Localizado em oito regiões diferentes ao redor de São Paulo, o Evento contou com shows de artistas renomados como Luisa Sonza, Pitty e Planet Hemp e se caracterizou um sucesso na crítica do público. A presença maior de artistas da periferia e a descentralização dos shows são os grandes fatores para o sucesso da Virada Cultural, que permitiu acessibilidade a quem possui dificuldade para se locomover em grandes distâncias por São Paulo. No vídeo, iremos mostrar um pouco deste evento cultural que retornou à capital.
https://www.youtube.com/watch?v=66GyQsGWNZw&ab_channel=EshlynBeatrizCa%C3%B1ete
"A beleza sombria dos monstros" é uma homenagem aos 13 anos do livro "A arte de Tim Burton", que fala sobre o universo do artista conhecido por filmes como "Edward mãos de tesoura", "Batman", "A noiva cadáver" e "Alice no país das maravilhas".

A exposição, inaugurada na Oca do Parque Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, conta com 14 salas, são mais de 2,6 mil metros quadrados de experiência imersiva com recursos multimídias: ilustrações, luzes, sombras, sons, cores e formas cênicas que dão vida ao universo do Tim Burton. Está aberta ao público de terça a domingo, das 9h às 21h. Os ingressos custam de R$ 20 a R$ 70 reais e podem ser comprados na bilheteria da própria Oca ou pela internet.
Confira o vídeo reportagem da exposição feita pela AGEMT aqui.
No dia 11 de abril deste ano Johnny Depp e Amber Heard deram início a um julgamento que se estendeu por sete semanas. Depp estava processando a atriz por difamação, após ela ter escrito uma matéria, em dezembro de 2018, para o jornal The Washington Post o acusando de agressão doméstica. Amber não mencionou o nome de Depp, mas a defesa do ator afirma que o artigo configurou difamação e foi responsável por prejudicar a carreira dele.
O julgamento, que parou a internet, finalmente teve um desfecho. Para acompanhar todos os detalhes assista o vídeo.
O setor da cultura sofreu uma real caça-às-bruxas desde a posse de Jair Bolsonaro na presidência. Bolsas foram cortadas e editais pausados, congelando o cenário cultural brasileiro por 4 anos. Mesmo assim, a efetivação desses fundos continuou fácil para alguns artistas como o “Sertanejogate” deflagrou: artistas como Gusttavo Lima e Luan Santana conseguiam com tranquilidade usar dinheiro público para financiar espetáculos em cidades minúsculas. Todos são, convenientemente, apoiadores do governo. Todos com arrecadação suficiente para não precisarem de ajuda estatal. Ao mesmo tempo, filmes nacionais de temáticas necessárias precisam ser criativos para se manter em exibição. Medida Provisória, por exemplo, cobrou meia entrada em todas suas exibições nos cinemas Itaú Cultural de São Paulo para se manterem no circuito por maior tempo possível.
Produtoras nacionais rotineiramente têm de dar cambalhotas para que o ciclo de um filme seja completo, mas não pelas razões que frequentemente estão no subconsciente coletivo. Não é a falta de talento, qualidade ou profissionais que faz a produção nacional ser algo aparentemente escasso, mas sim as complicações com distribuição, financiamento, legislação e formação de público. O sucateamento não está com o desaparecimentos dos filmes ou curtas, mas sim com todas as pontes que fazem conexão com a sociedade.

De acordo com o João Saldenha, da Boulevard filmes, distribuidora e produtora de longas, “O cinema brasileiro passou por um grande tsunami.A gente vê uma instabilidade da Ancine desde 2018, e logo em sequência veio a pandemia, que afetou todos os espaços de produção e distribuição no audiovisual; realizadores, distribuidores, até mesmo órgãos de fomento”.
Dados da ANCINE, no ano de 2021 os filmes brasileiros foram responsáveis só por 1,3% de toda a bilheteria nacional. A falta de publicidade e a pequena cota de tela são os principais culpados disso; em média, o gasto mínimo para que uma campanha de marketing vá bem é de 1,5 milhões de reais, quantia inacessível para a maioria das distribuidoras nacionais sem incentivo do governo ou de setores privados.“Há um vácuo de financiamento no setor de distribuição, além de profissionais especializados. Sempre vejo cursos pontuais de roteiro, direção, mas quase nunca há um curso sobre distribuição cinematográfica. Tenho percebido que saber falar de distribuição, com propriedade e firmeza, é algo raro que os profissionais carregam; não sabem os caminhos, os processos.”, explica Saldenha.
Em entrevista concedida à Agemt, a cineasta e sócia da distribuidora Pena Capital, Rafaella Serret, fala das dificuldades do cinema nacional em se manter nas salas dos principais cinemas:“a gente precisa tomar cuidado, pois constantemente surge um projeto para diminuir a cota de tela para filmes brasileiros em sala de cinema. Acho que até seja o caso de aumentar essa cota, sinto falta de iniciativas que visem essa formação de público para que ele próprio possa se desenvolver nessa questão. Uma cota de tela com mais da metade de filmes nacionais faz o público conhecer melhor o cinema”.
A conscientização de que esse público só existirá se for incentivado levanta a questão: qual seriam os gostos do brasileiro se tudo estivesse ao alcance? Os comédia são a maioria entre os grandes sucessos de bilheteria, porém filmes fora desse gênero vem ganhando espaço, como Marighella e o próprio Medida Provisória que conseguiu atrair 200% mais público do que Homem Aranha nos cinemas da prefeitura de São Paulo.Com acesso, como e quanto a identidade brasileira mudaria de si? O estrangeiro ainda seria visto da mesma forma, também?
O aumento da cota de tela já é realidade em outros países, a Coreia do Sul é um modelo disso.Lá, a cota para filmes nacionais é por pelo menos 73 dias, “O mercado da Coreia do Sul tem cota de tela para filmes nacionais de mais de 50%. O filme Parasita, por exemplo,em termos de êxito de mercado, o filme foi super comercial, você só consegue chegar nisso se há incentivo para que aquilo seja produzido e seja visto. Uma cota de tela com mais da metade de filmes nacionais faz o público conhecer melhor o cinema, se relacionar mais profundamente”, discorre Raffaella.
Fora das salas de cinema, ações de incentivo ao cinema independente e brasileiros são mais importantes que nunca. A soberania dos streamings funciona como uma faca de dois gumes, nesse caso. Enquanto tornam o acesso mais cômodo aos consumidores e são planejados para que a experiência do usuário seja descomplicada, intuitiva e personalizada, é um monopolizador que soma para a precarização da indústria de dentro para fora. É interessante para a visibilidade do país que a Netflix tenha em seu catálogo produções como Coisa Mais Linda ou 3%, mas a indústria nacional não é realmente contemplada nesses processos visto que essas grandes empresas não diversificam suas parcerias. “Algo que não pode faltar para o futuro é uma regulação de streamings. Há um lobby muito pesado que eles fazem no Senado para que essas medidas passem mais flexíveis ou não passem, mas está mais que na hora de ser discutido. Apesar de termos visto uma grande inserção dos Streamings no mercado brasileiro, para produção de conteúdo nacional, quem são as produtoras que estão com eles? Essa regulamentação é essencial para aumentar o leque de produtoras que trabalham com eles. Também é importante para reverter a tributação dos streamings para o fomento de novas obras. E outro ponto: esses streamings estão presentes e atuantes - mesmo que seja com 10 produtoras ao todo pelo Brasil, que é bem pouco- mas não fornecem dados. Não sabemos quanto aquele conteúdo foi visualizado, quantas vezes, em que região, etc., e nem sabemos dos critérios contratuais. Uma vez que não há regulamentação, não é possível planejar muito”, analisa João.
Falta tempo e um novo mandato para que o setor audiovisual consiga caminhar com mais segurança. A geração atual de realizadores começou a carreira com vários percalços, mas equivale suas chances com o impulso de agir, como observa Raffaella,”tenho visto também vários núcleos de cineastas se juntando e criando selos de filmes independentes, produtoras, revistas novas de cinema, principalmente escrita por pessoas jovens. Acho que isso mostra a vontade das pessoas de discutirem cinema, tomarem para si essa discussão, e acho que com esse próximo governo que vier as coisas podem melhorar.”
A série Heartstopper, lançada no final de abril pela Netflix, chamou a atenção do público - principalmente dos jovens - no último mês. A produção tem como foco o relacionamento de Charlie Spring (Joe Locke) e Nick Nelson (Kit Connor), além de trazer diversas discussões sobre homofobia, autoconhecimento, bullying e representatividade. Fora das telonas, a série também despertou, em especial nas redes sociais, debates sobre a importância da representatividade LGBTQIAP+ não-fetichizada em obras cinematográficas e literárias.
Em entrevista à AGEMT, membros da comunidade LGBTQIAP+ relataram suas experiências com esse tipo de conteúdo. "Eu vejo essa representatividade sem fetichização de extrema importância, pois vamos parar de ser vistos, e de nos vermos, apenas como objeto de prazer, juntamente com a descontração de todo um estereótipo em cima de pessoas LGBTQIAP+ de serem promíscuas, pois essa fetichização sempre coloca nossos corpos em situações extremamente sexuais e muitas vezes em contextos totalmente idiotas, fora que corpos de pessoas trans foram o principal alvo dessa fetichização”, contou Nico Angel Faria. Thomas Costa também afirma que falta representatividade no cinema e, quando existe, vem de forma sexualizada. "Isso faz com que a gente se sinta sujo, inferiorizado, nos faz acreditar que nunca vamos ser amados de verdade porque não somos 'dignos' de merecer. A comunidade já sofre muito nas ruas e dentro da própria casa, não precisamos de mais um preconceito disfarçado de apoio", desabafou ele.
Para esses jovens, Heartstopper representa uma nova esperança de serem vistos e de se identificarem com os famosos personagens do mainstream. Karen Arruda, responsável pela Casa Miga - Acolhimento LGBTQIAP+, comenta que esse tipo de conteúdo ajuda também no autoconhecimento. “Eu acho muito importante esse trabalho, essa série […] porque dificilmente a gente fala do romance. A gente fala só do sexo. E o romance existe, então eu acho interessante falar das duas coisas.”
De acordo com a sinopse oficial da série, a obra adaptada das graphic novels da autora Alice Oseman aborda as temáticas de autoconhecimento, descoberta sexual e identitária e relações amorosas. Os adolescentes Charlie Spring e Nick Nelson descobrem que são mais do que apenas amigos e lidam com as dificuldades amorosas e sociais. O primeiranista Charlie se apaixona pelo Nick, veterano popular pelo rugby, dando origem a sentimentos diversos, desde amor até mesmo insegurança e medo. Em oito capítulos, a série conta com 100% de aprovação da crítica especializada no site Rotten Tomatoes.

(Foto: Divulgação / Netflix)
Beatriz Marina, membro da comunidade, conta a importância dos produtos culturais no processo de identificação. "Acho que a gente só precisa de coisas pra se espelhar, 'né'? Tipo aqueles romances que te fazem suspirar. [...] Sendo lésbica, é muito difícil ver qualquer romance não-fetichizado. Então, ver filmes ou séries que não fetichizam ou sexualizam mulheres lésbicas e tratam o assunto com naturalidade é muito importante para nós, porque muda a concepção das pessoas sobre nós”, explica ela.
Segundo Vinicius Grossos, jornalista e escritor, a fetichização dos personagens é maléfica, pois contribui com a criação de estereótipos. "[...] O problema de consumir esses conteúdos que fetichizam relacionamentos LGBTQIAP+, principalmente quando a gente é muito novo e não temos referência, é que a gente pode acabar criando um ideal de relacionamento que não é alcançável e nem saudável."
Perguntado se algum paciente já chegou à clínica relatando que não se sente tão bem representado pelas obras em geral, Dr. Airton Rocha, psicólogo clínico da Pride Mind, clínica de Saúde Mental e Emocional LGBT+, responde que principalmente os adultos resgatam a própria história por meio dessas representações. "Metaforicamente, imagine uma argila. Talvez o produto cultural venha como uma água que amolece a argila, mas o trabalho que ele vai fazer ali, para dar uma forma para aquilo, não depende tanto assim do estímulo. O estímulo é um início, um pontapé, ele é como uma energia de ativação, mas não sustenta o processo como um todo."
Por outro lado, obras como Heartstopper têm um papel importante para produções culturais , de forma geral. Isso porque abre espaço para mais produções LGBTQIAP+ na indústria e contribui para a diversidade das representações. Karen ainda ressalta que trata-se de uma comunidade plural e, por isso, quanto mais representatividade, melhor. "Nós somos várias coisas: nós temos profissões diferentes, somos pessoas diferentes vindas de contextos diferentes [...] Então, quanto mais dessa diversidade estiver presente nesses conteúdos, melhor é", explica. O escritor Vinicius complementa: "[...] a armadilha da fetichização é colocar todo um grupo de pessoas dentro de uma caixinha para uma grande massa, como se fossemos só isso ou aquilo."
Tornando-se mais que uma série, Heartstopper ganhou espaço e atenção de jovens de dentro e fora da comunidade. Thomas Costa relata a importância do conteúdo para si. "Um exemplo de conteúdo LGBTQIAP+ com representação sem fetichização é a série Heartstopper, que aborda várias sexualidades e identidades de gênero de uma maneira leve e super tocante, que faz a gente se sentir acolhido e perceber que somos muito mais do que imaginamos. É desse tipo de coisa que precisamos, não de um bando de séries e filmes onde o foco é nos transformar em bonecos sexuais."
O cinema e a literatura, assim como qualquer outra manifestação artística, têm o papel não só de representar a realidade, mas também de trazer enfoque para os problemas e pautas presentes na sociedade. Mesmo que fictícias, elas estabelecem diálogos com temas atuais, como violência, política e outros movimentos sociais. Por isso, é comum que séries e outras obras - sejam elas escritas ou audiovisuais - sejam assunto de discussões que permeiam as redes sociais e as rodas de conversa.
Quanto a isso, Dr. Airton relata: "Quanto mais a sociedade, como um todo, vai tendo abertura para ir sendo diluído, conversado e questionado, formas diferentes de ser. Não só formas de praticar sexualidade ou de expressar a identidade de gênero, a gente vai conseguindo ter público, não só dentro da própria comunidade, mas de curiosos, pessoas que simpatizam e buscam compreender melhor. É aí que eu entendo que é quando a gente começa a chegar em representações culturais no estilo de Heartstopper, onde você consegue ampliar a discussão mas por uma conquista antropológica e sociológica de conseguir ser melhor comunicada com a população em geral."














