
Nos últimos meses, a inflação tem esvaziado os carrinhos de supermercado dos brasileiros. Com isso, consumidores de baixa renda têm optado por alternativas mais viáveis economicamente, optando por pechinchar com feirantes em vez de comparar etiquetas de preços nas prateleiras.
Segundo levantamento do IBGE, divulgado no dia 11 de maio, os setores de transporte e de alimentação e bebidas são os mais afetados pela alta de 1,06% no índice de preços de abril. A alta nos combustíveis - principalmente a gasolina, que ocupa maior peso (6,71%) no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - tem contribuído ainda mais com o aumento de preços nos demais setores da cadeia produtiva brasileira.
Em razão do aumento das despesas com combustíveis, o frete se torna mais caro e, consequentemente, impacta o preço final de produtos de diversos setores. É com base nisso que se justificam, dentre outros motivos, as altas de preços de alimentos para consumo domiciliar, como batata-inglesa (18,28%), leite longa-vida (10,31%) e seus derivados, tomate (10,18% no mês; 103,26% ao ano), óleo de soja (8,24%), farinha de trigo (7,34%), carnes (1,02% no mês; 8,06% ao ano), entre outros itens que já não cabem mais na lista de muitos consumidores.
Em visita da Agemt à feira livre da rua Ministro Godói, em Perdizes, foram entrevistados, no dia 10 de maio, feirantes e consumidoras presentes durante o horário da “xepa” (período final das vendas, quando os preços e a qualidade dos produtos oferecidos são menores). Mediante as altas da gasolina e de diversos alimentos, a lista de compras precisou ser reduzida e alguns consumidores passaram a frequentar as feiras livres de seus bairros, a fim de negociarem preços melhores diretamente com o vendedor.
É o caso de Denise, que prefere comprar frutas e legumes na feira, já que “nos supermercados os preços são bem mais caros”. Ela relata que precisou substituir itens de sua lista de compras por opções mais acessíveis, trocando a carne vermelha por legumes, carne de frango e de porco. “Estou aproveitando as férias para vir nos horários de xepa, que é quando consigo pechinchar mais”.
Ainda assim, os preços altos assustam consumidores que estavam acostumados a comprar determinados produtos e que já não o fazem mais, prevendo usar o dinheiro para riscar outros itens da lista. “Eu costumava comprar brócolis, mas ultimamente não tenho mais levado porque o preço aumentou muito”, conta Rita, que já frequentava feiras tradicionais desde antes da pandemia. Recentemente, ela tem encontrado dificuldade em comprar as mesmas variedades de antes. Segundo dados do IBGE, o brócolis registrou alta de 35,7% em abril.
Do outro lado da moeda, feirantes se esforçam para driblar a inflação e oferecer preços atrativos aos consumidores em meio ao castigo da inflação. “Não cobrem dos meus colegas”, pede Gilson, vendedor de mandioca em duas feiras durante a semana. “Eles não têm culpa. O preço aumenta porque o do diesel aumenta e o transporte fica caro, principalmente de frutas, que vêm de outros estados”.

O feirante explica que, para vender mais, busca fazer descontos por quantidade. “Eu costumo vender 1 [unidade de mandioca descascada e cortada na hora] por 6 [reais] e 2 por 10. Eu tento manter o mesmo preço que era antes da pandemia”. Em 2021, a mandioca foi um dos produtos mais impactados pela inflação, acumulando 48,1%.
Leandro, por sua vez, trabalha em três feiras diferentes, durante cinco dias na semana, mantendo sua barraca de hortaliças e alho-poró. Experiente no ramo, ele relata que o aumento dos preços impactou na frequência de consumidores, o que não vem acontecendo nas feiras mais populares. “Lá [nos bairros mais pobres], o povo vai mais à feira, principalmente os mais velhos que sempre vão e compram mais. Por aqui [em Perdizes] costuma ter mais gente no começo ou no final, que é quando o preço está mais baixo. Mas é porque o produto já não é dos melhores e aí tem que abaixar [o preço] mesmo pra vender”.

https://www.msnbc.com/the-reidout/reidout-blog/elon-musk-twitter-deal-rcna25869
A tentativa de compra da rede social Twitter pelo bilionário Elon Musk começou na quinta-feira (14), através de uma proposta no valor de U$S43,4 bilhões. O empresário que já tinha uma participação de 9,2% nas ações da rede social, demonstrou interesse em mais, apesar de contrariar as políticas adotadas pelo Twitter. Por meio de uma falta de resposta ou até mesmo aceitação, na sexta-feira (22) o empresário aumentou a sua proposta para US$ 46,5 bilhões.
Após duas semanas de negociações, a compra do Twitter por Elon Musk parece ter chegado a um desfecho. Estima-se que a rede social tenha sido vendida por US$44 bilhões nesta segunda-feira (25), em uma transação que movimentou o mercado e a rede social.
A compra fez com a bolsa de Nova York fechasse em alta de 6 pontos. Os principais índices da bolsa de Nova York (Nasdaq e Dow Jones) terminaram o dia em alta; Nasdaq fechou em 1,29% a 13.004,85 pontos e Dow Jones com 0,70% a 34.049,46.
As ações do Twitter também tiveram alta representada por 5,66%, mas após a compra por Musk, as ações deixarão de ser negociadas na bolsa. O interesse do CEO da Tesla na rede social não é uma novidade, ele já havia revelado a intenção de criar uma nova versão do Twitter, que prezasse pelo que os usuários têm a dizer ao invés da propagação publicitária. O empresário já se posicionou, e deixou claro que pretende acabar com os spams.
Musk publicou em seu perfil do Twitter um texto onde defendia o uso da rede social para se expressar livremente. “A liberdade de expressão é a base de uma democracia em funcionamento, e o Twitter é a praça da cidade digital onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade”, disse o bilionário.
O empresário reconhece o papel das redes de comunicação na vida da sociedade e afirma ter pretensões de torná-la melhor por meio da adoção de novos recursos, além de fazer com que os algoritmos da rede sejam acessíveis aos usuários como forma de promover confiança a eles.
Toda a movimentação envolvendo esta transação originou um debate ao redor do mundo sobre a liberdade de expressão e o futuro da democracia. Políticos de diferentes correntes ideológicas comentaram o assunto, enquanto alguns comemoram a venda, outros temem o futuro da rede social. A senadora dos Estados Unidos, Marsha Blackburn, do partido Republicano, se posicionou e demonstrou esperança com o futuro da rede social. “Hoje é um dia encorajador para a liberdade de expressão. Espero que Elon Musk freie a história das empresas de tecnologia de censurar os usuários que têm ponto de vista diferentes”, disse a republicana.
Já o prefeito de Londres, Sadiq Khan, do partido Trabalhista, compartilhou o temor sobre as consequências que as mudanças a serem implantas podem causar no âmbito social. “Liberdade de expressão é vital, mas não significa um passe livre para o ódio. Discurso de ódio on-line bota lenha na fogueira do preconceito e leva a violência trágica e terrível no mundo real”, afirmou Khan.
Os resistentes as implantações das mudanças propostas por Musk temem que a rede social se torne ainda mais um local de difusão de desinformação, ataques e futuros problemas a serem estabelecidos entre a comunicação das empresas com as instituições dos países.
A liberdade proposta por Musk pode gerar uma facilidade de infração da lei e dos órgãos reguladores do estado, intensificando problemas sociais como a intolerância, o preconceito, o discurso de ódio e a agressão aos poderes de uma nação ou instituição. A senadora Elizabeth Warren, do partido Democrata dos Estado Unidos, demonstrou sua preocupação com o destino da rede social. “Esse acordo é perigoso pra democracia. Bilionários como Elon Musk jogam com regras diferentes das outras pessoas, acumulando poder e ganhos. Precisamos de impostos sobre a riqueza e regras mais fortes para manter as gigantes de tecnologia sob controle”, afirmou a democrata.
A repercussão no Brasil também gerou comentários. Nas nas redes sociais figuras públicas aliadas à direita têm afirmado que a compra do Twitter por Elon Musk causou um ganho absurdo de seguidores. O Ex-Secretário Nacional de Incentivo e Fomento à Cultura, e pré candidato a Deputado Federal na Bahia pelo Partido Liberal, André Porciuncula pontuou: “Estou ganhando novos seguidores numa velocidade que nunca vi no Twitter. É impressionante...”.
O Deputado Eduardo Bolsonaro, do Partido Liberal, também se pronunciou sobre esse fato. “O efeito @elonmusk: parece que tem gente no Twitter com medo de ser demitido ao ter que prestar contas sobre shadowban em perfis conservadores. Vários conservadores estão notando ganho de seguidores no TT e eu me somo a eles. Em poucos dias ganhei certamente +5.000, algo incrível”.
Na esquerda, algumas figuras públicas se manifestaram nas suas redes sociais, criticando a compra do Twitter por um bilionário. “A prioridades dos bilionários ... Por 7 vezes menos do que gastou comprando uma empresa, uma única pessoa conseguia alimentar MAIS DE 40 MILHÕES DE PESSOAS...” , comentou Jandira Feghali do PCdoB. “Ainda é uma incógnita de que forma o bilionário usará as redes a seu benefício, mas já sabemos que não será nada positivo para quem luta contra o capitalismo desenfreado", disse o deputado federal Glauber Braga, do PSOL. “Elon Musk é um símbolo da concentração de renda sem limites", criticou o pré-candidato a deputado federal por São Paulo, Guilherme Boulos, do PSOL.
Com a possibilidade de compra do Twitter, a Tesla já apresentava uma queda de 1,5% nas ações, depois registrou mais de 6%. Após confirmação de compra, a empresa fechou em queda de 12,18%, mas para acalmar os investidores, Musk se pronunciou em sua rede social pontuando que as ações da Tesla não serão vendidas.
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O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve alta de 1,73%, registrando o pior índice para um mês de abril em 27 anos, o pior resultado é de 1995, quando a taxa bateu 1,95%. Considerado uma prévia da inflação oficial no país, o índice já apresenta uma elevação de 10,20% no acumulado dos últimos 12 meses.
A variação mensal por grupo teve como destaque o setor de transportes com um aumento de 3,43%. Além de transportes, outros três setores também se destacaram: alimentação e bebidas (2,25%), vestuário (1,92) e habitação (1,73). Quatro setores tiveram as menores variações: artigos de residência (0,94), despesas pessoais (0,52), saúde e cuidados pessoais (0,42) e educação (0,05). O setor de comunicação foi o único que não obteve um aumento no seu valor, marcando – 0,05.
No ano, a inflação acumulada é de 4,31%, e durante o início do semestre as perspectivas para a Inflação eram melhores, já que no mês de dezembro houve uma queda significante que representou 0,78% de variação. O mês de janeiro fechou em 0,58%, e em fevereiro o índice elevou marcando 0,99%. Em março houve uma queda de 0,04% pontuando a variação de 0,95%.
A alta nos combustíveis foi originada pelo recente aumento nos custos do óleo diesel, etanol e gás. O diesel teve um aumento de 13,11%, seguido pelo etanol (6,60%) enquanto o gás veicular obteve a menor variação no preço (2,28%). Esse aumento teve influência direta no preço dos táxis, metrô e o ônibus. Os táxis tiveram a maior variação (4,36%), o aumento no metrô representou (1,66%), já o custo dos ônibus obteve a menor variação no grupo de transportes (0,75%).
O aumento de 2,25% no setor de alimentos e bebidas marca o aumento dos seguintes alimentos: tomate (26,17%), cenoura (15,02%), leite longa vida (12,21%), óleo de soja (11,47%), batata-inglesa (9,86%) e pão francês (4,36%). Legumes registraram o maior aumento, como os casos da cenoura e do tomate, seguidos pelo leite e óleo de soja. Batata-inglesa e pão francês tiveram as menores variações.
Para três mulheres feirantes, que trabalham no bairro Perdizes, o confinamento prejudicou na renda e, em unanimidade, constatam como a inflação está dificultando este retorno. Kelen Cristina Moreira dos Santos, 47, comparou como as compras dos pastéis de sua barraca caíram com a chegada do vírus. Ela contou que as pessoas não se sentem seguras para irem até a feira, precisando então manter o preço antigo e fazer promoções para incentivar a volta. A feirante comentou que também não se sente totalmente segura neste retorno. "Tudo não passa de um jogo político”, para ela, já que a volta foi apressada por conta das eleições neste ano.
Santos disse ainda como o aumento dos preços dificultou suas vendas, já que os ingredientes de qualidade não deveriam ter um preço abusivo. Apesar de seus lucros diminuírem, ela disse que a feira está melhorando aos poucos.
Marlene Martins, 55, disse que, como não teve alternativas para se adequar ao isolamento, como o “Diskfeira”, ferramenta virtual que surgiu para entrega de produtos da feira via delivery. Ela precisou do auxílio emergencial para sobreviver. A vendedora de grãos sentiu uma queda de aproximadamente 80% no movimento e venda com o retorno das feiras. Ela também apontou como a inflação está prejudicando sua renda, já que os preços altos ajudam o movimento a cair.
Em contrapartida, Eva Cardoso, 42, vendedora de legumes e verduras, não mencionou nenhuma dificuldade durante a pandemia, teve sua renda mantida e disse que o movimento da feira não diminuiu, mesmo com as estatísticas demonstrando o oposto. Mas sobre a inflação, respondeu de forma incisiva que está prejudicando as compras dos seus clientes.
De acordo com o IBGE, a inflação aumentou em 166,17% o preço dos alimentos nas feiras de todo o Brasil em decorrência à pandemia, às condições climáticas adversas e à crise econômica.

A Allegra Pacaembu, consórcio responsável pela administração do estádio do Pacaembu, solicitou em janeiro a inclusão da Praça Charles Miller na concessão, em razão dos impactos da pandemia.
Apesar do pedido feito no início do ano, a Secretária de Parcerias e Desestatização da Prefeitura de São Paulo ainda não deu aval para o prosseguimento do processo. Contudo, a concessionária demonstra confiança e já planeja seus próximos passos: “Ainda aguardamos um retorno da Prefeitura de São Paulo sobre este pleito. Divulgaremos o projeto para a praça em momento oportuno.”
A obra ainda é polêmica pois passou por dois processos judiciais para poder ser realizada. A associação de moradores Viva Pacaembu abriu as ações numa tentativa de impedir a cessão e, posteriormente impedir a demolição de uma das arquibancadas, popularmente conhecida como tobogã. Apesar disso, o consórcio se diz aberto a conversas: "Na verdade, essa é uma discussão superada. A luta na justiça era de antes do processo licitatório. Agora a concessão já está caminhando e estamos sim abertos ao diálogo com a vizinhança."
Recentemente realizaram a demolição da arquibancada e sofreram com a rejeição popular graças ao carinho em relação àquele setor, mas justificam que a destruição foi necessária apesar da importância: “O tobogã teve sua importância histórica para o Pacaembu, assim como a cocha acústica, que foi demolida para abrigar o tobogã na década de 70, mas chegou o momento de reconectar o centro esportivo (localizado ao fundo do complexo) ao estádio e isso não seria possível mantendo o tobogã. Nosso projeto visa recuperar os pilares de cultura, lazer e entretenimento era necessário instalar uma nova edificação no lugar do tobogã.”
Por fim, tranquilizam os usuários sobre a utilização do espaço para o público e para o futebol, com outras possibilidades de uso: “O Pacaembu continuará tendo o mesmo regramento de uso que era aplicado quando administrado pela Prefeitura de São Paulo. O espaço permanecerá público, aberto e acessível. O futebol foi e sempre será a alma do Pacaembu, não vamos mudar isso, mas acreditamos que há oportunidade para novas experiências.”
O projeto pode ser acessado diretamente no site oficial do Pacaembu: https://pacaembuoficial.com.br/.
A Secretaria de Parcerias e Desestatização da Prefeitura de São Paulo e a associação de moradores Viva Pacaembu foram procurados, mas não responderam a reportagem.




