Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Em preparação para o clima de tapete vermelho, flashes e aplausos, confira nove acontecimentos sobre a premiação mais aguardada do cinema. E no final tem bônus!
por
Giulia Fontes Dadamo
Ana Beatriz Assis
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11/03/2023 - 12h

Em homenagem a tão esperada 95ª edição do Oscar, que acontecerá neste domingo (12) nos EUA para a alegria de cinéfilos, separamos nove momentos inesquecíveis da premiação para saciar a ansiedade dos telespectadores.

Bong Joon Ho, vencedor da categoria principal dos Oscars de 2020.
Bong Joon Ho, vencedor da categoria principal dos Oscars de 2020. Imagem: Oscars.org.

As obras com mais indicações ao Oscar

Os três filmes que bateram o recorde com 14 nomeações a prêmios da Academia são A Malvada (1950), drama estrelado pela icônica Bette Davis, Titanic (1997), romance recém remasterizado baseado na tragédia do navio de mesmo nome, e La La Land: Cantando Estações (2016), musical estrelado pelos grande nomes Emma Stone e Ryan Gosling.

 

Papel que ganhou o Oscar com dois atores diferentes interpretando o mesmo personagem

Além de favores, assassinatos e mafiosos que controlavam os negócios ilegais na cidade de Nova York nos anos 1940 e 1950, a trilogia de O Poderoso Chefão também trouxe o primeiro personagem que ganhou uma estatueta após ser interpretado por dois atores diferentes: Marlon Brando e Robert De Niro (pelos filmes de 1972 e 1973).

Da esquerda para a direita: Al Pacino, Francis Ford Coppola e Robert De Niro. Imagem: Getty Images.
Da esquerda para a direita: Al Pacino, Francis Ford Coppola e Robert De Niro. Imagem: Getty Images.

Mas esse posto logo foi dividido com o personagem Coringa, quando Heath Ledger e Joaquin Phoenix ganharam o Oscar por suas interpretações do enigmático e complexo inimigo do Batman.

 

(Falta de) Diversidade na premiação

Hattie McDaniel fez história ao ser a primeira mulher negra a receber uma estatueta de melhor atriz coadjuvante por seu papel na obra E o vento levou, o grande drama histórico de 1939 sobre a guerra civil americana.

Da esquerda para a direita: Vivien Leigh e Hattie McDaniel. Imagem: Getty Images.
Da esquerda para a direita: Vivien Leigh e Hattie McDaniel. Imagem: Getty Images.

A segregação racial, porém, ainda foi um empecilho para essa vitória. Além da atriz ter sido proibida de comparecer à estréia do próprio filme com o restante do elenco, McDaniel só pode comparecer à cerimônia da Academia após o produtor de cinema David O. Selznick pedir favores para permitirem a entrada dela no prédio.

A questão da diversidade racial na premiação nunca foi levada a sério pela Academia, o que gerou as manifestações on-line #OscarsSoWhite (#OscarsTãoBrancos), em 2016. Era o segundo ano seguido em que não havia atores nem atrizes não-brancos concorrendo às categorias de atuação e as reivindicações do público por mais diversidade foram apoiadas por alguns membros da indústria, que se propuseram a boicotar a noite de premiação e cancelaram suas participações. Entre eles, Spike Lee, Will e Jada Pinkett Smith e Mark Ruffalo.

 

Nazista escapa da morte por carregar seu Oscar na Segunda Guerra Mundial

Emil Jannings venceu o primeiro Oscar de melhor ator pelos filmes mudos A Última Ordem (1928) e Tentação da Carne (1927). O único alemão a ganhar essa categoria até hoje foi excluído dos filmes com som - uma novidade da época - de Hollywood por causa de seu forte sotaque.

O ator, portanto, voltou para a Alemanha e se tornou estrela e máquina de propaganda em vários filmes de promoção do nazismo. Quando os Aliados invadiram Berlim em 1945, Jannings supostamente foi salvo durante um bombardeio por carregar sua estatueta do Oscar com ele, para conquistar os soldados americanos e demonstrar sua antiga lealdade aos EUA.

 

O Oscar de Marlon Brando é rejeitado por Sacheen Littlefeather, em 1973

Em 1973, Marlon Brando recusou o prêmio de melhor ator por seu papel em O Poderoso Chefão (1972) em protesto contra a representação de Hollywood dos nativos americanos. Ele enviou a atriz ativista nativa-americana Sacheen Littlefeather no seu lugar, que disse:

"E as razões para isso são o tratamento dos índios americanos hoje pela indústria cinematográfica – desculpe-me – e na televisão em reprises de filmes, e também com os recentes acontecimentos em Wounded Knee. Eu imploro neste momento que eu não tenha me intrometido nesta noite e que no futuro, nossos corações e nossos entendimentos se encontrem com amor e generosidade. Obrigada em nome de Marlon Brando."

A atriz Sacheen Littlefeather. Imagem: The New York Times.
A atriz Sacheen Littlefeather. Imagem: The New York Times.

Após o massacre de Wounded Knee, que resultou nas mortes de mais de 150 indígenas na Dakota do Sul, em 1890, a cidade estava ocupada por indígenas que almejavam melhoria de suas condições de vida nas reservas na época da cerimônia.

Em meio a vaias e aplausos, a ativista recusou aceitar o prêmio em nome de Brando.

 

Primeiro filme brasileiro a ser indicado ao Oscar, em 1962

Que os Oscars é uma premiação centrada nas produções estadunidenses, é fato, por isso qualquer menção de obras fora dessa bolha é celebrada. Em 1962, O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, foi motivo de alegria para os brasileiros.

O longa retrata a história de Zé Burro (Leonardo Villar) e sua relação com com a religião, quando bate de frente com a igreja católica a fim de cumprir uma promessa feita no Candomblé. Até hoje, ele continua sendo a única produção nacional a ganhar a Palma de Ouro - um dos prêmios mais importantes do festival de Cannes.

Em contrapartida, em 1999 a Academia decepcionou a comunidade brasileira. Fernanda Montenegro concorreu ao Oscar por seu papel de Dora em Central do Brasil, e perdeu a estatueta para a atriz Gwyneth Paltrow, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado. Fernanda continua sendo a única brasileira a ser indicada ao Oscar na categoria de atuação.

Personagem Zé Burro, interpretado por Leonardo Villar em cena do filme O pagador de promessas (1962). Imagem: Revista arte brasileira
Personagem Zé Burro, interpretado por Leonardo Villar em cena do filme O pagador de promessas (1962). Imagem: Revista arte brasileira.

 

Tempo de tela mais curto a receber um Oscar

Beatrice Straight precisou de apenas 5 minutos e 2 segundos de tela, para convencer a academia que era merecedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante de 1977, pelo filme Network: Rede de Intrigas. A atriz Hermione Baddley, no filme Almas em Leilão de 1959, conseguiu ser indicada com apenas 2 minutos  e 19 segundos em cena, porém, não levou o prêmio para casa, e a atriz Shelley Winters, de O Diário de Anne Frank, foi a homenageada com a estatueta.

A atriz Hermione Baddeley. Imagem: Mubi.
A atriz Hermione Baddeley. Imagem: Mubi.

 

As "trapalhadas" dos Oscars

“Os Franks”

No ano de 1933, dois Franks estavam competindo na mesma categoria, Frank Capra (Dama por Um Dia) e Frank Lloyd (Cavalgada). O apresentador Will Rogers acabou não especificando qual dos Franks era quando revelou o grande ganhador, Capra se adiantou e foi buscar o prêmio. Acontece que, na verdade, era LIoyd que tinha ganhado como melhor diretor do ano.

Da esquerda para a direita: Franklin Hansen, Will Rogers e Frank Lloyd. Imagem: Cinema Clássico.
Da esquerda para a direita: Franklin Hansen, Will Rogers e Frank Lloyd. Imagem: Cinema Clássico.

Vazamento dos resultados antes da cerimônia, em 1940

Depois do primeiro Oscars em 1929, quando os vencedores foram anunciados três meses antes da cerimônia, a Academia decidiu começar a enviar a lista dos premiados diretamente aos jornais para serem publicados apenas na noite do evento. Entretanto, em 1940, o LA Times anunciou os vencedores horas antes do prêmio, o que fez com que a Academia tivesse que introduzir o sistema do envelope lacrado, o qual é utilizado até hoje.

 

La La Land?

Nos Oscars de 2017, na categoria principal da noite, melhor filme, os apresentadores Warren Beatty e Faye Dunaway leram o cartão errado que anunciava La La Land como o vencedor. Acontece que o erro foi exposto depois que os atores e equipe da obra subiram no palco. Inclusive foi anunciada a confusão enquanto um dos produtores do filme, Fred Berger, discursava em agradecimento, o que gerou uma cena no mínimo atrapalhada. Ao entender a confusão, o produtor finalizou seu discurso com um icônico: "Nós perdemos, aliás"

O verdadeiro campeão da noite Moonlight: A luz da lua

Produtor de La La Land Jordan Horowitz anunciando sua perda para Moonlight. Imagem:G1.
Produtor de La La Land Jordan Horowitz anunciando sua perda para Moonlight. Imagem:G1.

 

Tapa de Will Smith em Chris Rock

Foi um dos assuntos mais comentados do ano de 2022, sendo o Chris Rock, um dos nomes mais pesquisados pelo brasileiros no ano passado. Momentos antes de conquistar a estatueta de melhor ator por King Richard, Will Smith protagonizou uma cena de agressão nos palcos da cerimônia. Acontece que o comediante Chris Rock fez uma piada com Jada Smith, esposa do ator. A brincadeira em questão fazia referência à alopecia de Jada, doença sem cura que gera queda parcial ou total dos cabelos.

Smith, não gostando da atitude de Chris, subiu no palco e o agrediu com um tapa. "Tire o nome da minha mulher da sua boca” gritou o ator após voltar ao seu assento. A cena chocou a plateia, que ainda assim acreditava que era uma cena roteirizada. Só foram entender que se tratava de realidade quando Smith, em seu discurso de agradecimento, se desculpou com os convidados e com a Academia.

O ator foi proibido de frequentar qualquer evento organizado pela academia de Hollywood por 10 anos. Já Rock não foi condenado por nenhum membro do evento, mas foi atacado por internautas em suas redes sociais.

Will Smith agredindo Chris Rock. Imagem: divulgação.
Will Smith agredindo Chris Rock. Imagem: divulgação.

 

Bônus: do que é feita a estatueta?

Ao vermos aquela imponente estátua dourada, pensamos automaticamente nos milhares de dólares desembolsados para sua produção. Mas, para frustração de nosso imaginário, ela é feita de nada mais que estanho folheado. A peça de 35 cm de altura pesa cerca de 4 g, é folheada a ouro 14 quilates e custa de US$ 500 a US$ 900 para ser feita.

Estatueta dos Oscars. Imagem: Bloomberg línea.
Estatueta dos Oscars. Imagem: Bloomberg línea.

 

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Ninguém entra em conflito quando se fala da genialidade do diretor de Pulp Fiction e Kill Bill
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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16/11/2022 - 12h

Com um total de 37 estatuetas recebidas nas maiores premiações do mundo cinematográfico, é inegável que Quentin Tarantino se tornou um dos maiores e mais influentes diretores da atualidade. Suas narrativas e estilo visual marcaram a indústria cinematográfica e conquistaram a crítica especializada e a popularidade.
Antes de iniciar sua carreira no mundo do cinema, foi gerente de uma locadora. Aliás, o próprio Quentin Tarantino deve muito de sua criatividade ao acesso a alguns dos filmes que inspiraram seu trabalho.
Consagrado entre os amantes da arte do cinema por seu estilo bem definido e inconfundível, o diretor nasceu no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Seu primeiro trabalho foi em My Best Friend’s Birthday, de 1987. Porém, foi em Cães de Aluguel, lançado em 1992, que o diretor iniciou sua ascensão ao estrelato. 
O longa, que rendeu o status de "Melhor Filme Independente já feito" pela revista Empire, foi o pontapé inicial em uma carreira promissora e influente.
Diretamente influenciado pelo movimento francês Nouvelle Vague, Tarantino também flerta diretamente com as raízes do cinema inglês, do faroeste e, principalmente, das artes marciais.
Com uma estética sanguinária e violenta, o diretor desenvolve narrativas divididas em capítulos - Kill Bill - Volume 1 e Volume 2, por exemplo -, com cenas de lutas marciais bem ensaiadas, diálogos extensos e, muitas vezes, não-lineares, além das trilhas sonoras que transmitem com exatidão o clima da cena.

Uma Thurman em Kill Bill / Foto: Miramax Films
Uma Thurman em Kill Bill
Foto: Miramax Films

Em 1994, foi lançado o longa Pulp Fiction. Considerado um marco na história do cinema e da cultura pop, o longa transpôs uma narrativa não-linear dividida em sete capítulos. Abordando o universo gangster de forma caricata, Tarantino traz ironia, humor e acidez ao gênero policial - não é à toa que o filme foi indicado a sete categorias do Oscar e recebeu a estatueta por "Melhor Roteiro Original'.
O título do longa metragem mais aclamado de sua carreira assumia referências à literatura popular norte-americana sobre crimes, muitas vezes vendida em papel barato (pulp). Suas obras, como sempre, assumiram a responsabilidade de retratar assuntos joviais com certo tom de ironia e acidez. 
Foi com Pulp Fiction que Quentin Tarantino foi reconhecido como uma verdadeira estrela na arte da direção cinematográfica. Não é à toa que a dádiva de mesclar assuntos joviais em uma atmosfera caótica lhe rendeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, prêmio de maior prestígio do Festival de Cinema de Cannes.

Cena de Pulp Fiction / Foto: Miramax Films
Cena de Pulp Fiction / Foto: Miramax Films

Já em seu terceiro filme, Tarantino decidiu seguir um caminho diferente. Nesse, o roteiro seria uma adaptação do livro Jackie Brown, do autor Elmore Leonard. Menos estridente que seus antecessores, o filme, intitulado da mesma forma que o livro, abre espaço para os personagens e seus relacionamentos se desenvolverem entre os pontos cruciais da trama. Diferentemente de seu quarto filme.
Kill Bill Volume 1 e Volume 2 são explosivos. Voltado ao cenário de ação direta e vingança, o thriller acompanha uma história de vingança sangrenta e muitas cenas de artes marciais. Dividido em dois filmes, o longa é uma homenagem direta aos gêneros que o diretor se inspira, principalmente ao cinema oriental.
Do macacão amarelo de Jogo da Morte ao esquadrão dos Cinco Venenos Mortais, Tarantino, notavelmente, se apropria de elementos estrangeiros e consegue refletir, de maneira universal, a diversidade cultural dos Estados Unidos.
Porém, não apenas a cultura estadunidense é retratada, mas também a história mundial. Um fator importante é que o revisionismo histórico se mostrou presente em seus lançamentos mais recentes.
Os longas Bastardos Inglórios (2009), Django Livre (2012), Os Oito Odiados (2015) e Era Uma Vez em Hollywood (2019) compõem o seleto grupo de longas que decidem retratar períodos marcantes no mundo globalizado, desde a Segunda Mundial até o fim da Velha Hollywood.
Um fato importante é que, durante anos, Quentin Tarantino planeja se aposentar do cinema depois de dirigir dez filmes. Sua nona obra, Era uma vez em Hollywood, onde atuou como roteirista e diretor, recebeu indicações ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.
Faltando apenas um filme para cumprir sua promessa, o diretor consegue recontextualizar um gênero premiado ao seu próprio toque. É criado um universo onde todos os erros podem ser corrigidos e tudo é possível - inclusive, matar Hitler de uma forma imprecisa. 
De ex-funcionário de uma videolocadora a um dos maiores diretores da geração. Com certeza, quando seus dias chegarem ao fim, Tarantino terá morrido como um samurai.

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A primeira edição do festival preenche o Allianz Parque e junta público diversificado com bandas de rock de diferentes gerações.
por
Luana Barros Galeno
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15/11/2022 - 12h
Banda Fresno abre GP Week
Banda Fresno abre GP Week

Neste sábado (12), ocorreu a primeira edição do festival de música GP WEEK, na cidade de São Paulo. Com shows de Fresno, The Band Camino, Hot Chip, Twenty One Pilots e The Killers.
Em referência ao ‘Grande Prêmio’ de Fórmula 1, o evento trouxe bandas que caminham entre sub estilos do rock e atraíram públicos de todas as idades. Com performance eletrizante de Twenty One Pilots e The Killers, a GP Week conquista espaço no grande calendário de festivais da cidade.

Fresno, a única banda brasileira a participar, abriu a sequências de shows às 14 horas e trouxe aos palcos o emo, juntando clássicos com novidades para conquistar a plateia que timidamente começava a preencher o Allianz Parque. Lucas Silveira, vocalista, finalizou a participação do grupo questionando o fato de ser apenas uma banda com canções em português, mas instigou os ouvintes a valorizarem o som nacional com uma versão de Eva, originalmente da Banda Eva, que foi cantada por todos ali presente. 

The Band Camino canta pela primeira vez em solo brasileiro.
The Band Camino canta pela primeira vez em solo brasileiro.

As homenagens ao Brasil não acabaram por aí, pois The Band Camino não poupou palavras para descrever a emoção de, pela primeira vez, tocarem no Brasil - e na América Latina. Pela formação recente, a presença de um público significativo em outro território pareceu surpreender os musicistas, pois não deixavam de agradecer recorrentemente a presença de todos. Aproveitando a oportunidade, convidaram ao palco Mateus Asato, guitarrista brasileiro, famoso internacionalmente por ter tocado com Bruno Mars e Jessie J. Vestidos com a camisa do Palmeiras, a banda encerrou sua participação com uma energia contagiosa. 

A banda The Hot Chip, criou um clima ainda mais animado para as bandas mais esperadas da noite, Twenty One Pilots e The Killers. O primeiro transformou o estádio às 19:00, o uníssono dos ouvintes era eletrizante e a entrega do duo incomparável. Com momentos surpreendentes, como a escalada da torre de apoio pelo Tyler Joseph e a bateria em cima da plateia por Josh Dun, a banda cria mais um show inesquecível em solo brasileiro. A interação com o público foi fundamental para que pudessem ser considerados os protagonistas da festa, sendo ovacionados ao finalizarem com “Heathens”.

O atestado da união de gerações ficou ainda mais claro com o show de The Killers, que encerraram a noite. O Allianz, que à tarde encontrava um público mais jovem, encarava durante o show espectadores maduros, mas com a vitalidade de Brandon Flowers, vocalista da banda. Com as letras na ponta da língua, os 50 mil presentes, entregaram todos os hits da banda de forma excepcional, demonstrando que a pergunta de Brandon “vocês esqueceram da gente?” era apenas ironia. Porém, um destes fãs foi convidado ao palco para tocar “For Reasons Unknown” e o fez perfeitamente em meio a aplausos e gritos. A GP Week conquista através das atrações e do público, o espaço necessário para se consagrar como mais um festival paulista no calendário nacional. 

Twenty One Pilots ganha protagonismo no festival
Twenty One Pilots ganha protagonismo no festival

 

Aos 86 anos, Rolando Boldrin, fica encantado e deixa para trás seu legado na cultura
por
Artur dos Santos
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10/11/2022 - 12h

A cultura brasileira hoje arde de vazio pois daqui pra sempre faltará o Brasil que ele cantou, contou e resgatou. 

Tirar o Brasil da gaveta não é tarefa fácil pelo tamanho do nosso país e pelo peso do seu legado. Isso ele carregava com o riso e presepada característicos do nosso povo brasileiro. Faço questão de chamá-lo de Sr Brasil pois sei que carregava o quanto podia (e quanto podia!) dessa nossa casa desde jovem, e por confiar nele o que tanto carregava. 

Sei que viu seu último dia do saci, seu último carnaval, seu último São João, Divino, São Gonçalo, Catira, Frevo, Samba, Repente, Modão como sempre: sabendo que aqui é um lugar especial. 

Trazia sempre um causo - aqueles que expressam o quão sabido e cheio de ideia é o povo brasileiro, o quão bonito é seu país e o quão casado esse está com sua terra - e de todos que ouvi, gostei. Nada melhor do que ver um senhorzão grande (o Sr. Brasil!), narigudo e de cabelos brancos, com toda a bagagem que poderia querer ter, se fazendo de porta voz de causos populares contados pelos mais longínquos brasileiros - afinal, o que é de alguém desse país se não um contador de causos - dos mais longínquos territórios. 

Quantos caboclos ele não interpretou? O quieto, o falante, o rezadêro, o violeiro, o pescador, o esmoleiro, o ateu, o fazendeiro, a mãe, a irmã, o peão. Com tantos causos fez rir a plateia, cativou e fez lembrar, daqueles que estavam longe de casa, de como era a vida fora da cidade. 

Nos convencia com toda a proclamação que era o caboclo que representava. Tomando aquele café na xícara vazia e sentando no banquinho de madeira, contava e contava causos, recebia e recebia artistas, e, óbvio, falava e falava de Brasil.

Parceiro de Ariano, o Sr Brasil, quando cantava que “A viola fala alto no meu peito, mãe” aposto que queria dizer que o Brasil falava alto em seu peito. Isso pois sim, falava e falou alto por seus 86 anos de vida, durante os quais tirava da gaveta nosso país para nos contar e lembrar dele. “Tem que fechar a história, deixar marcada na história nossa vida brasileira”, dizia ele. 

 

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A assessoria da cantora confirmou o falecimento nesta manhã, 4a.feira, 09/11.
por
Lua Beatriz
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09/11/2022 - 12h

Nesta quarta-feira (09), a música popular brasileira perdeu uma de suas mais impactantes vozes, Maria da Graça Costa Penna Burgos (Gal Costa), em São Paulo.  

De acordo com informações divulgadas pela equipe de Gal, a artista de "Lágrimas Negras" havia passado, recentemente, por uma cirurgia de retirada de nódulo na fossa nasal direita, resultando no adiamento de apresentações agendadas. Mas a causa legítima da morte segue desconhecida. 

Made in Bahia. Um tributo a uma das Marias brasileiras

Imagem/Reprodução: Google
Imagem/Reprodução: Google 

Munida de um talento incomparável, Gal Costa foi cantora, compositora, multi-instrumentista, mãe e defensora dos direitos humanos.

O envolvimento da ícone com a arte iniciou no ventre da mãe e incentivadora Mariah Costa Penna (falecida em 1993), que relatava ter dedicado horas da gravidez ouvindo musicas, na intenção de envolver e introduzir a filha ao mundo musical. 

A musicista estreou a carreira na década de 60, ainda na adolescência, e colecionou grandes parcerias como Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso, sendo parte da consolidação do Tropicalismo, movimento caracterizado como revolucionário e libertário, afim de aproximar a música da cultura brasileira e resgatar a identidade popular do país. 

Como canta em um trecho, Gal acreditava que belezas eram coisas acesas por dentro, e assim, se despede para uma nova jornada. A marcante voz que hoje se calou, continuará ecoando por meio das principais obras deixadas, como "Baby", "Chuva de Prata", "Sorte" e "Aquarela do Brasil". 


 

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