Influenciadora brasileira detalha a criação e o sucesso de seu body splash
por
Fernanda Dias
João Luiz Freitas
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30/03/2026 - 12h

Com 442 mil seguidores no Instagram, a influenciadora digital Lis Bella Andreazzi viu que seu público consumia muitos perfumes e teve a ideia de criar um produto com a sua cara. A parceria com a Ekomist, empresa que faz aromas para grandes marcas, foi o passo seguinte para tirar o plano do papel e lançar o  "Eighteen Seasons". Em entrevista à AGEMT ela detalha a estratégia de seu body splash e explica para o leitor o poder da influência digital sobre o consumo. 

A conversa revelou como criadores de conteúdo movem o mercado e fazem produtos esgotarem em poucas horas. Também contou sobre o processo de criação para garantir que o item faça parte da rotina de quem a segue.  Lis Bella entende o impacto de suas indicações no mundo digital e percebe que seu público confia muito no que ela usa no dia a dia. A influenciadora explica que nem todo produto vende com facilidade e o que importa é o alinhamento com o perfil de quem a acompanha. "Não é todo mundo que vai comprar? É quem se sentir atraído pelo produto, se divulgo maquiagem ou perfume, a chance de venda é maior", ressalta Lis Bella, que acrescenta: "as pessoas veem que ela usa o item de verdade e não apenas para uma propaganda". 

"Você ser uma influenciadora que passa essa confiança para o público, criando uma intimidade por meio de exemplos de sua rotina de cuidados com a pele gera muito engajamento". Segundo a influenciadora essa credibilidade está altamente ligada à escolha de não divulgar golpes ou casas de apostas, pois as marcas buscam influenciadores com boa reputação para parcerias de longo prazo. O nome "Eighteen Seasons" marca uma fase de transição na vida dela, pois o lançamento teve uma ativação estratégica em sua festa de 18 anos.

Além disso, ela chamou alguns de seus seguidores para estarem presentes nesse lançamento, reforçando a ideia de que ela preza pela proximidade ao público. A embalagem tem inspiração em produtos internacionais de sucesso e a marca atrai quem gosta de perfume e quem admira o estilo de Lis Bella.

Lis Bella Andreazzi - mulher segurando seu produto
Lis Bella Andreazzi na divulgação do seu produto "Eighteen Seasons". Fonte: divulgação. 

O mercado vê o surgimento de febres passageiras em alimentos e cosméticos, vários produtos viralizam e esgotam rapidamente. Exemplos recentes incluem o "morango do amor" e o "labubu". Esses itens mostram como um vídeo ou uma tendência pode criar uma demanda imediata e massiva. A velocidade com que esses produtos aparecem e desaparecem do mercado é um desafio para as marcas e um reflexo do consumo impulsionado pelas redes sociais.

A ideia de que um produto pode viralizar hoje e ser esquecido amanhã não é apenas percepção das redes sociais, mas já vem sendo discutida também no campo do marketing. Um estudo recente da Nanyang Business School, em Singapura, define esse cenário como “economia do momento”, em que marcas e consumidores passam a girar em torno de tendências rápidas, com picos de atenção que desaparecem em pouco tempo.

Na prática, o que se observa é um padrão recorrente. Um vídeo viraliza, o produto ganha visibilidade, a procura dispara e, em poucos dias, o interesse começa a cair. O ciclo é curto e, muitas vezes, substituído rapidamente por uma nova tendência. A influenciadora reforça, em entrevista, que a relação de confiança com o público acelera esse processo. Quando a indicação vem de alguém com quem o seguidor já se identifica, a decisão de compra tende a acontecer mais rápido, sem muita comparação ou planejamento. Ao mesmo tempo, o próprio estudo aponta um limite importante: chamar atenção não significa construir uma relação duradoura. Em um ambiente onde tudo é substituído rapidamente, ser visto não garante ser lembrado.

Andreazzi destaca que, nesse contexto, o timing se torna um dos fatores mais importantes. Participar de uma tendência no momento certo pode definir o alcance de um produto. Fora desse período, o interesse tende a cair rapidamente. Por fim, o eixo do comportamento do consumidor busca entender como essas dinâmicas afetam as escolhas. A repetição desse padrão indica um consumo mais impulsivo, influenciado pela urgência e pelo desejo de participar de algo coletivo. No entanto, esse comportamento nem sempre se traduz em fidelidade. A própria lógica da “economia do momento” sugere que o consumidor está sempre em busca do próximo viral. Segundo Andreazzi, a continuidade da relação depende menos do hype e mais da experiência real com o produto após a compra.

 

Bolhas de IAs e tensões geopolíticas afetam o valor final dos produtos eletrônicos
por
João Moura
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27/03/2026 - 12h

O consumidor brasileiro que planeja atualizar seus dispositivos eletrônicos nos próximos meses encontrará um cenário difícil. Segundo projeção da Gartner, empresa de consultoria no mercado de tecnologia, o preço dos computadores deve sofrer um reajuste de 17% em curto prazo. Ainda nessa análise, o mercado de PC’s deve sofrer uma retração de 10,4% em vendas. O aumento do preço é  impulsionado por uma combinação de fatores globais e decisões de política interna. O encarecimento de memórias RAM e unidades de armazenamento SSD, se transformou no principal vilão do orçamento doméstico e empresarial, agravando uma tendência de alta que se acumula desde o final de 2024.

O motivo principal dessa inflação está no crescimento do mercado de inteligência artificial (IA). A infraestrutura necessária para sustentar os modelos de linguagem (LLMs) e processamento de dados exige uma grande quantidade de hardware. Como resultado, as big techs estão direcionando seus investimentos para a construção e manutenção de data centers, consumindo a maior parte da produção mundial de semicondutores.

O apetite das gigantes da tecnologia acaba por "canibalizar" a oferta de produtos para o consumidor comum e pequenos varejistas. Um marco dessa mudança ocorreu em novembro de 2025, quando a Micron, uma das líderes globais do setor, anunciou o fim de sua linha de memórias padrão para consumidores, reajustando todo o seu portfólio para atender exclusivamente às demandas corporativas de alta escala. Para a economista e professora da PUC-SP, Leslie Denise Beloque, o momento exige cautela extra dos investidores e consumidores. “Temos uma imensa bolha no campo das big techs. Quer dizer que a valorização das ações dela na bolsa é extremamente grande, supondo que o desempenho delas na vida real também esteja. Isso fatalmente uma hora estoura, e todo mundo que tinha ação vai ver que isso era irreal, e perde dinheiro”, afirma Leslie.

Data centers dominam o mercado de memória RAM. Foto: wirestock/Freepick
Data centers dominam o mercado de memória RAM. Foto: wirestock/Freepick

Além da pressão de demanda, a oferta global de chips enfrenta problemas logísticos e diplomáticos. A guerra tarifária entre Estados Unidos e China impôs barreiras severas ao fluxo de recursos essenciais para a fabricação de microchips, afetando empresas cruciais como a TSMC e a Nvidia. A escalada de tensões entre os dois países também envolve restrições à exportação de tecnologias sensíveis e sanções comerciais estratégicas, especialmente no setor de semicondutores avançados.

Washington (EUA) tem ampliado o controle sobre o envio de equipamentos de litografia e chips de alto desempenho para empresas chinesas, enquanto Pequim responde com políticas de incentivo à produção doméstica e possíveis limitações na exportação de minerais críticos, como terras raras. Esse embate cria um ambiente de incerteza para toda a cadeia global de suprimentos, elevando custos, atrasando entregas e reduzindo a previsibilidade do mercado. No Brasil, o cenário é agravado pela questão tributária. A resolução Gecex 852, que entrou plenamente em vigor no início de  março de 2026, estabeleceu uma taxação de 12,6% sobre placas de vídeo, memórias RAM e placas-mãe. Embora o governo justifique a medida como uma forma de proteger a indústria nacional, que registrou um aumento de 33% na importação desses itens desde 2022, o impacto imediato é o desestímulo ao consumo.

Redes sociais passam a integrar entretenimento e consumo, acelerando o avanço do social commerce no Brasil
por
Eduarda Amaral
Kaleo Ferreira
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28/03/2026 - 12h

O comércio eletrônico brasileiro vive uma nova fase impulsionada pelos marketplaces, plataformas que conectam vendedores e consumidores em um mesmo ambiente digital. Nos últimos anos, esse modelo se consolidou como um dos principais motores de e-commerce no país, concentrando grande parte das vendas online e ampliando o alcance de marcas e pequenos empreendedores. Se preferir, ouça esta matéria em áudio.

Em 2026 um novo formato ganha espaço, o social commerce, que integra redes sociais às vendas online, permitindo ao consumidor descobrir e comprar produtos sem sair da plataforma. Um exemplo desse movimento é o TikTok Shop, que transforma vídeos curtos e transmissões ao vivo em vitrines digitais. O modelo se apoia no conceito de discovery commerce, o consumo por descoberta. Diferente da lógica tradicional, em que o cliente busca o que quer comprar, aqui ele os encontra de forma espontânea enquanto consome conteúdo. Para o especialista Felipe Couto, cofundador técnico e engenheiro principal da Jodda.ia, plataforma que integra gestão de dados e performance no e-commerce, os marketplaces deixaram de ser meros intermediários para se tornarem provedores de infraestrutura. Ao oferecerem soluções de logística, publicidade e crédito, essas plataformas geraram um "efeito de rede, em que mais vendedores atraem mais consumidores, fortalecendo o ciclo", explica Couto.

Nesse cenário, o entretenimento passa a desempenhar um papel central na decisão de compra, permitindo que marcas e criadores apresentem produtos de forma mais orgânica e próxima do consumidor. Essa estratégia transforma a navegação nas redes em um ambiente de descoberta constante, no qual recomendações e o algoritmo influenciam diretamente o comportamento do consumidor. Os números confirmam o avanço do setor. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce brasileiro faturou R$ 235 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. O período encerrou com 94 milhões de compradores online e aumento de 5,8% no volume de pedidos, com projeções que indicam a manutenção desse ritmo em 2026.

Gráfico faturamento do e-commerce no Brasil de 2020 a 2025 de acordo com a ABComm
Evolução do faturamento do e-commerce no Brasil de 2020 a 2025 - Fonte: ABComm

Essa alta-performance tem nos marketplaces seu principal motor, somada ao fenômeno do live commerce. O modelo popularizado na China em plataformas como Taobao Live e Douyin (versão chinesa do TikTok), onde o setor já movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente, ganha força no Brasil como uma das formas mais autênticas de exposição de produtos. Nas transmissões ao vivo, vendedores e criadores respondem a dúvidas em tempo real, estabelecendo uma relação de proximidade que transforma o micro-influenciador em peça estratégica desse ecossistema.

Couto cita empresas que encontraram nas plataformas um atalho para expansão. A Growth Supplements, por exemplo, que já registrava alto faturamento em seu site próprio, alcançou milhões de pedidos em apenas um mês após migrar para o Mercado Livre. Para ele, o movimento evidencia que "não é só o pequeno seller (vendedor) que depende disso, até empresas grandes usam marketplaces como canal estratégico de crescimento". Mas esse formato, no entanto, começa a ser desafiado por um novo concorrente. Com cerca de 90 milhões de usuários no Brasil, o TikTok Shop registrou um crescimento de 26 vezes na receita diária média em apenas cinco meses desde sua chegada ao país, em 2025. 

Montagem com interface do TikTok Shop e vídeos de promoção de produtos — Imagem: Eduarda Amaral/Canva
Montagem com interface do TikTok Shop e vídeos de promoção de produtos - Arte: Eduarda Amaral/Canva

Ao aproximar entretenimento, recomendação e compra em um único ambiente, o social commerce redefine a jornada do consumidor e abre novas frentes de monetização. Nesse modelo, o conteúdo se transforma em vitrine e o criador em mediador, consolidando uma etapa do varejo digital em que as fronteiras entre diversão e consumo são cada vez mais difusas. 

Essa transição para novos canais exige mais do que presença digital, exige inteligência sobre o próprio negócio. É justamente esse o desafio que Couto enfrenta no dia a dia com a Jodda.ia. Segundo ele, a maioria dos vendedores tomam decisões com base em dados históricos e intuição: sabem quanto venderam, mas não entendem por que venderam ou onde perderam margem. "Um vendedor que não tem essa base analítica estruturada vai tentar replicar o que faz no Mercado Livre e vai se frustrar, porque as métricas são diferentes", afirma. Para ele, ter clareza sobre o lucro é o que permite avaliar com segurança se um item faz sentido no TikTok Shop, onde o giro é acelerado pela viralidade.

Essa disputa, no entanto, não deve se consolidar como uma competição direta entre modelos. O cenário aponta para uma convergência entre marketplaces e social commerce, à medida que plataformas de venda incorporam elementos de conteúdo, enquanto redes sociais avançam na estrutura operacional. Para Couto, essa transformação já está em curso e reflete uma adaptação do varejo digital a um consumidor mais orientado por experiência e conveniência.

Nesse processo, o avanço do TikTok Shop como ameaça real ainda depende de fatores como logística e confiança no pós-venda, áreas em que players consolidados mantêm vantagem. “Se o TikTok Shop conseguir fechar essa lacuna, aí o jogo muda”, afirma Couto. A disputa deixa de ser apenas por preço ou variedade e passa a envolver experiência e eficiência. “O marketplace venceu pela infraestrutura; o TikTok Shop cresce pela atenção; e o próximo ciclo será vencido por quem conseguir unir atenção, operação e margem no mesmo sistema”, conclui.

O que a crise gerada por Vorcaro conta sobre o letramento financeiro dos brasileiros
por
Leticia Falaschi
Anna Cândida Xavier
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27/03/2026 - 12h

O escândalo do banco Master tomou conta do noticiário brasileiro, promessas de rendimentos milagrosos, altas taxas de juros, ativos sem retaguarda e possível envolvimento de nomes importantes da política. A investigação da Polícia Federal estima que a crise do Master gerou R$50 bilhões em prejuízos generalizados, inclusive para investidores inexperientes que apostaram tudo o que tinham em uma cilada. Este caso deixa um alerta sobre a transformação do risco em produto e a expectativa em estratégia de mercado. Desde 2017, quando o empresário Daniel Vorcaro assumiu a presidência, o Banco Master apresentou um crescimento acelerado, baseado na emissão de Certificado de Depósito Bancários (CDB) com alto juros.

O CDB é um investimento de renda fixa emitido por bancos para captar dinheiro, ao investir, o cliente empresta dinheiro ao banco e recebe os juros. O Master oferecia uma rentabilidade muito superior à média de mercado, o que gerou uma captação expressiva e promessa de grandes retornos aos investidores. As operações eram complexas, de alto risco e pouco transparentes. A crise expõe não apenas uma falha financeira, mas um fenômeno social e comunicacional mais amplo, construído ao longo da última década no Brasil: a popularização do investimento em um ambiente mediado por linguagem simplificada, entretenimento e disputas de narrativa. Plataformas digitais, assessores e influenciadores passaram a traduzir o mercado financeiro em uma linguagem acessível, vendendo a ideia de que investir era simples e seguro. “As pessoas usam aquilo que é mais simples de acessar, que é a caderneta de poupança”, explica Cristina Helena Pinto, professora doutora em economia pela Fundação Getúlio Vargas.

Segundo ela, "o retorno monetário modesto deste tipo de investimento leva alguns à se arriscarem. Pessoas que têm baixo letramento financeiro, ou têm muita vontade de realizar rápido um ganho extraordinário”, caem, alerta Cristina. Nesse movimento, encontram um ecossistema financeiro pronto para oferecer soluções mais lucrativas, como CBD´s com juros muito altos.  Nesse percurso, muitos investidores se tornam vulneráveis a conteúdos que prometem ganhos rápidos, especialmente quando há muita vontade de realizar rápido um ganho extraordinário, o que se torna corriqueiro para boa parte da população.

É nesse ponto que a dimensão comunicacional se torna central. Segundo Davidson Carvalho, que defendeu mestrado na PUC-SP analisando o mercado financeiro para pequenos empreendedores, "há uma mudança estrutural na forma como o mercado financeiro se comunica: conteúdos sobre dinheiro passaram a adotar lógica de entretenimento, com ritmo acelerado, apelo visual e fragmentação". 

"O uso de memes e recursos visuais não é necessariamente um problema, como no caso do canal Me Poupe!, mas pode servir para “quebrar o ritmo racional do negócio”. O resultado é uma comunicação que privilegia engajamento em detrimento da profundidade", explica Carvalho. 

A economista Cristina Helena reforça essa ambiguidade ao apontar que, mesmo para quem possui conhecimento, há um conflito entre percepção de risco e confiança institucional: “olhava para aquilo e falava, está acima do que o mercado está pagando, tem alguma coisa de errado aqui”, mas, ao mesmo tempo, confiava que “dificilmente esse banco ia estar numa situação de risco tão elevado sem aparecer alguma coisa”. Essa confiança no sistema, combinada com a comunicação simplificada, contribuiu para diluir a percepção de risco entre investidores menos experientes.

Outro aspecto central é a disputa de narrativas entre instituições tradicionais e novos agentes comunicacionais. Como afirma Carvalho, “o banco não está isolado, não está conversando sozinho, pois compete diretamente com influenciadores que também se propõem a falar sobre educação financeira”, adverte. No entanto, há uma diferença de linguagem: enquanto instituições oferecem conteúdos mais técnicos, influenciadores alcançam grande audiência com formatos dinâmicos. 

Essa assimetria ajuda a explicar por que narrativas simplificadas têm maior alcance, mesmo quando menos completas. Nessa disputa por atenção, as instituições acabam por perder. “Os bancos também pensam em como decifrar a economia para o consumidor.” afirma Carvalho. 

Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Para a professora, a existência do (FGC) levou muitos investidores a acreditarem que estavam protegidos. Apesar dele garantir retorno para investimentos de até R$ 250 mil, muitas pessoas apostaram suas poucas fichas para além desse valor, confiando na segurança do CBD do Master. “O risco faz parte da estrutura do negócio de um banco, a diferença do caso Master são as fraudes, a emissão de ativos sem colateral, sem retaguarda” afirma Cristina. 

A crise do Master revela limites estruturais que vão além da comunicação. Carvalho destaca que muitos brasileiros simplesmente não têm tempo para se aprofundar: “um cara que está 12 horas numa moto, chega em casa e vai descansar, ele não vai fazer mais nada”, o que torna o consumo de informação rápida e superficial quase inevitável. Aí, a decisão de investimento deixa de ser apenas econômica e passa a ser mediada por cansaço, falta de tempo e excesso de estímulos", explica o mestre Carvalho. 

 

Produtos utilizados por integrantes da casa vigiada têm vendas aumentadas
por
Mariane Beraldes
Thainá Brito
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27/03/2026 - 12h

O Big Brother Brasil 26 se tornou uma das edições mais comentadas do reality nos últimos anos, com forte impacto nas redes sociais. Segundo a Rede Globo, o programa já acumula milhões de interações nas plataformas digitais, o que tem impulsionado a demanda por produtos utilizados pelos participantes. A transmissão 24h amplia o contato do público com os confinados e os itens exibidos dentro da casa, o que tem aumentado o interesse dos consumidores por esses itens. O fenômeno também alcançou pequenos empreendedores, que registram crescimento nas vendas, impulsionado pela visibilidade no ambiente digital. 

Entre os impactados está a estudante Patrícia Carvalho, que afirma já ter adquirido mercadorias motivadas pelo programa. “Eu ainda não me arrependi de nenhuma compra que fiz por conta do BBB. Acredito que isso acontece porque consigo ver o resultado do produto. Se é um item de maquiagem, por exemplo, posso acompanhar como ele se comporta na pele e o acabamento que oferece”, diz Carvalho. 

De acordo com o relatório da McKinsey, empresa global de consultoria e gestão estratégica, recomendações e experiências compartilhadas entre consumidores podem influenciar entre 20% e 50% nas decisões de compra. A lógica se manifesta de forma indireta no BBB, ao acompanhar o cotidiano dos brothers, o público pode observar o uso contínuo dos produtos, o que tende a aumentar a confiança na hora da compra. 

Nas redes sociais, o engajamento é intenso, especialmente em itens de skincare, cabelo e acessórios. A participante Ana Paula Renault garantiu aos pequenos empreendedores maior visibilidade, aumento do faturamento e até esgotamento rápido de seus produtos. Em alguns casos, as parcerias já existiam antes da entrada da sister na casa, como ocorreu com os acessórios da marca “Nega Lora”, que registrou crescimento de 60% nas vendas no início de 2026.

Ana Paula Renault utilizando acessórios da marca Nega Lora Foto: Globo/Divulgação
Participante Ana Paula Renault utilizando acessórios da marca Nega Lora Foto: Globo/Divulgação


Além das parcerias, perfis nas redes sociais, como @closetdaanapaularenault, divulgam as peças usadas pela participante e aumentam a procura por outros itens de pequenos empreendedores, mesmo sem acordos comerciais formais. Quando um produto ganha visibilidade na mídia, há tendência de crescimento nas vendas devido à maior demanda. Uma pesquisa da Wake, em parceria com a Opinion Box, revelou que 56% dos consumidores afirmam que produtos virais aumentam sua intenção de compra. Porém, especialistas em mercado alertam que esse tipo de movimento nem sempre se traduz em consumo contínuo. 

Esse efeito gera picos imediatos, principalmente no ambiente digital, tende a diminuir após o fim do programa, que dura apenas três meses. Essa movimentação exige das marcas, especialmente as menores, estratégias de fidelização para manter o crescimento de vendas a longo prazo. Segundo Davidson Carvalho, mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), pela PUC-SP, o comportamento do público nas redes tem sido marcado por volatilidade: “Tudo é instantâneo, não necessariamente você lembra do vídeo que você viu, ou da série que você assistiu. Isso é muito rápido, dinâmico e instantâneo. Quem quiser conversar com o público, precisa mudar. Hoje em dia a comunicação está muito mais focada nas emoções, no sentimento, no visual, do que no próprio conteúdo”, explica Carvalho. 

Para Patrícia, esse comportamento pode também estar ligado à percepção inicial dos consumidores: “Quando um produto é lançado e tem aquele hype em cima, ele nunca tem nenhum defeito. Passam os meses, começam a surgir pequenas imperfeições no produto, que talvez façam você questionar se vai querer comprar ele ou não”, afirma.

Com a alta nos combustíveis, transportes lideram os aumentos dos preços e INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor) tem alta de 1,71%.
por
Maiara Yokota
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27/04/2022 - 12h

A pesquisa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisou o desempenho do preço de nove grupos de produtos e serviços. Os resultados divulgados informaram que apenas o setor de comunicação não obteve aumento nos preços.

Comunicação teve uma diminuição de -0,015%, sendo o único grupo que ao invés de aumentar diminuiu. Influenciado pelo aumento da gasolina e do etanol, a locomoção se tornou mais cara, gerando um aumento de 3,02% nesse setor.

Dois setores, despesas pessoais e artigos de residência, conseguiram aumentos semelhantes. O primeiro registrou um aumento de 0,59% e o segundo 0,57%, havendo uma diferença de 0,2% entre eles. Em contradição a este pequeno aumento, a pesquisa apontou que na alimentação dentro do domicílio houve um aumento de 3,09%. Fora do domicílio o aumento não foi tão expressivo, ficando em 0,65%.

Vestuário e habitação subiram cerca de 1%. A pesquisa aponta que nesse grupo as roupas femininas registraram o maior aumento, marcando 2,32%. Em seguida, estão calçados e acessórios que registraram aumento 2,05% e finalizando com joias e bijuterias que marcaram 1,18%. O aumento no custo de moradia é justificado pelo valor do botijão de gás que teve um reajuste de 16,06% no preço, além disso, um dos fatores que contribuem para o aumento é alta na energia elétrica.

Saúde e cuidados pessoais elevaram em 0,88%, a justificativa é a alta em itens que influenciam na composição desse grupo, como produtos farmacêuticos e de higiene pessoal. O valor registrado no setor marca a aceleração de 2,25% nos produtos de higiene pessoal, o aumento de 1,32% nos produtos farmacêutico e a queda de 0,69% no plano de saúde.

Além do IPCA, o levantamento avaliou os índices regionais e os resultados afirmam que todas as áreas pesquisadas sofreram os aumentos no mês de março. Curitiba, Goiânia e São Luiz tiverem um aumento na faixa de 2%; Campo Grande, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife ficaram entre 1,60% à 1,80%; São Paulo, Vitória, Rio Branco, Aracaju, Belo Horizonte, Brasília e Belém subiram entre 1,45% à 1,60%.

Segmento registra desempenho melhor que o período pré-pandemia e apresenta sinais da recuperação econômica.
por
Maiara Yokota
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27/04/2022 - 12h

Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o setor de varejo se manteve em alta, com um acumulado de 1,7%, nos últimos doze meses.

O IBGE registra por meio do PMC (pesquisa mensal do comércio) dados que compõem a conjuntura econômica, sendo analisadas oito atividades, nas quais seis delas fecharam com números positivos no mês de fevereiro (esses dados são taxas de variações comparadas aos mesmos messes no ano anterior).

A pesquisa do comércio coletou três resultados: taxas de variações do ano vigente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro; comparações dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro com os do ano anterior e por fim o acumulado durante o ano e por 12 meses.

Na pesquisa referente aos meses de janeiro e fevereiro os setores que fecharam de forma positiva foram os seguintes: combustíveis e lubrificantes; hipermercado, supermercado, produção, alimentos, bebidas e fumo; supermercado e hipermercado; tecidos, vestidos e calçados; móveis e eletrônicos; livros, jornais, revistas e papelaria; veículos e motos, partes e peças.

Na contramão dos resultados positivos, material de construção e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria tiveram resultados negativos. Os setores de informática e escritório não tiveram variação no saldo.

Apesar do saldo negativo no setor de material de construção, houve uma variação de 0,1% entre os meses de janeiro e fevereiro. O setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e perfumaria obteve uma variação de 3%.

Livros, jornais, revistas e papelaria fecharam em -25,7% no mês de janeiro e em fevereiro reverteram o quadro negativo para 42,8%. Veículos e motos, partes e peças tiveram uma grande queda nas vendas marcando -6,6% em janeiro, já em fevereiro houve aumento de 5,2% nas vendas.

Combustíveis e lubrificantes tiveram um mês de janeiro parado registrando 0,3% nas vendas, porém, em fevereiro houve uma aceleração de 5,3%. Móveis e eletrônicos presenciaram no mês de janeiro uma baixa venda representada por –1,3%, em fevereiro o setor observou uma melhora, marcando 2,3%.

 

Valor da hortaliça subiu nos últimos meses depois de fortes chuvas na região Sul e Sudeste. Com diminuição nas vendas, os feirantes reclamam da redução de lucros.
por
Anna Cecília Nunes
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26/04/2022 - 12h

  

Consumidores de todo o Brasil estão notando o aumento disparado do preço da cenoura nos últimos meses que, inclusive, está virando memes nas redes sociais.

O Diretor Executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Manoel Oliveira, explica os reajustes no preço da cenoura: “O principal fator para o aumento de preço foi a forte intensidade das chuvas na safra deste ano. Muitas regiões, como São Gotardo (MG), uma das principais regiões produtoras de cenoura do país, foram muito impactadas, as chuvas dificultaram a colheita, sendo impossibilitada a entrada de caminhões e outros maquinários. Houve redução na área de plantio em relação à safra anterior, sendo assim, a oferta do produto também diminuiu, outro fator que impactou no preço final.”

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços dos alimentos dispararam (2,51%). Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o valor da cenoura aumentou 45,65%.

A feirante da Zona Leste de São Paulo, Lúcia Nakazone, 62, garante que a mercadoria está perto de dar prejuízo. “Já chegamos a subir o valor de R$18 a R$20 e não estamos vendendo nem a metade. Para não sermos prejudicados, diminuímos a quantidade e a qualidade do produto - vendendo cenouras inferiores, que não são muito boas - assim conseguimos ter um pouco de lucro.”, lamenta Lúcia. 

 

Imagem de cenoura na feira em São Paulo (SP) .Créditos: Anna Cecília Nunes.

 

    O economista Marcos Henrique do Espírito Santo, professor de Economia e Relações Internacionais, afirma que o problema de safra também está relacionado ao aumento do valor dos fertilizantes, causado pelo conflito entre a Rússia e Ucrânia: “Isso vem acontecendo nos últimos 2 anos em função do aumento da taxa de câmbio, mas foi potencializado esse ano de 2022 a partir do conflito entre a Rússia e Ucrânia, o que fez os preços dispararem ainda mais. A partir do segundo semestre, podemos ver uma melhora relativa na taxa de câmbio, em função da pressão eleitoral.

Imagem do preço da cenoura no mercado. Créditos: Anna Cecília Nunes 


Considerando os gastos de moradia, alimentação, saúde, educação, higiene, vestuário e lazer, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula que o salário mínimo, no mês de março, deveria ser de R$ 6.394,76 para sustentar uma família de quatro pessoas. A inflação, é um problema generalizado que corrói a renda dos trabalhadores, principalmente aqueles com vulnerabilidade financeira, porque a inflação se dá na medida dos bens de consumo do dia a dia. Para que isso melhore, devemos mudar o regimento macroeconômico, para pensar em crescimento ao longo prazo”, explica Marcos Henrique.



 

No dia 24 de fevereiro, a votação sobre a legalização dos jogos de azar no Brasil foi concluída pela Câmara dos Deputados. O que muda se a legalização virar lei?
por
Gustavo Oliveira de Souza
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26/04/2022 - 12h

História

O estado brasileiro sempre teve uma relação muito complicada com os jogos de azar. O primeiro registro de proibição se dá no ano de 1917 e só foi legalizada no ano de 1934, por Getúlio Vargas, mas proibida novamente no ano de 1946, por Eurico Gaspar Dutra, após muita pressão das classes mais conservadoras e da Igreja Católica. A lei 9215/46 proíbe qualquer prática e exploração dos jogos no país, na vigência do artigo 50 e dos parágrafos da Lei das Contravenções Penais, no argumento de que a jogatina fere a moral e os bons costumes.

Mesmo sendo proibidos, os jogos de azar como os cassinos, o jogo do bicho e os bingos nunca pararam suas atividades e os jogadores continuam gastando fortunas nos jogos. Os cassinos movimentam áreas nobres das cidades do país em hotéis e mansões, enquanto os bingos e o jogo do bicho são consumidos pelas classes mais pobres nos bares e quintais dos moradores.

Mas a pior parte da proibição é o fato das casas de apostas e os cassinos serem controladas pelo crime organizado e pelas milícias e são elas que definem os prêmios, valores e transformam os jogadores em reféns, já que as apostas também são controladas por eles.

Opiniões sobre o assunto

Perguntando sobre o assunto para algumas pessoas, foi possível obter respostas muito semelhantes. Muitas pessoas são favoráveis à legalização, e defendem que a legalização traria muita renda para o país, e também traria um pouco mais de segurança, já que mesmo sendo proibidas, muitas pessoas continuaram jogando de forma clandestina trazendo muito risco a própria vida, e também argumentam que cada ser humano é livre para poder se viciar no que quiser, e por isso também era necessário maior conhecimento da população sobre o assunto: ‘ Em minha opinião seria muito bom a legalização. As bancas teriam que aumentar os prêmios e ter atrativos parecidos com os jogos da Caixa (Econômica Federal)’, disse um dos entrevistados, que optou por não revelar sua identidade.

Em pergunta sobre o motivo da proibição, um perguntado respondeu: ‘A proibição só existe porque o controle está na mão de quem não está no poder que no caso os políticos e eles não conseguem ter a “fatia do bolo”.’ Essa fala reforça o fato de que a população geral concorda com a legalização.

Expectativas para o futuro

A expectativa é para que a legalização seja formalizada o mais breve possível. Na Câmara, o projeto foi votado e aprovado, e espera pela aprovação no senado. Cada estado poderá ter um cassino, exceto Rio de Janeiro e Minas Gerais, que poderão ter duas, e São Paulo, que poderá ter três. A tributação também foi um ponto que gerou uma polêmica, já que um dos deputados propôs o valor do Tributo de competência da União, que de 17% passaria a ser de 30%. 

 

Como e porquê o principal furo na carteira é, atualmente, a conta do mercado, e as outras opções que temos para esse problema inevitável
por
Maria Eduarda dos Anjos
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26/04/2022 - 12h

Na mesa de toda família, antes mesmo da comida, está a discussão sobre seu preço. Além das comparações costumeiras entre qual mercado cobra mais barato em um produto, momentos de crise econômica e política forçam a deliberação do que entrará ou não na lista daquele mês. As restrições impostas pelo surto de Covid-19 nos últimos dois anos limitaram a exportação de alimentos e dos fatores que tornam possível a produção, como grãos e fertilizantes. Durante a pandemia, a Agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, responsável por acompanhar o aumento do valor nominal (preço de venda entre países, sem considerar o impacto da inflação) dos produtos, registrou aumento de 24% entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2022. Isso sem contar a inflação interna do país, que molda o que os economistas chamam de preço real e estão nas prateleiras do mercado. Nem tudo é política externa e preço do dólar- inclusive, muito tem a ver com os impostos internos que vão em cima do preço de produção e a orientação do mercado brasileiro quanto à preferência à exportação. Dentro de casa, o Agro só é Pop na TV.

O esqueleto da maçã

Da semente ao caixa do mercado, há fazendeiros, fatores climáticos, disponibilidade de energia e inflação. O preço nominal conta com o impacto dos fatores pré-inflação. No Brasil, a crise hídrica pesou tanto na conta de luz quanto na de mercado, como relata o professor Tiago Sayão, da Ibmec, para o Jornal Extra. “Em prol de manter a integridade do sistema, todo o custo está sendo repassado ao consumidor”.

Imagem de reprodução

Além disso, a inflação supera o aumento do salário. Em capitais como São Paulo o salário mínimo de 2022 de R $1.212,00 não cobre o valor de duas cestas básicas, cuja estimativa é durar, em uma família de quatro pessoas, por 10 dias. De mãos dadas, os impostos sobre produtos recheiam as etiquetas. Aqueles com a mudança mais alarmante, que tem ligação direta com o comércio do produto, é o ICMS (Imposto sobre Consumo de Mercadorias e Serviços) e o IPI (Imposto sobre produtos Industrializados). Em 2021, no estado de São Paulo, o nutricionista Alexander Marcellus Carregosa apurou que orgânicos carregam entre 10% e 25% de ICMS. Isso quer dizer que, com o quilo do tomate por volta de R$10 e o ICMS de 22%, R $2,20 são do governo pelo simples ato da compra. Conforme o passar dos anos, essas alíquotas foram desaparecendo das Notas Fiscais para não assustar o cliente com a disparidade do valor de compra do fornecedor e a quantia cobrado no mercado.

Qual galinha enche o papo?

Do macro pro micro, a posição do Brasil como um mercado de commodities global também interfere no valor dos alimentos. O modo de produção do Agronegócio e a Agricultura Familiar têm tamanhos desproporcionais à sua importância na segurança alimentar nacional. O Agro, jóia preciosa do PIB - ano passado, participou em 27,4 % do Produto total- é focado no mercado externo, que têm demanda o suficiente para sustentarem uma monocultura para vender em altíssimas quantias. O que há na fruteira dos brasileiros vem da agricultura familiar,que abastece 70% do consumo interno segundo o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Mesmo com tal importância não possui metade do investimento em infraestrutura. As commodities, frutos da monocultura, tiveram um boom durante a pandemia e se tornaram predatórias à existência das famílias do campo. Elias, pequeno produtor de tomates na região de Itapecerica da Serra, relata que teve sua produção reduzida pela metade por falta de público nas feiras livres. “ Eu estava lá, com máscara, com luva, tudo certo, só que as pessoas não queriam sair de casa, então a feira não rendia. Aí dependendo da distância eu nem ia; à feira de quinta e segunda eu larguei ” O período pós pandêmico não promete recuperação instantânea; Veruza, produtora de hortaliças de Biritiba Mirim, conta que “no pós-pandemia, tudo foi aumentando: insumo, combustível, tudo. A entrega mais próxima que faço é 100 KM de onde eu moro, então aumentou muito, e não é um valor que eu possa repassar no meu produto, então está sendo mais difícil administrar o pós-pandemia do que durante [a pandemia]” . A valorização alta do dólar em relação ao real fez ainda mais preferível a venda externa do que interna, que causa escassez e encarecimento da dieta brasileira, consequentemente contribuindo para o aumento de insegurança alimentar, como apresenta o estudo o Agro não é pop e muito menos tudo, da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) em parceria com a FES Brasil.

Outras opções na mesa

A Agricultura Familiar resiste e vive nas brechas e organizações que as permitem. A produção carrega a principal diferença do Agro em sua filosofia, que vê a comida como base da vida, não moeda de troca. As famílias do campo dependem integralmente da renda gerada por seu cultivo e comercializam em menor escala, sem a adição de alguns dos impostos pagos por supermercados e aquela margem de lucro das grandes lojas, que pode chegar a quintuplicar o valor agregado. Cooperativas, institutos e assentamentos de terra como o MST, que tratam a dieta com respeito, são alternativas mais econômicas e saudáveis para os preços galopantes dos mercados. Em São Paulo, o Instituto Feira Livre, na República, põe nas gôndolas o preço exato cobrado pelo produtor e pede por uma doação voluntária de 35% do valor da compra no caixa, para manter bancar a manutenção do local.“ O Feira Livre surgiu da ideia de fazer uma economia solidária, de colocarmos nossos produtos à mostra e não barganha-los [com os fornecedores]”. E o mais importante é vender sem veneno. Então tudo que temos aqui é de pequenos produtores, tudo vem da agricultura familiar”, explica Michele, uma das associadas do Instituto. "A gente quer ter uma economia limpa, em que as pessoas consigam entender como funcionamos. Aqui temos uma lousa que fica exposta ao público, para saberem para onde vai os 35% da contribuição]. Ainda na capital, o CEAGESP abre sua feira livre nos finais de semana para o público, e o Raizs, que expande sua cobertura para produtos orgânicos de limpeza e utensílios domésticos, entrega a domicílio.

Instituto Feira Livre. Foto autoral. 

Entender as políticas de terra dos quatro cantos no Brasil é importante para saber o porquê a fome cresce e os preços aumentam em um país cuja exportação aumentou durante a Pandemia. As crises nos mais diversos setores durante 2020 e 2021 prometem reverberar pelos próximos anos a vir. Enquanto não se atinge a normalidade, cabe à população garantir o prato na mesa da forma que for possível e para o futuro, entender a alimentação pelo que é: um ato político.

*imagem 1: Plantação de soja.Reprodução. Fonte.