Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, mostra reúne mais de 70 artistas brasileiros e propõe uma jornada crítica sobre o histórico de violências no sertão
por
Helena Aguiar de Campos
|
06/05/2026 - 12h

 

A mostra, que ocupa todos os andares do CCBB, articula um diálogo da cultura brasileira, em relação às heranças indígenas e africanas, ao abordar temas como espiritualidade e ancestralidade. As obras revelam a força dessas culturas, trazendo à tona práticas religiosas, conhecimentos agronômicos e costumes cotidianos que atravessam gerações.

 

obra de tinta acrílica sobre manta térmica
Obra: rOna. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição contém obras realizadas majoritariamente por artistas das regiões Norte e Nordeste, de comunidades afrodescendentes e indígenas, comissionadas especialmente para a exposição. Já na entrada, o público é impactado com uma instalação triangular que carrega várias telas da artista premiada, Biarritzzz. A obra, pendurada no teto do edifício, representa o instrumento histórico dos trios de forró, exercitando o imaginário sertanejo.

 

Obra triangular pendurada ao teto
Obra: Biarritzzz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

O projeto expográfico investiu em cores fortes e fez relação a biodiversidade brasileira para marcar diferentes elementos da região e entregar também, uma experiência sensorial. A primeira cor é verde da vegetação, representando a força da vida que brota mesmo com dificuldade. Depois, as paredes se tornam azuis, assim como o céu, inspiradas pela liberdade e espiritualidade. E enfim, o laranja, vermelho e amarelo, cores que representam o calor, fogo e o sol, como o começo e fim do dia no sertão, simbolizam a luta e esperança.

 

Uma máscara colorida suspensa, elementos sonoros e fundo verde bandeira
Obra: Denilson Baniwa. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Homem à frente de fotos de mulher indígena na favela
Obra: Xamânica e Tayná Uràz. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Pinturas sobre placa de trânsito
Obras: Amilton. Foto: Helena Campos/Agemt

 

Fotografias de pessoas negras com miniatura de caravela
Obra: Márvila Araújo. Foto: Helena Campos/Agemt

 

“O sertão é um território simbólico no qual diferentes experiências históricas se cruzam e onde a arte pode revelar múltiplas narrativas sobre o país”,

Ariana Nuala, uma das curadoras.

 

Fotografias de pessoas envolvidas por sementes
Obra: Ayrson Heráclito. Foto: Helena Campos/Agemt

 

A exposição está aberta para visitação até o dia 3 de agosto de 2026, das 9h às 20h e a entrada é gratuita.

 

De onde surgiu a ideia

A exposição nasceu das pesquisas de Marina Maciel, criadora e diretora-geral do projeto, desenvolvidas do mestrado ao seu doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Em 2023, a ideia saiu no papel e ganhou forma com o Coletivo Atlântico, que atua na defesa dos direitos humanos por meio da arte. A primeira edição, Atlântico Vermelho  denunciou dor e massacres causados pela escravização e marcou presença na ONU com obras de mais de 20 artistas afro-brasileiros. Como consequência da visibilidade e importância realizaram, já no próximo ano, o Atlântico Floresta, no Museu de Arte do Rio (MAR), reunindo artistas contemporâneos para abordar a violência contra povos originários.

 

As edições carregam o nome “Atlântico” com uma dimensão filosófica e crítica: se, por um lado, o oceano foi marcado por morte e sofrimento devido à processos coloniais, por outro, a arte decolonial e nacional, ressignifica a história, evidenciando vida e resistência.

Tags:
Promotoria deu prazo de 15 dias para que a empresa esclareça seus critérios na cobrança de taxas na venda virtual
por
Rafaella Lalo
|
06/05/2026 - 12h

A Ticketmaster Brasil foi notificada pelo Ministério Público de São Paulo e terá 15 dias para esclarecer a cobrança das taxas de 20% sobre os ingressos vendidos no site. O despacho foi assinado pela Promotoria de Justiça de São Paulo na quinta-feira (9) de abril, e questiona a proporcionalidade das taxas de serviço e os custos adicionais cobrados dos consumidores.

A denúncia foi apresentada pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL), após recolher várias queixas feitas pelos compradores que adquiriram ingressos para shows como BTS, Harry Styles e Kid Abelha. A venda para o evento de Harry Styles que iniciou em janeiro deste ano já recebia reclamações sobre os custos desproporcionais. Clientes perceberam que os valores mudam de acordo com o preço do ingresso. Por exemplo, entradas de R$700,00 têm taxas de R$140,00, enquanto um ingresso de R$265,00 tem R$53,00 de custo adicional.

Em sua representação, o deputado ressalta também a ilegalidade dessas ações, além da falta de transparência por parte da empresa. 

Print da denúncia feita na rede social X do deputado Guilherme Cortez
Postagem feita nas redes sociais do Deputado Guilherme Cortez. Foto: Reprodução X.com 

De acordo com informações divulgadas sobre o despacho assinado pelo promotor Donisete Tavares de Moraes Oliveira, a Ticketmaster deverá explicar como é feito o cálculo dessas taxas de 20%, já que a cobrança é fixa e aplicada ao valor total da compra independentemente do valor ou tipo da entrada (inteira ou meia).

A Promotoria também aguarda esclarecimentos sobre quais são os custos de infraestrutura e gestão de demanda que justifiquem essa cobrança, qual é o número total de ingressos disponibilizados para venda por cada dia de show e se as taxas são proporcionais ao valor da entrada vendida de forma on-line.

Em setembro de 2025, o Procon pediu explicações para a empresa, após esses custos adicionais serem cobrados nos ingressos do show de The Weeknd. Situação semelhante ao que ocorreu nos shows de BTS e Harry Styles.  

A Ticketmaster Brasil confirmou, em nota encaminhada à imprensa, ter recebido a notificação do MP-SP. Segundo a empresa, a taxa de serviço cobrada nas vendas online está relacionada a custos de infraestrutura, operação do site e medidas antifraude voltadas à segurança do comprador. A plataforma também declarou que essas cobranças são informadas de forma transparente durante o processo e ressaltou que o consumidor tem a opção de comprar ingressos em bilheterias físicas sem os custos adicionais cobrados no site.

Tags:
Apresentações aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro, após quase dois anos da última passagem do artista pelo país
por
João Paulo Di Bella Soma
|
05/05/2026 - 12h

The Weeknd voltou ao Brasil nos dias 26, 30 de abril e 01 de maio em São Paulo e Rio de Janeiro, como parte da etapa latino-americana da turnê After Hours Til Dawn. A turnê consolida a era de sua mais recente trilogia musical composta pelos álbuns After Hours, Dawn FM e Hurry Up Tomorrow.

Depois de passar por países como Estados Unidos e México, a turnê passou pelo Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, no dia 26 de abril e pelo Morumbis, em São Paulo, nos dias 30 de abril e 1 de maio. A produção impressiona não só pelo tamanho, mas também pelo conceito visual, que mistura elementos futuristas com uma estética sombria e cinematográfica.

Anitta foi a artista escolhida para os shows de abertura da turnê na América Latina e aqueceu o público com uma performance energética e cheia de identidade brasileira. Misturando funk, pop e elementos eletrônicos, a cantora entregou um setlist que transitou entre novidades e velhos sucessos. Ela iniciou com faixas como “Meia Noite”, “Desgraça”, “Mandinga” e “Vai Dar Caô”, e posteriormente levantou a plateia com hits como “Sua Cara”, “Bola Rebola” e “Vai Malandra”.

Durante cerca de 2h30 de show e com um repertório de aproximadamente 40 músicas, The Weeknd conduziu o público por seus 15 anos de carreira. O show é uma experiência imersiva, com iluminação dramática, cenografia elaborada e uma narrativa visual que remete a um filme de terror e suspense. Acompanharam o cantor sua banda e o lendário produtor Mike Dean.

The Weeknd no Estádio MorumBIS
The Weeknd em tour Foto: Reprodução Instagram @theweekndmxc


Apresentando músicas do álbum Hurry Up Tomorrow ao lado de seus maiores sucessos, Abel iniciou o show com “Baptized In Fear”, “Open Hearts” e “Wake Me Up”, criando uma atmosfera intensa logo de início. Em seguida, emendou hits como “After Hours”, “Starboy” e “Heartless”, levando o público ao delírio.

O cantor ainda retornou ao seu novo projeto com “Cry For Me” e “São Paulo”, faixa que ganhou destaque especial por homenagear a cidade. Em um dos momentos mais marcantes da noite, Anitta voltou ao palco para cantar o novo single “Rio”, uma homenagem direta à cidade carioca e que conta com sua participação. A faixa traz influências do Brazilian Phonk e chama a atenção pelo visual de seu futuro clipe, dirigido pelo famoso cineasta japonês Takashi Miike.

Ao longo do show, The Weeknd percorre diferentes fases da sua carreira e revisita trabalhos como Dawn FM, Beauty Behind The Madness, My Dear Melancholy, e House of Balloons. Em versões mais intimistas de “Out of Time” e “I Feel It Coming”, o artista desceu até a grade e interagiu com os fãs. Em um momento espontâneo, cantou com uma fã da primeira fileira, correu pela frente do palco cumprimentando o público e demonstrou gratidão pela recepção calorosa.

Abel encerrou a noite com uma declaração emocionante: “Eu sinto que estou em casa quando estou em São Paulo”. Ele garantiu que volta ao Brasil, mas não deixou pistas de quando. 

Fugindo do formato tradicional e engessado, o show conta com longas passarelas que avançam sobre a pista, aproximando o cantor do público, enquanto a banda permanece conectada no palco principal, sustentada por um telão gigantesco que amplifica a experiência visual.

the weeknd palco
Palco After Hours Til Dawn Foto: TAIT


Além da estrutura, a performance vocal de Abel também se destaca. Com uma voz afinada, ele entrega estabilidade ao vivo mesmo em faixas mais exigentes, combinando técnica, carisma e presença de palco. Sempre em movimento, interagindo e incentivando o público, o artista mantém a energia elevada do início ao fim.

A parte visual do show ganha ainda mais força com o uso criativo da iluminação. Lasers cortam o estádio em diferentes direções, criando cenários dinâmicos, enquanto as pulseiras luminosas distribuídas ao público transformam a plateia em um verdadeiro mar de luzes sincronizadas. No encerramento, fogos de artifício tomaram conta do céu e fecharam o espetáculo de forma memorável ao som de "Moth To A Flame".

A última vinda do artista ao país aconteceu em 7 de setembro de 2024, durante a fase final da turnê que promovia o álbum Hurry Up Tomorrow. Na ocasião, o cantor contou com participações especiais de Anitta e Playboi Carti.

Tags:
Jornal norte-americano destaca nomes que moldam a indústria da música dos Estados Unidos e influenciam o cenário global
por
Livia Vilela
|
05/05/2026 - 12h

 

O jornal americano The New York Times publicou na última terça-feira (28) uma seleção dos 30 maiores compositores americanos vivos. Sem ordem de ranking, o levantamento se propõe a definir o padrão de compositor da nova geração e quais seriam as suas principais influências, reunindo artistas que seguem moldando a produção musical contemporânea e ampliando seu alcance cultural em escala global.

O projeto faz parte de uma cobertura especial sobre o ofício da composição, com entrevistas em vídeo com nomes como Jay-Z, Taylor Swift e Lucinda Williams, além de artistas e produtores como Nile Rodgers, Mariah Carey e Babyface. A proposta é aproximar o público dos processos criativos por trás de algumas das canções mais conhecidas das últimas décadas, destacando o papel do compositor como eixo central da indústria da música.

nyt jay z
Jay Z em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A seleção foi construída a partir de mais de 700 indicações enviadas por mais de 250 profissionais da música, além da curadoria de críticos do jornal. O processo envolveu semanas de análise e debate sobre critérios como influência, consistência artística, impacto cultural e permanência ao longo do tempo.

O resultado combina compositores consagrados, como Bob Dylan, vencedor do Nobel de Literatura, Carole King e Stevie Wonder, com artistas que redefiniram o pop e o hip-hop nas últimas décadas, como Kendrick Lamar, Taylor Swift e Lana Del Rey. O que foi avaliado em comum entre todos esses artistas foi a capacidade de atravessar gerações e influenciar não apenas o mercado americano, mas a produção musical global.

nyt taylor swift
Taylor Swift em entrevista para o The New York Times 
Foto: Reprodução/ Instagram @nytimes

A lista também reconhece o peso de compositores que atuam nos bastidores da indústria, responsáveis por sucessos gravados por outros artistas, como Diane Warren, Babyface, The-Dream e a dupla Jimmy Jam & Terry Lewis. A diversidade estética é um dos pontos centrais da seleção. Além de reunir diferentes gerações e estilos, passando pelo folk, country, pop, R&B e hip-hop, a lista também reflete a ampliação do alcance global da música americana. 

Outro aspecto relevante é a inclusão de artistas latinos e bilíngues, como Romeo Santos e Bad Bunny, sinalizando como a ideia de “compositor americano” hoje incorpora trajetórias e influências fora do território dos EUA e da língua inglesa. O recorte reforça como a produção musical atual é globalizada e ultrapassa fronteiras linguísticas e culturais, acompanhando transformações do próprio público e da indústria. 

Lista dos 30 Maiores Compositores Americanos Vivos:
 Babyface
 Bad Bunny 
 Bob Dylan
 Brian & Eddie Holland 
 Bruce Springsteen
 Carole King
 Diane Warren
 Dolly Parton
 Fiona Apple
 Jay-Z
 Jimmy Jam & Terry Lewis 
 Josh Osborne, Brandy Clark & Shane McAnally 
 Kendrick Lamar
 Lana Del Rey
 Lionel Richie
 Lucinda Williams
 Mariah Carey
 Missy Elliott
 Nile Rodgers
 Outkast
 Paul Simon
 Romeo Santos 
 Smokey Robinson
 Stephin Merritt 
 Stevie Wonder
 Taylor Swift
 The-Dream
 Valerie Simpson
 Willie Nelson
 Young Thug

Tags:
Gato sem Rabo reabre em grande estilo, com novo café e restaurante, e fortalece o espaço para o público leitor em SP
por
Sofia Morelli
|
05/05/2026 - 12h

Em maio de 2025, após uma reforma, Gato sem rabo abre suas portas ao público, com mais conforto para receber os interessados por uma literatura voltada ao mundo e imaginário feminino, em novo endereço no centro de São Paulo. Johanna Stein, fundadora do estabelecimento, idealizou-o conforme notou a falta de um lugar em que obras escritas por mulheres cisgênero, trans e travestis fossem valorizadas e mais acessíveis. Agora composto por um café e bar para leitores e para cidadãos que por ali passam. Durante sua graduação no campo das artes, Johanna tinha um grande interesse no trabalho de autoras mulheres, mas ao longo de suas pesquisas começou a esbarrar repetidamente com a dificuldade de achar textos produzidos por essas artistas em geral, mesmo em uma metrópole tão plural como  São Paulo. Foi dessa frustração que se materializou a livraria, criando um espaço para que essas vozes pudessem fluir.

Cada vez mais, o centro de São Paulo é preenchido por estabelecimentos que exploram partes da cultura subvalorizadas e dispersas. “Existe uma demanda por obras produzidas por grupos historicamente excluídos, que tem aparecido no dia a dia dos lançamentos das editoras”, afirma Ana Paula Pacheco, professora  do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP), além de escritora de ficção e de romance experimental. “Acho que isso virou um nicho de mercado, para o bem e para o mal, acho que tem um desrecalque de vozes anti-escaladas  e desrecalque é muito bom, por outro lado existe uma certa tendência de eliminar a leitura crítica das obras, é importante tratar essas obras como obras para valer que podem passar por um critério estético, crítico de leitura.”, reflete a professora da USP, em questão das popularização que vem ocorrendo dessas obras.

 

Livraria Gato Sem Rabo, no Centro de São Paulo.  Por Sofia Morelli

 

A curadoria da Gato sem rabo se preocupou em montar um acervo com enfoque na produção do sul global, além de clássicos de Virginia Woolf, escritora do ensaio que inspirou o próprio nome da livraria. Nesse ensaio “Um quarto só seu”, de 1928, a narradora observa um animal estranho em um gramado, onde não deveria estar caminhando, uma possível e famosa interpretação é a de estranhamento que as mulheres sofrem ao tentarem ocupar  um lugar no mundo dos intelectuais, ousando a  escrever. 

O mundo evoluiu muito desde então, mas ainda há dificuldades inegáveis para mulheres que desejam ser intelectuais, o que não significa que não há livros que caminham por todos os gêneros literários, poético, fictício, político assim como romance e questões corporais. “Eu sinto sobretudo no meio intelectual, na universidade, na circulação do pensamento, as mulheres são uma espécie de nicho do mercado mesmo. Na universidade eu vejo ainda uma aparência de democratização, nas ações que contém uma violência histórica, às vezes muito sutil, por exemplo no domínio masculino do debate, de bancas de defesa de tese e na maneira infantilização o pensamento das mulheres, às vezes elogiando, mas existe uma certa minoridade que se tenta impor no pensamento delas”, diz Ana Paula.

Essa visibilidade a essas obras significa muito para jovens garotas, com mais possibilidades de experienciar um mundo de vozes mais próximas de seus imaginários impulsiona o surgimento de novas possíveis autoras, ou até mesmo para que o mundo intelectual seja colocado como mais acessível para  todos os grupos e gêneros, e menos unificado para o público masculino. Com clube do livro, rodas de conversas e eventos, a livraria se transpõe como um lugar para que vozes sejam escutadas e que novas vozes floresçam num caminho cada vez menos fechado. 

Em suma, a criação de Johanna se demonstra como um espaço com uma importância física e emocional para a comunidade literária da região, que está sendo cuidado para que siga uma tendência de crescimento.  A ausência vira presença com um acervo com cerca de 650 escritoras, um esforço além da prateleira, que tem compromisso em explorar as visões de mundo na literatura produzida por elas. Livrarias independentes, como essa, fazem parte de uma transformação cultural ativa de extrema importância para o ecossistema literário “O conhecimento de relatos das mulheres, ele forma novas mulheres de outras maneiras, mas também não acho que a gente tenha que ter ilusões quanto a uma aceitação de mulheres no meio intelectual, acho que temos que ocupar espaços, disputar os espaços politicamente, sem esperar aceitação masculina”, de acordo com Ana Paula.

Tags:
Uma viagem no tempo da história espanhola por meio de obras artísticas
por
Giovanna Takamatsu
|
22/03/2023 - 12h

Nomeada em homenagem a música “Sampa”, de Caetano Veloso, a exposição “Volta ao avesso do avesso” traz obras artísticas que representam a história da participação espanhola nas edições da Bienal Internacional de Arte de São Paulo.   

A exibição ocorreu inicialmente no Centro Niemeyer de Avilés - centro cultural espanhol projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que possui relações íntimas com o Brasil - em 2022, e foi transferida para o Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP) em março de 2023, por seu sucesso. Ela tem ênfase nas obras trazidas às bienais paulistanas que ocorreram durante a época da ditadura fascista de Francisco Franco (1939-1976), que assumiu o poder depois da Guerra Civil Espanhola. 

 

Arte como diplomacia

Organizada pela curadora Profa. Genoveva Tusell, a mostra tem a principal finalidade de exibir como a Espanha utilizava a arte para construir sua imagem internacional. A primeira participação espanhola na Bienal de São Paulo, em 1953, ocorreu durante a ditadura, tal como a maioria das participações. Isso significa que as artes expostas nas bienais foram escolhidas pelo Ministério de Assuntos do Exterior, a fim de passar uma imagem positiva do país, apesar de estarem em um regime autoritário. “A Espanha esteve presente em todas as Bienais de São Paulo desde o começo, exceto na primeira edição, em 1951, já que participaram da I Bienal Hispanoamericana de Arte” diz Genoveva.  

Ao longo dos anos sob a tirania governamental, os artistas começaram a ousar nos assuntos ilustrados nas obras que eram escolhidas para serem apresentadas internacionalmente, como forma de manifestação. “Até que ponto o governo não percebe que são manifestações", diz a Profa. Tusell, dando como exemplo a obra “Personagem com medo”, por Juan Genovés, presente na Bienal de 65. 

Na exposição no Brasil é possível ver algumas obras com essa ousadia, tais como “Pies vendados”, de Darío Villalba e “El Emigrante Muerto”, de Cristóbal Toral. Elas foram trazidas para as XII e XIII Bienais de São Paulo, respectivamente, sendo escolhidas pelo governo, mesmo sendo manifestações contrárias ao ditador Franco.

“Pies vendados” de Darío Villalba. Imagem: Giovanna Takamatsu
“Pies vendados” de Darío Villalba. Imagem: Giovanna Takamatsu.

 

Prestígio espanhol

A participação espanhola na Bienal de São Paulo trouxe prestígio e adquiriu prêmios em todas as categorias internacionais. Rafael Canogar, Miguel Ortíz y Berrocal, Cesar Olmos, Joan Vila i Casas são apenas alguns dos nomes dos ganhadores em suas respectivas categorias. A Espanha alcançou a maior gratificação da Bienal, o Grande Prêmio do Itamarati, com a obra “Os Revolucionários”, de Canogar, na XI Bienal de São Paulo, em 1971. Conquistou também o Grande Prêmio de Honra, com a escultura de Miguel Barrocal “Romeo y Julieta”.

O sucesso espanhol nas bienais também motivou Genoveva a realizar essa exposição, o que talvez seja um fato que poucos brasileiros conhecem.

“El Emigrante Muerto” de Cristóbal Toral. Imagem: Giovanna Takamatsu
“El Emigrante Muerto” de Cristóbal Toral. Imagem: Giovanna Takamatsu

 

O público brasileiro e as obras

Os brasileiros podem relacionar sua história com o que é representado nas obras. Os temas presentes em várias peças são manifestações contra a ditadura, que, em certos anos, estava presente tanto na Espanha, como no Brasil. “O público brasileiro entende as obras espanholas, porque o que estava acontecendo na Espanha também estava acontecendo no Brasil” diz a curadora.  

Durante os anos da ditadura militar brasileira, foram trazidas diversas obras com as quais os brasileiros podiam se relacionar, e podem até hoje. Um exemplo é, novamente, “Os Revolucionários”, de Canogar, aquisição do MAC-USP, que ilustra algo que ocorreu aqui, a resistência do povo contra o autoritarismo e o desejo de mudança.   

Genoveva diz também que a exposição é uma forma dos brasileiros apreciarem mais as coletâneas de arte brasileiras. O MAC-USP possui em seu acervo várias obras espanholas, que nunca tinham sido expostas na Espanha. Esse fato foi outra motivação para montar essa exibição, para que os espanhóis vejam pela primeira vez algumas peças.

“Os Revolucionários” por Rafael Canogar. Imagem: Giovanna Takamatsu
“Os Revolucionários” por Rafael Canogar. Imagem: Giovanna Takamatsu

 

A volta ao avesso do avesso

            Essa frase foi escolhida como título da exposição em referência às obras mais novas, feitas após o término da ditadura. Os artistas começaram a produzir peças refletindo a história espanhola e as atrocidades que ocorreram durante o autoritarismo, realizando críticas através da arte. O exemplo que a Profa. Tusell traz é a sequência de fotos denominada “Gato rico muere de ataque del corazón em Chicago” por Fernando Sánchez Castillo. “Os artistas começaram a voltar no passado, repensando a sua história, assim fizeram uma volta ao reverso do reverso” diz Genoveva.

            As obras mais recentes não foram exibidas aqui no Brasil, mas a menção é importante para o entendimento total do que foi o regime franquista e como o povo espanhol reage até hoje a essa barbárie.  

A visitação está aberta até 4 de junho, no MAC-USP. A entrada é gratuita, e o museu funciona de terças a domingos, das 10 às 21 horas. O endereço é Av. Pedro Álvares Cabral, 1301, Vila Mariana, São Paulo.

 

 

Tags:
Foi dada a largada para a nova série da gigante dos streamings.
por
Maria Fernanda Muller
|
21/03/2023 - 12h


A mais nova ficção sobre o tricampeão da Fórmula 1, “Senna” será protagonizada por Gabriel Leone anunciado hoje (21) através do Instagram da Netflix Brasil, no mesmo dia em que nosso herói nacional completaria 63 anos.

Gabriel é um ator conhecido por ter atuado em grandes novelas e minisséries da Rede Globo, como “Velho Chico” e “Os Dias Eram Assim”. Seus dois trabalhos mais famosos recentemente são “Eduardo e Mônica”, onde interpreta o Eduardo, e “Dom”, série da plataforma Prime Video em que interpreta Pedro Dom.

Agora, aos 29 anos, vai levar às telas mais um protagonista marcante. “Contar essa história para milhões de pessoas, de vários países, com a Netflix é uma grande responsabilidade e será, sem dúvida, um dos maiores desafios da minha carreira até então”, confessa o ator.

Apesar da pressão dada a Gabriel, a família do ídolo das corridas e o diretor da minissérie Vicente Amorim acreditam ter feito a escolha certa: “Gabriel Leone tem o carisma, a intensidade e a doçura de Senna", diz Vicente. “Ficamos emocionados com o teste dele, em como ele trouxe vida para Ayrton”, completa. Viviane Senna, irmã do corredor, também opina: “Ele tem muito potencial para transmitir com fidelidade a personalidade única de Ayrton”.
A Fórmula 1 além do esporte

A hashtag levantada para divulgar a ficção é "#SennaSempre" e os fãs já a usam para expressar seu apoio à produção, que só será lançada em 2024.

“Senna” não é a primeira produção sobre Fórmula 1 e nem sobre Ayrton Senna. Relembre “Ayrton Senna, O Musical”, que estreou em novembro de 2017 no Rio de Janeiro e conta a história do corredor por meio de um espetáculo cheio de luzes e músicas especialmente feitas para as apresentações.

E a Netflix já tem algumas produções famosas focadas no esporte, dentre elas três ganham destaque, sendo “Schumacher”, que relata a história na visão profissional de um dos maiores campeões, o alemão Michael Schumacher, “Fangio: O Rei das Pistas”, sobre o legado de Juan Manuel Fangio, campeão de cinco temporadas seguidas, e o mais conhecido entre os fãs do esporte, "Drive To Survive”, que já conta com 5 temporadas e retrata os bastidores das corridas, a nova era dos carros e de seus corredores.
Quem foi Ayrton Senna?

Nascido em São Paulo, o ídolo automobilístico iniciou seus treinos aos 7 anos de idade no kartódromo de Interlagos. Conquistou vários títulos correndo no Kart, como campeão na categoria júnior, no nacional e no sul-americano. Em 1981, entrou para a equipe Fórmula Ford e no mesmo ano obteve 12 vitórias de 20 corridas realizadas. Em 1982, já havia quebrado grandes recordes em campeonatos na Europa. No ano seguinte, já na F3, quebrou o recorde mundial com nove vitórias consecutivas.

Senna foi crescendo até chegar na F1 e, em 1988, ganhou o pódio de campeão pela primeira vez na categoria. Em 1990, tornou-se bicampeão, e o tricampeonato não tardou a chegar, veio no ano seguinte. Até recebermos a notícia que ninguém queria ouvir.

Em 1 de maio de 1994, o mundo parou ao ver o corredor chocar seu carro a 300 km/h contra o muro de proteção no circuito de Ímola, na Itália. Ayrton Senna deixou seu legado e inspira gerações de corredores até hoje, como o heptacampeão Lewis Hamilton. Será um eterno ídolo para o Brasil e para os fãs de automobilismo no mundo.

Tags:
Série de shows convida o espectador a uma experiência multissensorial. Músicas, hologramas e pulseiras luminosas destacam sustentabilidade, amor e união.
por
Ana Julia Bertolaccini
Beatriz Brascioli
Fernanda Travaglini
|
20/03/2023 - 12h

 

Imagem: Fernanda Travalini
Imagem: Fernanda Travaglini

    A banda britânica Coldplay, que está em passagem pelo Brasil com a turnê Music of the Spheres, se apresentou em São Paulo, no Estádio do Morumbi, nos dias 10, 11, 13, 14, 17 e 18 de março. O repertório engloba sucessos consagrados pelo público como “Viva la Vida”, “ The Scientist”, “Yellow” e “Paradise”. Além destes, os artistas farão mais 5 shows no país, ainda em março, sendo dois em Curitiba, no Estádio Couto Pereira (dias 21 e 22) e dois no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos Engenhão (dias 25, 26 e 28).

    As expectativas para a turnê em São Paulo eram altas depois da repercussão positiva de sua apresentação no Rock in Rio 2022. Como esperado, a estrutura do evento contou com um formato único que incluiu: três palcos decorados com esferas que simulavam planetas, grandes telões circulares, hologramas, show de luzes e fogos de artifício, além, das tradicionais pulseiras distribuídas ao público que emitem luzes coloridas durante o espetáculo.

    As performances também contaram com convidados nacionais, como Seu Jorge e Sandy, incentivo às práticas de sustentabilidade e uma filosofia de amor de união. Sentimento demonstrado por frases de agradecimento em português como em: “Obrigado pelo esforço de estar aqui hoje, mesmo com a chuva, o trânsito e todos os problemas. Gratidão!”.

Uma plateia cheia de estrelas

Imagem: Fernanda Travalini
Imagem: Beatriz Brascioli


    Jogos de luzes, arranjos musicais, hologramas e fogos de artifício compõem a cena que o espectador encontra em Music of the Spheres (Música das Esferas), nome do nono álbum da banda que intitula a turnê. O espetáculo se inicia com um recorte da música "Flying Theme" (John Williams), do clássico "E.T" (1982), aclamado pela crítica e pelo público na década de 1980. Em entrevista à Agemt, Beatriz Miranda, 24, designer gráfica, relata que a escolha "foi linda, combinou com a entrada deles e fiquei emocionada". 

    Os fãs da banda tiveram uma experiência  espetacular composta por elementos de iluminação e som: "(...) as pessoas de fora ficaram chocadas com a grandiosidade. Muitas questionaram o lugar que eu fiquei [arquibancada], por ser distante do palco. Porém, eu escolhi estar naquele lugar. Queria ver tudo: fogos, multidão cantando e pulando, pulseiras – que não são só para a beleza e têm um propósito na composição do show. A banda pensa em cada detalhe, para os fãs e o planeta. As crenças pessoais dos integrantes [Chris Martin, Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion] são trazidas para suas músicas e show", comenta Beatriz. 

    As pulseiras mencionadas pela entrevistada são conhecidas como "Xylobands" e controladas por meio de radiofrequência. Mudam de cor de modo sincronizado e foram idealizadas por um fã, Jason Regler, após uma performance da música "Fix You" em 2005, na Inglaterra. Ele conta que passava por um momento difícil e os versos "lights will guide you home" (as luzes te guiarão para casa, tradução livre), despertaram a ideia de pulseiras luminosas. Hoje, elas integram as performances do Coldplay e têm um papel fundamental na composição das imagens do show: criam uma plateia que ativamente faz parte da experiência das apresentações. 
Outros meios utilizados para criação de deslumbre visual são os fogos de artifício e hologramas que imitam o céu e emocionam a multidão. Balões gigantes também foram distribuídos pela pista, criando uma ilusão de ótica que fizeram com que o ambiente parecesse um verdadeiro sistema solar – com planetas suspensos, numa atmosfera sem gravidade. 

Simpatia, amor e união


    Beatriz conta que as músicas da banda fazem parte de seu dia-a-dia, "eu pulo com eles, choro com eles". A designer relata que além de grandes artistas, são pessoas incríveis: "fui ao show do sábado. Quando li que o show da sexta tinha sido atrasado pela banda para que todos pudessem entrar, isso me tocou: não somos apenas um número". 

    Ao longo de toda performance, na voz de Chris Martin, a banda demonstra prezar pela experiência de seus fãs e pela construção de uma mensagem de união, amor, carinho e fé. No sábado (11), durante a cobertura da Agemt, o vocalista solicitou aos localizados na pista que olhassem para a arquibancada e cantassem juntos. Pediu que erguessem os braços e enviassem amor aos seus – em cena acompanhada pela soltura de fogos de artifício no céu. Letreiros nos telões também espalharam mensagens afetuosas como "I believe in love" (eu acredito no amor) ou "if you want peace, be peace" (se você quer paz, seja paz), entre outras. 

Imagens: Beatriz Brascioli
Imagens: Beatriz Brascioli


Valorização da música e língua nacional


    Durante a temporada de shows em São Paulo, o grupo abriu espaço para a apresentação de artistas nacionais. Vozes como de Seu Jorge, Sandy e a bateria de direito da USP surpreendem e emocionam fãs: "ficamos sempre na expectativa do que eles vão fazer de diferente (...)", relata Beatriz, "no Rock in Rio (2022) apresentaram "Magic" em português, na Argentina uma versão em espanhol (...) e, aqui, convidaram Seu Jorge e Sandy, e ainda cantaram uma música deles! Ver a galera toda cantando, a gente sabe a força que tem. Ainda mais o Seu Jorge, por causa da sua história de vida [trabalho infantil, situação de rua, ataques racistas no Rio Grande do Sul]. São estilos completamente diferentes, a galera levantou e ver o Morumbi inteiro cantando foi incrível".

    No show da segunda-feira (13), Giulia Ayres (16), teve seu pedido concedido pelo vocalista Chris Martin. A jovem escreveu em um cartaz "Can I play Daddy with you? It 's my dream", em português: "Posso tocar Daddy com você? É o meu sonho". A música tem um papel importante na vida da fã, uma vez que fala sobre a relação entre pais e filhos. Giulia perdeu seu pai para COVID-19 em 2021. 


"Não há planeta B": ações da banda em prol da sustentabilidade e causas sociais

    Antes do início do show no último dia 11, três estudantes entram no palco e anunciam o vídeo que demonstra as ações da banda em favor do combate às mazelas ambientais. Entre elas: ajuda ativa a diversas ONGs [Organizações Não Governamentais] e reversão de parte do valor dos ingressos a causas relacionadas à preservação de biomas e espécies.  

Confira a seguir algumas instituições beneficiadas: 

1. The Ocean Cleanup
    Objetiva desenvolver tecnologia para extrair plásticos e limpar oceanos;   
2. One Tree Planted
    Busca reflorestar e criar novos habitat para a biodiversidade; 
3. The Food Forest Project
    Trabalha por mudanças sociais e ambientais de impacto no âmbito rural. 

    A lista conta com mais de dez organizações (ClientEarth, Global Citizen, Cleaners Seas Group, ClimeWorks, Farm Under the Radar, Global Tech Advocates, Project Seagrass, Sea Shepherd, Seafields, The Conservation Collective, The Devon Environment, Sustainable Food Trust). O público é incentivado pela banda a atuar nas causas da sustentabilidade e preservação do meio ambiente e do planeta, como por exemplo as bicicletas elétricas ou plataformas, na qual as pessoas ficavam pulando, eram usadas para  gerar energia e ser “utilizada” durante o show. Para ajudar às ONGs, basta entrar no site para fazer doações ou se voluntariar. 

    As ações também se estendem ao âmbito social. Nesta última quarta-feira (15), a Global Love Button, organização que acompanha a banda, fez um convite para o SP Invisível para chamar pessoas em situação de rua a assistir um show do Coldplay no estádio do Morumbi, sem custos, em ação que busca viabilizar o acesso à cultura. A SP Invisível tem a intenção de dar visibilidade aos moradores de rua da cidade e suas trajetórias.   

"The adventure of a Lifetime": a aventura de uma vida


    Diante de sensibilidade, consciência, amor e uma verdadeira orquestra sinestésica – composta por sons, luzes e cores – Coldplay consegue construir e oferecer uma experiência excelente de concerto. A entrevistada Beatriz, pontua que "Foi além das expectativas. Todo o caminho, o trajeto, eu lembrava do show e eu já ficava arrepiada. Ficamos 3h na fila, conseguimos entrar, e é toda uma atmosfera diferente, é um sentimento único. Pensava: caraca, eu to realizando meu sonho". Termina, adicionando: "Eu faria tudo, tudo de novo". 

Imagens: Beatriz Brascioli
Imagens: Maria Eduarda Nogueira

 

Tags:
Série conquista o público por ser uma adaptação fiel ao jogo
por
Bruna Alves
Luana Galeno
Maria Eduarda Camargo
|
15/03/2023 - 12h

The Last Of Us, a nova série distópica da HBO Max, está quebrando números de audiência no streaming, ultrapassando inclusive House of the Dragon, e tornando-se a adaptação de jogo para série mais bem avaliada do IMDb (Internet Movie Database), com uma média de 9.4/10.

Baseada no jogo premiado da Naughty Dog com a Playstation, a produção de Neil Druckmann e Craig Mazin conta com 9 episódios que retratam a jornada de Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico.

A trama se passa 20 anos após o colapso da humanidade devido à pandemia de uma variante do fungo Cordyceps. A mutação ataca o cérebro do hospedeiro humano, transformando-o em "Infectado" - um ser ainda vivo mas incapaz de controlar suas ações. Os níveis de infecção se desenvolvem ao longo do tempo após a mordida — ou no caso do jogo, a inalação de esporos.

Infectado na série The last of Us. Fonte: The Enemy
Infectado na série The last of Us. Fonte: The Enemy

Joel, o personagem masculino principal, é um contrabandista que se depara com o roubo de sua carga. Para recuperá-la, ele deveria levar Ellie, a jovem protagonista, para o quartel general dos Vagalumes (grupo paramilitar opositor ao governo). Mais tarde, ele descobre que Ellie é imune ao vírus, revelando o interesse dos Vagalumes por ela. Com esta missão, um homem sem esperanças e uma criança provocadora encaram barreiras que vinte anos de caos trouxeram.

O Jogo

In game shot. Fonte: Playstation
In game shot. Fonte: Playstation

O jogo – lançado em 2013 para o Playstation 3 e remasterizado em 2014 – começou sua produção em 2009, depois do último sucesso da empresa Naughty Dog com Uncharted 2, e desde então revolucionou a indústria de jogos. Com inovação na criação do enredo, grande desenvolvimento de trilha sonora e protagonismo feminino, o jogo ganhou 196 prêmios de mídia especializada, incluindo 3 BAFTAs (British Academy of Film and Television Arts).

A trilogia, que conta também com The Last Of Us: Parte II, lançada em 2020, segue sendo a mais premiada no universo dos games. O jogo abriu um caminho carregado de dramaturgia em um mundo antes populado somente por cenas de ação e personagens rasos. A utilização de cut scenes mais longas e a manipulação da jogabilidade dos personagens – junto de artifícios novos para a época, como finitude de recursos e exploração de histórias laterais – foi o que trouxe a beleza do cinema para o universo dos consoles. 

Outro ponto importante do jogo é a trilha sonora original – criada pelo argentino Gustavo Santaolalla e que ganhou o prêmio BAFTA – contando com composições mais naturais nas cenas de ação, que conquistou os jogadores e os críticos especializados na área. Gustavo também foi o criador da trilha sonora da série.

A Série

Fonte: The Last of Us - HBO Max
Fonte: The Last of Us - HBO Max

O aspecto de ação é mais presente no começo, com as primeiras aparições dos Infectados, e vai diminuindo gradativamente no decorrer da história. Apesar disso, a série ilustra todos os tipos de infectados presentes no primeiro jogo: Corredores, Espreitadores, Estaladores e Baiacus.

Cena do Baiacu em The Last of Us. Fonte: Rolling Stone
Cena do Baiacu em The Last of Us. Fonte: Rolling Stone

A obra segue uma linha narrativa mais dramática, focando nas frágeis relações dos personagens, tanto de Ellie e Joel, quanto deles com outros personagens. The Last of Us também explora histórias paralelas, como no episódio 3, onde é retratada a vida de Bill e Frank, meros coadjuvantes no jogo, que proporcionaram na obra da HBO uma nova perspectiva sobre o amor em um mundo apocalíptico.

Sobre os personagens principais, é possível entender as multifacetas que representam tanto Joel quanto Ellie. Ele perde sua filha, Sarah, no início do surto pandêmico — vinte anos antes da trama —, o que torna perceptível a barreira entre ele e Ellie desde o primeiro encontro dos dois. Porém, com o passar dos episódios, nota-se a aproximação entre eles e o desenvolvimento de uma relação afetuosa de “pai e filha” que Joel acreditava ter perdido. Este vínculo vai se intensificando a cada novo desafio apresentado e é assertivamente demonstrado pela atuação de Pedro Pascal e Bella Ramsey.

A adaptação também chamou uma atenção detalhista quanto à fidelidade ao jogo. Diversas cenas foram reproduzidas de forma idêntica, fazendo uso dos mesmos diálogos e até o mesmo enquadramento. Grande parte disso se deve ao fato da equipe produtora do jogo — especialmente Druckmann e Mazin — estarem envolvidos na produção da série.

Apesar disso, houveram críticas por parte dos fãs do jogo em relação a pouca exploração dos Infectados, como as frequentes "hordas de zumbis”. Porém, havia, por parte dos diretores, a preocupação em não ser repetitivo e a necessidade de adaptação para televisão.

Opinião

Comparação entre cena no jogo e na série. Fonte Imagem 1: Wikihow | Imagem 2: The Last of Us - HBO Max
Comparação entre cena no jogo e na série. Fonte Imagem 1: Wikihow | Imagem 2: The Last of Us - HBO Max

A ausência da já conhecida e cansativa “horda de zumbis” e de um Joel “à prova de balas” cria uma atmosfera muito mais crível e dramática na obra. Tudo isso é combinado ao talento de Bella Ramsey, que tira completamente a Ellie de um papel passivo e prepara o espectador para o que está por vir. A criação de uma atmosfera de suspense e um novo take no estilo zumbi são os pontos essenciais para a fórmula de sucesso da série.

Outro ponto importante de The Last of Us é o jeito como Druckmann explora as diversas facetas de um mesmo personagem. Nenhum daqueles que se opõem aos personagens principais é inerentemente mau, mas sim só um ser humano lutando por sua sobrevivência e pela vida daqueles que ama. Tanto a série como o jogo se aprofundam na característica mais humana de todas: a busca por um motivo para sobreviver. A inevitabilidade da missão é a beleza da dramaturgia de Druckmann – e da HBO.

Filme sobre multiverso conquistou o público, as críticas e as premiações da temporada 2023
por
Bianca Novais
|
15/03/2023 - 12h

Dirigido pela dupla The Daniels (Daniel Kwan e Daniel Scheinert), o longa-metragem Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo venceu o troféu de Melhor Filme do Ano na 95ª edição dos Oscars. Além de levar a estatueta mais importante para casa, outras seis entraram na conta, sagrando o filme como o maior campeão da noite. 
 

Elenco de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo com suas sete estatuetas. Imagem: Gilbert Flores/Getty Images.
Elenco de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo com suas sete estatuetas. Imagem: Gilbert Flores/Getty Images.

 

A cerimônia voltou a apresentar todos os prêmios durante a transmissão neste ano. Em 2022, oito categorias foram gravadas previamente e exibidas durante o programa ao vivo, em uma tentativa de encurtar o evento e combater a queda de audiência. Jimmy Kimmel, 55, comediante e apresentador do programa de entrevistas Jimmy Kimmel Live!, foi o anfitrião pela terceira vez e iniciou a noite comentando como os fãs queriam o formato tradicional de volta.

Conhecido por suas piadas desconfortáveis, Kimmel não perdeu tempo e ainda no discurso de abertura brincou com o episódio do tapa de Will Smith em Chris Rock, na edição anterior. 

O anfitrião do 95o Oscars, Jimmy Kimmel. Imagem: Kevin Winter/Getty Images.
O anfitrião do 95o Oscars, Jimmy Kimmel. Imagem: Kevin Winter/Getty Images.

 

A falta de mulheres indicadas para Melhor Direção também entrou nas considerações iniciais de Kimmel como uma alfinetada na Academia de Cinema, e deu destaque para dois filmes esnobados cujas narrativas baseadas em fatos reais são focadas em mulheres negras: Till, sobre a luta de uma mãe para levar justiça aos assassinos de seu filho adolescente, e A Mulher Rei, estrelado por Viola Davis, conta a história de um exército africano feminino que lutou contra traficantes de pessoas no século XVIII.

A entrega das estatuetas começou por Animação em Longa-Metragem,o vencedor foi Pinóquio de Guillermo del Toro, desbancando O Gato de Botas 2: O Último Pedido, sucesso de bilheteria, e Red: Crescer É Uma Fera, da Pixar, estúdio recorrente na lista de indicados há mais de 30 anos.

Em Atuação Coadjuvante, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo fez dobradinha com Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan. O ator vietnamita-americano de 51 anos se emocionou durante o discurso de agradecimento, citando sua origem como refugiado e sua mãe: "Mãe, eu ganhei um Oscar!". 

Quan iniciou a carreira em 1984, interpretando o garoto Short Round em Indiana Jones e o Templo da Perdição, escudeiro do personagem de Harrison Ford, que lhe entregou a estatueta. Em 1985, participou do sucesso Os Goonies como Data Wang, ao lado de Jeff Cohen, quem também foi agradecido no discurso. Seguiu como dublê a partir de 2002 e, vinte anos depois, seu retorno triunfante às telas foi autointitulado de "sonho americano".

Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan venceram a categoria de Atuação Coadjuvante. Imagem: AFP.
Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan venceram a categoria de Atuação Coadjuvante. Imagem: AFP.

 

As estrelas de Creed III, Michael B. Jordan e Jonathan Majors fizeram questão de reconhecer Angela Bassett antes de apresentar a categoria de Melhor Fotografia. Bassett estava concorrendo a uma estatueta pela segunda vez, como Atriz Coadjuvante, pelo papel de Ramona em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, onde atuou com B. Jordan. Sua indicação de estreia foi em 1994, como Atriz Principal pela adaptação Tina: A Verdadeira História de Tina Turner (1993), porém, ainda não conquistou seu prêmio.

A Marvel não saiu de mão abanando este ano. Ruth E. Carter recebeu o prêmio de Melhor Figurinista, se tornando a única mulher negra a possuir duas estatuetas em casa. A primeira foi em 2019, também pela franquia Pantera Negra. Durante seu discurso, Carter dedicou o prêmio à sua mãe, que falecera na semana anterior, e pediu que Chadwick Boseman cuidasse dela.

Jamie Lee Curtis e Ke Huy Quan venceram a categoria de Atuação Coadjuvante. Imagem: AFP.
Ruth E. Carter, única mulher negra a conquistar dois Oscars. Imagem: Gilbert Flores/Getty Images.


Boseman foi celebrado novamente na premiação por Danai Gurira, elenco da mesma franquia. A música Lift Me Up, interpretada por Rihanna e indicada a Melhor Canção Original, foi escrita em homenagem ao ator, que faleceu de câncer em 2020.

O evento contou com a performance de outra grande estrela pop, concorrendo com Lift Me Up. Lady Gaga, em estilo Acústico MTV: Cássia Eller – jeans, camiseta, all-star e banda –, apresentou Hold My Hand, trilha sonora de Top Gun: Maverick. Mesmo com artistas famosas na disputa, a música Naatu Naatu, do filme indiano RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, desbancou as favoritas e levou o prêmio de Melhor Canção Original. 

O cinema indiano conquistou outra estatueta na noite. O Melhor Documentário em Curta-Metragem foi atribuído a Como Cuidar de Um Bebê Elefante, das cineastas Kartiki Gonsalves e Guneet Monga.

Já o cinema argentino não pode dizer o mesmo. O filme sobre o julgamento dos militares da ditadura, Argentina, 1985, perdeu o título de Melhor Filme Internacional para Nada de Novo no Front, produção alemã da Netflix. O longa-metragem sobre a Primeira Guerra Mundial conquistou quatro prêmios no total, com destaque para Melhor Fotografia.

Kartiki Gonsalves e Guneet Monga. Imagem: Reuters.
Kartiki Gonsalves e Guneet Monga. Imagem: Reuters.

 

A homenagem póstuma In Memoriam foi apresentada por John Travolta, que não conseguiu esconder a emoção ao citar sua coprotagonista de Grease: Nos Tempos da Brilhantina, Olivia Newton-John. Lenny Kravitz cantou Calling All Angels enquanto outros membros da indústria do cinema que faleceram em 2022 eram lembrados. 

Além de Newton-John, Jean-Luc Godard (O Demônio das Onze Horas), James Caan (O Poderoso Chefão), Robbie Coltrane (saga Harry Potter) foram citados. Apesar disso, a atriz do concorrente a melhor filme Triângulo da Tristeza, Charlbi Dean, que faleceu aos 32 anos em agosto, não foi mencionada.

Charlbi Dean, Yaya de Triângulo da Tristeza,  no Festival de Cannes. Imagem: Getty Images.
Charlbi Dean, a Yaya de Triângulo da Tristeza, no Festival de Cannes. Imagem: Getty Images.


O final do evento consagrou Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo como o maior vencedor da 95a edição. Melhor Roteiro Original e Melhor Direção para The Daniels, Melhor Atriz para Michelle Yeoh e Melhor Filme. O único prêmio principal que não levaram foi de Melhor Ator, pois não estavam concorrendo.

Este ficou para Brendan Fraser, outro ator retomando carreira, por sua atuação comovente no filme A Baleia. Com esta vitória, a produtora A24 se tornou a primeira a vencer todas as categorias principais do Oscar (Atuações, Roteiro, Direção e Filme).

Ao longo da premiação, a tradição de os vencedores do ano anterior passarem adiante seus respectivos títulos se manteve até a categoria de Atuação Principal. Halle Berry substituiu Will Smith, Melhor Ator de 2022 por King Richard, que foi banido de eventos da Academia por 10 anos depois do incidente.

Esta adaptação, porém, propiciou o momento histórico em que Berry entregou a estatueta de Melhor Atriz para Michelle Yeoh, 60, a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio. As duas são as únicas mulheres não-brancas a receber o título.

Halle Berry entrega a estatueta de Melhor Atriz para Michelle Yeoh. Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP.
Halle Berry entrega a estatueta de Melhor Atriz para Michelle Yeoh. Imagem: Chris Pizzello/Invision/AP.

 

Aos 64 anos, Angela Bassett é a primeira pessoa indicada a um Oscar de atuação por filme da Marvel. Jamie Lee Curtis tem a mesma idade e venceu o prêmio a qual ambas estavam concorrendo, sendo o primeiro Oscar de sua carreira. Com 91 anos, John Williams é a pessoa mais velha a ser nomeada a um prêmio do Oscar, na categoria de Melhor Trilha Sonora por seu trabalho em Os Fabelmans. Cate Blanchett, aos 53, foi indicada ao Oscar pela oitava vez e Bill Nighy, 73, foi indicado pela primeira.

É preciso destacar como a Academia, sempre envolvida em controvérsias sobre diversidade, neste ano parece ter reconhecido o trabalho e a arte desenvolvidos por pessoas mais velhas. Valorizar a qualidade que apenas a maturidade pode fornecer vai em um caminho contrário à lógica da busca eterna pela juventude, reforçado por outras indústrias, mas principalmente pela cinematográfica, em especial para mulheres.

Ainda que seja inevitável em 2023 sentir falta de diversidade étnica e de gênero nas telas, ver pessoas com mais de quarenta, cinquenta, sessenta e tantos anos sendo vitoriosas por suas produções foi o que acabou dando um refresco, um clima de inovação na cerimônia nonagenária.

Tags: