Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
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06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

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Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
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06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

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Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
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05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

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Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
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05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

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Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

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Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

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Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
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05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

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Fundada no bairro da Penha (zona leste de SP), o local marca o legado da história de luta contra a escravidão
por
Gustavo Oliveira de Souza
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28/10/2022 - 12h

Em 2002, um grupo chamado Comissão do Rosário dos Homens Pretos da Penha resolveu retomar a velha tradição de celebrar Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, celebrando os 200 anos da Igreja Rosário dos Homens Pretos da Penha, uma das únicas obras erguidas por negros que ainda se mantêm em seu local de origem. A importância da Igreja se deve ao fato da junção de duas outras igrejas de São Paulo: o Santuário Eucarístico Nossa Senhora da Penha e a Capela de Nossa Senhora do Rosário e outro fato que evidencia o valor da obra é o fato dela ter sido construída “dando as costas” para o centro da cidade, já que era uma igreja frequentada por escravos. Desde sua reinauguração, uma celebração no primeiro domingo de todos os meses do ano que é a Celebração Inculturada Afro Brasileira é feita com o intuito de resgatar a memória dos antepassados e relembrar a luta deles pela religião de matriz africana em São Paulo. A estrutura chamada de Largo do Rosário fica localizada no bairro da Penha, bairro de grande importância da Zona Leste da cidade e o prédio foi tombado no ano de 1982 depois de ter recebido pequenas reformas, reforçando a importância desse patrimônio para São Paulo. 

Em entrevista com Cristiane Gomes, coordenadora do corpo de dança do bloco Ilú Oba de Min, bloco fundado em 1987 e explora ritmos brasileiros e africanos, juntando toda a diversidade cultural desses locais fala um pouco da importância da Igreja: “Ela surgiu como forma de resistir à Igreja Católica, que era predominante na cidade. Todos os escravos e refugiados iam até o local para terem seu momento de conexão com seus ancestrais e festejarem que ainda estavam vivos, mesmo com toda a tentativa de extermínio dos povos por parte do catolicismo. Esse resgate que está sendo feito é de extrema importância para o Brasil por que fortalece ainda mais a nossa luta pelas religiões de matriz africana”.  

Falando um pouco a respeito do Projeto Ilú Oba de Min, Cristiane fala da pesquisa feita acerca da música afro-brasileira: “O bloco tem como intuito preservar a identidade negra brasileira na música abrindo espaço com outras áreas do conhecimento através de aulas, debates e exposições e é feito de forma independente, sem nenhuma ajuda de uma grande empresa ou ajuda de governo”. 

O Bloco Ilú participa de algumas das festividades da Igreja do Rosário e a última delas aconteceu no mês de setembro, no Festival Musical Agô, exaltando toda a música ancestral, começando pelo circo, passando pelo samba e terminando com a apresentação do bloco.  

Foto de Douglas de Campos

                                                                                                               Foto de Douglas de Campos/Facebook 

O tamanho da importância da Igreja Rosário dos Homens Pretos da Penha para as religiões de matriz africana, para os negros e para a cidade de São Paulo deve sempre ser exposta. Sem ela, os escravos não teriam locais para exaltarem sua fé e a luta dos escravos seria ainda mais difícil e o significativo é tamanho devido o fato da Igreja do Rosário ainda ser um dos únicos locais construídos pelos negros que ainda se mantém de pé, como forma de protesto a Igreja Católica e de luta contra o racismo, e nós devemos sempre exaltá-la.  

A prática - chamada por vezes de dança, e outras de luta - representa empoderamento e busca expansão
por
Lucas G. Azevedo
Matheus Marcolino
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27/10/2022 - 12h

“Tem pessoas que acreditam que a capoeira se resume ao ‘paranauê’ (). Se você vai numa roda de capoeira, vai ver que, hoje em dia, raramente se escuta o paranauê”. É assim que Wagner, o Mestre Sabão de Capoeira, define a falta de conhecimento sobre a capoeira por parte do público geral. Mesmo após séculos e séculos de prática no Brasil, ainda se enfrenta dificuldade em atingir novos praticantes. 

Para contar um pouco da história da capoeira e a relevância dela na cultura brasileira, esta reportagem entrevistou Mestre Sabão, psicólogo e mestre do Grupo Praia de Amaralina, e Rafael Blessa, historiador e mestrando em história com a capoeira como objeto de pesquisa. 

Não se sabe ao certo a data de surgimento da capoeira, mas, de acordo com Rafael Blessa, isso aconteceu entre os séculos XVII e XVIII. “É uma mescla de práticas, principalmente de influência da diáspora africana, então, são práticas que vão surgir no Brasil, exclusivamente no Brasil, a partir de práticas que já existiam na África”, conta o historiador.  

A luta é criada, basicamente, para resistir ao processo de escravização da população preta, que sofria nas mãos dos senhores de engenho. Tudo surge durante um processo de “intercâmbio” que, como conta Rafael, foi bastante violento: “Intercâmbio que, na verdade, é uma palavra muito ‘bonitinha’ para falar sobre o processo de massacre - tanto dos povos nativos, quanto dos povos africanos aqui no Brasil -, mas [a capoeira] surge desse processo de troca de culturas, tanto africanas quanto ameríndias”, diz. “A capoeira é fundamental nesse processo de resistência à escravidão, porque é ela que faz com que os senhores de engenho e os capatazes tenham medo de agredir os escravos - pois eles também dominam uma técnica de luta que é capaz de ir contra o poderio ofensivo, legitimado pelo Estado, com armamentos mais pesados”, explica o professor. 

Treino de Capoeira. Foto: Reprodução/ Instagram Grupo Praia de Amaralina.
Treino de Capoeira. Foto: Reprodução/ Instagram Grupo Praia de Amaralina.

Apesar da resistência por meio da capoeira, o pós-escravidão no Brasil foi marcado pela marginalização da prática. A Lei Áurea foi outorgada em 1888, e, um ano depois, o país se tornou uma República - o racismo, como sabemos, se manteve inabalável. “Os republicanos não queriam nada que fizesse referências aos negros, então o Brasil continuou sendo um país racista - e não queriam permitir nada que tivesse a cultura africana impregnada”, continua o historiador. “Dentre esses fatores, a capoeira vai ser criminalizada no primeiro código penal republicano, Artigo 402, dos vadios e capoeiras. Vai falar que todo mundo que for pego praticando capoeira vai ter pena de detenção de seis meses, e os líderes daquilo que chamavam de bandos, teriam pena em dobro”, conta Rafael.  

A capoeira seguiu marginalizada até a virada do século, quando, na década de 1920, começou a ser valorizada como um esporte, uma prática verdadeiramente nacional. O assunto é, inclusive, o projeto de pesquisa de mestrado de Rafael Blessa. “É o meu projeto [...], falar sobre como a capoeira passou a ser esporte e deixou de ser crime. [...] Se torna um símbolo de identidade nacional como um esporte que foi criado justamente aqui, com uma carga histórica grande, de resistir ao processo de escravidão e que consequentemente vai ganhando o mundo, sendo extremamente respeitado, não só pelo seu caráter esportivo, mas pelo seu caráter cultural”, afirma o professor de história, que também é praticante da modalidade. “Hoje a capoeira está presente em mais de 130 países e é respeitadíssima, não só culturalmente, mas até como uma arte marcial, que se iguala com outras artes ao redor do mundo”, conclui.  

Como esporte ou como dança, a capoeira se relaciona com a sociedade e com outras áreas da vida. Mestre Sabão diz “não se incomodar” com o tratamento de dança, mas vê predominância de movimentos mais belos em apresentações voltadas ao público “leigo”. Além disso, destaca a relação - indireta, segundo ele - da capoeira com a psicologia, sua área de trabalho: “Eu tenho alunos hoje que dão aula, e vejo uma questão indireta: muitos alunos se interessam por psicologia por causa da capoeira. Já casei alunos que se encontraram na capoeira, e gosto de pensar pelo olhar de ‘família’. Eu acho que a cultura tem essa influência, de ter esse pano de fundo, que é a família. Consigo perceber meus alunos além, por um vínculo de ordem afetiva”. 

Roda de Capoeira. Foto: Reprodução/ Instagram Grupo Praia de Amaralina.
Roda de Capoeira. Foto: Reprodução/ Instagram Grupo Praia de Amaralina.

O professor Rafael Blessa reforça a importância da valorização da capoeira como manifestação de resistência cultural: “Entendo a importância dessa prática, porque acho que ela é uma prática cultural esportiva fundamental que temos, no Brasil, que trabalha massivamente a história da população negra”, afirma o historiador, que completa: ‘A gente consegue através da capoeira contar a história, e a capoeira também é um meio de transformação social e de conscientização da população de massa”. 

Para Mestre Sabão, porém, os praticantes da capoeira não têm dado muita atenção à história: “A capoeira é muito carente de intelectuais, de pessoas que pensem sobre a capoeira. Encontrar um material de capoeira que não seja tendencioso é muito raro. Sempre que alguém me pede algo sobre, peço pra procurarem historiadores. Acredito que esse é um dos fatores que fazem com que a capoeira esteja tão distante de fomentos, de editais, de projetos…”, diz.  

Apesar da “reclamação”, o mestre acredita que o caminho do fomento da capoeira está dentro da esfera pública: “Políticas públicas, de preferência a investida em vulnerabilidade, em lugares de exclusão social. além disso, acho que deve ter a busca por uma narrativa que seduza pessoas que possam investir em projetos assim”, afirma o psicólogo. 

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O novo disco estreou nas plataformas digitais na madrugada de sexta-feira (21); confira abaixo
por
Isabel Bartolomeu
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22/10/2022 - 12h

A era 'Midnights' está entre nós. Com uma programação recheada de surpresas, a cantora animou a sexta-feira dos chamados swifties. O novo disco de Taylor Swift possui 13 faixas oficiais e mais 7 bônus, além de um feat especial com Lana Del Rey.

Em seu retorno ao pop, a cantora constrói um álbum visual, conceitual e maduro. Exemplo disso, o clipe da música Anti-Hero, também lançado na sexta, trata sobre inseguranças pessoais e problemas de autossabotagem presentes na vida da cantora. Em um dos trechos do single, ela diz: "It's me, hi, I'm the problem, it's me" (Sou eu, oi, eu sou o problema, sou eu).

O novo disco já está rendendo conquistas para Taylor, que começou com a quebra de recorde no Spotify. 'Midnights'  tornou-se o álbum mais transmitido em um único dia na história da plataforma. Nas redes sociais, a cantora fez um tweet sobre a conquista:

 

Imagem 1/Taylor Swift - Legenda/Tradução: "Como eu tive essa sorte, tendo vocês aqui fazendo algo tão alucinante?! Tipo, o que acabou de acontecer??!?!".

'Midnights' ganha espaço interativo em São Paulo

Anteriormente, em parceria com o Spotify, a cantora já havia promovido uma ação para o lançamento do álbum na estação Sé, localizada no centro de São Paulo. 

Desde ontem, sexta-feira, (21), o Shopping Pátio Paulista, localizado no bairro Bela Vista, região central da cidade, conta com um cenário especial e cheio de referências à nova era 'Midnights'. Na sexta, às 20h, os fãs puderam participar de quizzes e concorrerem a brindes numa ação organizada pela Universal Music Brasil.

 

​Imagem 2/Taylor Swift Brasil  - Legenda: Fãs visitam espaço interativo do álbum 'Midnights' em São Paulo.

 

Os fãs lotaram o espaço, que tornou-se pequeno para tanto prestígio. Nas redes sociais, fãs compartilharam suas experiências e relataram uma espera de até duas horas na fila para visitar o cenário. Mas o público que deseja conhecer o local pode se tranquilizar, ainda dá tempo de ir com calma ao espaço interativo, que ficará no shopping até este domingo (23).

 

Imagem 3/Universal Music Brasil - Informações sobre o espaço interativo de 'Midnights'.

 

Ouça e assista abaixo o álbum ‘Midnights’ e o Clipe Anti-Hero de Taylor Swift’:

 

 

 

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A apresentadora, considerada a Rainha da Televisão Brasileira, ainda hoje é referência no segmento
por
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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29/09/2022 - 12h

Nesta quinta-feira (29), completam-se 10 anos da morte da ilustre Hebe Camargo. A apresentadora  faleceu, aos 83 anos, vítima de uma parada cardíaca. Ela tratava um câncer no peritônio, contra o qual lutou por dois anos.

A artista iniciou sua carreira como cantora, aos 15 anos de idade, na extinta Rádio Tupi de São Paulo.

Seu programa de TV, intitulado como Hebe, foi exibido entre 1966 e 2012. Semanalmente, ela entrevistava personalidades, um bate-papo descontraído, em seu famoso sofá. Os temas eram diversos - inclusive considerados impróprios e polêmicos para a época - como política, relacionamentos amorosos etc. 

Hebe apresentando seu programa no SBT
Hebe apresentando seu programa no SBT
Foto: Acervo/SBT

Hebe era uma mulher à frente de seu tempo. Por trás dos holofotes, envolveu-se fortemente com a política e as causas sociais. Em 1987, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, a apresentadora apoiou a comunidade LGBTQIA+ em uma época em que, além de ser um tabu, a epidemia da AIDS estava em alta.

Com passagens por diversas emissoras, entre elas Record, TV Tupi, Band, SBT e RedeTV!, respectivamente, Hebe é lembrada como a Rainha da Televisão Brasileira, marcante, presente e respeitada. Ao longo de sua extensa carreira, a apresentadora criou bordões, teve momentos marcantes e distribuiu os famosos "selinhos".

Chamava a todos de "gracinha", famosos como Neymar, Silvio Santos, Susana Vieira, Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, entre outros, tiveram o privilégio de receber um beijo da loira. Durante sua trajetória, ela tornou os "selinhos" sua marca registrada.

Se estivesse viva, a apresentadora teria 93 anos. O programa Encontro, da Rede Globo, homenageou a artista levando alguns de seus figurinos marcantes ao palco.

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Saci, bumba meu boi e outras entidades configuram um imaginário rico e dinâmico que revelam a alma mais profunda de um país complexo
por
Anna Cecília Nunes
Ricardo Dias de Oliveira Filho
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27/09/2022 - 12h

O folclore brasileiro é conhecido por sua riqueza e variedade, com maior destaque às lendas. Um dos personagens mais famosos da cultura brasileira é o Saci-Pererê, uma pequena criatura de uma perna só, que vive na floresta, e é conhecida por suas travessuras. A lenda do Saci teve origem no sul do Brasil e é diretamente influenciada por elementos culturais africanos e indígenas. 

Celebrado no dia 22 de agosto, o Dia Nacional do Folclore foi oficializado no Brasil através do decreto nº 56.747, assinado no dia 17 de agosto de 1965. Com o objetivo de garantir a identidade cultural e preservação do patrimônio folclórico brasileiro, sua perpetuação histórica é rica e importante, pois através dele o saber popular e identidade nacional são mantidos. 

Rodas de contação de história, festas tradicionais como Festas Juninas e Reisados, brincadeiras como pique-pega ou adedonha/stop, expressam a cultura e promovem esses elos entre os membros da comunidade.

“Em nosso Brasil de dimensão continental, teremos uma infinidade de cenários e enredos constituintes da Cultura Brasileira (Folclore Brasileiro) que não se comunicam entre si, contudo vale ressaltar que não existe hierarquia, nem tipologia de maior valor relacionado aos aspectos culturais de um povo”, contou o antropólogo Diogo Moreno.

O aspecto que destaca o Brasil é a riqueza cultural que influencia outros países, mas também desfruta de culturas de outras regiões. Um dos exemplos são os costumes da população de Foz do Iguaçu, que consomem, principalmente, da culinária e da música do Paraguai e Argentina. “É muito comum que cidades de países diferentes em zonas de fronteira compartilhem tantos aspectos culturais que façam com que um brasileiro que more em um desses lugares possa acabar se identificando mais com seus colegas do país vizinho do que com a identidade “nacional” em pessoas do mesmo país mas de outra região”, explica Lorena Herrero, folclorista há mais de 5 anos. 

Bumba meu boi, umas das festas popular no Norte e Nordeste do Brasil
Bumba meu boi, umas das festas popular no Norte e Nordeste do Brasil
Divulgação: Leiturinha

Apesar de aspectos de outros países, existe também uma ‘independência cultural’ entre os estados brasileiros. No folclore goiano, uma história, que foi contada no passado pelos pais para assustar as crianças e fazê-las obedecer às suas ordens em casa, é contada até os dias de hoje. “Em nosso país de dimensão continental podemos afirmar que existem diversos “folclores”, ou seja, a forma como se apresenta na região nordeste não necessariamente é a mesma das outras regiões do país”, confirma Diego Moreno. 

O conto do Velho do Saco fala de um idoso, de aparência simples, que afasta crianças desobedientes de lares e reuniões de adultos, deixando-lhes misteriosas mensagens de sabedoria. Não curiosamente, a história influenciou a formulação do personagem “Velho do Rio” da novela “Pantanal”, da Rede Globo.

“O relevo de uma região, suas estações, vegetação, fauna… todos interferem nos modos de vida de uma comunidade e nós nos moldamos a partir da nossa relação com esses fatores. Se vivemos em uma vila no interior, por exemplo, é muito comum que os seres míticos e as lendas da região se relacionem com animais, que os perigos se relacionem com a floresta ou com os rios. Já em grandes metrópoles, os ambientes que se relacionam com o medo passam a ser construções abandonadas, e os “monstros” se tornam mais humanos, como fantasmas, o Homem-do-saco ou a Loira do Banheiro”, explica Lorena Herrero. 

Outro exemplo de como o folclore é retratado no mundo do entretenimento é a minissérie brasileira “Cidade Invisível”. Na série original da Netflix, pessoas do convívio urbano da sociedade encontram personagens como Boto-cor-de-rosa, Iara, Saci-Pererê, Cuca e Curupira. A série tem um tom de suspense policial, mas não deixa de tirar a visão infantil que costumamos ter do Folclore, já que esses personagens nos são apresentados na infância. 

Uma das manifestações artísticas e populares do folclore brasileiro é o  Bumba meu boi, que surgiu no século XVIII, na região do Nordeste. A história envolvendo a dança está relacionada à lenda de uma dupla de escravos conhecidos como Pai Francisco e Mãe Catarina. A atração é um símbolo na cultura brasileira, principalmente no Estado do Maranhão, pois está ligada diretamente à identidade de seu povo. Além disso, a dança possui uma variedade de nomes em várias regiões do país, como: boi-bumbá, boi de reis, boi-surubi, boi-calema ou calumba, rancho de boi, boizinho etc.

É muito comum que tenhamos a ideia de que o Folclore se refere à manifestações culturais especificamente rurais e/ou antigas, elementos que não se relacionam com a maioria da população hoje, que é urbana e vive uma “era da tecnologia” e de avanços científicos. Por conta disso, muita gente entende que o Folclore é algo a ser superado, mas a cultura popular se adapta e está presente no contexto urbano e tecnológico de outras maneiras, ou em aspectos da vida que não entram tanto em conflito com a tecnologia ou a “ciência”.

Apesar de todos os cultos ao folclore nacional, as grandes metrópoles não se conectam da mesma maneira que as regiões interioranas e florestais. “Esse é um embate desigual, pois cada vez mais temos um culto ao que é estrangeiro em detrimento da valorização de uma cultura local, para corroborar como nosso pensamento basta lembrar toda veneração e espaço mercadológico dedicado ao “Halloween”, comenta o antropólogo.

A população tem uma relação dual com o folclore, hora menosprezado hora exaltado. Isso acontece pela diferença da “ideia” que temos de Folclore e como ela se diferencia de como vivemos a cultura popular de fato.

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