Entenda as motivações da queda e seus impactos no país
por
Isabella Damião
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23/04/2026 - 12h

Na última terça-feira (14), a cotação do dólar alcançou o menor valor desde 2024, abaixo dos R$5,00. A mudança do cenário financeiro no Brasil se deu, sobretudo, como consequência das últimas negociações entre o governo dos Estados Unidos e do Irã, em guerra desde fevereiro de 2026.

O dólar comercial, ou a taxa de câmbio, corresponde ao valor do real em relação ao dólar e reflete, principalmente, a política internacional e a inflação de cada país. Desse modo, a oscilação das tentativas de acordo entre o governo estadunidense e iraniano torna arriscado o cenário americano em diversos setores da economia, principalmente no comércio de petróleo. Os dois países disputam o controle do Estreito de Ormuz, via marítima que entrega 20% do petróleo mundial. 

O enfraquecimento do dólar se deu mundialmente, e outras moedas como o peso chileno e o peso mexicano também se valorizaram nessa relação. “Quando o mercado passa a acreditar que o Federal Reserve [Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos] pode reduzir ou desacelerar o aperto monetário, o dólar tende a perder força frente a outras moedas, especialmente de países emergentes", explica a professora de Economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello. 

Em relação ao real, a economista pontua que o que o favorece são as altas taxas de juros, que atraem investimento de capital estrangeiro. Além disso, a balança comercial brasileira apresentou, entre janeiro e abril de 2026, um superávit de US$20,92 bilhões, 44,3% a mais do que o valor do mesmo período no ano anterior. Esses fatores contribuem para um fluxo positivo de capital no Brasil e valorizam o real. 

Gráfico - média diária de saldo
Gráfico: Secretária do Comércio Exterior/MDIC

 

Quanto aos efeitos da redução do dólar comercial, Cristina Helena não vê uma mudança a longo prazo na economia brasileira: embora existam boas indicações nesse cenário, como o controle da inflação, a oscilação da taxa de câmbio pode deixar o fluxo de capitais mais suscetível à juros. “O real tem se destacado entre moedas emergentes em alguns momentos recentes, mas isso não é um movimento isolado nem garantido. Isso é conjuntural e pode se inverter”, esclareceu. 

Influenciadora brasileira detalha a criação e o sucesso de seu body splash
por
Fernanda Dias
João Luiz Freitas
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30/03/2026 - 12h

Com 442 mil seguidores no Instagram, a influenciadora digital Lis Bella Andreazzi viu que seu público consumia muitos perfumes e teve a ideia de criar um produto com a sua cara. A parceria com a Ekomist, empresa que faz aromas para grandes marcas, foi o passo seguinte para tirar o plano do papel e lançar o  "Eighteen Seasons". Em entrevista à AGEMT ela detalha a estratégia de seu body splash e explica para o leitor o poder da influência digital sobre o consumo. 

A conversa revelou como criadores de conteúdo movem o mercado e fazem produtos esgotarem em poucas horas. Também contou sobre o processo de criação para garantir que o item faça parte da rotina de quem a segue.  Lis Bella entende o impacto de suas indicações no mundo digital e percebe que seu público confia muito no que ela usa no dia a dia. A influenciadora explica que nem todo produto vende com facilidade e o que importa é o alinhamento com o perfil de quem a acompanha. "Não é todo mundo que vai comprar? É quem se sentir atraído pelo produto, se divulgo maquiagem ou perfume, a chance de venda é maior", ressalta Lis Bella, que acrescenta: "as pessoas veem que ela usa o item de verdade e não apenas para uma propaganda". 

"Você ser uma influenciadora que passa essa confiança para o público, criando uma intimidade por meio de exemplos de sua rotina de cuidados com a pele gera muito engajamento". Segundo a influenciadora essa credibilidade está altamente ligada à escolha de não divulgar golpes ou casas de apostas, pois as marcas buscam influenciadores com boa reputação para parcerias de longo prazo. O nome "Eighteen Seasons" marca uma fase de transição na vida dela, pois o lançamento teve uma ativação estratégica em sua festa de 18 anos.

Além disso, ela chamou alguns de seus seguidores para estarem presentes nesse lançamento, reforçando a ideia de que ela preza pela proximidade ao público. A embalagem tem inspiração em produtos internacionais de sucesso e a marca atrai quem gosta de perfume e quem admira o estilo de Lis Bella.

Lis Bella Andreazzi - mulher segurando seu produto
Lis Bella Andreazzi na divulgação do seu produto "Eighteen Seasons". Fonte: divulgação. 

O mercado vê o surgimento de febres passageiras em alimentos e cosméticos, vários produtos viralizam e esgotam rapidamente. Exemplos recentes incluem o "morango do amor" e o "labubu". Esses itens mostram como um vídeo ou uma tendência pode criar uma demanda imediata e massiva. A velocidade com que esses produtos aparecem e desaparecem do mercado é um desafio para as marcas e um reflexo do consumo impulsionado pelas redes sociais.

A ideia de que um produto pode viralizar hoje e ser esquecido amanhã não é apenas percepção das redes sociais, mas já vem sendo discutida também no campo do marketing. Um estudo recente da Nanyang Business School, em Singapura, define esse cenário como “economia do momento”, em que marcas e consumidores passam a girar em torno de tendências rápidas, com picos de atenção que desaparecem em pouco tempo.

Na prática, o que se observa é um padrão recorrente. Um vídeo viraliza, o produto ganha visibilidade, a procura dispara e, em poucos dias, o interesse começa a cair. O ciclo é curto e, muitas vezes, substituído rapidamente por uma nova tendência. A influenciadora reforça, em entrevista, que a relação de confiança com o público acelera esse processo. Quando a indicação vem de alguém com quem o seguidor já se identifica, a decisão de compra tende a acontecer mais rápido, sem muita comparação ou planejamento. Ao mesmo tempo, o próprio estudo aponta um limite importante: chamar atenção não significa construir uma relação duradoura. Em um ambiente onde tudo é substituído rapidamente, ser visto não garante ser lembrado.

Andreazzi destaca que, nesse contexto, o timing se torna um dos fatores mais importantes. Participar de uma tendência no momento certo pode definir o alcance de um produto. Fora desse período, o interesse tende a cair rapidamente. Por fim, o eixo do comportamento do consumidor busca entender como essas dinâmicas afetam as escolhas. A repetição desse padrão indica um consumo mais impulsivo, influenciado pela urgência e pelo desejo de participar de algo coletivo. No entanto, esse comportamento nem sempre se traduz em fidelidade. A própria lógica da “economia do momento” sugere que o consumidor está sempre em busca do próximo viral. Segundo Andreazzi, a continuidade da relação depende menos do hype e mais da experiência real com o produto após a compra.

 

Bolhas de IAs e tensões geopolíticas afetam o valor final dos produtos eletrônicos
por
João Moura
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27/03/2026 - 12h

O consumidor brasileiro que planeja atualizar seus dispositivos eletrônicos nos próximos meses encontrará um cenário difícil. Segundo projeção da Gartner, empresa de consultoria no mercado de tecnologia, o preço dos computadores deve sofrer um reajuste de 17% em curto prazo. Ainda nessa análise, o mercado de PC’s deve sofrer uma retração de 10,4% em vendas. O aumento do preço é  impulsionado por uma combinação de fatores globais e decisões de política interna. O encarecimento de memórias RAM e unidades de armazenamento SSD, se transformou no principal vilão do orçamento doméstico e empresarial, agravando uma tendência de alta que se acumula desde o final de 2024.

O motivo principal dessa inflação está no crescimento do mercado de inteligência artificial (IA). A infraestrutura necessária para sustentar os modelos de linguagem (LLMs) e processamento de dados exige uma grande quantidade de hardware. Como resultado, as big techs estão direcionando seus investimentos para a construção e manutenção de data centers, consumindo a maior parte da produção mundial de semicondutores.

O apetite das gigantes da tecnologia acaba por "canibalizar" a oferta de produtos para o consumidor comum e pequenos varejistas. Um marco dessa mudança ocorreu em novembro de 2025, quando a Micron, uma das líderes globais do setor, anunciou o fim de sua linha de memórias padrão para consumidores, reajustando todo o seu portfólio para atender exclusivamente às demandas corporativas de alta escala. Para a economista e professora da PUC-SP, Leslie Denise Beloque, o momento exige cautela extra dos investidores e consumidores. “Temos uma imensa bolha no campo das big techs. Quer dizer que a valorização das ações dela na bolsa é extremamente grande, supondo que o desempenho delas na vida real também esteja. Isso fatalmente uma hora estoura, e todo mundo que tinha ação vai ver que isso era irreal, e perde dinheiro”, afirma Leslie.

Data centers dominam o mercado de memória RAM. Foto: wirestock/Freepick
Data centers dominam o mercado de memória RAM. Foto: wirestock/Freepick

Além da pressão de demanda, a oferta global de chips enfrenta problemas logísticos e diplomáticos. A guerra tarifária entre Estados Unidos e China impôs barreiras severas ao fluxo de recursos essenciais para a fabricação de microchips, afetando empresas cruciais como a TSMC e a Nvidia. A escalada de tensões entre os dois países também envolve restrições à exportação de tecnologias sensíveis e sanções comerciais estratégicas, especialmente no setor de semicondutores avançados.

Washington (EUA) tem ampliado o controle sobre o envio de equipamentos de litografia e chips de alto desempenho para empresas chinesas, enquanto Pequim responde com políticas de incentivo à produção doméstica e possíveis limitações na exportação de minerais críticos, como terras raras. Esse embate cria um ambiente de incerteza para toda a cadeia global de suprimentos, elevando custos, atrasando entregas e reduzindo a previsibilidade do mercado. No Brasil, o cenário é agravado pela questão tributária. A resolução Gecex 852, que entrou plenamente em vigor no início de  março de 2026, estabeleceu uma taxação de 12,6% sobre placas de vídeo, memórias RAM e placas-mãe. Embora o governo justifique a medida como uma forma de proteger a indústria nacional, que registrou um aumento de 33% na importação desses itens desde 2022, o impacto imediato é o desestímulo ao consumo.

Redes sociais passam a integrar entretenimento e consumo, acelerando o avanço do social commerce no Brasil
por
Eduarda Amaral
Kaleo Ferreira
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28/03/2026 - 12h

O comércio eletrônico brasileiro vive uma nova fase impulsionada pelos marketplaces, plataformas que conectam vendedores e consumidores em um mesmo ambiente digital. Nos últimos anos, esse modelo se consolidou como um dos principais motores de e-commerce no país, concentrando grande parte das vendas online e ampliando o alcance de marcas e pequenos empreendedores. Se preferir, ouça esta matéria em áudio.

Em 2026 um novo formato ganha espaço, o social commerce, que integra redes sociais às vendas online, permitindo ao consumidor descobrir e comprar produtos sem sair da plataforma. Um exemplo desse movimento é o TikTok Shop, que transforma vídeos curtos e transmissões ao vivo em vitrines digitais. O modelo se apoia no conceito de discovery commerce, o consumo por descoberta. Diferente da lógica tradicional, em que o cliente busca o que quer comprar, aqui ele os encontra de forma espontânea enquanto consome conteúdo. Para o especialista Felipe Couto, cofundador técnico e engenheiro principal da Jodda.ia, plataforma que integra gestão de dados e performance no e-commerce, os marketplaces deixaram de ser meros intermediários para se tornarem provedores de infraestrutura. Ao oferecerem soluções de logística, publicidade e crédito, essas plataformas geraram um "efeito de rede, em que mais vendedores atraem mais consumidores, fortalecendo o ciclo", explica Couto.

Nesse cenário, o entretenimento passa a desempenhar um papel central na decisão de compra, permitindo que marcas e criadores apresentem produtos de forma mais orgânica e próxima do consumidor. Essa estratégia transforma a navegação nas redes em um ambiente de descoberta constante, no qual recomendações e o algoritmo influenciam diretamente o comportamento do consumidor. Os números confirmam o avanço do setor. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce brasileiro faturou R$ 235 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. O período encerrou com 94 milhões de compradores online e aumento de 5,8% no volume de pedidos, com projeções que indicam a manutenção desse ritmo em 2026.

Gráfico faturamento do e-commerce no Brasil de 2020 a 2025 de acordo com a ABComm
Evolução do faturamento do e-commerce no Brasil de 2020 a 2025 - Fonte: ABComm

Essa alta-performance tem nos marketplaces seu principal motor, somada ao fenômeno do live commerce. O modelo popularizado na China em plataformas como Taobao Live e Douyin (versão chinesa do TikTok), onde o setor já movimenta centenas de bilhões de dólares anualmente, ganha força no Brasil como uma das formas mais autênticas de exposição de produtos. Nas transmissões ao vivo, vendedores e criadores respondem a dúvidas em tempo real, estabelecendo uma relação de proximidade que transforma o micro-influenciador em peça estratégica desse ecossistema.

Couto cita empresas que encontraram nas plataformas um atalho para expansão. A Growth Supplements, por exemplo, que já registrava alto faturamento em seu site próprio, alcançou milhões de pedidos em apenas um mês após migrar para o Mercado Livre. Para ele, o movimento evidencia que "não é só o pequeno seller (vendedor) que depende disso, até empresas grandes usam marketplaces como canal estratégico de crescimento". Mas esse formato, no entanto, começa a ser desafiado por um novo concorrente. Com cerca de 90 milhões de usuários no Brasil, o TikTok Shop registrou um crescimento de 26 vezes na receita diária média em apenas cinco meses desde sua chegada ao país, em 2025. 

Montagem com interface do TikTok Shop e vídeos de promoção de produtos — Imagem: Eduarda Amaral/Canva
Montagem com interface do TikTok Shop e vídeos de promoção de produtos - Arte: Eduarda Amaral/Canva

Ao aproximar entretenimento, recomendação e compra em um único ambiente, o social commerce redefine a jornada do consumidor e abre novas frentes de monetização. Nesse modelo, o conteúdo se transforma em vitrine e o criador em mediador, consolidando uma etapa do varejo digital em que as fronteiras entre diversão e consumo são cada vez mais difusas. 

Essa transição para novos canais exige mais do que presença digital, exige inteligência sobre o próprio negócio. É justamente esse o desafio que Couto enfrenta no dia a dia com a Jodda.ia. Segundo ele, a maioria dos vendedores tomam decisões com base em dados históricos e intuição: sabem quanto venderam, mas não entendem por que venderam ou onde perderam margem. "Um vendedor que não tem essa base analítica estruturada vai tentar replicar o que faz no Mercado Livre e vai se frustrar, porque as métricas são diferentes", afirma. Para ele, ter clareza sobre o lucro é o que permite avaliar com segurança se um item faz sentido no TikTok Shop, onde o giro é acelerado pela viralidade.

Essa disputa, no entanto, não deve se consolidar como uma competição direta entre modelos. O cenário aponta para uma convergência entre marketplaces e social commerce, à medida que plataformas de venda incorporam elementos de conteúdo, enquanto redes sociais avançam na estrutura operacional. Para Couto, essa transformação já está em curso e reflete uma adaptação do varejo digital a um consumidor mais orientado por experiência e conveniência.

Nesse processo, o avanço do TikTok Shop como ameaça real ainda depende de fatores como logística e confiança no pós-venda, áreas em que players consolidados mantêm vantagem. “Se o TikTok Shop conseguir fechar essa lacuna, aí o jogo muda”, afirma Couto. A disputa deixa de ser apenas por preço ou variedade e passa a envolver experiência e eficiência. “O marketplace venceu pela infraestrutura; o TikTok Shop cresce pela atenção; e o próximo ciclo será vencido por quem conseguir unir atenção, operação e margem no mesmo sistema”, conclui.

O que a crise gerada por Vorcaro conta sobre o letramento financeiro dos brasileiros
por
Leticia Falaschi
Anna Cândida Xavier
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27/03/2026 - 12h

O escândalo do banco Master tomou conta do noticiário brasileiro, promessas de rendimentos milagrosos, altas taxas de juros, ativos sem retaguarda e possível envolvimento de nomes importantes da política. A investigação da Polícia Federal estima que a crise do Master gerou R$50 bilhões em prejuízos generalizados, inclusive para investidores inexperientes que apostaram tudo o que tinham em uma cilada. Este caso deixa um alerta sobre a transformação do risco em produto e a expectativa em estratégia de mercado. Desde 2017, quando o empresário Daniel Vorcaro assumiu a presidência, o Banco Master apresentou um crescimento acelerado, baseado na emissão de Certificado de Depósito Bancários (CDB) com alto juros.

O CDB é um investimento de renda fixa emitido por bancos para captar dinheiro, ao investir, o cliente empresta dinheiro ao banco e recebe os juros. O Master oferecia uma rentabilidade muito superior à média de mercado, o que gerou uma captação expressiva e promessa de grandes retornos aos investidores. As operações eram complexas, de alto risco e pouco transparentes. A crise expõe não apenas uma falha financeira, mas um fenômeno social e comunicacional mais amplo, construído ao longo da última década no Brasil: a popularização do investimento em um ambiente mediado por linguagem simplificada, entretenimento e disputas de narrativa. Plataformas digitais, assessores e influenciadores passaram a traduzir o mercado financeiro em uma linguagem acessível, vendendo a ideia de que investir era simples e seguro. “As pessoas usam aquilo que é mais simples de acessar, que é a caderneta de poupança”, explica Cristina Helena Pinto, professora doutora em economia pela Fundação Getúlio Vargas.

Segundo ela, "o retorno monetário modesto deste tipo de investimento leva alguns à se arriscarem. Pessoas que têm baixo letramento financeiro, ou têm muita vontade de realizar rápido um ganho extraordinário”, caem, alerta Cristina. Nesse movimento, encontram um ecossistema financeiro pronto para oferecer soluções mais lucrativas, como CBD´s com juros muito altos.  Nesse percurso, muitos investidores se tornam vulneráveis a conteúdos que prometem ganhos rápidos, especialmente quando há muita vontade de realizar rápido um ganho extraordinário, o que se torna corriqueiro para boa parte da população.

É nesse ponto que a dimensão comunicacional se torna central. Segundo Davidson Carvalho, que defendeu mestrado na PUC-SP analisando o mercado financeiro para pequenos empreendedores, "há uma mudança estrutural na forma como o mercado financeiro se comunica: conteúdos sobre dinheiro passaram a adotar lógica de entretenimento, com ritmo acelerado, apelo visual e fragmentação". 

"O uso de memes e recursos visuais não é necessariamente um problema, como no caso do canal Me Poupe!, mas pode servir para “quebrar o ritmo racional do negócio”. O resultado é uma comunicação que privilegia engajamento em detrimento da profundidade", explica Carvalho. 

A economista Cristina Helena reforça essa ambiguidade ao apontar que, mesmo para quem possui conhecimento, há um conflito entre percepção de risco e confiança institucional: “olhava para aquilo e falava, está acima do que o mercado está pagando, tem alguma coisa de errado aqui”, mas, ao mesmo tempo, confiava que “dificilmente esse banco ia estar numa situação de risco tão elevado sem aparecer alguma coisa”. Essa confiança no sistema, combinada com a comunicação simplificada, contribuiu para diluir a percepção de risco entre investidores menos experientes.

Outro aspecto central é a disputa de narrativas entre instituições tradicionais e novos agentes comunicacionais. Como afirma Carvalho, “o banco não está isolado, não está conversando sozinho, pois compete diretamente com influenciadores que também se propõem a falar sobre educação financeira”, adverte. No entanto, há uma diferença de linguagem: enquanto instituições oferecem conteúdos mais técnicos, influenciadores alcançam grande audiência com formatos dinâmicos. 

Essa assimetria ajuda a explicar por que narrativas simplificadas têm maior alcance, mesmo quando menos completas. Nessa disputa por atenção, as instituições acabam por perder. “Os bancos também pensam em como decifrar a economia para o consumidor.” afirma Carvalho. 

Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Para a professora, a existência do (FGC) levou muitos investidores a acreditarem que estavam protegidos. Apesar dele garantir retorno para investimentos de até R$ 250 mil, muitas pessoas apostaram suas poucas fichas para além desse valor, confiando na segurança do CBD do Master. “O risco faz parte da estrutura do negócio de um banco, a diferença do caso Master são as fraudes, a emissão de ativos sem colateral, sem retaguarda” afirma Cristina. 

A crise do Master revela limites estruturais que vão além da comunicação. Carvalho destaca que muitos brasileiros simplesmente não têm tempo para se aprofundar: “um cara que está 12 horas numa moto, chega em casa e vai descansar, ele não vai fazer mais nada”, o que torna o consumo de informação rápida e superficial quase inevitável. Aí, a decisão de investimento deixa de ser apenas econômica e passa a ser mediada por cansaço, falta de tempo e excesso de estímulos", explica o mestre Carvalho. 

 

A crise econômica provocada pela pandemia alterou a relação dos brasileiros com o dinheiro e os modelos de trabalho
por
Luenir Gomes
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26/03/2026 - 12h

A crise provocada pela pandemia de Covid-19 alterou profundamente a relação dos brasileiros com o dinheiro e com o trabalho. O fechamento de estabelecimentos, o aumento do desemprego e a redução do consumo afetaram diretamente a renda das famílias. Depois de seis anos, consegue-se um panorama deste cenário: trabalhadores migraram do regime CLT para o modelo de microempreendedor individual (MEI), impulsionados pela necessidade de sobrevivência. Aplicativos como uber, 99 e serviços de entrega de fast-food se tornaram alternativas de renda, mas também expuseram a precarização das relações de trabalho. Segundo Paulo da Silva Melo, especialista em ciências contábeis, “a migração de trabalhadores do regime CLT para o modelo de MEI, intensificada durante a pandemia, aumentou a instabilidade da renda. Com ganhos mais incertos, muitos passaram a buscar nos investimentos uma forma de complementar ou proteger o patrimônio. Nesse sentido, o aumento de investidores também está ligado à insegurança econômica”, diz. 

Dados do mercado financeiro indicam que a pandemia marcou um ponto de virada no comportamento dos brasileiros em relação aos investimentos. Segundo a B3 (bolsa de valores oficial do Brasil), o número de pessoas físicas aplicando em produtos de renda fixa, muitos deles atrelados ao CDI, passou de cerca de 8,7 milhões em 2020 para mais de 10 milhões em 2021. O crescimento de aproximadamente 1,4 milhão de novos investidores em apenas um ano evidencia a entrada massiva de pequenos aplicadores no mercado durante o período de crise sanitária. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, como a queda histórica da taxa básica de juros, que reduziu a atratividade de aplicações tradicionais, e a maior digitalização dos serviços financeiros, que facilitou o acesso a investimentos.

Nesse cenário, produtos vinculados ao CDI se consolidaram como porta de entrada para investidores iniciantes, especialmente aqueles em busca de segurança e liquidez em meio à instabilidade econômica. A maioria desses novos investidores eram jovens, conectados digitalmente, aplicando valores relativamente baixos, muitas vezes inferiores a R$ 10 mil. Thiago Correia, motorista de aplicativo, 38 anos, relata sua experiência: “depois que fiquei desempregado, me tornei motorista de aplicativo e -- durante a pandemia -- comecei a investir por conta de comerciais de bancos como, por exemplo, feitos pelo Nubank, que diziam que meu dinheiro renderia mais com os juros. Fazendo comparativos e buscas pelas redes, cheguei à conclusão de que seria melhor do que deixar meu dinheiro parado”, relembra Correia. 

O período também marcou a consolidação dos bancos digitais, como Nubank e C6 Bank, símbolos de uma nova geração de serviços financeiros. Ao oferecer contas gratuitas, cartões sem anuidade e acesso simplificado via aplicativo, essas fintechs quebraram barreiras históricas do sistema bancário tradicional, visto como burocrático e caro. Além disso, passaram a integrar opções de investimento acessíveis em suas plataformas, permitindo que clientes aplicassem em renda fixa, fundos e até ações com poucos cliques. Essa revolução digital foi decisiva para ampliar o alcance da Bolsa e democratizar o acesso ao mercado de capitais.

Apesar do entusiasmo, o movimento também expôs riscos. A volatilidade do mercado e o chamado “efeito manada” levaram muitos a perdas significativas em momentos de queda. A falta de preparo técnico e de conhecimento aprofundado sobre o funcionamento da Bolsa evidenciou a necessidade de maior educação financeira. Especialistas alertam que, embora atraídos pela possibilidade de retorno maior no longo prazo, muitos investidores iniciantes tomaram decisões baseadas em informações superficiais ou promessas de lucro rápido.

 

A chegada de novos players dentro do mercado financeiro aconteceu durante o período da pandemia
por
Júlio Antônio Poças Pinto
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26/03/2026 - 12h

Como a pandemia da Covid-19 fez com que as pessoas se interessassem mais por investimentos, bem como trouxe bancos e influenciadores para mais perto dos leitores. O BTG Pactual passou a patrocinar a tradicional revista EXAME e canais como Me Poupe reúne mais de 7 milhões de inscritos no YouTube, só para citar dois exemplos. Com esta questão em pauta, AGEMT conversou com Lucas Mesquita Muliterno, formado em ciências econômicas pela PUC-SP, sobre as mudanças no mercado financeiro após a chegada da pandemia,  nessa entrevista nós conversamos sobre como a chegada de novos investidores afeta o sistema de finanças, quais métodos de aplicação podem ser usados por esses novos agentes, e como os economistas enxergam essas mudanças. 

"Temos um contexto muito importante dentro do mercado de capitais, com relação ao porte da pandemia as pessoas ficaram em casa e começaram a se preocupar com relação a sua segurança financeira, e com investimentos a longo prazo e ao mesmo tempo tivemos uma enxurrada de informação sobre investimos que fez com que essas mesmas pessoas estudassem e se prepararem, e entender um pouco mais sobre o mercado no mesmo período tivemos um contexto mais macro econômico com uma queda das taxas", explica Lucas.

Assista a entrevista completa aqui. 
 

Seis anos depois da quarentena, população tem se mostrado cada vez mais interessada em temas econômicos
por
Beatriz Paulino
Camila Bucoff
Giovanna Britto
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26/03/2026 - 12h

Em março de 2020, após a explosão da pandemia de Covid-19, o mercado financeiro enfrentou uma de suas maiores crises globais em anos. Nessa época, investir era desafiador e incerto, mas a procura por maneiras de fazer o dinheiro render, principalmente pela necessidade financeira em tempos de quarentena, aumentou. Desde então, os interesses em investimentos crescem, e as informações divulgadas a respeito são cada vez mais democráticas. Estudo realizado em dezembro de 2020, pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), aponta que em cerca de um ano a quantidade de investidores em renda variável cresceu seis vezes comparado a 2019. A procura por informação e aprendizado sobre o tema também aumentou, reflexo direto das dificuldades financeiras enfrentadas por muitos lares durante o confinamento.

Gráfico B3
Gráfico da evolução de investidores entre 2018 e 2020
Imagem: Reprodução / PowerPoint da pesquisa do B3.

Seis anos depois, cada vez mais pessoas entram nesse universo em busca de conhecimento e de uma relação mais consciente com o dinheiro. Cursos e conteúdos em plataformas digitais passaram a ter um papel muito importante na educação financeira da população, facilitando o acesso às informações. "Achava que era algo mais restrito ao mundo Wall Street e o mercado corporativo. As corretoras terem olhado mais para pessoas físicas com baixo patrimônio contribuiu com a entrada de pessoas no mundo dos investimentos, porque se tornou fácil criar uma conta e operar, qualquer um com um celular e internet consegue investir”, diz Lucas Chini, 20, estudante de Ciências de Dados e Inteligência Artificial na PUC-CAMP.  "Como era pandemia e eu tinha muito tempo livre, além de jogar e estudar programação, eu acabava estudando sobre o mercado financeiro, muito por incentivo do meu tio, que me motivava a investir e estudar mais sobre investimentos”, relembra. 

Em períodos de instabilidade, uma das primeiras áreas a ser afetadas é a economia. O desemprego aumenta, o preço do mercado sobe e a gasolina dispara. A população começa a sentir no bolso, e a busca por mais dinheiro e soluções rápidas começam a aparecer. Desde então, a sociedade tem se conscientizado cada vez mais a respeito de temas econômicos. “Existe um aumento bastante expressivo de pessoas físicas investindo”, aponta Cristiane Mancini, professora mestra em Economia. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), o investimento dos brasileiros cresceu 15,5% ao final de 2025 em comparação com dezembro de 2024, alcançando R$ 8,5 trilhões em recursos aplicados no mercado financeiro. “Esse movimento se dá por um maior acesso à educação financeira, algumas vezes mesmo em escolas, o que incentiva o investimento e o pensar no futuro”, explilca Mancini.

Pesquisa feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e Datafolha, mostra que, em 2023, só 30% da população brasileira conseguiu economizar. Além disso, 22% dos usuários de sites de apostas acreditam que estão investindo e ganhando dinheiro fácil, evidenciando a falta de compreensão sobre aplicações financeiras. Apesar do crescimento do interesse por investimentos revelar uma mudança na forma como os brasileiros lidam com o dinheiro, ele também expõe desafios que ainda precisam ser superados. Mais do que acompanhar o crescimento do mercado, entender como ele funciona se torna essencial para concretizar o planejamento financeiro a longo prazo.  

Investimentos
Imagem gerada por IA: Reprodução / Freepik

 

Por mais que o aumento de investidores acompanhou uma maior procura por conhecimento financeiro, ainda há muita desinformação. Segundo Mancini, isso se soma ao receio em alguns tipos de investimento. Outro aspecto relevante é a alta inadimplência das famílias no país, “o que faz com que o brasileiro opte por pagar suas dívidas em detrimento a investir. Suas reservas na verdade não se tornam reservas, mas sim pagamento de contas e gastos imediatos”, explica a economista. De acordo com ela, “os erros mais comuns são acreditar que o mesmo tipo de investimento vale para todos, sendo que os perfis mudam bastante, os objetivos e por quanto tempo se deseja investir. São pontos importantes a serem levados em conta”. Além disso, também há a ilusão de que os rendimentos podem ser rápidos, muitas vezes promovidos por falsas promessas na internet. 

Em relação à maior procura de informação e o planejamento financeiro do brasileiro, Cristiane comenta que existem diversos canais de comunicação, inclusive do próprio Banco Central. “E vale a pena mencionar uma informação que muitos brasileiros desconhecem: o sistema financeiro brasileiro foi eleito o melhor do mundo em 2024 pela sua diversidade de produtos e condutas de política monetária e inflação”. Chini, por sua vez, diz não se preocupar tanto com o planejamento financeiro, mas sim com o direcionamento do dinheiro. “Percebi que não podia deixar o dinheiro na poupança para a inflação comer, sendo que poderia estar em um fundo ou uma ação que me gerasse rentabilidade. Talvez a maior mudança foi isso, passar a investir ao invés de só guardar”. Para ele, investir mudou a forma com que lida com o dinheiro, “eu sempre economizei e guardei dinheiro, mas na poupança. Então o saber investir me possibilitou entender mais sobre o que eu poderia fazer com o meu dinheiro, para fazer mais dinheiro”.

Entenda como a ofensiva estadunidense pesa no bolso do brasileiro
por
Clara Dell'Armelina
Isabela Fabiana
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26/03/2026 - 12h

No último dia de fevereiro (28), o Irã sofreu uma invasão dos Estados Unidos, refletindo diretamente no preço do petróleo, já que a região que concentra algumas das maiores reservas do planeta e qualquer instabilidade vira gatilho para a alta nos preços e para um efeito dominó na economia mundial. E, mesmo distante do conflito, o Brasil sentiu rápido o reflexo com combustíveis mais caros, compras no mercado e a sensação de que decisões tomadas do outro lado do mapa atravessam fronteiras e chegam, sem pedir licença, no cotidiano do brasileiro. 

Meios de locomoção como carros ou aviões não são os únicos dependentes do petróleo, trata-se de uma matéria-prima básica da cadeia que sustenta a vida moderna. É dele que saem combustíveis, mas também plásticos, cosméticos, roupas sintéticas, medicamentos e até partes de equipamentos eletrônicos. Em outras palavras, o petróleo não move só motores, ele move economias inteiras. Países como o Irã são peças-chave nesse tabuleiro, porque concentram reservas gigantes e influenciam diretamente a oferta global. Qualquer conflito ou instabilidade nessa região afeta o preço do barril, e esse aumento impacta o mundo por completo, não fica restrito ao mercado nacional.

Antes de pensar nos impactos que a economia brasileira pode ter em função do ataque bélico estadunidense, é preciso entender o Irã dentro da economia global. O país do Oriente Médio tem grande relevância no mercado de energia, por exemplo, o Irã hoje representa 3,6% da exportação mundial de petróleo, com 1,57 milhões de barris exportados por dia. Porém, se incluirmos os países exportadores do Golfo Pérsico já afetados pelo atual conflito militar (Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Arábia Saudita), estamos falando de uma exportação mundial de petróleo de 11,5 milhões de barris por dia, “o equivalente a 26,6% do volume de petróleo exportado em todo mundo”, explica o economista e professor da PUC-Campinas Dario Rodrigues da Silva, doutorando em Economia Política Mundial.

Na avaliação dele, os impactos desse conflito sobre a economia brasileira já começam a se desenhar em diferentes frentes. “Os maiores riscos para o brasileiro, neste cenário, têm duas origens: a primeira delas é a crescente dependência de importação nos derivados de petróleo; a segunda, a falta efetiva de controle dos preços de distribuição dos derivados desde a privatização da BR Distribuidora, em 2019", ressalta Dário. Ele ainda explica que “sem esse controle, o governo não tem instrumentos para evitar instabilidades nos preços do varejo, por movimentos especulativos”.

Dois braços segurando um balde de petróleo com as luvas sujas. (Foto/Reprodução:CPG- Click Petróleo e Gás)
 (Foto/Reprodução:CPG- Click Petróleo e Gás)   

A ida ao mercado também está pesando no bolso, onde os efeitos são indiretos, mas relevantes. O Irã é um dos principais nomes na economia de fertilizantes e o ataque provocou um aumento global no preço do produto, o que eleva os custos da produção agrícola. “As culturas de grãos de alto volume seriam as mais afetadas diretamente em seu custo, como arroz, feijão e milho”, aponta. Ainda assim, ele pondera que esses impactos não são inevitáveis para o consumidor final: “essas culturas podem também ser alvo de políticas públicas para o controle dos preços e garantia da produção, evitando que qualquer choque de custo seja repassado diretamente ao consumidor”.

Dario Rodrigues também chama atenção para possíveis efeitos nas exportações brasileiras como, por exemplo, o frango Halal, um tipo de abate específico para a cultura islâmica e um dos produtos mais exportado do Brasil para o Oriente Médio. "O principal impacto neste mercado é logístico, com o risco de interrupção das rotas de transporte destes produtos pelo estreito de Ormuz”, afirma. Estes entraves no transporte podem levar o produtor a redirecionar parte da produção ao mercado interno, o que “poderia até reduzir o preço para o consumidor brasileiro”, mas tenderia a comprometer “a lucratividade de longo prazo desta indústria, podendo resultar em desinvestimento” no setor, explica Dario.

Imagens de Abate Frango Halal - Foto: Divulgação/SEAB Foto: SEAB
(Abate Halal - Foto: Divulgação/SEAB. Foto: SEAB)

Em relação às perspectivas futuras para o preço da gasolina, o professor da PUC-Campinas avalia que o cenário internacional ainda é marcado por grande incerteza, especialmente tratando-se do mercado de petróleo. “Previsões a respeito da cotação desse produto, para períodos mais distantes, não raramente, se mostram muito arriscadas”, afirma. Apesar disso, ele reconhece que, em cenários mais pessimistas, os preços podem subir ainda mais no curto prazo.

O petróleo começou 2026 custando USD 59,7 e, no dia em 28/03, quando o conflito completará 4 semanas, prazo estipulado por Trump para o fim da guerra após o primeiro ataque, “muitos analistas especializados informam que, nos piores cenários, os preços podem atingir USD 150”, acrescenta Dário. Para ele, o desenrolar da crise e a resposta do governo serão determinantes para o futuro. “Vai depender da aplicação destes instrumentos para que essa proteção realmente ocorra”, conclui, ao se referir às políticas públicas capazes de conter os efeitos da instabilidade da economia internacional sobre a economia doméstica.

A localização estratégica do Oriente Médio

Situado em confluência com a África, Europa e Ásia, sua localização privilegiada permite acessos estratégicos como o Canal de Suez, no Egito, e o Estreito de Ormuz, Irã. O interesse de países estrangeiros decai sobre uma das maiores reservas de combustíveis fósseis do mundo sendo crucial para a economia global. Desta maneira, a região se torna alvo de intervenções internacionais. Os Estados Unidos, historicamente, influenciam de maneira direta nas decisões dos países da região, muitas vezes na premissa de acusações de terrorismo. Uma das ocasiões mais memoráveis foi a guerra EUA X Iraque, em 2003, os norte-americanos acusaram o país asiático de obter armas de destruição em massa (nunca encontradas) e ameaçar a segurança global, esse foi o mesmo motivo do ataque ao Irã neste ano. A invasão causou um vácuo de poder após o assassinato do líder Saddam Hussein, e o país foi levado para uma guerra civil sangrenta. O conflito durou oitos anos, com mais de 600.000 mortos, segundo a revista The Lancet.

Edição 2026 terá restituições antecipadas e cashback para contribuintes de baixa renda
por
Carolina Nader
|
24/03/2026 - 12h

A Receita Federal anunciou na última segunda-feira (16) as regras para a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, referente aos rendimentos recebidos em 2025. O prazo de entrega começa às 8h do dia 23 de março e termina às 23h59 de 29 de maio.

A expectativa do órgão é receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano. O programa para preenchimento estará disponível para download a partir de sexta-feira (20), no site oficial da Receita Federal.

Entre as principais novidades estão a antecipação das restituições, melhorias na declaração pré-preenchida e a criação de um cashback para contribuintes de baixa renda.

As mudanças fazem parte do processo de digitalização da Receita Federal e da tentativa de reduzir erros nas declarações, além de acelerar o pagamento das restituições.

Restituições serão pagas em quatro lotes

Neste ano, a Receita reduziu de cinco para quatro os lotes de restituição. Os pagamentos ocorrerão nas seguintes datas:

• 29 de maio

• 30 de junho

• 31 de julho

• 31 de agosto

Segundo o órgão, cerca de 80% dos contribuintes com direito à restituição devem receber o valor já nos dois primeiros lotes. A ordem de prioridade permanece a mesma, começando por idosos com 80 anos ou mais.

Cashback pode beneficiar 4 milhões de brasileiros

Uma das principais novidades é o cashback do Imposto de Renda, que prevê devolução automática para trabalhadores de baixa renda que tiveram imposto retido, mesmo sem serem obrigados a declarar.

A medida deve beneficiar cerca de quatro milhões de pessoas, com devolução total estimada em R$ 500 milhões. O valor pode chegar a R$ 1 mil por contribuinte, com média de R$ 125.

O pagamento está previsto para 15 de julho, por meio de lote específico, preferencialmente via Pix vinculado ao CPF.

Declaração pré-preenchida ganha melhorias

A Receita também ampliou as funcionalidades da declaração pré-preenchida, disponível a partir de 23 de março para contas Gov.br nível prata ou ouro.

O sistema passará a emitir alertas automáticos para evitar erros, como despesas médicas fora do padrão ou ausência de chave Pix. Dados de renda variável, dependentes e informações do eSocial também foram integrados.

A expectativa é que mais de 60% dos contribuintes utilizem esse modelo em 2026.

Documentos necessários para declarar

Para evitar erros no preenchimento, a Receita Federal recomenda que o contribuinte reúna previamente os principais documentos, como:

• Informes de rendimentos fornecidos por empresas e bancos;

• Comprovantes de despesas médicas e educacionais;

• Dados bancários para restituição ou pagamento;

• Documentos de bens, direitos e dependentes.

Novas exigências e mudanças

Entre as novidades, rendimentos obtidos em apostas esportivas deverão ser informados na declaração, assim como saldos mantidos nas plataformas ao final de 2025.

Também será possível incluir nome social e, de forma opcional, informações de raça e cor do contribuinte e dependentes.

A Receita destacou ainda o uso do sistema Receita Saúde, que digitalizou recibos médicos e deve reduzir erros e casos de malha fina relacionados a despesas médicas.

Quem deve declarar?

Devem declarar o Imposto de Renda os contribuintes que, em 2025:

• Receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584;

• Tiveram outros rendimentos superiores a R$ 200 mil;

• Venderam bens ou tiveram ganho de capital tributável;

• Realizaram operações em bolsa acima de R$ 40 mil;

• Possuíam bens acima de R$ 800 mil;

• Obtiveram receita rural superior a R$ 177.920;

• Tiveram rendimentos ou investimentos no exterior

A nova faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais não vale para esta declaração e só será aplicada no IR de 2027. Isso ocorre porque o Imposto de Renda sempre considera os rendimentos do ano anterior. Como a nova regra passou a valer apenas em 2026, seus efeitos só aparecerão na declaração referente aos ganhos obtidos nesse período.

Não precisam declarar contribuintes que receberam rendimentos abaixo do limite anual de obrigatoriedade e que não se enquadram em nenhuma das demais situações previstas pela Receita Federal, como posse de bens acima do valor estabelecido, operações em bolsa ou ganhos de capital tributáveis.

Receita alerta para golpes

A Receita Federal reforçou que os contribuintes devem utilizar apenas os canais oficiais para envio da declaração e ficar atentos a tentativas de fraude durante o período.

O órgão também realizará transmissões semanais ao vivo no YouTube para esclarecer dúvidas sobre o preenchimento.