Plataforma solicitou licenças para atuar com pagamentos e crédito, integrando consumo e transações
por
Mariane Beraldes
Thainá Brito
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08/05/2026 - 12h

TikTok busca autorização do Banco Central do Brasil (BC) para operar como instituição financeira no país, em um movimento que aproxima o aplicativo do modelo de “super app” e pode transformar a forma como consumidores, especialmente o público juvenil, compram e se relacionam com o dinheiro. A informação foi divulgada pela agência Reuters na última terça-feira de março (31). “Assim como outras plataformas, o TikTok quer deixar de ser só o canal de descoberta, para operar no ambiente completo de conversão, transformando esse consumo quase que guiado por esses estímulos dos próprios algoritmos da plataforma”, afirma Ângelo Vieira Jr., especialista em Digital e Novos Negócios, em entrevista à AGEMT.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a rede social, controlada pela ByteDance, solicitou duas licenças: a de emissor de moeda eletrônica e a de sociedade de crédito direto. A primeira permitiria oferecer contas de pagamento digital, com serviços como transferências e pagamentos dentro da própria plataforma. Já a segunda abriria caminho para a concessão de crédito com recursos próprios ou para a atuação como intermediadora de empréstimos.

De acordo com a pesquisa TicKids Online Brasil de 2025, cerca de 46% das crianças e adolescentes brasileiros utilizam o aplicativo várias vezes ao dia. Para Ângelo, o novo modelo das plataformas pode transformar a forma como o jovem enxerga o consumo: “existe um risco relevante em relação a isso, principalmente entre os públicos mais jovens, essa diluição das fronteiras entre o próprio entretenimento e o consumo financeiro. A gente tá entrando na era desse embedded finance (finanças integradas), onde a decisão de compra não passa mais por  racionalidade clássica, mas por estímulo do próprio algoritmo, resultado da dopamina”, explica. 

A queda no uso do dinheiro físico tem feito com que a faixa etária infantil e juvenil lide cada vez mais cedo com formas digitais de pagamento, muitas vezes sem entender o valor do dinheiro, o que significa uma transação financeira ou até onde vão os próprios limites de gasto. Esse cenário acende um alerta, principalmente quando esse público chega aos 18 anos. Sem educação financeira, a relação com o consumo e com plataformas digitais pode ficar mais descontrolada. Dados do Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, mostram que, nos últimos oito anos, o número de jovens com acesso ao crédito dobrou no Brasil. Ao mesmo tempo, a inadimplência entre eles já é maior do que entre adultos e idosos. Em 2024, entre os que possuíam renda de até dois salários mínimos, 17,4% estavam inadimplentes.

No caso do TikTok, a expansão e a facilidade de acesso do público a serviços e ferramentas de compra reposiciona a plataforma, que passa a atuar também como fintech e a concorrer com bancos digitais e aplicativos de marketplace. Para Ângelo, esse movimento traz três desafios principais: a construção de credibilidade, a proteção do consumidor e a percepção de segurança de dados e dos pagamentos. “O aplicativo tem uma vantagem estrutural bem relevante: ele parte da atenção. Os marketplaces tradicionais competem pela demanda, enquanto o TikTok cria essa demanda. Esses players evoluíram do comércio para o conteúdo, essa rede social está fazendo o caminho inverso. E claro, também tem a capacidade de influenciar esses desejos antes da própria intenção de compra desse consumidor existir. Na prática, isso acaba posicionando a plataforma não apenas como um concorrente dos marketplaces tradicionais, mas quase que uma camada acima ", diz Ângelo.

Acompanhe em vídeo esta reportagem. 

 

Conflito encarece petróleo e fertilizantes, e mantém os juros altos, sufocando o orçamento
por
Julia de Sá Ribeiro
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27/04/2026 - 12h

A escalada do conflito no Oriente Médio já não é apenas um problema geopolítico distante: seus efeitos estão chegando com força ao bolso das famílias brasileiras. Como o Brasil importa derivados e depende fortemente do diesel para abastecer sua frota de transporte e o setor agropecuário, o resultado imediato do conflito são combustíveis mais caros. Esse custo extra na bomba é rapidamente repassado para a logística, a indústria e, consequentemente, para os alimentos nas prateleiras dos supermercados. 

Além do petróleo, há a crise agrícola. O Brasil é altamente dependente de fertilizantes importados, e o Irã figura como um fornecedor relevante de ureia e outros insumos. Especialistas já alertam para o risco de desabastecimento e de uma nova alta nos preços caso as infraestruturas iranianas sejam atingidas pelo conflito. Culturas fundamentais como a soja já enfrentam pressão de custos e incertezas para a safra de 2026/27, o que significa custos maiores no campo e, inevitavelmente, alimentos mais caros e inflação mais alta para o consumidor final. Com a inflação mais alta, o poder de compra da população cai, aumentando a necessidade de se recorrer ao crédito. Para tentar conter essa escalada de preços, o Banco Central tende a manter elevada a Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira. A Selic funciona como referência para todas as outras taxas do país. Na prática, juros altos significam que o crédito, como cartão de crédito, cheque especial, consignado e financiamentos, fica muito mais caro, e a renegociação de dívidas antigas se torna mais difícil. As empresas, por sua vez, continuam repassando esses custos ao consumidor. 

Atualmente, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 8 em cada 10 famílias brasileiras estão endividadas, o maior nível registrado em 16 anos. O comprometimento da renda com essas dívidas já alcançou 29,3%, uma máxima histórica segundo dados do Banco Central. A combinação de inflação persistente e salários estagnados cria uma trajetória perigosa: os custos de produção sobem, a inflação acelera e a renda real cai. Para manter o consumo básico, as famílias recorrem ao crédito caro. Economista e professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), Laura Carvalho, em entrevista à AGEMT, explica: "quando a inflação de itens essenciais, como alimentos e energia, sobe acima da média e os salários não acompanham, ocorre uma compressão violenta do orçamento. As famílias não se endividam por luxo, mas para fechar o mês. Esse 'endividamento de sobrevivência' é o mais difícil de combater, pois não depende de educação financeira, mas de recomposição do poder de compra", ressalta Carvalho. 

Laura Carvalho, economista e professora da Universidade de São Paulo (USP) 
Laura Carvalho, economista e professora da Universidade de São Paulo (USP) 

Essa realidade é evidenciada pelo fato de que parte da população passou a usar o cartão de crédito para comprar comida. Para a economista, isso sinaliza um colapso em múltiplas frentes: "usar crédito para alimentação é um sintoma grave. Vejo isso como uma falha combinada: de política econômica, que não conseguiu garantir um ambiente de crescimento com baixa inflação, e de política social, que falhou em proteger os mais vulneráveis de choques de preços externos", diz a economista. 

Diante do cenário, o governo anunciou em 01 de maio o Desenrola 2.0, programa de renegociação de créditos inadimplidos, criado pelo Governo Federal. "Programas de renegociação são fundamentais para limpar o nome do consumidor e permitir que ele volte ao mercado, mas, isolados, eles podem apenas 'enxugar gelo' ", afirma Carvalho. Com a tendência de endividamento elevado projetada para 2026, o Brasil segue vulnerável às oscilações globais. Enquanto o conflito no Oriente Médio mantiver o petróleo pressionado, o desafio interno será transformar medidas de alívio temporário em soluções estruturais que protejam a renda do trabalhador. 

Entenda as motivações da queda e seus impactos no país
por
Isabella Damião
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23/04/2026 - 12h

Na última terça-feira (14), a cotação do dólar alcançou o menor valor desde 2024, abaixo dos R$5,00. A mudança do cenário financeiro no Brasil se deu, sobretudo, como consequência das últimas negociações entre o governo dos Estados Unidos e do Irã, em guerra desde fevereiro de 2026.

O dólar comercial, ou a taxa de câmbio, corresponde ao valor do real em relação ao dólar e reflete, principalmente, a política internacional e a inflação de cada país. Desse modo, a oscilação das tentativas de acordo entre o governo estadunidense e iraniano torna arriscado o cenário americano em diversos setores da economia, principalmente no comércio de petróleo. Os dois países disputam o controle do Estreito de Ormuz, via marítima que entrega 20% do petróleo mundial. 

O enfraquecimento do dólar se deu mundialmente, e outras moedas como o peso chileno e o peso mexicano também se valorizaram nessa relação. “Quando o mercado passa a acreditar que o Federal Reserve [Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos] pode reduzir ou desacelerar o aperto monetário, o dólar tende a perder força frente a outras moedas, especialmente de países emergentes", explica a professora de Economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello. 

Em relação ao real, a economista pontua que o que o favorece são as altas taxas de juros, que atraem investimento de capital estrangeiro. Além disso, a balança comercial brasileira apresentou, entre janeiro e abril de 2026, um superávit de US$20,92 bilhões, 44,3% a mais do que o valor do mesmo período no ano anterior. Esses fatores contribuem para um fluxo positivo de capital no Brasil e valorizam o real. 

Gráfico - média diária de saldo
Gráfico: Secretária do Comércio Exterior/MDIC

 

Quanto aos efeitos da redução do dólar comercial, Cristina Helena não vê uma mudança a longo prazo na economia brasileira: embora existam boas indicações nesse cenário, como o controle da inflação, a oscilação da taxa de câmbio pode deixar o fluxo de capitais mais suscetível à juros. “O real tem se destacado entre moedas emergentes em alguns momentos recentes, mas isso não é um movimento isolado nem garantido. Isso é conjuntural e pode se inverter”, esclareceu. 

Influenciadora brasileira detalha a criação e o sucesso de seu body splash
por
Fernanda Dias
João Luiz Freitas
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30/03/2026 - 12h

Com 442 mil seguidores no Instagram, a influenciadora digital Lis Bella Andreazzi viu que seu público consumia muitos perfumes e teve a ideia de criar um produto com a sua cara. A parceria com a Ekomist, empresa que faz aromas para grandes marcas, foi o passo seguinte para tirar o plano do papel e lançar o  "Eighteen Seasons". Em entrevista à AGEMT ela detalha a estratégia de seu body splash e explica para o leitor o poder da influência digital sobre o consumo. 

A conversa revelou como criadores de conteúdo movem o mercado e fazem produtos esgotarem em poucas horas. Também contou sobre o processo de criação para garantir que o item faça parte da rotina de quem a segue.  Lis Bella entende o impacto de suas indicações no mundo digital e percebe que seu público confia muito no que ela usa no dia a dia. A influenciadora explica que nem todo produto vende com facilidade e o que importa é o alinhamento com o perfil de quem a acompanha. "Não é todo mundo que vai comprar? É quem se sentir atraído pelo produto, se divulgo maquiagem ou perfume, a chance de venda é maior", ressalta Lis Bella, que acrescenta: "as pessoas veem que ela usa o item de verdade e não apenas para uma propaganda". 

"Você ser uma influenciadora que passa essa confiança para o público, criando uma intimidade por meio de exemplos de sua rotina de cuidados com a pele gera muito engajamento". Segundo a influenciadora essa credibilidade está altamente ligada à escolha de não divulgar golpes ou casas de apostas, pois as marcas buscam influenciadores com boa reputação para parcerias de longo prazo. O nome "Eighteen Seasons" marca uma fase de transição na vida dela, pois o lançamento teve uma ativação estratégica em sua festa de 18 anos.

Além disso, ela chamou alguns de seus seguidores para estarem presentes nesse lançamento, reforçando a ideia de que ela preza pela proximidade ao público. A embalagem tem inspiração em produtos internacionais de sucesso e a marca atrai quem gosta de perfume e quem admira o estilo de Lis Bella.

Lis Bella Andreazzi - mulher segurando seu produto
Lis Bella Andreazzi na divulgação do seu produto "Eighteen Seasons". Fonte: divulgação. 

O mercado vê o surgimento de febres passageiras em alimentos e cosméticos, vários produtos viralizam e esgotam rapidamente. Exemplos recentes incluem o "morango do amor" e o "labubu". Esses itens mostram como um vídeo ou uma tendência pode criar uma demanda imediata e massiva. A velocidade com que esses produtos aparecem e desaparecem do mercado é um desafio para as marcas e um reflexo do consumo impulsionado pelas redes sociais.

A ideia de que um produto pode viralizar hoje e ser esquecido amanhã não é apenas percepção das redes sociais, mas já vem sendo discutida também no campo do marketing. Um estudo recente da Nanyang Business School, em Singapura, define esse cenário como “economia do momento”, em que marcas e consumidores passam a girar em torno de tendências rápidas, com picos de atenção que desaparecem em pouco tempo.

Na prática, o que se observa é um padrão recorrente. Um vídeo viraliza, o produto ganha visibilidade, a procura dispara e, em poucos dias, o interesse começa a cair. O ciclo é curto e, muitas vezes, substituído rapidamente por uma nova tendência. A influenciadora reforça, em entrevista, que a relação de confiança com o público acelera esse processo. Quando a indicação vem de alguém com quem o seguidor já se identifica, a decisão de compra tende a acontecer mais rápido, sem muita comparação ou planejamento. Ao mesmo tempo, o próprio estudo aponta um limite importante: chamar atenção não significa construir uma relação duradoura. Em um ambiente onde tudo é substituído rapidamente, ser visto não garante ser lembrado.

Andreazzi destaca que, nesse contexto, o timing se torna um dos fatores mais importantes. Participar de uma tendência no momento certo pode definir o alcance de um produto. Fora desse período, o interesse tende a cair rapidamente. Por fim, o eixo do comportamento do consumidor busca entender como essas dinâmicas afetam as escolhas. A repetição desse padrão indica um consumo mais impulsivo, influenciado pela urgência e pelo desejo de participar de algo coletivo. No entanto, esse comportamento nem sempre se traduz em fidelidade. A própria lógica da “economia do momento” sugere que o consumidor está sempre em busca do próximo viral. Segundo Andreazzi, a continuidade da relação depende menos do hype e mais da experiência real com o produto após a compra.

 

Bolhas de IAs e tensões geopolíticas afetam o valor final dos produtos eletrônicos
por
João Moura
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27/03/2026 - 12h

O consumidor brasileiro que planeja atualizar seus dispositivos eletrônicos nos próximos meses encontrará um cenário difícil. Segundo projeção da Gartner, empresa de consultoria no mercado de tecnologia, o preço dos computadores deve sofrer um reajuste de 17% em curto prazo. Ainda nessa análise, o mercado de PC’s deve sofrer uma retração de 10,4% em vendas. O aumento do preço é  impulsionado por uma combinação de fatores globais e decisões de política interna. O encarecimento de memórias RAM e unidades de armazenamento SSD, se transformou no principal vilão do orçamento doméstico e empresarial, agravando uma tendência de alta que se acumula desde o final de 2024.

O motivo principal dessa inflação está no crescimento do mercado de inteligência artificial (IA). A infraestrutura necessária para sustentar os modelos de linguagem (LLMs) e processamento de dados exige uma grande quantidade de hardware. Como resultado, as big techs estão direcionando seus investimentos para a construção e manutenção de data centers, consumindo a maior parte da produção mundial de semicondutores.

O apetite das gigantes da tecnologia acaba por "canibalizar" a oferta de produtos para o consumidor comum e pequenos varejistas. Um marco dessa mudança ocorreu em novembro de 2025, quando a Micron, uma das líderes globais do setor, anunciou o fim de sua linha de memórias padrão para consumidores, reajustando todo o seu portfólio para atender exclusivamente às demandas corporativas de alta escala. Para a economista e professora da PUC-SP, Leslie Denise Beloque, o momento exige cautela extra dos investidores e consumidores. “Temos uma imensa bolha no campo das big techs. Quer dizer que a valorização das ações dela na bolsa é extremamente grande, supondo que o desempenho delas na vida real também esteja. Isso fatalmente uma hora estoura, e todo mundo que tinha ação vai ver que isso era irreal, e perde dinheiro”, afirma Leslie.

Data centers dominam o mercado de memória RAM. Foto: wirestock/Freepick
Data centers dominam o mercado de memória RAM. Foto: wirestock/Freepick

Além da pressão de demanda, a oferta global de chips enfrenta problemas logísticos e diplomáticos. A guerra tarifária entre Estados Unidos e China impôs barreiras severas ao fluxo de recursos essenciais para a fabricação de microchips, afetando empresas cruciais como a TSMC e a Nvidia. A escalada de tensões entre os dois países também envolve restrições à exportação de tecnologias sensíveis e sanções comerciais estratégicas, especialmente no setor de semicondutores avançados.

Washington (EUA) tem ampliado o controle sobre o envio de equipamentos de litografia e chips de alto desempenho para empresas chinesas, enquanto Pequim responde com políticas de incentivo à produção doméstica e possíveis limitações na exportação de minerais críticos, como terras raras. Esse embate cria um ambiente de incerteza para toda a cadeia global de suprimentos, elevando custos, atrasando entregas e reduzindo a previsibilidade do mercado. No Brasil, o cenário é agravado pela questão tributária. A resolução Gecex 852, que entrou plenamente em vigor no início de  março de 2026, estabeleceu uma taxação de 12,6% sobre placas de vídeo, memórias RAM e placas-mãe. Embora o governo justifique a medida como uma forma de proteger a indústria nacional, que registrou um aumento de 33% na importação desses itens desde 2022, o impacto imediato é o desestímulo ao consumo.

Entenda por que o brasileiro ainda sente o peso da inflação no bolso
por
Chloé Dana
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27/03/2026 - 12h

Brasil passou por uma queda de 0,07% na inflação, em outubro de 2025, menor patamar em 27 anos para o mês. Porém, a queda da inflação não necessariamente é sinônimo de preços mais baratos, apesar desse mini desacelero, o bolso do brasileiro ainda pesa. Embora os índices mostrem que os preços estão subindo em um ritmo mais lento, isso não significa que eles estejam diminuindo. Pelo contrário: os preços continuam aumentando e, em muitos casos, permanecem em níveis elevados após anos consecutivos de inflação significativa.

Para entender essa dinâmica, é importante lembrar que a inflação mede a variação dos preços ao longo do tempo, e não o seu nível absoluto. Um dos fatores que explica essa percepção está na forma como a inflação é medida. O IBGE realiza a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que identifica o que as pessoas compram e define, a partir disso, quais itens compõem a cesta usada para calcular a variação dos preços. O problema é que essa pesquisa não é atualizada há algum tempo, o que faz com que a cesta inclua produtos que os brasileiros já não consomem mais, cujos preços estão em queda e deixam de fora itens que passaram a fazer parte do consumo cotidiano. Atualizar esse índice, para que ele reflita melhor a realidade do consumo da população, é, portanto, um passo essencial para aproximar a inflação oficial da inflação sentida no dia a dia.

Esse efeito acumulado é especialmente visível em itens essenciais, como alimentação, transporte, moradia e saúde. Mesmo quando há períodos de desaceleração ou até pequenas quedas pontuais, os preços dificilmente retornam aos patamares anteriores. Assim, o custo de vida permanece elevado, exigindo uma parcela cada vez maior da renda das famílias para cobrir despesas básicas. Para as classes de menor renda, esse cenário é ainda mais crítico, já que a maior parte do orçamento é destinada ao consumo de bens e serviços essenciais.

A economista e professora da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello. comenta sobre o peso desses custos. “Alimentação também pesa, mas você consegue substituir trocar o alimento, muda o consumo. Já moradia e transporte não têm como substituir. Você precisa ir trabalhar, precisa morar.”

“Para famílias mais ricas, a habitação pesa menos porque elas têm imóvel. Mas para quem aluga, é uma despesa muito grande. E, olhando para as classes mais pobres, isso é ainda mais sensível. A gente está falando de uma população com renda muito baixa. Às vezes mil reais por mês. Isso dá cerca de 250 reais por semana para tudo: morar, se transportar, vestir e comer. É muito difícil.” conclui

Outro aspecto importante é a discrepância entre a elevação dos preços e o crescimento da renda das pessoas. Apesar de o salário mínimo e outras fontes de receita poderem passar por ajustes regulares, esses aumentos não necessariamente refletem o verdadeiro custo de vida. Na realidade, isso implica que o poder aquisitivo do cidadão brasileiro permanece restrito. Mesmo quando há um aumento nominal, ou seja, um acréscimo na quantia recebida, tal aumento pode ser compensado pelo aumento de preços de bens e serviços essenciais. Como consequência, muitas famílias são obrigadas a mudar seus padrões de consumo, diminuir despesas ou até renunciar a produtos que consideram básicos. 

A impressão de que "tudo ainda é muito caro" é também amplificada por elementos subjetivos, como a regularidade de certos gastos. Despesas realizadas frequentemente, como alimentação e transporte, influenciam mais a visão da inflação do que gastos menos recorrentes. Portanto, mesmo com alguns produtos apresentando preços mais baixos, o consumidor tende a notar com mais clareza aqueles que seguem com elevações, especialmente em sua rotina. Essa percepção se conecta a uma expectativa de qualidade de vida que não se concretiza. As pessoas não fazem comparações de preços com outros países, mas idealizam um nível de consumo que não conseguem alcançar e é essa discrepância entre o que desejam e o que é viável que intensifica a sensação de que o custo de vida segue elevado.

“Então por que o brasileiro tem essa percepção de que tudo é tão caro? Acho que tem a ver com expectativa de qualidade de vida que não se realiza. As pessoas não comparam com outros países, mas idealizam um padrão de consumo que não conseguem atingir. Não ter uma racionalidade de olhar e falar: pera, o ovo no Brasil é mais barato do que no resto do mundo.” argumenta Cristina

Nesse contexto, a desaceleração da inflação deve ser interpretada com cautela. Embora represente um avanço importante do ponto de vista macroeconômico, indicando maior estabilidade e previsibilidade, seus efeitos positivos não são imediatos nem uniformes para toda a população. O alívio no custo de vida depende de um conjunto mais amplo de fatores, incluindo o aumento real da renda, a estabilidade prolongada dos preços e a redução das desigualdades econômicas.

Portanto, a melhora nos índices de inflação não deve ser confundida com uma melhora automática nas condições de vida. Para que o impacto seja efetivamente sentido pela população, é necessário que haja uma recuperação gradual do poder de compra, permitindo que as famílias consigam equilibrar suas despesas sem comprometer seu bem-estar. Até lá, a realidade para muitos brasileiros continua sendo marcada pelo desafio de lidar com um custo de vida elevado, mesmo em um cenário de inflação aparentemente controlada.

Megashow de Shakira em Copacabana deve atrair multidão de fãs e bater recordes de faturamento
por
Juliana Salomão
Luiza Zequim
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27/03/2026 - 12h

Madonna, Lady Gaga e, agora, Shakira: esses são os nomes internacionais de peso que movimentam o “Todo Mundo No Rio”. A iniciativa criada pelo prefeito Eduardo Paes, em 2024, nasceu com o objetivo de atrair grandes públicos para megashows gratuitos na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Neste ano (2026) ganha um novo capítulo com a confirmação da estrela colombiana Shakira no próximo 02 de maio.  

Quando foi apresentado em parceria com a produtora Bonus Track, o evento foi aprovado por não ter custos diretos para os fãs, sem contar com passagens, reserve hotéis, alimentação e produtos de higiene. Desde que começou a ser realizado, o “Todo Mundo no Rio” depende de um estudo logístico prévio. Quase um ano antes do dia do show, é preciso que o governo traga patrocinadores dispostos a investir, crie um ambiente seguro na praia e tenha respaldo econômico suficiente para não gerar uma dívida interna com a contratação de um cantor internacional. 

Cada micro decisão de um visitante na “cidade maravilhosa” causa impactos, mesmo que mínimos, na economia local. Foi com base nessa estrutura socioeconômica que a iniciativa foi renovada para 2026. Em janeiro, Paes fez mistério nas redes sociais, instigando a possibilidade de trazer Adele, Justin Bieber, Beyoncé, ou até Rihanna, que está fora dos palcos desde 2016. 
 

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Publicação da Prefeitura do Rio de Janeiro instigando o público sobre quem seria o convidado do "Todo Mundo no Rio" deste ano (Foto: Reprodução/X)

Números da Embratur, divulgados em março de 2026, mostram que mais de 8,5 mil passagens aéreas já foram reservadas por estrangeiros para o período entre 26 de abril e 2 de maio. O índice inicial marca um crescimento de 80,75% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando Madonna se apresentou na cidade, e se aproxima do registrado no show da Lady Gaga em 2025. Diante desse potencial de arrecadação e visibilidade, a cidade de São Paulo consolidou uma estratégia jurídica para flexibilizar o uso da Avenida Paulista por meio da revisão do seu Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

A gestão de Ricardo Nunes articulou a permissão para um megashow gratuito no dia 5 de setembro, tendo nomes cotados como Coldplay, Bruno Mars e Rolling Stones. O acordo estabelece contrapartidas rigorosas, como controle de acesso e multas de R$ 100 mil por descumprimento de normas técnicas. Assim como em Minas, o movimento paulista ocorre em meio a um cenário de proximidade com as urnas.

Madonna X Lady Gaga: qual artista teve o maior show

Dois anos atrás, a apresentação que debutou o projeto atraiu cerca de 1,6 milhão de turistas estrangeiros e movimentou mais de R$ 300 milhões na economia local. No ano seguinte,  a apresentação de Lady Gaga chegou a reunir 2,1 milhões de pessoas em Copacabana,  quase o dobro do primeiro, com arrecadamento médio de R$ 600 milhões para a cidade. Dados do setor de turismo registraram que a performance da dona de hits como “Popular”, custou R$ 10 milhões para a prefeitura — posteriormente, o faturamento foi três vezes maior. O sindicato dos hotéis do Rio completou a análise ao registrar que naquele fim de semana, 95,95% da rede hoteleira do bairro praiano estava reservada. 

Em 2025, o sucesso se repetiu e dobrou de tamanho. A passagem de Gaga impactou mais de 1,5 bilhão de pessoas e elevou o evento para nível mundial ao registrar turistas de mais de 20 países. Foi com o “Gagacabana" que a artista se tornou a mulher com o maior público da história. 

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Registros do show de Lady Gaga em Copacabana (Foto: Cortesia/David Zanon)

 

Em entrevista à AGEMT, Camila Dimas, que viajou ao Rio para a apresentação de Madonna, compartilhou sua experiência. Como não foi sua primeira visita, Camila fez uma leitura sobre quais setores sentiu maior aumento nos valores. Não vi muita diferença nos preços de alimentação e cultura. Senti mais na hospedagem e nas passagens”, declarou. Ela conta que reservou repentinamente um apartamento no aplicativo Airbnb junto a um grupo de amigos, mas teceu críticas à estrutura da cidade. Tivemos perrengues, principalmente, na locomoção. O transporte do Rio não é amplo, o metrô é muito caro e não tem estrutura suficiente para receber quase 2 milhões de pessoas, além do risco de furtos”, completa. 

A capital fluminense é pioneira na realização de megaeventos gratuitos. Nos anos 1990, Jorge Ben Jor e Rod Stewart transformaram a praia de Copacabana em um palco para 3 milhões de pessoas. A presença das atrações globais no Rio despertou o interesse de outros estados pela viabilidade logística desse modelo. Segundo Marta Poggi, consultora especializada em marketing e inovação no turismo: “Os mega shows funcionam como verdadeiros catalisadores do ecossistema turístico, ativando uma cadeia ampla e independente. Entre os principais setores, hospedagem, transporte, alimentação, comércio local, serviços turísticos e economia criativa e eventos. O visitante não consome apenas o show, ele consome o destino”, diz Poggi. 

 

Seu período de teste Premium terminou
Dario Durigan foi anunciado como novo ministro pelo governo na quinta-feira,19
por
Nícolas Beneton
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26/03/2026 - 12h

A corrida eleitoral de 2026 foi iniciada, o momento é de movimentações e definições nos cargos que serão vagos por cada candidato, principalmente nos ministérios. O exemplo mais significativo é a saída do ministro da fazenda, Fernando Haddad, para disputar o governo de São Paulo. A estratégia do PT nesse caso é bem clara: trazer um nome forte para disputar o governo contra o candidatoa à reeleição, o governador Tarcísio de Freitas. Outros nomes como o de Simone Tebet foram ventilados mas a escolha de Haddad foi definida. Dario Durigan, natural de Bebedouro, SP, tem 41 anos e assume o ministério da Economia, trazendo no currículo o trabalho para recomposição das receitas, aumentando os tributos que o governo anunciou nos últimos anos, além de articular a regulamentação da reforma tributária do consumo e no fechamento da renegociação da dívida dos estados.

Durigan foi consultor da Advocacia-Geral da União, entre 2017 e 2019, e atuou no setor privado em empresas como WhatsApp, como diretor de Políticas Públicas, faz parte da equipe de Haddad desde 2015, quando o ex-ministro era prefeito de São Paulo. Seu anúncio como substituto foi feito pelo presidente Lula em evento em São Paulo na noite do dia 19. "Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan (...)  Ele será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", disse Lula. 

Na manhã do mesmo dia, a jornalista da Band e rádio BandNews, Juliana Rosa, comentarista de Economia, participou de uma entrevista coletiva com alunos de jornalismo da PUC-SP, como era um tema em voga, ela foi questionada muito rapidamente da sua opinião sobre a atuação de Fernando Haddad e a chegada de Durigan no comando da pasta. Ela também fez comentários sobre suas percepções em torno do governo Lula e como a população vem recebendo tudo isso.

Juliana Rosa em coletiva na PUC SP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O ministro Haddad colaborou muito, deu muita entrevista na Band, lá na Band News. Acho que a gente teve uma vantagem que foi conseguir fazer um debate qualificado, em muitos momentos. Mas, estamos de volta para aquela polarização, uma coisa que é bem crítica e começa a falar mais alto  do que o debate técnico, por isso é difícil a gente ter um debate qualificado no  Brasil", comenta Rosa, que enfatiza como é complicado entenderem críticas ao governo, sem parecer que você está falando mal, ou bem".

"A notícia de que Durigan assumiria o ministério foi um bom indicativo para o mercado, por não ser uma figura que gere surpresas, seu foco será priorizar as contas públicas, ainda mais em um ano eleitoral", afirma Erich Decat, analista político.

 

Patrimônio da instituição passou para bilionário em cinco anos
por
Thaís de Matos
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26/03/2026 - 12h

A cada dia que passa, a Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes do banco Master – já liquidado – traz mais revelações sobre o caso. Iniciada em novembro de 2025, a ação apura crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa, lavagem de dinheiro e venda de carteiras de crédito falsas. O principal alvo da busca é o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas os rombos da instituição começaram bem antes do ano passado.

O banco começou como corretora Máxima, existente desde a década de 1970, e desde seu início já passava por problemas. A empresa não entregava as demonstrações financeiras solicitadas pelo Banco Central do Brasil (BC), ou quando o fazia, os documentos vinham com informações faltantes. Esses relatórios mostram a real situação financeira do órgão no período solicitado. Segundo o ex-analista do BC e professor de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), André Accorsi, a autarquia solicita essas informações a cada trimestre.

“É obrigatório que as instituições financeiras entreguem as demonstrações financeiras por meio eletrônico. Para as sociedades anônimas, é necessário que elas publiquem essas informações a cada trimestre. Muitos meses, esses relatórios não foram entregues; ou foram entregues com informações faltantes, que não faziam o menor sentido. Tudo isso era comunicado à instituição, mas ela eventualmente entregava, voltava a vir com erros e assim por diante”, explica Accorsi.

Apesar das complicações já existentes da corretora, na década de 1990 foi autorizado que ela virasse o Banco Máxima – que seguiu com dificuldades até por volta de 2010. O professor acrescenta que toda abertura, fusão, ou incorporação de bancos passa pelo BC. Formado em Economia, Daniel Vorcaro conseguiu a autorização para virar banqueiro em 2019, e no mesmo ano fez o aporte mínimo para adquirir o banco, que virou Master.

“Para você ter o direito de abrir uma instituição financeira, a gente fala que as pessoas precisavam ter CIC: o primeiro C é capital. Então você precisa ter um capital mínimo adequado às regras internacionais que são baseadas. O I é a idoneidade. Agora o problema é: como é que a gente apura se uma pessoa é idónea ou não? Você pode ter um monte de processos contra você, mas se ainda não foi condenado, você é idóneo. E o terceiro C é competência. Como é que eu vou atestar minha competência se eu quero abrir um banco? É a minha experiência de vida”, completa Accorsi.

faixada do banco master no bairro do itaim bibi, em são paulo
O patrimônio líquido do Master passou de R$219 milhões para mais de R$5 bilhões em um período de cinco anos. | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A instituição cresceu de forma acelerada e arriscada desde que foi assumida por Vorcaro. O banqueiro realizava uma prática chamada pelo mercado de compra e turnaround de empresas distress, isto é: ele comprava outras instituições que estavam falidas a um preço muito baixo, e as reestruturava a fim de obter lucro. “Essas empresas, por terem dificuldades, estão com um preço muito baixo. Então, ele [Daniel Vorcaro] compra as ações da empresa. Quando ele adquiriu o Banco Máxima, depois ele adquiriu o Will Bank e o Banco Voiter usando os CDB 's que pagavam 140% do CDI, muito acima do que o mercado normalmente paga”, explica Accorsi.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento em que você empresta seu dinheiro para o banco em troca de juros protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC, por sua vez, é uma garantia do Banco Central de que se o banco que você investe quebrar, o fundo te devolve até R$250 mil por cadastro de pessoa física (CPF) ou cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ). Nessa lógica, o Certificado de Depósito Interno (CDI) funciona como uma taxa de referência do mercado que define quanto esse empréstimo vai render. Em média, os rendimentos de CDI nos bancos rendem até 110%, e a promessa do Master era muito acima do mercado. O discurso vendido pelo banco era justamente de que se as instituições falissem, o FGC restituiria pelo menos uma parte do valor investido.

No entanto, em setembro de 2025 a estratégia do banco foi freada quando o Banco Central negou a fusão entre o Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Dois meses depois, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro, ou seja, as atividades do banco foram encerradas de maneira forçada pela autarquia. A instituição foi liquidada por “grave crise de liquidez, insolvência irrecuperável e constatação de fraudes estruturais”.

A Operação Compliance Zero apontou manipulação contábil no Master com "ativos podres" – isto é, créditos que os investidores nunca receberiam — para inflar o balanço do banco. Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março, atualmente na Superintendência da PF, em Brasília, sob suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro e corrupção.

A experiência de duas profissionais mulheres no mercado digital
por
Manuela Morandin
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26/03/2026 - 12h

Impulsionado pelo crescimento das redes sociais e pela valorização da imagem como ativo econômico, o marketing de branding e de influenciadores se consolidou como uma das principais estratégias de posicionamento no mercado contemporâneo. Mais do que visibilidade, marcas e profissionais passaram a disputar atenção e relevância com o público, elementos que, hoje, se relacionam diretamente em valor financeiro e oportunidades de negócio.

Mais do que executar campanhas, o trabalho envolve gerir orçamentos e responder a pressões constantes por performance, muitas vezes em prazos cada vez mais curtos. Segundo Luana Chaves, formada em Cinema e à frente da agência Colors, um dos principais desafios do marketing está na dinâmica acelerada do setor. Luana expõe que tudo acontece em prazos curtos, as tendências mudam rapidamente e é fundamental trabalhar com aquilo que está relevante no momento para manter a efetividade das estratégias. Essa dinâmica impacta diretamente a lógica econômica do setor, onde o timing se transforma em valor.

Campanhas alinhadas às tendências do momento tendem a gerar maior alcance e retorno financeiro, enquanto atrasos podem significar perda de investimento e menor desempenho para marcas e influenciadores. Luana comenta que, "além desses desafios, ser mulher no mercado ainda exige enfrentar barreiras adicionais, como a desigualdade salarial e a necessidade constante de reafirmação profissional em um ambiente competitivo", desabafa. 

 Ana Carolina Cosi, profissional da área de comunicação e fundadora da CACOSI, destaca que sua entrada no mercado de marketing ocorreu de forma orgânica, a partir de sua atuação prévia com moda e comportamento. Com uma base já consolidada de público, especialmente feminino, a transição para o marketing de branding e influenciadores foi uma consequência natural, integrando linguagem artística e construção de identidade no ambiente digital, sem abandonar experiências no offline.  No que diz respeito aos investimentos, as duas entrevistadas ressaltam a diversidade de perfis de clientes, que vão desde grandes empresas até profissionais autônomos, o que resulta em variações significativas nos valores aplicados em marketing.

Ainda assim, apontam um crescimento expressivo na valorização da criação, que anteriormente ocupava um espaço mais restrito e hoje se tornou central nas estratégias de branding e posicionamento. Ao comparar sua trajetória profissional, Luana destaca uma mudança significativa no volume financeiro dos projetos. Enquanto em sua atuação anterior participava de campanhas com orçamentos que chegavam a R$ 200 mil ou R$ 300 mil, em sua agência, fundada em 2025, as campanhas giram, em média, em torno de R$ 80 mil.

A diferença reflete não apenas o estágio de consolidação do negócio, mas também o processo de construção de carteira de clientes e posicionamento no mercado, típico de empresas em fase inicial. Ana, também enfatiza que, na área de criação, os resultados são construídos no longo prazo, especialmente quando se trata de reputação de marca. Embora seja possível observar sinais iniciais de crescimento, como o aumento de engajamento, no branding o retorno mais consistente depende de um processo contínuo e estruturado, sem a mesma pressão imediata típica de outras áreas do marketing.

Apesar dos desafios financeiros envolvidos, Luana e Ana destacam que nem todos os modelos de negócio dentro do marketing exigem um alto investimento inicial. Em áreas mais enxutas, especialmente no início da carreira, é possível estruturar uma atuação com baixo custo, utilizando conhecimento técnico e  rede de contatos.

As experiências relatadas pelas entrevistadas evidenciam que o marketing de branding e influenciadores, além de operar em um ambiente dinâmico e orientado por tendências, está profundamente conectado a decisões econômicas. Entre a necessidade de adaptação rápida, gestão de recursos e construção de reputação, o setor exige não apenas criatividade, mas também visão estratégica e capacidade financeira.