanços na medicina, mas também de planejamento dos espaços coletivos e dos serviços utilizados diariamente.

A autonomia de João se estende ainda à direção de veículos. Desde 2023, ele tem carteira de habilitação e pode dirigir, mas precisa utilizar um carro adaptado. Como não consegue acionar os pedais convencionais da maneira habitual, o veículo possui uma haste que permite acelerar e frear manualmente e um pomo giratório instalado no volante que facilita as manobras com apenas uma das mãos. O carro também precisa ter câmbio automático, já que o sistema de adaptação utilizado não funciona com embreagem convencional.

Da cirurgia realizada ainda na infância aos equipamentos utilizados para andar e dirigir, a tecnologia atravessa diferentes etapas da vida de João. Em alguns momentos, aparece como uma intervenção médica capaz de modificar um tratamento, em outros, como um dispositivo que facilita um trajeto ou permite realizar uma atividade cotidiana. Mas sua experiência também mostra que a autonomia não depende apenas do desenvolvimento de novos recursos. O preço dos equipamentos, a cobertura dos procedimentos médicos, as condições das ruas e a acessibilidade das instituições interferem diretamente nos benefícios que essas tecnologias podem oferecer.

Para João, sair de casa sem nenhum dispositivo de auxílio não é uma possibilidade viável. Em seus deslocamentos, órtese, muleta e cadeira de rodas cumprem funções diferentes, escolhidas de acordo com o percurso e o tempo que precisará permanecer em movimento. O desenvolvimento de equipamentos mais leves, resistentes e funcionais amplia as possibilidades de mobilidade, mas não transforma automaticamente os espaços em ambientes acessíveis. Quando uma cadeira de rodas encontra dificuldades nas ruas ou um estudante precisa utilizar uma entrada alternativa para chegar à faculdade, fica evidente que a inovação tecnológica e a inclusão não avançam necessariamente no mesmo ritmo. A história de João revela duas dimensões de uma mesma questão, a importância de tecnologias que respondam às necessidades das pessoas com deficiência e a necessidade de ambientes preparados para que elas possam utilizá-las. Afinal, não basta desenvolver equipamentos capazes de ampliar a autonomia se os caminhos que levam à universidade, ao trabalho e aos demais espaços da vida cotidiana continuam impondo barreiras.

 

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Franquia de games do lendário skatista da Califórnia trouxe o universo do esporte para os holofotes ao longo das décadas
por
Ivo Leite
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23/10/2026 - 12h

 

Jogar videogame é uma atividade que pode inspirar e fazer sonhar, seja para ser jogador de futebol com títulos como FIFA e PES, por exemplo, ou skatista. Vários jovens começaram a se prestar atenção no universo das quatro rodinhas por meio de um amigo ou por si só. Mas, será que houve algo a mais que despertasse esse interesse?

Em 29 de Setembro de 1999, o jogo Tony Hawk Pro Skater, do skatista californiano Tony Hawk, chegou ao mercado para o console Playstation. O game foi um pontapé inicial para o surgimento de uma franquia de sucesso que vendeu mais de 350 mil cópias só nos três primeiros meses daquele ano. 

Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT
 Versão do jogo para PC. Foto Ivo Leite/AGEMT

 

Criada em parceria com a Activision, uma das maiores e mais influentes distribuidoras de jogos eletrônicos do mundo, a franquia ficou famosa por sua jogabilidade arcade rápida. Após grande êxito com o Playstation, o game foi para outros consoles como o Nintendo 64, Game Boy Color, Dreamcast e N-Gage.

As variações foram sendo criadas com a essência do jogo original. Tony Hawk Pro Skater Underground é um exemplo dessas sequências, dentre outras que surgiram. Houve alguns experimentos como em Tony Hawk Ride que, diferente de seus antecessores, usava um periférico físico em formato de skate como controle. 

 

Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90, o dobro de um game comum na época - Reprodução/Mercado Livre
Por conta do acessório, o jogo custava US$119,90 - o dobro de um game comum na época Foto: Reprodução/ anúncio Mercado Livre 

Em 2020, a franquia foi remasterizada com gráficos hiper modernos, lançando o Tony Hawk 1 + 2, premiado como melhor jogo de esporte em eventos como o The Game Awards e o D.I.C.E. Awards. E em 2025, a coletânea Pro Skater 3 + 4 veio ao mercado para concretizar a volta do título.

“Cresci jogando e isso certamente me influenciou a me aventurar sobre quatro rodinhas”, afirma o gamer e skatista Felipe Dias, de 23 anos, que atualmente deseja se formar no curso de Design de Games. “Quero sempre me lembrar de como me apaixonei pelo esporte”, finaliza Dias.

 

Manobras e pistas com dinâmica real . Foto Ivo Leite/AGEMT
Manobras e pistas com dinâmica real Foto: Ivo Leite/AGEMT

 

Um dos pontos  altos da série de jogos Tony Hawk está nas trilhas sonoras marcantes. Gerações de apaixonados por grandes bandas ouviram e se lembram de pelo menos uma música presente nos jogos. A lista compõe diversos estilos musicais como hardcore, punk rock, hip-hop, ska punk e metal. Destaque para “No Cigar”, do Millencolin; “Guerrilla Radio” do Rage Against the Machine e “Superman”do Goldfinger. 

Nesse tempo, o skate se tornou um esporte de grande expressão chegando a compor até os Jogos Olímpicos, a partir de 2020. E a ascensão de sua prática também pode ser avaliada pela influência de jogos digitais como o Tony Hawk Pro Skater. 

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Uma mudança na mentalidade corporativista do brasileiro está atrelada à luta pela redução de horas trabalhadas
por
Clara Dell'Armelina
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19/05/2026 - 12h

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou um maior fôlego nos últimos dias após a Câmara dos Deputados confirmar para 26 de maio deste ano a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o descanso dos trabalhadores brasileiros. A medida pode impactar cerca de 16 milhões de trabalhadores que atualmente atuam no modelo de seis dias de trabalho para apenas um de repouso. O avanço da proposta ocorre em meio à pressão popular, com apoio de centrais sindicais e resistência de parte do empresariado, e corrida eleitoral.

Foram reacendidas as discussões entre empresários, trabalhadores e especialistas sobre produtividade, saúde mental e reorganização do mercado de trabalho. Para a economista e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira, Dirlene Silva, em entrevista à AGEMT, o debate vai além das planilhas econômicas e exige uma mudança estrutural na forma como o trabalho é pensado no Brasil, “essa transição exige mais do que um ajuste de escala, ela exige mudança de modelo de gestão e de mentalidade”, afirma.

Dirlene Silva: Economista e mestre em Gestão e Negócios, é fundadora e CEO da DS Estratégia de Educação e Inteligência Financeira.
Dirlene Silva (Foto: Fábio Chialastri)

Segundo Dirlene, experiências internacionais em países como Islândia e Reino Unido mostraram que jornadas reduzidas podem manter, ou até mesmo chegar a elevar, a produtividade quando acompanhadas de reorganização dos processos internos, “esses países demostraram que o ganho vem da reorganização do trabalho, não da redução pura e simples de horas. Na prática, as empresas precisam atuar nas frentes de revisão de processos, gestão por resultados, redistribuição de jornadas e mudança de mentalidade”, explica Silva, que sugere que devem especialmente procurar buscar uma transformação da cultura corporativa, abandonando a lógica de que longas jornadas representam maior eficiência e reconhecendo que descanso e bem-estar também impactam diretamente a produtividade do trabalhador. “A economia é, sobretudo, sobre pessoas. E pessoas não produzem de forma linear ao longo de horas extensas”, diz ela.

O aumento de receita registrado em empresas que adotaram jornadas reduzidas está ligado diretamente ao ganho de eficiência operacional e ao bem-estar dos trabalhadores. Experiências internacionais reforçam essa lógica de que menos horas de trabalho podem significar mais foco, menos retrabalho e melhor aproveitamento do tempo. Em 2019, a filial japonesa da Microsoft registrou aumento de quase 40% na produtividade após implementar uma semana de quatro dias de trabalho, além de reduzir gastos com energia e reuniões mais longas. Para Dirlene, empresas que cuidam das pessoas conseguem maior consistência na entrega de resultados. “Seres humanos precisam de descanso para produzirem melhor”, afirma.

Prédio da Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock
Microsoft - Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

Falar sobre o adoecimento físico e mental dos trabalhadores é também falar sobre os impactos econômicos para empresas e para o próprio Estado, especialmente nas áreas de saúde pública e previdência. “Ao longo de mais de 30 anos no corporativo, vi muitas pessoas adoecerem e até morrerem por excesso de trabalho”, relata. Para Dirlene, jornadas menores favorecem equilíbrio emocional, melhora na tomada de decisão e redução do adoecimento mental. “Economia não acontece só na planilha, acontece também no comportamento. E comportamento melhora quando as condições melhoram”, explica.

Toda essa discussão também expõe desigualdades históricas do mercado de trabalho brasileiro, os trabalhadores submetidos às jornadas mais longas geralmente ocupam cargos menos valorizados e recebem salários menores. “Não é a quantidade de horas que determina o nível de renda, mas o tipo de trabalho, o nível de qualificação e a posição ocupada na estrutura produtiva”, afirma.

A CEO ainda aponta que, no Brasil, a cultura da hora extra muitas vezes se transforma em complemento salarial, refletindo baixos salários estruturais, “ainda convivemos com um cenário em que trabalhar mais horas não significa, necessariamente, ganhar mais”. Uma pesquisa da Catho reforça esse cenário apontando que 60,7% dos trabalhadores brasileiros fazem horas extras regularmente e, segundo o levantamento, muitas empresas ampliam a carga de trabalho dos funcionários como estratégia para aumentar a produtividade, algo que contribui para a normalização das jornadas extensas no mercado de trabalho do Brasil.

Gráfico da pesquisa da Catho
(Foto: Reprodução/Catho)

Dirlene acredita que a principal barreira para a aprovação definitiva da medida ainda é cultural, ela diz que ainda “existe uma lógica muito antiga baseada em controle de jornada, não em produtividade”. Ela defende que o país precisa compreender que desenvolvimento econômico sustentável depende diretamente das condições de vida dos trabalhadores pois “não existe desenvolvimento sustentável com pessoas adoecendo para sustentar o sistema”, conclui.

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Em meio ao envelhecimento de cada indivíduo, uma vida digna é garantida para todos. E deveria ser assim, mas a realidade de muitos é contraditória.
por
Alice Begnini
Rafaella Lalo
Heloá Hurtado
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09/04/2026 - 12h

Por trás de peles enrugadas, histórias invisíveis que não são contadas nas visitas, que por vezes nem se quer existem, um capítulo que não é mostrado nas fotos de família. Os corredores são silenciosos, com rotinas organizadas e uma saudade sem tamanho: A família. Abraços, ligações e o próprio calor humano se tornam ausentes, aquela presença de quem fez parte da história, não está mais ali. Os olhares esperançosos entre as portas, esperando a entrada de alguém que talvez não venha mais.

A carência, não é apenas algo físico, ela se torna algo estrutural. O dia que era marcado por encontros, passa a ser marcado por rotinas rígidas, silenciosas, que nem sempre são sinônimos de paz. As datas comemorativas, nem sequer existem, não são compartilhadas. Mesmo com profissionais dedicados e capazes, há um espaço que nenhuma instituição irá suprir, onde o abandono familiar se instala.

Pensando nesse sentido, observa-se que a superlotação piora a realidade. O espaço acolhedor se torna insuficiente perante a grande demanda, idosos começam a dividir quartos, rotinas e além de tudo suas histórias. Aquela atmosfera que indica transmitir cuidado, afeto e tranquilidade, torna- se hostil, provocando uma crise emocional, social e humana.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registraram um grande aumento na população idosa entre 2010 e 2022, além de apontar que o número de idosos que residem em abrigos cresceu 65% em 10 anos.

Profissional auxiliando a mobilidade de um idoso que necessita de cuidados.
Idosos representam cerca de 15% da população. Foto:pixabay.

Segundo Flávia Damião, enfermeira, que atua no Lar Sant’Ana Residencial: “É muito comum a ocorrência de abandono, mesmo em residências de famílias com boas condições financeiras.” A afirmação da enfermeira evidencia que o abandono familiar perpassa a saúde mental e física dos idosos.

Há cinco anos atuando na área, Damião presencia o cotidiano e os desafios desse ambiente. No lugar onde trabalha, residem cerca de 100 idosos que estão inseridos em atividades de dança, exercício físico e fisioterapia. Segundo ela, essas práticas contribuem diretamente para a saúde mental e favorecem a socialização entre eles.

Contudo, o cuidado profissional não ocupa todas as faltas. “Apesar das condições, eles ainda são muito carinhosos “, afirma. Ao falar sobre o afastamento familiar, ela é clara: “É comum, inclusive em um residencial de alto padrão. “Eles sentem muito. Ela não sabe mais quem eu sou, mas eu sei quem ela é”. Aponta um relato presenciado pela enfermeira.

A força desse abandono é complexa e afeta a saúde física e mental. Entretanto, não é pontuado um único motivo para esse afastamento familiar, a falta de tempo, rotina de trabalho intenso, dificuldade em lidar com os cuidados e até mesmo o desespero emocional. Cada caso tem o peso de sua história, de suas vivências. “Eu não sei o passado deles, nem como era a convivência com a família. Eu não sei quem ele foi, eu sei o que ele é aqui”, aponta Flávia.

A psicóloga Normal Richter, explica que a solidão pode gerar ou piorar um quadro de saúde. “Quando estão em estado de lucidez, é comum que sintam raiva, tristeza e sentimentos que intensificam a impressão de abandono e ingratidão por parte da família.

Porém, nem sempre é assim dentro dessas casas. Ailton Luiz, filho de uma ex-residente dessas casas de repouso, aponta uma vivência diferente. Ailton acompanhou de perto o tempo que sua mãe esteve dentro desse ambiente e afirma o cuidado recebido. “Eles tinham bastante assistência. O cuidado era 24 horas, não só físico, mas com relação aos medicamentos também. Segundo ele, existia um cuidado com o bem-estar. “Eles passeavam com ela nos espaços da casa, conversavam, não deixavam ela parada, isso fazia a diferença.”

Idosos fazendo atividades em conjunto.
Pessoas da terceira idade que praticam atividades regulares tem até 30% menos risco de ter doenças como a depressão. Foto:@larsantanaresidencial.

O relato dele, aponta que, se existissem estruturas próprias e adequadas, profissionais prontos e investimentos para os medicamentos as residências poderiam sim cumprir seu objetivo, mas essa não é a realidade de muitos.

Flávia Damião relembra algumas situações delicadas em instituições públicas. “Os quartos estavam tão cheios que não tinha como passar. Em muitos casos, os idosos chegam por resgates, retirados de situações de extrema vulnerabilidade.”

A forma precária vai além da estrutura em si, em algumas instituições há ausência de medicamentos, fraldas e até mesmo itens de higiene básica. Por diversas vezes campanhas e organizações dos próprios funcionários arrecadam os itens necessários e se propõem para buscar vagas em outras casas que não estão superlotadas. É um apoio improvisado, que acaba mantendo de maneira básica aquele ambiente, por meio de iniciativas individuais ou coletivas do que propriamente de uma ação do poder público.

Flávia afirma que o cuidado emocional não pode ser sistematizado. “Trabalhar com idoso é um grande desafio”. Destaca que esse tipo de trabalho exige sim preparo, mas acima de tudo sensibilidade perante as histórias marcadas muitas vezes, pela própria ausência.

A enfermeira ainda conclui, “Gostaria que esse público fosse mais olhado. Que não precisassem ser abrigados em casas de níveis precários. Que todos pudessem ter um envelhecimento digno”.

Diante desse cenário, a superlotação e o afastamento familiar dos idosos apontam mais falhas estruturais, demonstram a forma com que a sociedade tem lidado com o envelhecimento. Provocada não apenas pela falta de recursos, mas também pela falta de vínculo, comprometimento e responsabilidade.

Desse modo, comportamentos que afetam a dignidade dos idosos violam e desrespeitam os direitos pregados pelo Estatuto da Pessoa Idosa, que prezam pela segurança e cuidado absoluto, protegendo de qualquer negligência, discriminação, violência e crueldade. 

Entretanto, com o aumento do envelhecimento populacional, o vínculo afetivo se destaca em meios de prevenção contra a decadência da saúde mental e física dos idosos, entregando para a sociedade conscientização das obrigações que são implementadas sobre os cuidados e responsabilidades sobre pessoas idosas. Por trás de um corpo que não tem a mesma agilidade de antes e uma mente que hoje não é tão lúcida, existem histórias que um dia foram momentos importantes e fizeram parte da trajetória de vida de alguém. Cabe à comunidade honrar essa história e lembrá-los de sua importância dentro do espaço onde vivem, reafirmando que eles são seres humanos e merecem respeito e qualidade de vida digna.

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Trajetória de Paulo Ignez revela a luta, persistência e um amor inabalável pelo desenho.
por
Victória Ignez
Isadora Cobra
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13/11/2025 - 12h

  

A primeira memória que Paulo Lemes Ignez Jr. guarda de si mesmo é ele desenhando. O papel, o lápis e o silêncio curioso da infância nunca foram passatempo, eram destino. Aos 8 anos, já imitava o pai, copiando cada linha com a urgência de quem sabia, mesmo sem saber, que a arte seria seu caminho. E foi. 

Fotografia de Paulo Ignez Junior
Acervo Pessoal: Paulo Ignez Junior

Hoje, aos 42 anos, Paulo é um dos nomes mais respeitados do mercado de animação e games, com mais de 23 anos de carreira. Atuou como Animador e Character Designer em produções nacionais e internacionais, como o filme “A Princesa e o Sapo” (Disney Feature Animation), os curtas “Eu Juro que Vi” (MultiRio) e o game “Chef Squad” (Eldorado Studios). Há 15 anos também ministra cursos sendo 13 deles na ICS, formando artistas que hoje vivem do que ele ensinou. Atualmente, trabalha como supervisor de animação em dois grandes estúdios e dedica parte de seus dias à carreira autoral como artista visual. 

Mas o caminho até aqui nunca foi linear. Nunca foi fácil. Nunca foi garantido. 

Paulo nasceu em 1983, cresceu entre mudanças, escolas diferentes e amigos que, por coincidência ou destino, também desenhavam. Uma sincronia que, hoje, ele entende como combustível. As referências vinham de todo lugar: animes, quadrinhos de super-heróis e revistas sobre games e animação. Assim a paixão dele por esse mundo foi crescendo. 

Aos 15, era impossível e injusto pedir que ele seguisse qualquer outro caminho. Começou a trabalhar cedo, entrou em uma escola de animação sem ter dinheiro para continuar pagando, foi nessa mesma instituição que conseguiu o primeiro emprego, porque o diretor da escola também tinha um estúdio de animação chamado HGN Produções e então surgiu a oportunidade de começar como estagiário, ele conta que ganhava “bem pouco”, mas seu talento falou primeiro, o diretor jogou no mercado, onde Paulo cresceu estúdio após estúdio, quadro após quadro. 

Paulo sempre teve vontade de trabalhar para fora do país, e durante os trabalhos no Brasil, conheceu um profissional de animação que trabalhou para produções da Disney. Ele conta que, no estúdio esse produtor, havia os livros dos filmes da Disney, como eram feitos, e tinha fitas de videocassete que mostravam os estúdios, o make-off dos filmes. Foi então que Paulo teve uma virada de chave e se programou para morar no Canadá. Seu objetivo era aprimorar seu inglês e se especializar ainda mais no seu trabalho. 

Ele sempre soube o que era capaz de fazer, o mundo ao redor é que demorou a perceber.  

No início, o desafio era ser levado a sério. Jovem demais, rápido de menos, eficiente de mais em um ambiente que testava seus limites diariamente. Aprendeu a se comunicar, a trabalhar em equipe, a entregar rápido, a lidar com pressões que quebram muitos no começo. Mais tarde, quando virou supervisor com pouco mais de 20 anos, sentiu a resistência de profissionais mais velhos que não o viam como autoridade. Era um menino em um cargo de adulto, mas ele persistiu. Foi ganhando confiança, velocidade, precisão. Foi deixando de ser promessa para se tornar referência. 

Paulo trabalhou na equipe brasileira que animou cenas de “A Princesa e o Sapo”, da Disney. Remotamente, mas com padrão internacional e supervisores exigentes. Foi selecionado para cenas complexas, revisou trabalhos de outros artistas, coordenou uma pequena equipe. Diz que foi um dos trabalhos mais cansativos da vida e um dos mais marcantes. Visitou o estúdio da Disney. Viu de perto aqueles que admirou por anos. Confirmou que conseguia ocupar esse espaço.  

Para ele, o mercado de animação no Brasil anda “em passos de formiga”. Falta investimento governamental, as políticas de incentivo oscilam e a maioria dos melhores artistas do país trabalha para fora como ele. Paulo não romantiza o setor, sabe que não é do governo que virá o reconhecimento, e sim da própria força de cada artista. 

Ainda assim, vê valor no que muitos produzem com poucos recursos, e acredita que artistas não podem depender do que nunca veio de forma consistente. 

Paulo não se vê como alguém que “transforma o mundo”, mas sabe que seu trabalho influencia principalmente crianças. Ao mesmo tempo, é crítico do conteúdo que chega ao público infantil, afirmando que a maioria dos desenhos e games consumidos hoje têm mais potência negativa do que positiva. Para ele, o filtro dos pais é essencial. E lembra algo importante: quem realmente molda a sociedade são as narrativas mais realistas, filmes, séries, histórias que tratam do humano. A animação, segundo ele, toca mais as crianças, mas não define culturas inteiras. 

O dia de Paulo começa cedo e termina tarde. Supervisiona equipes, revisa desenhos, faz correções, participa de reuniões com diretores internacionais e, à noite, dá aula até as 22h30. Quando sobra tempo e quase nunca sobra, ele relaxa desenhando para si, andando de patins ou tocando violão. Também mergulha em estudos de filosofia, religiões comparadas e mitologia. Esse é o espaço onde respira. 

O pai que viu o artista nascer 

Paulo Tadeu Ignez, pai, acompanhou tudo desde o primeiro traço. “Desde sempre. Começou com uns 8 anos, quando ele me via desenhando.” Ele não só viu, apoiou, pagou cursos, incentivou o que podia. Hoje, fala com orgulho: “Ele ensinou muita gente. Imagine quantas pessoas vivem de desenho porque aprenderam com ele. Na comunidade artística, ele é conhecido como mestre.” Mas também revela saudades: “Ele se tornou um pouco antissocial, sempre focado no trabalho dele, prioriza os estudos.” Nos próximos anos, Paulo, o filho, quer expandir o trabalho autoral, criar uma marca própria, produzir pinturas, ilustrações, fine art, talvez expor em galerias. Também quer manter o ensino vivo formando mais artistas, como quem devolve ao mundo aquilo que recebeu. Ele sabe que o Brasil talvez nunca dê o reconhecimento que sua área merece. Mas também sabe que o mundo reconhece e isso basta. Porque, no fim, Paulo continua sendo o menino que desenhava para mostrar às pessoas. Agora, a diferença é que o mundo inteiro olha de volta.

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Animais resgatados precisam passar por processo de readaptação para encontrar uma nova família
por
Lucas G. Azevedo
Sônia Xavier
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29/06/2022 - 12h

Ao caminhar pelas ruas brasileiras é comum ver animais vagando sem rumo, em busca de alimento ou apenas atrás de um pouco de atenção. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), há mais de 30 milhões de animais abandonados no país, cerca de 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Muitos grupos dedicam seu tempo para recolher, adaptar e encontrar uma família para eles.

Bruno dos Anjos, gerente do sítio da ONG Cão Sem Dono, disse que a organização cuida atualmente de quase 450 animais, entre eles cerca de 370 cães e 80 gatos. Ele explica como é o processo de resgate: "Quando recebemos o aviso de um animal que precisa ser resgatado, seja por maus tratos ou por situação de rua, nós vamos até o local, recolhemos ele e começamos a nos preparar para realizar os processos que precisam acontecer para disponibilizá-lo a adoção". Ele também complementa ao explicar que não acolhem animais que já possuem donos, mas desejam deixar de ter o animal por alguma razão.

Grávida dá a luz a filhotes na ONG após ser resgatada. Foto: Lucas Azevedo.
Aurora dá a luz a filhotes na ONG após ser resgatada. Foto: Lucas Azevedo.

Após o resgate, os animais precisam passar por procedimentos veterinários a fim de identificar possíveis problemas e deixá-los saudáveis. Carol Perussi, médica veterinária da Clínica Veterinária Popular Cão Sem Dono fala sobre a condição dos animais quando chegam aos seus cuidados: “Normalmente os animais chegam com a doença do carrapato, quase sempre, e também com verme e pulga [...] varia de caso para caso, quando o animal sofre maus tratos ele tá bem abaixo do peso, tem feridas pelo corpo, está bem desnutrido. Quando são cães de rua, eles têm algumas feridas e às vezes um tumor ou um verme." A veterinária esclareceu sobre os procedimentos realizados: "Os animais quando são resgatados, eles passam pelos tratamentos que precisam, seja ganhar peso, cuidar da doença do carrapato, de um tumor. E quando já estão saudáveis nós fazemos a castração, depois as vacinas e a vermifugação para poder disponibilizar para a adoção".

​  Filhotes sob cuidado da clinica veterinária. Foto: Lucas Azevedo.  ​
​  Filhotes sob cuidado da clinica veterinária. Foto: Lucas Azevedo.  ​

Porém, o animal também precisa se acostumar a conviver com humanos, já que em grande parte das vezes, eles chegam nos lares temporários com experiências emocionais fortes e que precisam ser tratadas. Segundo o adestrador de cães Marcos Melo o animal sofre com “traumas, alguns têm medo de pessoas, barulho de moto, de caminhão, de bombas e até de outros cães, o que dificulta a aproximação dos cuidadores”. Bruno contou sobre os procedimentos de adaptação feitos pela ONG Cão Sem Dono com cães vítimas de maus tratos: “Quando o animal passa por maus tratos, ele tem medo do humano, aí o que nós fazemos? Entramos no canil mas não vamos atrás do animal, eu sento aqui, de costas, coloco um petisco no chão e fico aqui, deixo ele se aproximar de mim, deixo o animal pegar confiança, não tento forçar ele a ficar perto de mim”.

Cães vitimas de maus tratos com medo dos humanos. Foto: Lucas Azevedo
Jujuba (esquerda) e Galdino (direita), cães vitimas de maus tratos com medo dos humanos. Foto: Lucas Azevedo

Em alguns casos os animais são adotados antes mesmo de chegar às organizações, como o caso de Preta, uma gatinha adotada ainda filhote por Ester Lessa: “Eu adotei ela com uns dois meses mais ou menos, meu irmão ficou sabendo porque um amigo dele repostou um post de uma outra menina, aí ele viu e pegou ela.” Ester acredita que Preta não sofreu maus tratos antes da adoção por ser uma gata muito dócil: “ela gosta de brincar, gosta de carinho, ela não arranha na maldade se arranha ela tá brincando”.

Preta. Acervo pessoal: Ester Lessa.
Preta. Acervo pessoal: Ester Lessa.

Um caso diferente é o de Mike, adotado por Laís Bonfim com 3 meses de vida e que, apesar de não ter nascido na rua, teve dificuldades no processo de adaptação à nova família: “Foi bem difícil, ele chorava a noite e tinha muito medo”. Laís relata sobre o comportamento dele ser reflexo dos maus tratos sofridos pela mãe enquanto estava na rua: "Ele nasceu na ONG, não foi resgatado. Mas a veterinária disse que ele pegava os traumas da mãe, então ele era realmente muito medroso”. Outro comportamento comentado por Laís é o medo de barulho, homens e de crianças que, para ela, foram adquiridos em outros lares que o cão passou: “toda vez que ele vê uma criança fica muito agitado, começa a se esconder e homens também, principalmente, gente alta”.

Mike era o maior dos filhotes e foi o último da ninhada a ser adotado. Acervo pessoal: Laís Bonfim.
Mike era o maior dos filhotes e foi o último da ninhada a ser adotado. Acervo pessoal: Laís Bonfim.

Nem todo processo de adoção é igual, Bruno dos Anjos explica como são avaliados os possíveis tutores na ONG Cão Sem Dono para que o bem estar do animal seja mantido: ”Não adotamos para qualquer um, não é só chegar e querer o animal, nós conduzimos uma entrevista com o interessado, para saber se ele tem condição de cuidar do animal, se tem a responsabilidade, se vai conseguir realmente cuidar do bicho”.

Bruno finaliza ao dizer como as pessoas podem ajudar os grupos de resgate: "Hoje a parte mais importante para nós é a divulgação, claro que a parte financeira é importante, até porque temos que comprar ração e pagar as contas. Também é muito importante termos pessoas voluntárias para ajudar com os trabalhos. Mas o mais importante de tudo é a divulgação do nosso projeto, é levar os animais em estações do metrô (existe uma parceria entre a ONG e o metrô de São Paulo que os permite realizar feiras de adoção nas estações), em faculdades, postagens em redes sociais, porque aí nós conseguimos levar nossos animais para as pessoas conhecerem. Nós precisamos que eles sejam adotados para poder resgatar novos animais".

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Informalidade na venda de alimentação é a saída possível para fazer frente à inflação
por
Gustavo Zarza
|
15/06/2022 - 12h

 

Por Gustavo Zarza

Depois de acordar cedo e trabalhar o dia inteiro, você ainda tem que ir à faculdade, o que te faz pensar duas vezes se vai ou não, mas acaba indo. Chegando no prédio você vê tantas pessoas vendendo comida que te dá fome e você decide comprar algo. Observa uma senhora muito simpática, que chama cada um dos seus clientes de amor, vê que ela vende maravilhosos brownies e compra um. Quando você prova é maravilhoso. Aquele pequeno bolinho, molhadinho por dentro e sequinho por fora faz o teu dia e mata sua fome. 

Provavelmente muitas pessoas já tiveram experiências como essas, talvez não só com brownies, mas com um pastel, um churrasquinho ou uma pamonha. Há sempre aquele vendedor que sabe fazer do melhor jeito e do jeito que você gosta. O que não se sabe, às vezes, é que esses vendedores têm uma história por trás, tem uma vida e um preparo para que você possa ter um pequeno momento de alegria. 

Vera, de 70 anos, é viúva e vende brownies na frente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ela é muito conhecida pelos estudantes que estão ali, chama todos de amor e sempre os agradece, mesmo aos que se recusam a comprar seus brownies. "É para completar a renda" disse Vera, ao ser questionada sobre porque vende os bolinhos. Disse ter passado por muitos apertos, nunca lhe faltou nada, mas teve que economizar muita coisa. Ela, que ainda tem a ajuda da pensão do marido, acorda todos os dias às sete horas da manhã, vai à universidade às nove, para vender sua produção, volta para casa a uma, prepara mais alguns, retorna para a universidade e fica lá até às nove horas da noite, fazendo isso todos os dias, com a intenção de ajudar na renda dela e de sua filha. Ela trabalhou por muito tempo no ramo de alimentação. Já teve um buffet e morou seis anos na Inglaterra preparando e vendendo almoço. Agora, por questões financeiras voltou a trabalhar neste ramo. 

Essa é uma das histórias de vidas de várias pessoas que se encontram vendendo algo ou prestando algum serviço. Muitos precisam fazer algo a mais para completar a sua renda, muito por conta do problema econômico que ocorre no Brasil. Segundo um levantamento da consultoria IDados feita no segundo trimestre de 2021, havia 48,7% da população ocupada  na  informalidade. Isso significa que o Brasil hoje tem mais de 42,7 milhões de trabalhadores informais. Mesmo sem a crise, o trabalho de ambulante é uma opção de muitos, já que não há um patrão e o vendedor controla o seu próprio negócio. Por isso é uma boa saída para quem busca um empreendimento lucrativo e seguro. E para isso é preciso investir.

Célio vende mini pizzas na frente da PUC-SP faz 20 anos e vive somente disso. Quando era motoboy fez uma entrega próximo da universidade. Ao ver o tanto de gente por ali, percebeu que havia uma grande oportunidade. Ele comprou uma máquina de fazer pizzas e começou o seu próprio negócio. Ao passar dos anos seu negócio foi crescendo, os alunos gostando e ele ficou, sempre melhorando e se reinventando. A pandemia também chegou a afetar o seu empreendimento. "Muitos dos alunos que eram meus clientes se formaram e não estão mais aqui, outros são novos, tenho que reconquistar os clientes", disse Célio. 

Esses vendedores são muito bons em ganhar os seus clientes, seja pela qualidade do seu produto ou por sua simpatia. Aqueles que de vez em quando querem comer algo sempre pensam em comprar com aquela pessoa que faz muito bem e vende muito bem, até mesmo porque, há uma história de vida que acompanha o produto em cada venda.

 

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Bolsonaro ataca Fachin, Rússia anuncia corredor humanitário em Severodonetsk, BTS anuncia pausa da banda e mais
por
José dos Santos
Letícia Coimbra
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14/06/2022 - 12h

Política

Bolsonaro diz que eleição é tema de segurança nacional e ataca o ministro Edson Fachin, presidente do TSE. 

 

Mais ataques 

Nesta terça-feira (14), durante a cerimônia de abertura do 5º Fórum de Investimentos Brasil, o BIF, em São Paulo (SP), o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez referência à fala do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, sobre políticos que disseminarem fake news terem seus mandatos cassados em tom de ironia. 

“Por que quem duvidar do sistema eletrônico vai ter registro cassado e ser preso? Sou obrigado a confiar? Eu posso apresentar falhas? Posso dizer, como foi em 2014, que no meu entendimento técnico o Aécio ganhou? E eu, com documentação que tenho do próprio TSE, falar que ganhei no 1º turno? Não posso falar isso? Vão cassar o meu registro?”, disse.

Além disso, o presidente teceu elogios ao ofício enviado pelo ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, na última sexta ao TSE, no qual o remetente afirma que as Forças Armadas não se sentem prestigiadas pela instituição. 

“Uma nota do ministro da Defesa —são 23 itens e vale a pena ler — termina dizendo que é temerário concluirmos um processo eleitoral sob o manto da desconfiança. As eleições são questões de segurança nacional”, disparou.

Ainda durante o discurso, o chefe do Executivo criticou os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso e sugeriu mais uma vez que pode descumprir decisões do Supremo Tribunal Federal.

 

Economia

Setor de serviços cresce pelo segundo mês seguido.

 

Crescimento

Segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de serviços apresentou um crescimento de 0,2% no mês de abril em comparação com março, sendo a segunda alta consecutiva. 

Apesar disso, a porcentagem é menor do que o esperado segundo uma pesquisa feita pela agência Reuters, que previa um ganho de 0,4%.

Em relação a abril de 2021, a alta foi de 9,4%. Comparando com o patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020, os serviços estão 7,2% acima do nível apresentado na época.

O aumento no setor de serviços de março para abril foi impulsionado pela alta nas atividades de informação e comunicação (0,7%) e serviços prestados a famílias,(1,9%). 

Em contrapartida, o baixo índice foi influenciado pela queda no transporte (-1,7%); profissionais, administrativos e complementares (-0,6%) e outros serviços (-1,6%).

 

Internacional

Guerra na Ucrânia: Rússia anuncia corredor humanitário e oferta de rendição para a Ucrânia no Donbass; Papa Francisco critica Rússia, mas diz que Guerra poderia ter sido provocada; agência da UE afirma que o conflito pode agravar problema das drogas.

 

Corredor humanitário  

O Ministério de Defesa russo anunciou que irá abrir um corredor humanitário na cidade de Severodonetsk, cidade que está sendo o centro de conflitos entre tropas russas e ucranianas há semanas, além disso, afirmou que irá ofertar às tropas ucranianas uma rendição para esta quarta-feira. Isso ocorreu depois das tropas russas conseguirem destruir a última ponte que liga a região de Donbass a Kiev, assim conseguindo vencer as tropas da resistência ucraniana, é estimado que ainda há 10 mil refugiados presos na cidade ainda.

 

Críticas

O jornal jesuíta La Civiltà Cattolica publicou nesta terça declarações feitas pelo Papa Francisco no mês passado. O Papa condenou a crueldade e ferocidade das tropas russas contra a Ucrânia, mas afirma também que a guerra foi “provocada”. Francisco relatou à revista, ter se encontrado, meses antes do inicio do conflito, com um chefe de Estado – sem revelar o nome – que teria afirmado que a OTAN estava “latindo nos portões da Rússia" e incentivando-a a revidar, com a insistência no convite ao ingresso da Ucrânia no bloco  

 

Drogas

O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) afirma, em seu relatório anual, que a guerra na Ucrânia contribui com a incerteza quanto à situação das drogas no continente. Segundo o órgão, os refugiados, ex-dependentes ou em processo de largar o vício, terão que ser atendidos de uma forma que consigam continuar o tratamento, o relatório diz também que a fuga de uma situação de guerra pode levar essas pessoas a abusarem de substâncias, além de causar mudanças na rota do tráfico.  

 

Saúde

Atualização dos dados da pandemia. 

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou 44.441 novos casos de COVID-19, e 174 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 144. No total, o país acumula 31.541.479 casos confirmados, e 668.354 óbitos por COVID-19. 

 

Cultura

Banda BTS anuncia pausa após 9 anos de carreira.

 

Solo

A banda sul-coreana BTS anunciou nesta terça-feira (14) que o grupo fará uma pausa na carreira para os membros trabalharem individualmente em suas respectivas carreiras. A novidade foi contada durante a transmissão ao vivo de um jantar comemorativo dos nove anos da boyband, na mesma semana em que houve o lançamento da coletânea que rememora todos esses anos de carreira.

Segundo o líder do grupo, RM, apesar do compartilhado entre eles, cada um precisa crescer individualmente e que esse período de hiato será utilizado para pensarem em novas direções do BTS e dos próprios integrantes.

De acordo com os integrantes, essa é uma difícil decisão principalmente pela possível decepção causada nos fãs. Ao contrário, a reação dos admiradores nas redes sociais foi de apoio e carinho ao grupo.

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Mulher de Dom Phillips diz que PF disse ter encontrados os corpos, Michelle Bachelet, alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, relata preocupação com ameaças a ambientalistas e indígenas no Brasil, Terceiro caso de varíola dos macacos no país e mais
por
Ana Beatriz Villela
Letícia Coimbra
Luan Leão
Vitor Simas
|
13/06/2022 - 12h

 

Política

Fachin defende diálogo entre TSE e Forças Armadas. 

 

Ministro Luiz Edson Fachin, presidente do TSE - Foto: Reprodução/TV Justiça
Ministro Luiz Edson Fachin, presidente do TSE - Foto: Reprodução/TV Justiça

 

“Em prol do fortalecimento da democracia brasileira”

Nesta segunda-feira (13) o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, enviou um ofício ao Ministério da Defesa. No documento, o magistrado defendeu o diálogo com as Forças Armadas e disse ter “elevada consideração” pela organização. Fachin reforçou informações sobre processos de fiscalização e auditoria das urnas eletrônicas, que foram alvos de críticas do ministério. 

"Renovo [...] os nossos respeitosos cumprimentos a vossa excelência [ministro da Defesa], igualmente expressando nossa elevada consideração às Forças Armadas e a todas as instituições do estado democrático de direito no Brasil", afirmou Fachin no ofício.

Na última sexta-feira (10), o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira enviou um ofício ao ministro Fachin a respeito das sugestões feitas pelas Forças Armadas ao processo eleitoral, afirmando que a organização não se sente devidamente prestigiada pelo TSE. 

No ofício, Fachin agradeceu as contribuições que as Forças Armadas tiveram e destacou que o processo eleitoral brasileiro conta com participação de vários atores políticos nas fases de auditoria e afirmou que entidades poderão fiscalizar o sistema eletrônico no pleito deste ano.

 

Meio Ambiente

Segundo a mulher de Dom Phillips, foram encontrados os corpos do jornalista e do indigenista Bruno Pereira; autoridades ainda não confirmam. Bolsonaro diz que indícios "levam a crer que fizeram alguma maldade" com Dom e Bruno. 

Indigenista Bruno Pereira, à esquerda, e jornalista inglês Dom Phillips, à direita, estão desaparecidos desde o dia 5 - Foto: Reprodução
Indigenista Bruno Pereira, à esquerda, e jornalista inglês Dom Phillips, à direita, estão desaparecidos desde o dia 5 - Foto: Reprodução

 

 

Nada confirmado

Na manhã desta segunda-feira (13) a mulher do jornalista britânico Dom Phillips, Alessandra Sampaio, disse ter sido informada de que os corpos de seu marido e do indigenista Bruno Pereira, que estão desaparecidos há mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, haviam sido encontrados.

Segundo Alessandra, a Polícia Federal telefonou informando a localização de dois corpos, afirmando ainda a necessidade de serem periciados para a confirmação da identidade.

Em nota, a PF informou a Agência Maurício Tragtenberg que não procede as informações divulgadas pela imprensa de que os corpos foram encontrados. A instituição afirmou que foram encontrados materiais biológicos que serão periciados e que, assim que for encontrado os corpos, a família e a imprensa serão comunicados.

No final de semana, o Comitê de crise, coordenado pela PF do Amazonas, disse que foram percorridos 25 quilômetros pela selva em trilhas existentes na região, áreas de igapós, e furos do Rio Itaquaí. Nessas buscas foram encontrados objetos pessoais dos desaparecidos, sendo um cartão de saúde e roupas pertencentes ao indigenista, e botas, roupas e uma mochila com roupas de Dom. De acordo com as autoridades, os objetos estavam próximos da casa de Amarildo Costa de Oliveira, suspeito de envolvimento no desaparecimento.

 

“Vai ser muito difícil encontrá-los com vida”

Nesta segunda-feira (13) o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “indícios levam a crer que fizeram alguma maldade” com o jornalista inglês Tom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, que desapareceram há mais de uma semana na Terra Inidígena Vale do Javari, no Amazonas. A declaração foi feita em entrevista à rádio CBN de Recife (PE).

O presidente afirmou ainda acreditar ser difícil encontrá-los com vida devido ao tempo passado. "Já temos hoje oito dias, indo para o nono dia que isso tudo aconteceu, vai ser muito difícil encontrá-los com vida… Foram encontradas vísceras humanas, que já estão aqui em Brasília para fazer o [exame de] DNA”, disse o presidente. “Eu peço a Deus que isso aconteça, que os encontremos com vida, mas os informes, os indícios levam para o contrário no momento”.

Durante a entrevista, Bolsonaro seguiu com o que havia dito na Cúpula das Américas, alegando que o governo federal reagiu imediatamente após o desaparecimento, mas diversas entidades locais discordam e afirmam que, na verdade, houve demora nas buscas. Na sexta-feira (10) a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apresentou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) relatando que o governo não estava fazendo o suficiente para localizar os desaparecidos.

 

 

Internacional

Michelle Bachelet, alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, relata preocupação com ameaças a ambientalistas e indígenas no Brasil. Guerra da Ucrânia: Russos expulsam tropas ucranianas da região de Severodonetsk. 

Foto: Reprodução/ ONU
Foto: Reprodução/ ONU

"Alarmada"

 

Durante a abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, nesta segunda-feira (13),  a Alta Comissária de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse estar preocupada com as ameaças constantes a ambientalistas e indígenas no Brasil.

"No Brasil, estou alarmada por ameaças contra defensores dos Direitos Humanos e ambientais e contra indígenas, incluindo a contaminação pela exposição ao minério ilegal de ouro", declarou Bachelet. "Peço às autoridades que garantam o respeito aos direitos fundamentais e instituições independentes".

Bachelet também falou sobre ameaças de ataques a legisladores e candidatos que participarão das eleições do Brasil, particularmente negros, mulheres e membros da comunidade LGBTQIA+. Também chamou atenção para "casos recentes de violência policial e racismo estrutural" no Brasil. 

 

Guerra da Ucrânia

O exército da Ucrânia revelou nesta segunda-feira (13) que as tropas russas expulsaram soldados ucranianos do centro de Severodonetsk, cidade estratégica do leste da Ucrânia e cenário de combates há várias semanas.

"Com o apoio da artilharia, o inimigo executou um ataque a Severodonetsk, com um triunfo parcial e expulsou nossas unidades do centro da cidade. Os combates continuam", informou o exército em um comunicado no Facebook.

 

 

Saúde

Atualização dos dados da pandemia. Brasil tem terceiro caso de varíola dos macacos. 

Foto: iStock
Foto: iStock

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou 40.173 novos casos de COVID-19, e 70 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 163. No total, o país acumula 31.479.038 casos confirmados, e 668.180 óbitos por COVID-19. 

 

Terceiro caso 

Mais um caso de varíola foi confirmado no Brasil, o diagnóstico foi notificado na noite do domingo (12), pelo Instituto Adolf Lutz de São Paulo. Trata-se de um paciente residente em Porto Alegre, do sexo masculino, 51 anos, que viajou para Portugal, com retorno ao Brasil no dia 10 deste mês.

“O paciente está em isolamento domiciliar, junto com os seus contatos, apresenta quadro clínico estável, sem complicações e está sendo monitorado pelas secretarias de Saúde do estado e do município”, diz nota do Ministério da Saúde.

Até o momento, o Brasil registra três casos confirmados, sendo dois em São Paulo e um no Rio Grande do Sul. Estão em investigação seis casos suspeitos. Todos seguem isolados e em monitoramento.

 

Esportes

Brasileirão: Rodada é movimentada para times que disputam o G-6. NBA: Celtics e Warriors disputam o jogo 5.

Foto: Cesar Greco/Divulgação
O Palmeiras venceu o Coritiba por 2 a 0 neste sábado, garantindo a liderança - Foto: Cesar Greco/Divulgação

Brasileirão 

Para fechar a 11ª rodada do Campeonato Brasileiro série A, nesta segunda-feira (13), às 20h, o Botafogo joga contra o Avaí no estádio Nilton Santos. Ambas as equipes tentam se recuperar dos resultados ruins obtidos recentemente. Na última rodada, o Botafogo foi goleado por 4 a 0 pelo Palmeiras, enquanto o Avaí perdeu para o Atlético-GO por 2 a 1. 

Por falar no Palmeiras, a equipe alviverde recuperou a ponta da tabela ao vencer o Coritiba por 2 a 0, no Couto Pereira. No sábado (11), o Corinthians havia vencido o Juventude, na Arena NeoQuimica, por 2 a 0 e assumido a liderança, com a vitória do rival Palmeiras, a equipe caiu para a segunda colocação. 

Quem também venceu e se recuperou nesta rodada foi o São Paulo, com um placar magro de 1 a 0 contra o América-MG, no Morumbi. O Atlético-MG até saiu na frente, mas viu o Santos, com um jogador a menos, empatar, deixando o jogo em 1 a 1, no Mineirão. No Maracanã, o Fluminense foi surpreendido pelo Atlético-GO e perdeu por 2 a 0.

Jogando fora de casa, o RB Bragantino ficou no 1 a 1 contra o Cuiabá. No Beira-Rio, o Internacional venceu o Flamengo por 3 a 1, na estreia de Dorival Júnior sob o comando da equipe carioca. Jogando em casa, na Serrinha, o Goiás empatou em 1 a 1 contra o Ceará. No Castelão, o Fortaleza empatou sem gols com o Athletico-PR. 

Com os resultados, o Palmeiras segue em 1° com 22 pontos, o Corinthians é o 2° com 21, seguido pelo São Paulo em 3° com 18 pontos, o Internacional é o 4° também com 18 pontos. Fechando o G-6 estão Athletico-PR em 5° e Atlético-MG em 6°, ambos com 17 pontos. Na outra ponta da tabela, o Cuiabá abre a zona de rebaixamento na 17ª posição com 12 pontos, o Avaí é o 18° com 11 pontos, logo atrás vem o Juventude em 19° com 10 pontos e na lanterninha do campeonato está o Fortaleza com 7 pontos.


 

Finais da NBA 

As finais da NBA, liga de basquete americana, estão de volta a São Francisco, casa do Golden State Warriors. Depois de dois jogos em Boston, com uma vitória para cada lado, as finais voltam a ter mando dos Warriors no jogo 5, nesta segunda-feira (13), em partida prevista para às 22h (horário de Brasília).

A série melhor de 7 jogos está empatada em 2 a 2, com direito a virada emocionante do Golden State no último quarto do jogo 4. Quem vencer a partida desta segunda-feira (13) terá a chance de se sagrar campeão já no próximo jogo, marcado para a quinta-feira (16), no TD Garden, casa do Boston Celtics. É emoção até o fim na NBA! 







 

 

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2ª turma do STF derruba decisão de Nunes Marques e mantém cassação de deputado bolsonarista, Bolsonaro na Cúpula das Américas, IBGE divulga que a renda média do brasileiro é a menor em 10 anos e mais
por
Letícia Coimbra
Luan Leão
|
10/06/2022 - 12h

Política

STF: 2ª turma derruba decisão de Nunes Marques e mantém cassação de deputado bolsonarista. AGEMT Explica: Verbas públicas para a cultura.

Deputado Valdevan Noventa teve o mandato cassado Cleia Viana / Câmara dos Deputados/Divulgação
Deputado Valdevan Noventac(PL) teve o mandato cassado - Cleia Viana / Câmara dos Deputados/Divulgação

 

Decisão derrubada 

Nesta sexta-feira (10) a segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a decisão do Ministro Nunes Marques e manteve a cassação do deputado federal Valdevan Noventa (PL-SE). Por 3 a 2, o colegiado manteve o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia decidido de forma unânime pela cassação do mandato.

Votaram pela manutenção da sentença do TSE os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Edson Fachin. Além de Nunes Marques, apenas o ministro André Mendonça votou pela devolução do mandato ao deputado.

Valdevan Noventa do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, é acusado de abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2018. A votação segue no plenário virtual da segunda turma do STF até às 23h59 desta sexta-feira (10). 

Essa é a segunda vez nesta semana que a segunda turma julga a cassação de um deputado aliado do presidente Bolsonaro. A primeira votação foi sobre o deputado estadual Fernando Francischini (União Brasil-PR), acusado de disseminar notícias falsas sobre o sistema eleitoral nas eleições de 2018. Assim como no caso de Valdevan, Nunes Marques levou a decisão para o plenário da segunda turma mas foi derrotado, tendo sido acompanhado apenas por André Mendonça - novamente - no voto a favor do restabelecimento do mandato do deputado estadual. 
 

AGEMT Explica: Verbas públicas para a cultura 

O AGEMT Explica desta semana vai falar sobre a polêmica da destinação de dinheiro público para financiar eventos culturais. Você sabe quais são as formas de destinação de verbas envolvidas na confusão ? E a Lei Rouanet ? E as destinações de verbas diretas ? Calma, AGEMT Explica!

O “AGEMT Explica” é uma iniciativa da Agência Maurício Tragtenberg para explicar semanalmente, de uma forma fácil, questões que envolvem assuntos de relevância para a sociedade. Você não entendeu ? AGEMT Explica!

 

Internacional

Cúpula das Américas: Bolsonaro fala sobre desaparecidos em discurso e diz que governo faz "busca incansável". O presidente também se disse "maravilhado" com Biden. 

Foto: Reuters
Foto: Reuters

 

"Busca incansável"

Em discurso na IX Cúpula das Américas em Los Angeles, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo faz "busca incansável" pelo jornalista Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Pereira, desaparecidos desde o domingo (05) no Vale do Javari, na Amazônia. 

Mais cedo, o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos pediu para que o governo brasileiro "redobre" os recursos e os esforços nas operações de buscas. A porta-voz da ONU, Ravina Shamdasani, criticou o governo brasileiro pela demora para iniciar as buscas.

"Desde o último domingo, quando tivemos a informação de que dois cidadãos, um britânico, Dom Phillips, e o brasileiro Bruno Araújo [Pereira], desapareceram na região do Vale do Javari, as nossas Forças Armadas e a Polícia Federal têm se destacado na busca incansável para alcançar essas pessoas. Pedimos a Deus que sejam encontrados com vida" - Jair Bolsonaro 

 

"Maravilhado"

Após diversos ataques indiretos e diretos desde a eleição de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos em 2020, o presidente Jair Bolsonaro se disse "maravilhado" com o chefe de estado americano. A fala foi concedida em entrevista à CNN nesta sexta-feira (10), após a reunião bilateral entre os presidentes.

"Foi excepcional, estou muito feliz. Posso dizer que estou maravilhado com ele. Não estou errando em falar dessa maneira. Ficamos quase meia hora conversando reservadamente" - Jair Bolsonaro 

Bolsonaro foi um dos últimos presidentes do mundo a reconhecer o resultado da eleição de Biden na conturbada eleição contra o Republicano Donald Trump. Notório admirador do Republicano, Bolsonaro e Trump já trocaram elogios públicos. No começo da semana, na chegada aos EUA, o presidente brasileiro falou sobre a relação a jornalistas.

"Não vim aqui tratar das eleições americanas, isso é passado. Todos sabem que eu tinha uma ótima relação com o presidente Donald Trump, mas o presidente agora é Joe Biden, é com ele que converso, ele é o presidente" - Jair Bolsonaro 
 

 

Economia

IBGE: Renda média do brasileiro cai e é a menor em 10 anos; Comércio tem alta pelo 4º mês consecutivo. 

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

Renda menor

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílios (PNAD) mostram que a renda do brasileiro caiu 6,9% em 2012, chegando ao menor valor da série, que é realizada desde 2012. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo levantamento, as regiões norte e nordeste são as que apresentam os menores valores.

Na região Norte, a média salarial fica em R$817, enquanto na região Nordeste o valor é de R$843. As regiões Sul e Sudeste permaneceram como as maiores médias de renda, tendo R$1.656 e R$1.645, respectivamente. 

O Norte e o Nordeste também foram as regiões que apresentaram as menores perdas em 2020 e 2021, com 9,8% e 12,5%.

De 2020 a 2021, a quantidade de Domicílios beneficiários de programas sociais, incluindo o auxílio-emergencial, subiu de 15% para 23%. No mesmo período, no entanto, a renda mensal de todos os trabalhos caiu 3,1%, indo de R$223,6 bilhões para R$216,7 bilhões.

O Brasil teve o pior rendimento médio mensal por pessoa da década chegando a R$1.353. Todos esses números, na prática, mostram que as famílias mais empobrecidas, que ganhavam cerca de R$75 reais mensais em 2012, viram esse valor cair para R$39 reais no ano passado. 

 

Alta do comércio 

Pelo quarto mês seguido o comércio registrou alta nas vendas, segundo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10). De acordo com o IBGE, as vendas do comércio varejista subiram 0,9% em abril na comparação com março, com o ajuste sazonal.

Na comparação com abril de 2021, sem o ajuste sazonal, o setor teve alta de 4,5%. As vendas do varejo restrito, acumularam uma aceleração de 2,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 12 meses, houve uma alta de 0,8%. 

Com o ajuste sazonal, o varejo ampliado, que inclui atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 0,7% em abril com relação a março. Se comparado a abril de 2021, sem o ajuste sazonal, o varejo ampliado teve alta de 1,5% em abril de 2022. No ano, o varejo ampliado acumula alta de 1,4% no ano; e elevação de 2,2% em 12 meses.

 

Saúde

Atualização dos dados da Pandemia.

 

Pandemia 

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) o Brasil registrou 56.491 novos casos de COVID-19, e 170 mortes em decorrência da doença nas últimas 24 horas. A média móvel de óbitos nos últimos sete dias é de 141 . No total, o país acumula 31.417.341 casos confirmados, e 667.960 óbitos por COVID-19. 
 

Cultura

Dica AGEMT: Feira do livro ao ar livre em SP.

Foto: Lia Lubambo/Divulgação
Foto: Lia Lubambo/Divulgação

 

Feira do livro

Se você está em São Paulo, temos uma dica cultural para aproveitar o final de semana. Começou na quarta-feira (08) a Feira do Livro em frente ao estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller, na zona oeste de São Paulo. A Feira é gratuita e abre no sábado (11) e no domingo (12), das 10h às 21h.

O evento contará com mais de 55 convidados e a participação de 120 editoras e livrarias, espalhadas pela rotatória em frente ao estádio. Oficinas de cultura, batalha de poesia falada, tenda de autógrafos e mediações de leituras estão entre as atrações. 

As mesas literárias estão montadas as mesas literárias estão montadas no Palco da Praça e no Auditório Armando Nogueira, dentro do Museu do Futebol e tem lotação limitada. As conversas acontecem simultaneamente. 

A programação do evento para este final de semana conta com escritores como a angolana Yara Nakahanda Monteiro, o francês Bill François e a espanhola María Duenas. Vale a pena conferir!
 

Esportes

Brasileirão: Palmeiras reassume a liderança ao golear; veja a rodada do final de semana. NBA: Celtics e Warriors se enfrentam no quarto jogo. 

Foto: Divulgação/Palmeiras
Foto: Divulgação/Palmeiras

 

Brasileirão

O Palmeiras reassumiu a ponta do Campeonato Brasileiro série A ao final da 10ª rodada. Jogando em casa contra o Botafogo, na noite de quinta-feira (09), o verdão amassou o time carioca e venceu por 4 a 0, com destaque para as atuações de Rony, com dois gols, e Gustavo Scarpa, autor de duas assistências e um gol. O resultado fez o alviverde paulista chegar aos 19 pontos, assumindo a primeira colocação da tabela. 

Também na noite de quinta-feira (09), Coritiba e São Paulo empataram em 1 a 1, no Couto Pereira. Na Arena Castelão, Fortaleza e Goiás também empataram pelo mesmo placar.

Com os resultados, o Palmeiras é o 1° do campeonato com 19 pontos; seguido por Corinthians com 18 pontos; em terceiro vem o Atheltico-PR com 16 pontos; mesma pontuação do quarto colocado Atlético-MG. Fechando o G-6 estão, em 5°, o Coritiba com 15 pontos e em 6° o São Paulo, com os mesmos 15 pontos. 

Na parte inferior da tabela, abrindo o Z-4, está o Cuiabá com 11 pontos, seguido por Atlético-GO com 10, Juventude com 10 e Fortaleza é o lanterna com 6 pontos conquistados até aqui. 

Para o final de semana, os destaques são as partidas entre Atlético-MG e Santos, no sábado (11), às 19h, em Belo Horizonte. Ainda no sábado (11), porém mais tarde, às 21h, Internacional e Flamengo se enfrentam no gigante da Beira-Rio. O Rubro-Negro terá a estreia de Dorival Júnior no comando. No domingo (12), o destaque é o jogo entre o líder Palmeiras e o 5° colocado Coritiba, às 18h, no Couto Pereira. 
 

Finais da NBA

O TD Garden, em Boston, volta a ser palco de mais um duelo entre Boston Celtics e Golden State Warriors pelas finais da NBA, liga de basquete americana. A partida 4 da série melhor de 7 acontece nesta sexta-feira (10), e a bola sobe a partir das 22h (horário de Brasília).

Os Celtics estão em vantagem (2 a 1), após vencerem o jogo 3 da decisão. Melhor defesa da liga, a equipe mostrou força para bater os campeões da Conferência Oeste no último jogo. Já o Golden State precisa repetir a boa atuação exibida no jogo 2, quando venceram com folga. 

Após o jogo desta sexta-feira (10), as finais voltam a São Francisco, caso dos Warriors, na segunda-feira (13), para a realização do jogo 5.  

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