Seis meses após o rapper Kanye West fazer declarações antissemitas em seu Twitter e ter sua coleção de tênis Yeezy cancelada na Adidas, o mercado informal de tênis brasileiros segue sentindo os efeitos da polêmica.
Diferente dos Estados Unidos, a disponibilidade de modelos “hypados” (ou “no auge”) no Brasil é muito menor. São poucos lançamentos e estes vêm em números limitados de pares.
Os tênis de Kanye, Yeezy, e os tênis Jordan da Nike são bons exemplos de modelos procurados pela “juventude do hype”. Com a alta demanda e a pouca oferta, cria-se um mercado secundário, abastecido por contas de Instagram e grupos de WhatsApp que vendem os tênis por preços muitos mais altos do que o do “drop” (preço vendido em loja).
Os comentários antissemitas de Kanye geraram diversos burburinhos no mercado formal e informal. A própria Adidas cancelou as vendas dos produtos e já estimou perdas de € 500 milhões.
“Caso a empresa decida irrevogavelmente não reaproveitar nenhum produto Yeezy existente daqui para frente, isso resultaria na possível baixa do estoque Yeezy existente e reduziria o lucro operacional da empresa”, afirmou no seu relatório anual de 2022.
Mas há uma conexão direta entre as perdas no mercado formal e informal? Entre os cinco revendedores do tênis entrevistados pela reportagem, as opiniões divergem, mas coincidem em um aspecto: há um impacto, se positivo ou negativo, só o futuro irá dizer.
Logo após as polêmicas, Francisco Gil, Douglas Ramos e Pedro Reis, todos revendedores do produto, afirmaram que houve sim uma queda nas vendas devido à influência do rapper aqui no Brasil e na própria marca.
Gabriel Ricardo, que revende Yeezy através de grupos de WhatsApp, também observou uma queda nas vendas do produto, mas discorda da causa, acreditando que, por falta de novos drops, houve uma dificuldade dos revendedores de precificar o produto.
“Na minha visão, isso acontece pois é mais fácil precificar algo assim que lança, o que ajuda os resellers (revendedores) lucrarem recorrentemente”, afirmou.
A opinião não é unânime. A WJota Store disse que houve um aumento da demanda de Yeezy e uma valorização do produto.
Destes cinco meses para cá, muita coisa mudou. Dois dos cinco entrevistados aumentaram seus preços, um cortou pela metade, na tentativa de se livrar do estoque, os outros dois acreditam que a demanda depende do modelo.
“A marca Yeezy se manteve estabilizada. Acredito que os Slides deram uma impulsionada no mercado suprindo um pouco a saturação dos tênis que já não estão sendo tão procurados”, disse Douglas Ramos.
Se, por um lado, as polêmicas do cantor Kanye West afastaram compradores, por outro, o desejo de um calçado confortável, do “hype” e agora mais limitado do que nunca, despertou interesse nos consumidores.
Hoje, no aplicativo Dropper, especializado em conectar revendedores e compradores de tênis e artigos de luxo, Yeezys são vendidos de R$ 350 a R$ 17.800, dependendo do modelo e da condição de uso. No site da Adidas, os sapatos variavam entre R$ 1.200 a R$ 1.800.
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), decidiu na última quarta-feira (03) pela manutenção da taxa de juros Selic em 13,75%. O indicador ocupa o mesmo patamar desde agosto de 2022 e é o maior desde 2016, quando a taxa chegou a 14,25% ao ano.
Mesmo com a pressão do Governo, O Copom considerou que o mercado ainda não apresenta a estabilidade necessária para a redução da taxa e que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”, mesmo sendo um cenário menos provável.
O Comitê citou como alguns dos “fatores de risco” para o cenário inflacionário a queda adicional dos preços das commodities internacionais, a desaceleração da atividade econômica global acima do esperado e a “incerteza” sobre o desenho final do arcabouço fiscal a ser aprovado pelo Congresso Nacional.
O Órgão alegou que a reoneração dos combustíveis, juntamente com a apresentação do novo plano de gastos, contribuíram para a redução da incerteza sobre o desenvolvimento econômico do país, mas “enfatiza que não há relação mecânica entre a convergência de inflação e a aprovação do arcabouço fiscal”.
A economista, Cristina Helena Pinto, acredita que a manutenção da Selic se deu pelo equilíbrio entre as pressões para redução e elevação da taxa.
“Quando olhamos as projeções de mercado, houve uma elevação na projeção e expectativas de inflação sugerindo fecharmos o ano em 6,04%. A meta definida para este ano é de 3,25% e o limite é de 4,75%. Portanto, a projeção indica que ficaremos acima da meta. Isso sugere a necessidade de elevação da taxa”, por outro lado, Pinto ressalta a forte pressão do governo para a redução da taxa de juros.
O presidente Lula vem criticando a taxa desde o início do mandato, segundo o chefe de estado, a manutenção da taxa inibe o crescimento da economia. Em evento com centrais sindicais em celebração ao Dia do Trabalho (1º), o mandatário associou o nível da Selic ao desemprego e disse que a taxa de juros é parcialmente "responsável" pela situação do país.
"A gente não poder viver mais em um país onde a taxa de juros não controla a inflação, ela controla, na verdade, o desemprego nesse país porque ela é responsável por uma parte da situação que nós vivemos hoje", declarou.

Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou, no último dia 25, que não tem a “capacidade” de dizer quando a taxa de juros vai cair, mas “as coisas têm caminhado no caminho certo”.
Nos últimos anos, o setor de games tem desfrutado de um crescimento expressivo em relação a público e investimentos. “Houve um período de hiato no cenário brasileiro com a queda das peculiaridades da lans houses. Esse cenário só apresentou recuperação em meados de 2009 com a vinda do CS:GO, League of Legends e novas publishers aqui para o Brasil, permitindo assim a entrada do investimento necessário para alavancar o cenário nacional”, conta Leo de Biase, entusiasta e pioneiro dos eSports no Brasil.
Impulsionado pelo crescente interesse dos brasileiros em competições de jogos eletrônicos, bem como pela evolução da tecnologia e pela popularidade dos jogos online, o setor tem se expandido rapidamente e se tornado cada vez mais importante para a economia do país.
“As marcas não viam esse local como algo interessante para ser investido e com isso os valores agregados acabavam sendo muito pequenos. Mas os games deixaram de ser algo de nicho, ou contracultura, para se tornar o mainstream. Isso atrai marcas não só relacionadas a games ou tecnologia, mas também atrai marcas de consumo, de carros e até mesmo bancos”, relata Leo.
Uma das principais evidências desse crescimento é o aumento das premiações em competições de eSports. Nos últimos anos, os prêmios oferecidos têm aumentado significativamente, atraindo cada vez mais jogadores profissionais e equipes para o mercado brasileiro. De acordo com um levantamento da consultoria especializada Newzoo, em 2020, o Brasil foi o 13º país com as maiores premiações em eSports do mundo, movimentando cerca de US$ 3,3 milhões.
Além disso, novos jogos ganharam popularidade e aumentaram a diversidade de opções em que tantos os jogadores como empresas podem investir seu tempo e dinheiro. Anteriormente, os jogos competitivos que faziam sucesso nacionalmente se limitavam ao CS:GO, LOL e Dota 2. Porém, nos últimos anos, Free Fire, Valorant, Overwatch, Fifa e Rainbow 6 e Fortnite caíram nas graças dos jogadores, desenvolvendo um cenário competitivo bem consolidado no país.
Outro fator que tem contribuído para o crescimento do cenário brasileiro de eSports é a profissionalização das equipes e jogadores. Muitas organizações têm investido em treinamentos, infraestrutura e tecnologia para aprimorar o desempenho de seus jogadores e alcançar melhores resultados em competições. Além disso, muitos jogadores têm se dedicado exclusivamente aos eSports, tornando-se profissionais e se dedicando integralmente às competições e treinamentos.
Com todo esse crescimento, os eSports tem se tornado uma indústria cada vez mais importante para a economia do país. Além das premiações, o setor gera empregos e movimenta a economia de diversas formas, como com a venda de produtos relacionados aos jogos e equipamentos de jogos. Tudo isso torna os eSports um mercado em expansão e uma excelente oportunidade para empresas e investidores interessados em explorar o potencial dessa indústria.
“Quando a gente começou a apresentar números de gente grande, trabalho profissional, deixamos de ser apenas pessoas apaixonadas e agora podemos contar com mais investimentos. Com isso conseguimos trazer profissionais de maior gabarito de outros segmentos para escalonar cada vez mais o nosso produto”, diz Leo sobre o motivo do crescimento dos eSports no Brasil.
Os eSports têm se tornado uma indústria cada vez mais importante para a economia global. De acordo com outro estudo da consultoria Newzoo, em 2021, a indústria de Esports movimentou cerca de US$ 1,5 bilhão, um aumento de meio milhão em relação ao período pré-pandemia. Esse crescimento tem impactos significativos na economia de modo geral.
Uma das principais formas de impacto dos eSports na economia é a geração de empregos. A indústria de eSports emprega milhares de pessoas ao redor do mundo, desde jogadores profissionais até profissionais de marketing, produção de eventos, transmissão e gestão de equipes. Além disso, a indústria movimenta diversos setores, como tecnologia, transporte, turismo e alimentação, gerando empregos indiretos em diferentes áreas.
Outro impacto importante é o aumento das receitas das empresas envolvidas na indústria de eSports. Grandes empresas, como fabricantes de hardware e periféricos, patrocinadores, desenvolvedores de jogos e empresas de streaming, têm visto suas receitas crescerem significativamente devido ao aumento do interesse na modalidade. Além disso, as competições de eSports têm atraído a atenção de grandes marcas, que investem em publicidade e patrocínio de eventos, gerando mais receita para o setor.
Além disso, a indústria de eSports tem um impacto positivo na imagem e reputação dos países que sediam grandes eventos. As competições atraem um grande público de diferentes partes do mundo, aumentando a visibilidade e a reputação dos países que sediam esses eventos. Além disso, a realização de competições pode gerar benefícios econômicos para as cidades-sede, desde a rede hoteleira até o comércio local.

A "taxa rosa" é uma atividade comercial que envolve a venda de produtos específicos para mulheres, muitas vezes a preços mais elevados do que os equivalentes masculinos. Esta prática tem sido cada vez mais criticada por ativistas, que argumentam ser uma forma de discriminação de gênero e exploração financeira das mulheres.
A prática foi amplamente discutida na mídia após uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) em 2016, revelando que os produtos com embalagens cor- de rosa para mulheres custavam em média 12% a mais do que os produtos equivalentes com embalagens azuis. A prática, além de reforçar o estereótipo social de que a mulher é consumista, impacta negativamente as finanças de uma classe que, apesar de pagar mais pelos seus produtos, ganha em média 22% a menos que os homens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo realizado pelo IDEC gerou indignação em todo o país, motivando uma série de ações e discussões sobre o assunto. A partir disso, foi criado o Projeto de Lei 4.240/2019, que proíbe a cobrança de preços diferentes por gênero em serviços e produtos. Ainda assim, a taxa rosa continua sendo uma prática comum em muitas lojas e comércios em todo o mundo.
As empresas que praticam a taxa rosa geralmente justificam a diferença de preços entre produtos para homens e mulheres com a diferença de custo de produção, alegam que os produtos para mulheres têm custo adicional por causa da embalagem e marketing. Informam que, por possuírem maior demanda e especificidade, obrigam as empresas a cobrarem preços mais elevados.
Essas justificativas são frequentemente questionadas por especialistas e ativistas. Thatiane Piscitelli, coordenadora do grupo de estudos Gênero e Tributação da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), afirma que a parcela da população que possui um rendimento inferior, também é mais prejudicada, pois utiliza todo o valor recebido para consumir produtos básicos: “Essas pessoas são tributadas integralmente na sua renda, então, proporcionalmente, o mais pobre paga mais. Quando a gente olha para a pirâmide de distribuição de renda no Brasil, quem são as pessoas mais pobres? São as mulheres e, especificamente, as negras”.
Além da fiscalização intensiva de órgãos de defesa do consumidor contra a prática, a conscientização social sobre o problema para que se denuncie a “taxa rosa”, uma vez que é uma prática constitucionalmente ilegal, afim de atenuar este ônus social que persegue o gênero feminino. A diferença de preços, além de inconstitucional, não é justa, pois perpetua a desigualdade de gênero., A discriminação também está escancarada na alíquota de impostos de produtos de uso predominantemente feminino, como: absorventes menstruais e tampões (27,25%), coletores menstruais (33,75%) e, pílulas anticoncepcionais (30%), que são mais taxados que fraldas geriátricas (9,25%), preservativos (9,25%) e Viagra (18%).
A consequência das altas alíquotas na tributação de absorventes é transformar um produto de uso essencial, em um item inacessível para uma parcela da sociedade. A falta de acesso a itens básicos de higiene íntima, revela uma situação comum entre pessoas que menstruam no Brasil, a pobreza menstrual. O Instituto de Pesquisa Locomotiva, em parceria com a marca de absorvente Always, aponta que 52% das pessoas que menstruam já sofreram com a pobreza menstrual e 35% afirmam que a compra de itens de higiene pessoal pesa na renda mensal.
Segundo dados divulgados pelo o IBGE, cerca de 29,4% da população brasileira vive na linha de extrema pobreza, que, por definição do Banco Mundial, corresponde a uma renda mensal de R$ 168. Eliane, uma mulher em situação de vulnerabilidade, comenta sobre sua indignação com a falta de acesso aà itens essenciais de higiene feminina. “Nos postos em que distribuem preservativos, também poderiam distribuir absorventes, né? Os homens são protegidos de tudo, enquanto nós passamos o vexame de usar panos para nos limpar.”
Em 2022, o Governo Federal aprovou uma lei que deu início ao Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, para assegurar o acesso gratuito ade absorventes e outros cuidados básicos de saúde menstrual para mulheres vulneráveis e de baixa renda, mas nenhuma ação foi tomada até o momento. Por esse motivo, o trabalho de organizações como o “Fluxo Sem Tabu” é essencial para restaurar a dignidade de milhares de brasileiras na luta contra a pobreza menstrual.
A fundadora do “Fluxo Sem Tabu", Luana Escamilla, reforça que a dignidade menstrual é uma questão de saúde pública e falta de informação sobre o nosso próprio corpo. “A higiene menstrual é uma questão de saúde pública que foi silenciada por anos. Nós temos que falar sobre nossos corpos, sobre menstruação e higiene. A desinformação e a falta de itens básicos já afetaram e continuam afetando a saúde de milhares de mulheres e pessoas que menstruam em situação de vulnerabilidade social. O ‘Fluxo Sem Tabu’ acredita que nada deveria impedir alguém de mudar o mundo e vamos continuar na luta pelo fim da pobreza menstrual.”
O projeto faz ações para facilitar o acesso aos absorventes, promovendo a dignidade menstrual. O programa “Fluxo todo mês” distribui itens de higiene íntima para três regiões do Brasil: Norte, Nordeste e Sudeste, além de promover rodas de conversa com especialistas e acompanhar o desenvolvimento de cada comunidade atendida. Em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, deu início ao projeto-piloto “Vending Machine", uma máquina que distribui absorventes de forma gratuita e atende mais de 400 beneficiadas. Enquanto essas pessoas não tiverem o apoio e proteção do Governo Federal e as alíquotas enxergarem itens de higiene pessoal como supérfluos, cada ação faz diferença.
Depois de meses de debate, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, confirmou nesta sexta-feira, 28, que o governo vai aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda para Pessoas Físicas (IRPF). Anteriormente, quem tinha o direto a isenção eram profissionais que recebiam até R$ 1.903,98. Agora, o valor máximo para a renúncia do imposto é de R$ 2.112,00, mas, para quem recebe o valor de R$ 2.640,00, haverá um desconto de R$ 528 sobre o imposto pago na fonte.
Segundo o governo, essa medida é momentânea e a intenção é de que até o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a faixa de isenção chegue em R$ 5.000,00.
“Há o compromisso do presidente Lula de isentar do IR salários de até R$ 5 mil, até o fim do governo. Por enquanto, os salários de até R$ 2.640, a partir de 1º de maio, não terão retenção do IR. Durante o mandato, vamos voltar a falar de isenção quando a condição econômica permitir”, disse o ministro em cerimônia de assinatura do reajuste salarial dos servidores do Executivo Federal.

BRASILEIROS BENEFICIADOS
Com a medida, 13,7 milhões de brasileiros já deixarão de pagar o IR a partir do mês que vem, de acordo com informações da Secretaria da Receita Federal. Este número representa quase 40% dos contribuintes.
O trabalhador não precisará tomar nenhuma medida para garantir a isenção. Isso porque, segundo a Receita Federal, a isenção será concedida de maneira automática.
As projeções do órgão mostram que o governo deixará de arrecadar R$ 3,2 bilhões neste ano. Em 2024, o valor renunciado será de R$ 6 bilhões.

AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO
Em relação ao salário mínimo, o ministro do Trabalho disse que só falta a assinatura do presidente Lula para o valor de R$ 1.320,00 entrar em vigor – atualmente, a base salarial é de R$ 1.302,00. O aumento foi decidido depois da reunião do atual presidente com centrais sindicais e a equipe econômica, nesta quinta-feira (27).
Segundo Paulo Marinho, o governo conversará com o Congresso para que, a partir de 2024, a valorização do salário mínimo leve em conta a inflação do ano anterior e também a variação do PIB de dois anos antes.






