Do pastelzinho com caldo de cana à hora da xepa, as feiras livres fazem parte do cotidiano paulista de domingo a domingo.
por
Manuela Dias
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29/11/2025 - 12h

Por décadas, São Paulo acorda cedo ao som de barracas sendo montadas, caminhões descarregando frutas e vendedores afinando o gogó para anunciar promoções. De norte a sul, as feiras livres desenham um dos cenários mais afetivos da vida paulistana. Não é apenas o lugar onde se compra comida fresca: é onde se conversa, se briga pelo preço, se prova um pedacinho de melancia e se encontra o vizinho que você só vê ali, entre uma dúzia de banana e um pé de alface.

Juca Alves, de 40 anos, conta que vende frutas há 28 anos na zona norte de São Paulo e brinca que o relógio dele funciona diferente. “Minha rotina é a mesma todos os dias. Meu dia começa quando a cidade ainda está dormindo. Se eu bobear, o morango acorda antes de mim”.

Nas bancas de comida, o pastel é rei. “Se não tiver barulho de óleo estalando e alguém gritando não tem graça”, afirma dona Sônia, pasteleira há 19 anos junto com o marido e filhos. “Minha família cresceu ao redor de panelas de óleo e montes de pastéis. E eu fico muito realizada com isso.  

Quando o relógio se aproxima do meio dia, começa o momento mais esperado por parte do público: a famosa xepa. É quando o preço cai e a disputa aumenta. Em uma cidade acelerada como São Paulo, a feira livre funciona como uma pausa afetiva, um lembrete de que existe vida fora do concreto. E enquanto houver paulistanos dispostos a acordar cedo por um pastel quentinho e uma conversa boa, as feiras continuarão firmes, coloridas, barulhentas e deliciosamente caóticas.

Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia.
Os cartazes com preços vão mudando conforme o dia. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas.
Vermelha, doce e gigante: a melancia é o coração das bancas nas feiras paulistanas. Foto: Manuela Dias/AGEMT
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo.
A dupla que move a feira da Zona Norte de São Paulo. Foto: Manuela Dias/AGEMT
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores.
Entre frutas e verduras um respiro delicado: o corredor das flores. Foto: Manuela Dias/AGEMT

 

Apresentação exclusiva acontece no dia 7 de setembro, no Palco Mundo
por
Jalile Elias
Lais Romagnoli
Marcela Rocha
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26/11/2025 - 12h

Elton John está de volta ao Brasil em uma única apresentação que promete marcar a edição de 2026 do Rock in Rio. O festival confirmou o britânico como atração principal do dia 7 de setembro, abrindo a divulgação do line-up com um dos nomes mais celebrados da música mundial.

A presença de Elton carrega um peso especial. Em 2023, o artista anunciou que deixaria as grandes turnês para ficar mais perto da família. Por isso, sua performance no Rock in Rio será a única na América Latina, transformando o show em um momento raro para os fãs de todo o continente.

Em um vídeo publicado na terça-feira (25) nas redes sociais, Elton John revelou o motivo para ter aceitado o convite de realizar o show em solo brasileiro. “A razão é que eu não vim ao Rio na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’, e eu senti que decepcionei muitos dos meus fãs brasileiros. Então, eu quero compensar isso”, explicou o britânico.

No mesmo dia de festival, outro grande nome da música sobe ao Palco Mundo: Gilberto Gil. Em clima de despedida com a turnê Tempo-Rei, que termina em março de 2026, o encontro dos dois artistas lendários torna a programação do festival ainda mais especial. 

Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Reprodução / Facebook Gilberto Gil)
Gilberto Gil se apresentará no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Além das atrações, o Rock in Rio prepara mudanças importantes na Cidade do Rock. O Palco Mundo, símbolo do festival, será completamente revestido de painéis de LED, somando 2.400 metros quadrados de tecnologia. A ideia é ampliar a imersão visual e criar novas possibilidades para os artistas.

A próxima edição também terá uma homenagem especial à Bossa Nova e um benefício pensado diretamente para o público, em que cada visitante poderá receber até 100% do valor do ingresso de volta em bônus, podendo ser usado em hotéis, gastronomia e experiências turísticas durante a estadia na cidade.

O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A venda geral dos ingressos começa em 9 de dezembro, às 19h, enquanto membros do Rock in Rio Club terão acesso à pré-venda a partir do dia 4, no mesmo horário.

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A socialite continuou tendo sua moral julgada no tribunal, mesmo após ter sido assassinada pelo companheiro
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Lais Romagnoli
Marcela Rocha
Jalile Elias
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26/11/2025 - 12h
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz em nova série. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

Figurinha carimbada nas colunas sociais da época, Ângela Diniz virou capa das manchetes policiais após ser morta a tiros pelo então namorado, Doca Street. O feminicídio que marcou o país na década de 1970 ganha agora um novo olhar na série da HBO Ângela Diniz: Assassinada e Condenada.

Na produção, Marjorie Estiano interpreta a protagonista, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. O elenco ainda conta com Thelmo Fernandes, Maria Volpe, Renata Gaspar, Yara de Novaes e Tóia Ferraz.

Sob direção de Andrucha Waddington, a série se inspira no podcast A Praia dos Ossos, de Branca Viana. A obra, que leva o nome da praia onde o crime ocorreu, reconstrói não apenas o caso, mas também o apagamento em torno da própria vítima. Depoimentos de amigas de Ângela, silenciadas à época, servem como ponto de partida para revelar quem ela realmente era.

Seja pela beleza ou pela independência, a mineira chamava atenção por onde passava. Já os relatos sobre Doca eram marcados pelo ciúme obsessivo do empresário. O casal passava a véspera da virada de 1977 em Búzios quando, ao tentar pôr fim à relação, Ângela foi assassinada pelo companheiro.

Por dias, o criminoso permaneceu foragido, até que sua primeira aparição foi numa entrevista à televisão; logo depois, ele se entregou à polícia. Foram necessários mais de dois anos desde o assassinato para que Doca se sentasse no banco dos réus, num julgamento que se tornaria símbolo da luta contra a violência de gênero.

Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, , enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Divulgação
Marjorie Estiano interpreta Ângela Diniz, enquanto Emilio Dantas assume o papel de Doca. Foto: Reprodução/Divulgação HBO Max

As atitudes, roupas e relações de Ângela foram usadas pela defesa como supostas “provocações” que teriam motivado o crime. Foi nesse episódio que Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Aquela moça continua sendo assassinada todos os dias e de diferentes maneiras”.

Os advogados do réu recorreram à tese da “legítima defesa da honra” — proibida somente em 2023 pelo STF — numa tentativa de inocentá-lo. O argumento foi aceito pelo júri, e Doca recebeu pena de apenas dois anos de prisão, sentença que gerou revolta e fortaleceu movimentos feministas da época.

Sob forte pressão popular, um segundo julgamento foi realizado. Nele, Doca foi condenado a 15 anos, dos quais cumpriu cerca de três em regime fechado e dois em semiaberto. Em 2020, ele morreu aos 86 anos, em decorrência de um ataque cardíaco.

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Exposição reúne obras que exploram o inconsciente e a natureza como caminhos simbólicos de cura
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KHADIJAH CALIL
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25/11/2025 - 12h

A Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 a exposição “Bosque Mítico: Katia Canton e a Cura pela Arte”, que reúne um conjunto expressivo de pinturas, desenhos, cerâmicas, tapeçarias e azulejos da artista, sob curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho. A Fundação que sedia a mostra está localizada no imóvel conhecido como Casarão Branco do Boqueirão em Santos, um exemplar da época áurea do café no Brasil. 

Ao revisitar o bosque dos contos de fadas como metáfora de transformação interior, Katia Canton revela o processo criativo como gesto de cura, reconstrução e transcendência.
 

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       “Casinha amarela com laranja” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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                 “Chapeuzinho triste” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                 “O estrangeiro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.         
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                                                            “Menina e pássaro” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                     “Duas casinhas numa ilha” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                             “Os sete gatinhos” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.
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                                                                         “Floresta” de Katia Canton. Foto: Khadijah Calil.

 

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Festival celebra os três anos de existência com homenagem ao pensamento de Frantz Fanon e a imaginação radical da cultura periférica
por
Marcela Rocha
Jalile Elias
Isabelle Maieru
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25/11/2025 - 12h

Reconhecido como um dos principais espaços da cultura periférica em São Paulo, o Museu das Favelas completa três anos de atividades no mês de novembro. Para comemorar, a instituição elaborou uma programação especial gratuita que combina memória, arte periférica e reflexão crítica.

Segundo o governo do Estado, o Museu das Favelas já recebeu mais de 100 mil visitantes desde sua fundação em 2022. Localizado no Pátio do Colégio, a abertura da agenda de aniversário ocorre nesta terça-feira (25) com a mostra “ImaginaÇÃO Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, dedicada ao médico e filósofo político martinicano.

Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fachada do Museu das Favelas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor de “Os condenados da terra” e “Pele negra, máscaras brancas”, Fanon contribuiu para a análise dos efeitos psicológicos do colonialismo, considerando algumas abordagens da psiquiatria e psicologia ineficazes para o tratamento de pessoas racializadas. A exposição em sua homenagem ficará em cartaz até 24 de maio de 2026.

Ainda nos dias 25 e 26 deste mês, o festival oferecerá o ciclo “Papo Reto” com debates entre intelectuais francófonos e brasileiros, em parceria com o Instituto Francês e a Festa Literária das Periferias (Flup). A programação continua no dia 27 com a visita "Abrindo Fluxos da Imaginação Radical”. 

Em 28 de novembro, o projeto “Baile tá On!” promove uma conversa com o artista JXNV$. Já no dia 29, será inaugurada a sala expositiva “Esperançar”, que apresenta arte e tecnologia como forma de mapear territórios periféricos.

O encerramento do festival será no dia 30 de novembro com a programação “Favela é Giro”, que ocupa o Largo Pátio do Colégio com DJs e performances culturais.

 

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Júlia Takahashi
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29/06/2022 - 12h

Por Júlia Takahashi

Entre sorrisos e braços ao redor do mundo, a comunidade LGBTQIA + celebra o mês do orgulho em Junho. Em São Paulo, no domingo, dia 19, a 26° parada reuniu mais de 4 milhões de pessoas, segundo as informações publicadas pelo Observatório do Turismo da Prefeitura de São Paulo e da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, levantando suas bandeiras e resistindo ao preconceito. Essa manifestação é carregada de história e resistência às violências que a sociedade faz contra a comunidade, sendo marco inicial a rebelião de Stonewall.

No ano de 1969, alguns estados norte americanos derrubavam a lei que criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo, porém o estado de Nova York era inflexível a essa decisão. Consequentemente, o preconceito contra homossexuais era visto como normal, e foi no dia 28 de junho daquele ano, que a polícia novaiorquina invadiu um dos bares mais badalados em que a população LGBTQIA + se encontrava, o Stonewall Inn, localizado em Greenwich Village, na época era um dos únicos lugares de aceitação livre à comunidade. A justificativa pela invasão era de “violação do estatuto de vestuário”, uma vez que era exigido por lei que as pessoas usassem pelo menos três “roupas apropriadas para o seu sexo”.

Toda essa violência levou a população a olhar o preconceito existente a essa parte da sociedade com outros olhos, centenas de pessoas passaram a protestar contra a perseguição policial aos homossexuais e lutar a favor dos direitos LGBTQIA +. Desta forma, um ano depois, no dia 27 de junho, ocorreu a primeira parada do orgulho gay, chamada de CSD, Christopher Street Day (Dia da Rua Cristopher) em memória a rua que o bar era localizado. No mesmo ano, ocorreu uma parada com os mesmos princípios em Los Angeles e com o tempo as marchas começaram a se propagar por outras cidades dos Estados Unidos e pelo mundo.

No Brasil, em 1997 ocorreram as primeiras paradas do orgulho, uma na paulista e outra em Copacabana, porém três anos depois o evento em São Paulo crescia gradativamente e atraiu muitos participantes ao redor do país. No mesmo ano, foi criada a Associação da Parada do Orgulho GLBT, que hoje recebe o nome de Associação da Parada do Orgulho LGBT, o qual é responsável por administrar o evento. O escritor e militante João Silvério Trevisan, em um artigo publicado na revista Sui Generis, comenta sobre a parada de 1999 no Brasil, destacando o apoio que o evento teve explicitamente de empresas e marcas.

“Numa Cultura onde tudo passa pela estatística, reunir 20 mil pessoas é uma façanha respeitável. E aí está o grande sentido político da parada: a afirmação de que existimos, gostem ou não somos milagres. Vencemos o nosso pior inimigo, a invisibilidade, e afirmamos nossa existência (...) Políticos conservadores, religiosos fundamentalista e homofóbicos em geral, que insultavam gente anônima, agora terão que se defrontar com uma multidão de homossexuais com rosto e identidade”.

Em 2019, o Supremo Tribunal Federal - STF decidiu criminalizar a homofobia e a transfobia, enquadrando-as como crime de racismo no Brasil. A descrição sobre racismo no país deve ser entendida como uma construção histórica, da qual procura justiça devido às situações de desigualdade, dominação política e subjugação social dos grupos mais vulneráveis e que a LGBTfobia se encaixa nessa declaração. Essa decisão é uma reivindicação histórica ao movimento, principalmente durante o governo de Jair Bolsonaro que criticou a ação e, ao longo da sua vida política, inviabilizou e menosprezou a comunidade LGBTQIA +.

A realização da parada e a construção de espaços da comunidade é resistir a esse preconceito histórico e lutar pela própria existência. A advogada, militante lésbica e cofundadora da Rede Feminista de Juristas, Marina Ganzarolli, comenta para o Jornal Nexo que mesmo a parada ser “despolitizada, comercial, turística, gay, masculina, cis e branca”, ela tem sua importância de visibilidade, destacando que são nesses eventos de diversão, que é lembrado a existentência da comunidade LGBTQIA+ e da suas lutas pelos direitos reconhecidos, como de todos na sociedade, “são espaços de ação e organização política”.

 

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O penteado, apesar de ancestral, carrega até hoje a resistência como um de seus maiores atributos
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Aline Freitas
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28/06/2022 - 12h

Por Aline Almeida de Freitas

A cultura de origem africana tem como uma das suas características principais servir como forma de resistência. As tranças, tão presentes nessa cultura, não são exceção. Na época da escravidão, esses penteados ancestrais serviam para esconder grãos e até mesmo traçar mapas de fuga para os escravizados. No presente, continuam com esse aspecto, como afirma o professor de história contemporânea da PUC-SP, Amailton Azevedo. “As tranças funcionam como forma de resistência atualmente pois estabelecem uma ruptura com os modelos estabelecidos sobre a estética capilar”, explica. 

Tal estética provém de uma cultura majoritariamente branca. Em meio às centenas de imposições, as tranças servem de lembrança da origem e de uma quebra na expectativa do cabelo liso, sem volume e sem frizz. Além de reforçar a identidade e a presença da cultura negra. "Elas fizeram parte do meu processo de reconhecimento como mulher negra, me trouxeram aceitação sobre quem sou", afirma Talita Aia, professora de 22 anos, que já usou o cabelo trançado de diversas maneiras ao longo dos anos. 

Ainda nessa narrativa, com cada vez mais frequência, mulheres negras têm usado o penteado para auxiliar na transição capilar. Que é o período entre a realização da última química no cabelo, como a progressiva, até o crescimento do cabelo natural. "Muitas meninas chegam para fazer as tranças comigo com a autoestima muito abalada. A transição mexe muito com a imagem delas mesmas. Quando eu termino, é nítida a diferença na expressão", conta Milene Santos, trancista de 39 anos. 

Sobre o assunto, Aia comenta, "quando coloquei, me senti muito bem comigo mesma, me senti bonita, me senti potente, me senti eu". Ela relata que não passou pela transição, pois nunca alisou o cabelo. Mas, viu no estilo, uma maneira de aceitar a própria origem. "Sou uma mulher preta de pele clara e demorei para alcançar a aceitação e conseguir me colocar nos espaços dessa forma", diz. "As tranças foram como uma revelação, uma afirmação de quem sou no mundo", complementa. 

Para Santos, além de uma questão de rompimento com os padrões estéticos, serve também como uma forma de resistência financeira. "Perdi o emprego na pandemia, e eu sempre soube trançar. Então, juntei o útil ao agradável e agora é assim que pago as minhas contas", explica. 

Apesar de não utilizar a habilidade como forma de renda, Aia também tem conhecimento de como fazer os penteados. "Eu aprendi a trançar na infância, brincava de trançar meus próprios cabelos, da minha mãe, de amigas. Não lembro exatamente o momento que aprendi, mas provavelmente aprendi com minha mãe", relata.


 

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Apesar do inegável marco na cultura ocidental, o nome mais conhecido do trap americano carrega consigo inúmeras controvérsias
por
Aline Freitas
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29/06/2022 - 12h

Por Aline Almeida de Freitas

Mesmo tendo seu início nos anos 90, é inegável que o Trap vive o seu ápice na atualidade. O estilo musical dominou a cultura moderna e já é presença garantida em festivais e premiações ao redor do mundo. Dentro disso, o nome de Travis Scott não pode passar despercebido já que o artista se consagrou como uma das maiores representações do gênero.  Desde o boom de sua carreira em 2018, Scott atraiu uma legião de fãs, como Vinicius Gil, estudante, de 25 anos, que acompanha sua trajetória desde 2019. "Ele batalhou muito para chegar aonde chegou como artista e influenciador”, afirma.

Não é atoa que Gil o classifica como mais que apenas cantor. Com o auxílio das redes sociais, o trapper extrapolou os limites da música e se tornou também uma personalidade a ser copiada, ou, simplesmente, um influenciador. A sua influência é tão grande que até mesmo suas roupas são motivo de inspiração. Contudo, apesar das inúmeras conquistas, a carreira de Scott não é marcada apenas por pontos positivos. As polêmicas também se sobressaem quando seu nome é mencionado. 

Em 5 de novembro de 2021, o festival Astroworld, promovido pelo trapper americano Travis Scott, foi cenário de um desastre. Ao menos 10 pessoas morreram pisoteadas e centenas ficaram feridas depois da confusão generalizada que tomou a plateia. O acontecimento gerou grande polêmica quando vídeos do cantor dando continuidade a apresentação enquanto via o tumulto nas arquibancadas circularam na internet. Muitos o acusaram de ser conivente e até mesmo responsável pela tragédia. Para Gil, o cantor deve ser responsabilizado. "Avisaram que as pessoas estavam se machucando e mesmo assim ele continuou o show", diz.

Já para o também admirador do cantor, Gabriel Golveia, de 16 anos, Travis não teve culpa no que aconteceu. ''Ele postou um vídeo se pronunciando depois do show, disse que não sabia de nada e estava devastado. Não foi culpa dele, na minha opinião", conta. 

Essa, entretanto, não foi a única controvérsia envolvendo as performances do cantor. Mesmo que Scott nunca tenha presenciado uma tragédia de tamanha dimensão, a incitação da baderna nos seus shows já havia recebido diversas críticas. Inclusive, esse é o tema central do seu documentário na rede de streaming Netflix. 

Previamente a esse acontecimento, como mostra o documentário, o astro já havia pedido para seus fãs baterem em um garoto que tentou pegar um de seus tênis enquanto o cantor realizava um flashmob. Scott também foi preso, em Chicago, após incentivar seus fãs a invadirem o festival Lollapalooza.  Para Gil, as atitudes do cantor o desmotivam de ir a um show. "Não me sentiria seguro no ambiente, não considerando o jeito que o público se comporta".

Golveia tem uma visão diferente, "Tenho muita vontade de ir, até comprei ingresso para o Lollapalooza Brasil em 2020 porque ele era um dos destaques, mas vendi quando mudaram a lineup", conta. O estudante ainda afirma que a baderna durante as performances do cantor é um atrativo para ele "Deve ser uma experiência única", opina. "Não tenho medo de me machucar, acho que os fãs aprenderam depois do Astroworld". Travis Scott tem muitos fãs adolescentes como Golveia e seu nível de influência causa debates acerca do que esses jovens estão adquirindo dessa admiração. 

A psicóloga Bharesca Ayres é coautora do artigo "Ídolos e Apoio Emocional: Reflexões sobre a dinâmica do fã adolescente contemporâneo", que discute pontos acerca do papel de uma celebridade idolatrada na vida de um adolescente. Em entrevista, ela afirma que, em um nível patológico, o adolescente não é capaz de distinguir o artista da obra e acaba se inspirando nos atos dele e complementa, "o adolescente, por estar nessa fase de desenvolver a identidade, tem qualquer interferência externa como possível gatilho de consequências negativas para o produto final que é o que ele vai se tornar".  Esse contexto, certamente, se torna aliado das críticas quanto à postura do artista, considerando a faixa etária de seus fãs e o seu histórico de ações. 


 

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O intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal é um dos pilares de uma das mais tradicionais casas de eventos da cidade
por
Luiza Fernandes
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28/06/2022 - 12h

Por Luiza Ferreira Pires da Costa Fernandes

No dia 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS), declarava que o mundo estava vivendo uma pandemia de Covid-19. A única forma de proteção que havia até aquele momento era o distanciamento social, fazendo com que o mundo todo se isolasse. O setor cultural sentiu essa paralisação de forma intensa, dois anos sem que pudesse haver a realização de shows e eventos, surgiram lives e até mesmo peças de teatro a distância, mas existe uma particularidade dos eventos presenciais, que não pode ser reproduzida. Eventos culturais representam algo muito além do simples entretenimento, são uma forma de conexão do espectador com aquilo que é apresentado, na cidade de São Paulo existe um lugar que entende isso muito bem, a Casa de Portugal de São Paulo. Lá acontecem dezenas de eventos todos os anos e é ali que muitos portugueses se reencontram com as raízes de seu país. 

“Muito além de assistir a um show, as pessoas vêm a Casa para se conectarem com a sua história, a comunidade portuguesa é muito presente na cidade e aqui existe um pedaço de Portugal”

Roberto Barreto Mendes é o Secretário Geral da Casa de Portugal de São Paulo a 4 anos e conversou com a reportagem sobre a importância de que os eventos também sejam uma forma de conectar a comunidade luso-brasileira, mostrando para as pessoas a forte relação entre as duas culturas. 

A Casa de Portugal tem sua sede no bairro da Liberdade em São Paulo e, ela foi fundada no dia 13 de Julho de 1935 por portugueses e luso-brasileiros de grande destaque daquela época, que se reuniram com essa finalidade no então “Centro do Minho”, uma associação que representava os portugueses desta região. 

O local dispõe de um patrimônio que ressalta a tradição e a preservação dos valores históricos, culturais e a presença dos portugueses em São Paulo. Foi criada com a intenção de servir como uma instituição de apoio e assistência à Comunidade Portuguesa daquela época.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Cadastro e Registro Estrangeiro (Sincre) e organizada pelo Observatório de Turismo e Eventos de SP (Spturis), a maior comunidade estrangeira vivendo em São Paulo é a portuguesa, com mais de cem mil membros. É justamente para enaltecer a importância que essa população tem na cidade que a Casa de Portugal vem todos os anos promovendo um intercâmbio cultural entre os dois países, através da música.  “Apostamos muito na relação entre o Fado e a Música Popular Brasileira (MPB), são os dois ritmos mais tradicionais dos dois países e ambos carregam muita história, ao serem apresentados juntos no mesmo palco, o luso-brasileiro se sente visto, a gente consegue contar, através da arte, um pouco da história daquela pessoa.”

No mês de Abril foi a última apresentação dos dois ritmos lado a lado no palco da Casa, no dia 29 aconteceu a segunda edição do Festival de Fado e MPB, dessa vez com o show “Toquinho e Convidados Cantam Brasil e Portugal”. Toquinho era a estrela da noite e se apresentou ao lado de Marta Pereira da Costa, jovem talento da guitarra portuguesa e considerada a única mulher que toca profissionalmente o instrumento, em nível mundial. 

 

 

Festival de Fado e MPB recebe Toquinho e Marta Pereira na Casa de Portugal  SP - Jornal Mundo Lusíada

Com um repertório movido pelos grandes sucessos de Toquinho e alguns dos fados mais conhecidos, todo o público se emocionou. “É muito bom poder estar de volta na Casa de Portugal, ainda mais com um show como esse, que faz a gente relembrar músicas brasileiras e portuguesas juntas.”

Ana Amália, 66, é aposentada e frequenta os shows e eventos na Casa de Portugal desde 2016, “Para mim é um lugar muito importante, que representa muito afeto, sempre que posso eu tento estar presente em tudo que acontece por aqui, faz eu me lembrar dos meus pais e de outros laços familiares”.

A importância da Casa de Portugal vai muito além de ser uma casa de shows, é um espaço que reforça identidades e que participa ativamente da valorização da cultura portuguesa, tão fundamental para a construção da cidade. Indo a um show como o festival de fado, é possível identificar todos esses elementos de forma muita clara, existe mesmo ali um pedacinho de Portugal. 

 

 

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O número de animais abandonados e vendidos após maus tratos ainda é alarmante no Brasil
por
Larissa Isabella
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28/06/2022 - 12h

Por Larissa Isabella Araújo de Sousa

Itapecerica da Serra, interior de São Paulo, uma paisagem iluminada pelo crepúsculo, à medida em que caía o sol, Bruno Roberto dos Anjos ficava cada vez mais empolgado para contar sobre os cães que a ONG cuida e seus nomes criativos. Na ONG Cão Sem Dono o principal ponto é o bem estar do animal e o incentivo à retomada deles para a sociedade a fim de fazer com que a adoção seja possível.  No Brasil há mais de 30 milhões de animais de rua entre cães e gatos segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), destes cerca de 170 mil estão sob os cuidados de ONGs que lutam pela causa animal.


Durante a pandemia do coronavírus a situação ficou ainda pior. Além do crescimento da taxa de abandono, os animais começaram a ser deixados em piores condições. Bruno contou que após os 20 anos da organização, os animais começaram a chegar mais machucados, mais magros por estarem passando fome. As ONGs têm uma batalha árdua para conseguir se manter e construir uma boa estrutura para abrigar cada vez mais bichinhos, além disso como não possuem uma entrada fixa de renda elas dependem muito das doações da população. Outra forma de ajudar é apadrinhando um animal, ideal para quem ama os animais, mas não consegue cuidar de um por qualquer motivo.

Em um País em que grande parte da população ainda compra animais, o abandono por qualquer situação fora do controle dos tutores ainda é muito comum. O funcionário da ONG explica que as pessoas têm muito enraizado na mente um cachorro ideal para a adoção, elas chegam com o pensamento voltado em uma fêmea dócil, de pequeno porte e que seja quieto. Irônico como querem adotar um cão para companhia, mas quanto mais humanizado o animal for melhor. A sociedade está muito movida ao bem-estar próprio e ignora que os animais também precisam ser acolhidos, compreendidos e, claro, se necessário, adestrados. No entanto, não deve-se chegar com uma ideia tão fixa de algo vai ser bom apenas para o tutor, dessa forma a probabilidade de devolver o bichinho é grande.

Ao conversar com tutores de animais adotados, o principal incentivo na hora da adoção é sempre a ligação com o cãozinho. Inicialmente a ideia surge por gostarem de bichos desde pequenos e depois de entender que os animais têm sua própria personalidade, as pessoas começam a procurar por organizações seguras que tratam os animais corretamente e então tentam se conectar com um dos bichinhos, para depois adotar.

A venda de animais é ainda uma prática muito comum no Brasil, porém se trata de uma ação ilegal regulamentada na lei de número 11.977 de 25 de agosto de 2005. A ilegalidade acontece porque em grande parte dos casos de criação para o comércio, os animais são explorados e passam por maus tratos em prol de um benefício financeiro a quem os cria. A estrutura das organizações não é só sobre o tamanho e quantos animais conseguem cuidar, é sobre a forma que os tratam.

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